MLB dá passo importante para adotar zona de strike digital nos próximos cinco anos

Ubiratan Leal
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Efeito digital simulando a zona de strike em transmissão de TV
Efeito digital simulando a zona de strike em transmissão de TV Reprodução TV

Contagem em 3 bolas e um strike. Bases lotadas, dois eliminados. Parte de baixo da oitava entrada e o time que está no bastão perde por uma corrida. Oportunidade clara de empatar ou mesmo virar o marcador. O arremessador manda uma bola rápida na parte externa, dois centímetros para fora. Walk e placar empatado, mas… o juiz dá strike! O rebatedor faz cara de quem comeu e não gostou, a torcida xinga, o narrador da TV levanta voz para dizer algo como “uma marcação controversa que pode mudar os rumos da partida”. E muda. No arremesso seguinte, o rebatedor, ainda irritado, vai para o swing em uma bola de efeito fora da zona de strike e é eliminado. O placar segue sem alteração e, na nona entrada, o fechador completa o serviço e garante a vitória de sua equipe.

O cenário descrito acima é extremo, mas acontece algumas vezes toda temporada. Se somarmos a isso outros momentos em que uma única marcação errada de bola ou strike teve influência no resultado final, chegamos em dezenas de casos por ano, muitos deles em partidas de playoff que podem decidir a classificação de uma equipe. Por isso, a marcação de bolas e strikes motivam sempre tanta polêmica. Ainda mais porque se trata da ação mais básica do beisebol, pautando cada um dos cerca de 300 arremessos que ocorrem por jogo.

Não à toa, televisão, clubes e empresas especializada em análise de desempenho desenvolveram radares que rastreiam o arremesso. Eles identificam onde a bola passou, se a marcação do árbitro foi correta ou mesmo se o jogador se equivocou na leitura do arremesso. E fica a pergunta: se já há radares disponíveis, por que diabos a MLB não adota definitivamente a marcação eletrônica e tira da mão do árbitro?

Bem, isso pode acontecer em breve. E tivemos um passo importante nesta segunda. Uma reportagem da Associated Press revelou que o novo acordo trabalhista assinado com a Major League Baseball, a Associação de Árbitros da MLB concorda em cooperar no desenvolvimento e no teste de radares para a marcação de bolas e strikes. A entidade também aceita colaborar se a liga decidir colocar a tecnologia em ação.

Pode soar como algo pequeno, mas não é. Pela relação entre a MLB e o sindicato, a aprovação dos árbitros é fundamental para a mudança de uma regra que afetará diretamente sua atividade. Também é preciso haver uma aprovação do sindicato de jogadores, mas essa seria mais simples para esse caso.

O acordo entre a liga e o sindicato de árbitros é válido pelos próximos cinco anos, e, se a marcação eletrônica for adotada, é provável que seja em algum momento dentro desse período. Em 2019, a MLB assinou um acordo com uma liga independente, a Atlantic Coast League, para a experimentação de novas regras no jogo. Uma delas foi o uso de radares para a definição de bolas e strikes e o teste foi considerado bem sucedido. Não houve perda significativa de tempo no anúncio das decisões e os jogadores pareceram aceitar a mudança. Ainda há ajustes a realizar, como no caso de bolas de curva com efeito muito acentuado e que ficam no limite de entrar ou não na zona de strike.

A adoção de radar para bolas e strikes não eliminaria o árbitro do home plate. No sistema que tem sido testado, ele anuncia a marcação normalmente, seguindo a informação que recebe em um ponto eletrônico. Além disso, seguiria a cargo dele a definição de várias outras jogadas, como check swing, se houve eliminação em disputa no home plate, balk e interferência. E, claro, se houver algum problema no sistema de marcação, o árbitro assumiria esse papel.

É provável que a MLB adote a marcação eletrônica em uma liga menor single-A (quarto nível) em 2020 e em uma triple-A (segundo nível) em 2021. Provavelmente seriam os passos finais para a entrada nas grandes ligas. Isso tornaria o beisebol no nível da MLB na modalidade coletiva com uso mais significativo de tecnologia na arbitragem. Afinal, sua ação mais básica, repetida centenas de vezes ao longo do jogo, seria decidida sem participação humana. Não haveria paralelo em futebol, basquete, rugby, futebol americano, vôlei, hóquei no gelo, handebol ou outro esporte de equipes. Só competições individuais com cronometragem eletrônica, como natação e atletismo, dependeriam mais da tecnologia para o desenrolar das competições.

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Como o futebol catarinense tenta se reerguer de 2019 trágico e das perdas da pandemia

Ubiratan Leal
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O futebol catarinense vivia um dos melhores momentos de sua história em 2015, com quatro equipes no Brasileirão (Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville) e uma na Série B (Criciúma, quase sempre um candidato a brigar no topo quando está na Segundona). Só São Paulo tinha uma representatividade maior, com quatro na primeira divisão e três na segunda. Avançando cinco anos, o cenário de Santa Catarina é o oposto. Após uma temporada com três rebaixamentos e apenas uma promoção, o estado não tem nenhum time na Série A, apenas dois na B e dois na C. O que aconteceu?

"Cada time tem sua história própria", afirma o jornalista Rodrigo Santos, diretor da TV Brusque. "A Chapecoense se perdeu na gestão e entrou em grave crise financeira, o Avaí veio da Série B em 2018, mas não investiu no time para jogar a primeira divisão em 2019", exemplifica, citando os casos das equipes catarinenses que caíram da Série A no ano passado.

O comentário fez parte do debate sobre futebol catarinense realizado pelo blog. A conversa girou em torno da situação dos principais clubes do estado neste momento, desde a crise da temporada passada até a tentativa de retomada após a pandemia. Também falou da ascensão do Brusque, campeão da Série D de 2019 e que fazia boa campanha na Copa do Brasil deste ano, e até da concorrência do futebol local com os clubes de outros estados e com o futsal.

A conversa foi gravada na tarde desta quinta, dia 9, e está na íntegra no canal da ESPN Brasil no YouTube: 
https://www.youtube.com/watch?...

Fonte: Ubiratan Leal

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Como funcionam os “canais de clube” nas ligas americanas

Ubiratan Leal
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A confusão na disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca fez que o público tivesse a oportunidade de ter como única opção ver as partidas em TVs oficiais (na verdade, canais no YouTube) de clubes. A Fla TV mostrou as partidas do Flamengo contra Boavista e Volta Redonda, enquanto que a Flu TV teve o Fla-Flu decisivo da Copa Rio com exclusividade. Com a MP que deu aos mandantes todo o direito de transmissão de uma partida, tornou-se comum falar em um cenário em que clubes invistam em seus próprios canais para transmitir os jogos em que forem mandantes. Mas é a melhor opção?

Os Estados Unidos têm o mercado de mídia mais rico e desenvolvido do planeta, sobretudo na área esportiva. E três das quatro maiores ligas -- NBA, MLB e NHL -- adotam sistema misto de direitos de TV: contratos para transmissão em rede nacional -- incluindo playoffs -- são negociados em bloco, e cada franquia pode procurar seu próprio acordo para transmissão em alcance local (o Renan do Couto fez um bom fio no Twitter explicando como funciona a questão jornalística, com conteúdo clubista).

O modelo adotado não é o do desenvolvimento de canais próprios com programação totalmente institucional. A prioridade é aproveitar ao máximo o potencial econômico das transmissões de alcance regional em TV e, por isso, o caminho foi o da criação de canais esportivos regionais. Eles firmam contratos com franquias de sua região metropolitana e têm conteúdo mais próximo dessas equipes, tanto na transmissão de jogos como na criação programas voltados a seus torcedores. 

Claro que a cobertura tem viés favorável a essas equipes, mas são canais comerciais comuns, distribuídos por operadoras de TV por assinatura e que, pensando em atrair assinantes, audiência e anunciantes (ou seja, dinheiro), procuram manter uma programação diversificada no cenário esportivo da região e nível de clubismo relativamente controlado. Até porque parte do público não é necessariamente torcedor daquele time -- seja porque acompanha um outro time que tem parceria com o mesmo canal, seja porque o canal veio junto no pacote da TV por assinatura --, mas a audiência que ele proporciona é importante. 

Apenas em situações pontuais a franquia é proprietária de uma emissora. E, mesmo nesses casos, o clube sempre tem ligação ou sociedade com alguma empresa de mídia, que é quem efetivamente opera o dia a dia do canal.

Veja abaixo como é o cenário das TVs esportivas regionais (a versão americana das “TVs de clube”). Para o artigo não ficar desnecessariamente longo, já que o objetivo é apenas dar uma noção aos leitores de como funciona esse mercado, enfoquei apenas nas ligas com transmissões locais de partidas (MLB, NBA e NHL) e nas cidades com franquias nas três. Mas muitas outras -- como Salt Lake City, Houston, San Diego, Nashville, Indianápolis, Milwaukee, Nova Orleans e Pittsburgh, por exemplo -- também têm seus canais próprios para as equipes locais. 

NOVA YORK

Na região metropolitana com mais franquias profissionais, é natural que surjam mais canais esportivos. O New York Yankees ajudou a criar o YES, canal do qual possui 26% das ações. A mesma emissora fez parceria para transmitir os jogos do Brooklyn Nets da NBA. Outro time que tem participação em seu canal também é da MLB, os Mets, donos de 65% da SNY (SportsNet New York). É também a emissora oficial dos Jets, da NFL, mas apenas para programação relacionada ao time, sem a transmissão de partidas.

Mas o canal que abraça a maior quantidade de equipes nova-iorquinas é o MSG Network. A Madison Square Garden Company é dona da emissora, do ginásio Madison Square Garden, do New York Knicks e do New York Rangers. Claro, os jogos das franquias mais populares da cidade na NBA e na NHL vão para a MSG. Mas a programação ainda conta com os direitos de New York Islanders e New Jersey Devils, monopolizando as transmissões regionais da NHL.

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LOS ANGELES

Os times de Los Angeles se dividem em quatro canais, mas representando dois grupos. A Charter é dona de 50% de duas emissoras: o Spectrum SportsNet e o Spectrum SportsNet LA. O primeiro é uma sociedade da empresa com os Lakers e o segundo com os Dodgers. Claro, as partidas dessas equipes são transmitidas nesses canais.

As demais franquias angelenas ficam com a Fox Sports, que tem dois canais na região, o Fox Sports West (Angels, Kings e Ducks) e o Prime Ticket (Clippers).

Obs.: os canais esportivos regionais de todos os EUA fizeram parte do pacote adquirido pelo grupo Disney na compra de propriedades da Fox. Posteriormente, o Cade norte-americano determinou que esses canais teriam de ser colocados à venda, e hoje eles fazem parte do grupo de comunicação Sinclair. Ainda assim, continuam utilizando o nome “Fox Sports”, mas já anunciaram que criarão uma nova marca para todos eles

CHICAGO

O mercado de TV esportiva em Chicago teve uma agitação com a criação do Marquee Sports Network, uma sociedade do Chicago Cubs com a Sinclair. O canal terá as partidas dos Ursinhos na MLB, mas ainda não teve a oportunidade de estrear suas transmissões por causa da pandemia de Covid-19.

A NBC Sports Chicago fica com as demais franquias da cidade. O canal 50% das ações com Jerry Reinsdorf, dono de Bulls e White Sox, que estabeleceu 25% da participação em cada uma das duas equipes. A emissora ainda adquiriu os direitos dos Blackhawks da NHL.

