O UFC não pode abrir mão de Jon Jones e Amanda Nunes

Renato Rebelo
Renato Rebelo

         
     

Amanda Nunes diz o que acha de ser comparada pelo chefe Dana White com Anderson Silva e Jon Jones: 'Mulher também pode fazer história'

Dana White, presidente do UFC há quase 20 anos, é uma das figuras mais controversas e polarizantes da história do MMA.

Ame ou odeie, é difícil dizer que, se ele não tivesse convencido seus amigos bilionários (Frank e Lorenzo Fertitta) a comprarem um evento de vale-tudo falido e marginalizado em 2001, o MMA teria o alcance global que tem hoje.  

E, na opinião desse cidadão, após tantos anos de trabalho, quatro nomes emergem como os mais importantes para o esporte: Royce Gracie, Chuck Liddell, Jon Jones e Amanda Nunes. 

As explicações dele são simples. Royce é o pioneiro, o cara que venceu as quatro primeiras edições e botou o Ultimate no mapa. A narrativa do homem menor e mais leve dominando grandalhões com a técnica ensinada pelo pai foi, simplesmente, arrebatadora. 

Já a mistura de popularidade com carisma e poder de fogo trazida pelo “Homem de Gelo” foi fundamental para virar a mesa num momento difícil (quando as contas ainda não fechavam).

Sem Chuck Liddell, Dana White talvez nem tivesse comprado o UFC. A notícia de que o UFC estava à venda só chegou aos seus ouvidos por que ele era o empresário do Chuck na época. 

Já os casos de Jon Jones e Amanda Nunes são menos subjetivos. É o melhor e a melhor de todos os tempos na opinião do chefe. 

Amanda alcançou esse patamar após 12 anos de carreira e vitórias sobre todas as campeãs até 61 e 66kg que o UFC já teve. 

Já Jon Jones dizimou gerações inteiras de meio-pesados e se mantém no topo de uma categoria historicamente complicada há quase 10 anos. 

Esses dois, que detém boa parte dos recordes masculinos e femininos, ainda têm mais em comum: 1- a mesma idade (32 anos) e 2- a vontade declarada de abandonar precocemente a carreira. 

No futebol dá até pra dizer que um jogador de 32 anos se encaminha para o fim da caminhada, mas, no MMA, essa faixa etária representa o auge em boa parte dos casos. 

E por quê os “G.O.A.T.s” (sigla em inglês que significa “Greatest of all Time”, ou ‘Maior de Todos os Tempos”) estão propensos a tomar essa dura decisão? 

Jones estagnou. Sua rotina é a mesma há tanto tempo que receber o próximo da fila e defender o posto de campeão ficou velho. Não faz mais o sangue ferver. 

A lista de desafiantes famintos, com a faca nos dentes, é grande - e combate-los desmotivado é entregar de mão beijada algo valoroso demais. 

A saída seria o bom e velho doping financeiro, mas, como é ano de pandemia, Dana se recusa a abrir a carteira - nem para uma interessantíssima super luta com o peso-pesado Francis Ngannou. 

Há duas semanas, Jones disse que abriria mão do cinturão até 93kg, mas não houve confirmação oficial, então, tudo leva a crer que as negociações seguem quentes nos bastidores. 

Dana White, Jon Jones e Amanda Nunes durante entrevista coletiva
Dana White, Jon Jones e Amanda Nunes durante entrevista coletiva Getty Images

O racional da Amanda também não é muito diferente. Ela varreu duas categorias, já defendeu ambos os cinturões e não há qualquer opção minimamente interessante no momento. 

Na ponta do lápis, nem Amanda nem Jones são fenômenos de popularidade, daqueles que arrastam multidões pelo mundo. 

Durante todos esses anos, apesar dos resultados, nem um nem outro foi a grande força motriz de um pay-per-view que tenha vendido ao norte de 1 milhão de pacotes. 

Mas não ser campeão de vendas não significa que a empresa deve descartá-los. Pelo contrário. 

Atletas como esses elevam o nível de competição, despertam os instintos mais primitivos na concorrência. Ter um Jon Jones ativo pra incentivar jovens meio-pesados a tiraram, de fato, a sua invencibilidade ou uma Amanda forçando o desenvolvimento das categorias femininas mais pesadas é um privilégio. 

O sarrafo nesse esporte aumentou muito graças a eles e, enquanto for uma questão de pagar um pouco mais, injetar ânimo e proporcionar desafios, é obrigação do promotor resolver essas pendengas na mesa de negociação. Os dois conquistaram esse poder de barganha “na bola”. 

Dana White não chegou nesse patamar sendo ingênuo ou botando os pés pelas mãos. Ele sabe que perder Jones e Nunes representa um duplo prejuízo: técnico e financeiro (afinal, são campeões estabelecidos, propagandeados há anos pelo UFC). 

Então, que tire a Kayla Harrison da PFL, bote Jones na próxima disputa pelo cinturão dos pesados ou qualquer coisa do tipo. Mas traga soluções para a manutenção de ambos.

Fonte: Renato Rebelo

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Com um 'milagre' no sábado, Masvidal vira o novo McGregor

Renato Rebelo
Renato Rebelo

         
    

O resultado positivo para o novo coronavírus que tirou o brasileiro Gilbert Durinho da luta principal do UFC 251 deste sábado colocou o seu substituto, Jorge Masvidal, numa posição de ganha-ganha.
 
A situação emergencial obrigou Dana White a pagar a quantia que o “Jesus das Ruas” vinha pedindo desde janeiro para disputar o cinturão dos meio-médios e, de quebra, por ter topado Kamaru Usman apenas seis dias antes do evento, ele entra como franco-atirador.

Ou seja, a responsabilidade, a pressão está toda no lado do “Pesadelo Nigeriano”, favorito na proporção de quase 4 pra 1 na maioria das casas de apostas.

O favoritismo, obviamente, é justificado. Além da discrepância de preparo - um estava internado nas montanhas do Colorado treinando com o campeão interino dos leves, Justin Gaethje, e o outro bebia tequila e enchia a pança em churrascaria brasileira -, o jogo do desafiante ainda não casa muito bem com o de Usman.

Duas das derrotas mais recentes de Masvidal foram para grapplers - lutadores cujo ponto forte é o jogo de quedas e/ou o trabalho no chão.

Demian Maia e Ben Henderson o derrubaram um total de sete vezes e Usman, além de ser maior, mais forte e mais pesado, também é um wrestler superior a ambos.

Pra quem não sabe, Usman já morou no centro de treinamento olímpico americano pra tentar uma vaga na seleção do país.

A tendência, portanto, é que Masvidal seja fisicamente controlado por boa parte dos cinco rounds e não suporte a força, o ritmo e a pressão do campeão.

O 'bad boy' Masvidal tem chance de ouro em suas mãos
O 'bad boy' Masvidal tem chance de ouro em suas mãos Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images

Mas, se de alguma forma, o veterano conseguir tirar um coelho da cartola, como aquela joelhada voadora que desligou Ben Askren no UFC 239, estaremos diante de um novo fenômeno do UFC.

Obviamente, encontramos poucos paralelos na historia pra esse tipo de realização improvável. Michael Bisping, por exemplo, topou substituir Chris Weidman contra Luke Rockhold, um cara que já lhe havia dominado, com apenas duas semanas de treinos.

Virou campeão dos médios exatamente por que correu esse risco.

Teve, também, o caso de Nate Diaz. Estava num barco fumando com os amigos quando tocou o telefone informando que Rafael dos Anjos havia se lesionado e Conor McGregor precisava de um parceiro de dança.

Graças a essa atitude, ele virou uma das figuras mais populares da história do MMA e viu sua bolsa saltar de cerca de 80 mil dólares para ao norte de sete dígitos.

Masvidal já vem numa crescente incomum. Depois de 16 anos de correria, explodiu em 2019 - quando nocauteou Darren Till, Askren e Diaz.

Só nessa janela de oportunidade, o descendente de cubanos alcançou milhões de seguidores nas redes sociais e virou garoto-propaganda de várias marcas famosas.

Estar exposto à popularidade de Nate Diaz e vestir o primeiro e único cinturão feito para o “Baddest Motherfucker”, entregue pela estrela de Hollywood Dwayne “The Rock” Johnson, definitivamente, o colocou em outro patamar.


         
    

Se virar o campeão linear nessas circunstância, praticamente fora de forma, contra um campeão temido e todas as probabilidades, o céu é o limite.

Gilbert Durinho, que se recupera na Flórida, analisou a situação da seguinte forma em entrevista à ESPN: “Se o Masvidal vencer, a divisão vai virar um circo”.

O que ele quer dizer é: esqueçam, definitivamente, o ranking. A chance do UFC capitalizar em cima de um Masvidal campeão é enorme.

Se a primeira defesa de cinturão não for logo a revanche contra Nate Diaz, como eu disse, o terceiro homem mais popular do MMA hoje, será um encontro com o número 1: Conor McGregor.

A chance de Gilbert Durinho, Leon Edwards ou qualquer outro ranqueado menos popular ser chamado é praticamente nula.

O perfil de bad boy, do cara criado nas ruas, que não leva desaforo pra casa, ainda é aclamado pelo público médio americano, que precisa de apenas mais um motivo pra incluir Masvidal no seleto clube dos 0,1% - aqueles que embolsam dezenas de milhões por aparição.

Fonte: Renato Rebelo

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Sem o pai, Khabib Nurmagomedov nunca mais será o mesmo

Renato Rebelo
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khabib nurmagomedov
khabib nurmagomedov ESPN.com.br

Seu Abdulmanap Nurmagomedov acumulava cargos na vida do filho, o campeão peso-leve do UFC, Khabib Nurmagomedov. Era pai, principal treinador, ídolo maior, melhor amigo… Era o norte.  

Pra entender a simbiose entre eles, considerem que o próprio caçula era o aluno mais bem-sucedido entre dezenas de campeões de sambo e wrestling que o coroa forjou e, como manda a tradição no Daguestão, o filho mais novo mora com os pais até o último dia de suas vidas. 

A partida precoce de Abdulmanap, que faleceu com apenas 57 anos, vítima de problemas cardíacos agravados pelo coronavírus, sem nenhuma dúvida, deixa marcas profundas na vida não só do homem, mas, também, do atleta que faz aquela que pode ser a luta mais difícil da sua carreira em pouco mais de dois meses. 

É claro que Khabib, de 31 anos, é um homem formado, com todos os conceitos e ideias do pai cimentados dentro dele. 

Tem também todo aquele lance do homem do Cáucaso, russo, muçulmano ser frio, pouco emotivo, capaz de suportar qualquer suplício. 

Ele pode esconder emoções, internalizar, seguir treinando diariamente, como vinha fazendo (mesmo com o pai em estado crítico).

