Seria o VAR o problema ou as regras do jogo?

Renata Ruel
Renata Ruel

Há quem pensou que a vinda do VAR solucionaria todos os problemas do futebol ou a maioria deles, seria o fim das polêmicas,  os resultados todos legitimados e a modalidade só ganharia com isso. Porém, depois de sua implantação, até recente, já é possível encontrar quem seja contra o sistema. Muitas críticas têm sido feitas não apenas em âmbito nacional, mas sim mundial.

Realmente há ocorrido lances polêmicos, o VAR entra ou não em cena, mas muitas vezes passa a sensação que acabou não ajudando como deveria.

Recordando que, segundo o protocolo, o VAR entra em ação em quatro situações: lances de penalidades (foi ou não pênalti, dentro ou fora; na cobrança ocorreu infração, a bola entrou ou não); quando um gol for marcado (houve algum tipo de infração – impedimento, falta; a bola entrou ou não); identificação equivocada de um jogador; e cartão vermelho.

É importante citar que no protocolo ainda consta que sua atuação deve ser em “erros claros e óbvios”, mas na regra 5 encontra-se o seguinte texto: “O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião. Em razão disso, o árbitro possui poder discricionário para adotar as medidas adequadas para cumprir a essência das regras do jogo.”

A frase “segundo sua opinião” mostra que a regra é interpretativa, pois a opinião de um pode ser diferente do outro, e do outro, e do outro.

Desta forma entram algumas perguntas: tenho como questionar uma imagem, um vídeo, uma foto ou a minha indagação é sobre a interpretação do árbitro ou da regra?

O que a imagem mostra todos estão vendo, se há confusão o problema não está no VAR, ou seja, não é a tecnologia que está ali, mas sim pode ser quem está por detrás dela, pois se cabe interpretações na regra, as opiniões vão divergir sim, nem sempre todos terão a mesma visão e tomada de decisão sobre o lance.

Quão claras são as regras para o VAR interferir somente em “erros claros e óbvios”? As diretrizes recebidas pelos árbitros são únicas ou também originárias de interpretações de instrutores sobre as regras e essas podem divergir entre si?

Se as regras não são claras muitas vezes, se instrutores opinam e também discordam em um mesmo lance com a imagem clara e óbvia, se as diretrizes passadas aos árbitros são distintas, citando as questões que cabem opiniões, entre o árbitro que está no campo e o árbitro de vídeo podem ocorrer percepções iguais ou não sobre a mesma imagem e isso gerar grande polêmica.

Os critérios precisam se encaixar, as diretrizes serem únicas, a comunicação: emissor – mensagem – receptor, não ser uma “brincadeira” de telefone sem fio, a informação chegar na Europa, América, África, Ásia e Oceania de forma igual, o árbitro do norte não receber informações distintas da do sul.

O VAR é uma realidade, a tecnologia veio para ajudar, mas os ajustes necessários nas regras e nas diretrizes precisam serem feitos para chegar a uma maior uniformidade nas tomadas de decisões.

Porém, enquanto na regra constar “segundo a sua opinião” e houver chances para interpretações, as discussões sobre possíveis erros ou acertos seguirão existindo, com ou sem VAR.

Realmente você acredita que um dia as polêmicas chegarão ao fim? Eu tenho as minhas dúvidas se terão fim, mas acredito que possam diminuir.

E ainda existem outros fatores a serem discutidos, o perfil do árbitro em campo e o de vídeo, a cultura futebolística de cada região, são exemplos do que mais pode interferir e diferenciar uma partida da outra.

De repente tudo isso ajuda a tornar o futebol tão apaixonante.

