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Outubro Rosa: Ela superou o câncer de mama, conquistou bronze no Mundial durante o tratamento e não parou por aí

Raquel Viel conquistou o bronze no Mundial do México sem ter terminado sessões de quimioterapia CPB

Superação é o que melhor define Raquel Viel. Paratleta da natação da categoria S12 (deficiência visual), ela venceu uma luta ainda maior do que qualquer campeonato e foi fora das piscinas: o câncer de mama.

Raquel descobriu que tinha um nódulo com características de benigno antes de competir a Paralimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. “Com o tempo percebi que foi aumentando, voltei a minha médica e ela disse que não tinha nenhum problema. Mas começou a me incomodar e eu disse a ela que queria retirar” – contou Raquel ao espnW – “Ela disse que eu podia competir a paralimpíada tranquila e na volta, faríamos uma biopsia e tiraríamos se fosse o caso”. Um mês depois de voltar dos jogos paralímpicos com a quarta colocação no 100m costas, seu melhor tempo até hoje, ela constatou que estava mesmo com câncer de mama.

“Quando descobri, foi bem difícil para mim” – disse a atleta. Aos 12 anos, Raquel perdeu a mãe, vítima de câncer: “Não era de mama, mas era um câncer, foi bem assustador e pensei que tudo tinha acabado em minha vida. Vem o diagnóstico, vem a queda do cabelo... Muitas coisas novas, é bem complicado”.

Durante a batalha contra o câncer, Raquel continuou a fazer atividades físicas e natação, e contou que “se não fosse treinar ou nadar eu ia ficar em casa e ia acabar piorando a situação”. No início de 2017, ela foi voltando aos treinamentos de forma adaptada, mantendo sempre alinhados sua médica e seu técnico, o que fez com que ela não perdesse tanta capacidade aeróbica. “No final da quimioterapia, eu estava bem cansada. Não aguentava nadar quase nada, mas foi feito um treino adaptado que fez com que eu tivesse condições de competir mesmo fazendo quimioterapia” e foi o que ela fez.

Faltando uma sessão de quimioterapia, Raquel alcançou o índice para o Mundial de Natação Paralímpica. “2017 foi um ano cheio de desafios: treinar fazendo quimio, ter conseguido competir faltando uma sessão foi uma vitória, ter feito o incide foi uma vitória ainda maior. Acho que ninguém esperava, nem eu, nem técnico, nem médico” – contou a atleta. Seguido a isso, ela fez a cirurgia e retirou parte da mama, voltando a nadar cerca de 25 dias depois, fazendo apenas movimentos de braço e, paralelamente, radioterapia. “Aí veio o mundial do México” – disse. Foi lá onde ela conquistou o bronze.

“Essa medalha veio com gosto de uma grande vitória. Todos os desafios foram representados nessa medalha. Ela representou minha vida, a oportunidade de ter uma vida nova, superar uma doença, um tratamento difícil... O bronze foi um presente para mim” – emocionou-se Raquel. Ela continua treinando e tendo objetivos de competir, mas reconhece que o tratamento deixou algumas restrições a ela: “Tenho um pouquinho de limitações nos movimentos do braço, ainda tenho uma fibrose pós cirúrgica, além de ter perdido massa muscular, tenho que ir com calma”. Para ela, o maior desafio é nadar o mesmo tempo em que ela nadou no Rio em 2016. Hoje, ela faz o mesmo treinamento que toda a equipe de forma periódica e também pensa em Tóquio 2020, mas antes, pretende chegar a outro lugar: “Tenho objetivo de participar do Parapan-Americano no ano que vem, em Lima, no Peru”.

Depois de toda superação, Raquel conscientiza outras mulheres sobre a importância de fazer o autoexame: “Acho importante a campanha em cima do outubro rosa, mas todos devem ter consciência de que devemos conhecer nosso corpo, estarmos atentas a qualquer mudança e que isso é importante o ano todo, o mês de outubro é apenas um alerta”.

No dia 31 de outubro, você acompanha AO VIVO às 19h na ESPN Extra e WatchESPN, o Olhar espnW, com Marcela Rafael e Flávia Delaroli, com o tema "Outubro Rosa". Não perca!