O Mundial extra de basquetebol que ninguém conhecia

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Seleção brasileiro disputando os jogos de Tóquio contra os EUA, em 1964.
Seleção brasileiro disputando os jogos de Tóquio contra os EUA, em 1964. Getty Images

ANO: 1965

LOCAL DA DISPUTA: CHILE

CIDADES SEDES: ANTOFAGASTA E SANTIAGO

Terminada as Olimpíadas de Tóquio em 1964, a seleção brasileira deu uma pausa nas suas apresentações. Ficamos apenas em defesa dos nossos clubes disputando os campeonatos da época. No ano seguinte, eu defendia o S.C.Corinthians Pta., sendo uma temporada de muitos fatos, inclusive pessoais.

Ainda no primeiro semestre, a CBB foi convidada a participar de um campeonato mundial extra no Chile, lugar onde fomos campeões pela primeira vez, em 1959. Desta vez, não apresentamos a melhor seleção, com jogadores importantes se ausentando.

Treinamos muito pouco, bem diferente das outras vezes, em que nos dedicamos mais tempo. O técnico da seleção foi o Prof. Moacir Daiuto, com quem eu trabalhava no Corinthians, além de ser assistente do Kanela na conquista do bi mundial de 1963, disputado no Rio de Janeiro. 

Voamos para Santiago e lá pegamos outro voo para a cidade de Antofagasta, situada no norte chileno, mais especificamente no centro do deserto do Atacama. Na época, a cidade apresentava um clima muito seco, dificultando a respiração e a hidratação necessária para qualquer atleta.

Jogamos essa fase de classificação com dificuldades, sentimos a falta de treinamentos e o clima era estranho aos nossos hábitos. A alimentação também não era das melhores, e com isso não pudemos desenvolver um melhor rendimento. Mesmo assim nos classificamos para a fase final.

A fase final aconteceu em Santiago, capital do país, agora contando com um ginásio coberto, bem diferente de 1959, quando jogamos em quadra aberta e improvisada no Estádio Nacional do Chile. Outras seis seleções também foram para a final que, junto com os anfitriões, jogaram entre si.

Nessa fase, perdemos apenas para a Iugoslávia, que seria a campeã do torneio. Vencemos a União Soviética mais uma vez, que contava com os seus melhores jogadores, equipe completa. Enquanto isso, a fase de perdedores foi disputada na cidade de Punta Arenas, que ficava ao sul.

Enfim, fomos para esse mundial sem grandes pretensões e acabamos voltando com um vice-campeonato muito honroso devido às dificuldades encontradas. Na fase de classificação, vencemos o Panamá em jogo muito difícil com a torcida chilena dizendo que o Brasil iria para Punta Arenas.

Felizmente não fomos, e foi uma conquista sem qualquer repercussão no nosso país, onde a imprensa pouco noticiou. Infelizmente não há dados estatísticos à disposição, nem detalhes a mais envolvendo esse campeonato. Apenas registro o fato devido a sua importância já esquecida.

Fonte: Wlamir Marques

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 2: Uma viagem para minha esposa

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir com a seleção brasileira
Wlamir com a seleção brasileira Divulgação

Terminado o Campeonato Brasileiro de seleções estaduais, quando trouxemos para São Paulo mais um título, o técnico Kanela fez uma nova convocação para a disputa do 6º Campeonato Mundial, a ser realizado em Liubliana, hoje na Eslovênia, nação então pertencente à antiga Iugoslávia.

Considerando as minhas atuações no Campeonato Brasileiro disputado em Porto Alegre, meu nome constava da lista. Confesso que, em princípio, estranhei ver meu nome na lista, pois desde o acontecido em 1967, por ocasião do 5º Mundial no Uruguai, nunca mais nos falamos.

Na hora, rejeitei a convocação. Aleguei que, por motivos particulares, eu não poderia aceitar o chamado, pois a minha esposa não encontrava-se bem de saúde e necessitava da minha presença ao seu lado. Sendo assim, desliguei-me totalmente da seleção brasileira.

Continuava trabalhando e treinando no Corinthians sem compromisso com qualquer competição. Nesse espaço de temp, a seleção deu início aos treinamentos na cidade de São Paulo. Até ali, eu estava apenas concentrado nas minhas atividades profissionais, e isso me bastava.

Chegando ao final dos treinamentos da seleção, foram realizados, a pedido do técnico Kanela, alguns amistosos, com o objetivo de testar a seleção. Mas os resultados não foram bons. Algumas derrotas, principalmente contra o México, geraram muitas criticas ao seu trabalho.

A partir dali, veio a surpresa: o técnico Kanela fez um pedido ao Dr. Wadih Helu, presidente do Corinthians, e que seria o chefe da delegação, para que eu voltasse a integrar a seleção, pois ele necessitava muito da minha presença. O Dr. Wadih entendeu o pedido e conversou comigo. Nessa conversa foi exposto o pedido do técnico Kanela. Na mesma hora, rejeitei o chamado, alegando os mesmos motivos. A partir dali, a conversa mudou de rumo, quando me foi dito que o Corinthians pagaria a viagem da minha esposa Cecilia e ela estaria ao meu lado.

O apreço que eu sentia pelo Dr.Wadih era enorme. Devo muito da minha vida atual às suas atenções por aquele jovem vindo de Piracicaba para o Corinthians. Tudo acertado, voltei à seleção, embora faltasse apenas alguns dias para o embarque via Madri/Espanha.

Em Madri, faríamos um jogo amistoso contra a seleção espanhola, também se preparando para o Mundial. Jogamos em um ginásio lotado, éramos a atração da noite. Resultado: vencemos a Espanha dentro da sua casa. A partir dali, a cara da seleção mudou completamente.

Fonte: Wlamir Marques

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 1: Bicicleta como prêmio

Wlamir Marques
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Wlamir Marques (à direita), jogador de basquete do Corinthians, ao lado do professor Moacir Daiuto, em 1970
Wlamir Marques (à direita), jogador de basquete do Corinthians, ao lado do professor Moacir Daiuto, em 1970 GazetaPress

Começo afirmando que fiz a minha despedida da seleção brasileira no ano de 1970. Não parei de jogar, ainda estava em plena forma e muito mais experiente, mas estava na hora de deixá-la. Neste ano, passei a me dedicar mais às funções técnicas, buscando novas experiências.

Meu trabalho na prefeitura corria de forma maravilhosa. Angariei um lindo grupo de meninos e meninas ávidos(as) em aprenderem a modalidade. Todos os dias ia para a Vila Maria ao encontro daqueles jovens, inclusive aos sábados. Foi uma linda experiência.

Ao mesmo tempo, também levei os pais para a quadra. Eles se orgulhavam em ver os filhos praticando esporte e saindo das ruas. Aos sábados, pela manhã, eu começava o treino mais tarde, aguardando alguns garotos que  faziam carretos na feira do bairro. 

Também no Corinthians, as equipes mini e mirim começaram a mostrar um ótimo desempenho, correspondendo às expectativas depositadas no meu trabalho com as equipes da base. Devido à minha proximidade com o clube, eu não precisava mais viajar e, a minha vida mudou para melhor.

Neste ano. fui indicado pela Federação Paulista para ser o técnico de São Paulo na disputa do 1º Campeonato Brasileiro infantil (14 anos) a ser disputado em Feira de Santana, na Bahia. Muito feliz com a indicação, usei toda a minha experiência adquirida nos 20 anos de quadras.