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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Arbitragem não tem o que esconder, e a CBF está deixando isso claro

Renata Ruel
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Fonte: Renata Ruel

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Em primeiro jogo de uso, VAR inglês dá aula no brasileiro

Renata Ruel
Renata Ruel
Josep Guardiola conversa com árbitro enquanto espera pela decisão do VAR aparecer no telão
Josep Guardiola conversa com árbitro enquanto espera pela decisão do VAR aparecer no telão ESPN

A expectativa do uso do VAR era enorme no campeonato mais tradicional do mundo, e ele tomou conta do segundo tempo da partida West Ham 0x5 Manchester City pela Premier League, dando aula de como atuar, de onde e como interferir, com checagens rápidas e a sensacional experiência e oportunidade para quem está no campo e quem está assistindo na telinha verem em tempo real o que está sendo checado pelo árbitro de vídeo, proporcionando uma transparência enorme para quem acompanha a partida.

Gabriel Jesus marcava o seu segundo gol no jogo, confirmado pela arbitragem em campo, todos se posicionando para o tiro de saída, e aparece no telão do estádio e na tela da TV a checagem de impedimento pelo VAR. Lance extremamente difícil no campo para o assistente, muito ajustado, uma pequena parte do ombro estava mais próxima da linha de fundo do que o penúltimo jogador, caracterizando assim a infração.

Porém, aqui no Brasil, os técnicos que estão manipulando a imagem têm demorado em torno de 5 minutos para detectar se foi ou não infração, tendo que puxar muitas vezes uma linha 3D.

Já na Premier League, não chegou a 2 minutos a checagem.

Gabriel Jesus faz golaço, mas VAR 'milimétrico' anula primeiro gol na Premier League

Ou seja, o tempo de espera para confirmar ou não o gol, em jogada absurdamente ajustada e difícil, foi significativamente menor do que tem sido no Brasil, com o grande detalhe da empresa que atua no VAR ser a mesma aqui e na Inglaterra.

Logo depois vem o gol de Sterling - também com um grau de dificuldade enorme - dado pelos árbitros em campo, checado pelo VAR, novamente com a imagem sendo vista por todos e confirmado com grande rapidez, criando expectativa, mas sem tempo de entediar quem assistia no campo ou pela TV.

Sterling marca golaço por cobertura, VAR entra em ação e confirma gol por causa de cintura de Balbuena

E para encerrar com chave de ouro, pênalti assinalado pelo árbitro no campo a favor do City, lance interpretativo que alguns poderiam até questionar, mas o VAR não interferiu na marcação, manteve a decisão seguindo o protocolo que criaram.

Na cobrança, o goleiro do West Ham defendeu e no rebote seu companheiro chutou a bola para escanteio. Entrou a checagem do VAR, não para verificar se goleiro se adiantou, pois no protocolo inglês isso ficará como na regra, isto é, a cargo somente do assistente, mas sim por haver interferência direta de invasão na área.

Aguero perde o primeiro pênalti, VAR manda voltar e argentino transforma resultado em goleada

Ou seja, o VAR sugeriu ao árbitro voltar a cobrança da penalidade em função de invasão e vantagem por parte do jogador que justamente pegou o rebote do goleiro e jogou a bola pela linha de fundo, algo também inusitado e interferência totalmente correta.

Sim, o VAR entrou em ação e não foi pouco, uma apresentação espetacular de boas-vindas, sem demoras que acabam com a paciência de quaisquer pessoas.

Uma aula para o Brasil e o mundo de como, quando e onde atuar e interferir. Que seja assim o campeonato todo, que todos aprendam com o VAR de hoje: copiar o que dá certo e funciona é relevante para o bem do futebol.

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Polêmica – Pode sim! Não, não pode mais! Se a Board não entende a regra que ela aprova, como condenar os árbitros em campo?

Renata Ruel
Renata Ruel

Nesta semana muito foram discutidas a inovação e a inusitada cobrança do tiro de meta no amistoso Benfica x Milan. O goleiro levantou a bola para o seu zagueiro, que devolveu de cabeça, o arqueiro pegou com as mãos e lançou para o seu lateral quase no meio de campo. O árbitro deixou o lance seguir.

Não demorou para que outras equipes começassem a fazer o mesmo. No exterior, os árbitros deixaram seguir, no Brasil, no Mineiro sub-20, o Atlético, ao realizar a jogada, teve uma infração marcada contra a sua equipe. O zagueiro foi advertido com cartão amarelo, e o seu treinador acabou expulso por reclamar que o lance era legal.

