Se o Bayern ajudou o Dortmund, por que o Flamengo não pode fazer um dia o mesmo com Botafogo, Fluminense e Vasco?

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Vanderlei Luxemburgo foi sincero e correto após o Vasco perder para o Flamengo, por 2 a 0, nesta quinta-feira. Com seu time oferecendo quase nenhuma resistência,  ele disse o óbvio: o rubro-negro está em "outro patamar".

Mesmo com seguidos erros, o elenco flamenguista é tão poderoso que o clube só depende de si para ganhar novamente o Brasileiro.

Bem diferente de dois dos seus três grandes rivais. O Fluminense surpreende e, mesmo com elenco modesto, ainda está perto de vaga na Conmebol Libertadores

Já o Botafogo está virtualmente rebaixado. O Vasco vai ter que brigar até a última rodada para não ter o mesmo destino.

Rodolfo Landim, presidente do Flamengo
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo Getty Images

A situação me faz lembrar um gesto de grandeza do clube europeu por qual tenho maior admiração (isso não quer dizer torcida). Em 2004, o Bayern de Munique teve um ato que mostrou esse gigantismo. 

Na época, o seu único rival real de peso na Alemanha estava à beira da falência. Eram dias difíceis para o Borussia Dortmund, mergulhado em dívidas.

O Bayern, que já havia auxiliado com dinheiro seu rival de cidade, o 1860 Munique, ofereceu um empréstimo de 2 milhões de euros, sem juros, ao Dortmund. Esse dinheiro (que foi aceito) sozinho não resolveu todos os problemas, mas com certeza auxiliou o rival a se reerguer (hoje novamente é gigante).

Recentemente, Uli Hoeness, presidente do Bayern, explicou o motivo da ajuda. "Quando vimos que eles não podiam pagar os salários dos jogadores, decidimos que deveríamos ajudar. Sou um grande fã das rivalidades no esporte. Era a coisa certa a fazer." 

O Flamengo não tem tanto dinheiro como o Bayern e ainda tem muitos de seus problemas para resolver.

Mas caminha para ser tão soberano no futebol carioca como é o Bayern na Alemanha. Mas deve sempre lembrar do ensinamento do presidente do Bayern. O futebol vive de rivalidades. Vai chegar a hora de estender a mão para Botafogo, Fluminense e Vasco. Para o bem do próprio Flamengo.



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'Fake news', candidato fugindo de debate e agora caso de polícia: política do Barcelona é puro 3º mundo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

O clube de futebol mais rico do mundo é puro 3º mundo quando o assunto é sua política.  Como se fosse um time de uma "República de Bananas" qualquer, o Barcelona acumula episódios que só envergonham sua bela história.

O mais recente capítulo dessa situação aconteceu nesta segunda-feira, quando homens da policia regional da Catalunha fizeram uma operação que acabou com quatro detidos, incluindo o ex-presidente Josep Maria Bartomeu.

É um caso cabeludo. O escândalo tem até nome: Barçagate. A acusação é que os cartolas gastaram dinheiro do clube para financiar uma campanha nas redes sociais para atacar opositores e até jogadores do próprio clube. Surreal.


Antes da polícia bater na porta do Camp Nou, o clube já exalava terceiro mundismo na sua política. Primeiro, Bartomeu renunciou para evitar um "impeachment". E a campanha para escolher seu substituto é vergonhosa.

Líder nas pesquisas (elas são feitas como se fosse a campanha para presidente de um país), o favorito Joan Laporta faltou em alguns dos debates entre os candidatos, incluindo um organizado pela própria TV do clube.

Toni Freixa, outro candidato, diz que seus seguidores são vítimas de "terrorismo" nas redes sociais. "Insultar quem exerce seu direito de votar é fascismo". 

Sede do Barcelona
Sede do Barcelona Getty Images

Víctor Font, mais um postulante, se diz "cansado" de "fake news" sobre seus planos para o clube.

Não é só dentro de campo que o Barcelona precisa de uma revolução.



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Vasco tem direito de buscar R$ 100 milhões na Justiça por jogar Série B, mas isso pode ser péssima ideia

Paulo Cobos
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O Campeonato Brasileiro de 2020 foi um suplício pela falta de público e bola e pelo excesso da casos de COVID-19. E o sofrimento parece não acabar.

Se sentindo injustiçado pelo VAR na derrota contra o Internacional, o Vasco promete ir até as últimas consequências para que o jogo seja anulado. E assim ganhar uma nova chance de somar três pontos, o que poderia evitar seu rebaixamento.

Como já percebeu que a chance de isso acontecer é ínfima, o clube tem um plano B: buscar na Justiça comum uma reparação de R$ 100 milhões, o valor que o clube calcula que irá perder trocando a primeira divisão pela segunda.

O Vasco tem, acredito, todo o direito de fazer isso, afinal Justiça serve mesmo para quem se sente injustiçado.

Jogadores do Vasco na derrota para o Internacional no Campeonato Brasileiro
Jogadores do Vasco na derrota para o Internacional no Campeonato Brasileiro Gazeta Press

Só que isso pode se tornar uma péssima ideia. Primeiro, por que tanto os estatutos da Fifa e da CBF dizem que um clube pode até ser afastado das competições em caso de busca pela Justiça comum. 

Sei que isso tem várias interpretações jurídicas, mas aposto que a CBF, um dos alvos da suposta ação vascaína, não hesitaria em aplicar essa punição se ameaçada de perder parte das suas receitas.

Mas o precedente que pode causar é o que mais preocupa na tentativa de o Vasco ser "indenizado" por jogar a Série B.



