Um papo sobre SUS no aeroporto de Moscou: o dia que percebi que Ronaldo também era Fenômeno fora de campo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Março de 2006. Um dia antes, a seleção brasileira havia feito o amistoso mais sem sentido na ‘era caça-níqueis’ da CBF. Como bem estampou o Estadão, jogar no inverno de Moscou, com 17 graus negativos, era uma "ideia estupidamente gelada", em uma referência ao slogan da cervejaria que patrocinava o time nacional.

Mas foi nessa fria viagem que tive a experiência de viver com Ronaldo Fenômeno um dia inesquecível.

| Ronaldo relembra drible absurdo que deu pelo Real e brinca com Djalminha: 'Eu que inventei; esse você nunca viu' |


Saguão de embarque do aeroporto de Moscou. Na pista, parecia haver mais de um metro de neve acumulada. Era raro um avião decolar ou aterrissar.

Desta vez, a CBF não havia fretado um avião para levar os jogadores de volta para as cidades de seus clubes na Europa. Por coincidência, o voo em que a Folha de S. Paulo, onde eu trabalhava, me colocou era o mesmo que levaria a maior parte dos jogadores e a comissão técnica até Frankfurt, de onde cada um iria para seu destino final.

E, claro, o voo atrasou. Para desespero de Ronaldo. Ele não parava de reclamar da 'economia' da CBF. Impaciente, andava de um lado para o outro e apelava para a máquina que fornecia salgadinhos e refrigerantes.

Cansado do tédio da longa espera, ele resolveu até bater um papo com os jornalistas que também esperavam o voo.

E foi nessa conversa, que deve ter durado algo como 15 minutos, que percebi que o Fenômeno não era algo só dentro do campo. Eu estava em Yokohama quando Ronaldo fez dois gols na final da Copa do Mundo. Mas foi no aeroporto de Moscou que o camisa 9 me impressionou mais.

Ronaldo durante a Copa de 2002
Ronaldo durante a Copa de 2002 Getty Images

Ronaldo sempre falou que gostava de ler jornais, mas não a parte de esporte. E não era mentira.

Em Moscou, ele falou sobre o mercado de petróleo. Mas o mais impressionante, e não me lembro por que o assunto surgiu, foi notar que ele sabia tudo sobre o SUS, o sistema de saúde público brasileiro que, apesar de todos os seus problemas, é algo que todos aqui deveriam se orgulhar.

O Fenômeno sabia falar como o sistema era financiado e relatou seus problemas. Desde que surgiu no Cruzeiro, imagino que nem ele e nem seus familiares precisaram usar o SUS. Mas que fenomenal foi saber quem alguém tão rico e famoso como ele se preocupava com a saúde de brasileiros com pouco, ou nenhum, dinheiro no bolso.

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Tem minha torcida: Fernando Diniz ganhar Brasileiro pelo São Paulo é bom para o futebol

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Não sou são-paulino. Meu amigos tricolores até dizem que eu tenho uma implicância extra com o clube. Mas no Brasileiro-20 vou torcer para a taça acabar no Morumbi.

E isso só vai acontecer por causa de Fernando Diniz. 

Diniz ganhar, enfim, um título importante, e ainda mais em um clube que esqueceu o que é ser campeão, não é só merecido. Será também ótimo para o futebol brasileiro e seus treinadores.

Fernando Diniz
Fernando Diniz Gazeta Press

Já escrevi aqui que não entendia tanto prazer dos críticos em enterrar o tal "Dinizismo". Assim como reconheci que Diniz ainda não havia conseguido ser um treinador consistente em todas as partes do campo. E dava como certo que ele seria trocado antes de Rogério Ceni aceitar a oferta do Flamengo.

Mas sempre fui fã do treinador que até no modesto Audax tinha a coragem de simplesmente pensar diferente. De enxergar o futebol sem a mediocridade típica da maioria dos treinadores brasileiros. Do cara que também pode derrapar em uma entrevista, mas que geralmente tem palavras inteligentes e sólidas.

Fernando Diniz campeão do Brasileiro, e ainda nas semifinais da Copa do Brasil, será a vitória do novo, do ousado, do cara que desafia a mesmice. E que também é capaz de evoluir, de aprender com as derrotas, de responder os críticos com a elegância.

Vida longa ao "Dinizismo". E com títulos.

Diniz exalta zagueiros e fala sobre ‘trabalho coletivo’: ‘Fez o São Paulo chegar na liderança’


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Neymar quer jogar com Messi de novo; mas agora quem escolhe o lugar é ele

Paulo Cobos
Paulo Cobos
Messi e Neymar durante os tempos de parceria no Barcelona
Messi e Neymar durante os tempos de parceria no Barcelona Getty Images

Pode ter sido a euforia de brilhar e marcar dois gols no mítico Old Trafford. Mas, após o PSG vencer o Manchester United, Neymar foi claro em entrevista à ESPN: ele quer voltar a jogar com o amigo Messi, e já na próxima temporada.

