Sem o pai, Khabib Nurmagomedov nunca mais será o mesmo

Renato Rebelo
Renato Rebelo
khabib nurmagomedov
khabib nurmagomedov ESPN.com.br

Seu Abdulmanap Nurmagomedov acumulava cargos na vida do filho, o campeão peso-leve do UFC, Khabib Nurmagomedov. Era pai, principal treinador, ídolo maior, melhor amigo… Era o norte.  

Pra entender a simbiose entre eles, considerem que o próprio caçula era o aluno mais bem-sucedido entre dezenas de campeões de sambo e wrestling que o coroa forjou e, como manda a tradição no Daguestão, o filho mais novo mora com os pais até o último dia de suas vidas. 

A partida precoce de Abdulmanap, que faleceu com apenas 57 anos, vítima de problemas cardíacos agravados pelo coronavírus, sem nenhuma dúvida, deixa marcas profundas na vida não só do homem, mas, também, do atleta que faz aquela que pode ser a luta mais difícil da sua carreira em pouco mais de dois meses. 

É claro que Khabib, de 31 anos, é um homem formado, com todos os conceitos e ideias do pai cimentados dentro dele. 

Tem também todo aquele lance do homem do Cáucaso, russo, muçulmano ser frio, pouco emotivo, capaz de suportar qualquer suplício. 

Ele pode esconder emoções, internalizar, seguir treinando diariamente, como vinha fazendo (mesmo com o pai em estado crítico).

Acontece que o ser humano não funciona dessa forma. Não é por que a gente não vê que não existe ali um luto enorme, esmagador. 

Não acho que ele vai abandonar a carreira ou coisa do tipo, afinal, Khabib não sabe fazer outra coisa. Desde que se entende por gente, foi doutrinado pelo pai a treinar, pelo menos, duas vezes por dia. 

Certamente, haverá, também, alguma obrigação moral de honrar a memória do coroa, levar seu nome adiante e seguir trabalhando. 

Mas, ao mesmo tempo, Khabib pode ficar deprimido, isolado, estressado, ansioso, enfim, somatizar essa dor de maneiras diferentes. 

Se hábitos simples forem afetados, com sono e alimentação, a imunidade do cara pode baixar e complicar qualquer tipo de corte de peso ou desempenho esportivo. 

Enquanto isso, Justin Gaethje, outro que dedicou a vida à luta, treina diariamente com seu novo parceiro de treinos, Kamaru Usman, campeão dos meio-médios. 

Não acho que Khabib vá pedir adiamento ou coisa do tipo. Ele mesmo interpretaria isso como um sinal de fraqueza e recusaria.

Mas basta ter um pouco de sensibilidade para entender que seguir em frente com a luta no dia 19 de setembro não é a melhor decisão a se tomar no momento.  

Faz Conor McGregor x Justin Gaethje pelo cinturão interino e poupa o cara, dá um tempo maior pra lidar com essa angústia. 

Pra quem ainda não assimilou a influência desse pai presente, que moldou o caráter do filho, basta ler essa rara demonstração pública de afeto em coletiva de imprensa, antes do encontro com Dustin Poirier: 

"Vocês não entendem como eu amo o meu pai. Eu tenho saudade dele sempre. Por mim, pararia de falar sobre essa luta e falaria só sobre o meu pai”.

Após bater Al Iaquinta e vestir o cinturão dos leves, a primeira coisa que ele disse no microfone de Joe Rogan foi: 

“Estou muito triste porque todo o meu time está aqui e meu pai não está. E tudo isso aqui é graças ao meu pai". 

(Seu Abdulmanap, também muçulmano, tinha dificuldade pra conseguir o visto americano e não pôde acompanhar o filho na maioria das lutas). 

E tem mais: além da tristeza e do vazio, Khabib perde também uma figura de comando, pois ele obedecia o pai, mesmo que não concordasse com a ordem. 

Na luta contra Poirier, por exemplo, o campeão confessou que queria testar o seu kickboxing, para provar que evoluiu no setor. 

Como esse duelo foi em Abu Dhabi e seu pai estava no corner pedindo a queda, Khabib foi pragmático e fez o que faz de melhor. 

Essa sutil diferença pode ser determinante para uma derrota ou uma vitória. Separa um cara que é 28-0 no MMA de outro que nunca recebeu um title shot. 

Entendo que o russo nutre um carinho especial por Javier Mendez, líder da American Kickboxing Academy, sua base nos Estados Unidos.

Mas ele não é o seu pai. Não o alimentou e nem ensinou as lições mais fundamentais sobre vida, respeito, hierarquia e honra. Será que Khabib o seguiria cegamente? 

A perda é imensa. Foi-se a fortaleza, a referência.

Ele pode até seguir o calendário, vencer Justin Gaethje e manter o cinturão, mas, certamente, nunca será o mesmo. 

Que Seu Abdulmanap, o “Pai do MMA no Daguestão”, descanse em paz.

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Patricio Pitbull, maior da história do Bellator, é favorito contra perigosíssimo e provocador Pedro Carvalho

Renato Rebelo
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Fonte: Renato Rebelo

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Sim, Khabib Nurmagomedov superou Jon Jones

Renato Rebelo
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| De arrepiar! Após anunciar aposentadoria, Khabib deixa suas luvas no octógono antes de sair pela última vez |

Uma das últimas frases ditas pelo agora aposentado Khabib Nurmagomedov dentro do octógono foi: “A única coisa que quero do UFC é, na terça, que me coloquem como o número um do mundo peso-por-peso”. 

O pedido foi prontamente atendido pelos jornalistas que formulam os rankings, o campeão dos leves ultrapassou Jon Jones e fincou a bandeira russa no topo da montanha. 

Acontece que o territorialista e ultra competitivo ex-campeão dos meio-pesados não engoliu a seco esse momento de aclamação da “Águia” e, minutos após o pedido feito ter sido feito no UFC 254, deu início a um incisivo processo de autoafirmação.

Eu gosto de associar a tal lista peso-por-peso com a velha frase “o que você tem feito por mim ultimamente?”. 

Não sei se há outra interpretação, mas, assim como a convocação da seleção brasileira costuma levar em conta o momento do jogador, no MMA, faz sentido eleger quem, independente do peso, é o número 1 hoje. 

[]

Entre os homens, esse é Khabib Nurmagomedov. Esqueçam o cartel e a invencibilidade em 29 lutas. Falo de momento. O cara, simplesmente, subjugou e estrangulou, em sequência, três craques: Conor McGregor, Dustin Poirier e Justin Gaethje.  

Jones, por outro lado, teve atuação pouquíssimo inspirada contra o ex-peso-médio Anthony Smith, passou por um fio de cabelo por Thiago Marreta - em decisão dividida -, e, pra mim, nem passou por Dominick Reyes. 

Repito: hoje, Jon Jones não é o número 1 peso-por-peso. Khabib é. 

Isso quer dizer que historicamente o russo também supera Jones? Não. Aí, é outro papo. 

Nesse ponto, concordo com o americano. Como 4 vitórias em lutas por cinturões podem superar 15?

| St. Pierre responde se Khabib é o maior de todos os tempos do UFC: 'Muitos já foram; é muito rápido' |

Aquele velho debate sobre o “maior de todos os tempos” costuma ser ainda mais subjetivo - mas, nesse, Khabib simplesmente não tem os números a seu favor. 

Entendo que cabeças diferentes criam sentenças diferentes e filtros como “conduta” e até “domínio” costumam ser empregados por aqui. 

Mas, aí, fazer vista grossa para quase 10 anos de hegemonia de Jones na categoria até 93kg já acho forçação de barra. 

Khabib é, indiscutivelmente, o maior peso-leve que o esporte já viu e, por mais que o timing de Jones, pra variar, tenha sigo ruim e falte (muito) tato e bom senso ali, na segunda discussão, ele segue em vantagem. 

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Cris Cyborg a duas rodadas de 'zerar' o Bellator

Renato Rebelo
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Quando Cristiane Justino assinou contrato com o Bellator, em setembro de 2019, pairava no ar uma enorme curiosidade sobre o que aconteceria quando ela encontrasse Julia Budd - amplamente considerada a melhor lutadora de MMA fora do UFC.

Afinal, a canadense, primeira e única campeã até 66kg do evento triturava qualquer menina que cruzasse o seu caminho no cage circular de Scott Coker naquela época.
Em janeiro de 2020, a pergunta foi respondida. Sem dó nem piedade, Cyborg sapecou Budd durante quatro longos e dolorosos rounds até conseguir a interrupção do árbitro. Não foi competitivo.