Muita polêmica em relação a essa jogada foi gerada, e o lance correu o mundo, pois o procedimento do tiro de meta foi cobrado corretamente como diz a regra – a bola foi chutada, se moveu claramente e não precisa mais sair da área para entrar em jogo com a mudança da regra; há a regra do recuo, em que o goleiro não pode pegar com as mãos uma bola passada deliberadamente pelo seu companheiro com os pés. Ou seja, se for com a cabeça, peito, ombro, coxa, etc. é permitido; mas a regra ainda prevê que um truque deliberado não pode ser usado para recuar essa bola, por exemplo, o jogador levantar a bola com o seu pé e ele mesmo passar com outra parte do seu corpo para o goleiro. Essa ação é uma infração, e deve ser assinalado tiro livre indireto contra a equipe desse jogador e aplicado cartão amarelo para o mesmo, independentemente de o goleiro pegar a bola com as mãos, pois quem comete a infração é o jogador. A regra ainda permite que um lateral seja cobrado na cabeça de um companheiro, para que este passe dessa forma para o seu goleiro pegar com as mãos, não caracterizando burla.

O árbitro, em um lugar do mundo, deixava o lance seguir. No Brasil, foi marcada infração. Alguns árbitros e instrutores viam o lance como burla, outros entendiam que não havia infração alguma às regras do jogo, então não poderia ser marcada a infração.

No começo da semana, o diretor da IFAB (International Board, responsável pelas regras do jogo), David Elleray, se manifestou dizendo que o lance era legal, era permitido. Uma dessas pessoas que recebeu tal informação diretamente do diretor foi o ex-árbitro Daniel Destro. O jornalista Leonardo Bertozzi também escreveu perguntando sobre o lance diretamente para a Board e recebeu a mesma resposta de Destro. Além disso, um instrutor da FPF/CBF/Fifa, em áudio que circulou para os árbitros no WhatsApp, também ratificou a informação recebida da IFAB, isto é, o lance era legal.

Nesta sexta-feira, a IFAB lançou um comunicado, assinado pelo mesmo diretor, Elleray, dizendo que após grandes polêmicas sobre o lance, as opiniões estão dividindo opiniões entre os membros do Subcomitê Técnico da IFAB, e, enquanto não chegarem a uma definição, o lance está proibido. Se acontecer, o árbitro não deve aplicar cartão amarelo e solicitar a repetição do tiro de meta.

Podia, mas na mesma semana não pode mais. Porém, não definiram o lance como uma infração, pois o tiro de meta será repetido se tal episódio vier a ocorrer na partida. Se a bola entrou em jogo conforme a regra do tiro de meta, por que vai se repetir a cobrança? Se a Board não permite a ação, isso não seria uma infração? Mas se fosse uma infração teria que ser cobrado um tiro livre e não voltar o tiro de meta, não é? Há diferenças entre as ações do próprio jogador levantar a bola com os pés para recuar de cabeça comentando uma burla e a jogada realizada no tiro de meta do amistoso europeu? A jogada serve para retardar ou agilizar a partida e o reinício de jogo? Se o árbitro mandar voltar o tiro de meta não vai retardar, ainda mais, o reinício de jogo essa decisão da Board? 

Se os diretores da IFAB, responsáveis pelas as regras do jogo que eles aprovam, têm dúvidas sobre as mesmas, como cobrar dos árbitros em campo decisões claras em alguns lances? A regra não é clara, essa polêmica demonstra isso. Com o tanto de interpretações distintas de pessoas “especialistas” em um único lance, imagine em vários outros que cabem opiniões - e essas nem sempre são iguais.

Pode-se discordar da regra, mas deve-se cumpri-la e nada impede de serem enviadas sugestões para que a Board estude alterações.

O que não pode são os árbitros apitarem com “achismos”, as diretrizes devem ser as mais próximas e uniformes possíveis, para assim as interpretações serem minimizadas e a arbitragem ter nível elevado.

