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Hortência relembra 'correria' de vida de atleta e mãe em meio à prata da Olimpíada em 1996

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Hortência relembra proposta do basquete universitário e diz se jogaria na WNBA no seu auge (4:07)

Rainha do basquete brasileiro foi a convidada do ESPN League (4:07)

Hortência não entra em quadra há 22 anos e, ainda assim, foi reconhecida recentemente como melhor jogadora de mundiais de todos os tempos em votação realizada pela FIBA, com mais de 85% da preferência popular. Rainha do basquete, em entrevista ao espnW, ela relembrou a prata olímpica conquistada em Atlanta-96 com a seleção, apenas cinco meses depois de ter dado à luz a seu primeiro filho, João Victor.

A intenção de Hortência não era de fato jogar a Olimpíada de Atlanta e, na ocasião, ela havia anunciado o fim de sua carreira para se dedicar ao filho. Na época, ela tinha passado das quadras para os bastidores, tornando-se dirigente da Confederação Brasileira. Porém, após o nascimento de João Victor, algumas coisas mudaram: “Não sei se eu mudei muito, eu nem tive tempo de pensar. Imagina, ter um filho de cesárea e disputar uma final olímpica cinco meses depois. Eu estava há um ano parada e com dois meses estava na Europa com João Victor no colo e jogando” – disse ao espnW.

Waldyr Pagan, treinador da rainha no início da carreira e parte da comissão técnica da seleção feminina de basquete, a convenceu e ela voltou a integrar a seleção brasileira. Claro que não em sua melhor forma física, mas ela não deixou de treinar, ainda que sem bola. “O João Victor tinha quinze dias e eu coloquei uma esteira dentro do meu quarto, corria o dia todo. Ele chorava, eu parava. Sorte que ele largou o peito nessa época e, um mês depois, eu já estava na quadra” – complementou Hortência, que após a Olimpíada, foi draftada na WNBA e não quis jogar.

Ela também relembrou da pressão: “Quando tive o filho, a pressão começou. ‘A Hortência tem que jogar’. Eu parava no posto, o frentista falava que eu devia jogar. A imprensa não parava de dizer isso”. Para ela, se apresentar mal era inaceitável, ficar no banco não estava nos planos e ela só jogaria se sentisse estar em condições: “Faltava uns dez ou quinze dias para os Jogos Olímpicos e eu decidi ir. Eu nunca fiquei no banco e eu não ia terminar minha carreira no banco”. Foi então que o técnico, Miguel Ângelo da Luz a informou que ela seria titular.

Hortência atuou, em média, 28 minutos e só não jogou contra a China e a Itália, tendo em vista que a seleção já estava classificada para as quartas de final. Em seguida, ela atuou contra Cuba, maior rival do Brasil e anotou 17 pontos na partida para eliminar as caribenhas. A final foi contra a equipe norte-americana, donas de cada e seleção mais forte do mundo.

Final marcante: medalha inédita para o basquete feminino, oficialmente a última partida de Hortência e ela relembra: “Acho que fomos longe demais com a equipe que tínhamos. A verdade é que a dupla Hortência e Paula se completava. Quando ela começava mal no jogo eu a puxava, quando eu começava mal, ela me puxava até ir embora. Eu não tive forças para puxar a Paula, ela teve que me puxar, em todos os jogos. E ela não começou bem contra os Estados Unidos e eu não tive forças para puxá-la. Não foi isso que fez nossa equipe perder, mas a gente tinha essa coisa. Mesmo sem querer, isso acontecia muito”.

A prata com gosto de ouro marcou o último jogo de Hortência que, mais tarde, viria a ter Antônio Victor, seu segundo filho, nove meses depois da decisão em Atlanta-96.