4ºs JOGOS PAN-AMERICANOS- 1963- 2ª PARTE

Wlamir Marques
Wlamir Marques

CIDADE SEDE: São Paulo / Brasil.

PERÍODO:  20/04 à 05/05/1963.

LOCAL DA DISPUTA: Ginásio Poliesportivo do Ibirapuera.

BASQUETEBOL---Países participantes: 07.

1-Brasil -2-Peru- 3-Uruguay- 4-USA- 5-Canadá- 6-Porto Rico -7-México.

Como já foi dito anteriormente, a competição do basquete masculino e do feminino foi toda disputada no Ginásio Poliesportivo do Ibirapuera. Quase em todas as noites tivemos lotação máxima, com o publico paulistano comparecendo em grande numero em todos os eventos.

Para o basquetebol masculino a competição foi equilibrada em função da capacidade técnica das equipes participantes. Foram 3 países da América do Sul, 3 da América do Norte e 1 da América Central. Estados Unidos e Brasil chegaram à final sem derrotas. Vitória dos EUA (78 x 66).

Esses Jogos Pan-americanos foram muito importantes para a conquista do nosso bicampeonato mundial disputado no Rio de Janeiro dias depois.  Foram 5 meses de preparação desde o Sul-americano no Peru, o Pan-americano em São Paulo e o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro.

SELEÇÃO BRASILEIRA: Técnico Kanela--Asist. Técnico: Moacir Daiuto.

Jogadores: Amaury Pasos, Sucar- Victor, Menon, Edson Bispo, Mosquito, Rosa Branca, Jatir, Fritz, Ubiratan, Waldemar e Wlamir Marques.

JOGOS DO BRASIL:

Brasil 95 x 59 Perú

Brasil 68 x 40 Uruguay

Brasil 106 x 66 México

Brasil 81 x 67 Porto Rico

Brasil 84 x 80 Canadá -  (tempo extra)

Brasil 66 x 78 Estados Unidos -  (jogo final)

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

1º- Estados Unidos;

2º- Brasil;

3º- Porto Rico;

4º- Uruguay;

5º- Peru;

6º- Canadá;

7º- México.    

 

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4º Campeonato Mundial- 1963

Wlamir Marques
Wlamir Marques

4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963

LOCAL: Rio de Janeiro/Brasil
PERÍODO: 12/05 à 25/05/63
PAÍSES PARTICIPANTES: 13

Terminado os Jogos Panamericanos em São Paulo, demos continuidade aos treinamentos para a disputa do 4º Campeonato Mundial de basquetebol masculino à ser realizado na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente  no grandioso e maravilhoso ginásio poli esportivo do Maracañazinho.

O técnico Kanela deu 2 dias de descanso à sua equipe, para em seguida via ponte aérea rumarmos para a cidade maravilhosa. Chegando ao Rio fomos diretos para o América F.C. onde haveria uma apresentação da seleção brasileira para a imprensa, contando com grande numero de jornalistas.

Convêm recordar que a cidade do Rio de Janeiro conseguiu sediar esse mundial após as Filipinas desistirem do patrocínio em outubro de 1962. O mês de Maio de 63 foi o escolhido, dando tempo para que a cidade se preparasse melhor para o evento. Em seguida iniciamos os treinamentos.

Nossa concentração dessa vez foi também no Hotel das Paineiras que, à exemplo das outras vezes era de total agrado dos atletas e da comissão técnica. Um hotel situado na estrada para o Corcovado, muito tranquilo e sem o assédio dos torcedores e de pessoas querendo nos conhecer.

Entretanto, no começo dos treinamentos fomos obrigados à cumprir um compromisso assumido pela CBB para uma exibição na cidade de Petropolis. Por falta de equipes de valor para nos enfrentar, a exibição foi marcada pela equipe A jogando contra a B, formadas pela comissão técnica. 

Ficamos um dia na cidade com pernoite no Hotel Quitandinha, muito famoso pelas chachadas do Oscarito e Grande Otelo, dois comediantes com enorme prestígio no país. Jogamos à noite, dormimos em Petropolis e no dia seguinte cedo partimos de onibus de volta para o Hotel das Paineiras. 

Nossos treinamentos eram realizados no ginásio do Tijuca T.C. por ser mais próximo do hotel e sem a necessidade de pegar o forte trânsito da cidade do Rio de Janeiro. Os treinamentos eram realizados em dois períodos, manhã e tarde, enquanto aguardavamos a disputa da fase de classificação.

As cidades de São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte sediaram as fases de classificação, enquanto o Brasil por ser o país anfitrião apenas aguardava a disputa da fase final. Da fase de classificação viriam 6 países para o Rio de Janeiro, ou seja,  os dois melhores colocados de cada grupo:  A B e C. 

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4ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1963

Wlamir Marques
Wlamir Marques

LOCAL DA DISPUTA:  São Paulo/Brasil

PERÍODO: 20/04/63 até 05/05/63

PARTICIPANTES: 1655 atletas

PAÍSES PARTICIPANTES: 22

DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 385 atletas

Terminado o Campeonato Sulamericano disputado em Lima/Peru onde o Brasil conquistou o 4º titulo consecutivo, voltamos para o país e o técnico Kanela fez uma nova convocação para a disputa do 4º Jogos Panamericanos,  a serem realizados em São Paulo. Em seguida iniciamos os treinamentos.

Convêm salientar que São Paulo ganhou o direito de sediar o evento em disputa com a cidade de Winnipeg/Canadá, vencendo por (18x5). É importante afirmar que poucas obras foram necessárias, pois a cidade já possuia uma ótima infraestrutura, restando apenas alguns ajustes.

Complexos esportivos de clubes, do municipio e do estado, garantiam o  sucesso da competição sem grandes dispêndios financeiros. Todas as modalidades esportivas tiveram os seus espaços reservados e muito bem conservados. O Ginásio do Ibirapuera serviu para o basquetebol.

A única obra construída foram as dependências da Vila Panamericana situada na USP (Universidade de São Paulo) para o alojamentos das delegações visitantes. Recém construída e ainda sem calçamento era um enorme transtorno em dias de chuva, muita lama e de difícil acesso.

A população da cidade de São Paulo acolheu muito bem a realização desse evento internacional, comparecendo sempre com um grande número de torcedores em todos os eventos. O basquetebol masculino e o feminino, além do futebol, foram os eventos mais procurados e assistidos. 

Cabe também ressaltar a alimentação oferecida aos atletas, sempre feita com muito esmero, não faltando nada para os novos e estranhos paladares. Terceirizada por grandes restaurantes da capital, foi o ponto alto da vila, sempre muito farta e bastante elogiada por todos os participantes.

O Estádio do Pacaembu prestou-se para o desfile de abertura dos jogos. Totalmente lotado, com uma estimativa de 40 mil pessoas. Foi uma linda festa, com as delegações desfilando em cadência marcial ao som da banda da força pública de São Paulo. Com certeza foi um lindo espetáculo.

A concentração das delegações para o desfile de abertura deu-se na Praça Charles Miller, defronte ao estádio, com a delegação brasileira sendo a última a entar no recinto debaixo de uma enorme ovação popular. Honras de praxe aconteceram, com a chegada da tocha e discursos de abertura.

