Entrevista: André Galvão e a Atos - Mundial, ADCC, time, rotina e planos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

E aí, galera!

Hoje é dia de vídeo lá no meu canal no YouTube.

Depois de trocar uma ideia com o Lucas e o Kaynan e com a 'chefa' Angélica Galvão, foi a vez de eu sentar e conversar com o big boss: André Galvão.

Conversamos um pouquinho sobre sua rotina no trabalho e com a família; o tão sonhado Mundial 2017; a luta do ADCC contra seu partner "Juninho" Calasans; como é estar por trás da Atos; e alguns  planos para o futuro. 

Depois de já faturar o Pan Kids, nesse final de semana, parece que 2018 promete muito para o atual time campeão mundial.

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Oss.

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Filhos de ex-craque e campeão mundial colorado trilham trajetória de sucesso no futebol

Bibiana Bolson
Bibiana Bolson
Ortiz com os filhos Léo e Fernanda
Ortiz com os filhos Léo e Fernanda Arquivo pessoal

Quando o Léo nasceu, a Fernanda já estava para cima e para baixo com 6 anos. Até ali, os dois eram apenas os filhos do Ortiz. Pai conhecido no esporte, de uma geração que pelo futsal, colocou o Brasil em evidência. Além dos diversos títulos com a Seleção, Ortiz foi campeão mundial pelo Internacional e não há um único colorado que não reconheça a história e a entrega dele, que aliás continua trabalhando com o que há de mais valioso no clube- a base. 

Red Bull Brasil e Ponte Preta decidem o título de Campeão do Interior do Paulista 2019
Red Bull Brasil e Ponte Preta decidem o título de Campeão do Interior do Paulista 2019 Arquivo pessoal

Hoje quem estampa as manchetes não é mais aquele craque dos anos 90, mas o filho: cria do Internacional, prata dessa casa que um dia foi a mesma do pai (talvez por isso um filho muito mais cobrado). 

Da saída da “asa” colorada para voos maiores no Sport em Recife, e atualmente no time sensação do campeonato Paulista, Red Bull Brasil, Léo Ortiz teve seus passos guiados por um pai exigente, um ex atleta que nunca deu moleza, mas teve também, desde sempre, uma irmã com função determinante. Um braço direito. Uma protagonista que hoje é quem inspira esse texto: Fernanda Ortiz. 

Ela é um daqueles exemplos que nos conforta, que soma forças e que mostra como estamos caminhando rumo a uma participação mais efetiva, mais consistente e em múltiplas funções no futebol. Estamos falando de uma mulher que gere a carreira de um jogador profissional. 

Aliás, costumo dizer que esse é caminho: não sermos mais tratadas apenas como exceções. Que muitas mulheres possam desempenhar papéis relevantes dentro do esporte, no feminino e no masculino, que possamos nos desenvolver para assumir a função de treinadora, de presidente de clube, de diretora de futebol, do que nos sentirmos preparadas e capazes. 

“Quando ele estreou na zaga do Inter (2017) e assumiu a titularidade do time principal, realizamos que ele precisava de alguém pensando nele 24 horas por dia, na trajetória dele! Sou a manager dele, gerencio toda equipe que trabalha pra ele, como o empresário, advogada, assessor de imprensa, contador e etc. Então, todos os dias eu fico atenta ao que tá sendo feito em relação a ele em todos os assuntos: negociações, contratos, patrocínio esportivo, o que está sendo falado na imprensa ou o que podemos motivar a imprensa a falar dele, as postagens nas redes sociais”, conta a manager. 

Léo e Fernanda: relação de admiração mútua
Léo e Fernanda: relação de admiração mútua Arquivo pessoal

Em quase cinco anos atuando de forma direta com tudo que envolve a carreira do irmão (na base já participava), a missão foi justamente desconstruir esse rótulo que tanto orgulha, mas que provoca desafios: 

“O maior desafio de ser uma mulher nesse mercado ainda é mostrar ou ‘provar’ que você entende de futebol. E sendo da família, é um pouco mais difícil, porque sempre parece que você está opinando e não administrando. Tenho jogo de cintura e me cerquei de pessoas que respeitem minha posição. Temos outros exemplos no mercado de líderes mulheres, como a Pellegrino (na FPF). Ter mulheres ocupando esses cargos e qualificadas para estarem onde estão faz toda diferença, ter referências que fazem a gente se identificar e ver que é possível chegar lá é muito importante”.

[]

Para o irmão, o receio de ver a Fernanda convivendo em um ambiente machista foi convertido em admiração e confiança: 

“Para mim é uma situação cultural que tem que mudar. Mas espaços estão se abrindo em comparação ao passado, não só no futebol, mas no esporte em geral. Hoje nós vemos, por exemplo, mais jornalistas mulheres, tem também uma assistente técnica no Santo Antonio Spurs na NBA. Então acredito que estão sendo quebradas muitas barreiras em relação a isso. A Fernanda é parte disso, me orgulha!”, conta o zagueiro do Red Bull. 

As funções de cada um são bem delimitadas no dia-a-dia, quem conhece a Fernanda logo percebe o empenho e profissionalismo que ela conduz as situações, mas no apito inicial... 

A verdade é que tem horas que emoção e função também se confudem, em qualquer estádio que o time do Léo estiver jogando, com certeza haverá uma Fernanda ansiosa na arquibacada. E nessa hora, nesses 90 minutos, ela é só a irmã do Leonardo. Que sofre a cada lance. Que sente na pele cada jogada. Nesses momentos, a apaixonada por futebol nos lembra o recado mais importante: precisamos também amar aquilo que fazemos para termos sucesso. 

“O mais legal é que estamos crescendo juntos. Eu, dentro de campo, dentro da minha função e ela fora, acompanhando e crescendo junto na função dela. A cada nova situação, é algo diferente, um desafio cada vez maior e vai dando experiência tanto pra ela quanto pra mim”,  completa o zagueiro. 

Nesta segunda-feira, no Estádio Moisés Lucarelli, o Red Bull Brasil busca o título inédito de campeão do interior do Paulista diante da Ponte Preta. Haverá um jovem zagueiro em busca de mais um sonho nos gramados. Uma manager talentosa que vira torcedora e irmã na arquibancada. E claro, quase que dentro de campo, com o peito cheio de orgulho, um campeão mundial realizado pelo legado que deixou para os dois filhos. Afinal, amar o futebol é também hereditário! Sucesso família, Ortiz! 

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‘Não posso, tenho treino’; seus amigos ainda te chamam para sair?

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Focus!
Focus! Focados no Tatame


Ontem fiz uma entrevista com uma lutadora do UFC (publico no espnW.com.br em breve) e ela me disse uma coisa que, como jornalista, eu não podia (eticamente) responder “sei como é”, mas talvez eu tenha dito disfarçadamente. Ela disse algo do tipo: "eu tive que mudar a minha rotina, não posso ficar saindo e tal"; e eu disse "seus amigos nem te chamam mais, né?". E ela concordou. [I know what you feel, bro].

É exatamente isso que acontece quando você opta por ter uma vida de atleta. Você precisa estar disposto a se abdicar de algumas coisas para que outras venham. E não é fácil, mas claro, deve ser prazeroso. Esse papo com a lutadora me fez pensar em algumas coisas que eu abri mão de fazer para estar treinando, tendo como gancho também a 'famosa' frase de uma grande amiga (que me chama para sair às vezes): "Má, você sabe que tem uma vida dupla, né?" (obrigada, Giovanna Sayuri, por sempre me lembrar que eu não vivo para isso nos meus momentos de desespero). Então vamos lá!

Quem me conhece sabe que eu não sou atleta profissional. Eu faço jiu-jitsu única e exclusivamente porque eu gosto. Vejo nele uma motivação, aprendo muito, não apenas dentro, mas fora do tatame. O jiu-jitsu me ensina muito! São coisas que eu nem percebo, mas que, quando vejo, já estou aplicando na minha vida 'out'. 

Eu sempre digo que o meu maior objetivo não é ser uma campeã mundial, eu teria que abrir mão de algumas coisas que não estaria disposta, embora eu saiba que já abro mão de várias. Mas algo que eu não largaria, por exemplo, é o meu trabalho. E na minha cabeça, eu faço um treino de manhã e outro a noite e isso é cansativo, mas o mais cansativo mesmo é estar dentro de uma empresa durante, pelo menos, 8 horas do meu dia. Essas 8 horas, caso eu decidisse lutar um mundial, teriam que ser convertidas em treinos, porque eu sei que enquanto eu estou trabalhando (e foi uma escolha minha e eu adoro), minhas adversárias estão treinando, descansando e se focando naquele objetivo. Mas ok, isso foi só uma introdução. 

"Não posso, tenho treino". Quantas vezes você já repetiu essa frase? Quantas vezes deixou de ir em algum aniversário de família porque precisava treinar? Quantos sábados deixou de sair com seus amigos porque tinha campeonato no domingo de manhã? Quantas vezes não pôde sair porque tinha um treino específico que não poderia perder?

Isso para mim é algo muito natural. Sério, é absurdamente natural dizer que tenho treino porque eu, de fato, tenho. É meu compromisso. Eu preciso estar na academia de segunda a sexta, em X horário para fazer o que me prontifiquei a fazer. E se eu escolhi, preciso fazer bem feito. Ninguém nunca me chamou de canto para falar: "Então, Mayara, você não pode sair hoje porque precisa treinar", mas é algo que você percebe com o tempo que precisa conciliar e, deixar algumas coisas de lado, é necessário. Por isso, deixo de lado as coisas que estão ao meu alcance.

No início desse ano, uma das minhas resoluções foi que eu podia abrir mão de um dia por mês de treino caso quisesse fazer alguma coisa pessoal. E, ainda assim, tem sido difícil para mim, porque quando vejo, o mês já passou. Treinar para mim é prazeroso, embora seja algo mecânico. Parece que todo meu subconsciente está programado para fazer isso, que meu carro já vai fazer o caminho da academia sozinho, que meu kimono vai entrar na minha bolsa por força do pensamento... É quase isso, porque eu faço e nem percebo.

Mas sim, seus amigos começam a te deixar de lado. E você começa a perceber que poucos sobraram. Aqueles amigos que antes te chamavam para "o rolê", hoje parecem ter preguiça de te chamar porque já sabem que você vai ter uma "desculpa" e dizer "não". Eu já tenho até vergonha de falar que vou treinar - sério, hahaha. Mas eles sabem. E não tem problema, desde que te respeitem (e os meus me respeitam, muito).

Se eu já fui em happy hour do trabalho? Em seis anos e meio de empresa, eu digo que nunca (mentira, eu fui em uma confraternização em dezembro de 2017, a Gigi lá de cima que me lembrou). Eles antecedem meu treino. E por mais que as pessoas falem sobre isso, me parece que elas já estão acostumadas em simplesmente não me chamar. Às vezes eu realmente sinto vontade de ir, mas eu fico pensando como vai ser em um mês, quando eu estiver em uma competição e as opções são matar ou morrer.

E sim, minha família me cobra e ela é minha prioridade, mas se no começo era muito estranho entender que eu precisava estar treinando em todo meu tempo livre, hoje para eles é mais estranho se eu não estiver treinando. Quando eu não treino, meus avós me perguntam se estou doente, de verdade hahaha.

Muitas vezes você deixa de fazer as coisas não por querer, mas por estar cansado. Quem treina, sabe: o corpo sente, muito. É cansativo e exaustivo. E muitas vezes, você só quer deitar e descansar. E mais do que uma escolha, descansar é uma necessidade extrema que geralmente, não fazemos como deve ser feito: já parou para pensar quantas horas por noite você dorme?

Mas o que tenho a dizer desse 'blá blá blá' todo é que você precisa se permitir. Não tem problema se algum dia sua cabeça não estiver boa e você precisar faltar. Não tem problema se uma dor te impedir de treinar naquele dia. E também não tem problema se você optar por não ir para tomar alguma coisa com os amigos (mas não abuse). Mas você precisa ter e manter o foco. E precisa ter a cabeça boa o suficiente para entender que não pode relacionar qualquer derrota ao fato de ter 'falhado' uma vez.

Curta sua jornada. :) E obrigada, amigos, por me chamarem para sair às vezes, mas por entenderem meus 'nãos' <3

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Mahamed Aly responde - O que é #KiCliminha? [Parte 1]

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Mahamed Aly responde no Jiu-Jitsu in Frames
Mahamed Aly responde no Jiu-Jitsu in Frames Reprodução

Fazia um tempo que eu não postava no meu canal do YouTube, mas... Finalmente arranjei um tempo (e criei uma certa vergonha na cara) para editar.

Em janeiro do ano passado (sim, em 2018), rolou o ACBJJ, aqui em São Paulo e eu aproveitei a estadia do Mahamed Aly aqui para gravarmos um vídeo. Ele também tem um canal (veja lá) e então lida bem até demais na frente das câmeras. 

Depois disso, muita coisa mudou. Ele foi, inclusive, campeão mundial e foi algo que tínhamos falado sobre na entrevista - significa que a edição vai dar ainda mais trabalho, hahaha.

Mas, fora a entrevista, eu peguei algumas perguntas no canal dele e ele respondeu. Esse é o primeiro. Em breve (em menos de um ano, prometo), tem mais.


