Amazônia com os Tupi-Kawahib

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Jader Lago
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A última sociedade indígena estudada por Claude Lévi-Strauss no Brasil foram os Tupi-Kawahib. Em busca do feito de ser o primeiro homem branco a entrar em uma tribo indígena, ele se lançou em uma empreitada pelos rios amazônicos em setembro de 1938.
No quinto dia de viagem, após diversas corredeiras, ele chegou até os índios Mondé. Sua língua incompreensível deixou nosso viajante desolado: "tão próximos de mim quanto uma imagem no espelho, eu podia tocar-lhes, mas não compreendê-los".

Alguns antropólogos contemporâneos acreditam que os Mondé são os índios Akuntsu. Exterminados gradualmente nos últimos anos, restam apenas 5 indivíduos que vivem completamente isolados na floresta. A ONG Inglesa Survival International acredita nessa tese, porém esse é um tema para um futuro post.

Depois da desilusão com os Mondé, Lévi-Strauss encontrou os Tupi-Kawahib nas margens do rio Machado. Sua cultura se parecia muito com a dos lendários Tupinambás, famosos por seus rituais antropofágicos e sua complexa relação com os mortos, histórias que fascinaram parte da Europa durante os primeiros anos de nossa colonização.

Lévi-Strauss não testemunhou nenhuma cena como a dos viajantes do século XVI, no entanto viu algumas demonstrações da riqueza cultural Tupi, com vivos relatos sobre seus mitos.

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Nós escutamos, após 70 anos, exatamente as mesmas histórias sobre alguns desses mitos Tupis, com toda a narrativa descrita por Lévi-Strauss em alguns de seus livros.

Assim como nosso Viajante Radical, também nos embrenhamos na floresta com os Tupi-Kawahib para conhecer os seus hábitos e compreender sua harmônica relação com a Amazônia.

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O esquecimento do passado e a eterna promessa do futuro

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Cavaleiro Kadiwéu
Foto: Caio VIlela



O Brasil é reconhecido mundialmente como um lugar de paisagens exuberantes.
Um cenário tropical repleto de beleza e fascínio.

Agora tente imaginar como éramos vistos há 75 anos. Certamente carregávamos uma imagem extremamente exótica. Paraíso de desafios e mistérios ainda marcado pelas míticas narrativas que os exploradores europeus difundiram pelo mundo a partir do século XVI.

E foi exatamente nesse contexto que um jovem filósofo de 27 anos resolveu se aventurar.

Com receio de que sua vida se resumisse à entediante vida de professor de liceu no interior da França, Claude Lévi-Strauss aceitou imediatamente o convite para cruzar o Atlântico e dar aulas na recém criada Universidade de São Paulo.

Antes de encontrar os índios que mudariam sua vida e o rumo da antrpologia contemporânea, São Paulo foi o campo de seus primeiros estudos.

Uma metrópole em constante mutação, como pode ser visto no video abaixo.










Na primeira aventura pelo interior do país, um encontro com a arte.
Com os Kadiwéu, índios cavaleiros que dominaram parte do Mato Grosso do Sul no século XVIII, Lévi-Strauss entrou em contato com um tipo de pintura corporal realmente único. Marcas do passado que ainda podem ser vistas nos complexos desenhos passados entre gerações.

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Menina Kadiwéu e sua pintura. Séculos de tradição. - Foto Caio Vilela
Nas cavernas da Serra da Bodoquena, a revelação da geologia.
Enquanto andava à cavalo na região próximo aos Kadiwéu Lévi-Strauss abrigou sua expedição em uma das 366 cavernas da região.
Grande encantamento para alguém que era apaixonado por geologia e havia escalado as montanhas de Cevennes, na França, durante a adolescência.

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Abismo Anhumas, paisagem submersa desbravada por experientes mergulhadores - Foto Caio Vilela
Subindo de canoa pelo Mato Grosso chegou aos Bororos. Índios extremamente complexos que dividiam sua aldeia, e sua sociedade, em duas partes.

A Antropologia Estrutural, que busca aquilo que é universal, trabalha com as constantes oposições fundamentais para o raciocínio humano: homem e mulher, dia e noite, seco e molhado, vida e morte etc.
Possibilidades quase infinitas de comparações que marcariam toda a obra de Lévi-Strauss como pode ser visto no video abaixo.