 

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1963: 20º Campeonato Sulamericano

Wlamir Marques
Wlamir Marques
 Wlamir Marques, jogador da seleção brasileira de basquete, em ação
Wlamir Marques, jogador da seleção brasileira de basquete, em ação Gazeta Press


20º CAMPEONATO SULAMERICANO

ANO- 1963

LOCAL- LIMA/PERÚ

PERÍODO: 16/02/63 à 04/03/63

PREPARAÇÃO PARA O CAMPEONATO:

Em Dezembro de 1962 o técnico Kanela fez uma nova convocação de jogadores para a disputa do 20º Campeonato Sulamericano na cidade de Lima, capital do Peru Por falta de maior tempo para os treinamentos, a seleção foi formada na base de 2 clubes da capital paulista:  Corinthians e Sirio.

Iniciamos os treinamentos no mês de janeiro na cidade de São Paulo. Os treinamentos eram feitos no ginásio do DEFE, situado no bairro da Água Branca. Treinamos aproximadamente por 1 mês nos períodos da manhã e noite. Somente 3 convocados não pertenciam à essas duas agremiações.

Não tivemos dificuldades para o entrosamento, até porque a base era da seleção paulista e já nos conhecíamos de outros campeonatos. Além é claro, de sermos adversários nas quadras, mas sempre nos respeitando. Os outros 3 jogadores foram prontamente se adaptando; sem problemas.

Cabe aqui dizer que essa forma de seleção brasileira não era a ideal para o técnico Kanela. Muito exigente, ele sempre realizava suas preparações em longos períodos, à exemplo das conquistas olímpicas e mundiais, quando os nossos treinamentos nunca foram inferiores à 4 meses de preparação.

Como sempre acontecia, eu enfrentava problemas no emprego, pois sendo funcionário público federal eu, necessitava de autorização oficial, inclusive para deixar o país. Dificilmente eu conseguia estar à disposição do técnico no dia marcado para o inicio dos treinamentos, causando-me mal estar.

Sempre chegava atrasado e com a CBB apelando para as autoridades competentes exigindo que me liberassem com antecedência. Mas isso nunca aconteceu. Algumas vezes me apresentava sem licença. Mas no retorno ao trabalho era impedido de trabalhar por abandono de cargo.

Enfrentei nos correios 5 processos por abandono de cargo, mas sempre recuperava a minha função ao chegar a licença com muito tempo de atraso. Em 1968, ao retornar da Olimpíada do México, mais uma vez  enfrentei um novo processo de abandono. À partir dali, abandonei o correio de vez.

No dia 13/03/63 saímos de São Paulo em avião da Varig com destino à Lima/Peru. Chegamos com 3 dias de antecedência na cidade de Lima e, alí terminamos a nossa fase de preparação. O campeonato foi de longa duração com 9 países participantes, jogando todos contra todos.

O campeonato foi disputado novamente em um estádio de futebol com quadra aberta no Estádio Nacional do Peru.  A cidade de Lima, a exemplo de Santiago do Chile também não possuía ginásios para grandes públicos. A estimativa era para 20 mil pessoas, quase alcançando sua lotação máxima.

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1963: 20º Campeonato Sulamericano

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1962: O Mundial de Basquete que não aconteceu

Wlamir Marques
Wlamir Marques

"PREPARAÇÃO PARA O 4º CAMPEONATO MUNDIAL"

O MUNDIAL QUE NÃO ACONTECEU

ANO: 1962

LOCAL: FILIPINAS

No início do mês de Agosto de 1962 o tecnico Kanela convocou uma nova seleção brasileira para a disputa do 4º Campeonato Mundial à ser realizado nas Filipinas. Por questões financeiras, a CBB pediu ao E.C.Banespa de São Paulo o uso das suas dependências para os treinamentos e concentração.

De pronto o clube aceitou, mas o local destinado ao nosso alojamento era pequeno, ocasionando com isso um privilégio dado aos atletas residentes na capital ao ficaram isentos da concentração. Eu, já residente na cidade fui um dos escolhidos para ficar em casa, indo ao Banespa apenas para treinar.

Não era comum isso acontecer, mas dessa vez foi a solução encontrada muito à contra gosto do técnico. Confesso que não era a melhor solução, mas eram épocas dificéis, quando o basquete vivia muito mais à custa dos  militares, clubes, ou das prefeituras que a auxiliavam nas necessidades.

A CBB vivia de verbas públicas nem sempre o suficiente para os grandes eventos. Nunca usufruimos de qualquer vantagem financeira, eramos amadores e viviamos do trabalho e das ajudas de custos dada pelos clubes. Sem qualquer tipo de reclamação ou atrito, era assim que tudo funcionava.

No meu caso eu só participava do treino noturno, pois me via impedido de treinar de manhã devido ao meu trabalho nos correios. Sem licença oficial eu não podia me ausentar do serviço. Isso sempre foi um enorme problema para as minhas apresentações e participações na seleção brasileira.

Treinamos até o mês de outubro do jeito que podiamos, não era o ideal mas foi a única forma encontrada. Já estavamos quase prontos para o embarque quando recebemos a notícia que o mundial havia sido suspenso. Confesso que o motivo não ficou muito claro, alguns diziam que foi politico.

Lembro que na época também foi dito que devido a um surto de meningite no país séde, acharam melhor transferir o mundial para outro local. À partir dalí a seleção foi dispensada aguardando novas determinações. Foi quando a CBB entrou com um pedido junto à FIBA pedindo o patrocínio do evento.

O motivo politico foi a negação das Filipinas em dar aos países da cortina de ferro o visto de entrada em seu país. Sendo assim, pela falta de  países interessados no evento, foi dado ao Brasil a organização do 4º Campeonato Mundial de Basquetebol à ser realizado no Rio de Janeiro em Abril de 1963.

No mês de Dezembro de 1962 foi feita uma nova convocação pelo técnico Kanela, dessa vez para a disputa do 20º Campeonato Sulamericano a ser realizado em Janeiro de 1963 na cidade de Lima/Perú.  À partir dali demos inicio a uma série de eventos, culminando com o bi campeonato mundial.

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1962: O Mundial de Basquete que não aconteceu

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O dia em que minha vida mudou (2ª Parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Equipe de basquete do Corinthians em 1969
Equipe de basquete do Corinthians em 1969 Gazeta Press

Clique aqui para ler a primeira parte.

Ano: 1962

S.C. Corinthians Paulista 

Não foi tão fácil me adaptar aos novos companheiros de equipe. A quadra me parecia estranha, ainda mais que o clube não possuía um ginásio próprio, dependíamos muito das quadras emprestadas e os nossos jogos eram mandados quase sempre no ginásio do Pacaembu.

Muitas vezes treinávamos na quadra externa do clube, mas eram treinos condicionados ao tempo, quando o frio e a chuva atrapalhavam nossas atividades. No meu 1º treino nessa quadra, baixou uma forte neblina que nos impedia de ver a tabela contrária, tendo paralisado o treino.

Nesse período não pude me dedicar ao Corinthians da forma que eu gostaria. Fui convocado pela CBB para uma excursão a Porto Rico onde faríamos 7 jogos amistosos contra a seleção daquele país, jogando em várias cidades do interior e na capital San Juan. Uma linda excursão.