Tamanha discrepância suscitou perguntas óbvias: e agora? Será que o Bellator arranja alguém à altura para rivalizar com a brasileira?

A escolhida para tentar a sorte na segunda rodada atende pelo nome de Arlene Blencowe.

A australiana, de fato, tinha sido a luta mais dura da Budd no Bellator e, pela bagagem no boxe profissional, na teoria, pode apimentar a resenha em pé contra a striker brasileira.

Blencowe também vem de três vitórias consecutivas (duas por nocautes) desde a apertada derrota por decisão dividida para a Budd.
Agora, nada impede, também, que a campeã faça uso do (excelente) wrestling, praticado por anos com Tito Ortiz na Califórnia, e da faixa-marrom de jiu-jítsu.

Vale sempre lembrar que estamos falando de MMA - e o objetivo final é vencer, não nocautear.

[]

Todos esses fatores pesam e, por isso, Cyborg chega para o confronto carregando favoritismo arrebatador - na proporção de 10 pra 1 em algumas casas de apostas.

(O resultado dessa experiência você confere ao vivo, nessa quinta-feira, a partir das 23h, na tela da ESPN Brasil).

O lance é que, se der a lógica, apenas um nome separaria Cyborg da total aniquilação da categoria feminina até 66kg no Bellator: Cat Zingano.

Sim, a wrestler/faixa-preta de jiu-jítsu foi contratada exatamente com esse propósito: equilibrar as forças e tentar se opor à Justino.

A moça ainda traz consigo toda aquela narrativa de que foi a última a vencer Amanda Nunes - atual dupla campeã do UFC e a única que bateu Cyborg nos últimos 15 anos.

Sua estreia no cage circular foi com vitória sobre a dura “Gabanator” Gabrielle Holloway, mas “Alpha”, aos 38 anos, também não parece estar mais no auge - e bater Cris Cyborg não é tarefa trivial.

Projetar muito à frente é sempre tarefa traiçoeira no MMA, porque, com luvas de quatro onças e tantas variáveis, não há esporte no mundo em que as zebras passeiem tão livremente.

Agora, se Cris Cyborg continuar fazendo o que faz de melhor, já no curto-médio prazo Scott Coker terá que procurar lutas de boxe ou kickboxing pra ela…

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Jon Jones x Israel Adesanya: a hora é agora

Renato Rebelo
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Adesanya e Jon Jones
Adesanya e Jon Jones Arte ESPN


As chamadas superlutas são extremamente raras nos esportes de combate por alguns motivos.

Não é comum dois campeões ou dois fenômenos de categorias distintas terem idades compatíveis, contarem com a química de uma rivalidade estabelecida e ainda um cenário doméstico favorável - sem pressão pela próxima defesa de cinturão ou coisa do tipo.

Quando as estrelas se alinham dessa forma não há o que pensar. Os contratos precisam ser assinados.

Quem acompanha o MMA há mais tempo lembra que fomos privados de José Aldo x Anthony Pettis no auge de ambos. Isso por que as danadas das lesões ainda teimam em atrapalhar.

Zona de conforto e o temor da derrota também não são fatores desprezíveis. Jon Jones, por exemplo, atiça o público com a estreia no peso-pesado há quase uma década e, ainda assim, na hora de concretizar, prefere manter-se no habitat natural, onde há mais certezas do que incertezas.

Só que dessa vez, até ele, considerado por muitos o maior lutador da história da modalidade, está 100% investido.
Israel Adesanya, campeão dos médios, invicto em 20 lutas, acabou de protagonizar um pay-per-view com mais de 700 mil pacotes vendidos - e virou a luta mais rentável possível para Jon Jones.

O jovem nigeriano, além de fantástico dentro do octógono, exala carisma e tem tudo para ser a próxima superestrela do MMA.

(Se somar os seguidores de Francis Ngannou e Stipe Miocic - supostos futuros adversários de Jones - no Instagram e adicionar mais um milhão de cabeças, você chega próximo ao número de Adesanya. Essa é a demanda por ele hoje).


         
     

Jones e Adesanya, inclusive, passaram a última semana se bicando no Twitter. Ataques à família, religião, estilo de vida, passado e até sexualidade foram desferidos. Dana White, chefe de ambos, chegou a dizer com todas as letras: “Essa é a luta a se fazer”.

O “timing” também é ideal. Jones se encontra no início da transição para o peso-pesado e não encorpou tanto. Como abriu mão do cinturão dos meio-pesados, essa ainda seria uma luta de três rounds - sem a necessidade de mais tempo de preparo para 25 minutos de guerra.

Os 93kg não seriam problema para nenhum dos dois e, por mais que o americano vá estar de 5 a 10kg mais pesado no dia da luta, Paulo Borrachinha também estava e vimos como as coisas terminaram para ele.

Por último, a categoria até 84kg já foi devidamente apaziguada pelo campeão. A única pendência é Jared Cannonier, que enfrenta o ex-campeão Robert Whittaker no dia 24 de outubro.

Acontece que o resultado no UFC 254 não interfere no planejamento para a superluta. Se Whittaker vence, ótimo. A categoria fica sem um desafiante número um claro, uma vez que Adesanya já o embrulhou para presente.

Se Cannonier sobrevive, de todo modo, ele só estaria pronto para o title shot em meados de 2021 - e “Izzy” quer atuar novamente em 2020.
O plano, segundo ele, é seguir os passos do brasileiro Anderson Silva que, mesmo sendo o número 1 até 84kg, se testava com 93kg para incrementar o legado.

E, convenhamos, nada que Adesanya faça causaria mais impacto do que uma vitória sobre Jones - e essa oportunidade pode simplesmente não existir mais em alguns meses.

Três rounds. Dezembro. Os dois já disseram, informalmente, o “sim”. O presidente está a bordo. Não percam essa oportunidade…

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Israel Adesanya pode superar o legado de Anderson Silva?

Renato Rebelo
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| Adesanya 'amassa' Borrachinha, vence fácil e ainda provoca no fim; veja |

Sei que esse talvez não seja o melhor momento para o fã brasileiro de MMA se dobrar às habilidades e às conquistas de Israel Adesanya. 

Afinal, o nigeriano radicado na Nova Zelândia acabou de nocautear de forma brutal uma das maiores promessas que o nosso país produziu nos últimos anos: Paulo Costa, o “Borrachinha”. 

Mas, verdade seja dita: o que o campeão dos médios conquistou em apenas três anos e sete meses dentro do UFC é simplesmente memorável. 

Pra começar, mesmo enfrentando consistentemente os melhores do planeta, o cara segue invicto - e 20-0 num esporte com tantas variáveis, é raro, muito raro. 

Em grandes eventos, apenas Yaroslav Amosov (24-0 e atleta do Bellator) e Khabib Nurmagomedov (28-0 e campeão do UFC) o superam. 

Depois, olhando com calma para o cartel, você vai se dar conta que Adesanya já bateu Marvin Vettori - uma joia da categoria -, Derek Brunson, Anderson Silva, Kelvin Gastelum, Robert Whittaker, Yoel Romero e Paulo “Borrachinha”. 

Ou seja, atravessou um verdadeiro corredor da morte para chegar no topo. 

Claro, quem quiser caçar poréns e asteriscos, vai encontrar - como encontraria no cartel de qualquer ser humano. 

Sim, Anderson Silva não estava no auge, o resultado contra o cubano Romero é contestável, etc. Ainda assim, o nível dos adversários impressiona.


         
     

| No UFC, Adesanya diz quem quer como próximo desafiante ao cinturão e brinca: 'Faremos dessa m... um Naruto x Sasuke' |


E mais: tenho a clara impressão de que o pior já passou - porque os próximos da fila não parecem tão assustadores quanto os supracitados.  

No radar, Jared Cannonier, Jack Hermansson, Darren Till e revanches contra caras que falharam na primeira oportunidade. 

É por causa desse cenário - e pelo fato do rapaz ter apenas 31 anos - que muita gente já o considera uma ameaça real ao legado de Anderson Silva, o maior peso-médio da história do MMA.


         
     

| Adesanya cita Anderson Silva como inspiração para legado no UFC e diz que 'leu' Borrachinha na encarada: 'Forcei a me mostrar a mão dele' |

Se formos falar em números, Adesanya ainda está longe, bem longe. 