Se todo clube que se sentir injustiçado por erros no campo buscar reparação milionária, e os tribunais derem razão a eles, o futebol brasileiro vai acabar, já que por aqui não faltam erros de todos os tipos.

O próprio vascaíno pode voltar no tempo e perceber o quanto isso é perigoso. Imagine se o São Caetano fosse à Justiça pedindo reparação financeira pelo que aconteceu na final do Brasileiro de 2000, quando a decisão em São Januário, com excesso de lotação, foi suspensa pela queda de um alambrado que feriu dezenas de torcedores.

Um só exemplo de como pode ser fácil pensar em ir à Justiça para ser indenizado por tantos absurdos que acontecem nos estádios brasileiros, mas difícil saber o que isso pode dar.

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Xingar Rogério Ceni é o ápice: não é possível que o são-paulino vá do mais inteligente à estupidez total

Paulo Cobos
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Diego Alves zoa Rogério Ceni após 'final' contra São Paulo, e Landim faz discurso exaltando treinador: 'Tem a cara do Flamengo'


Quando eu era moleque, com uma paixão pelo meu time que hoje não é mais a mesma, tinha uma inveja absurda do são-paulino. 

Isso era ainda antes do esquadrão de Telê Santana. O São Paulo ganhava títulos, mas não muito acima da proporção dos outros grandes paulistas. Mas não era pelo campo que admirava quem torcia pelo clube do Morumbi.

E o motivo principal era a relação de seus torcedores com o clube. O são-paulino tinha uma racionalidade que era pura inteligência. Amavam o clube, mas por que pagar para assistir um jogo contra a Ferroviária pelo Campeonato Paulista que não valia nada?

Ninguém sabia tanto identificar um ídolo de verdade. A paciência era exemplar. Jogadores e treinadores eram amados ou odiados por suas virtudes e defeitos reais.

Esse são-paulino médio parece não existir mais.

Reconheço que é difícil ser racional quando seu clube, gigante, fica quase 10 anos sem ganhar um título. Ainda mais  em uma época em que se joga cinco ou seis campeonatos por ano.

Mas a relação do são-paulino com seu time hoje é insana. 

Numa semana, o lateral-esquerdo é "KingNaldo". Na outra, o pior jogador do mundo. Todo mundo estava com Fernando Diniz, logo depois ele era o grande vilão da fila por querer que o time toque a bola. 

Rogério Ceni comemora a conquista do Brasileirão com o Flamengo
Rogério Ceni comemora a conquista do Brasileirão com o Flamengo Alexandre Vidal/Flamengo

Pior aconteceu nos últimos dias, quando Rogério Ceni teve que responder em uma entrevista coletiva sobre as críticas que recebeu de são-paulinos por uma entrevista em que ele elogiou a torcida do Flamengo.

Sim. Isso não é a opinião de todo são-paulino. Mas tenho certeza que há 30 anos nenhum torcedor do clube seria burro o suficiente para fazer qualquer crítica ao goleio que é sem dúvida nenhuma o maior ídolo da história da equipe, em um exemplo de dedicação rara em qualquer parte do mundo.

Há 30 anos, como torcedor rival, iria adorar essa mudança do são-paulino médio. Hoje, só lamento.


Fonte: Paulo Cobos

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Ibrahimovic: o que fazer quando seu ídolo vira um babaca? (parte II)

Paulo Cobos
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Em junho do ano passado, inspirado por uma coluna da jornalista Nina Lemos sobre o cantor Morrisey, o blog lamentou o quanto um dos seus ídolos, o tenista Novak Djokovic, se transformou em um babaca por seu comportamento em relação à COVID-19.

Oito meses depois, por motivos bem diferentes, repito o mesmo título para chorar por outro grande ídolo que resolveu acumular atitudes cretinas. 

Ibrahimovic sempre foi um provocador. Nunca pareceu um lorde como Djokovic. Mas o atacante sueco era um cara impossível de não ser admirado. Mas em poucas semanas ele resolveu trocar seu carisma puro por episódios lamentáveis.

Ibrahimovic Comemora Manchester United Ajax Final Liga Europa 24/05/2017
Ibrahimovic Comemora Manchester United Ajax Final Liga Europa 24/05/2017 Simon Hofmann - UEFA/UEFA via Getty Imag

Ibra negou qualquer sinal de preconceito, mas não é nada legal  para ele se envolver nessa discussão por ser de uma família de imigrantes e já ter sido vítima de intolerância na Suécia.

Mas foi em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira que Ibrahimovic resolveu mergulhar na babaquice. Ele criticou o astro LeBron James por seu posicionamento político, como na recém eleição americana.



"Não gosto quando pessoas com qualquer tipo de 'status' falam sobre política. Você faz o que é bom. Eu jogo futebol porque sou o melhor no futebol. Se eu fosse político, me dedicaria à política", disparou Ibra.

Pura estupidez.

Atletas têm todo o direito de falar ou não de política. E quando falam de política podem se posicionar de acordo com suas convicções: direita ou esquerda, conservadores ou progressistas. 

Um atleta não pode ser calado. Na próxima, Ibra, pense melhor antes de falar uma bobagem desse tamanho.

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O pesadelo dos rivais: errando, Flamengo é bicampeão; acertando, dá para pensar em ser penta

Paulo Cobos
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Gol do Flamengo! Bruno Henrique sobra livre na área, desvia e empata o jogo

O Flamengo cansou de errar na temporada 2020. E acabou ela como bicampeão e o primeiro clube a conquistar o Campeonato Brasileiro por oito vezes.

Não é fácil ser adversário hoje do clube mais popular e já há alguns anos o mais rico do país.

O Flamengo amontoou bobagens como trocar duas vezes de técnico, contratações caras e fracassadas e uma vontade de voltar a jogar antes de todo mundo quando o futebol parou pela pandemia (o que depois se mostrou um grande erro).