Uma aventura ainda maior seguindo os passos de Rondon.
Depois de expor em Paris a coleção recolhida entre os Kadiwéu e Bororo Lévi-Strauss conseguiu apoio para uma viagem ainda maior.

Foram meses viajando por lugares ainda desconhecidos, somente explorados pelas viagens epopéicas de Cândido Rondon, na implantação da Linha Telegráfica.
Partindo de Cuiabá foram mais de 500 quilômetros até o esperado contato com os Nambikwara. Vivendo lado de duas incríveis cachoeiras esses índios impressionavam pela simplicidade.

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Salto Belo do Rio Sacre. Cenário para a quebra do recorde mundial queda de cachoeira em caiaque - Foto: Caio Vilela
Essa característica continua presente ente os Wakalitesu, primeiros Nambikwara estudados pelo antropólogo.

Iluminados por grandes fogueiras, todos celebram a Festa da Menina Moça. A reafirmação de sua cultura é omais forte instrumento de luta contra o avanço dos vastos campos de soja pelo interior do país.

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Festa da Menina Moça - Foto: Caio Vilela
Uma viagem pelo tempo
Desbravando as corredeiras amazônicas em frágeis canoas a expedição de Lévi-Strauss segue em frente. O desafio era encontrar os índios Tupi, que haviam encantado os exploradores franceses no final do século XVI.

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Lévi-Strauss nas corredeiras amazônicas - Foto: Luiz de Castro Faria
As mesmas corredeiras foram vencidas pela equipe bicampeã mundial de rafting Alaya Bozo D'Água

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Equipe bicampeã mundial de rafting Alaya Bozo D'Água vencendo as corredeiras desbravadas por Lévi-Strauss
Os rituais ainda continuavam vivos. Longas flautas de som grave sendo tocadas pelos homens andando em círculos. Uma celebração que ainda continua sendo feita. Confira o ritual Tupi-Kawahib no vídeo.



Mas engana-se quem pensa que nada mudou na região nas últimas décadas.
Grande pastagens derrubaram milhares de quilômetros quadrados da Amazônia. Mesmo cercados por uma floresta relativamente preservada os Amondawa (índios Tupi-Kawahib, mesmo grupo estudado por Lévi-Strauss) sofrem com os garimpeiros e caçadores que invadem sua terra destruindo tudo o que encontram pela frente.

Da Amazônia, Lévi-Strauss voltou para a Europa. Descendente de judeus, tentou migrar para o Brasil durante a segunda Guerra Mundial. Seu visto foi negado pelo governo brasileiro.
Foi aceito nos Estados Unidos e lá, com a pesquisa em bibliotecas de Nova York, fortaleceu suas teses acadêmicas e se trasformou em um dos maiores pensadores do século XX.

Voltou ao Brasil em 1985 na comitiva do presidente francês François Miterrand. A paixão pelo Brasil continuava muito viva, como declarou em diversas entrevistas em que clamava pela preservação das culturas indígenas.
Problemas constantes de um país eternamente dividido entre o esquecimento do passado e a eterna promessa do futuro.


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Viajantes Radicais é destaque na Folha de São Paulo

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http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/818950-espn-une-levi-strauss-e-esporte-radical-em-documentario.shtml


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Trailer: Viajantes Radicais - Pelo Caminho de Lévi-Strauss

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Marcos Palmeira, o narrador radical

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Narrar um documentário requer mais do que simplesmente ler um texto. Muito além de decorar ou interpretar as palavras, é preciso ter paixão pelo projeto.

Viajantes Radicais pelo caminho de Lévi-Strauss contou com a participação do ator Marcos Palmeira. Sempre engajado na preservação da cultura indígena ele comenta no vídeo abaixo como foi a experiência de narrar o documentário que registrou os rituais e tradições das quatro principais sociedades indígenas estudadas por Lévi-Strauss (Kadiwéu, Bororo, Nambikwara e Tupi-Kawahib).

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Lévi-Strauss, São Paulo e Carnaval

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Jader Lago

Quando chegou ao Brasil em 1935 Claude Lévi-Strauss logo começou a tomar contato com a cultura brasileira. Já nos primeiros dias em São Paulo caiu no samba nos bailes de carnaval.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo em 1997 afirmou que as pessoas “dançavam pelas ruas e nas casas”. Convidado a participar da festa, tomou parte da celebração com um condição: “não era para ficar olhando, mas para dançar também. Recordo-me daquelas músicas. Aliás, achei muito do Brasil nas marchinhas de carnaval”.