Acontece que o ser humano não funciona dessa forma. Não é por que a gente não vê que não existe ali um luto enorme, esmagador. 

Não acho que ele vai abandonar a carreira ou coisa do tipo, afinal, Khabib não sabe fazer outra coisa. Desde que se entende por gente, foi doutrinado pelo pai a treinar, pelo menos, duas vezes por dia. 

Certamente, haverá, também, alguma obrigação moral de honrar a memória do coroa, levar seu nome adiante e seguir trabalhando. 

Mas, ao mesmo tempo, Khabib pode ficar deprimido, isolado, estressado, ansioso, enfim, somatizar essa dor de maneiras diferentes. 

Se hábitos simples forem afetados, com sono e alimentação, a imunidade do cara pode baixar e complicar qualquer tipo de corte de peso ou desempenho esportivo. 

Enquanto isso, Justin Gaethje, outro que dedicou a vida à luta, treina diariamente com seu novo parceiro de treinos, Kamaru Usman, campeão dos meio-médios. 

Não acho que Khabib vá pedir adiamento ou coisa do tipo. Ele mesmo interpretaria isso como um sinal de fraqueza e recusaria.

Mas basta ter um pouco de sensibilidade para entender que seguir em frente com a luta no dia 19 de setembro não é a melhor decisão a se tomar no momento.  

Faz Conor McGregor x Justin Gaethje pelo cinturão interino e poupa o cara, dá um tempo maior pra lidar com essa angústia. 

Pra quem ainda não assimilou a influência desse pai presente, que moldou o caráter do filho, basta ler essa rara demonstração pública de afeto em coletiva de imprensa, antes do encontro com Dustin Poirier: 

"Vocês não entendem como eu amo o meu pai. Eu tenho saudade dele sempre. Por mim, pararia de falar sobre essa luta e falaria só sobre o meu pai”.

Após bater Al Iaquinta e vestir o cinturão dos leves, a primeira coisa que ele disse no microfone de Joe Rogan foi: 

“Estou muito triste porque todo o meu time está aqui e meu pai não está. E tudo isso aqui é graças ao meu pai". 

(Seu Abdulmanap, também muçulmano, tinha dificuldade pra conseguir o visto americano e não pôde acompanhar o filho na maioria das lutas). 

E tem mais: além da tristeza e do vazio, Khabib perde também uma figura de comando, pois ele obedecia o pai, mesmo que não concordasse com a ordem. 

Na luta contra Poirier, por exemplo, o campeão confessou que queria testar o seu kickboxing, para provar que evoluiu no setor. 

Como esse duelo foi em Abu Dhabi e seu pai estava no corner pedindo a queda, Khabib foi pragmático e fez o que faz de melhor. 

Essa sutil diferença pode ser determinante para uma derrota ou uma vitória. Separa um cara que é 28-0 no MMA de outro que nunca recebeu um title shot. 

Entendo que o russo nutre um carinho especial por Javier Mendez, líder da American Kickboxing Academy, sua base nos Estados Unidos.

Mas ele não é o seu pai. Não o alimentou e nem ensinou as lições mais fundamentais sobre vida, respeito, hierarquia e honra. Será que Khabib o seguiria cegamente? 

A perda é imensa. Foi-se a fortaleza, a referência.

Ele pode até seguir o calendário, vencer Justin Gaethje e manter o cinturão, mas, certamente, nunca será o mesmo. 

Que Seu Abdulmanap, o “Pai do MMA no Daguestão”, descanse em paz.

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Por que Anderson Silva x Anthony Pettis não é loucura

Renato Rebelo
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Se eu te dissesse, em agosto de 2016, que no futuro Anthony Pettis entraria em rota de colisão com Anderson Silva, você, provavelmente, me chamaria de louco. 

Isso porque “Showtime” acabara de enfrentar Charles do Bronx com 66kg e o “Spider” havia dividido o octógono com Daniel Cormier um mês antes. 

Acontece que, em 2020, “Showtime” atua regularmente com 77kg e o brasileiro atestou que consegue alcançar 80kg para encontrar Conor McGregor. 

É aí que a ideia, antes utópica, subitamente, virou algo palpável.

Sim, a distância física entre eles é grande. 11cm de altura, 13cm de alcance e pelo menos 10kg na hora do combate.

Mas o americano não está nem aí. 

Desde que entendeu que não era mais competitivo a ponto de disputar cinturões, Pettis se libertou de amarras psicológicas, rankings e passou a perseguir desafios divertidos e intrigantes. 

Claro, de bobo ele não tem nada. Quanto maior o risco, maior a recompensa. Ao invés de levar a bolsa padrão para suar a camisa contra um peso-leve qualquer - interessado em usá-lo como escada -, o cara se coloca na posição de franco-atirador e vai atrás dos Stephens Thompsons, Andersons Silvas, etc. 

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O desafio feito por ele - e prontamente aceito por Anderson -, portanto, é pra um duelo com 84kg, ou seja, na teoria, o brasileiro nem precisaria passar perrengue para se adequar a um rival menor. 

Mas acho que deveria por dois motivos. 

1- A parte estética da coisa conta. Pettis com 77kg já fica meio fora de forma, mais lento. Com 84kg temo que ele sequer parecerá ser um lutador profissional. 

2- Exatamente por causa dessa discrepância, Dana White declarou ontem, à ESPN, que “não está louco” por essa luta. 

Entendam: no MMA, não basta dois quererem para haver briga. Um terceiro interessado, o promotor, precisa chancelar. 

O meu ponto é que, mesmo não sendo fã de grandes assimetrias, “mismatches” e “freakshows”, esse casamento não me incomoda tanto por vários motivos. 

O primeiro deles é que o desafio partiu do cara menor, que está ciente dos riscos, mas, mesmo assim, quer se testar. Fosse o caminho inverso, admito que torceria o nariz. 

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A distância entre eles também acaba sendo um pouco mitigada pela diferença de idade (12 anos). Aos 45, Anderson Silva é o lutador mais velho em atividade no UFC e, naturalmente, não goza mais dos mesmos atributos físicos (velocidade, reflexos, resistência, potência…) de outrora.

Considerem, também, que ele acabou de passar por uma intervenção cirúrgica no joelho e seu retorno deve ser mais para o fim do ano. 

Aí entra o pensamento pragmático. O brasileiro tem mais duas lutas no contrato com o UFC e já avisou que vai cumpri-las e depois se aposentar. 

A essa altura do campeonato, emparelhar Anderson com outro Jared Cannonier ou qualquer um que esteja no seu auge físico e técnico é de uma insensibilidade enorme.

Não que o ex-campeão não seria, ao menos, competitivo, mas foge completamente do propósito.   

Ele é o maior peso-médio da história do esporte, foi o grande nome da empresa por muitos anos e merece fechar a carreira com chave de ouro, boas exibições, homenagens e alegrias. 

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O ideal mesmo seria enfrentar alguém em situação compatível. Outros veteranos como Vitor Belfort, Chael Sonnen e Tito Ortiz (os três sem contrato com o UFC) vêm em mente.

Vasculhando o plantel de Dana White, também encontramos opções adequadas. A revanche com Demian Maia (42 anos), a trilogia com Chris Weidman - outro que passou dos 35 anos e tem toda uma história com o brasileiro-, por exemplo. 

Fora isso, pensando em luta-exibição divertida, contra outro striker, o nome de Pettis passa a fazer algum sentido.  

Foi exatamente essa a lógica, a do entretenimento, que pariu Anderson Silva versus o meio-médio Nick Diaz lá em 2015. 

Então, meus amigos, não descartem essa possibilidade… 

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O cara certo na hora certa: 'Durinho' deve lutar pelo cinturão dos meio-médios

Renato Rebelo
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Em julho de 2018, quando foi nocauteado pelo desranqueado Dan Hooker, Gilbert Burns, o “Durinho”, ficou momentaneamente sem perspectiva. 

Com 31 anos (quase 7 dedicados ao MMA), ele simplesmente não conseguia avançar na categoria mais populosa do UFC. 

Diante desse tipo de situação, a maioria dos seus pares desanima e, a partir daí, é ladeira abaixo. 

Mas, felizmente, o campeão mundial de jiu-jítsu, nascido e criado em Niterói, Rio de Janeiro, é um daqueles persistentes, que preferem solucionar problemas a culpar terceiros. 

A primeira reflexão partiu das seguintes perguntas: se eu sou tão dedicado, por que o resultado não vem? Qual é o meu calcanhar de Aquiles? 

O vilão eleito foi o corte de peso. Pra alcançar 70kg, o brasileiro, que chega a pesar 90kg fora de competição, precisava de meses de dieta, desidratação e restrições de todos os tipos. 

A partir de certa altura, os treinos não rendiam mais, ele ficava fraco e, claro, tudo isso mexe com o psicológico. 

Durinho, então, decidiu assumir a estrutura física que Deus lhe deu e atuar na categoria de cima, a até 77kg. Lá, ele teria algumas desvantagens - principalmente, em relação a altura e alcance - mas, ainda assim, decidiu tentar. 

Na estreia já matou no peito um enorme abacaxi: o russo Alexey Kunchenko, invicto em 20 lutas profissionais e ex-campeão do evento M-1 Global. 

Detalhe: o brasileiro foi chamado 10 dias antes do UFC Uruguai para substituir o lesionado Laureano Staropoli. Quantos lutadores topariam essa missão suicida?

Durinho não só topou como "tirou a virgindade" de Kunchenko no MMA. 

Na sequência, mais do mesmo. Faltando 13 dias para o UFC Dinamarca, Thiago Alves, o “Pitbull”, teve um problema físico e se retirou do compromisso com Gunnar Nelson. 

Quem foi chamado para salvar o dia? Sim, Durinho, que solucionaria o quebra-cabeça proposto pelo habilidoso faixa-preta de karatê e de jiu-jítsu.  

Notem que só foi possível aproveitar essas oportunidade porque bater o peso não era mais a principal preocupação. 

As duas vitórias, então, levaram Durinho à 12ª posição no ranking dos meio-médios, mas ele não se deu por satisfeito. 

Como prestou bons serviços - tapando buracos quando ninguém mais apareceu -, desafiou o compatriota Demian Maia - o número 6 da lista - e foi atendido pela empresa.

Gilbert 'Durinho' após a vitória sobre Tyron Woodley no UFC Fight Night em 30 de maio
Gilbert 'Durinho' após a vitória sobre Tyron Woodley no UFC Fight Night em 30 de maio Getty

Nesse momento notamos outra quebra de paradigma. Brasileiro desafiando brasileiro é algo que não costuma ser bem visto por parte do público daqui. 

Felizmente, Durinho não se deixa guiar por esses. O que importa é o desenvolvimento da sua carreira. 

Ele nocauteou Demian Maia em São Paulo e, pela primeira vez no MMA, se estabeleceu como um top mundial. 

