Ginásio Poliesportivo 'Wlamir Marques'

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Após a conquista do bicampeonato mundial da seleção brasileira no ginásio do Maracanãzinho (Rio de Janeiro), retornamos às nossas atividades clubistas. Durante esse tempo, o S.C. Corinthians Paulista. terminava as obras para a construção do seu  ginásio de esportes.

Como já foi dito em relatos anteriores, o clube mandava seus jogos em quadras alheias ou no complexo esportivo do Pacaembu. Nesse tempo, tivemos 4 representantes corintianos em defesa da seleção: o nosso técnico Moacir Daiuto e os atletas Ubiratan, Rosa Branca e Wlamir.

No mês de maio de 1963, o clube decidiu realizar uma cerimônia de inauguração com um jogo amistoso entre o Corinthians x Macabi da capital, participante do campeonato metropolitano. Foi uma noite fria, com o ginásio ainda necessitando de alguns reparos definitivos.

Não tivemos o ginásio lotado, mas a presença do público foi muito grande, quando pela 1ª vez os corintianos puderam torcer para seu clube de coração em seu próprio ginásio de esportes. Vencemos com facilidade, nesse tempo a equipe já se apresentava muito poderosa.

Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques
Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques Gazeta Press

Passaram-se 53 anos, e no dia 22 de outubro de 2016, a direção do clube decidiu dar o meu nome para aquele maravilhoso ginásio poli esportivo. Foi uma bela cerimônia com a presença da ESPN, além de ex-atletas e de altas personalidades do esporte da cesta. Momentos emocionantes.

Posso afirmar que, com certeza, essa foi a homenagem mais significativa que eu recebi em toda a minha vida. Afirmo que possuo todas as honrarias possíveis do governo brasileiro, além das homenagens ocorridas até os dias de hoje. Foram 10 anos dedicados ao time alvinegro.

Muito me emociona entrar naquele maravilhoso ginásio. Geralmente tudo volta à minha cabeça, foram momentos que jamais esqueci, não apenas pelos títulos conquistados, mas pelo carinho que eu sempre recebi dos torcedores corintianos. Hoje, sou imortalizado e corintiano.

Agradeço sempre muito emocionado todas as referências dedicadas a mim cada vez que ali estou, é uma troca de amor, um namoro eterno. O tempo irá passar e o basquete brasileiro, bicampeão do mundo, sempre estará ali representado. Companheiros de quadra, meu muito obrigado.

Fonte: wlamirmarques

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Ginásio Poliesportivo 'Wlamir Marques'

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1972 - A quinta olimpíada que não veio, o foco nos estudos e um arrependimento

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Kanela, técnico do bicampeonato mundial de basquete
Kanela, técnico do bicampeonato mundial de basquete Divulgação

Como já disse em texto anterior, fui convocado pelo técnico Kanela para participar dos Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha. Antes da convocação, ele entrou em contato comigo me oferecendo uma vaga na sua seleção, só que dessa vez como atleta e assistente técnico.

É claro que me senti honrado com o convite, com 35 anos, essa seria a minha quinta participação olímpica como atleta. De pronto aceitei, achei que o convite era uma oportunidade de poder evoluir meus conhecimentos como técnico. Pensava também no meu futuro.

Naquele momento, a notícia pareceu estranha na mídia desportiva, era a primeira vez que isso acontecia no basquete brasileiro, um atleta ser assistente do técnico principal. Devo lembrar que, em 1972, eu já me encontrava no segundo ano da faculdade. Esse fato mexeu com minha cabeça.

No dia da apresentação eu estava presente. Confesso que tudo me pareceu estranho, tudo muito diferente das outras vezes, quando fui apenas convocado para ser atleta. Interessante que, naquele momento tudo, o que eu dizia para os atletas, eu também dizia para mim mesmo.

Os treinos começaram e eu, além de comandar os trabalhos técnicos e táticos ao lado do Kanela, também executava todas as suas ordens. Na verdade, o Kanela queria ter ao seu lado um remanescente das suas conquistas passadas, até porque eu seria uma espécie de exemplo.

Eu era o capitão e seu representante dentro da quadra. A força que eu possuía junto aos jogadores facilitava muito o seu trabalho. Eu era ali uma pessoa muito respeitada pelo passado vitorioso. Isso eu percebi desde o começo dos trabalhos, onde eu seria uma espécie de para-raios.

Fiquei uma semana concentrado nos treinamentos sem esquecer que eu estava cursando a faculdade de educação física no segundo ano, e que eu havia deixado de lado. Estava perdendo muitas aulas e, na minha cabeça, me sentia em falta com as minhas aspirações futuras.

Meditei muito à respeito desse assunto. Comecei a pensar em desistir da minha quinta participação olímpica em troca da minha carreira de professor. Dito e feito, resolvi pedir dispensa da seleção, embora o técnico Kanela não tivesse aceitado o meu pedido. Os atletas também não aceitavam.

Mas não houve jeito, eu estava decidido não abrir mão dos meus estudos, naquele momento nada era mais importante. Foi uma decisão sentida, mas, na minha cabeça, os estudos eram prioridade. A partir dali, voltei para casa certo do dever cumprido, mas hoje me arrependo.

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1972- A vida continua (2), o trabalho na base e meu nome na lista dos Jogos Olímpicos de 1972

Wlamir Marques
Wlamir Marques

No mês de junho de 1972, me transferi para o Tênis Clube de Campinas. Foi uma transferência sem muita badalação, praticamente esperada no meio. Tinha propostas de outros clubes, mas decidi pelo Tênis. Ótima condição de trabalho. Também fui contratado pela prefeitura local.

Entretanto, ficou muito difícil exercer qualquer tipo de trabalho na prefeitura, pois eu estava no segundo ano da faculdade e residindo em São Paulo. Mesmo assim, dei início a uma escolinha de basquete no Tênis, em troca de um trabalho na prefeitura. Deu resultado.

Todas as segundas, quartas e sextas feiras, eu viajava de carro próprio para Campinas e voltava para São Paulo após os treinos. No dia seguinte acordava muito cedo pois, teria que ir para Santo André. Tinha aulas no período da manhã e à tarde descansava do esforço e da correria.

Antes do treino com a equipe adulta, eu ministrava aulas de basquete para aquela escolinha recém-formada. Comecei com poucos alunos, mas, a cada dia, aumentava o número de garotos ávidos em aprender a modalidade. Era um trabalho que sempre exerci com muito prazer.

Não era a primeira vez que eu exercia esse tipo de trabalho: na prefeitura de São Paulo também criei um núcleo de basquete no Centro Esportivo Thomaz Mazzoni da Vila Maria. No Corinthians, fiz o mesmo trabalho, ou seja, produzir valores para as grandes competições.

Assim eu levei o ano de 1972, com 35 anos e jogando ainda em alto nível, sempre procurando desenvolver as minhas qualidades como técnico. Fui ao encontro de novos métodos de treinamentos, até por que há uma grande diferença em ser dirigido e ser técnico de si mesmo. 

Fui técnico e jogador nessas condições por três anos. Confesso que nunca senti qualquer tipo de problemas, sempre soube tratar meus jogadores com total respeito e carinho. Também nunca me faltaram com o devido respeito, fomos sempre muito mais amigos do que técnico e jogador.