Entre treinamentos e viagem foram quase dois meses treinando e jogando pela seleção brasileira, não me dando tempo hábil para conhecer melhor meus novos companheiros de clube. Para essa seleção foi feita uma mescla entre jogadores novos e antigos. Com 25 anos eu já era antigo.

Enquanto isso o ginásio do Corinthians que, hoje, recebe o meu nome, estava sendo reconstruído. Sua construção ficou paralisada por alguns anos e só em 1962 é que foi reiniciada a obra. O ginásio possuía apenas o arcabouço das arquibancadas em cimento cru, ainda impróprio ao uso.

Nesse ano ainda disputamos um campeonato metropolitano com um certo sucesso, mesmo não contando com grandes jogadores, mas mesmo assim arrastávamos ao jogo um grande número de torcedores. A partir dali senti o quanto era importante defender o S.C.Corinthians Paulista.

Aos poucos e com a ajuda de amigos fui me adaptando à cidade e à nova função nos correios, muitas vezes saindo do trabalho e indo direto para os treinos e jogos. A família também ia aos poucos sentindo a diferença de vida entre Piracicaba e São Paulo, financeiramente melhor ajustada.

Como já disse anteriormente, vim para São Paulo motorizado. Eu possuía um Chevrolet Coupe que acabei pintando de vermelho e branco. O carro chamava muito a atenção, mas um certo dia pela manhã ao sair de casa para o trabalho não vi o carro estacionado na rua. Resultado: roubaram.

Imediatamente liguei para a polícia e para a Rádio Pan-Americana falando sobre o acontecido. Naquele mesmo dia à noite o meu lindo carro foi encontrado na zona norte, intacto e perfeito, nada faltando. Disseram que foi encontrado pelo MUC (Movimento de União dos Corintianos).




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O dia em que minha vida mudou (2ª Parte)

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O DIA EM QUE A MINHA VIDA MUDOU

Wlamir Marques
Wlamir Marques

ANO: 1962

TRANSFERÊNCIA PARA O S.C. CORINTHIANS PTA.

No dia 27 de novembro de 1953, ainda com 16 anos de idade saí da minha cidade natal de São Vicente SP para fixar residência em Piracicaba SP. O motivo foi para defender a cidade nos Jogos Abertos do Interior no ano de 1955 à ser realizado naquela cidade. Ali eu permaneci por 9 anos.

Em Piracicaba constitui família e filhos, alem de exercer trabalho nos correios e telégrafos da cidade. Entretanto no ano de 1962 resolvi aceitar uma proposta do Corinthians e fiz a minha transferência de cidade no dia 01 de maio de 1962. Aos 25 anos decidi modificar minha vida.

Dizer que foi uma mudança tranquila estaria mentindo. Não foi nada fácil sair de uma cidade interiorana onde por 9 anos estava acostumado com seus hábitos e modos de vida. Claro que na minha visão as duvidas existiam. Como sobreviver nessa cidade à contento com esposa e filhos?

Fiz a transferência do trabalho, mas ainda dependendo da liberação do XV de Piracicaba para que eu tivesse condição de jogo. Os dirigentes do XV na época reagiram contra a minha saída, impedindo que eu fizesse a mudança, quando os regulamentos para esses caso eram diferente dos dias atuais.

Mas aí aconteceu um fato inédito no esporte brasileiro: Fui trocado por um jogador de futebol. Nessa época o XV disputava a divisão especial do futebol paulista. Foi quando o XV ao registrar na FPF um jogador chamado Ubiraci, constatou-se que ele pertencia ao Corinthians.

Wlamir Marques no Corinthians
Wlamir Marques no Corinthians Gazeta Press

Em uma conversa entre os presidentes, o XV pediu ao Corinthians a liberação do atleta. Foi quando o Dr. Wadih Helu presidente do Corinthians impôs a condição da troca dizendo: Vocês liberam o Wlamir e eu libero o Ubiraci. O XV aceitou. Foi a 1ª e única vez acontecendo esse tipo de troca.

À partir dali passei a ser oficialmente atleta do Corinthians, foi quando decidi de vez fixar residência na capital. É importante dizer que eram outros tempos, eu ia ao trabalho de bonde, onde o famoso camarão (bonde) era o meu elo com o trabalho no Vale do Anhangabaú. Tudo novo, vida nova.

Nessa época eu já possuia um automóvel trazido da origem, mas mesmo assim tudo era muito estranho se comparamos o trânsito de uma cidade com a outra. Era normal eu andar com um mapa da cidade para poder me orientar, embora tenha entrado em ruas erradas inúmeras vezes.

O começo não foi fácil, mas aos poucos fui me adaptando à cidade e, com ajuda de muitos corintianos passei a não ter mais dificuldades em me locomover pela cidade, alem de me ajudarem a começar um novo trabalho dentro das quadras. Se me permitirem continuarei essa história.

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O DIA EM QUE A MINHA VIDA MUDOU

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Memórias: Wlamir Marques e a conquista do Helms Trophy

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir Marques ostenta o ''Helms Trophy''
Wlamir Marques ostenta o ''Helms Trophy'' Gazeta Press

No ano de 1936, por iniciativa dos senhores Bill Schroeder e Paul Helms foi criada em Los Angeles/Califórnia-USA) a Helms Athletic Foundation. Essa fundação tinha como seu principal objetivo premiar anualmente os melhores atletas amadores de cada continente em várias modalidades.

Na época era considerada uma entidade esportiva muito importante no mundo ao criar o seu tradicional e aguardado Hall da Fama. Todo ano havia uma enorme expectativa de quem seriam os agraciados pelo tão valioso troféu. Nunca houve prêmios em dinheiro, puro amadorismo.

Alguns atletas brasileiros de grande destaque mundial e nacional foram eleitos, tais como:  Silvio de Magalhães Padilha, Ademar Ferreira da Silva e José Teles da Conceição. Pela 1ª vez elegeram um atleta do basquetebol sulamericano no ano de 1961, quando eu fui o escolhido.

Pode parecer estranho que atletas de modalidades coletivas possam ser escolhidos entre os melhores, bastando ver as escolhas nesse ano de 1961, quando todos eram ligados às modalidades individuais. Foi uma enorme honra estar entre os melhores atletas amadores do mundo.

ATLETAS ESCOLHIDOS EM 1961: 

1- América do Norte:  Ralph Boston - Atletismo (salto em distância) - USA

2- Europa: Valery Brumel- Atletismo (salto em altura) - Russia

3- Africa: Abdul Amu- Atletismo (corredor dos 100 metros) - Nigéria

4- Asia: Tsuyoshi Yamanaka- (Natação) - Japão

5- Oceânia: Dawn Fraser- (Natação) - Austrália

6- América do Sul: Wlamir Marques - (Basquetebol) - Brasil

A  Helms Athletic Foundation funcionou até o ano de 1982, deixando de  existir com a morte dos seus fundadores. O seu legado ficou a cargo da United Savings and Loan que, fundiu-se com a Citizen Saving Banks em 1973. Em 1982 foi renomeda para First Interstate Bank (seu último ano).

Confesso que não sou favorável aos premios individuais para os atletas de modalidades coletivas, até porque ninguém joga só, a dependência dos seus companheiros é enorme. Entretanto, é um troféu que ostento com muito orgulho, fazendo parte das minhas importantes honrarias.

