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A jogadora que já pode marcar festa toda vez que quebra o nariz; Sue Bird é três vezes campeã da WNBA

Armadora do Seattle Storm, número 10, melhor amiga de Diana Taurasi e uma lenda. Sue Bird acabou de vencer o título da WNBA, seu terceiro atuando pelo Storm e com sua famosa “máscara de nariz”. A fama da máscara é porque Bird curiosamente já venceu três medalhas jogando com o nariz quebrado: dois ouros na WNBA e um bronze no mundial com a seleção americana.

Neste ano, Sue teve seu nariz quebrado ao tomar uma cotovelada de sua parceira de equipe, Breanna Stewart, durante o jogo quatro das semifinais, contra Phoenix Mercury. Ela decidiu jogar o quinto jogo mesmo assim, com sua máscara de nariz. Ela disse a Michelle Voepel, repórter da ESPN, que é a quinta vez que ela quebra o nariz na carreira e por isso, ela já tinha uma máscara no vestiário. Neste jogo, ela não conseguiu voltar à quadra porque não teve como conter o sangramento, mas no jogo seguinte lá estava ela.

A tricampeã da WNBA já fez muitas festas jogando com a máscara. Em 2004, também jogando pelo Seattle Storm, ela teve seu nariz quebrado num choque com Teresa Edwards, do Minnesota Lynx. O jogo seguinte seria contra o Sacramento Monarchs pelas finais de conferência e Bird teria que ser submetida a uma cirurgia. Porém, havia um ‘melhor de três’ contra o time de Sacramento e ela queria jogar.

Na época técnica do Storm, Anne Donovan disse: “Ela não pode esperar muito tempo porque senão ele vai cicatrizar onde está, mas também não pode fazer muito rápido por conta do inchaço. O ideal seria fazer em cinco dias”. O quinto dia seria o segundo jogo contra os Monarchs e Bird esperou um dia a mais para operar.

“O mais difícil é isso” – disse Bird apontando para a máscara – “Eu não estou preocupada em ser atingida, durante o treino ela me protegeu. Você não pode se concentrar nisso”. O time de Seattle, com Sue Bird atuando em todos os jogos com nariz e recordes quebrados, venceu o primeiro título da WNBA em cima do Connecticut Sun, em que Bird marcou dez pontos.

Dois anos depois, Bird novamente apareceu com a máscara. Durante uma partida contra o Los Angeles Sparks, ela teve um problema no nariz – que não se sabia ainda se era de fato uma fratura – e passou a usar a máscara novamente. No dia, ela saiu do Staples Center com uma toalha tomada por sangue. “Não fiquei nada mal, é o que acontece quando você é atingido dessa forma” – disse a armadora.

No mesmo ano, ela veio para o Brasil jogar o Mundial. No Ibirapuera, ela atuou com a seleção americana de máscara, derrotada pela Rússia e disputando a medalha de bronze contra a seleção brasileira, onde venceu por 99 a 59. Bird liderou a equipe com 41 assistências.

Este ano a máscara esteve presente. Em artigo publicado pela armadora no The Players Tribune, ela disse que, como atleta, a pior parte de ter um nariz quebrado não era a dor e sim, ter que esperar.

“O médico de nosso time, Adam Pourcho, fez um ótimo trabalho para colocar meus ossos no lugar. E assim, apenas em termos de como eu me sentia, quero dizer, eu poderia ter voltado para jogar. Mas então, em toda a parte me diziam ‘não posso tocar em você se está sangrando’ por conta de alguns detalhes médicos que você nem pensa [...] (Desculpe, eu não sou médico, apenas alguém que quebra muito o nariz). Devido a alguns riscos, há uma regra em que você não pode voltar a jogar enquanto está sangrando. E aqui está o que acontece: VOCÊ NUNCA PARA DE SANGRAR. Sério, você nunca para. É horrível. Você só sangra e sangra, você está jorrando sangue e você está tentando e tudo e não para [...] Cara, estou dizendo. Eles tentaram de tudo. Nossa equipe de treinamento é uma das melhores do mundo. Mas quando você quebra o nariz, o sangramento é meio que... Para quando quer parar sabe? Nem um segundo antes.”

Sem sangramento e com máscara, Sue Bird anotou dez pontos e pegou dez rebotes na vitória em cima de Washington Mystics por 98 a 82, conquistando assim seu tricampeonato da WNBA pelo Seattle Storm e é, de fato, uma lenda.