Entrevista do mês: Paulo Autuori critica CBF, fala dos desafios na formação de novos craques e critica qualidade do jogo no Brasil: "Muito ruim"

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Paulo Autuori durante jogo do Atlético-PR contra o Flamengo, ainda como treinador
Paulo Autuori durante jogo do Atlético-PR contra o Flamengo, ainda como treinador Mauricio Mano/Atlético-PR

Paulo Autuori está no futebol há mais de 30 anos. Já passou por diversas experiências. Elas vão de países, clubes e até funções já desempenhadas durante a sua longa carreira. Conquistas, bons e maus trabalhos, turbulências, críticas... Você pode gostar ou não. Querer ou não o mesmo no seu clube. Mas se trata de uma figura que sempre merece  ser ouvida. Mais que isso, se trata de um eterno incomodado. Um cara que sempre quer e quis mais, independentemente da época e do que construiu ao logo de sua vida dentro do esporte.

Não dá para negar que Autori é da velha geração. Por outro lado ele não está nem aí para os 61 anos que tem. Para ele juventude é mais que isso. Está na cabeça, na vontade de evoluir ou não. "Existe muito jovem com a cabeça muito velha por aí", diz o ex-coordenador metodológico do Atlético-PR. Aliás também afirma ser "lamentável" o debate sobre "boleiro vs estudioso. Nesta longa entrevista a ideia foi falar apenas de futebol. Inclusive ela foi feita no início do último mês, sem saber da sua saída do Furacão, que foi divulgada no último domingo.

Neste papo exclusivo com o blog, o ex-treinador e agora gestor (ele mesmo fiz que não voltará à antiga função) faz duras críticas à CBF e, principalmente, ao nosso calendário. Fala da falta de identidade nos clubes brasileiros e é bastante critico quanto a qualidade do futebol jogado no país. Também cita as mudanças no futebol, da falta do "futebol de rua" e o quanto isso influencia na formação de novos craques por aqui.

Outro assunto abordado foi Rogério Ceni, com quem ganhou a Libertadores de 2005 com o São Paulo. Vê o agora treinador como um grande potencial na nova carreira e comenta sobre as dificuldades que o mesmo teve ao assumir a equipe que é ídolo durante esta temporada. Sua maior cobrança, inclusive, é o respeito ao processo, coisa rara aqui no Brasil quando o assunto é contração e queda de treinador. 

Veja na íntegra a entrevista:  

Depois de tantos anos como treinador, até com passagens fora do Brasil, o que tem te motivado nessa função de mais coordenação? O que tem encontrado de tão diferente?

Na verdade é uma função que, na maneira que o Atlético-PR me propôs, não existe no futebol brasileiro. Até porque eu não sou um gerente executivo, por exemplo. Eu não trato com negociações, com dinheiro... Eu mesmo deixei claro que não queria me envolver com isso. Minha área é totalmente técnica e no que isso pode refletir em questões estratégicas para o clube. A ideia é que, no futebol, você tenha alguém que se aprofunde em análises não só de contratações de jogador, mas também de profissionais que possam trabalhar aqui. Ter uma palavra que a direção creia, que seja importante e prioritária na qualidade profissional. Aqui se aposta muito em Recursos Humanos. Então apostamos também de forma infraestrutural, organizacional e metodológica. Mas nada adianta disso se não tivermos capacidade profissional. Gente com cabeça aberta para buscar novos conhecimentos, que não tenha preconceito de utilizar novas ideias. Falo isso porque o futebol é preconceituoso com isso. Então meu trabalho mira muito estas questões.   

Muito se fala hoje em não ter apenas um grande treinador, mas um staff de qualidade e que possa ser delegado à funções importantes. Como criar uma identidade de jogo? Como isso passa por escolher corretamente jogadores, um perfil de treinador? 

Isso nasce de uma situação que você precisa ter muito cuidado e respeito com as histórias dos clubes. Entender o que cada entidade busca. Ver o porquê de tantas pessoas acompanhar o clube, o que tanto identifica nelas... Tem que ter a ver com esse torcedor. Claro que existem outras coisas, mas essa é uma bastante importante. Cada clube traz consigo algumas características próprias durante a história e aqui no Brasil mais acentuadas por conta da diversidade cultural. Nosso país tem dimensões continentais. Então isso fica mais forte. Então o primeiro passo é respeitar essas origens. A partir daí sim, dentro de uma ideia de atualização, buscando a tendência do que é jogado agora, contextualizar tudo isso e, de alguma maneira, manter essas tradições. Sempre dentro de uma ideia clara de completividade que a cada dia fica mais exigente. A cobrança só aumenta neste sentido. Dentro dessa situação você precisa entender o por quê. Quando se fala em metodologia nada mais é que você ter uma ideia daquilo do que se quer fazer e como colocar isso em prática, como vai operacionalizar. A partir daí você cria sistemas, precisa ser algo sistemático. Não tem como fugir disso para se ter lógica. É necessário mirar o todo. Não podemos fazer uma análise isolada do futebol jogado em campo com decisões tomadas na gestão, por exemplo. Marketing, financeiro, jurídico... Hoje em dia é importante isso. Até na questão de decisão de comando. Você tem uma ideia central no clube, procura profissionais com perfil parecido e que possam agregar em conceitos táticos e faz entrevistas com eles isoladamente. Só depois define. Um processo seletivo desse cria um comprometimento maior de todas as partes.  o que eu vislumbro em termos de futuro, uma lógica para as coisas. Que não aconteçam coisas apenas circunstanciais. 

             
O que tem achado da formação de jogadores no Brasil? Concorda que precisamos nos atualizar nestas questões também? Quais são as mudanças mais significativas dos últimos anos na formação? 
  
Tem que desenvolver um jogo de futebol que tem a ver com excelência infraestrutural, estrutural e metodológica. E não é fácil fazer isso. Principalmente respeitando as tradições de cada clube. É um processo. Não é simples. Você vive competindo, vive se salvando por resultado. Então tem que entender como fazer, estar atento. E pra tudo isso, temos que estar ligado na formação destes jogadores. Ele precisa entender isso desde cedo e com o nível de complexidade sempre do menos para o mais. Entendo isso como uma progressão pedagógica. Tem que ser assim. Para você fazer as coisas com consciência e entender o por quê, esse processo precisa ser respeitado. Primeiro se aprende a somar, para depois ir para as operações mais complexas e no futebol é assim também. Eu concordo muito com o que você falou. O jogar mudou. As pessoas precisam entender que é futebol, mas que as maneira como se joga passou a ser diferente. Os interesses são maiores, os valores são diferentes também. As exigências e a falta de tolerância também só crescem. Você vê lá na Alemanha. O problema não é o Ancelotti que foi mandado embora. Se você ver isso está crescendo por lá também, teve mais gente saindo nos últimos anos. Até em outros países essa tolerância vem diminuindo. 

E como o "treinar" entra nessa conversa? 

