Libertadores: Futebol e a arbitragem em alto nível

Renata Ruel
Renata Ruel
Patricio Loustau apitou a partida
Patricio Loustau apitou a partida Getty

Segundo jogo da semifinal de Libertadores com Boca x River, uma das maiores rivalidades do mundo e arbitragem brasileira comandada por Wilton Pereira Sampaio em La Bombonera. Foi um jogo difícil para a arbitragem, com certeza,  muito disputado, pegado, com malandragem, mas tenho que admitir que a arbitragem foi uma das melhores que já vi. Árbitro bem posicionado, com controle de jogo, assertividade acima da média.

Flamengo x Grêmio decidiram a outra vaga para a final. O árbitro Patrício Loustau foi o comandante, teve um primeiro tempo excelente, não direi perfeito, pois logo no começo do jogo houve um tiro de canto a favor do Flamengo onde foi assinalado tiro de meta. No segundo tempo teve o pênalti polêmico para o Flamengo em cima do Bruno Henrique. É interessante dizer que o VAR respeitou a decisão em campo. Como acontece muito na Premier League, o árbitro viu em campo, estava bem posicionado e decidiu. Não foi um erro claro e óbvio e o protocolo do VAR foi cumprido.

Existem árbitros que tornam jogos fáceis em partidas bem difíceis em função das suas tomadas de decisões e postura em campo, mas também acontece o contrário, os que tornam partidas teoricamente difíceis, muitas vezes pela rivalidade e fase da competição, em fáceis.

Segundo jogo da semifinal de Libertadores, clássico argentino,  a possível “guerra” foi só futebol, em função de uma excelente arbitragem. Maracanã, empate no primeiro jogo, grande rivalidade brasileira, uma boa arbitragem, onde poderia se discutir uma penalidade polêmica, um lance interpretativo, porém com assertividade na maioria das decisões, com ótimo controle de jogo e o futebol apresentado pelo Flamengo. Uma vitória com grande folga no placar, uma apresentação de luxo da equipe carioca apaga qualquer discussão sobre a polêmica do jogo e interferência no resultado.

Todos ganham quando isso acontece e aguardaremos um grande jogo e uma arbitragem desse mesmo nível para  Flamengo x River na final.

Fonte: Renata Ruel

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E a vantagem no pênalti para o Brasil na final do Mundial sub-17?

Renata Ruel
Renata Ruel

O Brasil é campeão mundial sub-17 masculino após ganhar de virada por 2 a 1 do México, jogando em casa.

O gol de empate brasileiro saiu depois de o VAR sugerir revisão ao árbitro em um lance no mínimo inusitado.

Aos 35 minutos, Veron entra na área com a bola, faz o passe para Lázaro, que chutou em cima da defesa; a bola sobrou para Daniel Cabral, que arriscou da intermediária e mandou no travessão - na sequência, Gabriel Veron cabeceou por cima.

O que, à princípio, seria no campo tiro de meta, virou lance de VAR, o qual encontrou um carrinho de Alejandro Gomez sobre Gabriel Veron logo no início da jogada e sugeriu revisão ao árbitro de campo.

Kaio Jorge se prepara para cobrar o pênalti durante Brasil x México
Kaio Jorge se prepara para cobrar o pênalti durante Brasil x México Getty

O árbitro entendeu como penalidade, e o Brasil empatou na cobrança com Kaio Jorge.

A questão é se não houve vantagem na penalidade, pois o jogador Veron recebeu falta sim, mas na sequência conseguiu realizar o passe.

Na regra do jogo - entre os textos que citam a lei da vantagem - consta o seguinte:

“O árbitro:

• permitirá que o jogo continue quando a equipe que sofrer a infração se beneficiará da vantagem, devendo marcar a infração ou falta se a vantagem prevista não se concretizar nesse momento ou dentro de poucos segundos.”

Primeiro é importante diferenciar posse de bola com a vantagem: a equipe pode ter seguido com a bola após seu jogador sofrer uma infração, mas isso não significa que ela teve realmente uma vantagem no lance.

A vantagem se caracteriza dependendo da gravidade da infração, da distância da meta (quanto mais próxima da então adversária maior a vantagem), o ambiente do jogo e a possibilidade de um ataque perigoso contra a meta adversária.

A equipe pode manter a posse de bola após sofrer uma falta, porém estar no seu campo de defesa, rodeada de jogadores adversários, sem uma chance de criar um ataque perigoso, isto é, não há uma vantagem clara.

Quando a equipe mantém a posse de bola, mas não há vantagem, o ideal é a marcação da falta.

Em um lance de penalidade, a instrução é que a infração seja marcada - a vantagem só ocorrerá se a equipe imediatamente na sequência marcar um gol.

No lance do jogador brasileiro dentro da área, Veron faz um passe e sofre a falta, existe falta fora da jogada, fora da disputa de bola. O árbitro não viu o lance faltoso no campo, então não se pode dizer sequer que ele aplicou a vantagem. Se tivesse visto no campo, pela instrução, teria marcado, não aplicado vantagem e o VAR não chamaria para a revisão.

Campeão e melhor jogador do Mundial sub-17, Veron se abre: 'Dia mais feliz da minha vida'

O pênalti é considerado uma oportunidade clara de gol, diferente da maioria das faltas que ocorrem durante a partida, por isso na questão da vantagem tem um tratamento um pouco diferente dos outros lances.

Após sofrer a penalidade, mesmo conseguindo fazer o passe, a jogada não acabou em gol; ou seja, o Brasil teve uma penalidade a seu favor visto pelo VAR na qual não ocorreu uma vantagem de gol na sequência.

Desta forma a penalidade prevalece, foi bem marcada, e o Brasil foi “salvo pelo VAR” neste lance que ajudou a legitimar o resultado.

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Liverpool x City: Falta, pênalti ou gol?

Renata Ruel
Renata Ruel


Liverpool x City era o jogo mais esperado da Premier League, pelo menos nesse começo de campeonato, pois se trata do atual campeão inglês contra o atual campeão da Europa.

E o primeiro gol da partida aconteceu depois de um lance polêmico, ou seja, City no ataque dentro da área do Liverpool, bola toca na mão do Bernardo (City) de forma acidental e em seguida toca no braço do defensor do Liverpool que estava com o braço aberto, ampliando o seu espaço corporal em um movimento nada natural e gerando um bloqueio para a bola.

O árbitro não marcou mão do atacante e tampouco braço do defensor, a jogada seguiu, o Liverpool foi para o ataque, marcou seu primeiro gol no jogo e saiu na frente do rival.

É protocolo do VAR, após um gol, analisar e rever todo o lance que pode ter originado o gol. Isso foi feito nesse lance da Premier League e o gol confirmado.

A regra especifica a questão de um toque de mão/braço do atacante, mesmo que seja totalmente acidental na bola, considerando que o futebol não aceita um gol de mão, então desta forma uma falta deverá ser marcada para a equipe adversária se esse toque involuntário der origem a um gol ou criar uma oportunidade clara de gol.

O toque do Bernardo foi involuntário, já no caso do defensor do Liverpool, na minha opinião, o braço ampliava o espaço corporal e não era uma posição natural, podendo ser considerado uma infração. Porém, a regra da FIFA entende que um pênalti é uma oportunidade clara de gol, ou seja, após o toque acidental na mão do atacante do City a bola toca no braço do defensor e um pênalti não poderia ser marcado por ter origem em uma mão do atacante.

