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FIFA confirma 15 casos de assédio sofrido por jornalistas na Copa do Mundo

Federico Addiechi é o responsável pela não-discriminação e diversidade da FIFA Getty Images

Responsável pela não-discriminação e diversidade da FIFA, Frederico Addiechi falou sobre as medidas implementadas durante o Mundial para que não houvesse problemas em relação a racismo e assédio. Ele afirmou que há quatro anos, começaram a trabalhar em conjunto com o comitê organizador e completou: "Treinamos mais de 40 mil pessoas para que não houvesse discriminação, todos os árbitros, por exemplo, tinham a possibilidade de agir se houvesse situações discriminatórias no campo ou nos estandes, bem como um sistema de monitoramento e anti discriminação para evitar problemas. Isso valeu a pena”.

Piara Powar, diretor executivo da ONG Football Against Racism in Europe (FARE Network), disse que houve cerca de 45 casos de assédio sexual durante a Copa, sendo eles 15 contra jornalistas enquanto estavam trabalhando. A FIFA, por sua vez, descobriu o nome das pessoas através de seus Fan ID e alguns deles foram deportados. A organização está pensando em como tratar desses casos para que não aconteça no futuro.

Já em relação ao racismo, o ex-jogador do Real Madrid Geremi Njitap afirmou que, antes do torneio na Rússia, ele havia se preocupado muito com questão racista. Ele, que é natural de Camarões, disse que só quem passou por alguma situação do tipo sabe o quanto é difícil, e completou: “O que está claro é que agora, essa questão está sendo mais discutida do que antes, o futebol pode fazer as pessoas respeitarem e compartilharem essa adversidade”.

Foi também o que disse Alexandra Loras, especialista em diversidade racial, em entrevista à ESPN, sobre o poder do futebol na discussão desse tipo de situação. Ela ressalta que, no Brasil, o futebol é como religião que mistura cultura, espiritualidade e emoção e completa: “Vejo que é esporte popular, mas junta todo o espectro da população (...) Acho que o futebol é um veículo extremamente poderoso, se não for o mais importante, porque você vê que no tempo das eleições falam mais de futebol”.

Aleksey Smertin, ex jogador de futebol e embaixador da Rússia 2018 na luta contra a discriminação, mostrou-se satisfeito com a resposta de seu país. "Talvez muitas pessoas não tenham informações suficientes sobre o que é a Rússia, já expliquei inúmeras vezes quando estive em outros países que não há problemas de discriminação na Rússia”.

Lembrando que a Copa do Mundo foi palco oportuno de muitas discussões, inclusive culturais, como por exemplo a presença de torcedoras do Irã no estádio de futebol.