Finanças dos clubes nordestinos: Bahia, Ceará e Fortaleza dão o exemplo para a região, mas situação do Sport preocupa

Ubiratan Leal
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O futebol do Nordeste vive um momento de transformação fora do campo. Alguns clubes encontraram um caminho para organizar sua gestão e recuperar espaço no cenário nacional. Ao mesmo tempo, alguns ainda estão presos a antigas práticas e patinam na tentativa de conseguir resultados à altura de sua tradição e do desejo de suas torcidas.

Para discutir o cenário econômico do futebol nordestino, conversei com o jornalista Cassio Zirpoli, amapaense radicado em Pernambuco e especialista em futebol do Nordeste, com especial atenção para a área de gestão. Na conversa, ele mostra como Bahia, Ceará e Fortaleza começaram a se destacar dos demais e a servir de exemplo para outros clubes da região, como CSA e Botafogo-PB.

O outro nordestino da Série A, o Sport, está em situação inversa, ainda muito enrolado com dívidas e até considerando uma eventual permanência na Série A tendo "valor de um título". O próprio Zirpoli concorda. "O clube caiu em 2018 quebrado, mas conseguiu subir", comenta. "Agora, tem de pegar o dinheiro de Série A para pagar as dívidas e montar o time que der. Se ficar na primeira divisão, seria a maior permanência na história do Sport", completa.

A conversa passou também por clubes da região nas Séries B e C, cada um buscando seu caminho para acertar as contas e conseguir se consolidar em divisões nacionais. Veja aqui o debate completo, gravado em 1º de julho, no canal da ESPN Brasil no YouTube.

Fonte: Ubiratan Leal

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Um guia rápido (e com palpite) para acompanhar a World Series

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
World Series de 2020
World Series de 2020 ESPN

A temporada da MLB chega em seu grande momento. Nesta terça, Los Angeles Dodgers e Tampa Bay Rays começarão a disputa da World Series, a grande final do beisebol. É um momento em que cada torcedor fica a um arremesso ruim de um ataque cardíaco, e, considerando que são dado cerca de 300 arremessos por jogo, dá para imaginar o potencial de emoção dos jogos.

Para você que já está acompanhando ou chegou agora só para ver as finais, aí vai um mini-guia em forma de perguntas e respostas da grande decisão da MLB.

Quais são os times?

Bem, eu já disse lá em cima, né? Mas, vamos lá: Los Angeles Dodgers e Tampa Bay Rays.

Nossa, que coincidência! Essas duas cidades acabaram de ganhar título, né?

Você está esperto! Os Lakers ganharam a NBA há umas semanas e o Lightning ganhou a NHL no finalzinho de setembro.

Já tivemos uma cidade com dois times campeões ao mesmo tempo?

Várias vezes. Já tivemos um caso até de uma cidade ter o título de três ligas ao mesmo tempo. O que nunca teve foi a mesma cidade ganhar dois títulos em um mês, o que vai acontecer agora. Escrevi sobre isso neste link.

Mas, voltando para a World Series, como esses times chegaram à final?

As duas equipes tiveram a melhor campanha na temporada regular em suas ligas. Os Rays tiveram 40 vitórias e 20 derrotas, enquanto que os Dodgers ficaram com 43 e 17. Nos playoffs, o Tampa Bay eliminou Toronto Blue Jays por 2 a 0, o New York Yankees por 3 a 2 e o Houston Astros por 4 a 3. Os Dodgers passaram por Milwaukee Brewers (2 a 0), San Diego Padres (3 a 0) e Atlanta Braves (4 a 3).

Dá para dizer que há alguma surpresa nessa final?

Mais ou menos. Os Dodgers já eram favoritos muito antes de a temporada começar. Os Rays são encarados como zebra por alguns por terem um time barato e não ter tradição, mas a equipe era boa, já vinha de uma ótima campanha em 2019 e muita gente (inclusive eu, deixa eu me gabar um pouco, vai?) a colocava entre as candidatas mais fortes ao título.

Time barato? Como é isso?

Sim! Os Dodgers têm a segunda maior folha salarial da MLB, com US$ 107,9 milhões. Só os Yankees gastaram mais. Os Rays têm a terceira menor, com US$ 28,3 milhões. Só Pittsburgh Pirates e Baltimore Orioles gastaram menos.

Tem algum jogador dos Dodgers que, sozinho, ganhe mais que o Tampa Bay inteiro?

O maior salário dos Dodgers é do arremessador Clayton Kershaw, com US$ 31 milhões. Mas o salário dele não é maior que todo o time dos Rays, porque o valor da resposta anterior já é corrigido para a temporada de 60 jogos. Os US$ 31 milhões do Kershaw estão no contrato, mas valem para um ano normal, de 162 jogos. Com uma temporada de 60 partidas, como foi a de 2020 por causa da parada da pandemia, ele vai ganhar apenas US$ 16,3 milhões.

Ah, então os times tiveram redução salarial com a pandemia?

Isso. Mas a conta foi simples: pegaram o salário integral e pagaram apenas o proporcional pela quantidade de jogos que a temporada teve. A temporada teve 60 jogos, que equivalem a 37% de uma temporada normal de 162 jogos. Então, os jogadores receberam 37% do salário.

Teve mais coisa que mudou com a pandemia?

Várias. Os playoffs estão sendo disputados em bolhas (San Diego e Los Angeles na Liga Americana, Dallas e Houston na Liga Nacional. A World Series é toda em Dallas), a regra do rebatedor designado foi adotada pelas duas ligas neste ano, houve regras para reduzir a duração das partidas na temporada regular e os times tiveram elencos mais cheios, entre outras coisas.

Beleza, mas o que eu tenho de prestar atenção nesta final?

Os dois times adotam largamente as estatísticas para delinear a estratégia de jogo. No entanto, o resultado disso são duas equipes com diferenças razoáveis. Os Dodgers têm um ataque poderoso e valorizam muito os abridores (arremessadores da rotação, os que iniciam os jogos em forma de rodízio). Os Rays têm um ataque que vem jogando mal, mas contam com um bullpen (arremessadores reservas, que entram durante o jogo) bastante confiável e uma defesa capaz de jogadas espetaculares. No papel, os californianos são favoritos. Mas o Tampa Bay é uma equipe bastante inteligente na tática e tentará dar um nó no adversário para levar o título.

Quais os jogadores mais interessantes de cada time?

Nos Rays, o cubano Randy Arozarena vem rebatendo demais, destruindo recordes para jogadores estreantes em uma edição dos playoffs. Também vale ficar atento às jogadas defensivas de Manuel Margot, Willy Adames e Joey Wendle e aos arremessos de Charlie Morton e Tyler Glasnow. Nos Dodgers, o grande nome vem sendo Corey Seager, mas Mookie Betts é capaz de grandes jogadas defensivas e Justin Turner tem sido uma figura importante no ataque, jovens arremessadores como Walker Buehler e Julio Urías estão aparecendo bem. E, claro, vale ficar de olho no que acontece com Clayton Kershaw, um dos grandes arremessadores da história, mas que tem seu legado muitas vezes contestado por não ter uma atuação convincente nos playoffs no currículo.

Quantos títulos esses times já têm?

Os Dodgers têm seis títulos, o último é de 1988. Os Rays nunca foram campeões, têm apenas um vice-campeonato, em 2008.

Já são 32 anos sem título do Los Angeles, hein? É um tabu grande?

A MLB já teve fila de 108 (Chicago Cubs), 88 (Chicago White Sox), 86 (Boston Red Sox) e 77 (Philadelphia Phillies) anos. Atualmente, há uma fila de 72 anos (Cleveland Indians). Nesse aspecto, os 32 anos de jejum dos Dodgers até parecem poucos, mas é uma sequência negativa que incomoda bastante. Sobretudo porque trata-se de uma das franquias mais populares e ricas do esporte americano e já se investiu muito dinheiro para conquistar um título nos últimos anos.

Hmm, achei interessante. Acho que vou torcer pelos Dodgers. Ou tem algo interessante do Tampa Bay levar o título?

Bem, se você gosta do livro ou do filme Moneyball, os Rays são a sua cara. O time segue os mesmos princípios do Oakland Athletics, com o uso de formas inovadoras de avaliar o jogo para montar times competitivos com pouco dinheiro. E, hoje, o Tampa é mais bem sucedido nisso do que os A’s. Se você quiser ver mais do sistema adotado pelos Rays, tem o livro “The Extra 2%: How Wall Street Strategies Took a Major League Baseball Team from Worst to First” (“Os 2% Extra: Como Estratégias de Wall Street Levaram um Time da MLB de Pior para Melhor”), de Jonah Keri. Não foi publicado em português.

Quando são os jogos?

Anota aí: 20 (terça), 21 (quarta), 23 (sexta), 24 (sábado), 25 (domingo), 27 (terça) e 28 (quarta) de outubro, sempre às 21h. Evidentemente, os jogos dos dias 25, 27 e 28 só serão realizados se a série não for concluída até lá.

A ESPN vai passar todos os jogos?

Claro!

Legal! E qual seu palpite?

Acho que os Dodgers levam por 4 a 2.

Fonte: Ubiratan Leal

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Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

Ubiratan Leal
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Edmonton, Canadá, 28 de setembro. O Tampa Bay Lightning bate o Dallas Stars por 2 a 0 e conquista a Stanley Cup ao fechar a série decisiva por 4 a 2. Foi o segundo título da equipe da Flórida na NHL.

Orlando, Estados Unidos, 11 de outubro. O Los Angeles Lakers vence o Miami Heat por 106 a 93 e leva o título da NBA. Foi o 17º troféu da franquia, igualando o Boston Celtics como os maiores campeões no basquete americano.

Da esq. à dir. - Steven Stamkos, Nikita Kucherov e Victor Hedman, do Tampa Bay Lightining, com a Stanley Cup da NHL
Da esq. à dir. - Steven Stamkos, Nikita Kucherov e Victor Hedman, do Tampa Bay Lightining, com a Stanley Cup da NHL Getty

As duas metrópoles comemoraram bastante as conquistas, mas já estão de olho na possibilidade de uma segunda. Tampa Bay Rays e Los Angeles Dodgers estão nas finais de liga na MLB. Como a World Series terá sua decisão entre os dias 25 e 28 de outubro (depende de ser decidida em 5, 6 ou 7 partidas), é possível que um mercado conquiste dois títulos em menos de 30 dias. Já aconteceu antes? E já tivemos casos de cidades com títulos de mais de uma liga ao mesmo tempo?

A resposta à primeira pergunta é mais simples: nunca ocorreu de uma região metropolitana conquistar dois títulos em menos de 30 dias. Isso só seria possível se o mesmo mercado vencesse a NHL e a NBA ao mesmo tempo, pois as duas ligas costumam terminar em junho (a NFL encerra a temporada em janeiro ou fevereiro e a MLB, em outubro). Incrivelmente, hóquei no gelo e basquete nunca tiveram campeões da mesma cidade ao mesmo tempo.

Em 2020, com a pandemia, a final da NHL e da NBA foram empurradas para outubro, coincidindo com a decisão do beisebol. Isso criou uma nova possibilidade, e é nessa brecha que a Baía de Tampa (aqui vale a região pq o ginásio do Lightning e o estádio dos Rays ficam em municípios diferentes dentro da mesma conurbação) e Los Angeles podem entrar.