Bola toca no braço de Alexander-Arnold dentro da área do Liverpool
Bola toca no braço de Alexander-Arnold dentro da área do Liverpool Getty Images

Então, deveria ter sido marcada a falta na área a favor do Liverpool? Sim, se o árbitro tivesse visto na hora e em campo, mas ele provavelmente não viu e a jogada seguiu. O gol saiu, o VAR analisou e confirmou o tento para o Liverpool.

E a decisão do VAR foi correta? Sim, pois a regra também fala da lei da vantagem que pode ser aplicada para uma equipe que teria uma infração a seu favor e foi isso que aconteceu. O VAR não iria anular um gol para dar uma falta a favor do Liverpool em sua área penal, pois estaria beneficiando o infrator e tirando um gol para dar a falta a favor do mesmo time. Falta, pênalti ou gol? Gol.

Porém, fica fácil lembrar do gol anulado do Palmeiras contra o Inter. No lance Dudu sofreu a falta na entrada da área, pode-se dizer que por consequência disso a bola toca em seu braço acidentalmente, a jogada segue e, após um passe, o gol é marcado. Por protocolo o VAR revisa e vê o toque da bola no braço do Dudu, sugere revisão do árbitro que anula o gol. Conforme a regra já citada, uma infração deve ser marcada se um toque na mão/braço originar um gol ou uma oportunidade clara de gol e no lance do Dudu, após o toque em seu braço, foi criada uma oportunidade clara de gol e em seguida o gol, não permitido pela regra. Naquela ocasião o erro da arbitragem foi, depois de anular o gol corretamente, marcar falta do Dudu ao invés de falta nele, que ocorreu primeiro e então o Palmeiras não levou a vantagem em função do toque no braço.

A diferença entre os lances de Liverpool x City e Palmeiras x Inter é que a infração do braço do Dudu originou o gol do próprio time e o braço do Bernardo originou o gol do adversário. Por isso um foi marcado e o outro anulado.

Fonte: Renata Ruel

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Arbitragem feminina e mulheres sofrem discriminação em programa de rádio

Renata Ruel
Renata Ruel

Quem acha que a discriminação no futebol acabou está enganado. Infelizmente ela ainda existe e está bem explícita, inclusive em programa esportivo, como se pode observar nas declarações do senhor Daniel Campelo na rádio Jovem Pan Ceará, no último domingo (13). Quando questionado sobre o que acha das mulheres estarem tomando conta da arbitragem, respondeu: “Não acho uma boa não. Acho que mulher tem que tomar conta da casa, e do marido e dos filhos.”

Mulheres ainda são vítimas de preconceito
Mulheres ainda são vítimas de preconceito Angelo Blankespoor/Soccrates/Getty Image

Com a repercussão negativa de sua fala, Campelo teve a oportunidade de se desculpar na mesma rádio nesta segunda (14), porém ratificou seu comentário anterior e ainda acrescentou algumas falas a mais como: “esse negócio de mulher metida com macho dentro de estádio”, e suas palavras não pararam por aí.

César Augusto, operador de áudio da Rádio Jovem Pan CE, publicou em seu Twitter que o Sr Daniel não faz mais parte da equipe de esportes da rádio.


O Sr Campelo demonstrou com palavras um pouco do que o treinador do Bahia, Roger Machado, disse durante sua entrevista coletiva, após jogo no sábado (12) contra o Fluminense: “Para mim nós vivemos um preconceito estrutural, institucionalizado. O preconceito que sofri não foi de injúria racial. O que sofro é quando vou a um restaurante e só tem eu de negro. Fiz uma faculdade onde era só eu era negro. As pessoas podem falar que não há racismo porque estou aqui e eu nego: há racismo porque só eu estou aqui.” E não parou por aí: “Esses casos que vêm aumentado agora, de feminicídio, homofobia e preconceito racial, mostram que a estrutura social é racista. Ela sempre foi racista.”

Ou seja, o preconceito não acabou, ao contrário, está mais vivo do que nunca no Brasil e presente no futebol. Ainda há discriminação com mulheres, com negros, há homofobia. Não, não podemos generalizar, existe sim quem lute para que todos tenham o seu espaço, para no âmbito profissional se analisar a competência, a qualificação e não o gênero, a idade, cor de olhos entre outros.

Já escutei muitas coisas neste tempo que trabalho com o futebol, por exemplo: “Eu não me casaria com uma mulher que trabalha com futebol.”; “Não estou feliz em saber que você tem mais sucesso profissional do que eu que sou homem.”; “Torço para mulheres reprovarem no teste físico.. Sim, vi colegas sendo chamados de “macaco”, mulheres de coisas que não me sinto confortável em reproduzir e muito mais.

Uma mudança cultural se faz necessária, o respeito ao próximo deve prevalecer. Pois chega de preconceito e lugar de mulher é onde ela quiser.

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Onde está o problema do VAR no Brasil?

Renata Ruel
Renata Ruel
Cabine do VAR
Cabine do VAR Gazeta Press

O VAR tem sido protagonista no Brasil, quando sabemos que os melhores árbitros são aqueles que passam despercebidos na partida, na qual suas decisões foram acertadas.

O VAR é uma ferramenta tecnológica que veio para auxiliar na legitimação do resultado, porém seu uso é feito por árbitros. E essa é a grande questão, as pessoas que se utilizam dessa tecnologia para tomar as decisões.

A implantação do árbitro de vídeo foi feita de forma extremamente rápida no Brasil. Diferente da Premier League, aqui mal houve tempo de treinamento para os árbitros começarem a fazer uso dos equipamentos.

A empresa que opera o VAR no Brasil é a mesma da Premier League, FIFA e entras grandes competições. Se funciona bem em outros países, será que o problema no Brasil não está justamente nos árbitros que trabalham com ela? Ou nas instruções e diretrizes que recebem?

              

O Flamengo ganhou da Chapecoense com um lance checado pelo VAR de possível impedimento. Na regra, impedimento é factual, ou está ou não está impedido em relação ao posicionamento, constituindo uma infração. A tecnologia traça linhas 3D para ser conclusiva e devemos acreditar que sua manipulação seja correta. Poderia ser mais transparente, assim como se observa na Inglaterra, com as imagens abertas ao público mostrando toda a analise desde seu princípio, deixando mais fácil a compreensão do procedimento realizado.

Em lances de impedimentos factuais, o VAR funciona muito bem, e é importante ressaltar que corrigiu grande parte de erros de assistentes no campo de jogo, ou seja, se não fosse a ferramenta tecnológica, no campo, teríamos um índice significativo de erros de “bandeirinhas” que iriam interferir diretamente nos resultados, alguns lances de alto grau de dificuldade e outros nem tanto.

Já o grande problema segue sendo em lances interpretativos, ou melhor, não factuais. Em alguns lances de mão, a penalidade foi assinalada, em outros parecidos, não. Grêmio x Corinthians teve um lance de mão no qual pelo entendimento da arbitragem não foi pênalti, porém a regra tem dado margem para visões distintas. Será que a biomecânica dos jogadores está sendo considerada?

O Cruzeiro teve um pênalti marcado a seu favor contra o Internacional, no qual o árbitro bem posicionado deixou o lance seguir, o VAR o chama e a opinião muda. Se o árbitro viu o lance e tomou a decisão no campo, o VAR deveria chamar? Já no Palmeiras x Athletico ocorreu o contrário do lance anterior, o árbitro estava olhando a cobrança de falta, não vê as duas mãos de Felipe Melo nas costas de Igor Rabelo dentro da área e o VAR sequer chama sugerindo revisão.

