Análise técnica: conheça os reforços "desconhecidos" que chegam ao Brasileirão no pós-Copa

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

A parada para a Copa do Mundo não serviu apenas para treinamentos e ajustes nas equipes que voltam a disputar o Brasileirão a partir do dia 18 deste mês. Entre uma folga inicial e uma mini pré-temporada, muitos elencos foram modificados. Se por um lado alguns nomes importantes como Vinicius Junior e Arthur rumaram à Europa, por outro, chegaram alguns reforços para a sequência da temporada.

Muitas destas contratações, aliás, um pouco desconhecidas do torcedor brasileiro. Chegaram nomes repatriados da Europa, artilheiro no México e até apostas do mercado sul-americano. Abaixo preparei uma breve análise de alguns destes nomes. Nem todos são gringos, mas tentei ir dentro das características e o que cada um pode oferecer para cada clube. Pontos fortes e fracos, posições preferidas, onde evoluir... 

É sempre importante olhar para os contextos antes de analisar individualmente qualquer jogador. Portanto, antes de qualquer verdade absoluta, precisamos sempre levar em conta onde estava e onde chega cada atleta. O modelo, o ambiente, a cultura do clube, a adaptação... Tudo isso é muito importante para dar ou não certo dentro de uma variável muito grande que é o futebol.

Peço perdão se esqueci de algum nome e aceito sugestões para um segundo post com mais perfis - lembrando que os dois estrangeiros que chegaram no Atlético-MG eu já dissequei aqui neste post.


INTERNACIONAL

Martin Sarrafiore – Meia-atacante – 1,80m  20 anos – canhoto – argentino

Martin Sarrafiore já foi apresentado pelo Internacional
Martin Sarrafiore já foi apresentado pelo Internacional Twitter: @SCInternacional


Fez uma grande Copa Ipiranga RS na temporada passada, sendo um dos melhores jogadores da competição sub-20 pelo Huracan-ARG. 

Sarrafiore é um camisa 10 com grandes atributos de atacante. Uma mescla dos dois, mas com maior essência organizadora. Vai muito bem dentro da área.

Sua posição preferida é atrás do centroavante (pode ser num 4-2-3-1, por exemplo) ou mesmo como um segundo atacante (4-4-2). Não chega a ser aqueles enganches argentinos típicos, que são mais baixos, leves e motorzinhos. É um cara de maior estatura, trabalha mais com a força física no setor. Suporta bem os contatos, algo importante para uma região do campo sempre com muita pressão na bola e encontrões.

Jogador com boa capacidade de criação e finalização. Mostra um bom primeiro toque na bola e tem um bom repertório técnico. Tem qualidade no passe final, com capacidade de achar companheiros em profundidade.

Sem bola ajuda. Dentro do contexto da sua ex-equipe, que tinha como modelo pressionar a saída dos adversários, fazia bem esse papel de puxar as pressões. Pode ser melhor estimulado na reação à perda da posse. Ainda pode crescer neste sentido. É algo para ser trabalhado na sua passagem pelo Internacional.

Não é um jogador rápido e está longe de ser um cara com boas trocas de direção, de ter grande mobilidade.  Talvez aí seja o seu ponto mais baixo.

Tem a questão não só de adaptação a um novo país, mas também ao âmbito profissional. Martin ainda não teve experiência neste sentido ainda. Atuou apenas no time sub-20. Mas é um cara que tem potencial. Um perfil que tem qualidades e características ainda a serem potencializadas. Vejo como uma aposta, mas bem interessante.

 

SÃO PAULO

Joao Rojas – ponta (direita/esquerda) – 1,72m 29 anos – destro – equatoriano

Joao Rojas em entrevista ao canal oficial do São Paulo no YouTube
Joao Rojas em entrevista ao canal oficial do São Paulo no YouTube YouTube: São Paulo FC


Já tem uma certa rodagem no futebol, inclusive com experiência em Copa do Mundo. Esteve entre os convocados do Equador no Mundial de 2014. O ponto alto de sua carreira foi durante a passagem pelo México. Lá marcou 44 gols e ajudou Monarcas e Cruz Azul com 37 assistências.

É um ponta mais característico. Jogador de velocidade e que busca muito o 1x1. Bem agudo e vertical, é mais criador que finalizador. Atleta leve, com boa troca de direção e projeção nos espaços. Pode atuar pelos dois lados do campo. Pelo Talleres-ARG, seu último clube, terminou a temporada mais pela esquerda. Nesta posição, buscava centralizar mais as jogadas, trazendo para o pé bom (direito). Foi possível vê-lo flutuando muito para o centro, tentando o lance pessoal ou passe em profundidade.

Mapa de ações com bola de João Rojas nas suas duas últimas temporadas
Mapa de ações com bola de João Rojas nas suas duas últimas temporadas DataESPN

Neste sentido mostrava algum problema nas tomadas de decisão. Questão de escolher a melhor a jogada. Vai melhor quando prende menos a bola. Tem uma jogada bem característica: de recuar pela ponta na iniciação, escorar e de primeira e atacar as costas do lateral. Vai bem assim. Faz bem as diagonais para dentro e tem certa chegada na área.

Pelo lado direito, como vem treinando no São Paulo, fica um jogador mais de fundo do campo. Vai buscar a finta e o cruzamento, com maior enfoque na preparação das jogadas.

Sem bola é um cara que faz bem o retorno pelo corredor e ajuda o lateral a não ficar no 2 contra 1. A sua reação depois da perda da bola pode ser melhorada. Às vezes demora um pouco, mas é algo que pode ser assimilado e concertado. Não tem uma relação com a bola exuberante, mas vai bem na condução da mesma. Pode ser um bom escape nas transições ofensivas.

Pelos moldes do negócio – pelo que parece veio à custo zero -, Rojas é uma boa aposta e pode ser uma peça importante na composição do elenco, que teve as perdas de Marcos Guilherme e Valdivia. É um cara para ajudar, mas não creio que seja para resolver. Tem sua utilidade e pode se beneficiar do modelo de jogo atual do São Paulo, que usa bem a velocidade pelos lados e costuma se dar melhor quando aposta num jogo mais reativo.

 

FLAMENGO

Fernando Uribe – centroavante – 1,82m – 30 anos – canhoto – colombiano

Fernando Uribe treina na academia do Flamengo
Fernando Uribe treina na academia do Flamengo YouTube: FLA TV


Centroavante com características bem diferentes do Henrique Dourado. Dará boa profundidade ao elenco, oferecendo outras alternativas para a posição (não se sabe ainda se o Guerrero continua). 