No entanto, a pergunta se já houve casos de a mesma cidade ter título de mais de uma liga ao mesmo tem resposta bem diferente. Há um caso único de cidade que teve três ligas ao mesmo tempo: Detroit em 1935, acumulando os troféus da World Series de 1935, a NFL (ainda antes do Super Bowl) e a Stanley Cup em 1936. Boston teve a chance de repetir o feito no ano passado, mas o St. Louis Blues frustrou a torcida bostoniana ao bater os Bruins na decisão da NHL.

Leia mais: Boston tem chance de repetir feito de 80 anos atrás: ser campeã de três ligas ao mesmo tempo

Mas ganhar dois títulos ao mesmo tempo, como tentam a Baía de Tampa e Los Angeles, é mais comum. Ocorreu várias vezes, com regiões tradicionalmente muito vitoriosas como Nova York e Pittsburgh e até com outras de sucesso mais esporádico, como Baltimore.

Veja a lista (em parênteses, as ligas conquistadas na ordem em que os títulos vieram):

- NOVA YORK  NOVA JERSEY: 1938-39 (MLB e NFL), 1956-57 (MLB e NFL), 1969 (NFL e MLB), 1969-70 (MLB, mesmo título da série anterior, e NBA) e 2000 (NHL e MLB), 

- CHICAGO: 1934 (NFL e NHL) 

- DETROIT: 1954 (NFL e NHL)

- BALTIMORE: 1970-71 (MLB e NFL)

- PITTSBURGH: 1979-80 (NFL e MLB, e depois o bi da NFL substituindo o título anterior na série) e 2009 (NFL e NHL)

- LOS ANGELES: 1981-82 (MLB e NBA), 1988 (NBA e MLB) e 2002 (NBA e MLB)

- SÃO FRANCISCO / OAKLAND: 1989-90 (MLB e NFL)

- BOSTON: 2004 (NFL e MLB, e depois o bi da NFL substituindo o título anterior na série) e 2007-08 (MLB e NBA)

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Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

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Playoffs da MLB: um guia rápido para entender o que vai rolar

Ubiratan Leal
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Foi muito rápido. A temporada regular da MLB mal começou e já estamos nos playoffs. Claro, consequência das adaptações exigidas pela pandemia de Covid-19. Mas o mata-mata começa nesta terça-feira com quatro séries pela Liga Americana. Nesta quarta começa a pós-temporada da Liga Nacional.

Em uma temporada sui generis, os playoffs também estão diferentes. Por isso, veja um guia rápido para não se perder nas novidades e entender o que vai acontecer.

Quem se classificou?

São 16 times nos playoffs: Atlanta Braves, Chicago Cubs, Chicago White Sox, Cincinanti Reds, Cleveland Indians, Houston Astros, Los Angeles Dodgers, Miami Marlins, Milwaukee Brewers, Minnesota Twins, New York Yankees, Oakland Athletics, San Diego Padres, St. Louis Cardinals, Tampa Bay Rays e Toronto Blue Jays

Qual o formato?

São oito equipes na Liga Nacional e oito na Americana. Em cada liga, os times farão quartas de final (chamada de “séries de wildcard”) em melhor de três jogos (todos na casa do cabeça de chave), semifinal (“séries de divisão”) em melhor de cinco e final (“final da liga”) em melhor de sete. O campeão de cada lado vai para a World Series, em melhor de sete partidas.

E quais são os confrontos?

Na Liga Americana, Indians x Yankees, Rays x Blue Jays, Athletics x White Sox e Twins x Astros. Na Liga Nacional, Dodgers x Brewers, Padres x Cardinals, Braves x Reds e Cubs x Marlins.

Hmmmm, está diferente do ano passado. Vai ser assim a partir de agora?

Em princípio, não. O formato foi criado para dar mais chances as equipes, que poderiam ser prejudicadas pelo fato de a temporada regular ter apenas 60 jogos, menos da metade da duração de uma temporada regular em ano sem pandemia (162). Em teoria, volta ao normal em 2021, apesar de já existir especulações de que a MLB pretende mudar o formato do mata-mata e, se houver boa aceitação ao sistema de 2020, é capaz de ele ser mantido ou inspirar a nova versão.

Ah, você disse que as primeiras séries serão na casa do time de melhor campanha. E depois, o time de melhor campanha passa a ter vantagem do mando ou faz todos os jogos em casa? 

Nem uma coisa, nem outra. A primeira fase dos playoffs dá ao cabeça de chave o direito de receber todas as partidas. Mas, a partir da etapa seguinte, os times vão para bolhas. A Liga Nacional realizará seus jogos no Texas, nos estádios de Dallas (Texas Rangers) e Houston (Astros). A Liga Americana será disputada no sul da Califórnia, em Los Angeles (estádio dos Dodgers) e San Diego (Padres). A World Series será em Arlington, região metropolitana de Dallas.

Quem são os favoritos?

Os times considerados mais fortes antes da temporada -- Dodgers e Yankees -- continuam bastante cotados para conquistar o título. No entanto, a temporada fez que Rays e Padres também se tornassem candidatos reais a levar a World Series. Entre as equipes que podem surpreender estão Reds, Braves, Athletics, White Sox e Twins.

O novo formato muda alguma coisa?

Muda em vários aspectos. A primeira fase em melhor de três permite muita surpresa. Um time limitado que tenha dois arremessadores espetaculares na rotação é capaz de conseguir duas vitórias contra qualquer adversário. Por isso, as chances de Indians, Reds e Marlins contra Yankees, Braves e Cubs são bem razoáveis, muito maiores do que seriam em melhor de cinco ou melhor de sete. Além disso, só haverá dias de folga entre uma série e outra. Ou seja, séries que forem para cinco, seis ou sete jogos se tornarão maratonas, desgastando as equipes e exigindo muito cuidado no gerenciamento dos arremessadores, seja da rotação, seja do bullpen.

Os canais esportivos Disney transmitirão as partidas?

Sim, todos os jogos serão transmitidos em alguma plataforma, entre os canais ESPN e Fox Sports e o ESPN App.

Fonte: Ubiratan Leal

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Acha que as grandes ligas americanas sofrem com a pandemia? Então veja a NCAA

Ubiratan Leal
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Clemson x Alabama
Clemson x Alabama Getty Images

NBA e NHL têm meses de paralisação, depois voltam com calendário reduzido justamente na reta final da temporada regular e fazem os playoffs em bolhas de operação milionária. A MLB também paralisou, reduziu sua temporada regular a um terço do normal e improvisará uma bolha também para o mata-mata. A NFL ainda manteve o calendário, mas prejudicou a preparação dos atletas e viu estrelas pedirem dispensa. Ah, e todas elas perdendo milhões e milhões em bilheteria com partidas de portões fechados ou com enorme restrição de público.

Sim, o esporte americano está sofrendo com a pandemia. Mas isso parece o resfriado da estação perto do que está ocorrendo no esporte universitário. Onde o impacto é enorme nas competições em si, com o agravante que os atletas ainda estão em formação e podem perder um ano precioso de seu desenvolvimento.

O basquete foi a primeira vítima de peso. A pós-temporada foi cancelada em cima da hora, durante as finais de conferência e semanas antes do bilionário March Madness. Isso tirou uma receita gigantesca das universidades e a última chance dos jogadores de mostrar seu potencial para o draft.

Obs.: no meio disso, toda a temporada do beisebol universitário também foi cancelada. Mas o impacto econômico dela é bem menor

O golpe nos programas esportivos da universidade já foi grande. Mas aí veio a segunda onda da pandemia nos Estados Unidos, que coincidiu com a temporada do futebol americano.

A NCAA começou a trabalhar para realizar a temporada do futebol americano. É a modalidade mais lucrativa do esporte universitário e ajudaria a atenuar as perdas pelo cancelamento do basquete. No entanto, havia muitas dúvidas sobre a capacidade de realizar um campeonato com segurança para as gigantescas delegações das equipes em cada partida.

Em agosto, algumas conferências anunciaram a intenção de adiar suas temporadas de futebol americano para disputá-la apenas no primeiro semestre de 2021. Entre essas, estavam duas das chamadas Power Five, o grupo de conferências mais poderosas: Big Ten e Pac-12. A Big Ten voltou atrás e decidiu organizar uma temporada reduzida, com início em outubro. Ainda assim, a saída da Pac-12 tirou equipes tradicionais como UCLA, USC, Cal-Berkeley, Oregon e Stanford da disputa.

Isso não significa que está tudo bem com o resto do campeonato, incluindo as outras três do Power Five, ACC, SEC e Big 12. Elas reorganizaram seu calendário para que as equipes enfrentem apenas adversários dentro das conferências, evitando longas viagens. O custo de deslocamento também diminui, mas a conta fica no vermelho, pois vários confrontos lucrativos entre gigantes de conferências diferentes foram cancelados.

Até o momento, a expectativa é que a pós-temporada seja realizada. Claro, com restrição de público e dentro das limitações impostas pelas mudanças dentro de cada conferência. No entanto, é evidente que o esporte universitário americano está perdendo bilhões de dólares. Nesse cenário, como fazer a conta fechar?

Quando se fala em NCAA, imagina-se automaticamente o futebol americano e o basquete, talvez beisebol e softbol. O que nem sempre é lembrado é que os lucros dessas modalidades ajudam também a sustentar as dezenas de modalidades deficitárias, que são mantidas por tradição e uma compreensão do papel social e educativo que o esporte tem na educação.

Devido às perdas com a pandemia, as universidades cancelaram programas esportivos de esportes como vôlei, luta, atletismo, ginástica artística, natação, rugby, futebol, tênis, golfe, esgrima, remo, lacrosse, tiro e polo aquático, entre outras. Os estudantes-atletas tiveram suas bolsas de estudos preservadas e ao menos poderão concluir seu curso superior, mas estão sem o treinamento de alto nível que recebiam. E muitos nem sabem se esses programas voltarão tão cedo.

Cesar Cielo com as medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008
Cesar Cielo com as medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008 Getty

Quão forte é essa preparação? Bem, Cesar Cielo defendeu a natação da Universidade de Auburn de 2005 a 2007. Em 2008, foi medalha de ouro nos 50 metros nado livre nos Jogos Olímpicos de Pequim. No Mundial do ano seguinte, foi ouro nos 50 e nos 100 metros livre. Dividiu o pódio com o francês Frédérick Bousquet, prata nos 50 e bronze nos 100 metros e ex-colega do brasileiro na equipe de Auburn.

Por isso, o grande impacto da pandemia no esporte universitário americano nem é no basquete e no futebol americano, mas nas centenas de atletas de alto nível em esportes olímpicos que finalizam sua preparação em algum programa da NCAA. Para esses, a torcida é para que o dinheiro da bola oval e da bola laranja voltem a entrar, até o ponto de novamente sobrar alguma coisa para os programas secundários.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB enfim adota uma 'bolha'

Ubiratan Leal
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A informação havia vazado na última semana, mas a confirmação veio apenas na última terça-feira. A Major League Baseball vai entrar em uma “bolha” para encerrar sua temporada. A partir da segunda fase dos playoffs, os times se dividirão entre dois locais, onde ficarão confinados dentro do circuito hotel-estádio até o último jogo da World Series.

Veja o formato:

- A primeira fase de playoffs, criada especialmente para a temporada 2020, será em séries melhor de três com todas as partidas no estádio do cabeça de chave (campeões de divisão e o melhor segundo colocado);

- A partir da série de divisão (semifinal de liga), as equipes da Liga Nacional se deslocarão para o Texas, onde jogarão no estádio do Texas Rangers -- na região metropolitana de Dallas -- ou no do Houston Astros. As equipes da Liga Americana vão para o sul da Califórnia, atuando no estádio do Los Angeles Dodgers ou no do San Diego Padres;

- As finais de liga serão nos estádios de Rangers e Dodgers;

- A World Series será no estádio dos Rangers.