Precisamos entender que quem faz futebol são as pessoas. E é da sociedade que vem os potenciais jogadores. Eles vão carregar consigo os maus hábitos, os vícios, má formação escolar... Isso tudo influencia no jogar de hoje. Eu costumo sempre dizer que dá para olhar como um bolo de chocolate. O jogar é o bolo. Então, quando você corta uma fatia, ela representa uma parte disso. Então é importante você trabalhar para essa fatia estar boa. Pessoal costuma reclamar: "Ah, esse negócio de campo reduzido, perde-se isso ou aquilo". Primeiro tem que se entender o que você pretende trabalhar. Como você vai criar comportamentos é importante que estes atletas tenham um grande número de ações. Ele repetindo muitas vezes, aquilo vai virar algo habitual para ele e vai se desenvolver dentro da partida. E isso não é e nunca será engessar alguém. De maneira alguma. Só pensar na pessoa que rói unha... Você vai pegar e engessar a mão da pessoa? Não. Você vai estimulá-la a parar de fazer aquilo, fazer com que crie um outro tipo de comportamento até que vire uma coisa consciente. Então você vai utilizando o campo menor, diminuindo os espaços, colocando gente dentro dele... Aí tem diversas maneiras de se fazer. Você usa mais horizontal, abrindo mais o campo, ou ao contrário, tentando gerar profundidade. Aí depende do que você quer trabalhar. Nisso você trabalha até questões físicas e fisiológicas. Você quer mais intensidade? Quais os intervalos entre um estímulo e outro? São respostas que você precisa ter e que dependem da sua análise da necessidade ali. Por isso os estafes hoje são maiores. E mais que multidisciplinares eles precisam ser transdisciplinares, ou seja, eles precisam interagir entre eles. Dentro dessa ideia, não se forma apenas jogadores, mas novos profissionais. Auxiliares, preparadores... Que o clube possa olhar primeiramente para dentro e depois pensar em buscar fora, seja jogadores ou qualquer tipo de função. 

Autuori conversa com o treinador Fabiano Soares. Ambos deixam o Furacão no fim desta temporada
Autuori conversa com o treinador Fabiano Soares. Ambos deixam o Furacão no fim desta temporada gazeta press

Ainda em cima da formação, Paulo. A gente vem de um histórico de formação muito vindo da rua, do futebol praticado de uma forma mais lúdica... E de certa forma isso estimulava muito nossos jogadores a resolverem problemas dentro de uma partida de futebol, de buscar um improviso. Como a gente se adapta a um cenário que cada vez mais os espaços públicos são menores e menos explorado? Existe alguma forma de lidar com isso sem perder essa nossa essência?

Essa é uma pergunta muito importante. Ela sempre aprece no nosso dia a dia. Antes a garotada tinha muito menos opções com relação à diversão e esportes. Alguns esportes foram crescendo muito e deram também uma condição de ascensão social. E isso era praticamente monopolizado pelo futebol. Hoje você tem o vôlei como um exemplo. Antigamente você não tinha aptidão para jogar futebol, mas era praticamente forçado a fazer porque era a oportunidade que você tinha. Você era forçado a crescer dentro da modalidade. A gente passava o dia na rua jogando bola. Fazia isso de forma natural, inata... E tentava sempre repetir os gestos do seu ídolo. Nem os pais ficavam ali dizendo para fazer isso ou aquilo. Os pais estavam em casa chateados porque o filho só queria saber de futebol. Então você buscava jogadores com 17 anos para os clubes. Já ia direto para um infantil, infanto juvenil... A rua proporcionava a estes atletas de forma inata determinadas situações que o jogo pede até hoje. Por exemplo: você jogava com idades diferentes, com biotipos e tamanhos diferentes, não havia árbitro nas peladas e falta era falta, os dois times tinha que concordar se não a porrada comia... Se você estivesse envolvido com gente de mais idade, com mais físico, você não podia afrouxar. E aquilo, de forma natural, desenvolvia a coragem. Tem gente que fala: "poxa, eu arrancava o tampão do dedo e mesmo assim continuava. Jogava o dia inteiro!". Isso desenvolvia sua exposição à dor de forma maior, do quanto aguenta ela. Acho que o jovem desfrutava mais do jogo. De 6 a 12 anos de idade é quando tudo acontece no sistema nervoso central. É nessa faixa que você desenvolve as coisas que são duradouras. E você tinha mais espaços públicos para desenvolver tudo isso. Tinha o futebol de salão, que hoje é o futsal e continua ajudando muito. Então a grande pergunta que a gente deve se fazer é: era só a qualidade técnica que desenvolvia aí? Só habilidade? Não é só isso! Como eu mencionei, tem mais coisas. Mas aí a gente pensa. Você vai trazer o espaço público de volta? Não. Mas você pode minimamente nas suas seções de treino trazer esses conceitos que eram desenvolvidos de forma inata. O grande desafio é como fazer isso. E é neste momento que tem que entrar a capacidade criativa das comissões técnicas. E existem situações assim. O Cruzeiro, por exemplo, foi fazer pelada na rua. Então porque não criar um festival que as categorias vão jogar entre elas, de uma forma que eles mesmo se organizem, formem as equipes trabalhando com idades diferentes. Isso para que eles tenham de novo o controle disso, para que se sintam úteis e participativos. Sintam que a ideia deles também é importante.         

De uns tempos para cá no Brasil tem surgido uma discussão, até que burra, sobre o treinador novo e o antigo, o moderno e o velho... Você, independentemente de resultados que vinham ou não e da sua idade, sempre se mostrou um cara que buscava atualização. Como você tem visto isso no cenário atual? Qual a relevância deste tipo de debate? Não acha que é algo que já devíamos ter ultrapassado?

É lamentável. Às vezes a gente se pega discutindo sobre velha guarda e nova geração de treinadores. Primeiro que você vai contratar um treinador no Brasil e vem o perfil: "Ah, eu quero um disciplinador. Não, eu quero um cara de diálogo". Não existe nada disso. Você tem que trazer um cara que conheça futebol, que exerça bem a função profissional dele. Esse cara precisa sim ser um bom gestor de pessoas, até para poder aplicar o conhecimento que tem. E depois entender a característica da personalidade dessa pessoas. Se é mais duro, se é mais distante do jogador... Isso é de cada um. A gente está longe de um processo seletivo. De colocar em prática aquilo que o clube quer. E a grande questão é que o clube não sabe o tipo de futebol que quer jogar. E assim vai indo. Não tem a coragem de enfrentar as dificuldades de imprensa, de torcida... Esse é um grande problema. Ninguém tem convicção de nada quando contrata. Aí a gente entra nestes tipos de discussões absurdas como a que você citou. Conheço muita gente de idade já, mas que está com a cabeça totalmente antenada e atualizada. E não só no futebol isso. E outras que são novas ainda, mas como diz o Mário Sérgio Cortela, "jogaram a âncora nas águas passadas e agora estão presos". O velho ao meu ver é isso. A idade é inevitável para todos nós. Agora, você vai ficar velho só se você quiser. Tem que sair do lugar. Agora a conjuntura do futebol brasileiro em si, ajuda. Você vai para um futebol inglês ou alemão, por exemplo, a ideia é sempre de te jogar para cima. Aqui o sistema faz você não pensar em evoluir. Um exemplo bem prático e sem fugir muito da pergunta: o nosso calendário é fator gerador de muitos problemas. Vou te dar apenas um: ele simplesmente não permite o desenvolvimento dos treinadores. Você treina, joga, recupera, viaja, joga, recupera... Isso faz com que você ao menos tenha tempo de colocar suas ideias em prática. Então vira um trabalho de papo e vídeo. Você acaba tendo até que diminuir carga de treino, por exemplo. Se não estoura os caras. Aí você trabalha o mais simples e o que menos desgasta: bola parada. Hoje mesmo você vai lá e contrata um jogador porque ele é bom na bola parada. Não se contrata porque ele interpreta bem o jogo. São todas situações que o calendário acaba te induzindo.  