O encantamento do antropólogo com o Brasil começou pela capital paulista. Enquanto ainda sonhava com as expedições que comandaria pelo interior do país o jovem professor da Universidade de São Paulo pedia que seus alunos analisassem o extraordinário crescimento da cidade na época.

Confira abaixo um trecho do Viajantes Radicais, pelo caminho de Lévi-Strauss em que ele fala sobre o assunto em uma entrevista de 1985 feita por Manuela Carneiro da Cunha e Mariza Corrêa.

O video também inclui algumas fotos feitas na época (onde vacas ainda dividiam o espaço com bondes) e filmagens que mostram como a cidade mudou nos ultimos 75 anos.


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A aventura radical de Claude Lévi-Strauss pelo Brasil

Paulo Calçade
Paulo Calçade
 

O caminho de Claude Lévi-Strauss pelo Brasil, do interior de São Paulo à Amazônia, inserido numa viagem radical. É o que os canais ESPN vão mostrar a partir do dia 30 de outubro, data que marca o primeiro ano da morte do antropólogo franco-belga, que entre 1935 e 1939 desbravou um país até então desconhecido.

O documentário “Viajantes Radicais – Claude Lévi-Strauss” refaz o percurso 70 anos depois e mostra como vivem as sociedades indígenas visitadas pelo antropólogo, um dos mais importantes intelectuais do século passado.

A viagem do conhecimento de Strauss, que foi professor da USP, é agora refeita por aventureiros radicais. Um grupo de atletas juntou-se à “expedição” para explorar as belezas de um cenário espetacular.

Em Mato Grosso, próximo à aldeia dos índios Nambikwara está Utiariti, um conjunto de cachoeiras que impressionou o antropólogo em 1938. No local, o canoísta Pedro Oliva quebrou o recorde mundial de queda de cachoeira em caiaque, ao despencar de 39 metros de altura.

“Viajantes Radicais – Claude Lévi-Strauss” será exibido nos seguintes canais e horários:

ESPN Brasil, 30 de outubro, sábado, 21h30;
ESPN HD, 31 de outubro, de sábado para domingo, meia-noite;
ESPN, 31 de outubro, domingo, 20 horas.

Uma aventura imperdível.

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Abismo Anhumas - Serra da Bodoquena - MS
Imagem: Caio Vilela
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Claude Lévi-Strauss, um Viajante Radical

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Jader Lago
Na adolescência Claude Lévi-Strauss costumava escalar as montanhas da região de Cévennes, na França, onde sua família tinha um sítio.

Quando chegou ao Brasil em 1935 ele era um jovem professor ainda em busca de uma carreira que pudesse conciliar sua atração pelo “espetáculo do mundo” com a reflexão filosófica.

Motivado pelas narrativas dos antigos exploradores franceses Jean de Léry e André Thevet, que haviam desbravado o Brasil quase 400 antes dele, seu maior desejo ao chegar por aqui era viajar pelo interior do país em busca de tribos indígenas pouco estudadas.

Em duas grandes expedições (1935-36 e 1938-39) ele estudou os Kadiwéu, Bororo, Nambikwara e Tupi-Kawahib.
Seus trabalhos de campo foram a grande oportunidade de aliar conhecimento e aventura.

Viajantes Radicais, pelo caminho Lévi-Strauss apresenta entrevistas inéditas do antropólogo na TV brasileira.

Relatos apaixonados de um homem que revolucionou a antropologia moderna em uma verdadeira aventura intelectual.Lévi-Strauss em suas expedções
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Teasers Viajantes Radicais, pelo caminho de Lévi-Strauss

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Jader Lago
No dia 30 de outubro às 21h30 estréia na ESPN Brasil Viajantes Radicais, pelo caminho de Lévi-Strauss.

Realizado pelos canais ESPN e pelo Canal Azul o documentário refaz todo o caminho do antropólogo pelo interior do Brasil, 75 anos após suas históricas expedições.
Guiado pelos esportes de ação estivemos nas quarto principais sociedades indígenas estudadas por ele.