Seus cartolas aprofundaram a briga de egos que contaminou sim o futebol. Insistiu em atitudes antipáticas e nada humanas, como o tratamento dado às famílias dos garotos que morreram no Ninho do Urubu.

Acabar ainda assim campeão do torneio mais difícil de ser conquistado por um clube brasileiro mostra o quanto o elenco rubro-negro está em um patamar muito acima dos concorrentes. Além de uma estrutura invejável.

E nada indica que isso vai mudar a curto prazo. O Atlético-MG segue gastando muito, mas numa comparação posição por posição fica longe do Flamengo. O Palmeiras tem a geração de jovens mais brilhante do país e um elenco sólido. Mas precisa de pelo menos mais dois jogadores acima da média para chegar no nível do rubro-negro.

Bruno Henrique comemora após marcar para o Flamengo sobre o São Paulo
Bruno Henrique comemora após marcar para o Flamengo sobre o São Paulo Alexandre Vidal/Flamengo

Se eu fosse dirigente de um rival (como torcedor já tenho esse sentimento) ficaria com medo da hegemonia que o Flamengo pode exercer no futebol brasileiro. Se errando o clube é bicampeão nacional, acertando não me espantaria que ganhasse cinco vezes seguidas.

Fonte: Paulo Cobos

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Cruzeiro subiria e Flamengo já seria campeão: 1 ano depois, imaginando como seria o Brasileiro com torcida e sem COVID

Paulo Cobos
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Nesta quinta-feira, o Brasil completa 1 ano convivendo com a COVID-19, que já matou mais de 250 mil pessoas no país. Em 25 de fevereiro de 2020, um homem teve o diagnóstico da doença confirmado em São Paulo.

O futebol chega a ser insignificante pelo tamanho da tragédia. Mas, como em toda a sociedade, sofreu um baque e uma mudança radical.

A começar pela própria doença, que desfalcou times e muitas vezes tirou o equilíbrio dos campeonatos. 

Mas foi pela falta de torcedores nas arquibancadas que o vírus atingiu em cheio o futebol. Com estádios vazios, futebol é outra coisa. 

Não tenho dúvida alguma que os resultados seriam muito diferentes nas duas principais divisões do Brasileiro se os portões estivessem abertos nos estádios.

Sormani diz que Flamengo 'recebe Brasileirão de presente' e garante: 'Eu trocaria Ceni por Jesus'

Nos pontos corridos, o Cruzeiro foi o primeiro grande rebaixado que não conseguiu o acesso na primeira temporada na Série B.  O time de Belo Horizonte perdeu inacreditáveis 32 pontos jogando, sem torcida, como mandante.

Duvido que com as arquibancadas cheias no Mineirão a campanha em casa seria tão ridícula. Com mais 12 pontos, o Cruzeiro subiria.

Gabigol comemota título do Brasileiro
Gabigol comemota título do Brasileiro Wagner Meier/Getty Images

Na Série A, com muitos grandes, é mais difícil fazer esse exercício de imaginação. Mas vou arriscar: com torcida, o Flamengo, que pode se sagrar bicampeão na última rodada, já estaria celebrando a taça.

Com seu esquadrão, novamente o clube iria superar a média de 50 mil torcedores no Maracanã. E com eles não teria apenas a terceira melhor campanha como mandante (é o time mais eficiente como visitante). O Flamengo perdeu 16 pontos em casa. 

No Brasileiro de 2019, desperdiçou apenas 4 pontos no Maracanã. 

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Líder, menos grana e outro '10 para pensar o jogo': Muricy acerta diagnóstico sobre Daniel Alves (falta combinar com ele)

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Em longa entrevista para a TV Gazeta, Muricy Ramalho, o coordenador de futebol do São Paulo (e ídolo eterno do clube), falou sobre seu papel e planos para o time que não ganha nada desde 2012 dar a volta por cima.

Vou ficar aqui apenas no que ele falou sobre Daniel Alves. Assino embaixo tudo o que ele afirmou sobre o astro.

Muricy deixou claro que Daniel Alves é "muito importante" para o São Paulo. Quem conhece o campo como ele sabe que o clube não vai encontrar "outro líder e capitão" com a mesma envergadura. 

Indicou que Hernán Crespo, o novo técnico tricolor, conta com ele.

Mas Muricy deixou claro também que, para ficar, Daniel Alves vai ter que se adaptar a um novo cenário. "Claro que tem que ter o acerto financeiro que tem que ter com ele também, né? Porque a dificuldade é enorme."

Tem razão Muricy. O salário de Daniel hoje é totalmente fora da realidade (foi assinado quando não havia COVID-19). E ele não produziu até agora para justificá-lo.

Veja a simulação de São Paulo x Flamengo


O agora coordenador também deu sinais que o jogador pode ter outra função dentro de campo.  Ao comentar os reforços que o São Paulo precisa, ele foi claro: "Acho que a gente precisa (de reforços) nas três áreas. Um atrás, um no meio-campo, um atacante, um (camisa) 10 que pensa jogo..."

O camisa 10 do São Paulo hoje é Daniel Alves, que foi um dos melhores jogadores do mundo, mas na lateral direita. Ele tem sim bola para jogar no meio campo, mas, como Muricy também parece achar, não no papel de principal pensador da equipe.

Muricy Ramalho
Muricy Ramalho Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Muricy foi certeiro sobre Daniel Alves. Só resta agora combinar com o jogador. Tenho dúvidas se ele vai aceitar ganhar menos e "perder" o papel de camisa 10.