              

Faltam critérios, falta uniformidade não só na utilização do VAR, mas também nas decisões dos árbitros dentro do campo e no vídeo. O treinamento foi curto para a tecnologia, mas as instruções dadas aos árbitros podem gerar mais duvidas do que esclarecimentos, quando um instrutor fala algo e outro discorda, o árbitro fica perdido e se torna difícil ter a uniformidade de critérios.

O problema não está no VAR, mas está sim em quem opera a ferramenta e quem está dentro do campo, no treinamento, nas instruções recebidas ou na falta destas. Está na falta de análise do árbitro de vídeo em definir um erro claro e óbvio, em diferenciar a câmera lenta da jogada normal (quando necessário), de repente de entender o jogo de futebol e pode estar também na falta de personalidade do árbitro em manter a sua decisão em campo quando está correto ou na humildade de voltar atrás e mudar de opinião após análise de vídeo.

A qualidade da arbitragem brasileira precisa melhorar, não se pode ter na elite o mais bonitinho ou a mais bonitinha, o mais amigo ou mais amiga, precisa ter os melhores, por meritocracia.

              

Quem só de regra entende, nem de regra entende, precisa entender de arbitragem. Quem só de arbitragem entende, nem de arbitragem entende, precisa entender de futebol. E quem só de futebol entende, nem de futebol entende, pois há um universo inserido nesse contexto, seja cultural, tático, social.

Não é mais na tecnologia que se deve investir, ela já é uma realidade, mas sim nos seres que estão ali para utilizá-las, ou seja, nos árbitros.

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Champions League de volta e com polêmicas de arbitragem

Renata Ruel
Renata Ruel
Árbitro dá pênalti em Chelsea x Valencia
Árbitro dá pênalti em Chelsea x Valencia Getty Images

Os apaixonados por futebol esperavam ansiosamente pela volta da Champions League. Nada como ver as grandes equipes e os craques da Europa em ação.

Para a arbitragem, é uma grande oportunidade. São os árbitros da FIFA em ação, os melhores do mundo. Pelo menos na teoria.

No Brasil muito se discute regras. A atuação da arbitragem é assunto em lances polêmicos. Jogadores “testam” e pressionam os árbitros, a imprensa, torcedores, dirigentes discutem os lances.

Na Europa poucas vezes se vê jogadores, treinadores e dirigentes contestando as decisões da arbitragem.

Em um resultado de certa forma até surpreendente, o atual campeão Liverpool perdeu ao estrear na competição, fora de casa, para o Napoli por 2 a 0.

A partida estava empatada até os 82 minutos, quando o árbitro Felix Brych viu pênalti de Andrew Robertson em Callejón. Uma penalidade bastante contestada. No Brasil, possivelmente o árbitro seria crucificado pela sua marcação. Há um contato físico, porém é importante ressaltar que o futebol é jogo de contato, é preciso diferenciar o contato de jogo, do contato faltoso, entender quando o jogador busca o contato para simular uma falta e quando ele realmente recebe um contato faltoso de seu adversário, quando a intensidade empregada, a força e/ou velocidade da ação são  suficientes para uma infração e quando não. Analisando o lance, não vejo uma ação faltosa e não marcaria a penalidade.

A FIFA busca em seus aprimoramentos com os árbitros deixar a diferença bem nítida de um e de outro, para de certa forma uniformizar os critérios, porém hoje a instituição máxima do futebol também busca dar certa liberdade para a arbitragem em campo, tentando não “robotiza-la”. Ainda costuma dar um retorno, um feedback de suas atuações às equipes de arbitragem depois dos jogos.

De repente, a Champions League pode ser a oportunidade de ver os critérios dos árbitros europeus e comparar com os brasileiros. Pois, será que as instruções chegam iguais para todos em todos os cantos do mundo? Ou será que os árbitros e instrutores na Europa, até por estarem mais próximos da sede da FIFA, recebem diretrizes e atualizações mais constantes, tomando decisões distintas dos nossos árbitros brasileiros?

Chegou a hora de aproveitar a temporada europeia para também analisar a arbitragem, seja na Champions League, Premier League, LaLiga.

Onde tem árbitro, pode ter polêmicas e os olhos estarão sempre atentos.

Fonte: Renata Ruel

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Champions League de volta e com polêmicas de arbitragem

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Gritos e violência verbal: a homofobia e discriminação que vivenciei nos estádios

Renata Ruel
Renata Ruel
Renata Ruel durante a época de assistente
Renata Ruel durante a época de assistente Gazeta Press

Quantas vezes em estádio vivenciei homofobia e discriminação? Inúmeras, comigo, com colegas, com jogadores, treinadores e até mesmo entre torcedores.

Em uma partida em que atuei como assistente 1, que fica do lado do banco de reservas, o alambrado do estádio era bem próximo ao campo. O quarto árbitro foi chamado de “macaco” por dois torcedores que estavam atrás de mim no alambrado e próximo ao meu colega. No momento do ocorrido, eu quis paralisar a partida, chamar o árbitro, solicitar o policiamento, fazer um boletim de ocorrência, mas o quarto árbitro pediu para deixar de lado, que já estava acostumado com aquilo, era comum e constante em sua vida.

Comum talvez, normal jamais. Não é por ser algo corriqueiro ou comum que se pode tratar como normal.

Escutei de tudo nos estádios, algumas coisas impossíveis de pronunciar e repetir. Frases como “você só pode ser sapatão para estar no futebol”, “lugar de mulher é na cozinha”, “seu viado”, “seu macaco” e essas são amenas perto de outras que jamais conseguiria escrever ou dizer.

Um outro fato interessante de relatar e que gerou um grande mal entendido foi quando o árbitro percebeu/entendeu que um jogador era chamado de “Neguinho” por seus companheiros. Esse árbitro costumava conversar com os jogadores os chamando por seus nomes ou apelidos. Em um lance de jogo, se dirigiu ao jogador como “Neguinho” e foi quando a confusão se criou, pois o jogador se revoltou se sentindo ofendido pelo árbitro, achando que estava sendo discriminado, correndo o campo para contar ao seu treinador, querendo parar o jogo. Só depois de algum tempo deu a oportunidade ao árbitro de explicar que havia sido uma mal entendido e que jamais quis ofender. Os ânimos se acalmaram, mas ficou uma lição para toda equipe de arbitragem que participava daquele jogo, inclusive eu.

Essas são apenas duas histórias de dezenas que eu poderia contar de situações vivenciadas em jogos de futebol.

Cruzeiro e Vasco jogaram este final de semana pelo Brasileirão e a torcida mineira entoou cânticos homofóbicos baseados em discurso de ódio contra a comunidade LGBTQ+ quando o sistema de som do Mineirão anunciou o gol do Corinthians contra o Atlético-MG, por volta dos 42 minutos do segundo tempo. O árbitro Marcelo Aparecido, diferentemente da atitude de Anderson Daronco na partida entre Vasco x São Paulo, não paralisou o jogo e tampouco relatou o fato em súmula.

Porém, isso não impede uma punição à equipe mineira, que pode ser enquadrada no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.


Na partida entre Vasco x São Paulo, no último dia 25/08 no Rio de Janeiro, mais especificamente no estádio de São Januário, pela primeira vez um árbitro, neste caso Anderson Daronco, parou o jogo em função de gritos homofóbicos e relatou o fato na súmula. Os árbitros que deixarem de relatar fatos ocorridos durante a partida dos quais tiverem acesso e conhecimento, também podem ser questionados pelo STJD.