No Mato Grosso do Sul mergulhamos nas incríveis cavernas da Serra da Bodoquena, terra dos índios cavaleiros Kadiwéu e seus enigmáticos desenhos.
Cavernas da Serra da Bodoquena
No Mato Grosso testemunhamos os complexos funerais Bororo e toda a simplicidade Nambikwara. Tudo isso em um cenário repleto de beleza e fascínio, com incríveis cachoeiras que foram palco para a quebra do recorde mundial de queda de cachoeira em caiaque.

Em Rondônia testemunhamos os antigos rituais Tupis, com os Amondawa. Uma aventura pela Amazônia com inúmeras corredeiras pelo caminho.
Uma aventura pela Amazônia
A produção ainda conta com entrevistas de renomados antropólogos e imagens exclusivas cedidas pela ONG inglesa Survival International.
Com narração dos atores Marcos Palmeira e ZéCarlos Machado e trilha de André Abujamra, o documentário também apresenta entrevistas de Claude Lévi-Strauss inéditas na TV brasileira.

Confira todos os horários das exibições e fique de olho na programação dos canais ESPN.

ESPN Brasil - 30 de outubro às 21h30 - sábado
ESPN HD - 31 de outubro a meia-noite - sábado/domingo
ESPN - 31 de outubro às 20 horas - domingo

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Viajantes Radicais na Ilustrada

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A antropóloga Françoise Herétier se aventurou no coração da África para desvendar a alma humana

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Viajantes Radicais
A antropóloga Françoise Herétier foi ao coração da África para desvendar a alma humana
A antropóloga Françoise Héritier é uma celebridade na França.
Diferentemente do Brasil, onde participantes do Big Brother são reconhecidos nacionalmente pelas suas futilidades, para os franceses é muito mais interessante prestigiar grandes intelectuais na telinha da TV.

Após entrevistar outros nomes da etnologia francesa como Philipe Descola e Anne-Christine Taylor, nossa equipe voltou ao hotel para se preparar para o restante da maratona em busca de bons depoimentos sobre a aventura intelectual de Claude Lévi-Strauss no Brasil.

Ligamos a TV e assistimos uma entrevista com uma senhora simpática que falava de maneira saudosa sobre suas recordações de viagens pelo mundo.

Era Françoise Héritier, já aposentada do prestigiado College de France.
Sua história de vida é fascinante, com vários trabalhos de campo na África.

Após conversarmos com o filósofo Eduardo Rihan Cypel, chegamos a conclusão de que a entrevista com ela seria obrigatória.
Nossa produtora Mariana Freire rapidamente fez os contatos e em dois dias estávamos frente a frente com a ilustre entrevistada.

Françoise nos recebeu em sua própria casa, de maneira bastante cordial.
Todas as perguntas foram respondidas, sem titubear.

A carreira etnológica começou por acaso.

Durante uma palestra com o mestre Lévi-Strauss, ele perguntou para a centena de intelectuais presentes: “Vocês querem desvendar a alma humana? Pois eu lhes apresento uma ótima oportunidade. Quem de vocês está disposto e ir para Alta Volta (antigo nome de Burkina Fasso) realizar trabalhos de campo?”.

Com 24 anos na época, Françoise não pensou duas vezes e levantou a mão.

Boa parte do seu trabalho acadêmico fala sobre como diferentes sociedades tem o mesmo padrão de comportamento com as mulheres, relegando-as ao segundo plano, como coadjuvantes dos homens.

Feminista declarada, porém não militante, ela acredita que a divulgação constante de trabalhos que ressaltem esse preconceito inconcebível, porém ainda presente, pode ajudar a mudar a situação em todo o mundo.

No dia Internacional da Mulher fica aqui a homenagem a Françoise Héritier, que também estará presente no documentário Viajantes Radicais – pelo caminho de Lévi-Strauss.

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Mergulho no Abismo Anhumas

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Jader Lago
Abismo Anhumas - Serra da Bodoquena - MS
Abismo Anhumas - Serra da Bodoquena - MS
Crédito da imagem: Caio Vilela

Segundo o antropólogo Philipe Descola, do College de France (mais importante instituição intelectual da França), Claude Lévi-Strauss tinha três grandes “amantes”: Marx, Freud e a Geologia.

Marx lhe deu a visão geral do eterno conflito de classes e Freud lhe mostrou como os mais incompreensíveis comportamentos possuem sua própria racionalidade.