Como curiosidade, viajamos de ônibus fretado até Feira de Santana. Confesso que foi uma longa viagem, pois os recursos da Federação não  permitiam que viajássemos de avião. Ali, eu pude conviver com jovens ansiosos por conquistas. Voltamos campeões brasileiros.

Também neste ano, disputei mais um Campeonato Brasileiro de seleções estaduais. Minha última participação havia sido em 1964, no Recife, chamada de seleção "100 100". Vencemos todas as seleções passando dos 100 pontos. Em 1970, encerrei a minha participação pela seleção paulista.

Viajamos de avião, não havia como viajar de ônibus, a seleção paulista era a base da seleção brasileira e necessitava de um certo conforto. As finais do campeonato foram disputadas em Porto Alegre e, lá chegando, um ônibus nos aguardava para nos levar a Santa Cruz do Sul.

Em Santa Cruz do Sul, disputamos e vencemos a fase de classificação. Em seguida. voltamos para Porto Alegre para as disputas finais. Vencemos todos os jogos, inclusive o jogo decisivo contra os cariocas sob o comando do técnico Kanela. Fui eleito o MVP e recebi uma bicicleta como prêmio.

Fonte: Wlamir Marques

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1970 - Minha despedida da seleção brasileira, parte 1: Bicicleta como prêmio

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1969 - A vida como ela é!

Wlamir Marques
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Da esquerda para direita: Wlamir Marques, Rosa Branca, Amauri, o técnico Moacir Brondi Daiuto, Ubiratan e Joi em treino do Corinthians em 1969
Da esquerda para direita: Wlamir Marques, Rosa Branca, Amauri, o técnico Moacir Brondi Daiuto, Ubiratan e Joi em treino do Corinthians em 1969 Gazeta Press

BASQUETE E TRABALHO

Terminado os Jogos Olímpicos do México, voltei para o Brasil tendo pela frente muito trabalho e a disputa de mais um campeonato paulista com o Corinthians. Continuava residindo no Parque São Jorge e, pela proximidade com o clube, era um assíduo frequentador da sua sede.

No ano de 1969, eu estava com 32 anos e em plena forma física e técnica. Também estava completando mais de 20 anos de quadras, adquirindo nesse tempo muita experiência e o aprimoramento sempre necessário para os grandes confrontos nacionais e internacionais. 

Deixei para trás a minha atividade técnica em Jundiai para me dedicar na implementação de uma escolinha de basquete no centro esportivo da prefeitura de São Paulo, Thomaz Mazzoni, na Vila Maria. Meus objetivos eram específicos, enfatizar a modalidade a um convívio social.

Aos poucos trouxe para a quadra meninos e meninas, tirando-os da rua e levando-os à pratica esportiva. Gostava muito daquele trabalho sem fins competitivos, até porque a prefeitura não se dispunha a participar de campeonatos, era apenas uma função social.

Também iniciei um trabalho no Corinthians como técnico das equipes mini e mirim. Foi a forma que o clube encontrou a fim de  melhorar meu salário. Com isso evitava o meu afastamento do clube em atividades externas, incompatíveis com a minha condição de atleta militante.

No ano de 1969 não houve nenhuma competição internacional que me levasse à seleção brasileira. Meu trabalho ficou restrito às atividades técnicas e atléticas no Corinthians, além da prefeitura. Não pensava em parar de jogar, me sentia ainda em plena forma física e técnica.

Lembro que nesse tempo eu já tinha me desligado dos correios e telégrafos. Sendo assim me sobrava mais tempo para seguir jogando sem prejuízo de qualquer ordem. Esse ano de 1969 foi muito tranquilo em minhas atividades atléticas, mas muito pesado no trabalho.

Alguém pode estranhar eu estar falando em trabalho. Mas naqueles tempos não havia o profissionalismo de hoje, onde o atleta se dedica unica e exclusivamente às suas atividades atléticas. O basquete me dava recursos financeiros, mas não o suficiente para manter minha família.

Esse é o motivo desse texto, mostrar que mesmo eu sendo um atleta de ponta, medalhista olímpico e bi campeão mundial, foi à custa do trabalho que eu amparei a minha família. Nada foi fácil, sempre corri atrás da sobrevivência. Até hoje, aos 82 anos, ainda é essa a minha vida.

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1968 - 19º Jogos Olimpícos - 2

Wlamir Marques
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1968- 19º JOGOS OLÍMPICOS 

LOCAL: Cidade do México

PERÍODO: 13/10 à 25/10/1968

SELEÇÕES PARTICIPANTES: 16

DETALHES TÉCNICOS: Divisão em 2 grupos

GRUPO A:  USA - Iugoslávia -  Itália - Espanha - Porto Rico -  Panamá -  Filipinas - Senegal.

GRUPO B: União Soviética - Brasil - México - Polônia - Bulgária -  Cuba - Coreia - Marrocos.

JOGOS DO BRASIL: Fase de classificação

Brasil 98 x 52 Marrocos - Brasil 75 x 52 Bulgária - Brasil 60 x 53 México - Brasil  88 x 51 Polônia- Brasil 91 x 59 Coreia - Brasil 84 x 68 Cuba - Brasil 65 x 76 União Soviética.

FASE FINAL:

Brasil 63 X 75 Estados Unidos - União Soviética 62 x 63 Iugoslávia - Brasil 53 x 70 União Soviética - Estados Unidos 65 x 50 Iugoslávia.

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

1º- Estados Unidos - 2º- Iugoslávia- 3º- União Soviética- 4º- Brasil- 5º- México- 6º- Polônia- 7º- Espanha-8º- Itália- 9º - Porto Rico- 10º - Bulgária- 11º - Cuba - 12º- Panamá- 13º- Filipinas- 14º- Coreia - 15º -  Senegal - 16º - Marrocos.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Renato Brito Cunha

Jogadores: 4-Sergio Macarrão- 5-Wlamir Marques- 6-Ubiratan- 7-Scarpini- 8-Hélio Rubens- 9-Rosa Branca- 10-Joy- 11-Menon- 12-Sucar- 13-Edvar- 14-Zé Geraldo- 15-Mosquito. 

SELEÇÃO DO CAMPEONATO: Eleitos pela imprensa internacional.

1- Jo Jo White- EUA- 2- Spencer Haywood-EUA- 3- Cosic- Iugoslávia- 4- Paulauskas - União Soviética- 5º- Wlamir Marques- Brasil

MINHAS PARTICIPAÇÕES OLÍMPICAS:

1956- Melbourne/ Austrália- 6º lugar

1960- Roma/Itália- 3º lugar (Bronze)

1964- Tóquio/Japão-3º lugar (Bronze)

1968- México/México- 4º lugar

Obs: No ano de 1972 deixei de participar da minha 5ª Olímpiada realizada em Munique/Alemanha por vontade própria. Fui ao Rio para os preparativos. Treinei uma semana e desisti, voltando para São Paulo. Futuramente contarei mais detalhes sobre esse assunto.

Curiosidade: Após os jogos na cidade do México, eu e alguns companheiros visitamos a cidade balneária de Acapulco situada às margens do Oceano Pacifico. Foram 2 dias maravilhosos. No dia seguinte  retornamos ao Brasil em voo da Varig.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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1968 - 19º Jogos Olimpícos - 2

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1968 - 19º JOGOS OLÍMPICOS - MÉXICO

Wlamir Marques
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Wlamir Marques, do Corinthians, em 1968, o ano dos Jogos Olímpicos
Wlamir Marques, do Corinthians, em 1968, o ano dos Jogos Olímpicos Gazeta Press

FASE DE TREINAMENTOS: 

No início de Agosto de 1968, saiu a convocação da seleção brasileira de basquetebol para a disputa dos Jogos Olímpicos à serem realizados na cidade do México. Os treinamentos aconteceram na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente no ginásio do Tijuca T.C.

