Vetar Flamengo e perder dinheiro? Pelo estatuto do Botafogo, ao pé da letra, isso pode até fazer presidente perder mandato

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
GazetaPress
Mosaico da torcida do Botafogo no Engenhão
Mosaico da torcida do Botafogo no Engenhão

O companheiro Mauro Cezar Pereira fez as contas.  A insistência do Botafogo em negar o Engenhão para os jogos do Flamengo faz o alvinegro perder milhões. Só em 2017, o clube perdeu a chance de arrecadar até R$ 10 milhões. Muito dinheiro para o clube brasileiro que mais deve: ao final de 2016 (o balanço de 2017 ainda não foi divulgado) a agremiação carioca tinha dívida de R$ 751,5 milhões.

É fato que nos últimos anos o Botafogo foi muito mais responsável no controle de suas finanças. Mas ainda falta muito para o time ter uma situação saudável e possa voltar a ter um time de acordo com sua enorme tradição. E a decisão do presidente Nelson Mufarrej de negar o estádio para o maior rival pode, pelo que está escrito no estatuto do clube, até fazer com que ele perca o mandato que acaba de conquistar.

No artigo 88 de seu novo estatuto social, aprovado no ano passado, o Botafogo lista "gestões temerárias" de seus dirigentes. Movimentos que de acordo com o artigo 86 podem fazer o dirigente ser afastado imediatamente do cargo e ficar fora de eleições no clube por até dez anos.

No item sete do artigo 88, o clube classifica como "gestão temerária" o ato de "atuar com inércia administrativa na tomada de providências que assegurem a diminuição dos défices fiscal e trabalhista".

Simples: se abre mão de faturar, como no caso de negar o Engenhão para o Flamengo, o Botafogo perde a oportunidade de quitar uma parte de suas dívidas. 

Será difícil alguém da oposição usar o artigo para pedir a saída de Mufarrej. Se isso acontecer o cartola ainda poderá se apegar no artigo que diz que a "gestão temerária" não sofrerá punição caso o dirigente "não tenha agido com culpa grave ou dolo ou comprove que agiu de boa-fé e que as medidas realizadas visavam a evitar prejuízo maior ao Botafogo".

Muita discussão que uma pequena pitada de bom senso evitaria.

Migalha de faturamento e lucro, 36% de salários milionários e um terço de jatinho e helicóptero: o que custo do VAR pesaria para a CBF

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Divulgação/CBF
Sede da CBF, que se recusa a pagar árbitro de vídeo
Sede da CBF, que se recusa a pagar árbitro de vídeo

Os clubes não quiseram pagar a conta, e o Campeonato Brasileiro irá continuar sem o agora famoso VAR, o sistema de arbitragem por vídeo. Em um cenário em que lucro é algo raro e as dívidas são enormes, até é possível compreender a economia "porca". Difícil é justificar que a CBF não possa pagar os R$ 20 milhões estimados para cobrir as despesas dos 380 jogos da competição.

Pelos números do balanço oficial da entidade, essa quantia não faria "cócegas" nas finanças da entidade. Os valores são das contas da CBF de 2016. Os de 2017 não foram divulgados e os de 2018 devem ser bem maiores, já que em ano de Copa entre ainda mais dinheiro nos cofres.

Em 2016, a CBF faturou R$ 598 milhões, Ou seja: o custo da arbitragem por vídeo consumiria apenas 3% das receitas da entidade. A maior parte do dinheiro da confederação vem de patrocínios: R$ 411 milhões.

De 2013 a 2016, ou apenas quatro anos, a CBF teve lucro líquido (depois até do pagamento de impostos) de R$ 222 milhões, o que significa dizer que o VAR representaria só 10% do lucro do período.

A confederação que rejeita pagar a arbitragem de vídeo torra muito dinheiro com seus cartolas e outros luxos.

Pelo balanço de 2016, a CBF, que não divulga no documento seu número de funcionários, torrou R$ 55 milhões em salários. Apenas o então presidente Marco Polo del Nero, hoje afastado pela Fifa por suspeitas de corrupção, ganhava mais de R$ 200 mil mensais. Contando encargos, sua conta anual se aproxima dos R$ 5 milhões.

Naquele ano, a entidade pagava também uma "ajuda de custo" de R$ 20 mil mensais para cada um dos 27 presidentes das federações estaduais, em uma despesa anual, sem contar encargos, de R$ 6,5 milhões.

No total, a CBF diz que repassou R$ 26 milhões para as federações estaduais. Dava para pagar o VAR e ainda sobrariam R$ 6 milhões.