Veja o conteúdo da mensagem do diretor da IFAB, David Elleray, no começo da semana para o ex-árbitro Destro, na qual ainda consta o exemplo do arremesso lateral, ratificando resposta dada ao Bertozzi pela Board:

“Dear Daniel Destro

Good too hear from you

This is perfectly legal and exactly what was wanted with the law change i.e. speed up the goal kick.

The no handling the deliberate pass Law was designed to prevent time-wasting and the GK’s actions in this example are clearly not designed to waste time – quite the opposite as he quickly throws the ball to start an attack.

This action is no different from where a player taking a throw-in is allowed to throw the ball at an opponent and then be able to play it.

The vast majority of football like this situation as it speeds up the game and makes it more attractive

Best wishes

David

David Elleray

Technical Director of The IFAB”

Veja agora o comunicado publicado hoje pela IFAB:

[]
[]

Tradução deste último:

“Para os chefes de arbitragem de todas as associações e confederações nacionais de futebol

Zurique, 2 de agosto de 2019 TD / 2019-L315 / dre

Informações pré-circular (uma circular oficial será enviada em todos os quatro idiomas oficiais do IFAB / FIFA em 6 de agosto de 2019):

Regra 16 - O tiro de meta / esclarecimentos

Prezados,

As mudanças nas Regras do Jogo de 2019/20 foram bem-sucedidas na Copa do Mundo Feminina da Fifa, na Copa do Mundo da Fifa Sub-20 e nas confederações e competições nacionais. As mudanças na Regra 16 - O Tiro de Meta muitas vezes levou o jogo a ser reiniciado de forma rápida e positiva, mas há duas situações que geraram dúvidas de todo o mundo do futebol que gostaríamos de esclarecer.

1. O goleiro “levanta” a bola para um companheiro de equipe que manda para o goleiro de volta com a cabeça/peito.

Tem havido muito debate sobre se, em um tiro de meta, ao goleiro é permitido "levantar" a bola para um companheiro de equipe que com a cabeça ou no peito joga de volta para o goleiro para pegar e depois colocar em jogo. Os pontos de vista dos especialistas técnicos e de arbitragem sobre, se isso está dentro do 'espírito' das Leis, está dividido no assunto que será discutido pelo Subcomitê Técnico da IFAB. Até então, esta prática não deve ser permitida nem deve ser penalizada - se ocorrer, o árbitro deve ordenar que o tiro de meta seja batido novamente (mas sem qualquer ação disciplinar).

2. Adversário na área penal quando um tiro de meta é executado

A Regra 16 exige que todos os adversários estejam fora da área penal até que o tiro de meta seja executado, e se um adversário permanecer dentro ou entra na área penal antes do chute ser executado e jogar, disputar ou tocar a bola, o tiro de meta é batido novamente.

Entretanto, a Regra 16 também aplica os princípios de tiros de meta 'rápidos' descritos na Regra 13 – Tiro Livre, 3 - Infrações e sanções que, se algum adversário estiver na área penal porque não teve tempo para sair, o árbitro permite que o jogo continue.

Em termos práticos, isso significa que o árbitro deve gerenciar os tiros de meta (e defender os tiros livres da equipe em sua própria área penal) da mesma forma que eles gerenciam os tiros livres:

• A menos que a falta seja executada rapidamente, os jogadores adversários devem estar fora da área de grande penalidade e permanecer fora até que o chute seja feito.

• Se o chute for executado rapidamente e um oponente realmente não teve tempo de sair da área penal, o adversário não pode interferir ou impedir a execução do chute, mas pode interceptar a bola uma vez que estiver em jogo. Isso é permitido porque a equipe defensora, como um tiro livre rápido, tentou ganhar uma vantagem ao dar o chute rapidamente e, se isso der errado, a Regra não está lá para salvá-los.

• Jogadores que deliberadamente permaneçam dentro ou entrem na área de penal antes do chute ser executado, não devem ganhar uma vantagem injusta, mesmo que o chute seja feito rapidamente.

