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Maria Lenk completaria hoje 104 anos; um modelo de longevidade, quebra de recordes e representatividade

Maior modelo da natação e esporte feminino, Maria Lenk completaria hoje 104 anos. Reprodução

Em 15 de janeiro de 1915, nascia em São Paulo Maria Emma Hulga Lenk Zigler. Filha dos imigrantes alemães Paul e Rosa Lenk, a opção dos pais de colocá-la na natação foi com o objetivo de salvá-la de uma pneumonia grave, aos dez anos de idade. O que casal não imaginava era que, mais tarde, ela se tornaria a principal nadadora brasileira da história.

Aos 17 anos, Maria Lenk foi a primeira brasileira a participar dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles (1932). A nadadora compôs uma delegação de 32 atletas, sendo 31 homens. Na época, a presença feminina no evento era uma afronta a sociedade e, ainda assim, ela resistiu.

Em 1936, Maria Lenk embarcou em um navio para sua segunda participação olímpica, dessa vez acompanhada de outras cinco mulheres. Sem medalhas, ‘Madame Butterfly’ foi a responsável pela introdução do nado borboleta nos Jogos Olímpicos. Durante uma prova de peito, ela nadou de um jeito ‘diferente’, torando-se a primeira mulher a ter usado o nado borboleta. 20 anos depois, o nado entrou no programa olímpico.

A esperança era que o ouro viesse em 1940, auge de sua forma física, mas a edição teve que ser cancelada por conta da Segunda Guerra Mundial, bem como a de 1944. Em 1948, quando tudo voltou ao normal, ela já tinha anunciado sua aposentadoria.

Mas muito além de jogos olímpicos, ela se destacou em absolutamente tudo o que fez nas piscinas. Em 1939, enquanto se preparava para as Olimpíadas de Tóquio, ela quebrou dois recordes mundiais individuais, ambos no estilo peito. O primeiro foi nos 200m, com o tempo de 2m56s90 e o segundo, 400m, com a marca de 6m15s80. Aqui, mais uma vez, pioneira: primeira – e única – brasileira a alcançar o feito.

Única brasileira a visitar os Estados Unidos com frequência para treinar, ela foi capaz de quebrar nada mais, nada menos do que doze recordes norte-americanos. Por lá, ela aproveitou para finalizar a faculdade de Educação Física, em Springfield para, mais tarde, ser uma das fundadoras da Escola Nacional de Educação Física da até então Universidade do Brasil (hoje em dia, Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Em 1988, ela foi a primeira brasileira a entrar para o Hall Internacional da Fama na natação. Depois dela, apenas em 2012 outro brasileiro conseguiu o feito, com Gustavo Borges.

Tendo longevidade em seus estudos e em seu dia-a-dia, aos 85 anos ela ainda disputava na categoria máster. Em 2000, na Alemanha, ela disputou o campeonato mundial de natação, fazendo parte de uma categoria dos 85 aos 90 anos e levou cinco medalhas de ouro para casa.

E a natação fez parte de Maria Lenk, literalmente, do início ao fim da vida. Diariamente, ela nadava cerca de 1.500m por dia e foi no dia 6 de abril de 2007 que ela faleceu. Após concluir um treino no Flamengo, ela foi ao hospital e teve uma parada respiratória, aos 92 anos.

Pioneira, a mulher mais importante na natação brasileira completaria hoje 104 anos.