Jogador pode cabelo colorido, barba e tatuagem, mas e o árbitro?

Renata Ruel
Renata Ruel

O futebol é irreverente, divertido, reúne várias questões culturais tanto no Brasil quanto no mundo. É muito corriqueiro ver os jogadores com cortes e cores de cabelos diferentes, várias tatuagens, barbas, bigodes, mas nada comum ver árbitros com um cabelo colorido, sem estar barbeado, com tatuagens grandes e visíveis.

Neymar com o cabelo descolorido em jogo do PSG
Neymar com o cabelo descolorido em jogo do PSG EFE/EPA/YOAN VALAT

Os jogadores chegam ao estádio de bermuda, agasalho, tênis,  fone de ouvido, já a arbitragem precisa se apresentar com terno e gravata para um jogo de futebol.

Durante o curso de arbitragem, os alunos já recebem algumas orientações para jogos e até mesmo reuniões de aprimoramentos - por exemplo, cabelo cortado, barba feita, tatuagem não aparente, terno para os jogos. Por isso raramente se vê alguém membro da arbitragem com um corte ou cor diferentes de cabelos, com tatuagens e barbas em campo.

Claro que muitos árbitros têm tatuagem, mas normalmente escondidas pela camisa e meiões. Confesso que fiz em 2015 uma pequena no punho, a qual uma parte era escondida pelo relógio, mas com certo medo de retaliação - e sei que outros árbitros gostariam de fazer -, porém o receio fala mais alto.

E então entra a grande questão: por que o árbitro não pode ter tatuagens, barba, pintar o cabelo de loiro? No que isso acarreta em seu desempenho dentro dos gramados?

Vemos excelentes jogadores que a cada jogo mudam o cabelo e fazem tatuagem nova, e isso não altera a atuação nos gramados.

Ronaldo na Copa de 2002 usou o cabelo 'Cascão'
Ronaldo na Copa de 2002 usou o cabelo 'Cascão' Getty Images

Além das cobranças que os árbitros sofrem em cima das suas tomadas de decisões, se acertou ou errou, se está bem fisicamente (essa é outra questão, pois o árbitro pode estar “voando", mas se tiver com uma barriguinha, “fora dos padrões estéticos”, também pode ser afastado), existem as exigências sobre sua cor e corte de cabelo, sua barba, suas tatuagens, para não dizer seu corpo e sua vida, ainda tem quem fique de olhos nas redes sociais, para ver o que postam, como, onde, e tudo isso pode ser motivo para uma punição, um afastamento.

Sem dúvida que o profissional, seja ele um árbitro ou alguém que tenha qualquer outra função ou cargo, precisa se preocupar com a sua imagem. E o árbitro carrega uma carga ainda maior, pois é visto por muitos como o incorreto, mal intencionado, mesmo tendo uma conduta irrepreensível.

Felipe Melo com o braço quase 'fechado' de tatuagens
Felipe Melo com o braço quase 'fechado' de tatuagens Gazeta Press

Mas uma tatuagem, um cabelo  tingido, uma barba por fazer, um agasalho para chegar no jogo, não interfere nas suas qualidades e competências para atuar numa partida.

É melhor um árbitro com o cabelo pintado de rosa, se for o caso, que acerte tudo, legitimando assim o resultado, do que o aquele com o estereótipo pedido, mas que influencia na partida de forma negativa.

Anderson Daronco em ação: sem barba, tatuagem e cabelo na 'estica'
Anderson Daronco em ação: sem barba, tatuagem e cabelo na 'estica' Getty Images

O mundo está evoluindo, temos até a tecnologia no futebol agora com o VAR, porém ainda falta uma maior progressão - e por que não agora?

Fonte: Renata Ruel

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Copa do Brasil: Jogadores do Cruzeiro tentam enganar árbitro para Edu não ser expulso

Renata Ruel
Renata Ruel

São Raimundo-RR e Cruzeiro se enfrentaram ontem em partida válida pela Copa do Brasil. O jogo terminou empatado em 2 a 2, e, pelo regulamento da competição, a equipe mineira se classificou para a próxima fase.

Mas o que chamou a atenção foi um lance pitoresco e até mesmo absurdo dos jogadores do Cruzeiro. Aos 32 minutos do segundo tempo, Edu do Cruzeiro recebe o segundo amarelo e é expulso.

Seria mais um lance corriqueiro de expulsão se não fossem as atitudes dos jogadores cruzeirenses. Sabendo que Edu já tinha cartão amarelo, levaria o segundo e na sequência o cartão vermelho, os jogadores tentam enganar o árbitro, mas não somente ele com essa atitude, trocando o jogador caído no campo por outro parecido para que este tomasse o cartão amarelo no lugar de Edu e o Cruzeiro não ficasse com um a menos.

Jogadores do Cruzeiro minutos antes da partida contra o São Raimundo, no Flamarion Vasconcelos, em Boa Vista (RR)
Jogadores do Cruzeiro minutos antes da partida contra o São Raimundo, no Flamarion Vasconcelos, em Boa Vista (RR) William Roth/Light Press/Cruzeiro

O lance: Edu cometeu a falta e permaneceu no chão, dois jogadores da Raposa ficaram na frente do árbitro formando uma “parede” para o zagueiro Cacá deitar no campo, tentando se passar pelo jogador infrator enquanto este se levantava fingindo não ter nada a ver com a história e, desta forma, enganarem a arbitragem a confundindo para uma possível aplicação equivocada de cartão (não há VAR nessa fase da Copa do Brasil).

Porém, o árbitro Alexandre Vargas, do Rio de Janeiro, guardou bem quem havia feito a falta, confirmou o número do Edu e aplicou os cartões amarelo seguido de vermelho de forma correta.

A questão maior aqui é o Fair Play, ou seja, o jogo limpo que tanto se pede. O Fair Play não faz parte das regras do jogo de futebol, mas é citado no livro logo no começo, quando descrito sobre: "A filosofia e o espírito das Regras". Em um dos trechos, observa-se que "o futebol deve ser praticado com base em regras que propiciem o jogo limpo (Fair Play), pois um pilar crucial do 'jogo bonito' é sua legitimidade – essa é uma característica vital do 'espírito' do jogo".

Eu já escrevi anteriormente sobre o Fair Play, mostrando que entradas violentas, agressões, retardar o reinício de jogo, simular lesão para ganhar tempo não são práticas de jogo limpo. Quando os jogadores agem desta forma, como os do Cruzeiro no jogo de ontem, não estão tentando somente enganar a arbitragem, mas o futebol, os torcedores, faltam com respeito com todos que trabalham, amam e acompanham a modalidade. Isso não é jogar limpo, não é respeitar o esporte, o adversário.

Enquanto não mudarem pensamentos e atitudes será difícil se ter e ver o verdadeiro Fair Play.

Que tipo de exemplo está dando ao tentar enganar todos? Que tipo de atitude vive cobrando, mas não se pratica? O que se ensina aos jovens atletas quando tenta burlar o jogo?

A expulsão foi correta, mas o jogador que tenta se passar pelo Edu também merecia cartão amarelo por conduta antidesportiva.

A honestidade não deveria ter que ser cobrada, mas sim praticada.

My game isso Fair Play. E o seu?

Fonte: Renata Ruel

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Árbitro agredido, VAR no celular de cartola da CBF na área técnica e mais: começou a Copa do Brasil

Renata Ruel
Renata Ruel

Caxias e Botafogo empataram em 1 a 1 nesta quarta-feira, em resultado que classificou a equipe carioca à próxima fase da Copa do Brasil. Polêmicas não faltaram. 

O Caxias reclamou de um pênalti não marcado a seu favor pelo árbitro Lucas Bellote, em lance que o defensor do Botafogo amplia o espaço corporal com o braço e bloqueia uma bola dentro da área. Na minha opinião, houve a penalidade. O clube também pediu outro pênalti, que, na minha visão, não ocorreu.

Outro fator que chamou a atenção foi a presença do ex-atacante Washington, atual diretor de desenvolvimento do futebol brasileiro da CBF, na área técnica do Caxias, mostrando o celular para membros da comissão técnica do time gaúcho. 

A regra do jogo e o regulamento da competição mostram quem pode permanecer na área técnica e como se comportar. Ou seja, o dirigente da entidade maior do futebol brasileiro não poderia estar ali e muito menos mostrando imagens no celular. 

E não pára por aí: o treinador do Caxias, Rafael Lacerda, estava suspenso e não poderia se comunicar com ninguém da comissão ou jogadores. Mas o auxiliar técnico Jeferson Ribeiro foi flagrado com um rádio transmissor e se escondeu ao perceber que estava sendo filmado. 

A regra diz que a comunicação pode existir para fins de segurança e bem-estar do jogador, razões táticas, mas não com o treinador suspenso. Se o uso for inadequado, o mesmo deverá ser expulso.

Ao término da partida, os jogadores da equipe do Caxias se revoltaram e cercaram o árbitro, reclamando de maneira acintosa até um membro da comissão técnica gaúcha agredir Bellote com uma joelhada e um tapa.


Até a publicação do texto, a súmula e o relato do árbitro ainda não haviam sido publicados no site da CBF, que soltou uma nota repudiando a atitude do profissional do Caxias. Qualquer tipo de agressão é contra a paz e deve ser punida.

Abaixo, seguem partes das regras do jogo da Fifa, que tratam dos assuntos pontuados acima, e também o regulamento geral das competições da CBF 2020, para um melhor entendimento do que pode ou não acontecer em um jogo:

Regra 1

Área técnica

As áreas técnicas são para os jogos disputados em estádios que oferecem lugares sentados para os jogadores substitutos, substituídos, oficiais de equipes e devem respeitar as seguintes diretrizes:

* O número de pessoas autorizadas a utilizar as áreas técnicas deve ser definido no regulamento das competições;
* Os ocupantes das áreas técnicas:
* Devem ser identificados antes do começo do jogo, de acordo com o regulamento da competição; 
* Devem comportar-se de maneira adequada;
* Devem permanecer dentro dos seus limites, salvo circunstâncias especiais, como, por hipótese, um médico ou fisioterapeuta, se autorizado pelo árbitro, entrarem no campo para examinar um jogador lesionado.
* Somente uma pessoa de cada vez está autorizada a dar instruções táticas desde a área técnica.