Foi muito bem nos seus dois últimos clubes: Once Caldas-COL e Toluca-MEX. Marcou 74 gols em 145 partidas.

Muito se fala que sua saída do México se deu por conta do mau relacionamento com o treinador. O negócio parece ainda mais vantajoso pelo fato de o Flamengo o trazer a custo zero, já que o colombiano estava em fim de contrato – claro que existe as luvas, que geralmente causam um gasto maior ao clube. Mas, dependendo do que pensa Barbieri, me parece um cara que chega pronto para jogar. Ainda mais que o atual titular ainda não conseguiu ter um desempenho dos melhores.

Uribe é um centroavante mais móvel. Mais leve. Se mexe muito no campo ofensivo. 

Sai da área para trabalhar no espaço entrelinha, nas costas dos volantes. Procura abrir linhas de passe ali para ajudar na construção. Não é um cara de grande imposição física, por isso não retém muito a bola de costas, como um pivô. Prefere executar rápido, de primeira ou com dois toques. Geralmente aparece, escora a bola e já ataca espaços na área.

Mapa de ações com bola de Uribe nas suas duas últimas temporadas
Mapa de ações com bola de Uribe nas suas duas últimas temporadas DataESPN

Longe de ser o típico 9 grandalhão e mais pesado, tem uma ótima explosão no arranque para atacar profundidade e antecipar bolas rápidas na área. Essa talvez seja sua grande característica. É um cara muito ligado. É elétrico. Está sempre buscando o melhor posicionamento na área e geralmente chega primeiro que o zagueiro se acionado em velocidade. 

É um cara que busca a infiltração e recebe bem a bola no ponto futuro. Não tem um grande repertório técnico e capacidade de improviso, mas costuma ser simples em suas ações. Não “mata” o jogo da equipe duranta  construção. 

Apesar de não ser dos mais altos e fortes, Uribe tem boa impulsão. Se acionado com bolas mais rápidas, tende a ganhar pelo alto dos defensores por sua agilidade. É um cara que depende do tipo de jogada que chega até ele. A equipe precisa entender o tipo de bola que ele costuma levar vantagem, se não tem dificuldades para se impor entre os zagueiros.

Sem bola é um jogador muito proativo. É agressivo, está sempre pressionando e causando dificuldades ao portador da bola. Incomoda bastante, está sempre brigando. Logicamente que um centroavante precisa ter outras qualidades, principalmente fazer gols, mas julgo ser um aspecto importante no seu jogo.

 

PALMEIRAS

Nicolás Freire – zagueiro – 1,86m – 24 anos – canhoto – argentino

Nicolas Freire responde perguntas em apresentação à torcida no canal de YouTube do Palmeiras
Nicolas Freire responde perguntas em apresentação à torcida no canal de YouTube do Palmeiras YouTube: TV Palmeiras/FAM


Chega da Holanda depois de um bom início na Eredivisie. Individualmente foi bem no começo da temporada, mas muito amparado também ao bom momento da sua equipe. O PEC Zwolle costumava até atuar com uma linha defensiva mais alta. Depois o modelo foi perdendo a consistência e seu ex-clube terminou a temporada na nona colocação. Isso impactou muito na confiança do próprio zagueiro. Seu rendimento caiu um pouco nas rodadas finais, assim como todo aspecto coletivo da equipe.

Freire é um zagueiro com uma boa capacidade técnica para a posição. Boa relação com a bola e principalmente com capacidades para iniciar as jogadas. Busca um passe mais vertical e acha companheiros nos espaços ofensivos. É até um pouco acima da média neste sentido para o mercado brasileiro. Tende a ajudar neste aspecto do jogo, principalmente dentro de um modelo que busca mais propor do que reagir.

Tem uma boa leitura das jogadas para cobrir profundidade e encurtar coberturas. É um cara que entende bem o jogo, toma boas decisões e não se precipita toda hora. É agressivo, mas exerce essa qualidade nos momentos certos. 

Por outro lado, não é um defensor muito físico. Inclusive tem alguma dificuldade para se impor em alguns momentos, principalmente nas bolas pelo alto. Busca a antecipação através da leitura. Acabou desenvolvendo isso por não ser um cara tão físico nos duelos. Acaba compensando de alguma maneira. Mas de fato é algo que preocupa pelas características do nosso futebol.

Mapa de ações com bola de Freire nas suas duas últimas temporadas
Mapa de ações com bola de Freire nas suas duas últimas temporadas []

Mostra um bom aspecto de liderança dentro da partida. Na Argentina, pelo Argentinos Juniors, por exemplo, chegou a ser capitão. Era um cara bem comunicativo, que falava muito em campo, buscava organizar o setor.

Pelo molde do negócio – empréstimo de 1 ano com opção de compra -, parece ser mesmo uma aposta. Não o vejo chegando e tomando conta da posição, mas é um cara que pode ajudar na composição do elenco e se desenvolver dentro do próprio Palmeiras. Ainda tem alguns aspectos a melhorar e tem algum potencial para evoluir. Se conseguir desenvolver algumas deficiências, pode se firmar.

 

CORINTHIANS

Danilo Avelar – lateral-esquerdo – 1,85m – 29 anos – canhoto – brasileiro

 Danilo Avelar, jogador do Corinthians, durante sua apresentação no CT Joaquim Grava
Danilo Avelar, jogador do Corinthians, durante sua apresentação no CT Joaquim Grava DJALMA VASSÃO/Gazeta Press


Atleta com longa rodagem pelo futebol europeu. Experiências na Ucrânia, Itália, Alemanha e na França. Estava no Amiens-FRA, com certa consistência de minutos jogados nos últimos anos, principalmente no futebol francês. Tem características importante para dar equilíbrio ao elenco. Tem um perfil bem diferente do Juninho Capixaba, com quem vai brigar por espaço após a Copa do Mundo.

Lateral mais base. Jogador equilibrado, que se destaca mais pelos aspectos defensivos. Costuma trabalhar mais por trás, na base da jogada, organizando e iniciando as construções. Tem uma boa leitura dos espaços, se comporta bem na linha defensiva. Sabe fechar bem ali, algo importante dentro do contexto do Corinthians das últimas temporadas. Esteve em ambientes que o estimularam a isso. Pode até jogar numa linha mais avançada, mas aí gerando mais imposição no meio. Longe de ser ponta de velocidade.