Já a Geologia era uma paixão à parte, um constante exercício de observação do mundo ao seu redor. Desde a adolescência, Lévi-Strauss escalava as montanhas na fazenda dos pais no interior da França, em Cevenne.

No Brasil, ele se fascinou pelo Planalto Central, repetitivo e gigantesco cenário de suas expedições.

Em seu primeiro trabalho de campo, nos índios Kadiwéu, ele atravessou o Pantanal e a Serra da Bodoquena. Pelo caminho, passou por verdadeiros temporais tropicais. Em um deles, teve que se abrigar durante horas em uma caverna, na região onde hoje existe a cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul.

A expedição dos Viajantes Radicais mergulha em algumas das cavernas mais incríveis da região.

O primeiro desafio é o Abismo Anhumas.
Um rapel negativo de 73 metros nos leva até um grande lago azul com diversas formações geológicas submersas.
Uma clarabóia natural ilumina boa parte do ambiente entre dezembro e fevereiro.
As condições são perfeitas para o mergulho em cavernas, um esporte radical complexo que envolve um longo treinamento.

Fora da água um ambiente igualmente incrível, com grandes estalactites por todos os lados e um teto em formato de ogiva, como uma catedral gótica.
A reverberação do som e o silêncio absoluto do lugar sensibilizam até os mais céticos.
Mergulho no Abismo Anhumas
Mergulho no Abismo Anhumas
Apesar da riqueza externa, o ambiente subaquático é ainda mais surpreendente. Grandes cones de diferentes formas e tamanhos estão espalhados por todo o lago.
Encontrados em apenas três cavernas no mundo, esses cones demoram milhares de anos para se formar, e diferentemente das estalactites e estalagmites, somente surgem em ambientes já alagados.

Cones no Lago Anhumas
Cones no Lago Anhumas
Crédito da imagem: Marcelo Krause
O mergulho dura cerca de uma hora e inclui a exploração de um túnel de 80 metros. Exercício de descoberta do desconhecido, intocável.

Segundo Lévi-Strauss, Marx, Freud e a Geologia se parecem, pois “os três demonstram que compreender consiste em reduzir um tipo de realidade a outro; que a realidade verdadeira nunca é a mais patente” *. Uma grande relação entre o que é “sensível e o que é real”.

* Trecho do livro Tristes Trópicos.

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Crédito da imagem: Marcelo Krause


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Aventura Antropológica

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Jader Lago
Imagine desbravar milhares de quilômetros pelo Brasil no início do século passado. Cruzar o Cerrado, o Pantanal e a floresta amazônica em caminhões de carga, cavalos e frágeis canoas. Uma verdadeira aventura.
Agora adicione a esse roteiro um grande estudo sobre a cultura, organização social e hábitos religiosos de quatro sociedades indígenas.
Pois é exatamente isso que o antropólogo franco-belga Claude Lévi-Strauss fez entre 1935 e 1939.

Em busca da “aventura de conhecer o mundo” ele atravessou o oceano em direção à capital paulista para ser professor da Universidade de São Paulo.
Durante suas primeiras férias escolares se lançou em um verdadeiro trabalho de campo e despertou sua grande paixão acadêmica pela antropologia.

Passando por regiões ainda desconhecidas pela maioria dos brasileiros ele organizou expedições e fez riquíssimos trabalhos com os índios Kadiwéu (Mato Grosso do Sul), Bororo e Nambikwara (Mato Grosso) e Tupi-Kawahib (Rondônia).

O documentário Viajantes Radicais – Claude Lévi-Strauss está refazendo todo o seu percurso pelo Brasil, mostrando como essas sociedades indígenas estão após 70 anos da passagem do antropólogo pelo nosso país.

Pelo caminho um time de grandes atletas radicais mostram como essas paisagens são ideais para todos os tipos de aventura. Rafting em rios amazônicos e mergulhos em cavernas na Serra da Bodoquena fazem parte do roteiro da expedição

A produção também conta com depoimentos de alguns dos maiores especialistas em etnologia da atualidade, como Philipe Descola, Françoise Héritier, Anne-Christine Taylor, Sylvia Caiuby Novaes e Frederic Keck.

No blog dos Viajantes Radicais, o fã do esporte é o nosso convidado especial para acompanhar o dia-a-dia dessa expedição. Um espaço para ficar por dentro de todas as gravações, como um aperitivo do documentário que será exibido pelos canais ESPN em 2010.
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