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por André Argolo
A primeira bicicleta da história foi criada em 1790, segundo escreveu o maior dos curiosos, Marcelo Duarte. Ela não tinha pedais... mas isso se resolveria logo.
Um século depois, o ciclismo já não era mais apenas um meio de transporte. Em Atenas/1896, o ciclismo fez parte da primeira Olimpíada da era moderna. As bicicletas pesavam dezesseis quilos.
Em 1903 foi criada a prova que se tornaria a mais importante do ciclismo mundial. A Volta da França (Tour de France) foi idéia de jornalistas. Geo Lefèvre e Henri Desgrange trabalhavam no L’Auto, que hoje é o prestigiado L’Equipe. Pensaram numa competição que rodasse todo o país para vender mais jornais e acabaram criando notícia por mais de um século.
Outras duas provas de estrada são importantes: as voltas da Itália (comumente chamada de Giro) e da Espanha. Juntas elas formam o Grand Tour e apenas quatro ciclistas na história ganharam em todas elas. Os heróis são o francês Jacques Anquetil, nos anos 50 e 60, o italiano Felice Gimondi, anos 60 e 70, o belga Eddie Merckyx no fim dos anos 60 e início dos 70, e o francês Bernard Hinault no fim da década de 70 e início de 80.
O ciclismo de estrada se tornou famoso com essas competições européias, mas nas Olimpíadas é nas provas de pista que surgem os heróis.
Modalidades olímpicas
A mais tradicional é a quilômetro contra o relógio, em que o vencedor tem de completar mil metros no menor tempo possível. Em Pequim/2008 a prova foi retirada do programa.
Na perseguição individual, dois competidores partem em lados opostos da pista. O objetivo de um é alcançar o outro em quatro quilômetros. Se isso não acontece, vence quem tiver o melhor tempo até a chegada.
Na perseguição por equipes, mesma coisa, mas com quatro ciclistas de cada lado formando os times.
Meio fundo ou prova por pontos é uma prova de 50 quilômetros em que são dados pontos para os cinco primeiros do pelotão, a cada cinco quilômetros. Essa pontuação serve como critério de desempate, caso cheguem juntos dois ou mais ciclistas no fim.
Na prova de velocidade, uma prova da imensa criatividade dessa modalidade. Os ciclistas, no mínimo dois, no máximo quatro, largam para fazer cinco quilômetros em uma primeira volta neutra, com o líder definido em sorteio. Depois disso, eles passam a driblar um e outro, aproveitando o vácuo sempre que possível, até a arrancada final a 200 metros da chegada, quando o cronômetro é acionado.
As provas de estrada (ou rua) também são olímpicas, como a de resistência (igual às das grandes voltas européias) e a 4x100 quilômetros. Nessa, a disputa contra o cronômetro é realizada por equipes com quatro atletas cada, que partem com um minuto de diferença de uma para outra. Vence quem cumpre o trajeto ao menor tempo.
Radicais
Fora do asfalto o ciclismo cresceu muito e também chegou aos Jogos Olímpicos. O Mountain bike nasceu na Califórnia, nos anos 70, criado por jovens que desejavam um esporte mais integrado à natureza. Passou a valer medalha em Atenas/2004.
A corrida de BMX é uma novidade em Pequim/2008.
Leia mais em /BMX
Ciclismo no Brasil
O ciclismo começou a ser praticado no Brasil ainda no Século 19. Em São Paulo, jovens se divertiam no início do século 20 assistindo a corridas de bicicleta nas arquibancadas do velódromo na Rua da Consolação.
A Federação Paulista de Ciclismo foi fundada em 1925. Trinta anos depois, a primeira liga de ciclismo do país é criada em Santos, por um homem que nunca havia andado de bicicleta, Hilário Diegues, um dos maiores incentivadores do esporte no Brasil.
Nenhum ciclista brasileiro conquistou medalha olímpica. O que mais chegou perto foi Anésio Argenton, sexto colocado no quilômetro contra o relógio nos Jogos de Roma/1960.
Atualmente as principais provas do país são a Volta do Estado de São Paulo, a Volta de Santa Catarina, a Copa América, a Copa da República e a tradicional 9 de julho – todas em estradas ou ruas.
Velódromos são poucos. A USP tem um, construído para os Jogos Pan-Americanos de 1963, desativado. Em funcionamento existe o da cidade de Caieiras, na Grande São Paulo, o de Americana (SP), um em Curitiba e outro em Maringá, no Paraná.
Símbolos eternos
Eddie Merkyx
É considerado o melhor ciclista de todos os tempos. O belga venceu o Tour de France por cinco vezes (1969, 1970, 1971, 1972, 1974), o Giro D’Italia também por cinco vezes (1968, 1970, 1972, 1973, 1974) e a Vuelta a España em uma oportunidade.
Lance Armstrong
É o maior colecionador de títulos da história do Tour de France. Ganhou por sete vezes seguidas, entre 1999 e 2005, mesmo depois de ter vencido o câncer.
Gentullio Campagnolo
O italiano começou a carreira de ciclista em 1922. Mas ele marcou o esporte por ter desenvolvido peças para as bicicletas que mudaram o ciclismo. Entre elas, o desenho do câmbio, usado até os dias de hoje.
Símbolos nacionais
Mauro Ribeiro
O único brasileiro a vencer até hoje uma etapa do Tour de France. Foi em 1991, na 9ª etapa.
Anésio Argenton
Tem o melhor resultado do Brasil em Olimpíadas no ciclismo. Em Roma/1960 chegou em sexto no quilômetro contra o relógio. Em Melbourne/1956, havia sido o sétimo na mesma prova.
Hans Fischer
Em Santa Catarina, estado que revela muitos ciclistas, é um mito. Foi campeão pan-americano em 1979, disputou as Olimpíadas de Moscou/1980 e Los Angeles/1984. Morreu em dezembro de 1988, de parada cardíaca.
Murilo Fischer
O catarinense é atualmente o principal brasileiro no circuito mundial. Faz parte de uma equipe de ponta, a Liquigás. Disputou a Olimpíada de Atenas na prova de resistência, ao lado de Luciano Pagliarini e Marcio May.