A história do Tênis Clube de Campinas sempre foi marcada por grandes participações no Estado de São Paulo. Era considerada entre as 5 melhores do Estado e, com a minha vinda, passou a chamar muita atenção, recebendo inúmeros convites para apresentações.

Um fato novo surgiu nesse ano de 1972. Era ano olímpico, com os Jogos de Munique, na Alemanha. O basquete brasileiro estava classificado e se preparava para a competição. Na convocação, saiu o meu nome, só que dessa vez eu iria como atleta e assistente técnico do Kanela.

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1971 – A vida continua e o fim dos meus 10 anos intensos no Corinthians

Wlamir Marques
Wlamir Marques

O ano de 1971 foi muito importante para a continuidade da minha vida particular e atlética. Nesse ano houve mudanças na direção do Corinthians, e o basquete infelizmente foi afetado. O presidente Wady Helu, nosso grande incentivador, foi substituído, vindo daí a debacle.

Vários jogadores deixaram o clube, mas, a pedido do novo diretor de basquete, Sr. Orlando Tabuso (ex-árbitro), continuei a defendê-lo, só que dessa vez como jogador e técnico. A partir dali, encerrei as minhas atividades como técnico da base, indo para a equipe principal.

Comecei um novo trabalho elaborando novos planos para a continuidade da nossa equipe. Alguns jogadores ficaram e outros novos vieram para completar o elenco, inclusive com jogadores saídos da base. O resultado surtiu efeito e eu ainda continuava em plena forma.

Vencemos a grande maioria dos campeonatos disputados, sempre contando com participação da nossa fiel torcida. Vencemos um torneio internacional disputado no Ginásio do Ibirapuera com a participação de uma equipe norte-americana, além de Sírio e Palmeiras.

Essa vitória reacendeu o entusiasmo para a continuidade do basquete corintiano mas, com problemas financeiros e atrasos nos pagamentos das ajudas de custo, a equipe foi se desmanchando. A partir desses problemas, comecei a pensar em deixar o clube.

No mês de janeiro de 1971, prestei vestibular na Fefisa (Faculdade de Educação Física de Santo André) e fui aprovado. Esse pensamento vinha há algum tempo sendo adiado, até por que, à serviço da seleção, tive que abandonar os estudos, sendo assim, corri atrás do meu futuro.

Estava em plena forma e, mais uma vez, a pedido do meu amigo e técnico Edson Bispo, fui convocado para os Jogos Pan-Americanos em Havana/Cuba, mas rejeitei o chamado. Os estudos naquele momento eram mais importantes, precisava terminar o curso e seguir em uma profissão.

Por mais um ano dei a minha colaboração para a manutenção daquela equipe vencedora do Corinthians, mas já dava pra perceber que as coisas não seriam mais as mesmas. O clube atravessava problemas financeiros e, aos poucos, os departamentos "amadores" foram desfeitos.

Na metade do ano de 1972, fui convidado para jogar no Tênis Clube de Campinas, com propostas de trabalho e atlética. Seria a continuidade do meu trabalho no Corinthians, onde eu seria técnico e jogador. Aceitei o convite e deixei o Corinthians após 10 anos de intensa dedicação.

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1970 - Meu último jogo pela seleção, ou como tive a iniciativa de abandonar a quadra na Grécia

Wlamir Marques
Wlamir Marques

No texto anterior, afirmei que esse jogo não havia terminado. Explico os motivos: a arbitragem foi caseira e, como sempre, protegendo o time local. Já tínhamos sido alertados que na Grécia era muito difícil vencer, e que a arbitragem seria o nosso maior adversário.

Dito e feito. Quanto maior era nosso interesse em vencer, mais a arbitragem nos impedia. Confesso que nunca tinha passado por isso, com exceção daquele jogo entre Corinthians x União Soviética, realizado no Parque São Jorge, quando um árbitro russo impediu a nossa vitória.

Além da pressão da torcida grega em nossas cabeças, a arbitragem tentava nos prejudicar de todas as maneiras, marcando faltas inexistentes e interferindo sempre em favor da Grécia. A seleção brasileira era muito superior, mas sempre travada em suas ações.

Torcedores gregos em jogo de basquete do Panathinaikos
Torcedores gregos em jogo de basquete do Panathinaikos Getty Images

Sendo assim, o jogo ficou equilibrado e, quando passávamos à frente no marcador, sempre os árbitros encontravam um jeito de a Grécia encostar no placar. Aquilo tudo foi aos poucos nos tirando do sério, pois ao reclamarmos daqueles absurdos, éramos punidos com faltas técnicas.

Com o jogo totalmente equilibrado, chegamos ao seu final. Faltando 3 minutos para acabar, estávamos 2 pontos à frente. Foi marcada uma falta minha de forma absurda que, com a minha reclamação e de todos os outros jogadores, foram marcadas várias faltas técnicas.

Resultado: nos reunimos no meio da quadra e decidimos abandonar a partida. Fomos para o vestiário debaixo de vários objetos atirados em nossas cabeças. Já nos vestiários, os dirigentes locais reconheceram as nossas reclamações e nos pediam para que voltássemos à quadra.

Relutamos em aceitar o pedido, até porque não havia mais clima para a continuação daquele jogo. A torcida estava muito enfurecida, estávamos 2 pontos à frente e eles não aceitavam aquele resultado. Como sempre, houve tentativa de invasão de vestiário, mas impedida pela polícia.

Ficamos retidos algumas horas no vestiário até que o ambiente externo se acalmasse e nós pudéssemos retornar com segurança ao nosso hotel. Mais tarde, ficamos sabendo que aquele abandono de quadra não tinha sido a primeira vez e, que outras equipes haviam feito a mesma coisa.

Essa foi a minha última participação pela seleção brasileira. Trago comigo a iniciativa de abandonar aquela quadra. Se fosse hoje, eu faria a mesma coisa. Era o capitão e me vi na obrigação de defender a nossa pátria. Não aceitei ser roubado de forma tão descarada.

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1970 - Após o Mundial, um amistoso na Itália e um jogo que não terminou no 'Olimpo'

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1970- REPERCUSSÃO DO VICE CAMPEONATO MUNDIAL

Monte Olimpo
Monte Olimpo Getty Images

1970- REPERCUSSÃO DO VICE CAMPEONATO MUNDIAL

JOGOS AMISTOSOS:  Udine (Itália) e Atenas (Grécia)

Imaginando que após o término do Campeonato Mundial na Iugoslávia estaríamos liberados, surgiram dois convites para nos apresentarmos amistosamente em Udine (Itália) e Atenas (Grécia). Ali estava a prova da nossa grande conquista e do reconhecimento mundial. 

Não havia como recusar tais convites, além de a CBB auferir recursos financeiros pelas apresentações. Com tudo pago desde transporte, hotel e alimentação, não havia como negar. Ficamos mais um dia em Liubliana para, em seguida, seguirmos de ônibus até a cidade de Udine.

Udine está situada ao norte da Itália e muito próxima da divisa com a Iugoslávia, hoje Eslovênia. Saímos cedo de Liubliana e chegamos ao redor do meio dia em Udine. Almoçamos e fomos para o hotel a fim de descansarmos, já que o jogo seria realizado naquela mesma noite.