SÃO FRANCISCO / OAKLAND

A NBC controla o mercado da região, dividindo as equipes em três canais. O NBC Bay Area fica com uma parte dos jogos do San Francisco Giants. O NBC Sports Bay Area tem a outra parte dos Giants e todo o calendário regional do Golden State Warriors. O NBC Sports California transmite o Oakland Athletics e o San Jose Sharks.

BOSTON

O Fenway Sports Group, empresa que controla o Boston Red Sox e o Liverpool, tem 80% das ações da New England Sports Network, que transmite os jogos das Meias Vermelhas. O NESN ainda firmou uma parceria para ser o canal oficial dos Bruins na NHL.

O Boston Celtics tem seus jogos no NBC Sports Boston, canal que tem 20% das ações sob controle da franquia.

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DALLAS

Mavericks, Rangers e Stars têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Southwest. O mesmo canal ainda tem os jogos do San Antonio Spurs.

TORONTO

O esporte em Toronto recebe forte investimento de grupos de comunicação. A Rogers é dona dos Blue Jays na MLB e de parte dos Raptors na NBA e dos Maple Leafs na NHL. Nessas duas equipes, curiosamente, a sociedade é com a Bell Canada, outro grupo de comunicação.

Com isso, a Sportsnet (canal esportivo da Rogers) transmite as partidas dos Blue Jays e parte dos jogos de Raptors e Leafs. A outra parte dos compromissos das franquias de basquete e hóquei no gelo ficam na TSN, emissora controlada pela Bell Canada (e que tem a ESPN como sócia minoritária).

FILADÉLFIA

Phillies, 76ers e Flyers têm seus jogos transmitidos pela NBC Sports Philadelphia. Os Phillies são donos de 25% do canal.

FLÓRIDA

Miami e Centro da Flórida (Orlando e Tampa) são mercados diferentes, mas eles dividem entre si os canais esportivos do estado. O grupo Sinclair tem dois canais com a marca Fox Sports na região, o Fox Sports Sun e o Fox Sports Florida. O primeiro transmite os jogos de Miami Heat, Tampa Bay Lightning e Tampa Bay Rays. O segundo fica com Miami Marlins, Florida Panthers e Orlando Magic.

WASHINGTON  / BALTIMORE

Mais um mercado controlado por empresas de mídia ligadas a franquias. A Munumental Sports network é dona de Wizards e Capitals e coloca os jogos dos dois times na NBC Sports Washington, canal do qual é sócia.

O outro canal esportivo da capital norte-americana é o Mid-Atlantic Sports Network, uma sociedade entre dois times da MLB: Baltimore Orioles (75% das ações) e Washington Nationals (25%). Claro, os jogos das duas equipes são transmitidos pela MASN.

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DETROIT

Pistons, Tigers e Red Wings têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Detroit.

PHOENIX

Suns, Diamondbacks e Coyotes têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Arizona.

MINNEAPOLIS

Timberwolves, Twins e Wild têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports North.

Fonte: Ubiratan Leal

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Finanças dos clubes nordestinos: Bahia, Ceará e Fortaleza dão o exemplo para a região, mas situação do Sport preocupa

Ubiratan Leal
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O futebol do Nordeste vive um momento de transformação fora do campo. Alguns clubes encontraram um caminho para organizar sua gestão e recuperar espaço no cenário nacional. Ao mesmo tempo, alguns ainda estão presos a antigas práticas e patinam na tentativa de conseguir resultados à altura de sua tradição e do desejo de suas torcidas.

Para discutir o cenário econômico do futebol nordestino, conversei com o jornalista Cassio Zirpoli, amapaense radicado em Pernambuco e especialista em futebol do Nordeste, com especial atenção para a área de gestão. Na conversa, ele mostra como Bahia, Ceará e Fortaleza começaram a se destacar dos demais e a servir de exemplo para outros clubes da região, como CSA e Botafogo-PB.

O outro nordestino da Série A, o Sport, está em situação inversa, ainda muito enrolado com dívidas e até considerando uma eventual permanência na Série A tendo "valor de um título". O próprio Zirpoli concorda. "O clube caiu em 2018 quebrado, mas conseguiu subir", comenta. "Agora, tem de pegar o dinheiro de Série A para pagar as dívidas e montar o time que der. Se ficar na primeira divisão, seria a maior permanência na história do Sport", completa.

A conversa passou também por clubes da região nas Séries B e C, cada um buscando seu caminho para acertar as contas e conseguir se consolidar em divisões nacionais. Veja aqui o debate completo, gravado em 1º de julho, no canal da ESPN Brasil no YouTube.

Fonte: Ubiratan Leal

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MLB e sindicato de jogadores precisam ter uma DR após a temporada

Ubiratan Leal
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Robert Manfred, comissário da MLB, e Tony Clark, diretor da Associação de Jogadores da MLB
Robert Manfred, comissário da MLB, e Tony Clark, diretor da Associação de Jogadores da MLB Getty Images

O retorno da Major League Baseball quase parou por causa de um impasse. A liga e o sindicato de jogadores não chegaram a um acordo sobre como deveria ser a temporada após a parada da pandemia. O cenário geral eu já tratei neste post, e o importante é que a situação não mudou muito. Cada lado apresentou suas propostas, elas se aproximam, mas nunca se encontram.

No final das contas, vai ter temporada. E, como disse nesse outro post, isso não é exatamente uma boa notícia. Afinal, apesar de termos jogos para ver, a discussão chegou a um patamar em que o foco já não estava mais nos jogadores e nos donos de clubes, mas em seus representantes na mesa de negociação. No caso, Rob Manfred pela MLB e Tony Clark pelo sindicato.

A inabilidade de ambos em fabricarem um acordo, mesmo quando as duas partes já apresentavam propostas parecidas, deixou em muita gente a sensação de que houve falta de liderança. Manfred não conseguiu convencer os donos de franquias que a insistência dos jogadores era válida a ponto de ser justo ceder um pouco mais. E Clark cometeu a mesma falha no sentido contrário.

No final das contas, boa parte do público ficou com a imagem de que Manfred não foi um negociador, apenas um passador de recado dos donos. E de que Clark quis jogar duro para mostrar serviço, já que ele havia sido muito criticado por fazer muitas concessões à liga no último acordo trabalhista.

A questão principal é que esse documento está em vigor apenas até o final de 2021. A temporada atual é a prioridade com seus desafios particulares, como realizar os jogos com diversos protocolos sanitários e desafios logísticos no meio da segunda onda da pandemia, mas as conversas para a renovação do acordo precisam começar dentro do possível.

Manfred e Clark estão com imagem fragilizada, e podem usar essa negociação para recuperar prestígio. Mas que taminho tomarão? Radicalizarão suas posições para mostrar força diante de seus chefes ou tomarão uma postura realmente conciliatória para encontrar consensos? 

Para o beisebol, a segunda opção é a ideal. E, para ela ser possível, ambos precisam retomar o contato, nem que seja para avaliar o que deu errado na jornada de negociações da pandemia e evitar que isso se repita. Às vezes não custa nada discutir o relacionamento.

Fonte: Ubiratan Leal

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Estadual sem volta, torneio entre os grandes, perspectivas para o Brasileiro: o futebol goiano pós-pandemia

Ubiratan Leal
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Nada de continuar o campeonato estadual. Os pequenos ficaram sem elenco e estão sem condições de remontar o time para o que faltava da competição. A tendência é criar um torneio amistoso que envolvam os times grandes da capital para servir de preparação ao Brasileiro. Mas como esses grandes estão se preparando? Quais as perspectivas de Goiás, Atlético-GO e Vila Nova para as Séries A e C no segundo semestre?

Para discutir o futebol de Goiás, convidamos o jornalista João Paulo di Medeiros, repórter do jornal O Popular e um dos criadores do projeto Futebol de Goyaz, que resgata a história do futebol goiano. Ele falou sobre os planos para o retorno do futebol pós-pandemia, e até emendar o estadual de 2020 com o de 2021, como o Goiás trabalha para a estabilidade fora de campo se refletir em um projeto mais sólido dentro dele, a recuperação do Atlético-GO a partir de seu novo estádio e o Vila buscando reforços para a Série C no time-surpresa do Goiano deste ano.

A conversa completa está no YouTube da ESPN. O vídeo foi gravado na última quarta (24), antes da confirmação de Vagner Mancini como técnico do Atlético-GO.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB vai voltar! Mas entenda por que isso não é necessariamente uma boa notícia

Ubiratan Leal
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Quando astro da MLB esqueceu do jogo, trocou socos e enlouqueceu Rômulo com porradaria generalizada

“Os clubes da MLB votaram unanimemente a proceder com a temporada de 2020 sob os termos do acordo de 26 de março. (...) Estamos requisitando a Associação de Jogadores da MLB a nos informar até às 17h desta terça duas questões. A primeira é se os jogadores conseguirão se apresentar em sete dias (1º de julho). A segunda é se a Associação dos Jogadores concorda com o Manual de Procedimentos que contém os protocolos de saúde e segurança necessários para nos dar a melhor oportunidade de conduzir e completar a temporada regular e os playoffs.”


O trecho acima foi o mais importante e esperado do comunicado emitido pela Major League Baseball na noite desta segunda. Ele oficializa que, salvo algum imprevisto -- uma forte segunda onda da Covid (possibilidade razoável) ou um boicote coletivo dos jogadores (possível em casos isolados, um pouco mais difícil de forma coletiva) --, a temporada de 2020 será realizada. A data de início ainda não foi confirmada, mas deve ser no meio de julho, após duas semanas de uma pré-temporada relâmpago.

Boa notícia, certo? Errrrrrr… mais ou menos.

O lado bom é o óbvio: vai ter beisebol. A temporada acontece, o torcedor terá partidas para ver, muitos trabalhadores que dependem financeiramente da liga também recuperarão seu ganha-pão e ainda dará tempo de a MLB retornar antes da NBA e da NHL, tendo um período saboreando a audiência proporcionada por ser única grande liga em atividade nos Estados Unidos. A parte cheia do copo é importante e não pode ser ignorada. Se você está feliz ou aliviado com a notícia, pode comemorar. Há motivos para isso. Mas não se esqueça que o copo também está meio vazio.

Quando a MLB escreve “sob os termos do acordo de 26 de março”, ela se refere ao documento em que os jogadores aceitavam a redução da temporada que a liga propusesse, desde que se comprometesse a pagar os salários proporcionais à quantidade de jogos que fossem programados. A liga também assinou e se comprometeu a fazer isso, mas depois mudou de ideia e tentou impor descontos extras no pagamento aos atletas se a temporada fosse muito longa (ou seja, se os salários fossem perto dos integrais para o ano).

Para saber mais do acordo de 26 de março, escrevi isso na época. E eu achava que era sinal de melhoria nas relações trabalhistas no beisebol...

Por isso, os dois lados ficaram um mês trocando propostas, buscando um meio-termo em que os jogadores fariam uma grande quantidade de jogos -- ou seja, receberiam uma proporção alta do salário -- e os donos não achassem que teriam muito prejuízo pagando essas proporções altas de salário. Os dois lados não chegaram a um acordo, ainda que as propostas finais fossem muito próximas: 60 jogos para a liga, 72 para os jogadores.

Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado
Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado ESPN


LEIA MAIS: Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Sem novo acordo, a liga decidiu impor unilateralmente o seu calendário. Provavelmente terá 60 jogos. Muitos dos benefícios que foram oferecidos nas propostas, como a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e expansão temporária dos playoffs, devem ser perdidos.

O fato de a temporada acontecer sob imposição da liga, com termos que desagradam os jogadores, é péssimo. Em curto prazo, há a possibilidade de alguns jogadores alegarem preocupação com a saúde e pedirem dispensa da temporada. Em médio prazo, o sindicato deve fazer jogo duro e dificultar qualquer conversa por um novo acordo para 2021, caso ainda não haja vacina e as autoridades não recomendem partida com público. Em longo prazo, vai azedar de vez as negociações pela renovação do acordo trabalhista. O atual tem validade até o final do ano que vem.

Ou seja, o efeito imediato da decisão da MLB é positivo, temos beisebol de volta. Mas a forma como foi feito pode abrir caminho para um futuro preocupante. Então, já se prepare para ler notícias falando em greve de jogadores ou locaute dos donos de times. Entre 2021 e 2022, é bem possível que se fale nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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O peso dos gestos antirracistas da Nascar

Ubiratan Leal
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Bandeira confederada dos EUA
Bandeira confederada dos EUA Getty Images

“Essa é a maior vergonha da Nascar. Isso tem de acabar, mas ainda tem muito por aqui.” 

Tom Dannemiller foi seco e direto nas palavras, mas seu tom também indicava uma mistura de decepção com falta de esperança. Passávamos diante de uma das centenas de acampamentos de torcedores da Nascar, com trailers e churrasqueiras reunindo famílias de fanáticos, que demonstram sua torcida com grandes mastros decorados com várias bandeiras, uma acima da outra. No caso, a mais alta era de Tony Stewart. Logo abaixo, da Chevrolet, carro utilizado pelo piloto. E mais abaixo o alvo do ataque de Dannemiller: a Bandeira de Batalha do Exército do Norte da Virgínia, mais conhecida como “Bandeira Confederada”.

O pavilhão representa o exército derrotado na Guerra Civil Americana (1861-1865), um lado que tinha como principal causa defender a manutenção da escravidão nos Estados Unidos. E o fato de ser exibido por décadas, quase sem restrições, no Sul dos EUA reforçou a bandeira como um símbolo racista. Para Dannemiller, americano de Cleveland e empresário do piloto brasileiro Nelsinho Piquet durante sua passagem pelo automobilismo norte-americano, a naturalidade com que se via símbolos dos confederados em autódromos da Nascar era danoso à categoria.

Isso foi em maio de 2011. Desde então, a Nascar deu alguns passos para mudar essa imagem. Houve determinações para inibir a exibição da bandeira confederada nos autódromos, mas isso não impediu que torcedores levassem as suas e as expusessem nos acampamentos ao redor dos autódromos. O programa Drive for Diversity, que visa incentivar o desenvolvimento de pilotos pertencentes a minorias étnicas, começou a dar resultado e levou o nipo-americano Kyle Larson, o afro-americano Darrell “Bubba” Wallace Jr e o mexicano Daniel Suárez à Cup Series, a primeira divisão da categoria.

Bubba Wallace, piloto da Nascar
Bubba Wallace, piloto da Nascar Getty Images

Mas a virada real parece ter vindo neste ano. Em abril, o próprio Larson foi flagrado usando um termo racista em uma conversa durante uma corrida virtual. Ele foi suspenso pela Nascar, dispensado pela equipe Chip Ganassi e ainda perdeu seus patrocinadores. Com o crescimento de manifestações após a morte de George Floyd em Mineápolis, a categoria foi ainda mais agressiva.

Liderados por Bubba Wallace, que ganhou força como líder dos negros dentro do automobilismo americano, e de Dale Earnhardt Jr, um dos pilotos mais populares do país neste século e que, após sua aposentadoria, se tornou uma das vozes mais influentes do automobilismo americano. Bubba ganhou cada vez mais espaço para expor ao público da Nascar qual a realidade dos afro-americanos, com Dale Jr servindo como uma espécie de escudo para eventuais críticos.

Em 6 de junho, véspera da prova de Atlanta, vários pilotos publicaram nas redes sociais um vídeo em que todos se posicionam contra o racismo e a favor do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). A iniciativa foi de Jimmie Johnson, maior campeão da história da Nascar ao lado de Dale Earnhardt (pai de Dale Jr) e Richard Petty. Antes da corrida em si, no dia seguinte, foi feito um estrondoso minuto de silêncio, em que os pilotos interromperam as voltas de aquecimento para parar os carros e desligar os motores enquanto um mecânico da equipe de Bubba exibia uma camiseta do movimento Black Lives Matter. Em seguida o único piloto negro da Nascar pediu o banimento definitivo da bandeira confederada de eventos da categoria. Nesta quarta, seu desejo foi atendido.

Todas as ligas esportivas americanas demonstraram apoio às mobilizações antirracistas. Mas provavelmente em nenhuma delas isso tem simbolismo maior do que na Nascar. Uma categoria que tem sua base mais fiel de torcedores formada por brancos do interior do sul dos Estados Unidos, onde casos de racismos são mais comuns e há mais tolerância (ou mesmo defesa) de símbolos e figuras do exército confederado, basicamente membros de famílias escravagistas.

É bom ver a maior categoria do automobilismo americano não ter de lidar mais com essa vergonha. E que, como imaginava Dannemiller, que esse novo momento ajude a torná-la mais popular e diversa nas pistas e nos acampamentos que invadem cada circuito em dia de corrida.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Ubiratan Leal
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Francisco Lindor está em seu último ano de contrato com o Cleveland Indians
Francisco Lindor está em seu último ano de contrato com o Cleveland Indians GettyImages

A NBA já anunciou seu plano de retorno da pandemia, a NHL também e a NFL já estabeleceu como será a pré-temporada e a temporada em si. E, bem, MLB também, mas há uma diferença: jogadores rejeitaram a proposta e ainda não se sabe como será essa volta. O impasse entre o que querem os donos de franquias e o que querem os jogadores é tamanho que há quem acredite que nem tenhamos temporada do beisebol em 2020.

Mas o que torna a situação da Major League Baseball tão complicada na comparação direta com as ligas de basquete e hóquei no gelo? Há diversas razões (um articulista da ESPN americana chegou a elencar nove motivos), mas três se destacam como as principais.

Obs.: para entender como está o panorama geral das diferentes ligas, basta ver meu post anterior neste blog.

1) Impacto no calendário

A pandemia estourou em março nos Estados Unidos. Foi quando as ligas pararam suas atividades: a NBA e a NHL na reta final da temporada regular, a MLB no meio da pré-temporada. O momento foi particularmente ruim para o beisebol em relação aos demais esportes.

A NBA e a NHL foram bastante afetadas, mas cerca de 80% da temporada regular já tinha acontecido. O plano de retorno precisa apenas contemplar um pouco de temporada e um esquema especial de playoffs. É mais fácil negociar uma solução radical como isolar os times em “bolhas”, por exemplo, uma solução mais barata do ponto de vista operacional, mas que sacrifica mais os jogadores pelo distanciamento de suas famílias. 

Donovan Mitchell e Rudy Gobert no EUA x França no Mundial de basquete. São companheiros no Utah Jazz e deram positivo para Covid-19
Donovan Mitchell e Rudy Gobert no EUA x França no Mundial de basquete. São companheiros no Utah Jazz e deram positivo para Covid-19 FIBA

Mas o maior benefício de já ter a temporada em estágio avançado é o faturamento em venda de ingressos e de produtos nos dias de jogos. Ainda que ter portões fechados na reta final do campeonato represente uma perda grande, as franquias já garantiram centenas de milhões de dólares previstos para esse ano em “matchday” (termo comum na gestão esportiva que engloba as receitas em dias de jogos, com ingresso, venda de alimentos, venda de produtos licenciados, estacionamento etc). É mais fácil absorver a perda.

No beisebol, o cenário é bem pior. Os únicos jogos com públicos foram de pré-temporada, irrelevantes no total do orçamento das equipes. A temporada inteira terá de ser jogada sem público nos estádios, o que deixará os times muito mais longe da meta de faturamento para o ano. Justamente por isso, o grande atrito entre sindicato de jogadores e liga é em como calcular o dinheiro que será pago aos atletas.

A NFL também terá a temporada toda em portões fechados. Mas...

2) Importância da bilheteria

...no futebol americano, o público nos estádios tem uma importância muito menor no faturamento das franquias. Aliás, a Major League é a grandes ligas americanas que tem nos dias de jogos a maior fatia da receita total: 40%.

A MLB tem média de público em torno de 29 mil, dez mil a mais que NBA e NHL e com o dobro de jogos na temporada regular. A NFL tem mais que o dobro, mas só conta com um décimo das partidas. Ou seja, a liga de beisebol lidera o esporte americano (aliás, o esporte mundial, porque vence também qualquer campeonato do planeta) em ingressos vendidos. Além disso, a modalidade é intrinsecamente ligada ao consumo de tudo quanto é coisa nos estádios. A ponto de a Sports Illustrated já ter feito uma reportagem sobre o impacto do adiamento do beisebol na indústria de salsichas e amendoim nos Estados Unidos.

Tradição: os Dodgers venderam 2,7 milhões de cachorros quentes só no ano passado
Tradição: os Dodgers venderam 2,7 milhões de cachorros quentes só no ano passado Getty

Por isso, realizar uma temporada inteira de portões fechados tem um impacto grande para qualquer competição de alto nível, mas é especialmente grave na MLB. O que motivou um certo pânico dos donos de franquias, que temem ter prejuízo se a temporada foi muito longa e se os salários dos jogadores...

3) Relação trabalhista

...for pago dentro do que eles próprios haviam combinado em março. Na época, a liga e o sindicato fecharam um acordo que os atletas receberiam seus salários em uma proporção direta à quantidade de partidas da temporada. Se a temporada tiver 81 jogos (metade dos 162 previstos), os salários seriam de 50% do previsto em contrato. Se fossem 40 partidas (praticamente um quarto dos 162), ficaria em cerca de 25% do previsto. E assim por diante.

No entanto, os donos de franquias perceberam depois que o faturamento deles não será a metade do esperado se a temporada tiver metade dos jogos, porque essa conta ignorava o fato de que não haverá receita em “matchday”. Assim, tentaram refazer o acordo com os atletas, prevendo cortes que fariam alguns jogadores receberam apenas um sétimo do salário integral se a temporada fosse cortada pela metade.

Claro, os jogadores não aceitaram. Já houve contraproposta, e contracontraproposta, e há uma esperança que elas se aproximem até que se encontre um acordo. No entanto, o acordo que rege as relações trabalhistas da MLB vence no final de 2021, e as negociações para sua renovação já vinham quentes desde 2019. Isso faz da negociação pontual da pandemia uma prévia da discussão sobre o acordo trabalhista, aumentando a intransigência dos dois lados.

Nas demais ligas, isso não é um problema tão grande. Na NBA, a relação entre o sindicato e a liga é muito mais amistosa. Na NHL, o acordo trabalhista atual dura até 2022, a negociação para sua renovação está mais distante. Na NFL, a associação de atletas tem muito menos poder de barganha diante dos donos. E, como regra geral para as três, há teto salarial, que tem como um dos elementos de cálculo o faturamento da liga. Ou seja, se os clubes faturarem menos que o esperado por causa da ausência de torcida, o teto salarial é imediatamente recalculado. Tudo isso já estabelecido no papel.