Jogador mais de imposição física, vai bem no contato e tem bom desenvolvimento do seu jogo pelo alto. Inclusive aumenta bem a estatura da linha defensiva, algo importante, até reforçando as bolas paradas defensivas.

Mapa de ações com bola de Avelar nas suas duas últimas temporadas
Mapa de ações com bola de Avelar nas suas duas últimas temporadas DataESPN

Relação com a bola é média. Não é um cara com grande capacidade de desequilíbrio com a posse. Tem um passe seguro, não arrisca muito. Quando avança no campo, vai mais na força. Tem até um bom cruzamento. Costuma achar bem os companheiros neste sentido, sempre com uma uma bola mais rápida. Não é um cara de grande condução da bola, prefere tocar e projetar. Não tem grande capacidade na troca de direção. É mais pesado.

Me parecia mais um jogador para compor o elenco, ainda mais por se tratar de um setor bem carente no Corinthians. Mas agora, com a saída de Sidcley, deve já iniciar sua passagem como titular, já que Juninho Capixaba ainda não conseguiu se firmar. Vem por empréstimo, até dentro da realidade financeira do clube, que não é das melhores. 

 

Jonathas – centroavante – 1,90m – 29 anos – destro – brasileiro

Jonathas de Jesus em foto publicado em seu Instagram
Jonathas de Jesus em foto publicado em seu Instagram Instagram: @jonathasjesus09

Já esteve na mira do Corinthians antes. Em 2015, após marcar 14 gols no Campeonato Espanhol pelo pequeno Elche, chegou a negociar com o clube. Na época, sem contrato, acabou indo para a Real Sociedad, onde não se firmou totalmente. No Rubin Kazan da Rússia, por outro lado, conseguiu maior sequência.

Sua passagem pelo Hannover (seu último clube) foi muito minada por lesões. Fez 12 jogos na Bundesliga, sendo sete como titular e com três gols marcados. A falta de oportunidades acabou abrindo o caminho para voltar ao Brasil.

Revelado pelo Cruzeiro, Jonathas é um centroavante bem característico. Estatura muito boa para a posição. É um cara com ótima imposição física. Vai bem no contato, busca a retenção e proteção da bola quando acionado. Tecnicamente não tem grandes recursos, até por isso, busca escorar as bolas com simplicidade. Não inventa muito e está longe de ser um atleta com grandes qualidades criativas.

É muito mais terminal. Quando constrói, o faz de costas, retendo e achando opções de passe mais próximas. Apesar de ser bem alto, não é um jogador totalmente lento. Tem uma boa força no arranque em distâncias curtas. É um cara para jogar no limite da linha defensiva, para infiltrar e antecipar os zagueiros. Gosta de puxar no primeiro pau na hora de finalizar. 

Mapa de ações com bola de Jonathas nas suas duas últimas temporadas
Mapa de ações com bola de Jonathas nas suas duas últimas temporadas DataESPN

Por outro lado, está bem longe de ser um jogador com bola agilidade. Tem problemas na troca de direção. Também não tem grande característica de 1x1, de ganhar do oponente com o drible. Vai mais na força do que na habilidade.

É um bom alvo nas disputas de primeira bola (tiros de meta, saídas de laterais...). Se impõem em jogadas aéreas, vai bem neste sentido. 

Sem a posse é um jogador agressivo. Reage bem às perdas da posse. Busca pressionar a bola, ajudar na recuperação. No entanto é um pouco afobado neste sentido. Não tem grande cacoete para marcar/desarmar e acaba fazendo muitas faltas.

A grande questão é observar sua readaptação ao futebol brasileiro e, principalmente, como chega fisicamente. Não é um cara com uma carreira muito regular, mas com algumas boas temporadas na Europa. Conseguiu ser influente no jogo de algumas equipes. Em outras, não se firmou.

 

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Fonte: Renato Rodrigues, do DataESPN

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No Brasileirão sem unanimidade, Flamengo e Rogério Ceni têm méritos difíceis de contestar

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

O Flamengo venceu o Brasileirão mais difícil dos últimos tempos. Não sobrou como na edição anterior, empilhou tropeços e bons jogos ao mesmo tempo. Rogério Ceni, entre elogios e muita desconfiança, trocou o pneu do carro com ele andando e em alta velocidade.

Ninguém que vencesse esta edição seria unanimidade. Nenhum time apresentou "futebol de campeão" ao longo de uma temporada atípica. O que vimos foram momentos. Do São Paulo, do Inter, do Atlético-MG... Sequências fortes que foram se esvaziando tamanha a complexidade de jogar em um ano maluco, cheio de dificuldades.

O Flamengo engatou seu bom momento no final e isso acabou sendo decisivo. Apesar da partida ruim no Morumbi, que garantiu o título rubro-negro, as últimas rodadas foram de crescimento. Ceni, apesar de estar longe de ter seu time pronto, conseguiu atacar problemas importantes para levantar o caneco.

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O que Ceni atacou?

A primeira missão foi estancar a fragilidade defensiva da equipe. É verdade que o Flamengo não passou a ser uma fortaleza lá atrás, mas conseguiu dar um salto considerável se olharmos a situação anterior à chegada do atual treinador. Organizou melhor as coberturas, trabalhou melhor a linha defensiva e, principalmente, arrumou o tal do "ataca-marcando", que trata-se da estrutura de jogadores que ficam na retaguarda enquanto a equipe ataca e que precisam estar sempre encaixados em possíveis jogadores que ativarão os contra-ataques.

Outro ponto importante na caminhada rubro-negra com Ceni foi a recuperação de Gabigol. Com mais liberdade de movimentação, o atacante cresceu e se transformou em uma peça-chave nesta arrancada. O camisa 9 é um centroavante diferente daquele convencional. Precisa "fazer o seu jogo" e, principalmente, que seus companheiros o coloquem em condição de finalizar. É um atacador de espaço, usa os movimentos na profundidade para tirar vantagem. Então, a bola precisa entrar nestes espaços.

A entrada de Diego como um dos jogadores mais recuados, alinhado a Gerson, também teve um acréscimo gigante na construção das jogadas. Com o meia em campo, ficou mais confortável achar Everton Ribeiro e Arrascaeta no espaço entrelinhas, normalmente nas costas dos volantes do adversário. A grande dificuldade do Fla contra o São Paulo, aliás, foi isso. Os meias pouco foram acionados neste espaço e, quando foram, mostraram não estar em uma noite feliz.