Se um jogador adversário cometer uma infração (como descrito acima), o tiro de meta é repetido; não há sanção disciplinar a menos que a infração ocorra várias vezes (má conduta persistente).

Árbitros são hábeis em administrar 9,15m em tiros livres e devem aplicar essas habilidades e princípios ao gerenciamento do tiro de meta e tiro livre da equipe defensora em sua própria área penal.

Esperamos que esses esclarecimentos sejam úteis na aplicação da Regra 16 e pedimos que você os comunique aos seus árbitros, participantes e à mídia.

Se mais esclarecimentos forem necessários, por favor envie um email ao Diretor Técnico do IFAB: David.Elleray@theifab.com”

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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VAR vendo Palmeiras e Flamengo na Libertadores

Renata Ruel
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Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores
Néstor Pitana, árbitro argentino de Flamengo x Emelec pela Libertadores Getty

Falta apenas um jogo para encerrar as oitavas de final da Libertadores, Libertad x Grêmio.

Nos jogos de volta que envolveram as equipes brasileiras, Palmeiras x Godoy Cruz e Flamengo x Emelec, a arbitragem novamente teve seu destaque.

O primeiro gol do Palmeiras saiu de um tiro penal marcado depois do árbitro uruguaio Esteban Ostojich ser chamado pelo VAR para analisar o lance no vídeo. Não, não vi infração no lance, não vejo que o toque no braço seja para a marcação de pênalti - o jogador do Godói Cruz tem um movimento biomecânico natural, não amplia o espaço corporal, não faz uma ação deliberada, não assumiu o risco. Não vejo aspectos para que o toque no braço do zagueiro seja uma infração à regra do jogo. Para mim o VAR não precisaria chamar, mas já que o árbitro foi ver deveria ter optado pela não marcação.

Por coincidência ou não, o primeiro gol do Maracanã também saiu de uma penalidade máxima assinalada pelo argentino Néstor Pitana. Podemos dizer que cabem interpretações sim, mas na minha visão o jogador do Flamengo vai projetando o corpo para a queda antes do contato, ou seja, ele vai caindo antes do contato com o zagueiro, de repente até por perceber um outro defensor na cobertura e a possibilidade de perder a bola.

Acrescento ainda que depois de estudar lances no curso da Fifa há exatamente um mês, a intensidade do contato tem que ser algo realmente significativo para que o árbitro assinale uma infração, pelos exemplos que tive nas aulas o contato não seria faltoso. Ou seja, eu não marcaria o pênalti dado, penso que o VAR poderia ter indicado revisão, como a comunicação não é aberta não sabemos se o fez ou não.

Mauro diz que Flamengo 'lutou' muito e usou estratégia certa ao pressionar no começo, mas critica pênalti mal marcado


         
    

Porém, em outro lance na área, o atacante Gabriel caiu e fez insistentemente o sinal pedindo VAR, o que segundo a regra é passível de cartão amarelo não aplicado pelo árbitro, no lance o zagueiro dá um carrinho tentando impedir o cruzamento e seu braço atinge a perna do atacante do Flamengo. A imagem não deixou claro se o contato ocorreu dentro ou fora do campo, mas a bola estava em jogo.

A regra diz que se a infração ocorrer fora do campo, mas com a bola em jogo o árbitro pode tomar uma decisão técnica e também disciplinar, se for o caso.  Ou seja, mesmo que o contato do braço com a perna do jogador tenha ocorrido fora de campo, como a bola estava em jogo uma infração poderia ser marcada se o árbitro entendesse assim.

Neste lance também acredito que o VAR deveria ter chamado o árbitro para revisão, pois para mim essa sim poderia ser uma infração. Alguns podem questionar que o braço foi consequência do carrinho e não derrubou o atacante por querer, mas sem querer também é falta se ocorrer uma infração à regra.

O VAR algumas vezes vê pouco, outras muito e outras na medida certa. VAR seguirá, vamos acompanhar essa ferramenta que veio para ajudar e precisa de pessoas capacitadas para ser manuseado.