                                       
Até na questão de contratar um jogador X que é bom nisso, nisso e aquilo, mas também tem isso e isso que ainda pode ser melhorado... Você acaba não tendo tempo para fazer dele um jogador melhor.

É por aí. E eu te dei apenas um exemplo com relação ao calendário. Mas tem muitos mais. Por isso eu sou um grande crítico a isso. Enquanto nós não mudarmos o calendário, não adianta. As ideias podem ser muito boas, mas vão sempre chegar de forma isolada. Sem interagir com todas as outras. E para você florescer, crescer, uma ideia precisa estar conectada à outra. Tem que ter uma visão sistêmica, uma visão do todo. É dentro de tudo isso que acho necessário se elevar o nível do debate. Refletir. E isso tem que vir por parte institucional. Não tem que vir de forma individual. E nossa entidade máxima no futebol não está preocupada com isso. Está sempre priorizando a Seleção, os patrocinadores... Sobre o futebol como um todo não tem grande preocupação. Não se debate. Vou te dar um exemplo: pensaram em fazer um campeonato sub-23 agora no final da temporada e em 40 e tantos dias. Refletiram sobre isso? Construíram isso junto com os clubes? É assim que as coisas acontecem. Aí falam que os clubes não quiseram participar, que deram a ideia. É por isso que eu critico tanto essas coisas e vou continuar assim. É muito do que tem na CBF e das pessoas que comandam lá hoje. E olha que tem muita gente de qualidade lá dentro, mas individualmente, com iniciativas próprias e não da entidade em si.

Você citou a questão de dar tempo para os treinadores poderem trabalhar suas ideias. Mas o Atlético-PR andou tendo problemas neste sentido nos últimos meses, com seguidas trocas no comando. Inclusive você deixou o cargo por um tempo exatamente por isso. O que de fato aconteceu? Como você enxerga essa alta rotatividade de treinadores no Brasil?

O que nos falta são ideias. Por isso não temos processo. Você tem sempre que partir de uma ideia inicial. Aí sim você vai ver como você vai operacionar isso e existem pessoas responsáveis  por esta etapa. Neste meio começam a aparecer situações que você não esperava. É preciso parar, refletir e tentar ajustar o entorno. E tem a ver com o que aconteceu aqui comigo. Quando o Eduardo Baptista veio eu falei com o clube muito claramente que, na saída do treinador, que a gente precisava agora terminar esse ciclo, eu sairia também. Que a gente precisaria passar por um processo, por eu estar ali já um ano e meio, enxergava todo esse cenário. Tive que tomar uma posição. Deixei claro isso no dia que o Eduardo veio. E podia ser qualquer outro treinador, eu faria a mesma coisa. Que se quebrassem no meio do caminho eu ia estar fora do projeto. E isso aconteceu mesmo. E no geral eu não tinha motivo para sair, o clube também não queria. O trabalho estava se desenvolvendo. Só que eu cravei. Eu acho que quem tem que pagar a conta não são só os treinadores. No momento que as coisas não vão bem, que alguém tenha os culhões para dizer que sai também. Até porque eu também tive parcela de culpa em tudo, não foi só o treinador. Quando eu entrei nessa função eu me propus a fazer isso. E eu sai mesmo o clube não se conformando. Cheguei a negociar com alguns clubes, teve contatos. Até me querendo como treinador e eu recusei, pois não quero mais isso aqui no futebol brasileiro. O Atlético-PR entrou no meio e garantiu que seria concorrente, que eu estava livre, mas que eles ainda queriam contar comigo. Chegamos à conclusão que era é o momento de esperar o ciclo do profissional. No final de tudo, iriamos analisar. A ideia é sair do lugar comum, não cair mais em contradição.  

Paulo Autuori comandando o Vasco
Paulo Autuori comandando o Vasco Divulgação / Vasco

 

Você tem uma boa identificação com o São Paulo e acompanhou, mesmo que de longe, a passagem de Rogério Ceni como treinador do clube. Acha que faltou processo e paciência no caso do ex-goleiro? 

Primeiro que eu tenho certeza que o Rogério tem todas condições para ser treinador. E a gente vê isso pelo que ele mostrou durante toda sua carreira como jogador. Isso é claro para todo mundo. Agora terá mais uma oportunidade para isso. É um cara com um nível intelectual acima da média e que tinha ideias claras. Sempre foi um profissional que se posicionou. Isso é uma das coisas que mais admiro nas pessoas. E se posicionar independente de local, pessoas... Mas isso gera alguns receios, ainda mais dentro do ambiente do futebol. Eu mesmo sempre gostei de ter caras assim por perto. Agora, a maneira como aconteceu ninguém mais do que ele e o pessoal do clube sabem. Eu não posso entrar mais fundo nisso porque é algo que não participei. O que eu tenho é uma visão superficial do que aconteceu. Conversei com ele antes, conversei depois... Mas é aquilo que eu digo. Você tem que refletir muito. Tem que ter ideias. Só que existem vários fatores que são determinantes para que essa ideia vá para frente ou não. Aqui no Brasil, pela ideia de fazer as coisas para agradar pessoas, se perde em vários momentos, e isso vai além do futebol, deixa de tomar medidas que são impopulares, mas que são necessárias. Eu sempre cito Margaret Thatcher para falar do papel do líder, porque ela sabia que tomaria decisões impopulares e aguentou o tranco para isso. Lá na frente se colheu os frutos. Por isso eu valorizo as ideias. Hoje estou aqui, amanhã posso estar lá... Mas eu tenho orgulho de estar tentando quebrar alguns paradigmas. A gente tem que ter coragem de tomar algumas decisões. Isso não quer dizer que vai ganhar, longe disso, são coisas diferentes. Mas são posições que você começa a estabelecer quando tem ideias claras e lógicas. Voltando a situação do Rogério, eu acho que teria de ser um processo melhor construído em relação à ele, como ídolo do clube. Era importante entender isso e, junto com a direção, construir algo mais sólido. Eu mesmo sou obsessivo em criar cenários. E no futebol você tenta sempre criar um cenário positivo e esquece de criar o negativo, sem se preparar para o mesmo. Depois as coisas acontecem e você não tem soluções e respostas. Por isso é importante você construir as coisas com lógica, para que tudo tenha consistência. Para passar por períodos de turbulência, porque tudo e todos passam por isso. Mas sempre evitando acabar com o processo. Tem que ser último caso. A ideia tem que ser sempre de realinhar e seguir em frente. Se você teve desde o ponto de partida coerência naquilo que você propôs e naquilo que você trabalhou, as coisas vão melhor.                                  