No ponto de vista da operação dentro da bolha, será um sistema mais parecido com o da NHL do que o da NBA. Ao invés de deixar todos os profissionais envolvidos dentro de um complexo, como no basquete, o beisebol deixará elencos, comissões técnicas, delegados e outras pessoas ligadas aos jogos em hoteis, que atenderão apenas à MLB. Os atletas poderão receber visitas de seus familiares, que terão de passar por exames de COVID-19 e quarentena.

Ele enterrou a cara no chão e ainda aguentou seu companheiro descontrolado rindo da sua desgraça

A solução adotada pela MLB foi engenhosa, sobretudo na escolha das sedes. Dividir a operação em dois estádios por bolha eliminam as rodadas duplas, permitindo que os times treinem no local das partidas, eliminando a necessidade de estruturas específicas para treinamento. 

Além disso, a escolha de duas arenas da Liga Nacional para os jogos da Liga Americana e vice-versa acaba com qualquer possibilidade de uma equipe se beneficiar por conhecimento prévio do campo. E a preferência por Texas e sul da Califórnia se justifica pelo clima nas duas regiões, mais quente em outubro e novembro (para o caso de algum adiamento por casos de Covid-19).

Vista aéra do Dodger Stadium
Vista aéra do Dodger Stadium Getty

No entanto, a operação não será tão simples quanto a MLB quer fazer parecer. Ainda que a liga fale em duas bolhas, na prática são quatro (Los Angeles, San Diego, Dallas e Houston), pois as distâncias entre Los Angeles e San Diego e entre Dallas e Houston são grandes o suficiente para ser impraticável deixar todos os jogadores no mesmo hotel, por exemplo. Além disso, esse formato exigirá que os times viagem ao final de cada série, aumentando o risco de a bolha furar.

Ainda assim, será uma operação de quatro semanas apenas, muito menos do que a bolha criada pela NBA e a da NHL. Desse modo, a chance de ela funcionar bem o suficiente para encerrar o campeonato sem sobressaltos é grande. O que já seria uma vitória para uma temporada tão afetada pela pandemia de coronavírus.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB enfim adota uma 'bolha'

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Fechamento do mercado reforçou o recado: os Padres são candidatos ao título, sim

Ubiratan Leal
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San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

O San Diego Padres foi fundado em 1969. São 51 anos de vida e o máximo que o time conseguiu foi aparecer duas vezes na World Series. Mas nem dá para dizer que sentiu o gosto do título: perdeu para o Detroit Tigers por 4 a 1 em 1984 e foi varrido pelo New York Yankees em 1998. Contando a partir da série contra os nova-iorquinos, os Padres perderam 10 dos 11 jogos de playoffs que disputaram. 

Tudo bem, ficar sem título não é o fim do mundo para uma franquia de cinco décadas. O Texas Rangers é mais antigo e também tem apenas dois vices. O Milwaukee Brewers tem a mesma idade e chegou à World Series apenas uma vez. E tem o Seattle Mariners, alguns anos mais novo, mas que sequer tem um título de sua liga. A questão é que os Padres são azarados até naqueles momentos pontuais de comemoração ao longo do ano. Por exemplo, são a única franquia de toda a MLB que nunca conseguiu um no-hitter. E a única a saber qual a sensação de ceder um home run para Bartolo Colón.

É compreensível o torcedor dos Padres ficar desconfiado, achar que algo dará errado. Mas há bons motivos para acreditar que o título é possível já em 2020, mas também estaria no horizonte no futuro próximo. Nos últimos anos, o San Diego reestruturou suas categorias de base, reunindo um grupo de promessas -- Fernando Tatis Jr, Chris Paddack, Jake Cronenworth -- que poderiam recolocar a franquia nos playoffs, o que não ocorre desde 2006. Para dar mais força ao grupo, a direção contratou jogadores mais rodados, como Eric Hosmer e Manny Machado.

Com essa base, os Padres despontaram como uma força na encurtada temporada 2020. O ataque é explosivo, com a liderança em home runs e em corridas impulsionadas, o segundo melhor aproveitamento no bastão e o terceiro melhor percentual em base de toda a MLB. Consolidou-se na segunda posição da Divisão Oeste da Liga Nacional (atrás apenas do supertime do Los Angeles Dodgers) e a vaga no mata-mata está bastante próxima.

O cenário, porém, ficou ainda melhor após o fechamento da janela de transferências da MLB em 31 de agosto. Os Padres foram, talvez ao lado do Toronto Blue Jays, os grandes vencedores do dia. O elenco conseguiu o reforço de Mitch Moreland, um confiável e experiente primeira base, e Austin Nola, um dos catchers com mais qualidades com o bastão. Além disso, melhorou significativamente seu grupo de arremessadores, ponto fraco da equipe, com o abridor Mike Clevinger e o reliever Trevor Rosenthal.

Beisebol é um esporte traiçoeiro e o desempenho dos jogadores podem oscilar bruscamente de um dia para o outro, mas, em teoria, os Padres ficaram com uma equipe bem acertada. Para melhorar, esses reforços têm contratos que vão além desta temporada, podendo render ao time californiano por futuras temporadas. E o custo de todos esses reforços: várias promessas da base, mas nenhuma delas ranqueada entre as dez melhores do San Diego. Ou seja, os melhores garotos ainda estão sob controle do clube.

De acordo com o site Fangraphs, um dos mais importantes no uso de estatística para avaliação da MLB, essas movimentações no mercado fizeram os Padres aumentarem em 1,4 ponto percentual (chegando a 98% agora) a chance de ir aos playoffs, terceiro maior salto do fechamento da janela. A possibilidade de chegar à World Series cresceu 0,6 ponto percentual, o segundo maior da MLB.

O cenário é cruel com os Padres porque estão na mesma divisão dos Dodgers, melhor time da MLB no momento e que também conta com margem para seguir competitivo por alguns anos. Mas o San Diego entrou na briga.

Fonte: Ubiratan Leal

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Fechamento do mercado reforçou o recado: os Padres são candidatos ao título, sim

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A MLB levou o título de polêmica mais estúpida da semana nos esportes americanos

Ubiratan Leal
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Fernando Tatis Jr.
Fernando Tatis Jr. Getty


Fernando Tatís Jr vai ao bastão na oitava entrada. Seu San Diego Padres está com a vitória bem encaminhada sobre o Texas Rangers, graças a ele ele próprio, que rebateu um home run de três corridas no turno ofensivo anterior e deixou o placar em 10 a 3. O duelo começa bem para o time californiano, com o arremessador Juan Nicasio mandando três bolas fora da zona de strike. Em seguida, manda uma bem no meio, para tentar se recuperar na contagem. Mas Tatís não fica parado: ele rebate, e rebate longe. Grand slam, 14 a 3 Padres.

Em príncípio, o clímax de uma grande atuação do shortstop do San Diego. Ele ficou a uma base ocupada a mais na sétima entrada de igualar o pai, que rebateu dois grand slams no mesmo jogo (ambos na mesma entrada, inclusive) em 1999. Mas foi o início de mais uma das polêmicas mais estúpidas e nocivas dos esportes americanos: as regras não escritas do beisebol.

Os Rangers consideraram a atitude de Tatís desrespeitosa. Seu time já vencia com folga, o jogo estava perto do final e a contagem era muito negativa para Nicasio, que seria obrigado a arremessar uma bola bem dentro da zona de strike. Para o time texano, não haveria necessidade de ir para a rebatida nessa situação, teria sido uma atitude egoísta de um jogador que quer aparecer às custas de um adversário já no chão.

Logo após o grand slam de Tatís, Nicasio foi substituído. Em seu primeiro arremesso, Ian Gibault mandou a bola por trás de Manny Machado, atitude sabidamente considerada um aviso de “eu gostaria de mandar ela direto em você, da próxima vez eu posso fazer isso”. Depois da partida, Chris Woodward, técnico dos Rangers, criticou o comportamento de Tatís. Jayce Tingler, treinador dos Padres que trabalhou entre 2015 e 19 na franquia texana, fez coro e também considerou errada a decisão de seu jogador. Tatís acabou pedindo desculpas.

Bobagem, uma tremenda bobagem.

Tatís não fez nada de errado. Ele apenas fez o que deve fazer: continuou jogando e se divertindo. Talvez a comemoração dele tenha sido um pouco exagerada considerando que o jogo já estava ganho, mas isso é algo menor. De resto, ele apenas mostrou como grandes jogadores -- e o shorstop dos Padres é um dos maiores talentos da nova geração -- podem dar grandes espetáculos no diamante. A torcida do San Diego certamente adorou.

As “regras não escritas” estão entre as coisas que mais atrapalham a inserção do beisebol com as novas gerações. Jogadores são coibidos de mostrar o quanto estão empolgados e se divertindo, algumas demonstrações de talentos são vistas como tentativa de humilhar o adversário e dar show é desrespeitar a modalidade. Tudo vai ao contrário do que a nova geração quer ver de seus ídolos. Não à toa, o basquete cresce cada vez mais.

Menos mal que há cada vez mais vozes contra esse tipo de cultura. Trevor Bauer, do Cincinnati Reds, incentivou Tatís a fazer isso novamente. E que ele, como arremessador, não se sentiria desrespeitado ou humilhado. Está certo. Não é humilhação.

De resto, se o Texas Rangers ou qualquer outro time se sente constrangido pelo que aconteceu, aí vão algumas dicas de como evitar isso. Formas muito melhores do que dar bolada que pode machucar colegas de profissão.

1) Não tome 10 a 3;

2) Não comece o duelo com 3 arremessos fora da zona de strike;

3) Se ficar com a contagem 3-0, não mande o próximo arremesso no meio da zona de strike.

No final das contas, o que seria mais um grand slam (quase todo dia há um na MLB, seria rapidamente esquecido) virou assunto de uma semana inteira. E todo mundo acabou vendo ainda mais o que fez Tatís, a lavada que os Rangers tomaram, e o arremesso ruim de Nicasio.

Obs.: nos dois dias seguintes, os Padres voltaram a vencer os Rangers rebatendo grand slams nas duas partidas. Foi apenas a quinta vez na história que um time rebate grand slams em três jogos seguidos

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB levou o título de polêmica mais estúpida da semana nos esportes americanos

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Por que a NFL e a MLB não fazem bolhas como a NBA e a NHL

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA Divulgação


Dezenas de times viajando pelos Estados Unidos. Reunindo-se em centros de treinamento e estádios, em aeroportos e hotéis. A MLB decidiu encarar o desafio de realizar sua temporada nessas circunstâncias, as mesmas que a NFL enfrentará a partir de setembro. Que são as mesmas do futebol nos campeonatos nacionais da Europa e mesmo do Brasil, diga-se. Mas, no beisebol, começou a dar problema. Miami Marlins e St. Louis Cardinals tiveram surtos de covid-19 na delegação e veio a pergunta: por que não fizeram uma “bolha”, como a NBA e a NHL?