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Mahamed Aly responde - O que é #KiCliminha? [Parte 1]

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Campeonatos Brasileiro e Mundial anunciam premiação igual para homens e mulheres da faixa preta

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Mulheres no pódio do Mundial de 2018
Mulheres no pódio do Mundial de 2018 Lisa Albon

Sim, gente! Está acontecendo!

Nessa semana, a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) anunciou que vai pagar premiação nas categorias de peso e absoluto faixa preta adulto, igualmente entre masculino e feminino, no Campeonato Brasileiro. Mais tarde, a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciou o mesmo, para o Campeonato Mundial.

Sim, ambas as federações são duramente criticadas por serem responsáveis pelos maiores campeonatos do mundo e por nunca pagarem premiação, apesar da alta taxa de inscrição. Vou tentar me dividir em tópicos para clarear minhas ideias. 

As taxas de incrição

Campeonato Brasileiro tem a duração de nove dias, sendo que os dias 27 e 28 de abril são para as categorias de 04 a 17 anos e 29 e 30 de Abril, 1, 2, 3, 4 e 5 de maio, as categorias de 18 para cima. Os valores de inscrição de pré-mirim, mirim, infantil e infanto-juvenil custam de R$80  a R$105 (variando a data de inscrição). A categoria juvenil e adulto varia de R$155 a R$180. 

Campeonato Mundial dura 5 dias e, neste ano, vai de 29 de  maio a 2 de junho. Os preços variam de U$S115 a U$S149 (na cotação de hoje, varia cerca de R$439 a R$569). Além disso, é cobrado também uma entrada do público: nos três primeiros dias (de quarta à sexta) 15 dólares e no final de semana, 20 dólares. 

Sim, é caro. Mas até o ano passado, o único "pagamento" vindo das federações era uma camiseta do evento - algo que sim, gostamos, mas que convenhamos: não paga nossas contas.

Eu não faço a mínima ideia do valor para organizar um campeonato, desde pagamento das placas de tatame até os funcionários que trabalham incansávelmente todos os dias para fazer a competição acontecer, mas na minha cabeça, o lucro era muito grande para dar aos atletas apenas uma camiseta e uma medalha (acho que isso pode ser uma próxima pauta).

Luiza Monteiro, faixa preta bicampeã mundial da equipe Atos Jiu-Jitsu, comemorou a iniciativa, mas ressalta que o parabéns deve ser para os atletas: "Passei uma vida inteira pagando inscrição para ganhar medalha e ainda sair toda feliz dos campeonatos, mas sem um real no bolso". Ela também ressaltou o investimento que precisa ser feito por brasileiros, que moram no Brasil, para lutar nos Estados Unidos, que é base de campeonatos como Pan-Americano e Mundial. 


Os pagamentos da IBJJF

Sim, a IBJJF tem uma forma de bonificação. Desde 2015, a federação paga aos líderes do ranking um bônus. O pagamento acontece sempre no mundial do ano seguinte. No ano passado, Tayane Porfírio e Erberth Santos, líderes do faixa preta adulto, receberam 15 mil dólares. Os segundos colocados (Claudia Doval e Leandro Lo), receberam 4 mil dólares e os terceiros colocados (Hulk e Bia Mesquita), mil dólares.

É uma ótima iniciativa, é claro. Mas são poucos que recebem. Você precisa participar do máximo possível de campeonatos e, se você depende desse dinheiro, vai demorar bastante tempo para receber, já que é só uma vez por ano. Por isso, é um bônus, e não um "salário". Porém, não desmereço. É um grande reconhecimento, porém não o necessário.

Luiza também falou algo muito importante sobre ser atleta: "Ser atleta é dar tiro no escuro, é ter que ter uma fé inabalável na vitória, porque existe muita coisa que botamos em risco o ano inteiro por um único dia, que pode dar certo ou errado".

Outras federações que pagam

Não vou me estender aqui, mas para não deixar passar, a UAEJJF, federação dos Emirados Árabes, também paga premiação. Aliás, eles valorizam muito o jiu-jitsu por lá. Mas ela ainda não é igual entre homens e mulheres. Em 2016, lembro dessa foto no Mundial da UAEJJF, que estão os campeões absolutos faixa por faixa e os faixas pretas adultos em destaque (Felipe Preguiça e Tayane Porfírio) com um cheque de 20 mil dólares de diferença. Algumas pessoas questionaram muito.

Felipe Preguiça e Tayane Porfírio com seus cheques em 2016
Felipe Preguiça e Tayane Porfírio com seus cheques em 2016 BJJ Style


Em 2017, também escrevi um texto falando das mulheres que dividiram a premiação em um Campeonato Mundial organizado pela Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF). Eles ofereceram a mesma premiação, tanto no masculino quanto no feminino, mas infelizmente as mulheres não alcançaram o mínimo de atletas exigido para receber a premiação e, por um acordo, dividiram entre si e à federação. 

Então aí entra uma decisão importante tanto da CBJJ quanto da IBJJF: deixar claro no anúncio a quantidade de atletas que precisam estar inscritos para que haja a premiação. Vai haver de qualquer jeito, mas "x" atletas precisam compor a chave para que a premiação seja justa.

Em setembro do ano passado, depois do BJJ Pro, campeonato organizado pela CBJJ, alguns atletas como Alexandre Vieira, Mahamed Aly e Rudson Matheus, se manifestaram contra a diferença de pagamento entre as categorias masculinas e femininas. Se quiser relembrar, veja esse texto aqui: "No jiu-jitsu, atletas publicam mensagens de apoio à igualdade de premiação entre gêneros". 

As regras para o pagamento

Isso é primordial. Geralmente, alguns campeonatos que não são organizados por federações, pagam os vencedores. Mas, nas regras, eles deixam claro que precisa de um número mínimo de atletas para que a premiação aconteça. E isso é justo. Em setembro de 2016, eu escrevi um texto para o BJJ Fórum chamado "Premiação feminina em campeonatos: A Atleta x O Organizador". É uma discussão que vai muito além, mas pelo lado do organizador, de certa forma é compreensível que se pague de acordo com a quantidade de atletas inscritos, mas as mulheres também precisam ser incentivadas a participar. Então aqui digamos que é uma via de mão dupla: quanto mais atletas se inscreverem, mais as organizações vão pagar.

Nisso, tanto a IBJJF quanto a CBJJ foram inteligentes: na divulgação do pagamento, elas deixaram claro quanto cada categoria recebe e quantos inscritos precisam ter para que isso aconteça. Então sim, as premiações são iguais. Mas elas só serão pagas se atingir o número mínimo.

NO CAMPEONATO BRASILEIRO

Das categorias peso Galo à Pesadíssimo, faixa preta adulto masculino e feminino:
De 2 a 8 atletas - R$5 mil (campeão) e R$1 mil (vice-campeão);
De 9 a 16 atletas - R$6 mil (campeão) e R$1200 (vice-campeão);
De 17 a 32 atletas - R$7 mil (campeão) e R$1400 (vice-campeão);
De 33 para cima - R$8 mil (campeão) e R$1600 (vice-campeão).

No absoluto:
De 2 a 8 atletas - R$7 mil (campeão) e R$2 mil (vice-campeão);
De 9 a 16 atletas - R$8 mil (campeão) e R$2200 (vice-campeão);
De 17 a 32 atletas - R$9 mil (campeão) e R$2400 (vice-campeão);
De 33 para cima - R$10 mil (campeão) e R$2600 (vice-campeão).

NO CAMPEONATO MUNDIAL

Duas diferenças para o Brasileiro. Enquanto no Brasil pagarão 1º e 2º lugar, na Califórnia pagará apenas para o campeão. E o absoluto, que no Brasileiro varia de acordo com a quantidade de atletas, é um valor só independente da quantidade.

Das categorias peso Galo à Pesadíssimo (para homens) e Super-pesado (para mulheres - aqui é a máxima feminina), faixa preta adulto masculino e feminino: 

De 2 a 8 atletas - $4 mil dólares;
De 9 a 16 atletas - R$5 mil dólares;
De 17 a 32 atletas - R$6 mil dólares;
De 33 para cima - R$7 mil dólares.

No absoluto: 10 mil dólares - independente da quantidade de atletas (segundo a tabela divulgada no Instagram da IBJJF).


Ainda há muito o que melhorar, mas comemore!

É lógico que sempre vai ter muito para melhorar. Só faixa preta adulto recebe, e aí vem o questionamento: "e o máster?". Das outras faixas: "e a minha faixa?". Calma! São conquistas gradativas. Vamos esquecer o lado ruim e lembrar que ter dois dos maiores campeonatos do mundo pagando premiações, é um grande começo, uma grande conquista para o jiu-jitsu e também para as mulheres, pela equidade. No mês passado, a Tayane publicou em seu Instagram um desabafo sobre a desigualdade.

E agora estamos vendo mobilizações para que tudo melhore. Muitos atletas comemoraram. O Alexandre Vieira, atleta da Brazilian Top Team, por exemplo, recebeu uma pergunta no Instagram se ele ia lutar o Brasileiro desse ano, e ele respondeu: "Já ia, agora que anunciaram premiação, estou mais certo que o tatame". Isso incentiva, inspira.

Luiza Monteiro me falou sobre a felicidade de estarem pagando premiação, parabenizou a IBJJF e, para ela 'antes tarde do que nunca', mas relembra que  nesse ano, vai fazer 9 anos de faixa preta e que batalhou uma vida toda para que esse tipo de melhoria acontecesse. "Se luto até hoje, é porque amo demais, nunca foi pelo dinheiro, mas precisamos profissionalizar o esporte. Já tinha passado da hora. Nós precisamos da IBJJF, mas ela também precisa de nós e foi graças a nós que ela cresceu", disse. 

A faixa preta também aproveitou para parabenizar todos os atletas, campeões mundiais, faixas pretas e todos que batalharam todos os dias buscando por um momento como esse, e finalizou, dizendo: "Ainda não é o ideal, mas fico feliz por fazer parte dessa geração que contribuiu demais para a mudança no jiu-jitsu, fico feliz em saber que as próximas gerações serão tratadas como deveríamos ter sido. Ainda vou aproveitar um pouco disso se Deus quiser e permitir, mas o melhor ainda está por vir".

Certamente, é um "pequeno grande passo", uma grande mudança na história e algo para se comemorar, mas que isto não sirva para nos calar e sim, nos fortalecer cada vez mais no meio do esporte.

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Aos 15 anos, uma super-heroína usou o jiu-jitsu para se livrar de assassinos no massacre de Suzano

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Faixa branca de jiu-jitsu, Rhyllary lutou contra Luiz, um dos assassinos no massacre da escola de Suzano
Faixa branca de jiu-jitsu, Rhyllary lutou contra Luiz, um dos assassinos no massacre da escola de Suzano Arquivo Pessoal

13 de março de 2019. Depois de uma semana já conturbada, após uma grande enchente que acabou com casas e vidas na Capital de São Paulo e do ABC Paulista, tudo estava parecendo clarear. Mas nessa manhã, porém, noticiários começaram a falar sobre um tiroteio dentro de uma escola em Suzano. É um fato: esse ano não está para brincadeira.

Dois atiradores, identificados como Guilherme Taucci Monteiro de 17 anos e Luiz Henrique de Castro, de 26, entraram na Escola Estadual Raul Brasil e atiraram a esmo. Um deles, o mais jovem, ficou conhecido por ter entrado com um machadinho. Foi contra ele que uma garota de 15 anos lutou.

Rhyllary Barbosa é estudante do 1º ano do ensino médio. Faixa branca de jiu-jitsu, ela se defendeu do “assassino da machadinha” e conseguiu se livrar da morte.


09h30 da manhã, Rhyllary saiu para o intervalo com uma amiga e comprou um lanche. “Eu estava terminando de comer e escutei um tiro. Quando olhei para trás, o Guilherme estava com a arma em punho apontando para quem ainda estava ali dentro”, me contou pelo telefone. Ela disse que, quando perceberam, todos ficaram desesperados e começaram a correr.

“Eu ajudei umas amigas a pular o murinho, que é da altura da minha cintura e dá para o refeitório. Em seguida, pulei também e me abaixei, encostada na parede, no canto da mesa. Foi na hora que vi eles [assassinos] descendo”. Ao tentar fugir, ela não imaginava que Luiz estaria na porta da diretoria. No momento, ela começou a tentar encorajar pessoas: “Eu levantei e comecei a falar ‘coragem, gente, vamos sair, levanta, vamos embora’; e estava todo mundo em choque, com medo e continuaram abaixados”.

Em seguida, ela se levantou, sozinha. Foi quando correu até a diretoria. Quem assistiu ao vídeo que circulou na mídia, vai entender melhor e, quem não assistiu, não assista! Rhyllary descreve: “Foi na hora que trombei com o Luiz. Eu não identifiquei o machado que estava do lado dele, mas nos trombamos e ele me puxou”. Luiz tentou dar uma queda nela que, fazendo uma base e firmando os pés no chão, conseguiu se manter em pé.