Ficamos mais uma vez alojados no Hotel das Paineiras. Local muito aprazível e próprio para um longo período de concentração. Ficava no morro do Corcovado, hoje desativado. Devido à distância do burburinho da cidade, era um ótimo local para o nosso repouso.

Treinávamos duas vezes por dia, ou seja, descíamos e subíamos aquele morro 4 vezes ao dia. Não foi a primeira vez que ficamos ali, pois desde 1954 por ocasião do mundial no Rio de Janeiro, já tinha sido a nossa concentração na fase final do campeonato. 

Foram dois meses de treinamentos e, mais uma vez senti dificuldades em me apresentar no dia estabelecido, motivado pela falta de licença dos meus trabalhos nos Correios. Eu era funcionário público federal e sempre necessitava de licença para me ausentar dos serviços.

Geralmente essa licença demorava muito à chegar e, à revelia eu abandonava tudo e partia para os treinamentos. Ao todo tive 4 processos de abandono de cargo e impedido de trabalhar. Sempre tinha que apelar às altas autoridades para poder retornar ao trabalho.

Quando voltei do México, mais uma vez me vi impedido de trabalhar. Foi quando decidi abandonar de vez os Correios. Perguntei aos chefes o que precisava ser feito para cair fora. Assinei alguns papéis e a demissão saiu rapidinha, bem diferente das minhas licenças à serviço do país.

Em seguida fui convidado pelo Brigadeiro Faria Lima, prefeito da cidade de São Paulo, para montar uma escolinha de basquete no recém inaugurado C. E. Thomaz Mazzoni na Vila Maria. Ali pude conviver com jovens oriundos de famílias pobres. A troca valeu à pena.

Mas voltando aos treinamentos, estávamos nos aproximando da fase final e quase prontos para os grandes confrontos. Realizamos alguns amistosos no Brasil mas sempre sem adversários à altura. Eram exibições em cidades interessadas em apreciar a seleção brasileira.

Chegamos ao México com vários dias de antecedência. Era necessário um tempo de adaptação à altitude, sempre perniciosa se não houver um certo tipo de preparo. Já no México, treinamos contra algumas seleções, além de participarmos do desfile de abertura.

 

Fonte: Wlamir Marques

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1968 - 19º JOGOS OLÍMPICOS - MÉXICO

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Eu técnico, eu jogador e a minha quarta Olimpíada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques, do Corinthians, durante partida contra o Ypiranga, pelo Campeonato Paulista de 1968.
Wlamir Marques, do Corinthians, durante partida contra o Ypiranga, pelo Campeonato Paulista de 1968. Gazeta Press

LOCAL: México/Cidade do México
PERÍODO: 12/10/1968 a 27/10/1968

Entrei no ano de 1968 cheio de expectativa pelo que pudesse acontecer. Deixei de ser técnico da equipe feminina do XV de Piracicaba devido às dificuldades em conciliar as minhas atividades como jogador e técnico. Em 1º lugar sempre priorizei o lado do atleta, era o mais importante.

Devo lembrar que o basquetebol era considerado uma modalidade rigidamente amadora e sem qualquer cunho profissional. Naqueles tempos, recebíamos apenas ajudas de custos, considerado amadorismo marrom. Isso representava 40% das minhas necessidades.

O resto era extraído dos meus trabalhos como técnico e das minhas atividades nos Correios e Telégrafos, função esta que vinha exercendo desde 1956 em Piracicaba (interior de São Paulo). Enquanto isso, o Corinthians era imbatível em âmbito nacional e com grandes conquistas internacionais.

Tínhamos em São Paulo grandes adversários, citando por exemplo as equipes de Sírio e Palmeiras, na capital, e Franca, no interior. As competições eram sempre carregadas de muito interesse, com jogos acirrados e quase sempre televisionados ao vivo.

A década de 1960 é considerada até os dias de hoje os anos dourados do basquetebol brasileiro. A participação da mídia esportiva era enorme, sempre enaltecendo os nossos grandes feitos. Ginásios lotados davam ao basquetebol nacional total reconhecimento mundial.

Na metade do ano de 1968, fui convidado para ser técnico da equipe masculina da cidade de Jundiaí (também interior paulista). De pronto aceitei o convite, mas deixando em primeiro lugar a minha condição de atleta. Estabeleci que seria técnico dentro das minhas reais possibilidades de tempo.

Jundiaí é uma cidade próxima à capital e viajava com meu próprio carro. Voltei à rotina anterior: às 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras, treinava no Corinthians e nas 3ªs, 5ªs e sábados, em Jundiaí. Confesso que nunca gostei de ser técnico, mas a necessidade financeira me levava a assumir essa função.

No mês de Julho, o técnico Renato Brito Cunha me procurou para uma conversa. Ele seria o técnico do Brasil para as Olimpíadas do México e queria saber se eu aceitaria a convocação. Na mesma hora aceitei, era a minha 4ª participação olímpica, não queria ficar de fora.

Diante disso, comecei a me preparar fisicamente e mentalmente para assumir essa enorme responsabilidade. Eu era o capitão da seleção e com uma forte ascendência junto aos meus companheiros. Logo em seguida saiu a convocação e, mais uma vez, meu nome constava da lista.

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Eu técnico, eu jogador e a minha quarta Olimpíada

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5ºs JOGOS PANAMERICANOS

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1967- 5ºs JOGOS PANAMERICANOS

LOCAL: WINNIPEG/CANADÁ
PERÍODO: 24/07 à 06/08 de 1967
PAÍSES PARTICIPANTES: 29
DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 132 atletas
ATLETAS PARTICIPANTES: 2467
MODALIDADE: Basquetebol masculino

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- EUA, 2º- México, 3º- Panamá, 4º-Cuba, 5º- Porto Rico, 6º- Argentina, 7º- Brasil, 8º- Peru- 9º- Canadá, 10º- Colômbia

Infelizmente sou obrigado a dizer que a participação do basquete brasileiro  nessa competição foi um enorme fracasso. Pouco tempo para treinar e uma convocação equivocada feita em cima da hora levaram o basquete brasileiro a um péssimo 7º lugar, após ter sido bicampeão do mundo.

O técnico indicado pela CBB foi o ex jogador Edson Bispo dos Santos, meu companheiro de seleção em grandes jornadas, inclusive pivô titular do Brasil na conquista do 1º titulo mundial alcançado em Santiago, no Chile. Sem ter tempo para treinar, levou uma seleção brasileira desfigurada.

Na última hora pediu-me para fazer parte da sua seleção. Eu estava inativo, sem estado atlético perfeito para disputar um campeonato daquela envergadura, mas como era meu amigo, aceitei. Treinei em São Paulo apenas uma única vez e já embarquei para o Canadá.

Ao técnico não cabe nenhuma culpa, mas sim à CBB, que não preparou-se para esse evento como das outras vezes. Jogamos muito mal e com uma equipe totalmente desentrosada. A maioria dos jogadores, fora de forma, não deu conta do recado e o resultado não podia ser outro.

Voltamos para o Brasil com um sétimo lugar muito criticado pela imprensa brasileira. E com razão. No jogo contra Cuba, em que podíamos perder até por 15 pontos e nos classificarmos para a fase final, acabamos perdendo por 16. Sem dúvida essa foi a minha pior participação em seleção brasileira.