Sigo achando que para a carreira do brasileiro hoje Messi não é mais o companheiro ideal. Continuo apostando que Mbappé é sua melhor chance de ganhar a Champions League e enfim ser eleito o melhor do planeta.

Mas acho muito bacana a forma como Neymar reverencia o segundo melhor jogador da história do futebol, sem ciúme algum, com admiração que não tem nada de inveja.

Neymar: 'O que mais quero é voltar a jogar com Messi; tem que acontecer ano que vem'

Só que os tempos são outros. Em uma reedição da parceria, o status seria bem diferente da época em que os dois atuaram juntos no Barcelona. Neymar tem mais carreira pela frente, mostra um vigor físico que já é uma miragem para Messi.

Até pouco tempo, era Messi quem iria decidir onde teria Neymar como companheiro. Fez isso ao tentar levá-lo de volta para o Barcelona com insistência.

Mas agora é diferente, e o clube catalão não é mais uma opção viável. Se os dois quiserem um reencontro, será no lugar em que o brasileiro escolher. E quem vai vestir a camisa 10 é outra discussão.



Neymar acaba com o jogo, faz dois, PSG vence Manchester United e fica perto da vaga nas oitavas



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Neymar quer jogar com Messi de novo; mas agora quem escolhe o lugar é ele

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Eu estava certo: era melhor Rogério Ceni esperar o São Paulo do que ir para o Flamengo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

"Se eu fosse seu amigo, eu iria palpitar: espere o São Paulo". 

Foi com esta frase que encerrei texto no último dia 9 de  novembro, quando o Flamengo estava perto de demitir o espanhol Domènec  Torrent, e os torcedores rubro-negros pediam a contratação de Rogério Ceni, então no Fortaleza.

O blog analisava o que deveria ser a "maior decisão" da carreira de Ceni: esperar um convite para voltar a comandar o seu amado São Paulo ou aceitar um eventual convite flamenguista.

Ponderei os problemas que ele poderia ter na Gávea: "No Flamengo a cobrança será imediata. Sua falta de identificação com o clube não lhe daria o benefício da dúvida em caso de maus resultados iniciais. Ceni também teria que trabalhar com medalhões, experiência em que fracassou no Cruzeiro".

Acertei na mosca.

Após os fracassos na Copa do Brasil e na Libertadores, com um futebol medíocre, Ceni já não tem o benefício da dúvida. Ele não tem identificação alguma com o Flamengo, e por isso já não falta gente pedindo a sua cabeça, menos de um mês depois de assumir o emprego.

E parece que novamente ele tem problemas em lidar com medalhões. A decisão de substituir Arrascaeta e Éverton Ribeiro contra o Racing foi uma trapalhada que vai ser lembrada por anos.

Pode ser que Rogério Ceni ainda tenha tempo para provar que eu estava errado, e que esperar o São Paulo era um grande bobagem. Mas para isso ele precisa fazer o Flamengo jogar bem já no próximo final de semana. E ganhar o Campeonato Brasileiro virou obrigação.

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Eu estava certo: era melhor Rogério Ceni esperar o São Paulo do que ir para o Flamengo

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Real Madrid pagou R$ 1 bilhão por 4 brasileiros que não valiam isso; mas culpá-los pelo desastre é sacanagem

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Shakhtar Donetsk vence Real Madrid com gol de Dentinho e 'rouba' a 2ª colocação na Champions League


Foram 50 milhões de euros por Militão. Outros 45 milhões com Vinicius Jr. A mesma quantia por Rodrygo. E outros 30 milhões por Reinier. Pelo câmbio atual, o Real Madrid gastou R$ 1,07 bilhão com quatro brasileiros nos últimos anos.

É evidente que eles não valiam tudo isso. O valor pago por Militão chega a ser absurdo. Vinicus Jr., Rodrygo e Reinier são apostas firmes. Não têm culpa se foram comprados por muito dinheiro mesmo com carreiras incipientes como profissionais no Brasil.

Por isso chega a ser sacanagem quando boa parte da Espanha culpa a legião brasileira pelo absoluto desastre que vive o Real Madrid, derrotado pelo Shakhtar Donetsk por 2 a 0 nesta terça-feira, pela Champions League.

Militão é ironizado praticamente todas as vezes que entra em campo. Vinicius e Rodrygo são os "melhores próximos jogadores do mundo" em uma semana e verdadeiros pernas de pau na outra. Reinier é visto com desconfiança mesmo jogando na Alemanha emprestado. 

Os brasileiros são só parte da política equivocada do Real Madrid, que manda Cristiano Ronaldo embora e reluta em renovar o contrato de  Sergio Ramos.

Rodrygo tenta jogada durante derrota do Real Madrid para o Shakhtar
Rodrygo tenta jogada durante derrota do Real Madrid para o Shakhtar EFE/EPA/Sergey Dolzhenko

Mas não hesita em pagar fortunas por jogadores que não valem o que custaram, incluindo o quarteto brasileiro. Assim como 63 milhões de euros por Jovic é piada. E 115 milhões de euros por Hazard e sua falta de comprometimento foi outro erro.

