NBA olha para a China novamente, agora atrás de uma solução ao calendário

Ubiratan Leal
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Jimmer Fredette, durante o All-Star Game da liga chinesa
Jimmer Fredette, durante o All-Star Game da liga chinesa Getty

O crescimento incessante da economia chinesa atraiu a NBA há muito tempo. A liga norte-americana de basquete realiza diversas ações na China para abocanhar alguns milhões de dólares da maior população do mundo. Mas, em momentos de crise pela pandemia de Covid-19, o que mais leva os olhares dos dirigentes americanos ao Extremo Oriente não é o dinheiro, e sim as opções para a retomada das atividades pós-quarentena e como terminar um campeonato em andamento.

Como país de origem do novo coronavírus, a China também foi o primeiro a sentir seus efeitos, o primeiro a decretar o fechamento do país e o primeiro a ver o recuo nos números de novos infectados e de mortos. Por isso, provavelmente será o primeiro entre as maiores economias do mundo a voltar à vida cotidiana, mesmo que o processo seja gradual. O que inclui a realização de eventos esportivos.

A NBA entrou em contato com a CBA (Chinese Basketball Association, a liga chinesa de basquete) para saber quais seus planos para a retomada da temporada. O basquete chinês está parado desde 24 de janeiro e ainda não anunciou quando e como será reiniciado. Mas a sinalização dada aos americanos é de um plano de colocar a liga toda em uma bolha. A informação foi publicada pelo repórter Brian Windhorst da ESPN americana.

A ideia seria colocar todos os 20 times da CBA em uma ou duas cidades, as candidatas principais seriam Dongguan e Qingdao, pouco afetadas pela Covid-19. Todas as delegações ficariam isoladas em um hotel. Lá eles não teriam contato com ninguém de fora e seriam submetidos a constante acompanhamento médio. Só sairiam da concentração para ir ao ginásio, onde disputariam as partidas contra adversários que estão no mesmo regime de isolamento. Todas as instalações estariam desinfectadas e os profissionais envolvidos na operação também estariam na bolha. E, claro, os eventos seriam com portões fechados a torcedores.

No cenário ideal, essa medida seria implementada para o resto da temporada regular. Nos playoffs, já seria possível os times voltarem a suas cidades e jogar com torcedores nas arquibancadas.

Esse tipo de regime vem sendo adotado no Japão e na Coreia do Sul. No Japão, a J-League (futebol) e a NPB (beisebol) estão suspensas, mas as equipes estão de quarentena em hotéis e saem para treinar ou disputar jogos-treino. O brasileiro Thyago Vieira, arremessador do Yomiuri Giants, me confirmou que os clubes da NPB até liberaram os jogadores a ficarem com a família na concentração, desde que as esposas e os filhos também se submetessem ao isolamento do resto do mundo.

A NBA já considera uma solução dessas. Entre outras opções, como reduzir o que resta da temporada ou reduzir as férias, a liga estuda a viabilidade de concentrar todas as equipes em uma cidade ou duas cidades -- que nem precisariam ter uma franquia -- e realizar jogos sem torcida. A bolha seria feita preferencialmente no Meio-Oeste, região com menos casos de covid-19 até agora, e poderia usar a infraestrutura de alguma universidade ou menos algum hotel de Las Vegas que tenha ginásio (assim, todos os times poderiam ficar no mesmo prédio).

A diferença da NBA para a CBA é que, na China, o governo pode impor uma ideia e todos teriam de aceitá-la. Nos Estados Unidos, seria preciso negociar com jogadores, e certamente haveria resistência a uma solução que afastasse os atletas de suas famílias por várias semanas. A Premier League também estuda solução semelhante à chinesa para concluir sua temporada e também teria o mesmo obstáculo.

Ainda não dá para dizer que a NBA realmente fará isso. Mas vale ficar de olho ao que acontece na China, pois medidas que funcionem lá podem ser replicadas nos demais países quando a pandemia der uma trégua. Isso vale principalmente para a retomada da vida normal e da economia. Mas também para o reinício das competições esportivas.

Fonte: Ubiratan Leal

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[Semana MLB] Qual a real condição de Fernando Tatís Jr?

Ubiratan Leal
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Tatís (de óculos na foto) celebra home run dos Padres na campanha de 2020
Tatís (de óculos na foto) celebra home run dos Padres na campanha de 2020 Getty Images


O San Diego Padres sabe o que Fernando Tatís Jr pode representar na história da franquia. Tanto que duas temporadas completas bastaram para a diretoria oferecer um contrato de US$ 340 milhões para ter o shortstop no elenco pelos próximos 14 anos. Por isso, quando o jogador caiu com uma lesão no ombro esquerdo após um violento swing no vazio, todo torcedor dos Padres sentiu quase como se fosse nele as dores.

O lance ocorreu durante a partida contra o San Francisco Giants na última segunda (5). Naquela noite o departamento médico dos Padres já falava em subluxação no ombro, mas a previsão de tratamento e retorno ficaria para após um exame mais detalhado. No dia seguinte saiu o resultado: a subluxação estava confirmada, mas seria mais leve que o imaginado inicialmente e o San Diego tentaria a recuperação sem cirurgia, anunciando que poderia voltar em até dez dias em um cenário otimista.

Alívio da torcida, mas a história despertou desconfiança. A ortopedista Stephania Bell participou do podcast Baseball Tonight, da ESPN americana, e disse que o tipo e tempo de tratamento informados pelos Padres não são os mais comuns para uma lesão como a de Tatís (clique aqui para ouvir, a partir dos 26:00 do episódio de 8 de abril). E que ela, apesar de reconhecer que não teve acesso aos resultados dos exames, acharia mais prudente um tratamento sem pressa, ainda mais considerando o compromisso financeiro entre o clube e o atleta.

Para entender um pouco o que se trata a lesão, a fisioterapeuta especializada em ortopedia e trauma Nágela Freitas, brasileira que está participando em estudo da Universidade do Texas sobre lesões na NFL, fez uma ótima (e didática) postagem em seu Instagram explicando o caso. E por que tanta gente tem desconfiado da informação inicial divulgada pelos Padres.

Personagem

Akil Baddoo estreou na MLB no último domingo (4), na partida contra o Cleveland Indians. Logo no primeiro arremesso que viu na carreira, o defensor externo do Detroit Tigers rebateu um home run. No dia seguinte, contra o Minnesota Twins, fez sua segunda partida na liga. Baddoo rebateu um grand slam. Na terça, conseguiu uma rebatida simples na nona entrada, impulsionando a corrida da vitória dos Tigers sobre os Twins. Eis um sujeito que chegou à MLB fazendo barulho.

O que vem por aí

Chicago Cubs e Milwaukee Brewers são equipes com pretensão de brigar por um lugar nos playoffs, mas (ao menos por enquanto) seus confrontos não estarão entre os que chamarão mais a atenção do torcedor em geral. Por isso, vale o aviso para o confronto da próxima terça (13). Os abridores previstos serão Kyle Hendricks e Brandon Woodruff. Os dois já se encontraram na última quarta (7) e foi o melhor duelo de arremessadores deste começo de temporada. Hendricks cedeu apenas 4 corridas em seis entradas pelos Cubs, enquanto Woodruff foi ainda melhor: no-hitter até a sétima entrada. Os dois juntos tiveram 13 entradas, 5 rebatidas e nenhuma corrida. Os bullpens não mantiveram a eficiência e cederam 6 corridas na vitória dos Brewers por 4 a 2.

E, no próximo Sunday Night...

Todos os jogos da Liga Nacional Leste valem a pena conferir. É a divisão mais equilibrada da MLB, em que até o time mais fraco --- o Miami Marlins -- pode aspirar uma vaga nos playoffs (final, conseguiu isso em 2020). Por isso, toda partida ganha ar de confronto direto pela classificação, mesmo nas primeiras semanas da longa temporada regular. Neste domingo, Philadelphia Phillies e Atlanta Braves se enfrentarão em Atlanta. Os Phillies tentarão manter o embalo de vitórias nas duas séries que fez até agora, enquanto que os Braves precisam desfazer o prejuízo deixado pela varrida sofrida contra esse mesmo tíme da Filadélfia na série que abriu a temporada de ambos.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 9/abr
20h: Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN App)

Domingo, 11/abr
20h: Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN 2)

Segunda, 12/abr
20h30: Chicago Cubs x Milwaukee Brewers (ESPN 2)

Terça, 13/abr
20h: Philadelphia Phillies x New York Mets (ESPN 2)
23h: Cincinnati Reds x San Francisco Giants (ESPN 2)

Quarta, 14/abr
21h: Cleveland Indians x Chicago White Sox (ESPN 2)

Fonte: Ubiratan Leal

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Os Rangers jogaram com estádio lotado, mas vamos com calma

Ubiratan Leal
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Estamos há mais de ano vendo nossos esportes preferidos com estádios vazios. Ou completamente vazios, ou com limitação de 10 ou 30%. Só em imagens vindas da Austrália e da Nova Zelândia que era possível ver cenas recentes de multidões lotando as arquibancadas. Até esta segunda, quando o Texas Rangers fez seu primeiro jogo da temporada da Major League Baseball com os 40 mil assentos ocupados. Sinal de que tudo já está perto do normal por lá? Vamos com calma.

A decisão do Texas Rangers de abrir todo seu estádio -- localizado em Arlington, região metropolitana de Dallas -- para a partida desta segunda contra o Toronto Blue Jays foi motivo de muita polêmica. A base para a medida foi a liberação do governo do Texas para diversas atividades econômicas, o que acabou incluindo esportes realizados em estádios abertos. 

Na MLB, Texas Rangers recebe Toronto Blue Jays com estádio lotado com 40 mil pessoas; veja imagens

De fato, os números da Covid nos Estados Unidos têm caído rapidamente com o avanço da vacinação. Ainda assim, os texanos ainda estão atrasados em relação à média do país. Considerando os 59 estados ou territórios americanos, o Texas é o 48º em percentual da população que tomou ao menos a primeira dose da vacina, com 28%. Os números da doença caem bastante no estado, mas houve um pico de 243 mortes na última quinta, dia de abertura da temporada da MLB.

Além da liberação do público total, também surpreende o fato de não haver nenhuma grande exigência para evitar que a partida seja um vetor de transmissão maior. Não houve restrição de acesso apenas a pessoas com vacinação comprovada por exemplo. Qualquer um poderia comprar ingresso e entrar. As únicas regras foram de usar a máscara o tempo todo (salvo quando estivesse ativamente comendo ou bebendo algo) e respeitar indicações de distanciamento e contato. Por isso, o próprio presidente Joe Biden disse, em entrevista à ESPN americana, que discordava da atitude: "Acho que é um erro. Eles deveriam ouvir o Dr. Anthony Fauci, os cientistas e os especialistas. Mas acho que é irresponsável".

Texas Rangers x Toronto Blue Jays
Texas Rangers x Toronto Blue Jays Getty Images

Não à toa, os times do Texas não abraçaram completamente a ideia de abrir todo seu estádio. O Houston Astros até podia lotar o MinuteMaid Park, mas decidiu por conta própria limitar a 50% a lotação. E até os Rangers, que atuaram com lotação máxima, haviam anunciado que isso valeria apenas para o primeiro jogo. A partir da segunda partida, haveria liberação de apenas 50% da capacidade e medidas para que os torcedores ficassem com distanciamento nas arquibancadas. Nesta semana, o clube voltou atrás e seguirá com 100% de capacidade liberada, mas a própria diretoria não imagina que o interesse da torcida seja alto a ponto de o público pagante se aproximar da lotação máxima.

Na MLB como um todo, os estádios já estão com liberação de público. Ela varia de acordo com o time e com o estado, mas ficam entre 15 e 50%, com a maioria entre 20 e 30%. A expectativa da liga é que, com o avanço da vacinação, esses índices aumentem ao longo da temporada e é possível que, no segundo semestre, todos os estádios já estejam totalmente liberados.

Fonte: Ubiratan Leal

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Quais as perspectivas de cada time para a temporada 2021 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Três supertimes, dois deles gigantes da liga e um que nunca conquistou um título sequer. A temporada 2021 da MLB começa nesta quinta com três candidatos mais destacados ao título, Los Angeles Dodgers, New York Yankees e San Diego Padres, mas uma série de equipes têm pretensões realistas de levantar o troféu no final de outubro.

É esse o cenário para o Opening Day, mas muita coisa pode mudar ao longo da temporada. Ainda mais porque voltaremos ao calendário tradicional, com 162 jogos na temporada regular e, salvo alguma surpresa de última hora, apenas cinco times classificados aos playoffs em cada liga. Outro elemento mais conhecido é o público, que retornará gradualmente aos estádios (ainda que o Texas Rangers já tenha liberação de 100% de público em seu estádio).

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Da temporada 2020, realizada cheia de excepcionalidades devido à pandemia, ficarão duas mudanças de regras: rodadas duplas terão jogos de apenas sete entradas e as partidas que forem a entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base.

Em todo esse cenário, o que cada time pode fazer? Cravar é sempre difícil na MLB, mas dá para classificar todas as equipes de acordo com suas perspectivas de início da temporada. Confira abaixo e fique ligado nas transmissões da ESPN e do Fox Sports.

LIGA AMERICANA

O FAVORITO

Dos supertimes que formavam a Liga Americana no final da década passada, o New York Yankees é o único que não conquistou nenhum título. E talvez por isso o único que continua como um supertime. O ataque continua com a potência de Aaron Judge, Gary Sánchez (que deve se recuperar de um 2020 muito ruim), Giancarlo Stanton (recuperado de lesão) e DJ LeMahieu. Além disso, o time parece ter uma rotação mais sólida que nos últimos anos, com Gerrit Cole, Corey Kluber, Jameson Taillon, Domingo Germán e Jordan Montgomery, além de Luis Severino (que deve retornar de lesão no meio da temporada). 

Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB
Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB ESPN

OS DESAFIANTES

O Chicago White Sox é visto como maior ameaça aos Yankees. A rotação tem bons nomes como Lucas Giolito, Lance Lynn e Dallas Keuchel, enquanto o ataque confia na potência de José Abreu, Yoán Moncada, Tim Anderson e Luis Robert. Além disso, contratou Liam Hendricks, um dos melhores fechadores da MLB.

Ainda assim, há quem nem veja os White Sox como o melhor time da Divisão Central. O Minnesota Twins merece muito respeito pelo seu ataque, que conta com Miguel Sanó, Nelson Cruz, Josh Donaldson, Max Kepler, Byron Buxton e Andrelton Simmons. No entanto, a rotação -- problema crônico dos Twins -- com Kenta Maeda, José Berríos, Michael Pineda, JA Happ e Matt Schoemaker ainda não parece ser capaz de segurar uma briga pela World Series. 