A entidade ainda afirmou ter gasto R$ 119 milhões em "despesas administrativas". Foram R$ 53,5 milhões para "despesas gerais referentes a administração predial, utilidades, serviços gerais das áreas de apoio", outros R$ 32,5 milhões para "despesas referentes aos serviços profissionais, tais como: assessoria contábil, auditorias, consultorias, taxas e serviços advocatícios, serviços de tecnologia da informação, além de outros prestadores de serviços especializados" e mais R$ 33,2 milhões para  "despesas de ativação, operação, intermediação e despesas gerais referentes as atividades de marketing e publicidade de seleções e competições".

O VAR então custaria só 17% das "despesas administrativas" da CBF.

Se quisesse vender suas "aeronaves", a confederação poderia pagar a arbitragem de vídeo por 3 anos. Em seu balanço de 2016, a entidade estima em R$ 60 milhões o valor de um jatinho e um helicóptero que possui e que rasgam os céus para transportar os cartolas.

O avião é um Cessna 680, modelo luxuoso e que teve um modelo recentemente também comprado por Neymar por quase R$ 40 milhões.




Mais gols que Inter de Milão e Atlético de Madrid e 'garçom' de Cavani; Neymar é o melhor da temporada, mas toma vaia

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Getty Images
Neymar em jogo do PSG
Neymar em jogo do PSG

Nenhum jogador na elite do futebol europeu brilha tanto nesta temporada como Neymar. Contando jogos da Champions League e do Campeonato Francês, ele é responsável direto por 35 gols do PSG, sendo 21 marcados por ele mesmo e 14 em que colocou companheiros na cara do gol.

Isso em apenas 21 jogos, o que dá a fantástica média de 1,67 gol por jogo com sua assinatura. Nenhum outro jogador que atua nas grandes ligas da Europa e também disputa a competição continental consegue chegar perto do brasileiro.

Messi é responsável direto por 29 tentos do Barcelona (20 gols e 9 assistências). Kane por 26 do Tottenham (26 e 3). Salah é quem mais chega perto, com 30 (23 gols e 7 passes para os colegas). Cristiano Ronaldo então é goleado: o astro só participou de 16 gols do Real Madrid na temporada (13 dele e 3 assistências).

Sozinho, Neymar produz mais gols até que times inteiros e milionários que disputam as primeiras posições nas grandes ligas. O Atlético de Madrid, somando Espanhol e Champions, marcou 33 gols, e em 26 jogos (cinco a mais do que Neymar). A Inter de Milão tem 35 gols no Italiano.

O nível do Campeonato Francês não é dos melhores, mas na Champions Neymar também tem números arrebatadores: foi responsável direto por 9 gols do PSG, sendo seis dele mesmo e três assistências. Mais do que isso só os dez de Cristiano Ronaldo, que marcou 9 e deu passe para mais um.

Com todos esses números e depois de uma atuação brilhante contra o Dijon, quando marcou quatro gols e produziu jogadas que já estão na lista das melhores do ano, ele saiu de campo vaiado pela torcida do PSG por não deixar Cavani bater um pênalti.

Neymar está longe de ser fominha com  o uruguaio com a bola rolando. Das 14 assistências para gol do brasileiro, seis tiveram Cavani como presenteado.

Não basta ser o melhor em campo para virar ídolo e ser favorito popular a melhor do mundo.



A 1ª missão de Coutinho: fazer com que o Barcelona deixe de ser grande da Europa com o estádio mais vazio

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Laurens Lindhout/Soccrates/Getty Images
Camp Nou antes da partida entre Barcelona e Levante
Camp Nou antes da partida entre Barcelona e Levante

Não é apenas para deixar o time mais forte que o Barcelona gastou mais de R$ 600 milhões para tirar Philippe Coutinho do Liverpool. O brasileiro tem como missão também fazer com que o Camp Nou seja o estádio de um time grande europeu que tenha a menor taxa de ocupação entre os grandes da Europa nas ligas nacionais.

Depois de oito jogos como mandante no Espanhol, em que lidera com grande folga,  o clube catalão tem média de 61.928 torcedores por jogo. Claro que é um número que faria qualquer clube brasileiro sonhar. Mas isso representa uma taxa de ocupação de apenas 62,7% do Camp Nou, que comporta 99 mil fãs.

A média atual é a pior do Barcelona no Espanhol na década: sempre superou os 70 mil no período na competição.

Pior é a comparação com os outros gigantes europeus. Todos eles têm taxa de ocupação maiores do que a do clube catalão. Boa parte deles supera os 90%, casos de Borussia Dortmund, Bayern, Manchester United e PSG. Os rivais da Espanha também batem fácil o Barcelona: o Real tem 86,3% de lotação no Santiago Bernabéu e o Atlético chega aos 86,5% no novo Wanda Metropolitano.