O beisebol não tem teto salarial, então a negociação é mais livre. E, também por ser mais livre, cada cenário excepcional exige uma nova negociação. Talvez até se encontrem termos melhores que o cálculo automático das outras ligas, mas também aumenta o risco de não haver acordo algum. É o que estamos vendo agora.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

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Em que situação estão as principais ligas americanas para a retomada das atividades

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA
LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA Getty

Os Estados Unidos são, com muita folga, o país mais atingido pela pandemia de Covid-19. No entanto, os números de novos casos e de mortes já começam a cair, sinais de que o pico já está passando. As ligas esportivas foram no embalo e aceleraram as discussões para retomar as atividades, encerrando a temporada (NBA e NHL) ou iniciando uma (MLB). 

Veja abaixo em que patamar está cada uma para o retorno:

NBA

A maior parte das franquias já teve liberação dos governos de seus estados para voltar a treinar. Ainda é uma atividade parcial, com pequenos grupos e distanciamento, mas a retomada definitiva seria mais rápida. É possível que no começo de julho já tenhamos partidas oficiais da maior liga de basquete do planeta.

Está cada vez mais consolidado o modelo de segurança sanitária que a NBA utilizará: os jogadores ficarão confinados em uma ou duas cidades em que poderiam ficar hospedados, treinar e jogar em ambientes controlados e de poucos deslocamentos. O local que surge com mais força nas discussões é o complexo da Disney World em Orlando, que conta com milhares de quartos em hoteis e ainda tem as arenas e instalações de treino no ESPN Wide World of Sports. Caso uma segunda localidade seja necessária (de preferência mais a Oeste), Las Vegas larga na frente pela capacidade de abrigar todos os times e até parte das atividades esportivas dentro de um mesmo hotel. Como falta pouco para encerrar a temporada, cerca de dois meses, os jogadores parecem dispostos a se sujeitar ao distanciamento de suas próprias famílias.

ESPN Wide World of Sports, em Orlando
ESPN Wide World of Sports, em Orlando Gustavo Hofman

O que ainda se discute muito é dentro de quadra: qual a fórmula para acabar o campeonato. Retomar a temporada de onde parou soa impraticável. Ainda faltavam entre 16 e 19 jogos para as equipes e levaria mais de um mês só para isso, mesmo se o calendário for sobrecarregado. Uma possibilidade é jogar apenas o suficiente para que todos os times terminem a temporada regular com o mesmo número de jogos. Outro caminho seria simplesmente decretar o final da temporada regular e ir direto aos playoffs.

Mas como terminar agora se ainda tinha time com chance de conquistar uma vaga no mata-mata? Justamente por isso, ganham forças os sistemas de disputa que coloquem 20 times na fase decisiva, dez por conferência. Desse modo, quem ainda tem chance seria contemplado. E essa fase decisiva poderia até ter uma etapa em grupos antes de definir as quartas de final (ou semifinais de conferência). Também se fala em misturar as conferências excepcionalmente, misturando todas as equipes.

MLB

O plano da MLB é reiniciar a pré-temporada no início de junho e abrir a temporada regular no primeiro fim de semana de julho, coincidindo com o feriado de 4 de julho (Dia da Independência dos EUA). Aliás, não é só isso que está definido: todo o campeonato já está desenhado. Os times jogariam em seus próprios estádios (sem torcida, claro), permitindo aos jogadores ficarem em casa, com seus familiares. A tabela marcaria apenas confrontos dentro da própria divisão ou com adversários da divisão equivalente da outra liga (leste x leste, central x central, oeste x oeste) para reduzir o desgaste, tempo e riscos de longas viagens. Seriam 82 partidas na temporada regular e os playoffs seriam ampliados para 14 times, sete da Liga Nacional e sete da Americana. A temporada seria encerrada em outubro, como já ocorre normalmente, porque a liga quer evitar uma decisão em novembro, quando poderia haver uma segunda onda da pandemia de acordo com as autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Então está tudo pronto, é só jogar, certo? Errado. Em março, no início da quarentena, a liga entrou em acordo com o sindicato de jogadores e ficou combinado que os atletas receberiam os salários proporcionais ao número de partidas que fossem realizadas. Por exemplo, o sistema proposto tem 82 jogos, 50,6% dos 162 disputados normalmente. Assim, os jogadores receberiam 50,6% do salário.

Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time
Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time Getty Images

A rapidez com que saiu esse acordo foi saudada como sinal de melhoria na relação entre liga e sindicato. No entanto, os donos das franquias (que são os controladores da liga) perceberam que a conta era ruim para eles. Afinal, reduzir metade da temporada 2020 não significa que o faturamento será a metade, pois todo o dinheiro que entra em bilheteria e consumo nos estádios seria zerado. Resultado: os clubes decidiram propor um novo acordo, dividindo o faturamento da MLB deste ano em 50-50, com metade dele indo para o pagamento de salários e a outra metade para lucros e outras despesas.

O modelo representa uma enorme redução nos salários dos jogadores, que não detestaram essa parte do plano apresentado pela liga. As negociações estão em andamento, mas o clima entre as partes azedou na última terça, quando a proposta financeira da MLB foi oficialmente apresentada. Há quem tema um cancelamento total da temporada por falta de acordo, o que torna a contraproposta do sindicato tão importante. Ela pode dar o tom que a negociação tomará nas próximas semanas.

NHL

Das três principais ligas que pararam para a pandemia, é a que está mais atrasada no planejamento do retorno. Na última terça, a NHL apresentou o plano oficial para retomada da temporada. Os times se apresentariam para treinos restritos já em junho, mas treinos com toda a equipe só em julho. Não foi apontada uma data para o primeiro jogo oficial, mas talvez ficasse para a segunda quinzena de julho ou mesmo para agosto.

O principal problema da NHL é logístico. No hóquei no gelo, a presença canadense é muito grande, tanto na quantidade de franquias quanto na de jogadores. Por isso, todo o esquema para finalizar a temporada teria de considerar as restrições de trânsito entre Canadá e Estados Unidos, incluindo quarentena de alguns dias para quem atravessar a fronteira. Além disso, cerca de 15% dos atletas da liga estão na Europa neste momento, e também só poderiam treinar após cumprir quarentena quando fossem para a América do Norte.

O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators
O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators Getty

A vantagem da NHL em relação a NBA e MLB é ter a fórmula de disputa já definido. Para contemplar os times que estavam fora da zona de classificação para os playoffs, mas ainda brigavam por uma vaga, a liga decidiu aumentar o mata-mata de 16 para 24 equipes. Em cada conferência, os quatro primeiros estariam classificados antecipadamente para a primeira fase. Eles enfrentariam as equipes que passassem pela fase preliminar, composta por confrontos eliminatórios entre os times de 5º a 12º lugar.

NFL e NCAA

O futebol americano profissional e universitário, além do basquete universitário, trabalham com a ideia de que realizarão suas temporadas normalmente. A única diferença é que os estádios terão portões fechados, ainda que haja dirigentes da NFL sonhando com a possibilidade de ter torcida na reta final da temporada regular ou nos playoffs.

No caso do esporte universário, uma grande baixa foi o cancelamento da temporada em várias modalidades menos midiáticas (vôlei, ginástica artística, futebol, rugby, atletismo...) em algumas conferências.

Fonte: Ubiratan Leal

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The Last Dance: um debate com um dos maiores especialistas em Michael Jordan do Brasil

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


O documentário "Arremesso Final" (que no Brasil ficou mais conhecido pelo seu nome original, "The Last Dance") foi o principal atrativo para o amante de esportes americanos nessas semanas de quarentena devido à pandemia. Sem competições acontecendo, a série co-produzida pela ESPN americana animou os últimos cinco domingos, com o lançamento de dois episódios inéditos de uma hora cada mostrando os bastidores da última campanha de Michael Jordan com o Chicago Bulls.

Michael Jordan faz a cesta do título em seu último jogo pelos Bulls
Michael Jordan faz a cesta do título em seu último jogo pelos Bulls Reprodução TV

A produção aproveitou imagens inéditas gravadas na época, com acesso raro a vestiários e corredores fechados à mídia, e um grande trabalho de pesquisa, produção e reportagem. Michael Jordan é a grande estrela, mas os episódios também mostram o papel de figuras importantes como o técnico Phil Jackson, o gerente geral Jerry Krause e jogadores como Scottie Pippen, Dennis Rodman, Steve Kerr e Toni Kukoc, entre outros.

Para discutir a série, gravei uma conversa em vídeo com Társis Marim, um dos maiores conhecedores de Michael Jordan do Brasil. Confira.


VEJA TAMBÉM

Vários documentários da série 30 por 30 da ESPN contam histórias ou personagens mencionados na série "Arremesso Final", em alguns casos até com mais detalhes. Estão disponíveis no WatchESPN e podem trombar com você na programação regular dos canais ESPN. Veja abaixo:

"Sole Man", sobre Sonny Vaccaro, o executivo da Nike responsável por levar Michael Jordan à empresa
"Jordan Rides the Bus", sobre a passagem de Michael Jordan pelo beisebol
"Once Brothers", conta a história da divisão da Iugoslávia sob o ponto de vista do basquete (o enfoque é maior em Drazen Petrovic e Vlade Divac)
"Bad Boys", apresenta o Detroit Pistons bicampeão da NBA imediatamente antes do início da dinastia dos Bulls
"This Magic Moment", mostra o grande time montado pelo Orlando Magic no meio dos anos 90
"Rodman: For Better or Worse", conta a trajetória de Dennis Rodman

Fonte: Ubiratan Leal

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A lição que a NBA dá sobre volta da pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
NBA coronavírus
NBA coronavírus Getty Images

O esporte está parado por causa do coronavírus, e é evidente que está perdendo muito dinheiro com isso. Como quase toda a economia, claro. Por isso, discutir, planejar e estabelecer um modelo para a retomada das atividades pós-pandemia não é apenas natural como obrigatório. Afinal, não se imagina que tudo volte ao normal do dia para a noite. O retorno terá de ocorrer no momento certo, e diante de diversos protocolos de segurança. Não é diferente com a NBA, que teve a temporada interrompida pouco antes dos playoffs. E ela parte de um parâmetro mínimo que deveria ser padrão de todos.

A liga já estabeleceu seu plano de retorno. Nem tudo é divulgado oficialmente, até porque muitas medidas dependerão do cenário da pandemia em diferentes regiões dos Estados Unidos, algo em constante mudança. Provavelmente a NBA trabalha com alguns caminhos, cada um entraria em ação de acordo com as situações apresentadas. Mas uma coisa já se sabe: quantos testes de Covid-19 seriam necessários.

Jogadores, comissões técnicas, profissionais de mídia e funcionários de diversos setores operacionais teriam de trabalhar nos jogos. Todos teriam de ser testados para reduzir ao máximo o risco de um surto surgir dentro da liga. Pelos cálculos da direção da NBA, seriam necessários 15 mil testes para concluir a temporada 2019-20. E o que a liga decidiu em cima disso?

A LIGA NÃO TOCARÁ EM NENHUM TESTE enquanto profissionais de saúde e de outros serviços essenciais ou pessoas com sintoma estiverem precisando. Simples assim. 