Regra 3

O treinador e os outros oficiais de equipe relacionados (com exceção dos jogadores e dos jogadores substitutos) são oficiais de equipe. Qualquer pessoa que não conste da relação de uma equipe como jogador, jogador substituto ou oficial de equipe é considerado como agente externo.

Regra 4

Comunicação eletrônica

Não é permitido aos jogadores (inclusive os substitutos, substituídos e jogadores expulsos) o uso de quaisquer equipamentos eletrônicos ou sistemas de comunicação (exceto onde os EPTS forem permitidos). É permitido o uso de qualquer forma de comunicação eletrônica por oficiais de equipe, se relacionado diretamente com o bem-estar ou a segurança dos jogadores, ou por razões táticas ou de instruções, porém só podem ser usados equipamentos pequenos e portáteis (por exemplo, microfones, fones de ouvido, celulares e relógios inteligentes, tablets, computadores portáteis). O oficial de equipe que usar equipamentos não autorizados ou que utilizar os permitidos de modo inadequado deve ser expulso.

Regra 12 - Faltas e Infrações

Os árbitros são obrigados a punir com Cartão Amarelo-CA ou Cartão Vermelho-CV os oficiais das equipes que praticarem as infrações elencadas na Regra 12. Atenção especial deve ser dada e aplicado obrigatoriamente um Cartão vermelho para o oficial da equipe que entrar no campo de jogo para confrontar um árbitro, inclusive durante o intervalo dos tempos dos jogos e das prorrogações.

Regulamento Geral de Competições da CBF - 2020

§ 5º - O membro de comissão técnica suspenso não poderá acessar a área técnica, vestiários ou qualquer parte da área de competições, nem se comunicar, por qualquer meio, com qualquer pessoa envolvida na partida, em especial atletas e membros da comissão técnica, nem comparecer à coletiva de imprensa ou qualquer outra atividade de mídia realizada no estádio.

Art. 48 – O atleta ou membro de comissão técnica que forem expulsos de campo ou do banco de reservas ficarão automaticamente impedidos de serem relacionados para a partida subsequente, independentemente do mérito e da data da decisão em que a infração disciplinar for julgada pelo STJD.

§ 1º - Considera-se membro da comissão técnica, para os efeitos deste RGC, o treinador, o assistente técnico do treinador, o preparador físico, o médico, o massagista e o treinador de goleiros.

VI – administrar o acesso exclusivo à área de entorno do campo de jogo, restringindo-o às pessoas em serviço e credenciadas, identificadas por braçadeiras, crachás ou jalecos, conforme quantitativos e determinações especificados no REC de cada competição, as quais deverão permanecer necessariamente nas áreas previamente designadas, observadas as possíveis limitações físicas do local da partida.”

Paz e fair play no futebol se faz cada vez mais necessário, então que sejam praticados. E você, o que acha?

Fonte: Renata Ruel

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O drible se tornou proibido no futebol? O que seria de Ronaldinho e Falcão?

Renata Ruel
Renata Ruel
Neymar fala com o árbitro após tentar o drible
Neymar fala com o árbitro após tentar o drible Getty

O futebol traz diversão, entretenimento, alegria, é a felicidade de muitos apaixonados pelo esporte, e o drible faz parte de tudo isso.

O drible é usado no futebol, basquete,  handebol, entre outros, e nada mais é do que uma ação ou uma finta para se desvencilhar do adversário.

Quem nunca ouviu falar do drible da vaca, caneta, carretilha, chapéu, elástico, vários nomes e estilos que levam ao delírio todos que assistem ao futebol?

A regra do jogo parte de três princípios básicos: igualdade,  segurança e diversão e não há como negar que o drible se encaixa nesse último.

Já pensou o que seria de Ronaldinho e Falcão se o drible fosse proibido?

No último final de semana, Neymar foi dar uma lambreta para sair da marcação adversária e, por isso, o árbitro chamou sua atenção em campo. O jogador retrucou e levou o cartão amarelo.

No último domingo, em um torneio sub-14 disputado no Rio Grande do Sul, o Palmeiras vencia a final contra o Grêmio quando o jogador Endrick, da equipe alviverde,  foi até a linha de fundo, tentou um drible e a sequência da jogada foi parada pelo apito do árbitro, Cristiano Costa, que advertiu o jogador com cartão amarelo e marcou tiro livre indireto a favor da equipe gaúcha. O jogador palmeirense, que fez a jogada e foi punido, e Neymar têm berços no futsal, onde a habilidade, velocidade e o drible são constantes e aplaudidos. Ter isso no campo é agregar à beleza do futebol.


         
    

Na regra 12, no item conduta antidesportiva, é possível ver que um cartão amarelo pode ser aplicado por “mostrar falta de respeito ao jogo". Porém, o que é falta de respeito ao jogo? O que é o espírito do jogo, que também consta na regra? Não são itens extremamente subjetivos?

Puxar a camisa acintosamente, por exemplo, ou fazer embaixadinhas provocando o adversário em um jogo ganho, no caso do título, como aconteceu em 1999 no duelo entre Palmeiras  e Corinthians, podem ser considerados falta de respeito entre as diretrizes recebidas pelos árbitros.

Uma embaixadinha com um jogo ganho, sem tentar um ataque, ou um drible para sair da marcação, pode ser vista como uma provocação, falta de Fair Play e causar uma confusão generalizada, como ocorreu na final de 1999.

Porém, se o jogador está usando o drible para atacar, com o intuito de fintar o adversário e sair da marcação, avançar, ou seja, quer jogar e de forma divertida, onde está a infração?

Não dá para robotizar o futebol, deixá-lo chato e sem alegria. Mal se pode comemorar um gol ultimamente que se leva cartão (em função da regra).  Agora nem driblar pode mais, que o atleta será punido.

O bom senso tem que prevalecer, principalmente o das regras e da arbitragem. Por isso, falo que, quem só entende de regra nem de regra entende, tem que entender de regra, arbitragem , futebol e todos os contextos inseridos no meio. O futebol corre o risco de ficar chato e ninguém quer isso, que sigam as comemorações e os dribles com respeito e diversão.

Fonte: Renata Ruel

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Os polêmicos cartões no ápice do futebol: o gol

Renata Ruel
Renata Ruel
Neymar usando máscara em comemoração
Neymar usando máscara em comemoração Getty

O gol é o ápice de uma partida de futebol, é o que todos querem ver, ou não, dependendo do resultado pelo qual se joga. Mas não tem como negar que é o momento mais mágico dessa paixão: o futebol.

E, então, o jogador marca um golaço, ou o gol do título, ou da vitória, ou o primeiro da sua carreira, e tem que refletir como comemorar, pois, se extravasar ao extremo, pode ser punido com cartão amarelo. Dependendo da situação, ser expulso.

Na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o atacante do Grêmio subiu no alambrado após marcar o gol e foi expulso depois de receber o segundo amarelo.

Neymar, quando ainda jogava pelo Santos, levou o cartão vermelho por usar uma máscara no momento de festejar o gol.

O que não faltam são exemplos de punições em comemorações. Ronaldo Fenômeno, por exemplo, no clássico Palmeiras x Corinthians, no qual o alambrado chegou a quebrar. Este é um ponto crucial para falar desta regra: a questão da segurança. Subir no alambrado é visto pela International Board como algo que pode colocar em risco a segurança de todos. Então, para coibir esta ação, pune com o cartão amarelo.

Ronaldo comemorando o gol contra o Palmeiras
Ronaldo comemorando o gol contra o Palmeiras Cesar Greco / Gazeta Press

Gestos provocativos também podem gerar grandes confusões. O respeito, o Fair Play devem prevalecer.

Nas comemorações demoradas, acredito que o bom senso da arbitragem deva predominar. Punir em um momento de êxtase, do jogador e da equipe, só se demorar uma eternidade, coisa que não acontece.

Agora, nos quesitos cobrir a cabeça e tirar a camisa não concordo com a regra. Aprendi, ainda na escola de árbitros, que os jogadores são punidos porque é o momento em que todas as câmeras estão neles, é o grande momento das marcas e patrocinadores aparecerem e investem para isso, se o jogador cobre o rosto e as marcas, o prejuízo é gigante.

É sabido que, atualmente, os jogadores, para darem entrevistas no intervalo ou final da partida, precisam estar de camisa, mas isso não é regra da Board. Se ele ficar sem não levará cartão. Assim como se vê os jogadores tirando a camisa no intervalo ou final da partida e o árbitro também não aplica cartão.

Por que o árbitro vai aplicar cartão amarelo na comemoração por esconder o rosto ou tirar a camisa?  Pela regra, o jogador não pode jogar sem camisa e nem de máscara, mas ele estando com o equipamento em ordem antes do reinício, qual o problema? Se é questão de patrocinadores e marcas, não é melhor o clube e as marcas multarem os atletas ao invés da regra do jogo com cartões?

Segue a regra da comemoração de gols:

Comemoração de gols

Os jogadores podem comemorar os gols, mas as comemorações não podem ser excessivas; as comemorações “coreográficas” não devem ser estimuladas e não podem causar perda de tempo excessiva.

Deixar o campo de jogo para comemorar um gol não é uma infração passível de advertência com cartão amarelo, no entanto os jogadores devem regressar o mais rapidamente possível.

Um jogador deve ser advertido com cartão amarelo, inclusive se o gol for anulado, por:

• subir nos equipamentos de proteção do campo e/ou se aproximar dos espectadores de modo que cause insegurança ou fira os princípios de segurança;

• fazer gestos ou praticar ações provocativas, debochadas ou inflamatórias;

• cobrir a cabeça ou o rosto com máscara ou outro artigo semelhante;

• tirar a camisa ou cobrir a cabeça com a camisa.”

E você o que acha dessa regra?

Fonte: Renata Ruel

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Muita chuva e jogos da Copinha paralisados; regulamento ou regra do jogo?

Renata Ruel
Renata Ruel

A Copinha está acontecendo e, como esperado, a chuva ou as tempestades têm feito parte do espetáculo.

No último final de semana foi possível observar em duas partidas situações parecidas e distintas ao mesmo tempo.