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Um pode ser campeão, o outro sofre fritura humilhante: Jesus precisava mais do Flamengo que o contrário

Paulo Cobos
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Na mesma semana em que o Flamengo tem tudo para se sagrar bicampeão brasileiro, Jorge Jesus sofre uma fritura com requintes de humilhação no Benfica.

Agora comandado por Rogério Ceni, basta o time carioca vencer o decadente São Paulo para conquistar o título. Situação bem diferente da vivida por seu ex-treinador no gigante de Lisboa.

Depois de receber o maior investimento da sua história (100 milhões de euros em contratações), o Benfica falhou em chegar na fase de grupos da Champions. Pior acontece no Campeonato Português.

O time de Jesus é apenas o quarto colocado, atrás do modesto Braga e está hoje a 15 pontos do líder Sporting.



Criticado por todos os lados (um jornal ouviu até celebridades para analisar o "pior Benfica dos últimos 20 anos), Jesus todo dia lê e escuta notícias que o Benfica quer sua saída (com o pedido de demissão partindo do próprio treinador).

Até nas entrevistas coletivas ele já precisa responder diretamente se chegou a hora de sair.

A situação atual das duas partes deixa uma coisa clara: Jorge Jesus precisava muito mais do Flamengo que o contrário.

No clube carioca, ele tinha o cenário dos sonhos, com um elenco estrelado, domínio total do comando do futebol e uma torcida que o idolatrava. E parecia muito mais feliz e com desejo de trabalhar. No Brasil, o ego de Jesus era muito mais bem massageado. 

Jorge Jesus
Jorge Jesus Getty Images

Evidente que o Flamengo também sente a falta de Jesus: mesmo campeão agora, o clube não vai repetir nem de perto o brilho da época em que tinha o português no banco.

Mas o Flamengo vai continuar ganhando muitos títulos nos próximos anos. Não tenho a mesma certeza que isso vai acontecer com Jorge Jesus.

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A cor eu não sei: com VAR, Sampaoli e torcedor milionário, Brasileiro-20 é o campeonato dos 'malas'

Paulo Cobos
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O que deve ser (espero) a última grande polêmica do Campeonato Brasileiro-20 usa a imagem de um objeto que também serve para traduzir outra situação.

Ao dizer que vai "injetar dinheiro no São Paulo para o Inter ser campeão", o torcedor milionário do clube gaúcho resgatou a velha "mala", ou o incentivo para um clube ganhar (o que é bastante discutível) ou perder (o que é simplesmente um crime).

Mas foi outra expressão que usa a palavra mala que sempre me irá fazer lembrar a competição que (ufa) acaba nesta quinta-feira.

Nunca um Brasileiro teve tantas "malas" como nesta edição. Difícil lembrar tantos personagens e situações desagradáveis

O torcedor colorado ricaço é um dos candidatos. Não vi problema algum em ele pagar R$ 1 milhão para liberar Rodinei no jogo decisivo contra o Flamengo. O dinheiro é dele. Mas daí para criar uma bagunça toda ao oferecer dinheiro para o São Paulo a coisa muda.

Não é crime, nem caso de polícia, como quer o Flamengo. Mas é um atitude bem "mala".

Jorge Sampaoli
Jorge Sampaoli Bruno Cantini| Atlético-MG

O Brasileirão é uma "mala" desde a primeira rodada. Um campeonato sem torcida e em que a ausência de infectados por COVID-19 decidiu jogos é triste.

Esse maldito vírus também fez clubes e dirigentes terem atitudes bem "malas": a polêmica entre Palmeiras e Flamengo, com o clube carioca dizimado pela doença, é o maior exemplo. E os dois lados foram "malas".

O VAR foi a maior "mala" do Brasileiro. Não só por que a geringonça eletrônica, que deveria reduzir a quase zero os erros de arbitragem, se mostrou uma tragédia.  E gerou uma série de "malinhas".

Todo mundo reclama do VAR, mas sempre vendo o seu próprio umbigo. O treco é uma maravilha quando tem uma decisão boa para o seu clube. E uma porcaria quando o que acontece é o contrário.

O silêncio causado pela ausência de torcida também  ajudou a demonstrar como os treinadores são chorões e mal educados. Isso vale para estrangeiros e brasileiros, novatos e experientes.

Abel Ferreira, Rogério Ceni, Vanderlei Luxemburgo, Renato Gaúcho e muitos outros. Todos deram um show de palavrões e chororô.

De virada, Flamengo vence ‘decisão’ contra o Internacional e assume a ponta do Brasileiro; VEJA os gols!

Menção honrosa na "malice" para Fernando Diniz,  por seu chilique com Tchê Tchê. 

E para Jorge Sampaoli, que reclamou de tudo, pediu muitos reforços e entregou pouco no Atlético-MG.



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Cruzeiro, Botafogo e Vasco: quando o duro não é jogar Série B, mas parecer mesmo time de 2ª divisão

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Pela primeira vez na história, a Série B deve ter três gigantes do futebol brasileiro. O Cruzeiro já estava lá. O Botafogo, com uma torturante lanterna, caiu faz tempo na temporada. Neste domingo, o Vasco praticamente carimbou sua queda: o próprio Vanderlei Luxemburgo disse que seria enganar o torcedor acreditar na chance de salvação.

É ser muito otimista achar que a Série B de 2021, que também terá o Coritiba e o Guarani, que já foram campeões brasileiros, vai ser tudo isso. Claro que a badalação será inédita. Mas a real é que o campeonato terá um desfile de gigantes que não parecem estar apenas de passagem pelo torneio, como era o comum antes quando um grande caia.

O duro para Botafogo, Cruzeiro e Vasco não é jogar a Série B. O triste é cada vez mais parecer um clube de Série B.