Nesta sexta, Orlando Magic, Los Angeles Clippers e Los Angeles Lakers se tornaram as primeiras franquias a anunciarem testes em seus jogadores e funcionários. Mas isso só será possível porque as autoridades do Centro da Flórida e do Sul da Califórnia confirmaram que não há escassez de testes para Covid-19 na região. E isso foi confirmado por escrito.

Independentemente de a liga ou suas franquias terem ou não dinheiro para comprar e realizar testes de coronavírus, é evidente que o esporte não é uma atividade essencial à sociedade -- e mesmo à economia -- e pode esperar para realizar. Qualquer teste que apareça deve ser disponibilizado primeiro a quem é mais importante no combate à pandemia. Se o clube conseguiu algum, que ofereça ao hospital mais próximo ou às autoridades de saúde de sua cidade.

Não é o que ocorre com Flamengo, Grêmio e Internacional, que testaram seus elencos nos esforços de retomar os treinos presenciais no momento mais agudo da pandemia no Brasil. Podiam ter a mesma sensibilidade da NBA. Os profissionais da linha de frente e pessoas com sintoma de Covid-19 agradeceriam.

Fonte: Ubiratan Leal

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A lição que a NBA dá sobre volta da pandemia

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Sistema de pagamento para atletas universitários é tão óbvio que é difícil entender como demorou tanto

Ubiratan Leal
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LSU Tigers x Louisville Cardinals pelo futebol americano universitário
LSU Tigers x Louisville Cardinals pelo futebol americano universitário Getty Images

Instituições bilionárias, com milhões de torcedores, recebem centenas de milhões de dólares da televisão para ceder o direito de transmissão dos jogos de seus times, acompanhados por dezenas de milhares de torcedores nas arquibancadas, comandados por treinadores bilionários e formados por atletas de alto nível que… jogam de graça. É muito fácil de perceber que algo parece desproporcional no modelo financeiro do esporte universitário nos Estados Unidos. Algo que será reduzido em breve, pois a direção da NCAA aprovou a proposta que permite aos jogadores ganharem dinheiro com o uso de seus nomes e imagens.

O que isso significa?

Tecnicamente, os estudantes-atletas continuam jogando de graça para suas universidades. O pagamento que recebem é a bolsa de estudos, como sempre foi. No entanto, eles estão liberados para negociarem acordos para diversas atividades, como protagonizar campanhas publicitárias, participar de eventos comerciais, venderem anúncios em suas redes sociais, escrever um livro, dar clínicas do seu esporte e até abrir um negócio, entre outras coisas. Tudo isso seria apenas a partir de 2021, ainda não vale para o que resta (se é que resta algo) de 2020.

A grande vantagem desse sistema é que os atletas são remunerados por diversas atividades, mas não recebem dinheiro diretamente das universidades. E, ainda que soe justo que as instituições paguem pelos atletas que permitem que elas faturem tanto com esporte, essa relação seria mais trabalhosa para negociar. Primeiro, porque algumas universidades não aceitariam reduzir seus ganhos para repassar aos jogadores. Segundo, porque parte do público ainda acredita que tudo isso é uma questão educacional (para a maioria dos atletas -- os comuns, que servem para compor elenco -- é, mas isso não se aplica às estrelas, que é basicamente quem gira toda a roda) e resistiria a mudanças.

Sim, o resultado final acaba sendo bom para os dois lados. É tão óbvio que sai fumaça da cabeça pensar por que demorou tanto para chegarem a essa conclusão.

Há ainda outros benefícios. O sistema de recrutamento do esporte universitário é altamente corrompido, com constantes escândalos de pagamentos clandestinos a jogadores. Quando não há remuneração ilegal, cria-se um cenário ainda pior: atletas que vivem na miséria (houve já até casos de moradores de rua) durante as férias escolares. 

Por isso, se torna cada vez mais comum o caso de jogadores saírem do ensino médio e usarem uma liga profissional de desenvolvimento ou na Europa ou Austrália antes de saltarem para a NBA ou a MLB. O futebol americano não tem essa possibilidade, mas uma XFL ou AAF bem sucedida poderia ter esse papel. No sistema atual, as universidades se tornam mais interessantes aos jogadores. 

No entanto, ainda há questões que não são conhecidas. Jogos de videogame da NCAA seguem vetados porque a negociação para exploração de imagem de jogadores é negociada em bloco, e não há um sindicato ou associação que represente os estudantes-atletas. Mas a porta se abriu. Além disso, toda uma rede de exploração comercial desses atletas seria criada, e talvez atuar em universidade X fosse melhor para explorar esse universo do que defender a faculdade Y, eventualmente mudando um pouco a relação de forças das competições.

De qualquer modo, a notícia é boa. É hipocrisia demais tratar o esporte universitário americano como algo amador. Não é. E faz muito tempo. Agora, ao menos, isso se torna mais claro.

Fonte: Ubiratan Leal

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Red Sox recebem punição leve da MLB por roubo de sinais. Faz sentido, e não faz

Ubiratan Leal
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Red Sox comemoram vitória sobre os Yankees
Red Sox comemoram vitória sobre os Yankees Getty

Houve um tempo em que pouco se falava de distanciamento social, abaixar a curva, hospitais de campanha, EPIs e respiradores. Isso vinha só no noticiário internacional, algo supostamente distante, lá na Ásia. Naquele momento, que não é tão remoto assim, a vida seguia normalmente. E, no beisebol, o assunto mais quente eram as punições recebidas pelo Houston Astros -- e as boladas que seus jogadores levavam na pré-temporada -- por roubo de sinais e o que poderia vir para o Boston Red Sox.

Tudo isso parece fútil, mas as investigações continuaram e, nesta semana, a MLB anunciou as penas aos Meias Vermelhas. E, como ocorrera com os texanos, a torcida ficou com a sensação de que a liga pegou leve.

O Boston perdeu a segunda escolha do próximo draft. Além disso, o coordenador de vídeo JT Wilkins foi suspenso por um ano. O técnico Alex Cora também recebeu um gancho de uma temporada, mas essa pena é referente à participação dele no escândalo dos Astros em 2017. O treinador foi absolvido pelo papel dele no caso dos Red Sox. E só.

LEIA MAIS: Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

Sabia-se que o caso do Boston era mais leve que o dos Astros, então é natural que a punição seja menor. Mas parece pouco na comparação direta, pois o Houston teve seu diretor esportivo e seu treinador suspensos por um ano (e o auxiliar técnico, Cora, que entrou no pacote agora), recebeu multa de US$ 5 milhões e perdeu as escolhas das duas primeiras rodadas nos dois próximos drafts. E isso porque houve quem achasse muita generosidade aos texanos.

Mas a chave aí é o que a investigação apontou. O que torna a punição proporcional.

O inquérito da MLB indicou que o uso de tecnologia para roubo de sinais foi iniciativa de Wilkins, ex-catcher que passou a assistente de observação e foi colocado na coordenação de replays para eventuais desafios à arbitragem. Com experiência de ex-jogador, ele tinha bom olho para observar o jogo e captar sinais dos catchers adversários. Por isso, também ajudava a preparar os vídeos utilizados pela comissão técnica para orientar o time. 

Wilkins teria incluído informações de sinais roubados nesse material, o que poderia ser utilizado por um corredor na segunda base, que está em posição de ver a mão do catcher adversário durante um duelo e passar o sinal de volta ao rebatedor. Segundo a liga, essa infração teria ocorrido poucas vezes, e só com alguns jogadores. A franquia teria comunicado a seu funcionário que isso era proibido e não deveria continuar.

Considerando essa informação, a punição leve aos Red Sox até soa proporcional. A irregularidade seria esporádica e de pouco impacto técnico ao longo da temporada. E o clube teria inibido a continuidade dessa prática. A questão é: muita gente acha estranho que teria sido apenas isso. Ainda mais considerando que, em 2017, o Boston já havia recibo um puxão de orelha oficial por usar meios eletrônicos para roubar sinais.

Sem detalhes de como foram conduzidas as investigações da liga é difícil julgar o relatório final. De fato, soa provável que um clube que já tivesse um esquema funcional de roubo de sinais (tinham feito pouco tempo antes, e tinham um profissional especializado nisso com ferramentas na mão) aproveitasse para usar melhor isso. A desconfiança generalizada na liga é que quase todos os times faziam, então imagina-se que os Red Sox fossem além do que foi divulgado pela MLB nesta semana.  Mas, dentro do que é oficial, a punição leve é compreensível. E é nisso que a liga vai se escorar diante das críticas.

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Red Sox recebem punição leve da MLB por roubo de sinais. Faz sentido, e não faz

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Acordo da MLB com jogadores é boa notícia para o torcedor

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A pandemia de Covid-19 obrigou clubes e atletas a buscarem acordos para lidar com as perdas econômicas decorrentes da paralisação ou adiamento das atividades. Claro, isso também aconteceu na Major League Baseball. E o acordo veio rápido: os jogadores concordaram em receber o valor proporcional ao período em que o campeonato será efetivamente disputado e os donos das equipes aceitaram que a temporada será contabilizada nos contratos, mesmo que ela acabe cancelada por completo.

Os dois lados ficaram satisfeitos. Os atletas garantiram o que é mais precioso a eles: capacidade de se tornar agente livre para negociar contratos trilhardários o mais rápido possível. Por exemplo, Mookie Betts está em seu último ano e seria surpreendente se seu próximo contrato não superar os US$ 300 milhões garantidos. Se uma temporada parcial ou totalmente cancelada não fosse computada, ele só poderia fazer isso ao final de 2021, quando estaria um ano mais velho e com mais chance de uma lesão reduzir seu valor de mercado.

Mookie Betts, em ação pelo Los Angeles Dodgers
Mookie Betts, em ação pelo Los Angeles Dodgers Getty Images

Para os donos, correr o risco de ter um jogador em campo por um ano a menos não agrada muito. No entanto, a contrapartida é boa. Pagando o salário proporcional pela duração da temporada, eles garantem que só gastarão pelo que faturarem. Além disso, o acordo dá muito mais segurança jurídica aos clubes. Se eles decidissem pagar só parte dos salários, sem uma negociação prevendo isso, correriam o risco de entrarem em longas e custosas batalhas legais.

Obs.: para quem se perguntou, salários de funcionários de salários mais baixos e de jogadores de ligas menores foi garantido por completo para a temporada.

Mas quem tem mais a comemorar com o acordo são os torcedores. A questão não é o que cada lado pediu ou concedeu, mas o simples fato de o consenso ser atingido rapidamente e aparentemente sem tensões. Parece pouco, mas é um sinal alvissareiro considerando o clima ruim que dominava as conversas entre a liga e o sindicato de jogadores nos últimos anos.

O atual acordo trabalhista da MLB vence em dezembro de 2021. Mas já se sabe que os atletas estão descontentes com vários pontos e pedirão mudanças sensíveis para a nova versão do documento. Além disso, vários elementos novos serão incluídos no debate, como mudanças nas regras do jogo ou no regulamento do campeonato.

Por isso, as conversas para a renovação foram bastante antecipadas, com encontros ocorrendo desde 2018. Houve avanços em algumas áreas, mas ainda há motivos de impasse e, em determinado momento, a possibilidade de greve ou de locaute em 2022 era considerada razoável. O ambiente melhorou no segundo semestre de 2019, mas a discussão ainda é delicada.

Nesse cenário, os dois lados terem achado um termo comum para um momento de crise em que muito dinheiro será perdido é notável. E talvez mude o humor de dirigentes e jogadores na continuidade das conversas pelo próximo acordo trabalhista.