Jogamos contra a equipe local e vencemos com facilidades. Nestes amistosos, o técnico Kanela não esteve presente, cabendo ao Prof. Daiuto a direção da equipe. Neste jogo, eu participei ativamente e pouco senti a tendinite devido aos dois dias de repouso. Me sentia bem melhor.

No dia seguinte fomos de ônibus para Milão. Ali, pegaríamos um voo da Alitalia que nos levaria para Atenas. Foi uma viagem relativamente curta, mas o suficiente para sentirmos um certo desgaste, afinal, já vínhamos cansados do Mundial, sempre muito desgastante.

O jogo em Atenas não foi programado para o mesmo dia. Fomos para um hotel muito próximo da Acrópole, local de maior visitação turística da cidade. O jogo foi programado para o segundo dia da nossa estadia na capital grega, dando-nos tempo para a recuperação.

Ficamos em Atenas o tempo suficiente para visitarmos outras atrações. Já não era uma obsessão ter que vencer a qualquer custo, embora levássemos a sério aquele confronto, era o Brasil que estava em quadra. Fomos para o jogo certos de que seria apenas um jogo amistoso. 

Puro engano. O jogo foi realizado em quadra aberta, ou seja, no antigo Estádio Olímpico onde foram realizadas as primeiras Olimpíadas da era moderna. Era uma espécie de ferradura com uma quadra montada no meio da arena. Muito vento e completamente lotado, torcida feroz.

Confesso que entrei em quadra estranhando tudo, inclusive ter que jogar em um ambiente tão adverso. A torcida grega é muito fanática, não poupando ninguém, seja em jogos amistosos ou não. Dois árbitros gregos foram escalados. Vencemos, mas o jogo não terminou.

Fonte: Wlamir Marques

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1970 - A campanha da seleção brasileira no 6º Campeonato Mundial de basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques em ação com a camisa da seleção brasileira
Wlamir Marques em ação com a camisa da seleção brasileira Gazeta Press

1970 - 6º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASQUETE

LOCAL: Iugoslávia 

PERÍODO: 10/05 a 24/05/1970

FASE DE CLASSIFICAÇÃO: 3 grupos

GRUPO A, em Sarajevo: EUA, Checoslováquia, Cuba, Austrália

GRUPO B, em Split: Brasil, Coreia do Sul, Canadá, Itália

GRUPO C, em Karlovac: União Soviética, Uruguai, Panamá, Emirados Árabes

JOGOS DO BRASIL

Brasil 82 x 77 Coreia do Sul

Brasil 94 x 93 Itália

Brasil 112 x 59 Canadá

CLASSIFICADOS

EUA, Checoslováquia, Brasil, Itália, União Soviética, Uruguai 

FASE FINAL, em Liubliana

JOGOS DO BRASIL

Brasil 66 x 64 União Soviética

Brasil 69 x 59 Itália

Brasil 55 x 80 Iugoslávia

Brasil 71 x 72 Checoslováquia

Brasil 86 x 81 Uruguai

Brasil 69 x 65 EUA

CLASSIFICAÇÃO FINAL

1º - Iuguslávia 

2º - Brasil 

3º - União Soviética

4º - Itália

5º - EUA

6º - Checoslováquia

7º - Uruguai

8º - Cuba

9º - Panamá

10º - Canadá

11º - Coreia do Sul

12º - Austrália

13º Emirados Arabes

SELEÇÃO BRASILEIRA

JOGADORES: 4- Marquinhos, 5- Wlamir Marques, 6- Ubiratan, 7- Sergio Macarrão, 8- Hélio Rubens, 9- Rosa Branca, 10- Joy, 11- Menon, 12- Pedrinho, 13- Edvar, 14- Olaio, 15- Mosquito

 TÉCNICO: Togo Renan Soares (Kanela), Assistente: Moacir Daiuto

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1970 - A campanha da seleção brasileira no 6º Campeonato Mundial de basquete

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 3: Lesão durante o Mundial

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Como já foi dito anteriormente, vencemos a Espanha dentro da sua casa com um ginásio completamente lotado. Foi um jogo muito difícil. A seleção espanhola já era naquela época uma das melhores da Europa. Aquela vitória trouxe à seleção brasileira muita moral e tranquilidade.

Pernoitamos em Madri. No dia seguinte partimos para Liubliana/Eslovênia. Em seguida para Split/Croácia. Já dava para perceber que o ânimo era outro, e que a minha presença em quadra trouxe confiança ao grupo. Mesmo não estando em plena forma, contribuí muito para aquela vitória.

No primeiro momento, minha esposa Cecilia não viajou com a delegação. Ela viajou dois dias após com um diretor do Corinthians que a levou para Split, onde disputaríamos a fase de classificação. Conseguimos a classificação saindo em 1º lugar do grupo.

Wlamir Marques na seleção brasileira
Wlamir Marques na seleção brasileira Gazeta Press

Split é uma linda cidade balneária situada à beira do Mar Adriático. O nosso hotel não era 5 estrelas, mas possuía vistas maravilhosas, situado também às margens do Adriático. Como sempre acontecia, pouco usufruímos daquela cidade, foram três dias de jogos e treinos, sem folga.

A partir da fase de classificação, comecei a sentir dores no tendão patelar do meu joelho direito. Voltar à quadra sem qualquer preparação adequada motivou o problema. Com o esforço dispendido nos treinos e jogos, ganhei uma tendinite que me incomodou durante todo o Mundial.

Muitas vezes ao dia e com a ajuda da Cecilia, fazia compressas de água quente a fim de aliviar as dores. Até a fase de classificação deu para suportar, mas, na fase final, em Liubliana, joguei sempre na base do sacrifício. Era normal naqueles tempos o autotratamento.

Procurava me tratar do jeito que aprendi na minha carreira. Naqueles tempos não havia aparelhos e muito menos fisioterapeutas à disposição. Por questões econômicas, no máximo levavam massagistas que muitas vezes também exerciam a função de roupeiros.

Mesmo com dores, jamais deixei de entrar em quadra. Com exceção do último jogo contra os EUA, quando nem mesmo consegui realizar o aquecimento. Comuniquei ao técnico Kanela sobre o meu problema horas antes no hotel. Não quis dramatizar ainda mais a minha ausência.

Se aquele momento foi de muita tristeza por não poder participar daquele jogo, ao mesmo tempo foi de imensa alegria quando vencemos a forte seleção dos EUA e nos tornamos vice-campeões mundiais. Dessa vez, a Iugoslavia, merecidamente, levou o título.

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 2: Uma viagem para minha esposa

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir com a seleção brasileira
Wlamir com a seleção brasileira Divulgação

Terminado o Campeonato Brasileiro de seleções estaduais, quando trouxemos para São Paulo mais um título, o técnico Kanela fez uma nova convocação para a disputa do 6º Campeonato Mundial, a ser realizado em Liubliana, hoje na Eslovênia, nação então pertencente à antiga Iugoslávia.

Considerando as minhas atuações no Campeonato Brasileiro disputado em Porto Alegre, meu nome constava da lista. Confesso que, em princípio, estranhei ver meu nome na lista, pois desde o acontecido em 1967, por ocasião do 5º Mundial no Uruguai, nunca mais nos falamos.