Brasileirão do caos

Quando eu falo em Brasileirão mais difícil de todos os tempos ou talvez da história, me refiro às condições que TODOS os clubes tiveram que jogar na atual temporada.

Zero chance de treinar, calendário amontoado, excesso de lesões, casos de COVID-19, quebra de meses sem jogos... Foram nítidas as dificuldades de todas as equipes ao longo desta caminhada. 

O Flamengo ainda teve um agravante: trocou de treinador no meio dessa loucura. Ou seja, por mais que não tenha atingido um nível alto de desempenho e tenha oscilado, Rogério Ceni conseguiu um feito considerável e bem complexo. Fez ajustes praticamente sem treinar. Conseguiu mobilizar a equipe e melhorar aspectos importantes na base da conversa e vídeos, por isso ficou longe do ideal. Mas fez tudo isso sem deixar de querer de ser protagonista do próprio jogo.

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Se o Internacional tivesse sido campeão, os méritos de Abel Braga seriam parecidos. As condições que o treinador assumiu a equipe eram bastante parecidas. A diferença está na maneira de jogar, na maneira de se desenvolver seu jogo. Mas isso, sem nenhuma dúvida, não apaga o bom trabalho do treinador, agora o recordista de jogos sob o comando do Inter.

O fim deste Brasileirão é de alegria para o Flamengo. Mas é também de alívio para praticamente todas as equipes que disputaram a competição. Foi uma temporada insana. Com condições desumanas para um esporte praticado em alto nível. Por isso, foi tão difícil cobrar qualidade e intensidade ao longo da competição.

Certamente que foram meses de muito caos para todos envolvidos. O pior é que 2021 promete ser da mesma forma ou pior. E a verdade é que, no final, só um poderia sorrir com uma taça na mão. Os outros, apesar da decepção de não ter terminado na ponta, também têm bastante motivos para estarem orgulhosos.

Rogério Ceni teve seus momentos de irregularidade, mas ajustou o Flamengo
Rogério Ceni teve seus momentos de irregularidade, mas ajustou o Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo
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Palmeiras precisa de trabalho e ajustes, não de crise pós-Mundial

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Vexame, vergonha, fracasso... Chame como você quiser a estadia do Palmeiras no Catar. Mais que não conseguir o título do Mundial de Clubes, a equipe treinada por Abel Ferreira ficou devendo em desempenho. Ganhar ou não a taça passa a ser o menor dos problemas, já que a temporada alviverde ainda não terminou.

A queda de performance do Verdão é nítida e não se resume apenas ao campeonato perdido para o Tigres. O segundo jogo contra o River, a final contra o Santos e algumas partidas do Brasileirão já demonstravam certa instabilidade no desempenho.

Por isso o momento é de reflexão, ajustes e muito trabalho. Por mais que a pressão e a cobrança cresça, a temporada ainda não acabou e pode ser de mais conquistas ainda.

A primeira missão é entender o quão desgastado fisicamente esse Palmeiras está. O ponto alto da temporada nas mãos de Abel foi de um time altamente intenso, agressivo e que resolvia jogos com ações rápidas. Coisa que atualmente se perdeu.

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

O Palmeiras do Mundial foi um time moroso, sem pegada e sem intensidade. E não digo só sem a bola, mas com ela também. Circulação da bola lenta, pouco movimento de quem não tinha a bola e, principalmente, repertório para agredir as defesas adversárias.

A missão da comissão técnica neste momento é estudar jogador por jogador e as suas necessidades, justamente para recuperar aquela eletricidade que trouxe a equipe para a disputa (e conquistas) de coisas grandes na temporada. Não sou especialista na área, mas é nítido que alguns atletas precisarão de algum descanso ou mesmo uma preparação mais individualizada.



O segundo passo é investir pesado na estrutura ofensiva da equipe. O Palmeiras é muito competitivo quando encaixa ataques rápidos, normalmente com campo e espaço para explorar, mas é hora de ir adiante, ter mais repertório com a bola, ter mais mecânicas e movimentos para gerar brechas nas defesas adversárias.

Querendo ou não, Abel Ferreira terá o Campeonato Brasileiro para isso. Entre uma rotação ou outra de elenco na competição, o treinador português terá um pouco mais de tempo para trabalhar isso no dia a dia, coisa que não teve até agora. Justamente por isso creio que a crítica não deveria ser tão incisiva como vem sendo, já que o comandante praticamente joga e recupera seus jogadores. Não tem treino, não tem trabalho e desenvolvimento do modelo de jogo. É tudo muito atípico.

Mas espantou a incapacidade do Palmeiras de gerar espaços nos seus últimos compromissos. Faltou movimento, coordenação. Organização não é só para defender como muitos pensam. Longe da ideia de engessar, cortar a autonomia do atleta, mas existem formas de quebrar estruturas adversárias, movimentos que desequilibrem e abrem brechas para a qualidade dos jogadores se sobressair.

Até o dia 28 o Palmeiras e todo seu staff tem muito trabalho pela frente. Não tenho dúvidas que estes pontos citados acima já são discutidos internamente. Por mais que a pressão é normal, o foco tem que ser em desempenho. Retomar o bom momento e competir forte de novo.

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Brasileiro 'importantíssimo' e francês destaque: como joga o Tigres, adversário do Palmeiras no Mundial

Renato Rodrigues
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Como a mudança de posição de Arão criou novas estruturas e fez o Flamengo crescer no Brasileiro

Renato Rodrigues
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Desde a saída de Jorge Jesus, o maior pedido da torcida do Flamengo é para que quem chega tente, ao máximo, não mudar as estruturas e mecanismos de jogos que o treinador português conseguiu colocar em prática.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Vasco, o time rubro-negro agora depende apenas de si para ser campeão brasileiro, no caso, bi, já que tem confronto direto contra o Internacional dentro de casa. 

Entre Domènec Torrent e Rogério Ceni, obviamente que o atual treinador é quem mais tenta "emular" o modo JJ na sua forma de jogar. Começando pelo sistema com dois atacantes, em que tem Gabriel e Bruno Henrique. A necessidade do pós-perda de muita pressão, a linha defensiva alta, Filipe Luís como um lateral-construtor... Algumas semelhanças são bastante claras. 