Fonte: Ubiratan Leal

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Acordo da MLB com jogadores é boa notícia para o torcedor

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NBA olha para a China novamente, agora atrás de uma solução ao calendário

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Jimmer Fredette, durante o All-Star Game da liga chinesa
Jimmer Fredette, durante o All-Star Game da liga chinesa Getty

O crescimento incessante da economia chinesa atraiu a NBA há muito tempo. A liga norte-americana de basquete realiza diversas ações na China para abocanhar alguns milhões de dólares da maior população do mundo. Mas, em momentos de crise pela pandemia de Covid-19, o que mais leva os olhares dos dirigentes americanos ao Extremo Oriente não é o dinheiro, e sim as opções para a retomada das atividades pós-quarentena e como terminar um campeonato em andamento.

Como país de origem do novo coronavírus, a China também foi o primeiro a sentir seus efeitos, o primeiro a decretar o fechamento do país e o primeiro a ver o recuo nos números de novos infectados e de mortos. Por isso, provavelmente será o primeiro entre as maiores economias do mundo a voltar à vida cotidiana, mesmo que o processo seja gradual. O que inclui a realização de eventos esportivos.

A NBA entrou em contato com a CBA (Chinese Basketball Association, a liga chinesa de basquete) para saber quais seus planos para a retomada da temporada. O basquete chinês está parado desde 24 de janeiro e ainda não anunciou quando e como será reiniciado. Mas a sinalização dada aos americanos é de um plano de colocar a liga toda em uma bolha. A informação foi publicada pelo repórter Brian Windhorst da ESPN americana.

A ideia seria colocar todos os 20 times da CBA em uma ou duas cidades, as candidatas principais seriam Dongguan e Qingdao, pouco afetadas pela Covid-19. Todas as delegações ficariam isoladas em um hotel. Lá eles não teriam contato com ninguém de fora e seriam submetidos a constante acompanhamento médio. Só sairiam da concentração para ir ao ginásio, onde disputariam as partidas contra adversários que estão no mesmo regime de isolamento. Todas as instalações estariam desinfectadas e os profissionais envolvidos na operação também estariam na bolha. E, claro, os eventos seriam com portões fechados a torcedores.

No cenário ideal, essa medida seria implementada para o resto da temporada regular. Nos playoffs, já seria possível os times voltarem a suas cidades e jogar com torcedores nas arquibancadas.

Esse tipo de regime vem sendo adotado no Japão e na Coreia do Sul. No Japão, a J-League (futebol) e a NPB (beisebol) estão suspensas, mas as equipes estão de quarentena em hotéis e saem para treinar ou disputar jogos-treino. O brasileiro Thyago Vieira, arremessador do Yomiuri Giants, me confirmou que os clubes da NPB até liberaram os jogadores a ficarem com a família na concentração, desde que as esposas e os filhos também se submetessem ao isolamento do resto do mundo.

A NBA já considera uma solução dessas. Entre outras opções, como reduzir o que resta da temporada ou reduzir as férias, a liga estuda a viabilidade de concentrar todas as equipes em uma cidade ou duas cidades -- que nem precisariam ter uma franquia -- e realizar jogos sem torcida. A bolha seria feita preferencialmente no Meio-Oeste, região com menos casos de covid-19 até agora, e poderia usar a infraestrutura de alguma universidade ou menos algum hotel de Las Vegas que tenha ginásio (assim, todos os times poderiam ficar no mesmo prédio).

A diferença da NBA para a CBA é que, na China, o governo pode impor uma ideia e todos teriam de aceitá-la. Nos Estados Unidos, seria preciso negociar com jogadores, e certamente haveria resistência a uma solução que afastasse os atletas de suas famílias por várias semanas. A Premier League também estuda solução semelhante à chinesa para concluir sua temporada e também teria o mesmo obstáculo.

Ainda não dá para dizer que a NBA realmente fará isso. Mas vale ficar de olho ao que acontece na China, pois medidas que funcionem lá podem ser replicadas nos demais países quando a pandemia der uma trégua. Isso vale principalmente para a retomada da vida normal e da economia. Mas também para o reinício das competições esportivas.

Fonte: Ubiratan Leal

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NBA olha para a China novamente, agora atrás de uma solução ao calendário

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Começar a temporada em dezembro (para sempre) seria bom para a NBA?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Rodada de Natal da NBA
Rodada de Natal da NBA Divulgação


A NBA está diante de duas opções para a atual temporada: ou ela não terminará na data prevista, 21 de junho para caso de final em sete jogos, ou terá de reduzir o que falta do campeonato para caber no calendário. É com isso que a liga trabalha no momento, mas talvez a paralisação geral pela pandemia de coronavírus seja grande demais e nenhum desses dois caminhos sejam possíveis. Pensando nisso, o diretor executivo do Atlanta Hawks, Steve Koonin, veio com uma sugestão radical: mudar o período do ano em a temporada da NBA é disputada. Para sempre.

A sugestão parece estranha, mas faz sentido em vários aspectos. Em curto prazo, daria à liga muito mais margem para encerrar o campeonato. Se a próxima edição mantiver seu início para o final de outubro, a atual temporada teria de ser concluída até julho, no máximo chegando a agosto. Isso ainda daria aos jogadores um mês de férias e mais algumas semanas de preparação antes de recomeçar as disputas. Para concluir as disputas em julho ou agosto, os jogos precisariam ser retomados até o final de maio, no máximo no começo de junho. É possível que isso não seja viável.

Por isso, se a próxima temporada começar apenas no final de dezembro, a atual ganharia mais dois meses para ser encerrada, podendo avançar até setembro ou começo de outubro. Pensando no campeonato atual, seria ótimo ganhar essa margem de manobra. O problema é que estouraria na próxima temporada, que teria de se espremer entre o fim de dezembro e o meio de junho. A NBA teria de reduzir a quantidade de jogos na temporada regular ou congestionar o calendário com menos intervalo entre as partidas.

E aí vem a segunda parte do plano de Koonin: fazer da mudança de data algo permanente. A partir de 2020-21, a NBA jogaria entre o final de dezembro e agosto.

A lógica é principalmente econômica. No modelo atual, de outubro a junho, a primeira metade da temporada é ofuscada pela NFL, a reta final da luta pelos playoffs tem de disputar espaço com o March Madness e o mata-mata ocorre simultaneamente ao da NHL (ainda que o basquete seja bem mais popular na maioria das cidades em que as duas ligas estão presentes). Isso não impede a NBA de ser a liga que mais cresce entre as quatro maiores da América do Norte, mas mostra como o potencial poderia ser mais bem aproveitado.

No modelo previsto por Koonin, a liga tem início no meio de dezembro. Teria de concorrer com os bowls do futebol americano universitário e as últimas duas rodadas da temporada regular da NFL, mas é uma época do ano em que a NBA já fincou sua bandeira, sobretudo com a rodada de Natal. Depois disso, a temporada tomaria fôlego em janeiro e fevereiro, quando os playoffs da NFL atraem muito a atenção da mídia, mas várias equipes (leia-se: cidades) já foram eliminadas e seus torcedores não acharão ruim desviar seus olhares para o basquete. Além disso, a reta final da temporada regular e os playoffs disputariam espaço apenas com a temporada regular da MLB e da MLS.

Analisando apenas pelo calendário, parece o plano perfeito. Mas não é. Talvez os jogadores não aceitem perder as férias de verão, transformando isso em um tema de discussão trabalhista, e a possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos. Também é preciso ver se haveria problema com a agenda de muitos ginásios, que aproveitam que NHL e NBA terminam em junho para receber a temporada de verão de shows e eventos em geral. E, como toda mudança cultural, essa talvez sofresse rejeição dos mais tradicionalistas.

De qualquer modo, é uma proposta das mais ousadas. E a NBA está abertamente estudando caminhos para melhorar ainda mais sua média de público e sua audiência na TV. Não apenas pela paralisação causada pelo coronavírus, mas porque quer aproveitar ainda mais seu potencial.

Fonte: Ubiratan Leal

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Começar a temporada em dezembro (para sempre) seria bom para a NBA?

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Quais ligas americanas potencialmente sofrerão mais os impactos do coronavírus

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Champions League com portões fechados, Six Nations com jogos adiados, Campeonato Italiano suspenso no mínimo até abril, Masters de Indian Wells cancelado. O mundo do esporte tem cortado na carne para lidar com a epidemia de coronavírus. Nas grandes ligas norte-americanas, a NBA foi a primeira: anunciou a suspensão da temporada até segunda ordem. Além disso, as autoridades de Seattle e San José proibiram eventos que reúnam milhares de pessoas nas suas cidades.

É questão de tempo para que medidas como essas sejam anunciadas em outras ligas nos EUA. E, no momento entre eu escrever esse texto e você lê-lo, é bem possível que haja já novidades. De alguma forma, todas serão atingidas. Mas em quais os impactos seriam maiores?

A resposta precisa não existe, pois ainda não se sabe qual será o ciclo da epidemia, principalmente a quantidade de pessoas infectadas e o tempo até ela ser controlada. Ainda assim, dá para estimar quais têm mais potencial para lidar com isso sem tantos problemas e quais sofreriam mais.

Veja abaixo, na ordem da que potencialmente sentiria menos para a que sentiria mais.

NFL e futebol americano universitário

A temporada do futebol americano, seja o profissional, seja o estudantil, tem seu início apenas em agosto e setembro. Se as medidas de controle dos Estados Unidos forem eficientes agora em março, é possível que o pico da epidemia já tenha passado no segundo semestre e já seja seguro realizar jogos com portões fechados ou com limitação na venda de ingressos.

O Kansas City Chiefs, atual campeão da NFL, talvez consiga abrir a temporada na data prevista
O Kansas City Chiefs, atual campeão da NFL, talvez consiga abrir a temporada na data prevista Getty

Na NCAA, haveria um grande impacto na temporada da primavera, quando as equipes fazem a triagem de jogadores e treinam (em alguns casos, com grandes públicos -- e faturamento com bilheteria -- nos estádios) para a temporada regular. Seria uma perda de receita considerável e os times talvez tivessem uma preparação prejudicada, mas os jogos oficiais em si talvez fossem realizados sem tantos problemas.

Na NFL, a pré-temporada é bem mais curta e mesmo ela poderia escapar do período mais sério da pandemia. O problema maior seria no draft, programado para 23 a 25 de abril em Las Vegas. É bem possível que o evento seja realizado sem público ou mesmo ser realizado remotamente, com cada time trabalhando dentro de seus escritórios e os jogadores aguardando seus nomes vendo a TV de casa. 

Ainda assim, a elite do futebol americano profissional e universitário ficaria longe do olho do furacão.

MLB

A Major League Baseball está prestes a começar. A pré-temporada está rolando e o início da temporada regular está marcado para 26 de março. É óbvio que o início da temporada será impactado, pois ocorrerá (ou deveria ocorrer, o tempo verbal pode mudar rapidamente) bem no momento em que os norte-americanos estão tomando as medidas mais drásticas para evitar o aumento da epidemia. E isso não é pouca coisa, pois o Opening Day é um dos dias mais importantes no calendário da MLB, com todos os estádios cheios e calendário feito para o beisebol dominar o dia na TV americana.

