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Na corrida, mulheres lesionam o joelho oito vezes mais do que os homens

Mulheres são mais suscetíveis a lesões no joelho durante a corrida Getty

O número de mulheres atletas vem aumentando ano a ano, e um dos esportes mais praticados por elas é a corrida de rua. No ano passado, a tradicional Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro teve domínio do sexo feminino, correspondendo a 55% dos inscritos para disputar a prova. E junto com números como esse, vem um dado importante tirado de estudos realizados nos Estados Unidos: na corrida, a chance de mulheres sofrerem lesão é oito vezes maior em relação aos homens.

“São estudos recentes, de 10 anos para cá, já que, no Brasil e no mundo, as mulheres antes não costumavam praticar tanto esporte. E a conclusão é de que elas são, sim, mais suscetíveis a lesões. Na corrida, em que correm risco oito ou nove vezes maior que os homens, a lesão é micro-trauma por repetição de movimento. Já para as dores agudas por fratura ou entorse, por exemplo, comuns em basquete, futebol ... a chance de lesão entre elas é de quatro a cinco vezes maior”, explica ao espnW o Dr. Adriano Leonardi, médico ortopedista especialista em joelho e traumatologia do esporte.

As mulheres que correm precisam lidar, principalmente, com problemas no joelho, e a lesão mais comum é a de ligamento. Mas por que elas são mais prejudicadas do que eles? São três fatores principais: hormonal, anatômico e biomecânico. Além disso, um quarto aparece: o uso diário de salto alto. “No fim de semana, tira o salto e coloca tênis. Isso gera uma sobrecarga anômala e também pode ser uma das causas. Uma pesquisa conclusiva deve ser publicada até o fim deste ano.”

HORMONAL

A menstruação pode influenciar. Mulheres correm mais risco de sofrem lesões musculares e nos tendões da metade para o final de seu ciclo menstrual. “Nessa fase, há aumento do nível do hormônio relaxina, que reduz a quantidade de colágeno nos ligamentos do corpo. Isso deixa os tendões mais frágeis, aumentando a chance de entorse ou contusões”, conta Dr Adriano Leonardi – ele criou o site mulhenoesporte.com.br, que conta com o Grupo de Estudo de Lesão em Mulheres.

Outro ponto é queda da taxa de progesterona na última fase do ciclo menstrual. “Estudos também indicam que, nesse momento, a resposta a qualquer estímulo (como colocar o pé no chão durante a corrida ou mudar de direção em uma jogada no futebol) é reduzida. Em segundos, a articulação que estaria protegida pela rápida contração muscular fica desprotegida.”

Há também uma questão ainda controversa, mas considerada. Como as mulheres têm menor concentração de vitamina D – que promove a absorção de cálcio pelo organismo – do que os homens, são prejudicadas em seu processo de recuperação após praticarem atividades físicas.

ANATÔMICO

“A mulher, por natureza, tem bacia maior que a do homem. Sendo mais larga, tende a forçar o joelho para dentro durante a corrida, o que pode provocar condromalácia patelar (patela é o osso da frente do joelho), uma espécie de amolecimento da cartilagem. Além disso, os ligamentos das mulheres são mais frágeis e menores que os dos homens e, por isso, estão mais sujeitos a rupturas num momento de entorse.”

BIOMECÂNICO

“Corrida de rua envolve o momento de contato com o solo e a fase de propulsão. Quando o pé encosta no chão, está desacelerado e a o movimento da musculatura tem que se sinérgico entre quadril, lombar e coxa. No entanto, no caso da mulher, o quadríceps se contrai mais rápido do que o quadril, o que faz com que o fêmur rode para dentro, podendo gerar trauma de repetição, tendinite e condromalácia, explica o médico.

E como prevenir as lesões? As mulheres que realmente desejam ser corredoras precisam passar por quatro fases de prevenção. Na primeira, é feita uma análise biomecânica, de equilíbrio muscular, testes funcionais para analisar como aterrisam no chão e testes laboratoriais para verificar os níveis hormonais e uma possível suplementação. Em seguida, vem a fase de preparação para o esporte, com um treinador que auxiliará no fortalecimento do core (tronco, abdômen e quadril) e fará ativação muscular. Por vim, vem o ganho de performance para preveria sobrecarga de treino.