Quando a pandemia se instaurou, novas oportunidades - para quem está sempre pronto - apareceram naturalmente. 

O duelo Tyron Woodley x Leon Edwards, que aconteceria em Londres, foi o primeiro cancelado. Edwards, inglês, teria dificuldades para entrar nos Estados Unidos. 

Opa, Woodley é o número 1 do ranking e Durinho mora na Flórida. Seu empresário, Ali Abdelaziz, foi logo acionado para pedir a vaga. 

O ex-campeão torceu o nariz, pois queria um adversário com mais nome. Chegaram a renegociar com Edwards e até um duelo com o falastrão Colby Covington foi ventilado.  

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Mas nenhum desses estava disponível em caráter imediato, e adivinhem qual telefone tocou? 

Durinho teve a melhor atuação da carreira. Fez o antes dominante Woodley de gato e sapato. Venceu todos os rounds, aplicou knockdown, quedou…

Agora, de novo, ele não é exatamente a primeira opção para a próxima disputa pelo cinturão da categoria. 

Jorge Masvidal que, provavelmente, foi o lutador do ano em 2019 - nocauteando Ben Askren, Darren Till e Nate Diaz - é o favorito de Dana White. 

O “Jesus das Ruas” virou “popstar” e o duelo com o atual campeão, Kamaru Usman, é o mais rentável no momento. 

Não podemos nos esquecer, também, que Leon Edwards não morreu. O cara vem de oito vitórias consecutivas.

Colby Covington é outro na jogada. Por mais que este tenha sido nocauteado por Usman há cinco meses, o Ultimate estuda trazer de volta o reality show “The Ultimate Fighter”, e treta manufaturada pra dar audiência é com ele mesmo. 

Acontece que Masvidal quer receber uma bolada para voltar ao batente. São meses e meses de negociações e até agora não há acordo.

Essa semana, inclusive, parece que a corda arrebentou: “Se eu não valho o que estou pedindo, me deixem ir embora. Por que devo aceitar lutar por metade do que ganhei na última luta (contra o Nate Diaz)? Por que o cara (Usman) não é popular? Me deixem ir que vou ver o quanto valho (no mercado)”, disse Jorge no Twitter. 

Edwards segue “preso” na Inglaterra e, pelo visto, a ESPN não embarcou na ideia de trazer de volta o TUF (Dana White disse que o UFC deve produzi-lo para a sua própria plataforma, o “Fight Pass”).

Então, adivinhem qual telefone vai tocar? 

“O Burns já me disse que está pronto, que aceita lutar com o Usman agora, em julho. Eu amo esse tipo de coisa. Quando você é esse tipo de cara, é muito provável que você consiga essa luta”, disse Dana White no podcast do comediante Steve O.

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Por que Mike Tyson pode acabar enfrentando Wanderlei Silva ou outro lutador de MMA

Renato Rebelo
Renato Rebelo

| Os treinos absurdos de Mike Tyson aos 53 anos de idade |

Não tenho a mínima dúvida de que um terceiro encontro entre Mike Tyson e Evander Holyfield ganharia contornos de evento global, aguçaria a curiosidade das massas e desafiaria o recorde de 4.6 milhões de pacotes pay-per-views estabelecido por Floyd Mayweather e Manny Pacquiao nos Estados Unidos. 

Ainda assim, é preciso notar que atravessamos tempos difíceis, de contenção de despesas, retração econômica e queima de capital. 

Quanto os promotores poderiam cobrar por uma luta exibição entre dois homens de mais de 50 anos num país em que 20 milhões de empregos evaporaram em dois meses? 

Ao mesmo tempo, estamos falando sobre dois dos maiores pesos-pesados da história. Gigantes não só por conquistas esportivas, mas por trajetórias, carisma e personalidades mundialmente reconhecidas. 

Quanto Tyson e Holyfield cobrariam por 5 rounds de trabalho a essa altura do campeonato? 

| Holyfield 'imita' Tyson e confirma volta ao boxe aos 57 anos de idade: 'Estou de volta |

Considerem que eles já faziam cerca US$ 30 milhões em 1997 e hoje um peso-pesado como o Anthony Joshua, que não tem o alcance global da dupla, cobra US$ 60 milhões pelo serviço.

É tudo uma questão de viabilidade econômica e, num mundo devastado pelo coronavírus, até os maiores tomadores de risco tendem a botar a viola no saco e evitar aventuras envolvendo grandes somas. 

Investir 10 para captar 9, definitivamente, não é o objetivo de quem cogita investir na ideia. 

Sendo assim, outra linha de raciocínio emergiu. Ora, o retorno do “Homem de Ferro” por si só é um evento polarizante, então, por que não optar por um parceiro de dança mais em conta? 

Lembrem-se que os US$ 33 milhões que “The Real Deal” embolsou 1997 foi a maior bolsa paga a um atleta até 2007.  

E mais: trazendo alguém de outra modalidade para um ringue de boxe (leia-se: facilitando o trabalho do Tyson) rola até um descontinho. E é aí que entram em cena os lutadores de MMA.  

A verdade é que o MMA é um esporte jovem e nenhum dos nossos aposentados tem a expressividade de um Mike Tyson ou de um Evander Holyfield. 

| Mike Tyson esbanja físico e agilidade monstruosos e manda recado para chineses: 'Volto com a força de Mao'|

Conor McGregor, lutador mais popular e mais bem pago da história dessa modalidade, foi o “lado B” na luta contra Floyd Mayweather (e tenho cá minhas dúvidas se “Money” tem mais alcance do que Tyson). 

Tito Ortiz, ex-campeão do UFC, garante que pessoas do staff de Tyson entraram em contato recentemente. Ele nem striker é.  

Wanderlei Silva, campeão do extinto Pride, chegou a afirmar que há, na mesa, uma proposta de US$ 10 milhões pra ele e US$ 20 milhões para o Tyson. O interessado é o Bare Knuckle Fighting Championship, aquele evento de boxe sem luvas. 

Detalhe: o Bellator declarou à Comissão Atlética da Califórnia que pagou US$ 200 mil ao “Cachorro Louco” pela quarta luta contra “Rampage” Jackson. 

Caso um deles seja o escolhido - e não outro pugilista, como Shannon Briggs, por exemplo -, ainda há um bônus: o engajamento do público do MMA, que não é necessariamente o mesmo do boxe. 

Portanto, não se assustem caso um nome como Tito Ortiz, Chuck Liddell, Quinton Jackson ou Wanderlei Silva apareça do outro lado do ringue no retorno da “Besta do Brooklyn”. 

Por mais que faça pouco sentido do ponto de vista esportivo e soe até como algo desigual e injusto, por ora, eles estão sendo vistos como bons, bonitos e baratos. 

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Ronda Rousey x Cris Cyborg: quem venceria no auge?

Renato Rebelo
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Pelo menos nove em cada dez fãs de MMA sonharam em ver o tão esperado duelo entre Ronda Rousey e Cris Cyborg.

Só que a norte-americana não quis subir de categoria, a brasileira não conseguia perder mais peso e o combate nunca saiu do mundo dos sonhos.

Mas e se elas tivessem se enfrentado nos seus auges? O que aconteceria? Veja minha análise no vídeo abaixo!

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Vitória de Justin Gaethje não é boa notícia para Khabib Nurmagomedov

Renato Rebelo
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| Após vencer cinturão interino no UFC 249, Gaethje diz quando estaria pronto para enfrentar Khabib Nurmagomedov |


Por um lado, a derrota acachapante de Tony Ferguson no UFC 249 pode ter trazido algum tipo de alívio ao campeão dos leves, Khabib Nurmagomedov. 

Afinal, trata-se de uma rivalidade antiga, que aflora no russo os seus instintos mais primitivos. “El Cucuy”, de fato, tinha o dom de tirá-lo dos eixos com o seu jeitão heterodoxo. 

Sem contar, também, que, do ponto de vista técnico, o americano representa um grande desafio para Khabib - uma vez que ele tem o wrestling como base, jiu-jítsu agressivo - com pernas e braços compridos -, trocação superior e não cansa. 

Agora, engana-se quem pensa que “A Águia” se esquivou da bala de prata e vem coisa muito melhor por aí.

Justin Gaethje, campeão interino desde o último sábado, é encaixe tão ruim quanto ou ainda pior do que Ferguson. 

A lógica é a seguinte: ser dotado de sistema de defesa de quedas bom o suficiente para evitar - ou pelo menos mitigar - os efeitos de um wrestling implacável é premissa básica para destronar do rei dos leves. 

| Sonnen explica como Gaethje surpreendeu com conservadorismo, e Felder concorda: 'Performance magistral' |

No dia 23 de abril de 2019, lancei um vídeo no meu canal no Youtube, o Sexto Round, entitulado “O algoz de Khabib Nurmagomedov”. Nele, sugeri que, dentre os mais de 100 contratados para a categoria até 70,3kg, apenas três tinham jogo para vencê-lo: Tony Ferguson, Justin Gaethje e Gregor Gillespie. 

Isso porque Gaethje e Gillespie eram os wrestlers mais condecorados da divisão naquela altura (Mark Madsen, vice-campeão olímpico de luta greco-romana, ainda não tinha estreado). 

Gaethje foi um fenômeno no ensino médio (191 vitórias e 9 derrotas) e, no nível colegial, alcançou o status de “all american” - ou seja, terminou a temporada entre os oito melhores do país na sua faixa de peso. 

Já Gillespie não foi apenas quatro vezes “all american”, mas também conquistou o título da primeira divisão da NCAA.

Gillespie acabou ficando pelo caminho após ser nocauteado por Kevin Lee, colega wrestler, mas com trocação (bem) mais desenvolvida. 

O cara ainda é pequeno para essa categoria e também não demonstra muito apego pela carreira no MMA. Não é raro ele deixar subentendido que não é fã do esporte e essa foi apenas uma maneira de prolongar a vida de lutador e ganhar uns trocos. 

| Arquibancadas vazias, máscara, distância e limpeza de octógono: as imagens mais diferentes do UFC 249 |

Agora, Gaethje entrou de cabeça e é o campeão interino, o próximo da fila. É um cara grande e forte para o peso leve e com mais de 20 anos dedicados exclusivamente às quedas. 

É, de longe, o wrestler de mais gabarito que Khabib terá enfrentado no ocidente. 

Notem: o cartel do Khabib é recheado por strikers. Edson Barboza, Michael Johnson, Dustin Poirier, Conor Mcgregor… 

E as lutas mais competitivas, menos desequilibradas dos últimos anos foram exatamente contra Al Iaquinta (base no wrestling) e Gleison Tibau (base no jiu-jítsu). 

Não estou sugerindo que Khabib não será capaz de derrubar Gaethje, mas estou afirmando que ele não encontrará o mesmo nível de resistência encontrado contra McGregor, Poirier, Barboza e cia. 