Coutinho vai ter que jogar e encantar para fazer o torcedor do Barcelona voltar ao Camp Nou.

A taxa de ocupação dos grandes europeus na temporada

B. Dortmund                      99,9%
Chelsea                                99,7%
M. United                            99,1%
Arsenal                                 98,5%
Liverpool                             98,3%
M. City                                  97,2%
Juventus                              95,5%
PSG                                         93,8%
Bayern                                  92,0%
Atlético                                86,5%
Real Madrid                      86,3%
Inter                                      72,8%
Milan                                    64,2%
Barcelona                          62,7%

Corinthians e Grêmio com louvor, Fla e Palmeiras medíocres e São Paulo reprovado: a nota final dos grandes em 2017

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

2017 acaba hoje. Hora de fazer um balanço da temporada dos grandes do país. Times que começaram o ano com pinta de favoritos pelo alto investimento decepcionaram. Outros que pareciam destinados ao papel de coadjuvante surpreenderam. O blog dá as notas dos 12 times mais tradicionais do país. Veja e concorde, ou não, delas.

Grêmio: A+
Renato Gaúcho montou um time que joga bonito e que teve como prêmio a conquista mais importante de um clube do país em 2017: a Libertadores. E ainda depois não passou vergonha contra o bilionário Real Madrid. E o Grêmio fez isso com um time barato, cheio de jogadores da base

Corinthians: A+
No começo do ano, o clube era forte candidato a levar "bomba" no ano. Mas com um treinador sem fama, com promessas da base e resgatando Jô, foi a maior surpresa do país, ganhando o Paulista e o Brasileiro com uma campanha no primeiro turno que entrou para a história

Cruzeiro: A-
A irregularidade foi a marca do time de Mano Menezes em 2017. Mas o título da Copa do Brasil, além da boa campanha no Brasileiro, é um prêmio muito acima do ganho por rivais na temporada. Resta saber o que vai acontecer em 2018 com mudanças no elenco e na diretoria

Vasco: B+
O Vasco não ganhou nenhum título. Mas para quem era apontado por muitos críticos como candidato certo a mais um rebaixamento no Brasileiro, a conquista de uma vaga na Libertadores vale como uma taça. Tudo gastando muito menos que o eterno rival Flamengo

Botafogo: B
Mais um que leva nota boa por fazer um papel muito melhor do que se esperava. A espetacular campanha na Libertadores, eliminando vários gigantes sul-americanos, e a campanha longe do Z-4 no Brasileiro é muito para um clube com orçamento modesto

Santos: B-
Para um clube com imensos problemas financeiros, a vaga direto na fase de grupos da Libertadores ficou de bom tamanho. E pelo cenário atual, a nota desta temporada parece algo difícil de acontecer de novo em 2018, com um time enfraquecido e ainda mais penúria no caixa

Fluminense: C+
O clube conseguiu fazer uma dura final de Carioca contra o Flamengo, quando perdeu para um rival com orçamento muitas vezes maior. E ficar na primeira divisão do Brasileiro também é para se comemorar. Mais um que tem um cenário nada animador para 2018

Inter: C
Subir para a primeira divisão era, como sempre para um grande, nada mais do que a obrigação. Mas o Inter não precisava fazer isso até sofrendo e nem com o sabor de pelo menos ganhar o título, que ficou com o muito mais modesto América-MG

Flamengo: C
Ganhar o Carioca para um time hoje muito mais rico que os rivais locais era quase obrigação. Mas o resto do ano foi marcado por fracassos em horas decisivas, como na Copa do Brasil e Sul-Americana, e uma eliminação na primeira fase da Libertadores

Palmeiras: C-
O time que não para de contratar terminou 2017 sem um título. Vaga direta na Libertadores foi muito pouco para quem tem tinha ambição de ganhar a competição já neste ano. E ainda foi um ano de freguesia contra o Corinthians, o maior rival

Atlético-MG:  C-
Ao contrário de Palmeiras e Flamengo, os outros times tidos como melhores elencos em 2017, o Atlético-MG não conseguiu nem vaga na Libertadores. E ainda conseguiu a proeza de ser eliminado por um time boliviano na Libertadores-17. O título do Mineiro foi um consolo muito pequeno

São Paulo: D
Nenhum título, eliminação na Copa Sul-Americana por um time medíocre argentino, várias rodadas na zona de rebaixamento do Brasileiro, nada de vaga na Libertadores. A torcida do São Paulo, que encheu estádios, merece nota A em 2017, mas o time foi reprovado

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