Confesso que até preferia não contar essa passagem vivida em minha carreira de esportista tão vitoriosa. Mas aqui está uma prova que, mesmo para um atleta de ponta como eu fui, haverá sempre a necessidade de estar preparado para enfrentar os grandes desafios.

O ano de 1967 foi para mim um ano de muitas atribuições, não só dentro das quadras, mas também na vida pessoal. Estava com 30 anos e, com a família crescendo, precisava pensar no futuro. Trabalhava demais e isso me desconcentrava da seleção, fora os deveres com o Corinthians.

Não é fácil a vida de um atleta de ponta. Cada vez mais ele precisará estar preparado, se não o fracasso baterá em sua porta sem deixar qualquer aviso. Mas não foi o meu fim. Reagi e consegui mais à frente jogar um basquetebol ascendente, sempre com muita dedicação e amor.

Infelizmente não consegui encontrar na internet dados numéricos e estatísticos que possam mostrar maiores detalhes da nossa participação. Restam apenas dados oriundos da minha cabeça, com amargas lembranças de uma seleção brasileira desprovida de força e competência.

Fonte: Wlamir Marques

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5ºs JOGOS PANAMERICANOS

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O jogo das ovadas ou o dia em que o Corinthians quase bateu um campeão do mundo no basquete - parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques é homenageado pelo Corinthians
Wlamir Marques é homenageado pelo Corinthians Reprodução ESPN

1967- S.C. CORINTHIANS PTA. 76 X 77 UNIÃO SOVIÉTICA (2)

DATA: 18/07/1967

LOCAL: Ginásio do Parque São Jorge

A seleção soviética dividia com o Brasil e os Estados Unidos as grandes conquistas mundiais. Neste dia, o Corinthians jogou contra os soviéticos em igualdade de condições, com reais chances de vencê-los, não conseguindo a vitória pela péssima arbitragem de um juiz russo. 

A torcida não dava tréguas ao jogo, sempre reagia de forma inconformada para cada marcação contra o Corinthians. Na virada do 1º para o 2º tempo, o gerente de um grande supermercado na região foi até o seu estabelecimento e trouxe para a quadra varias caixas de ovos.

Chegando ao ginásio, dividiu as caixas de ovos entre os torcedores, pedindo que para cada marcação mal assinalada do árbitro, atirassem os ovos em sua direção. Resultado: Para cada ovo jogado, parava tudo para limpar a quadra. Mesmo com esse tipo de reação, os erros continuavam.

Confesso que pela primeira e única vez em minha vida participei de algo assim. A quadra ficou escorregadia e de difícil estabilidade. Mas o jogo continuava mesmo com tantas interrupções. Quando passávamos à frente no marcador, o árbitro sempre impedia a nossa progressão.

Assim o jogo seguiu até o seu final. Um jogo que poderia ser altamente técnico acabou virando uma palhaçada, prejudicado pelos ovos e pela péssima arbitragem do juiz russo. Como sempre ocorre em jogos dessa natureza, o placar se alternava, ora para um, ora para outro.

Faltando 25 segundos para o final, a União Soviética passou um ponto à frente. Na reposição de bola, fiquei com a sua posse, foi quando o árbitro brasileiro passou ao meu lado e me disse bem baixinho: "Wlamir, bate para dentro que eu dou falta". Era a represália.

Até ali eu era o único que sabia o que ia acontecer. Raramente eu errava lance livre, principalmente em final de jogo. Não passei a bola para ninguém, fiquei com a sua posse pronto para dar o bote. Faltando 7 segundos, parti em direção da cesta e ali acabou a nossa festa.

Próximo à cabeça do garrafão escorreguei no ovo e não consegui chegar à cesta, mesmo assim joguei a bola para cima que ainda bateu no aro, sendo dominada pelo Amaury que mesmo desequilibrado fez um arremesso sem sucesso. Resultado: Corinthians 76 x 77 União Soviética.

Esse jogo aconteceu há 52 anos. Até hoje sonho com o escorregão e com os arremessos dos dois lances livres, proveniente de uma falta que nunca aconteceu. Se houve falta foi do ovo. Hoje sei que alguns poucos torcedores vivos assistiram esse jogo, um fato real e verdadeiro. 

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O jogo das ovadas ou o dia em que o Corinthians quase bateu um campeão do mundo no basquete - parte 2

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O dia em que o Corinthians quase bateu um campeão do mundo no basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques

DATA: 18/06/67

LOCAL: Ginásio do Parque São Jorge (hoje Wlamir Marques)

Após o término do 5º campeonato Mundial disputado no Uruguai, a seleção da União Soviética fez uma série de jogos amistosos pela América do Sul. O Corinthians como de hábito, convidou-os para um confronto amistoso, dessa vez a ser realizado no Parque São Jorge. 

A Seleção Soviética vinha de um titulo mundial alcançado no Uruguai. Era uma seleção fortíssima, contando com jogadores muito altos e habilidosos tecnicamente. Nós sempre sentíamos muitas dificuldades em enfrenta-los devido ao seu forte estado atlético.

Naqueles tempos a União Soviética, Estados Unidos e Brasil dividiam as primeiras colocações em campeonatos internacionais. Praticamente eram competições de cartas marcadas, ora um, ora outro levava o título. Por esse motivo o jogo trazia no seu retrospecto um grande interesse.

Foi uma noite de ginásio lotado. Era praticamente um confronto entre  Brasil x União Soviética, pois a equipe do Corinthians tinha em sua base a equipe titular da seleção brasileira com Amaury, Rosa Branca, Ubiratan, Renê e Wlamir. Jogo de grande repercussão nacional.

O confronto foi muito equilibrado e decidido nos segundos finais. Perdemos o jogo por 77 x 76, mas fomos bastante prejudicados por um árbitro russo que acompanhava a delegação soviética e, fez de tudo para que o Corinthians não vencesse aquele jogo. Suas atitudes foram revoltantes.

O ambiente ficou praticamente insuportável, dentro e fora da quadra. Por mais que e a torcida reagisse contra as suas decisões, mais ele reagia contra nós. A revolta era enorme e nada pudemos fazer para modificar aquela escandalosa atuação do árbitro.

Provavelmente se a União Soviética perdesse aquele jogo ele seria sacrificado pelo regime, quem sabe mandado para a Sibéria. É claro que essas palavras são minhas, mas a sua atuação demonstrava um certo receio dentro da quadra. Poucas coisas eram marcadas à nosso favor.

O outro árbitro era um brasileiro, como sempre tentando ser honesto e deixando a coisa correr solta. A diferença é que o brasileiro marcava o que via e o Russo marcava o que não acontecia, sempre à favor da União Soviética. Muito difícil esquecer daquele jogo.

Entretanto algo de diferente aconteceu naquela noite. Um diretor do Corinthians, gerente de uma grande loja no bairro, resolveu no intervalo do jogo buscar caixas de ovos em seu estabelecimento. Já no ginásio distribuiu ovos para os torcedores. Podem imaginar o que aconteceu? 

Fonte: Wlamir Marques

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O dia em que o Corinthians venceu a seleção dos EUA de basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Terminado o 5º campeonato mundial disputado em Montevidéu (Uruguai), a seleção dos Estados Unidos da América foi convidada a realizar uma partida amistosa contra o S.C.Corinthians Paulista, em São Paulo, mais especificamente no famoso ginásio do Ibirapuera.