Quem ainda deve ser visto como ameaça é o Tampa Bay Rays. A equipe da Flórida perdeu Blake Snell e Charlie Morton, dois desfalques significativos para a rotação. Mas contrataram Michael Wacha e conseguiram Chris Archer de volta. Considerando a capacidade da comissão técnica dos Rays de tirar melhor desempenho dos arremessadores, são jogadores que podem compensar parte das perdas. Além disso, o bullpen continua o melhor da MLB e o ataque é o mesmo que levou o time ao título da Liga Americana em 2020.

CORREM POR FORA

Há um grupo de bons times que brigam por vagas em playoffs e, com uma mistura de sorte com competência na hora certa, pode sonhar com uma grande temporada. O principal integrante desse pelotão é o Oakland Athletics, que tem uma base consistente com Matt Chapman, Stephen Piscotty, Matt Olson e Ramón Laureano. O bullpen também é forte, mesmo com a perda de Liam Hendricks.

Os A’s se transformaram em favoritos da Divisão Oeste, deixando para trás o Houston Astros e o Los Angeles Angels. Essas duas equipes vivem trajetórias opostas. 

Os Astros estão em fase de final da janela competitiva. Perderam Gerrit Cole e George Springer nos últimos dois anos, estarão sem Justin Verlander por lesão, mas ainda contam com jogadores da base campeã da World Series de 2017. Os Angels estão no sentido contrário, com crescimento e formação de um grupo que tente levar a franquia a seu segundo título em alguns anos. Com Mike Trout e Anthony Rendón e José Iglesias, conta com um trio que teve bom desempenho na temporada passada. A rotação ainda não é das melhores, esse é um problema. Ah, e Shohei Ohtani vai novamente arremessar e rebater, o que é sempre espetacular de se ver.

Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

Na Costa Leste, o azarão é o Toronto Blue Jays. Talento há de sobra: Vladimir Guerrero Jr, Bo Bichette, Cavan Biggio, e Teoscar Hernández terão a companhia dos recém-contratados George Springer e Marcus Semien. O problema é a rotação, que tem em Ryu Hyun-Jin o único nome realmente confiável.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Das equipes com menos esperanças na temporada, o Boston Red Sox até tem um ou outro motivo para acreditar. A franquia está claramente em processo de reconstrução, se desfazendo de jogadores mais caros para reformular o elenco. No entanto, há bons jogadores no grupo, como JD Martínez, Alex Verdugo, Kiké Hernández, Rafael Devers e Xander Bogaerts, e o ânimo que o retorno do técnico Alex Cora, campeão em 2018, naturalmente traz. Se a rotação fosse melhor (Chris Sale está contundido), poderia entrar no patamar de “corre por fora”.

De resto, a expectativa de Seattle Mariners e Kansas City Royals é seguir em um processo de evolução gradual para se tornarem competitivos em alguns anos. Enquanto Cleveland Indians (na última temporada antes de mudar de nome) e Texas Rangers tentam evitar que o processo de reconstrução no qual entraram não seja tão traumático quanto os de Baltimore Orioles e Detroit Tigers, que dão sinais de melhora após algumas campanhas terríveis.

LIGA NACIONAL

O FAVORITO

Alguns analistas estão tão empolgados com o Los Angeles Dodgers que até projetam se o time seria capaz de bater o recorde de 116 vitórias em temporada regular, estabelecido pelo Chicago Cubs em 1906 e repetido apenas pelo Seattle Mariners em 2001 (curiosidade: nenhum dos dois times venceu a World Series no ano da marca). A equipe já tinha Clayton Kershaw (agora sem a pressão de ganhar um título), Walker Buehler, Mookie Betts, Cody Bellinger, Corey Seager, Max Muncy e Justin Turner. Agora ainda terá o reforço do recém-contratado Trevor Bauer (Cy Young da Liga Nacional em 2020) e David Price (preferiu não jogar a temporada passada para se preservar da Covid-19). Timaço.

OS DESAFIANTES

O principal obstáculo aos Dodgers está em sua própria divisão, em seu próprio estado. O San Diego Padres talvez seja o segundo time mais forte da MLB no momento. O elenco talentoso que chegou aos playoffs em 2020 se manteve. A estrela é Fernando Tatis Jr, mas Manny Machado, Eric Hosmer, Wil Myers, Thommy Pham e Jake Cronenworth formam uma base de respeito. A rotação é ainda melhor: Dinelson Lamet, Chris Paddack e Joe Musgrove terão o reforço de Blake Snell (que calou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish (segundo colocado no prêmio Cy Young da Liga Nacional em 2020).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Os Padres atrairão as atenções, até pela rivalidade californiana envolvida, mas não é prudente descartar o Atlanta Braves. A equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os Dodgers nos playoffs de 2020 e manteve toda a base, com Ronald Acuña Jr, Ozzie Albies e Austin Riley, além do ótimo Freddie Freeman, MVP da Liga Nacional no ano passado, e Marcell Ozuna. E a rotação também merece respeito, com Max Fried, Charlie Morton, Mike Soroka e Ian Anderson.

Quem quer entrar nessa categoria de desafiante é o New York Mets. O time foi comprado pelo bilionário Steve Cohen, investidor no mercado financeiro que serviu de inspiração para o personagem Bob Axelrod, da série de TV Billions. O Cohen não colocou seu dinheiro pelo retorno financeiro, mas por ser torcedor fanático do time do bairro do Queens. E chegou fazendo barulho, contratando Francisco Lindor, James McCann e Carlos Carrasco. Considerando que o elenco ainda tem Jacob deGrom, Marcus Stroman, Noah Syndergaard (deve retornar de lesão durante o ano), Pete Alonso, Jeff McNeil, Michael Conforto e Dominic Smith, dá para sonhar alto. Claro, se ninguém lesionar, o que acontece com uma frequência incrível nos Mets.

CORREM POR FORA

A Liga Nacional está muito forte nesta temporada, então a lista de equipes que têm motivos para pensar em playoffs não é pequena. O Washington Nationals, campeão de 2019, é um exemplo. A equipe da capital tem uma rotação com Max Scherzer, Stephen Strasburg, Patrick Corbin e Jon Lester, um quarteto capaz de derrotar qualquer equipe da liga a qualquer momento. Ainda tem em Juan Soto uma das novas estrelas do beisebol.

Na mesma divisão, a Leste, o Philadelphia Phillies tem um ataque que impressiona. Bryce Harper e JT Realmuto são as referências, mas Andrew McCutchen e Alec Bohm também contribuem bastante. O problema é o bullpen, talvez o pior entre os times que têm pretensão de chegar ao mata-mata.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

A Divisão Leste da Liga Nacional é a mais forte da MLB e sobram times fortes, exatamente o contrário da Divisão Central. O favorito é o St. Louis Cardinals, que contratou Nolan Arenado e manteve Paul Goldschmidt, Yadier Molina e Paul DeJong. Os arremessadores também são competentes, mas não chega a ser um time que salta aos olhos como candidato a título. A consistência é a principal marca, e talvez ela que o diferencie dos demais vizinhos de grupo.

O Milwaukee Brewers conta com Christian Yelich, um dos melhores jogadores da liga e que estará motivado para mostrar que a má temporada de 2020 foi uma aberração de um ano confuso. O ataque como um todo funciona, mas ainda é uma equipe que precisa contar com o limite da rotação e do bullpen para ser competitiva, o que nem sempre é possível.

Ainda na Divisão Central, Cincinnati Reds e Chicago Cubs deram um passo para trás. Perderam jogadores importantes, como Trevor Bauer (Reds) e Yu Darvish e Jon Lester (Cubs). Em teoria, seriam equipes que poderiam estar no grupo de “melhor esperar 2022”, mas ambos ainda contam com alguns bons jogadores e a concorrência na divisão não é das mais fortes. Assim, até dá para acreditar em playoffs caso tudo dê certo.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Com os supertimes de Dodgers e Padres, ficou difícil para os outros times da Divisão Oeste. Arizona Diamondbacks, Colorado Rockies e San Francisco Giants entraram firme no processo de reconstrução. O Pittsburgh Pirates já está nessa reformulação desde o ano passado, e é candidato forte a pior campanha de toda a MLB.

Quem entra nesse grupo e nem merecia é o Miami Marlins. O time tem bons jogadores -- Starling Marté, Corey Dickerson e Sandy Alcántara -- e até se classificou para os playoffs em 2020, eliminando o Chicago Cubs na primeira fase. O problema é que a Divisão Leste está muito forte neste ano e, em uma temporada de 162 jogos, é difícil que o jovem grupo dos Marlins consiga se manter na zona de classificação até o final. Mas é um elenco realmente promissor para os próximos anos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Conheça o bananabol, uma versão alternativa e maluca para o beisebol

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Savannah Bananas é um dos grandes fenômenos de público no beisebol dos Estados Unidos. O time com nome que rima lotou todos seus jogos em casa desde 2017, somando já 88 partidas seguidas com todos os ingressos vendidos. É verdade que o estádio Grayson tem apenas 4 mil lugares, ainda assim é notável lotar tantos jogos atuando em uma liga amadora criada para manter a atividade de jogadores universitários durante o recesso das aulas no verão e treiná-los com bastões de madeira. Pois, em 2021, a equipe tem se preparado para a temporada no novo esporte que criaram: o bananabol.

Savannah Bananas em jogo da temporada 2020
Savannah Bananas em jogo da temporada 2020 Twitter / Savannah Bananas

Bem, não é exatamente um novo esporte. É o beisebol com algumas novas regras que, segundo os Bananas, seria mais curta, dinâmica e divertida para o público. E o pessoal do time de Savannah -- cidade histórica na Geórgia -- não teve pudor em propor maluquices (final, “banana” também é uma gíria para “louco” em inglês americano). Até porque não é de se esperar algo diferente de uma equipe que já chegou a disputar um clássico de temporada regular contra seu maior rival -- o Macon Bacon (sim, é esse o nome do time de Macon, Geórgia) -- com todos os jogadores usando kilts, as saias escocesas.

Então veja as nove regras que diferenciam o bananabol do beisebol:

1) Mudar a contagem dos placar

A pontuação do beisebol continua sendo por corridas. No entanto, a forma de definir o vencedor do jogo mudaria. Ao invés de contar a soma de corridas ao longo da partida, cada entrada seria como um set de vôlei ou tênis. O time com mais corridas na primeira entrada faz um ponto. O time com mais corridas na segunda entrada faz outro ponto. Não importa se a primeira entrada foi 5 a 0 e a segunda foi 1 a 2. O jogo está 1 a 1, não 6 a 2. Isso poderia criar várias rebatidas de walk off no mesmo jogo. 

2) Limite de duas horas

O jogo dura duas horas. Quem tiver mais pontos (ou entradas conquistadas) ganha.

3) Desempate no mano a mano

Se a partida estiver empatada ao final das duas horas, é o momento de desempate. A inspiração é na disputa de pênaltis do futebol: mano a mano, arremessador contra rebatedor. Só os dois (e o catcher para pegar os arremessos, claro). O arremessador precisa do strikeout. Se o rebatedor rebater dentro do campo de jogo, o arremessador que precisa ir atrás da bola para impedir o corredor de anotar a corrida. 

4) Walks viram corrida contra o tempo

Normalmente, o walk é uma caminhada tranquila para a primeira base. Ponto. No bananabol, seria a oportunidade de avançar mais. O rebatedor sai em disparada pelas bases, enquanto que a defesa precisa lançar a bola de um jogador para o outro. O corredor para apenas quando a bola passar pela mão de todos os defensores.

5) Bunts estão proibidos

Eliminação imediata do rebatedor que tentar.

6) Sem visitas ao montinho

Proibidas também.

7) Permitido roubar a primeira base

Se o catcher não pegar um arremesso e a bola ficar solta, o rebatedor pode disparar para a primeira base, não importa a contagem.

8) O torcedor pode eliminar o jogador

Se uma foul ball for para a arquibancada, o rebatedor está eliminado se o torcedor pegar a bola no ar.

9) Rebatedor não pode sair da sua área

Se o rebatedor sair da área de rebatida, é contado um strike. E pode sofrer um strikeout dessa forma.

Quem quiser ver se o bananabol realmente resulta em um jogo mais dinâmico e emocionando, pode ver a demonstração que o Savannah Bananas fez na última semana contra o Party Animals neste link.

Fonte: Ubiratan Leal

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MLB vai começar com público em quase todos os estádios, com caso até de lotação total liberada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Globe Life Field durante a World Series 2020
Globe Life Field durante a World Series 2020 Getty Images

Doze de março de 2020. A Major League Baseball estava no meio de sua pré-temporada, mas já se sabia que talvez aquela quinta não tivesse jogo algum. A liga seguia com seus jogos preparatórios normalmente, mas o noticiário mostrava o avanço diário da epidemia (ainda não havia virado pandemia) de Covid-19 nos Estados Unidos -- sobretudo Arizona e Flórida, sedes do Spring Training -- e se debatia fortemente se seria possível organizar as partidas nesse cenário. Mas, naquele dia 12, já se imaginava que era momento de fechar tudo. Na noite anterior, o francês Rudy Gobert se tornou o primeiro atleta das quatro principais ligas norte-americanas a ter teste positivo de coronavírus e a NBA interrompeu sua temporada. O beisebol dificilmente faria diferente.

Avançando um ano no tempo, chegando a março de 2021. A pandemia ainda não acabou (pelo contrário, acabou de passar por um de seus piores momentos nos EUA), mas a MLB decidiu seguir suas atividades. Não apenas realiza sua pré-temporada normalmente como tem recebido público, em quantidade limitada, nas partidas.

Nenhuma grande novidade aí. A NFL já fez sua temporada com público em vários jogos no segundo semestre de 2020. A NBA e a NHL também têm jogado com torcedores. Até por isso, não surpreende que a temporada de 2021 da MLB seja mais uma com torcedores nos estádios. Mesmo que os Estados Unidos estejam com números ainda ruins -- 62,4 mil novos casos e 1,5 mil novas mortes nesta quinta --, já há uma melhoria em relação aos índices de algumas semanas atrás.

Ainda assim, imagina-se que o país não esteja pronto para receber um evento com aglomeração total. No caso, um jogo com lotação máxima. Mas é o que deve acontecer.

