Você sabe qual o 'real' significado de ser RAIA 4 na natação?

Raia 4!
Edênia Garcia

Edênia Garcia é tricampeã mundial de natação e tem três medalhas paralímpicas
Edênia Garcia é tricampeã mundial de natação e tem três medalhas paralímpicas Getty

Como me tornei uma RAIA 4

Eu sou do interior do Ceará,  filha mais velha de três e nasci saudável como muitas crianças. Até os três anos de idade, meu desenvolvimento foi normal (tirando a parte que desloquei o punho aos nove meses). Nada que pudesse intrigar meus pais.

Porém, minha mãe percebeu algumas características diferentes no meu caminhar. Minhas pernas não estavam se desenvolvendo como as de outras crianças, eram mais fracas, eu caia com mais frequência e andava chutando. Como toda mãe, ela foi buscar respostas  e aí começou uma saga até descobrir o que eu tinha. Os ortopedistas chegaram a falar que eu era igual ao Garrincha, só andava diferente. Não,  não fui jogar futebol (risos).

Meus pais não conseguiram um diagnóstico concreto, mas a orientação dos médicos era que eu fizesse fisioterapia sempre.  E foi o que eu fiz dos três aos sete anos de idade. Uma rotina difícil para uma criança! Mas não pensem que me eu abatia por isso.

Sempre fui uma criança ativa, brincava, estudava e adorava ir ao parque aquático da cidade. Brinquedo de crianças? Nem pensar! Eu gostava mesmo era de ir “nadar” com meu pai na piscina dos adultos. Lembro que minha mãe sempre falava que eu parecia uma sereia! Enfim, uma infância saudável!

Voltando para a saga, somente aos sete anos conseguimos ir até Curitiba (PR) pra fazer todos os exames necessários. Por meio de uma biópsia, chegaram ao diagnóstico de Neuropatia Periférica Hereditária e Degenerativa (CMT). É uma condição que compromete braços e pernas, e com o tempo a pessoa vai perdendo tônus muscular e parte motora.

Como não sabíamos o que viria nos anos seguintes, continuei fazendo fisioterapia (era o único tratamento que existia na época). Alguns anos depois, nos mudamos para Natal/RN e lá, um outro neurologista me orientou a fazer natação.

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Já nos nos anos 2000, meus pais me matricularam em uma escolinha de natação, o Tutubarão, conhecida por desenvolver muitos atletas paralímpicos em Natal. Eu nem sabia, mas já nadava na mesma piscina que o Tubarão Paralímpico, o Clodoaldo Silva. Ná época, ele era só o Clodo.

Muitas coisas ainda estavam por vir, inclusive minhas primeiras competições. E o primeiro torneio foi em 2001, o Norte/Nordeste, em Recife. Sai de lá com sete medalhas e quatro recordes brasileiros. Nem imaginava que ali começava uma nova vida, cheia de objetivos e superação.

No mesmo ano, fui convocada pra competir pela seleção brasileira na Argentina. E adivinhem em que raia eu estava? Sim, na RAIA 4! Estar na RAIA 4 na natação significa que você foi o nadador  mais rápido nas eliminatórias. Portanto, você vai nadar a final na melhor raia.

Foi em 2001, aos 14 anos, que descobri o significado mais profundo da expressão: ser Raia 4 não é, necessariamente, ser o nadador mais rápido, mas saber se adaptar às adversidades da vida. Aprendi que minha deficiência seria uma ferramenta de trabalho. Que todos os meus títulos não existiriam se eu não tivesse lutado por eles, se não tivesse me dedicado e me superado.

Já se vão 16 anos de história no esporte, com 13 medalhas em campeonatos mundiais, a última no domingo passado (entre elas um tricampeonato), e três medalhas paralímpicas (prata em Atenas-2004, bronze em Pequim-2008 e prata em Londres-2012).

*Sou Edênia Garcia, nadadora paralímpica, e agora estarei por aqui para passar muitas informações acerca do protagonismo feminino no paradesporto. Quero  contar para vocês como foi conquistar cada titulo, mas também como farei para continuar na “RAIA 4”!