Na hora, rejeitei a convocação. Aleguei que, por motivos particulares, eu não poderia aceitar o chamado, pois a minha esposa não encontrava-se bem de saúde e necessitava da minha presença ao seu lado. Sendo assim, desliguei-me totalmente da seleção brasileira.

Continuava trabalhando e treinando no Corinthians sem compromisso com qualquer competição. Nesse espaço de temp, a seleção deu início aos treinamentos na cidade de São Paulo. Até ali, eu estava apenas concentrado nas minhas atividades profissionais, e isso me bastava.

Chegando ao final dos treinamentos da seleção, foram realizados, a pedido do técnico Kanela, alguns amistosos, com o objetivo de testar a seleção. Mas os resultados não foram bons. Algumas derrotas, principalmente contra o México, geraram muitas criticas ao seu trabalho.

A partir dali, veio a surpresa: o técnico Kanela fez um pedido ao Dr. Wadih Helu, presidente do Corinthians, e que seria o chefe da delegação, para que eu voltasse a integrar a seleção, pois ele necessitava muito da minha presença. O Dr. Wadih entendeu o pedido e conversou comigo. Nessa conversa foi exposto o pedido do técnico Kanela. Na mesma hora, rejeitei o chamado, alegando os mesmos motivos. A partir dali, a conversa mudou de rumo, quando me foi dito que o Corinthians pagaria a viagem da minha esposa Cecilia e ela estaria ao meu lado.

O apreço que eu sentia pelo Dr.Wadih era enorme. Devo muito da minha vida atual às suas atenções por aquele jovem vindo de Piracicaba para o Corinthians. Tudo acertado, voltei à seleção, embora faltasse apenas alguns dias para o embarque via Madri/Espanha.

Em Madri, faríamos um jogo amistoso contra a seleção espanhola, também se preparando para o Mundial. Jogamos em um ginásio lotado, éramos a atração da noite. Resultado: vencemos a Espanha dentro da sua casa. A partir dali, a cara da seleção mudou completamente.

Fonte: Wlamir Marques

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 1: Bicicleta como prêmio

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques (à direita), jogador de basquete do Corinthians, ao lado do professor Moacir Daiuto, em 1970
Wlamir Marques (à direita), jogador de basquete do Corinthians, ao lado do professor Moacir Daiuto, em 1970 GazetaPress

Começo afirmando que fiz a minha despedida da seleção brasileira no ano de 1970. Não parei de jogar, ainda estava em plena forma e muito mais experiente, mas estava na hora de deixá-la. Neste ano, passei a me dedicar mais às funções técnicas, buscando novas experiências.

Meu trabalho na prefeitura corria de forma maravilhosa. Angariei um lindo grupo de meninos e meninas ávidos(as) em aprenderem a modalidade. Todos os dias ia para a Vila Maria ao encontro daqueles jovens, inclusive aos sábados. Foi uma linda experiência.

Ao mesmo tempo, também levei os pais para a quadra. Eles se orgulhavam em ver os filhos praticando esporte e saindo das ruas. Aos sábados, pela manhã, eu começava o treino mais tarde, aguardando alguns garotos que  faziam carretos na feira do bairro. 

Também no Corinthians, as equipes mini e mirim começaram a mostrar um ótimo desempenho, correspondendo às expectativas depositadas no meu trabalho com as equipes da base. Devido à minha proximidade com o clube, eu não precisava mais viajar e, a minha vida mudou para melhor.

Neste ano. fui indicado pela Federação Paulista para ser o técnico de São Paulo na disputa do 1º Campeonato Brasileiro infantil (14 anos) a ser disputado em Feira de Santana, na Bahia. Muito feliz com a indicação, usei toda a minha experiência adquirida nos 20 anos de quadras.

Como curiosidade, viajamos de ônibus fretado até Feira de Santana. Confesso que foi uma longa viagem, pois os recursos da Federação não  permitiam que viajássemos de avião. Ali, eu pude conviver com jovens ansiosos por conquistas. Voltamos campeões brasileiros.

Também neste ano, disputei mais um Campeonato Brasileiro de seleções estaduais. Minha última participação havia sido em 1964, no Recife, chamada de seleção "100 100". Vencemos todas as seleções passando dos 100 pontos. Em 1970, encerrei a minha participação pela seleção paulista.

Viajamos de avião, não havia como viajar de ônibus, a seleção paulista era a base da seleção brasileira e necessitava de um certo conforto. As finais do campeonato foram disputadas em Porto Alegre e, lá chegando, um ônibus nos aguardava para nos levar a Santa Cruz do Sul.

Em Santa Cruz do Sul, disputamos e vencemos a fase de classificação. Em seguida. voltamos para Porto Alegre para as disputas finais. Vencemos todos os jogos, inclusive o jogo decisivo contra os cariocas sob o comando do técnico Kanela. Fui eleito o MVP e recebi uma bicicleta como prêmio.

Fonte: Wlamir Marques

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 1: Bicicleta como prêmio

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1969 - A vida como ela é!

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Da esquerda para direita: Wlamir Marques, Rosa Branca, Amauri, o técnico Moacir Brondi Daiuto, Ubiratan e Joi em treino do Corinthians em 1969
Da esquerda para direita: Wlamir Marques, Rosa Branca, Amauri, o técnico Moacir Brondi Daiuto, Ubiratan e Joi em treino do Corinthians em 1969 Gazeta Press

BASQUETE E TRABALHO

Terminado os Jogos Olímpicos do México, voltei para o Brasil tendo pela frente muito trabalho e a disputa de mais um campeonato paulista com o Corinthians. Continuava residindo no Parque São Jorge e, pela proximidade com o clube, era um assíduo frequentador da sua sede.

No ano de 1969, eu estava com 32 anos e em plena forma física e técnica. Também estava completando mais de 20 anos de quadras, adquirindo nesse tempo muita experiência e o aprimoramento sempre necessário para os grandes confrontos nacionais e internacionais. 

Deixei para trás a minha atividade técnica em Jundiai para me dedicar na implementação de uma escolinha de basquete no centro esportivo da prefeitura de São Paulo, Thomaz Mazzoni, na Vila Maria. Meus objetivos eram específicos, enfatizar a modalidade a um convívio social.

Aos poucos trouxe para a quadra meninos e meninas, tirando-os da rua e levando-os à pratica esportiva. Gostava muito daquele trabalho sem fins competitivos, até porque a prefeitura não se dispunha a participar de campeonatos, era apenas uma função social.

Também iniciei um trabalho no Corinthians como técnico das equipes mini e mirim. Foi a forma que o clube encontrou a fim de  melhorar meu salário. Com isso evitava o meu afastamento do clube em atividades externas, incompatíveis com a minha condição de atleta militante.

No ano de 1969 não houve nenhuma competição internacional que me levasse à seleção brasileira. Meu trabalho ficou restrito às atividades técnicas e atléticas no Corinthians, além da prefeitura. Não pensava em parar de jogar, me sentia ainda em plena forma física e técnica.

Lembro que nesse tempo eu já tinha me desligado dos correios e telégrafos. Sendo assim me sobrava mais tempo para seguir jogando sem prejuízo de qualquer ordem. Esse ano de 1969 foi muito tranquilo em minhas atividades atléticas, mas muito pesado no trabalho.