Em qual estágio você vê o futebol brasileiro atualmente? O que tem achado da qualidade do nosso jogo?

Ruim. Muito ruim. E aí entra a questão do calendário  e entra o assunto "quem está jogando esperando o contra-ataque vem ganhando". Isso é uma estatística fria, que pode mudar ano que vem. E as pessoas vão dizer que foi feito o que para mudar isso? O calendário te força a isso, você opta pelo mais simples, o mais seguro. E as equipes que precisam propor jogo vão se expor mais e para se expor você tem que ter qualidade de jogo, trabalho ofensivo. Nós só temos trabalho defensivo. A minha bronca com a CBF vem disso, ela utiliza a Seleção para dizer que está tudo bem, mas está tudo mal. A realidade do futebol brasileiro é uma e da seleção é outra. Ela só vem bem graças ao profissional inteligente que é o Tite. Porque tem conceitos claros e conceitos importantes para o que é o futebol atual. 

Nós vivemos uma discussão de "boleiro vs acadêmico", do "tatiquês"... Você acha que é um momento de ruptura no modo de tratar o futebol? Até em nível de vocabulário mesmo?

O que mais me irrita é isso. Por exemplo, no jornalismo, deveriam usar termos antigos que não se usam mais. Então ninguém fala disso. Você tem situações que tudo está mudando. Essa é a justificativa que tem para criticar os termos atuais. Esses dias eu ouvi um cara dizer: "no meu tempo era contra-ataque, hoje é transição". Não tem nada a ver uma coisa com a outra! Contra-ataque é o momento que você recupera a bola. Então para melhor entendimento você vai dividir em quatro fases: Fase defensiva, fase ofensiva, transição defensiva e transição ofensiva. E têm várias opções de fase defensiva, fase ofensiva e transições. Tem vários tipos.

Se bate muito na questão da imprensa. Falam que ela não tem importância na qualidade do jogo. Você acha que a imprensa é importante nessa construção de um futebol melhor?

Muito. Eu posso dizer isso porque já passei por muitos países no futebol, uns mais desenvolvidos e outros menos. Eu já vi e ouvi discussões de muito bom nível, em que você faz as pessoas entenderem. Se não há o desdém da imprensa em relação as novas terminologias, se não há crítica, vão usar de forma mais uniforme. Você vai induzir as pessoas a verem futebol dessa maneira. E outra coisa que falam: "o Brasil é o país do futebol." Isso é uma falácia! A paixão é tão ou mais exacerbada em outros lugares. Você vai na Turquia e é uma coisa de louco, só para te dar um exemplo. Aqui nós não sabemos torcer, só queremos ganhar. Torcer é o torcedor que compra carnê anual, o time está lutando para não ser rebaixado e ele está com o estádio cheio. Isso precisa ser falado. Mas falam? Ninguém fala. Todo mundo fala o que as pessoas querem ouvir, isso é populismo. E isso também é competência da imprensa. Precisamos de competência, de argumento. Com argumento, se tem conhecimento. Vocês nesse papel são importantes. Tem que mudar isso. Se não mudar, ficaremos estagnados. A imprensa é fundamental. Temos que parar com essa briga entre seguimentos, todos são importantes. Mas os verdadeiros protagonistas são jogadores e o público.

Como tem visto o momento do futebol peruano? Acompanhou a trajetória deles até a Copa do Mundo?

O jogador peruano é de qualidade. Só que a conjuntura de lá induz ele a ser displicente. Eles sofrem defensivamente, isso é histórico. Eu lembro do tempo que eu passei lá, tínhamos grandes resultados fora de casa porque não precisávamos se expor tanto no ataque. Em casa, como tinha essa obrigação de sair mais para o jogo, você falhava.

E como você vê a subida de nível dos centros mais periféricos da América Latina no cenário atual? E sobre a obrigação dos brasileiros "atropelarem" todos que impomos? 

Vejo gente torcendo o nariz e comparando a Venezuela com o futebol brasileiro. Isso é inadmissível, deveriam comparar eles com eles mesmo. Ver a realidade de lá e daqui. Essa arrogância de olhar só para nós é complicada. Houve evolução, isso é inegável. Quem não consegue ver isso é porque só consegue olhar aqui pra dentro. Seja analista, torcedor... Aí você vai em termos sociais e culturais,  falam dos americanos, que eles só olham para o próprio umbigo. E a gente no futebol só olha para o nosso umbigo, somos arrogantes nisso porque fomos pentacampeões. 

Pra fechar, professor, é uma pergunta que eu sempre faço para todos que entrevisto. Ela é bem reflexiva. Para você, o que é jogar bem?

Hoje há uma dificuldade de entender equipes que jogam como o Corinthians, com solidez defensiva. Não é feio, é eficiente. Isso é jogar bem! Interpretar a tua estratégia e executar. Isso é jogar bem. Vejo jogos por 5-4, todo mundo falando que foi um jogão; pra mim não foi. Tomar quatro gols é jogar mal. Porque não analisamos jogo, analisamos resultado. Enquanto isso prevalecer, estaremos afastados da realidade do futebol atual. Jogar bem é executar o seu plano de maneira eficaz, seja qual seja ele.

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Fonte: Renato Rodrigues, do DataESPN

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Palmeiras precisa de trabalho e ajustes, não de crise pós-Mundial

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Vexame, vergonha, fracasso... Chame como você quiser a estadia do Palmeiras no Catar. Mais que não conseguir o título do Mundial de Clubes, a equipe treinada por Abel Ferreira ficou devendo em desempenho. Ganhar ou não a taça passa a ser o menor dos problemas, já que a temporada alviverde ainda não terminou.

A queda de performance do Verdão é nítida e não se resume apenas ao campeonato perdido para o Tigres. O segundo jogo contra o River, a final contra o Santos e algumas partidas do Brasileirão já demonstravam certa instabilidade no desempenho.

Por isso o momento é de reflexão, ajustes e muito trabalho. Por mais que a pressão e a cobrança cresça, a temporada ainda não acabou e pode ser de mais conquistas ainda.

A primeira missão é entender o quão desgastado fisicamente esse Palmeiras está. O ponto alto da temporada nas mãos de Abel foi de um time altamente intenso, agressivo e que resolvia jogos com ações rápidas. Coisa que atualmente se perdeu.

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

O Palmeiras do Mundial foi um time moroso, sem pegada e sem intensidade. E não digo só sem a bola, mas com ela também. Circulação da bola lenta, pouco movimento de quem não tinha a bola e, principalmente, repertório para agredir as defesas adversárias.