Nesta semana, o governador do Texas, Greg Abbott, aprovou projeto para que todos os estabelecimentos do estado funcionem com capacidade máxima. Isso inclui o esporte. O Texas Rangers aproveitou a oportunidade e já confirmou que pretende colocar à venda ingressos para os 40.318 lugares do Globe Life Field para os dois últimos jogos da pré-temporada e para a primeira partida em casa na temporada regular, em 5 de abril contra o Toronto Blue Jays.

A decisão já causaria polêmica se o Texas tivesse avançado na imunização. Não é o caso, pois o estado está entre os dez que vacinaram proporcionalmente menos pessoas. Além disso, a determinação da franquia em aproveitar a brecha na lei também chama a atenção. Até porque a vacinação está avançando rápido nos EUA e a MLB espera que efetivamente possa abrir todos os seus estádios no segundo semestre. Tanto que o Houston Astros, outra equipe texana na liga, ainda não confirmou se permitirá lotação máxima em seu estádio.

Veja qual o índice de ocupação que cada time terá em seu estádio na abertura da temporada da MLB, em 1º de abril:

100%
Texas Rangers

50%
Baltimore Orioles

42,6%
Colorado Rockies

33%
Atlanta Braves

32%
St. Louis Cardinals

30%
Cincinnati Reds, Cleveland Indians, Kansas City Royals

25%
Arizona Diamondbacks, Miami Marlins, Milwaukee Brewers

20%
Chicago Cubs, Chicago White Sox, Los Angeles Angels, Los Angeles Dodgers, Oakland Athletics, Philadelphia Phillies, Pittsburgh Pirates, San Francisco Giants

15%
Toronto Blue Jays*

12%
Boston Red Sox

10%
New York Mets, New York Yankees

1.000 torcedores
Detroit Tigers

Ainda sem definição, mas provável que tenha público
Houston Astros, Minnesota Twins, San Diego Padres, Seattle Mariners, Tampa Bay Rays

Sem público
Washington Nationals

* Disputará suas partidas, ao menos na primeira metade da temporada, no centro de treinamento da franquia em Dunedin, região metropolitana de Tampa (Flórida)

Fonte: Ubiratan Leal

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MLB vai começar com público em quase todos os estádios, com caso até de lotação total liberada

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Ranking dos melhores All-Star Games dos esportes americanos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Jogo das Estrelas é uma marca do esporte americano. Toda liga que se dê ao respeito cria o seu, nem que essa partida seja, na verdade, uma corrida. Sim, a Nascar tem a All-Star Race. Cada um desses eventos tem suas peculiaridades, mas todos são tratados como grandes momentos e têm lotação total nas arquibancadas. O que não significa que seja tudo maravilhoso. A All-Star Games que são criticados, cornetados e mudam constantemente de formato justamente para deixá-los mais atraentes ou tecnicamente relevantes.

Por isso, preparamos um ranking dos principais ASGs das ligas dos Estados Unidos. E, para criar um suspense de araque, vou colocar em contagem regressiva.

6) NFL

Como é: Único All-Star Game que não é disputado no meio da temporada. No fim de semana entre as finais de conferência e o Super Bowl, os melhores da Conferência Nacional enfrentam os da Americana. O público escolhe os jogadores.

O que é legal nele: Pouca coisa. Talvez o fato de ser a penúltima oportunidade do público ver futebol americano antes de meses de parada, o que motiva pessoas a darem audiência incrível a um espetáculo bizarro. Por ser um jogo sem importância real para o campeonato, dá margem para jogadores brincarem mais em campo. E, nos últimos anos, criaram um concurso de habilidades que antecede a partida em si que é até divertido, apesar de ainda não ter o apelo de público de um Home Run Derby ou Concurso de Enterradas.

O que não é legal: O futebol americano se baseia muito na criação de jogadas pré-combinadas, com cada jogador de ataque tendo uma função determinada e o quarterback sabendo quais serão as opções possíveis para o avanço. Como fazer isso com jogadores que mal se juntaram e não puderam combinar nada muito elaborado? Além disso, pelo fato de a partida anteceder a decisão do campeonato, os jogadores dos times finalistas ficam de fora. Ou seja, algumas das estrelas mais em alta não jogam. E, claro, na véspera de entrar oficialmente de férias, nenhum jogador vai se arriscar em uma marcação forte e correr o risco de trocar meses tomando sol por uma sala de fisioterapia devido a contusão em um amistoso.

Conclusão: O jogo é uma grande pelada entre os craques. E não, não é legal de ver. O fator “show” se limita à esperança de ver o Chad Ochocinco chutar ou não um field goal. Não à toa, já se cogitou a extinção do Pro Bowl.

Pro Bowl
Pro Bowl Getty Images

5) MLS

Como é: Uma seleção de jogadores da MLS enfrenta um grande time europeu em turnê de pré-temporada pelos Estados Unidos. O último, em 2019, foi o Atlético de Madrid. Mas vai mudar para 2021, com um jogo entre as Estrelas da MLS contra as Estrelas da Liga MX (Campeonato Mexicano).

O que é legal nele: O público tem a oportunidade de ver os craques do clube europeu. Não é muita coisa, pois vários clubes europeus já fazem parte de sua pré-temporada em gramados norte-americanos. Por isso ficou em quinto lugar no ranking, mas tem potencial para subir algumas posições no futuro. A proposta de um duelo MLS x Liga MX é ótima, pois leva a um amistoso toda a rivalidade entre seleções, público, jogadores e ligas de México e Estados Unidos. E, sim, essa rivalidade é enorme.

O que não é legal: A ideia é criar um evento que meça a qualidade do futebol da MLS com a da elite europeia, e a imprensa de futebol dos Estados Unidos fala nisso incessantemente, mas é difícil acreditar. O clube europeu está claramente em pré-temporada e não se esforça realmente para vencer. Parece um amistoso como qualquer outro.

Conclusão: Vamos esperar os próximos All-Star Games da MLS. Essa proposta de MLS x Liga MX é realmente muito boa.

4) Nascar

Como é: Faz parte de uma semana cheia de eventos em Charlotte, incluindo a imortalização de uma nova turma no Hall da Fama, concurso de pit stop, corrida da Truck e a Coca-Cola 600 (as 600 Milhas de Charlotte, não é a garrafa de refrigerante). Na All-Star Race em si, correm os pilotos que venceram alguma prova nos últimos 365 dias e os pilotos na ativa que já conquistaram o título ou alguma edição anterior da ASR. Mais duas vagas ficam abertas para uma corrida de repescagem e escolha do público. O vencedor ganha US$ 1 milhão.

O que é legal nele: A ideia é bem engenhosa, ainda mais aproveitando a série de eventos para incentivar o torcedor da Nascar a ficar dez dias na maior cidade das Carolinas. A corrida com pré-classificação é interessante e o concurso de pit stops é bastante animado. E a corrida em si, apesar de um regulamento confuso pela criação de etapas dentro dela, é animada e tem nível de intensidade semelhante ao de qualquer corrida de temporada da Nascar.

O que não é legal: Para criar emoção e interesse do público durante toda a duração da prova, a ação é dividida em várias etapas com um regulamento que fica confuso para o torcedor de ocasião (e Jogos -- ou Corrida -- das Estrelas têm muito fã de ocasião) e artificial para os mais tradicionalistas. 

Conclusão: O fato de parecer realmente uma competição de temporada normal é bastante relevante. Só podia ter um regulamento ligeiramente mais simples.

3) NHL

Como é: Já adotou diversos formatos, do tradicional duelo de conferências até América do Norte x Resto do Mundo e um Seleção da NHL x União Soviética. Atualmente, falar em “All-Star Game” é injusto. É um “All-Star Tournament”, pois são formados seleções de cada divisão da liga. Elas disputam um mini-torneio em mata-mata. Ah, e os jogos são com times de três jogadores mais o goleiro no gelo.

O que é legal nele: Ver sua divisão se mostrar a melhor tem algum apelo para o público e para os jogadores, além de ter a pequena emoção de um campeonato. Além disso, colocar equipes com dois atletas a menos no rinque aumenta os espaços e a ação da partida, reduzindo também a quantidade de impactos que poderiam causar lesões. E os concursos do sábado são bastante disputados.

O que não é legal: A partida é um festival de ataques, pois ninguém está a fim de marcar forte e correr o risco de se machucar em uma trombada mal calculada. Soa legal, mas o jogo fica caricato (e sem ganhar tanto no fator show como o ASG da NBA).

Conclusão: Os concursos de sábado são realmente bons, e valem muitos pontos para o ranking.

Justin Bieber participa do jogo das estrelas da NHL e é amassado por defensor do hall da fama
Justin Bieber participa do jogo das estrelas da NHL e é amassado por defensor do hall da fama Getty Images

2) MLB

Como é: Os melhores da Liga Nacional contra os melhores da Americana. O público elege os jogadores titulares, os técnicos definem os reservas. Até 2016, a liga vencedora tinha vantagem do mando de campo na World Series. Ou seja, era o único Jogo das Estrelas que realmente vale algo. Um dia antes do jogo, é feito o Home Run Derby.

O que é legal nele: O Home Run Derby teve vários formatos ao longo dos anos, e talvez tenha achado o modelo ideal em 2015. Tornou-se um evento espetacular pela emoção e por mostrar o talento e força de um grande jogador de potência da MLB. O jogo em si não sofre de alguns problemas dos ASGs de outras ligas: a falta de marcação. Como há menos impacto no beisebol, o jogo se desenrola de modo similar ao de uma partida de temporada regular. Alguns arremessadores baixam um pouco sua intensidade, os técnicos também não entram em duelo tático tão profundo, mas parece uma partida convencional. E isso é bom.

O que não é legal: Há muita troca de jogadores, o que normalmente nos tira a possibilidade de ver um arremessador fazer mais de duas entradas e de um rebatedor ir ao bastão mais de duas vezes (aliás, se for duas vezes já é muito). E como o beisebol é como o futebol, quem é substituído não volta mais, o final da partida tem apenas os reservas em campo. São grandes jogadores ainda, claro, mas provavelmente não são os craques que mais motivaram o torcedor a ir ao estádio ou ligar a TV.

Conclusão: Tem potencial, o jogo é o menos descaracterizado em relação a uma partida oficial, mas podia trabalhar melhor a emoção do final da partida. Inclusive testando regras diferentes, como poder voltar alguns rebatedores ou iniciar a nona entrada do ponto que quiser do alinhamento ofensivo.

1) NBA e WNBA*

Como é: Os jogadores são eleitos por votação, mas não têm time definido. As ligas escolhem dois craques para serem os capitães, e eles selecionam seus companheiros de equipe como qualquer criança quando junta a turma para jogar bola no campo do bairro ou na escola. A partida usa o Elam Ending, sistema em que os times jogam três quartos normalmente, mas o quarto período não tem tempo definido. É definida uma meta de pontuação (24 pontos a mais do que tem o time na liderança do marcador após três quartos) e vence quem alcançar antes. Nos dias anteriores, há duelo de seleção de estreantes contra segundanistas, jogo com celebridades e ex-jogadores e concurso de habilidades, enterradas e três pontos.

Zach LaVine e Aaron Gordon em um dos maiores duelos da história do Concurso de Enterradas
Zach LaVine e Aaron Gordon em um dos maiores duelos da história do Concurso de Enterradas Reprodução/ESPN

O que é legal nele: Não há marcação, então os ataques podem protagonizar um espetáculo de habilidade e acrobacias com uma bola, mostrando o nível de técnica e capacidade atlética dos jogadores. A adoção do Elam Ending tornou o jogo mais emocionante porque toda a partida acaba tendo uma cesta da vitória, mesmo que seja um lance livre.

O que não é legal: A partida em si é espetacular pelas jogadas, mas incomoda a falta de marcação das defesas. Não parece um jogo normal. Ah, e já se foi o tempo em que os craques entravam no concurso de enterradas.

Conclusão: No basquete, o apelo de montar times cheios de craques funciona e os eventos dos dias anteriores ajudam a criar o clima. Parece realmente ser um fim de semana de celebração ao basquete.

Fonte: Ubiratan Leal

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Ranking dos melhores All-Star Games dos esportes americanos

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O que ficar de olho na pré-temporada da MLB (atenção: já tem jogo na ESPN)

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A espera acabou. Após uma semana de preparação apenas física e técnica, é hora de treinar em situação real de jogo. O Spring Training, a pré-temporada da MLB, começa neste domingo. Serão os primeiros arremessos e as primeiras rebatidas do beisebol nos Estados Unidos, e -- teoricamente -- eles só pararão no final de outubro, com a última eliminação da World Series.

Mookie Betts em ação pelo Los Angeles Dodgers no Spring Training de 2020
Mookie Betts em ação pelo Los Angeles Dodgers no Spring Training de 2020 Getty Images

Claro, pré-temporada é pré-temporada, não dá para tirar grandes conclusões com base em jogos-treinos disputados em campo neutro, na Flórida ou no Arizona. Ainda assim, há várias histórias em que valem ficar de olho (e já nesta semana tem transmissão nos canais esportivos Disney). Separei as algumas das principais:

A rivalidade mais quente do momento

A MLB 2021 começa com dois times se destacando entre os favoritos ao título: Los Angeles Dodgers e San Diego Padres. O mais interessante é que ambos já se encontraram nos playoffs do ano passado, estão na mesma divisão, vão se enfrentar 19 vezes só na temporada regular e estão separados por apenas 200 km. O resultado dessa equação é apenas um: rivalidade.

Os confrontos no mata-mata da Liga Nacional de 2020 já foram bastante acirrados. Os Dodgers varreram a série, mas as partidas fora muito disputadas e houve momentos de troca de insultos entre jogadores das duas partes. Os angelenos conquistaram o título e se reforçaram ainda mais, contratando o melhor arremessador disponível no mercado (Trevor Bauer), mas os Padres pegaram Blake Snell (que, pelo Tampa Bay Rays, estraçalhou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish.

Os confrontos no Spring Training (programados para 6 e 20 de março) não terão a temperatura dos jogos da temporada regular. Mas é provável que sejam partidas observadas com mais atenção que o normal. E talvez membros das duas equipes troquem algumas cutucadas em entrevistas ao longo de toda a pré-temporada (algo que pode se tornar padrão do ano todo).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Quem manda em Nova York

New York Yankees e New York Mets não estão na mesma liga, mas não dá para dizer que não disputam algo. No caso, a atenção da mídia e dos torcedores da maior cidade dos Estados Unidos -- que calhou de ainda ser uma cidade que tem o beisebol como esporte mais popular. Como franquia mais vitoriosa de todas as ligas norte-americanas, os Yankees sempre ganham a disputa, mas qualquer perda de terreno é sentida -- e muito celebrada pelos rivais.