O conceito de “bolha” apareceu primeiro na China, como possível solução para conclusão da liga chinesa de basquete. A ideia era colocar todos os times em uma ou duas cidades, que receberiam todas as partidas restantes da temporada. Hotéis e ginásios utilizados seriam todos higienizados, e os atletas passariam por testes frequentes e ficariam em isolamento social, indo apenas do hotel para o ginásio, do ginásio para o hotel. Com isso, todos estariam em ambientes livre do coronavírus e a chance de contaminação entre as pessoas envolvidas na disputa e operação dos jogos seria muito menor.

A NBA embarcou na ideia e fez sua bolha no ESPN Wide World of Sports, dentro do complexo da Disney em Orlando, Flórida. O mesmo espaço é utilizado também pela MLS. A WNBA escolheu outro espaço, também na Flórida, e a NHL foi para o Canadá, com estruturas em Toronto e Edmonton. A Copa do Nordeste escolheu Salvador para concluir sua edição 2020. Até a Uefa fará isso, com a reta final da Champions League concentrada em Lisboa e da Liga Europa no leste da Alemanha.

Mas há uma questão fundamental nessas competições: elas já estavam em andamento e precisavam apenas completar seu calendário. Não é o que ocorre na MLB e na NFL. Em ambos os casos, a perspectiva seria de realizar o campeonato inteiro (seja ele na versão integral ou em uma versão reduzida) na pandemia.

A demanda por uma “bolha” para o beisebol e o futebol americano seria muito maior em diversos aspectos:

- Na comparação com basquete e hóquei no gelo (mas nem tanto com o futebol), as delegações de beisebol e futebol americano são muito maiores e exigiriam muito mais infraestrutura para receber todos os times em apenas um ou dois locais;
- Como a temporada inteira será na pandemia, a “bolha” precisaria funcionar por muitos meses e a chance de ela acabar furando em algum momento seria maior;
- Com uma temporada longa dentro da bolha, o esforço de milhares de pessoas (não apenas atletas, mas funcionários de arenas esportivas e hotéis, jornalistas, funcionários dos clubes) para lidar com o confinamento seria muito grande, e muitos não estariam dispostos a ficar tanto tempo longe da família;
- Beisebol e futebol americano são esportes de partidas longas, é mais difícil programas quatro ou cinco partidas em sequência no mesmo campo. O máximo que daria seriam rodadas triplas, o que exigiria a utilização de muitos estádios com infraestrutura de alto padrão no mesmo lugar.

A MLB até teria opções, e por isso considerou a ideia de usar a bolha. Metade dos times têm centro de treinamento com campos oficiais no Arizona e a outra metade tem na Flórida. Com algum esforço, seria possível reunir todas as equipes na região metropolitana de Phoenix ou dividir a liga em duas bolhas. Mas os planos ruíram diante da mobilização operacional necessária e da falta de disposição dos jogadores em ficarem confiados por quatro ou cinco meses (no final das contas, a temporada durará só três meses, mas a perspectiva quando se discutia a bolha do beisebol era de retornar em junho ou começo de julho). Para piorar, Arizona e Flórida se tornaram centros tardios da pandemia, acabando de vez com qualquer proposta de bolha.

Na NFL, o desafio é muito maior. Na questão de estádios, até seria possível pensar em dividir os 32 times em duas regiões e aproveitar arenas da NFL e da NCAA. A Califórnia -- tanto em Los Angeles / San Diego quanto em São Francisco / Oakland -- seria uma opção interessante. O Texas também teria infraestrutura para as partidas. O problema é o tamanho da operação.

Uma delegação de NFL tem centenas de pessoas. Mesmo com otimização de pessoal, com alguns trabalhando remotamente, seriam mais de 100 indivíduos por time precisando de hospedagem, transporte e circular dentro do estádio. A tabela também é um problema, pois o futebol americano é uma modalidade fisicamente brutal, que exige muitos dias de descanso entre cada jogo. Inviável apertar o calendário para reduzir a duração da temporada como as outras ligas fizeram. Ou seja, a temporada longa é praticamente inevitável, o que exigiria muito esforço operacional e pessoal de todos os envolvidos.

Resta à MLB e à NFL contar com o protocolo e sorte. No beisebol, há forte suspeita que os surtos em dois times surgiram depois de atletas abandonarem seus hotéis para sair na rua, indo a restaurantes e até a cassinos. A liga reforçou a ordem de que os jogadores precisam praticar o distanciamento social mesmo quando estiverem viajando com suas equipes. A NFL tem o mesmo desafio, sendo que há mais dias de folga entre uma partida e outra -- e mais oportunidades de alguém sair do isolamento.

Resolveram correr o risco de ficar fora da bolha. Que saibam lidar com isso.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB tentou conviver com o vírus por perto, e agora está no limite de suspender a temporada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Marlins na MLB
Marlins na MLB Getty Images

A Major League Baseball estudou diversas opções, inclusive de criar uma ou duas bolhas, mas concluiu que o mais viável era disputar sua temporada com os times em suas cidades e estabelecer uma série de regras para que todos os envolvidos ficassem distantes da Covid-19. Uma semana após o início da temporada, um time já teve um surto interno, outros já tiveram casos, partidas foram adiadas, a tabela foi refeita e a pergunta já surgiu: “o que precisa acontecer para a temporada parar de vez?”.

Resposta: a liga não tem a menor ideia. Rob Manfred, o comissário da MLB, parece não ter considerado fortemente essa hipótese. E todo o procedimento da entidade, dos clubes e dos jogadores levavam isso em conta. O protocolo de segurança foi divulgado, listando uma série de procedimentos para viagens, estadia em outras cidades, treinos e jogos. Testes eram feitos a cada dois dias e, quando alguém dava positivo, era afastado como se tivesse uma lesão.

Até aí, não era muito diferente do que estamos vendo em outras competições. Inclusive no futebol brasileiro. Até que veio o Miami Marlins. Após uma partida contra o Philadelphia Phillies no último sábado, o time teve quase 20 resultados positivos entre jogadores e comissão técnica praticamente de uma vez (alguns casos foram conhecidos um ou dois dias depois).

Isso mudou toda a abordagem da liga. Teoricamente, o protocolo tinha mecanismos para os times seguirem na disputa mesmo neste cenário. Cada franquia conta com uma lista de atletas para serem acionados em uma emergência, o que seria suficiente para recompor o elenco dos Marlins. Mas isso funcionava bem no papel, a vida real é mais complicada.

Uma coisa é continuar sua vida -- e seu trabalho -- quando há um caso de Covid-19 no grupo. Outra é quando mais da metade da equipe foi infectada. Os Marlins ficaram de quarentena na Filadélfia. Os Phillies também passaram por vários testes para conferir se não tinham sido infectados também. E o estádio em que ambos se enfrentaram -- sobretudo o vestiário do time visitante -- teve de ser higienizado intensamente para que outro time (New York Yankees) pudesse ocupá-lo nos dias seguintes.

No final das contas, os confrontos entre Yankees e Phillies foram adiados, assim como Orioles x Marlins e Washington Nationals x Marlins. Para não ficarem ociosos, Yankees e Orioles tiveram uma série antecipada, mas já se vê um efeito cascata na tabela. Para piorar, nesta sexta houve casos positivos no St. Louis Cardinals, adiando a partida desta sexta contra o Milwaukee Brewers.

Claramente o sistema idealizado pela MLB não está funcionando. Imaginavam que casos isolados provocariam apenas afastamento de atletas, não que fosse necessário colocar elencos inteiros de quarentena. E não há um plano B muito claro. A liga pensa em realizar várias rodadas duplas no final da temporada para repor os jogos e houve até especulação que algumas equipes ficariam com menos jogos que outras, definindo a classificação pelo aproveitamento (e não por vitórias).

Nesta sexta, Manfred enviou um recado a Tony Clark, presidente do sindicato de jogadores. A mensagem alertava para a necessidade de os atletas respeitarem com mais rigor os protocolos estabelecidos, ou a temporada teria de ser suspensa de vez. Basicamente, o comissário da liga insinua que os jogadores não estão cumprindo os procedimentos recomendados, e isso estaria facilitando a entrada do coronavírus na MLB.

É bem possível que os atletas realmente tenham parte da culpa. Tanto que a liga havia reforçado na última quarta que os jogadores não podem deixar seus hotéis quando estiverem atuando fora de casa, o que indicaria que alguns ou vários estariam indo às ruas em dias de partidas como visitante. Mas também é difícil acreditar que essa seja a única causa, e que eventualmente os clubes também estejam falhando na aplicação de procedimentos de higienização das instalações e de distanciamento de seus profissionais.

Nesse ambiente, a próxima semana é chave para o prosseguimento da temporada. Se tivermos alguns dias sem novos casos de Covid-19, é sinal de que o alerta pode ter funcionado e a bolha talvez tenha sido reconstruída. Mas já dá uma sensação forte de que a MLB deveria ter investido na formação de uma bolha como a NBA, a MLS e a WNBA.

Obs.: ah, e o que está acontecendo com o beisebol já deveria soar um alarme do tamanho do estádio do Dallas Cowboys na NFL, porque os desafios talvez sejam ainda maiores no futebol americano

Fonte: Ubiratan Leal

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Como a MLB decidiu mudar o regulamento do campeonato duas horas antes do jogo de abertura

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Yankees e Nationals abriram a MLB na quinta
Yankees e Nationals abriram a MLB na quinta ob Carr/Getty Images

Rodada dupla de futebol em Salvador. O Bahia recebe o Bangu, em seguida o Vitória enfrenta o América carioca. O Campeonato Brasileiro de 1988 começava em uma sexta à noite e as equipes ainda não sabiam o que deveriam fazer se alguma partida terminasse empatada. O que aconteceu nos dois jogos. Na dúvida, os times seguiram a informação passada pela CBF e realizaram disputa de pênaltis. Sim, o torneio começou e apenas horas antes do pontapé inicial foi definido um item importante do regulamento: que as vitórias valeriam 3 pontos, empate com vitória nos pênaltis valeriam 2, empate com derrota nos pênaltis valeriam 1.

Esse tipo de coisa não surpreende quando se fala de futebol no Brasil. Mas aconteceu nesta quinta, em uma das normalmente elogiadas ligas norte-americanas: a Major League Baseball. A temporada 2020 começou às 20h (horário de Brasília) desta quinta. Apenas duas horas antes surgiu a informação de que sindicato de jogadores e a liga haviam chegado a um acordo sobre uma mudança no formado dos playoffs, aumentando de 10 para 16 os participantes do mata-mata.

Agora, se classificarão os dois primeiros de cada divisão e mais dois times de cada liga (Nacional e Americana) de melhor índice técnico. Essas equipes farão as quartas de final de liga, com séries de até três partidas, todas na casa da equipe de melhor campanha. Depois, as semifinais de liga (série divisional) voltam ao formato tradicional, com confrontos em melhor de cinco. As finais de liga e a World Series seguem em melhor de sete jogos.

A notícia veio como surpresa pelo momento: com alguns times já aquecendo para sua estreia, imaginava-se que nada mais mudaria. Mas não é uma discussão que surgiu do nada, que foi decidida sem debate apropriado.

Quando MLB e sindicato de atletas tentavam chegar a um acordo sobre o pagamento de salários em uma temporada reduzida e sem bilheteria, a ideia de reformular os playoffs havia sido colocada à mesa. A ideia era potencializar os ganhos de TV com mais partidas decisivas e, desse modo, compensar um pouco a perda de receita da venda de ingressos. Os dois lados concordaram que ampliar a pós-temporada seria bom, mas o acordo não saiu por discordâncias em outros pontos.