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'Ninguém nasce campeão': websérie com a história de 21 atletas brasileiros

Raia 4!
Edênia Garcia

Na semana passada, a Rede Nacional do Esporte lançou a websérie 'Ninguém Nasce Campeão'. Serão 21 histórias de atletas do nosso Brasil; narrativas de quando eles ainda não almejavam uma projeção no esporte. 

Fico muito honrada em fazer parte deste grupo de atletas, afinal, são longos 17 anos no esporte paralímpico e é uma alegria compartilhar com vocês como tudo começou. 

Aproveito para compartilhar o texto do amigo, Gustavo Cunhare, publicado na última segunda-feira. Texto fiel à minha história. Muito obrigada pelo carinho, Gustavo.

E também o capitulo que conta minha história:


Até a próxima!
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Jéssica Messali ficou paraplé­gica após acidente e, hoje, brilha no paratriathlon

Raia 4!
Edênia Garcia

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Quem já ouviu falar do paratriathlon? Hoje, vamos falar muito dessa modalidade e, claro, de uma Girl Po­wer. Antes de contar a história da triatleta Jéss­ica Messali, vou passar um contexto histórico.

Em 11 de dezembro de 2010, o IPC (Comitê Paralímpico Internacional) anunciou que o paratriathlon foi oficialmente aceito nos Jogos Paralímpicos. A estreia foi no Rio de Jan­eiro-2016. Nesse sentido, é uma modalidade nova. No entanto, desde 1995, já existem campeonatos mundiais todo ano e o número de paratletas aumen­ta em ritmo aceler­ado.

Como todo esporte pa­ralímpico, o paratri­atlo também é div­idido por categorias. No total, são seis cla­sses, subdivididas por grau de deficiên­cia. O esporte inclui competições de nat­ação, ciclismo e cor­rida.

Para entenderem melh­or cada classe, acessem o site da Confederação Brasileira de Triat­hlon

 Em 11 de dezembro de 2010, o IPC anunc­iou que o Paratriath­lon foi oficialmente aceito nos Jogos Pa­ralímpicos ...

 No Brasil, a CBTri já tem paraatletas há 18 anos em competiçõ­es nacionais e inter­nacionais. Ainda é baixo o número de pa­ratletas na modalid­ade, mas desde sua estreia nos Jogos Par­alímpicos, em 2016, vem aumentando.

Agora, é hora de falar da história da Jéss­ica Messali. 

Ela sofreu um acidente automobilístico em 2013, ficou paraplé­gica e, em 2015, en­controu no paradespo­rto uma ferramenta de reabilitação. 

Atua­lmente, é atl­eta paralímpica de paratriathlon profiss­ional na categoria é PTWC - que, aliás, não teve nen­huma representante mulher no Rio-2016. Acho que, em Tóquio-2020, is­so vai mudar.

Conversando com a Jéssica sobre seu iníc­io no esporte paralí­mpico, ela conta que não foi nada fácil. O primeiro grande imp­asse que enfre­ntou foi a quantidade de mulheres no par­adesporto.

“Lembro que, em 2015, levei um susto ao encontrar apenas seis me­ninas na Copa Brasil. Eram mais de 100 atletas do sexo mascu­lino, uma diferença muito grande no ce­nário. Pensei até em desistir.'' 

O segundo grande impasse foi o preconceito ao bu­scar patrocínio. A maioria das empresas com homens na lidera­nça, infelizmente, tem preconceito com nos­so rendimento e capa­cidade de superação em provas.

Apesar de toda dific­uldade no início, Jé­ssica não desistiu e continuou sua tra­jetória vitoriosa no esporte. Na semana pa­ssada, ela levou meda­lha de ouro na prime­ira etapa da Copa Tr­iathlon Brasil, em Salvador (BA).

Além de brilhar no esporte, ela é inspir­ação para muitas men­inas nas redes sociais, compartilhando sempre treinos e alimentação (muito saudável) e tirando duvidas de como é a vida de uma mulher paraplégica. Jessica é aquela Girl Powe­r que nos represent­a!

Belo exemplo!

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Jéssica Messali ficou paraplé­gica após acidente e, hoje, brilha no paratriathlon

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Conheça Aline Rocha, primeira brasileira a disputar os Jogos Paralímpicos de Inverno

Raia 4!
Edênia Garcia

Aline Rocha vai competir no esqui cross country em PyeongChang
Aline Rocha vai competir no esqui cross country em PyeongChang Divulgação

Estamos a poucos dias dos Jogos Paralímpicos de Inverno, em PyeongChang, Coreia do Sul, e também do Dia Internacional da Mulher.