Com o fim da fundação Helms, as entidas esportivas decidiram criar seus próprios halls da fama, premiando atletas que mais se destacaram em suas modalidades durante suas épocas. O troféu Helms foi-me entregue em 1962 no Ibirapuera em jogo da seleção brasileira.

 

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Memórias: Wlamir Marques e a conquista do Helms Trophy

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Estatísticas da seleção brasileira de basquete campeã do sul-americano de 1961

Wlamir Marques
Wlamir Marques

19º CAMPEONATO SULAMERICANO- 1961- (2ª PARTE)

LOCAL DA COMPETIÇÃO: Brasil ( Rio de Janeiro e Niteroy)

PERÍODO DOS JOGOS: 20/04 à 30/04/61

DETALHES TÉCNICOS:

PAÍSES PARTICIPANTES: 08

1- BRASIL

2- PARAGUAY

3- ARGENTINA

4- URUGUAY

5- PERÚ

6- CHILE

7- EQUADOR

8- VENEZUELA

RESULTADOS: Jogos do Brasil.

Brasil 88 x 54 Equador (Maracanãzinho)

Brasil 98 x 54 Chile (Maracanãzinho)

Brasil 84 x 63 Argentina (Maracanãzinho)

Brasil 74 x 35 Perú (Maracanãzinho)

Brasil 94 x 58 Paraguay (Maracanãzinho)

Brasil 72 x 45 Venezuela (Niteroy)

Brasil 66 x 47 Uruguay (jogo final) (Maracanãzinho)

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º - Brasil

2º - Uruguay

3º - Argentina

4º - Paraguay

5º - Perú

6º - Chile

7º - Equador

8º - Venezuela

TÉCNICO DO BRASIL: Kanela

JOGADORES DO BRASIL: 

Amaury Pasos- Sucar- Tozzi- Benjamim- Betinho- Mosquito- Rosa Branca- Fernando- Jatyr- Mical- Renê- Waldemar e Wlamir Marques.

CESTINHAS DO CAMPEONATO: 

1º - Wlamir Marques- ( Brasil) 150 pontos

2º - Riofrio- (Argentina) 136 pontos

3º - Thompson (Chile) 135 pontos

4º - Amaury Pasos - (Brasil) 121 pontos

5º - Cordero- (Paraguay) 97 pontos

6º - Ricardo Duarte (Perú) 94 pontos

7º - Giménez (Equador) 89 pontos

8º - Rosa Branca (Brasil) 77 pontos

9º  -Isusi (Paraguay) 76 pontos

9º - Crespi (Argentina) 76 pontos

Dessa forma o Brasil conseguiu de forma invicta o seu Tri Campeonato Sulamericano. Foi uma seleção renovada com 4 jogadores estreantes em seleção brasileira (Tozzi- Mical-Benjamim e Betinho). Foram anos dourados do esporte e do basquetebol brasileiro, marcas deixadas e inesquecíveis.

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Estatísticas da seleção brasileira de basquete campeã do sul-americano de 1961

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19º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETEBOL

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

ANO: 1961
LOCAL: Rio de Janeiro e Niterói
PERÍODO DOS JOGOS:  20/04 a 30/04/1961

Nossa preparação teve seu inicio na cidade do Rio de Janeiro no final do mês de março de 1961. Ficamos concentrados no quartel da policia militar no bairro da Tijuca. Era comum nesse tempo que as nossas concentrações ficassem afastadas de hotéis devido à falta de recursos financeiros da CBB.

O Presidente da CBB na época era o Almirante Paulo Martins Meira que, devido a sua patente militar conseguia os obséquios oferecidos para as nossas estadías. Convem lembrar que sempre fomos tratados de forma diferenciada, nada nos faltando, inclusive com muito respeito e carinho.

Como era de praxe e exigência do técnico Kanela, ficamos todos alojados em um mesmo salão com as camas espalhadas. Nada nos parecia estranho, já estavamos acostumados com esse tipo de tratamento, inclusive com as refeições reforçadas, afinal eramos atletas sujeitos à grandes desgastes.

Nesse tempo, fui acometido de cálculos renais já sanados, mas causando preocupações ao médico da delegação e ao técnico Kanela. Recebia um tratamento vip, mas eu sempre reagia de forma contraria pelo tratamento diferenciado dos demais. Hoje entendo os motivos das suas preocupações.

Wlamir conversa com as crianças do Corinthians, em 1977
Wlamir conversa com as crianças do Corinthians, em 1977 GazetaPress

Nossos treinamentos aconteciam no ginásio do Tijuca Tênis Clube devido à sua proximidade com o quartel da policia militar do Rio de Janeiro. Iamos e voltavamos em onibus de lotação exclusivo, causando admiração por onde passavamos. Foi um tempo de grande orgulho pelo basquetebol brasileiro. 

Eramos campeões do mundo, medalhistas olímpicos, partiamos para um tri campeonato sulamericano e, os noticiarios esportivos nos davam enormes destaques. Como acontece nos dias de hoje, o futebol dominava todos os espaços jornalisticos, mas o basquetebol tinha encontrado a sua vez. 

Com os jogos divididos em dois ginásios: (Maracanãzinho e Caio Martins) tínhamos duas torcidas diferenciadas que, sempre nos apoiavam, não dando margens para que nos faltassem incentivos.  Fomos tri campeões de forma soberana, confirmando até por antecipação essa grande conquista.

A televisão esteve presente apenas no ultimo jogo entre Brasil x Uruguay. Jogo realizado no Maracanãzinho quase que com sua lotação plena. Mais uma vez deixamos no Rio de Janeiro a marca da nossa enorme supremacia na América do Sul, ainda mais jogando no Brasil com torcida à nosso favor.

Eram tempos de reconhecimento pelos feitos internacionais alcançados pela nossa seleção brasileira de basquetebol.  Nunca nos faltou incentivo e palavras de apoio, corríamos ao lado do futebol levando orgulho ao nosso povo ansioso por conquistas. Iniciávamos uma década de novos triunfos.

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19º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETEBOL

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17º JOGOS OLÍMPICOS DE ROMA - 1960 (2ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press


DETALHES TÉCNICOS:

MODALIDADE:  Basquetebol

PERÍODO: 26/08 a 10/09/1960

PAÍSES PARTICIPANTES - 16

1- Estados Unidos
2- União Soviética
3- Brasil
4- Itália
5- Checoslováquia
6- Iugoslávia
7- Polônia
8- Uruguai
9- Hungria
10- França
11- Filipinas
12- México
13- Porto Rico
14- Espanha
15- Japão
16- Bulgária.

DIVISÃO DOS GRUPOS: 4 grupos (classificam-se os 2 primeiros)

GRUPO DO BRASIL - 1ª fase - Resultados: 

Brasil 80 x 72 México

Brasil 75 x 72 Porto Rico

Brasil 58 x 54 União Soviética

GRUPO DO BRASIL - 2ª fase - Resultados: (classificam-se os 2 primeiros)

Brasil 78 x 75 Itália (prorrogação)

Brasil  77 x 68 Polônia

Brasil 85 x 78 Checoslováquia

FASE FINAL: Estados Unidos/União Soviética/Brasil/Itália

Brasil 62 x 64 União Soviética

Brasil 63 x 90 Estados Unidos

(para a decisão do bronze foi mantido o resultado da 2ª fase)

Brasil 78 x 75 Itália.

