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'Preciso contar meus gols, logo me igualo ao Pelé', Adriele é destaque no futebol de praia brasileiro

Adriele Rocha da Silva, a 'Pitty', defende atualmente o Sampaio Corrêa, do Maranhão Arquivo Pessoal

Você sabia que o Brasil tem uma das melhores jogadoras de futebol do mundo? Aposto que você pensou na Marta, não é verdade? Mas não é dela que estamos falando. É de Adriele Rocha, atleta de futebol de praia que defende o Sampaio Corrêa-MA.

Nascida em Araioses, a jovem maranhense foi uma das três finalistas do prêmio de melhor do mundo em 2018, conquistado pela russa Fedorova. Além disso, a brasileira também concorreu ao gol mais bonito do ano ao lado de atletas masculinos.

“Ano passado foi mágico. Sou apaixonada por futebol e em especial pelo beach soccer. Trabalho muito forte no dia a dia, nos meus treinos, para ser uma atleta profissional e poder viver da minha maior paixão. O que aconteceu em 2018 serviu de motivação extra para eu seguir no meu caminho”, disse a jovem, de apenas 20 anos.

O primeiro contato com o futebol praticado na areia foi aos 13 anos, quando disputou um campeonato na região de Tutóia, no Maranhão. Para ela, que sempre gostou de acompanhar o tio, então treinador e atleta do time Flamenguinho de Frexeiras, poder disputar um campeonato foi algo fantástico.

“Lembro como se fosse hoje. Foi um dos primeiros campeonatos de beach soccer da região. Era um monte de menina apaixonada por futebol se entregando ao máximo nos jogos que, obviamente, não tinha tanta qualidade assim. Afinal, éramos muito novas. Então era mais correria do que técnica”, brinca ‘Pitty’, apelido que Adriele carrega desde aquela época.

Os anos se passaram, mas o amor pelo esporte não. Adriele seguiu treinando em busca de se tornar uma jogadora “de verdade”. E tanto esforço valeu a pena. Hoje, ela tem um currículo recheado de títulos e prêmios pessoais. Isso sem contar no número de gols já marcados, que ultrapassa a marca de 900.

“Eu preciso parar com calma e fazer essa contagem exata dos gols. Mas são muitos mesmo. Daqui a pouco eu me igualo ao Pelé!”, se diverte.

Adriele sabe que, apensar de muito jovem ainda, é referência e inspiração para muitas “Pittys” espalhadas pelo país. Suas conquistas já ultrapassaram as margens do estado do Maranhão, onde ganhou o Troféu Mirante em 2018, prêmio dado aos atletas maranhenses que se destacaram em seus esportes. A BSWW (Beach Soccer World Wide), principal promotora de eventos da modalidade no mundo, a convidou para fazer parte do grupo de atletas de vários países como embaixadores do esporte. Mas ela relembra da falta de estrutura do país.

“O problema do beach soccer no Brasil vem da sua origem. Nunca foi tratado como uma modalidade esportiva, mas sim como um evento de exibição. O que nos faz acreditar em dias melhores é que isso vem mudando, principalmente nos últimos anos. As federações locais estão se organizando melhor, procurando desenvolver também categorias de base e o futebol feminino. Hoje a CBSB (Confederação de Beach Soccer do Brasil) tem um departamento dedicado ao futebol feminino e isso nos enche de esperança de termos mais competições por aqui. Precisamos e merecemos isso”, reivindica a Top 3 do mundo.

A saída de Adriele e tantas outras jogadoras de alto nível que temos em nosso país é o exterior. Boa parte do ano elas passam na Europa para disputar campeonatos fortes, como o italiano, onde Adriele já terminou como artilheira vestindo a camisa do Terracina Feminille, e o polonês, onde, defendendo o Lady Grembach, marcou o gol que ficou entre os 10 mais bonitos do ano.