“Clubes da série A se unem pelo combate à homofobia, não somente em campo, mas no dia a dia. São inaceitáveis práticas ainda existentes em nossos estádios: temos que dar um basta!”, texto divulgado por todos os 20 clubes da série A no Twitter, no último dia 30/08.

Quem acompanha o futebol sabe que cantos assim são comuns em alguns estádios e partidas, não somente no Brasil, são formas de provocar o adversário, alguns podem até mesmo cantar por entrarem na onda e no clima da torcida, não por serem homofóbicos, mas hoje isso não é permitido, é considerado crime e as equipes podem ser punidas até com perda de pontos.

Ser comum não pode ser confundindo com ser algo normal. Nenhum tipo de preconceito é normal, seja ele qual for. A CBF lançou recentemente a campanha de respeito aos árbitros, mas o respeito deve ser mútuo, ou seja, árbitros, jogadores, adversários, torcedores, dirigentes, jornalistas, independente de classe social, gênero, religião, idade, estatura, cor dos olhos, pessoas com algum tipo de deficiência, respeitar sempre as diferenças, seja ela qual for, é relevante para todo o tipo de convívio.

Respeito é a palavra chave, além de normal, ela deve se tornar comum.

Que isso sirva de aprendizado para todos, para um futebol e uma sociedade melhor. O que antes poderia ser uma “brincadeira” para alguns, hoje é crime.

“RESPEITO: ESSA É A REGRA DO JOGO.” E deveria ser uma das principais Regras da Vida.

Fonte: Renata Ruel

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CBF lança campanha de respeito à arbitragem, mas alguns árbitros sequer têm uniformes para atuarem nos jogos

Renata Ruel
Renata Ruel

A CBF lançou nesta segunda-feira uma campanha pregando respeito à arbitragem, o tema é “Respeito: Essa é a Regra do Jogo.”

O presidente da entidade máxima do nosso futebol, Rogério Caboclo, pediu mais tolerância e consideração ao trabalho dos árbitros, ainda disse que a ideia é sobretudo pelo respeitos às regras e ao futebol, objetivando um melhor espetáculo , menos cartões por reclamação, menos paralisações e mais justiça, ratificando que todos os protagonistas do futebol merecem respeito.

A campanha será veiculada nas mídias, redes sociais e nos estádios e os árbitros deverão usar um escudo no peito durante os jogos do Brasileiro.

Em Grêmio x Palmeiras, árbitro errou no lance que originou gol do empate; Renata Ruel explica por que VAR não entrou em ação

Sem dúvida que a campanha é de extrema importância, na verdade algo parecido com a famosa campanha da Fifa “MY GAME IS FAIR PLAY”, na qual o “JOGO LIMPO” deve partir de todos, justamente mostrando respeito ao futebol, aos árbitros, jogadores, torcedores, adversários e todos que tanto amam essa modalidade e desejam acompanhar um espetáculo.

A questão é pedir respeito, dar um escudo para os árbitros usarem no peito conforme a campanha, mas não oferecer sequer uniformes para todos os árbitros do seu quadro. O primeiro passo para o respeito, a partir do momento que os árbitros são obrigados a usarem os uniformes oferecidos pelas entidades que pertencem (CBF, FPF, etc.), é todos tê-los, mas infelizmente não é o que acontece.

Se observarem nos jogos do Brasileirão o uniforme da equipe de arbitragem, identificarão o mesmo de 2018, inclusive o ano consta no escudo que está na camisa, identificando- os como árbitros ou assistentes, ou seja, é o segundo semestre de 2019 e até o momento os árbitros não receberam uniformes e muito menos o escudo do quadro da CBF que normalmente são entregues no começo do ano. Muitos sequer têm o fardamento do ano passado ou apenas parte destes (camisas, calções, mas não meiões, por exemplo), os novos que ingressaram no quadro este ano não receberam nada.

Foi pênalti ou não? Renata Ruel analisa lance polêmico não marcado em São Paulo x Ceará

Árbitros que não possuem uniformes quando estão escalados olham na escala geral, verificam quem está de fora e correm para conseguir emprestado, inclusive o escudo. Algo mais fácil quando se tem colegas que moram próximos, porém mais difícil quando se vive em cidades mais distantes.

Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2017 as árbitras paulistas não receberam as camisas, somente calções e meiões, tendo que correr atrás de camisas masculinas dos árbitros em cada escala que tinham, os uniformes têm modelos masculinos e femininos. Em 2018 alguns árbitros pegaram o modelo e fizeram em costureiras para ter como trabalharem sem precisar pegar emprestado o uniforme de alguém.

Em Cruzeiro x Santos, expulsão de Gustavo Henrique foi correta; Renata Ruel explica por que

O respeito com os árbitros deve começar desde o uniforme, o escudo, as escalas e PTAs saindo em tempo hábil para uma boa programação, testes físicos bem programados onde não esperem horas para entrarem na pista, aprimoramentos e diretrizes constantes, o tratamento profissional, onde a Lei nº 12.867/13 regulamenta a profissão, mas na prática nenhuma mudança realmente ocorreu.

O árbitro é um ser humano e merece muito respeito por parte de todos, sem exceção.  

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Arbitragem não tem o que esconder, e a CBF está deixando isso claro

Renata Ruel
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Fonte: Renata Ruel

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Em primeiro jogo de uso, VAR inglês dá aula no brasileiro

Renata Ruel
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Josep Guardiola conversa com árbitro enquanto espera pela decisão do VAR aparecer no telão
Josep Guardiola conversa com árbitro enquanto espera pela decisão do VAR aparecer no telão ESPN

A expectativa do uso do VAR era enorme no campeonato mais tradicional do mundo, e ele tomou conta do segundo tempo da partida West Ham 0x5 Manchester City pela Premier League, dando aula de como atuar, de onde e como interferir, com checagens rápidas e a sensacional experiência e oportunidade para quem está no campo e quem está assistindo na telinha verem em tempo real o que está sendo checado pelo árbitro de vídeo, proporcionando uma transparência enorme para quem acompanha a partida.

Gabriel Jesus marcava o seu segundo gol no jogo, confirmado pela arbitragem em campo, todos se posicionando para o tiro de saída, e aparece no telão do estádio e na tela da TV a checagem de impedimento pelo VAR. Lance extremamente difícil no campo para o assistente, muito ajustado, uma pequena parte do ombro estava mais próxima da linha de fundo do que o penúltimo jogador, caracterizando assim a infração.

Porém, aqui no Brasil, os técnicos que estão manipulando a imagem têm demorado em torno de 5 minutos para detectar se foi ou não infração, tendo que puxar muitas vezes uma linha 3D.

Já na Premier League, não chegou a 2 minutos a checagem.

Gabriel Jesus faz golaço, mas VAR 'milimétrico' anula primeiro gol na Premier League

Ou seja, o tempo de espera para confirmar ou não o gol, em jogada absurdamente ajustada e difícil, foi significativamente menor do que tem sido no Brasil, com o grande detalhe da empresa que atua no VAR ser a mesma aqui e na Inglaterra.

Logo depois vem o gol de Sterling - também com um grau de dificuldade enorme - dado pelos árbitros em campo, checado pelo VAR, novamente com a imagem sendo vista por todos e confirmado com grande rapidez, criando expectativa, mas sem tempo de entediar quem assistia no campo ou pela TV.