E, para comemorar esta data, nada melhor do que falar sobre o protagonismo feminino no paradesporto.

A 12ª edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno terá início no dia 9 de março, 12 dias após o término dos Jogos Olímpicos. O Brasil participa pela segunda vez da competição e envia três atletas: a paranaense Aline Rocha e o rondoniense Cristian Ribera, do esqui cross country; e o paulista Andre Cintra, do snowboard. Aline já vai para a Coreia fazendo história, como a primeira  brasileira na Paralimpíada de Inverno.

 Aline começou sua carreira esportiva em 2010 e estabeleceu como grande meta representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos Rio-2016, nas provas de corrida em cadeira de rodas. "Não foi fácil alcançar os requisitos mínimos e critérios de convocação, mas ter conseguido foi simplesmente fantástico." No Rio, a paranaense conseguiu fazer uma final na prova dos 1.500m, ficando em 9°. Já na maratona, terminou em 10° lugar e considerou sua participação muito positiva .

Mas para Aline e Fernando, seu treinador e marido, aquele era apenas o começo de um novo trajeto em sua carreira. Logo vieram os planejamentos para o novo ciclo paralímpico, com metas e objetivos traçados. Os dois consideravam a possibilidade de participação nos Jogos de Inverno de 2018. Observaram outros atletas de corrida em cadeira de rodas com participações tanto nos Jogos de Verão como nos de Inverno e perceberam uma oportunidade no Esqui Cross Country.

Conversando com Aline por telefone, ela nos conta um pouco sobre como foi chegar até o Esqui Cross Country e também sua perspectiva para a modalidade no Brasil.

"Conhecendo o panorama do Esqui Cross Country no Brasil, entendemos que a visibilidade adquirida com minha carreira nas Corridas em Cadeiras de Rodas, bem como a experiência do meu treinador e marido Fernando Orso como técnico, poderiam ser de grande importância para essa modalidade que estava apenas engatinhando no Brasil. E assim foi. Começamos a despertar interesse de outros atletas corredores em cadeira de rodas para conhecerem o Esqui Cross Country e o próprio esporte na neve. Mas também entendemos que muitas ações precisariam ser realizadas antes de expandir a modalidade. Dentre essas ações, a participação nos Jogos Paralímpicos de Pyeongchang é a mais importante.

Chegamos até aqui porque tivemos uma parceria incrível entre CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) e CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). Nesse processo, conhecemos a modalidade, participamos de Copas do Mundo, alcançamos índices para os Jogos, desenvolvemos uma metodologia para treinamento de Esqui Cross Country em ambientes secos e quentes com a utilização de Rollerski e Montainboard. Desenvolvemos o Sitski, um equipamento que está sendo fabricado no Brasil, e estamos melhorando o sistema de competições em território nacional para os atletas da seleção brasileira terem experiência na neve.

Atualmente, no Brasil, temos poucos homens e eu sou a única mulher, mas essa realidade vai mudar. Da mesma forma que meu ciclo de quatro anos para Jogos de Verão está apenas começando. Teremos mais quatro anos para construir um Ciclo Paralímpico para Jogos de Inverno, em que o maior objetivo não será simplesmente a minha evolução nessa modalidade, mas sim um trabalho intenso para que o Brasil possa levar para Pequim, em 2022, uma delegação numerosa e com muitas mulheres. Assim, mostraremos não apenas para o Brasil, mas para o Mundo, a força do esporte paralímpico no Brasil."

É, pessoal... Aline é uma atleta extremamente focada e determinada! E melhor, ela empodera outras mulheres atletas. Desejo muito sucesso à delegação brasileira nos Jogos Paramlímpicos de PyeongChang! Que seja um grande começo para que mais mulheres possam se empoderar e aumentar o número de participantes femininas na competição. Vamos Brasil!

Não esquecendo de desejar parabéns pelo Dia Internacional da Mulher!

Nossa história importa!