O Real Madrid de hoje é a prova que gastar muito é para poucos. E gastar muito com o que vale à pena é para ainda menos gente.

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Torcedores e jogadores: quando todos são tolos irresponsáveis na operação 'caça boleiro furando quarentena'

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Já houve um tempo em que torcedor atrás de jogador de seu time na balada era algo mais inocente. O sujeito que deixava sua casa, até durante a madrugada, para tomar conta da vida do outro só estava preocupado que a noitada tirasse o fôlego apenas do próprio festeiro.

Mas os tempos atuais são um "novo normal" também para o futebol. E agora o torcedor, quase sempre de uma organizada, vai atrás de jogadores na operação "caça boleiro furando quarentena".

O pavor é que o atleta se contamine  e depois o resto do time, deixando a equipe esfacelada. Foi assim que aconteceu com seguidores do Atlético-MG, justamente um dos clubes  mais afetados com o vírus: até Jorge Sampaoli teve a COVID-19 depois de participar de uma festa.

É um caso raro em que todo mundo é culpado e, principalmente, irresponsável.

Os jogadores do Atlético-MG, e acredito que da imensa maioria de outros clubes brasileiros, brincam com algo muito sério. Principalmente por que todos deveriam, como qualquer cidadão, evitar aglomerações quando o vírus parece cada vez mais forte. 


Torcedores organizados do Atlético-MG ameaçam Marrony e Dylan Borrero ao verem jogadores na balada

E, sendo profissionais muito bem remunerados,  simplesmente deveriam tomar todas as precauções para não serem contaminados, já que no caso deles não é possível fazer "home office". A irresponsabilidade individual pode ter um preço muito alto pago de forma coletiva: no caso o clube.


Mas não é indo para a rua atrás dos jogadores que torcedores dão algum exemplo. É insano alguém, sem máscara, ficar gritando na cara de um jogador o acusando de furar a quarentena.

Baladeiros e "caçadores de fura quarentena": vocês são todos uns tolos irresponsáveis.

Fonte: Paulo Cobos

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Cada gol custou R$ 109 milhões: Real Madrid joga dinheiro no lixo com Hazard

Paulo Cobos
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Parece notícia velha,  mas não é. Nesta segunda-feira, o Real Madrid anunciou que Hazard está novamente machucado. Tudo indica que ele não joga mais em 2020. E só aumenta a sensação que o clube joga dinheiro, e muito, no lixo.

O blog tabulou os minutos jogados pelo belga no seu ano e meio na Espanha. Computando apenas competições oficiais, ele esteve em campo apenas 1.860 minutos. Isso representa só 32% do tempo em que o clube atuou.

Nesta temporada, ele só disputou 6 das 14 partidas do Real Madrid. Na passada, 22 de 51. 

No pouco que jogou, Hazard ainda só viveu de brilharecos. Até hoje, ele soma míseros 3 gols com a camisa branca e o número 7 de Cristiano Ronaldo, que o clube achou que era caro pelo que podia fazer se aproximando dos 40.

Hazard sente lesão e sai de campo ainda no 1º tempo contra o Alavés; assista


         
     

O valor que o Real Madrid pagou pelo Hazard ao Chelsea é polêmico. Mas a versão mais confiável é que ele custou 115 milhões de euros. Como  o contrato é de 5 anos, a grosso modo os 18 meses no clube até agora tiveram um investimento de 34,5 milhões de euros.

O belga tem o segundo maior salário do clube, com 11 milhões de euros por temporada. Assim, já faturou 16,5 milhões de euros no seu ano e meio no Real Madrid.

Somando a contratação e salário, Hazard já custou 51 milhões de euros para o clube mais vitorioso da história do futebol. Pelo câmbio atual, isso representa R$ 327 milhões. Uma conta simples mostra que cada gol do belga representou um gasto de R$ 109 milhões.

Apresentação de Hazard no Real
Apresentação de Hazard no Real GABRIEL BOUYS/AFP/Getty Images

Hazard nem é o tipo de jogador que faz o Real Madrid faturar vendendo milhões de camisas com seu nome.

E ainda dizem que mau negócio foi o PSG ter pago 222 milhões de euros por Neymar.

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Jorge Jesus falou besteira... Messi é sem graça, mas ninguém faz tanta gente amar futebol como ele

Paulo Cobos
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Messi faz golaço, usa camisa em homenagem a Maradona e toma cartão que deixa Vaughan engasgado: 'Que se dane o amarelo'

Foram poucos minutos entre uma coisa e outra. Primeiro, recebi no grupo do site da ESPN a notícia que o técnico Jorge Jesus, ex-Flamengo, disse que Maradona tinha "paixão pelo futebol" e que Messi "não tem nada"

Logo depois, meu sobrinho de 8 anos chegou para nos visitar. E lembrei que até hoje o presente que ele mais gostou foram duas camisas de futebol: uma do Barcelona e outra da seleção argentina, ambas com o nome de Messi.