Fla bate Vasco com gols de Gabigol e Bruno Henrique; assista


Mas é um Flamengo diferente. Com alguns mecanismos e peças com funções distintas. Simplesmente porque trata-se de um esporte que exige mudanças. Sempre. 

Um time de futebol é um organismo vivo. Necessita de adaptações e ajustes a cada jogo. Peças sobem e crescem de desempenho. Lesões, suspensões, jovens que chegam e tomam espaço. São vários os motivos para se entender que um time campeão não permanece estático por temporadas. E é o caso do Fla.

Por mais que ainda tenha muita margem de crescimento, o time rubro-negro vive um momento de crescimento justamente por ter sido obrigado a fazer ajustes e criado novas dinâmicas de jogo.

Arão na zaga

O primeiro ponto, que mexe todo o tabuleiro flamenguista, é o recuo de Willian Arão para a zaga. O volante tem dado conta do recado, mas mexeu na posição de vários companheiros.

Diego entrou no time. Com características totalmente diferentes das de Arão, Gerson ganhou novas atribuições. A nova dupla de volantes se alterna bastante nas subidas ao ataque, mas é Gerson quem, nitidamente, está mais contido. Até chega na área, mas não com a frequência da temporada passada. 

Os laterais também passaram a ter mais responsabilidades na hora de defender. Raramente atacam ao mesmo tempo. Justamente para criar um equilíbrio no momento em que a equipe perde a bola, deixando mais jogadores na retaguarda para neutralizar contra-ataques.

Por exemplo: quando Filipe Luís avança um pouco mais no campo, Isla dá alguns passos para trás e fica vigiando um provável contra-ataque. Quando Isla sobe, espetado, Filipe fecha por dentro e joga quase como um terceiro zagueiro, construindo de frente para o jogo - aliás, função que o mesmo se sente mais confortável (veja nas imagens abaixo).

Veja no frame do jogo: Isla espetado, bem aberto e avançando. Filipe fecha por dentro
Veja no frame do jogo: Isla espetado, bem aberto e avançando. Filipe fecha por dentro DataESPN
Agora o contrário: Filipe avança e Isla já começa a se posicionar mais atrás
Agora o contrário: Filipe avança e Isla já começa a se posicionar mais atrás DataESPN


Isso faz com que Bruno Henrique ou Arrascaeta precise "abrir o campo" pelo lado esquerdo, justamente para tentar abrir a defesa, já que não é o lateral quem vai ultrapassar a todo instante por ali.

Como disse acima, o Flamengo ainda é um conjunto em construção. Oscila dentro das próprias partidas e também no campeonato. Mas a qualidade que tem e a melhor organização de suas peças neste momento o recolocaram na disputa pelo título. 

E isso é fruto de mudanças. De saídas e ajustes. De um organismo vivo pedindo transformações.


Rogério Ceni sofre segunda eliminação no comando do Flamengo
Rogério Ceni sofre segunda eliminação no comando do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo


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As fraquezas de Palmeiras e Santos! Em que ambos precisam melhorar para levar o título da Libertadores?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro
Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro Getty

Palmeiras e Santos fazem a final da Conmebol Libertadores no próximo sábado (30), e separei lances que mostram em que cada equipe precisa ficar esperta para não ser batida pela rival. Uma análise de pontos negativos que os dois finalistas têm mostrado nos últimos jogos e que precisarão ajustar para levar o caneco no Maracanã. 

O FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

As fraquezas que Palmeiras e Santos precisam superar; assista


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As fraquezas de Palmeiras e Santos! Em que ambos precisam melhorar para levar o título da Libertadores?

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'Paredão' x 'cara do equilíbrio': quem são os carregadores de piano em Palmeiras e Santos

Renato Rodrigues
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Palmeiras e Santos fazem a final da Conmebol Libertadores no próximo sábado (30), e dois jogadores, um de cada lado, podem ser considerados os pilares de suas equipes. 

FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

Um esbanja vigor físico e quase nunca perde uma disputa, seja por baixo ou pelo alto, é um dos líderes do grupo alviverde e não só comanda a zaga como é importante no começo das jogadas.

O outro é o ponto de equilíbrio alvinegro em campo, diminui o espaço como poucos na marcação e compõe a defesa quando um dos zagueiros sai.

É em cima destes dois 'carregadores de piano' que montei mais esta análise no DataESPN, que você vê no vídeo abaixo.

Paredão' x 'cara do equilíbrio' em Palmeiras e Santos; assista


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'Paredão' x 'cara do equilíbrio': quem são os carregadores de piano em Palmeiras e Santos

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Variação de sistema, mais jogo curto e presença ofensiva: como funciona o "novo" Atlético de Diego Simeone?

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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Por que o gol da vitória do São Paulo sobre o Flamengo vai muito além do erro de Hugo Souza?

Renato Rodrigues
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Sai Coudet, entra Abel: quais as consequências de tais mudanças no Internacional?

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Messi x Benzema: veja a função e a movimentação das estrelas de Barça e Real para o esperado El Clásico

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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Como Guardiola usou o "modo Arteta" para fazer o Arsenal cair em sua armadilha? Confira a análise

Renato Rodrigues
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Nesta análise você vai entender como Guardiola usou uma qualidade de Arteta contra ele para vencer o clássico no Etihad Stadium, por 1 a 0, no último sábado, em jogo válido pela Premier League. Assista:



Fonte: Renato Rodrigues

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Otero e Cazares podem jogar juntos? A possível formação do Corinthians

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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As 'pressões quebradas' e os contra-ataques do River: como São Paulo sucumbiu em Buenos Aires?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo []

Análise das principais dificuldades do São Paulo na derrota para o River Plate, por 2 a 1, em Buenos Aires, que acabou eliminando o time do Morumbi da próxima fase da Copa Libertadores:


Fonte: Renato Rodrigues

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As 'pressões quebradas' e os contra-ataques do River: como São Paulo sucumbiu em Buenos Aires?

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Qual foi a estratégia do Grêmio para sair do "desconfortável" primeiro tempo contra a Universad Católica?