Fenway Park, casa do Boston Red Sox, em um Opening Day
Fenway Park, casa do Boston Red Sox, em um Opening Day Getty

Isso posto, a MLB teria muita capacidade de absorver o “fechamento” dos EUA (as pessoas ficarem prioritariamente em casa, só atividades fundamentais funcionarem normalmente) se ele durar dois ou até três meses. A temporada regular tem 162 jogos e há poucos dias livres para remarcar eventos adiados, mas não é preciso refazer a tabela inteira. Como os times podem jogar vários dias seguidos sem problema, é bem possível realizar uma temporada regular de 90 a 100 jogos em quatro meses ou de 80 jogos em três meses. Seria um campeonato legítimo pela grande amostragem de jogos e que chegaria aos playoffs em outubro, quando talvez não haja tantas restrições a grande aglomerações.

E o Opening Day? Bem, a MLB deve adiar o início da temporada. Mas ela começaria seus jogos quando fosse seguro realizá-los com portões fechados ou apenas quando houver condições para venda de ingressos? Para preservar o imaginário da abertura da temporada do beisebol, a liga teria bons motivos para esperar o momento em que poderá vender ingressos. Dependendo do caso, até poderia ser um marco sentimental ao público americano do “momento em que as pessoas voltarão a sair de casa”.

MLS

O cenário é semelhante ao da MLB. A temporada teve duas rodadas realizadas e talvez tenha de suspender a temporada por um tempo. Ainda assim, ela tem como absorver sem tantos traumas. Por exemplo, na temporada regular os times se enfrentam em ida e volta dentro de suas conferências e em ida com dez times da outra conferência. Dependendo de quanto tempo durar o “fechamento” dos EUA, bastaria adaptar a tabela e excluir os jogos interconferências, o que reduziria o calendário das equipes em dez jogos e manteria a legitimidade esportiva da classificação para os playoffs. 

A MLS só não tem um cenário tão confortável quanto a MLB porque teria boa margem para absorver só dois meses de interrupção. Mais que isso, precisaria ganhar outras datas, eventualmente cancelando a US Open Cup (Copa dos EUA), reduzindo o intervalo entre jogos no segundo semestre ou mesmo cortando uma fase dos playoffs.

NHL

Minutos depois de a NBA anunciar a interrupção da temporada, a NHL emitiu um comunicado dizendo que estava ciente do ocorrido no basquete, que consultaria especialistas e avaliaria as opções, eventualmente apresentando alguma novidade nesta quinta. Quando você ler esse texto, talvez a temporada já tenha sido suspensa também.


A situação na NHL tem uma ligeira vantagem sobre a NBA por ter uma presença canadense muito mais forte. Não apenas na quantidade de times na parte norte da fronteira, mas também do número de fãs. O canadense gasta mais que o dobro com a NHL que o americano. E a situação no Canadá é, por enquanto, mais controlada do que nos EUA (117 casos confirmados de covid-19, contra 1.312).

Ainda assim, a NHL teria um problema sério a resolver: uma interrupção neste momento afetará duramente a reta final da temporada regular e os playoffs (previstos para começar em 8 de abril). Se a temporada for suspensa, possivelmente os playoffs serão empurrados para frente, com possibilidade de realizar alguns jogos -- sobretudo nas primeiras fases -- com portões fechados e até reduzir as séries para acelerar a decisão, saindo do melhor de sete jogos para melhor de cinco ou mesmo melhor de três. Ainda assim, a decisão poderia ficar para o meio do verão e talvez atrasasse o início da próxima temporada para respeitar um período mínimo de férias dos jogadores.

Tecnicamente não há problemas em jogar no gelo no meio do verão, mas certamente a liga gostaria de evitar esse cenário.

NBA

Cenário muito parecido com o da NHL. As temporadas são quase simultâneas, com o basquete ficando uma semana e meia atrasado: os playoffs estão programados para começar em 18 de abril e terminar em 21 de junho. Isso pode fazer diferença na hora de acomodar a reta final da temporada no calendário após a retomada dos jogos, pois poderia invadiria o draft, programado para 25 de junho, e os Jogos Olímpicos, que devem ser adiados, mas ainda têm 24 de julho como data oficial de abertura.

Se isso acontecer, a NBA dará uma banana ao COI e a Olimpíada que se vire sem os jogadores da liga norte-americana. Mas também será um cenário desconfortável para o basquete e que poderia afetar o início da próxima temporada, como no caso da NHL.

XFL

A XFL teve uma temporada mal sucedida em 2001 e esperou 19 anos para retornar. Tudo para planejar direito e ter o cenário de mídia, torcida e investidores adequado para prosperar. O início da nova tentativa é oscilante, com média de público e de audiência de TV aceitáveis, mas sem convencer completamente. Até porque a sensação é de que as arquibancadas estão mais vazias do que indicam os borderôs de alguns jogos.

Tudo o que a XFL não precisa é de uma interrupção de sua temporada -- ou partidas de portões fechados -- justo quando chegaria na sua reta final e a atenção do público poderia aumentar. Em um cenário pessimista, isso poderia ser fatal para o futuro da liga, mas o mais realista é imaginar que pode tirar o embalo e prejudicar a temporada quando for reiniciada. Ou talvez nem seja encerrada e a edição de 2021 se transforme no retorno definitivo da XFL.

Basquete universitário

É o caso mais dramático. A temporada está nos playoffs de conferência, que ajudam a definir os times que disputarão o torneio que define o campeão nacional. A NCAA resiste em interromper seu calendário e anunciou que essa etapa será realizada com portões fechados, no máximo alguns familiares de jogadores terão permissão para acompanhar as partidas nos ginásios.

Wisconsin enfrenta North Carolina no March Madness
Wisconsin enfrenta North Carolina no March Madness Getty

Já há muita contestação sobre essa decisão, mas se tornará insustentável no March Madness. O supermata-mata do basquete universitário é um dos principais eventos do calendário esportivo americano, gerando bilhões de dólares. Realizar o torneio com portões fechados seria uma perda imensa de faturamento e de imagem, pelos jogos frios diante de assentos vazios. Adiá-lo seria complicado pois poderia cair para o período de final de ano letivo para os jogadores-estudantes e ainda prejudicar a preparação de muitos para o draft da NBA.

Há quem considere a possibilidade de a temporada terminar sem que se defina o campeão nacional.

Fonte: Ubiratan Leal

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Premier League vai criar seu Hall da Fama. E como eles são nas ligas americanas?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Hall da Fama do futebol americano universitário
Hall da Fama do futebol americano universitário Getty

Um local para celebrar o Campeonato Inglês e os craques que ajudaram a torná-lo a melhor liga doméstica do mundo. A Premier League anunciou nesta quinta que criará seu Hall da Fama, com lançamento oficial e detalhes do projeto marcados para 19 de março -- quando também serão anunciados os dois primeiros imortais e a lista de jogadores que serão submetidos a voto popular para engrossar a turma inaugural.

A entidade não informou qual o método utilizado para a definição dos dois primeiros membros do Hall da Fama, tampouco se o voto popular será o método de escolha apenas nesse momento ou se será mantido para o futuro. De qualquer modo, esse é um elemento fundamental para um projeto como esse, pois a dificuldade de ser imortalizado ajuda a valorizar quem consegue entrar nesse local reservado para poucos. E isso não costuma rimar com “voto popular”, em que clubismo e apreço pessoal podem ofuscar a avaliação do que o jogador realmente representou.

Nos Estados Unidos, há Halls da Fama para todas as ligas americanas. Ainda que a maioria não seja específico da liga principal (o da Nascar é exceção), mas da modalidade como um todo, na prática ele serve como museu da NFL, da MLB, da NBA ou da NHL. Todos esses espaços adotam sistemas bastante rígidos de aceitação de novos membros. Mesmo que isso signifique deixar ídolos de diversas torcidas e jogadores de talento e currículo inquestionável de fora.

Veja como cada uma delas faz para definir os novos imortais (inclui apenas os critérios para jogadores. Para treinadores, dirigentes e outros profissionais os critérios variam bastante):

NFL

Nome: Pro Football Hall of Fame
Local: Canton (Ohio, EUA)
Inauguração: 1963
Jogadores imortalizados: 299
Quem é elegível: jogadores que se aposentaram há cinco anos
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Charles Haley, Jerry Kramer, Andre Reed, Bob Kuechenberg

O Comitê de Seleção é formado por 48 jornalistas com atuação em todas as cidades com franquias da NFL. Eles recebem sugestões de candidatos enviadas por torcedores comuns e colaboradores. A partir daí, é elaborada uma lista de 25 nomes, depois reduzida para 18. Membros do Comitê de Seleção se reúnem para votar, e apenas quem receber voto de pelo menos 80% dos eleitores é imortalizado.

MLB

Nome: National Baseball Hall of Fame and Museum
Local: Cooperstown (Nova York, EUA)
Inauguração: 1939
Jogadores imortalizados: 267
Quem é elegível: jogadores que participaram de dez ou mais temporadas na MLB e que se aposentaram há cinco anos
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Ozzie Smith, Mark McGwire, Curt Schilling, Barry Bonds, Roger Clemens

Um comitê da BBWAA (Associação dos Repórteres de Beisebol da América) divulga uma cédula a cada ano com os candidatos. A lista inclui jogadores que se aposentaram há cinco temporadas e ex-jogadores que não foram eleitos nos anos anteriores. Os eleitores são membros da BBWAA que cobrem a MLB diariamente há dez anos ou mais e só é permitido votar em até dez jogadores por cédula. Os jogadores que receberem 75% ou mais dos votos são imortalizados. Os que receberem entre 74,9 e 5,1% são mantidos para a eleição do ano seguinte. Quem ficar com 5% ou menos dos votos é excluído. Cada ex-jogador tem dez chances de ser eleito. Se não for imortalizado nesse período, é retirado da votação. Quem não foi eleito pode acabar imortalizado por comitês especiais formados por ex-jogadores, mas é um processo mais difícil por ter de concorrer com outros profissionais do beisebol (dirigentes, treinadores etc).

NBA

Nome: Naismith Memorial Basketball Hall of Fame
Local: Springfield (Massachusetts, EUA)
Inauguração: 1959
Jogadores imortalizados: 154
Quem é elegível: ex-jogadores que se aposentaram há três anos ou mais
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Shawn Kemp, Tim Hardaway, Rebecca Lobo, Chris Webber, Toni Kukoc

É o mais global dos salões da fama dos esportes americanos. Além das estrelas da NBA, o Naismith Memorial também celebra os grandes nomes do basquete internacional, casos dos brasileiros Oscar, Ubiratan e Hortência. Por isso, há quatro comitês que avaliam potenciais homenageados: América do Norte, basquete feminino, basquete internacional e veteranos. Os candidatos são avaliados e, a partir da quantidade de indicações que receberem, vão para o Comitê de Honra, formado por 24 membros. O ex-jogador é eleito se tiver 18 votos (75%) desse comitê.

Oscar em seu discurso de entrada no Hall da Fama do basquete
Oscar em seu discurso de entrada no Hall da Fama do basquete Getty

NHL

Nome: Hockey Hall of Fame / Temple de la renommée du hockey}
Local: Toronto (Canadá)
Inauguração: 1943
Jogadores imortalizados: 284
Quem é elegível: jogadores que não participam de uma partida internacional há três anos ou mais
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Kevin Lowe, Doug Wilson, Grant Fuhr, Alexander Mogilny

Teoricamente, é um espaço para o hóquei no gelo como um todo, mas o foco (que virou motivo de crítica) é na NHL. Todo ano, cada um dos 18 membros do comitê de seleção -- formado por membros do Hall da Fama, jornalistas e dirigentes -- apresenta um nome de possível membro do Hall da Fama. Os candidatos são submetidos a votação de todo o comitê e são aprovados se receberem 75% dos votos. São imortalizados no máximo quatro ex-jogadores por ano.