No jogo Sertãozinho x Palmeiras, em Araraquara, a chuva começou forte no segundo tempo, o Palmeiras vencia por 3 x 0, quando aos 40 minutos, em função de raios e trovões, o árbitro resolveu paralisar a partida. Após a diminuição da chuva, a arbitragem e as equipes retornaram ao campo e jogaram os minutos que restavam.

Já em Itapira, Vasco da Gama e Náutico se enfrentavam, a equipe carioca fez 1 x 0 logo no começo do jogo e a chuva tomou conta da partida em sseguida. O árbitro terminou o primeiro tempo, quando era mais fácil praticar pólo aquático do que futebol, e ao retornar para a segunda etapa observou que a chuva seguia forte e o gramado sem condições, após aguardar o tempo determinado decidiu suspender a partida. O segundo tempo foi jogado na segunda-feira às 14h.

Os campeonatos das federações,  CBF, Conmebol e FIFA são regidos pela Regra do Jogo da FIFA, estudadas e aprovadas pela International Board, ou seja, a regra é uma só para todos. Porém,  cada instituição conta com seu regulamento próprio, onde a maioria tem o regulamento geral das competições e o específico de cada uma.

Chuva na Copinha, algo normal
Chuva na Copinha, algo normal Gazeta Press

A Federação Paulista de futebol tem um regulamento geral com alguns itens iguais e outros diferentes da CBF. Por exemplo, se o jogo for paralisado por questão do gramado como ocorreu nestes dois jogos, tanto pelo regulamento da CBF quanto pelo da FPF o árbitro deverá esperar no mínimo 30 minutos para decidir se encerra ou suspende a partida antecipadamente. Se o árbitro entender que o tempo mínimo foi cumprido e mesmo assim não há condições de voltar a jogar, ele irá suspender a partida se não foram jogados no mínimo 30 minutos do segundo tempo e a encerra se o tempo foi além disso.

Ou seja, o árbitro do jogo entre Sertãozinho e Palmeiras, mesmo faltando apenas 5 minutos para o término do jogo, pelo regulamento fez o correto em esperar o tempo mínimo previsto e depois tomar a decisão de jogar o restante, ele não poderia encerrar a partida aos 40 minutos do segundo tempo sem esperar o tempo regulamentar. Assim como o árbitro do jogo do Vasco e Náutico em esperar o mínimo e suspender a partida.

Porém, como dito anteriormente,  em alguns pontos os regulamentos podem diferir. Por exemplo, a partida está marcada para às 15h00, uma das equipes não se apresenta em campo até este horário, pelo regulamento da FPF o árbitro deve aguardar 20 minutos e caso a equipe não compareça dar W.O., mas pela CBF na mesma situação o árbitro deve aguardar até 30 minutos.

Assim como é fundamental conhecer as regras do futebol e extremamente relevante conhecer o regulamento geral e específico da competição que está sendo disputada.

A seguir, seguem partes do regulamento geral da FPF e da CBF para conhecimento:

“Regulamento Geral Federação Paulista de Futebol:

Do Adiamento, Cancelamento, Suspensão e Encerramento Antecipado de Partida

Art. 14 - Constituem motivos para uma partida não se iniciar ou, após iniciada, ser declarada suspensa ou encerrada antecipadamente pelo árbitro:

I. Falta de garantia ou segurança para a partida;

II. Conflitos graves;

III. Mau estado do gramado;

IV. Falta de iluminação adequada;

V. Falta de ambulância com respectivo médico e equipamento necessário para atendimento de emergência;

VI. Motivo extraordinário, não provocado pelos Clubes, seus dirigentes e torcedores, que represente uma situação incompatível com a realização ou continuidade da partida.

§ 1º - Uma partida não iniciada poderá ser adiada ou decidida pela JD.

a) Se adiada, será disputada integralmente em horário estabelecido neste RGC ou pelo DCO.

b) Se decidida pela JD, poderá ser realizada ou resolvida por W.O.

§ 2º - Uma partida Paralisada pelo árbitro após seu início poderá:

a) Ter seguimento, se cessada a causa da paralisação;

b) Ser Suspensa;

c) Ser Encerrada Antecipadamente.

§ 3º - O árbitro deverá aguardar por, no mínimo, 30 (trinta) minutos a solução dos problemas que deram origem à Paralisação da Partida, e se tal não acontecer determinará a sua Suspensão ou

Encerramento Antecipado, conforme previsto no § 4º e § 5º deste artigo.

§ 4º - Caso a partida seja paralisada após os 30 (trinta) minutos do segundo tempo de jogo (ou dois terços do tempo total para partidas com duração inferior a 90 (noventa) minutos) e não possa prosseguir, o árbitro determinará seu Encerramento Antecipado, mantendo-se o resultado do momento, caso não haja infração a ser analisada pela JD.

§ 5º - Caso a paralisação ocorra antes dos 30 (trinta) minutos do segundo tempo de jogo (ou dois terços do tempo total para partidas com duração inferior a 90 (noventa) minutos) e não possa prosseguir no mesmo dia, o árbitro determinará a Suspensão da partida; exceto nos casos de ausência de número mínimo de atletas para o seu prosseguimento, ocasião em que será aplicado o W.O., ou recusa de sua continuidade por uma das equipes, hipótese em que a partida será decidida pela JD.

____________________________

§ 3º - Se o atraso for superior a 20 (vinte) minutos do horário marcado para o início ou reinício da partida, a ausência de qualquer das equipes acarretará a não realização ou a não complementação da mesma, sendo declarada vencedora por W.O. a que estiver presente, a menos que de outra forma decidido pela JD.”

“Regulamento Geral da CBF

Art. 57 – Nenhuma partida poderá ser disputada com menos de 7 (sete) atletas ou com a ausência de um dos Clubes disputantes.

§ 1º - Na hipótese do não atendimento ao previsto no presente artigo, o árbitro aguardará por 30 (trinta) minutos após a hora marcada para o início da partida, findo os quais o Clube regularmente presente será declarado vencedor por W.O., pelo escore de 3 a 0 (três a zero).”

O número de substituições, de atletas no banco de reservas, da comissão técnica também são de acordo com os regulamentos, isto é, além das regras da FIFA, os regulamentos são fundamentais para a competição.

Fonte: Renata Ruel

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Muita chuva e jogos da Copinha paralisados; regulamento ou regra do jogo?

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Copa São Paulo de Futebol Júnior já revelou e derrubou árbitros

Renata Ruel
Renata Ruel
São Paulo estreou na Copinha neste sábado
São Paulo estreou na Copinha neste sábado Rubens Chiri

2020 começa com a Copinha sendo esperança para os jogadores serem vistos e, de repente, terem novas e melhores oportunidades. Mas eles não são os únicos que buscam isso neste grande torneio da base.

A Copinha é uma grande vitrine para a arbitragem paulista, ao ingressar no quadro da Federação Paulista de Futebol. O primeiro grande campeonato que os árbitros mais novos terão a oportunidade de atuar é neste.

São Paulo tem um quadro vasto, sendo em torno de 500 árbitros e assistentes. Outro fator relevante a ser considerado é o tamanho do estado de SP, onde há jogos em todas as partes, e durante o ano a maioria das partidas não conta com avaliadores de arbitragem. Ou seja, a maioria dos árbitros/assistentes termina o ano sem sequer ter tido uma avaliação. O que isso significa? O ano passou sem que nenhum avaliador ou membro do departamento de arbitragem da FPF tenha visto a atuação ou possua em mãos um relatório de muitos árbitros de seu quadro.

Se o árbitro não foi visto, não pôde ser avaliado, desta forma dificilmente subirá de categoria ou terá novas oportunidades. Assim, a carreira fica estacionada.

A nova comissão de arbitragem da FPF sabe da necessidade de se revelar novos árbitros e busca ter avaliador em todos os jogos nesta Copinha de 2020, além da TV, que ajuda como vitrine.

Dependendo da filosofia adotada pela comissão, árbitros novos e mais experientes são utilizados no torneio. Se o árbitro for bem, pode ter um upgrade na carreira. Mas se for mal em algum jogo isso pode comprometer a sua temporada. Sim, já vi, durante os meus anos na arbitragem, árbitro que seria usado no Paulistão perder espaço depois de não ir bem em jogo da Copinha, e árbitro que não seria utilizado tendo oportunidades melhores na temporada.

Porém, vejo dois detalhes como pontos relevantes para o torneio e análise da arbitragem:

- O primeiro é o fator início de temporada, falta de ritmo de jogo. Isso interfere nos árbitros, assim como nos jogadores. Os árbitros estão, no mínimo, há um mês parados, sem jogos, a maioria há mais tempo que isso. Lembro da minha dificuldade de me encontrar em campo nos primeiros jogos depois de algum tempo parada e 2 a 3 partidas já eram suficientes para entrar no ritmo.

- Outro ponto é o de os assistentes trabalharem dois jogos seguidos. Gente, isso é loucura na minha opinião. São 2 jogos de 45 x 45 com uma juventude que corre mais e incansavelmente. Os assistentes chegam no segundo jogo exaustos, ainda tem o fator chuva na Copinha que deixa o campo mais pesado e acaba exigindo mais fisicamente.

No Campeonato Paulista ocorre de os assistentes trabalharem em um único dia em jogos do sub15, sub17 e sub20 e árbitros apontarem 2 e fazerem reserva em 1. Muitas vezes, em função dos horários dos jogos, relatórios e localização do estádio sequer almoçam, mas se erraram algo na partida, com certeza serão cobrados.

É importante dizer que isso muitas vezes acontece por questões financeiras, alguns árbitros gostam por ganharem mais, a Federação e clubes têm gastos menores. Porém, o espetáculo futebol pode ser prejudicado por queda de rendimento e tomadas de decisões erradas no campo. A arbitragem ainda tem muito o que evoluir, sem dúvida, mas a Copinha é o primeiro passo do ano para acompanhar as mudanças e a possível revelação de grandes árbitros e jogadores. Vamos acompanhar.