Alguém pode estranhar eu estar falando em trabalho. Mas naqueles tempos não havia o profissionalismo de hoje, onde o atleta se dedica unica e exclusivamente às suas atividades atléticas. O basquete me dava recursos financeiros, mas não o suficiente para manter minha família.

Esse é o motivo desse texto, mostrar que mesmo eu sendo um atleta de ponta, medalhista olímpico e bi campeão mundial, foi à custa do trabalho que eu amparei a minha família. Nada foi fácil, sempre corri atrás da sobrevivência. Até hoje, aos 82 anos, ainda é essa a minha vida.

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1968 - 19º Jogos Olimpícos - 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1968- 19º JOGOS OLÍMPICOS 

LOCAL: Cidade do México

PERÍODO: 13/10 à 25/10/1968

SELEÇÕES PARTICIPANTES: 16

DETALHES TÉCNICOS: Divisão em 2 grupos

GRUPO A:  USA - Iugoslávia -  Itália - Espanha - Porto Rico -  Panamá -  Filipinas - Senegal.

GRUPO B: União Soviética - Brasil - México - Polônia - Bulgária -  Cuba - Coreia - Marrocos.

JOGOS DO BRASIL: Fase de classificação

Brasil 98 x 52 Marrocos - Brasil 75 x 52 Bulgária - Brasil 60 x 53 México - Brasil  88 x 51 Polônia- Brasil 91 x 59 Coreia - Brasil 84 x 68 Cuba - Brasil 65 x 76 União Soviética.

FASE FINAL:

Brasil 63 X 75 Estados Unidos - União Soviética 62 x 63 Iugoslávia - Brasil 53 x 70 União Soviética - Estados Unidos 65 x 50 Iugoslávia.

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

1º- Estados Unidos - 2º- Iugoslávia- 3º- União Soviética- 4º- Brasil- 5º- México- 6º- Polônia- 7º- Espanha-8º- Itália- 9º - Porto Rico- 10º - Bulgária- 11º - Cuba - 12º- Panamá- 13º- Filipinas- 14º- Coreia - 15º -  Senegal - 16º - Marrocos.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Renato Brito Cunha

Jogadores: 4-Sergio Macarrão- 5-Wlamir Marques- 6-Ubiratan- 7-Scarpini- 8-Hélio Rubens- 9-Rosa Branca- 10-Joy- 11-Menon- 12-Sucar- 13-Edvar- 14-Zé Geraldo- 15-Mosquito. 

SELEÇÃO DO CAMPEONATO: Eleitos pela imprensa internacional.

1- Jo Jo White- EUA- 2- Spencer Haywood-EUA- 3- Cosic- Iugoslávia- 4- Paulauskas - União Soviética- 5º- Wlamir Marques- Brasil

MINHAS PARTICIPAÇÕES OLÍMPICAS:

1956- Melbourne/ Austrália- 6º lugar

1960- Roma/Itália- 3º lugar (Bronze)

1964- Tóquio/Japão-3º lugar (Bronze)

1968- México/México- 4º lugar

Obs: No ano de 1972 deixei de participar da minha 5ª Olímpiada realizada em Munique/Alemanha por vontade própria. Fui ao Rio para os preparativos. Treinei uma semana e desisti, voltando para São Paulo. Futuramente contarei mais detalhes sobre esse assunto.

Curiosidade: Após os jogos na cidade do México, eu e alguns companheiros visitamos a cidade balneária de Acapulco situada às margens do Oceano Pacifico. Foram 2 dias maravilhosos. No dia seguinte  retornamos ao Brasil em voo da Varig.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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1968 - 19º Jogos Olimpícos - 2

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1968 - 19º JOGOS OLÍMPICOS - MÉXICO

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques, do Corinthians, em 1968, o ano dos Jogos Olímpicos
Wlamir Marques, do Corinthians, em 1968, o ano dos Jogos Olímpicos Gazeta Press

FASE DE TREINAMENTOS: 

No início de Agosto de 1968, saiu a convocação da seleção brasileira de basquetebol para a disputa dos Jogos Olímpicos à serem realizados na cidade do México. Os treinamentos aconteceram na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente no ginásio do Tijuca T.C.

Ficamos mais uma vez alojados no Hotel das Paineiras. Local muito aprazível e próprio para um longo período de concentração. Ficava no morro do Corcovado, hoje desativado. Devido à distância do burburinho da cidade, era um ótimo local para o nosso repouso.

Treinávamos duas vezes por dia, ou seja, descíamos e subíamos aquele morro 4 vezes ao dia. Não foi a primeira vez que ficamos ali, pois desde 1954 por ocasião do mundial no Rio de Janeiro, já tinha sido a nossa concentração na fase final do campeonato. 

Foram dois meses de treinamentos e, mais uma vez senti dificuldades em me apresentar no dia estabelecido, motivado pela falta de licença dos meus trabalhos nos Correios. Eu era funcionário público federal e sempre necessitava de licença para me ausentar dos serviços.

Geralmente essa licença demorava muito à chegar e, à revelia eu abandonava tudo e partia para os treinamentos. Ao todo tive 4 processos de abandono de cargo e impedido de trabalhar. Sempre tinha que apelar às altas autoridades para poder retornar ao trabalho.

Quando voltei do México, mais uma vez me vi impedido de trabalhar. Foi quando decidi abandonar de vez os Correios. Perguntei aos chefes o que precisava ser feito para cair fora. Assinei alguns papéis e a demissão saiu rapidinha, bem diferente das minhas licenças à serviço do país.

Em seguida fui convidado pelo Brigadeiro Faria Lima, prefeito da cidade de São Paulo, para montar uma escolinha de basquete no recém inaugurado C. E. Thomaz Mazzoni na Vila Maria. Ali pude conviver com jovens oriundos de famílias pobres. A troca valeu à pena.

Mas voltando aos treinamentos, estávamos nos aproximando da fase final e quase prontos para os grandes confrontos. Realizamos alguns amistosos no Brasil mas sempre sem adversários à altura. Eram exibições em cidades interessadas em apreciar a seleção brasileira.

Chegamos ao México com vários dias de antecedência. Era necessário um tempo de adaptação à altitude, sempre perniciosa se não houver um certo tipo de preparo. Já no México, treinamos contra algumas seleções, além de participarmos do desfile de abertura.

 

Fonte: Wlamir Marques

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1968 - 19º JOGOS OLÍMPICOS - MÉXICO

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Eu técnico, eu jogador e a minha quarta Olimpíada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques, do Corinthians, durante partida contra o Ypiranga, pelo Campeonato Paulista de 1968.
Wlamir Marques, do Corinthians, durante partida contra o Ypiranga, pelo Campeonato Paulista de 1968. Gazeta Press

LOCAL: México/Cidade do México
PERÍODO: 12/10/1968 a 27/10/1968

Entrei no ano de 1968 cheio de expectativa pelo que pudesse acontecer. Deixei de ser técnico da equipe feminina do XV de Piracicaba devido às dificuldades em conciliar as minhas atividades como jogador e técnico. Em 1º lugar sempre priorizei o lado do atleta, era o mais importante.

Devo lembrar que o basquetebol era considerado uma modalidade rigidamente amadora e sem qualquer cunho profissional. Naqueles tempos, recebíamos apenas ajudas de custos, considerado amadorismo marrom. Isso representava 40% das minhas necessidades.