Sterling marca golaço por cobertura, VAR entra em ação e confirma gol por causa de cintura de Balbuena

E para encerrar com chave de ouro, pênalti assinalado pelo árbitro no campo a favor do City, lance interpretativo que alguns poderiam até questionar, mas o VAR não interferiu na marcação, manteve a decisão seguindo o protocolo que criaram.

Na cobrança, o goleiro do West Ham defendeu e no rebote seu companheiro chutou a bola para escanteio. Entrou a checagem do VAR, não para verificar se goleiro se adiantou, pois no protocolo inglês isso ficará como na regra, isto é, a cargo somente do assistente, mas sim por haver interferência direta de invasão na área.

Aguero perde o primeiro pênalti, VAR manda voltar e argentino transforma resultado em goleada

Ou seja, o VAR sugeriu ao árbitro voltar a cobrança da penalidade em função de invasão e vantagem por parte do jogador que justamente pegou o rebote do goleiro e jogou a bola pela linha de fundo, algo também inusitado e interferência totalmente correta.

Sim, o VAR entrou em ação e não foi pouco, uma apresentação espetacular de boas-vindas, sem demoras que acabam com a paciência de quaisquer pessoas.

Uma aula para o Brasil e o mundo de como, quando e onde atuar e interferir. Que seja assim o campeonato todo, que todos aprendam com o VAR de hoje: copiar o que dá certo e funciona é relevante para o bem do futebol.

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Em primeiro jogo de uso, VAR inglês dá aula no brasileiro

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Polêmica – Pode sim! Não, não pode mais! Se a Board não entende a regra que ela aprova, como condenar os árbitros em campo?

Renata Ruel
Renata Ruel

Nesta semana muito foram discutidas a inovação e a inusitada cobrança do tiro de meta no amistoso Benfica x Milan. O goleiro levantou a bola para o seu zagueiro, que devolveu de cabeça, o arqueiro pegou com as mãos e lançou para o seu lateral quase no meio de campo. O árbitro deixou o lance seguir.

Não demorou para que outras equipes começassem a fazer o mesmo. No exterior, os árbitros deixaram seguir, no Brasil, no Mineiro sub-20, o Atlético, ao realizar a jogada, teve uma infração marcada contra a sua equipe. O zagueiro foi advertido com cartão amarelo, e o seu treinador acabou expulso por reclamar que o lance era legal.

Muita polêmica em relação a essa jogada foi gerada, e o lance correu o mundo, pois o procedimento do tiro de meta foi cobrado corretamente como diz a regra – a bola foi chutada, se moveu claramente e não precisa mais sair da área para entrar em jogo com a mudança da regra; há a regra do recuo, em que o goleiro não pode pegar com as mãos uma bola passada deliberadamente pelo seu companheiro com os pés. Ou seja, se for com a cabeça, peito, ombro, coxa, etc. é permitido; mas a regra ainda prevê que um truque deliberado não pode ser usado para recuar essa bola, por exemplo, o jogador levantar a bola com o seu pé e ele mesmo passar com outra parte do seu corpo para o goleiro. Essa ação é uma infração, e deve ser assinalado tiro livre indireto contra a equipe desse jogador e aplicado cartão amarelo para o mesmo, independentemente de o goleiro pegar a bola com as mãos, pois quem comete a infração é o jogador. A regra ainda permite que um lateral seja cobrado na cabeça de um companheiro, para que este passe dessa forma para o seu goleiro pegar com as mãos, não caracterizando burla.

O árbitro, em um lugar do mundo, deixava o lance seguir. No Brasil, foi marcada infração. Alguns árbitros e instrutores viam o lance como burla, outros entendiam que não havia infração alguma às regras do jogo, então não poderia ser marcada a infração.

No começo da semana, o diretor da IFAB (International Board, responsável pelas regras do jogo), David Elleray, se manifestou dizendo que o lance era legal, era permitido. Uma dessas pessoas que recebeu tal informação diretamente do diretor foi o ex-árbitro Daniel Destro. O jornalista Leonardo Bertozzi também escreveu perguntando sobre o lance diretamente para a Board e recebeu a mesma resposta de Destro. Além disso, um instrutor da FPF/CBF/Fifa, em áudio que circulou para os árbitros no WhatsApp, também ratificou a informação recebida da IFAB, isto é, o lance era legal.

Nesta sexta-feira, a IFAB lançou um comunicado, assinado pelo mesmo diretor, Elleray, dizendo que após grandes polêmicas sobre o lance, as opiniões estão dividindo opiniões entre os membros do Subcomitê Técnico da IFAB, e, enquanto não chegarem a uma definição, o lance está proibido. Se acontecer, o árbitro não deve aplicar cartão amarelo e solicitar a repetição do tiro de meta.

Podia, mas na mesma semana não pode mais. Porém, não definiram o lance como uma infração, pois o tiro de meta será repetido se tal episódio vier a ocorrer na partida. Se a bola entrou em jogo conforme a regra do tiro de meta, por que vai se repetir a cobrança? Se a Board não permite a ação, isso não seria uma infração? Mas se fosse uma infração teria que ser cobrado um tiro livre e não voltar o tiro de meta, não é? Há diferenças entre as ações do próprio jogador levantar a bola com os pés para recuar de cabeça comentando uma burla e a jogada realizada no tiro de meta do amistoso europeu? A jogada serve para retardar ou agilizar a partida e o reinício de jogo? Se o árbitro mandar voltar o tiro de meta não vai retardar, ainda mais, o reinício de jogo essa decisão da Board? 

Se os diretores da IFAB, responsáveis pelas as regras do jogo que eles aprovam, têm dúvidas sobre as mesmas, como cobrar dos árbitros em campo decisões claras em alguns lances? A regra não é clara, essa polêmica demonstra isso. Com o tanto de interpretações distintas de pessoas “especialistas” em um único lance, imagine em vários outros que cabem opiniões - e essas nem sempre são iguais.

Pode-se discordar da regra, mas deve-se cumpri-la e nada impede de serem enviadas sugestões para que a Board estude alterações.

O que não pode são os árbitros apitarem com “achismos”, as diretrizes devem ser as mais próximas e uniformes possíveis, para assim as interpretações serem minimizadas e a arbitragem ter nível elevado.

Veja o conteúdo da mensagem do diretor da IFAB, David Elleray, no começo da semana para o ex-árbitro Destro, na qual ainda consta o exemplo do arremesso lateral, ratificando resposta dada ao Bertozzi pela Board:

“Dear Daniel Destro

Good too hear from you

This is perfectly legal and exactly what was wanted with the law change i.e. speed up the goal kick.

The no handling the deliberate pass Law was designed to prevent time-wasting and the GK’s actions in this example are clearly not designed to waste time – quite the opposite as he quickly throws the ball to start an attack.

This action is no different from where a player taking a throw-in is allowed to throw the ball at an opponent and then be able to play it.