Fonte: Renata Ruel

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A reação machista, preconceituosa e podre a Ana Paula de Oliveira na Comissão de Árbitros da FPF é abominável

Renata Ruel
Renata Ruel

Ana Paula de Oliveira foi anunciada oficialmente esta semana como a nova presidente da Comissão de Árbitros da Federação Paulista de Futebol (FPF). Semana passada, aqui no blog, eu já havia anunciado a sua contratação, porém, a função não havia sido definida ainda.

Ela é uma das pioneiras da arbitragem feminina. A ex-assistente fez história ao compor junto com Silvia Regina e Aline Lambert o primeiro trio de mulheres a atuar em grandes jogos no Brasileirão e em São Paulo, grandes responsáveis por despertar o interesse de muitas meninas para o futebol.

Aninha, como é chamada pelos mais próximos, fez parte da Escola Nacional de Árbitros da CBF - da qual se desligou este ano -, é instrutora Fifa e agora a primeira mulher a ser presidente da Comissão de Árbitros.

[]

Machismo e preconceito. Que ridículo!


Com o anúncio oficial da FPF, matérias sobre o assunto foram publicadas em vários veículos de comunicação e realmente o mais assustador foram os comentários feitos por leitores, nos quais o preconceito reinou.

“Deu pra quem para subir???”

“Será que ela vai tirar a roupa durante as reuniões?”

“Famoso deu pra quem kkkkk."

“Será que vai trabalhar de BIKINI? Bem pelo menos é mais bonita que o Cel. Marinho.”

“Bucetocracia."

“É um prêmio para ela que se promoveu após vários erros gravíssimos, que resultou na eliminação do Botafogo contra o Figueirense. Após isso ela tirou a roupa, para ganhar popularidade, pq competência lhe falta.”

“Ela engordou, mas mesmo assim eu como.”

Estes são apenas alguns dos comentários em que a maioria seguem esta linha, poucos são os que concordam e desejam sucesso ou até mesmo, ao discordar, falam em competência e capacidade.

O viés machista,  preconceituoso, repulsivo e abominável reinou! Ridículo.

Ana Paula foi capa da revista Playboy, assim como Vampeta da G Magazine. Será que se fosse um homem em seu lugar, os comentários seriam os mesmos? O Vampeta é analisado pela sua competência ou por ter posado para uma revista masculina?

Renovação positiva

Sem dúvida que a nova chefe da arbitragem paulista terá que mostrar competência, atingir metas e dar excelentes resultados em sua função, que serão cobrados a curto, médio e longo prazos dentro da própria entidade.

Porém, tempo para desenvolver um novo trabalho é fundamental para ela e sua equipe, que também conta com novos nomes. As exigências devem ser feitas em cima de metas e objetivos, resultados alcançados ou não, e a competência, a qualificação e a capacidade devem prevalecer, não o gênero, a idade, cor dos olhos, etc.

O que fizeram no passado é história, agora a nova comissão tem função de gestora.

Quantos estão preparados para essa nova função? Saber fazer é diferente de saber ensinar, que também é diferente de saber gerir.

Outro fator relevante é esta nova comissão ser composta somente por ex-assistentes, não há ex-árbitros integrando este específico grupo dentro da FPF. Algo que não me recordo de ter acontecido antes. Provavelmente, ótimo para os assistentes, mas e para os árbitros?

Seguiremos acompanhando os trabalhos, acreditando que venha uma grande renovação e também melhoria na arbitragem paulista, pois a saída do Dionísio Roberto Domingos foi muito bem recebida no meio dos árbitros que estão empolgados com esta comissão.

Copa São Paulo de Futebol Júnior e Paulistão logo começarão, e estaremos de olho na arbitragem.

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A reação machista, preconceituosa e podre a Ana Paula de Oliveira na Comissão de Árbitros da FPF é abominável

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Pênalti no Brasil, mas não na Inglaterra: o que há de errado, se a regra é única?

Renata Ruel
Renata Ruel

No último final de semana, aconteceu o clássico de Manchester pela Premier League. O lance que chamou muito a atenção foi um braço de apoio da defesa, ou suporte do corpo, que bloqueou uma bola dentro da área. O árbitro em campo nada marcou, o VAR revisou e confirmou a decisão do árbitro de deixar seguir.

Transmissão da Premier Legue mostra VAR em ação
Transmissão da Premier Legue mostra VAR em ação Reprodução



Já no Brasileirão, penalidades assim foram marcadas, inclusive no jogo Flamengo x Grêmio, no qual o árbitro Raphael Claus sinalizou em campo e sua decisão foi confirmada pelo VAR.

Bola toca braço apoiado de Léo Moura: pênalti foi anotado
Bola toca braço apoiado de Léo Moura: pênalti foi anotado Reprodução TV Globo



Na final da Copa América, a penalidade também foi marcada contra o Brasil, na bola que toca o braço de Thiago Silva.

Lance em que juiz anota pênalti de Thiago Silva
Lance em que juiz anota pênalti de Thiago Silva Reprodução TV Globo



O texto da regra e o material da FIFA deixam claro que o braço usado de suporte para o corpo, apoiado ou não no chão, não constitui uma infração.

“Exceto nas situações acima, normalmente não se considerará infração se a bola tocar na mão/braço: se o jogador cair e a mão/braço estiver entre o corpo e o ponto de apoio do chão, mas não estendida para longe do corpo lateral ou verticalmente;” Livro de Regras, tradução CBF

“when a player falls and the hand/arm is between the body and the ground to support the body, but not extended laterally or vertically away from the body” IFAB  

[]

Acima, está o material usado pela FIFA para instruções durante a última Copa do Mundo Feminina na França.

Ao analisar os lances, a regra e o material, paira a dúvida:

Por que no Brasil e na América do Sul isso é pênalti? Ocorrem interpretações distintas entre os instrutores em cima da regra que é uma só? O que é passado para os árbitros europeus e ingleses em geral, que tomam decisões distintas dos nossos árbitros brasileiros em lances iguais?

A regra e o material da FIFA deixam claros os lances para se considerar infrações ou não.

Acredito que até mesmo os árbitros ficam perdidos ao receber orientações aqui que divergem das regras quando as estudam. O mesmo deve acontecer nos jogos da Europa, quando há tomadas de decisões dos árbitros distintas das suas em lances idênticos.

Com certeza algo está errado. E se a regra existe, a uniformidade de critérios se torna fundamental para uma melhora da arbitragem mundial.

De quem é a culpa? A brincadeira do “telefone sem fio” segue acontecendo? A mensagem sai da Europa de um jeito e chega de outro nas Américas?

O que se sabe com convicção é que, em lances idênticos como estes, as decisões tomadas pelos árbitros não podem ser diferentes.

 

 

Fonte: Renata Ruel

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Pênalti no Brasil, mas não na Inglaterra: o que há de errado, se a regra é única?

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Diretor que foi acusado em polêmica final Palmeiras x Corinthians cai. Mudança na arbitragem paulista?

Renata Ruel
Renata Ruel

A semana começou com a notícia da saída do diretor de arbitragem da Federação Paulista, Sr. Dionísio Roberto Domingos, que recebeu notoriedade após a final do Campeonato Paulista 2018, entre Palmeiras e Corinthians, por estar em campo sem estar relacionado para o jogo. Ou seja, sem função aparente e ter sido suspeito de influenciar na decisão dos árbitros na penalidade marcada a favor do Palmeiras. Ainda não se sabe quem ficará em seu lugar, mas o presidente Reinaldo Bastos já contratou novos nomes para integrar o departamento, Ana Paula Oliveira, Emerson Augusto de Carvalho e Tatiane Sacilotti, todos ex árbitros gerando assim uma esperança de mudanças boas para a arbitragem paulista, que realmente precisa muito se desenvolver.

Dionísio Roberto Domingos, de óculos, em reconhecimento do gramado antes da final entre Palmeiras e Corinthians
Dionísio Roberto Domingos, de óculos, em reconhecimento do gramado antes da final entre Palmeiras e Corinthians Gazeta Press

Já no Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo, o Safesp, as coisas não estão tão simples e tem ocorrido grande turbulência política este ano.

A atual gestão, liderada pelo presidente Arthur Alves Junior e que está desde 2011, deveria ter encerrado seu segundo mandato em abril passado. Conforme o Estatuto Social e o Regimento Eleitoral da entidade, era previsto ocorrer eleições para eleger a nova administração e o conselho fiscal no dia 25 de março, que deveria tomar posse no dia 11 de abril. Porém, isso foi somente a teoria, a prática foi outra.

Tudo começou com a publicação da convocação das eleições, no dia 22 de fevereiro, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, mas a administração da entidade não divulgou a realização das eleições em nenhum outro meio de comunicação oficial. Alguns acreditam que foi com a esperança de passar despercebido e ganhar o pleito sem concorrentes.

No entanto, um grupo liderado pelo árbitro Aurélio Santanna Martins descobriu e conseguiu inscrever uma chapa a tempo para concorrer nas eleições. O sindicato foi pego de surpresa, a entidade sequer estava preparada para realizar os procedimentos eleitorais e não havia uma Comissão Eleitoral devidamente constituída, como previa o Estatuto. Tanto que o registro da chapa de Arthur foi feito somente depois do registro da chapa de Aurélio.

Para complicar a história, a Comissão formada por Arthur para conduzir o processo eleitoral rejeitou o registro da chapa 01, de Aurélio, alegando que o candidato residia fora da cidade de São Paulo, ferindo o artigo 5 do antigo Regimento Eleitoral de 2003. No entanto, a entidade já tinha um novo Regimento Eleitoral, de 2004, inclusive registrado em cartório, em que tal proibição não mais existia. Mesmo com a apelação da chapa 01 no pedido de defesa, a Comissão ignorou tal fato de haver um regimento mais novo e válido e mesmo assim reprovou a candidatura de Aurélio, dando para realizar eleições com chapa única, a do então presidente.

Curiosamente, a Comissão Eleitoral tinha como seu presidente o senhor Bruno de Aquino Godoy. Por surpresa, Bruno é filho de Jair Godoy, um dos membros da diretoria da chapa de Arthur.

Diante desses fatos o candidato Aurélio, que é advogado, ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho (TRT) e a juíza do caso concedeu uma liminar cancelando a realização das eleições.