E, então, não foi difícil chegar à conclusão que Jorge Jesus falou uma grande besteira.

Quem acompanha o blog sabe que sou um crítico ao atual momento de Messi. Porém, daí a dizer que o craque absolutamente sem graça, mas que jogou mais que Maradona, não tem paixão pelo futebol é insano.

Eu sei. São outros tempos. Maradona era rei numa época em que não havia redes sociais. Messi tem seus passos todos pensados numa era em que cada detalhe é avaliado online por milhões de pessoas.

Messi homenageia Maradona após marcar para o Barcelona sobre o Osasuna
Messi homenageia Maradona após marcar para o Barcelona sobre o Osasuna EFE/Andreu Dalmau

Messi tem, sim, muita paixão pelo futebol. Ela é simplesmente muito diferente dos tempos de Maradona. Mais profissional, talvez mais chata mesmo.

Mas lembrei de novo do meu sobrinho e de cententas de milhões de crianças espalhadas pelo planeta. Um sujeito que faz tanta gente amar futebol pode ser acusado de tudo. Menos de não ter paixão por futebol. 

Foi mal, Jesus...

Fonte: Paulo Cobos

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Andrés Sanchez entrou pequeno no Corinthians, virou gigante e se despede nanico

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Andrés Sanchez é um produto típico da politicagem medíocre que todos os grandes brasileiros insistem em não abandonar. Foi assim, como uma figura menor, que ele entrou na vida do Corinthians.

Foi com habilidade nos bastidores que ele se transformou em diretor de futebol rebaixado em uma gestão caótica, como a de Alberto Dualib, a presidente do clube, em 2007. E então o que parecia mais um cartola pequeno se tornou grande, gigante!

Não há como negar: o Corinthians se transformou no primeiro mandato de Andrés. O time se estruturou, enfim ganhou um centro de treinamento moderno, passou a faturar mais dinheiro, conquistou títulos, contratou estrelas e, finalmente, teve sua sonhada casa.

E fez até algo para fazer a política do clube melhor, bancando o fim da reeleição dos presidentes.

Seria uma história bonita: a de um cartola insignificante que acabou sendo um dos maiores da história de um clube centenário. Seria...

Mas na véspera da eleição que vai escolher seu substituto, o final da história de Andrés no Corinthians é outro. Ele vai deixar o clube nanico, ainda menor do que entrou nele.

Candidato, Gobbi explica ‘time de m...’, diz que não terá problemas com elenco e ataca Duílio; assista

É simbólico que o Corinthians chegue na sua eleição com a notícia de que teve suas contas bloqueadas pelo não pagamento de obrigações com o governo. Um reflexo do que o clube se transformou sob às ordens do paulista de 56 anos nascido em Limeira.

Por que não foi só com ele na presidência que o clube seguiu seu estilo. Há quase 15 anos, o Corinthians tem Andrés ou seus aliados mandando.

E o resultado é desastroso. 

O clube que sonhava em ser 'o maior do mundo' se transformou em um poço sem fundo na sua dívida bilionária. Uma entidade em que transparência é algo raro. Uma bagunça de dezenas de jogadores contratados sem sentido algum. Um time que fica cada vez mais longe de seus rivais. Uma equipe que não pode nem mais sonhar em ganhar títulos importantes.

A história de Andrés no Corinthians poderia ser contada em um livro para inspirar pessoas. Mas vai acabar com uma biografia de uma ascensão meteórica seguida de uma lenta decadência, que vai deixar o clube sangrando por muitos anos.

Andrés Sanchez durante entrevista coletiva no CT do Corinthians
Andrés Sanchez durante entrevista coletiva no CT do Corinthians Luis Moura/Wpp/Gazeta Press

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São Paulo vai ter essa coragem? Ladainha de 'erro de direito' é para perdedores, não para quem empatou

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Vai começar o circo de sempre. Nos próximos dias, iremos ouvir auditores do tapetão e intermináveis discussões sobre "erro de direito".  Que na linguagem da bola quase sempre é apelar para a letra fria das regras para reclamar de acertos da arbitragem. 

Isso era comum com a tal "interferência externa", ou a alegação que um juiz mudou uma decisão tomada em campo após ouvir alguém na beira do gramado. 

Agora, em tempos de VAR, pela segunda vez um clube alega que o juiz recorreu a ele quando a bola já tinha voltado a rolar, o que é  ladainha ainda maior do que a tal "interferência externa".



Raí diz que São Paulo vai 'fazer de tudo' para obter respostas sobre polêmica com VAR


Só que o São Paulo, a nova vítima do "erro de direito", terá que mostrar uma coragem rara.

Na maioria imensa dos casos, quem busca mudar acertos da arbitragem faz isso após ser derrotado. Foi assim com o e Fluminense em clássico contra o Flamengo, com o Palmeiras na decisão do Paulista-2018 diante do Corinthians e mais recentemente o Botafogo contra o Palmeiras, no Brasileiro do ano passado.