“Tentei chacoalhar ele para me soltar. Nesse momento, os outros alunos vieram atrás e assim quem ele viu, me soltou e foi procurar o machado dele para impedir que os alunos saíssem. Foi o momento que aproveitei para abrir a porta”. Foi quando ela conseguiu fugir junto com algumas outras pessoas.

Depois disso, ela correu com um amigo, que tentou acalmá-la, para uma rua um pouco mais afastada.  “Eu estava desesperada, chorando muito e falando para ele [o amigo] que a gente precisava voltar para resgatar outros alunos, mas ele falou que era melhor ficarmos por lá”.

Rhyllary contou que chegou a ver José Vitor Ramos Lemos, de 18 anos, ferido com o machado no ombro, mas se tranquilizou depois que a namorada dele falou que ele já tinha sido atendido no hospital.

Rhyllary tem 15 anos e é aluna do 1º ano da Escola Estadual Raul Brasil
Rhyllary tem 15 anos e é aluna do 1º ano da Escola Estadual Raul Brasil Arquivo Pessoal

A jovem heroína treina jiu-jitsu há 3 anos, no Projeto Social Bonsai - Construindo o Futuro, com o professor Ângelo de Oliveira. O projeto teve início em Suzano, em 2014. Um dos alunos do projeto também perdeu a vida, aos 15 anos. Clayton Antônio Ribeiro era conhecido como “Samurai”. Apesar de todo o momento ter afirmado que sentiu medo e ter contado que, ao ouvir os tiros, sentiu sua espinha gelar, ela ainda teve coragem de lutar contra um dos assassinos com parcimônia.

Eu acredito que o jiu-jitsu ajudou muito. Se tivesse outra pessoa despreparada no momento em que o Luiz puxou o cabelo, ela podia estar muito vulnerável, perder a estabilidade do corpo e cair com a rasteira que ele deu. Se eu caísse naquele momento, ele ia me matar. Era o plano dele.  Talvez eu poderia não ter saído. Então dei graças a Deus que fui eu nessa hora, porque por ter conhecimento do jiu-jitsu, me ajudou muito”.

Apesar de ter dado uma pausa de 2 meses do treino por conta dos estudos, Rhyllary começou a treinar no projeto por incentivo da prima. Ela fez uma aula experimental e se apaixonou, mas o que a motivou foi uma outra história violenta, durante um culto. “Era comemoração de Dia das Mães e a igreja estava enfeitada. Um homem chegou com uma faca falando que ia matar todo mundo porque igreja não era lugar de estar decorado. Ele ameaçou o pastor”. No momento, ela ainda não treinava e não teve outra reação a não ser se esconder. Ninguém saiu ferido.

Isso serviu como um sinal de alerta para Rhyllary: “Foi quando percebi que precisava de alguma forma me proteger do mundo. Esse foi um dos motivos que comecei a treinar jiu-jitsu, pela defesa pessoal. Foi como um alerta de que, a todo momento, não importa o lugar ou a hora, temos que estar preparados para o pior. Não só o corpo, mas a mente também”.

Mais uma história que prova o quanto a defesa pessoal é importante e necessária. Dessa vez, não foi um estupro, não foi um abuso, mas um grande massacre. E Rhyllary, conscientemente, teve o estalo de se defender. Se foi a melhor escolha? Não temos como saber. Mas foi o que salvou a vida de uma jovem, de 15 anos, que ainda tem muitos sonhos a serem realizados.

Rhyllary contou ter perdido alguns amigos próximos e acredita que será muito difícil voltar ao local do crime. “Será muito difícil para todo mundo superar. Acho que esquecer ninguém vai, mas superar vai ser um grande progresso”, finalizou a jovem.

Aos jovens, pais e familiares que de alguma forma presenciaram ou tiveram vidas próximas perdidas: meus sentimentos. O mundo está mesmo muito louco e muitas coisas acontecem sem propósitos ou explicações. Que tenhamos forças de superar todas as coisas ruins que passaram e que, a cada dia, coisas melhores estejam por vir.

Certamente, alguns danos psicológicos serão difíceis de superar. As dores, aos poucos serão minimizadas. Mas Rhyllary conquistou algo muito maior do que uma medalha de ouro no campeonato. Mais uma vez, o jiu-jitsu se mostrou eficiente. E ela, a mais nova heroína teve a coragem e a mente sã de se salvar e salvar também a vida de outras pessoas.

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Que a gente só abaixe a cabeça para amarrar a faixa

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Abaixar a cabeça só para amarrar a faixa, migos!
Abaixar a cabeça só para amarrar a faixa, migos! FEES Fotografia

Eu sei que é difícil. E vai continuar sendo. O processo de desconstrução é demorado, mas a gente não pode desistir. Abaixar a cabeça só mesmo para amarrar a faixa.

Derrotas virão. Dentro e fora dos tatames. Nossa luta é árdua e dura. Vai além de campeonato, além de bater o peso, além da preparação física.

Nossa luta começa dentro de casa quando, muitas vezes, somos questionadas pelos familiares se não devemos escolher um esporte de menina. Quem foi que categorizou o jiu-jitsu? 

Nossa luta fora de casa é para conseguirmos treinar sem que sejamos usadas como 'descanso'. Para que não usem, na nossa cara, a expressão 'treinar como mulherzinha' no sentido pejorativo.

Lá dentro, lutamos contra ciúmes, lutamos contra assédio, lutamos contra machismo e também (finalmente), contra os nossos oponentes. Lutamos para que nossos amigos de treino entendam que o que não os incomoda, pode nos incomodar e aos poucos, fazemos nossa parte para que sejamos também respeitadas e compreendidas.

Lutamos pela premiação igualitária e pelo aumento de inscrições femininas no campeonato para que o valor seja justificado. E nessa luta, mulheres, estamos juntas e vamos nos fortalecer.

A luta vai contra nossos dias de menstruação, que devemos ser fortes ainda que com hormônios a flor da pele e desconforto para estarmos lá, treinando e quiçá competindo - aqui o peso ainda é um grande inimigo.

Nossa luta também é pelo psicológico, é contra o "você não vai conseguir" e é pelo precisar sempre se provar duas (ou mais) vezes.

Mas somos mulheres e somos lutadoras, não só nos tatames, ringues ou octógonos. Somos lutadoras da vida, de direitos, de igualdade - aliás, o feminismo é sobre igualdade. 

Que hoje seja um dia de reflexão e, embora a gente ouça tanta história triste, não nos esqueçamos que ao longo dos anos, viemos acumulando vitórias. E foi graças a nós, a nossa força e luta. E nada disso seria possível se não estivéssemos juntas.

Que cada vez mais a gente entenda (e repasse) a importância de "estarmos juntas" para que pouco a pouco, possamos compartilhar experiências para nos ajudarmos. Que ao invés de julgar "a roupa curta demais e desconfortável para treinae jiu-jitsu", a gente chegue e fale, justamente, que pode ser desconfortável. Que a gente acolha as novas garotas que estão por vir para que elas não desistam de serem nossas companheiras de tatame, de treino e quem sabe, da vida.

Que dia 08 seja todos os dias. Contra todas as coisas ruins que nos permeiam e a favor de todas as coisas boas que conquistamos e ainda estão por vir. 

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Que a gente só abaixe a cabeça para amarrar a faixa

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A lutadora do UFC que imobilizou um bandido, Polyana Viana fala sobre importância da defesa pessoal

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Polyana Viana, a 'Dama de Ferro', comemorando vitória contra Maia Stevenson
Polyana Viana, a 'Dama de Ferro', comemorando vitória contra Maia Stevenson Buda Mendes/ZUFFA

Em janeiro desse ano, bombou nas redes sociais uma imagem de um bandido com a cara, digamos assim, meio que totalmente desconfigurada. Em seguida, o assunto mais falado era "lutadora do UFC imobilizou bandido nas ruas do Rio de Janeiro". Era Polyana Viana. Ela tem duas lutas no UFC, sendo uma vitória por finalização e uma derrota por decisão dos árbitros. No próximo sábado, ela entra no octógono para enfrentar a norte-americana Hannah Cifers. 


Essa semana, entrevistei Polyana para o espnW.com.br (em breve, vocês verão a entrevista completa, ela tem uma história sensacional, aliás - mas eu não posso dar spoiler) e aproveitei para falar sobre a importância da defesa pessoal para mulheres.


Recentemente, eu publiquei aqui também um papo que tive com a Kyra Gracie. Kyra investe bastante em defesa pessoal na Gracie Kore, diferente de outras academias de jiu-jitsu, que estão perdendo um pouco dessa "raiz". 

Essa base da defesa pessoal é super importante e aqui, nós temos aulas de defesa pessoal, onde o aluno aprende realmente a base do jiu-jitsu e evolui com uma qualidade muito boa para ir pro jiu-jitsu esportivo se quiser ou mesmo pela prática como estilo de vida.

Kyra Gracie

Também já conversei com Pricila Engelberg, faixa preta de jiu-jitsu que se "graduou" a faixa rosa no programa Women Empowered (Mulheres Capacitadas), oferecido pela Gracie Jiu-Jitsu Academy. O curso ensina defesa pessoal só para mulheres e, no final, entrega uma faixa rosa simbólica para mostrar algo do tipo: essa garota está pronta para se defender.


Como uma pessoa que instintivamente também já reagiu a assaltos (sim, essa sou eu), Polyana reagiu em janeiro. Ela me garantiu que não se arrepende e que tudo foi feito de caso pensado:  "Se ele tivesse com uma faca, uma arma, ele teria chegado apontando ou me xingando, assim como todos os outros, que são agressivos. Eu não me arrependi de ter reagido. Claro que eu pensei muito no momento, não foi totalmente um impulso. Quando ele chegou ao meu lado, pensei muito: 'aqui tem um ladrão, o que eu vou fazer? Se estiver armado, o que eu vou fazer? Se não estiver armado, o que eu vou fazer?'; enquanto ele me perguntava a hora, falava comigo, eu estava pensando, não foi impulso. Eu não me arrependo de forma alguma. Eu fiquei pensando que quando um bandido vai assaltar um homem, muitas vezes ele quer só os pertences. Para assaltar uma mulher, o bandido sempre quer algo a mais"

E muito consciente, Polyana também afirma que não aconselha ninguém a fazer o mesmo e completa: "ainda mais sem um preparo, sem uma calma. Você tem que ter muita calma para fazer isso, não só preparo". 

Relembrando o caso que aconteceu com Elaine Caparróz, a mãe de Rayron Gracie que foi espancada durante quatro horas pelo advogado (e infelizmente, praticante de jiu-jitsu) Vinícius Batista Serra, ela disse que, se fosse ela na situação, perderia o controle, mas ressalta a importância da defesa pessoal em um caso como esse: "Se fosse eu, teria matado aquele cara. Se ela soubesse se defender um pouco, ele não teria feito aquilo tudo com ela. Por mais que ele tenha força. Quando a mulher sabe se defender, ela dá um, dois ou três golpes e corre. Ela não precisa ficar ali". 

Tendo em vista a quantidade de crimes de feminicído cometidos no Brasil, a peso-palha considera crucial saber defender e acredita que caso todas as mulheres tivessem uma miníma noção, os índices de violência doméstica seriam bem menores.

"Fico com muita raiva quando vejo que alguém apanhou do marido. Eu fico com muita raiva disso, muita raiva! Se eu vir um cara batendo em uma mulher na rua, eu vou me intrometer. Acho injustiça o cara abusar da força para bater numa mulher. E ele tem mais força que a mulher para agredir, ele vai machucar se bater realmente. E ele bate sem noção, sem pensar. Então a mulher tem que saber se defender, sim. Para dar um soco, um chute, uma dedada no olho, seja lá o que for, e correr, para não acontecer sempre esse tipo de coisa e para o cara não acostumar a bater na mulher. Se ele bate em uma, ele bate em todas", finalizou Poly.


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Erberth Santos não representa o jiu-jitsu!

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Luta principal de BJJ Stars.
Luta principal de BJJ Stars. Reprodução/BJJ Stars

Começando do começo: todos já sabem, mas ontem (23), no BJJ Stars, evento enorme de jiu-jitsu que aconteceu no Clube Hebraica em São Paulo, reunia grandes nomes da arte marcial e terminaria com a luta principal entre Felipe Preguiça e Erberth Santos. Sim, os dois já estavam anteriormente se provocando nas redes sociais e já sabíamos que seria uma luta dura. Porém, ainda nos minutos iniciais, Preguiça foi raspar Erberth que alegou uma dor no joelho, solicitou atendimento médico e ficou no chão. O ginásio começou a vaiar, como sempre acontece quando ele está no tatame e, do lado de fora, "alguém" falou algo que o "atleta" não gostou e, na mesma hora, seu joelho "parou de doer" e ele saiu correndo do tatame para cima do cara. Perante a isso, começou uma briga generalizada. 

O evento tinha tudo para ser um espetáculo - e foi, até antes disso. A estrutura era impecável. Os atletas receberam ($) para lutar. Os ingressos foram vendidos e esgotados por um público que nem me arrisco chutar a quantidade, porque era mesmo muita gente. Teve transmissão online e venda de pay per view que, segundo a organização, foi recorde. O card? Nem se fale. Foi exatamente o que fez o valor do ingresso valer a pena que, apesar de caro, nos oferecia algo muito importante em troca: um show de jiu-jitsu. 