O resto era extraído dos meus trabalhos como técnico e das minhas atividades nos Correios e Telégrafos, função esta que vinha exercendo desde 1956 em Piracicaba (interior de São Paulo). Enquanto isso, o Corinthians era imbatível em âmbito nacional e com grandes conquistas internacionais.

Tínhamos em São Paulo grandes adversários, citando por exemplo as equipes de Sírio e Palmeiras, na capital, e Franca, no interior. As competições eram sempre carregadas de muito interesse, com jogos acirrados e quase sempre televisionados ao vivo.

A década de 1960 é considerada até os dias de hoje os anos dourados do basquetebol brasileiro. A participação da mídia esportiva era enorme, sempre enaltecendo os nossos grandes feitos. Ginásios lotados davam ao basquetebol nacional total reconhecimento mundial.

Na metade do ano de 1968, fui convidado para ser técnico da equipe masculina da cidade de Jundiaí (também interior paulista). De pronto aceitei o convite, mas deixando em primeiro lugar a minha condição de atleta. Estabeleci que seria técnico dentro das minhas reais possibilidades de tempo.

Jundiaí é uma cidade próxima à capital e viajava com meu próprio carro. Voltei à rotina anterior: às 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras, treinava no Corinthians e nas 3ªs, 5ªs e sábados, em Jundiaí. Confesso que nunca gostei de ser técnico, mas a necessidade financeira me levava a assumir essa função.

No mês de Julho, o técnico Renato Brito Cunha me procurou para uma conversa. Ele seria o técnico do Brasil para as Olimpíadas do México e queria saber se eu aceitaria a convocação. Na mesma hora aceitei, era a minha 4ª participação olímpica, não queria ficar de fora.

Diante disso, comecei a me preparar fisicamente e mentalmente para assumir essa enorme responsabilidade. Eu era o capitão da seleção e com uma forte ascendência junto aos meus companheiros. Logo em seguida saiu a convocação e, mais uma vez, meu nome constava da lista.

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Eu técnico, eu jogador e a minha quarta Olimpíada

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5ºs JOGOS PANAMERICANOS

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1967- 5ºs JOGOS PANAMERICANOS

LOCAL: WINNIPEG/CANADÁ
PERÍODO: 24/07 à 06/08 de 1967
PAÍSES PARTICIPANTES: 29
DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 132 atletas
ATLETAS PARTICIPANTES: 2467
MODALIDADE: Basquetebol masculino

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- EUA, 2º- México, 3º- Panamá, 4º-Cuba, 5º- Porto Rico, 6º- Argentina, 7º- Brasil, 8º- Peru- 9º- Canadá, 10º- Colômbia

Infelizmente sou obrigado a dizer que a participação do basquete brasileiro  nessa competição foi um enorme fracasso. Pouco tempo para treinar e uma convocação equivocada feita em cima da hora levaram o basquete brasileiro a um péssimo 7º lugar, após ter sido bicampeão do mundo.

O técnico indicado pela CBB foi o ex jogador Edson Bispo dos Santos, meu companheiro de seleção em grandes jornadas, inclusive pivô titular do Brasil na conquista do 1º titulo mundial alcançado em Santiago, no Chile. Sem ter tempo para treinar, levou uma seleção brasileira desfigurada.

Na última hora pediu-me para fazer parte da sua seleção. Eu estava inativo, sem estado atlético perfeito para disputar um campeonato daquela envergadura, mas como era meu amigo, aceitei. Treinei em São Paulo apenas uma única vez e já embarquei para o Canadá.

Ao técnico não cabe nenhuma culpa, mas sim à CBB, que não preparou-se para esse evento como das outras vezes. Jogamos muito mal e com uma equipe totalmente desentrosada. A maioria dos jogadores, fora de forma, não deu conta do recado e o resultado não podia ser outro.

Voltamos para o Brasil com um sétimo lugar muito criticado pela imprensa brasileira. E com razão. No jogo contra Cuba, em que podíamos perder até por 15 pontos e nos classificarmos para a fase final, acabamos perdendo por 16. Sem dúvida essa foi a minha pior participação em seleção brasileira.

Confesso que até preferia não contar essa passagem vivida em minha carreira de esportista tão vitoriosa. Mas aqui está uma prova que, mesmo para um atleta de ponta como eu fui, haverá sempre a necessidade de estar preparado para enfrentar os grandes desafios.

O ano de 1967 foi para mim um ano de muitas atribuições, não só dentro das quadras, mas também na vida pessoal. Estava com 30 anos e, com a família crescendo, precisava pensar no futuro. Trabalhava demais e isso me desconcentrava da seleção, fora os deveres com o Corinthians.

Não é fácil a vida de um atleta de ponta. Cada vez mais ele precisará estar preparado, se não o fracasso baterá em sua porta sem deixar qualquer aviso. Mas não foi o meu fim. Reagi e consegui mais à frente jogar um basquetebol ascendente, sempre com muita dedicação e amor.

Infelizmente não consegui encontrar na internet dados numéricos e estatísticos que possam mostrar maiores detalhes da nossa participação. Restam apenas dados oriundos da minha cabeça, com amargas lembranças de uma seleção brasileira desprovida de força e competência.

Fonte: Wlamir Marques

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5ºs JOGOS PANAMERICANOS

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O jogo das ovadas ou o dia em que o Corinthians quase bateu um campeão do mundo no basquete - parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques é homenageado pelo Corinthians
Wlamir Marques é homenageado pelo Corinthians Reprodução ESPN

1967- S.C. CORINTHIANS PTA. 76 X 77 UNIÃO SOVIÉTICA (2)

DATA: 18/07/1967

LOCAL: Ginásio do Parque São Jorge

A seleção soviética dividia com o Brasil e os Estados Unidos as grandes conquistas mundiais. Neste dia, o Corinthians jogou contra os soviéticos em igualdade de condições, com reais chances de vencê-los, não conseguindo a vitória pela péssima arbitragem de um juiz russo. 

A torcida não dava tréguas ao jogo, sempre reagia de forma inconformada para cada marcação contra o Corinthians. Na virada do 1º para o 2º tempo, o gerente de um grande supermercado na região foi até o seu estabelecimento e trouxe para a quadra varias caixas de ovos.

Chegando ao ginásio, dividiu as caixas de ovos entre os torcedores, pedindo que para cada marcação mal assinalada do árbitro, atirassem os ovos em sua direção. Resultado: Para cada ovo jogado, parava tudo para limpar a quadra. Mesmo com esse tipo de reação, os erros continuavam.

Confesso que pela primeira e única vez em minha vida participei de algo assim. A quadra ficou escorregadia e de difícil estabilidade. Mas o jogo continuava mesmo com tantas interrupções. Quando passávamos à frente no marcador, o árbitro sempre impedia a nossa progressão.

Assim o jogo seguiu até o seu final. Um jogo que poderia ser altamente técnico acabou virando uma palhaçada, prejudicado pelos ovos e pela péssima arbitragem do juiz russo. Como sempre ocorre em jogos dessa natureza, o placar se alternava, ora para um, ora para outro.

Faltando 25 segundos para o final, a União Soviética passou um ponto à frente. Na reposição de bola, fiquei com a sua posse, foi quando o árbitro brasileiro passou ao meu lado e me disse bem baixinho: "Wlamir, bate para dentro que eu dou falta". Era a represália.