Renato Rodrigues
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Renato Gaúcho comemorou muito a vitória Grêmio
Renato Gaúcho comemorou muito a vitória Grêmio Grêmio

Depois de fazer um primeiro tempo ruim dentro de casa, o Grêmio conseguiu se recuperar na segunda etapa e vencer a Universidad Católica por 2 a 0, na última terça-feira, e garantiu sua classificação para as oitavas de final da Copa Conmebol Libertadores. Ao fim do jogo, Renato Gaúcho afirmou que precisou fazer ajustes táticos no intervalo para sair do "desconforto" que os chilenos criavam. Veja na análise em vídeo quais medidas foram tomadas:

Fonte: Renato Rodrigues

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Qual foi a estratégia do Grêmio para sair do "desconfortável" primeiro tempo contra a Universad Católica?

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Como Pedro, além do gol, ajudou o Flamengo a sair de Guayaquil com os três pontos na Libertadores?

Renato Rodrigues
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Pedro comemora gol do Flamengo sobre o Barcelona na Libertadores
Pedro comemora gol do Flamengo sobre o Barcelona na Libertadores Getty

Muito mais que o primeiro gol da vitória por 2 a 1 contra o Barcelona-EQU, nesta terça-feira, pela Conmebol Libertadores, Pedro foi peça importantíssima para o Flamengo voltar para o Rio de Janeiro com os três pontos. O centroavante trabalhou bem no pivô e ajudou a sua equipe a "sair de trás" muita vezes.

Assista à análise:

Fonte: Renato Rodrigues

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Como Pedro, além do gol, ajudou o Flamengo a sair de Guayaquil com os três pontos na Libertadores?

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Como explicar a 'pane' do Flamengo na Libertadores? Veja a análise das falhas graves do 5 a 0 em Quito

Renato Rodrigues
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Gabigol e Bruno Henrique reclama durante Independiente del Valle 5x0 Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique reclama durante Independiente del Valle 5x0 Flamengo Getty

Em mais um DataESPN de casa, mostraremos como em dois gols conseguimos explicar quase todos os problemas do Flamengo na derrota por 5 a 0 para o Independiente Del Valle, em Quito, na última quinta-feira, pela Copa Conmebol Libertadores:

Fonte: Renato Rodrigues

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Como explicar a 'pane' do Flamengo na Libertadores? Veja a análise das falhas graves do 5 a 0 em Quito

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A construção de Dome: quais ideias o treinador já instaurou no Flamengo e quais são os ajustes necessários?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Com o DataESPN totalmente de casa, analisei as ideias de Domenec Torrent que começaram a surgir nos últimos jogos. Como ataca, como defende, pontos fortes e onde o catalão ainda precisa fazer ajustes. Assista o vídeo:


         
     

Fonte: Renato Rodrigues

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A construção de Dome: quais ideias o treinador já instaurou no Flamengo e quais são os ajustes necessários?

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O desempenho de Neymar na final da Champions e as diferentes formas de se olhar para o jogo

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Neymar ficou sem o título da Champions League em 2019-20
Neymar ficou sem o título da Champions League em 2019-20 Getty Images

O Bayern de Munique, que se mostrou mais forte coletivamente nos últimos meses, levou a UEFA Champions League contra o PSG. Apesar do equilíbrio no confronto que terminou 1 a 0, no último domingo, a conquista foi bastante merecida dado ao nível de jogo que os bávaros apresentaram sob o comando de Hans Flick e dentro da própria decisão no Estádio da Luz.

Mas como em qualquer fracasso, a missão número 1 de nós brasileiros veio à tona: achar um culpado. E não poderia ser diferente que Neymar seria um dos alvos perfeitos para descarregar a fúria da caça às bruxas. 

Exista também quem tente o defender. Enfim, não podemos negar que o astro divide amor e ódio por onde passa. Mas vamos tentar olhar tudo isso de uma maneira mais fria e racional.

O ponto principal para olharmos para o que foi a atuação de Neymar na final em Lisboa é o posicionamento dele escolhido por Thomas Tuchel. Questão, inclusive, que passou a ser uma crítica a seu treinador após o duelo.

O brasileiro atuou centralizado no ataque ao lado de Mbappé (pela esquerda) e Dí Maria (pela direita) como vemos na foto tirada do jogo logo abaixo. 

Na imagem vemos com Tuchel escalou seu ataque: Dí Maria na direita, Neymar por dentro e Mbappé pela esquerda
Na imagem vemos com Tuchel escalou seu ataque: Dí Maria na direita, Neymar por dentro e Mbappé pela esquerda DataESPN

"Mas como assim?". "Neymar não é centroavante". "Esse treinador dele fez m...". Definitivamente, não é bem assim.

Ao analisar um jogo ou o desempenho de uma equipe/jogador, busco partir sempre do princípio de entender a ideia por trás da escolha. O que o treinador quis a partir daquela decisão. Para aí sim não apenas definir se foi certo ou errado, mas sim tentar entender se fazia sentido a escolha e se ela deu certo ou não no fim das contas.

No caso de Neymar como centroavante: a ideia fazia sentido. Pelo menos na minha interpretação, Thomas Tuchel quis, além de deixar sua principal referência técnica com o mais liberdade possível para se mover, também evitar desgaste físico de Neymar. Deixá-lo inteiro para quando a bola chegasse até ali para corridas em velocidade e duelos de 1x1.

Outro aspecto importante para deixar o brasileiro centralizado foi usá-lo no limite da linha defensiva do Bayern, que joga sempre muito alta e que mostrou alguns problemas com adversários anteriores. O gol do Barcelona, por exemplo, sai de uma infiltração de Jordi Alba neste exato cenário. Então está mais que comprovado que a ideia fazia sentido e que o treinador não foi tão imprudente assim. Mais que isso, estudou seu rival e planejou uma estratégia em cima de suas características.

A desolação de Neymar, vice-campeão da Champions League

A execução por outro lado, não saiu dentro do esperado. E muito por conta do que o próprio Bayern impôs no confronto. Para se lançar essa bola em profundidade por trás da defesa, o PSG precisaria, pelo menos por alguns instantes, ter situações que não tivesse tanta pressão na bola, para justamente alguém levantar a cabeça e enfiar essa bola no espaço. 

Mas isso pouco aconteceu. Os bávaros dominaram o confronto no aspecto físico. Pressionaram a bola freneticamente durante os 95 minutos de futebol em Lisboa. A saída de bola do PSG foi nitidamente quebrada por essas subidas de pressão e impactou muito no desempenho de Neymar e seus companheiros de frente, que também estiveram posicionados para receber essa bola nas costas da defesa durante boa parte do confronto.