A missão da comissão técnica neste momento é estudar jogador por jogador e as suas necessidades, justamente para recuperar aquela eletricidade que trouxe a equipe para a disputa (e conquistas) de coisas grandes na temporada. Não sou especialista na área, mas é nítido que alguns atletas precisarão de algum descanso ou mesmo uma preparação mais individualizada.



O segundo passo é investir pesado na estrutura ofensiva da equipe. O Palmeiras é muito competitivo quando encaixa ataques rápidos, normalmente com campo e espaço para explorar, mas é hora de ir adiante, ter mais repertório com a bola, ter mais mecânicas e movimentos para gerar brechas nas defesas adversárias.

Querendo ou não, Abel Ferreira terá o Campeonato Brasileiro para isso. Entre uma rotação ou outra de elenco na competição, o treinador português terá um pouco mais de tempo para trabalhar isso no dia a dia, coisa que não teve até agora. Justamente por isso creio que a crítica não deveria ser tão incisiva como vem sendo, já que o comandante praticamente joga e recupera seus jogadores. Não tem treino, não tem trabalho e desenvolvimento do modelo de jogo. É tudo muito atípico.

Mas espantou a incapacidade do Palmeiras de gerar espaços nos seus últimos compromissos. Faltou movimento, coordenação. Organização não é só para defender como muitos pensam. Longe da ideia de engessar, cortar a autonomia do atleta, mas existem formas de quebrar estruturas adversárias, movimentos que desequilibrem e abrem brechas para a qualidade dos jogadores se sobressair.

Até o dia 28 o Palmeiras e todo seu staff tem muito trabalho pela frente. Não tenho dúvidas que estes pontos citados acima já são discutidos internamente. Por mais que a pressão é normal, o foco tem que ser em desempenho. Retomar o bom momento e competir forte de novo.

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Brasileiro 'importantíssimo' e francês destaque: como joga o Tigres, adversário do Palmeiras no Mundial

Renato Rodrigues
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Como a mudança de posição de Arão criou novas estruturas e fez o Flamengo crescer no Brasileiro

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Desde a saída de Jorge Jesus, o maior pedido da torcida do Flamengo é para que quem chega tente, ao máximo, não mudar as estruturas e mecanismos de jogos que o treinador português conseguiu colocar em prática.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Vasco, o time rubro-negro agora depende apenas de si para ser campeão brasileiro, no caso, bi, já que tem confronto direto contra o Internacional dentro de casa. 

Entre Domènec Torrent e Rogério Ceni, obviamente que o atual treinador é quem mais tenta "emular" o modo JJ na sua forma de jogar. Começando pelo sistema com dois atacantes, em que tem Gabriel e Bruno Henrique. A necessidade do pós-perda de muita pressão, a linha defensiva alta, Filipe Luís como um lateral-construtor... Algumas semelhanças são bastante claras. 

Fla bate Vasco com gols de Gabigol e Bruno Henrique; assista


Mas é um Flamengo diferente. Com alguns mecanismos e peças com funções distintas. Simplesmente porque trata-se de um esporte que exige mudanças. Sempre. 

Um time de futebol é um organismo vivo. Necessita de adaptações e ajustes a cada jogo. Peças sobem e crescem de desempenho. Lesões, suspensões, jovens que chegam e tomam espaço. São vários os motivos para se entender que um time campeão não permanece estático por temporadas. E é o caso do Fla.

Por mais que ainda tenha muita margem de crescimento, o time rubro-negro vive um momento de crescimento justamente por ter sido obrigado a fazer ajustes e criado novas dinâmicas de jogo.

Arão na zaga

O primeiro ponto, que mexe todo o tabuleiro flamenguista, é o recuo de Willian Arão para a zaga. O volante tem dado conta do recado, mas mexeu na posição de vários companheiros.

Diego entrou no time. Com características totalmente diferentes das de Arão, Gerson ganhou novas atribuições. A nova dupla de volantes se alterna bastante nas subidas ao ataque, mas é Gerson quem, nitidamente, está mais contido. Até chega na área, mas não com a frequência da temporada passada. 

Os laterais também passaram a ter mais responsabilidades na hora de defender. Raramente atacam ao mesmo tempo. Justamente para criar um equilíbrio no momento em que a equipe perde a bola, deixando mais jogadores na retaguarda para neutralizar contra-ataques.

Por exemplo: quando Filipe Luís avança um pouco mais no campo, Isla dá alguns passos para trás e fica vigiando um provável contra-ataque. Quando Isla sobe, espetado, Filipe fecha por dentro e joga quase como um terceiro zagueiro, construindo de frente para o jogo - aliás, função que o mesmo se sente mais confortável (veja nas imagens abaixo).

Veja no frame do jogo: Isla espetado, bem aberto e avançando. Filipe fecha por dentro
Veja no frame do jogo: Isla espetado, bem aberto e avançando. Filipe fecha por dentro DataESPN
Agora o contrário: Filipe avança e Isla já começa a se posicionar mais atrás
Agora o contrário: Filipe avança e Isla já começa a se posicionar mais atrás DataESPN


Isso faz com que Bruno Henrique ou Arrascaeta precise "abrir o campo" pelo lado esquerdo, justamente para tentar abrir a defesa, já que não é o lateral quem vai ultrapassar a todo instante por ali.

Como disse acima, o Flamengo ainda é um conjunto em construção. Oscila dentro das próprias partidas e também no campeonato. Mas a qualidade que tem e a melhor organização de suas peças neste momento o recolocaram na disputa pelo título. 

E isso é fruto de mudanças. De saídas e ajustes. De um organismo vivo pedindo transformações.


Rogério Ceni sofre segunda eliminação no comando do Flamengo
Rogério Ceni sofre segunda eliminação no comando do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo


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As fraquezas de Palmeiras e Santos! Em que ambos precisam melhorar para levar o título da Libertadores?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro
Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro Getty

Palmeiras e Santos fazem a final da Conmebol Libertadores no próximo sábado (30), e separei lances que mostram em que cada equipe precisa ficar esperta para não ser batida pela rival. Uma análise de pontos negativos que os dois finalistas têm mostrado nos últimos jogos e que precisarão ajustar para levar o caneco no Maracanã. 

O FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

As fraquezas que Palmeiras e Santos precisam superar; assista


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'Paredão' x 'cara do equilíbrio': quem são os carregadores de piano em Palmeiras e Santos

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Palmeiras e Santos fazem a final da Conmebol Libertadores no próximo sábado (30), e dois jogadores, um de cada lado, podem ser considerados os pilares de suas equipes. 

FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

Um esbanja vigor físico e quase nunca perde uma disputa, seja por baixo ou pelo alto, é um dos líderes do grupo alviverde e não só comanda a zaga como é importante no começo das jogadas.

O outro é o ponto de equilíbrio alvinegro em campo, diminui o espaço como poucos na marcação e compõe a defesa quando um dos zagueiros sai.

É em cima destes dois 'carregadores de piano' que montei mais esta análise no DataESPN, que você vê no vídeo abaixo.