Assim, a retomada da liga veio com o regulamento orginal e o assunto pareceu esquecido. Pelo visto, as conversas continuaram fora dos holofotes, e as duas partes concordaram em criar uma versão de playoff que lembra mais a NBA e a NHL do que a MLB. Como uma fórmula temporária, para um ano atípico, é uma iniciativa válida. Mas, quando tudo voltar ao normal, o beisebol deve repensar sua pós-temporada. Uma ampliação já era discutida antes de pandemia virar um tema, mas valorizar a disputa jogo a jogo pelo título de cada divisão faz parte do espírito da liga. Assim, qualquer modelo deve preservar a dificuldade de jogar em outubro. Que a surpresa desta tarde de quinta fique só neste ano.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB está voltando. Veja o que há de diferente nesta temporada de pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
O Washington Nationals, atual campeão, abrirá a temporada contra o New York Yankees
O Washington Nationals, atual campeão, abrirá a temporada contra o New York Yankees Getty


Foi um longo e frio inverno. E um longo outono. E um verão que não estava dos mais empolgantes. A pandemia de Covid-19 fez o público americano ter de esperar bastante pelo retorno do esporte. O futebol voltou no começo de julho com a NWSL e a MLS, mas as quatro ligas mais populares só retomam a ação no final do mês. E a primeira será a Major League Baseball, que terá sua primeira partida oficial na próxima quinta (23).

Será uma temporada bastante diferente. Os quase três meses de paralisação forçaram uma mudança radical no formato da temporada regular, até porque a liga não cogitou a hipótese de atrasar o término do campeonato com medo de uma segunda onda da pandemia (que acabou chegando já em julho nos Estados Unidos). Mas as novidades não ficaram apenas na quantidade de partidas. Várias alterações foram implementadas para se adaptar à realidade de um campeonato disputado em meio a uma pandemia.

Veja abaixo o básico para entender essa temporada de cara nova. As mudanças nos times em si ficarão para um post aqui no blog na semana que vem.

Quando começa

A abertura da temporada é em 23 de julho, com rodada dupla: New York Yankees x Washington Nationals e San Francisco Giants x Los Angeles Dodgers. As demais equipes estreiam no dia seguinte: Atlanta Braves x New York Mets, Detroit Tigers x Cincinnati Reds, Toronto Blue Jays x Tampa Bay Rays, Miami Marlins x Philadelphia Phillies, Kansas City Royals x Cleveland Indians, Milwaukee Brewers x Chicago Cubs, Baltimore Orioles x Boston Red Sox, Colorado Rockies x Texas Rangers, Minnesota Twins x Chicago White Sox, Pittsburgh Pirates x St. Louis Cardinals, Seattle Mariners x Houston Astros, Arizona Diamondbacks x San Diego Padres e Los Angeles Angels x Oakland Athletics.

Quando termina

A World Series está programada para começar em 20 de outubro e, se for decidida em sete jogos, iria até o dia 28.

Temporada regular

A temporada regular foi bastante reduzida: os tradicionais 162 jogos caíram para 60. Mas a mudança não se refere apenas ao número de partidas, mas também a quem cada equipe enfrenta. Para reduzir as viagens -- e a exposição a eventual infecção por sars-cov-2 --, os confrontos serão mais regionalizados. Assim, os times farão 10 jogos contra cada time de sua própria divisão e 20 duelos interligas, sempre respeitando a geografia (ou seja, Divisão Leste da Liga Americana pega a Divisão Leste da Liga Nacional, a Central da LA enfrenta a Central da LN e a Oeste da LA joga contra a Oeste da LN). Com isso, teremos o reencontro entre Dodgers e Astros, muito aguardado após as revelações de roubo de sinais por parte do time texano na World Series de 2017. Pelo regulamento original, as duas equipes só se enfrentariam neste ano em uma eventual World Series.

Houston Astros venceu Los Angeles Dodgers no jogo 6 da World Series da MLB
Houston Astros venceu Los Angeles Dodgers no jogo 6 da World Series da MLB Getty

Playoffs

Continuam como sempre. Passam para o mata-mata o campeão de cada divisão e mais dois times de cada liga com melhor campanha para a repescagem (wildcard) de jogo único. Os vencedores desta etapa se juntam aos campeões de divisão para formar a série divisional (semifinal de liga) em melhor de cinco. As finais de liga e a World Series são em melhor de sete.

Onde serão as partidas

A ideia de criar uma “bolha” como a NBA e a NHL foi cogitada, mas as equipes jogarão em seus próprios estádios. Sem torcida, claro.

Elencos

Como os times não tiveram a preparação adequada e disputarão a temporada sob o risco de perder atletas com Covid-19, a regra de elencos será diferente. Ao invés de usar 26 ao longo da temporada, como previa o regulamento original, os times terão até 30 nomes no elenco nos primeiros 15 dias da temporada regular, 28 nos 15 dias seguintes e 26 a partir de então. Além disso, os clubes terão de anunciar uma lista de 60 atletas disponíveis para a temporada, incluindo os inscritos e outros que podem ser chamados a qualquer momento caso alguém fique fora de ação por queda de desempenho, contusão e, claro, Covid-19. Quando estiver com uma sequência de compromissos fora de casa, a equipe pode levar até três atletas extras. Eles não estão inscritos para o jogo, mas já ficam à disposição para o caso de algum companheiro se contundir.

Janela de transferências

Ficará aberta até 31 de agosto.

Se um jogador pega Covid-19

Foi criada uma lista de contundidos extra, apenas para o caso de Covid-19. O jogador será colocado nessa relação se tiver algum teste positivo de coronavírus, se apresentar sintoma ou se alguém muito próximo a ele teve exame positivo. Quem estiver nessa condição passará por quarentena e exames até ser liberado, mas receberá seus salários normalmente pelo período afastado.

Jogador com receio de pegar Covid-19

O jogador que não se sentir seguro dentro dos protocolos sanitários da liga estão livres para pedir dispensa. Eles receberão os salários como se tivessem jogador normalmente.

Buster Posey, estrela dos Giants, é um dos jogadores a pedir dispensa da temporada por causa do coronavírus
Buster Posey, estrela dos Giants, é um dos jogadores a pedir dispensa da temporada por causa do coronavírus Getty

Rebatedor designado universal

A Liga Nacional, pela primeira vez, terá rebatedor designado em todos os jogos, como mandante e visitante. A mudança só vale para 2020, e visa preservar fisicamente os arremessadores.

Entradas extras diferentes

As entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base. Esse corredor será o último eliminado da equipe na entrada anterior (ou alguém que o substitua na partida). O objetivo é facilitar o surgimento de corridas e evitar partidas muito longas em uma temporada que terá ritmo acelerado pelo pouco tempo e elencos sacrificados.

Substituição de arremessadores

Para reduzir o tempo gasto com substituições nas entradas finais, cada arremessador será obrigado a enfrentar um mínimo três rebatedores ou ficar até o final da entrada (caso falte apenas uma ou duas eliminações). Essa mudança de regra já estava prevista pela MLB e não tem relação com a pandemia.

Distanciamento social

Os clubes terão de aumentar o espaço de vestiários e bullpen disponível para seu elenco e o do time visitante. Para os jogos em si, a liga proibiu cuspes no campo e no banco, orientou jogadores a ficarem distantes quando não houver necessidade (bola parada, por exemplo) e reforçará punições por discussões cara a cara e brigas. Arremessadores também não poderão passar a mão na boca (terão direito a usar um trapo molhado no bolso de trás para umedecer a mão).

Salários e metas por desempenho

Os jogadores receberão seus salários pela proporção de partidas (37%) em relação à temporada completa. O mesmo vale para bônus ou cláusulas de contrato condicionadas a número de partidas ou metas alcançadas.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o futebol catarinense tenta se reerguer de 2019 trágico e das perdas da pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


O futebol catarinense vivia um dos melhores momentos de sua história em 2015, com quatro equipes no Brasileirão (Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville) e uma na Série B (Criciúma, quase sempre um candidato a brigar no topo quando está na Segundona). Só São Paulo tinha uma representatividade maior, com quatro na primeira divisão e três na segunda. Avançando cinco anos, o cenário de Santa Catarina é o oposto. Após uma temporada com três rebaixamentos e apenas uma promoção, o estado não tem nenhum time na Série A, apenas dois na B e dois na C. O que aconteceu?

"Cada time tem sua história própria", afirma o jornalista Rodrigo Santos, diretor da TV Brusque. "A Chapecoense se perdeu na gestão e entrou em grave crise financeira, o Avaí veio da Série B em 2018, mas não investiu no time para jogar a primeira divisão em 2019", exemplifica, citando os casos das equipes catarinenses que caíram da Série A no ano passado.

O comentário fez parte do debate sobre futebol catarinense realizado pelo blog. A conversa girou em torno da situação dos principais clubes do estado neste momento, desde a crise da temporada passada até a tentativa de retomada após a pandemia. Também falou da ascensão do Brusque, campeão da Série D de 2019 e que fazia boa campanha na Copa do Brasil deste ano, e até da concorrência do futebol local com os clubes de outros estados e com o futsal.

A conversa foi gravada na tarde desta quinta, dia 9, e está na íntegra no canal da ESPN Brasil no YouTube: 
https://www.youtube.com/watch?...

Fonte: Ubiratan Leal

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Como funcionam os “canais de clube” nas ligas americanas

Ubiratan Leal
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A confusão na disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca fez que o público tivesse a oportunidade de ter como única opção ver as partidas em TVs oficiais (na verdade, canais no YouTube) de clubes. A Fla TV mostrou as partidas do Flamengo contra Boavista e Volta Redonda, enquanto que a Flu TV teve o Fla-Flu decisivo da Copa Rio com exclusividade. Com a MP que deu aos mandantes todo o direito de transmissão de uma partida, tornou-se comum falar em um cenário em que clubes invistam em seus próprios canais para transmitir os jogos em que forem mandantes. Mas é a melhor opção?

Os Estados Unidos têm o mercado de mídia mais rico e desenvolvido do planeta, sobretudo na área esportiva. E três das quatro maiores ligas -- NBA, MLB e NHL -- adotam sistema misto de direitos de TV: contratos para transmissão em rede nacional -- incluindo playoffs -- são negociados em bloco, e cada franquia pode procurar seu próprio acordo para transmissão em alcance local (o Renan do Couto fez um bom fio no Twitter explicando como funciona a questão jornalística, com conteúdo clubista).

O modelo adotado não é o do desenvolvimento de canais próprios com programação totalmente institucional. A prioridade é aproveitar ao máximo o potencial econômico das transmissões de alcance regional em TV e, por isso, o caminho foi o da criação de canais esportivos regionais. Eles firmam contratos com franquias de sua região metropolitana e têm conteúdo mais próximo dessas equipes, tanto na transmissão de jogos como na criação programas voltados a seus torcedores. 

Claro que a cobertura tem viés favorável a essas equipes, mas são canais comerciais comuns, distribuídos por operadoras de TV por assinatura e que, pensando em atrair assinantes, audiência e anunciantes (ou seja, dinheiro), procuram manter uma programação diversificada no cenário esportivo da região e nível de clubismo relativamente controlado. Até porque parte do público não é necessariamente torcedor daquele time -- seja porque acompanha um outro time que tem parceria com o mesmo canal, seja porque o canal veio junto no pacote da TV por assinatura --, mas a audiência que ele proporciona é importante. 

Apenas em situações pontuais a franquia é proprietária de uma emissora. E, mesmo nesses casos, o clube sempre tem ligação ou sociedade com alguma empresa de mídia, que é quem efetivamente opera o dia a dia do canal.