Com isso, Neymar passou a receber bolas, muitas vezes, de costas para o gol, como na imagem abaixo. Aí sim um cenário totalmente desconfortável para ele, que tem como forte jogar de frente, arrancando e superando adversários no drible. Com os zagueiros usando a força física e encurtando, pouco rendeu o brasileiro que, com o passar do tempo, foi se irritando e recuando de forma significativa para tentar pegar a bola. Aí, com muitos metros longe do gol, ficou mais difícil atingir seu objetivo.

Neste lance, Neymar recebe a bola de costas, com o zagueiro pressionando
Neste lance, Neymar recebe a bola de costas, com o zagueiro pressionando DataESPN

Ao decorrer da partida, Tuchel jogou Neymar para a esquerda na tentativa de ajustar a equipe e sua influência nas ações ofensivas do PSG cresceu. Mesmo assim, não foi uma noite muito brilhante do camisa 10, que tomou decisões ruins e tem sua parcela de culpa em seu desempenho. Chorou e sentiu o baque de uma derrota dolorida. Traz consigo uma série de erros na sua trajetória no futebol, mas sente uma noite triste como qualquer ser humano.

Mais que isso, deixa também uma lição importante: que existem diversas formas de olhar para o jogo e entender os porquês dele. E dá sim para criticar personagem e questionar as decisões dele, mas podendo fazer isso de forma honesta e respeitosa. Assim só o futebol triunfa.

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Sai Boselli, entra Jô: Renato Rodrigues analisa diferenças com a troca de centroavantes no Corinthians

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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Sai Boselli, entra Jô: Renato Rodrigues analisa diferenças com a troca de centroavantes no Corinthians

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O São Paulo do 'falso controle'

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo []

O São Paulo protagonizou uma eliminação dura na noite desta quarta-feira, no Morumbi. Sucumbiu frente a um Mirassol valente e organizado (3 a 2), mas que perdeu 8 jogadores titulares durante a pausa da pandemia. Mais do que isso, mostrou problemas estruturais e de escolhas que pairam no clube nos últimos anos e que, mais uma vez, questiona as diretrizes de uma direção pressionada.

E a queda nas quartas de final do Campeonato Paulista se torna ainda mais dura pelo fato de o Tricolor ter sido a equipe mais promissora entre as grandes antes da parada. Muito por demérito dos seus rivais, que não decolaram, mas com pontos positivos e, principalmente, mostrando certa ascensão em cima das ideias de Fernando Diniz. Alguns velhos problemas, no entanto, sempre estiveram ali e vieram à tona.

Tentar entender a situação que o São Paulo se encontra hoje e nos últimos anos requer mais do que achar um culpado. Trata-se de muitas variáveis, um contexto extremamente complexo que vai do campo à direção. Das escolhas, seja para o comando técnico ou escalações, e também uma questão de identidade, raramente vista na última década.

Se olharmos para dentro de campo, para as últimas atuações em si, talvez a palavra que mais me venha à cabeça é controle. Ou melhor, falso controle. Por isso o título do post.

Controle talvez seja uma das coisas mais preciosas que se tenha no futebol. E justamente pelo fato de ninguém tê-lo 100% dentro do campo de jogo. Mas é quase que uma unanimidade: quanto mais controle você tem, mais perto da vitória está. Por isso, trabalha para maximalizá-lo. Tentar ter nas mãos o máximo da narrativa do confronto, antecipando e neutralizando movimentos.

A expressão controle no futebol também vai muito além de ter ou não a bola. Mais uma vez não entrarei no discussão de melhor vs pior ou mesmo bonito vs feio. Mas é fato que existem formas e formas para se dominar um adversário. Para ser mais simples e direto: com ou sem a bola. E por isso é importante contextualizar toda essa perspectiva para entender esse São Paulo de Fernando Diniz.

 

Problemas estruturais



Jogadores do São Paulo antes de jogo contra o Mirassol, pelo Paulista
Jogadores do São Paulo antes de jogo contra o Mirassol, pelo Paulista Rubens Chiri/São Paulo FC

Não precisa ser amante das táticas para entender qual tipo de jogo Fernando Diniz pratica e quer praticar. Quem o contrata também sabe para o que é. Definitivamente essa não deveria ser uma crítica ao treinador. O ponto aí é: como executar todas essas ideias? E é aí que os problemas acabam expostos.

Vamos começar pela fase ofensiva, momento em que a equipe tem a bola. O fato de querer ter a bola, de ser protagonista no jogo é, sim, elogiável. A saída de bola, por exemplo, tem mecanismos bem estabelecidos a meu ver. O time flui nesta etapa de construção. A ideia de ter Tchê Tchê e Dani Alves por ali, se revezando, nessa iniciação, tem bastante lógica.

Mas é quando a bola chega perto do terço ofensivo que as coisas não encaminham bem. Vemos números de 20, 25, 30 finalizações em alguns jogos... Números frios que, por vezes, podem nos trazer uma falsa métrica. Mas quantas chances realmente foram cristalinas? Quantas partiram de uma finalização que nem deveria ser feita? Em quantas existia pressão na bola? Quantas no alvo? Quantas para fora?

Essa é uma impressão recorrente acerca deste São Paulo. Uma equipe que tem volume ofensivo, mas que não tem consistência, “punch”, nas ações com bola. E isso tem a ver com a filosofia também.

Um time que tem a bola, mas, do meio para frente, parece um pouco aleatório em seus movimentos. Uma espécie de “movimentem-se!”, mas não necessariamente como. Uma liberdade mal programada, extremamente intuitiva e que acredita no talento dos seus jogadores. Obviamente que não explorar suas qualidades seria um erro. Engessar a estrutura não é o caminho, mas o ideal seria sair do extremo. Criar situações e padrões que potencializassem essas qualidades, já que o São Paulo tem isso no elenco.

Mas não, esse livre caos, sem alguma lógica, traz a falsa sensação de controle. Porque ele não se resume a gols necessariamente. E acaba empilhando jogadores num mesmo setor, confundindo posições e funções.

Uma questão muito nítida contra o Mirassol foi a falta de “abrir o campo”. Não que isso seja uma regra. Mas foi perceptível que todos os jogadores se concentravam por dentro, fazendo exatamente o que o adversário queria. Com jogadores um pouco mais na amplitude, talvez espaços pelo centro seriam melhor utilizados. Ou mesmo trocas de lado, para gerar desequilíbrio. Mas o que vimos foram dois laterais jogando na base, com abrindo pouco o campo e dando quase nada de profundidade.