Gian Oddi fala sobre queda do Vasco! 


Afundados em dívidas e com seguidas administrações calamitosas, nenhum dos três times pode ter certeza que a volta para a elite será fácil: o Cruzeiro que o diga.

Com a nova regra da distribuição do dinheiro da TV, os grandes recebem uma cota muito menor quando sentem o desgosto da Série B. E isso significa ter um elenco modesto, não muito diferente dos outros clubes que jogam a competição.

Isso significa ter quer jogar de igual para igual com clubes de pouca história, mas bem administrados (o promovido Cuiabá é um exemplo).

Não adianta querer subir só pela fama (do clube e de treinadores caros). Luiz Felipe Scolari se gabar de ter evitado a queda do Cruzeiro para a Série C foi ridículo.

Vanderlei Luxemburgo
Vanderlei Luxemburgo Gazeta Press

O melhor a fazer é ter um treinador que conheça bem como é jogar a segunda divisão e que não consuma uma fatia do orçamento que deve ser destinada a contratar jogadores de um nível melhor.

O Vasco então que não pense na besteira de manter Vanderlei Luxemburgo. 


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Eu não queria ser Rodinei hoje, mas gostaria de ser seu irmão para lhe dar um abraço

Paulo Cobos
Paulo Cobos

O futebol pode ser o esporte mais cruel de todos. Prova disso é o que aconteceu com o lateral-direito Rodinei neste domingo (21).

No jogo que foi uma espécie de 'final' do Brasileiro-2020, ele só atuou porque um torcedor ricaço do Internacional pagou R$ 1 milhão ao Flamengo - ele  é jogador do clube carioca e está no gaúcho por empréstimo. O contrato diz que ele só pode enfrentar o rubro-negro com o pagamento desta taxa.

No primeiro tempo, com o Inter jogando de igual para igual, ele acertou a trave. Mas foi protagonista negativo no início do segundo tempo, quando o placar estava empatado em 1 a 1.

Em um lance em que o VAR chamou, ele foi expulso pelo árbitro Raphael Claus ao acertar o tornozelo direito de Filipe Luís. Na minha opinião, o juiz acertou.

Rodinei acerta Filipe Luís e é expulso contra o Flamengo; veja


Com um homem a menos, o Internacional até foi valente, mas acabou derrotado por 2 a 1. Agora, o clube carioca vai para a última rodada na liderança. Basta vencer o São Paulo para conquistar o bicampeonato e o oitavo Brasileiro de sua história.

Imagino o quanto Rodinei vai sofrer neste domingo e nos próximos dias. Eterno coadjuvante, ele foi o principal assunto no Inter esta semana justamente pela decisão de pagar ou não a taxa de R$ 1 milhão ao Flamengo para ele entrar em campo.

Serão dezenas de memes, de todo tipo de piada. Se no futebol sempre é necessário se achar heróis ou vilões, vai ser fácil colocar o segundo carimbo no lateral direito.

Não é questão de entrar na discussão se ele foi culpado ou não. Futebol quase sempre não é feito só de acertos. O erro muitas vezes é a essência do jogo.

Só quem está dentro de campo sabe o quão difícil é tomar uma decisão em uma fração de segundos.

Não queria ser Rodinei nestes dias. Não sei se ele tem um, mas adoraria ser seu irmão nesta hora. E lhe dar um abraço que só um irmão pode dar em um momento tão delicado como este. 

E também diria: "Esqueça o tal R$ 1 milhão pago pelo torcedor ricaço. Você não será culpado se o Internacional não conquistar o título que o clube não leva para o Beira-Rio há mais de 40 anos."

Rodinei, do Inter, foi expulso no início do 2o tempo da 'final' contra o Flamengo
Rodinei, do Inter, foi expulso no início do 2o tempo da 'final' contra o Flamengo Maga Jr./Gazeta Press

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Eu não queria ser Rodinei hoje, mas gostaria de ser seu irmão para lhe dar um abraço

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Acredite: dos 8 prováveis times brasileiros na Libertadores, só um pode manter o técnico

Paulo Cobos
Paulo Cobos

O Athletico-PR corre por fora , enquanto Corinthians e Bragantino têm chances remotas. Uma tragédia também pode tirar o Grêmio. Mas tudo caminha para o Brasil ter oito equipes na Libertadores-21: Palmeiras, Inter, Flamengo, Atlético-MG, São Paulo, Grêmio, Fluminense e Santos.

E acredite. Não é nada impossível que apenas um desses clubes tenha na temporada 2021 o mesmo treinador.

Nos casos de São Paulo e Santos, isso é certo. O time do Morumbi demitiu Fernando Diniz e já contratou Crespo, que assume só na estreia do Paulista. Na Vila Belmiro, Cuca já anunciou que não fica e o clube bate cabeça em busca de um substituto.

Nas próximas horas, a lista dos que vão mudar com certeza aumenta. Jorge Sampaoli vai anunciar que está deixando o Atlético-MG, onde gastou muito para entregar muito pouco.

Para seu lugar, pode chegar Renato Gaúcho, que está perto de encerrar seu contato como o Grêmio. Com o clube gaúcho vendendo Pepê e um desgaste da longa relação, o melhor que ele pode fazer para sua ambição de brigar por títulos é trocar Porto Alegre por Belo Horizonte.

Renato Gaúcho pode igualar conquistas de Felipão e Marcelo Oliveira na Copa do Brasil
Renato Gaúcho pode igualar conquistas de Felipão e Marcelo Oliveira na Copa do Brasil LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Os outros casos são muito mais difíceis de entender.