Os Mets aparecem como uma força ascendente, e com uma torcida mobilizada, desde a compra do clube por parte do bilionário Steve Cohen (investidor do mercado de ações que inspirou a criação do personagem Bobby Axelrod na série “Billions”). O novo dono já deixou claro que assumiu o time por ser um torcedor apaixonado como qualquer um, com a diferença que tem bilhões de dólares na conta. De cara, já bancou a negociação que levou o shortstop porto-riquenho Francisco Lindor (ex-Cleveland Indians e talvez um dos cinco melhores jogadores do mundo) para o bairro do Queens.

Os Yankees reagiram. Já tinham o melhor time da Liga Americana (sobretudo após a saída de Snell dos Rays), mas contrataram Corey Kluber, duas vezes vencedor do prêmio Cy Young. O arremessador estava no Texas Rangers e sofreu com problemas físicos nos dois últimos anos, mas, se recuperar a forma dos anos de Indians, pode transformar a dupla com Gerrit Cole como a mais mortal de um início de rotação.

Quem se dará melhor descobriremos apenas ao final da temporada. Mas a disputa pela atenção da mídia e da torcida já veremos em março.

Ajustes após um ano maluco

A temporada 2020 foi estranha, com apenas 60 partidas na temporada regular e muitos jogos sacrificados pelo calendário atropelado como consequência da pandemia (muitos jogos adiados, times de quarentena em hoteis após algum surto, rodadas duplas para compensar os adiamentos…). Com isso, o desempenho de vários jogadores ficou fora do padrão. Alguns se destacaram mais do que o esperado. Outros caíram bastante, sobretudo em aproveitamento no bastão, estatística que encontra seu valor real ao longo do tempo.

Os casos mais notórios de quedas foram os de José Altuve (21,9% de aproveitamento), Christian Yelich (20,5% de aproveitamento), Javier Báez (20,5%), JD Martínez (21,3%) e Kris Bryant (20,6%). Jogadores que tiveram uma temporada ruim em 2020 devem apresentar ajustes já na pré-temporada, seja na mecânica das rebatidas, seja na abordagem em cada duelo.

Altuve comemora home run que levou os Astros à World Series em 2019
Altuve comemora home run que levou os Astros à World Series em 2019 Elsa/Getty Images

Entradas esquisitas

Nas duas primeiras semanas da pré-temporada, os jogos terão uma regra diferente. Um turno ofensivo não acabará necessariamente com três eliminações. Os técnicos poderão encerrar a etapa se o arremessador já tiver feito 20 arremessos e não tiver houver um reliever pronto para entrar. O objetivo é reduzir o sacrifício sobre os homens no montinho em um jogo que, no fundo, é só para treino.

De qualquer modo, os jogos do Spring Training terão a regra normal de três eliminações por entrada a partir de 13 de março.

Negociações trabalhistas

O clima entre a MLB e o sindicato de jogadores está péssimo, o que é uma má notícia quando o acordo trabalhista está em seu último ano e a liga ainda tem de lidar com uma pandemia que causou perdas financeiras para donos e jogadores. Várias propostas de adequação das regras foram propostas, e nem todas foram aceitas. Ao menos não por enquanto.

É provável que as conversas continuem durante a pré-temporada e não estranhem se acabarem chegando a acordos para mudança do regulamento do campeonato (por exemplo, a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e a expansão dos playoffs, que ocorreram em 2020, teoricamente não valerão em 2021). 

Lembrando: a aprovação do aumento dos playoffs em 2020 ocorreu apenas duas horas antes da abertura da temporada regular (e a confirmação dos playoffs em bolha veio com ela já em disputa). Então, aparentemente sempre há tempo para uma mudança em cima da hora.

Na sua TV

A ESPN tem confirmada a transmissão de quatro partidas desse Spring Training já na primeira semana. Confira (horários de Brasília): 

Terça, 2/março: Tampa Bay Rays x Boston Red Sox (ESPN 2, 15h)
Quarta, 3/março: Seattle Mariners x Chicago Cubs (ESPN 2, 17h)
Quinta, 4/março: Washington Nationals x New York Mets (ESPN App, 15h)
Sexta, 5/março: Los Angeles Dodgers x Kansas City Royals (ESPN App, 17h)

Fonte: Ubiratan Leal

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O que ficar de olho na pré-temporada da MLB (atenção: já tem jogo na ESPN)

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A audiência do Super Bowl nos EUA caiu 9%. E isso não é tão ruim quanto parece

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A sequência do noticiário do Super Bowl já é conhecida: nos dias anteriores se fala dos preparativos do jogo e da grandiosidade do evento, no domingo é momento da partida em si, na segunda tem repercussão do resultado e das novas propagandas que tiveram mais impacto na transmissão dos EUA e na terça a NFL se gaba de mais um recorde de audiência. Em 2021 foi diferente. Toda a rotina estava sendo seguida, mas a cereja não foi colocada em cima do bolo. A audiência de Tampa Bay Buccaneers x Kansas City Chiefs foi 9% abaixo de Chiefs x San Francisco 49ers, a finalíssima do futebol americano em 2020. Hora de pânico? Não.

Tom Brady em Bucs x Chiefs
Tom Brady em Bucs x Chiefs Getty Images

Não dá para dizer que esse número é desejável. A NFL gosta de vender a ideia de liga em eterno crescimento e o Super Bowl é o grande representante disso por ser o maior evento televisivo dos Estados Unidos. E essa condição se justifica principalmente pelo altíssimo nível de audiência, sempre na casa de 100 milhões de pessoas. Nesse aspecto, uma queda de 9% (de 102 milhões para 91,6 milhões, pior marca em 15 anos) é obviamente uma má notícia.

Tudo, porém, precisa de contexto. Até a audiência do Super Bowl.

Um motivo natural para se avaliar variações de audiência em eventos esportivos é ver os times envolvidos. Neste aspecto, a comparação de 2020 com 2021 não traz tanta diferença: o Kansas City Chiefs estavam nas duas finais, e a troca de São Francisco (49ers) por Tampa (Buccaneers) até explicaria uma queda, mas os números mostraram que a presença de Tom Brady fez Boston ter audiência acima do normal para um Super Bowl sem os Patriots. 

Outro ponto já seria mais relevante: o desenrolar da partida. Chiefs 31 x 20 49ers foi definido apenas nos minutos finais, enquanto que Bucs 31 x 9 Chiefs teve claro domínio do time da Flórida e estava decidido antes do final. Isso costuma desmobilizar alguns torcedores e trazer pequenas quedas. Ainda assim, justificaria uma oscilação de um ponto no máximo.

A questão principal é a pandemia de Covid-19. Ou melhor, o comportamento do público americano com eventos esportivos na TV durante a pandemia.

A audiência de praticamente todas as ligas caiu em 2020 (ou 2020-21, no caso da NFL). E não caíram pouco. A World Series teve queda de 32%, atingindo os piores índices de sua história. Parece ruim? Pois a NBA foi ainda pior, com queda de 49% e números sensivelmente piores que os da decisão do beisebol (e as duas finais envolveram mercados parecidos, com Los Angeles x Flórida). E a NHL despencou 61%. 

Obs.: A mesma tendência se identificou ao longo da temporada de todas as ligas e em outras modalidades, mas é importante ressaltar que as decisões de NHL, NBA e MLB ocorreram entre o final de setembro e outubro, no momento mais quente da corrida presidencial americana e alguns jogos da reta final das ligas tiveram até de disputar audiência com debates que tiveram atenção recorde do público. Isso ajudou também a jogar os números ainda mais para baixo


Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Nessa comparação, a NFL até teve uma queda leve. Na temporada regular, a audiência média dos jogos foi 7% pior que na temporada anterior. O fato de o Super Bowl ter uma queda um pouco maior pode se explicar por outro fenômeno da pandemia: a redução de aglomerações.

A temporada regular é vista principalmente pelos torcedores. O Super Bowl é diferente, é um grande evento social. Muitas pessoas se reúnem em bares, nas ruas ou na casa de amigos para ver o jogo. Mesmo alguém que não goste de futebol americano acaba indo, pois vai na onda do grupo de amigos e pode ao menos se concentrar nas propagandas ou no show do intervalo. 

Muita gente não se importou com a pandemia e se reuniu de qualquer forma. Mas é natural que ainda há uma quantidade razoável de pessoas que tenham preferido ficar em casa sozinho ou com sua família. E, sem um grupo de amigos em volta, quem não tem interesse especial por NFL talvez tenha preferido fazer outra coisa no horário.

Por isso, há motivos para acreditar que a queda de 9% da audiência do Super Bowl pode ser algo circunstancial. O importante mesmo são os números do próximo. Eles podem indicar o quanto 2021 foi um fenômeno isolado ou é realmente algo que merece atenção especial por parte da NFL.

Fonte: Ubiratan Leal

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A audiência do Super Bowl nos EUA caiu 9%. E isso não é tão ruim quanto parece

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Dois títulos em um ano: como Tampa ficou no ranking de cidades campeãs das ligas americanas

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Campeão do Super Bowl, campeão da Stanley Cup, vice-campeão da World Series. O esporte de Tampa nunca viveu um momento tão espetacular quanto o atual, tanto que muita gente até coloca o título da USL (segunda divisão do futebol dos Estados Unidos). Realmente, são façanhas incríveis para uma região que não costuma ser tão vitoriosa assim, e que muitas vezes gera desconfiança pela oscilação do engajamento de seu público com os times.

Rob Gronkwoski e Tom Brady celebram o título da NFL pelo Tampa Bay Buccaneers
Rob Gronkwoski e Tom Brady celebram o título da NFL pelo Tampa Bay Buccaneers Getty

Pensando em perspectiva histórica, porém, o que essa sequência de títulos representa no cenário das ligas norte-americanas? Tampa já pode ser considerada uma “Cidade de Campeões” (título que várias cidades se deram ao longo das décadas). E Los Angeles, que também está com dois campeões (NBA e MLB) simultâneos?

LEIA MAIS: Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

Bem, então aqui está uma edição atualizada do ranking de cidades campeãs do esporte americano. São três rankings, para cada um escolher o que prefere.

Obs.: os rankings consideram as regiões metropolitanas. Por exemplo, São Francisco e Oakland contam como Bay Area, Anaheim conta como parte de Los Angeles e Nova Jersey conta como parte de Nova York. Para a NFL, foram computados também os títulos da NFL e da AFL pré-Super Bowl)

1) Ranking 1 (NFL + MLB + NBA + NHL + MLS)

1 - Nova York (58 títulos)
2 - Boston (39)
3 - Chicago (30)
4 - Los Angeles (27)
5 - Montreal (26)
6 - Detroit (22)
7 - Bay Area (20)
8 - Filadélfia e Toronto (17)
10 - Pittsburgh (16)
11 - St. Louis (14)
12 - Green Bay e Washington (13)
14 - Baltimore e Cleveland (9)
16 - Minneapolis (8)
17 - Dallas, Denver, Houston, Kansas City e Miami (7)
22 - Cincinnati, Edmonton, San Antonio e Seattle (5)
26 - Ottawa e Tampa (4)
28 - Atlanta, Búfalo, Canton, Columbus, Milwaukee e Portland (2)
34 - Akron, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Providence, Raleigh, Rochester, Salt Lake City e San Diego (1) 

New York Yankees, a franquia com mais títulos nas principais ligas dos Estados Unidos
New York Yankees, a franquia com mais títulos nas principais ligas dos Estados Unidos ESPN

2) Ranking 2 (apenas as 4 ligas mais tradicionais, sem a MLS)

1 - Nova York (58 títulos)
2 - Boston (39)
3 - Chicago (29)
4 - Montreal (26)
5 - Detroit e Los Angeles (22)
7 - Bay Area (18)
8 - Filadélfia (17)
9 - Pittsburgh e Pittsburgh (16)
11 - St. Louis (14)
12 - Green Bay (13)
13 - Baltimore, Cleveland e Washington (9)
16 - Minneapolis (8)
17 - Dallas e Miami (7)
19 - Denver (6)
20 - Cincinnati, Edmonton, Houston, Kansas City e San Antonio (5)
25 - Ottawa e Tampa (4)
27 - Seattle (3)
28 - Búfalo, Canton e Milwaukee (2)
31 - Akron, Atlanta, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Providence, Raleigh, Rochester e San Diego (1) 

O Los Angeles Lakers bateu o Miami heat na final para conquistar o título da NBA em 2020
O Los Angeles Lakers bateu o Miami heat na final para conquistar o título da NBA em 2020 Getty Images

3) Ranking 3 (as 5 principais ligas, mas apenas no século 21)

1 - Los Angeles (14)
2 - Boston (12)
3 - Bay Area (8)
4 - Chicago, Pittsburgh e San Antonio (5)
7 - Miami, Nova York e Tampa (4)
10 - Denver, Detroit, Houston, Kansas City, Seattle, St. Louis e Washington (3)
17 - Baltimore, Columbus, Filadélfia e Toronto (2)
21 - Atlanta, Cleveland, Dallas, Green Bay, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Raleigh e Salt Lake City (1)

Fonte: Ubiratan Leal

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As exigências da NFL para as cidades receberem o Super Bowl

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL
Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL Getty Images

A NFL é uma liga formada por 32 franquias, que realiza sua final em estádios pré-definidos. Faz sentido que ela apenas fique rodando as escolhas dentro das arenas de suas franquias, certo? Errado, muito errado. Apesar de sempre designar a casa de uma de suas equipes para sediar o Super Bowl, a liga trata a partida como um evento completamente à parte, e organizar o jogo deve ser visto como um privilégio. E, como tal, ela impõe às cidades candidatas as mais diferentes exigências.

O tipo de demanda se tornou público em 2013, quando documentos da NFL vazaram para o jornal Minneapolis Star Tribune. O documento entregue às cidades candidatas na época tinha 153 páginas. Muitos itens são perfeitamente justificáveis para garantir a operação tranquila e segura da partida, mas alguns causaram polêmica na época por exigir recursos públicos ou por soarem preciosistas demais. Desde então, é provável que alguns dos pedidos já tenham saído da lista (o documento atual segue sigiloso, e não houve novos vazamentos), seja pela repercussão ruim da época, seja pela pandemia de Covid-19.

De qualquer modo, o impacto do Super Bowl em sua cidade-sede virou tema de diversos debates. As prefeituras têm retorno desse investimento?

Há respostas das mais diversas, pois dependem muito de critérios para se calcular o retorno efetivo. É uma conta semelhante à que vimos sobre as cidades ou países que se comprometem a organizar uma Copa do Mundo, uma edição dos Jogos Olímpicos ou mesmo um grande prêmio de Fórmula 1.