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Sampaoli, três amarelos e a regra que pune técnicos e banco com cartões

Renata Ruel
Renata Ruel
Sampaoli perto da cabine do VAR na vitória do Santos sobre o Avaí na Vila Belmiro
Sampaoli perto da cabine do VAR na vitória do Santos sobre o Avaí na Vila Belmiro Ivan Storti/Santos FC

As alterações das regras do jogo entraram em vigor no mundo desde 1º de junho, mas com o aval da Fifa estão valendo a partir da primeira rodada do Brasileirão.

Entre as mudanças, consta a novidade da aplicação de cartões amarelos e vermelhos para a comissão técnica.

Sampaoli é o primeiro treinador a levar três cartões amarelos na Série A do Brasileirão, o terceiro na vitória sobre o Avaí, e desfalcará o Santos na próxima rodada, contra o Goiás, em casa.

O regulamento prevê o mesmo sistema de punição para a comissão que se adota para os jogadores: acumulou três cartões amarelos ou foi expulso, cumprirá um jogo de suspensão automaticamente. Um oficial da equipe, ou seja, um membro da comissão, ainda pode tomar dois cartões amarelos em um jogo e ser expulso.

No Brasileirão, outros cartões já foram aplicados há membros das comissões:

- O técnico Mano Menezes foi o primeiro a levar cartão amarelo

- Fernando Diniz foi expulso com cartão vermelho no jogo do Fluminense contra o Bahia

- Vinícius Eutrópio, ex-treinador do Guarani, se tornou o primeiro das Séries A e B do Brasileiro a ser expulso por receber dois amarelos em um jogo

- O auxiliar técnico do Fortaleza, Charles Hembert, também foi expulso com cartão vermelho direto no jogo contra o Atlético-MG.

Ressaltando que a regra nova está sendo aplicada pelos árbitros e nela consta que, se alguém do banco cometer uma infração, mas não for identificado, o cartão será aplicado para o treinador da equipe.

Fonte: Renata Ruel

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Não existe 'último homem': lance de Diego Alves era para amarelo, não para VAR

Renata Ruel
Renata Ruel

O lance de Diego Alves causou muita polêmica na última quarta-feira. No empate por 1 a 1 entre Athletico Paranaense e Flamengo, o goleiro da equipe carioca pegou a bola com as mãos fora da área e o árbitro de vídeo não interveio.

Isso porque não existe o famoso "último homem” na regra.

A regra fala em oportunidade clara de gol e, para isso, avalia quatro pontos fundamentais para a tomada de decisão por um cartão vermelho: distância da meta, direção, adversários (posicionamento e quantidade) e controle ou possível controle da bola.

A bola estava em distância de disputa mesmo que o goleiro não a pegasse com as mãos, ou seja, o atacante não tinha o controle da bola e a possibilidade de controlá-la. Fica no “talvez”, e não em 100% de certeza.

Diego Alves e Marco Ruben em Athletico Paranaense x Flamengo
Diego Alves e Marco Ruben em Athletico Paranaense x Flamengo Gazeta Press

Desta forma, poderia se caracterizar um ataque promissor que definiria um cartão amarelo, mas não uma oportunidade clara de gol. E, em casos de cartão amarelo, a arbitragem de vídeo não pode intervir.

A imagem mostra a bola em distância de disputa entre ambos. Se o goleiro não pega com as mãos, ambos teriam praticamente a mesma oportunidade de chute.

Sem dúvida que o goleiro cometeu uma infração, mas se a bola estivesse passando por ele, ao lado do seu corpo, e ele colocasse a mão, ficaria mais caracterizada como oportunidade de gol.

Como a bola está em distância de disputa e em direção ao corpo do goleiro, a falta se enquadra em tática, impedido um ataque promissor, e não uma chance clara e manifesta de gol.

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

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De pênalti inexistente a 'agressão desculpável': saiba quais foram os cinco maiores erros de arbitragem da Copa América

Renata Ruel
Renata Ruel

Sem dúvida, houve muito mais do que apenas cinco erros de arbitragem na Copa América, somadas as interpretações erradas das regras do jogo e alguns casos de tomadas erradas de decisões - tanto pelos árbitros quanto pelo VAR.