Mesmo que caia eventualmente, Gaethje deve vender (bem) caro essas quedas, cansando Khabib no processo e prolongando os períodos em pé. 

Aí, meu amigo, nesse cenário (a trocação), o campeão linear passa a ser zebra. 

| Completamente desfigurado e com soro no braço, Tony Ferguson dança de camisola no hospital |

Isso porque o poder de nocaute de Gaethje é incapacitante. Talvez, sem paralelo na categoria. Ele pode te levar à lona tanto com um golpe singular (Donald Cerrone, James Vick e Edson Barboza sabem bem disso), quanto com o acúmulo da danos - como vimos contra Ferguson, que sofreu o primeiro TKO da carreira! 

Em pé contra ele, as chances das suas pernas serem dinamitadas, viraram “steak tartare” e toda a sua mobilidade ir pra casa do chapéu antes do terceiro round também são enormes. 

Na ponta do lápis, ainda julgo Khabib favorito. Ele é eficiente demais no que se propõe a fazer. Mas se Ferguson tinha tudo pra ser a luta mais difícil da sua carreira, Gaethje tem o exato mesmo potencial.

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Vitória de Justin Gaethje não é boa notícia para Khabib Nurmagomedov

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Entenda por que o UFC é a primeira grande liga esportiva a voltar

Renato Rebelo
Renato Rebelo

| Em tempos de coronavírus, UFC 249 tem encaradas com máscara e à distância |

No começo da pandemia, Dana White, presidente do UFC, garantiu que a sua empresa voltaria às atividades antes de qualquer outra grande liga esportiva no mundo. 

Sim, o fato do MMA ser um esporte individual ajuda bastante, mas considere que ATP, WSL e Fórmula 1 ainda não têm data para voltar. O mesmo serve para as principais lutas do boxe internacional. 

E notem, também, que a realidade é muito diferente nos demais eventos de MMA. 

O Bellator, maior concorrente do Ultimate, confirmou, recentemente, o cancelamento de um quinto show - o Bellator 244, antes agendado para o dia 6 de junho, em Chicago. E não há nada no horizonte no momento. 

A PFL, que adota o formato de torneios, já cancelou a temporada 2020. Sua maior estrela, a judoca bicampeã olímpica Kayla Harrison, inclusive, avisou que vai pedir rescisão contratual se não puder trabalhar até 2021. 

O One FC, líder de audiência na Ásia, foi outro que limpou toda a sua agenda no mês maio e não sabe quando volta. 

Em tempos difíceis como esse, nada mais natural do que a prudência e o conservadorismo. Afinal, qualquer passo em falso poderia ser fatal para aqueles que não tem caixa, dependem de reputação, aprovação regulatória e/ou trabalham com margens apertadas. 

A questão, então, é: como o UFC vai conseguir mandar, nesse dia 9 de maio, um card com 12 das melhores lutas que poderia oferecer? 

| Tony Ferguson grava teste de coronavírus e diz: 'Me senti estranho' |

Bom, em primeiro lugar, a resposta passa um pouco pela atitude do seu principal dirigente: o próprio Dana White. 

Estamos falando sobre o mesmo homem que, durante uma cerimônia de casamento, convenceu dois amigos bilionários a investirem num evento de vale-tudo à beira da falência. 

Um retorno mínimo só apareceria nos bolsos dos Irmãos Fertitta depois de cerca de 50 milhões de dólares terem sido lançados na “fogueira”. 

Dana, além de persuasivo, é perseverante. Um cara movido pelo desafio da execução. 

O ato de arregaçar as mangas para buscar soluções e o protagonismo no momento em que o mundo bota as barbas de molho, portanto, combina com o seu perfil. 

E, claro, planos faraônicos como o da tal “Ilha da Luta” só são possíveis porque se trata do líder de mercado, comprado pela WME-IMG por 4 bilhões de dólares em 2016.  

Nadar contra a correnteza custa caro. Muito caro.  

Sim, o UFC terá, praticamente, a atenção total do fã de esportes no sábado à noite. Mas, ao mesmo tempo, precisará cobrar 65 dólares de uma população que vive a pior crise econômica desde a Grande Depressão de 1929. 

Com 20 milhões de postos de trabalhos perdidos desde o início da propagação do Coronavírus, a taxa de desemprego nos Estados Unidos - mercado que sustenta o UFC - chegou a estrondosos 14,7%. 

Isso significa que, apesar de parecer o contrário, o sucesso comercial do UFC 249 não é garantido. 

| Ferguson aparece com cinturão e bola de beisebol para encarada com Gaethje |

Até por que Tony Ferguson e Justin Gaethje, mesmo prometendo uma das lutas mais eletrizantes do ano, (ainda) não são estrelas de quinta grandeza. 

Mesmo assim, sem qualquer receita de bilheteria, o UFC bancou um verdadeiro esforço de guerra, com direito à compra de 1,200 testes que detectam a presença do Covid-19 e outros 600 que analisam os anticorpos. 

Tudo isso será administrado nas dezenas de pessoas envolvidas na realização do evento. Caso qualquer resultado (que são processados em até 24 horas) volte anormal, o infectado é removido do circo de operações - e todos são testados novamente. 

| Dana White publica vídeo de teste do coronavírus |

Na semana seguinte, já estão alinhavados dois Fight Nights - cards de menor porte - com a mesma estrutura de contenção. No mês que vem, a ilha particular entra em cena. O próprio quartel-general - complexo em Las Vegas avaliado em 100 milhões de dólares - vai, cedo ou tarde, assumir o protagonismo.   

O sucesso da empreitada não será definido apenas pelo número de pay-per-views vendidos, mas, também, pela total ausência de contaminação. 

“A missão aqui é provar para o mundo que isso pode ser feito com segurança”, disse Dana à ESPN

Chance de dar errado, é claro, existe, mas quer maiores tomadores de riscos do que lutadores de MMA e um ambicioso chefe com bolsos fundos? 

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Vitor Belfort x Wanderlei Silva 2: até que não era má ideia

Renato Rebelo
Renato Rebelo


| Belfort faz treino insano de ombros durante a quarentena; veja |

Nas últimas semanas, apanhei bastante nas redes sociais por demonstrar, digamos, pouco entusiasmo acerca de Vitor Belfort x Wanderlei Silva 2. 

Ora, o racional é simples. De uma lado, temos um rapaz que afirmou ter hipogonadismo em meados de 2013 e, por isso, precisava aplicar testosterona exógena para competir.  

Do outro, alguém que diz ter 8 de 10 sintomas de encefalopatia traumática crônica - a terrível “demência pugilística”. 

Meus amigos, poucas linhas de trabalho nesse mundo podem massacrar tanto o corpo de um ser humano.

Concordo, inclusive, com Dana White, presidente do UFC, quando este classifica o MMA como um “jogo para jovens”. 

Claro, tem um Randy Couture aqui, outro Daniel Cormier ali, ou até um Yoel Romero acolá. 

Mas, esses, tops mundiais com mais de 40 anos, foram exceções, não, regra. 

Detalhe: os três wrestlers ingressaram no MMA com mais de 30, ou seja, a quilometragem não é tão alta, pois golpes traumáticos entraram bem mais tarde em suas carreiras.

Já Belfort e Wand, ambos com 43 anos, estrearam no vale-tudo em 1996. São quase 25 anos saindo na mão profissionalmente. 

Isso sem contar o retrospecto recente. Belfort foi nocauteado em cinco das últimas vezes que subiu no octógono.  

Somada, a dupla sofreu 14 nocautes no esporte - fora toda a moedura de carne dentro das academias que não testemunhamos. 

Claro, também não aposento ninguém. Se dois homens adultos assinam voluntariamente pra embolsar muita grana, dar suporte às suas famílias e atender uma (forte) demanda, segue o jogo. 

E mais: admito que, se for para dar prosseguimento à carreira, eles formam um par perfeito.

Vejam, além dessas coincidências (terem começado no mesmo ano, a mesma idade e quilometragem parecida), estamos falando de duas grandes lendas. 

Wand foi um dos campeões mais dominantes da história do Pride. 

Belfort conquistou torneio de pesos-pesados, afivelou o cinturão linear dos meio-pesados e disputou o cinturão dos médios duas vezes no UFC. 

Ainda há uma rivalidade enorme entre eles, que se enfrentaram em 1998, estrelaram a primeira edição do reality show “The Ultimate Fighter Brasil” e teriam feito a revanche em 2012, no UFC 147, caso Belfort não tivesse quebrado a mão treinando. 

Belfort nocauteou Wand no primeiro encontro, em 1998
Belfort nocauteou Wand no primeiro encontro, em 1998 Getty

Depois de tudo isso, Belfort, que hoje tem contrato com o One FC, evento baseado em Singapura, ainda fez um desafio no Instagram em dezembro de 2019, exatamente quando o acordo do “Cachorro Louco” com o Bellator expirou. 

Essa semana, através do site AG. Fight, o desafio foi reforçado e Wand, prontamente, topou.

Desfecho ideal para dois ícones, certo? 

Errado. Dias depois, “O Fenômeno” contou que deve fazer a sua despedida contra Alain Ngalani. Repetindo, Alain Ngalani, um peso-pesado de 44 anos com cartel negativo no MMA (quatro vitórias e cinco derrotas).

| Levantamento de sofá, ovo quebrado no braço, cachorro de haltere e mais: o épico treino do rival de Belfort |

Claro, nada contra o camaronês radicado em Hong Kong, mas, na boa, como explicar o custo-benefício desse casamento? 

Belfort entra com obrigação não apenas de ganhar, mas de fazer parecer fácil - e ainda que tenha êxito, não haverá adição ao seu legado.

E pior: se a intenção era montar o casamento propício para Belfort dizer adeus em grande estilo, essa também não é uma boa ideia. 

Ngalani é um armário de 105kg, striker, faixa-preta de karatê, com 37 lutas profissionais de kickboxing. Se conectar, pode facilmente deitar o “Velho Leão” em berço esplêndido.

Situação de alto risco e baixa recompensa que não faz qualquer sentido pra mim. Inclusive, se soubesse que a solução seria essa, teria apoiado Belfort x Wand 2 desde o início… 

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Vitor Belfort x Wanderlei Silva 2: até que não era má ideia

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Tony Ferguson: a próxima grande estrela do UFC

Renato Rebelo
Renato Rebelo

| Cormier destaca 'foco' de Tony Ferguson ao bater peso mesmo sem luta no UFC: 'A maioria dos lutadores não faria' |

O UFC 249 foi remarcado para o dia 9 de maio e tudo indica que o evento será em solo americano. 

Tony Ferguson e Justin Gaethje seguem como protagonistas e o cinturão interino da categoria até 70kg vai mesmo ser criado. 