Além do GP que aconteceu no início, o main event tinha lutas de todos os tipos: dos leves, dos old school, de mulheres, de pioneiros e, infelizmente, de alguém que vai além do trash talking e acaba com a imagem do esporte.

O que quero deixar claro é que não sou a favor de incitação de violência de nenhum tipo. Mas ter um trash talking... isso faz parte. Vide UFC. Nem todo mundo é a favor, mas isso vende. E o evento também tinha o propósito de vender ingressos e ppv. Vimos, sim, um trash talking ser promovido antes, mas vem cá: isso não justifica.

Onde quero chegar é que foi lamentável e repugnante a atitude do Erberth Santos e queria aproveitar para pedir para que os promotores de evento, mídia esportiva e inclusive federações, olhem com mais cuidado para isso. 

Primeiro: não vou compartilhar vídeos porque todos já viram e não quero propagar mais ainda. 

Todo mundo sabe que o cara tem uma má fama. E não é um pré julgamento, é um fato. Todo mundo que acompanha o jiu-jitsu já ouviu ou viu situações onde o Erberth perdeu a cabeça. Onde ele brigou, onde ele esteve envolvido, onde ele falou... e as pessoas ainda insistem em dar mídia para ele. 

Considero que ontem, estávamos dando um passo a frente e terminamos com cinco para trás. É difícil desmistificar para o mundo a imagem ruim que o jiu-jitsu deixou no passado. Tínhamos Ryan, Macaco... que eram, sim, atletas inquestionáveis, mas com atitudes deploráveis. Raramente vemos um evento do calibre do BJJ Stars no Brasil. E ver isso sendo passado para o mundo todo (tendo em vista que o ppv custava 40 reais e eu vi muita gente de fora comprando para assistir), é como uma prova de que o Brasil não pode receber eventos desse tipo. É essa a imagem que fica do nosso país e do nosso esporte para o mundo inteiro.

O apresentador talvez tenha se expressado mal quando, ao finalizar o evento, disse 'isso é Brasil' (depois procuro a fala dele na íntegra e escrevo aqui). Creio que ele não estivesse menosprezando o nosso país, mas querendo dar um alerta de que é essa a imagem que estamos deixando. E não só para fora: essa é a imagem que fica para nossa família e para os nossos amigos que não são do meio do jiu-jitsu e estavam acompanhando.

Na plateia estavam mulheres - inclusive a que ele derrubou no chão e estão dizendo ser a namorada dele (mas eu realmente não confirmo a informação), estavam crianças - vimos Gabriel Rolo pegar a filha dele para levar no tatame e pegar o troféu. Ela estava exatamente onde a briga começou.  Ou então Patrick Gaudio levando sua filha lá para cima, dizendo que era a primeira luta do pai que ela estava vendo. No futuro, vai ser uma pena para ele lembrar como terminou o primeiro evento em que a filha foi assisti-lo lutar. E aliás, Patrick: eu espero que sua luta contra o Erberth não aconteça, como você pediu durante a entrevista. Porque esse cara, NÃO representa o jiu-jitsu e você é um dos novos nomes que tem nos representado muito bem. Ele não merece mais um evento sendo promovido através do nome dele. E temos muitos atletas mais qualificados para entrarem num main event e mostrar o que é jiu-jitsu de verdade.

*Imagens de Patrick Gaudio entrando no tatame.

Comparo o meu sentimento com o com a briga no Paulista (de futebol) de 1999, onde o Edilson (do Corinthians) começou a fazer embaixadinhas e o Paulo Nunes (do Palmeiras) perdeu a cabeça e no final, tomou um chute. Eu tinha 7 anos de idade e estava acompanhando o meu time (verde) muito feliz. Aquela briga me fez sentir vergonha e ficar muito triste por ver algo que eu defendo e gosto ter sido tão deturpado. A sensação que sinto hoje, quase vinte anos depois, é exatamente a mesma. Eu senti vergonha. Eu só consigo pensar nisso. E eu não quero defender meu esporte sem conseguir sustentar minhas justificativas. 

Nós demoramos anos para tirar a imagem de que jiu-jitsu é esporte de marginal. E Erberth veio e colocou mais uma - dentre tantas - manchas na nossa história. Você não merece ser um faixa preta. Você não merece estar liderando uma equipe. Não merece ser ídolo e muito menos exemplo - inclusive de crianças que se espelham em você. Que as providências sejam tomadas para que não vejamos mais esse cara no esporte.


O que deveríamos ressaltar é que a luta principal foi vencida por Felipe Preguiça. Porém, ele sequer lutou. Imagine que louco falarmos sobre o lutão entre os dois, se encontrando de novo? Mas a vitória foi só um detalhe. O que ficou foi a sujeira. Do mais, parabéns pelo evento, BJJ Stars. Que isso não seja um fim.



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Entrevistei a minha maior inspiração no jiu-jitsu. Com vocês, Kyra Gracie!

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Kyra Gracie para o espnW!
Kyra Gracie para o espnW! Reprodução

Sim, eu entrevistei a Kyra Gracie para o espnW. Claro que eu não podia perder a oportunidade de escrever sobre isso aqui. Em algum momento, eu já escrevi sobre ela ser uma de minhas grandes inspirações. Mas acho importante ressaltar que ela foi a minha primeira inspiração.

Quando comecei a treinar, eu não conhecia nenhuma mulher faixa preta próxima. E então, eu encontrei Kyra Gracie (na internet, claro). Para mim, era óbvio que ela era faixa preta, afinal, era da família mais tradicional de jiu-jitsu do mundo. E achava que nunca ia conseguir alcançar. Isso foi em 2006, ela tinha acabado de ser graduada. Hoje, sabendo melhor sobre sua história e vendo quantas mulheres já se tornaram faixas pretas, eu me inspiro ainda mais e tenho certeza que posso chegar lá.

Consegui depois de tanto tentar, marcar uma entrevista com ela, ainda que via Skype, já que eu moro em São Paulo e ela no Rio de Janeiro. Eu tinha muitas perguntas para fazer para Kyra, não sabia nem por onde começar. E então, eu comecei já dizendo: “Olha, Kyra, muito obrigada por topar falar comigo, eu queria aproveitar para dizer, antes de mais nada, que você foi a primeira mulher que vi faixa preta e achei que era tão óbvio, sabe? Não queria ter pensado isso de você antes de saber toda sua história... Hoje vejo o quanto você foi importante, o quanto sua luta inclusive dentro da família foi importante. Agradeço muito por tudo o que fez pelo jiu-jitsu”.

Ela abriu um sorriso, agradeceu e perguntou minha faixa. E assim começamos a entrevista. Kyra já disse: “não existe essa coisa de você é Gracie, faixa preta é campeã. Ninguém te dá isso. São coisas que você conquista, não tem como te dar uma faixa preta e nem um campeonato de jiu-jitsu. Tudo o que fiz na minha vida foi fruto de muito trabalho, dedicação, fui a primeira faixa preta da família Gracie, hoje vejo o quão importante isso foi, porque outras mulheres da família chegaram a faixa preta, mas não só da família como outras meninas e que não tinham uma referência, começaram a ter e começaram no jiu-jitsu. Isso é muito gratificante, você ter essa missão, porque eu como uma menina, única da academia na época... volta e meia tinha uma ou outra, na maior parte eu era única”.

Sim, ela também é humana, ela também treinou, ela também teve suas dúvidas e se questionou se devia parar. “Muitas vezes já me questionei: ‘será que jiu-jitsu é para mulher mesmo?’. Tive minhas dúvidas ao longo da minha carreira... e muitas vezes fico pensando porque eu não era incentivada. Quantas vezes eu como mulher me senti deslocada nos papos, era só papos de homem e enfim... e você começa a se questionar porque as pessoas falavam que jiu-jitsu não era mulher, que eu ia morrer de fome se fosse lutar e viver disso. Um homem nunca vai aprender com uma mulher. É uma ideia muito machista, que infelizmente tinha, hoje tem ainda também, mas estamos trabalhando para quebrar essa barreira. Existe preconceito e machismo muito grande”.

Que o machismo e o preconceito são um mal da sociedade, sabemos. Mas, conversando com ela, me pareceu que o fato de ter passado por tantas situações difíceis fez com que ela tivesse forças de seguir em frente e hoje quebrar aquele tabu de que ‘homens não querem aprender com mulheres’.

Além de pentacampeã mundial de jiu-jitsu e bicampeã do ADCC, Kyra já foi comentarista do Canal Combate (o qual deixou recentemente para se dedicar ao seu novo business), organiza campeonatos (ela organizou a Copa Kyra Gracie, só para mulheres e é a idealizadora do Gracie Pro, sabe? Aquele que teve a luta lendária entre Roger Gracie e Buchecha) e, além de mãe de Ayra e Kyara, esposa do Malvino Salvador, filha, professora... Ela é dona de uma das academias de maior infraestrutura do Brasil, a Gracie Kore, que inaugurou no ano passado e fica no Espaço Vogue, Rio de Janeiro.

Falamos muito sobre a Gracie Kore, mas de tudo, o que mais me chamou a atenção, foi a pegada social que muita gente nem deve imaginar que existe. Kyra dava aula em um projeto social chamado Kapacidade. Ela trouxe alguns alunos que hoje têm entre 15/16 anos (e na época do projeto tinham 5/6) para trabalhar com ela na academia. Além de instrutores, eles aprendem a cuidar da academia como um todo, desde aulas, recepção, lojinha... Para que, no futuro, possam seguir no jiu-jitsu da maneira que quiserem (e puderem).


Além disso, ela contou sobre a ‘mensalidade social’; “temos a mensalidade social, a qual uma parte da renda é destinada a projetos sociais que a gente apoia, ligados a luta, não só do jiu-jitsu mas pode ser MMA, boxe, enfim”... Como não admirar?

Para ela, a academia, além de social, é sustentável: “eu quis trazer um todo. Tem a parte social, a parte sustentável... que a gente não usa copo de plástico, tudo nosso é reutilizável. A gente estimula nossos alunos a trazerem a própria garrafa, o que a gente quer é mudar o mundo um pouco de cada vez”.

Muito inspirada em seus antepassados, ela foi tirando uma coisa de cada academia para formar a própria. Com dois tatames, aulas simultâneas, aula para pais e filhos e algo importante: um espaço kids.

E embora pareça que Kyra já está completamente realizada na vida, ela tem muitas outras missões. “É importante que todas as pessoas que trabalhem com o jiu-jitsu entendam a responsabilidade de ser um professor e que você tem que saber dar aula para qualquer pessoa. E o mais legal é transformar a vida das pessoas. Não é só formar um campeão mundial. Sim, pode ser um plano, mas e todas as outras pessoas que não podem ser campeãs mundiais? Quanto elas podem se beneficiar do jiu? Minha missão é essa, com o jiu-jitsu, metodologia, elevar o nível de ensino e levar isso para todas as pessoas.”

Por isso, ela investe, além do jiu-jitsu competitivo, em algo que foi perdido durante o tempo na arte marcial, que é a defesa pessoal. “A maneira com que se ensina a defesa pessoal não é dinâmica, nem para o dia-a-dia, onde a pessoa sinta necessidade de aprender. Por isso comecei a estudar a história do jiu na minha família e entender como meus bisavós e avós deram aula. (...) Você tinha que saber se defender nas situações mais comuns do dia-a-dia, de agressões e hoje a gente vê muitos faixas pretas que não sabem se defender. Essa base da defesa pessoal é super importante e aqui, nós temos aulas de defesa pessoal, onde o aluno aprende realmente a base do jiu-jitsu e evolui com uma qualidade muito boa para ir pro jiu-jitsu esportivo se quiser ou mesmo pela prática como estilo de vida”.

Não posso contar tudo porque, em breve, vou publicar na íntegra o vídeo da entrevista no WatchESPN. Mas, queria destacar que a questionei o fato de ter treinado para o Mundial de 2011 na Atos, que é minha equipe (sou dessas). Parece estranho alguém que tenha familiares espalhados pelo mundo, não escolha uma ‘Gracie’ para se preparar.

Sempre tive uma ótima relação com o André, competimos juntos por muitos anos. Me aproximei mais do André por causa dos Mendes. Porque treinamos juntos em SP e por conta deles serem mais magrinhos e estarem competindo em alto nível, eu ia pra lá, passava uma semana lá e outra aqui, fiz isso durante um tempo para poder me preparar para o Abu Dhabi. E aí, seis meses depois estava indo pro Mundial e percebi que lá seria um ambiente muito bacana para treinar com pessoas do meu peso e que estavam focadas em lutar o mundial”, disse. “O que aconteceu foi que o Roger estava em Londres, o outro tava não sei onde e quando vi, cada um da minha família estava num lugar e eu achei que lá era o melhor treino pra mim e fui. Foi muito bom, eu tive um camp maravilhoso, treinamos muito, aprendi bastante, e a gente segue com uma amizade muito legal e acho que a gente não pode se privar, porque fulano é de uma equipe, e isso e aquilo. A gente tem que ter a cabeça aberta, tenho a cabeça aberta de preciso evoluir todos os dias. Hoje estou na faixa preta três graus e eu estudo jiu-jitsu, vejo muitas pessoas estão fazendo, o que posso adaptar para o meu jogo. E foi uma experiência muito bacana, eu só tenho a agradecer e levar isso como uma bagagem positiva, para passar pros meus alunos toda essa parte do treino, da dedicação... Então foi muito bom”.