O São Paulo pode ter a tentação de querer anular o jogo contra o Ceará e buscar uma reedição da partida. Mas o clube saiu do Castelão, onde é nunca fácil jogar, com um ponto.

Ele pode ser precioso no fim do campeonato, assim como os dois a mais que pode somar com um novo jogo.

Árbitro checa o VAR
Árbitro checa o VAR Getty

Resta saber o tamanho da aposta são-paulina para ignorar o acerto do VAR e ser outro a apelar ao "erro de direito".

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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O 'The Best' é uma balela: Messi não foi melhor que Gabigol e Lopetegui maior que Jorge Jesus é piada

Paulo Cobos
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Ok. O futebol que se joga na Europa é outro patamar. Muito à frente do que se pratica na América do Sul. Mas tudo tem um limite. Ao divulgar os indicados para os prêmios de uma temporada entre julho de 2019 e outubro de 2020 a Fifa se superou na cegueira. 

Não é possível ignorar o que o Flamengo fez. Não só pelos títulos e por ter encarado sim o Liverpool na final do Mundial. Mas por enfim um clube brasileiro jogar um futebol digno do que se joga na Europa.

Seria uma idiotice sem tamanho fazer qualquer comparação entre Gabigol e Messi. Mas é um prêmio de um período específico. E nesse tempo o flamenguista marcou mais gols, ganhou títulos e não se arrastou em campo como a lenda argentina.

No período avaliado no prêmio, Gabigol fez 45 gols em 58 jogos oficiais, média de 0,78 por partida. Foi campeão do Brasileiro e da Libertadores, além de 3 taças de menor expressão já em 2020.

Lionel Messi e Gabigol
Lionel Messi e Gabigol Getty Images - Montagem ESPN

No mesmo tempo, Messi marcou 32 gols em 47 jogos, média de 0,68, abaixo da registrada pelo brasileiro. Não ganhou uma mísera taça, e ainda sofreu a humilhação maior da carreira ao levar oito do Bayern na Champions.

Cristiano Ronaldo teve média de 0,83 gol na temporada e pelo menos ganhou o Italiano. Mas ainda assim tenho dúvidas se foi melhor que Gabigol.

Mas pior é e lista com os 5 indicados a melhor treinador da temporada. Nela, estão o espanhol Julen Lopetegui e o argentino Marcelo Bielsa. 

O primeiro teve como "maior façanha" conquistar a Europa League pelo Sevilla. Sendo que o Sevilla ganha essa competição como muda de uniforme à cada temporada. Bielsa é um dos maiores gênios da prancheta, mas comparar o título da segunda divisão inglesa com o que fez Jorge Jesus no Flamengo é bizarro.

Não é possível ignorar a temporada perfeita do português no futebol brasileiro e sul-americano. Ela não foi feita com um futebol pragmático, medroso. O Flamengo jogou muita bola. Dizer que Lopetegui fez mais do que Jesus é balela.


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Faz diferença? Boca, River e outros brasileiros são comandados por campeões da Libertadores; Palmeiras tem um estreante

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Já vou dar spoiler. Jorge Jesus é a explicação para o Palmeiras não se preocupar de ser em uma lista, que tem todos os outros clubes brasileiros que restam na Conmebol Libertadores e Boca JuniorsRiver Plate, o único que é comandado por um treinador que nunca ganhou a competição.

E muito mais. Abel Ferreira nunca disputou o torneio. Nesta quarta-feira, contra o equatoriano Delfín, ele debuta no campeonato que é bem diferente ao que ele está acostumado.

Sobra rodagem para os outros principais candidatos ao título.

Marcelo Gallardo foi campeão como jogador e duas vezes como treinador no River Plate. Renato Gaúcho também ganhou a Libertadores como atleta e técnico no Grêmio.


Leandro Quesada diz que caminho do Palmeiras na Libertadores é muito bom e crava: 'Já está na semifinal'

O temido Boca é comandado por Miguel Ángel Russo, que conquistou a Libertadores treinando o próprio clube, em 2007. No Flamengo, Rogério Ceni ainda não levou o caneco sul-americano como técnico, mas o fez como jogador batendo recordes no São Paulo.

No Inter, Abel Braga tenta repetir o título de 2006 no mesmo clube. Cuca, agora santista, foi campeão com o Atlético-MG em 2013. Paulo Autuori, no Athletico-PR esbanja ainda mais: foi campeão com o Cruzeiro, em 1997, e São Paulo, em 2005. 

Mas Jorge Jesus explica que não conhecer a Libertadores é algo que não tira a chance de Abel Ferreira levar o Palmeiras ao título. 

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

O português foi campeão com o Flamengo logo na primeira vez que disputou a Libertadores. E outra coincidência para animar o palmeirense: o primeiro jogo de Jesus pela competição também foi no Equador. Perdeu. Mas o que aconteceu depois todo mundo sabe. 