The vast majority of football like this situation as it speeds up the game and makes it more attractive

Best wishes

David

David Elleray

Technical Director of The IFAB”

Veja agora o comunicado publicado hoje pela IFAB:

[]
[]

Tradução deste último:

“Para os chefes de arbitragem de todas as associações e confederações nacionais de futebol

Zurique, 2 de agosto de 2019 TD / 2019-L315 / dre

Informações pré-circular (uma circular oficial será enviada em todos os quatro idiomas oficiais do IFAB / FIFA em 6 de agosto de 2019):

Regra 16 - O tiro de meta / esclarecimentos

Prezados,

As mudanças nas Regras do Jogo de 2019/20 foram bem-sucedidas na Copa do Mundo Feminina da Fifa, na Copa do Mundo da Fifa Sub-20 e nas confederações e competições nacionais. As mudanças na Regra 16 - O Tiro de Meta muitas vezes levou o jogo a ser reiniciado de forma rápida e positiva, mas há duas situações que geraram dúvidas de todo o mundo do futebol que gostaríamos de esclarecer.

1. O goleiro “levanta” a bola para um companheiro de equipe que manda para o goleiro de volta com a cabeça/peito.

Tem havido muito debate sobre se, em um tiro de meta, ao goleiro é permitido "levantar" a bola para um companheiro de equipe que com a cabeça ou no peito joga de volta para o goleiro para pegar e depois colocar em jogo. Os pontos de vista dos especialistas técnicos e de arbitragem sobre, se isso está dentro do 'espírito' das Leis, está dividido no assunto que será discutido pelo Subcomitê Técnico da IFAB. Até então, esta prática não deve ser permitida nem deve ser penalizada - se ocorrer, o árbitro deve ordenar que o tiro de meta seja batido novamente (mas sem qualquer ação disciplinar).

2. Adversário na área penal quando um tiro de meta é executado

A Regra 16 exige que todos os adversários estejam fora da área penal até que o tiro de meta seja executado, e se um adversário permanecer dentro ou entra na área penal antes do chute ser executado e jogar, disputar ou tocar a bola, o tiro de meta é batido novamente.

Entretanto, a Regra 16 também aplica os princípios de tiros de meta 'rápidos' descritos na Regra 13 – Tiro Livre, 3 - Infrações e sanções que, se algum adversário estiver na área penal porque não teve tempo para sair, o árbitro permite que o jogo continue.

Em termos práticos, isso significa que o árbitro deve gerenciar os tiros de meta (e defender os tiros livres da equipe em sua própria área penal) da mesma forma que eles gerenciam os tiros livres:

• A menos que a falta seja executada rapidamente, os jogadores adversários devem estar fora da área de grande penalidade e permanecer fora até que o chute seja feito.

• Se o chute for executado rapidamente e um oponente realmente não teve tempo de sair da área penal, o adversário não pode interferir ou impedir a execução do chute, mas pode interceptar a bola uma vez que estiver em jogo. Isso é permitido porque a equipe defensora, como um tiro livre rápido, tentou ganhar uma vantagem ao dar o chute rapidamente e, se isso der errado, a Regra não está lá para salvá-los.

• Jogadores que deliberadamente permaneçam dentro ou entrem na área de penal antes do chute ser executado, não devem ganhar uma vantagem injusta, mesmo que o chute seja feito rapidamente.

Se um jogador adversário cometer uma infração (como descrito acima), o tiro de meta é repetido; não há sanção disciplinar a menos que a infração ocorra várias vezes (má conduta persistente).

Árbitros são hábeis em administrar 9,15m em tiros livres e devem aplicar essas habilidades e princípios ao gerenciamento do tiro de meta e tiro livre da equipe defensora em sua própria área penal.

Esperamos que esses esclarecimentos sejam úteis na aplicação da Regra 16 e pedimos que você os comunique aos seus árbitros, participantes e à mídia.

Se mais esclarecimentos forem necessários, por favor envie um email ao Diretor Técnico do IFAB: David.Elleray@theifab.com”

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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VAR vendo Palmeiras e Flamengo na Libertadores

Renata Ruel
Renata Ruel
Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores
Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores Getty

Falta apenas um jogo para encerrar as oitavas de final da Libertadores, Libertad x Grêmio.

Nos jogos de volta que envolveram as equipes brasileiras, Palmeiras x Godoy Cruz e Flamengo x Emelec, a arbitragem novamente teve seu destaque.

O primeiro gol do Palmeiras saiu de um tiro penal marcado depois do árbitro uruguaio Esteban Ostojich ser chamado pelo VAR para analisar o lance no vídeo. Não, não vi infração no lance, não vejo que o toque no braço seja para a marcação de pênalti - o jogador do Godói Cruz tem um movimento biomecânico natural, não amplia o espaço corporal, não faz uma ação deliberada, não assumiu o risco. Não vejo aspectos para que o toque no braço do zagueiro seja uma infração à regra do jogo. Para mim o VAR não precisaria chamar, mas já que o árbitro foi ver deveria ter optado pela não marcação.

Por coincidência ou não, o primeiro gol do Maracanã também saiu de uma penalidade máxima assinalada pelo argentino Néstor Pitana. Podemos dizer que cabem interpretações sim, mas na minha visão o jogador do Flamengo vai projetando o corpo para a queda antes do contato, ou seja, ele vai caindo antes do contato com o zagueiro, de repente até por perceber um outro defensor na cobertura e a possibilidade de perder a bola.

Acrescento ainda que depois de estudar lances no curso da Fifa há exatamente um mês, a intensidade do contato tem que ser algo realmente significativo para que o árbitro assinale uma infração, pelos exemplos que tive nas aulas o contato não seria faltoso. Ou seja, eu não marcaria o pênalti dado, penso que o VAR poderia ter indicado revisão, como a comunicação não é aberta não sabemos se o fez ou não.

Mauro diz que Flamengo 'lutou' muito e usou estratégia certa ao pressionar no começo, mas critica pênalti mal marcado


         
    

Porém, em outro lance na área, o atacante Gabriel caiu e fez insistentemente o sinal pedindo VAR, o que segundo a regra é passível de cartão amarelo não aplicado pelo árbitro, no lance o zagueiro dá um carrinho tentando impedir o cruzamento e seu braço atinge a perna do atacante do Flamengo. A imagem não deixou claro se o contato ocorreu dentro ou fora do campo, mas a bola estava em jogo.

A regra diz que se a infração ocorrer fora do campo, mas com a bola em jogo o árbitro pode tomar uma decisão técnica e também disciplinar, se for o caso.  Ou seja, mesmo que o contato do braço com a perna do jogador tenha ocorrido fora de campo, como a bola estava em jogo uma infração poderia ser marcada se o árbitro entendesse assim.

Neste lance também acredito que o VAR deveria ter chamado o árbitro para revisão, pois para mim essa sim poderia ser uma infração. Alguns podem questionar que o braço foi consequência do carrinho e não derrubou o atacante por querer, mas sem querer também é falta se ocorrer uma infração à regra.

O VAR algumas vezes vê pouco, outras muito e outras na medida certa. VAR seguirá, vamos acompanhar essa ferramenta que veio para ajudar e precisa de pessoas capacitadas para ser manuseado.

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Sampaoli, três amarelos e a regra que pune técnicos e banco com cartões

Renata Ruel
Renata Ruel
Sampaoli perto da cabine do VAR na vitória do Santos sobre o Avaí na Vila Belmiro
Sampaoli perto da cabine do VAR na vitória do Santos sobre o Avaí na Vila Belmiro Ivan Storti/Santos FC

As alterações das regras do jogo entraram em vigor no mundo desde 1º de junho, mas com o aval da Fifa estão valendo a partir da primeira rodada do Brasileirão.

Entre as mudanças, consta a novidade da aplicação de cartões amarelos e vermelhos para a comissão técnica.