A seleção norte americana veio precedida de um 4º lugar alcançado no mundial, ficando atrás da União Soviética, Iugoslávia e Brasil. Como sempre era uma equipe muito poderosa, vencendo a União Soviética durante a fase regular (59 x 58). Alguns tropeços a levaram ao 4º lugar.

Embora o ginásio do Corinthians já estivesse em pleno funcionamento, esse jogo foi realizado no ginásio do Ibirapuera. O público que lá compareceu foi enorme, não lotando o ginásio, mas trouxe uma grande massa de torcedores, alheios ou não ao Corinthians.

Naqueles tempos qualquer equipe norte-americana que se apresentasse no Brasil era motivo de enorme importância. Tratando-se da sua seleção principal despertava ainda muito mais interesse. O jogo foi de altíssimo nível, com a vitória corinthiana alcançada nos segundos finais (81 x 79).

Nesse jogo fiz 29 pontos, chamando muito a atenção do público e da imprensa, até pelo fato de eu não ter disputado o mundial. A minha atuação despertou a curiosidade do técnico norte americano que, ao final do jogo me perguntou: "Por que você não foi ao mundial?".

Me lembro de ter ficado sem responder como eu gostaria, afinal era um assunto de momento e eu não queria criar qualquer tipo de embaraço. Simplesmente fiz um gesto com os ombros e a conversa parou por ali. Acho que ele entendeu a minha resposta e não perguntou mais nada.

Mas a imprensa brasileira presente enquanto me elogiava, também perguntava o motivo de eu não ter disputado o mundial. Sempre disse que foi por motivos particulares, não queria que aquele jogo servisse de resposta ao técnico Kanela, ali não tinha mais nada à provar.

Estava pra completar 30 anos e acredito ser o meu auge como jogador de basquete. A minha experiência e a minha capacidade física me levavam a descobrir os grandes mistérios do jogo, dando-me a fundamentação necessária para enfrentar os grandes adversários.

Guardo esse jogo na memória, assim como o jogo contra o Real Madrid em 1965. Foram atuações que ficaram marcadas na minha história esportiva, ainda mais tratando-se de um confronto onde um clube brasileiro venceu a seleção dos Estados Unidos, considerado o melhor basquetebol do mundo.

Fonte: Wlamir Marques

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O dia em que o Corinthians venceu a seleção dos EUA de basquete

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5º Campeonato Mundial - Parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

DETALHES TÉCNICOS

LOCAL: Montevidéo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

PARTICIPANTES: Classificação: (2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: 1º-Estados Unidos, 2º-Iugoslávia, 3º-México, 4º-Itália

GRUPO B: 1º-União Soviética, 2º-Argentina, 3º Peru, 4º-Japão

GRUPO C: 1º-Brasil, 2º-Polênia, 3º-Porto Rico, 4º-Paraguai

(Uruguai por ser o país sede já estava classificado para a fase final)

JOGOS DO BRASIL: (Classificação)

Brasil 83 x 67 Polênia

Brasil 92 x 56 Porto Rico

Brasil 85 x 41 Paraguai

JOGOS DO BRASIL: (Fase Final)

Brasil 74 x 78 União Soviética

Brasil 84 x 87 Iugoslávia

Brasil 80 x 71 Estados Unidos

Brasil 90 x 85 Polônia

Brasil 74 x 66 Argentina

Brasil 63 x 45 Uruguai    

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- União Soviética, 2º Yugoslavia, 3º- Brasil, 4º- Estados Unidos, 5º- Polonia, 6º- Argentina, 7º- Uruguay, 8º- México, 9º-Itália, 10º- Peru, 11º- Japão, 12º-Porto Rico, 13º- Paraguay.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Kanela

Jogadores: Amaury, Sergio Macarrão, Ubiratan, Cesar, Hélio Rubens, Olaio, Jathir, Menon, Sucar, Edvar, Emil Rached e Mosquito.

Embora eu não tenha participado do mundial, não posso deixar de enaltecer a ótima participação brasileira. O 3º lugar manteve o basquetebol brasileiro no topo do basquete mundial ao lado dos Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia.

Após o mundial o técnico Kanela, jogadores e imprensa, afirmaram que: Se eu estivesse presente o Brasil teria conquistado o tri campeonato mundial. Fui apontado como culpado pelo 3º lugar. Não concordando com essa afirmação, digo que o culpado foi a comissão técnica.

Até hoje me perguntam os motivos de eu não ter participado daquele mundial? A resposta é muito difícil. Apenas digo que  fui cortado da seleção por motivos particulares e pela indulgência da direção técnica. Entretanto, isso jamais tirará o brilho dessa linda conquista mundial.

O tempo passou e os resquícios do passado foram esquecidos. Mais à frente voltei a ser chamado pelo técnico Kanela. Fui capitão da seleção brasileira sob seu comando por dez anos seguidos (1960 à 1970). Foi uma honra ter sido o representante de toda uma nação brasileira.

Fonte: Wlamir Marques

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5º Campeonato Mundial - Parte 2

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1967- 5º Campeonato Mundial - parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

DETALHES TÉCNICOS:

LOCAL: Montevideo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

PARTICIPANTES: Classificação: (2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: 1º-Estados Unidos, 2º-Iugoslávia, 3º-México, 4º-Itália

GRUPO B: 1º-União Soviética, 2º-Argentina, 3º Peru, 4º-Japão

GRUPO C: 1º-Brasil, 2º-Polonia, 3º-Porto Rico, 4º-Paraguai

(Uruguai por ser o país séde já estava classificado para a fase final)

JOGOS DO BRASIL: (Classificação)

Brasil 83 x 67 Polonia

Brasil 92 x 56 Porto Rico

Brasil 85 x 41 Paraguai

JOGOS DO BRASIL: (Fase Final)

Brasil 74 x 78 União Soviética

Brasil 84 x 87 Iugoslávia

Brasil 80 x 71 Estados Unidos

Brasil 90 x 85 Polônia

Brasil 74 x 66 Argentina

Brasil 63 x 45 Uruguai 

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1º- União Soviética, 2º Yugoslavia, 3º- Brasil, 4º- Estados Unidos, 5º- Polonia, 6º- Argentina, 7º- Uruguay, 8º- México, 9º-Itália, 10º- Peru, 11º- Japão, 12º-Porto Rico, 13º- Paraguay.

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

Técnico: Kanela

Jogadores: Amaury, Sergio Macarrão, Ubiratan, Cesar, Hélio Rubens, Olaio, Jathir, Menon, Sucar, Edvar, Emil Rached e Mosquito.

Embora eu não tenha participado do mundial, não posso deixar de enaltecer a ótima participação brasileira. O 3º lugar manteve o basquetebol brasileiro no topo do basquete mundial ao lado dos Estados Unidos, União Soviética e Yugoslavia.

Após o mundial o técnico Kanela, jogadores e imprensa, afirmaram que: Se eu estivesse presente o Brasil teria conquistado o tri campeonato mundial. Fui apontado como culpado pelo 3º lugar. Não concordando com essa afirmação, digo que o culpado foi a comissão técnica.

Até hoje me perguntam os motivos de eu não ter participado daquele mundial? A resposta é muito difícil. Apenas digo que  fui cortado da seleção por motivos particulares e pela indulgência da direção técnica. Entretanto, isso jamais tirará o brilho dessa linda conquista mundial.

O tempo passou e os resquícios do passado foram esquecidos. Mais à frente voltei a ser chamado pelo técnico Kanela. Fui capitão da seleção brasileira sob seu comando por dez anos seguidos (1960 à 1970). Foi uma honra ter sido o representante de toda uma nação brasileira.