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Fim da linha no Inter para D'Alessandro: o chato que eu queria ter como ídolo do meu time

Paulo Cobos
Paulo Cobos

D'Alessandro anuncia que não renova com o Internacional: 'Encerro a minha história, não o ciclo. Essa palavra deixo para medíocres'


Em 31 de dezembro, vai acabar a mais linda história de um argentino no futebol brasileiro. D'Alessandro anunciou que não irá renovar seu contrato com o Internacional, onde ganhou títulos e brilhou. 

E também o clube em que virou ídolo para os colorados e um grande chato para jogadores rivais, árbitros e todo o torcedor que não fosse do Colorado.

Para quem é Internacional, D'Alessandro é um guerreiro, o jogador que luta até a morte pelo clube. O sujeito que verbaliza como ninguém a paixão pelo time. Uma perna esquerda infalível.

Bem diferente para quem não é colorado. Nesses casos, o argentino é só um encrenqueiro, chorão, que tornou o Inter um clube antipático e é muito mais firula do que produção de verdade dentro de campo.

D'Alessandro durante jogo entre Internacional e Fluminense, pelo Brasileirão
D'Alessandro durante jogo entre Internacional e Fluminense, pelo Brasileirão Ricardo Duarte/SC Internacional

Os torcedores da equipe gaúcha estão absolutamente certos sobre D'Alessandro. Seus desafetos não têm 100% de razão sobre ele, mas em quase tudo acertam (só não dá para dizer que ele não foi craque).

Sim. D'Ale foi um craque no Inter. E também um dos jogadores mais chatos que já atuou no futebol brasileiro. Mas digo sem hesitar: como eu queria que ele tivesse sido ídolo no meu time.




Fonte: Paulo Cobos

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Brasileiro da COVID é emocionante, mas caminha para ter um campeão bem 'mais ou menos'

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Para quem gosta de emoção, o Brasileirão-20, em que testar negativo da COVID-19 vale tanto como um gol, é um prato cheio. Apenas cinco pontos separam o líder Atlético-MG do Grêmio, o oitavo colocado.

Mas não é só a irregularidade e o pouco brilho real dos times que brigam pelo título que apontam um campeão bem "mais ou menos".

O Atlético-MG tem, depois de 22 rodadas, apenas 39 pontos. Nenhum time que estava na liderança nesse estágio da competição teve pontuação tão baixa nos últimos dez anos. 

No ano passado, por exemplo, o Flamengo tinha 49 pontos após 22 jornadas, assim como o Corinthians em 2015 e o Cruzeiro em 2013 e 2014. Em 2017, o Corinthians foi ainda melhor, com 50 pontos. 



Sim. O São Paulo tem três jogos a menos. Mas mantendo seu aproveitamento atual teria 43 pontos em 22  rodadas, o que também seria a pontuação mais baixa dos últimos dez anos.

Duvido que algum time vai disparar na reta final e mudar o cenário atual. O Flamengo de Rogério Ceni até pode me mostrar que estou errado. Mas vai dividir sua atenção com a Libertadores e sua enfermaria parece nunca ficar vazia.

Jorge Sampaoli
Jorge Sampaoli Bruno Cantini| Atlético-MG

Parece muito legal ter um campeonato tão equilibrado assim. Mas isso não é só por causa do futebol. Um vírus que teima em não ir embora é o que bagunçou o Brasileiro. Muito triste.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Sem dinheiro e alma: Barcelona foi estúpido em não vender Messi

Paulo Cobos
Paulo Cobos


Messi desolado no gramado: uma imagem cada vez mais comum
Messi desolado no gramado: uma imagem cada vez mais comum Getty Images

Se até Paulo Ricardo Calçade, o brasileiro que mais entende de Barcelona e Messi, admite que o gênio argentino foi um mero figurante na derrota do time catalão para o antes freguês Atlético de Madrid não há o que discutir.

O Barcelona foi estúpido em ter Messi por mais um ano e não vendê-lo quando o argentino deixou claro seu desejo de trocar da ares.

Simplesmente por que o camisa 10 não mostra desejo algum de vestir a camisa que o consagrou. Ele só caminhou na derrota no Wanda Metropolitano. Zero interesse. Só esperando a chance de uma bola que nunca chegou para decidir.

Daqui a oito meses, Messsi muito provavelmente vai procurar um novo clube. Faz muito bem. É evidente que ele não é mais feliz em Barcelona.

E o clube catalão vai ficar sem seu craque, sem nenhum tostão e com a chance perdida de iniciar uma reconstrução que era evidente que já deveria ter começado há algum tempo.

O Barcelona poderia negociar e receber pelo menos 100 milhões de euros por Messi, o que é muito dinheiro para um clube cheio de problemas financeiros.

Mas a questão maior nem é o dinheiro. A verdade é que a cabeça e a alma de Messi já não estão no Camp Nou faz tempo.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Sem dinheiro e alma: Barcelona foi estúpido em não vender Messi

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Guardiola e Messi: quando a história pode se repetir no lugar errado, e como farsa

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Em menos de 48 horas, dois fatos mostraram que Guardiola e Messi estão cada vez mais perto de se reencontrarem. 