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º- Estados Unidos
2º-  União Soviética
3º-  Brasil
4º- Itália
5º-  Checoslováquia
6º- Iugoslávia
7º- Polônia
8º- Uruguai
9º- Hungria
10º- França
11º- Filipinas
12º- México
13º- Porto Rico
14º- Espanha
15º- Japão
16º- Bulgária

SELEÇÃO BRASILERA: Técnico: Kanela

JOGADORES:  12

Algodão- Amaury Pasos- Moisés Blás- Mosquito- 

Jatir-Fernando- Rosa Branca- Edson Bispo- Sucar- 

Waldir Boccardo- Waldemar- Wlamir Marques. 

Observação: Essa foi a 2ª medalha de bronze conquistada pelo Brasil, repetindo a conquista na Olimpíada de Londres em 1948.

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17º JOGOS OLÍMPICOS DE ROMA - 1960 (2ª PARTE)

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17º Jogos Olímpicos - 1960 - A preparação

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Seleção brasileira de basquete antes das Olimpíadas de 1960
Seleção brasileira de basquete antes das Olimpíadas de 1960 Gazeta Press

Local: Roma/Itália

Período: 25/08/1960 à 11/09/1960
Países participantes: 83
Número de atletas: 5338

A seleção brasileira de basquetebol iniciou seus treinamentos no mês de junho de 1960. Ficamos alojados e treinando no DEFE em São Paulo. Ficamos em 1º lugar na disputa dos Jogos Luso-Brasileiros em Portugal; depois, seguimos viagem para disputar as Olímpiadas de Roma.

Devo lembrar que a nossa preparação foi 90% realizada em Lisboa, cidade que nos acolheu de braços abertos. Ficamos ali concentrados ao redor de 1 mês, para em seguida voarmos para Roma em voo da empresa Alitalia. O Brasil, por ser o último campeão sul-americano, tinha a vaga garantida.

Como sempre acontece em Jogos Olímpicos, um comitê de recepção nos aguardava no aeroporto. Depois de algumas homenagens de praxe, um ônibus exclusivo nos transportou para a Vila Olímpica. Era uma linda vila. construída com vários edifícios, separando a ala masculina da feminina.

Os nossos quartos eram para duas pessoas. O meu companheiro de quarto foi o Amaury Pasos. O nosso prédio era provido no seu hall de entrada com um aparelho de televisão, novidade na época com transmissões ao vivo, nos permitindo assistir competições previamente programadas.

Confesso que muito pouco pude acompanhar os eventos pela tv, éramos muito ocupados com os treinamentos e jogos. A vila era muito bonita e aprazível. Comida internacional farta e muito ao nosso gosto, sendo o ponto forte da organização. Nada nos faltava, tudo estava perfeito.

Chegamos em Roma com quatro dias de antecedência, tempo suficiente para nos adaptarmos à vila e aos novos hábitos. Como sempre, fizemos um jogo treino contra a seleção das Filipinas. Enfrentar os asiáticos sempre torna-se difícil e complicado, mas vencemos. Fizemos um ótimo treino. 

Na primeira fase da competição, os jogos foram realizados no Pallazzetto dello Sports. Ginásio construído dentro da própria Vila Olímpica, facilitando nosso deslocamento. Íamos e voltávamos a pé do ginásio. Era um ginásio lindo e moderno com capacidade média, lotando na maioria dos jogos.

Já para as finais jogamos no Pallazzo dello Sports. Ginásio contando com grande capacidade de público. Destaco a  participação dos italianos nos jogos, sempre lotando todas as dependências. O basquetebol foi a modalidade com maior número de expectadores, fora o futebol.

Convém ressaltar que na vila havia um forte comércio de artigos italianos, além dos carrinhos de refrigerantes e sucos à disposição dos atletas. Todas as noites, após as competições, haviam apresentações de cantores e cantoras internacionais, além dos shows de variedades.

Passamos naquela linda Vila Olímpica por momentos muito agradáveis e, isso servia para nos distrair, sem perdermos o foco na competição. Nas horas de folga íamos de encontro à Roma antiga, dos tempos de Nero e dos gladiadores. Roma é reconhecida até hoje como a cidade eterna!

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17º Jogos Olímpicos - 1960 - A preparação

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros (2ª Parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Ano: 1960

Local:  Portugal

Modalidade: Basquetebol

Número de jogos: 6 (contra a seleção portuguesa)

Cidades-Sede: Lisboa, Porto, Coimbra, Figueira da Fóz e Aveiro

Em principio realizamos dois jogos em Lisboa contra a seleção portuguesa. Jogos vencidos com muita facilidade. Portugal não possuía prestígio internacional, quando até mesmo na Europa não era considerada grande força. Para fugir da rotina dos treinamentos, os jogos foram produtivos.

Alguns dias depois, de ônibus, saímos em direção à cidade do Porto, onde ali enfrentariamos novamente a seleção portuguesa. Jogamos em um belo ginásio de piso duro, especificamente preparado para jogos de Hoquei, quando Portugal na época era campeã mundial da modalidade.

Ali fomos agraciados com garrafas de vinho do Porto, deixando o técnico Kanela contrariado. Ele não permitia que os atletas tomassem bebidas alcoólicas, mas mesmo assim, sempre alguém arrumava um jeitinho de ludibria-lo. Mas sem exageros, conhecíamos o teor alcoólico do vinho.

Pernoitamos no Porto e na manhã seguinte fomos em direção à cidade de Coimbra, famosa por sua Universidade. Chegando, fomos diretos para lá, onde seriam prestadas várias homenagens ao Brasil e aos campeões mundiais. À noite, mais uma fácil vitória, tranquila.

Na manhã seguinte, mais uma viagem em direção à Figueira da Fóz, cidade litorânea, local muito aprázivel em pleno verão europeu. Pouco conhecemos da cidade, o cansaço dos jogos não nos permitiam longas caminhadas, repousar era mais importante. À noite, mais um jogo fácil.

Pernoitamos em um hotel à beira da praia, para no dia seguinte seguirmos em direção a Aveiro, cidade dos belos canais e dos deliciosos ovos moles. Ali aconteceu algo inédito: a cidade não possuia quadras de basquete, o jeito foi montar uma quadra em uma praia de areia fofa.

A quadra era toda certinha, cercada e com tabelas móveis, alem de contar com um grande público para nos prestigiar. O inconveniente é que o drible foi abolido, não era possivel bater a bola de encontro ao solo. Foi um jogo só de passes e arremessos, além do vento reinante.

Podem imaginar uma seleção campeã mundial jogar nessas condições? Pois é, a história é inesquecível, sempre que posso conto-a saudoso. Lembro também que, a cada bandeja feita o jogo parava para cobrir um enorme buraco provocado pelo impacto. Não foi jogo, foi divertimento.

Passamos a noite em Aveiro para no dia seguinte pegarmos a estrada de volta à Lisboa. Com certeza foi uma belíssima e deliciosa excursão, além dos portugueses nos prestarem belas homenagens em cada local de parada. Além do passeio, os jogos foram ótimos para nossa moral.