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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1967- 5º Campeonato Mundial - parte 2

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Como fui cortado da seleção brasileira no Mundial de 67

Wlamir Marques
Wlamir Marques

LOCAL: Montevideo (Uruguai)

DATA: 27/05/67 à 11/06/67

"O WLAMIR ESTÁ CORTADO DA SELEÇÃO"

Começo afirmando que não participei desse mundial. Motivo: fui cortado da seleção pelo técnico Kanela. Tudo teve seu inicio à partir da minha convocação. No dia da apresentação, no antigo DEFE situado na capital paulista, me dirigi ao técnico Kanela pedindo dispensa da seleção.

O técnico negou o meu pedido, dizendo que eu era imprescindível à seleção brasileira e que não poderia abrir mão da minha presença. Naquele tempo eu jogava no Corinthians, trabalhava nos correios e telégrafos, e era técnico recém contratado da equipe feminina do XV de Piracicaba.

Eu necessitava de tempo para trabalhar, além de precisar ter o meu ganho profissional de forma regular. Estava pra completar 30 anos e não podia mais me submeter aos treinamentos duas vezes ao dia. Só pra esclarecer, defendi o país por 20 anos sem receber qualquer ajuda financeira.

A minha vontade era ficar fora do Mundial. Vinha desde 1954 com dedicação plena, mas naquele momento me sentia profissionalmente prejudicado. Não queria fazer parte, mas o técnico não aceitava meus argumentos e perguntou: "Você aceitaria treinar 3 dias da semana?"

Naquele hora percebi que o técnico Kanela abria mão dos seus rigores ao me fazer tal pergunta. Ele era um técnico intransigente e ao me fazer aquela proposta me colocou em xeque. Diante daquela pressão e de alguns companheiros, aceitei contrariado, mas tudo ficou esclarecido.

Eu treinaria apenas às 2ªs, 4ªs e 6ªs à noite na seleção e, 3ªs. 5ªs e sábados eu iria para os treinos na cidade de Piracicaba. Fora isso, trabalhava nos correios e telégrafos. Não era fácil engrenar tudo ao mesmo tempo, mas fui levando do jeito que dava.

Em uma sexta feira, a seleção brasileira foi à São Caetano do Sul fazer uma apresentação, tipo jogo treino entre as seleções A x B. Participei ativamente do confronto jogando na seleção A, além de ter sido o seu capitão. Não me encontrava em plena forma, mas já esperava por isso.

Ao final do jogo treino, o técnico Kanela avisou que no sábado estaríamos pegando um avião da FAB com destino à Presidente Prudente para uma nova apresentação. Na hora eu disse que não poderia ir pois tinha um jogo decisivo do Campeonato Paulista entre XV x Santo André.

Ele me olhou e não disse nada. Me dando a entender que estava tudo bem. Não viajei com a delegação e, ao chegarem em Presidente Prudente ele foi  pressionando pelos jornalistas estranhando a minha falta. Ali ele disse o seguinte: "O Wlamir está cortado da seleção".

Fonte: Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

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Como fui cortado da seleção brasileira no Mundial de 67

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As histórias do 2º Mundial interclubes de basquete - parte 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1967- 2º CAMPEONATO MUNDIAL INTERCLUBES (2)

RESULTADOS e LOCAIS: 

EM VARESE: Akron Goodyear 57 x 52 S.C. Corinthians Pta.

EM NAPOLI: Simmenthal Milano 82 x 77 Slavia

EM ROMA: Ignis Varese 79 x 70 Simmenthal Milano

Simmenthal Milano 90 x 89 S.C. Corinthians Pta.

Akron Goodyear 78 x 72 Ignis Varese

Classificação final:

1º- Akron Goodyear (USA)

2º- Ignis Varese (ITÁLIA)

3º- Simmenthal Milano (ITÁLIA)

4º- S.C. Corinthians Pta. (BRASIL)

5º Slavia (PRAGA)

A fase final do 2º Campeonato Mundial interclubes foi disputada no Palazzo de los Deportes, em Roma. Ginásio conhecido desde a Olimpíada de Roma (1960), quando ali disputamos a fase final contra os EUA e a União Soviética e trouxemos a 2ª medalha olímpica de bronze (3º lugar) para o Brasil.

Saliento que, embora o Corinthians tenha sido derrotado em seus dois jogos, deixou na Itália uma ótima impressão. Os adversários eram de grande nível internacional e os enfrentamos de igual para igual sem os reforços de jogadores norte-americanos. 

No jogo em que perdemos para o Simmenthal, fomos totalmente prejudicados pela arbitragem. Ao final do jogo, fomos reclamar com os árbitros, havendo uma forte reação da polícia local, impedindo a nossa aproximação. Torcedores italianos apoiavam nossa reclamação.

Naquela noite, após os jogos, houve um jantar de confraternização para todas as equipes e o assunto não foi outro: o Corinthians foi prejudicado. Isso dito por alguns italianos presentes. De qualquer forma, saímos de cabeça erguida daquele jantar, ali deixamos a nossa marca.

No dia seguinte, junto com a minha esposa Cecilia e alguns companheiros, seguimos na Europa como turistas. Fomos para Paris e ali ficamos 3 dias. Confesso que já tinha ido a Paris outras vezes, mas nunca a conheci direito, dessa vez pude usufruir melhor das suas maravilhas. 

Retornamos ao Brasil cientes de termos cumprido com grande destaque a nossa missão. Saímos de uma temperatura de -5ºC para retornarmos ao verão brasileiro. O 4º lugar em nenhum momento foi desmerecido, nossa participação foi muito enaltecida pela imprensa.

Entramos no ano de 1967 na expectativa de grandes conquistas corintianas. Estávamos cada vez mais caindo no gosto do torcedor que descarregava sua alegria, comparecendo em grande número nos nossos jogos, principalmente nos jogos internacionais. Grandes momentos.

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As histórias do 2º Mundial interclubes de basquete - parte 2

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As histórias do 2º campeonato mundial interclubes de basquete

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1966/67- 2º CAMPEONATO MUNDIAL INTERCLUBES

LOCAIS: Varese , Napoli e Roma (Itália)

DATAS: 04-05-06-07/01/67

PARTICIPANTES: Ignis Varese e Simmenthal Milano (Itália) Slavia (Praga) Akron Goodyear (USA) e S.C. Corinthians (Brasil)

Após a seleção brasileira disputar o mundial extra no Chile, o Corinthians preparou-se para disputar o 2º Campeonato Mundial Inter Clubes na Itália. Isso aconteceu nos primeiros dias de Janeiro de 1967 na cidade de Varese onde jogamos a fase de classificação. As finais aconteceram em Roma.

Iniciamos a fase de treinamentos com maior intensidade no mês de Dezembro de 1966, afinal a competição era de nível internacional e necessitávamos estar aptos a enfrentar qualquer adversário. No dia 27/12 partimos para a Europa com destino à cidade de Milão/Itália.

Nessa época do ano o inverno na Europa é muito rigoroso e encontramos em Milão um frio muito intenso. No final do ano passado passamos pelo mesmo problema e nada nos parecia estranho. Viajamos já sabendo o que íamos enfrentar. Mas o hotel era aquecido e isso já nos bastava.

Ficamos 5 dias em Milão aguardando a ida para Varese. Enquanto isso, os nossos treinamentos foram aprimorados. Havia a necessidade de melhor adaptação ao ambiente, mas sempre encontramos nas quadras o melhor aquecimento interno para a realização de jogos e treinos.