Messi se assusta com cartão vermelho
Messi se assusta com cartão vermelho Getty Images

Os cinco equívocos apontados abaixo foram os mais marcantes, mas não foram os únicos, evidentemente. Pelo que vimos no torneio, segue claro que a arbitragem ainda precisa de aprimoramento, conceitos e critérios mais uniformes – além de um uso mais eficaz da tecnologia.

Quatro deles podem ter sido determinantes para os resultados finais dos jogos. E o quinto simplesmente tirou do espetáculo um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Vamos a eles:

1 – Uruguai x Japão – Primeira fase

No pênalti marcado a favor do Uruguai, sobre Cavani, o zagueiro japonês tentou bloquear a bola e o atacante uruguaio acabou chutando o seu pé. O árbitro colombiano Andrés Rojas, em campo, deixou seguir o lance, mas mudou de opinião após ser chamado pelo VAR para revisão. Era um lance normal de jogo, não houve penalidade.

2 – Uruguai x Japão – Primeira fase

Mais um erro de Andrés Rojas no confronto entre uruguaios e asiáticos. Logo no início do segundo tempo, após uma tentativa de drible, Nakajima caiu depois de receber um pontapé faltoso de Giovanni González, dentro da área penal. O árbitro nem sequer revisou o lance no VAR, mas o pênalti deveria ter sido marcado.

3 – Argentina x Chile - Disputa de 3º lugar

Não há como não se mencionar a polêmica expulsão do Messi, junto com Medel, na Arena Corinthians. Não houve qualquer agressão no lance. Na disputa da jogada, o atacante argentino empurra o jogador chileno sem intensidade, sem força excessiva, e recebe como troco algumas “peitadas”, que também não podem ser consideradas como agressões. Pela situação, como um todo, cartões amarelos ficariam de ótimo tamanho. Não havia a menor necessidade de o árbitro Mario Dias de Vivar, paraguaio, expulsar os dois jogadores.

4 – Brasil x Peru – Final

A regra mudou recentemente para determinar que não se deve marcar falta ou pênalti quando a bola tocar o braço de apoio de um jogador que está caindo. E foi exatamente isso o que ocorreu no lance em que o árbitro paraguaio Roberto Tobar assinalou penalidade máxima a favor do Peru: a bola bate no braço de apoio de Thiago Silva. O VAR o chamou para a revisão e mesmo assim, equivocadamente, o árbitro manteve a decisão original.

5 – Brasil x Peru  - Final

O pênalti marcado a favor do Brasil também gerou polêmica. A bola ainda estava em distância de disputa quando ocorreu o contato ombro com ombro, o que é permitido pela regra do jogo. O paraguaio Tobar foi à cabine do VAR e manteve a decisão no campo. Só que o pênalti não existiu.

Fonte: Renata Ruel

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Duas profissões: árbitro de vídeo (VAR) deve ser nova função, diferente do juiz de campo

Renata Ruel
Renata Ruel

Já imaginou entrar para uma escolinha de futebol, estudar, praticar para ser jogador de campo, começar a atuar em jogos profissionais, mas, de repente, a tecnologia o tornar um jogador virtual?

E se for um treinador, um corredor, um nadador, que, ao invés de estar no campo, pista ou piscina, passasse a mesclar esses com uma tela e imagens na TV?

Era esse o intuito destes quando decidiram por suas profissões ou somente atuar no seu "habitat natural"?

"Um mundo virtual é um ambiente imersivo simulado através de recursos computacionais, destinado a ser habitado e permitir a interação dos seus usuários através de avatares (representações personificadas do usuário dentro do ambiente digital)." (Wikipedia)

E o árbitro de campo em relação ao de vídeo? O perfil é o mesmo? As competências são iguais? O CHA (conhecimento, habilidades e atitudes), que tanto é citado atualmente, não se torna relevante para diferenciar um do outro?