Sampaoli é o primeiro treinador a levar três cartões amarelos na Série A do Brasileirão, o terceiro na vitória sobre o Avaí, e desfalcará o Santos na próxima rodada, contra o Goiás, em casa.

O regulamento prevê o mesmo sistema de punição para a comissão que se adota para os jogadores: acumulou três cartões amarelos ou foi expulso, cumprirá um jogo de suspensão automaticamente. Um oficial da equipe, ou seja, um membro da comissão, ainda pode tomar dois cartões amarelos em um jogo e ser expulso.

No Brasileirão, outros cartões já foram aplicados há membros das comissões:

- O técnico Mano Menezes foi o primeiro a levar cartão amarelo

- Fernando Diniz foi expulso com cartão vermelho no jogo do Fluminense contra o Bahia

- Vinícius Eutrópio, ex-treinador do Guarani, se tornou o primeiro das Séries A e B do Brasileiro a ser expulso por receber dois amarelos em um jogo

- O auxiliar técnico do Fortaleza, Charles Hembert, também foi expulso com cartão vermelho direto no jogo contra o Atlético-MG.

Ressaltando que a regra nova está sendo aplicada pelos árbitros e nela consta que, se alguém do banco cometer uma infração, mas não for identificado, o cartão será aplicado para o treinador da equipe.

Fonte: Renata Ruel

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Seria o VAR o problema ou as regras do jogo?

Renata Ruel
Renata Ruel

Há quem pensou que a vinda do VAR solucionaria todos os problemas do futebol ou a maioria deles, seria o fim das polêmicas,  os resultados todos legitimados e a modalidade só ganharia com isso. Porém, depois de sua implantação, até recente, já é possível encontrar quem seja contra o sistema. Muitas críticas têm sido feitas não apenas em âmbito nacional, mas sim mundial.

Realmente há ocorrido lances polêmicos, o VAR entra ou não em cena, mas muitas vezes passa a sensação que acabou não ajudando como deveria.

Recordando que, segundo o protocolo, o VAR entra em ação em quatro situações: lances de penalidades (foi ou não pênalti, dentro ou fora; na cobrança ocorreu infração, a bola entrou ou não); quando um gol for marcado (houve algum tipo de infração – impedimento, falta; a bola entrou ou não); identificação equivocada de um jogador; e cartão vermelho.

É importante citar que no protocolo ainda consta que sua atuação deve ser em “erros claros e óbvios”, mas na regra 5 encontra-se o seguinte texto: “O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião. Em razão disso, o árbitro possui poder discricionário para adotar as medidas adequadas para cumprir a essência das regras do jogo.”

A frase “segundo sua opinião” mostra que a regra é interpretativa, pois a opinião de um pode ser diferente do outro, e do outro, e do outro.

Desta forma entram algumas perguntas: tenho como questionar uma imagem, um vídeo, uma foto ou a minha indagação é sobre a interpretação do árbitro ou da regra?

O que a imagem mostra todos estão vendo, se há confusão o problema não está no VAR, ou seja, não é a tecnologia que está ali, mas sim pode ser quem está por detrás dela, pois se cabe interpretações na regra, as opiniões vão divergir sim, nem sempre todos terão a mesma visão e tomada de decisão sobre o lance.

Quão claras são as regras para o VAR interferir somente em “erros claros e óbvios”? As diretrizes recebidas pelos árbitros são únicas ou também originárias de interpretações de instrutores sobre as regras e essas podem divergir entre si?

Se as regras não são claras muitas vezes, se instrutores opinam e também discordam em um mesmo lance com a imagem clara e óbvia, se as diretrizes passadas aos árbitros são distintas, citando as questões que cabem opiniões, entre o árbitro que está no campo e o árbitro de vídeo podem ocorrer percepções iguais ou não sobre a mesma imagem e isso gerar grande polêmica.

Os critérios precisam se encaixar, as diretrizes serem únicas, a comunicação: emissor – mensagem – receptor, não ser uma “brincadeira” de telefone sem fio, a informação chegar na Europa, América, África, Ásia e Oceania de forma igual, o árbitro do norte não receber informações distintas da do sul.

O VAR é uma realidade, a tecnologia veio para ajudar, mas os ajustes necessários nas regras e nas diretrizes precisam serem feitos para chegar a uma maior uniformidade nas tomadas de decisões.

Porém, enquanto na regra constar “segundo a sua opinião” e houver chances para interpretações, as discussões sobre possíveis erros ou acertos seguirão existindo, com ou sem VAR.

Realmente você acredita que um dia as polêmicas chegarão ao fim? Eu tenho as minhas dúvidas se terão fim, mas acredito que possam diminuir.

E ainda existem outros fatores a serem discutidos, o perfil do árbitro em campo e o de vídeo, a cultura futebolística de cada região, são exemplos do que mais pode interferir e diferenciar uma partida da outra.

De repente tudo isso ajuda a tornar o futebol tão apaixonante.

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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Não existe 'último homem': lance de Diego Alves era para amarelo, não para VAR

Renata Ruel
Renata Ruel

O lance de Diego Alves causou muita polêmica na última quarta-feira. No empate por 1 a 1 entre Athletico Paranaense e Flamengo, o goleiro da equipe carioca pegou a bola com as mãos fora da área e o árbitro de vídeo não interveio.

Isso porque não existe o famoso "último homem” na regra.

A regra fala em oportunidade clara de gol e, para isso, avalia quatro pontos fundamentais para a tomada de decisão por um cartão vermelho: distância da meta, direção, adversários (posicionamento e quantidade) e controle ou possível controle da bola.

A bola estava em distância de disputa mesmo que o goleiro não a pegasse com as mãos, ou seja, o atacante não tinha o controle da bola e a possibilidade de controlá-la. Fica no “talvez”, e não em 100% de certeza.

Diego Alves e Marco Ruben em Athletico Paranaense x Flamengo
Diego Alves e Marco Ruben em Athletico Paranaense x Flamengo Gazeta Press

Desta forma, poderia se caracterizar um ataque promissor que definiria um cartão amarelo, mas não uma oportunidade clara de gol. E, em casos de cartão amarelo, a arbitragem de vídeo não pode intervir.

A imagem mostra a bola em distância de disputa entre ambos. Se o goleiro não pega com as mãos, ambos teriam praticamente a mesma oportunidade de chute.

Sem dúvida que o goleiro cometeu uma infração, mas se a bola estivesse passando por ele, ao lado do seu corpo, e ele colocasse a mão, ficaria mais caracterizada como oportunidade de gol.

Como a bola está em distância de disputa e em direção ao corpo do goleiro, a falta se enquadra em tática, impedido um ataque promissor, e não uma chance clara e manifesta de gol.

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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De pênalti inexistente a 'agressão desculpável': saiba quais foram os cinco maiores erros de arbitragem da Copa América

Renata Ruel
Renata Ruel

Sem dúvida, houve muito mais do que apenas cinco erros de arbitragem na Copa América, somadas as interpretações erradas das regras do jogo e alguns casos de tomadas erradas de decisões - tanto pelos árbitros quanto pelo VAR.

Messi se assusta com cartão vermelho
Messi se assusta com cartão vermelho Getty Images

Os cinco equívocos apontados abaixo foram os mais marcantes, mas não foram os únicos, evidentemente. Pelo que vimos no torneio, segue claro que a arbitragem ainda precisa de aprimoramento, conceitos e critérios mais uniformes – além de um uso mais eficaz da tecnologia.