Paredão' x 'cara do equilíbrio' em Palmeiras e Santos; assista


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'Paredão' x 'cara do equilíbrio': quem são os carregadores de piano em Palmeiras e Santos

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Variação de sistema, mais jogo curto e presença ofensiva: como funciona o "novo" Atlético de Diego Simeone?

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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Por que o gol da vitória do São Paulo sobre o Flamengo vai muito além do erro de Hugo Souza?

Renato Rodrigues
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Sai Coudet, entra Abel: quais as consequências de tais mudanças no Internacional?

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Messi x Benzema: veja a função e a movimentação das estrelas de Barça e Real para o esperado El Clásico

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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Como Guardiola usou o "modo Arteta" para fazer o Arsenal cair em sua armadilha? Confira a análise

Renato Rodrigues
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Nesta análise você vai entender como Guardiola usou uma qualidade de Arteta contra ele para vencer o clássico no Etihad Stadium, por 1 a 0, no último sábado, em jogo válido pela Premier League. Assista:



Fonte: Renato Rodrigues

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Otero e Cazares podem jogar juntos? A possível formação do Corinthians

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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As 'pressões quebradas' e os contra-ataques do River: como São Paulo sucumbiu em Buenos Aires?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo []

Análise das principais dificuldades do São Paulo na derrota para o River Plate, por 2 a 1, em Buenos Aires, que acabou eliminando o time do Morumbi da próxima fase da Copa Libertadores:


Fonte: Renato Rodrigues

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As 'pressões quebradas' e os contra-ataques do River: como São Paulo sucumbiu em Buenos Aires?

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Qual foi a estratégia do Grêmio para sair do "desconfortável" primeiro tempo contra a Universad Católica?

Renato Rodrigues
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Renato Gaúcho comemorou muito a vitória Grêmio
Renato Gaúcho comemorou muito a vitória Grêmio Grêmio

Depois de fazer um primeiro tempo ruim dentro de casa, o Grêmio conseguiu se recuperar na segunda etapa e vencer a Universidad Católica por 2 a 0, na última terça-feira, e garantiu sua classificação para as oitavas de final da Copa Conmebol Libertadores. Ao fim do jogo, Renato Gaúcho afirmou que precisou fazer ajustes táticos no intervalo para sair do "desconforto" que os chilenos criavam. Veja na análise em vídeo quais medidas foram tomadas:

Fonte: Renato Rodrigues

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Qual foi a estratégia do Grêmio para sair do "desconfortável" primeiro tempo contra a Universad Católica?

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Como Pedro, além do gol, ajudou o Flamengo a sair de Guayaquil com os três pontos na Libertadores?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Pedro comemora gol do Flamengo sobre o Barcelona na Libertadores
Pedro comemora gol do Flamengo sobre o Barcelona na Libertadores Getty

Muito mais que o primeiro gol da vitória por 2 a 1 contra o Barcelona-EQU, nesta terça-feira, pela Conmebol Libertadores, Pedro foi peça importantíssima para o Flamengo voltar para o Rio de Janeiro com os três pontos. O centroavante trabalhou bem no pivô e ajudou a sua equipe a "sair de trás" muita vezes.

Assista à análise:

Fonte: Renato Rodrigues

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Como Pedro, além do gol, ajudou o Flamengo a sair de Guayaquil com os três pontos na Libertadores?

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Como explicar a 'pane' do Flamengo na Libertadores? Veja a análise das falhas graves do 5 a 0 em Quito

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Gabigol e Bruno Henrique reclama durante Independiente del Valle 5x0 Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique reclama durante Independiente del Valle 5x0 Flamengo Getty

Em mais um DataESPN de casa, mostraremos como em dois gols conseguimos explicar quase todos os problemas do Flamengo na derrota por 5 a 0 para o Independiente Del Valle, em Quito, na última quinta-feira, pela Copa Conmebol Libertadores:

Fonte: Renato Rodrigues

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Como explicar a 'pane' do Flamengo na Libertadores? Veja a análise das falhas graves do 5 a 0 em Quito

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A construção de Dome: quais ideias o treinador já instaurou no Flamengo e quais são os ajustes necessários?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Com o DataESPN totalmente de casa, analisei as ideias de Domenec Torrent que começaram a surgir nos últimos jogos. Como ataca, como defende, pontos fortes e onde o catalão ainda precisa fazer ajustes. Assista o vídeo:


         
     

Fonte: Renato Rodrigues

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O desempenho de Neymar na final da Champions e as diferentes formas de se olhar para o jogo

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Neymar ficou sem o título da Champions League em 2019-20
Neymar ficou sem o título da Champions League em 2019-20 Getty Images

O Bayern de Munique, que se mostrou mais forte coletivamente nos últimos meses, levou a UEFA Champions League contra o PSG. Apesar do equilíbrio no confronto que terminou 1 a 0, no último domingo, a conquista foi bastante merecida dado ao nível de jogo que os bávaros apresentaram sob o comando de Hans Flick e dentro da própria decisão no Estádio da Luz.

Mas como em qualquer fracasso, a missão número 1 de nós brasileiros veio à tona: achar um culpado. E não poderia ser diferente que Neymar seria um dos alvos perfeitos para descarregar a fúria da caça às bruxas. 

Exista também quem tente o defender. Enfim, não podemos negar que o astro divide amor e ódio por onde passa. Mas vamos tentar olhar tudo isso de uma maneira mais fria e racional.

O ponto principal para olharmos para o que foi a atuação de Neymar na final em Lisboa é o posicionamento dele escolhido por Thomas Tuchel. Questão, inclusive, que passou a ser uma crítica a seu treinador após o duelo.

O brasileiro atuou centralizado no ataque ao lado de Mbappé (pela esquerda) e Dí Maria (pela direita) como vemos na foto tirada do jogo logo abaixo. 

Na imagem vemos com Tuchel escalou seu ataque: Dí Maria na direita, Neymar por dentro e Mbappé pela esquerda
Na imagem vemos com Tuchel escalou seu ataque: Dí Maria na direita, Neymar por dentro e Mbappé pela esquerda DataESPN

"Mas como assim?". "Neymar não é centroavante". "Esse treinador dele fez m...". Definitivamente, não é bem assim.

Ao analisar um jogo ou o desempenho de uma equipe/jogador, busco partir sempre do princípio de entender a ideia por trás da escolha. O que o treinador quis a partir daquela decisão. Para aí sim não apenas definir se foi certo ou errado, mas sim tentar entender se fazia sentido a escolha e se ela deu certo ou não no fim das contas.

No caso de Neymar como centroavante: a ideia fazia sentido. Pelo menos na minha interpretação, Thomas Tuchel quis, além de deixar sua principal referência técnica com o mais liberdade possível para se mover, também evitar desgaste físico de Neymar. Deixá-lo inteiro para quando a bola chegasse até ali para corridas em velocidade e duelos de 1x1.