A Justiça, por fim, determinou que o Regimento Eleitoral de 2004 é o válido, e que a chapa 1 cumpria os termos previstos e, portanto, deveria ser devidamente aceita para concorrer ao voto.

Com essa decisão, Arthur Alves, por meio do Safesp, entrou com um recurso no tribunal, alegando que poderia realizar as eleições com base no regimento antigo. A Justiça negou o pedido e ordenou que novas eleições fossem realizadas que foram marcadas para o dia 18 de dezembro. Enquanto isso, a administração que deveria ter saído em abril ainda continua no poder de forma provisória.

Como é de conhecimento dos árbitros, o presidente Arthur assumiu a Comissão de Arbitragem da Federação Paraibana de Futebol desde o início do ano e, com isso, ficou afastado do Safesp desde então.

O Safesp conta com associados que atuam em jogos profissionais e amadores, porém a maioridade é de árbitros que atuam pela Federação Paulista de Futebol.

Com a nova eleição, o número de chapas inscritas aumentou para 3 e o atual presidente, Arthur, desistiu de concorrer.

Os candidatos e as chapas serão conhecidas a seguir:

Chapa 01 - “NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ – POR UM SAFESP ATUANTE”

Presidente – Renato Canadinho, 46 anos, ex-presidente da AAPR (Associação de Árbitros de Piracicaba) e ex-assessor de árbitros da FPF, reside em Piracicaba/SP

Vice – Silvio Roma, ex-diretor da escola de árbitros do SAFESP da atual gestão, reside em São Paulo/SP

Diretor financeiro – Carlos Pianósqui, atual diretor financeiro do SAFESP, reside em Taboão da Serra/SP

Chapa 02 - “O SAFESP É DOS ÁRBITROS”

Presidente – Aurélio Santanna Martins 44 anos, árbitro e advogado, reside em Jacareí/SP

Vice – Regildenia de Holanda Moura, ex-árbitra FIFA e atual instrutora de arbitragem, reside em São Bernardo do Campo/SP

Diretor financeiro – Fabricio Porfirio de Moura, árbitro assistente e funcionário público, reside em São Paulo/SP

Chapa 03 - “ALIANÇA PARA RECUPERAR”

Presidente – José de Assis Aragão, 80 anos, ex-árbitro e ex-presidente do SAFESP, reside em São Paulo/SP

Vice – José Sidney Esteves (Tio Ney), ex árbitro, reside em São Paulo/SP

Diretor financeiro – Benedito Martinho Correia (Benê), ex-árbitro e advogado, reside em São Paulo/SP

As chapas já começaram com suas campanhas, algumas propostas, mas também alguns ataques aos concorrentes, por exemplo, Canadinho tem batido na tecla de que cumpre rigorosamente o Estatuto e o Regimento Eleitoral de 2004, em referência ao artigo 5 item C, que diz que os candidatos a presidente e vice-presidente das chapas não podem, entre outras coisas, “estar em atividade no futebol profissional”.

Essa estratégia de Canadinho se refere ao fato de que, em sua opinião, Aurélio ainda está ativo apitando no futebol profissional. Desde março de 2019, Aurélio e Regildenia, sua vice, solicitaram para a Federação Paulista de Futebol afastamento de todas as partidas de competições profissionais. Regildenia se aposentou dos gramados recentemente, mas Aurélio ainda continua ativo, porém apitando apenas jogos amadores das categorias menores e do feminino.

Isso se deve por alguns acreditarem que as competições femininas são de âmbito profissional, mas a própria FPF e CBF dizem o contrário em seus regulamentos oficiais, em especial nos Regulamentos gerais de competições, nos Regulamentos específicos das competições femininas e no Regulamento de registro e transferência de atletas. Nos sites da FPF e CBF constam o histórico e as escalas de todos os árbitros do quadro, no qual na descrição da categoria todos os jogos femininos aparecem como “amador”. Outro ponto são as escalas dos árbitros que não precisam de sorteios ou audiência pública como nos profissionais masculinos, além do fato da juíza, no caso da primeira eleição, entender que a chapa estava de acordo com o regimento.

Ou seja, pelo regimento eleitoral todas as chapas parecem estar de acordo, recordando que todos devem ser associados e estarem em dia com a entidade.

A Chapa 1 conta com nomes que fazem parte da atual diretoria, Silvio Roma e Pianosqui. Desta forma a pergunta é: As mudanças necessárias realmente aconteceriam?

A Chapa 2 é dos árbitros atuantes, com exceção da Regildenia encerrando a carreira este ano, que na teoria estão sentindo no dia a dia as melhorias necessárias para a categoria, inclusive com a realidade do VAR e Fabrício Porfírio tem tido escalas consecutivas pela CBF para atuar como árbitro de vídeo. Será que é a chapa que na prática pode fazer a diferença?

Já a chapa 3 alguns arriscam dizer que é da velha guarda, ex-árbitros que deixaram de atuar há um bom tempo, fizeram parte de diretorias anteriores. O que mudou na arbitragem do tempo deles para o atual? Será que estão preparados para atender às atuais necessidades da arbitragem que são bem diferentes, em alguns pontos, da época deles?

O certo é que a arbitragem precisa de mudanças, precisa de melhorias, inclusive com a implantação do VAR. O sindicato dos árbitros precisa representar mais os seus associados e não o patrão, ser mais atuante, a Lei n°12.867 de 13/10/2013 sancionou a regulamentação da profissão de árbitro de futebol, mas na prática ainda nada aconteceu para a categoria. A Federação Paulista apostou, e agora em 2020, já no Paulistão, será possível ver os frutos dessa mudança. Em relação ao sindicato, cabe aos próprios árbitros terem a consciência da importância do seu voto para uma gestão eficiente, eficaz e que realmente fortaleça a categoria.

O futebol está em evolução diária, novas tecnologias, atletas cada vez mais velozes, táticas apuradas, estudos diários. E a arbitragem também precisa de renovação, é nítida a necessidade de árbitros e instrutores melhores, mais capacitados, com aprimoramento frequente. Assim o futebol no geral tem a ganhar, isso mostra a importância de olhar o que acontece na arbitragem paulista e brasileira.

Se a arbitragem não funcionar nos bastidores, imagina dentro do campo.

Fonte: Renata Ruel

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Árbitra é agredida em campo e perde a memória

Renata Ruel
Renata Ruel

As agressões aos árbitros são mais constantes do que se pode imaginar, principalmente em campeonatos amadores, onde não há segurança como em jogos profissionais e os regulamentos das competições raramente punem os agressores de forma severa.

No último final de semana, Leidiane Nunes de Albuquerque, conhecida como Ane, foi bandeirar um jogo do campeonato amador de Salvador/BA e foi agredida.  Segundo o relato da árbitra da partida, Yasmim Sousa (pertencente ao quadro da Federação Baiana de Futebol), após a marcação de uma falta, um jogador da mesma equipe que sofreu a infração queria obrigá-la a aplicar cartão amarelo ao infrator.

A árbitra explicou que a falta não era para amarelo, mesmo assim a reclamação seguiu e então quem tomou o cartão amarelo foi este jogador. A partir daí a confusão começou, o jogador amarelado chamou Yasmin de “palhaça”, disse que ela queria “aparecer” e acabou expulso.

Mais dois jogadores, então, se aproximaram, e a árbitra sofreu duas agressões. Foi quando a árbitra assistente Ane entrou em campo para tentar ajudar. Ane levou um soco no rosto de um dos jogadores. O nome do agressor não foi revelado. Ela não teve tempo de sequer tentar se defender, caiu no chão, conseguiu se levantar e dar uns cinco passos, mas em seguida caiu desmaiada em campo.

Yasmim disse que teve que fugir do local para não ser mais agredida e, então, foi encontrar Ane na emergência de um hospital, na UPA, a tirou de lá. A levou para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde a assistente passou pelo neurologista, fez exames na cabeça que não constataram nada.

Yasmim ainda relata que, ao chegar em casa, por volta das 20h, Ane ficou agressiva, não reconhecia ninguém, nem mesmo o seu filho. A levaram novamente ao HGE onde novos exames foram realizados, mas novamente nada constataram. Porém, a árbitra assistente perdeu totalmente a memória, pelo menos até o momento. Pergunta o tempo todo o que aconteceu, quem é quem.

Desde então nada mais foi feito, ou seja, Ane foi agredida com um soco, perdeu a memória, os exames nada constataram, os responsáveis pela organização do torneio e o sindicato dos árbitros local não assessoraram em momento algum.

Um profissional sai de casa para exercer o seu trabalho, é agredido, perde a memória e nenhuma providência foi tomada até agora. Não é questão de gênero, de ser campeonato profissional ou amador, mas sim de respeito ao ser humano que está ali trabalhando.

A agressão constante e a falta de punição no futebol faz com que o esporte se torne uma “zona de guerra”. O árbitro vai para o jogo trabalhar em um local de certa forma com risco de periculosidade, não sabendo o que pode lhe passar ao tomar decisões em campo.

Que as providências sejam tomadas prontamente para a melhora da saúde de Ane e que os responsáveis pelas agressões sejam severamente punidos. A segurança é um dos princípios do futebol e que ela prevaleça inclusive para os árbitros.

Já em Chapecó, um árbitro teve fratura no antebraço após agressões sofridas durante um jogo, no qual a assistente Daiane Bellaver também foi vítima. Neste caso, o sindicato local publicou uma carta de repúdio, diz que irá acompanhar o caso, mas não esclarece se dará o suporte necessário às vítimas.  Veja carta a seguir:

Respeito aos árbitros, respeito ao jogo, Fair Play, respeito ao ser humano, só assim para o espetáculo em campo ser completo.

 

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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Árbitra é agredida em campo e perde a memória

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E a vantagem no pênalti para o Brasil na final do Mundial sub-17?

Renata Ruel
Renata Ruel

O Brasil é campeão mundial sub-17 masculino após ganhar de virada por 2 a 1 do México, jogando em casa.

O gol de empate brasileiro saiu depois de o VAR sugerir revisão ao árbitro em um lance no mínimo inusitado.

Aos 35 minutos, Veron entra na área com a bola, faz o passe para Lázaro, que chutou em cima da defesa; a bola sobrou para Daniel Cabral, que arriscou da intermediária e mandou no travessão - na sequência, Gabriel Veron cabeceou por cima.