Futebol americano universitário

Nome: College Football Hall of Fame
Local: Atlanta (Georgia, EUA)
Inauguração: 1978
Jogadores imortalizados: 997
Quem é elegível: jogadores que já foram eleitos para a seleção da temporada e que deixaram o futebol americano universitário há dez anos no mínimo e 50 anos no máximo
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Joe Montana, Drew Brees e Derrick Thomas

Como a rotatividade dos jogadores universitários é grande (cada um fica no máximo quatro anos antes de se profissionalizar), a quantidade de jogadores que marcaram o futebol americano da NCAA é imensa, mas representa apenas 0,02% de todos que já atuaram. Além disso, torna sem sentido cláusulas como número mínimo de temporadas para um ex-jogador ser elegível. Antes, era necessário que o jogador tivesse concluído seu curso, mas essa cláusula já foi derrubada. Membros da National Football Foundation selecionam os jogadores a cada ano.

NASCAR

Nome: Nascar Hall of Fame
Local: Charlotte (Carolina do Norte, EUA)
Inauguração: 2010
Pilotos imortalizados: 35
Quem é elegível: pilotos com dez temporadas disputadas na Nascar e aposentados há pelo menos três anos
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Mike Stefanik e Neil Bonnett

O Hall da Fama da Nascar não homenageia apenas a Cup Series, principal divisão da categoria, mas todas as competições sancionadas pela entidade, da Xfinity Series até corridas em circuitos de terra. Como a quantidade de atletas des destaque é muito menor do que em esportes coletivos, a Nascar consegue evitar grandes polêmicas de nomes deixados de fora. Um comitê de 20 membros (incluindo historiador da categoria, membros da entidade e donos de circuitos) elaboram uma lista de candidatos a cada ano. A relação é submetida a um comitê eleitoral formado por 48 pessoas, entre jornalistas, ex-pilotos, ex-donos de equipes, ex-chefes de equipe, o atual campeão da Cup Series e até um voto dos torcedores (coletado via internet). Os cinco mais votados são eleitos.

Fonte: Ubiratan Leal

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NHL: funcionário da manutenção vira goleiro de última hora e fica com a vitória

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
David Ayres
David Ayres Getty Images

David Ayres ama hóquei e podia se dar por feliz por trabalhar em torno de seu esporte favorito. Ele atuou como goleiro na juventude, mas não teve oportunidade de se profissionalizar. Em 2004, teve de passar por um transplante de rim e a possibilidade de seguir uma carreira se tornou ainda mais remota. Por isso, trabalhar no setor de manutenção e como piloto de zamboni do Toronto Marlies, time de ligas menores, já estava muito bom. Até porque esse emprego o permitia ter uma ou outra chance de entrar como goleiro em alguns treinos da equipe. Aos 42 anos, já era mais contato com o hóquei no gelo profissional do que poderia esperar.

Havia uma questão, porém. Por essa atividade com os Marlies, Ayres estava listado como goleiro de emergência nas partidas em Toronto dos Marlies e dos Maple Leafs.

Goleiro de emergência? Para quem acompanha a NHL, já é um conceito bastante conhecido, mas a explicação simplificada vai para quem ainda não segue -- sugestão: siga! -- o hóquei no gelo.

Se algum goleiro se machuca durante uma partida, o goleiro reserva entra no gelo, lógico. Para esse time não ficar sem nenhuma opção no banco, o goleiro de emergência é chamado de urgência para ir à partida, assina um contrato de um dia (US$ 500 e a camisa com seu nome) e fica como terceiro goleiro. Cada equipe tem um goleiro de emergência listado, e ele pode ser chamado a qualquer momento, para defender qualquer equipe. Basta precisar.

Normalmente esse goleiro de emergência é um veterano que atuou na posição no ensino médio e, no máximo, em ligas menores ou universitárias e toca sua vida comum, com um emprego qualquer. Mas, como teve experiência em algum momento da vida, é mais qualificado para atuar no gol do que improvisar um jogador de linha que vai comprometer tecnicamente e ainda pode se machucar.

Quase nunca dá em nada. O goleiro de emergência fica lá esperando, o reserva que entrou fica no gelo até o final e pronto. Mas no confronto entre Maple Leafs e Carolina Hurricanes deste sábado, o goleiro titular dos Hurricanes machucou, o reserva entrou e também se machucou. Ou seja, Ayres teve de jogar de verdade. A situação foi tão inusitada que o goleiro entrou com a camisa dos Hurricanes, mas usando a calça dos Maple Leafs (seu time de coração) e capacete dos Marlies. 

O goleiro de última hora tomou dois gols nos dois primeiros chutes em direção a seu gol. A tensão cresceu no banco e na torcida dos Hurricanes, mas Ayres se recuperou e pegou todas as finalizações dos Leafs até o final da partida, ficando como goleiro vencedor nos 6 a 3 dos Canes.

Com isso, Ayres se tornou o goleiro mais velho a estrear com vitória na NHL, o segundo jogador mais velho a estrear na história da NHL e o primeiro goleiro de emergência a ser creditado com a vitória na história da NHL.

O veterano foi bastante festejado nos vestiários do Carolina. Recebeu banho de cerveja e foi apontado pelo técnico Rod Brind’Amour como o herói da partida.


A aventura de Ayres na NHL parou por aí. Ele confirmou que não tem pretensão de se apresentar para algum tipo de teste e buscar um contrato profissional. De qualquer forma, vai entrar no folclore dos Hurricanes. A franquia anunciou que vai colocar à venda uma camisa com seu nome, com o lucro sendo direcionado ao goleiro e a alguma instituição que trabalhe com vítimas de problemas renais.

Fonte: Ubiratan Leal

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Novo sistema de playoff da MLB: como seria e o que ele indica

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Troféu da World Series
Troféu da World Series Getty

A Major League Baseball vai mudar, já está mudando. A queda de popularidade do beisebol entre as novas gerações enfim começou a incomodar a principal liga profissional da modalidade, e a MLB percebeu que era necessário realizar alterações que tornassem seu torneio mais atrativo para os jovens, mais agitados e ultraconectados. A maior parte das medidas visa reduzir o tempo dos jogos, mas há uma mais ousada e polêmica: mudar os playoffs.

Atualmente, o mata-mata da MLB é disputado por cinco equipes na Liga Americana e outras cinco na Nacional. Os três campeões de divisão se classificam automaticamente para as séries divisionais (equivalente a semifinais de liga), onde encontram o vencedor do jogo de wildcard (repescagem) realizado entre os dois melhores times que não venceram divisão alguma. Nas séries divisionais, o time de melhor campanha pega o vencedor do wildcard, enquanto que o segundo cabeça de chave pega o terceiro. Daí temos finais de ligas e a World Series, a decisão geral.

Pela proposta da MLB, seriam sete classificados em cada chave: três campeões de divisão e quatro wildcards. O time de melhor campanha teria uma vaga direta na série divisional. Os outros dois campeões de divisão e o primeiro wildcard enfrentariam os outros três wildcards em séries melhor de três, com todos os jogos na casa dos cabeças de chave. Como seria feito o emparceiramento? Os cabeças de chave escolheriam o adversário. Isso mesmo: seria realizado um evento em que o segundo time de melhor campanha escolhe qual dos wildcards quer enfrentar. Depois o terceiro campeão da divisão escolhe e o melhor wildcard fica com quem sobra.

Obs.: a fase de wildcard seria em melhor de três, mas não precisaria de datas extras em relação ao formato atual. Ela apenas ocuparia os dias de descanso antes e depois dos jogos de wildcards atuais. Ou seja, o time que pulasse essa fase não perderia tanto ritmo de jogo assim.

Nesse formato, a MLB tenta atingir dois alvos: aumentar a quantidade de time envolvidos na temporada regular e criar mais eventos com potencial de atrair a mídia. A primeira parte é fácil de entender: nos últimos anos, cresceu bastante a quantidade de times que não lutaram pela temporada, pensando apenas em economizar dinheiro e atrair jovens para se tornar competitivo no futuro. Ainda que faça sentido como estratégia, isso faz que algumas equipes tenham cerca de 500 jogos de temporada regular valendo muito pouco, alienando seus torcedores. Com mais vagas disponíveis, os playoffs são mais acessíveis e poucas franquias realmente se verão fora da disputa já no começo do ano.

A segunda parte é a mais polêmica. A MLB tem a desvantagem de ver seus playoffs ocorrerem em uma época do ano em que NFL, futebol americano universitário, NBA e NHL estão em disputa. Ou seja, dividindo atenção do público. Por isso, criar momentos de tensão e polêmica ajuda a cutucar o torcedor. E um evento em horário nobre de domingo em que os times escolhem quem enfrentarão (incluindo aí todo o debate que se estenderá nos dias anteriores sobre qual seria a melhor estratégia de cada um) tem um sabor diferente.

Já dá para imaginar o cenário. A MLB inclui no seu pacote de direitos de transmissão a venda do evento em que os cabeças de chave escolhem seus adversários e mais seis séries de wildcard, o que garante de 12 a 18 jogos decisivos (ao invés dos dois jogos atuais). Isso vale milhões diretamente e outros milhões indiretamente, com o espaço conquistado nas conversas pelas ruas, nas redes sociais e na mídia.

O problema é: tudo isso faz sentido comercial, mas soa apelativo esportivamente. Encaixar os sete classificados em um sistema de disputa não é natural, precisa de um contorcionismo grande no regulamento. E dar aos clubes o direito de escolher seus adversários é criar polêmicas fáceis.

Ainda assim, o lado econômico provavelmente falará forte e não haverá muita resistência dentro da liga para aprovar o formato. Os clubes gostarão de saber que os playoffs estão mais acessíveis. O sindicato de jogadores gostará de saber que mais associados disputarão o mata-mata. Os árbitros gostarão de ter mais chances de serem chamados para um trabalho extra em outubro. E todo mundo adorará ratear esse dinheiro extra que entrará. Mesmo a TV, que terá de gastar mais dinheiro, não achará ruim perceber que recuperou isso com a audiência das novas fases e de uma temporada regular com menos jogos irrelevantes.

Mas o sistema que a MLB escolheu para revitalizar os playoffs me fez pensar em outra coisa. Encaixar os sete classificados e a fase de wildcard com três confrontos soa forçado no modelo atual, mas ficaria bastante natural se… cada liga tivesse quatro divisões. Com quatro divisões, a melhor campanha entre os campeões vai direto para a série divisional, enquanto que os três campeões de divisão seguintes escolhem entre três classificados por wildcard. Faz muito mais sentido.

E como a MLB dividiria suas ligas para ter quatro grupos? Hoje, com 15 times na Liga Nacional e outros 15 na Americana, muito difícil. No entanto, se as grandes ligas expandirem para 32 franquias, uma em cada liga, são 16 para dividir em quatro grupos de quatro times. Exatamente como a NFL.

Rob Manfred, comissário da MLB, já disse que a liga pretende ampliar a quantidade de equipes. Para isso, só precisa resolver a questão dos estádios de Tampa Bay Rays e de Oakland Athletics. Talvez essa expansão não esteja tão distante assim e a entidade já faça planos pensando nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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