Outro aspecto importante para deixar o brasileiro centralizado foi usá-lo no limite da linha defensiva do Bayern, que joga sempre muito alta e que mostrou alguns problemas com adversários anteriores. O gol do Barcelona, por exemplo, sai de uma infiltração de Jordi Alba neste exato cenário. Então está mais que comprovado que a ideia fazia sentido e que o treinador não foi tão imprudente assim. Mais que isso, estudou seu rival e planejou uma estratégia em cima de suas características.

A desolação de Neymar, vice-campeão da Champions League

A execução por outro lado, não saiu dentro do esperado. E muito por conta do que o próprio Bayern impôs no confronto. Para se lançar essa bola em profundidade por trás da defesa, o PSG precisaria, pelo menos por alguns instantes, ter situações que não tivesse tanta pressão na bola, para justamente alguém levantar a cabeça e enfiar essa bola no espaço. 

Mas isso pouco aconteceu. Os bávaros dominaram o confronto no aspecto físico. Pressionaram a bola freneticamente durante os 95 minutos de futebol em Lisboa. A saída de bola do PSG foi nitidamente quebrada por essas subidas de pressão e impactou muito no desempenho de Neymar e seus companheiros de frente, que também estiveram posicionados para receber essa bola nas costas da defesa durante boa parte do confronto.

Com isso, Neymar passou a receber bolas, muitas vezes, de costas para o gol, como na imagem abaixo. Aí sim um cenário totalmente desconfortável para ele, que tem como forte jogar de frente, arrancando e superando adversários no drible. Com os zagueiros usando a força física e encurtando, pouco rendeu o brasileiro que, com o passar do tempo, foi se irritando e recuando de forma significativa para tentar pegar a bola. Aí, com muitos metros longe do gol, ficou mais difícil atingir seu objetivo.

Neste lance, Neymar recebe a bola de costas, com o zagueiro pressionando
Neste lance, Neymar recebe a bola de costas, com o zagueiro pressionando DataESPN

Ao decorrer da partida, Tuchel jogou Neymar para a esquerda na tentativa de ajustar a equipe e sua influência nas ações ofensivas do PSG cresceu. Mesmo assim, não foi uma noite muito brilhante do camisa 10, que tomou decisões ruins e tem sua parcela de culpa em seu desempenho. Chorou e sentiu o baque de uma derrota dolorida. Traz consigo uma série de erros na sua trajetória no futebol, mas sente uma noite triste como qualquer ser humano.

Mais que isso, deixa também uma lição importante: que existem diversas formas de olhar para o jogo e entender os porquês dele. E dá sim para criticar personagem e questionar as decisões dele, mas podendo fazer isso de forma honesta e respeitosa. Assim só o futebol triunfa.

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Sai Boselli, entra Jô: Renato Rodrigues analisa diferenças com a troca de centroavantes no Corinthians

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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Sai Boselli, entra Jô: Renato Rodrigues analisa diferenças com a troca de centroavantes no Corinthians

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O São Paulo do 'falso controle'

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo []

O São Paulo protagonizou uma eliminação dura na noite desta quarta-feira, no Morumbi. Sucumbiu frente a um Mirassol valente e organizado (3 a 2), mas que perdeu 8 jogadores titulares durante a pausa da pandemia. Mais do que isso, mostrou problemas estruturais e de escolhas que pairam no clube nos últimos anos e que, mais uma vez, questiona as diretrizes de uma direção pressionada.

E a queda nas quartas de final do Campeonato Paulista se torna ainda mais dura pelo fato de o Tricolor ter sido a equipe mais promissora entre as grandes antes da parada. Muito por demérito dos seus rivais, que não decolaram, mas com pontos positivos e, principalmente, mostrando certa ascensão em cima das ideias de Fernando Diniz. Alguns velhos problemas, no entanto, sempre estiveram ali e vieram à tona.

Tentar entender a situação que o São Paulo se encontra hoje e nos últimos anos requer mais do que achar um culpado. Trata-se de muitas variáveis, um contexto extremamente complexo que vai do campo à direção. Das escolhas, seja para o comando técnico ou escalações, e também uma questão de identidade, raramente vista na última década.

Se olharmos para dentro de campo, para as últimas atuações em si, talvez a palavra que mais me venha à cabeça é controle. Ou melhor, falso controle. Por isso o título do post.

Controle talvez seja uma das coisas mais preciosas que se tenha no futebol. E justamente pelo fato de ninguém tê-lo 100% dentro do campo de jogo. Mas é quase que uma unanimidade: quanto mais controle você tem, mais perto da vitória está. Por isso, trabalha para maximalizá-lo. Tentar ter nas mãos o máximo da narrativa do confronto, antecipando e neutralizando movimentos.

A expressão controle no futebol também vai muito além de ter ou não a bola. Mais uma vez não entrarei no discussão de melhor vs pior ou mesmo bonito vs feio. Mas é fato que existem formas e formas para se dominar um adversário. Para ser mais simples e direto: com ou sem a bola. E por isso é importante contextualizar toda essa perspectiva para entender esse São Paulo de Fernando Diniz.

 

Problemas estruturais



Jogadores do São Paulo antes de jogo contra o Mirassol, pelo Paulista
Jogadores do São Paulo antes de jogo contra o Mirassol, pelo Paulista Rubens Chiri/São Paulo FC

Não precisa ser amante das táticas para entender qual tipo de jogo Fernando Diniz pratica e quer praticar. Quem o contrata também sabe para o que é. Definitivamente essa não deveria ser uma crítica ao treinador. O ponto aí é: como executar todas essas ideias? E é aí que os problemas acabam expostos.

Vamos começar pela fase ofensiva, momento em que a equipe tem a bola. O fato de querer ter a bola, de ser protagonista no jogo é, sim, elogiável. A saída de bola, por exemplo, tem mecanismos bem estabelecidos a meu ver. O time flui nesta etapa de construção. A ideia de ter Tchê Tchê e Dani Alves por ali, se revezando, nessa iniciação, tem bastante lógica.

Mas é quando a bola chega perto do terço ofensivo que as coisas não encaminham bem. Vemos números de 20, 25, 30 finalizações em alguns jogos... Números frios que, por vezes, podem nos trazer uma falsa métrica. Mas quantas chances realmente foram cristalinas? Quantas partiram de uma finalização que nem deveria ser feita? Em quantas existia pressão na bola? Quantas no alvo? Quantas para fora?

Essa é uma impressão recorrente acerca deste São Paulo. Uma equipe que tem volume ofensivo, mas que não tem consistência, “punch”, nas ações com bola. E isso tem a ver com a filosofia também.

Um time que tem a bola, mas, do meio para frente, parece um pouco aleatório em seus movimentos. Uma espécie de “movimentem-se!”, mas não necessariamente como. Uma liberdade mal programada, extremamente intuitiva e que acredita no talento dos seus jogadores. Obviamente que não explorar suas qualidades seria um erro. Engessar a estrutura não é o caminho, mas o ideal seria sair do extremo. Criar situações e padrões que potencializassem essas qualidades, já que o São Paulo tem isso no elenco.