Veja algumas das exigências mais polêmicas que a NFL fazia (ao menos até 2013) para a cidade que recebesse o Super Bowl:

- A prefeitura precisa disponibilizar, sem custos à NFL, uma força-tarefa dedicada exclusivamente a combater ingressos falsos;

- Se cair uma nevasca no dia do jogo, as necessidades do Super Bowl têm de receber prioridade nos esforços da cidade em remover a neve e abrir as vias. Esse item só perde validade em situações de perigo à segurança da população).

- A NFL fica isenta de impostos pelo faturamento no jogo e nos eventos ligados ao jogo, desde os ingressos da partida até na venda de produtos e serviços relacionados ao evento. Se a cidade não conseguir garantir essa isenção, o comitê organizador local é obrigado a reembolsar a liga por esses valores;

- A cidade precisa garantir acesso exclusivo e gratuito à liga para três campos de golfe de alto nível e 18 buracos para receber um torneio durante o fim de semana do Super Bowl. Além disso, a liga exige duas pistas de boliche de alto nível, também para torneio durante a semana do Super Bowl;

- A cidade precisa cobrir todas as despesas para que a NFL envie uma equipe de 180 profissionais para inspecionarem a cidade-sede pouco mais de um ano antes do Super Bowl;

- A cidade tem de disponibilizar 110 apartamentos para a equipe de produção e segurança do Super Bowl 40 dias antes do jogo. E esses imóveis não podem estar a mais de 20 minutos de carro do estádio;

- A liga exige um hotel com mil quartos. Tudo de graça, da hospedagem e uso de salas de reuniões até ao frigobar nos quartos;

- Se o sinal para celular estiver fraco nos hoteis dos times, o comitê organizador local tem de instalar estrutura para reforçar esse sinal;

- Todos os hoteis que receberão os times precisam ter a NFL Network nos quartos. Detalhe: desde um ano antes do Super Bowl.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o caos das ações de uma loja de games atingiu uma franquia da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
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A história da semana em Wall Street é a disputa envolvendo a GameStop. As ações da rede de varejo especializada em games começaram a flutuar de maneira imprevisível após se tornar ponto central em uma batalha entre grandes corretoras de ações e investidores comuns. A confusão ficou tão grande que pode até envolver o New York Mets. Sim, se no Brasil a gente diz que “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”, os Mets podem ser os personagens desta frase se dita por um norte-americano. 

A história começa quando corretoras de ações sentiram que a GameStop teria problemas no futuro. Assim, realizaram movimentos contando com a desvalorização dessas ações. A prática não é bem vista pela comunidade de investidores comuns nos Estados Unidos, e muitos se mobilizaram para contra-atacar. Eles se organizaram em grupos no Reddit para forçar a subida das ações da rede. As ações passaram de US$ 20 para mais de US$ 400 em poucas semanas. A disputa se transformou em uma queda de braço dos dois lados, mas os “day traders” (usuários comuns) venceram.

Obs.: o parágrafo acima foi uma explicação bem simplificada do caso. Clique aqui para entender com mais detalhes

Claro, quem apostava na queda das ações se deu mal, muito mal. O prejuízo para as corretoras é calculado em mais de US$ 5 bilhões. Uma das mais afetadas foi a Melvin Capital, controlada por Gabe Plotkin, que perdeu US$ 3,75 bilhões nessa operação. A empresa ficou descapitalizada e teve de receber ajuda de corretoras concorrentes para não ruir (uma quebra poderia causar efeito dominó no mercado). Quase US$ 1 bilhão veio da Point72, de Steve Cohen. 

Cohen ficou conhecido como o homem que inspirou o personagem Bob Axelrod na série de TV Billions, mas, para o mundo do beisebol, desde outubro ele é conhecido como “o novo dono do New York Mets”.

Claro, a notícia já criou ansiedade em torcedores dos Mets. Ainda mais porque os donos anteriores, a Família Wilpon, parou de investir no time depois de envolvida em um escândalo de pirâmide financeira. E a torcida já pensou que, como o universo sempre dá um jeito de conspirar contra os Mets, nem a fortuna aparentemente ilimitada de Cohen (o valor é calculado em US$ 14 bilhões) ficaria ilesa às perdas dessa batalha da GameStop. Não que ele fosse quebrar, mas talvez tivesse de rever alguns de seus gastos, incluindo os do beisebol.

Por isso, Cohen teve de ir às redes sociais para deixar claro que uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Ainda assim, muito torcedor dos Mets vai ficar de olho nas movimentações do clube nessas semanas finais de intertemporada, para ver se a franquia segue investindo pesado em reforços.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o caos das ações de uma loja de games atingiu uma franquia da MLB

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Hank Aaron, o homem que foi ídolo até de Muhammad Ali

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


“Que momento maravilhoso para o beisebol. Que momento maravilhoso para Atlanta e para o estado da Geórgia. Que momento maravilhoso para o país e para o mundo. Um homem negro é aplaudido de pé no Sul Profundo por quebrar o recorde de um ídolo de todos os tempos do beisebol.”

Vin Scully é um dos maiores narradores esportivos da história da TV. Como responsável pelas transmissões do Los Angeles Dodgers, ele estava na cabine do estádio de Fulton County quando a equipe californiana visitava o Atlanta Braves na abertura da temporada de 1974. Naquela noite, Hank Aaron rebateu o 714º home run de sua carreira, batendo o recorde de Babe Ruth e Scully presenteou o público com uma das melhores narrações de sua carreira.

A referência social em torno do feito de Hank Aaron poderia ser apenas simbologia, uma licença poética do narrador. Mas a narração descreve bem o que ocorria no momento. A superação da marca de Ruth era mais do que apenas um recorde histórico mudando de mãos, era uma questão racial.

LEIA TAMBÉM: Ligas Negras importam

Aaron mostrava ser um fenômeno desde o início de sua carreira na MLB, quando os Braves ainda atuavam em Milwaukee. Em seu segundo ano, 1955, foi o líder da liga em rebatidas duplas e teve 31,4% de aproveitamento no bastão. Na temporada seguinte, foi o melhor em rebatidas e em aproveitamento. Mais um ano se passa e ele foi o campeão de home runs e corridas impulsionadas. O único fundamento ofensivo em que ele não se destacava era roubos de base, ele acabou se tornando um ladrão de base bem decente no auge de sua carreira, já na década de 1960.

Até aí, a MLB teve vários rebatedores fenomenais: Ted Williams, Stan Musial, Willie Mays, Mickey Mantle… Ainda assim, o recorde de home runs de Babe Ruth permanecia intocado. Eram 714. Willie Mays tinha 660, Mickey Mantou parou em 536, Ted Williams ficou em 521, Lou Gehrig em 493 e Stan Musial em 475. Ou seja, ninguém chegou realmente perto da marca de Ruth. Era uma verdade absoluta, consolidada. O beisebol se desenvolveu por décadas tendo esse ícone rechonchudo, bonachão, neto de alemães, que construiu o maior templo e o time mais vitorioso da liga e ainda estabeleceu um patamar inatingível de home runs.

Hank Aaron
Hank Aaron Getty Images

Mas Aaron tinha uma virtude além do talento absurdo para rebater bolas: longevidade. O defensor externo dos Braves não parava de acumular temporadas em altíssimo nível. Teve um início de carreira explosivo na segunda metade da década de 1950 e viveu o auge nos anos 60, mas continuou na elite da MLB no início da década de 1970. E aí a marca de Ruth ficou em risco.

Seria normal que Aaron tivesse uma queda brutal a partir de 1969, quando chegou aos 35 anos. Mas ele seguiu forte: foram 44 home runs naquela temporada, 38 em 1970, 47 em 1971 e 34 em 72. Neste momento, ele já havia passado Mays e se tornado o segundo maior rebatedor de home runs da história. Estava a 40 de Ruth. Salvo uma grave lesão, o recorde ia cair.

Quando a ficha cai, Aaron se transforma em alvo dos mais diversos ataques racistas. Cartas e mais cartas chegavam, várias com insultos e até ameaças de morte. Algumas não se limitavam a jogar uma ameaça vazia no ar, mas também indicavam em que dia e jogo que ocorreria o assassinato. Mesmo torcedores dos Braves, desde 1966 jogando em Atlanta, faziam parte dos ataques. Nenhuma surpresa considerando o cenário no sul dos Estados Unidos, região onde se concentra a maior parte da torcida do Atlanta Braves e até hoje local com problemas raciais profundos.

O clube passou a registrar seu craque com nomes falsos em hoteis para enganar potenciais agressores ou assassinos. Além disso, ele passou a ser acompanhado por seguranças. Ainda assim, o Atlanta Journal chegou a escrever um obituário* de Aaron, já considerando que o atentado poderia ocorrer.

* Obituário: texto sobre a trajetória de uma pessoa famosa ou importante publicado quando ela morre. É comum veículos deixarem obituários prontos quando alguma figura importante pode morrer a qualquer momento, normalmente por doença grave

Apesar de todo esse clima, a temporada de 1973 é fantástica para Aaron. Ele rebate 40 home runs, empatando com Ruth. O novo recorde ficaria para 1974. Por isso, sabia-se que a abertura da temporada, contra os Dodgers. Jimmy Carter, governador da Geórgia na época, foi ao jogo presenciar o momento histórico.

O home run do recorde veio na quarta entrada. A torcida dos Braves festeja, claro. Apesar de tudo, os bons ainda são maioria. Ao pisar no home plate, Aaron recebe um abraço forte de Estella, sua mãe. Mais tarde, ela disse que não abraçou o filho para parabenizá-lo ou para dar um carinho no momento de glória, mas com medo que algum atirador aproveitasse o momento para agir. Aaron também não conseguia separar a alegria pelo feito esportivo de todo o contexto racial que esteve em torno de sua perseguição ao recorde, e a sensação de alívio pelo fim daquele processo -- e potencialmente das ameaças -- era tão forte quanto a satisfação profissional.

Aaron rebateu mais 19 home runs naquele ano. E mais 12 em 1975 e 10 em 76. Enfim a idade chegou. Encerrou a carreira com 755 home runs, marca só superada por Barry Bonds por meio de uso de doping, e 2.297 corridas impulsionadas e 6.856 bases totais, ainda hoje recordes da MLB. Foi selecionado para 25 All-Star Games consecutivos.

Terminou a carreira como o maior nome do esporte de Atlanta, de longe (mesmo na comparação com mitos como Dominique Wilkins e Evander Holyfield). Ele também chegou a ser ranqueado como o maior atleta do esporte do Wisconsin, à frente até de Kareem Abdul Jabbar, Aaron Rodgers e Brett Favre. 

Também engajou-se na questão racial, até usando sua experiência pessoal como exemplo do que ocorria com negros nos Estados Unidos. Inclusive, manteve guardada todas as cartas de ódio que recebeu ao longo da carreira, para nunca esquecer tudo o que passou. Não à toa, Muhammad Ali, provavelmente o maior símbolo mundial de união de desempenho esportivo de altíssimo nível com engajamento social, chegou a dizer que Hank Aaron era a única pessoa pela qual ele tinha mais consideração do que por ele próprio. 

Hank Aaron faleceu na última sexta, dia 22, aos 86 anos. Seu legado vai muito além do Atlanta Braves e da MLB. Atlanta Falcons (NFL) e Atlanta United (MLS) decidiram retirar seu número, o 44, por um ano como reconhecimento do que Aaron fez pela Geórgia. E os Estados Unidos perderam uma figura que deu seu melhor ao país, mesmo quando muitas vezes recebia de volta o pior.

Fonte: Ubiratan Leal

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Hank Aaron, o homem que foi ídolo até de Muhammad Ali

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Ligas Negras importam

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Major League Baseball, a liga maior. Suas estatísticas são a referência de grandeza do beisebol, assim como suas marcas são os recordes que valem. Ligas de outros países até têm relevância local, mas esta é a única reconhecida mundialmente. Pois, a partir deste ano, essas estatísticas e marcas receberão o histórico das Ligas Negras que existiram na primeira metade do século 20. Alguns recordes terão de ser redefinidos e, como praticamente tudo no mundo de hoje, virou tema de debate, contestação e acusação de politização do esporte.

As Ligas Negras foram diversas competições realizadas principalmente na primeira metade do século 20 apenas por jogadores negros. E, por “negros”, entenda-se “negros e latino-americanos de pele um mais escura que a média entre americanos brancos”, de acordo com os critérios da época. Na época, esses jogadores eram barrados na MLB por um acordo não-escrito entre donos de clubes e tiveram de criar suas próprias ligas para poderem viver de seu talento. 

Com o início da integração racial, em 1947, as principais estrelas das Ligas Negras foram contratadas por times da MLB. Aos poucos, essas ligas perderam seus principais nomes, o público foi migrando para a Major League e elas acabaram extintas em alguns anos.

Jackie Robinson, primeiro jogador a sair das Ligas Negras para se tornar estrela da MLB
Jackie Robinson, primeiro jogador a sair das Ligas Negras para se tornar estrela da MLB Getty

A aceitação do legado das Ligas Negras foi gradual. Em 2006, foi criado um comitê para imortalizar seus principais nomes no Hall da Fama do Beisebol. O Hall da Fama das Ligas Negras se tornou mais conhecido e respeitado pela comunidade do esporte. Ainda assim, as façanhas técnicas em campo não eram equiparadas às da MLB. Suas marcas não valiam.

Quando a própria MLB anunciou que colocava as Ligas Negras no patamar de “Grande Liga”, uma parcela de torcedores reclamou, alegando que a liga pretendia apenas melhorar sua imagem diante da comunidade negra, pois não seria justo equiparar o nível técnico. Mas será que é tão injusto assim?

Há dois argumentos fundamentais nessa questão. Primeiro: até a integração racial ser realmente efetiva, e aí já falamos do meio de década de 1950 ou talvez a de 1960, não dá para cravar que a MLB representava o que de melhor havia no beisebol. Dá para dizer que era o melhor que havia no beisebol praticado por brancos. Por mais que o nível técnico fosse claramente alto, não dá para ignorar que atletas negros e latinos tinham talento para estar naquele cenário, eventualmente dificultando (jogando para baixo) algumas das estatísticas coletadas até aquele momento.

Então, se até a integração são consideradas as marcas do “melhor beisebol entre brancos”, por que não valerem também as estatísticas do “melhor beisebol entre negros e latinos”? Não é justo considerar as duas equivalentes, cada uma dentro da divisão racial existente na época (essa sim, injusta e inaceitável)?