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Mais oportunidades para jovens e mulheres

Raia 4!
Edênia Garcia

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Recentemente, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) divulgou o calendário de competições nacionais e apresentou novidades em seu regulamento.

Duas grandes novidades me chamaram bastante atenção: uma delas é o estímulo  às  mulheres em participarem do Circuito Nacional e também aos atletas de classes baixas, do atletismo e da natação.

Todos sabemos que o número de mulheres é menor em eventos esportivos e no esporte paralímpico, não é diferente! Porém, nos últimos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro-2016, esse número aumentou! O time brasileiro bateu recorde de participação feminina: foram 102 competidoras, contra 67 em Londres-2012. Um aumento bastante expressivo!

Número de mulheres brasileiras participantes das últimas edições dos Jogos Paralímpicos:

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E para continuar com essa crescente, é super importante incentivar mais a participação das mulheres em competições nacionais. A medida que visa aumentar esse número é uma bonificação de 25% na pontuação a atletas com até 23 anos. Outra medida de igual importância é estimular atletas de classe baixa a participarem das competições. 

Deixe-me explicar o que seria um atleta classe baixa: são aqueles com maior comprometimento físico motor, ou seja, pouca mobilidade. Ainda são poucos os clubes que investem em atletas com esse perfil; um dos motivos pode ser pelo fato de existirem poucos profissionais especializados nessas classes.

Não só temos pouquíssimos atletas classe baixa em competições nacionais, como também têm diminuído em seleções brasileiras. E para estimular o aumento destes atletas, o Comitê Paralímpico Brasileiro vai fornecer hospedagem, alimentação e transporte nas etapas regionais do circuito. Esperando, assim, um aumento significativo de atletas nas respectivas seleções e competições.

E para falar um pouco mais sobre o atleta classe baixa, nada melhor do que a opinião de um dos técnicos brasileiros que treina classe baixa. Falei com o Coach Fabiano Quirino, que faz parte da equipe de técnicos do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (é o responsável por meu treino e de mais alguns atletas).

Perguntei ao Fabiano quais seriam as adaptações necessárias nos treinos para o atleta classe baixa na natação.
Fabiano: Existem várias adaptações de técnica, metragem e estímulos de treinamento.

EG: E como é trabalhar  com o atleta classe baixa?
Fabiano: É preciso estudar muito as patologias e, com o decorrer do tempo, se adquire uma percepção e sensibilidade para cada tipo de deficiência.

EG: E para finalizar, o que você aconselha para os profissionais que estão começando no esporte paralímpico?
Fabiano: Uma dica para os profissionais que estão começando... eu diria que, para trabalhar com a natação paralímpica, é preciso muito estudo, força de vontade e dedicação! Porque 'nada é mais desigual do que tratar igualmente pessoas diferentes.'

Quero agradecer ao Coach Fabiano pela conversa e dizer que nós, atletas, agradecemos por seu trabalho e sua dedicação!

Quero parabenizar o Comitê Paralímpico Brasileiro pela iniciativa e pela preocupação com as minorias no esporte paralímpico! Isso mostra uma preocupação com o desenvolvimento do esporte no Brasil e no mundo.

Para quem quiser acompanhar o calendário nacional e mais notícias do paradesporto, acesse o site do CPB.

*Sou Edênia Garcia, nadadora há 16 anos, com 13 medalhas em campeonatos mundiais e três medalhas paralímpicas (prata em Atenas-2004, bronze em Pequim-2008 e prata em Londres-2012). 

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Que a alta performance não nos cale!

Raia 4!
Edênia Garcia

Semana passada foi marcada por declarações marcantes de atletas e ex-atletas, inclusive da melhor ginasta da atualidade, Simone Biles. A norte-americana revelou ser uma das vítimas de abuso sexual por parte de Larry Nassar, ex-médico da seleção de ginástica dos Estados Unidos. E por esse e tantos outros assuntos recorrentes ao tema, decidi escrever sobre.

Se formos buscar registros sobre nossa história enquanto mulheres no esporte, encontraremos dezenas de relatos de como lutamos para praticar esporte e como tivemos que desmistificar a sexualização do corpo das atletas de alto nível (que o mesmo não existe somente para reprodução). Nós levamos muitas décadas para provar que o corpo da mulher também é apto para o alto desempenho esportivo! Em meio a todo esse contexto sócio cultural, ainda somos presas fáceis  na “armadilha” do nosso próprio corpo.