Além do título e de um caminhão de dinheiro - ofertado àqueles que se dispuseram a trabalhar durante a crise -, o vencedor também será festejado por público recorde - afinal, nessa data, o UFC será a única grande liga esportiva no ar. 

Se esse vencedor for “O Bicho Papão” Tony Ferguson, então, o esporte pode encaminhar a criação de mais umas daquelas “supernovas”. Explico. 

O peso leve é a categoria mais populosa do MMA, ou seja, a concorrência é grande, assim como o grau de dificuldade.

E vocês sabem quantos lutadores chegaram a 12 vitórias consecutivas em toda a história dessa faixa de peso no maior evento do mundo? 

Acertou quem respondeu “dois”: Tony Ferguson e Khabib Nurmagomedov, o atual campeão linear. 

Tony Ferguson, a próxima estrela do UFC?
Tony Ferguson, a próxima estrela do UFC? Getty

Ambos dizimaram a concorrência nos últimos anos. Ex-campeões e muitos top 5 foram abatidos por eles. 

Só que há uma grandes diferença nos estilos. 

O russo, apesar de extremamente dominante e eficiente, é um lutador mais pragmático, capaz de jogar com o regulamento debaixo do braço e amarrar uma luta pra assegurar o resultado.  

Já “El Cucuy” é um verdadeiro carniceiro, um vampiro do MMA. Seus 7 últimos adversários deixaram o octógono banhados de sangue, como se estivessem atuando em “Sexta-Feira 13”, “O Massacre da Serra Elétrica” ou algum outro filme de terror. 

Todas as suas lutas são batalhas campais, francas, recheadas de knockdowns, cortes enormes e adrenalina do começo ao fim. 

Ferguson é uma espécie Rodrigo Minotauro do peso leve. Não há vitória sem sofrimento. 

E caso ele passe por Gaethje no mês que vem, em seu caminho, estarão os dois lutadores mais bem pagos e talvez mais populares da história do MMA: o próprio Khabib e Conor McGregor. 

O casamento com o russo, como sabemos, já foi cancelado cinco vezes. Escrevi, inclusive, um artigo aqui no blog contando toda a história dessa rivalidade.

Na maioria dos casos (3), quem não apareceu para o compromisso foi o número um do mundo.

Acho, sim, que Khabib foi prudente ao não se apresentar para o UFC 249. Seu corte de peso estava comprometido e com tantas distrações e limitações em meio à pandemia - e com o Ramadã batendo à porta -, a decisão é justificada. 

Mas também entendemos que o campeão não vai matar Tony Ferguson no peito se as condições não forem ideais. E a recíproca não foi verdadeira. 

Ferguson se manteve no card e vai correr um enorme risco enfrentando o próximo da fila.

Conor McGregor, que vinha dizendo há meses que estaria pronto no dia 18 de abril - caso um dos dois se contundisse -, confirmou estar, de fato, treinado, mas foi outro que não embarcou num avião para ver Tony. 

Pressionado por todos os lados, Dana White precisou adiar o UFC 249, mas, ainda assim, Ferguson cravou os 70,3kg necessários para disputar o cinturão dos leves no dia 17 - data em que seria realizada a pesagem desse evento. 

| Tony Ferguson bate peso em casa para luta que aconteceria neste sábado e vibra com resultado |


E fez isso pra mostrar força, disciplina, comprometimento, foco.

Vejam bem, o corte de peso é uma das maiores, se não a maior batalha para qualquer lutador de MMA. 

Perder 11 quilos em 5 dias sem qualquer recompensa e contra a vontade dos seus treinadores é um algo que pouquíssimos homens entre os mais de 500 contratados pelo UFC fariam. Como bem definiu o ultramaratonista David Goggins, um cidadão capaz de correr 162km em 19 horas, isso é “selvageria”.


É claro que qualquer pessoa munida de bom senso entenderia que é coisa de maluco comprometer o sistema imunológico no momento em que há um vírus letal à espreita - ainda mais quando esse processo terá que ser repetido em três semanas.

Mas Ferguson sempre foi fora da caixinha. No reality show The Ultimate Fighter, ficou clara a sua dificuldade para conviver em sociedade, seguir instruções e fazer parte da “manada”. 

Tanto que depois de vencer o programa ele montou a sua própria academia, onde recebe, no máximo, duas ou três pessoas por vez - incluindo os treinadores.  

Quase tudo que rola lá em Big Bear, Califórnia, sai da sua cabeça e, por isso, não faz muito sentido. São treinos arriscados, às vezes pouco funcionais, sem a amplitude ou a mecânica correta. E o mais bizarro: isso funciona pra ele. 

O MMA é um esporte muito mais mental do que as pessoas imaginam. Acreditem, um competidor compulsivo, obsessivo, que vai ao limite da força de vontade, não cansa, não quebra e tem fé inabalável em si próprio é capaz de drenar adversários tanto física quando psicologicamente. 

Ainda assim, para virar essa grande estrela, Ferguson precisará de pelo menos mais duas vitórias. A primeira, sobre Gaethje, lhe renderia o segundo cinturão interino da carreira, e a segunda, sobre Khabib, a unificação dos títulos.  

Eu sei que não é pouca coisa. Essas podem e devem ser as lutas mais complicadas da sua vida, inclusive. A mão direta do Gaethje ou o wrestling do russo podem facilmente neutralizá-lo. 

Mas, por outro lado, só um louco com tantos parafusos soltos como Ferguson pode cumprir esse tipo de mandato. 


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Anderson Silva ou Jon Jones: quem venceria no auge?

Renato Rebelo
Renato Rebelo

O Batman x Super-Homem do MMA!

Anderson e Jones estão no top-3 de 95% dos fãs. E eles coexistiram! Apesar da diferença de idade, rolou uma janela de oportunidade em que eles poderiam ter se enfrentado. Mas os tempos diferentes não deixaram, e eles até criaram uma relação de amizade e cordialidade.

Mas e se eles tivessem se enfrentado nos seus auges? O que aconteceria? Veja minha análise no vídeo abaixo!

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UFC 249: card luxuoso em tempos difíceis

Renato Rebelo
Renato Rebelo

| O UFC estará de volta e funcionando': Dana White revela 'ilha privada' e promete luta atrás de luta |

Em meio a tantas especulações, o ousado plano de Dana White para manter a bola rolando foi, finalmente, revelado.

Com o objetivo de ser a única grande liga esportiva em atividade no planeta, o presidente do UFC mandará eventos a partir de dois locais: um cassino/resort em terras indígenas, na Califórnia, e uma ilha particular (não se sabe exatamente onde).

Assim, os lutadores baseados nos Estados Unidos ganham um lar e os “internacionais” - sujeitos a restrições que os impeçam de chegar à Califórnia -, também.

No campo médico, haverá um verdadeiro esforço de guerra. Dana não é bobo e sabe que o sucesso da empreitada não depende apenas dos números de audiência, mas também da total ausência de contaminação nos locais. Testes “antes, durante e depois” serão administrados em todos os envolvidos.


| Gaethje, sobre lutar no UFC 249: 'Estou me expondo e espero que o UFC me reconheça por isso' |

Tudo começa no dia 18 de abril e, a partir daí, os eventos serão semanais. Um na ilha, outro no cassino e, se bobear, metade em um, metade no outro.

O abre alas é o UFC 249, card que conta com uma mescla de lutas transferidas dos três Fight Nights cancelados, novos casamentos entre atletas disponíveis e alguns integrantes do line up original.

É verdade que Khabib Nurmagomedov, a grande estrela da noite, não vai comparecer, mas, ainda assim, a escalação seria considerada ótima em tempos de paz. Em tempos de guerra, então, o que temos em mãos é puro luxo.

Tony Ferguson x Justin Gaethje

O ponto forte do substituto do Khabib é exatamente o ponto fraco do “Bicho Papão”. Ferguson começa devagar, gosta de estudar os adversários e, geralmente, só pisa no acelerador quando sente o gosto do próprio sangue. Seu primeiro round é horroroso. Perdeu quase todos contra adversários de elite. Do outro lado, o acelerado Gaethje é, possivelmente, o maior pegador da categoria. Nocauteia tanto com a mão direita quanto com a canhota. Se acertar Ferguson em cheio, dificilmente o número um do ranking sobrevive pra contar história. O lance é que, por mais perrengue que passe durante a tempestade inicial, “El Cucuy” nunca foi nocauteado. Ele sempre sobrevive. Se esse for o caso mais uma vez, Gaethje, com três semanas de preparo, não tem condição de suportar a pressão, o volume de jogo e a intensidade de um dos melhores pesos-leves da história. O franco atirador tem 5, 10 minutos para cometer o crime. Passando disso, vira filme de terror pra ele.

Francis Ngannou x Jairzinho Rozenstriuk

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Gato escaldado tem medo de água fria. Sei que estamos falando sobre dois dos maiores nocauteadores do planeta e o final promete ser súbito e violento. Mas esse era o exato mesmo enredo de Ngannou x Derrick Lewis e estes basicamente trocaram olhares por 15 minutos. Ninguém quer ser nocauteado em público e às vezes o instinto de preservação fala mais alto do que a vontade de ganhar. Não obstante, o prêmio agora é sedutor: o vencedor vai lutar pelo cinturão dos pesos-pesados. Imaginando que haja engajamento, o temido Francis, maior, mais rápido e mais atlético, tem um duro teste pela frente, afinal, Jairzinho, com 86 lutas profissionais de kickboxing, é um dos raros que podem encará-lo em pé de igualdade na trocação. Sim, “O Predador” já passou por Alistair Overeem, que tinha até mais pedigree no setor, mas “Bigi Boi” é jovem, recém-chegado ao MMA e não tem o queixo deteriorado. Nessa aqui, literalmente, qualquer golpe pode definir o rumo da prosa.

Vicente Luque x Niko Price 2

Outra revanche. Em outubro de 2017, o primeiro encontro estava equilibrado até o final do segundo round, quando a mão pesada do brasileiro começou a incomodar. Veio o knockdown e o americano, grogue, expôs o pescoço à especialidade da casa: o triângulo de mão invertido. Foi nesse fatídico dia em que “O Híbrido” perdeu a invencibilidade no MMA. Agora, cheio de moral, vindo da maior vitória da carreira - sobre James Vick -, tudo leva a crer que é um Price sedento por vingança que revê o primeiro carrasco.

Ronaldo Jacaré x Uriah Hall

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Luta decisiva para ambos. Jacaré, que completou 40 anos em dezembro, não pode nem pensar em perder a terceira seguida. Já Hall, que também não é mais jovenzinho, deseja por fim à fama de inconstante para sonhar com o cinturão dos médios no ano em que completa 36 anos. Contra um striker mais rápido e habilidoso, o bicampeão mundial absoluto precisa ser pragmático e tirar o jiu-jítsu do armário. Só notem que, na última rodada, contra Antônio “Cara de Sapato”, o jamaicano provou que pode sobreviver no chão contra um faixa-preta de alto nível.