Além disso, é preciso lembrar que as estatísticas aceitas como as das “Grandes Ligas” não se referem apenas à MLB, a união de Liga Nacional e Liga Americana. Há décadas, a Major League Baseball já reconhecia também o valor de ligas criadas nos primórdios do beisebol, algumas delas concorrentes da própria MLB: American Association (1882-1891), Union Association (1884), Players’ League (1890) e Federal League (1914-1915). De acordo com pesquisadores, apenas a AA e a UA tinham nível técnico realmente equivalente ao da Liga Nacional (a Liga Americana não havia sido fundada, então o que entendemos hoje por MLB era apenas a Liga Nacional). Ah, todas essas ligas eram brancas também.

Então, por que é aceito sem tanta contestação que as estatísticas da Liga dos Jogadores e da Liga Federal sejam computadas dentro do guardachuva da MLB, e a das Ligas Negras recebe contestação?

Dessa forma, a decisão de equiparar as Ligas Negras à MLB pode até causar um estranhamento pelo fato de que alguns recordes famosos mudarão de mãos, mas é justo. Justo e atrasado, diga-se.

Fonte: Ubiratan Leal

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Ligas Negras importam

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Os Indians vão mudar de nome, mas quais seriam as melhores opções?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A notícia veio efetivamente em dezembro, mas já estava na cara que ia acontecer. Após décadas de manifestações, sobretudo da comunidade indígena norte-americana, o Cleveland Indians decidiu mudar de nome. A decisão faz parte do mesmo movimento que transformou o Washington Redskins em Washington Football Team (e futuramente em um Washington Qualquer-Apelido-que-Anunciarem-em-Breve).

Francisco Lindor, principal figura do Cleveland Indians nos últimos anos
Francisco Lindor, principal figura do Cleveland Indians nos últimos anos GettyImages

Já era esperado que o time mudaria de nome porque, em junho, anunciou que havia iniciado uma avaliação interna sobre essa possibilidade. Considerando que isso ocorreu justamente durante o movimento que levou milhões de norte-americanos às ruas para pedir o fim do racismo, a franquia não ia falar que “estava avaliando mudar um nome racialmente contestado” se não fosse para efetivamente mudar.

De qualquer forma, ainda não se sabe qual será o futuro nome dos Indians. Em 2021, o time ainda utilizará seu nome tradicional, mas já se sabe que estará de nome novo em 2022. Mas quais são os nomes favoritos da torcida até agora?

Obs.: a franquia deixou claro que não pretende adotar referências nativo-americanas

SPIDERS

Motivo: Cleveland Spiders foi um dos primeiros times (já extinto) de beisebol da cidade

É um dos favoritos pela torcida de acordo com pesquisas da imprensa de Cleveland. E é meu preferido pessoal também. A aranha é um animal amedrontador, algo sempre buscado por times profissionais. Além disso, elas foram estranhamente ignoradas nas principais ligas profissionais da América do Norte, então seria um nome único. E até já consigo imaginar ações como transformar as redes de proteção do estádio em teias (só pendurar aranhas no alto) e alguma ação ligada ao Homem-Aranha, já que o uniforme do heroi e do time têm as mesmas cores.

GUARDIANS

Motivo: um dos símbolos de Cleveland é a ponte Hope Memorial, famosa por duas grandes esculturas de guardiões (o s “Guardiões do Trânsito”)

O nome não tem tanto apelo fora de Cleveland, mas tem sido bastante defendido pela torcida. Sinal de que a população da cidade realmente vê os guardiões como ícones da cidade. E, convenhamos, é um nome portentoso para um time. Ainda mais se ele tiver um histórico muito bom jogando em seu estádio.

ROCKERS

Motivo: o nome “rock and roll” teria sido utilizado pela primeira vez por uma rádio de Cleveland para descrever o estilo musical que estava surgindo. Por isso, o Hall da Fama do rock fica em Cleveland

É o meu segundo preferido, porque, bem, eu gosto de rock. Mas, motivos egoístas à parte, seria realmente um bom nome. Além de fazer referência a um elemento histórico de Cleveland, ainda é uma palavra forte e ainda chamaria a atenção do planeta ao papel da cidade na história de um dos estilos musicais mais globalizados. O lado ruim é que ficaria muito parecido com o Colorado Rockies (referência às Montanhas Rochosas, “Rocky Mountains”).

Ohio State Buckeyes comemora título no futebol americano universitário
Ohio State Buckeyes comemora título no futebol americano universitário Joe Robbins/Getty Images Sport

BUCKEYES

Motivo: foi o nome de um time de Cleveland nas ligas negras (buckeye é nome da árvore-símbolo de Ohio e se tornou apelido para qualquer coisa referente ao estado)

Nome simpático, tem aceitação no estado e a referência às ligas negras é sempre bem-vinda. No entanto, há um problema sério: Buckeyes já é o apelido dos times da universidade Ohio State, uma das mais fortes do futebol americano. Se o Cleveland tentasse adotar o Buckeyes, a universidade poderia contestar, os torcedores da universidade que não ligam para os Indians poderiam contestar e até o Cincinnati Reds, outro time de Ohio na MLB, teria motivo para reclamar, pois poderia soar como uma tentativa do invasão de território de seu vizinho.

BASEBALL TEAM

Motivo: para que tanta dor de cabeça pensando em um mascote? Precisa ter um mesmo? Por que não deixar só “Baseball Team”, assim como os times de futebol são “Football Club”?

Paul Dolan, dono do Cleveland Indians, já disse que não gosta da ideia de usar um nome provisório e, por isso, a franquia não seria o Cleveland Baseball Team em 2021, como fez o Washington da NFL. Isso já enfraquece muito a ideia de o Cleveland adotar permanentemente esse nome com cara mais futebolística. Outro problema é que, se a franquia fica “vazia” no apelido, pode haver um incentivo para os defensores de “Indians” continuarem usando o nome antigo para se referir ao time. Dando um novo mascote, é mais fácil deixar para trás o antigo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Os Indians vão mudar de nome, mas quais seriam as melhores opções?

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Calendário do esporte americano em 2021

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A pandemia bagunçou todo o calendário do esporte em 2020. Praticamente todas as competições já retornaram, mas não é que a agenda de 2021 esteja normal. A parada forçou diversas mudanças de datas, de adiamento de um evento do tamanho dos Jogos Olímpicos à mudança (temporária) de período de disputa de ligas.

O esporte americano é um exemplo bastante claro disso. A temporada 2020-21 da NHL será, na prática, uma temporada 2021. A NBA começou quase no Natal e vai invadir julho. Os All-Star Games de NFL, NBA e NHL foram cancelados. E muitas datas importantes ainda nem foram anunciadas, há apenas uma intenção de realizá-la em determinada época do ano.

Para não se perder nessa bagunça toda, aí vai o calendário de 2021. Reforçando que todas as datas estarão sujeitas a mudanças de acordo com restrições que podem surgir pela pandemia.

Obs.: a WNBA ainda não anunciou seu calendário para 2021 e, como ela costuma evitar a concorrência direta com a NBA, não é possível projetar se ela manterá o período de disputa tradicional (maio a outubro) ou se também deslocará sua temporada

JANEIRO

1 - Semifinais do futebol americano universitário
9 - Início dos playoffs da NFL
11 - Final do futebol americano universitário
13 - Início da temporada da NHL

FEVEREIRO

7 - Super Bowl
27 - Início do Spring Training, a pré-temporada da MLB

Raymond James Stadium, sede do Super Bowl programado para 7 de fevereiro
Raymond James Stadium, sede do Super Bowl programado para 7 de fevereiro Joe Robbins/Getty Images Sport

MARÇO

16 - Início do March Madness, os playoffs do basquete universitário

ABRIL

1 - Início da temporada da MLB
5 - Final do March Madness
29 - Draft da NFL

MAIO

Primeira quinzena - Início dos playoffs da NHL (data ainda não definida)
22 - Início dos playoffs da NBA

JUNHO

22 - Início do pré-olímpico masculino de basquete

O Brasil disputará uma vaga no basquete olímpico com Croácia, Tunísia, Alemanha, Rússia e México
O Brasil disputará uma vaga no basquete olímpico com Croácia, Tunísia, Alemanha, Rússia e México MARK RALSTON/AFP/Getty Images

JULHO

? - Finais da Stanley Cup, a decisão da NHL (datas ainda não definidas)
4 - Final do pré-olímpico masculino de basquete 11 - Draft da MLB
13 - All-Star Game da MLB
21 - Início do torneio de softbol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
22 - Data de um eventual jogo 7 das finais da NBA
23 - Draft da NHL
24 - Início dos torneios masculino e feminino de basquete 3x3 dos Jogos Olímpicos de Tóquio
25 - Início do torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
26 - Início do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
27 - Final do torneio de softbol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
28 - Final dos torneios masculino e feminino de basquete 3x3 dos Jogos Olímpicos de Tóquio
28 - Início do torneio de beisebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
Fim do mês - Época provável para o Draft da NBA (pode ser no início de agosto)

AGOSTO

7 - Final do torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
7 - Final do torneio de beisebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
8 - Final do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
12 - Jogo do “Campo dos Sonhos” da MLB (Chicago White Sox x New York Yankees)

SETEMBRO

Início do mês - Época provável para o início da temporada 2021-22 do futebol americano universitário
9 - Início da temporada 2021-22 da NFL

OUTUBRO

5 - Início dos playoffs da MLB
Primeira quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 da NHL
Segunda quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 da NBA

O San Diego Padres investiu pesado para conquistar o título da MLB pela primeira vez em sua história
O San Diego Padres investiu pesado para conquistar o título da MLB pela primeira vez em sua história Getty Images

NOVEMBRO

Primeira quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 do basquete universitário
3 - Data de um eventual jogo 7 da World Series
25 - Rodada de Dia de Ação de Graças da NFL

DEZEMBRO

Segunda quinzena - Época provável para o início da temporada de bowls do futebol americano universitário
25 - Rodada de Natal da NBA

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Calendário do esporte americano em 2021

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Sem espírito natalino: o dia em que torcedores dos Eagles atacaram Papai Noel

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Época de festas é sempre assim: a chegada do Natal e a aproximação do reveillon leva as pessoas a se esforçarem para esquecer tudo o que ocorreu durante o ano para se alimentar da esperança que as coisas vão melhorar. Hora de reunir a família e priorizar o que importa. Menos para a torcida do Philadelphia Eagles. Ah, não tem clima natalino que resiste à corneta da Filadélfia. Pior para o Papai Noel.

Essa história começa em 1967. A temporada não havia sido das mais agradáveis para a torcida dos Eagles. O time vinha da quarta posição da NFL no ano anterior, mas caiu de rendimento e fechou o campeonato com 6 vitórias, um empate e 7 derrotas. Foi o suficiente para terminar em segundo lugar na divisão, mas o time ficou de fora dos playoffs. 

A expectativa para 1968 era se recuperar dessa queda, ao menos ser competitivo. Mas nem o mais pessimista torcedor das Águias imaginava o que viria. O Philadelphia caiu na estreia para o Green Bay Packers. Depois perdeu para os rivais New York Giants, Washington Redskins e Dallas Cowboys. E seguiu perdendo: Cowboys de novo, Chicago Bears, Pittsburgh Steelers, St. Louis Cardinals (atual Arizona, não o time de beisebol), Redskins de novo, Giants de novo e Cleveland Browns.

Após 11 rodadas, os Eagles tinham zero vitória, zero empate e 11 derrotas. Era o primeiro time da NFL a perder os primeiros 11 jogos de uma temporada desde os próprios Eagles de 1936 (o Oakland Raiders perdeu os 13 primeiros em 1962, mas isso ocorreu ainda na época de AFL). 

Tudo péssimo, mas a torcida teve um motivo para se animar. Com aquela campanha terrível, os Eagles ficariam com a pior campanha e teriam a primeira escolha no draft. E, naquele ano, todos estavam de olho em um running back fenomenal da USC, um dos melhores da história do futebol americano universitário: OJ Simpson (sim, o mesmo que ficou mais famoso hoje pelas páginas policiais).

[]

Faltando três rodadas para o final do campeonato, ter a prioridade para draftar OJ era o que dava alento ao torcedor dos Eagles. Até que veio a partida contra o Detroit Lions: vitória por 12 a 0. Ainda dava, o Buffalo Bills também tinha apenas uma vitória. Mas, na penúltima partida, o Philadelphia vence mais uma, 29 a 17 no New Orleans Saints.

Aí era demais para a paciência da corneteira torcida dos Eagles. O time igualava recorde de derrotas seguidas, era lanterna da divisão, perdeu de todos os rivais, e nem ao menos teria a primeira escolha do draft. O humor do torcedor filadelfiano era dos piores em 15 de dezembro, quando sua equipe receberia o Minnesota Vikings para a despedida da temporada.

O clima era péssimo. Torcedores tiveram de encarar a neve no caminho para o jogo e mesmo nas cadeiras, já que o estádio não era coberto e os Eagles não tinham limpado as arquibancadas. O clube tinha contratado um Papai Noel para animar a torcida no começo da partida, mas ele não apareceu. Era uma síntese de uma temporada terrível em todos os sentidos para o Philadelphia.

Ainda assim, a diretoria dos Eagles não tinha desistido de dar uma despedida natalina para seus seguidores. Ao ver um torcedor fantasiado de Papai Noel nas arquibancadas, foram chamá-lo. Era Frank Olivo, de 19 anos. Ele vestia uma roupa de Papai Noel barata, mal acabada e desajeitada. Ainda assim, perguntaram se o torcedor topava desfilar no gramado no intervalo da partida. Olivo topou.

Assim, quando acabou o segundo quarto, um torcedor vestindo uma roupa tosca de Papai Noel entrou no gramado e passou diante da torcida acenando. Ah, era muito otimismo esperar uma reação natalina das arquibancadas naquele cenário. Imediatamente começam as vaias. Quando Olivo chegou à endzone, alguns torcedores fizeram bolas com a neve com a qual ainda dividia espaço e atiraram no Papai Noel improvisado. Em resposta, Papai Noel começou a mostrar o dedo médio para a torcida cantando “vocês não vão ganhar nada do Papai Noel neste ano”.

Naquela temporada, o Buffalo Bills ficou com a primeira escolha no draft e selecionou OJ Simpson. Ele bateu o recorde de jardas corridas em uma temporada. Os Eagles tiveram a terceira escolha e recrutaram o running back Leroy Keyes, que foi titular em 1969, virou reserva em 1970, se tornou safety em 1971 para ter mais oportunidades e foi negociado com o Kansas City Chiefs em 1972, sua última temporada na NFL.