O “Spider” defendeu o cinturão da categoria até 84kg por 10 vezes - ostentando-o por 2457 dias, de 2006 a 2013. No total, foram 16 vitórias consecutivas no UFC - sendo três delas como meio-pesado. 

No último sábado, Adesanya, que senta no trono há menos de 365 dias, fez a sua segunda defesa. Ele ainda não se aventurou em outras divisões e, no total, tem nove vitórias consecutivas no maior evento do mundo. 

Até se o papo for sobre contundência, mesmo que o nigeriano tenha carreira mais extensa no kickboxing, Anderson ainda é mais letal no octógono. 


         
     
| Borrachinha se irrita, vê desrespeito de Adesanya após nocaute e pede revanche: 'Vou arrancar a cabeça desse palhaço' |

É bem verdade que a comparação é mais subjetiva do que bater número com número. São lutadores de gerações diferentes e as safras enfrentadas e o grau de dificuldade também precisam ser levados em conta. 

O ponto aqui é que, hoje, a comparação é injusta. Em relação a legado no MMA, os nomes de Adesanya e Anderson Silva ainda não pertencem à mesma frase. 

Agora, considerando a frequência do gringo - que fez nove lutas em cerca de 30 meses - e a forma como ele vem dominando a divisão, se dissesse aqui que ele não tem potencial - e tempo - para virar o número um, estaria louco. 

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Ao promover Michael Chandler, Dana White enche o Bellator de moral

Renato Rebelo
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Michael Chandler, ex-campeão dos leves do Bellator, foi anunciado como a mais nova contratação do UFC nessa semana por Dana White.  A moral com que o wrestler chega ao maior evento de MMA do mundo, inclusive, não tem paralelo na história. 

Chandler já será pago para bater os 70.3kg e disputar o cinturão dos leves no dia 24 de outubro caso algo aconteça com Khabib Nurmagomedov ou Justin Gaethje. 

Se nada acontecer, ele ainda será emparelhado com um desafiante “top”, do naipe de Tony Ferguson, Dustin Poirier ou Conor McGregor.

A pergunta que fica é: por que Chandler tem esse tipo de regalia se, no passado, caras como Eddie Alvarez, Will Brooks (esses dois, inclusive, já bateram Chandler) e Hector Lombard, que deixaram o Bellator ostentando cinturões, não tiveram recepções nem remotamente semelhantes?

Vale lembrar que o campeão dos leves no Bellator é Patrício Pitbull, que nocauteou Chandler em maio de 2019… 

Os motivos são vários. Tem a ver com Dana White mandando um recado para Ferguson e Poirier - que buscam valorização e dificultaram negociações recentes? Tem, claro. 

Mas Chandler também foi considerado o melhor peso-leve do mundo fora do UFC por muito anos e, antes encontrar Patrício no cage circular, detinha a maioria dos recordes e era o maior da história do Bellator. 

Ben Henderson perdeu em batalha épica para Michael Chandler
Ben Henderson perdeu em batalha épica para Michael Chandler Divulgação / Bellator

O “grand finale” no evento de Scott Coker - que foi a implosão do ex-campeão do UFC Ben Henderson - e o fato dele ter rejeitado propostas financeiramente mais vantajosas para fechar com o Ultimate são outros motivos que ajudaram a criar essa tempestade perfeita. 

Não me entendam errado, vejo Chandler fazendo muito barulho no UFC. É um wrestler all-american, com poder de nocaute as duas mãos e que simplesmente não cansa, não tem queda de rendimento em 25 minutos. 

Se vai repetir as façanhas de Eddie Alvarez e Cris Cyborg, as únicas pessoas que vestiram os dois cinturões, não sei. Mas tem potencial pra isso. 

O meu ponto é que, ao promover Chandler dessa maneira logo de cara, Dana White acaba, sem querer, dando bastante crédito ao evento concorrente - e isso apenas semanas depois de ter esnobado a competição.  

Ao longo da história, aliás, esse tipo de contradição é comum. Ou nos esquecemos que o Strikeforce, muito minimizado à época, forneceu ao UFC oito campeões do mundo (Ronda Rousey, Miesha Tate, Cris Cyborg, Robbie Lawler, Tyron Woodley, Luke Rockhold, Fabrício Werdum e Daniel Cormier)?

Como todo bom promotor, Dana White faz bem o papel de valorizar os seus e ignorar os demais, mas, mesmo tentando não dar cartaz a um número dois ainda distante, ao colocar Chandler no exato mesmo posto que ele ocupava no Bellator (o de desafiante número um), é exatamente isso que o dirigente faz. 

Enquanto caras como Charles do Bronx, com 10 anos de casa e vindo de sete vitórias consecutivas, clamam por uma oportunidade como essa, Scott Coker, agradece.

Fonte: Renato Rebelo

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Ao promover Michael Chandler, Dana White enche o Bellator de moral

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Davis vs Machida 2: Lyoto encara Phil Davis na revanche de polêmica luta do UFC

Renato Rebelo
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Nick Diaz e Brock Lesnar: tarde demais

Renato Rebelo
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Nick Diaz (à esq.) e Brock Lesnar (à dir.)
Nick Diaz (à esq.) e Brock Lesnar (à dir.) Getty Images

Num período de apenas sete dias, dois grandes nomes do passado voltaram à pauta no MMA. 

Falo de Brock Lesnar, que não pisa no octógono há mais de quatro anos, e Nick Diaz, inativo há quase seis. 

A real é que o esporte cresceu muito nesse meio tempo e, considerando que a última vitória oficial do peso-pesado foi em 2010 e o meio-médio não tem o braço levantado desde 2011, é possível, inclusive, que parte da base de fãs do UFC sequer tenha boas memórias sobre eles. 

Ainda assim, surge a questão: será que o caras, que já vestiram cinturões mundiais, podem acrescentar tecnicamente num eventual retorno ou estamos falando daquele bom e velho saque no caixa 24 horas de Dana White? 

Lesnar, de 43 anos, já está com o burro na sombra. No WWE, maior evento de pro-wrestling do mundo, o gigante faturou dezenas de milhões de dólares nos últimos anos. 

Acontece que o contrato expirou e ele, wrestler all-american, campeão da primeira divisão da NCAA e ex-campeão do UFC, começou a ser novamente cobiçado pelo mundo do MMA. 

Dana White disse publicamente que se ele e Jon Jones estivessem interessados, moveria montanhas pelo encontro. Scott Coker, presidente do Bellator, também levantou a mão e sinalizou com um duelo contra o lendário Fedor Emelianenko - que o próprio Dana tentou, sem sucesso, tirar do papel em 2012. 

Até o One Championship, via Vitor Belfort, apareceu na conversa. 

Também, pudera. Lesnar é o protagonista em alguns dos maiores pay-per-views da história do MMA. Como traz consigo todo o (enorme) público do WWE, é raro ele não vender, pelo menos, um milhão de pacotes - a 60, 70 dólares cada - nos Estados Unidos. É muita grana para o contratante. 

Mas Brock é astuto. Ele costuma firmar contratos curtos para, justamente, ter que renegociar a todo momento. Quando, naturalmente, pinta essa demanda arrebatadora do MMA, ela leva os números para o bilionário Vince McMahon, dono do WWE, e volta pra lá com um baita aumento. 

A chance de Brock voltar ao MMA, a essa altura do campeonato, precisando ser testado pela USADA (agência antidoping) por, pelo menos, seis meses, portanto, é minúscula.  

Sinceramente? Pra ele, melhor assim. A real é que Bellator e One FC não têm qualquer condição de cobrir uma oferta de Dana White e, apesar de se tratar de aberração da natureza - além de ser ótimo wrestler -, Jon Jones, Stipe Miocic e Daniel Cormier - os potenciais adversários no UFC - o amassariam. 

Pra quê, já com uma certa idade, ser nocauteado perante centenas de milhões de pessoas se você não precisa do dinheiro? Pela adrenalina? Pelo desafio? Nos últimos 10 anos, Dana White tentou trazê-lo de volta várias vezes e só em 2016 com o também coroa (e striker) Mark Hunt no corner oposto foi possível.

Quanto a Nick, o retorno já é bem mais factível. O irmão mais velho de Nathan Diaz, ao contrário de Brock, não faturou milhões de dólares nos últimos anos e teria uma clara motivação financeira por trás da ideia. 

