Atleta vencedora e, agora, mãe. Quase 40 dias após o nascimento da primeira filha, Lara, Dani Lins prepara seu retorno às quadras. A levantadora já recomeçou os treinos físicos e está sob os cuidados e as orientações do preparador físico da seleção brasileira de vôlei e bicampeão olímpico, José Elias, Proença.
Lara nasceu no dia 25 de fevereiro e, após a cesariana, a campeã olímpica (Londres-2012) aposta nos conhecimentos de Zé Elias para retomar a carreira em alto nível. “A metodologia de trabalho do Zezinho, com ênfase no pilates, é ótima. Ele até brinca assim: ‘acho que eu estou esquecendo da musculação,’ mas sinto que, no pilates, você faz uma musculação e às vezes fica até mais cansada do que quando só puxa ferro na academia. E eu acho muito melhor. É um estilo livre e sem o estresse de só ficar pegando peso”, ressalta Dani Lins.
Dani Lins não esconde a ansiedade em voltar aos treinos com bola e conta ter precisado insistir com sua médica até ser liberada para a prática de atividades físicas. “A doutora me liberou porque eu pedi. Falei: ‘preciso fazer alguma coisa, estou entediada de ficar em casa’. Espero que, daqui a um mês, já consiga treinar com bola. Vai depender muito de como está a cicatriz, mas acho que por eu ser atleta, o processo é muito mais rápido”.
O objetivo da levantadora é reunir condições físicas e técnicas para integrar a seleção brasileira ainda em 2018. “Eu queria jogar a Liga das Nações (maio a julho), mas não vai dar tempo, ainda mais porque a Lara não pode viajar antes dos três meses. Pelo que eu sei, o Zé Roberto (técnico José Roberto Guimarães) me inscreveu na Copa Panamericana, no final de julho, quando espero estar pronta para jogar. O objetivo maior é ir para o Mundial, no final de setembro, no Japão. Se eu estiver fisicamente bem, tecnicamente bem e o Zé Roberto achar que eu tenho condições de ir, vou fazer de tudo para dar o meu melhor. Quero muito ir. É o único campeonato que a seleção feminina não tem, né?”
Zé Elias explica que o principal cuidado com Dani Lins deve ser com as articulações. “Na preparação do corpo para o parto, há liberação da elastina, que, junto com o colágeno, é um componente de tendão, ligamento e cartilagem. A articulação começa a se abrir, dando condição para o parto. E isso requer cuidado, porque, no pós-parto, esses espaços articulares continuam presentes e podem gerar instabilidade. Tem um ditado que é assim: se levou nove meses para gestar a criança e abrir os espaços articulares, vai levar nove meses para voltar ao que era antes. Mas, com a memória de um trabalho prévio, o pós-parto pode ser facilitado e, por exemplo, no caso do atleta, em três meses ela pode resgatar a estabilidade articular.”
Para uma jogadora de vôlei, esse preparo é ainda mais importante, porque o esporte exige movimentos muito bruscos, que podem machucar as articulações se elas não forem preparadas corretamente. “O primeiro passo no treinamento pós-parto é favorecer a centralização dos ossos dentro da articulação e, então, dar estrutura e estabilidade aos movimentos. Só depois começa o trabalho de força e estabilidade, até possibilitar a volta de movimentos mais velozes e gestos técnicos da modalidade.”
Dani Lins está sem clube desde maio do ano passado. Após o anúncio da gravidez, a levantadora não teve seu contrato renovado com o Osasco, mas o clube manteve seu plano de saúde. A jogadora espera continuar na cidade ao menos por uma temporada, no primeiro ano da filha. Assim, ficaria perto do marido Sidão, que joga pelo Corinthians (SP).