Passamos o ano de 1966/67 em Milão. Festejamos a passagem do ano em um restaurante próximo ao hotel. Nessa viagem levei a minha esposa Cecilia, uma companhia sempre necessária em todas as minhas atuações em clubes e seleções brasileiras. Sua presença não era novidade.

Após a passagem do ano, no dia seguinte fomos de ônibus para Varese, cidade muito próxima à Milão. Chegamos com 3 dias de antecedência para o inicio da fase de classificação. Ficamos hospedados em um maravilhoso hotel situado em uma das colinas da cidade. Tipo castelo medieval. 

Na fase de classificação enfrentamos apenas a equipe do Akron Goodyear dos EUA. Foi um jogo difícil e muito disputado. Infelizmente perdemos por 57 x 52. Saímos em 2º lugar na série e fomos para Roma disputar a fase final junto com o Ignis Varese, Akron e o Simmenthal (campeão Italiano).

Na cidade de Napoles foi disputada a outra série entre o Simmenthal x Slavia. Vitória do Simmenthal por 82 x 77. Naquele ano a equipe milanesa sagrou-se campeã italiano, reforçada com jogadores norte americanos. Também em um único jogo classificou-se para as finais. 

Antes de seguirmos para Roma, fomos de trem visitar a cidade de Veneza, uma cidade diferente e encantadora. Ficamos ali algum tempo e à tarde voltamos para Varese. No dia seguinte cedinho viajamos para Milão e um avião da Alitalia nos aguardava, estávamos à caminho de Roma.

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As histórias do 2º campeonato mundial interclubes de basquete

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1966 - CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

CORINTHIANS X IUGOSLÁVIA

A fase final do mundial extra foi disputada por 7 países. Não sendo uma competição oficial da FIBA, não consegui encontrar na internet dados numéricos que pudessem melhor esclarecer a competição. Puxando apenas pela memória, digo que a Iugoslávia foi a campeã.

Cito também que o Brasil foi vice-campeão, derrotando os soviéticos e os EUA, perdendo somente para a Iugoslávia, que apareceu no cenário com grande destaque. Durante um certo tempo, EUA, União Soviética, Brasil e Iugoslávia dominavam o basquete mundial.

A seleção iugoslava era muito forte, unificada com os melhores jogadores da Servia, Croácia, Eslovênia, etc. À exemplo da União Soviética, os países socialistas eram muito competitivos, bem diferente do Brasil, muito ligado no futebol e vivendo de alguns fenômenos. O basquete era um deles.

Ainda no Chile, o Corinthians convidou a seleção da Iugoslávia para um jogo amistoso no ginásio do Parque São Jorge, hoje chamado Ginásio Poli Esportivo "Wlamir Marques". Aceitaram o convite de pronto. Fizeram escala em São Paulo e muito decididos para o confronto.

Sei também que o convite foi aceito à pedido dos jogadores querendo conhecer a cidade de São Paulo e Rio de Janeiro. Para o Rio foram apenas à passeio. Estavam ansiosos em conhecer o Brasil, mas não sabiam que o Corinthians era a base da seleção brasileira. 

O jogo aconteceu logo após o término do mundial. Foi um grande jogo, duas equipes de nível internacional, um era clube e a outra era a seleção de vários países. O Corinthians venceu o jogo por 2 pontos de diferença, feitos pelo Renê nos segundos finais. Seus únicos 2 pontos no jogo.

Ginásio lotado como sempre acontecia em jogos internacionais. Nosso torcedor era diferenciado, principalmente pela falta de títulos no futebol. Naquele ginásio, o torcedor descarregava a sua alegria no basquete. Era uma forma de torcer por novas conquistas alvinegras. À exemplo do confronto com o Real Madrid, esse jogo permanece na história do basquete corintiano e brasileiro. Até hoje são comentados os nossos grandes feitos. A história não morreu. Foi um fato inédito, vitória de um clube sobre uma seleção campeã do mundo. Inesquecível!

Fonte: Wlamir Marques

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1966 - CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA 2

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1966- CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA

Wlamir Marques
Wlamir Marques

1966- CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA
LOCAL: CHILE: (SANTIAGO e ANTOFAGASTA)
DATA: 2º SEMESTRE DE 1966
PARTICIPANTES: Yuguslavia, Brasil, USA, União Soviética, Bulgária, Espanha, Chile, Paraguay, Peru, Panamá, Porto Rico, México, Argentina.

No ano de 1966 seria realizado o 5º campeonato mundial de seleções no Uruguai. Por motivos estruturais o campeonato foi adiado para o ano de 1967. Nesse ínterim, a Federação Chilena de Basquetebol decidiu patrocinar um campeonato mundial extra e convidou o Brasil.

O convite foi feito à CBB uma semana antes do inicio da competição, não havendo tempo hábil para os treinamentos de uma seleção. A CBB entrou em contato com a FPB solicitando que o convite fosse estendido ao S.C. Corinthians Paulista, base da seleção brasileira, e o Corinthians aceitou.

Wlamir, Amaury, Rosa Branca e Ubiratan eram titulares da seleção brasileira bi campeã do mundo. O 5º jogador era o Renê que por motivos particulares não participou. À convite do Corinthians, outros jogadores vieram reforçar a sua equipe, entre eles o Emil Rached (2.23 mts).

Confesso que não estávamos em ritmo forte de treinamentos. Viajamos sem estarmos na nossa melhor forma física e técnica para a disputa de um campeonato mundial, mas foi a melhor solução. Nós eramos muito entrosados e a falta de treinamentos não foi tão prejudicial.

Voamos para Santiago e ali pernoitamos. No dia seguinte pegamos um voo com destino à cidade de Antofagasta situada no deserto de Atacama. Ali disputamos a fase de classificação. À bem da verdade o deserto é inóspito, ar muito seco, impróprio para a pratica desportiva.

Ficamos em um péssimo hotel. A comida era horrível e, com o ar seco inúmeras vezes sangrei pelo nariz. Se já não estávamos na melhor forma física, com aquela alimentação e com aquela atmosfera ficava quase impossível jogarmos normalmente, mas conseguimos a classificação.

Não foi fácil, às duras penas conseguimos a vaga para as finais à ser disputada em Santiago. Se não classificássemos iriamos disputar a fase de consolação em Punta Arenas, extremo sul do Chile na Patagônia. A torcida chilena gritava: "Brasil vá a Punta Arenas". Se decepcionaram.

Após a classificação partimos para Santiago. Ali nos hospedamos  no Hotel Carrera, maravilhoso hotel já conhecido. Ficamos ali hospedados quando da conquista do mundial de 1959. Foi como entrar em um hospital, eu me sentia fisicamente frágil.  Aos poucos fui recuperando minhas forças.

Duas cidades também foram sédes de grupos, classificando os dois primeiros colocados em cada grupo. Seis países se classificaram para a final, além do Chile país anfitrião. A final foi disputada em turno completo, sendo declarado campeão o país com maior numero de vitórias. 

Fonte: Wlamir Marques, do ESPN.com.br

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1966- CAMPEONATO MUNDIAL EXTRA

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1966- RECUPERAÇÃO E CONTESTAÇÃO

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Após passar o ano novo em Madri, entrei no mês de janeiro buscando a recuperação de uma cirurgia. Como já foi dito, extrai o menisco externo da minha perna direita. O retorno foi difícil, mas tudo dentro das previsões. Com 28 dias de cirurgia entrei em quadra para jogar.

Com coragem e determinação fui aos poucos adquirindo condições de jogo, mas com algumas restrições. A minha forma de jogar também sofreu algumas modificações. Temeroso, procurava evitar os contatos mais rigorosos, ou seja, tentava me adaptar a uma nova situação.