Nick também é mais novo, tem 37 anos. Como é dono de uma academia, irmão de um lutador ativo e compete eventualmente no triatlo, também se supõe que ele manteve o shape durante o hiato. 

Agora, assim como Lesnar, as chances do ex-campeão do Strikeforce voltar para fazer a diferença, desafiar campeões ou coisa do tipo é praticamente nula. 

O Diaz de 2011, excelente boxer e muito habilidoso no chão, mas sem defesa de quedas e tanta força já teria muitas dificuldades para enfrentar a nata da categoria até 77kg, recheada por caras poderosos, como Kamaru Usman, Colby Covington, Gilbert Durinho, Leon Edwards e Tyron Woodley. 

E ainda temos que nos ater à realidade: aquele lutador não existe mais. Se for emparelhado com qualquer um dos citados, a chance de Nick nem ver a cor da bola hoje em dia é grande. 

Aí vem a parte triste da história: Diaz pode muito bem ter aberto mão dos seus seis, sete melhores anos como atleta - e essa juventude não tem como ser recuperada. 

Agora, se trabalhado/promovido da maneira correta, ele pode, sim, acabar tendo uma função importante nesse retorno, uma vez que há narrativas interessantes o circundando. 

Por exemplo, caso o irmão perca de novo para Jorge Masvidal, em janeiro, por quê não tentar vingá-lo? 

Nick emparelhado com outros veteranos, do porte de Donald Cerrone, Anthony Pettis, Rafael dos Anjos e Robbie Lawler também soa divertido. 

E não se esqueçam que ele contra Conor McGregor, o maior rival do seu irmão, com direito a Nate no corner, é, sim, um arrasa-quarteirão (blockbuster). 

Digo, inclusive, que se Khabib Nurmagomedov passar por Justin Gaethje no dia 24 de outubro e, na sequência, se recusar a conceder a revanche imediata pro inimigo irlandês, Nick surge como a melhor opção que o Notório terá sobre a mesa. 

Em suma, Nick Diaz e Brock Lesnar não chegam para mudar o equilíbrio de poder nas suas categorias, mas, como se tratam de caras extremamente populares, há sempre ângulos lucrativos a serem explorados. 

Fonte: Renato Rebelo

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Nick Diaz e Brock Lesnar: tarde demais

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UFC x Bellator: esqueçam qualquer tipo de cooperação

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Na semana passada, Scott Coker, presidente do Bellator, disse que, com a migração de Jon Jones para o peso pesado, o seu evento passaria a ter o melhor plantel do mundo na categoria até 93kg.

Dana White pegou ar, chamou o concorrente de “burro” e lembrou que a maioria dos meio-pesados dele foram liberados pelo UFC.

Patrício Pitbull aproveitou o ensejo para propor uma aposta de 1 milhão de dólares ao presidente do UFC, e Alexander Volkanovski, o outro campeão peso-pena, topou prontamente representar o evento baseado em Las Vegas. 

Esse desafio dominou os noticiários do mundo do MMA na última semana, e até um card fictício com campeões do UFC enfrentando campeões do Bellator rodou bastante nas redes sociais. 

O primeiro diagnóstico que trago é o mais simples: em 12 anos, a diferença do líder de mercado para o vice-líder diminuiu. Nunca foi possível comparar os talentos de um lado com os talentos do outro como é hoje. 

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Pra mim, emparelhando nove campeões, temos, pelo menos, 33% das lutas sem um favorito claro (Pitbull x Volkanovski, Nemkov x Blachowicz ou Reyes e Cyborg x Nunes 2). 

Com isso dito, o UFC ainda é dono de uma fatia descomunal desse mercado (estipula-se que entre 80 e 90%). 

Então, para quem tem qualquer tipo de esperança de ver um esforço conjunto ou co-promoção entre as empresas, pergunto: por que o cara com esse tipo de domínio promoveria um evento cujo nome do principal concorrente seria repetido centenas de vezes para milhões de fãs do UFC - que, em sua maioria, não tem tanta familiaridade com o Bellator? 

Considerem, também, a possibilidade de Dana White ver um dos seus campeões nocauteado. Não acham que o algoz em questão transportaria quilos de fãs para o vizinho em crescimento? 

Nem a possibilidade de faturamento alto com um pay-per-view que venda ao norte de 1 milhão de pacotes justificaria esse tiro no pé. É comprometer o longo prazo em prol do curto. 

Sim, ao longo da história do MMA já vimos algumas cooperações entre grandes eventos. 

O russo M-1 Global estava estampado na jaula do Strikeforce quando Fedor Emelianenko veio lutar no ocidente. O japonês Rizin e o Bellator promovem, até hoje, intercâmbio entre seus lutadores e o próprio Dana White, em tempos de vacas magras (2003), enviou Chuck Liddell para disputar um GP no Pride.

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Sob olhares de Dana White, Cris Cyborg e Amanda Nunes se encaram antes do UFC 232 Getty

Mas notem que, em todos esses casos, não havia competição direta por anunciantes, público ou grade televisiva. Os mercados e os fusos horários são totalmente diferentes. 

E mais: nos Estados Unidos, o Bellator passará a ser transmitido pela gigante CBS a partir de setembro. Isso significa que, em TV aberta, a exposição aumenta e a rixa com o UFC vai pelo mesmo caminho. 

O que Dana White, o líder da corrida, menos vai fazer no momento é dar esse tipo cartaz à concorrência - e a única maneira desse cenário mudar é com o Bellator crescendo exponencialmente por anos a fio.  

Então, sabe aquele card com Ryan Bader x Stipe Miocic, Douglas Lima x Kamaru Usman, etc? Pois é, esqueça…

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UFC x Bellator: esqueçam qualquer tipo de cooperação

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Jon Jones peso-pesado: pensando além do oba-oba

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Jon Jones, o melhor meio-pesado do mundo há pelo menos 9 anos, abriu mão do cinturão do UFC e anunciou que a sua próxima apresentação será como peso-pesado - encerrando, assim, uma das mais longas novelas já transmitidas pelo MMA. 

Acontece que, por ser grande para a categoria até 93kg - dos altos de seus 1,93m de altura e 2,15m de envergadura -, durante todo esse reinado se discutiu essa natural migração. 

Jones sempre se mostrou receptivo à ideia, mas, na hora de assinar o contrato, acabava optando pelo próximo da fila - e pela zona de conforto. 

Não o culpo. O esporte já é suficiente difícil quando você está no seu habitat natural, imagina quando se navega em águas desconhecidas… 

O lance é que, depois de tantos anos no topo, combatendo diferentes gerações, Jones perdeu a motivação para pegar esse próximo da fila. 

Defender o cinturão virou lugar comum e, com tanto capital acumulado, o salário de sempre, também. 

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Além de tudo isso, a nova geração, mais rápida e faminta, quer a sua cabeça numa bandeja e, pelo que vimos contra Dominick Reyes e Thiago Marreta, não vai demorar muito para conseguirem. Pra quê esperar sentado? 

A movimentação de Jones, portanto, cumpre vários objetivos. 1- Injeta ânimo, adrenalina. 2- aumenta a sua bolsa. 3- O bota, pela primeira vez em mais de uma década, na posição de explorador, franco atirador 4- Tira dos seus ombros toda a pressão e a responsabilidade do cargo 5- Lhe proporciona a oportunidade de virar, de forma incontestável, o maior da história do esporte. 

Pra muitos, ele já ocupa esse posto, mas, como surgiram tantos duplos campeões nos últimos anos, a conversa ficou mais subjetiva. 

O ponto é que essa conversão é muito mais complexa do que muita gente imagina. Jon Jones contra a rapaziada que beira 120kg está longe de ser sucesso garantido.

Aquela matemática do MMA (Jones venceu Cormier, que foi campeão dos pesados, portanto, Jones será campeão dos pesados) é uma furada tremenda. 

Em primeiro lugar por que o endomorfo Daniel Cormier é um peso-pesado natural. Ele foi o campeão do GP do Strikeforce, continuou invicto depois de migrar para o UFC e só mudou de faixa de peso por que não queria competir com o amigo Cain Velásquez.

Já o ectomorfo Jones é esguio, tem braços e pernas finas e não acumula tanta gordura. Seu biotipo facilita o corte de peso, ou seja, se pra um bater 93kg é fazer das tripas coração, pro outro, é moleza.

Com boa resistência, baixo percentual de gordura e atlético, Jones atua na casa dos 100, 102kg. E pra peso-pesado é pouco.  

