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Ela torcia por marido medalhista olímpico; agora é ele que a apoia em 'maratona' do ciclismo

Carla Prada foi campeã do L'Étape Brasil há dois anos Arquivo Pessoal

Já ouviu falar no L’Étape? Criada na França em 1993, a prova oferece a atletas amadores a oportunidade de participarem de um evento com o espírito do Tour de France, a mais tradicional prova do ciclismo de estrada mundial. A competição ganhou o mundo e passou a ser disputada em outros 11 países, entre eles o nosso. O L’Étape Brasil teve sua primeira edição em 2015 e já se tornou o maior evento de ciclismo amador da América Latina. E o mais interessante: entre todos do mundo, é o que tem maior participação feminina. E no ano passado, bateu o próprio recorde.

O L’Étape Brasil de 2017 contou com 2.500 participantes, sendo 15% deles mulheres (375) – 5% a mais que em 2016 e 50% a mais que no ano de estreia. O número parece pequeno, mas levando em conta o L’Etape du Tour (prova francesa), o principal do mundo, é bastante expressivo: em 2017, foram apenas mil mulheres entre 15 mil competidores, o que equivale a 6,6%.

E uma das mulheres que se destacam na edição brasileira é casada com o medalhista olímpico Bruno Prada, prata na vela em Pequim-2008 e bronze em Londres-2012. O velejador é diretor do L’Étape Brasil e disputou a primeira edição, em 2015. Desde então, fica na torcida por Carla Prada. Ele estava lá, torcendo na linha de chegada, quando ela foi campeã em 2016, com o tempo de 4h09min para completar os trechos de montanha de nada menos que 112km.

Na estreia, Carla ficou com a prata (4h25min); e no ano passado, terminou quarto (4h07min). O ciclismo já fazia parte da vida do Bruno quando os dois se conheceram (em 1996) e se tornou um dos prazeres em comum na vida do casal. Professora de ginástica, ela dava aula na academia onde ele malhava e o contato que tinha com o esporte era no spinning e em passeios de moutain bike com seus alunos. Por incentivo do marido, compraram uma bicileta para cada um quando o filho, hoje com 14, tinha um ano.

E então, Carla não parou mais. Dois meses depois, começou a disputar provas de triatlo (natação, corrida e ciclismo). Mais de dez anos se passaram, até que ela resolvesse se dedicar somente ao pedal. “Como não tenho aptidão para corrida, cansei de fazer o que eu não gosto. Minha paixão é o ciclismo. Sempre me destaquei, Fazia tempos parecidos com os de atletas profissionais. Hoje, tenho três bicicletas: de moutain bike, de estrada e de contrarrelógio”, contou ao espnW.

Aos 46 anos, a ciclista treina três vezes por semana na Marginal Pinheiros (SP). Bruno treina com a esposa, compete em algumas provas e está sempre por perto nas que ela disputa. Inclusive para dar bronca.

“Eu para vela, zero. Ele para o triatlo, zero. O ciclismo é um esporte que conseguimos fazer juntos. É bem gostoso. Quando ganhei o L’Étape, ele estava me esperando, vibrando. Foi emocionante. Ele fica cronometrando e sabe todos os meus tempos. Mas me cobra também. Um vez, em Las Vegas, eu estava quebrada e só terminei a prova porque sabia que ele ia ficar de cara amarrada se eu desistisse. Fica bravo quando vou mal (risos)”.

Carla espera incentivar ainda mais mulheres a entrarem para o ciclismo. “Minha alunas vem me pedir dicas de qual bicicleta comprar. Fico feliz em motivar, ser uma referência. Quando comecei no triatlo, de 500 participantes em uma prova, 10 eram mulheres. Hoje, mudou muito. O mercado oferece modelo feminino de bicicleta e roupas específicas para nós também. As mulheres estão se descobrindo e começando a ver que tem espaço para todos.”

Os outros países que contam com o L’Étape são Costa Rica, País de Gales, Estados Unidos, Colômbia, China, Inglaterra, Coreia do Sul, México, Austrália e Taiwan. A edição do L’Étape Brasil em 2018 será de 28 a 30 de setembro, em Campos do Jordão (SP).