Jeremy Stephens x Calvin Kattar

Sim, eles vêm de derrotas e Stephens, com 45 lutas profissionais nas costas, já passou do auge faz tempo. Mas, concomitantemente, esses dois só enfrentam o crème de la crème da categoria até 66kg e, juntos, vão manufaturar fogos de artifícios. É simplesmente impossível dois dos mais viscerais e divertidos porradeiros do UFC produzirem luta monótona.

| Após mudar UFC 249, Dana White defende Khabib Nurmagomedov: 'Não é culpa de ninguém' |

O card ainda deveria marcar o reencontro entre Jessica Bate-Estaca e Rose Namajunas, mas a luta foi cancelada após a norte-americana desistir. A brasileira, porém, não está totalmente descartada. O UFC busca uma substituta e pode pintar até uma outra revanche, contra Claudia Gadelha.

Ainda assim, o famigerado card ainda tem peso-pesado Greg Hardy, ex-jogador de futebol americano condenado no passado por violência doméstica. Ele encara o invicto Yorgan De Castro (6-0), representante de Cabo Verde.

Alexander Hernandez, promessa da categoria até 70kg, também recebe outro invicto, o venezuelano Omar Morales (9-0).

Já o poderoso Ryan “Super-Homem” Spann, que bombardeou Rogério Minotouro em 2019 e não sabe o que é perder há sete lutas, mede forças com o sorridente Sam Alvey.

Casaram, também, Michael Johnson, striker habilidoso e último homem a vencer Tony Ferguson, versus o pegador Khama Worthy, a “Estrela da Morte”. E Ray Borg, ex-desafiante número um dos moscas, com uma pedreira: o equatoriano Marlon “Chito” Vera, que nocauteou ou finalizou os cinco últimos oponentes.

O investimento, como vocês podem notar, é altíssimo. Se todos ficarão seguros e o esforço em meio à tormenta será compensado, só o tempo dirá.

Mas, pelo menos, uma certeza eu tenho: Dana White não exagera quando diz que essa é “a coisa mais difícil já feita pelo UFC”.

| McGregor terá chance contra Khabib no UFC? Dana diz como Ferguson x Gaethje pode impactar |

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UFC 249: card luxuoso em tempos difíceis

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Sem Khabib, é melhor cancelar o UFC 249

Renato Rebelo
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| Khabib x Ferguson só no videogame! Com queda e combo de socos, russo vence em simulação |

Há cerca de duas semanas, a chefia confidenciou a Khabib Nurmagomedov que o UFC 249 não seria nos Estados Unidos. 

O russo, prontamente, voou para o destino mais provável do evento marcado para 18 de abril: Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. 

Chegando lá, descobriu que todas as fronteiras estavam sendo fechadas e apenas residentes poderiam adentrar ou deixar o país. 

Sem opção, o campeão dos leves reuniu o seus seis companheiros de treino e voltou para a base: Daguestão, Rússia. 

Acontece que o presidente russo, Vladimir Putin, suspendeu voos internacionais para conter o avanço do coronavírus, e “A Águia” agora está confinada em seu ninho. 

A essa altura do campeonato, apenas um milagre - leia-se, canetada de Putin - salvaria Khabib Nurmagomedov x Tony Ferguson de um quinto cancelamento.

Dana White, inclusive, já corre contra o tempo em busca do substituto. 

Justin Gaethje, o número quatro do ranking até 70kg, foi o primeiro contactado, segundo apuração do repórter Ariel Helwani. 

Além dele, um punhado de meio-médios se voluntariaram nas redes sociais (Gilbert Durinho, Santiago Ponzinibbio, Colby Covington, Tyron Woodley, Kamaru Usman, Jorge Masvidal…).  

Vale lembrar que Gaethje recusou luta com o “Bicho Papão” no UFC 238 por não ter feito um “camp” completo. 

À época, ele teria quatro semanas à sua disposição. Dessa vez, são duas. 

Ainda há a possibilidade de Ferguson ser removido do card e algo como Usman x Masvidal ou até Woodley x Covington assumir o protagonismo. 

Anticlimático, para dizer o mínimo. Qualquer uma dessas combinações representa um grande “downgrade”, um passo atrás, em relação a Khabib x Ferguson. 

Dois pesos-leves com 12 vitórias consecutivas, em seus auges. É um encontro especial e nada pode superar isso esportivamente.

E tem outro ponto. Com exceção de “Durinho” - que enfrentou Demian Maia recentemente e não se machucou na luta - e, talvez, Tyron Woodley - que estava escalado para o UFC Londres -, nenhum desses que botou o nome no chapéu está, de fato, pronto. 

Muitos estão fora de forma e teriam que perder 10 ou 15kg pra ontem com suas academias fechadas e sem os companheiros de treino à disposição. 

Certamente, veríamos “em campo” versões bem pioradas dos atletas que conhecemos. 

E falando sobre os casamentos ventilados, imaginem Ferguson contra Jorge Masvidal com 77kg.

Soa divertido? Sim. Mas também é basicamente jogar uma estrela na fogueira por pura falta de paciência.

E se criam um cinturão interino pra justificar o esforço do Justin Gaethje? O que Ferguson ganha com isso? 

O cara entra com a obrigação de vencer adversário destreinado para conquistar um objeto que ele já teve e é pouco valorizado pela própria empresa.

Além do mais, Gaethje é duro e um deslize, trágico. É alto risco e baixa recompensa. 

A não ser que Conor McGregor entre na jogada e aumente (e muito) os números envolvidos, pra Ferguson, é melhor esperar Khabib.

E, por mais que John Kavanagh tenha sugerido que o nome do irlandês está na conversa, é improvável que realmente esteja. Matar Ferguson no peito sem o devido preparo é loucura, e o “Notório” não é bobo.

| Imagina no octógono! Relembre quando McGregor lutou contra The Mountain, de Game of Thrones |

A espera pelo campeão, aliás, será longa. No dia 23 de abril começa o Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Serão mais de 15 horas diárias de jejum e, depois disso, ele ainda precisa de 45 dias para se recuperar fisicamente do processo. 

Mas o mundo inteiro também está cheio de restrições. Cada plano traçado por Dana White acaba impossibilitado no dia seguinte. Às vezes, horas depois. 

O desafio logístico de reunir duas dezenas de lutadores, corners, comissão atlética, equipe de transmissão, ou seja, mais de 100 pessoas em ambiente fechado durante uma das maiores crises de saúde da história da humanidade é praticamente um "remake" de "Missão Impossível".  

Então, se esperamos quatro anos por Khabib x Ferguson, por que não esperar mais alguns meses?   

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Sem Khabib, é melhor cancelar o UFC 249

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Jon Jones: o fim do reinado se avizinha

Renato Rebelo
Renato Rebelo

| Títulos, doping e prisão: a carreira de Jon Jones, campeão do UFC |

Jonathan Dwight Jones é tão talentoso e fisicamente prendado que, mesmo não sendo o maior rato de academia do mundo, com apenas 32 anos, já é considerado o maior lutador da história do MMA por, pelo menos, 7 entre 10 fãs. 

Considere, também, que a “folha corrida” do campeão meio-pesado do UFC por pouco não supera o Velho Testamento em número de caracteres. 

Na lista de “pecados”, até semana passada, você encontrava: racha em estacionamento de prostíbulo sem licença de motorista, assédio sexual, dois casos de doping, multa por uso de cocaína e dois acidentes de trânsito graves (no primeiro, alcoolizado, derrubou um poste, no outro, desrespeitou sinal vermelho, atingiu uma grávida e fugiu sem prestar socorro). 

E nem multas pesadas, a perda de Nike e Gatorade como patrocinadores, cinturão confiscado, pena de 18 meses em liberdade condicional, trabalho comunitário mandatório e o ataque de milhares de seguidores nas redes sociais levaram à luz esse infrator serial.  

Na última quinta-feira, como sabemos, aconteceu de novo. “Bones” adicionou outra “direção sob influência” e o “uso negligente de arma de fogo” à longa e triste lista. 

A foto de Jon Jones preso mais uma vez
A foto de Jon Jones preso mais uma vez []

No passado, se a aptidão e o vigor da juventude seguravam a bronca e driblavam ressacas e noites mal dormidas, agora, perto de completar a idade de Cristo, podemos dizer que o rei está, finalmente, nu. 

Thiago Marreta e Dominick Reyes mostraram, nas duas últimas rodadas, que os bárbaros estão nos portões e que o reinado de Jones pode terminar a qualquer momento. 

O brasileiro foi o primeiro a vencê-lo oficialmente - na opinião de um dos três jurados -, enquanto o americano, pelo menos na minha contagem, fez mais ao longo de cinco rounds e merecia ter o braço erguido. 

Se por um lado jovens famintos e motivados representam risco enorme para um cara com quilometragem alta - que há uma década encontra os melhores do mundo em lutas de até cinco rounds -, por outro, sua influência comercial vai diminuindo. 

É praticamente uma tempestade perfeita contra o atual número um. 

| Brett Okamoto:  UFC não vai tirar título de Jones, mas ele é reincidente para a Justiça |

A frase “não existe (Muhammad) Ali sem (Joe) Frazier”, muito popular no boxe, passa o conceito de que todo grande campeão precisa de uma rivalidade visceral, daquele adversário que tira o seu melhor. 

E sem o agora peso-pesado Daniel Cormier, que pendura as luvas depois da trilogia com Stipe Miocic, e o já aposentado Alexander Gustafsson, Jones não gera grandes números “sozinho”. 

Anthony Smith, Marreta, Reyes e Jan Blachowicz ainda não têm grife nos Estados Unidos e o desinteresse flagrante do campeão por eles também não contribui para a criação de novas narrativas. 

Postura que, ainda por cima, deixa transparecer acomodação, desmotivação.   

O baixo rendimento pode ainda representar o fim da parceria incondicional, daquela vista grossa que o UFC faz apenas para as mazelas de um líder de vendas ou do seu lutador número um peso-por-peso. 

É óbvio que, depois de tanto investimento, Dana White não está prestes a entregar Jon Jones de bandeja para o Bellator, mas a musculatura promocional da empresa pode facilmente encontrar um substituto.

Alguém que seja eficiente, carismático, mais jovem e sem problemas com a justiça. Os nomes de Israel Adesanya e Khabib Nurmagomedov logo vem à mente. 

De todo modo, é bem verdade que, no passado, problemas extracampo não afetaram o campeão - até por que a frieza dentro do octógono pode combinar com a falta de empatia fora dele. 

Mas insisto: Jones claramente não está mais no auge. Nem físico, nem técnico. Não há progressão em seu jogo há anos.  