Até caras como Fedor Emelianenko, que é considerado pequeno pra categoria, ou o atual campeão, Stipe Miocic, que chegou bem fino para a trilogia contra Cormier, costumam ficar, pelo menos, de cinco a sete quilos acima disso. 

O próprio Jones, que treinou a vida inteira com pesos-pesados na Jackson’s MMA, já disse publicamente que terá problemas contra adversários de 115 a 125 quilos. 

E esse é exatamente o perfil do desafiante número um da categoria, Francis Ngannou, que não pisa no octógono com menos de 118kg. 

[]

Pra chegar mais perto disso, considerando que os exames antidoping da USADA seguem sendo administrados, Jones tem poucas opções. 

Ele pode, simplesmente, comer como se não houvesse amanhã - e se apresentar mais lento, fora de forma e com menos resistência física. 

Pode focar no treino de força para ganho de massa muscular - e acabar perdendo velocidade, mobilidade e flexibilidade. 

Ou assume o que tem, aparece mais leve do que a média e tentar compensar com agilidade e técnica. 

A armadilha aqui é que muitas vezes focamos em casos de sucesso e esquecemos quantos corpos ficaram pelo caminho. 

Sim, Cormier se deu bem, mas e Alexander Gustafsson, outro rival histórico de Jones, que foi finalizado em dois minutos por Fabrício Werdum? 

E Ovince St-Preux, que fez luta competitiva com Jones no UFC 197 e não passou pelo Ben Rothwell, que sequer é top 15? 

Pesos-pesados são mais lentos, é verdade, mas também são mais difíceis de quedar, resistem mais a golpes e, principalmente, pegam muito mais duro. 

Jones nunca foi nocauteado, mas, também, nunca competiu com homens com 15kg a mais. 

Ele não está no auge, seu amplo domínio na categoria até 93kg não existia mais e não imagino que nos próximos anos ele se apresentará física e tecnicamente melhor em relação ao período de 2011 a 2015.  

É incontestável que falamos de um atleta fora da curva e esses costumam manufaturar rotas para a vitória. Mas as dificuldades serão enormes, podem apostar.

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Jon Jones peso-pesado: pensando além do oba-oba

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O incrível duelo entre Bader e Nemkov e muito mais: por que o Bellator 244 é imperdível

Renato Rebelo
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Fonte: Renato Rebelo

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Dana White está certo: Miocic x Cormier 3 determina o melhor peso-pesado da história do UFC

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Em 26 anos, ninguém defendeu o cinturão dos pesos-pesados mais vezes do que o bombeiro Stipe Miocic. 

Sim, você pode até argumentar que três (defesas) não é um número alto, mas, em categoria cuja principal característica é o poder de fogo, a capacidade de matar com golpes singulares, três é muita coisa. 

Encarada entre Stipe Miocic e Daniel Cormier
Encarada entre Stipe Miocic e Daniel Cormier Getty Images

Cain Velásquez - brecado pelas lesões -, Mark Coleman, Rodrigo Minotauro, Randy Couture ou qualquer outro não tem esse retrospecto. 

E ainda podemos, facilmente, argumentar que o Ultimate nunca teve tantos pesos-pesados no seu plantel e, consequentemente, o nível de concorrência é maior em 2020.  

Miocic, o atual campeão linear, tem três derrotas na carreira. A primeira foi para o desengonçado Stefan Struve, em 2012, quando tinha apenas dois anos dedicados ao esporte. 

(Esse, certamente, é um daqueles momentos “tartaruga no topo da árvore”, que ninguém entende muito bem como aconteceu). 

Cormier e Miocic relembram duelos no UFC e afirmam: primeiras lutas foram as grandes conquistas de suas carreiras


Depois disso, ele levou a pior numa decisão contra o ex-campeão Júnior Cigano. Na revanche, Miocic nocauteou. 

Por último, Daniel Cormier, que o derrubou no UFC 226, com ferro foi ferido no UFC 241. 

E esse cara, que já dividiu o octógono com Alistair Overeem, Francis Ngannou, Fabrício Werdum, Mark Hunt, Cigano e cia aponta DC como o homem mais duro que já enfrentou. 

Pode ser uma questão de encaixe de jogo? Sim, pode. Nesse caso, o cara menor, que dedicou boa parte da carreira à categoria até 93kg, é bem mais rápido, melhor wrestler e parece ter o número do descendente de croatas. 

Trilogia Miocic x Cormier: veja como foi encarada das lendas antes do UFC 252


Mas lembrem-se que Cormier conquistou o GP dos pesados do Strikeforce atropelando o brasileiro Antônio Pezão, que na luta anterior havia nocauteado o lendário Fedor Emelianenko, e o favoritíssimo Josh Barnett, que na época era considerado um dos três melhores do mundo. 

Quando migrou para o UFC, o gordinho ainda não tomou conhecimento dos tops Roy Nelson e Frank Mir - outro ex-campeão da categoria - e, depois de nocautear Miocic em 2018, ainda defendeu o cinturão finalizando Derrick Lewis, que hoje é o número quatro do ranking. 

Se Cormier domina, outra vez, o homem que não tem tanta grife, mas segura todos os recordes da divisão até 120kg, fica muito difícil ignorá-lo. 

Dana White é, em primeira instância, um vendedor. O trampo do cara é promover lutas e valorizar aqueles que estão hoje debaixo do seu guarda-chuva. 

Mas, quando ele vocifera que, após a luta principal do UFC 252, um desses dois se eternizará como o melhor peso-pesado da história do UFC, não tenho como discordar.

Miocic diz que pensa em aposentadoria desde sua 1ª luta no UFC, mas afasta rumores: 'Não sei se chego aos 40, mas estou feliz'

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A grande luta do final de semana! Veja os motivos que fazem a revanche entre Chandler e Henderson ser imperdível

Renato Rebelo
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Khabib Nurmagomedov x Georges St-Pierre: o duelo de titãs

Renato Rebelo
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A frase “Georges St-Pierre é o melhor meio-médio da história do MMA” não é subjetiva, muito menos contestável. 

Digo isso porque, analisando os números, a distância do canadense para o segundo colocado é tão grande que o debate sequer tem início. 

Aliás, esse número dois, que atende pelo nome Matt Hughes, foi finalizado e nocauteado nas duas últimas vezes que enfrentou GSP. 

O cidadão simplesmente pode dizer que jamais dividiu o octógono com alguém que não tenha vencido - afinal, as derrotas para os Matts, Hughes e Serra, foram devolvidas com juros e correção monetária. 

Aos 37, quatro anos depois de anunciar a aposentadoria, ainda decidiu tentar o cinturão da categoria de cima - a até 84kg. 

Foi oportunista? Foi. Michael Bisping era, provavelmente, o campeão dos médios mais vencível e menos intimidador de todos os tempos. 

Mas o cara foi lá, botou a cara e fez história - se tornando, assim, um dos sete indivíduos que vestiram cinturões de duas categorias no maior evento de MMA do mundo. 

Agora, aos 39 anos, ele se encontra a apenas a dois resultados de virar o primeiro triplo campeão que o UFC já viu. 

Digo isso porque a morte do pai de Khabib Nurmagomedov muda o curso da populosa categoria até 70kg. 

Seu Abdulmanap não queria que o filho tivesse uma carreira longa - e absorvesse muitos danos - no MMA. 

Segundo Ali Abdelaziz, empresário do atual campeão linear dos leves, a meta era 30 vitórias, nenhuma derrota e o adeus. 

É até natural que, agora, Khabib se sinta ainda mais compelido a honrar a visão do pai, que nos deixou no dia três de julho. 

Hoje, ele está 28-0 e já tem compromisso firmado com o campeão interino, Justin Gaethje, no UFC 254 do dia 24 de outubro. 

Caso seja bem-sucedido - contra o adversário mais difícil da sua carreira, diga-se de passagem -, o plano para a saideira não é mistério pra ninguém. 

O russo sempre quis se testar contra um dos seus ídolos no esporte: ele mesmo, o lendário Georges St-Pierre. 

[]

O canadense, por sua vez, garante, há anos, que apenas um teste contra o invicto russo o traria de volta. 

Acontece que o presidente Dana White, a terceira e mais forte parte envolvida na negociação, nunca deu a bênção para esse casamento. 