A percepção no campo muitas vezes é distinta ao ver uma imagem na tela. São ângulos e velocidades diferentes, o conhecimento e domínio das regras alteram a análise de um lance. A pressão que sofre o árbitro de campo pode ser menor hoje do que a pressão de quem está for - a do árbitro de vídeo.

Há pessoas que realmente são excelentes na prática, mas na teoria o desempenho não é o mesmo. Ou ao contrário: quando tiram 10 (dez) nas provas teóricas, mas não alcançam a mesma performance na prática.

Entre as atividades e avaliações feitas com os árbitros de futebol estão os vídeos-testes. Lances de jogos são analisados através de vídeos e os árbitros precisam decidir, por exemplo, se foi falta ou não, se o cartão deve ser aplicado no lance, se é o amarelo ou vermelho, se houve infração de impedimento ou não e, se sim, por interferir no jogo, interferir no adversário ou ganhar vantagem.

O objetivo das análises e testes de vídeos está em auxiliar o árbitro no conhecimento e domínio das regras para tomadas de decisões, até então no campo de jogo. Mas nota-se que nem todos os árbitros que vão extremamente bem dentro do campo em suas decisões, alcançam a mesma ação em avaliações teóricas.

Desta forma, se torna pertinente refletir se os árbitros que fazem um curso para ingressarem na arbitragem onde, até o momento, têm o foco de atuação dentro de campo, buscando aprimorar no árbitro o domínio das regras sempre, tem o mesmo perfil dos árbitros de vídeos.

Indo além de perfil e entrando no mérito de identificação e gosto do próprio árbitro. Quantos preferem somente atuar dentro das quatro linhas, não se identificam com o vídeo? Ou quantos, de repente, constatariam que o vídeo é mais interessante, mais apaixonante do que estar em campo?

Essas análises estão sendo feitas pela FIFA e entidades neste processo? 


Sem dúvida que todos os árbitros, sem exceções, devem conhecer o processo, protocolo e procedimentos, passando por treinamentos do VAR para que possam ter domínio dessa nova realidade do futebol. Desta forma, os próprios árbitros, mas também os instrutores e dirigentes identificarem se há o perfil, tudo pode ser trabalhado através do CHA, para um árbitro de campo e/ou de vídeo. 

Mas o importante é não ser algo imposto ao árbitro, pois todos entraram na arbitragem, até o momento, para estar no campo e não decidindo, muitas vezes, atrás de um monitor.

Hoje a Regra do Futebol não permite a atuação no VAR sem ser por árbitros atuantes, mas todos os anos a International Board estuda propostas de alterações nas mesmas. Quem sabe ex-árbitros e instrutores não possam fazer parte do quadro do VAR ou novos cursos surgirem com o intuito de formar especificamente árbitros de vídeo?

Nem todos os jogadores gostariam de deixar de estar em campo, nem todos os nadadores gostariam de deixar suas piscinas, será que todos os árbitros gostariam de atuar como VAR?

Durante o curso de arbitragem, o aluno decidirá se será árbitro central ou árbitro assistente. A escolha é conforme o seu gosto e identificação com a função. A maioria dos árbitros não gosta de bandeirar e uma grande parte dos assistentes não gosta de apitar. 

Por que o árbitro de vídeo não entra nessa escolha nos próximos cursos ou até mesmo entre os árbitros que já fazem parte do quadro e de repente tenham interesse em atuar somente no VAR? 

A arbitragem já perdeu excelentes árbitros por questões de testes físicos, condições físicas, exemplos Leonardo Gaciba e Wilson Seneme. No quadro atual de arbitragem  há árbitros que em função da idade e/ou condicionamento podem não estar sendo muito aproveitados, mas que possuem experiência e vivência que certamente fazem a diferença e podem se identificar com o VAR, desta forma não perderiam espaço na arbitragem e contribuiriam para uma excelente execução do trabalho e legitimação do resultado. 

O rugby quando implantou o VAR criou uma nova classe de árbitros, os que trabalhariam somente com o vídeo. Copiar o que deu certo pode ser uma grande alternativa.

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Duas profissões: árbitro de vídeo (VAR) deve ser nova função, diferente do juiz de campo

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