Suspeito, portanto, que a conta por tantos excessos vai chegar mais cedo do que tarde…   

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Jon Jones: o fim do reinado se avizinha

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Khabib x Ferguson: a luta mais amaldiçoada da história do MMA

Renato Rebelo
Renato Rebelo

         
    

| Dana White garante que Khabib e Ferguson vão lutar em abril: 'Vai acontecer, não importa como' |

Não sou exatamente o cara mais devoto ou supersticioso do mundo. O misticismo ou até a posição de planetas e astros não costumam pautar o meu dia a dia.

Mas, admito que, se algum evento esportivo indica que há um grande planejamento central orquestrado por forças superiores, esse evento é Khabib Nurmagomedov x Tony Ferguson.

Antes, não custa explicar por que esses dois juntos, dentro do octógono, dão luz a um acontecimento histórico, único no MMA.

Sei que é subjetivo e há margem para debate, mas creio que estamos falando sobre os dois melhores pesos-leves de todos os tempos.

Historicamente, o domínio dessa faixa de peso demandou esforço hercúleo e, ainda assim, os reinados foram curtos. Frankie Edgar, Ben Henderson e BJ Penn, os campeões mais longevos, defenderam seus cinturões apenas três vezes cada. 

Khabib e Ferguson durante coletiva pré UFC 249
Khabib e Ferguson durante coletiva pré UFC 249 Chris Unger/Zuffa LLC

Nenhuma outra categoria tem tantos contratados e o número alto de concorrentes, consequentemente, torna o processo insalubre.  

Analisemos o caso de Rafael dos Anjos. Ele, indiscutivelmente, está no top 5 histórico da divisão. Dos Anjos tomou o cinturão de Anthony Pettis, que venceu Ben Henderson, que havia domado Frankie Edgar que, por sua vez, matou o rei Baby Jay.

Rafael atropelou os melhores da sua geração: Nate Diaz, Pettis, Donald Cerrone (duas vezes) e o próprio Bendo.

Quando subiu para a categoria até 77kg, não fez feio e, mesmo em desvantagem física, chegou a disputar o cinturão interino com Colby Covington.

Ainda assim, o niteroiense foi presa fácil, tanto para Khabib, quanto para Ferguson.

O russo, campeão, invicto em 28 lutas, claro, teve o braço erguido em todas as 12 aparições que fez no UFC.


         
    

| Ferguson faz treino 'maluco' em preparação para luta contra Khabib pelo UFC |

Já o americano, ex-campeão interino (perdeu o posto por lesão, não no octógono) vem das mesmas 12 vitórias seguidas e não sabe o que é perder há quase 7 anos.  

E mais: testemunhar dois foras de série nos seus auges é evento raro, raríssimo.

Por exemplo, o auge de Anderson Silva, maior peso-médio do MMA, foi dos 29 aos 34 anos. Sim, podemos dizer que já o vimos contra o atual campeão, Israel Adesanya, mas, na ocasião, o brasileiro já vestia 43 anos de idade. Seus reflexos, timing, velocidade, explosão, potência, etc, não eram mais os mesmos no UFC 234.

Há, também, pouca discussão sobre Muhammad Ali ter sido o maior peso-pesado da história do boxe e, ainda assim, é inesquecível a surra aplicada por Larry Holmes quando a lenda, que já não flutuava como borboleta e nem picava como abelha, estava prestes a completar 39 anos.

Timing é tudo nos impiedosos esportes de combate. Dana White, presidente do UFC, costuma dizer que esse é um “jogo para jovens”.

Acontece que, no caso de Khabib x Ferguson, temos um rapaz de 31 contra outro de 36, que não demonstra o mínimo sinal de desacelaração. Pelo contrário, a cada rodada, o “Bicho Papão” surge ainda mais assustador 



Agora, caso Ferguson se torne o primeiro a solucionar esse quebra-cabeça, por quê não festejá-lo como o maior?

O problema é que, com quatro cancelamentos - e correndo sério risco de um quinto -, o destino parece não ser fã desse encontro. Segue o fio: 

1ª Tentativa: 11 de dezembro de 2015, TUF 22 Finale

Durante os treinos, Khabib fraturou as costelas e cancelou a sua participação faltando pouco mais de um mês para a luta. Ele, que já vinha lidando com uma série de lesões complicadas, chegou a falar em abandonar o esporte. O brasileiro Edson Barboza, sexto do ranking na época, o substituiu e acabou finalizado por Ferguson no segundo round.

2ª Tentativa: 16 de abril de 2016, UFC on FOX 19

Pela primeira vez em sua passagem pelo UFC, Tony Ferguson não apareceu para trabalhar na data estipulada por contrato. E o negócio, pelo visto, foi sério. Diagnosticado com infecção respiratória, “El Cucuy” precisou drenar fluidos e sangue dos pulmões. O estreante Darrell Horcher, 13-1 no MMA, foi o único que topou encarar o russo faltando dias para o evento e, como era de se supor, acabou nocauteado.  


         
    

| Dana White explica por que é tão importante para ele manter o UFC ativo |

3ª Tentativa: 4 de março de 2017, UFC 209

Cerca de 48 horas antes do evento, Khabib passou mal durante o corte de peso, foi encaminhado para o hospital local e, lá, a equipe médica interrompeu o processo e não o liberou para lutar. Esse episódio ficou conhecido como “Tiramisu Gate”, uma vez que, em vídeo promocional produzido pelo UFC, Khabib falava sobre a sobremesa. Lando Vannata, outro estreante, aceitou a missão e, por muito pouco, não chocou o mundo. Ferguson levou dois knockdowns no primeiro round, mas se recuperou e finalizou no segundo.

4ª Tentativa: 7 de abril de 2018, UFC 223

Dessa vez, ficamos pelo caminho a oito dias do show - quando Ferguson, que costuma usar óculos escuros em ambientes fechados, tropeçou num cabo de câmera de televisão dentro dos estúdios da Fox, nos Estados Unidos, caiu e rompeu um ligamento do joelho esquerdo. Max Holloway, campeão até 66kg na época, aceitou o chamado, mas também falhou no corte de peso e foi impedido de prosseguir pelos médicos. Por fim, Khabib disputou o cinturão dos leves contra o americano Al Iaquinta e venceu por decisão unânime.

5ª Tentativa: 18 de abril de 2020, UFC 249

Com 100 mil pessoas infectadas pelo Coronavírus nas últimas 24 horas, a Organização Mundial da Saúde atesta que a pandemia ainda acelera e é bem provável que, perto da data inicialmente estipulada para o UFC 249, estejamos no pico da crise. Já é seguro dizer que a cidade de Nova York, com mais de 20 mil casos, não receberá o evento.

Ainda assim, Dana White vasculha o mundo atrás uma arena que possa abrigar a luta - mesmo com os portões fechados. Rússia e Emirados Árabes Unidos, países pouco contaminados, surgem como candidatos, mas, mesmo sem a presença dos fãs, é importante notar que um card dessa magnitude demanda o esforço de centenas de trabalhadores em diferentes nações.

Na Tailândia, por exemplo, um evento de muay thai foi responsável pela produção de 72 dos cerca de 300 casos daquele país.

Ferguson antes de luta no UFC 238
Ferguson antes de luta no UFC 238 Jeff Bottari/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Get

No olho do furacão, é bem possível - diria, até, provável - que autoridades simplesmente não queiram assumir esses riscos e a própria empresa, por mais cuidado que tome, decida que o preço a pagar por um dos seus na UTI é alto demais.

Pra completar, o jornal inglês Daily Express noticiou que a NASA monitora asteroide com 4 quilômetros de comprimento que se aproxima perigosamente da Terra. Tudo indica que o objeto vai passar “raspando”, mas, caso nos alcance, o impacto seria em abril e teria potencial para destruir toda a vida no planeta.

Pro mais supersticioso, outro sinal de que o universo conspira contra Khabib x Ferguson. Pelo sim, pelo não, me limito apenas a concluir que não há outro casamento mais praguejado do que esse na história do MMA.

Khabib durante luta com Dustin Poirier
Khabib durante luta com Dustin Poirier Jeff Bottari/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Get

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Khabib x Ferguson: a luta mais amaldiçoada da história do MMA

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Entendendo o sucesso de Gilbert Durinho, agora top 6 do UFC

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Dana White cancela os próximos três eventos do UFC e explica os motivos |

Desde que entendeu que renderia mais estando mais próximo do seu peso natural e deu fim a corte de peso brutal, Gilbert Burns, o “Durinho”, conquistou os três melhores resultados da sua carreira como lutador de MMA.

Isso porque, num período de apenas sete meses, o campeão mundial de jiu-jítsu na faixa-preta tirou a invencibilidade do russo Alexey Kunchenko, dominou o talentoso islandês Gunnar Nelson e, por último, derrubou Demian Maia, ex-desafiante número um dessa mesma categoria, a até 77kg do UFC.

Maia, vale notar, só havia sido nocauteado uma vez em mais de 18 anos no esporte. Foi em 2009, pelo já aposentado Nate Marquardt. Isso significa que Kamaru Usman, atual campeão dos meio-médios, e Tyron Woodley, o ex, não obtiveram o mesmo sucesso contra o grappler brasileiro.

O resultado deixou Durinho na cara do gol, na sexta posição no ranking. Agora, com mais uma vitória - dependendo de contra quem seja, obviamente -, ele pode até ser escalado para disputar o tão sonhado cinturão mundial.

Inclusive, o fominha, que lutou seis vezes nos últimos dois anos, tentou assegurar a oportunidade mais cedo do que tarde.

Isso porque autoridades locais, tentando conter o avanço do letal Coronavírus, embarreiraram o UFC Londres, até então marcado para 21 de março.>

Dana White, presidente da empresa, ainda tentou trazer o evento para os Estados Unidos, mas o inglês Leon Edwards, adversário de Tyron Woodley na luta principal, não pôde vir junto - uma vez que os voos entre Reino Unido e América estavam suspensos.

Durinho, Rafael dos Anjos e o americano Colby Covington levantaram a mão e pediram a bola, mas a prudência prevaleceu em tempos de crise e os três próximos cards do Ultimate foram adiados.

| Dana White explica por que é tão importante para ele manter o UFC ativo |

De todo modo, estar sempre alerta, treinado e próximo ao peso de competição são exatamente as marcas registradas do cara que, no últimos anos, converteu dedicação e repetição em oportunidades e evolução.

Já em casa, na Flórida, Estados Unidos, Durinho bateu um papo comigo na tarde dessa quarta-feita (18) e detalhou o seu modus operandi e o que vê chegando em sua direção para o futuro próximo. Veja:

O UFC gostou da ideia de você substituir o Leon Edwards? Você disse que o Woodley rejeitou o seu nome, ele diz que aceitou… Como funcionou essa negociação de última hora?