O motivo é simples: GSP prometera ao patrão que, caso vencesse Michael Bisping em 2017, permaneceria na categoria e defenderia o cinturão dos médios. Não foi o que aconteceu.




         
     

Na sua posição, Dana é obrigado a pensar no longo prazo e a possibilidade de deixar outro cinturão vago e, de quebra, manchar o cartel ilibado de um popular campeão não soa como música para os seus ouvidos.

Mas, como seria última luta do Khabib e esse foi o desejo final do Seu Abdulmanap, Dana deu o braço a torcer: “Vou fazer o que o Khabib quiser”, disse à ESPN. 

O próprio GSP, compulsivo e obsessivo confesso, reagiu da seguinte forma a esses novos eventos: “Droga, logo quando achei que teria paz de espírito…”. 

Se passar por Gaethje, Khabib terá feito a sua terceira defesa do cinturão dos leves - empatando recorde histórico de BJ Penn e Ben Henderson. 

Pra mim, considerando o nível de competição, ele já ocuparia, facilmente, o posto de melhor peso-leve da história.   

Se bater GSP, então, ainda desempata esse número e torna a discussão definitivamente obsoleta. 

Sei que muitos fãs começaram a acompanhar o MMA nos últimos sete anos e não dimensionam tão bem o domínio e a eficiência de Georges St-Pierre - que reinou de 2007 a 2013.  

Mas, acreditem em mim quando digo que estaríamos diante de um duelo de titãs. Do ponto de vista técnico, a maior superluta que o esporte já produziu. 

Claro, antes, tem que combinar com o Justin Gaethje, que já deixou o celebrado Tony Ferguson pelo caminho… 

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De Aaron Pico a Sergio Pettis: o que esperar do curto, mas muito interessante Bellator 242

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Demorou, mas o MMA está de volta à ESPN! O Bellator 242 acontece nesta sexta-feira, às 23h (de Brasília), na ESPN.

Serão apenas quatro lutas na Mohegan Sun Arena, em Connecticut. O suficiente para uma noite de bastante entretenimento! Veja o card abaixo e conheça os lutadores!


         
     

BELLATOR 242:

Ricky Bandejas (EUA) x Sergio Pettis (EUA) - galos
Jordan Mein (CAN) x Jason Jackson (JAM) - meio-médios
Tywan Claxton (EUA) x Jay-Jay Wilson (NZL) - penas
Aaron Pico (EUA) x Chris Hatley Jr (EUA) - galos

| Joelhada voadora, apagão instantâneo e mais: os nocautes mais incríveis dos lutadores do Bellator 242 |


         
     
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De Aaron Pico a Sergio Pettis: o que esperar do curto, mas muito interessante Bellator 242

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Deiveson Figueiredo coloca o Brasil novamente no topo do MMA mundial

Renato Rebelo
Renato Rebelo


Há uma crença estabelecida pelo fã brasileiro de MMA mais saudosista de que a nossa “safra” atual de lutadores e lutadoras é ruim. 

Sim, é bem verdade que, em 2012, detínhamos, simultaneamente, quatro cinturões do UFC (Anderson Silva, Júnior Cigano, José Aldo e Renan Barão) e o “Spider” era o lutador número um peso-por-peso. 

Acontece que, oito anos depois, em um Ultimate com adesão global, bem mais multicultural e com direito a uma chinesa e uma quirguistanesa ostentando títulos mundiais, o bolo foi dividido em mais pedaços.

Ainda assim, em 2020, o Brasil segue no topo do quadro de medalhas. 

Se olharmos para o segundo maior evento de MMA do mundo, o Bellator, a realidade não é muito diferente. 

São quatro cinturões em mãos brasileiras (Cris Cyborg, o duplo campeão Patrício Pitbull e Douglas Lima) e apenas três em posse de americanos (o também duplo campeão Ryan Bader e a havaiana Ilima-Lei Macfarlane). 

No UFC, são três medalhas de ouro para o Brasil e duas para os Estados Unidos, Nigéria e Rússia.

Sim, Kamarudeen Usman é cidadão americano, mas o “Pesadelo Nigeriano” optou por representar o país em que nasceu e passou a infância. Mesmo caso de Israel Adesanya, nascido em Lagos, Nigéria, mas criado na Nova Zelândia. 

O Brasil, portanto, apoiado nos feitos da dupla campeã Amanda Nunes e do recém-empossado Deiveson Figueiredo, que barbarizou Joseph Benavidez sábado à noite, é o líder isolado no maior evento de MMA do mundo. 

Deiveson Figueiredo recebe cinturão de Dana White após bater Joseph Benavidez
Deiveson Figueiredo recebe cinturão de Dana White após bater Joseph Benavidez Getty Images

Essa vantagem ainda pode ser expandida, uma vez que Gilbert “Durinho” e Paulo “Borrachinha” são os principais desafiantes nas categorias até 77 e 84kg, respectivamente, e, ao que tudo indica, disputarão esses cinturões ainda em 2020. 

Vale destacar, também, o avanço russo nos últimos anos. Além de Petr Yan e Khabib Nurmagomedov, ostentando os títulos do peso galo e do peso leve, Zabit Magomedsharipov, no peso pena, e Askar Askarov, no peso mosca, estão bem próximos de title shots. 

É inegável que, nos últimos anos, o crescimento da popularidade do esporte foi acompanhado pelo nível de competição dentro dos cages. 

Se lá atrás os brasileiros, pioneiros, tiveram uma vantagem competitiva, hoje o domínio pode não ser exatamente o mesmo, mas, ainda assim, a (criticada) geração atual entrega ótimos resultados.

Fonte: Renato Rebelo

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Com um 'milagre' no sábado, Masvidal vira o novo McGregor

Renato Rebelo
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O resultado positivo para o novo coronavírus que tirou o brasileiro Gilbert Durinho da luta principal do UFC 251 deste sábado colocou o seu substituto, Jorge Masvidal, numa posição de ganha-ganha.
 
A situação emergencial obrigou Dana White a pagar a quantia que o “Jesus das Ruas” vinha pedindo desde janeiro para disputar o cinturão dos meio-médios e, de quebra, por ter topado Kamaru Usman apenas seis dias antes do evento, ele entra como franco-atirador.

Ou seja, a responsabilidade, a pressão está toda no lado do “Pesadelo Nigeriano”, favorito na proporção de quase 4 pra 1 na maioria das casas de apostas.

O favoritismo, obviamente, é justificado. Além da discrepância de preparo - um estava internado nas montanhas do Colorado treinando com o campeão interino dos leves, Justin Gaethje, e o outro bebia tequila e enchia a pança em churrascaria brasileira -, o jogo do desafiante ainda não casa muito bem com o de Usman.

Duas das derrotas mais recentes de Masvidal foram para grapplers - lutadores cujo ponto forte é o jogo de quedas e/ou o trabalho no chão.

Demian Maia e Ben Henderson o derrubaram um total de sete vezes e Usman, além de ser maior, mais forte e mais pesado, também é um wrestler superior a ambos.

Pra quem não sabe, Usman já morou no centro de treinamento olímpico americano pra tentar uma vaga na seleção do país.

A tendência, portanto, é que Masvidal seja fisicamente controlado por boa parte dos cinco rounds e não suporte a força, o ritmo e a pressão do campeão.

O 'bad boy' Masvidal tem chance de ouro em suas mãos
O 'bad boy' Masvidal tem chance de ouro em suas mãos Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images

Mas, se de alguma forma, o veterano conseguir tirar um coelho da cartola, como aquela joelhada voadora que desligou Ben Askren no UFC 239, estaremos diante de um novo fenômeno do UFC.

Obviamente, encontramos poucos paralelos na historia pra esse tipo de realização improvável. Michael Bisping, por exemplo, topou substituir Chris Weidman contra Luke Rockhold, um cara que já lhe havia dominado, com apenas duas semanas de treinos.

Virou campeão dos médios exatamente por que correu esse risco.

Teve, também, o caso de Nate Diaz. Estava num barco fumando com os amigos quando tocou o telefone informando que Rafael dos Anjos havia se lesionado e Conor McGregor precisava de um parceiro de dança.

Graças a essa atitude, ele virou uma das figuras mais populares da história do MMA e viu sua bolsa saltar de cerca de 80 mil dólares para ao norte de sete dígitos.

Masvidal já vem numa crescente incomum. Depois de 16 anos de correria, explodiu em 2019 - quando nocauteou Darren Till, Askren e Diaz.

