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Prata no Rio-2016, Marieke Vervoort decide usar autorização de eutanásia e pôr fim à vida

Marieke Vervoort solicitou injeção letal para pôr fim à vida Getty

Marieke Vervoort emocionou o mundo no ano passado. Com papéis assinados para sua eutanásia desde 2008, a belga conquistou medalhas de prata e de bronze no atletismo dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Antes, em Londres-2012, já havia sido campeã paralímpica e faturado outra prata. E o currículo também inclui três ouros no Mundial de Doha-2015. Agora, sua história está perto do fim. Sem suportar as dores, ela decidiu que chegou a hora de pôr fim à vida.

A atleta sofre de tetraplegia progressiva e distrofia simpático-reflexo, uma doença que começou a se manifestar quando ela tinha 14 anos. Na época da Olimpíada do Rio, Marieke já estava sem os movimentos das pernas e tinha apenas 20% de visão.

O quadro se agravou. Ela não consegue mexer nada do peito para baixo, enxerga menos ainda, tem espamos frequentes, não consegue dormir e mal pode se alimentar.

Aos 38 anos, já deu entrada nos formulários necessários com pedido por uma injeção letal. “Não quero mais sofrer. Está muito complicado para mim agora. Estou ficando cada vez mais depressiva. Eu nunca tive esses sentimentos antes. Choro o tempo tempo. Um neurologista ficou comigo a noite toda, enquanto eu tinha um espamo atrás do outro”, contou em entrevista ao jornal Telegraph.

Sua doença começou a se manifetar no tendão de Aquiles e teria resultado de uma rara deformidade entre as quinta e sexta vértebras cerebrais. “Eu sou um touro. Nunca desito das coisas facilmente. Eu não queria aceitar que terminaria numa cadeira de rodas. Mas em 2000, não pude mais evitar. E agora, a medicação para as dores não está mais fazendo efeito”

Marieke Vervoort teve sua eutanásia autorizada pelo governo belga e, durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, afirmou que caso não tivesse conseguido essa garantia, já teria se suicidado. Agora, ela precisa que três médicos assinem os laudos, comprovando que ela sofre de dor e de uma doença sem cura.

A campeã olímpica vai do hospital para sua casa, em Diest, passar o Ano Novo ao lado da família. E já deixou instruções sobre quais procedimentos devem ser tomados depois da sua morte: que tomem champagne e joguem suas cinzas em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.