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

ANO: 1960

LOCAL: PORTUGAL

COMPETIÇÃO: Basquetebol

No ano de 1960, o comitê olímpico brasileiro decidiu juntamente com o comitê olímpico português, criar um intercâmbio esportivo entre as duas nações, e o basquetebol masculino foi uma das modalidades eleitas para os confrontos. Portugal orgulhava-se em receber os campeões mundiais.

No mês de Junho de 1960, o técnico Kanela fez uma nova convocação para esses jogos. Em seguida, começamos os treinamentos em São Paulo que durou até a nossa viagem para Lisboa/Portugal. Pela 1ª vez, Brasil e Portugal se enfrentariam em um jogo de basquetebol.

Voamos para Lisboa no Super Constellation da Varig. Um avião bonito e moderno, espaçoso e muito confortável, especialmente para jogadores de basquete cujas pernas fogem da normalidade. Chegando em Lisboa fomos recebidos festivamente pela comissão organizadora do evento.

Do aeroporto fomos transportados de ônibus para o nosso alojamento. Ficamos concentrados em uma quartel da policia militar portuguesa, divididos em quartos para 2 pessoas, mas não aprovados pelo técnico Kanela. Ele exigiu que nós ficássemos alojados em um único espaço.

O técnico Kanela era muito exigente, especialmente no que diz respeito à disciplina, querendo ter sempre o controle total sobre os atletas. Por falta de um espaço maior, o técnico então decidiu que nós ficaríamos alojados na quadra de basquete, com camas dispostas em sua extensão.

Fato inédito: uma seleção campeã mundial alojada em uma quadra de basquete. Lembro que a minha cama ficava bem dentro do garrafão, debaixo da cesta. Ali nós dormíamos e treinávamos. Para os treinos. as camas eram afastadas, para depois voltarem aos seus locais de origem.

Entre os treinos e jogos programados, ficamos 1 mês nos preparando, não somente para enfrentar os portugueses, mas como preparação para as Olimpíadas de Roma que viriam a seguir. Os jogos contra Portugal eram fáceis, apenas servindo de exibição dos campeões mundiais.

Enquanto isso, outras disputadas aconteciam contra Portugal, com algumas vantagens para o país sede, a exemplo do handebol masculino, cujos jogos faziam preliminares dos jogos de basquete. Naquele tempo, a maioria dos jogadores de handebol eram ex-jogadores de basquete.

Entre os eventos programados, enfrentamos a seleção portuguesa em 6 ocasiões, todos vencidos com muita facilidade. Mas a importância dessa passagem por Portugal ocorreu em função da forte preparação para Roma. Mais adiante contarei a importância dessa conquista olímpica.

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Os primeiros Jogos Desportivos Luso-Brasileiros

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18º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETE MASCULINO - 1960

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

18º CAMPEONATO SUL-AMERICANO - 1960
BASQUETEBOL MASCULINO
BRASIL BI CAMPEÃO SULAMERICANO
LOCAL: Córdoba- Argentina
PERÍODO:  03/03/1960 à 18/03/1960

Convém lembrar que em 1945 o Brasil conquistou o título de campeão sul-americano em Quito/Equador, voltando a vencer somente após 13 anos, ou seja, em 1958 em Santiago/Chile.  Em 1960, conseguiu o tricampeonato jogando em Córdoba/Argentina diante de uma enorme platéia contrária.

A preparação foi feita toda em São Paulo, quando ficamos concentrados nas dependências do DEFE/Água Branca. Treinamos por 1 mês, servindo também de preparação para as Olimpíadas de Roma. Saímos de São Paulo de avião via Buenos Aires, para em seguida também de avião para Córdoba.

Chegando em Córdoba, um ônibus nos aguardava, pronto para nos levar ao local da nossa estadia. Ficamos alojados em uma escola com ampla sala de aula nos servindo de dormitório. Não era nível de hotel, mas dentro do possível era assim que as coisas funcionavam, já estávamos acostumados.

Esse campeonato sul-americano era pra ser disputado em novembro de 1959, mas outra vez por falta de um ginásio maior e melhor, foi transferido para o mês de Março de 1960. Montaram uma quadra de basquetebol em um estádio de futebol, sempre adaptada em uma das suas ferraduras. 


PAÍSES PARTICIPANTES: 7 países.
Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e Equador.
JOGOS DO BRASIL: Resultados:
Brasil 89 x 67 Colômbia
Brasil 71 x 64 Paraguai
Brasil 73 x 45 Chile
Brasil 81 x 80 Uruguai
Brasil 69 x 47 Equador
Brasil 58 x 57 Argentina
CLASSIFICAÇÃO FINAL: 
1º - BRASIL
2º - PARAGUAI
3º - ARGENTINA
4º - URUGUAI
5º - CHILE
6º - COLÔMBIA
7º - EQUADOR
SELEÇÃO BRASILEIRA:  Técnico: Kanela
JOGADORES:  Algodão, Amaury Pasos, Edson Bispo, Waldemar, Jathir, Succar, Fernando, Rosa Branca, Waldir Boccardo, Mosquito e Wlamir Marques.

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18º CAMPEONATO SUL-AMERICANO DE BASQUETE MASCULINO - 1960

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3ºs Jogos Panamericanos - 2ª parte - 1959

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu
Wlamir recebe troféu sob os olhares do presidente Wadih Helu Arquivo Corinthians

3ºs JOGOS PANAMERICANOS- 1959

LOCAL: Chicago-EUA
PERÍODO: 28/08/1959 à 07/09/1959
PAÍSES PARTICIPANTES: 25
ATLETAS PARTICIPANTES: 2.263
DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 219 componentes.

BASQUETE - Detalhes técnicos

Países participantes: 07 (Estados Unidos, Porto Rico, Brasil, México, Canadá, Cuba e El Salvador)
Local dos Jogos: Alumni Gym, Loyola University. (para 2 mil pessoas)

JOGOS DO BRASIL: 

Brasil 87 x 48 Cuba
Brasil 49 x 50 México
Brasil 60 x 53 Canadá
Brasil 89 x 66 El Salvador
Brasil 79 x 78 Porto Rico
Brasil 79 x 93 Estados Unidos

Obs: Houve um triplice empate na 2ª colocação entre o Brasil, Porto Rico e México. Na decisão por saldo de pontos o Brasil ficou em 3º lugar. Brasil perde para o México (49x50), vence Porto Rico (79x78) e, Porto Rico vence o México (86x69).

A seleção brasileira foi composta pelos mesmos jogadores campeões do mundo no Chile, com exceção do Algodão e do Amaury Pasos, substituídos pelo Mosquito (Palmeiras) e pelo Wilson Bombarda (São José dos Campos).

Seleção Brasileira: Wlamir Marques- Rosa Branca- Edson Bispo- Waldemar- Pecente- Jatir- Mosquito- Wilson Bombarda- Otto Nobrega- Fernando- Waldir Boccardo e Zézinho.

Classificação Final: 

1º- Estados Unidos
2º- Porto Rico
3º- Brasil
4º- México
5º- Canadá
6º- Cuba
7º- El Salvador

Ainda no ano de 1959, iniciamos os treinamentos para a disputa do Campeonato Sulamericano a ser realizado em Córdoba, na Argentina.