Não-consigo-parar-de-falar. Falamos no Skype durante 40 minutos e foi um papo muito enriquecedor. É uma grande honra poder conversar e perguntar tudo o que sempre quis para alguém que foi quem me inspirou. Sinto orgulho, ainda mais agora, por ter tido essa oportunidade. Kyra foi muito receptiva, paciente e me falou tudo o que eu queria (e muito mais). Foi muito enriquecedor para mim como atleta e jornalista.

Em breve, vai ter mais! E eu publico aqui :)

Fonte: Mayara Munhos

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Conversei sobre jiu-jitsu com a Amanda Nunes antes do UFC 232

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Amanda Nunes depois da luta contra Raquel Pennington, no UFC 224.
Amanda Nunes depois da luta contra Raquel Pennington, no UFC 224. Buda Mendes/Zuffa LLC

Sim! \o/ Eu me “aproveito” da situação de entrevistar as atletas de MMA e sempre puxo o papo de jiu-jitsu. Para o UFC 232, tive a oportunidade de entrevistar a Amanda Nunes e, depois de tudo... Não tinha como não aproveitar a brecha.

Quando participei do ‘Olhar espnW’ com a Cris Cyborg, uma das primeiras coisas que falamos nos bastidores foi sobre jiu-jitsu. “Sério que você treina na Atos? Eu treinava com o Galvão, mas o Cobrinha é mais perto para mim, então estou lá com ele hoje”, me disse ela, que é faixa marrom. No mesmo final de semana, eu disputaria um campeonato. “Boa sorte no seu campeonato”, ela me desejou, fora todas as outras dicas psicológicas que ela me deu: “É você ou ela, pensa sempre assim”.

Assim foi com Poliana Botelho, que também entrevistei esse ano. Não era antes de nenhuma luta, foi apenas uma entrevista pontual, mas falar sobre jiu-jitsu e amizades em comum, fez com que a entrevista parecesse muito mais legal. “Sim, eu treino com a Michele, treinamos agora há pouco, que menina forte”, ela me disse sobre a Michele Oliveira, da Nova União. 

Também tive a oportunidade de entrevistar a Claudinha Gadelha. Papo vai, papo vem... Ficamos meia hora no telefone (o combinado era 10 minutos) e conseguimos também falar sobre jiu-jitsu. Que ela treinava jiu-jitsu eu sabia, mas não que ela tinha começado aos 14 anos.

Decidi puxar o papo para falar sobre a tal ‘creontagem’ que todo mundo ainda insiste falar. Quando ela decidiu parar de treinar com o Dedé Pederneiras, saiu nas mídias algumas declarações dela do tipo “eu sai do Brasil, porque se fosse para outra academia dentro do país, seria chamada de creonte”.

Como toda atleta profissional, Claudinha foi em busca do crescimento, evolução e claro, dinheiro. Hoje ela treina no Instituto de Alta Performance do UFC, em Las Vegas. Destaquei muito a comparação entre Brasil e Estados Unidos, no quesito artes marciais. Ela me disse que lá, como eles estão acostumados a treinar desde sempre, há um respeito que aqui no país não temos: “No Brasil, ou você ama ou você odeia. Nos EUA, ou você ama, ou você respeita”. E isso acontece, realmente.

 “Acho que é uma coisa do jiu-jitsu mesmo, as pessoas te julgam porque você precisa honrar seu mestre por ter te ensinado o básico. Lembrando que você também botou a cara lá e treinou para caramba para conseguir aprender, você também fez muito para estar ali, e chega uma hora que você continua fazendo as mesmas coisas a vida toda, não tem como você ver resultados diferentes e chega um momento, na alta performance, que você precisa conhecer coisas diferentes”, me disse Gadelha.

Ela também relembrou que saiu da Nova União não apenas por buscar coisas novas, mas por não concordar com tudo o que era imposto na equipe e confessou que foi bem desafiador. “Foi muito difícil lidar. Eu vivi a vida toda com um time que considerava uma família, estava lá desde criança. Me tornei uma grande lutadora e pessoa ali dentro. Doeu muito por um tempo. Sair, ver a galera torcendo contra mim, me chamando de creonte e dizendo que abandonei o time. Mas eu só estava buscando a evolução, procurando melhoras”, confessou e concluiu – “As pessoas que estão dentro do time, que viram o que fiz, conseguem me entender e as que não entenderam a evolução do esporte, não conseguem me entender, infelizmente. Quem não sabe o que a gente passa, o que temos que fazer para chegar longe, acham que a gente é creonte.


Lembrando que, recentemente, Dedé Pederneiras fez uma grande mudança dentro do time e abriu a Upper Arena, no Rio de Janeiro, onde os atletas da Nova União treinam e se preparam melhor para o MMA, em um espaço maior e tudo mais. Além disso, ele também tem a intenção de abrigar projetos sociais. Uma lembrança: Claudinha foi a faixa preta mais jovem da Nova União, aos 21 anos. Hoje, ela tem dois graus.

Vendo muitas atletas migrarem do jiu-jitsu para o MMA, decidi puxar esse papo com a Amanda Nunes também. Há dois anos, escrevi quando a Gabi Garcia estava indo para o MMA, sendo que ela estava de certa forma, dominante no jiu-jitsu. Também tem a Mackenzie! Poxa... A nossa “queridinha” decidiu largar as competições do jiu-jitsu para ir ao MMA e lutou no UFC. Isso causa uma certa divisão entre sentimental e racional. Mas é preciso analisar a situação e o atleta vive disso.



É assim. O MMA hoje é de onde você tira o seu sustento. Então você acaba tendo que cortar o jiu-jitsu se você ama mesmo. Tem que deixar de lado para conseguir um dinheirinho a mais. Acho que é por isso que às vezes as meninas migram, porque você sabe, né. O financeiro é muito importante na vida de um atleta. Se o MMA está pagando mais, por que não? Fazemos o jiu-jitsu por amor e o MMA para ganhar dinheiro, me falou Amanda Nunes, caridosamente durante a entrevista que deveria ser apenas sobre o UFC 232.

 Hoje em dia, Leoa, que é faixa preta de jiu-jitsu, não tem intenção de competir nenhum esporte, mas relembra que já competiu judô e tem alguns títulos no jiu-jitsu: “Disputei jiu-jitsu a vida toda. Tenho vários títulos de campeã baiana, pan-americana, mundial... Estou muito bem realizada na minha vida como atleta” – comentou a dona do cinturão do peso-galo, e finalizou falando sobre a migração para os Estados Unidos, assim como Gadelha: “Acreditaram em mim desde quando eu era faixa branca, não era ninguém na academia... Eles olharam para mim e enxergaram algo. A oportunidade veio, agarrei e estou aqui”.

 Algo também muito criticado no Brasil, além da famosa creontagem no jiu-jitsu, é o fato de dois atletas do mesmo país se enfrentarem no MMA. Why not? A luta da Cris Cyborg e da Amanda Nunes foi muito criticada por ser entre duas compatriotas. Seria um drible do Dana White para tirar um cinturão do Brasil ou só faz mesmo parte da profissionalização do esporte?

 “O esporte é singular. Como você falou, toda hora você vê americano lutando entre si. As pessoas têm que entender que é um esporte e que vença a melhor. Se você é fã de Amanda Nunes, você é fã de Amanda Nunes. Se você é fã de Cris Cyborg, você é fã de Cris Cyborg e acabou! Qual é a história? Não tem que existir isso, ‘você vai lutar com ela não é mais brasileira’. Eu nasci onde? Para com essa conversa, pô. Não tem nada a ver, nada com nada. Estamos aqui com o mesmo objetivo. Tentando quebrar recordes, fazer história e botar nosso nome lá” – foi o que Amanda me falou quando perguntei o que ela achava sobre as pessoas criticarem o fato de duas pessoas do mesmo país se enfrentaram – “Em todo lugar é assim, as pessoas se enfrentam o tempo todo”.

 

Entre duas brasileiras: Claudia Gadelha e Jéssica Bate Estaca já se enfrentaram no UFC.
Entre duas brasileiras: Claudia Gadelha e Jéssica Bate Estaca já se enfrentaram no UFC. Jeff Bottari/Zuffa LLC

Já tive a oportunidade de lutar com Jéssica Bate Estaca em um campeonato de jiu-jitsu, na faixa azul. Hoje ela está de faixa marrom e, na época, ela estava indo muito bem nos campeonatos de jiu-jitsu, mas se dividindo entre tatame e octógono. Atualmente, Jéssica despontou no UFC e está seguindo o seu caminho.

Críticas de creontagem, críticas de brasileiros morando no exterior... Hoje o que mais tem é isso. Se nosso país não oferece o suporte que cada atleta merece, a saída é essa. Nas entrevistas que fiz no Jiu-Jitsu In Frames, com o André e Angélica Galvão, Guilherme Mendes e o Kaynan e o Hulk, quis muito falar sobre a diferença entre treinar no Brasil e no exterior, patrocínios, como é ter uma academia lá. Senti um tom de desabafo de muitos deles, inclusive do Guilherme, que em um momento, falou: “Os fãs brasileiros criticam que publicamos as coisas na social media em inglês, mas esse é nosso público hoje. Aqui foi uma oportunidade”.


O brasileiro precisa entender que há oportunidades que precisam ser agarradas. Cada um com sua profissão, cada um com sua adaptação. A luta entre Amanda Nunes e Cris Cyborg será, de fato, a maior luta feminina da história do MMA. São duas campeãs de suas categorias, duas lutadoras fortes, duas brasileiras. É inédito. Amanda pode ser a primeira a ter o cinturão de duas categorias. Sendo um drible do Dana White ou não, a questão é que o Brasil está de fato, prestes a dominar.

Ah, e para finalizar: "Eu bem que queria que você voltasse a competir jiu-jitsu, Amanda, não nos enfrentaríamos mesmo, por enquanto" - eu disse a ela; que riu por um tempo e respondeu: "Quem sabe um dia, jiu-jitsu hoje é só por amor". 

Fonte: Mayara Munhos

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Vem cá, jiu-jitsu, vamos conversar porque o ano está quase acabando

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Meu treininho para as meninas
Meu treininho para as meninas Paulo Satoshi Ono

Caramba, jiu-jitsu! Acabou o ano e passou voando. Janeiro começou insano. O Campeonato Europeu é sempre o nosso 'feliz ano novo' oficial. Ali já pudemos ver que o ano não seria fácil. Só luta dura, difícil. Da faixa azul a faixa preta, tudo muito técnico, pensado, estudado.

Enquanto isso, do lado de cá, alguns objetivos começavam a ser concretizados. Já pensou uma aula de jiu-jitsu só para mulheres liderada por você? Pois é. Creio que empoderar mulheres foi uma das missões que recebi quando vim ao mundo. Muitas coisas mudaram de uns tempos pra cá. Quando voltei a treinar jiu-jitsu, depois de seis anos parada, eu senti que as coisas tinham mudado bastante e que as mulheres precisavam estar cada vez mais confiantes para ocuparem aquela área predominantemente masculina. Muitas têm vontade, mas poucas têm coragem e, principalmente, persistência. Quando uma mulher ajuda a outra, parece que tudo fica mais fácil e leve. Dar aula para mulheres é uma missão difícil. Montar uma turma é difícil. Muitas chegam, poucas ficam... Mas nada começa no topo. Ter dado aula para meninas tem sido algo incrível e enriquecedor.


Bom, na verdade a publicação de hoje é realmente pessoal. Esse ano foi duríssimo, em todos os sentidos. Treino duro, trabalho duro, vida pessoal dura. Muitas mudanças, novas responsabilidades... Algumas vitórias, muitas derrotas. Mas de tudo, um grande aprendizado.

Esse ano veio para mostrar como o jiu-jitsu pode ser importante e ensinar em todos os âmbitos da vida. Eu admiro muito quem consegue esquecer tudo dentro do tatame; eu não consigo. Sabe quando dizem que quando estão no tatame, treinando, todos os problemas ficam do lado de fora? Eu não sei o que é isso. Costumo levar tudo dentro de mim e nem faço questão de dizer o contrário só para mostrar o quanto sou forte e durona. Vira e mexe tenho dificuldade em executar alguma posição porque estava com a cabeça em lugar nenhum. Não é dislexia ou algo do tipo (eu acho hahaha), eu só não consigo fazer algo sem ter tudo minuciosamente resolvido.

Os campeonatos foram voltando aos poucos. Eu acho que não me lembro exatamente de quantos participei, mas eu lembro dos que perdi. De todos, dois eu não medalhei. Acho que não é um número grande. Voltei a competir alguns meses depois de ter feito uma cirurgia, a primeira da minha vida. A volta é sempre difícil, mas no meu primeiro campeonato depois da cirurgia, eu finalizei minha adversária e a ouvi dizendo para a torcida: "não consegui, a pegada dela era muito forte". Justamente a pegada daquela mão operada... Então sim, eu podia. E embora não tenha sido campeã nesse dia, eu estava no caminho.