O que, à princípio, seria no campo tiro de meta, virou lance de VAR, o qual encontrou um carrinho de Alejandro Gomez sobre Gabriel Veron logo no início da jogada e sugeriu revisão ao árbitro de campo.

Kaio Jorge se prepara para cobrar o pênalti durante Brasil x México
Kaio Jorge se prepara para cobrar o pênalti durante Brasil x México Getty

O árbitro entendeu como penalidade, e o Brasil empatou na cobrança com Kaio Jorge.

A questão é se não houve vantagem na penalidade, pois o jogador Veron recebeu falta sim, mas na sequência conseguiu realizar o passe.

Na regra do jogo - entre os textos que citam a lei da vantagem - consta o seguinte:

“O árbitro:

• permitirá que o jogo continue quando a equipe que sofrer a infração se beneficiará da vantagem, devendo marcar a infração ou falta se a vantagem prevista não se concretizar nesse momento ou dentro de poucos segundos.”

Primeiro é importante diferenciar posse de bola com a vantagem: a equipe pode ter seguido com a bola após seu jogador sofrer uma infração, mas isso não significa que ela teve realmente uma vantagem no lance.

A vantagem se caracteriza dependendo da gravidade da infração, da distância da meta (quanto mais próxima da então adversária maior a vantagem), o ambiente do jogo e a possibilidade de um ataque perigoso contra a meta adversária.

A equipe pode manter a posse de bola após sofrer uma falta, porém estar no seu campo de defesa, rodeada de jogadores adversários, sem uma chance de criar um ataque perigoso, isto é, não há uma vantagem clara.

Quando a equipe mantém a posse de bola, mas não há vantagem, o ideal é a marcação da falta.

Em um lance de penalidade, a instrução é que a infração seja marcada - a vantagem só ocorrerá se a equipe imediatamente na sequência marcar um gol.

No lance do jogador brasileiro dentro da área, Veron faz um passe e sofre a falta, existe falta fora da jogada, fora da disputa de bola. O árbitro não viu o lance faltoso no campo, então não se pode dizer sequer que ele aplicou a vantagem. Se tivesse visto no campo, pela instrução, teria marcado, não aplicado vantagem e o VAR não chamaria para a revisão.

Campeão e melhor jogador do Mundial sub-17, Veron se abre: 'Dia mais feliz da minha vida'

O pênalti é considerado uma oportunidade clara de gol, diferente da maioria das faltas que ocorrem durante a partida, por isso na questão da vantagem tem um tratamento um pouco diferente dos outros lances.

Após sofrer a penalidade, mesmo conseguindo fazer o passe, a jogada não acabou em gol; ou seja, o Brasil teve uma penalidade a seu favor visto pelo VAR na qual não ocorreu uma vantagem de gol na sequência.

Desta forma a penalidade prevalece, foi bem marcada, e o Brasil foi “salvo pelo VAR” neste lance que ajudou a legitimar o resultado.

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Liverpool x City: Falta, pênalti ou gol?

Renata Ruel
Renata Ruel


Liverpool x City era o jogo mais esperado da Premier League, pelo menos nesse começo de campeonato, pois se trata do atual campeão inglês contra o atual campeão da Europa.

E o primeiro gol da partida aconteceu depois de um lance polêmico, ou seja, City no ataque dentro da área do Liverpool, bola toca na mão do Bernardo (City) de forma acidental e em seguida toca no braço do defensor do Liverpool que estava com o braço aberto, ampliando o seu espaço corporal em um movimento nada natural e gerando um bloqueio para a bola.

O árbitro não marcou mão do atacante e tampouco braço do defensor, a jogada seguiu, o Liverpool foi para o ataque, marcou seu primeiro gol no jogo e saiu na frente do rival.

É protocolo do VAR, após um gol, analisar e rever todo o lance que pode ter originado o gol. Isso foi feito nesse lance da Premier League e o gol confirmado.

A regra especifica a questão de um toque de mão/braço do atacante, mesmo que seja totalmente acidental na bola, considerando que o futebol não aceita um gol de mão, então desta forma uma falta deverá ser marcada para a equipe adversária se esse toque involuntário der origem a um gol ou criar uma oportunidade clara de gol.

O toque do Bernardo foi involuntário, já no caso do defensor do Liverpool, na minha opinião, o braço ampliava o espaço corporal e não era uma posição natural, podendo ser considerado uma infração. Porém, a regra da FIFA entende que um pênalti é uma oportunidade clara de gol, ou seja, após o toque acidental na mão do atacante do City a bola toca no braço do defensor e um pênalti não poderia ser marcado por ter origem em uma mão do atacante.

Bola toca no braço de Alexander-Arnold dentro da área do Liverpool
Bola toca no braço de Alexander-Arnold dentro da área do Liverpool Getty Images

Então, deveria ter sido marcada a falta na área a favor do Liverpool? Sim, se o árbitro tivesse visto na hora e em campo, mas ele provavelmente não viu e a jogada seguiu. O gol saiu, o VAR analisou e confirmou o tento para o Liverpool.

E a decisão do VAR foi correta? Sim, pois a regra também fala da lei da vantagem que pode ser aplicada para uma equipe que teria uma infração a seu favor e foi isso que aconteceu. O VAR não iria anular um gol para dar uma falta a favor do Liverpool em sua área penal, pois estaria beneficiando o infrator e tirando um gol para dar a falta a favor do mesmo time. Falta, pênalti ou gol? Gol.

Porém, fica fácil lembrar do gol anulado do Palmeiras contra o Inter. No lance Dudu sofreu a falta na entrada da área, pode-se dizer que por consequência disso a bola toca em seu braço acidentalmente, a jogada segue e, após um passe, o gol é marcado. Por protocolo o VAR revisa e vê o toque da bola no braço do Dudu, sugere revisão do árbitro que anula o gol. Conforme a regra já citada, uma infração deve ser marcada se um toque na mão/braço originar um gol ou uma oportunidade clara de gol e no lance do Dudu, após o toque em seu braço, foi criada uma oportunidade clara de gol e em seguida o gol, não permitido pela regra. Naquela ocasião o erro da arbitragem foi, depois de anular o gol corretamente, marcar falta do Dudu ao invés de falta nele, que ocorreu primeiro e então o Palmeiras não levou a vantagem em função do toque no braço.

A diferença entre os lances de Liverpool x City e Palmeiras x Inter é que a infração do braço do Dudu originou o gol do próprio time e o braço do Bernardo originou o gol do adversário. Por isso um foi marcado e o outro anulado.

Fonte: Renata Ruel

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Libertadores: Futebol e a arbitragem em alto nível

Renata Ruel
Renata Ruel
Patricio Loustau apitou a partida
Patricio Loustau apitou a partida Getty

Segundo jogo da semifinal de Libertadores com Boca x River, uma das maiores rivalidades do mundo e arbitragem brasileira comandada por Wilton Pereira Sampaio em La Bombonera. Foi um jogo difícil para a arbitragem, com certeza,  muito disputado, pegado, com malandragem, mas tenho que admitir que a arbitragem foi uma das melhores que já vi. Árbitro bem posicionado, com controle de jogo, assertividade acima da média.

Flamengo x Grêmio decidiram a outra vaga para a final. O árbitro Patrício Loustau foi o comandante, teve um primeiro tempo excelente, não direi perfeito, pois logo no começo do jogo houve um tiro de canto a favor do Flamengo onde foi assinalado tiro de meta. No segundo tempo teve o pênalti polêmico para o Flamengo em cima do Bruno Henrique. É interessante dizer que o VAR respeitou a decisão em campo. Como acontece muito na Premier League, o árbitro viu em campo, estava bem posicionado e decidiu. Não foi um erro claro e óbvio e o protocolo do VAR foi cumprido.

Existem árbitros que tornam jogos fáceis em partidas bem difíceis em função das suas tomadas de decisões e postura em campo, mas também acontece o contrário, os que tornam partidas teoricamente difíceis, muitas vezes pela rivalidade e fase da competição, em fáceis.

Segundo jogo da semifinal de Libertadores, clássico argentino,  a possível “guerra” foi só futebol, em função de uma excelente arbitragem. Maracanã, empate no primeiro jogo, grande rivalidade brasileira, uma boa arbitragem, onde poderia se discutir uma penalidade polêmica, um lance interpretativo, porém com assertividade na maioria das decisões, com ótimo controle de jogo e o futebol apresentado pelo Flamengo. Uma vitória com grande folga no placar, uma apresentação de luxo da equipe carioca apaga qualquer discussão sobre a polêmica do jogo e interferência no resultado.

Todos ganham quando isso acontece e aguardaremos um grande jogo e uma arbitragem desse mesmo nível para  Flamengo x River na final.

Fonte: Renata Ruel

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Arbitragem feminina e mulheres sofrem discriminação em programa de rádio

Renata Ruel
Renata Ruel

Quem acha que a discriminação no futebol acabou está enganado. Infelizmente ela ainda existe e está bem explícita, inclusive em programa esportivo, como se pode observar nas declarações do senhor Daniel Campelo na rádio Jovem Pan Ceará, no último domingo (13). Quando questionado sobre o que acha das mulheres estarem tomando conta da arbitragem, respondeu: “Não acho uma boa não. Acho que mulher tem que tomar conta da casa, e do marido e dos filhos.”

Mulheres ainda são vítimas de preconceito
Mulheres ainda são vítimas de preconceito Angelo Blankespoor/Soccrates/Getty Image

Com a repercussão negativa de sua fala, Campelo teve a oportunidade de se desculpar na mesma rádio nesta segunda (14), porém ratificou seu comentário anterior e ainda acrescentou algumas falas a mais como: “esse negócio de mulher metida com macho dentro de estádio”, e suas palavras não pararam por aí.

César Augusto, operador de áudio da Rádio Jovem Pan CE, publicou em seu Twitter que o Sr Daniel não faz mais parte da equipe de esportes da rádio.