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3ºs Jogos Panamericanos - 2ª parte - 1959

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3ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1959

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

3ºs JOGOS PANAMERICANOS

ANO: 1959
LOCAL: Chicago- USA.
PERÍODO:  28/08/1959 à 07/09/1959

Após os 2ºs Jogos Panamericanos realizados na cidade do México no ano de 1955, a cidade de Cleveland-USA foi eleita para sediar os 3ºs Jogos. Disputou a eleição contra São Paulo vencendo por 13 a 6. No entanto, por questões financeiras os jogos foram transferidos para Chicago-USA.


Confesso que os jogos não foram um primor de entusiamo para os norte americanos. Desacostumados com esse tipo de competição, não deram muita importância para certas modalidades. O Basket-Ball contando com enorme preferência, foram os jogos mais assistidos pelo publico.


Além da modalidade ser considerada no país como grande força mundial, sua seleção foi montada por grandes jogadores universitários da época. Aponto 3 jogadores que se tornaram mais tarde em grandes nomes da NBA: Oscar Robertson ( Mister O), Jerry West e Jerry Lucas.

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

Até hoje os 3 são citados e apontados como grandes jogadores nos seus respectivos tempos. Foi também uma seleção formada para os Jogos Olímpicos de Roma em 1960. Dizem os entendidos do basquetebol  norte americano que aquela seleção foi o 1º Dream Team formado no país.


Não podemos esquecer que no ano de 1959 fomos campeões mundiais no Chile, quando a equipe dos EUA foi representada por oficiais e jogadores da força aérea norte americana. Estivemos em Chicago mas com a equipe renovada. Alguns campeões do mundo não estiveram presentes.


O técnico da seleção brasileira mais uma vez foi o Kanela, exigindo cada vez mais muito trabalho e empenho dos seus jogadores. Treinamos ao redor de um mês na cidade de Niteroy, especificamente no Ginásio Caio Martins. Ficamos ali alojados em quartos com beliches e com alimentação.


Fizemos a viagem para Chicago em 3 escalas. A 1ª entre Rio/Caracas e a 2ª entre Caracas/Nova York. Em Nova York trocamos de avião rumo à Chicago. Como sempre eram viagens cansativas com muitas horas de voo.  Já na cidade sede, fomos conduzidos para a Universidade de Chicago.


Ali era o alojamento da delegação brasileira, divididos em salas de aulas,  com as nossas refeições feitas em seu refeitório. Os nossos treinamentos também aconteciam no ginásio de esportes da Universidade. Foram dias de intensas atividades, quase sempre treinando contra jogadores locais.


Muito pouco saíamos para os passeios. Confesso que ficamos muito extenuados com o calor reinante e com as nossas reservas fisicas sendo prejudicadas. À pedido dos jogadores, os médicos do COB exigiram do técnico Kanela a diminuição da carga de trabalho, logo sendo atendidos.

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3ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1959

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Memórias do título mundial de basquete em 1959

Wlamir Marques

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO (1959)

REPERCUSÃO DA CONQUISTA:

É muito importante registrar a repercussão deixada no país após essa linda conquista mundial. Como já foi dito, desde a nossa chegada ao Brasil, mais especificamente no aeroporto de Congonhas em São Paulo, o povão nos aguardava, inclusive com a presença de varias rádios, jornais e televisão.

Chegamos à tardinha, no mesmo instante em que a delegação do Santos F.C. também desembarcava após uma excursão memorável pelos campos da Europa. Sabendo da nossa chegada, todos os jogadores foram nos receber, inclusive o Pelé, fazendo questão de tirar fotos ao nosso lado.

De São Paulo, eu, Pecente, Waldemar e o técnico Brás, fomos diretos para Piracicaba, pois ali seria prestada uma homenagem com a presença do prefeito Luciano Guidotti. Na entrada da cidade, vários carros já estavam à nossa espera. Fomos em carros conversíveis com o povo nos aplaudindo.

Na praça principal foi montado um palanque para as devidas homenagens, contando com a presença de pessoas nos saudando como se fossemos verdadeiros filhos da cidade. Foi uma linda festa, apenas visto igual quando da chegada do De Sordi e do Mazzola (Altafini) após o mundial de futebol em 1958.

O De Sordi e o Mazzola eram filhos de Piracicaba, e naquele ano a cidade parou para recebê-los. Além disso, várias entidades esportivas nos prestavam homenagens pelo país afora. A conquista despertou um enorme interesse à pratica da modalidade no país. Onde íamos jogar, as quadras lotavam.

A homenagem maior veio quando o Presidente Juscelino Kubitchek nos recebeu no Palácio do Catete para um almoço, e para nos premiar com a Medalha do Mérito Esportivo Brasileiro. Muito simpático, o Presidente fez questão de nos conhecer e cumprimentar pessoalmente cada um de nós.

Também é digno de comentário dizer que naqueles tempos ainda não haviam transmissões de televisão ao vivo. Haviam apenas as transmissões via rádio. Foi quando a Rádio Panamericana esteve presente e transmitiu na íntegra o mundial de basquetebol diretamente de Santiago, no Chile.

Torna-se interessante dizer que os nossos nomes eram constantemente citados nos programas esportivos e nas manchetes dos jornais. Mas sem a televisão, as nossas imagens eram desconhecidas da maioria do povo brasileiro. Mas bastava citar o nome e lá vinha um lindo sorriso e um grande abraço.

Deixamos para a posteridade brasileira um grande feito que se repetiria ao longo do tempo. É considerada até hoje a época dourada do esporte brasileiro. Já se passaram 59 anos e a data de 31 de janeiro de 1959 será sempre lembrada. Dos 12 atletas campeões mundiais, apenas 5 estão vivos, saudades!

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Memórias do título mundial de basquete em 1959

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Quando o Brasil foi campeão mundial de basquete

Wlamir Marques

Ficha técnica do 3º Campeonato Mundial de Basquetebol Masculino

Período: 16/01/59 à 31/01/59

Local das finais:  (Estádio Nacional) - Santiago, Chile 

Locais da fase de classificação:  Antofagasta, Concepcion, Temuco e Valparaiso

(Classificados os 2 primeiros de cada grupo)

GRUPO A: Argentina, Egito, Taiwam, Estados Unidos

GRUPO B: Brasil, Canadá, México, União Soviética- (?)

GRUPO C: Bulgaria, Filipinas, Porto Rico, Uruguai

Detalhes: Brasil vence o Canadá, Canadá vence a União Soviética e o Brasil perde para a União Soviética. Saldo de pontos: Brasil em 1º lugar.

Jogos do Brasil

Brasil 69 x 52 Canadá

Brasil 64 x 73 União Soviética

Brasil 78 x 50 México

Fase Final: Santiago (Estádio Nacional do Chile)

Brasil 94 x 76 Taiwan

Brasil 62 x 53 Bulgária

Brasil 63 x 66 União Soviética.(?)

Brasil 99 x 71 Porto Rico

Brasil 91 x 67 Estados Unidos

Brasil 73 x 49 Chile

(Convem destacar que por questões politicas a União Soviética e a Bulgaria negaram-se a jogar contra Taiwan e com isso não ganharam pontos)

Classificação final

1º - Brasil

2º - Estados Unidos

3º - Chile

4º - Taiwan

5º - Porto Rico

6º - União Soviética 

7º - Bulgaria

8º - Filipinas

9º - Uruguai

10º- Argentina

11º- Egito

12º- Canadá

13º- México

Seleção Brasileira: Técnico: Kanela  Assistente-técnico: João Francisco Braz.