Lembro perfeitamente de quando venci. Era a II Etapa do Campeonato Paulista. Eu tenho lutado as etapas do paulista desde 2015. Eu nunca tinha levado um ouro para casa. Sabe como é bater na trave? Caramba, eu sou profissional nisso! Tantos anos e tantas etapas no "quase". Era bronze, era prata, mas não era ouro. E o ouro chegou! Era uma chave de três. Minha primeira luta eu perdi nos pontos, senti que não fiz nada. Mas tinha uma repescagem. Foi contra uma menina que eu tinha lutado no ano anterior, no meu primeiro campeonato de faixa roxa. Eu já estava cansada e desmotivada. Eu lembro de ter mandado mensagem para um dos meninos que treinava comigo e estava lá dizendo algo do tipo "sempre que chego no ginásio eu me pergunto o que estou fazendo aqui, eu realmente não sei". Lutei e finalizei, em menos de dois minutos. Naquele momento parecia que eu sabia, sim, o que estava fazendo ali. Fui para a final enfrentar a mesma menina da primeira luta. Finalizei a minha segunda luta do dia e fui campeã, depois de muito tempo tentando. 

Foi uma emoção muito grande. Eu realmente não imaginava. Na verdade eu acho que nunca acreditei. Parecia uma coisa tão longe, tão distante... E de repente eu tinha sido campeã. Achei que depois disso, tudo seria um pouco mais fácil, afinal, depois de ter sentido o gostinho do ouro e ter visto o quanto era gostoso, eu não perderia nunca mais. Magina! Parece que tudo ficou mais difícil.

Toda luta que eu entrava, os coaches das minhas adversárias já sabiam exatamente o que eu ia fazer - e eu também. Algumas vezes davam certo, mas nunca era na final. Eu perdi a etapa seguinte do paulista de uma forma que jamais deveria perder. Era meu dia e meu golpe, mas não foi. 

Nesse ano também lutei meu primeiro campeonato da CBJJ; o Brasileiro. Foi uma preparação intensa. Eu nunca tive tanto foco em alimentação e preparação física como tive para esse campeonato. Quando vi minha chave, de cara tinha uma garota duríssima. Era o peso do campeonato, o peso de dividir um dia de trabalho com um dia de campeonato e o peso de pegar uma das 'cabeças de chave'. Minha luta foi boa. Eu consegui ir melhor do que achei que iria. Perdi na primeira, mas lá foi mais um dia que me mostrou que, ainda sem ser uma atleta profissional, eu consigo me dar bem com quem é. 

Aliás, por falta de um campeonato da CBJJ, eu lutei três. O Sul-Americano foi bem parecido com o Brasileiro - desde rotina até a luta. Mas lutei também o SP Open, onde fiz a final com a campeã brasileira do leve. É daquelas que você olha na chave de pensa "ferrou", hahaha. Mas nem ferrou tanto, foi uma ótima luta e consegui subir no pódio mais uma vez. 

E tiveram outras etapas do Paulista onde consegui estar no pódio também, alguns campeonatos de fora da federação... Foi um ano daqueles em que você chega em dezembro exausta. Mas foi um ano de muitos aprendizados. Creio que esse ano foi o que mais me envolvi com o jiu-jitsu e com esportes no geral. Apesar de trabalhar numa emissora esportiva há seis anos, agora eu sou oficialmente editora do espnW.com.br e isso faz com que eu precise estar cada vez mais dentro do esporte. Antes, era só jiu-jitsu. Hoje, preciso dividir minha rotina de escrever e estudar outros esportes também.

Mas na prática... O jiu-jitsu tem se tornado cada vez mais importante na minha vida. Ele me ensina muito, não só dentro do tatame. Tudo o que aprendo lá, tenho como fazer uma analogia na minha vida aqui fora. E de tudo, uma das coisas mais especiais tem sido ensinar. Hoje na Academia Ono temos oficialmente uma turma feminina que sou instrutora. Para elas, tentei ensinar durante 2018, mas aprendi muito mais. Percebi que ensinar é uma das coisas mais difíceis e uma responsabilidade muito grande a se assumir, mas consegui tirar de mim mesma muitas coisas que eu achei não saber. Eu tenho zero dom de ensinar, mas sei que dou meu melhor para, mais do que ensinar, trazer mais meninas para o tatame. É uma tarefa difícil, de fato. A turma é pequena. Mas um dia chegamos lá!

Falta pouco menos de um mês para o ano acabar. O ano que vem será tudo igual, porém com o objetivo de melhorar. O topo do pódio nunca foi prioridade, mas continuará sendo um grande desejo. Agora é hora de tirar aquele descanso merecido, botar os objetivos num papel e correr atrás para fazer acontecer. E você, como foi seu 2018 no jiu-jitsu?

Fonte: Mayara Munhos

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Vem cá, jiu-jitsu, vamos conversar porque o ano está quase acabando

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No jiu-jitsu, atletas publicam mensagens de apoio a igualdade de premiação entre gêneros

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Na Califórnia, a SJJIF mais uma vez equiparou a premiação entre homens e mulheres.
Na Califórnia, a SJJIF mais uma vez equiparou a premiação entre homens e mulheres. Reprodução/Instagram @nathibjj

Muito se fala em igualdade de premiação entre homens e mulheres. Sabemos que no esporte, há muita divergência. Claro que temos que levar em consideração a quantidade de atletas que se inscrevem em competições em cada categoria, de alto nível ou não, como já escrevi neste texto para o BJJForum. Mas algo me chamou a atenção nas redes sociais. 

No último final de semana, essa foto, publicada pelo perfil da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) gerou muitos comentários questionando a diferença de premiação entre o absoluto faixa preta adulto feminino (R$1.500) e todos os pesos (separados) da faixa preta adulto masculino (R$4.000). Além disso, foi questionado o fato do o vice-campeão do masculino também receber premiação (R$1.000), diferente do feminino onde a segunda colocada não recebia premiação nenhuma e nem as categorias de peso, apenas o absoluto. 


Paralelo a isso, a Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF), federação que está entrando em cena aos poucos na Califórnia, mais uma vez ofereceu a premiação igual entre gêneros, assim como já havia acontecido anteriormente onde, a polêmica da vez, foi o fato de não ter atingido mulheres o suficiente para pagar a premiação total.


O fato é que dessa vez, além dos comentários da foto da CBJJ, dois atletas de elite se manifestaram: Rudson Matheus, faixa preta de Caio Terra Association e Mahamed Aly, atual campeão mundial faixa preta da IBJJF. Em seus stories, eles publicaram discorrendo sobre a indignação de mulheres não receberem a mesma premiação do masculino, ressaltando que elas se esforçam da mesma forma, ou até mais, segundo Aly. E Rudson também se preocupou em salientar que é muito importante que mulheres compareçam em campeonatos, porque é uma forma mais fácil e justa de cobrar. Por outro lado, ele também disse achar injusto o fato de que, usando o argumento que 'mulheres sempre estão em menor quantidade', a categoria dele tinha a mesma quantidade da categoria das mulheres e ainda assim a premiação foi maior.

Seguido a isso, Nathiely de Jesus, pentacampeã mundial e que está sempre nas cabeças de competições com ou sem premiação, ressaltou em sua conta do Instagram sobre a importância da igualdade no esporte. 



Lembrando que anteriormente, Dominyka Obelenyte já havia criado um movimento chamado "Equal Pay For BJJ" lutando pela mesma coisa. É a maior prova de que não é de hoje que estamos na luta pela igualdade.

Independente de diferença de procura, lucros ou patrocínios, o fato é que o jiu-jitsu feminino está cada vez maior e mais profissionalizado, assim como o masculino. Muitas coisas dependem de nós e outras, não. Na verdade essa publicação é para agradecer aos homens que tiveram a iniciativa de, de certa forma, entrarem na luta conosco e a intenção é que não seja uma luta exclusivamente feminina. Ela é uma luta pelo esporte e pela sua profissionalização, de todos. Quanto mais aderirem, mais seremos ouvidas. Atitudes como a de Rudson fazem valer a palavra ainda mais, por ser um atleta homem e se importar também com o desenvolvimento feminino e do esporte no geral. (Quando é só mulher falando, infelizmente recebemos comentários de que é só 'mimimi').

Não podemos deixar a luta acabar. Sabemos que o caminho é longo, mas contar com o apoio e ser ouvida é fundamental. 

Fonte: Mayara Munhos

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No jiu-jitsu, atletas publicam mensagens de apoio a igualdade de premiação entre gêneros

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Mulheres que lutam na divisão máster compartilham experiências de lutar contra adultos por falta de categoria no jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Másters em ação!
Másters em ação! Lisa Albon

Em março desse ano, escrevi sobre o Pan-Americano de Jiu-Jitsu. Karen Peters e seu professor, Carlos Melo, criaram uma petição para que as divisões de máster feminino fossem iguais às do masculino, indo de 1 a 7. O abaixo-assinado tem dado certo, tendo em vista que competições seguintes começaram a incluir o “pós máster 1” feminino nas inscrições.  


Pensando nisso, conversei com algumas mulheres que vivem isso na pele para saber a experiência de ter que sair do conforto de sua categoria para lutarem em outras por falta de opção, ou até mesmo de oponentes. No grupo do Facebook de Karen, “BJJ Master Woman”, algumas me responderam.

Madelein Larson Wollnik, faixa azul de 46 anos da Suécia contou ter participado de cinco competições apenas na categoria adulto: “Eu nunca competi no máster porque não tem ninguém da minha idade”. Quase a mesma situação de Nikki May, faixa azul de 44 anos, que treina na Rivers BJJ do Kansas: “Não sei como é competir no máster porque não temos mulheres geralmente. Eu me inscrevo, mas nunca tiveram pessoas o suficiente”.

Samanta Fonseca, faixa azul, fundadora do BJJ Girls Mag e atleta da Brotherhood, está em seu primeiro ano de máster e nunca teve problemas de falta de luta. Para ela, a maior diferença entre as categorias é a força. Por outro lado, ela reconhece que em alguns campeonatos menores, as mulheres mais velhas têm outras prioridades: “Acho que em muitos torneios, tem aquelas mulheres que tem filhos, treinam duas, três vezes na semana, não tem tempo de fazer preparação física... Mas para os campeonatos maiores, percebi que elas são mais fortes, mas tem menos mobilidade. Lutar nos dois é difícil” – disse Samanta, que completou – “O que tem que saber é que no adulto talvez você se movimente mais e no máster, talvez faça mais força”.

Gwen Blanken é uma faixa branca da Stockholm BJJ Club Center da Suécia. Ela contou que compete tanto no máster como no adulto. “No adulto, por não ter escolha ou não ter mulheres o suficiente para o máster” – conta Gwen. Master 3, Blanken diz que sente muita dificuldade principalmente quando a diferença de idade entre ela e as adultas é muito grande: “Elas são muito rápidas, mais bem preparadas, flexíveis, mais fortes e muito mais agressivas” – disse, e completou dizendo também que se sente muito melhor lutando em sua divisão.

 Por falta de opção, Agnheszka Sy, faixa azul de 35 anos da Jungle BJJ (República Tcheca), competiu durante cinco anos como adulto e sempre teve que descer de categoria por conta de falta de oponentes. Nas últimas competições, ela lutou como máster 1, que é sua categoria, sempre indo nos torneios e lutando com e sem kimono. “Eu cheguei a lutar seis vezes em um campeonato” – disse Agnheszka. A opção de parar de lutar como adulto deu-se por perceber que não conseguia mais acompanhar o ritmo das oponentes: “A experiência me ajudava no início da luta, mas nos últimos dois minutos, parecia que eu não estava mais lá” – disse. Ela também contou que se sentiu muito derrotada pela idade e teve muita dificuldade em aceitar a mudança. “O período de recuperação depois dos 30 anos começou a ficar mais longo e isso não ajudava em nada meu humor. Não consegui mais treinar todos os dias. Lidei com isso fazendo algo que nunca pensei que precisaria: escolher com quem ia treinar” – desabafou a atleta. Hoje ela disse que apesar de ter demorado meses para aceitar tudo, ela se sente bem e treina menos focada em competir.

Atleta da Saber BJJ da Austrália, Libby Chick, faixa branca de 47 anos, conta que quando vai a competições locais, ela luta contra oponentes mais jovens que os próprios filhos. “Às vezes eu reluto para não participar de competições onde sei que vou ter 25 anos a mais que minhas adversárias” – disse Libby, que nunca competiu na categoria máster e confessa que é difícil pagar competições que exigem que ela se desloque muito de sua cidade natal. Mas o desejo de competir na divisão certa está dentro de si: “Seria incrível poder me testar contra mulheres mais próximas da minha idade”.

Dolonna Brush é faixa azul e máster 4. Aos 51 anos, ela treina na Gracie Humaita de Temecula, Califórnia. Ela começou a competir no ano passado, logo quando completou 50 anos e dos sete torneios em que participou, cinco ela competiu no máster 1. “Pela minha experiência, há uma enorme diferença em força e velocidade, e é por essa razão que os homens têm categorias separadas” – contou Brush. Ela destaca que faz isso por amor ao esporte e acredita que a competição é uma ótima forma de se testar e é isso o que a dá forças, interna e externamente, para continuar competindo, mas relembra: “Se minha filha competisse, estaríamos na mesma categoria”.