Veja abaixo como é o cenário das TVs esportivas regionais (a versão americana das “TVs de clube”). Para o artigo não ficar desnecessariamente longo, já que o objetivo é apenas dar uma noção aos leitores de como funciona esse mercado, enfoquei apenas nas ligas com transmissões locais de partidas (MLB, NBA e NHL) e nas cidades com franquias nas três. Mas muitas outras -- como Salt Lake City, Houston, San Diego, Nashville, Indianápolis, Milwaukee, Nova Orleans e Pittsburgh, por exemplo -- também têm seus canais próprios para as equipes locais. 

NOVA YORK

Na região metropolitana com mais franquias profissionais, é natural que surjam mais canais esportivos. O New York Yankees ajudou a criar o YES, canal do qual possui 26% das ações. A mesma emissora fez parceria para transmitir os jogos do Brooklyn Nets da NBA. Outro time que tem participação em seu canal também é da MLB, os Mets, donos de 65% da SNY (SportsNet New York). É também a emissora oficial dos Jets, da NFL, mas apenas para programação relacionada ao time, sem a transmissão de partidas.

Mas o canal que abraça a maior quantidade de equipes nova-iorquinas é o MSG Network. A Madison Square Garden Company é dona da emissora, do ginásio Madison Square Garden, do New York Knicks e do New York Rangers. Claro, os jogos das franquias mais populares da cidade na NBA e na NHL vão para a MSG. Mas a programação ainda conta com os direitos de New York Islanders e New Jersey Devils, monopolizando as transmissões regionais da NHL.

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LOS ANGELES

Os times de Los Angeles se dividem em quatro canais, mas representando dois grupos. A Charter é dona de 50% de duas emissoras: o Spectrum SportsNet e o Spectrum SportsNet LA. O primeiro é uma sociedade da empresa com os Lakers e o segundo com os Dodgers. Claro, as partidas dessas equipes são transmitidas nesses canais.

As demais franquias angelenas ficam com a Fox Sports, que tem dois canais na região, o Fox Sports West (Angels, Kings e Ducks) e o Prime Ticket (Clippers).

Obs.: os canais esportivos regionais de todos os EUA fizeram parte do pacote adquirido pelo grupo Disney na compra de propriedades da Fox. Posteriormente, o Cade norte-americano determinou que esses canais teriam de ser colocados à venda, e hoje eles fazem parte do grupo de comunicação Sinclair. Ainda assim, continuam utilizando o nome “Fox Sports”, mas já anunciaram que criarão uma nova marca para todos eles

CHICAGO

O mercado de TV esportiva em Chicago teve uma agitação com a criação do Marquee Sports Network, uma sociedade do Chicago Cubs com a Sinclair. O canal terá as partidas dos Ursinhos na MLB, mas ainda não teve a oportunidade de estrear suas transmissões por causa da pandemia de Covid-19.

A NBC Sports Chicago fica com as demais franquias da cidade. O canal 50% das ações com Jerry Reinsdorf, dono de Bulls e White Sox, que estabeleceu 25% da participação em cada uma das duas equipes. A emissora ainda adquiriu os direitos dos Blackhawks da NHL.

SÃO FRANCISCO / OAKLAND

A NBC controla o mercado da região, dividindo as equipes em três canais. O NBC Bay Area fica com uma parte dos jogos do San Francisco Giants. O NBC Sports Bay Area tem a outra parte dos Giants e todo o calendário regional do Golden State Warriors. O NBC Sports California transmite o Oakland Athletics e o San Jose Sharks.

BOSTON

O Fenway Sports Group, empresa que controla o Boston Red Sox e o Liverpool, tem 80% das ações da New England Sports Network, que transmite os jogos das Meias Vermelhas. O NESN ainda firmou uma parceria para ser o canal oficial dos Bruins na NHL.

O Boston Celtics tem seus jogos no NBC Sports Boston, canal que tem 20% das ações sob controle da franquia.

[]

DALLAS

Mavericks, Rangers e Stars têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Southwest. O mesmo canal ainda tem os jogos do San Antonio Spurs.

TORONTO

O esporte em Toronto recebe forte investimento de grupos de comunicação. A Rogers é dona dos Blue Jays na MLB e de parte dos Raptors na NBA e dos Maple Leafs na NHL. Nessas duas equipes, curiosamente, a sociedade é com a Bell Canada, outro grupo de comunicação.

Com isso, a Sportsnet (canal esportivo da Rogers) transmite as partidas dos Blue Jays e parte dos jogos de Raptors e Leafs. A outra parte dos compromissos das franquias de basquete e hóquei no gelo ficam na TSN, emissora controlada pela Bell Canada (e que tem a ESPN como sócia minoritária).

FILADÉLFIA

Phillies, 76ers e Flyers têm seus jogos transmitidos pela NBC Sports Philadelphia. Os Phillies são donos de 25% do canal.

FLÓRIDA

Miami e Centro da Flórida (Orlando e Tampa) são mercados diferentes, mas eles dividem entre si os canais esportivos do estado. O grupo Sinclair tem dois canais com a marca Fox Sports na região, o Fox Sports Sun e o Fox Sports Florida. O primeiro transmite os jogos de Miami Heat, Tampa Bay Lightning e Tampa Bay Rays. O segundo fica com Miami Marlins, Florida Panthers e Orlando Magic.

WASHINGTON  / BALTIMORE

Mais um mercado controlado por empresas de mídia ligadas a franquias. A Munumental Sports network é dona de Wizards e Capitals e coloca os jogos dos dois times na NBC Sports Washington, canal do qual é sócia.

O outro canal esportivo da capital norte-americana é o Mid-Atlantic Sports Network, uma sociedade entre dois times da MLB: Baltimore Orioles (75% das ações) e Washington Nationals (25%). Claro, os jogos das duas equipes são transmitidos pela MASN.

[]

DETROIT

Pistons, Tigers e Red Wings têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Detroit.

PHOENIX

Suns, Diamondbacks e Coyotes têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Arizona.

MINNEAPOLIS

Timberwolves, Twins e Wild têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports North.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como funcionam os “canais de clube” nas ligas americanas

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MLB e sindicato de jogadores precisam ter uma DR após a temporada

Ubiratan Leal
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Robert Manfred, comissário da MLB, e Tony Clark, diretor da Associação de Jogadores da MLB
Robert Manfred, comissário da MLB, e Tony Clark, diretor da Associação de Jogadores da MLB Getty Images

O retorno da Major League Baseball quase parou por causa de um impasse. A liga e o sindicato de jogadores não chegaram a um acordo sobre como deveria ser a temporada após a parada da pandemia. O cenário geral eu já tratei neste post, e o importante é que a situação não mudou muito. Cada lado apresentou suas propostas, elas se aproximam, mas nunca se encontram.

No final das contas, vai ter temporada. E, como disse nesse outro post, isso não é exatamente uma boa notícia. Afinal, apesar de termos jogos para ver, a discussão chegou a um patamar em que o foco já não estava mais nos jogadores e nos donos de clubes, mas em seus representantes na mesa de negociação. No caso, Rob Manfred pela MLB e Tony Clark pelo sindicato.

A inabilidade de ambos em fabricarem um acordo, mesmo quando as duas partes já apresentavam propostas parecidas, deixou em muita gente a sensação de que houve falta de liderança. Manfred não conseguiu convencer os donos de franquias que a insistência dos jogadores era válida a ponto de ser justo ceder um pouco mais. E Clark cometeu a mesma falha no sentido contrário.

No final das contas, boa parte do público ficou com a imagem de que Manfred não foi um negociador, apenas um passador de recado dos donos. E de que Clark quis jogar duro para mostrar serviço, já que ele havia sido muito criticado por fazer muitas concessões à liga no último acordo trabalhista.

A questão principal é que esse documento está em vigor apenas até o final de 2021. A temporada atual é a prioridade com seus desafios particulares, como realizar os jogos com diversos protocolos sanitários e desafios logísticos no meio da segunda onda da pandemia, mas as conversas para a renovação do acordo precisam começar dentro do possível.

Manfred e Clark estão com imagem fragilizada, e podem usar essa negociação para recuperar prestígio. Mas que taminho tomarão? Radicalizarão suas posições para mostrar força diante de seus chefes ou tomarão uma postura realmente conciliatória para encontrar consensos? 

Para o beisebol, a segunda opção é a ideal. E, para ela ser possível, ambos precisam retomar o contato, nem que seja para avaliar o que deu errado na jornada de negociações da pandemia e evitar que isso se repita. Às vezes não custa nada discutir o relacionamento.

Fonte: Ubiratan Leal

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MLB e sindicato de jogadores precisam ter uma DR após a temporada

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Estadual sem volta, torneio entre os grandes, perspectivas para o Brasileiro: o futebol goiano pós-pandemia

Ubiratan Leal
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Nada de continuar o campeonato estadual. Os pequenos ficaram sem elenco e estão sem condições de remontar o time para o que faltava da competição. A tendência é criar um torneio amistoso que envolvam os times grandes da capital para servir de preparação ao Brasileiro. Mas como esses grandes estão se preparando? Quais as perspectivas de Goiás, Atlético-GO e Vila Nova para as Séries A e C no segundo semestre?

Para discutir o futebol de Goiás, convidamos o jornalista João Paulo di Medeiros, repórter do jornal O Popular e um dos criadores do projeto Futebol de Goyaz, que resgata a história do futebol goiano. Ele falou sobre os planos para o retorno do futebol pós-pandemia, e até emendar o estadual de 2020 com o de 2021, como o Goiás trabalha para a estabilidade fora de campo se refletir em um projeto mais sólido dentro dele, a recuperação do Atlético-GO a partir de seu novo estádio e o Vila buscando reforços para a Série C no time-surpresa do Goiano deste ano.

A conversa completa está no YouTube da ESPN. O vídeo foi gravado na última quarta (24), antes da confirmação de Vagner Mancini como técnico do Atlético-GO.

Fonte: Ubiratan Leal

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Estadual sem volta, torneio entre os grandes, perspectivas para o Brasileiro: o futebol goiano pós-pandemia

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A MLB vai voltar! Mas entenda por que isso não é necessariamente uma boa notícia

Ubiratan Leal
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Quando astro da MLB esqueceu do jogo, trocou socos e enlouqueceu Rômulo com porradaria generalizada

“Os clubes da MLB votaram unanimemente a proceder com a temporada de 2020 sob os termos do acordo de 26 de março. (...) Estamos requisitando a Associação de Jogadores da MLB a nos informar até às 17h desta terça duas questões. A primeira é se os jogadores conseguirão se apresentar em sete dias (1º de julho). A segunda é se a Associação dos Jogadores concorda com o Manual de Procedimentos que contém os protocolos de saúde e segurança necessários para nos dar a melhor oportunidade de conduzir e completar a temporada regular e os playoffs.”


O trecho acima foi o mais importante e esperado do comunicado emitido pela Major League Baseball na noite desta segunda. Ele oficializa que, salvo algum imprevisto -- uma forte segunda onda da Covid (possibilidade razoável) ou um boicote coletivo dos jogadores (possível em casos isolados, um pouco mais difícil de forma coletiva) --, a temporada de 2020 será realizada. A data de início ainda não foi confirmada, mas deve ser no meio de julho, após duas semanas de uma pré-temporada relâmpago.

Boa notícia, certo? Errrrrrr… mais ou menos.