Jogadores:

Algodão - Amaury Pasos - Edson Bispo - Waldemar - Pecente - Jatir - Rosa Branca - Waldir Boccardo - Fernando - Zézinho - Otto Nobrega - Wlamir Marques.

Cestinha da competição: Wlamir Marques com 149 pontos. Também eleito pela crônica especializada do jornalismo nacional e internacional como o melhor jogador do Campeonato Mundial - Aos 21 anos de idade me senti muito orgulhoso com todas as menções e referências.

Ficamos hospedados no Hotel Carrera junto com todas as delegações. A competição foi realizada em uma das ferraduras do Estádio Nacional do Chile (Estádio de Futebol) com capacidade para 30 mil pessoas. Não choveu e o publico pode assistir um espetácular campeonato mundial.

Agradecemos muito o apoio do povo chileno torcendo para o Brasil em todos os jogos, com exceção é claro, no jogo final contra o Chile. Voltamos para o Brasil via Buenos Aires, enquanto no aeroporto de Congonhas em São Paulo um grande público nos aguardava.

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Quando o Brasil foi campeão mundial de basquete

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial - 1959

Wlamir Marques
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Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira na década de 1950 Gazeta Press

ANO DE: 1959
LOCAL DA COMPETIÇÃO: Santiago do Chile
FINAL DA PREPARAÇÃO: Rio de Janeiro

Depois de um longo período de concentração, passando por Águas de São Pedro, Ilha das Enxadas e Volta Redonda, retornamos à cidade do Rio de Janeiro para os ultimos treinamentos. Como sempre acontecia, o Hotel Paissandú era o nosso ponto de encontro.

Saímos do ano de 1958 para entrar em Janeiro de 1959, mês da realização do campeonato mundial. Já com a equipe definida e contando com 12 jogadores super treinados, só nos restava seguirmos para o Chile à fim de disputarmos um jogo amistoso contra a seleção chilena. 

O amistoso foi realizado na cidade de Santiago em um ginásio com lotação reduzida. Naqueles tempos a cidade não possuia ginásios à altura para os grandes eventos esportivos e, àquele que seria utilizado para o mundial não ficou pronto à tempo. Um bom publico compareceu ao evento.

O país todo mobilizou-se para sediar um campeonato mundial realizado em suas terras, ao mesmo tempo que o basquetebol chileno possuia um forte reconhecimento internacional adquirido ao redor dos tempos. Os jornais sempre traziam em letras garrafais noticias do evento.

Enfim, saímos do Rio de Janeiro com destino à Santiago. Viajamos pela Panair, uma compania aérea brasileira com rotas internacionais. Ficamos hospedados no maravilhoso Hotel Carrera, hoje séde do Ministério do Turismo chileno. Um maravilhoso hotel que nos deixou saudades.

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Jogamos o amistoso programado e vencemos com uma certa facilidade. Não encontramos na equipe chilena uma grande resistência. Ficamos mais alguns dias treinando em Santiago aguardando a nossa ida para a cidade de Temuco, onde disputaríamos a fase de classificação.

Viajamos de avião para Temuco e fomos surpreendidos com a pista de pouso do aeroporto feita de grama. Lá chegando havia um grande público nos aguardando. Liberadas as bagagens, saímos de onibus em direção à cidade. Carros à nossa frente buzinavam anunciando a nossa chegada.

Em Temuco ficamos hospedados no Hotel De la Frontera, o melhor da cidade, junto com as outras 3 seleções pertencentes ao nosso grupo. A competição foi disputada em um ginásio de porte médio do Colégio La Salle. Temuco era uma pequena cidade interiorana mas com grande calor humano.

Chegamos na cidade 2 dias antes do 1º jogo. Tempo suficiente para nos adaptarmos à quadra e ao clima da região. Estavamos no verão e a cidade possuia um clima ameno em função de estar próxima da Cordilheira dos Andes. Fizemos os ultimos ajustes e estavamos prontos para o 1º jogo.

 

 

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial - 1959

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial: Dia da fuga da concentração

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir oriente time mirim do Corinthians
Wlamir oriente time mirim do Corinthians GazetaPress

ANO: 1958

LOCAL DA COMPETIÇÃO: Santiago, Chile

CONCENTRAÇÃO E TREINAMENTOS: Ilha das Enxadas (Rio de Janeiro)

Depois de um longo período confinados na Ilha das Enxadas, fomos para uma nova fase de treinamentos na cidade de Volta Redonda à convite da prefeitura local. Como já disse anteriormente, saímos dos beliches indo diretos para um hotel, simples mas aconchegante.

Essa foi uma fase de aprimoramento tático, prevalecendo também os trabalhos físicos e técnicos, dando maior ênfase aos coletivos. Ali já estavamos praticamente prontos para a disputa do mundial, mas o preciosismo do técnico Kanela exigia sempre mais e mais. 

Próximo do Natal, eu estava ansioso pelo nascimento do meu 1º filho. Naquele tempo eu residia em Piracicaba, e todos seriam dispensados para o Natal no dia 23/12/58.  Sendo assim, perguntei ao Kanela se eu poderia ser dispensado 2 dias antes para o nascimento do meu filho?

De pronto recebi um não. Ele não autorizava eu deixar os treinamentos. Argumentei sobre a minha vontade, mas sem sucesso. Ele se negava a aceitar meu pedido. Isso aconteceu no dia 20/12. Fui para Piracicaba mesmo assim. No dia 21/12 de madrugada abandonei a concentração.

De táxi fui para a rodoviária e peguei um ônibus com destino à capital paulista. Lá, subi em outro ônibus com destino à Piracicaba. Cheguei na cidade por volta das 10 horas da manhã. Estava muito feliz com a minha iniciativa, embora reconhecesse ter cometido um grave erro. 

No dia seguinte cedo, o técnico viu que eu não estava presente no café da manhã e perguntou onde eu estava? O Amaury, meu companheiro de quarto disse que eu tinha ido para Piracicaba naquela madrugada. No mesmo instante fui dispensado da seleção; nada mais justo.

Pois bem, na madrugada do dia 22/12 nasceu o Junior, era mais ou menos a data esperada, daí se justificando o meu pedido de dispensa. Já sabendo que tinha sido dispensado da seleção brasileira, passei o Natal ao lado da minha esposa e do meu filho, era o que eu mais queria, estava muito feliz.

No dia 25/12, recebi um telefonema da CBB dizendo que o Kanela havia reconsiderado sua decisão, pedindo que eu voltasse aos treinamentos no dia 26/12 no Rio de Janeiro. Fiquei muito feliz com a noticia, sabendo que a minha atitude foi de pura insubordinação, mas repetiria tudo de novo.

No dia 26/12 lá estava eu novamente ao lado dos meus companheiros. O mais interessante é que eu e o Kanela não tocamos no assunto. Treinei normalmente como sempre fiz, sem problemas. Ali o mais importante era a seleção brasileira, "Campeã Mundial" pela 1ª vez em sua história.

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Preparação para o 3º Campeonato Mundial: Dia da fuga da concentração

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