Frank Olivo morreu em 2015, aos 66 anos, vítima de problemas cardíacos. Seu obituário no jornal Patriot-News, começava assim: “O homem famoso na história do esporte da Filadélfia como o Papai Noel que foi vaiado e atingido por bolas de neve em um jogo dos Eagles no inverno de 1968 faleceu”.

Fonte: Ubiratan Leal

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Orlando Duarte: dez Olimpíadas e 14 Copas, mas tudo começou com o… beisebol

Ubiratan Leal
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“O Eclético.” O apelido que acompanhava Orlando Duarte já enfatizava sua principal faceta: era um coringa do jornalismo esportivo. Analisou futebol com a mesma naturalidade que teve quando foi comentarista de boxe, escreveu a primeira grande obra de referência dos Mundiais no Brasil (“Todas as Copas do Mundo”), mas fez o mesmo para as demais modalidades com seu “Todos os Esportes do Mundo”.

Orlando Duarte escreveu o livro: Pelé, o supercampeão!
Orlando Duarte escreveu o livro: Pelé, o supercampeão! []

Ainda hoje essa é uma característica rara nas redações de esportes, na década de 1950, quando iniciou sua carreira, mais ainda. Com isso, tornou-se uma figura importante no jornalismo esportivo brasileiro, a ponto de ser destacado para cobrir 14 Copas do Mundo e dez Jogos Olímpicos. Uma história profissional que começou com impulso de uma modalidade improvável, o beisebol.

Duarte nasceu em Rancharia, cidade no oeste paulista a 520 km de São Paulo. Ele cresceu próximo à comunidade japonesa e praticou beisebol na juventude. Poderia ser apenas uma passagem rápida de infância, mas o “esporte da base”, como era conhecido na época, o seguiu quando o jornalista se mudou para trabalhar na capital.

Nota da Gazeta Esportiva destacando a primeira cobertura internacional de Orlando Duarte
Nota da Gazeta Esportiva destacando a primeira cobertura internacional de Orlando Duarte Reprodução A Gazeta Esportiva

Como redator da Gazeta Esportiva, Orlando Duarte era o responsável pela cobertura das competições de beisebol. O dia a dia era de notícias dos jogos que aconteciam pelo estado de São Paulo, mas, em 1956, ele foi convidado para acompanhar a delegação do time da Associação Desportiva Osvaldo Cruz na disputa de um triangular em Buenos Aires. Foi a primeira cobertura internacional da carreira do jornalista.

Um ano depois, São Paulo já fazia planos para celebrar o cinquentenário da imigração japonesa no Brasil. Uma das ideias era construir um grande estádio de beisebol no bairro do Bom Retiro, no local do campo de alguns times amadores do futebol paulistano. Duarte acompanhou as reuniões para o que se tornaria o estádio Mie Nishi não apenas como jornalista, mas também como secretário do Conselho Municipal de Esportes.

Anúncio da construção do estádio de beisebol do Bom Retiro
Anúncio da construção do estádio de beisebol do Bom Retiro Reprodução A Gazeta Esportiva

Com o passar do tempo, Duarte foi ganhando espaço e passou a participar das coberturas mais nobres da pauta. Em seu trabalho enciclopédico com o esporte, o beisebol parecia aos olhos do público apenas mais uma modalidade que O Eclético acompanhava. Mas o beisebol teve um papel fundamental no início da brilhante carreira. E o jornalista retribuiu participando do projeto do maior estádio do “esporte da base” no Brasil.

Orlando Duarte faleceu nesta terça, 15 de dezembro, em São Paulo. Ele já sofria com as consequências de Alzheimer nos últimos anos, mas foi vítima de Covid-19.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que o beisebol precisa fazer se quiser voltar (mais uma vez) aos Jogos Olímpicos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Eric Pardinho, arremessador da seleção brasileira de beisebol
Eric Pardinho, arremessador da seleção brasileira de beisebol Divulgação/MLB

A comunidade do beisebol nem pôde sentir o gosto de estar de volta aos Jogos Olímpicos que já tem de lamentar sua saída. Nesta semana, o Comitê Olímpico Internacional oficializou o programa para Paris-2024. E o beisebol foi retirado da lista de modalidades. O pior é que, com o adiamento de Tóquio-2020 por causa da pandemia de covid-19, o anúncio da saída ocorreu antes mesmo de ele retornar efetivamente, o que ocorrerá só em julho de 2021.

A notícia não surpreendeu quem acompanha o noticiário em torno dos Jogos. O COI criou uma nova categoria de modalidade olímpica, que podem entrar em uma edição do evento, mas não é permanente. O beisebol - que foi modalidade olímpica de 1992 a 2008 - conseguiu retornar em Tóquio nesse sistema, aproveitando a popularidade que tem no Japão. Não haveria muitos motivos para mantê-lo em Paris.

Em teoria, dá para acreditar que o beisebol volte nos Jogos de Los Angeles em 2028. No entanto, está longe de ser uma garantia. Até porque o beisebol tem enorme popularidade nos Estados Unidos, mas o beisebol de seleções, principalmente o beisebol olímpico, não é visto como algo especialmente atraente ao público. Considerando a cultura de rua da cidade californiana, é provável que o COI aproveite a oportunidade para colocar mais esportes de ação no programa e recuperar mais terreno entre o público jovem.

Seria péssimo para o beisebol se isso ocorresse, mas seria justo. A modalidade fez um grande lobby para voltar aos Jogos Olímpicos, a ponto de fundir as federações internacionais de beisebol e a de softbol em uma única entidade (a World Baseball Softball Confederation) para articular melhor a campanha. No entanto, no que ganhou a disputa para Tóquio-2020, fez tudo errado e deu argumentos para o COI achar que o beisebol -- e o softbol -- não merecem um lugar nas Olimpíadas. E estar no maior evento poliestportivo do planeta é importante ao beisebol, sim. Para as grandes ligas profissionais do mundo não faz tanta diferença, mas a persença nos Jogos ajuda a destinar mais recursos às federações nacionais de vários países de segundo e terceiro escalão do cenário internacional.

Então, o que o beisebol precisa fazer se quiser retornar aos Jogos em 2028?

1) Criar um torneio realmente atraente

Os torneios de beisebol e softbol em Tóquio-2020 são quase uma ofensa ao torcedor. São apenas seis equipes em cada um, muito pouco para representar a força internacional das duas modalidades, deixando várias potências sem vaga. Para piorar, o sistema de disputa que exige formação em matemática avançada para entender, com dois grupos de três em que todos os times se classificam para o mata-mata.

Como os japoneses e sul-coreanos são fanáticos por beisebol e vão disputar o torneio, é até possível que os públicos nas partidas das duas seleções -- caso tenhamos público sem restrição nos estádios, claro -- sejam bons. Mas o nível de interesse da competição será muito baixo tanto na venda de ingressos quanto na atenção da mídia.

2) Disponibilizar bons jogadores

Um torneio com camisas pesadas e regulamento que promove emoção é importante, mas ter bons jogadores em campo é fundamental para chamar a atenção da mídia e do público. Isso não é uma questão para o torneio olímpico de softbol, mas é grave no beisebol. 

Os Jogos Olímpicos são disputados sempre durante a temporada da MLB, da NPB (liga japonesa) e da KBO (liga sul-coreana). Essas duas últimas ligas abrem uma janela no calendário para o evento poliesportivo devido à importância que Japão e Coreia do Sul dão a suas seleções, mas a liga norte-americana não faz o mesmo.

Claro que seria lindo ver os grandes astros da MLB nos Jogos Olímpicos, mas isso não vai acontecer. E nem precisaria para o torneio despertar interesse. Bastaria a MLB e a associação de jogadores se comprometerem em criar um modelo em que bons jogadores fiquem à disposição de suas seleções. Por exemplo, qualquer jogador de liga menor que não esteja no elenco de 40 de uma franquia da MLB. Isso tiraria todas as estrelas da MLB e alguns dos jovens prontos para estrear, mas ainda abriria espaço para a participação de dezenas de jogadores muito promissores, capazes de integrar um time competitivo e que ainda despertaria o interesse do público que quer ver o futuro craque do seu time em ação.

3) Aumentar o comprometimento com o beisebol internacional

A MLB merece muitos elogios pela criação do World Baseball Classic, a Copa do Mundo do beisebol. É um torneio atrativo, com participação de grandes estrelas das grandes ligas. Mas fica só nisso. O beisebol como modalidade não encontrou um modelo para as competições de seleções.

O motivo histórico disso é fácil de entender: antes da cooperação da MLB e da NPB na criação de um novo Mundial, a federação internacional simplesmente tocava a sua vida com “o resto” da modalidade. O antigo Mundial era basicamente amador e não se criou uma cultura de torneios de seleções relevantes.

Pois agora é momento de mudar. As estrelas da MLB são para o WBC, mas dá para criar um calendário que movimente seleções nacionais girando em torno do desenvolvimento de promessas em ligas menores ou descoberta de talentos estrangeiros. Tendo um calendário com lógica, continuidade e promoção bem feita para mobilizar o público, dá para aumentar o interesse por esse tipo de torneio.

O Premier12 é um torneio interessante, disputado a cada dois anos. Mas ele sempre gira em torno das mesmas seleções e soa distante do público das Américas. Talvez a criação de uma Liga das Nações, com divisões, ajudaria a reforçar rivalidades nacionais e a fomentar o beisebol em países de segundo escalão, como Colômbia, Panamá, Itália, Nicarágua e até o Brasil.

4) Ajudar no desenvolvimento do softbol ou do beisebol feminino

É uma medida importante por três caminhos: social, econômico e político. O social se refere à inclusão de centenas de mulheres e garotas que têm talento beisebol e softbol e não têm oportunidade de transformar isso em uma profissão. Até existe uma liga profissional de softbol nos Estados Unidos, a National Pro Fastpitch, mas ela é completamente desconhecida de boa parte do público. No beisebol feminino, não há nada. Do ponto de vista humano, esse é o motivo mais importante para abraçar essa ideia, mas claramente não será esse o motor de uma decisão.

Então vamos às razões mais pragmáticas. Economicamente, ajudar o desenvolvimento do softbol profissional feminino e estabelecer o beisebol feminino é fundamental para aumentar a popularidade da modalidade entre as mulheres. Só ver como o basquete cresceu entre as mulheres americanas a partir da criação da WNBA. É um público potencial de centenas de milhões de pessoas que ajudariam a reforçar o mercado da MLB.

O impacto político, porém, é o que teria mais influência nos Jogos Olímpicos. O COI claramente tenta tornar o evento o mais igualitário entre gêneros. Ainda que o softbol feminino faça espelho ao beisebol masculino, claramente há uma distância muito grande no desenvolvimento econômico e de apelo de público entre as duas modalidades. Ter uma imagem de modalidade “para todos os gêneros” daria força na disputa por uma vaga no programa olímpico de 2028 ou além disso.

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O que o beisebol precisa fazer se quiser voltar (mais uma vez) aos Jogos Olímpicos

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O basquete universitário teve dezenas de jogos adiados antes mesmo de começar

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Cento e vinte jogos, 240 times em quadra. Tudo na mesma noite. A NCAA programou uma quarta cheia para abrir a temporada do basquete universitário americano, e isso só contando a primeira divisão do torneio masculino. Contando as demais divisões e o torneio feminino, em quase todo canto dos Estados Unidos haveria uma partida acontecendo. Mas a realidade bateu rápido na porta. Um dia antes, 20 partidas (16,7% do total) foram canceladas ou adiadas por casos de Covid-19 em um ou em ambos os times.

Os campeonatos começaram, mas há dúvidas sobre a capacidade de seguir adiante normalmente. Com a segunda onda da pandemia chegando forte nos Estados Unidos, os casos têm crescido bastante, inclusive entre universitários. Por isso, várias instituições voltaram a realizar apenas aulas à distância ou a fazer rodízio entre quem faz aula presencial e quem acompanha de casa de forma a limitar a aglomeração de alunos.

Isso até pode reduzir o risco de contágio pelo coronavírus entre os estudantes normais, mas os estudantes-atletas vivem em regime diferente. Até podem fazer algumas das aulas de seu alojamento, mas terão de circular pelas instalações da universidade no dia a dia, para treinos ou jogos. Além disso, ficarão viajando por meses de um lado para o outro do país, entrando em contato com pessoas em regiões em nível diferente de gravidade da pandemia.

Por causa disso, muitas universidades relutaram demais em abraçar a temporada 2020-21. Muitas cancelaram temporariamente os programas de modalidades menos lucrativas. No entanto, a decisão é mais difícil quando se trata de futebol americano e basquete, os esportes financeiramente mais pesados. A saúde dos atletas ficou -- como em quase todas as ligas profissionais do mundo -- em segundo plano. A prioridade foi “dar um jeitinho” de os jogos acontecerem.

No futebol americano, algumas universidades adiaram a temporada para o primeiro semestre de 2021, abrindo mão de um título nacional ou de um bowl entre dezembro e janeiro, mas aumentando a chance de completar uma temporada com menos casos de Covid e, com sorte, até botando mais torcedores nos estádios. Ainda assim, a competição é muito facilitada pelo fato de as partidas ocorrerem apenas uma vez por semana, normalmente aos sábados. Dessa forma, há mais condições de trabalhar para reduzir índice de contágio e gerenciar o elenco para o caso de atletas aparecerem com testes positivos para a doença.

O basquete tem situação muito mais delicada. Há muito mais partidas (e viagens) ao longo da temporada, o que aumenta o risco de contágio e reduz a capacidade de gerir o elenco na eventualidade de ocorrer um surto entre jogadores e comissão técnica. Por isso tantos jogos já foram adiados logo na primeira semana.

Preencher as chaves do March Madness: uma das maiores tradições do esporte americano
Preencher as chaves do March Madness: uma das maiores tradições do esporte americano Getty

A esperança da NCAA era realizar torneios de início de temporada dentro de uma bolha em Orlando, como fez a NBA na reta final de temporada regular e nos playoffs entre agosto e outubro. No entanto, a Disney -- dona das instalações utilizadas -- afirmou não haver condições para realizar outra operação semelhante agora. Desse modo, o basquete universitário tem de se arriscar em um campeonato normal, sem bolhas e com os times jogando em seus estádios, contando com protocolos e cuidados individuais de cada atleta e membro de comissão técnica para que todos fiquem em segurança. Só o March Madness (playoffs) iria para uma bolha.

As universidades resolveram bancar essa aposta por causa do impacto que a pandemia já teve no basquete universitário na temporada passada. A paralisação das competições esportivas ocorreu bem no meio dos playoffs de conferência, uma semana antes do início do March Madness. O mata-mata do basquete masculino é responsável por 85% do faturamento total da NCAA, cujos direitos comerciais e de transmissão somam US$ 875 milhões por ano. Com o cancelamento do torneio nacional, a entidade teve de distribuir às universidades US$ 375 milhões a menos do que o previsto.