O lado bom é o óbvio: vai ter beisebol. A temporada acontece, o torcedor terá partidas para ver, muitos trabalhadores que dependem financeiramente da liga também recuperarão seu ganha-pão e ainda dará tempo de a MLB retornar antes da NBA e da NHL, tendo um período saboreando a audiência proporcionada por ser única grande liga em atividade nos Estados Unidos. A parte cheia do copo é importante e não pode ser ignorada. Se você está feliz ou aliviado com a notícia, pode comemorar. Há motivos para isso. Mas não se esqueça que o copo também está meio vazio.

Quando a MLB escreve “sob os termos do acordo de 26 de março”, ela se refere ao documento em que os jogadores aceitavam a redução da temporada que a liga propusesse, desde que se comprometesse a pagar os salários proporcionais à quantidade de jogos que fossem programados. A liga também assinou e se comprometeu a fazer isso, mas depois mudou de ideia e tentou impor descontos extras no pagamento aos atletas se a temporada fosse muito longa (ou seja, se os salários fossem perto dos integrais para o ano).

Para saber mais do acordo de 26 de março, escrevi isso na época. E eu achava que era sinal de melhoria nas relações trabalhistas no beisebol...

Por isso, os dois lados ficaram um mês trocando propostas, buscando um meio-termo em que os jogadores fariam uma grande quantidade de jogos -- ou seja, receberiam uma proporção alta do salário -- e os donos não achassem que teriam muito prejuízo pagando essas proporções altas de salário. Os dois lados não chegaram a um acordo, ainda que as propostas finais fossem muito próximas: 60 jogos para a liga, 72 para os jogadores.

Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado
Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado ESPN


LEIA MAIS: Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Sem novo acordo, a liga decidiu impor unilateralmente o seu calendário. Provavelmente terá 60 jogos. Muitos dos benefícios que foram oferecidos nas propostas, como a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e expansão temporária dos playoffs, devem ser perdidos.

O fato de a temporada acontecer sob imposição da liga, com termos que desagradam os jogadores, é péssimo. Em curto prazo, há a possibilidade de alguns jogadores alegarem preocupação com a saúde e pedirem dispensa da temporada. Em médio prazo, o sindicato deve fazer jogo duro e dificultar qualquer conversa por um novo acordo para 2021, caso ainda não haja vacina e as autoridades não recomendem partida com público. Em longo prazo, vai azedar de vez as negociações pela renovação do acordo trabalhista. O atual tem validade até o final do ano que vem.

Ou seja, o efeito imediato da decisão da MLB é positivo, temos beisebol de volta. Mas a forma como foi feito pode abrir caminho para um futuro preocupante. Então, já se prepare para ler notícias falando em greve de jogadores ou locaute dos donos de times. Entre 2021 e 2022, é bem possível que se fale nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB vai voltar! Mas entenda por que isso não é necessariamente uma boa notícia

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O peso dos gestos antirracistas da Nascar

Ubiratan Leal
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Bandeira confederada dos EUA
Bandeira confederada dos EUA Getty Images

“Essa é a maior vergonha da Nascar. Isso tem de acabar, mas ainda tem muito por aqui.” 

Tom Dannemiller foi seco e direto nas palavras, mas seu tom também indicava uma mistura de decepção com falta de esperança. Passávamos diante de uma das centenas de acampamentos de torcedores da Nascar, com trailers e churrasqueiras reunindo famílias de fanáticos, que demonstram sua torcida com grandes mastros decorados com várias bandeiras, uma acima da outra. No caso, a mais alta era de Tony Stewart. Logo abaixo, da Chevrolet, carro utilizado pelo piloto. E mais abaixo o alvo do ataque de Dannemiller: a Bandeira de Batalha do Exército do Norte da Virgínia, mais conhecida como “Bandeira Confederada”.

O pavilhão representa o exército derrotado na Guerra Civil Americana (1861-1865), um lado que tinha como principal causa defender a manutenção da escravidão nos Estados Unidos. E o fato de ser exibido por décadas, quase sem restrições, no Sul dos EUA reforçou a bandeira como um símbolo racista. Para Dannemiller, americano de Cleveland e empresário do piloto brasileiro Nelsinho Piquet durante sua passagem pelo automobilismo norte-americano, a naturalidade com que se via símbolos dos confederados em autódromos da Nascar era danoso à categoria.

Isso foi em maio de 2011. Desde então, a Nascar deu alguns passos para mudar essa imagem. Houve determinações para inibir a exibição da bandeira confederada nos autódromos, mas isso não impediu que torcedores levassem as suas e as expusessem nos acampamentos ao redor dos autódromos. O programa Drive for Diversity, que visa incentivar o desenvolvimento de pilotos pertencentes a minorias étnicas, começou a dar resultado e levou o nipo-americano Kyle Larson, o afro-americano Darrell “Bubba” Wallace Jr e o mexicano Daniel Suárez à Cup Series, a primeira divisão da categoria.

Bubba Wallace, piloto da Nascar
Bubba Wallace, piloto da Nascar Getty Images

Mas a virada real parece ter vindo neste ano. Em abril, o próprio Larson foi flagrado usando um termo racista em uma conversa durante uma corrida virtual. Ele foi suspenso pela Nascar, dispensado pela equipe Chip Ganassi e ainda perdeu seus patrocinadores. Com o crescimento de manifestações após a morte de George Floyd em Mineápolis, a categoria foi ainda mais agressiva.

Liderados por Bubba Wallace, que ganhou força como líder dos negros dentro do automobilismo americano, e de Dale Earnhardt Jr, um dos pilotos mais populares do país neste século e que, após sua aposentadoria, se tornou uma das vozes mais influentes do automobilismo americano. Bubba ganhou cada vez mais espaço para expor ao público da Nascar qual a realidade dos afro-americanos, com Dale Jr servindo como uma espécie de escudo para eventuais críticos.

Em 6 de junho, véspera da prova de Atlanta, vários pilotos publicaram nas redes sociais um vídeo em que todos se posicionam contra o racismo e a favor do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). A iniciativa foi de Jimmie Johnson, maior campeão da história da Nascar ao lado de Dale Earnhardt (pai de Dale Jr) e Richard Petty. Antes da corrida em si, no dia seguinte, foi feito um estrondoso minuto de silêncio, em que os pilotos interromperam as voltas de aquecimento para parar os carros e desligar os motores enquanto um mecânico da equipe de Bubba exibia uma camiseta do movimento Black Lives Matter. Em seguida o único piloto negro da Nascar pediu o banimento definitivo da bandeira confederada de eventos da categoria. Nesta quarta, seu desejo foi atendido.

Todas as ligas esportivas americanas demonstraram apoio às mobilizações antirracistas. Mas provavelmente em nenhuma delas isso tem simbolismo maior do que na Nascar. Uma categoria que tem sua base mais fiel de torcedores formada por brancos do interior do sul dos Estados Unidos, onde casos de racismos são mais comuns e há mais tolerância (ou mesmo defesa) de símbolos e figuras do exército confederado, basicamente membros de famílias escravagistas.

É bom ver a maior categoria do automobilismo americano não ter de lidar mais com essa vergonha. E que, como imaginava Dannemiller, que esse novo momento ajude a torná-la mais popular e diversa nas pistas e nos acampamentos que invadem cada circuito em dia de corrida.

Fonte: Ubiratan Leal

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O peso dos gestos antirracistas da Nascar

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Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Ubiratan Leal
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Francisco Lindor está em seu último ano de contrato com o Cleveland Indians
Francisco Lindor está em seu último ano de contrato com o Cleveland Indians GettyImages

A NBA já anunciou seu plano de retorno da pandemia, a NHL também e a NFL já estabeleceu como será a pré-temporada e a temporada em si. E, bem, MLB também, mas há uma diferença: jogadores rejeitaram a proposta e ainda não se sabe como será essa volta. O impasse entre o que querem os donos de franquias e o que querem os jogadores é tamanho que há quem acredite que nem tenhamos temporada do beisebol em 2020.

Mas o que torna a situação da Major League Baseball tão complicada na comparação direta com as ligas de basquete e hóquei no gelo? Há diversas razões (um articulista da ESPN americana chegou a elencar nove motivos), mas três se destacam como as principais.

Obs.: para entender como está o panorama geral das diferentes ligas, basta ver meu post anterior neste blog.

1) Impacto no calendário

A pandemia estourou em março nos Estados Unidos. Foi quando as ligas pararam suas atividades: a NBA e a NHL na reta final da temporada regular, a MLB no meio da pré-temporada. O momento foi particularmente ruim para o beisebol em relação aos demais esportes.

A NBA e a NHL foram bastante afetadas, mas cerca de 80% da temporada regular já tinha acontecido. O plano de retorno precisa apenas contemplar um pouco de temporada e um esquema especial de playoffs. É mais fácil negociar uma solução radical como isolar os times em “bolhas”, por exemplo, uma solução mais barata do ponto de vista operacional, mas que sacrifica mais os jogadores pelo distanciamento de suas famílias. 

Donovan Mitchell e Rudy Gobert no EUA x França no Mundial de basquete. São companheiros no Utah Jazz e deram positivo para Covid-19
Donovan Mitchell e Rudy Gobert no EUA x França no Mundial de basquete. São companheiros no Utah Jazz e deram positivo para Covid-19 FIBA

Mas o maior benefício de já ter a temporada em estágio avançado é o faturamento em venda de ingressos e de produtos nos dias de jogos. Ainda que ter portões fechados na reta final do campeonato represente uma perda grande, as franquias já garantiram centenas de milhões de dólares previstos para esse ano em “matchday” (termo comum na gestão esportiva que engloba as receitas em dias de jogos, com ingresso, venda de alimentos, venda de produtos licenciados, estacionamento etc). É mais fácil absorver a perda.

No beisebol, o cenário é bem pior. Os únicos jogos com públicos foram de pré-temporada, irrelevantes no total do orçamento das equipes. A temporada inteira terá de ser jogada sem público nos estádios, o que deixará os times muito mais longe da meta de faturamento para o ano. Justamente por isso, o grande atrito entre sindicato de jogadores e liga é em como calcular o dinheiro que será pago aos atletas.

A NFL também terá a temporada toda em portões fechados. Mas...

2) Importância da bilheteria

...no futebol americano, o público nos estádios tem uma importância muito menor no faturamento das franquias. Aliás, a Major League é a grandes ligas americanas que tem nos dias de jogos a maior fatia da receita total: 40%.

A MLB tem média de público em torno de 29 mil, dez mil a mais que NBA e NHL e com o dobro de jogos na temporada regular. A NFL tem mais que o dobro, mas só conta com um décimo das partidas. Ou seja, a liga de beisebol lidera o esporte americano (aliás, o esporte mundial, porque vence também qualquer campeonato do planeta) em ingressos vendidos. Além disso, a modalidade é intrinsecamente ligada ao consumo de tudo quanto é coisa nos estádios. A ponto de a Sports Illustrated já ter feito uma reportagem sobre o impacto do adiamento do beisebol na indústria de salsichas e amendoim nos Estados Unidos.

Tradição: os Dodgers venderam 2,7 milhões de cachorros quentes só no ano passado
Tradição: os Dodgers venderam 2,7 milhões de cachorros quentes só no ano passado Getty

Por isso, realizar uma temporada inteira de portões fechados tem um impacto grande para qualquer competição de alto nível, mas é especialmente grave na MLB. O que motivou um certo pânico dos donos de franquias, que temem ter prejuízo se a temporada foi muito longa e se os salários dos jogadores...