O Sr Campelo demonstrou com palavras um pouco do que o treinador do Bahia, Roger Machado, disse durante sua entrevista coletiva, após jogo no sábado (12) contra o Fluminense: “Para mim nós vivemos um preconceito estrutural, institucionalizado. O preconceito que sofri não foi de injúria racial. O que sofro é quando vou a um restaurante e só tem eu de negro. Fiz uma faculdade onde era só eu era negro. As pessoas podem falar que não há racismo porque estou aqui e eu nego: há racismo porque só eu estou aqui.” E não parou por aí: “Esses casos que vêm aumentado agora, de feminicídio, homofobia e preconceito racial, mostram que a estrutura social é racista. Ela sempre foi racista.”

Ou seja, o preconceito não acabou, ao contrário, está mais vivo do que nunca no Brasil e presente no futebol. Ainda há discriminação com mulheres, com negros, há homofobia. Não, não podemos generalizar, existe sim quem lute para que todos tenham o seu espaço, para no âmbito profissional se analisar a competência, a qualificação e não o gênero, a idade, cor de olhos entre outros.

Já escutei muitas coisas neste tempo que trabalho com o futebol, por exemplo: “Eu não me casaria com uma mulher que trabalha com futebol.”; “Não estou feliz em saber que você tem mais sucesso profissional do que eu que sou homem.”; “Torço para mulheres reprovarem no teste físico.. Sim, vi colegas sendo chamados de “macaco”, mulheres de coisas que não me sinto confortável em reproduzir e muito mais.

Uma mudança cultural se faz necessária, o respeito ao próximo deve prevalecer. Pois chega de preconceito e lugar de mulher é onde ela quiser.

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Arbitragem feminina e mulheres sofrem discriminação em programa de rádio

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Onde está o problema do VAR no Brasil?

Renata Ruel
Renata Ruel
Cabine do VAR
Cabine do VAR Gazeta Press

O VAR tem sido protagonista no Brasil, quando sabemos que os melhores árbitros são aqueles que passam despercebidos na partida, na qual suas decisões foram acertadas.

O VAR é uma ferramenta tecnológica que veio para auxiliar na legitimação do resultado, porém seu uso é feito por árbitros. E essa é a grande questão, as pessoas que se utilizam dessa tecnologia para tomar as decisões.

A implantação do árbitro de vídeo foi feita de forma extremamente rápida no Brasil. Diferente da Premier League, aqui mal houve tempo de treinamento para os árbitros começarem a fazer uso dos equipamentos.

A empresa que opera o VAR no Brasil é a mesma da Premier League, FIFA e entras grandes competições. Se funciona bem em outros países, será que o problema no Brasil não está justamente nos árbitros que trabalham com ela? Ou nas instruções e diretrizes que recebem?

              

O Flamengo ganhou da Chapecoense com um lance checado pelo VAR de possível impedimento. Na regra, impedimento é factual, ou está ou não está impedido em relação ao posicionamento, constituindo uma infração. A tecnologia traça linhas 3D para ser conclusiva e devemos acreditar que sua manipulação seja correta. Poderia ser mais transparente, assim como se observa na Inglaterra, com as imagens abertas ao público mostrando toda a analise desde seu princípio, deixando mais fácil a compreensão do procedimento realizado.

Em lances de impedimentos factuais, o VAR funciona muito bem, e é importante ressaltar que corrigiu grande parte de erros de assistentes no campo de jogo, ou seja, se não fosse a ferramenta tecnológica, no campo, teríamos um índice significativo de erros de “bandeirinhas” que iriam interferir diretamente nos resultados, alguns lances de alto grau de dificuldade e outros nem tanto.

Já o grande problema segue sendo em lances interpretativos, ou melhor, não factuais. Em alguns lances de mão, a penalidade foi assinalada, em outros parecidos, não. Grêmio x Corinthians teve um lance de mão no qual pelo entendimento da arbitragem não foi pênalti, porém a regra tem dado margem para visões distintas. Será que a biomecânica dos jogadores está sendo considerada?

O Cruzeiro teve um pênalti marcado a seu favor contra o Internacional, no qual o árbitro bem posicionado deixou o lance seguir, o VAR o chama e a opinião muda. Se o árbitro viu o lance e tomou a decisão no campo, o VAR deveria chamar? Já no Palmeiras x Athletico ocorreu o contrário do lance anterior, o árbitro estava olhando a cobrança de falta, não vê as duas mãos de Felipe Melo nas costas de Igor Rabelo dentro da área e o VAR sequer chama sugerindo revisão.

              

Faltam critérios, falta uniformidade não só na utilização do VAR, mas também nas decisões dos árbitros dentro do campo e no vídeo. O treinamento foi curto para a tecnologia, mas as instruções dadas aos árbitros podem gerar mais duvidas do que esclarecimentos, quando um instrutor fala algo e outro discorda, o árbitro fica perdido e se torna difícil ter a uniformidade de critérios.

O problema não está no VAR, mas está sim em quem opera a ferramenta e quem está dentro do campo, no treinamento, nas instruções recebidas ou na falta destas. Está na falta de análise do árbitro de vídeo em definir um erro claro e óbvio, em diferenciar a câmera lenta da jogada normal (quando necessário), de repente de entender o jogo de futebol e pode estar também na falta de personalidade do árbitro em manter a sua decisão em campo quando está correto ou na humildade de voltar atrás e mudar de opinião após análise de vídeo.

A qualidade da arbitragem brasileira precisa melhorar, não se pode ter na elite o mais bonitinho ou a mais bonitinha, o mais amigo ou mais amiga, precisa ter os melhores, por meritocracia.

              

Quem só de regra entende, nem de regra entende, precisa entender de arbitragem. Quem só de arbitragem entende, nem de arbitragem entende, precisa entender de futebol. E quem só de futebol entende, nem de futebol entende, pois há um universo inserido nesse contexto, seja cultural, tático, social.

Não é mais na tecnologia que se deve investir, ela já é uma realidade, mas sim nos seres que estão ali para utilizá-las, ou seja, nos árbitros.

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Onde está o problema do VAR no Brasil?

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Champions League de volta e com polêmicas de arbitragem

Renata Ruel
Renata Ruel
Árbitro dá pênalti em Chelsea x Valencia
Árbitro dá pênalti em Chelsea x Valencia Getty Images

Os apaixonados por futebol esperavam ansiosamente pela volta da Champions League. Nada como ver as grandes equipes e os craques da Europa em ação.

Para a arbitragem, é uma grande oportunidade. São os árbitros da FIFA em ação, os melhores do mundo. Pelo menos na teoria.

No Brasil muito se discute regras. A atuação da arbitragem é assunto em lances polêmicos. Jogadores “testam” e pressionam os árbitros, a imprensa, torcedores, dirigentes discutem os lances.

Na Europa poucas vezes se vê jogadores, treinadores e dirigentes contestando as decisões da arbitragem.

Em um resultado de certa forma até surpreendente, o atual campeão Liverpool perdeu ao estrear na competição, fora de casa, para o Napoli por 2 a 0.

A partida estava empatada até os 82 minutos, quando o árbitro Felix Brych viu pênalti de Andrew Robertson em Callejón. Uma penalidade bastante contestada. No Brasil, possivelmente o árbitro seria crucificado pela sua marcação. Há um contato físico, porém é importante ressaltar que o futebol é jogo de contato, é preciso diferenciar o contato de jogo, do contato faltoso, entender quando o jogador busca o contato para simular uma falta e quando ele realmente recebe um contato faltoso de seu adversário, quando a intensidade empregada, a força e/ou velocidade da ação são  suficientes para uma infração e quando não. Analisando o lance, não vejo uma ação faltosa e não marcaria a penalidade.

A FIFA busca em seus aprimoramentos com os árbitros deixar a diferença bem nítida de um e de outro, para de certa forma uniformizar os critérios, porém hoje a instituição máxima do futebol também busca dar certa liberdade para a arbitragem em campo, tentando não “robotiza-la”. Ainda costuma dar um retorno, um feedback de suas atuações às equipes de arbitragem depois dos jogos.

De repente, a Champions League pode ser a oportunidade de ver os critérios dos árbitros europeus e comparar com os brasileiros. Pois, será que as instruções chegam iguais para todos em todos os cantos do mundo? Ou será que os árbitros e instrutores na Europa, até por estarem mais próximos da sede da FIFA, recebem diretrizes e atualizações mais constantes, tomando decisões distintas dos nossos árbitros brasileiros?

Chegou a hora de aproveitar a temporada europeia para também analisar a arbitragem, seja na Champions League, Premier League, LaLiga.

Onde tem árbitro, pode ter polêmicas e os olhos estarão sempre atentos.

Fonte: Renata Ruel

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Champions League de volta e com polêmicas de arbitragem

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Gritos e violência verbal: a homofobia e discriminação que vivenciei nos estádios

Renata Ruel
Renata Ruel
Renata Ruel durante a época de assistente
Renata Ruel durante a época de assistente Gazeta Press

Quantas vezes em estádio vivenciei homofobia e discriminação? Inúmeras, comigo, com colegas, com jogadores, treinadores e até mesmo entre torcedores.

Em uma partida em que atuei como assistente 1, que fica do lado do banco de reservas, o alambrado do estádio era bem próximo ao campo. O quarto árbitro foi chamado de “macaco” por dois torcedores que estavam atrás de mim no alambrado e próximo ao meu colega. No momento do ocorrido, eu quis paralisar a partida, chamar o árbitro, solicitar o policiamento, fazer um boletim de ocorrência, mas o quarto árbitro pediu para deixar de lado, que já estava acostumado com aquilo, era comum e constante em sua vida.

Comum talvez, normal jamais. Não é por ser algo corriqueiro ou comum que se pode tratar como normal.

Escutei de tudo nos estádios, algumas coisas impossíveis de pronunciar e repetir. Frases como “você só pode ser sapatão para estar no futebol”, “lugar de mulher é na cozinha”, “seu viado”, “seu macaco” e essas são amenas perto de outras que jamais conseguiria escrever ou dizer.