E apesar de tantas queixas, a faixa azul de 56 anos Ann Mullen, que treina na academia Yamasaki em Maryland, confessou sentir mais medo de pessoas grandes do que jovens por conta de seu peso e tamanho. Ela, que compete no adulto ou máster 1, destacou que as meninas a respeitam, não a tratando como uma “velha senhora” e contou que “eu não luto com e sem kimono no mesmo dia porque não me recupero tão rápido, e a diferença que mais noto é realmente em recuperação e força”. Por outro lado, ela destacou também que se sente mais experiente por ter competido a vida toda: “Em alguns casos, sinto que estou mais calma que minhas adversárias mais jovens”. Outro destaque de Mullen é que a forma que os mais velhos levam a competição é diferente, e ela completa: “Não me entendam mal; nós, másters, levamos a sério a competição, mas a perspectiva é diferente”.

Seja por falta de atletas ou por falta de subdivisão de categorias, o que mais importa é que muitas das mulheres continuam – literalmente – na luta e que a IBJJF viu que há sim como dividir melhor as categorias femininas, ainda que com menos mulheres, apenas para que elas possam competir pelo prazer de lutarem de igual para igual. E certamente, o trabalho de Karen tem sido um grande responsável pelas conquistas.

Termino o texto com essa imagem. Antes, entrávamos no site da IBJJF e víamos tabelas separadas para homens e mulheres. A dos homens, ia de fato até o máster 7. A das mulheres, até o máster 1. Hoje, a maioria dos campeonatos no site tem uma “tabela unificada”, exatamente como na foto, “Male and Female”. O jiu-jitsu é gigante. O jiu-jitsu é para todos!


No Campeonato Mundial sem kimono da IBJJF, as categorias para homens e mulheres estão iguais
No Campeonato Mundial sem kimono da IBJJF, as categorias para homens e mulheres estão iguais IBJJF


Fonte: Mayara Munhos

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'Apanhou do namorado?' não devia ser uma pergunta normal

Mayara Munhos
Mayara Munhos
A taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo
A taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo Getty Images


Esses dias, fui dar uma palestra sobre "Mulheres no esporte" e fiquei pensando em coisas legais (e nem tão legais assim) que eu podia contar em relação ao jiu-jitsu. Fiquei até criando na minha mente algumas perguntas e como podia responde-las (sim, sou dessas). Cheguei a algo que me fez refletir um pouco e achei que daria um texto. 

Nós do jiu-jitsu aparecemos diariamente com roxos pelo corpo. Alguns visíveis, outros não. E quando são visíveis, as pessoas fazem algumas perguntas "normais". Mas há uma pergunta que é sempre a primeira e é feita com frequência, de forma natural, como se fosse algo recorrente - e talvez realmente seja, a gente só não sabe.

"Que roxo é esse? Apanhou do namorado?". Isso sempre me incomodou, mas nunca a ponto de parar para refletir no poder dessa frase. Parece que a coisa é tão normal, que é perguntada assim, como se, caso a resposta venha de forma positiva, e vida que segue. E se eu digo que "sim, apanhei"? Será mesmo que devia ser a primeira coisa a passar na cabeça das pessoas quando veem alguma mulher do jiu-jitsu com hematomas? 


Em números, a violência contra mulher é assustadora: em média, doze mulheres são assassinadas diariamente no Brasil. Significa que uma mulher é assassinada no nosso país a cada duas horas. Segundo o Ministério de Direitos Humanos (MDH), administrador da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o Ligue 180, no primeiro semestre de 2018, foram registrados 72.839 denúncias de violência contra a mulher. Comparando com o número total de 2017 (156.839 denúncias), o governo destaca que houve aumento de denúncias em alguns casos, como homicídio e violência sexual. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o quinto país com maior taxa de feminicídio do mundo: são registrados oito casos por dia no país.

Segundo o MDH, foram registrados: 2.611 casos de homicídio, 102 de tráfico de pessoas, 3.381 de violência moral, 1.447 de violência patrimonial, 24.378 de violência psicológica, 2.611 de cárcere privado, 5.978 de violência sexual, 40 de violência obstétrica, 3 casos de assédio no esporte e 34 mil casos de violência física.


Ou seja, há um bom motivo que leve as pessoas a perguntar se os roxos pelo corpo de alguém que treine jiu-jitsu é por ter apanhado do namorado. Mas de fato, não devia ser algo normal. A Lei Maria da Penha foi criada há 12 anos e visa proteger a mulher de todo e qualquer tipo de violência. A criação da lei se deu após a cearense Maria da Penha Maia Fernandes ter sofrido agressões do ex-marido durante 23 anos e, após uma tentativa de assassinato, ter ficado paraplégica.

No caso de Maria da Penha, ela não tinha meios para protegê-la. Mas hoje nós temos. E quando mais for falado, mais mulheres serão encorajadas a falar. Muito se fala que a violência contra a mulher e o feminicídio cresceu de uns tempos pra cá. A verdade é que talvez ele não tenha crescido, só tenha ficado mais "normal" falar sobre isso, já que hoje temos uma lei que deve nos proteger e também, porque temos outras mulheres falando sobre o assunto.

A representatividade aqui é algo muito importante, porque a partir do momento em que você afirma ter sofrido violência, independente do caráter, você estará encorajando outras mulheres a falarem também. Claro que é algo difícil de ser dito, mexe com o psicológico, dá medo, preocupa... Mas deve ser falado.

"Apanhou do namorado" definitivamente não devia ser uma pergunta normal. Um roxo pelo corpo não devia remeter a violência física sofrida por um companheiro. E isso não é uma brincadeira.

Em caso de violência, não exite em denunciar. O número é 180. Você não está sozinha! 


Fonte: Mayara Munhos

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'Apanhou do namorado?' não devia ser uma pergunta normal

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Como Emilly transformou a Síndrome de Leigh da Naná em sorrisos no tatame

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Emilly e Naná treinam juntas todas as quartas-feiras
Emilly e Naná treinam juntas todas as quartas-feiras Arquivo Pessoal

Se tem algo que eu amo nessa vida é contar histórias. Então vamos do começo: a Emilly é uma faixa marrom da Alliance Mooca, aluna do professor Casquinha. A conheci porque com ela fiz minha primeira final de absoluto em meu primeiro campeonato de faixa roxa – foi minha luta mais dura daquele dia. Comecei a seguir a Emilly nas redes sociais e aí, sempre rolando os feeds, me chamou a atenção que ela publicava muitas fotos com uma pequena, a “Naná”. Sempre acompanhei as postagens e achei que aquele amor de irmã era muito bonito. Mas elas não são irmãs e eu fui atrás da Emilly para saber tudo!

A Natália é portadora de Síndrome de Leigh, uma síndrome que ataca o sistema nervoso central e mexe com a coordenação motora. Ela se manifesta sempre em crianças entre 3 meses e dois anos, mas pode raramente afetar adultos acima de 30 anos. Apesar de não ter cura, a síndrome pode ser controlada com fisioterapia e remédio.

Depois de um tempo sendo “seguidora da Emilly”, a vi levando a Naná para o jiu-jitsu. De repente, todas as quartas-feiras via as duas no tatame. A Emilly entra no tatame com ela para fazer um verdadeiro treino físico, já que ela a carrega o tempo todo, auxiliando-a em tudo na aula das crianças. Se precisa correr, Emilly corre com ela. Se precisa fazer flexão, Emilly faz com ela. Tudo elas fazem juntas e as crianças que treinam com elas se mostram sempre solícitas.

Digo que ela é minha prima, mas não temos sangue. Meus pais são muito amigos dos dela desde sempre, a conheço desde que me conheço por gente, fomos criadas praticamente juntas” – me contou Emilly, que também contou que Natália tem mais dois irmãos mais velhos, o Murilo e o Felipe. O Murilo tinha a mesma síndrome de Natália, mas em um estágio mais avançado e há algum tempo, depois de seguidas crises de pneumonia, ele veio a falecer.

“A Natália não tem um estágio tão avançado como tinha o Murilo. Ela não anda e nem come sozinha, mas a mente dela é totalmente normal, ela entende tudo o que acontece ao seu redor” – disse Emilly, que também me contou que as duas tem uma ligação muito forte e que nem consegue explicar como.

A chegada de Naná aos tatames foi totalmente por acaso. Emilly a perguntou se ela queria um kimono rosa, em dezembro do ano passado e ela respondeu que sim. Depois que ela comprou, sentiu que devia leva-la para a academia: “Conversei com o Casquinha, expliquei a situação e ele disse que eu podia levar. Ela se apaixonou no primeiro treino. O Casca deu a ela um kimono da Alliance e desde então, a levo todas as quartas-feiras no treino das crianças”.

Além do kimono rosa ter sido um motivo para Naná chegar aos tatames, Emilly também conta que queria que ela interagisse mais: “Chegou uma fase que ela não queria mais ir à escola e eu fui um tempo com ela. Mas ultimamente ela só queria ficar jogando no tablet, não tinha vontade de sair de casa. O jiu-jitsu ela ama, dá risada, interage, se envolve com as crianças e as crianças se envolvem com ela”.

Com 18 anos de convivência, as duas se entendem muito bem mesmo que Natália não fale: “Enxergo a Naná como uma pessoa normal, ela não é diferente. Nós conversamos sem ela falar. O Casca até pergunta – ‘como você entende o que ela fala?’ – e isso é muito da convivência”.

A maior vontade de Emilly é que o mundo todo conheça a Natália. Um tempo atrás, uma marca australiana a viu no Instagram e enviou para o Brasil uma rash guard: “Todo treino ela quer usar, é branca e rosa e ela amou. Quando isso aconteceu, pensei ‘caraca, tem alguém na Austrália que conhece a Natália por causa do jiu-jitsu’ e isso é muito louco” – disse Emilly.

Toda semana ela faz questão de publicar sobre os treinos nas redes sociais e certamente, é inspirador. É inspirador ver “Naná” no tatame, sempre sorrindo. Motivador ver a equipe recepcionando tão bem as duas. E muito motivador ver a força de vontade que Emilly mostra todas as quartas-feiras para tirar um sorriso do rosto dela. “A pessoa olha e se motiva, queria que todas as pessoas da terra a conhecessem e aos poucos isso está acontecendo” – finalizou a faixa marrom.

Tem coisa mais bonita neste mundo do que ver o quanto o esporte é capaz de transformar vidas?

Fonte: Mayara Munhos

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Aos patrocinadores: atletas são outdoors, mas também pagam boletos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Patrocine um atleta!
Patrocine um atleta! Sinistro Photo Film/FPJJ


Já falei sobre patrocínio uma vez, mas decidi falar de novo porque é sempre válido. Tenho visto algumas marcas fazendo concursos em redes sociais para patrocinar atletas. E realmente entendo o quanto isso significa para quem compete. E quero deixar claro que esse texto não é uma apologia a deixar de aceitar ofertas de apoio ou patrocínio, mas sim, de se valorizar como atleta.

Geralmente, o que chamamos de “patrocínio” na verdade são “apoios”. A diferença é básica: você recebe dinheiro da marca? Se a resposta for não, é um apoio. Se sim, é um patrocínio. Ou seja, se uma marca decide te patrocinar e te dar uma grana por mês, ela está te patrocinando. Se ela te ajuda em troca de produtos, ela está te apoiando. Nenhum dos dois é ruim. Só é importante tudo ficar bem claro para que nem o atleta e nem a marca saiam prejudicados.

Algumas coisas precisam mudar para que os apoios continuem a existir e os patrocínios passem a aparecer cada vez mais, isso faz parte da profissionalização do jiu-jitsu. O primeiro passo pode ser dado por nós, atletas. Muitos querem estampar uma marca por acharem bonita, querem colocar patches em seus kimonos de uma marca que tem um desenho legal ou de alguma empresa bacana. Nada contra, é o seu direito. Mas por outro lado, é como fazer uma propaganda de graça e a empresa, tendo quem faça isso por ela sem que ela precise tirar dinheiro do bolso, não precisa então apoiar ninguém. Então é importante que os atletas parem de usar “peso no kimono” só por acharem bonitinho ou por se sentir com mais cara de competidor tendo várias coisas costuradas. Isso atrapalha e muito na hora de conseguir um patrocínio. E não tem problema se você não precisa de um, mas tem muita gente que depende disso para continuar competindo e fazendo seu trabalho.

Já em relação as marcas, elas precisam lembrar que os atletas têm contas a pagar. Em 2015, o faixa preta Thiago Gaia, da Barbosa Jiu-Jitsu, subiu no pódio após ser campeão do Brasileiro Sem Kimono da CBJJ com um papel escrito “#Fighters Don’t Eat Medals” (Lutadores Não Comem Medalhas). A hashtag viralizou e outros atletas ao redor do mundo decidiram compartilhar dela. O protesto foi inicialmente contra as Federações e Confederações de jiu-jitsu, que cobram valores absurdos de inscrição e raras as vezes, pagam as premiações em dinheiro. O atleta gasta com transporte, alimentação, hospedagem, inscrição e sai do ginásio com uma medalha – ou não. Mas a frase serve também para as marcas que pretendem patrocinar atletas.