Mas não, esse livre caos, sem alguma lógica, traz a falsa sensação de controle. Porque ele não se resume a gols necessariamente. E acaba empilhando jogadores num mesmo setor, confundindo posições e funções.

Uma questão muito nítida contra o Mirassol foi a falta de “abrir o campo”. Não que isso seja uma regra. Mas foi perceptível que todos os jogadores se concentravam por dentro, fazendo exatamente o que o adversário queria. Com jogadores um pouco mais na amplitude, talvez espaços pelo centro seriam melhor utilizados. Ou mesmo trocas de lado, para gerar desequilíbrio. Mas o que vimos foram dois laterais jogando na base, com abrindo pouco o campo e dando quase nada de profundidade.

Sem a bola, os problemas ficam muito em cima das transições defensivas, momento da famosa recomposição. É bem verdade que, antes da parada, o São Paulo mostrava certo crescimento neste sentido e sofria cada vez menos nos contra-ataques. Mas esse é um ponto negativo que acompanha o trabalho de Fernando Diniz em outros clubes. O que deixa, muitas vezes, o jogo aberto, sempre a um passo de escorrer das mão. O tal do controle que tanto falo.

Momento em que o São Paulo disputa e perde 1ª e 2ª bola antes do gol do Mirassol: não existe linha defensiva
Momento em que o São Paulo disputa e perde 1ª e 2ª bola antes do gol do Mirassol: não existe linha defensiva DataESPN

Os dois primeiros gols sofridos na noite desta quarta-feira, principalmente, não podem acontecer num nível de competitividade que o São Paulo joga. O primeiro, de um escanteio sem rebotes, e um jogador se aproveitando de todo um espaço por trás da marcação. O segundo, perda de segunda bola e time totalmente desequilibrado para sofrer o ataque rápido. Essa transição descoordenada custou caro. Jogar bem é defender bem também.

Mas todas essas falhas estruturais também passam por escolhas individuais.

 

Priorização do talento “sem fome”


Jogar no modelo de jogo que Fernando Diniz tenta implementar exige muito mais que qualidade técnica. Essa organização deve sempre partir do princípio da intensidade, seja com ou sem bola. Jogar com uma linha defensiva alta, com muitos espaços nas costas dos zagueiros, pede muita proatividade dos atletas no momento em que a posse é perdida. Com ela, a necessidade é de um jogo dinâmico, com passes rápidos e mais profundidade.

Não sofrer o contra-ataque está muito atrelado ao que você faz no momento em que perde a bola. E isso falta ao Tricolor. Por vezes nem por ausência de vontade mesmo, mas por características individuais dos atletas escolhidos. Pegando de trás para frente, partindo do ponto que o São Paulo vai pressionar alto, Vitor Bueno e Pato, por exemplo. Ninguém dúvida da qualidade técnica de ambos. Mas e no momento em que se é necessário reagir rapidamente e pressionar a bola “como se não houvesse amanhã”?. A dupla, definitivamente, não entrega agressividade. Não se encaixa no plano. Igor Gomes até tenta, mas também não é algo destacável nas suas características.

Pato em disputa de bola contra o Mirassol
Pato em disputa de bola contra o Mirassol Rubens Chiri (São Paulo FC)

Então vamos lá: se sua ideia é pressionar alto, ser agressivo lá na frente e asfixiar seu adversário, como fazer isso com três jogadores que não tem essas virtudes? Realmente é uma lógica que não faz sentido e que, por mais que funcione em jogos e jogos, uma hora outra pode estourar num contra-ataque letal. E nem que isso tenha sido um problema contra o Mirassol, mas essa bola saindo de uma primeira pressão é um problema.

Se instalar no campo do adversário também exige resistência, capacidade de se repetir movimentos. Joga, perde, pressiona, recupera, joga, perde, pressiona, recupera... Essa é a dinâmica necessária para fazer esse tipo de jogo ser efetivo. Outro ponto é a capacidade dos jogadores de lado percorrerem longas distâncias durante todo o jogo. Reinaldo e Juanfran, apesar de terem suas qualidades, estão longe de ser esses caras. Até por isso não geram amplitude/profundidade pelos lados. Deixa-se de abrir o campo e empurrar o adversário para trás, ganhando espaço entre os jogadores de defesa do rival e na entrada da área.

Por mais que Igor Vinícios e Léo tenham seus defeitos, os vejo com com essas características. Força e resistência para subir e descer, além da capacidade de se impor fisicamente nos duelos. As recentes atuações da dupla, aliás, também credenciam uma maior regularidade no time titular e, por suas particularidades, poderiam acrescentar equilíbrio ao time, principalmente sem a posse da bola.

É simples escolha. Você ganha de um lado e perde do outro. Juanfran e Reinaldo te trazem mais experiência e qualidade técnica, mas deixam a desejar em outros aspectos. É a mesma lógica com os laterais mais jovens. Mas vejo necessidade de mais fisicalidade neste São Paulo. E talvez seja um dos times com mais material humano no Brasil para poder mudar um cenário com seu próprio elenco. São muitos jogadores promissores vindo de Cotia para trazer qualidade com a bola e fome sem ela.

 

O dilema da demissão


A problematização sobre manter ou não Fernando Diniz no cargo não se trata de “passar pano” como muita gente tende a acusar. É o simples fato de entender ser uma escolha complexa. Justamente por ser algo feito com certa recorrência no clube nas últimas temporadas e que só jogou o clube ainda mais para trás. Por isso é uma decisão difícil.

Um dos grandes erros do time do Morumbi nesta década foi a falta de norte. Uma gestão técnica mais coerente. Já repeti isso algumas vezes. Escolhas para o comando técnico que iam de Bauza a Osório, Doriva a Jardine, Cuca a Jardine... Sem entrar no mérito da qualidade desses profissionais, que são capazes, mas sim no tipo de trabalho que cada um tentava propor. Extremos totais, fazendo com que o clube rompesse com linhas diversas vezes, e deixando de criar qualquer identidade que seja.

Presidente Leco e Raí tem dura missão pela frente
Presidente Leco e Raí tem dura missão pela frente GazetaPress

Ao apostar em Diniz, a diretoria são-paulina deu o recado que a linha que querem seguir é a mesma de Jardine, Rogério Ceni e Osório. Mas trocar agora seria em qual sentido? Romper de novo ou apostar mais uma vez nesse estilo? Quem escolher? Vão sustentar e apoiar a próxima escolha? São todas perguntas muito necessárias e difíceis de serem respondidas pelo histórico recente da atual administração.

Por mais que o baque dessa última eliminação tenha sido forte, vejo o São Paulo com problemas ajustáveis. E pelo próprio Diniz. Em questão de ambiente e condução de trabalho, as referências são as melhores. É um treinador trabalhador e preocupado com os detalhes, agregador e que tem o grupo ao seu lado. Resta saber o quão disposto ele está de se desprender de algumas convicções e tentar essa volta por cima.

Fonte: Renato Rodrigues

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O São Paulo do 'falso controle'

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Premier League: Renato Rodrigues analisa estilo de jogo e fala sobre título avassalador do Liverpool

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