Passei praticamente os três primeiros meses do ano buscando a minha melhor forma técnica e física. Treinava muito e jamais me poupei dos grandes esforços. Sabia o que queria e o que mais necessitava, precisava retornar às quadras em perfeitas condições.

 Em 1966 foi realizado um campeonato sulamericano de seleções disputado a cada 2 anos, dessa vez no Paraguai. O técnico foi o Renato Brito Cunha, assistente do Kanela em varias ocasiões. Fui chamado, mas recusei a convocação, naquele momento necessitava descansar.

O meu retorno às quadras foi muito estafante. Sabia que os esforços dispendidos nos treinamentos da seleção me desgastariam ainda mais. Treinar duas vezes ao dia não estava previsto naquele momento, precisava de um tempo, não das quadras, mas da minha cabeça.

A minha recusa gerou um certo desconforto no meio. Fui criticado pela imprensa por ter me negado a participar. Eu era o capitão da seleção e ninguém aceitava que eu ficasse de fora. Sem outra alternativa, recusei a convocação sabendo que contrariava muita gente.

Lembro que disputei cinco campeonatos sulamericanos, sendo tetracampeão nos anos de 58/60/61/63. Em 1955 fomos 3º lugar jogando em Cucuta, na Colômbia. Houve empate na 1ª colocação entre o Uruguai, Paraguai e Brasil.  No saldo de pontos ficamos em 3º. 

A minha ausência não impediu que o Brasil conquistasse o título de campeão sulamericano no Paraguai. Nesse espaço de tempo, aos poucos voltei à minha antiga forma, dedicando ao Corinthians todos os meus esforços para as grandes disputas internas e internacionais.

A recusa foi muito contestada por parte da imprensa em geral. Coisas de um país sem memória, não levando em consideração que, desde 1954, sempre estive presente. Foi simplesmente uma atitude de momento. Mais tarde, com muita honra, retornei à seleção brasileira.

Fonte: Wlamir Marques, do ESPN.com.br

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1966- RECUPERAÇÃO E CONTESTAÇÃO

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1965 - RECUPERAÇÃO 2

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Como foi dito em texto anterior, no mês de Novembro de 1965 fui submetido a uma cirurgia para a retirada do menisco externo do joelho direita.  Ainda sentia dores, portanto o melhor era me submeter a essa cirurgia. Isso aconteceu há um mês antes do inicio do campeonato mundial.

O tempo curto de recuperação não me permitia estar apto à participar do evento. Mesmo assim, viajei com a delegação a fim de me preparar fisicamente e poder voltar às quadras o mais rápido possível. Infelizmente não consegui alcançar a melhor condição de jogo.

Vencemos o Real Madri em sua casa e batemos a equipe dos EUA. Chegamos ao jogo final enfrentando o Ignis Varese, campeão italiano, contando com 2 jogadores norte americanos. Nesse jogo entrei faltando 3 minutos e ainda consegui fazer 4 pontos. Perdemos por 3 pontos.

Disseram os entendidos que, se eu estivesse em condições, (28 dias de cirurgia) poderíamos ter conseguido o primeiro título mundial interclubes. Porém o vice campeonato foi muito valorizado, nos levando a receber convites para jogos amistosos na Europa. Ali voltei a jogar. 

Passamos o ano novo em Madri e começamos a atender os vários pedidos para os amistosos. Nesse espaço de tempo me aventurei um pouco mais nas minhas atividades físicas, mesmo com o joelho passando por situações difíceis, tais como inchaço e algumas dores.

Sabia que o retorno não seria fácil, fui alertado sobre as inconveniências da cirurgia, mas nunca me senti atemorizado. Comecei o preparo praticamente sozinho, pois precisava estar apto a continuar a minha carreira. Já no primeiro amistoso dei tudo o que me era permitido, fiz 25 pontos.

Aos poucos fui adquirindo confiança e a cada jogo ia melhorando as minhas performances. Ainda não estava 100%, mas a esperança e a expectativa aumentava. Jogamos em Portugal, Bélgica e Itália, sempre debaixo de um inverno europeu rigoroso, com muita neve.

Jogamos em Charleroi, na Bélgica, com temperatura de 16 graus abaixo de zero. Devido à neve, nosso ônibus não conseguiu chegar ao ginásio. Chegamos a pé, atravessando montes de neve. Não havia calefação no ginásio, tornando-se quase impossível jogar naquelas condições. A excursão foi maravilhosa. Não perdemos nenhum jogo e deixamos a marca do Corinthians entre as melhores equipes do mundo. Voltei ao país totalmente apto a continuar minha carreira. Senti muito termos perdido o mundial, mas fiquei muito feliz por retornar às quadras.

1º CAMPEONATO MUNDIAL INTERCLUBES DE BASQUETE

LOCAL: Madri, Espanha

DATA: 27 a 29/12/1965

PARTICIPANTES: Real Madrid (Espanha) - Chicago Jamaco Saints  (EUA) - Ignis Varese (Itália) e Corinthians (Brasil).

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1965 - RECUPERAÇÃO 2

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1965 - RECUPERAÇÃO 1

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Logo após o acidente ocorrido com o meu joelho direito no México, fui mandado de volta para São Paulo para dar início ao tratamento. A lesão foi muito séria, havendo a necessidade de um pronto atendimento. Chegando em São Paulo, uma condução do Corinthians me aguardava.

Me levaram a um médico ortopedista, que rapidamente recomendou engessar a minha perna. Mais tarde, a mando do presidente Wadi Helú, fui encaminhado a um novo atendimento no Hospital D.Pedro 2º para ser atendido pelo Dr. João Di Vicenzo, o melhor ortopedista do Brasil. 

Como estava com o gesso em toda a extensão da  perna, na mesma hora o Dr. João mandou retirá-lo dizendo que perna de atleta não se engessa. A partir dali iniciei um longo tratamento à base de injeções de cortisona. Duas vezes por semana me dirigia ao hospital para as devidas aplicações. 

Andava com dificuldades, mas aos poucos as dores foram diminuindo. Foram 3 meses de tratamento, uma injeção na terça feira e outra na quinta feira. Passei os meses de Agosto, Setembro e Outubro sem poder jogar ou treinar. Até que um dia fui autorizado a iniciar os treinamentos.

Voltando à quadra, mesmo de forma leve, uma dor na parte posterior do joelho me incomodava. Não me sentia apto, o joelho continuava preso, amarrado. Analisado pelo Dr. João, agora eu estava com problemas no menisco externo, havendo a necessidade de uma cirurgia.

Lembro que os primeiros 3 meses foram dedicados aos tratamentos dos ligamentos, surgindo logo após problemas com o menisco. No mês de Novembro fui submetido à cirurgia. Naqueles tempos não existia a artroscopia tão conhecida nos dias de hoje, ali só o bisturi funcionava.

Foram 3 dias internado no hospital para em seguida voltar à minha casa e iniciar a fisioterapia. Diariamente me dirigia ao clube para ser atendido no departamento de futebol profissional. Lembro que na época meu companheiro de sala e conversa era o grande Mané Garrincha.

A minha maior preocupação era estar apto a defender o Corinthians no mundial interclubes a ser disputado em Madri no final do ano. Minha dedicação foi plena, voltando até prematuramente aos treinamentos e sofrendo as consequências. Ali era o começo da minha volta às quadras.

Fonte: Wlamir Marques, do ESPN.com.br

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1965 - RECUPERAÇÃO 1

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