Até ali eu era o único que sabia o que ia acontecer. Raramente eu errava lance livre, principalmente em final de jogo. Não passei a bola para ninguém, fiquei com a sua posse pronto para dar o bote. Faltando 7 segundos, parti em direção da cesta e ali acabou a nossa festa.

Próximo à cabeça do garrafão escorreguei no ovo e não consegui chegar à cesta, mesmo assim joguei a bola para cima que ainda bateu no aro, sendo dominada pelo Amaury que mesmo desequilibrado fez um arremesso sem sucesso. Resultado: Corinthians 76 x 77 União Soviética.

Esse jogo aconteceu há 52 anos. Até hoje sonho com o escorregão e com os arremessos dos dois lances livres, proveniente de uma falta que nunca aconteceu. Se houve falta foi do ovo. Hoje sei que alguns poucos torcedores vivos assistiram esse jogo, um fato real e verdadeiro. 

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O dia em que o Corinthians quase bateu um campeão do mundo no basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques

DATA: 18/06/67

LOCAL: Ginásio do Parque São Jorge (hoje Wlamir Marques)

Após o término do 5º campeonato Mundial disputado no Uruguai, a seleção da União Soviética fez uma série de jogos amistosos pela América do Sul. O Corinthians como de hábito, convidou-os para um confronto amistoso, dessa vez a ser realizado no Parque São Jorge. 

A Seleção Soviética vinha de um titulo mundial alcançado no Uruguai. Era uma seleção fortíssima, contando com jogadores muito altos e habilidosos tecnicamente. Nós sempre sentíamos muitas dificuldades em enfrenta-los devido ao seu forte estado atlético.

Naqueles tempos a União Soviética, Estados Unidos e Brasil dividiam as primeiras colocações em campeonatos internacionais. Praticamente eram competições de cartas marcadas, ora um, ora outro levava o título. Por esse motivo o jogo trazia no seu retrospecto um grande interesse.

Foi uma noite de ginásio lotado. Era praticamente um confronto entre  Brasil x União Soviética, pois a equipe do Corinthians tinha em sua base a equipe titular da seleção brasileira com Amaury, Rosa Branca, Ubiratan, Renê e Wlamir. Jogo de grande repercussão nacional.

O confronto foi muito equilibrado e decidido nos segundos finais. Perdemos o jogo por 77 x 76, mas fomos bastante prejudicados por um árbitro russo que acompanhava a delegação soviética e, fez de tudo para que o Corinthians não vencesse aquele jogo. Suas atitudes foram revoltantes.

O ambiente ficou praticamente insuportável, dentro e fora da quadra. Por mais que e a torcida reagisse contra as suas decisões, mais ele reagia contra nós. A revolta era enorme e nada pudemos fazer para modificar aquela escandalosa atuação do árbitro.

Provavelmente se a União Soviética perdesse aquele jogo ele seria sacrificado pelo regime, quem sabe mandado para a Sibéria. É claro que essas palavras são minhas, mas a sua atuação demonstrava um certo receio dentro da quadra. Poucas coisas eram marcadas à nosso favor.

O outro árbitro era um brasileiro, como sempre tentando ser honesto e deixando a coisa correr solta. A diferença é que o brasileiro marcava o que via e o Russo marcava o que não acontecia, sempre à favor da União Soviética. Muito difícil esquecer daquele jogo.

Entretanto algo de diferente aconteceu naquela noite. Um diretor do Corinthians, gerente de uma grande loja no bairro, resolveu no intervalo do jogo buscar caixas de ovos em seu estabelecimento. Já no ginásio distribuiu ovos para os torcedores. Podem imaginar o que aconteceu? 

Fonte: Wlamir Marques

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O dia em que o Corinthians venceu a seleção dos EUA de basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Terminado o 5º campeonato mundial disputado em Montevidéu (Uruguai), a seleção dos Estados Unidos da América foi convidada a realizar uma partida amistosa contra o S.C.Corinthians Paulista, em São Paulo, mais especificamente no famoso ginásio do Ibirapuera.

A seleção norte americana veio precedida de um 4º lugar alcançado no mundial, ficando atrás da União Soviética, Iugoslávia e Brasil. Como sempre era uma equipe muito poderosa, vencendo a União Soviética durante a fase regular (59 x 58). Alguns tropeços a levaram ao 4º lugar.

Embora o ginásio do Corinthians já estivesse em pleno funcionamento, esse jogo foi realizado no ginásio do Ibirapuera. O público que lá compareceu foi enorme, não lotando o ginásio, mas trouxe uma grande massa de torcedores, alheios ou não ao Corinthians.

Naqueles tempos qualquer equipe norte-americana que se apresentasse no Brasil era motivo de enorme importância. Tratando-se da sua seleção principal despertava ainda muito mais interesse. O jogo foi de altíssimo nível, com a vitória corinthiana alcançada nos segundos finais (81 x 79).

Nesse jogo fiz 29 pontos, chamando muito a atenção do público e da imprensa, até pelo fato de eu não ter disputado o mundial. A minha atuação despertou a curiosidade do técnico norte americano que, ao final do jogo me perguntou: "Por que você não foi ao mundial?".

Me lembro de ter ficado sem responder como eu gostaria, afinal era um assunto de momento e eu não queria criar qualquer tipo de embaraço. Simplesmente fiz um gesto com os ombros e a conversa parou por ali. Acho que ele entendeu a minha resposta e não perguntou mais nada.

Mas a imprensa brasileira presente enquanto me elogiava, também perguntava o motivo de eu não ter disputado o mundial. Sempre disse que foi por motivos particulares, não queria que aquele jogo servisse de resposta ao técnico Kanela, ali não tinha mais nada à provar.

Estava pra completar 30 anos e acredito ser o meu auge como jogador de basquete. A minha experiência e a minha capacidade física me levavam a descobrir os grandes mistérios do jogo, dando-me a fundamentação necessária para enfrentar os grandes adversários.

Guardo esse jogo na memória, assim como o jogo contra o Real Madrid em 1965. Foram atuações que ficaram marcadas na minha história esportiva, ainda mais tratando-se de um confronto onde um clube brasileiro venceu a seleção dos Estados Unidos, considerado o melhor basquetebol do mundo.

Fonte: Wlamir Marques

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O dia em que o Corinthians venceu a seleção dos EUA de basquete

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5º Campeonato Mundial - Parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

DETALHES TÉCNICOS

LOCAL: Montevidéo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

PARTICIPANTES: Classificação: (2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: 1º-Estados Unidos, 2º-Iugoslávia, 3º-México, 4º-Itália

GRUPO B: 1º-União Soviética, 2º-Argentina, 3º Peru, 4º-Japão

GRUPO C: 1º-Brasil, 2º-Polênia, 3º-Porto Rico, 4º-Paraguai

(Uruguai por ser o país sede já estava classificado para a fase final)

JOGOS DO BRASIL: (Classificação)

Brasil 83 x 67 Polênia

Brasil 92 x 56 Porto Rico

Brasil 85 x 41 Paraguai

JOGOS DO BRASIL: (Fase Final)

Brasil 74 x 78 União Soviética

Brasil 84 x 87 Iugoslávia

Brasil 80 x 71 Estados Unidos

Brasil 90 x 85 Polônia

Brasil 74 x 66 Argentina

Brasil 63 x 45 Uruguai    

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- União Soviética, 2º Yugoslavia, 3º- Brasil, 4º- Estados Unidos, 5º- Polonia, 6º- Argentina, 7º- Uruguay, 8º- México, 9º-Itália, 10º- Peru, 11º- Japão, 12º-Porto Rico, 13º- Paraguay.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Kanela

Jogadores: Amaury, Sergio Macarrão, Ubiratan, Cesar, Hélio Rubens, Olaio, Jathir, Menon, Sucar, Edvar, Emil Rached e Mosquito.