Só nessa janela de oportunidade, o descendente de cubanos alcançou milhões de seguidores nas redes sociais e virou garoto-propaganda de várias marcas famosas.

Estar exposto à popularidade de Nate Diaz e vestir o primeiro e único cinturão feito para o “Baddest Motherfucker”, entregue pela estrela de Hollywood Dwayne “The Rock” Johnson, definitivamente, o colocou em outro patamar.


         
    

Se virar o campeão linear nessas circunstância, praticamente fora de forma, contra um campeão temido e todas as probabilidades, o céu é o limite.

Gilbert Durinho, que se recupera na Flórida, analisou a situação da seguinte forma em entrevista à ESPN: “Se o Masvidal vencer, a divisão vai virar um circo”.

O que ele quer dizer é: esqueçam, definitivamente, o ranking. A chance do UFC capitalizar em cima de um Masvidal campeão é enorme.

Se a primeira defesa de cinturão não for logo a revanche contra Nate Diaz, como eu disse, o terceiro homem mais popular do MMA hoje, será um encontro com o número 1: Conor McGregor.

A chance de Gilbert Durinho, Leon Edwards ou qualquer outro ranqueado menos popular ser chamado é praticamente nula.

O perfil de bad boy, do cara criado nas ruas, que não leva desaforo pra casa, ainda é aclamado pelo público médio americano, que precisa de apenas mais um motivo pra incluir Masvidal no seleto clube dos 0,1% - aqueles que embolsam dezenas de milhões por aparição.

Fonte: Renato Rebelo

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O UFC não pode abrir mão de Jon Jones e Amanda Nunes

Renato Rebelo
Renato Rebelo

         
     

Amanda Nunes diz o que acha de ser comparada pelo chefe Dana White com Anderson Silva e Jon Jones: 'Mulher também pode fazer história'

Dana White, presidente do UFC há quase 20 anos, é uma das figuras mais controversas e polarizantes da história do MMA.

Ame ou odeie, é difícil dizer que, se ele não tivesse convencido seus amigos bilionários (Frank e Lorenzo Fertitta) a comprarem um evento de vale-tudo falido e marginalizado em 2001, o MMA teria o alcance global que tem hoje.  

E, na opinião desse cidadão, após tantos anos de trabalho, quatro nomes emergem como os mais importantes para o esporte: Royce Gracie, Chuck Liddell, Jon Jones e Amanda Nunes. 

As explicações dele são simples. Royce é o pioneiro, o cara que venceu as quatro primeiras edições e botou o Ultimate no mapa. A narrativa do homem menor e mais leve dominando grandalhões com a técnica ensinada pelo pai foi, simplesmente, arrebatadora. 

Já a mistura de popularidade com carisma e poder de fogo trazida pelo “Homem de Gelo” foi fundamental para virar a mesa num momento difícil (quando as contas ainda não fechavam).

Sem Chuck Liddell, Dana White talvez nem tivesse comprado o UFC. A notícia de que o UFC estava à venda só chegou aos seus ouvidos por que ele era o empresário do Chuck na época. 

Já os casos de Jon Jones e Amanda Nunes são menos subjetivos. É o melhor e a melhor de todos os tempos na opinião do chefe. 

Amanda alcançou esse patamar após 12 anos de carreira e vitórias sobre todas as campeãs até 61 e 66kg que o UFC já teve. 

Já Jon Jones dizimou gerações inteiras de meio-pesados e se mantém no topo de uma categoria historicamente complicada há quase 10 anos. 

Esses dois, que detém boa parte dos recordes masculinos e femininos, ainda têm mais em comum: 1- a mesma idade (32 anos) e 2- a vontade declarada de abandonar precocemente a carreira. 

No futebol dá até pra dizer que um jogador de 32 anos se encaminha para o fim da caminhada, mas, no MMA, essa faixa etária representa o auge em boa parte dos casos. 

E por quê os “G.O.A.T.s” (sigla em inglês que significa “Greatest of all Time”, ou ‘Maior de Todos os Tempos”) estão propensos a tomar essa dura decisão? 

Jones estagnou. Sua rotina é a mesma há tanto tempo que receber o próximo da fila e defender o posto de campeão ficou velho. Não faz mais o sangue ferver. 

A lista de desafiantes famintos, com a faca nos dentes, é grande - e combate-los desmotivado é entregar de mão beijada algo valoroso demais. 

A saída seria o bom e velho doping financeiro, mas, como é ano de pandemia, Dana se recusa a abrir a carteira - nem para uma interessantíssima super luta com o peso-pesado Francis Ngannou. 

Há duas semanas, Jones disse que abriria mão do cinturão até 93kg, mas não houve confirmação oficial, então, tudo leva a crer que as negociações seguem quentes nos bastidores. 

Dana White, Jon Jones e Amanda Nunes durante entrevista coletiva
Dana White, Jon Jones e Amanda Nunes durante entrevista coletiva Getty Images

O racional da Amanda também não é muito diferente. Ela varreu duas categorias, já defendeu ambos os cinturões e não há qualquer opção minimamente interessante no momento. 

Na ponta do lápis, nem Amanda nem Jones são fenômenos de popularidade, daqueles que arrastam multidões pelo mundo. 

Durante todos esses anos, apesar dos resultados, nem um nem outro foi a grande força motriz de um pay-per-view que tenha vendido ao norte de 1 milhão de pacotes. 

Mas não ser campeão de vendas não significa que a empresa deve descartá-los. Pelo contrário. 

Atletas como esses elevam o nível de competição, despertam os instintos mais primitivos na concorrência. Ter um Jon Jones ativo pra incentivar jovens meio-pesados a tiraram, de fato, a sua invencibilidade ou uma Amanda forçando o desenvolvimento das categorias femininas mais pesadas é um privilégio. 

O sarrafo nesse esporte aumentou muito graças a eles e, enquanto for uma questão de pagar um pouco mais, injetar ânimo e proporcionar desafios, é obrigação do promotor resolver essas pendengas na mesa de negociação. Os dois conquistaram esse poder de barganha “na bola”. 

Dana White não chegou nesse patamar sendo ingênuo ou botando os pés pelas mãos. Ele sabe que perder Jones e Nunes representa um duplo prejuízo: técnico e financeiro (afinal, são campeões estabelecidos, propagandeados há anos pelo UFC). 

Então, que tire a Kayla Harrison da PFL, bote Jones na próxima disputa pelo cinturão dos pesados ou qualquer coisa do tipo. Mas traga soluções para a manutenção de ambos.

Fonte: Renato Rebelo

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Por que Anderson Silva x Anthony Pettis não é loucura

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Se eu te dissesse, em agosto de 2016, que no futuro Anthony Pettis entraria em rota de colisão com Anderson Silva, você, provavelmente, me chamaria de louco. 

Isso porque “Showtime” acabara de enfrentar Charles do Bronx com 66kg e o “Spider” havia dividido o octógono com Daniel Cormier um mês antes. 

Acontece que, em 2020, “Showtime” atua regularmente com 77kg e o brasileiro atestou que consegue alcançar 80kg para encontrar Conor McGregor. 

É aí que a ideia, antes utópica, subitamente, virou algo palpável.

Sim, a distância física entre eles é grande. 11cm de altura, 13cm de alcance e pelo menos 10kg na hora do combate.

Mas o americano não está nem aí. 

Desde que entendeu que não era mais competitivo a ponto de disputar cinturões, Pettis se libertou de amarras psicológicas, rankings e passou a perseguir desafios divertidos e intrigantes. 

Claro, de bobo ele não tem nada. Quanto maior o risco, maior a recompensa. Ao invés de levar a bolsa padrão para suar a camisa contra um peso-leve qualquer - interessado em usá-lo como escada -, o cara se coloca na posição de franco-atirador e vai atrás dos Stephens Thompsons, Andersons Silvas, etc. 

Cormier explica lado do UFC, mas diz que 'briga' com McGregor não vale a pena: 'Deixem ele lutar com o Anderson'

O desafio feito por ele - e prontamente aceito por Anderson -, portanto, é pra um duelo com 84kg, ou seja, na teoria, o brasileiro nem precisaria passar perrengue para se adequar a um rival menor. 

Mas acho que deveria por dois motivos. 

1- A parte estética da coisa conta. Pettis com 77kg já fica meio fora de forma, mais lento. Com 84kg temo que ele sequer parecerá ser um lutador profissional. 

