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Mulheres fazem história no Rali Dakar; destaque treina até com esqui na montanha

Laia Sanz é a mulher de maior destaque no Rali Dakar Getty

O Rali Dakar 2018 já está rolando e neste ano, a mais dura e longa prova de rali do mundo alcançou uma marca inédita: recorde de participação feminina. No total, são 13 mulheres desafiando dunas, calor e chuvas, entre 545 pessoas; ou seja, elas representam 2,39% de pilotos e navegadores. O número ainda é pequeno, mas já supera os das últimas três edições: 11 inscritas em 2015; 10 em 2016; e nove em 2017.

Serão quatro mulheres na categoria das motos, duas em quadriciclos, cinco em carros, uma em caminhão e uma em SXS. O grande destaque é a espanhola Laia Sanz (motos). Ela estreou no Rali Dakar em 2011, já completou a competição sete vezes e, em 2015, conquistou seu melhor resultado e o melhor entre as mulheres até hoje: nona colocação – foi 16ª em 2014; 15ª em 2016 e 16ª no ano passado.

“Talvez essas colocações possam ser vistas como algo normal, mas é muito difícil de conseguir com o nível dos competidores. Me considero como qualquer outro piloto e para mim é tão difícil quanto para os homens. Mas é verdade que, no final das contas, gostem os não, as mulheres têm uma limitação física e, por isso, resultados assim são especiais. Me preparo muito bem, mas não dá para brigar de igual para igual em um esporte em que o físico é tão importante. Talvez em cinco anos, uma mulher chegue ao top 5, avaliou a espanhola em entrevista ao site oficial de sua equipe, a Red Bull.

Os treinos de Laia Sanz incluem treinos de uma hora de academia, com alta intensidade e pouco tempo de recuperação entre um exercício e outro. A piloto trabalha todos os músculos do corpo, mas principalmente os braços e o abdominal. “A moto exige muito. Não posso me concentrar em uma parte só do corpo. Também trabalho as pernas, porque passamos muito tempo no processo de sentar e levantar enquanto dirigimos.”

E, claro, seu treinamento inclui sessões de uma a duas horas em cima da moto, em terrenos de diferentes relevos. Mas o que ninguém imagina é que sua preparação também passa pelo gelo. Isso mesmo. Laia Sanz faz esqui na montanha. “É um exercício completo, que me ajuda de diferentes maneiras, como, por exemplo. em acostumar com a altura, porque na moto fazemos muitos saltos. No atual Dakar, há etapas de muita altitude”, aponta.

Mais longa e dura prova de rali do mundo, o Dakar é disputado anualmente na América do Sul, sempre em janeiro. Neste ano, as equipes largaram no dia 6 de janeiro em Lima, no Peru. Serão 14 dias de competição - mais de 9 mil quilômetros –, com término do dia 20, em Córdoba, na Argentina. Esta é a 40ª edição do Rali Dakar.