No Fluminense, de investimento modesto, Marcão fez milagre ao colocar o time até brigando pelo G-4. Mas tudo indica que ele não vai ficar no cargo para a temporada 2021. Roger Machado é o favorito para o seu lugar.

A diretoria do Inter reluta em admitir, mas apostou que Abel Braga não daria certo e já há alguns meses deixou tudo pronto para trazer o espanhol Miguel Ángel Ramírez para a próxima temporada. E Abelão pode ficar sem emprego mesmo sendo campeão brasileiro.



Quem vai ser o campeão também pode definir a vida de Rogério Ceni no Flamengo. Com a taça, ele ganha moral e sobe de patamar na carreira. Sem ela, ainda mais depois de perdê-la em jogos grandes contra Inter e São Paulo, as cornetas na Gávea vão voltar e a pressão para a sua demissão irá crescer.

Sobrou o Palmeiras. Nada como ganhar a Libertadores, e Abel Ferreira é o único que já pode planejar 2021. 

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Getty Images


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Décimo é o lugar do Corinthians hoje: o time medíocre mais caro do Brasil

Paulo Cobos
Paulo Cobos

A definição da palavra medíocre nos dicionários é perfeita para avaliar o Corinthians hoje: "de qualidade média, comum; mediano, meão, modesto, pequeno".

Depois de perder para o Santos, e praticamente encerrar suas chances de conseguir uma vaga na Conmebol Libertadores, o clube estacionou na décima posição do Campeonato Brasileiro. Totalmente de acordo com o que é o clube hoje.

Faltam apenas dois jogos para o fim da temporada 2020 corintiana. Uma temporada em que o clube esbanjou mediocridade: não passou da pré-Libertadores, foi eliminado por um time então da Série B na Copa do Brasil e chegou a temer o rebaixamento tanto no Campeonato Paulista quanto no Brasileiro.

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Seria normal se o Corinthians tivesse um time como o Botafogo, com um elenco barato (e mais duro ainda é ver o Fluminense brilhando gastando menos de um terço da folha salarial do clube do Parque São Jorge).

É mais fácil admitir a mediocridade quando você gasta pouco. Mas é difícil aceitar isso quando você tem um dos elencos mais caros do Brasil, contrata sem critérios, acumula jogadores pífios em longos contratos e tem o potencial de ser a segunda maior força econômica do país.

Otero comemora gol da vitória do Corinthians
Otero comemora gol da vitória do Corinthians Rodrigo Coca / Agência Corinthians

A mediocridade ainda se espalha fácil. Só ver como Cássio deixou de ser o goleiro  brilhante que sempre foi.

Fugir da mediocridade é o maior desafio do Corinthians na próxima temporada. Não dá para se acostumar com a posição que espelha o quanto 'meão' virou o clube.


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Décimo é o lugar do Corinthians hoje: o time medíocre mais caro do Brasil

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Briga entre Piqué e Griezmann é outra prova: Puyol é a lenda que mais falta faz para o Barcelona

Paulo Cobos
Paulo Cobos

O torcedor do Barcelona sente muita falta de alguns dos maiores craques deste século no futebol: Xavi, Iniesta, Suárez e Neymar. 

Mas, se eu fosse torcedor do clube, estaria lamentando a ausência de um jogador com muito menos técnica, mas que não deixaria o vestiário da equipe virar a bagunça caótica em que se transformou.

Durante dez anos, o zagueiro Puyol foi o capitão do time catalão. Raros clubes tiveram um líder tão positivo como ele.

Difícil acreditar que Griezmann teria coragem de mostrar com Puyol a  mesma falta de respeito  que teve contra Piqué, ao ser cobrado na derrota humilhante para o PSGderrota humilhante para o PSG.

Puyol, ídolo do Barcelona
Puyol, ídolo do Barcelona Getty

Impossível crer que o capitão aposentado permitiria Messi parecer tão distante e desinteressado como no desastre diante do time francês.

Com Puyol, o Barcelona não seria hoje um time em que jogadores se esbaldam em viagens pelo mundo nas raras folgas enquanto o time afunda na tabela. Também haveria alguém no elenco para peitar a diretoria e questionar os erros que não param de se acumular no Camp Nou.

E não seria normal passar tantos vexames, sofrendo goleadas, na Champions.



Pela identificação com o clube, Piqué deveria ser o herdeiro da liderança de Puyol. Mas ele é apenas o terceiro capitão  da equipe (definir isso pelo critério de tempo de  equipe é bizarro). Sempre mostrou ao Barcelona o mesmo amor que Puyol tinha, mas nunca a mesma concentração para focar na equipe.

Craque nem sempre é só quem trata a bola com carinho. Puyol era um fora de série - e o Barcelona aprende da pior forma possível


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Nas cordas em todas as competições: Barcelona precisa começar revolução (incluindo saída de Messi)

Paulo Cobos
Paulo Cobos

         
     

| Mbappé brilha com hat-trick, e PSG atropela Barcelona no Camp Nou |

Se havia alguma dúvida, ela acaba a cada dia. A chance do Barcelona ganhar um título nesta temporada  é mínima.

Seria muito muito otimista achar que o Barcelona tem alguma chance de ganhar a Champions. Mas o que aconteceu nesta terça-feira, em pleno Camp Nou, foi duro de aguentar. Mesmo sem Neymar, o PSG, de campanha cambaleante no modesto Francês, goleou por 4 a 1 e está muito perto das quartas de final.

Em uma Copa do Rei que já não tinha Atlético de Madrid e Real, o Barcelona foi derrotado Sevilla por 2 a 0 no primeiro jogo das semifinais. E o time andaluz parece hoje muito mais confiável e forte que o gigante catalão.

