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Hortência celebra indicação a melhor dos Mundiais e lamenta basquete atual: 'Perder Sul-Americano nunca aconteceu'

Hortência foi a primeira brasileira a entrar no Hall da Fama do basquete, em 2005 Getty Images

Houve um tempo em que tivemos uma Geração Ouro no basquete. Há exatos 22 anos, a seleção brasileira de basquete feminino vencia prata olímpica em Atlanta, sendo superada pelos Estados Unidos. O time era composto pelas lendas Janeth, Magic Paula e, ela: Hortência.

Pela seleção, Hortência também conquistou bronze (1983), prata (1987) e ouro (1991) nos Jogos Pan-Americanos. Em 1994, na Austrália, ela levou o Brasil ao título mundial, sendo o único até hoje. Na competição, ela foi cestinha na semifinal contra os Estados Unidos, eliminando a equipe americana e partindo para a final, contra a China, onde venceu e foi eleita a melhor jogadora da competição.

Nessa semana, a FIBA anunciou nove mulheres aspirantes ao título de GOAT (melhor de todos os tempos) da Copa do Mundo de Basquete. Hortência é a única brasileira entre elas, disputando inclusive com lendas da WNBA, como Sue Bird e Diana Taurasi, que ainda estão em atividade.

“O fato de estar concorrendo com atletas que ainda jogam é difícil, porque por estarem jogando, elas ficam sempre na mente das pessoas que acompanham o basquete” – disse Hortência, em entrevista exclusiva ao espnW, e completou falando de sua felicidade por fazer parte disso - “Fiquei muito feliz porque mesmo depois de 22 anos fora das quadras eu fui indicada, me senti honrada, não esperava e de repente aconteceu. É muito bom estar sendo valorizada. Independente de ganhar ou não, concorrer com nomes tão importantes, alguns que já joguei contra, de outra geração... Estou feliz! ”

Ela soube da indicação pela sua companheira de seleção, Magic Paula, que publicou um tuite parabenizando-a.

O prêmio é definido por votação popular e, por isso, Hortência brinca sobre sua liderança disparada: “Acho que descobrimos primeiro, então vamos votar”.

Como Hortência fez parte da era dourada do Brasil, o país ficou ‘mal-acostumado’ com tantos títulos e hoje, vive uma situação delicada no basquete. Com isso, muitas cobranças como a ausência da seleção no mundial deste ano, são questionadas. Hoje, o técnico Carlos Lima tem buscado mesclar jogadoras da nova e da antiga geração. Érika é um exemplo de atleta que está na seleção há vinte anos, enquanto Stephanie, é uma pivô de apenas 18 anos de idade. Para a Rainha Hortência, misturar as gerações é importante e fundamental: “Eu passei por isso quando tivemos uma renovação na minha época. A gente se perdia porque éramos jovens e não tínhamos o exemplo de ninguém experiente para nos orientar. Seria fundamental para nós na época” – completou.

Sobre a cobrança, acredita ser algo normal “por conta do passado, de vitórias e títulos”, mas que é necessário ter paciência até que o time melhore, já que o trabalho está sendo feito aos poucos pela nova gestão. “O que estamos vivendo hoje é consequência de uma gestão péssima de anos e anos atrás. Temos que acreditar no trabalho para que a nova gestão demonstre o que está fazendo” – contou ao espnW.

A seleção brasileira perdeu o título Sul-Americano desse ano, pela diferença de apenas um ponto, após ter sido derrotado pela Argentina na Colômbia. O Brasil não ficava sem o título desde 1984, há 16 edições. “Nosso basquete está numa situação ruim, perder um Sul-Americano é algo que nunca cogitamos, ficar fora de um mundial também não é bom. Mas temos que ter paciência e acreditar” – disse a Rainha Hortência.

A votação para GOAT pode ser feita pelo site da FIBA, clicando aqui. Até agora, Hortência está na liderança com 87% dos votos.