Sem a bola, os problemas ficam muito em cima das transições defensivas, momento da famosa recomposição. É bem verdade que, antes da parada, o São Paulo mostrava certo crescimento neste sentido e sofria cada vez menos nos contra-ataques. Mas esse é um ponto negativo que acompanha o trabalho de Fernando Diniz em outros clubes. O que deixa, muitas vezes, o jogo aberto, sempre a um passo de escorrer das mão. O tal do controle que tanto falo.

Momento em que o São Paulo disputa e perde 1ª e 2ª bola antes do gol do Mirassol: não existe linha defensiva
Momento em que o São Paulo disputa e perde 1ª e 2ª bola antes do gol do Mirassol: não existe linha defensiva DataESPN

Os dois primeiros gols sofridos na noite desta quarta-feira, principalmente, não podem acontecer num nível de competitividade que o São Paulo joga. O primeiro, de um escanteio sem rebotes, e um jogador se aproveitando de todo um espaço por trás da marcação. O segundo, perda de segunda bola e time totalmente desequilibrado para sofrer o ataque rápido. Essa transição descoordenada custou caro. Jogar bem é defender bem também.

Mas todas essas falhas estruturais também passam por escolhas individuais.

 

Priorização do talento “sem fome”


Jogar no modelo de jogo que Fernando Diniz tenta implementar exige muito mais que qualidade técnica. Essa organização deve sempre partir do princípio da intensidade, seja com ou sem bola. Jogar com uma linha defensiva alta, com muitos espaços nas costas dos zagueiros, pede muita proatividade dos atletas no momento em que a posse é perdida. Com ela, a necessidade é de um jogo dinâmico, com passes rápidos e mais profundidade.

Não sofrer o contra-ataque está muito atrelado ao que você faz no momento em que perde a bola. E isso falta ao Tricolor. Por vezes nem por ausência de vontade mesmo, mas por características individuais dos atletas escolhidos. Pegando de trás para frente, partindo do ponto que o São Paulo vai pressionar alto, Vitor Bueno e Pato, por exemplo. Ninguém dúvida da qualidade técnica de ambos. Mas e no momento em que se é necessário reagir rapidamente e pressionar a bola “como se não houvesse amanhã”?. A dupla, definitivamente, não entrega agressividade. Não se encaixa no plano. Igor Gomes até tenta, mas também não é algo destacável nas suas características.

Pato em disputa de bola contra o Mirassol
Pato em disputa de bola contra o Mirassol Rubens Chiri (São Paulo FC)

Então vamos lá: se sua ideia é pressionar alto, ser agressivo lá na frente e asfixiar seu adversário, como fazer isso com três jogadores que não tem essas virtudes? Realmente é uma lógica que não faz sentido e que, por mais que funcione em jogos e jogos, uma hora outra pode estourar num contra-ataque letal. E nem que isso tenha sido um problema contra o Mirassol, mas essa bola saindo de uma primeira pressão é um problema.

Se instalar no campo do adversário também exige resistência, capacidade de se repetir movimentos. Joga, perde, pressiona, recupera, joga, perde, pressiona, recupera... Essa é a dinâmica necessária para fazer esse tipo de jogo ser efetivo. Outro ponto é a capacidade dos jogadores de lado percorrerem longas distâncias durante todo o jogo. Reinaldo e Juanfran, apesar de terem suas qualidades, estão longe de ser esses caras. Até por isso não geram amplitude/profundidade pelos lados. Deixa-se de abrir o campo e empurrar o adversário para trás, ganhando espaço entre os jogadores de defesa do rival e na entrada da área.

Por mais que Igor Vinícios e Léo tenham seus defeitos, os vejo com com essas características. Força e resistência para subir e descer, além da capacidade de se impor fisicamente nos duelos. As recentes atuações da dupla, aliás, também credenciam uma maior regularidade no time titular e, por suas particularidades, poderiam acrescentar equilíbrio ao time, principalmente sem a posse da bola.

É simples escolha. Você ganha de um lado e perde do outro. Juanfran e Reinaldo te trazem mais experiência e qualidade técnica, mas deixam a desejar em outros aspectos. É a mesma lógica com os laterais mais jovens. Mas vejo necessidade de mais fisicalidade neste São Paulo. E talvez seja um dos times com mais material humano no Brasil para poder mudar um cenário com seu próprio elenco. São muitos jogadores promissores vindo de Cotia para trazer qualidade com a bola e fome sem ela.

 

O dilema da demissão


A problematização sobre manter ou não Fernando Diniz no cargo não se trata de “passar pano” como muita gente tende a acusar. É o simples fato de entender ser uma escolha complexa. Justamente por ser algo feito com certa recorrência no clube nas últimas temporadas e que só jogou o clube ainda mais para trás. Por isso é uma decisão difícil.

Um dos grandes erros do time do Morumbi nesta década foi a falta de norte. Uma gestão técnica mais coerente. Já repeti isso algumas vezes. Escolhas para o comando técnico que iam de Bauza a Osório, Doriva a Jardine, Cuca a Jardine... Sem entrar no mérito da qualidade desses profissionais, que são capazes, mas sim no tipo de trabalho que cada um tentava propor. Extremos totais, fazendo com que o clube rompesse com linhas diversas vezes, e deixando de criar qualquer identidade que seja.

Presidente Leco e Raí tem dura missão pela frente
Presidente Leco e Raí tem dura missão pela frente GazetaPress

Ao apostar em Diniz, a diretoria são-paulina deu o recado que a linha que querem seguir é a mesma de Jardine, Rogério Ceni e Osório. Mas trocar agora seria em qual sentido? Romper de novo ou apostar mais uma vez nesse estilo? Quem escolher? Vão sustentar e apoiar a próxima escolha? São todas perguntas muito necessárias e difíceis de serem respondidas pelo histórico recente da atual administração.

Por mais que o baque dessa última eliminação tenha sido forte, vejo o São Paulo com problemas ajustáveis. E pelo próprio Diniz. Em questão de ambiente e condução de trabalho, as referências são as melhores. É um treinador trabalhador e preocupado com os detalhes, agregador e que tem o grupo ao seu lado. Resta saber o quão disposto ele está de se desprender de algumas convicções e tentar essa volta por cima.

Fonte: Renato Rodrigues

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O São Paulo do 'falso controle'

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