Gilbert Durinho: Ele (Woodley) primeiro negou, sim. Disse que queria alguém com mais nome. Eu vinha de um camp (completo). Lutei, não me machuquei e estava preparado. Ele teve opções de caras sem camp, como o Rafael dos Anjos e o Colby Covington. O Covington, na real, nem poderia lutar porque está com a mão machucada. Ele optou pelo Rafael e depois pelo Colby. Mais pro final, ele decidiu aceitar, mas foi na hora em que o presidente (Donald) Trump fez o pronunciamento pedindo para não ter eventos e aglomerações com mais de 10 pessoas. Foi depois que o UFC cancelou tudo que ele disse que aceitaria a luta (comigo). Estava uma guerra ali no começo e ele não queria aceitar a luta comigo, não.

Pós-UFC Brasília, você desafiou o Covington, que tem um longo histórico de rixas com brasileiros. Ele é o número 2 do ranking e uma vitória sobre ele te levaria ao cinturão. Agora, como os eventos foram desfeitos, ele e Woodley, que são desafetos confessos, têm interesse mútuo por uma luta. Caso o UFC apresente, como alternativa, os nomes de Michael Chiesa, Stephen Thompson e Leon Edwards, como você analisaria o cenário? Seu amigo de infância Rafael dos Anjos estaria fora da equação, certo?

Eu acho que é isso que vai acontecer. O Kamaru (Usman) vai lutar contra o (Jorge) Masvidal e acho que vão botar o Colby (Covington) contra o (Tyron) Woodley. Daí, sobra o Leon Edwards, mas não sei se o Stephen Thompson vai querer entrar na jogada e pegar o Edwards. Só sobraria o (Michael) Chiesa, né? É lógico que eu queria logo o Covington ou o Woodley, mas acho que o Thompson, o Edwards e o Chiesa são as opções mais reais. Com o Rafael eu não luto.

[]

O campeão da categoria, Kamaru Usman, é seu companheiro de equipe. Gera algum clima de apreensão na academia agora que você está mais perto do cinturão ou isso não existe? Caso você conquiste o title shot, como essa situação seria gerida?

Pelo contrário. Não rola isso, não. O Kamaru me ajudou nessa luta. Eu o ajudei bastante também na luta dele contra o Demian, na luta dele contra o Colby. Ele fez o meu corner quando lutei com o (Michel) Trator. Quando chegar esse momento aí, a gente pode até conversar, ver o que vai rolar, mas, enquanto não chega, a gente treina junto. Se ele precisar de ajuda para treinar para a luta do Masvidal, vou estar lá para ajudar ele. Caso eu lute com o Colby ou com o Woodley, vou pedir a ajuda dele. Enquanto a gente não luta, não rola nada, não. Depois, se a hora chegar, não sei como vai ficar. Vai ficar meio esquisito.

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Quais são os benefícios de treinar com o melhor do mundo na sua categoria? É bom no sentido que você sabe em primeira mão o nível de excelência necessário pra chegar no topo ou é ruim porque você também sabe que a encrenca é grande?

Eu acho bom. Eu tenho o melhor cara para me testar ali. Uma coisa que me deixou super confiante foi que o Demian disse que o Kamaru tinha uma mão bem dura, que aquilo incomodou ele. Lembrei ‘putz, ele não gosta da mão dura’. E eu sei que a minha mão é dura. Foi algo que me ajudou ali. E não é só o Kamaru, não. Tem vários caras duríssimos na academia dessa categoria. Tem o Robbie Lawler, o Vicente Luque, tem uma galera sinistra do Bellator. Meu irmão, tem um exército até 77kg na academia e consigo me testar com todo mundo. Eu estou no nível da galera.

Falando em Usman e Covington, o que o nigeriano comentou sobre o rival? É baseado nesse feedback que você decidiu desafiá-lo ou mais por comentários do tipo “Brasil é uma lixeira” e “brasileiros são animais imundos”?

As duas coisas. O Kamaru falou que ele é um cara duro, mas não é forte e não pega duro. Que é um cara chato, que vem pra cima, todo errado, tem um volume forte, mas que não te machuca. E teve também o que ele ficou falando da galera do Brasil. Tive que engolir a seco porque estava lutando de (peso) leve na época. Agora, estou na posição de falar alguma coisa.

Ouvi dizer que você lutou com 85kg em Brasília. Alguma parte de você se arrepende de não ter migrado antes para a categoria até 77kg? Ou os anos de sofrimento para bater 70kg ensinaram boas lições?

Eu fico meio dividido. Me arrependo de não ter ido antes, sim, mas, ao mesmo tempo, aprendi lições valiosas nesse corte de peso. Fiquei com uma dureza mental muito forte ali. Nunca desistia, sempre batia o peso. Era uma guerra mental e eu entrava nela forte. Cumpri tudo isso. Tomei várias decisões erradas em lutas, também, por acreditar que tinha pujança física muito mais forte. Tipo ‘estou muito forte, dá pra fazer qualquer coisa nessa luta’. E às vezes tomei decisões erradas, como na luta contra o Dan Hooker. Na categoria até 77kg, luto com 85kg, seco, forte e fico mais ligado na inteligência de luta, não só na pujança física. Isso é uma grande coisa que aprendi.

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O quão importante para a sua evolução foi adotar essa estratégia de estar sempre perto do peso, treinado e pronto para aproveitar as oportunidades que aparecem? O lutador que tira um mês de férias após as lutas e só treina em camps de três meses é uma espécie em extinção?

Pra mim é muito importante estar preparado. Na verdade, eu sempre treinei pra caramba. Sempre fui um dos que mais treinou na academia. Só que tinha o lance da dieta, então, ficava dois ou três meses na dieta só para bater o peso. Depois da luta com o Dan Hooker, decidi fazer mais jiu-jítsu, voltar para as competições, estar sempre fazendo superlutas. Pra você ter noção, no ano passado, fiz três lutas no UFC e nove lutas de grappling. Vários fins de semana lutando, fora os corners que fiz. Vicente (Luque) lutou quatro vezes, fiz os quatro corners. Fiz o corner da Vivi Araújo, do Chas Skelly. Foi um ano de muito trabalho. Nessas nove lutas de grappling, eu já estava me preparando para o Demian e não sabia. Agora, sem o corte de peso doido, meu corpo não faz mais aquele efeito sanfona. Hoje, no máximo, eu chego a 88kg. Só tenho uma semana de descanso depois da luta, ponto. Quando volto a treinar, meu peso já diminui, fico ali com uns 85kg. Agora é muito fácil bater o peso. Só com a dieta regrada eu fico com 82, 80kg. Acabo cortando bem pouquinho. Desidrato muito menos do que antes e fico mais saudável. O trabalho é o ano inteiro, não tem essa.

Como funciona na sua cabeça aquela velha indecisão entre focar 100% no seu ponto forte, como o Khabib ou o próprio Demian, e entrar pra tentar botar qualquer um pra baixo ou investir tempo na trocação e no wrestling, correndo risco de perder o ajuste do jiu-jítsu?

Meu objetivo hoje é manter o jiu-jítsu afiado. É estar competindo, por isso estou fazendo essas competições e acho que vou continuar fazendo. Hoje em dia consegui aprender a dividir um pouquinho o foco. A fazer um trabalho de base. Como você falou, uma galera tira um mês de férias depois da luta. Eu não tiro. Eu tiro uma semaninha e na semana que vem vou fazer muita base. Muito jiu-jítsu, muito wrestling, muito boxe, muito kickboxing. Não faço muito treino de MMA. Faço só as artes marciais separadas. É isso que venho fazendo e vem funcionado muito. É muita escolinha, muito ABC. Exemplo: quando vou fazer boxe, faço muita esquiva, muita movimentação de pé, coisa que no camp não dá pra fazer. Repito muitos golpes isolados, depois repito muita combinação. É como se eu estivesse começando a treinar. No kickboxing, a mesma coisa. No jiu-jítsu, também. Faço muita posição, muito específico para, quando entrar no camp, já ter uma evolução técnica.

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Treinar com wrestlers do nível do Michael Chandler e do próprio Usman influenciam nessa decisão?

Você falou dois, que são caras com quem treino muito. Mas tem mais caras ainda, que pra mim são até melhores que esses dois. Tem o Logan Storley (meio-médio invicto do Bellator), que é uma máquina. Ele me ajudou muito nessa luta contra o Demian. Em vários momentos achei o Demian com o tempo bom na queda, mas não tinha a força e nem o peso dos caras. Quando ele pulou nas minhas costas, não achei o Demian tão pesado, como o Logan estava é nos treinos. Eles vêm me ajudando muito, venho melhorando muito o wrestling com eles. É uma coisa que quero melhorar muito e venho botando muito tempo nisso. Vou conseguir mostrar ainda.

O que um cara ansioso e competitivo como você pretende fazer durante esse período de distância social?

Graças a Deus, abri uma academia aqui na garagem. Graças a Deus. Foi a melhor coisa que fiz. Tenho saco de pancada, tenho tatame. Essa semana, estou de folga, mas semana que vem, volto a treinar. Se a academia (Hard Knocks 365) ficar fechada, vou estar treinando em casa e vou me manter pronto ali, vou correr, vou andar de bike, vou nadar. Não posso ficar de bobeira, não.

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Coronavírus no MMA: Bellator cancelado, UFC sem torcida e futuro em xeque

Renato Rebelo
Renato Rebelo

Saudações, fãs de esportes. Pra quem não me conhece, uma breve apresentação. 

Me chamo Renato Rebelo, sou jornalista, tenho 32 anos e cubro lutas desde os 19, quando, na Gracie Magazine, como estagiário, comecei a minha caminhada.  De lá pra cá, passei pelo Grupo Globo e fundei o Sexto Round que, por anos, foi o maior site independente sobre MMA do Brasil! 

A demanda acabou me levando para o Youtube e o sucesso desses vídeos me trouxeram à ESPN Brasil.  Em 2020, comentarei os principais eventos do Bellator, além de abastecer esse blog.

Pena que o cancelamento do Bellator 241, o primeiro evento como contratado da casa, já me rende fama de pé frio. O drama é o seguinte: 

Imagine a frustração de um atleta que superou meses e meses de dieta restrita, uma semana de desidratação e, na hora H, não pôde trabalhar. 

Essa é exatamente a situação de todos os escalados para o Bellator 241, evento marcado para essa sexta-feira (13), mas acabou adiado por conta do pandêmico Coronavírus. 

O presidente Scott Coker já garantiu a compensação dos lutadores pelo esforço, mas ainda não deu mais detalhes sobre novas datas e locais. 

Abaixo, faço uma breve consideração sobre a crise global que, naturalmente, também vai machucando os eventos de MMA.

Sejam muito bem-vindos a esse novo espaço, que será regido por fundamentos e tratará o MMA com muito pragmatismo e pouco viés.

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