Primeiro, o gênio argentino reclamou de "sempre levar a culpa" pelo que dá errado no Barcelona. Depois, chegou o anúncio que o gênio espanhol renovou seu contrato com o Manchester City.

Assim, parece certo que na temporada 2021/2022, quando estará livre para deixar o Barcelona, Messi vai trocar o clube que esbanja charme, mas é uma bagunça, pelo City,  algo sem graça, mas exemplo de organização.

Ao contrário da maioria, não acho que a volta da parceria é garantia de sucesso absoluto.







Primeiro por que ela vai acontecer no lugar errado. Não seria só mais bonito Guardiola e Messi se reencontrarem na Catalunha. O DNA que fez o sucesso dos dois combina mais com o clube. 

E o futebol espanhol me parece um cenário mais apropriado para a segunda edição da parceria Messi e Guardiola não parecer uma farsa.

Até para os padrões das eliminatórias sul-americanas, como ficou claro nos jogos deste mês, o argentino, aos 34 anos, parece lento. Claro que seu talento absurdo ainda é garantia de brilho, mas ele é cada vez menos frequente.  E na Premier League, onde o jogo é mais intenso, isso pode ficar mais evidente.

Guardiola e Messi
Guardiola e Messi REUTERS/Kai Pfaffenbach

O futebol muda rápido. Ele não é mais o mesmo de dez anos atrás, quando Messi e Guardiola reinavam na Catalunha. Seria triste Guardiola ter quer colocar Messi no banco caso ele não renda o esperado no City. Ou pior: deixá-lo intocável no time titular mesmo sem merecer isso.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Ele fala após as derrotas e bate o pênalti: liderança de Diego faz muita falta para o Flamengo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Diego Ribas não é mais titular do Flamengo e dificilmente voltará a ser. Mas, na eliminação na Copa do Brasil para o São Paulo, ficou clara a falta que ele faz.

Não só por muitas vezes ser um jogador capaz ainda de mudar o roteiro de um jogo, como na final da Libertadores contra o River Plate. Mas principalmente por ter uma personalidade rara no futebol de hoje.

O Flamengo foi derrotado duas vezes pelo São Paulo nas quartas de final da Copa do Brasil. No primeiro jogo, o atleta que enfrentou o microfone da televisão foi o goleiro Hugo, de 21 anos. Na partida da volta, no Morumbi, o único que teve coragem para falar foi o lateral direito Matheuzinho, de apenas 20 anos.

Nenhum dos vários medalhões flamenguistas parou para justificar a derrota em dose dupla. Se Diego não estivesse machucado, aposto que daria a cara para bater. Era assim antes da chegada de Jorge Jesus, quando o clube acumulava fracassos, mas sempre tinha o camisa 10 com coragem para responder as perguntas.



No Morumbi, quando o Flamengo teve a chance de fazer um gol em cobrança de pênalti, Everton Ribeiro até se preparou para fazer a cobrança. Mas cedeu ao pedido de Vitinho, justamente um dos jogadores mais visados pela torcida quando falha.

Diego se cansou de perder pênaltis importantes. Mas sempre assumiu a responsabilidade. 

Diego, jogador do Flamengo
Diego, jogador do Flamengo Twitter/Flamengo

Um time precisa de líderes com coragem. E isso sobra para Diego. Melhor para o Flamengo que ele volte para os duelos contra o Racing pela Libertadores.

Fonte: Paulo Cobos

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CBF errou em privilégio ao São Paulo, mas se clube tivesse esse força toda não passaria tanta vergonha

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Um erro, na verdade um privilégio injustificável, fez do São Paulo a bola da vez da ira dos rivais no eterno chororô que é a arbitragem no futebol brasileiro. 

Ao aceitar a pressão dos cartolas são-paulinos e mudar o árbitro do VAR (hoje quase sempre mais importante que o de campo) no jogo contra o Grêmio, a comissão de arbitragem deu munição para quem aponta a proximidade do clube com Rogério Caboclo, o presidente da CBF, como motivo de desconfiança.

Todo mundo agora quer mudar o juiz. Todo mundo diz que o São Paulo é beneficiado.

Birner lembra que São Paulo 'já pressionou' arbitragem e fala sobre atitude do Flamengo: 'Faz a pressão que tem que fazer; infelizmente, é o futebol brasileiro'



Vamos com calma. Fato que o privilégio dado ao São Paulo não deveria acontecer. Mas já é muita teoria da conspiração apontar essa força toda do clube do Morumbi nos bastidores.

Já são 8 anos anos sem ganhar nada. Quase sempre o time fracassa por sua pura incompetência, mas também, na mesma proporção que os outros, foi prejudicado em jogos de competições estaduais, nacionais e internacionais.

Caboclo manda na CBF desde o começo de 2018. Já são quase três anos no poder. E em nenhum deles o São Paulo chegou perto de ser campeão.

Árbitro checa o VAR
Árbitro checa o VAR Getty

Se eu fosse presidente de clube, também iria pedir agora mudanças nas escalas de arbitragem. Mas olharia a lista de campeões recentes antes de apontar que o São Paulo virou o "rei dos bastidores".