Quatro deles podem ter sido determinantes para os resultados finais dos jogos. E o quinto simplesmente tirou do espetáculo um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Vamos a eles:

1 – Uruguai x Japão – Primeira fase

No pênalti marcado a favor do Uruguai, sobre Cavani, o zagueiro japonês tentou bloquear a bola e o atacante uruguaio acabou chutando o seu pé. O árbitro colombiano Andrés Rojas, em campo, deixou seguir o lance, mas mudou de opinião após ser chamado pelo VAR para revisão. Era um lance normal de jogo, não houve penalidade.

2 – Uruguai x Japão – Primeira fase

Mais um erro de Andrés Rojas no confronto entre uruguaios e asiáticos. Logo no início do segundo tempo, após uma tentativa de drible, Nakajima caiu depois de receber um pontapé faltoso de Giovanni González, dentro da área penal. O árbitro nem sequer revisou o lance no VAR, mas o pênalti deveria ter sido marcado.

3 – Argentina x Chile - Disputa de 3º lugar

Não há como não se mencionar a polêmica expulsão do Messi, junto com Medel, na Arena Corinthians. Não houve qualquer agressão no lance. Na disputa da jogada, o atacante argentino empurra o jogador chileno sem intensidade, sem força excessiva, e recebe como troco algumas “peitadas”, que também não podem ser consideradas como agressões. Pela situação, como um todo, cartões amarelos ficariam de ótimo tamanho. Não havia a menor necessidade de o árbitro Mario Dias de Vivar, paraguaio, expulsar os dois jogadores.

4 – Brasil x Peru – Final

A regra mudou recentemente para determinar que não se deve marcar falta ou pênalti quando a bola tocar o braço de apoio de um jogador que está caindo. E foi exatamente isso o que ocorreu no lance em que o árbitro paraguaio Roberto Tobar assinalou penalidade máxima a favor do Peru: a bola bate no braço de apoio de Thiago Silva. O VAR o chamou para a revisão e mesmo assim, equivocadamente, o árbitro manteve a decisão original.

5 – Brasil x Peru  - Final

O pênalti marcado a favor do Brasil também gerou polêmica. A bola ainda estava em distância de disputa quando ocorreu o contato ombro com ombro, o que é permitido pela regra do jogo. O paraguaio Tobar foi à cabine do VAR e manteve a decisão no campo. Só que o pênalti não existiu.

Fonte: Renata Ruel

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Duas profissões: árbitro de vídeo (VAR) deve ser nova função, diferente do juiz de campo

Renata Ruel
Renata Ruel

Já imaginou entrar para uma escolinha de futebol, estudar, praticar para ser jogador de campo, começar a atuar em jogos profissionais, mas, de repente, a tecnologia o tornar um jogador virtual?

E se for um treinador, um corredor, um nadador, que, ao invés de estar no campo, pista ou piscina, passasse a mesclar esses com uma tela e imagens na TV?

Era esse o intuito destes quando decidiram por suas profissões ou somente atuar no seu "habitat natural"?

"Um mundo virtual é um ambiente imersivo simulado através de recursos computacionais, destinado a ser habitado e permitir a interação dos seus usuários através de avatares (representações personificadas do usuário dentro do ambiente digital)." (Wikipedia)

E o árbitro de campo em relação ao de vídeo? O perfil é o mesmo? As competências são iguais? O CHA (conhecimento, habilidades e atitudes), que tanto é citado atualmente, não se torna relevante para diferenciar um do outro?

A percepção no campo muitas vezes é distinta ao ver uma imagem na tela. São ângulos e velocidades diferentes, o conhecimento e domínio das regras alteram a análise de um lance. A pressão que sofre o árbitro de campo pode ser menor hoje do que a pressão de quem está for - a do árbitro de vídeo.

Há pessoas que realmente são excelentes na prática, mas na teoria o desempenho não é o mesmo. Ou ao contrário: quando tiram 10 (dez) nas provas teóricas, mas não alcançam a mesma performance na prática.

Entre as atividades e avaliações feitas com os árbitros de futebol estão os vídeos-testes. Lances de jogos são analisados através de vídeos e os árbitros precisam decidir, por exemplo, se foi falta ou não, se o cartão deve ser aplicado no lance, se é o amarelo ou vermelho, se houve infração de impedimento ou não e, se sim, por interferir no jogo, interferir no adversário ou ganhar vantagem.

O objetivo das análises e testes de vídeos está em auxiliar o árbitro no conhecimento e domínio das regras para tomadas de decisões, até então no campo de jogo. Mas nota-se que nem todos os árbitros que vão extremamente bem dentro do campo em suas decisões, alcançam a mesma ação em avaliações teóricas.

Desta forma, se torna pertinente refletir se os árbitros que fazem um curso para ingressarem na arbitragem onde, até o momento, têm o foco de atuação dentro de campo, buscando aprimorar no árbitro o domínio das regras sempre, tem o mesmo perfil dos árbitros de vídeos.

Indo além de perfil e entrando no mérito de identificação e gosto do próprio árbitro. Quantos preferem somente atuar dentro das quatro linhas, não se identificam com o vídeo? Ou quantos, de repente, constatariam que o vídeo é mais interessante, mais apaixonante do que estar em campo?

Essas análises estão sendo feitas pela FIFA e entidades neste processo? 


Sem dúvida que todos os árbitros, sem exceções, devem conhecer o processo, protocolo e procedimentos, passando por treinamentos do VAR para que possam ter domínio dessa nova realidade do futebol. Desta forma, os próprios árbitros, mas também os instrutores e dirigentes identificarem se há o perfil, tudo pode ser trabalhado através do CHA, para um árbitro de campo e/ou de vídeo. 

Mas o importante é não ser algo imposto ao árbitro, pois todos entraram na arbitragem, até o momento, para estar no campo e não decidindo, muitas vezes, atrás de um monitor.

Hoje a Regra do Futebol não permite a atuação no VAR sem ser por árbitros atuantes, mas todos os anos a International Board estuda propostas de alterações nas mesmas. Quem sabe ex-árbitros e instrutores não possam fazer parte do quadro do VAR ou novos cursos surgirem com o intuito de formar especificamente árbitros de vídeo?

Nem todos os jogadores gostariam de deixar de estar em campo, nem todos os nadadores gostariam de deixar suas piscinas, será que todos os árbitros gostariam de atuar como VAR?

Durante o curso de arbitragem, o aluno decidirá se será árbitro central ou árbitro assistente. A escolha é conforme o seu gosto e identificação com a função. A maioria dos árbitros não gosta de bandeirar e uma grande parte dos assistentes não gosta de apitar. 

Por que o árbitro de vídeo não entra nessa escolha nos próximos cursos ou até mesmo entre os árbitros que já fazem parte do quadro e de repente tenham interesse em atuar somente no VAR? 

A arbitragem já perdeu excelentes árbitros por questões de testes físicos, condições físicas, exemplos Leonardo Gaciba e Wilson Seneme. No quadro atual de arbitragem  há árbitros que em função da idade e/ou condicionamento podem não estar sendo muito aproveitados, mas que possuem experiência e vivência que certamente fazem a diferença e podem se identificar com o VAR, desta forma não perderiam espaço na arbitragem e contribuiriam para uma excelente execução do trabalho e legitimação do resultado. 

O rugby quando implantou o VAR criou uma nova classe de árbitros, os que trabalhariam somente com o vídeo. Copiar o que deu certo pode ser uma grande alternativa.

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