Um outro fato interessante de relatar e que gerou um grande mal entendido foi quando o árbitro percebeu/entendeu que um jogador era chamado de “Neguinho” por seus companheiros. Esse árbitro costumava conversar com os jogadores os chamando por seus nomes ou apelidos. Em um lance de jogo, se dirigiu ao jogador como “Neguinho” e foi quando a confusão se criou, pois o jogador se revoltou se sentindo ofendido pelo árbitro, achando que estava sendo discriminado, correndo o campo para contar ao seu treinador, querendo parar o jogo. Só depois de algum tempo deu a oportunidade ao árbitro de explicar que havia sido uma mal entendido e que jamais quis ofender. Os ânimos se acalmaram, mas ficou uma lição para toda equipe de arbitragem que participava daquele jogo, inclusive eu.

Essas são apenas duas histórias de dezenas que eu poderia contar de situações vivenciadas em jogos de futebol.

Cruzeiro e Vasco jogaram este final de semana pelo Brasileirão e a torcida mineira entoou cânticos homofóbicos baseados em discurso de ódio contra a comunidade LGBTQ+ quando o sistema de som do Mineirão anunciou o gol do Corinthians contra o Atlético-MG, por volta dos 42 minutos do segundo tempo. O árbitro Marcelo Aparecido, diferentemente da atitude de Anderson Daronco na partida entre Vasco x São Paulo, não paralisou o jogo e tampouco relatou o fato em súmula.

Porém, isso não impede uma punição à equipe mineira, que pode ser enquadrada no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.


Na partida entre Vasco x São Paulo, no último dia 25/08 no Rio de Janeiro, mais especificamente no estádio de São Januário, pela primeira vez um árbitro, neste caso Anderson Daronco, parou o jogo em função de gritos homofóbicos e relatou o fato na súmula. Os árbitros que deixarem de relatar fatos ocorridos durante a partida dos quais tiverem acesso e conhecimento, também podem ser questionados pelo STJD.

“Clubes da série A se unem pelo combate à homofobia, não somente em campo, mas no dia a dia. São inaceitáveis práticas ainda existentes em nossos estádios: temos que dar um basta!”, texto divulgado por todos os 20 clubes da série A no Twitter, no último dia 30/08.

Quem acompanha o futebol sabe que cantos assim são comuns em alguns estádios e partidas, não somente no Brasil, são formas de provocar o adversário, alguns podem até mesmo cantar por entrarem na onda e no clima da torcida, não por serem homofóbicos, mas hoje isso não é permitido, é considerado crime e as equipes podem ser punidas até com perda de pontos.

Ser comum não pode ser confundindo com ser algo normal. Nenhum tipo de preconceito é normal, seja ele qual for. A CBF lançou recentemente a campanha de respeito aos árbitros, mas o respeito deve ser mútuo, ou seja, árbitros, jogadores, adversários, torcedores, dirigentes, jornalistas, independente de classe social, gênero, religião, idade, estatura, cor dos olhos, pessoas com algum tipo de deficiência, respeitar sempre as diferenças, seja ela qual for, é relevante para todo o tipo de convívio.

Respeito é a palavra chave, além de normal, ela deve se tornar comum.

Que isso sirva de aprendizado para todos, para um futebol e uma sociedade melhor. O que antes poderia ser uma “brincadeira” para alguns, hoje é crime.

“RESPEITO: ESSA É A REGRA DO JOGO.” E deveria ser uma das principais Regras da Vida.

Fonte: Renata Ruel

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Gritos e violência verbal: a homofobia e discriminação que vivenciei nos estádios

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CBF lança campanha de respeito à arbitragem, mas alguns árbitros sequer têm uniformes para atuarem nos jogos

Renata Ruel
Renata Ruel

A CBF lançou nesta segunda-feira uma campanha pregando respeito à arbitragem, o tema é “Respeito: Essa é a Regra do Jogo.”

O presidente da entidade máxima do nosso futebol, Rogério Caboclo, pediu mais tolerância e consideração ao trabalho dos árbitros, ainda disse que a ideia é sobretudo pelo respeitos às regras e ao futebol, objetivando um melhor espetáculo , menos cartões por reclamação, menos paralisações e mais justiça, ratificando que todos os protagonistas do futebol merecem respeito.

A campanha será veiculada nas mídias, redes sociais e nos estádios e os árbitros deverão usar um escudo no peito durante os jogos do Brasileiro.

Em Grêmio x Palmeiras, árbitro errou no lance que originou gol do empate; Renata Ruel explica por que VAR não entrou em ação

Sem dúvida que a campanha é de extrema importância, na verdade algo parecido com a famosa campanha da Fifa “MY GAME IS FAIR PLAY”, na qual o “JOGO LIMPO” deve partir de todos, justamente mostrando respeito ao futebol, aos árbitros, jogadores, torcedores, adversários e todos que tanto amam essa modalidade e desejam acompanhar um espetáculo.

A questão é pedir respeito, dar um escudo para os árbitros usarem no peito conforme a campanha, mas não oferecer sequer uniformes para todos os árbitros do seu quadro. O primeiro passo para o respeito, a partir do momento que os árbitros são obrigados a usarem os uniformes oferecidos pelas entidades que pertencem (CBF, FPF, etc.), é todos tê-los, mas infelizmente não é o que acontece.

Se observarem nos jogos do Brasileirão o uniforme da equipe de arbitragem, identificarão o mesmo de 2018, inclusive o ano consta no escudo que está na camisa, identificando- os como árbitros ou assistentes, ou seja, é o segundo semestre de 2019 e até o momento os árbitros não receberam uniformes e muito menos o escudo do quadro da CBF que normalmente são entregues no começo do ano. Muitos sequer têm o fardamento do ano passado ou apenas parte destes (camisas, calções, mas não meiões, por exemplo), os novos que ingressaram no quadro este ano não receberam nada.

Foi pênalti ou não? Renata Ruel analisa lance polêmico não marcado em São Paulo x Ceará

Árbitros que não possuem uniformes quando estão escalados olham na escala geral, verificam quem está de fora e correm para conseguir emprestado, inclusive o escudo. Algo mais fácil quando se tem colegas que moram próximos, porém mais difícil quando se vive em cidades mais distantes.

Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2017 as árbitras paulistas não receberam as camisas, somente calções e meiões, tendo que correr atrás de camisas masculinas dos árbitros em cada escala que tinham, os uniformes têm modelos masculinos e femininos. Em 2018 alguns árbitros pegaram o modelo e fizeram em costureiras para ter como trabalharem sem precisar pegar emprestado o uniforme de alguém.

Em Cruzeiro x Santos, expulsão de Gustavo Henrique foi correta; Renata Ruel explica por que

O respeito com os árbitros deve começar desde o uniforme, o escudo, as escalas e PTAs saindo em tempo hábil para uma boa programação, testes físicos bem programados onde não esperem horas para entrarem na pista, aprimoramentos e diretrizes constantes, o tratamento profissional, onde a Lei nº 12.867/13 regulamenta a profissão, mas na prática nenhuma mudança realmente ocorreu.

O árbitro é um ser humano e merece muito respeito por parte de todos, sem exceção.  

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CBF lança campanha de respeito à arbitragem, mas alguns árbitros sequer têm uniformes para atuarem nos jogos

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Arbitragem não tem o que esconder, e a CBF está deixando isso claro

Renata Ruel
Renata Ruel


         
    

Fonte: Renata Ruel

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Em primeiro jogo de uso, VAR inglês dá aula no brasileiro

Renata Ruel
Renata Ruel
Josep Guardiola conversa com árbitro enquanto espera pela decisão do VAR aparecer no telão
Josep Guardiola conversa com árbitro enquanto espera pela decisão do VAR aparecer no telão ESPN

A expectativa do uso do VAR era enorme no campeonato mais tradicional do mundo, e ele tomou conta do segundo tempo da partida West Ham 0x5 Manchester City pela Premier League, dando aula de como atuar, de onde e como interferir, com checagens rápidas e a sensacional experiência e oportunidade para quem está no campo e quem está assistindo na telinha verem em tempo real o que está sendo checado pelo árbitro de vídeo, proporcionando uma transparência enorme para quem acompanha a partida.

Gabriel Jesus marcava o seu segundo gol no jogo, confirmado pela arbitragem em campo, todos se posicionando para o tiro de saída, e aparece no telão do estádio e na tela da TV a checagem de impedimento pelo VAR. Lance extremamente difícil no campo para o assistente, muito ajustado, uma pequena parte do ombro estava mais próxima da linha de fundo do que o penúltimo jogador, caracterizando assim a infração.

Porém, aqui no Brasil, os técnicos que estão manipulando a imagem têm demorado em torno de 5 minutos para detectar se foi ou não infração, tendo que puxar muitas vezes uma linha 3D.

Já na Premier League, não chegou a 2 minutos a checagem.

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Ou seja, o tempo de espera para confirmar ou não o gol, em jogada absurdamente ajustada e difícil, foi significativamente menor do que tem sido no Brasil, com o grande detalhe da empresa que atua no VAR ser a mesma aqui e na Inglaterra.

Logo depois vem o gol de Sterling - também com um grau de dificuldade enorme - dado pelos árbitros em campo, checado pelo VAR, novamente com a imagem sendo vista por todos e confirmado com grande rapidez, criando expectativa, mas sem tempo de entediar quem assistia no campo ou pela TV.

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E para encerrar com chave de ouro, pênalti assinalado pelo árbitro no campo a favor do City, lance interpretativo que alguns poderiam até questionar, mas o VAR não interferiu na marcação, manteve a decisão seguindo o protocolo que criaram.

Na cobrança, o goleiro do West Ham defendeu e no rebote seu companheiro chutou a bola para escanteio. Entrou a checagem do VAR, não para verificar se goleiro se adiantou, pois no protocolo inglês isso ficará como na regra, isto é, a cargo somente do assistente, mas sim por haver interferência direta de invasão na área.

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Ou seja, o VAR sugeriu ao árbitro voltar a cobrança da penalidade em função de invasão e vantagem por parte do jogador que justamente pegou o rebote do goleiro e jogou a bola pela linha de fundo, algo também inusitado e interferência totalmente correta.

Sim, o VAR entrou em ação e não foi pouco, uma apresentação espetacular de boas-vindas, sem demoras que acabam com a paciência de quaisquer pessoas.

Uma aula para o Brasil e o mundo de como, quando e onde atuar e interferir. Que seja assim o campeonato todo, que todos aprendam com o VAR de hoje: copiar o que dá certo e funciona é relevante para o bem do futebol.

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