No Campeonato Espanhol, o clube está a oito pontos do líder Atlético, e ainda tem um jogo a mais. A chance mais fácil de título também foi jogada no lixo: derrota para o Athletic Bilbao na final da Supercopa da Espanha.

Chegou a hora de encarar a realidade. O mais charmoso clube do mundo, e que parece querer viver apenas disso, precisa de uma revolução.

E ela precisa de uma dose gigante de realidade. O Barcelona precisa se reinventar com uma situação difícil de acreditar. Claro que seria exagero dizer que o time está quebrado. Mas nenhum gigante europeu tem situação financeira tão precária, fruto de uma diretoria irresponsável e pedante.

Não dá para sonhar em contratar um monte de grandes astros. Para isso, só vendendo figurões do elenco atual. Mas o único clube capaz de achar que Coutinho, Griezmann e Dembélé valiam mais que 100 milhões de euros foi o tolo Barcelona.

Mas é melhor se livrar desse trio recebendo pouco, pelo menos evitando seus milionários salários.

Garimpar o mercado com inteligência é a solução, além de apostar em jovens com enorme potencial, como De Jong, Pedri, Ansu Fati e Trincão.

Por último, a decisão mais dolorida. Com o atual cenário, tentar renovar o contrato de Messi seria a pior decisão possível. 

Ele não tem mais ambiente para seguir no Barcelona. E não tem mais idade para liderar um time que precisa se reconstruir. E sua saída vai representar se livrar de um gasto astronômico.

Ou alguém acha que Messi vai abrir mão de dinheiro e jogar só por amor à camisa do Barcelona?

Messi lamenta em derrota do Barcelona para o PSG na Champions League
Messi lamenta em derrota do Barcelona para o PSG na Champions League Getty Images


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A marra você engole: Gabigol segue sendo no Flamengo o jogador mais decisivo do Brasil

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Gabigol é nas últimas semanas mais Gabigol do que nunca. Estão lá a marra e as reações mimadas quando é substituído por Rogério Ceni. Mas estão também os números que seguem mostrando que ele é o jogador mais decisivo do futebol brasileiro.

Quando o camisa 9 balança as redes, o Flamengo é invencível.  Em 12 jogos no Brasileiro quando Gabigol marcou, o clube carioca venceu nove vezes e empatou três. O aproveitamento de 83% é o melhor entre os principais artilheiros da competição nas partidas em que eles foram às redes (a turma com pelo menos 13 tentos).

Nos jogos em que Pedro marcou, o Flamengo teve 77% de aproveitamento. Outro dado mostra que o maior ídolo flamenguista dos últimos anos é mais "confiável" nos grandes momentos. 

Gabigol é o vice-artilheiro do Flamengo no século XXI com 67 gols
Gabigol é o vice-artilheiro do Flamengo no século XXI com 67 gols Maarcelo Cortes / Flamengo

Ambos fizeram 13 gols no Brasileiro. Oito dos feitos por Gabigol foram contra os clubes já garantidos na Libertadores ou que ainda têm chances reais de conseguir uma vaga na competição sul-americana. Pedro marcou só quatro vezes contra equipes desse porte.

Mas não é só com números frios que afirmo com convicção que Gabigol continua sendo o cara mais decisivo do futebol brasileiro. 

Nenhum atacante preocupa mais um goleiro ou zagueiro do que o camisa 9 flamenguista. Qualquer treinador deve quebrar a cabeça quando vai enfrentá-lo. Gabigol está longe de ser apenas um finalizador: é também um garçom de primeira.

Gabigol não vai ser o melhor jogador do Brasileiro. Mas é, de novo, o jogador mais decisivo do Brasil.

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Bom para todas as partes: Renato Gaúcho trocar Grêmio pelo Atlético-MG é uma ótima ideia

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Com a cada vez mais provável saída de Jorge Sampaoli, na mira do Olympique, ganha corpo a chance de Renato Gaúcho trocar o Grêmio pelo Atlético-MG. Seria um caso raro de bom negócio para todas as partes.

Os dois clubes ficariam no lucro, assim como o próprio treinador.

Maior ídolo da história gremista (poucas estátuas são tão merecidas), Renato precisa de novos ares. Mesmo com um eventual título da Copa do Brasil, em que vai disputar a final com o Palmeiras, sua relação com o clube já não é mais a mesma.

Suas entrevistas são cada vez mais bélicas e demonstram que até um personagem tão carismático como ele pode ficar sem graça. No Atlético-MG, vai encontrar um clube que faz os investimentos que ele tanto pede (e segundo ele essenciais para conquistar títulos).

Renato pede investimentos no Grêmio, e Vizolli diz que São Paulo está 'vivo e na UTI' pelo título do Brasileirão


         
     

O Grêmio deixou de praticar de forma consistente o bom futebol dos seus melhores tempos com Renato. Também pode ser o momento de voltar a mirar o título do Brasileiro, e ser tão bom nos pontos corridos como no mata-mata. 

Chegou a hora de mudar de treinador, ainda mais respeitando o fim do contrato do treinador, no maior exemplo de continuidade do país.

Mais sorte ainda teria o Atlético-MG. Renato será tão "pidão" de reforços e estrela como Sampaoli. 

Só que ele já demonstrou várias vezes que sabe transformar a marra em títulos, o que o argentino pena para fazer nos últimos anos. E Renato tem muito mais jeito para tratar um grupo lotado de jovens promissores e veteranos estrelados como tem o Atlético-MG.

Que grande ideia seria essa troca.