Por isso, a ideia é tentar fazer. No entanto, talvez tenha faltado um pouco de jogo de cintura da entidade e das universidades. E quem mostrou como era possível fazer uma temporada um pouco mais racional foi Rick Pitino. 

O técnico já cometeu diversas violações às regras da NCAA durante sua carreira, mas também é um dos grandes nomes da modalidade e entende bem a realidade do basquete universitário. “Vou dizer para qualquer um que quiser ouvir: empurrem a temporada para março e depois fazemos o May madness. Dê uma chance à vacina, no melhor interesse de todos envolvidos”, tuitou no último dia 23.

Faz todo sentido. Das competições mais importantes do esporte americano, nenhuma depende tanto financeiramente de seus playoffs quanto o basquete universitário. Por isso, preservá-lo seria o mais importante, e é possível fazer uma temporada regular de dois meses se forem programados apenas jogos dentro de cada conferência. 

Mas a NCAA preferiu bancar a ideia de manter o calendário original. Que os atletas e profissionais envolvidos e as universidades não paguem um preço alto por isso.

Fonte: Ubiratan Leal

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Balanço: os premiados, quem sai em alta e quem sai em baixa na temporada 2020 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Um jogo acirrado entre duas equipes, decisão polêmica que valerá discussão por algumas semanas (talvez até mais que isso), um campeão incontestável e que tirou de uma fila de décadas uma das franquias mais populares do país e ainda redimiu um dos maiores jogadores deste século. No final das contas, a Major League Baseball tem motivos para se sentir aliviada com o final da temporada 2020 e o título do Los Angeles Dodgers.

A sensação final é realmente de alívio, mas há quem saiu dessa podendo comemorar ou lamentar. E alguns que ficaram com uma sensação agridoce na boca. Então, que tal um balanço do que a temporada deixou de mais impactante?

PRÊMIOS

MVPs:  José Abreu (Chicago White Sox) e Freddie Freeman (Atlanta Braves)
Cy Young (melhores arremessadores): Shane Bieber (Cleveland Indians) e Trevor Bauer (Cincinnati Reds)
Estreantes do ano: Kyle Lewis (Seattle Mariners) e Devin Williams (Milwaukee Brewers)
Técnicos do ano: Kevin Cash (Tampa Bay Rays) e Don Mattingly (Miami Marlins)

EM ALTA

Los Angeles Dodgers

A franquia se planejou por anos para ter o time mais forte da MLB, e conseguiu fazer isso dominando uma divisão que tem o time mais vitorioso da primeira metade desta década. Só faltava carimbar o processo com o título, e ele sempre vinha escapando. O escândalo de roubo de sinais do Houston Astros em 2017 fez a sensação de vazio ficar ainda maior, e até reenergizou o elenco para 2020. 

O título soou justo e até atrasado por tudo o que os Dodgers vinham fazendo. E, além disso, ainda tirou um pouco o peso da indignação pela derrota de três anos atrás.

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Clayton Kershaw

Um dos melhores arremessadores da história era perseguido pelas atuações fracas em playoffs. Na verdade, Kershaw teve várias grandes atuações em playoffs, mas estas eram sempre seguidas de desempenhos para lá de decepcionantes. Ele precisava de uma pós-temporada inteira de alto nível, e teve uma.

Em cinco jogos, teve apenas um que podemos rotular como “decepcionante”, e ainda assim não foi uma porcaria completa. O ERA de 2,31 na World Series quantifica as boas atuações no momento mais importante do ano. Para melhorar, ele ainda termina o ano como o arremessador com mais strikeouts em jogos de playoff na história.

O currículo dele no mata-mata ainda é muito inferior, mas não cobrarão mais dele a falta de um grande desempenho na hora mais decisiva do campeonato. É um dos maiores da história, e agora sem aparecer um “mas vamos lembrar que” quando falarmos de sua capacidade.

San Diego Padres

Há anos que os Padres estão trabalhando para montar um time competitivo. Reuniram um grupo de jovens muito talentosos e contrataram alguns veteranos interessantes. A evolução existia, mas ainda faltava o momento em que esse elenco explodisse para passar a ser visto como potencial concorrente ao título.

Esse momento veio em 2020. É verdade que a temporada curta pode distorcer a percepção, mas os Padres viram seus jovens crescerem demais, os veteranos apareceram bem e a equipe ainda mostrou capacidade de competir contra equipes mais experientes nos momentos decisivos.

Ver os rivais Dodgers ficarem com o título é ruim, mas o sentido de urgência no time de Los Angeles será menor a partir do ano que vem, o que pode até abrir uma pequena brecha para o San Diego brigar pelo topo da divisão nos próximos anos.

Chicago White Sox

A história dos White Sox é muito semelhante à dos Padres. A base jovem enfim mostrou capacidade de competir no alto nível. Ainda não está tão explosivo como os Padres, mas há uma clara sensação de que o time já está pronto para dominar sua divisão por algumas temporadas. 

Novas regras

Rebatedor designado na Liga Nacional, playoffs expandidos, entradas extras começando com corredores em base e rodadas duplas com jogos de 7 entradas. Todas essas mudanças foram implementadas em 2020 com o argumento da pandemia e não voltam para 2021. Ainda assim, dá para dizer que terminam em alta. Não que tenham necessariamente dado certo (há muita discussão entre o público do beisebol sobre elas), mas o fato de terem achado uma brecha para serem usadas aumentam a chance de acabarem oficializadas no futuro (só a última, a das rodadas duplas, soa improvável).

NO LIMBO

Estatísticas avançadas

Os Dodgers têm o melhor time da MLB, mas utilizam bastante as estatísticas avançadas para realizar seu planejamento de elenco e estratégias de jogo. Quanto aos Rays, dá para dizer que nem chegariam aos playoffs se não usassem um apoio pesado da análise de números. É evidente que as estatísticas se tornaram parte fundamental do beisebol, não adianta lutar contra isso.

No entanto, a decisão do técnico dos Rays, Kevin Cash, de substituir o dominante Blake Snell no jogo 6 da World Series não pode ser ignorada. Os números recomendavam a alteração, mas qualquer observador da partida perceberia que o arremessador estava em um dia fora da curva, inclusive de sua curva. Os Dodgers viraram o jogo e fecharam a série a partir dessa alteração, e já há uma discussão forte sobre quando o instinto do treinador pode ser aplicado a despeito das estatísticas.

Atlanta Braves

Os Braves já eram tidos como o time mais talentoso da Liga Nacional depois dos Dodgers. Isso foi confirmado nesta temporada, com desempenho espetacular de Freddie Freeman, Max Fried, Ian Anderson, Travis d’Arnaud e Ozzie Albies, além de momentos explosivos de Ronald Acuña Jr. Na final da Liga Nacional, a equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os futuros campeões e chegar à World Series.

Sinal de que o time realmente é forte e chega como candidato real ao título em 2021? Certamente, mas também fica uma questão: mais uma vez, os Braves mostraram incapacidade de crescer no momento decisivo. Na temporada passada, o Atlanta já era visto como força emergente e falhou nos playoffs, também em uma série que parecia ganha. 

Como a base é jovem, o time deve ser competitivo por alguns anos ainda. Mas a história da franquia já foi marcada por grandes esquadrões que sistematicamente caíam no mata-mata. Talvez seja hora de investir em alguns jogadores pesados para dar mais contundência à equipe.

Houston Astros

Depois do escândalo de roubo de sinais, era evidente que o desempenho dos Astros seria um dos assuntos do campeonato. Na temporada regular, a narrativa de “o Houston só ganhou porque trapaceou” ganhou força. A equipe fez uma campanha bastante apática, ficando abaixo de 50% de aproveitamento e vendo alguns dos jogadores mais importantes, como José Altuve, Alex Bregman e Yuli Gurriel, com estatísticas muito abaixo do que costumam apresentar.

No entanto, os Astros acabaram se classificando aos playoffs devido à fragilidade dos concorrentes em sua divisão. E, no mata-mata, o time ressurgiu. Altuve, Correa e Springer tiveram grandes atuações e o Houston ficou a uma vitória de chegar à terceira World Series em quatro anos. Serviu de alívio, e comprovação de que a franquia até trapaceou, mas o time tem qualidade para ir longe no mata-mata.

Houston Astros celebram corrida durante a World Series de 2017
Houston Astros celebram corrida durante a World Series de 2017 Getty

MLB na TV

A World Series de 2020 teve a pior audiência de sua história na TV americana. Em média, 9,78 milhões de pessoas viram cada partida da decisão da MLB, superando com folga a marca negativa anterior, de 12,64 milhões da final de 2012 entre San Francisco Giants e Detroit Tigers (uma varrida, o que normalmente tira o interesse dos jogos). Sim, isso é uma notícia ruim para o beisebol, então por que o item ficou como “no limbo”.

Os números são baixos na comparação com os anos anteriores, mas a MLB teve indicações positivas também. Os eventos esportivos como um todo tiveram queda brutal de audiência na TV dos EUA neste ano de pandemia. E, na comparação com as finais da NBA, pela primeira (e provavelmente única) vez na história disputada na mesma época do ano e com times de mercados quase iguais (Los Angeles x uma grande cidade da Flórida), a MLB se saiu melhor. A série entre Los Angeles Lakers e Miami Heat teve média de 7,45 milhões de telespectadores.

Além disso, a MLB ainda teve quatro dos cinco eventos esportivos fora da NFL mais vistos na TV americana desde o retorno das ligas após a parada da pandemia. Ou seja, os números absolutos foram ruins, mas o beisebol mostrou força dentro de um ano ruim para o esporte.

EM BAIXA

Kevin Cash

O técnico do Tampa Bay Rays foi um dos melhores da temporada. Manteve sua filosofia de usar as estatísticas como principal fator nas tomadas de decisão durante todo o ano. E, como ocorreu já na temporada passada, teve muito sucesso. Levou os Rays à melhor campanha na temporada regular da Liga Americana e à segunda participação na World Series.

No entanto, isso tudo é meio o que se sabia que ele era capaz de fazer. Quando precisou lidar com uma situação fora do roteiro, como no caso de manter ou não Blake Snell no montinho no jogo 6 da finalíssima, Cash decidiu sacar o arremessador. A decisão era justificável pelos números, nem tanto pelo instinto. E o instinto venceu neste caso: os Rays imediatamente tomaram a virada e o título foi para Los Angeles.

Cash ainda é um dos melhores técnicos da MLB, mas teve de lidar com críticas de seus próprios jogadores após a partida e será visto com desconfiança por torcedores e jornalistas em 2021.

New York Yankees

A MLB viu o surgimento de alguns supertimes nos últimos anos: Astros, Dodgers, Yankees e Red Sox. Era evidente que, deste grupo, o Los Angeles era o que mais tinha urgência pelo título. Investiu fortunas para montar um esquadrão e seguia em uma fila de mais de três décadas. Mas, enfim, esse título veio.

Agora, os Yankees são o único desses supertimes a não conquistou uma World Series nos últimos quatro anos. Pior, a franquia mais rica e vitoriosa do beisebol já passou mais de uma década sem título, sem sequer chegar a uma World Series. O time atual é muito bom, desde já um forte candidato ao título em 2021, mas vai começar a temporada sob uma pressão ainda maior que o normal.

Aaron Judge, principal estrela dos Yankees
Aaron Judge, principal estrela dos Yankees Sean M. Haffey/Getty Images Sport

Boston Red Sox

Sabia-se que os Red Sox teriam uma temporada de baixa. A franquia jogou pesado para reconquistar o título nos últimos anos, e conseguiu o feito em 2018. Para 2020, trocou o general manager, viu seu técnico ser suspenso por um ano pela participação no escândalo de roubo de sinais do Houston Astros (Alex Cora era auxiliar do time texano em 2017) e ainda topou negociar seu melhor jogador, Mookie Betts. 

No entanto, não dava para imaginar que a queda seria tão brutal. O Boston vagou pela temporada em um ambiente melancólico, uma equipe sem rumo que parecia apenas cumprir tabela desde o primeiro jogo da temporada regular. No papel, a equipe ainda tinha capacidade de fazer uma campanha digna e até ficar no pelotão que pegou um dos wildcards da Liga Americana, mas não passou nem perto. Ficou atrás até do Baltimore Orioles, time sabidamente em reformulação total.

Para 2021, Cora estará de volta e os Red Sox terão o retorno de jogadores importantes como Chris Sale (perdeu o ano todo por lesão). Mas talvez a exigente torcida fique uns dois ou três anos vendo a franquia encontrar um novo rumo até voltar a brigar por títulos.

Rob Manfred

A temporada 2020 aconteceu. Foi marcada uma tabela, praticamente todos os jogadores se apresentaram, as partidas foram realizadas, houve playoff -- até com público em parte dele -- e um campeão reconhecido por todos foi consagrado. Isso já é uma ótima notícia para a liga e seu comissário, Rob Manfred. No entanto, todo o resto gera dúvidas a respeito da capacidade do chefão da MLB liderar a liga.

As negociações com os jogadores sobre como seria o acordo financeiro para a disputa da temporada 2020 foi repleta de problemas e acirrou o clima entre liga e sindicato para a renovação do acordo trabalhista no ano que vem. Além disso, foi preciso ocorrer surtos de covid em alguns clubes para que a liga conseguisse mobilizar os jogadores sobre como respeitar os protocolos de saúde durante a temporada regular. E, ainda assim, a MLB teve de ver atletas reclamando -- com razão -- de dividirem hoteis com hóspedes comuns, que não estariam necessariamente respeitando as normas de segurança.

Por fim, Manfred viu a temporada acabar com um caso de Covid-19 que surgiu no meio do que deveria ser uma bolha da MLB em Dallas, com Justin Turner descobrindo seu caso durante a última partida e se negando a manter o isolamento na hora de celebrar o título. 

O comissário terá muito trabalho para retomar sua força aos olhos do público.

Saúde financeira da liga

Segundo cálculos da própria liga, a MLB teve prejuízo de US$ 3,1 bilhões por fazer uma temporada curta e sem público em 2020. Já se imaginava que seria um ano de perdas, mas é inevitável que isso tenha um impacto nos próximos anos: mais dificuldade para negociar o próximo acordo trabalhista, jogadores com salários mais baixos nos novos contratos e busca por novas formas de arrecadação para minimizar as perdas. Em médio prazo, esse prejuízo pode ainda acelerar a busca pela expansão da liga para 32 franquias.

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