Na atualidade, nossas lutas diárias continuam não somente pela alta performance, mas também pelo respeito aos nossos corpos, por se fazer ser ouvida, por não duvidarem da nossa palavra... Existe um grande movimento no mundo em prol do empoderamento feminino, isso consiste em dar voz às mulheres. Foi o que aconteceu com mais de 100 ginastas, incluindo a Simone Biles.

Em sua carta aberta no Twitter, ela escreve: “Muitas vezes eu me questionei. Eu estava sendo muito ingênua? Foi minha culpa? Agora eu sei responder a estas perguntas. Não, não foi minha culpa. Não, eu não devo carregar uma culpa que pertence a Larry Nassar, à USAG e a outros”

Não Simone, não é sua culpa! Nem minha e nem de tantas outras...

Enquanto mulher e atleta, esse caso me entristeceu muito. Porém, sei que isso é apenas a ponta do iceberg.  Minha torcida é para que o esporte seja sempre um cenário de alegrias, vitórias e, principalmente, um lugar limpo desse tipo de comportamento repugnante.

Que a voz dessas mulheres seja nosso combustível para dizer NÃO a todo e qualquer desrespeito! E para encerrar, quero dizer a vocês, minhas leitoras, que para ser RAIA 4 precisamos nos unir em prol de um bem comum, seja ele para o esporte ou para um mundo melhor para as mulheres!

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Como atletas da natação lidam com a menstruação?

Raia 4!
Edênia Garcia

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Hoje, quero falar sobre um assunto que ainda é tabu para muitas mulheres, principalmente no mundo do esporte. A menstruação, mais especificamente para aquelas que vivem na piscina.

Quando a natação passou a fazer parte da minha rotina diária, eu ainda não tinha tido minha menarca (primeira menstruação) e até então, nenhuma dúvida sobre o assunto.

E então o grande dia chegou: não quis treinar, achava que passaria vergonha (risos). Fui “arrastada” por minha mãe, ela falava que iríamos descobrir como resolver esse “probleminha”. 

Eu já estava dando graças a Deus por ter uma professora, e não professor! Tudo aconteceu em 2000, quando nem se cogitava falar sobre esse assunto na borda da piscina. Com homem, então, a chance era quase nula. Acho que esse medo ocorre pelo fato de sermos educadas para só conversar sobre esse assunto com mulheres. 
Minha professora, na época, bolou um plano mirabolante para que eu treinasse, juro para vocês, e até funcionou por um bom tempo.

Abordei, de início, essa passagem que aconteceu comigo para levantar uma questão super importante: o acompanhamento ginecológico de toda mulher. 

Mas Edênia, isso não seria óbvio? 

Não! Muitas meninas ainda usam do senso comum para se cuidarem e se esquecem de que existem ótimos profissionais para nos acompanhar nessa jornada. Durante muitos anos, eu questionei se o meu desempenho esportivo tinha correlação com meu ciclo menstrual, qual seria a melhor maneira de lidar com os dias incômodos (cólicas e fluxo) e perdi muito tempo com essas dúvidas.

Saiba mais:
Como a ginecologia do esporte pode ajudar atletas a usarem menstruação a seu favor

E então, há alguns anos, descobri uma ginecologista aqui de São Paulo que também é da área esportiva, a Dra. Tathiana Parmigiano, também blogueira do espnW

Ela sanou todas as minhas dúvidas e também me ajudou a entender o funcionamento do meu corpo enquanto mulher e paratleta. Essa sim é uma excelente RAIA 4!

Minha dica é: para quem é de São Paulo e região, procure por ela. E pra quem não é, pesquise um bom profissional da área e tenha um excelente acompanhamento rumo à RAIA 4!

Estamos no #janeirodourado também! É um mês que enfatiza o acompanhamento médico e a atividade física para todas as pessoas, atletas, paratletas, adultos, crianças, idosos, sedentários, deficientes...

*Sou Edênia Garcia, nadadora há 16 anos, com 13 medalhas em campeonatos mundiais e três medalhas paralímpicas (prata em Atenas-2004, bronze em Pequim-2008 e prata em Londres-2012). 

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