2- Exatamente por causa dessa discrepância, Dana White declarou ontem, à ESPN, que “não está louco” por essa luta. 

Entendam: no MMA, não basta dois quererem para haver briga. Um terceiro interessado, o promotor, precisa chancelar. 

O meu ponto é que, mesmo não sendo fã de grandes assimetrias, “mismatches” e “freakshows”, esse casamento não me incomoda tanto por vários motivos. 

O primeiro deles é que o desafio partiu do cara menor, que está ciente dos riscos, mas, mesmo assim, quer se testar. Fosse o caminho inverso, admito que torceria o nariz. 

Anderson Silva fala sobre possível superluta com Conor McGregor: 'Quero o desafio'

A distância entre eles também acaba sendo um pouco mitigada pela diferença de idade (12 anos). Aos 45, Anderson Silva é o lutador mais velho em atividade no UFC e, naturalmente, não goza mais dos mesmos atributos físicos (velocidade, reflexos, resistência, potência…) de outrora.

Considerem, também, que ele acabou de passar por uma intervenção cirúrgica no joelho e seu retorno deve ser mais para o fim do ano. 

Aí entra o pensamento pragmático. O brasileiro tem mais duas lutas no contrato com o UFC e já avisou que vai cumpri-las e depois se aposentar. 

A essa altura do campeonato, emparelhar Anderson com outro Jared Cannonier ou qualquer um que esteja no seu auge físico e técnico é de uma insensibilidade enorme.

Não que o ex-campeão não seria, ao menos, competitivo, mas foge completamente do propósito.   

Ele é o maior peso-médio da história do esporte, foi o grande nome da empresa por muitos anos e merece fechar a carreira com chave de ouro, boas exibições, homenagens e alegrias. 

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O ideal mesmo seria enfrentar alguém em situação compatível. Outros veteranos como Vitor Belfort, Chael Sonnen e Tito Ortiz (os três sem contrato com o UFC) vêm em mente.

Vasculhando o plantel de Dana White, também encontramos opções adequadas. A revanche com Demian Maia (42 anos), a trilogia com Chris Weidman - outro que passou dos 35 anos e tem toda uma história com o brasileiro-, por exemplo. 

Fora isso, pensando em luta-exibição divertida, contra outro striker, o nome de Pettis passa a fazer algum sentido.  

Foi exatamente essa a lógica, a do entretenimento, que pariu Anderson Silva versus o meio-médio Nick Diaz lá em 2015. 

Então, meus amigos, não descartem essa possibilidade… 

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O cara certo na hora certa: 'Durinho' deve lutar pelo cinturão dos meio-médios

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Em julho de 2018, quando foi nocauteado pelo desranqueado Dan Hooker, Gilbert Burns, o “Durinho”, ficou momentaneamente sem perspectiva. 

Com 31 anos (quase 7 dedicados ao MMA), ele simplesmente não conseguia avançar na categoria mais populosa do UFC. 

Diante desse tipo de situação, a maioria dos seus pares desanima e, a partir daí, é ladeira abaixo. 

Mas, felizmente, o campeão mundial de jiu-jítsu, nascido e criado em Niterói, Rio de Janeiro, é um daqueles persistentes, que preferem solucionar problemas a culpar terceiros. 

A primeira reflexão partiu das seguintes perguntas: se eu sou tão dedicado, por que o resultado não vem? Qual é o meu calcanhar de Aquiles? 

O vilão eleito foi o corte de peso. Pra alcançar 70kg, o brasileiro, que chega a pesar 90kg fora de competição, precisava de meses de dieta, desidratação e restrições de todos os tipos. 

A partir de certa altura, os treinos não rendiam mais, ele ficava fraco e, claro, tudo isso mexe com o psicológico. 

Durinho, então, decidiu assumir a estrutura física que Deus lhe deu e atuar na categoria de cima, a até 77kg. Lá, ele teria algumas desvantagens - principalmente, em relação a altura e alcance - mas, ainda assim, decidiu tentar. 

Na estreia já matou no peito um enorme abacaxi: o russo Alexey Kunchenko, invicto em 20 lutas profissionais e ex-campeão do evento M-1 Global. 

Detalhe: o brasileiro foi chamado 10 dias antes do UFC Uruguai para substituir o lesionado Laureano Staropoli. Quantos lutadores topariam essa missão suicida?

Durinho não só topou como "tirou a virgindade" de Kunchenko no MMA. 

Na sequência, mais do mesmo. Faltando 13 dias para o UFC Dinamarca, Thiago Alves, o “Pitbull”, teve um problema físico e se retirou do compromisso com Gunnar Nelson. 

Quem foi chamado para salvar o dia? Sim, Durinho, que solucionaria o quebra-cabeça proposto pelo habilidoso faixa-preta de karatê e de jiu-jítsu.  

Notem que só foi possível aproveitar essas oportunidade porque bater o peso não era mais a principal preocupação. 

As duas vitórias, então, levaram Durinho à 12ª posição no ranking dos meio-médios, mas ele não se deu por satisfeito. 

Como prestou bons serviços - tapando buracos quando ninguém mais apareceu -, desafiou o compatriota Demian Maia - o número 6 da lista - e foi atendido pela empresa.

Gilbert 'Durinho' após a vitória sobre Tyron Woodley no UFC Fight Night em 30 de maio
Gilbert 'Durinho' após a vitória sobre Tyron Woodley no UFC Fight Night em 30 de maio Getty

Nesse momento notamos outra quebra de paradigma. Brasileiro desafiando brasileiro é algo que não costuma ser bem visto por parte do público daqui. 

Felizmente, Durinho não se deixa guiar por esses. O que importa é o desenvolvimento da sua carreira. 

Ele nocauteou Demian Maia em São Paulo e, pela primeira vez no MMA, se estabeleceu como um top mundial. 

Quando a pandemia se instaurou, novas oportunidades - para quem está sempre pronto - apareceram naturalmente. 

O duelo Tyron Woodley x Leon Edwards, que aconteceria em Londres, foi o primeiro cancelado. Edwards, inglês, teria dificuldades para entrar nos Estados Unidos. 

Opa, Woodley é o número 1 do ranking e Durinho mora na Flórida. Seu empresário, Ali Abdelaziz, foi logo acionado para pedir a vaga. 

O ex-campeão torceu o nariz, pois queria um adversário com mais nome. Chegaram a renegociar com Edwards e até um duelo com o falastrão Colby Covington foi ventilado.  

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Mas nenhum desses estava disponível em caráter imediato, e adivinhem qual telefone tocou? 

Durinho teve a melhor atuação da carreira. Fez o antes dominante Woodley de gato e sapato. Venceu todos os rounds, aplicou knockdown, quedou…

Agora, de novo, ele não é exatamente a primeira opção para a próxima disputa pelo cinturão da categoria. 

Jorge Masvidal que, provavelmente, foi o lutador do ano em 2019 - nocauteando Ben Askren, Darren Till e Nate Diaz - é o favorito de Dana White. 

O “Jesus das Ruas” virou “popstar” e o duelo com o atual campeão, Kamaru Usman, é o mais rentável no momento. 

Não podemos nos esquecer, também, que Leon Edwards não morreu. O cara vem de oito vitórias consecutivas.

Colby Covington é outro na jogada. Por mais que este tenha sido nocauteado por Usman há cinco meses, o Ultimate estuda trazer de volta o reality show “The Ultimate Fighter”, e treta manufaturada pra dar audiência é com ele mesmo. 

Acontece que Masvidal quer receber uma bolada para voltar ao batente. São meses e meses de negociações e até agora não há acordo.

Essa semana, inclusive, parece que a corda arrebentou: “Se eu não valho o que estou pedindo, me deixem ir embora. Por que devo aceitar lutar por metade do que ganhei na última luta (contra o Nate Diaz)? Por que o cara (Usman) não é popular? Me deixem ir que vou ver o quanto valho (no mercado)”, disse Jorge no Twitter. 

Edwards segue “preso” na Inglaterra e, pelo visto, a ESPN não embarcou na ideia de trazer de volta o TUF (Dana White disse que o UFC deve produzi-lo para a sua própria plataforma, o “Fight Pass”).

Então, adivinhem qual telefone vai tocar? 

“O Burns já me disse que está pronto, que aceita lutar com o Usman agora, em julho. Eu amo esse tipo de coisa. Quando você é esse tipo de cara, é muito provável que você consiga essa luta”, disse Dana White no podcast do comediante Steve O.

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