Embora eu não tenha participado do mundial, não posso deixar de enaltecer a ótima participação brasileira. O 3º lugar manteve o basquetebol brasileiro no topo do basquete mundial ao lado dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia.

Após o mundial o técnico Kanela, jogadores e imprensa, afirmaram que: Se eu estivesse presente o Brasil teria conquistado o tri campeonato mundial. Fui apontado como culpado pelo 3º lugar. Não concordando com essa afirmação, digo que o culpado foi a comissão técnica.

Até hoje me perguntam os motivos de eu não ter participado daquele mundial? A resposta é muito difícil. Apenas digo que  fui cortado da seleção por motivos particulares e pela indulgência da direção técnica. Entretanto, isso jamais tirará o brilho dessa linda conquista mundial.

O tempo passou e os resquícios do passado foram esquecidos. Mais à frente voltei a ser chamado pelo técnico Kanela. Fui capitão da seleção brasileira sob seu comando por dez anos seguidos (1960 à 1970). Foi uma honra ter sido o representante de toda uma nação brasileira.

Fonte: Wlamir Marques

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5º Campeonato Mundial - Parte 2

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1967- 5º Campeonato Mundial - parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

DETALHES TÉCNICOS:

LOCAL: Montevideo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

PARTICIPANTES: Classificação: (2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: 1º-Estados Unidos, 2º-Iugoslávia, 3º-México, 4º-Itália

GRUPO B: 1º-União Soviética, 2º-Argentina, 3º Peru, 4º-Japão

GRUPO C: 1º-Brasil, 2º-Polonia, 3º-Porto Rico, 4º-Paraguai

(Uruguai por ser o país séde já estava classificado para a fase final)

JOGOS DO BRASIL: (Classificação)

Brasil 83 x 67 Polonia

Brasil 92 x 56 Porto Rico

Brasil 85 x 41 Paraguai

JOGOS DO BRASIL: (Fase Final)

Brasil 74 x 78 União Soviética

Brasil 84 x 87 Iugoslávia

Brasil 80 x 71 Estados Unidos

Brasil 90 x 85 Polônia

Brasil 74 x 66 Argentina

Brasil 63 x 45 Uruguai 

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- União Soviética, 2º Yugoslavia, 3º- Brasil, 4º- Estados Unidos, 5º- Polonia, 6º- Argentina, 7º- Uruguay, 8º- México, 9º-Itália, 10º- Peru, 11º- Japão, 12º-Porto Rico, 13º- Paraguay.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Kanela

Jogadores: Amaury, Sergio Macarrão, Ubiratan, Cesar, Hélio Rubens, Olaio, Jathir, Menon, Sucar, Edvar, Emil Rached e Mosquito.

Embora eu não tenha participado do mundial, não posso deixar de enaltecer a ótima participação brasileira. O 3º lugar manteve o basquetebol brasileiro no topo do basquete mundial ao lado dos Estados Unidos, União Soviética e Yugoslavia.

Após o mundial o técnico Kanela, jogadores e imprensa, afirmaram que: Se eu estivesse presente o Brasil teria conquistado o tri campeonato mundial. Fui apontado como culpado pelo 3º lugar. Não concordando com essa afirmação, digo que o culpado foi a comissão técnica.

Até hoje me perguntam os motivos de eu não ter participado daquele mundial? A resposta é muito difícil. Apenas digo que  fui cortado da seleção por motivos particulares e pela indulgência da direção técnica. Entretanto, isso jamais tirará o brilho dessa linda conquista mundial.

O tempo passou e os resquícios do passado foram esquecidos. Mais à frente voltei a ser chamado pelo técnico Kanela. Fui capitão da seleção brasileira sob seu comando por dez anos seguidos (1960 à 1970). Foi uma honra ter sido o representante de toda uma nação brasileira.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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Como fui cortado da seleção brasileira no Mundial de 67

Wlamir Marques
Wlamir Marques

LOCAL: Montevideo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

"O WLAMIR ESTÁ CORTADO DA SELEÇÃO"

Começo afirmando que não participei desse mundial. Motivo: fui cortado da seleção pelo técnico Kanela. Tudo teve seu inicio à partir da minha convocação. No dia da apresentação, no antigo DEFE situado na capital paulista, me dirigi ao técnico Kanela pedindo dispensa da seleção.

O técnico negou o meu pedido, dizendo que eu era imprescindível à seleção brasileira e que não poderia abrir mão da minha presença. Naquele tempo eu jogava no Corinthians, trabalhava nos correios e telégrafos, e era técnico recém contratado da equipe feminina do XV de Piracicaba.

Eu necessitava de tempo para trabalhar, além de precisar ter o meu ganho profissional de forma regular. Estava pra completar 30 anos e não podia mais me submeter aos treinamentos duas vezes ao dia. Só pra esclarecer, defendi o país por 20 anos sem receber qualquer ajuda financeira.

A minha vontade era ficar fora do Mundial. Vinha desde 1954 com dedicação plena, mas naquele momento me sentia profissionalmente prejudicado. Não queria fazer parte, mas o técnico não aceitava meus argumentos e perguntou: "Você aceitaria treinar 3 dias da semana?"

Naquele hora percebi que o técnico Kanela abria mão dos seus rigores ao me fazer tal pergunta. Ele era um técnico intransigente e ao me fazer aquela proposta me colocou em xeque. Diante daquela pressão e de alguns companheiros, aceitei contrariado, mas tudo ficou esclarecido.

Eu treinaria apenas às 2ªs, 4ªs e 6ªs à noite na seleção e, 3ªs. 5ªs e sábados eu iria para os treinos na cidade de Piracicaba. Fora isso, trabalhava nos correios e telégrafos. Não era fácil engrenar tudo ao mesmo tempo, mas fui levando do jeito que dava.

Em uma sexta feira, a seleção brasileira foi à São Caetano do Sul fazer uma apresentação, tipo jogo treino entre as seleções A x B. Participei ativamente do confronto jogando na seleção A, além de ter sido o seu capitão. Não me encontrava em plena forma, mas já esperava por isso.

Ao final do jogo treino, o técnico Kanela avisou que no sábado estaríamos pegando um avião da FAB com destino à Presidente Prudente para uma nova apresentação. Na hora eu disse que não poderia ir pois tinha um jogo decisivo do Campeonato Paulista entre XV x Santo André.

Ele me olhou e não disse nada. Me dando a entender que estava tudo bem. Não viajei com a delegação e, ao chegarem em Presidente Prudente ele foi  pressionando pelos jornalistas estranhando a minha falta. Ali ele disse o seguinte: "O Wlamir está cortado da seleção".

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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Como fui cortado da seleção brasileira no Mundial de 67

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