3) Relação trabalhista

...for pago dentro do que eles próprios haviam combinado em março. Na época, a liga e o sindicato fecharam um acordo que os atletas receberiam seus salários em uma proporção direta à quantidade de partidas da temporada. Se a temporada tiver 81 jogos (metade dos 162 previstos), os salários seriam de 50% do previsto em contrato. Se fossem 40 partidas (praticamente um quarto dos 162), ficaria em cerca de 25% do previsto. E assim por diante.

No entanto, os donos de franquias perceberam depois que o faturamento deles não será a metade do esperado se a temporada tiver metade dos jogos, porque essa conta ignorava o fato de que não haverá receita em “matchday”. Assim, tentaram refazer o acordo com os atletas, prevendo cortes que fariam alguns jogadores receberam apenas um sétimo do salário integral se a temporada fosse cortada pela metade.

Claro, os jogadores não aceitaram. Já houve contraproposta, e contracontraproposta, e há uma esperança que elas se aproximem até que se encontre um acordo. No entanto, o acordo que rege as relações trabalhistas da MLB vence no final de 2021, e as negociações para sua renovação já vinham quentes desde 2019. Isso faz da negociação pontual da pandemia uma prévia da discussão sobre o acordo trabalhista, aumentando a intransigência dos dois lados.

Nas demais ligas, isso não é um problema tão grande. Na NBA, a relação entre o sindicato e a liga é muito mais amistosa. Na NHL, o acordo trabalhista atual dura até 2022, a negociação para sua renovação está mais distante. Na NFL, a associação de atletas tem muito menos poder de barganha diante dos donos. E, como regra geral para as três, há teto salarial, que tem como um dos elementos de cálculo o faturamento da liga. Ou seja, se os clubes faturarem menos que o esperado por causa da ausência de torcida, o teto salarial é imediatamente recalculado. Tudo isso já estabelecido no papel.

O beisebol não tem teto salarial, então a negociação é mais livre. E, também por ser mais livre, cada cenário excepcional exige uma nova negociação. Talvez até se encontrem termos melhores que o cálculo automático das outras ligas, mas também aumenta o risco de não haver acordo algum. É o que estamos vendo agora.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

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Em que situação estão as principais ligas americanas para a retomada das atividades

Ubiratan Leal
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LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA
LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA Getty

Os Estados Unidos são, com muita folga, o país mais atingido pela pandemia de Covid-19. No entanto, os números de novos casos e de mortes já começam a cair, sinais de que o pico já está passando. As ligas esportivas foram no embalo e aceleraram as discussões para retomar as atividades, encerrando a temporada (NBA e NHL) ou iniciando uma (MLB). 

Veja abaixo em que patamar está cada uma para o retorno:

NBA

A maior parte das franquias já teve liberação dos governos de seus estados para voltar a treinar. Ainda é uma atividade parcial, com pequenos grupos e distanciamento, mas a retomada definitiva seria mais rápida. É possível que no começo de julho já tenhamos partidas oficiais da maior liga de basquete do planeta.

Está cada vez mais consolidado o modelo de segurança sanitária que a NBA utilizará: os jogadores ficarão confinados em uma ou duas cidades em que poderiam ficar hospedados, treinar e jogar em ambientes controlados e de poucos deslocamentos. O local que surge com mais força nas discussões é o complexo da Disney World em Orlando, que conta com milhares de quartos em hoteis e ainda tem as arenas e instalações de treino no ESPN Wide World of Sports. Caso uma segunda localidade seja necessária (de preferência mais a Oeste), Las Vegas larga na frente pela capacidade de abrigar todos os times e até parte das atividades esportivas dentro de um mesmo hotel. Como falta pouco para encerrar a temporada, cerca de dois meses, os jogadores parecem dispostos a se sujeitar ao distanciamento de suas próprias famílias.

ESPN Wide World of Sports, em Orlando
ESPN Wide World of Sports, em Orlando Gustavo Hofman

O que ainda se discute muito é dentro de quadra: qual a fórmula para acabar o campeonato. Retomar a temporada de onde parou soa impraticável. Ainda faltavam entre 16 e 19 jogos para as equipes e levaria mais de um mês só para isso, mesmo se o calendário for sobrecarregado. Uma possibilidade é jogar apenas o suficiente para que todos os times terminem a temporada regular com o mesmo número de jogos. Outro caminho seria simplesmente decretar o final da temporada regular e ir direto aos playoffs.

Mas como terminar agora se ainda tinha time com chance de conquistar uma vaga no mata-mata? Justamente por isso, ganham forças os sistemas de disputa que coloquem 20 times na fase decisiva, dez por conferência. Desse modo, quem ainda tem chance seria contemplado. E essa fase decisiva poderia até ter uma etapa em grupos antes de definir as quartas de final (ou semifinais de conferência). Também se fala em misturar as conferências excepcionalmente, misturando todas as equipes.

MLB

O plano da MLB é reiniciar a pré-temporada no início de junho e abrir a temporada regular no primeiro fim de semana de julho, coincidindo com o feriado de 4 de julho (Dia da Independência dos EUA). Aliás, não é só isso que está definido: todo o campeonato já está desenhado. Os times jogariam em seus próprios estádios (sem torcida, claro), permitindo aos jogadores ficarem em casa, com seus familiares. A tabela marcaria apenas confrontos dentro da própria divisão ou com adversários da divisão equivalente da outra liga (leste x leste, central x central, oeste x oeste) para reduzir o desgaste, tempo e riscos de longas viagens. Seriam 82 partidas na temporada regular e os playoffs seriam ampliados para 14 times, sete da Liga Nacional e sete da Americana. A temporada seria encerrada em outubro, como já ocorre normalmente, porque a liga quer evitar uma decisão em novembro, quando poderia haver uma segunda onda da pandemia de acordo com as autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Então está tudo pronto, é só jogar, certo? Errado. Em março, no início da quarentena, a liga entrou em acordo com o sindicato de jogadores e ficou combinado que os atletas receberiam os salários proporcionais ao número de partidas que fossem realizadas. Por exemplo, o sistema proposto tem 82 jogos, 50,6% dos 162 disputados normalmente. Assim, os jogadores receberiam 50,6% do salário.

Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time
Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time Getty Images

A rapidez com que saiu esse acordo foi saudada como sinal de melhoria na relação entre liga e sindicato. No entanto, os donos das franquias (que são os controladores da liga) perceberam que a conta era ruim para eles. Afinal, reduzir metade da temporada 2020 não significa que o faturamento será a metade, pois todo o dinheiro que entra em bilheteria e consumo nos estádios seria zerado. Resultado: os clubes decidiram propor um novo acordo, dividindo o faturamento da MLB deste ano em 50-50, com metade dele indo para o pagamento de salários e a outra metade para lucros e outras despesas.

O modelo representa uma enorme redução nos salários dos jogadores, que não detestaram essa parte do plano apresentado pela liga. As negociações estão em andamento, mas o clima entre as partes azedou na última terça, quando a proposta financeira da MLB foi oficialmente apresentada. Há quem tema um cancelamento total da temporada por falta de acordo, o que torna a contraproposta do sindicato tão importante. Ela pode dar o tom que a negociação tomará nas próximas semanas.

NHL

Das três principais ligas que pararam para a pandemia, é a que está mais atrasada no planejamento do retorno. Na última terça, a NHL apresentou o plano oficial para retomada da temporada. Os times se apresentariam para treinos restritos já em junho, mas treinos com toda a equipe só em julho. Não foi apontada uma data para o primeiro jogo oficial, mas talvez ficasse para a segunda quinzena de julho ou mesmo para agosto.

O principal problema da NHL é logístico. No hóquei no gelo, a presença canadense é muito grande, tanto na quantidade de franquias quanto na de jogadores. Por isso, todo o esquema para finalizar a temporada teria de considerar as restrições de trânsito entre Canadá e Estados Unidos, incluindo quarentena de alguns dias para quem atravessar a fronteira. Além disso, cerca de 15% dos atletas da liga estão na Europa neste momento, e também só poderiam treinar após cumprir quarentena quando fossem para a América do Norte.

O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators
O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators Getty

A vantagem da NHL em relação a NBA e MLB é ter a fórmula de disputa já definido. Para contemplar os times que estavam fora da zona de classificação para os playoffs, mas ainda brigavam por uma vaga, a liga decidiu aumentar o mata-mata de 16 para 24 equipes. Em cada conferência, os quatro primeiros estariam classificados antecipadamente para a primeira fase. Eles enfrentariam as equipes que passassem pela fase preliminar, composta por confrontos eliminatórios entre os times de 5º a 12º lugar.

NFL e NCAA

O futebol americano profissional e universitário, além do basquete universitário, trabalham com a ideia de que realizarão suas temporadas normalmente. A única diferença é que os estádios terão portões fechados, ainda que haja dirigentes da NFL sonhando com a possibilidade de ter torcida na reta final da temporada regular ou nos playoffs.

No caso do esporte universário, uma grande baixa foi o cancelamento da temporada em várias modalidades menos midiáticas (vôlei, ginástica artística, futebol, rugby, atletismo...) em algumas conferências.

Fonte: Ubiratan Leal

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The Last Dance: um debate com um dos maiores especialistas em Michael Jordan do Brasil

Ubiratan Leal
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O documentário "Arremesso Final" (que no Brasil ficou mais conhecido pelo seu nome original, "The Last Dance") foi o principal atrativo para o amante de esportes americanos nessas semanas de quarentena devido à pandemia. Sem competições acontecendo, a série co-produzida pela ESPN americana animou os últimos cinco domingos, com o lançamento de dois episódios inéditos de uma hora cada mostrando os bastidores da última campanha de Michael Jordan com o Chicago Bulls.

Michael Jordan faz a cesta do título em seu último jogo pelos Bulls
Michael Jordan faz a cesta do título em seu último jogo pelos Bulls Reprodução TV

A produção aproveitou imagens inéditas gravadas na época, com acesso raro a vestiários e corredores fechados à mídia, e um grande trabalho de pesquisa, produção e reportagem. Michael Jordan é a grande estrela, mas os episódios também mostram o papel de figuras importantes como o técnico Phil Jackson, o gerente geral Jerry Krause e jogadores como Scottie Pippen, Dennis Rodman, Steve Kerr e Toni Kukoc, entre outros.

Para discutir a série, gravei uma conversa em vídeo com Társis Marim, um dos maiores conhecedores de Michael Jordan do Brasil. Confira.


VEJA TAMBÉM

Vários documentários da série 30 por 30 da ESPN contam histórias ou personagens mencionados na série "Arremesso Final", em alguns casos até com mais detalhes. Estão disponíveis no WatchESPN e podem trombar com você na programação regular dos canais ESPN. Veja abaixo:

"Sole Man", sobre Sonny Vaccaro, o executivo da Nike responsável por levar Michael Jordan à empresa
"Jordan Rides the Bus", sobre a passagem de Michael Jordan pelo beisebol
"Once Brothers", conta a história da divisão da Iugoslávia sob o ponto de vista do basquete (o enfoque é maior em Drazen Petrovic e Vlade Divac)
"Bad Boys", apresenta o Detroit Pistons bicampeão da NBA imediatamente antes do início da dinastia dos Bulls
"This Magic Moment", mostra o grande time montado pelo Orlando Magic no meio dos anos 90
"Rodman: For Better or Worse", conta a trajetória de Dennis Rodman

Fonte: Ubiratan Leal

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