Fonte: Paulo Cobos

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Tite é chato? Pode ser, mas a crítica 'encantador de serpentes' de Lugano é muito mais

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Tite é muito bom. Provou isso ganhando tudo no Corinthians e por fazer a seleção brasileira jogar bem depois de muito tempo nas eliminatórias para o  Mundial de 2018. Também é fato que seu jeito de falar empolado muitas vezes irrita. 

Sim: Tite pode ser chato algumas vezes. Mas muito mais chatas estão algumas das críticas cada vez mais ácidas que ele recebe.

Parece até que ele fez um crime contra o futebol pelos gritos ouvidos com clareza a cada passe dos jogadores pela falta de torcedores na vitória contra a Venezuela, na última sexta-feira. Mas o ápice da pegação de pé é relembrar o célebre Bola da Vez nos canais ESPN em que Lugano chamou o treinador de 'encantador de serpentes".



Quase sempre essa lembrança para criticar Tite me parece recheada de clubismo. A própria declaração original de Lugano tem essa característica.

Claro que Tite vai ser sempre mais bem visto pelos corintianos. Assim como Lugano é amado pelos são-paulinos, com toda razão aliás. Mas também é fácil para torcedores rivais dizerem que o uruguaio também pode ser um "encantador de serpentes".

Tite durante partida entre Brasil e Venezuela
Tite durante partida entre Brasil e Venezuela Getty

Tanto Tite quanto Lugano nunca foram "encantadores de serpentes". Eles são ótimos profissionais, mas não são perfeitos. Que sejam criticados por suas falhas, e não por suas qualidades. 


Fonte: Paulo Cobos

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Saída de Ronaldo já foi burrice, mas Real caminha para ser ainda mais burro com Sérgio Ramos

Paulo Cobos
Paulo Cobos

O Real Madrid já foi burro ao deixar Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores da história, deixar o time ainda no auge. Mas parece não ter sido suficiente. Segundo a imprensa espanhola, o clube agora, por puro capricho, corre o risco de perder o zagueiro mais importante do futebol em todos os tempos. 

Sim. O Real Madrid é e sempre será o maior clube do planeta. Mas achar que por isso pode impor toda a sua soberba a jogadores tão grandes é um erro colossal. Primeiro, achou que Cristiano Ronaldo não valia o que pedia: e desde então não chegou mais nem perto de conquistar a Champions League.

Pior agora com Sérgio Ramos. Por uma política de não oferecer contratos de mais de um ano a veteranos, vê a chance do zagueiro ir para o PSG em um vínculo de três anos e com salário muito maior.

É chover no molhado falar da importância dentro de campo de Sérgio Ramos. A conquista do último Campeonato Espanhol aconteceu principalmente graças a ele. Quando ele fica fora de jogos decisivos da Champions, o Real Madrid quase sempre apanha feio.

Mas deixar seu capitão ir embora para um rival de peso tem um significado muito maior. É atestar que o clube pouco se importa com sua alma. 

Alma é algo que não se encontra no mercado. 

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Só pode ser por medo: a bizarra insistência de Tite com Neymar baleado em tempos de COVID-19

Paulo Cobos
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Nesta sexta-feira, o  Le Parisien, jornal que melhor cobre o PSG, foi cirúrgico ao relatar o corte de Neymar na seleção brasileira.

"Convocado pelo Brasil quando ainda não estava completamente curado da lesão na virilha, e enquanto o PSG teria preferido que ele continuasse em tratamento, Neymar foi finalmente forçado a desistir".

Foi o desfecho de uma bizarra insistência de Tite em ter seu melhor jogador, não em uma final de Copa do Mundo, mas em dois jogos das eliminatórias (um deles em casa contra a Venezuela) que todo mundo sabe que vai terminar com o Brasil classificado para o Mundial do Catar.

Neymar cumprimenta Cesar Sampaio na Granja Comary
Neymar cumprimenta Cesar Sampaio na Granja Comary Lucas Figueiredo/CBF

Tite demonstrou um misto de irresponsabilidade com uma espécie de confissão que seu time é totalmente dependente do camisa 10.

Não são tempos normais estes. Com a pandemia de COVID-19 ainda forte, qual é o motivo de fazer um jogador atravessar o Atlântico apenas para se tratar na Granja Comary? Isso mesmo com Neymar já tendo sido infectado. 

E se a viagem tão desnecessária agravar ainda mais a contusão? E se Neymar entrasse em campo e a lesão piorasse?

Neymar é desconvocado, e médico da seleção brasileira explica: 'Apresentou uma boa evolução, mas não o suficiente'

Ao insistir em Neymar, Tite deu argumentos a quem o acusa de aceitar eventuais derrapadas disciplinares de Neymar por simplesmente saber que sem o seu maior craque  a seleção brasileira não vai longe.

Tudo indica que Tite chamou Neymar com medo de perder para o Uruguai, no Centenário, na próxima terça-feira. Não faz nada bem para um técnico da seleção brasileira ter esse pavor.

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