Renato Gaúcho, Grêmio
Renato Gaúcho, Grêmio Grêmio


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O VAR está chamuscado, mas quem está perto de sair do Brasileiro com maior mancha da carreira é Luxemburgo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Vanderlei Luxemburgo procura no fracasso do VAR no Brasil uma desculpa para justificar sua mediocridade no Vasco 

Afirmar que o Brasileiro-2020 "está manchado" pelos supostos quase 20 erros contra o Vasco não cola para quem disputou 30 pontos, e ganhou apenas 9. O aproveitamento de 30% só é superior ao registrado pelos já rebaixados Botafogo e Coritiba.

Quando ele chegou, o Vasco tinha aproveitamento de 36%. 

Segundo o FiveThirtyEight, site parceiro da ESPN e especialista em estatísticas, o time de São Januário tem 71% de chance de cair para a Série B.

Internacional vence Vasco em São Januário e segue na ponta do Brasileiro; VEJA os gols!




Se não evitar o rebaixamento que parece cada vez mais próximo, Luxemburgo vai ter a maior mancha da sua carreira, em queda livre há mais de uma década. 

Não terá a mesma sorte que Felipão, principal responsável  pela queda do Palmeiras em 2012, mas que foi jogado fora do barco antes do rebaixamento ser sacramentado.

Com apenas duas rodadas para o fim, Luxemburgo será a cara do fracasso vascaíno com o descenso confirmado. Muito mais triste que ser acusado de não fazer o Palmeiras, seu emprego anterior, jogar bem.

Vanderlei Luxemburgo
Vanderlei Luxemburgo Gazeta Press

O VAR no Brasileiro realmente chega muitas vezes a ser uma grande porcaria. Mas ele chegou para ficar. Luxemburgo em várias oportunidades foi o treinador mais brilhante do futebol brasileiro. Mas cada vez é mais difícil acreditar que ele vai dar a volta por cima.


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Freguesia, '6 pontos' e amado São Paulo: os 3 jogos do Flamengo em 12 dias que vão mostrar tamanho de Rogério Ceni

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Rogério Ceni depende apenas de seus próprios resultados para ganhar seu primeiro título pelo Flamengo. E, se cumprir a missão, terá passado por 3 jogos em apenas 12 dias que vão mostrar com exatidão seu tamanho hoje entre os treinadores.

Porque o Flamengo vai decidir sua vida com uma combinação de jogos em que um treinador tem a obrigação de mostrar que é grande.

Primeiro, neste domingo, Ceni vai enfrentar um rival que é um pesadelo na sua carreira de treinador (e também muitas vezes como jogador). Em oito jogos contra o Corinthians como técnico, ele nunca venceu, perdeu quatro vezes e empatou outras quatro.

No outro final de semana, será a vez de fazer o jogo mais importante da sua carreira de treinador. O verdadeiro duelo de "6 pontos", contra o ainda líder, que até lá pode nem ser mais, Internacional, no Maracanã.

A chance do título ser decidido na última rodada é grande. E na 38ª jornada o rival do Flamengo será o São Paulo, no Morumbi, o clube e a casa amada por Ceni. Não poderia haver cenário em que os sentimentos vão ficar mais expostos.

Rogério Ceni comanda treino do Flamengo no Ninho do Urubu
Rogério Ceni comanda treino do Flamengo no Ninho do Urubu Alexandre Vidal/Flamengo

Campeão, Rogério será um vencedor que passou pelos testes mais duros possíveis. Se fracassar, terá que resistir às críticas de quem falhou quando tinha uma missão que só os grandes superam.

Eu aposto na primeira hipótese. 

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Palmeiras tem vexame dos vexames em Mundiais; Abel, que pena, fez papelão histórico

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Zinho sugere mudanças na escalação do Palmeiras: 'Depois desse vexame, ninguém tem posto garantido'


No domingo, quando o Palmeiras foi eliminado pelos Tigres nas semifinais do Mundial, defendi aqui que o clube não tinha passado vexame.  Pena para o clube que existe na competição a disputa de 3º lugar. 

Nesta quinta-feira, o campeão da Libertadores foi derrotados nos pênaltis pelo Al-Ahly

Acabou assim a competição no 4º lugar, ou basicamente na lanterna, já que o time só entrou na disputa a partir das semifinais. Não foi só por ter obtido a pior posição de um time sul-americano no Mundial que o Palmeiras fez no Catar o vexame dos vexames de um brasileiro na competição.

Não dá para enfrentar um time mexicano e outro do Egito e não conseguir marcar um gol. 

É inadmissível ter que admitir que na maior parte do tempo o Palmeiras foi dominado por rivais com orçamentos muito inferiores. 

Não dá para um clube mostrar uma fragilidade psicológica (de garotos e veteranos) tão grande. 

Não há como não se indignar com tamanha pobreza técnica. Dá medo de imaginar o que aconteceria com o clube brasileiro em um confronto contra o Bayern de Munique.

Quando um time dá vexame desse porte, é até injusto querer apontar apenas um culpado. Mas não dá para fugir do óbvio: ninguém do Palmeiras fez um papelão tão grande como o técnico Abel Ferreira.

Jogadores do Palmeiras durante disputa de pênaltis com o Al-Ahly
Jogadores do Palmeiras durante disputa de pênaltis com o Al-Ahly EFE/EPA/NOUSHAD THEKKAYIL

Seu crédito por ter substituído Vanderlei Luxemburgo e levado o clube ao título da Libertadores e à final da Copa do Brasil ainda é grande. 

Mas como ele errou no Catar. Escalou mal, pareceu não saber quem estava enfrentando e fez substituições equivocadas. E no fim uma declaração para dar munição às piadas dos torcedores rivais do Palmeiras. 

"Tivemos a oportunidade de estar no meio dos quatro melhores times do mundo e terminamos em 4º." 

Difícil acreditar que alguém tão inteligente tenha declarado algo tão estúpido...

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