É claro que no começo da carreira é sempre difícil. Um faixa branca raramente vai conseguir um patrocínio, bem como um faixa azul ou roxa. As coisas começam a acontecer na marrom e se desenvolvem na preta – desde que você dê visibilidade. Hoje em dia, a visibilidade não é apenas em pódio. Alguns atletas fazem papel de modelo para se esforçar e divulgar a marca, tirando fotos, se expondo e sendo influencers. Mas tudo isso é marketing e é aceitável. Hoje, temos uma variedade muito maior em relação a formas de divulgação, porém ainda nem tão bem trabalhadas. As redes sociais estão aí para provar isso: você patrocina um atleta, ele publica sobre sua marca semanalmente, fala bem dos seus produtos, agradece você imensamente, cria hashtags usando seu nome e pronto, por um custo muito baixo sua marca está circulando por aí.  E por isso, nem sempre estar no pódio é suficiente ou o único requisito para um atleta atrair um patrocinador.

Algo que percebo também é que as marcas que patrocinam os atletas vivem no mesmo meio e entendem o quanto cada atleta precisa ralar para bancar tudo. Ou seja, muitos atletas têm vontade de viver de jiu-jitsu, mas precisam ter um outro trabalho para conseguirem se desenvolver na vida fora dos tatames (e dentro também). Os atletas dependem de pagamentos como cada um – inclusive os donos das marcas – dependem do seu dinheiro na conta no final do mês.

É normal que você receba um apoio no início da carreira. Você ganha algumas roupas, kimonos, suplementos..., mas é imprescindível que isso não dure para sempre. Você precisa de uma ajuda para pagar seus campeonatos e pode começar dessa forma, de repente vai precisar de fato do dinheiro para pagar o seu aluguel, por exemplo. Se você quer dedicar sua vida 100% ao jiu-jitsu, você vai precisar de um patrocínio efetivo, porque é ele quem vai pagar seu salário. Você pode vencer um campeonato e de repente, ganhar algum dinheiro, já que hoje em dia temos campeonatos fora de federações que oferecem boas premiações, mas eles não acontecem todo final de semana e nem sempre são suficientes para nos sustentar o mês todo.

Onde quero chegar com tudo isso é que os atletas deveriam ser menos usados e mais valorizados. Diariamente, cada um se esforça como pode para chegar a algum lugar, para conseguir alguns seguidores nas redes sociais e “valorizar o passe”, para subir no pódio naquele campeonato importante para que olhem para ele. Mas não é justo prostituir os atletas por saberem o quanto eles precisam daquilo.

Muito se questiona sobre a profissionalização do jiu-jitsu, mas ela depende de cada um. Desde atletas a não aceitar qualquer coisa, até os patrocinadores não oferecerem “migalhas” em troca de um grande esforço pelo lado de quem está recebendo, porque acredite, qualquer apoio faz diferença, mas não é qualquer apoio que vai fazer nenhum atleta chegar longe.

O atleta cresce com a marca e a marca cresce com o atleta. O patrocínio/apoio deve ser uma via de mão dupla. Procurem atletas que te interessem, que combinem com o estilo da marca. Façam acordos formais através de contratos e valorizem. Divulgar marcas em redes sociais, outdoors, jornais ou seja lá qual meio de publicidade for, custa muito caro. O atleta, geralmente tem um custo bem abaixo do que os grandes veículos de comunicação. Então é importante não abaixar cada vez mais o seu valor, porque só assim ele vai conseguir chegar ainda mais longe e, claro, levar junto a sua marca.

Apoie um atleta :)

Fonte: Mayara Munhos

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Aos patrocinadores: atletas são outdoors, mas também pagam boletos

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O casamento que roubou a cena em Vegas: Sete títulos mundiais disseram 'sim'

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Faixas pretas, campeãs mundiais e 'got married'
Faixas pretas, campeãs mundiais e 'got married' Arquivo Pessoal

Nos últimos dias, Las Vegas foi tomada por jiu-jiteiros de todo mundo e as atenções estavam todas voltadas para lá. Estava rolando o Las Vegas Summer Open e, ao mesmo tempo, o Mundial de Masters, ambos da IBJJF  e as maiores lendas estavam por lá.

Vimos Claudia do Val levar seis ouros para casa, Mackenzie Dern ministrar seminário e claro, a grande cerimônia da IBJJF que deu anéis aos faixas pretas campeões dos absolutos desde 1996, quando foi a primeira edição. O absoluto feminino começou a acontecer em 2007 e algumas atletas estiveram presentes para receber seus anéis:   Michelle Nicolini (2007), Kyra Gracie (2008), Lana Stefanac (2009), Luana Alzugir (2010), Gabi Garcia (2011/2012) e Bia Mesquita (2013/2014).

Mas fora do ginásio, houve um casamento em Vegas e não foi no maior estilo 'Se Beber Não Case'. Uma igrejinha, amigos próximos, a família e duas campeãs mundiais unificaram seus títulos dizendo 'sim'. Luana Alzugir e Ana Carolina Vieira se casaram. Sim, sete títulos mundiais agora estão de papeis assinados e com anéis muito diferentes dos que a IBJJF presenteou os atletas.


Luana, da Alliance e atleta da velha guarda, aos 33 anos tem cinco títulos mundiais na faixa preta e a Baby, da GF Team com seus 24 anos e apenas dois na black belt, já tem em seu acervo dois títulos mundiais.

A Ana entrou na igreja de braços dados com mais uma porrada de títulos mundiais: seu irmão, Rodolfo Vieira, a conduziu até o altar. Aliás, nunca um casamento foi testemunhado por tantos títulos mundiais, como Hannette Staack, Nathiely de Jesus e Michelle Nicolini.

Casalzão!'
Casalzão!' Arquivo Pessoal

A Luana nesse ano participou do Mundial após dois anos sem lutar, ficou pela primeira vez fora de uma final, mas depois do campeonato, publicou em seu perfil do Instagram que: “Fim de mais um campeonato mundial e esse sem dúvida foi diferente de qualquer outro. Não apenas por ter sido a primeira vez que fiquei fora de uma final, mas principalmente por ter sido a primeira vez que não lutei por medalha e sim... por amor!”

E por falar em final e amor, eu claramente fiz a pergunta que todo mundo deve fazer a Baby:

- E aí se acontece de vocês se pegarem numa final de absoluto... qual vai ser?

'Cara, a gente sempre fala disso, rs' - me respondeu - 'Seria irado a gente chegar juntas numa final de absoluto'.

Talvez seria o absoluto que as faria lutar por medalha... e também por amor! 

Fonte: Mayara Munhos

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O casamento que roubou a cena em Vegas: Sete títulos mundiais disseram 'sim'

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Faixa branca, por favor, nunca desista. Essa aqui é para você!

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Natalia Chiarotti, faixa branca da Atos/Ono e 3º lugar no ranking da CBJJ
Natalia Chiarotti, faixa branca da Atos/Ono e 3º lugar no ranking da CBJJ Focados no Tatame

Querido (a) faixa branca,

Começou a caminhada e ela vai ser longa. Comecemos assim para que já se prepare, mas a intenção não é te desencorajar, mas mostrar que você não estará permitido a desistir.

Primeiro quero deixar claro que o jiu-jitsu é um extremo e, quando você começa, ou você ama ou você odeia. Caso você odeie, pode parar por aqui. Mas caso você ame, sua vida já mudou completamente, mesmo que você ainda não saiba disso.

Pisar em um tatame vai muito além de tirar os calçados, fazer uma reverência e cumprimentar seus parceiros. Pisar num tatame vai mudar completamente a sua forma de pensar. Quando você pensar que não é capaz, vai perceber que já passou: você fez e nem percebeu.

Sei que começar não é fácil. Dói, e dói muito. Você vai se lesionar, talvez com frequência. A frequência pode diminuir, mas a dor é uma constante e não só a física.

A dor começa quando você tenta fazer alguma coisa e vê que está difícil demais. Você olha para o lado e vê os graduados realizando algo que você não está conseguindo de forma alguma. Parece muito difícil e a pessoa está lá, fazendo com a maior naturalidade. Quando depois de tantas mil repetições o seu movimento sai perfeito (ou nem tanto), você vai parar e pensar: “por que eu não consegui antes?”; mas isso não pode te fazer desistir. Já se dizia que ‘a prática leva a perfeição’, e se a pessoa do seu lado está conseguindo fazer, tenha certeza de que ela já passou pelo mesmo que você. Tenha em mente que ninguém chega a lugar nenhum sem ter passado pelo que você está passando hoje.

E sim, vai ter bullying. Vai ser normal te mandarem para o final da fila o tempo todo, te falar para pagar flexão por algum motivo... você vai sofrer para entender que precisa respeitar os mais graduados, que o faixa preta é autoridade máxima, que algumas coisas erradas são chamadas de ‘faixa branquice’... vão te zoar quando você chegar dizendo que sua mãe lavou a sua faixa e dar risada porque ela está amarrada muito para cima. Também faz parte do processo. E não é na maldade! Um dia você vai entender.

Os movimentos vão ser cada vez mais difíceis. O arm lock básico da guarda vai sair, mas nunca durante o rola. O cotovelo vai ficar para fora, o pé cruzado errado, o quadril vai ficar colado no chão. Você vai passar a guarda com o quadril na altura do teto e vai ficar sem entender porque te raspam com tanta facilidade. Ninguém nunca vai ficar estabilizado nos seus 100kg, porque você vai demorar para entender de onde vem toda pressão que fazem quando é contra você. Você vai cansar muito, porque enquanto as pessoas ficam fazendo giros e mais giros com você, você tenta se defender usando toda a força que acha que tem e então você vai terminar bufando, enquanto seu adversário estará em pé amarrando a faixa e já procurando o próximo.

Vai ser difícil entender porque o professor não te deixa descansar entre uma luta e outra, ou porque todo mundo fica te corrigindo o tempo todo sendo que parece que tudo está saindo tão perfeito ou que você esteja com a convicção de que está sabendo tudo.

Você vai sentir dor nas costas e decidir que terá que ficar uma semana ou mais fora da academia. Depois, vai sentir uma dor no joelho e já sentir que vai precisar operar. Mas é normal, todo mundo se lesiona o tempo todo e isso vai seguir até o fim da sua caminhada. Quando você estiver lá na frente, verá o quanto foi exagero ter ficado tanto tempo sem treinar por uma dorzinha ou outra e vai chegar ao extremo de ‘só tem tu vai tu mesmo’ – treinar com ou sem dor, com ou sem lesão, apenas treinar.

Você vai postar frases motivacionais nas suas redes sociais e quem está do outro lado, vai rir um pouco de você por achar que é too much para tão pouco tempo. Vai começar a dizer que o jiu-jitsu é sua vida, seu lifestyle. Vai tirar fotos de kimono dentro do quarto e dizer “#PartiuTreino”, comprar camisetas escrito "jiu-jitsu" só para sair na rua e mostrar que treina. Lá na frente você vai olhar e achar engraçado, mas expresse seus sentimentos, tá tudo bem!

Você vai para um campeonato, gravará suas lutas e vai sair sentindo que arrasou. Quando você chegar em casa, vai assistir perceber que não estava lutando como a Kyra Gracie que habita dentro de você. Vai dar um pouco de vergonha, mas é normal. Ganhando ou perdendo, você vai sempre aprender qualquer coisa – e isso significa que você nunca vai perder, mesmo que a mão levantada no final não seja a sua. Isso também é algo que vai entender com o tempo. Uma derrota nos faz refletir e enxergar coisas que nem esperamos. 

Você vai sair do treino frustrado porque foi finalizado vinte vezes. Vai ficar puto porque vai achar que as pessoas te deixam fazer as coisas. Isso vai passar.

Você vai errar o nome dos golpes e vão rir de você por conta disso. Quando sentir um pouco mais de confiança, se sentirá no direito de chamar alguém para rolar e vai tomar um pau – você vai sair triste, mas não desacredite. Você vai constantemente ver seus amigos graduados zoando os faixas pretas e vai achar que pode zoar também – mas ninguém será rotulado de folgado, só o faixa branca. Você vai passar horas assistindo vídeos de posição no YouTube e chegar na aula querendo mostrar para todo mundo o que aprendeu, até ver que jiu-jitsu online é algo bem difícil de reproduzir, ainda mais quando se está no começo. Vai querer fazer os golpes mais mirabolantes porque parecem fáceis, mas vão te fazer cair na real de que você ainda precisa se aperfeiçoar no básico antes de querer fazer o plástico, ainda que seja lindo.

Você vai amarrar seus dedos com esparadrapo porque vai achar que é bonito, sem nem entender a finalidade disso. Vai se achar o mais graduado do mundo quando não for mais o último da fila ou quando receber o seu primeiro grau. Você vai querer debater sobre as novidades do jiu-jitsu que para você são tão novas, mas já aconteceram a tempos e vão dizer que você é desatualizado.

Faixa branca, não desista. Estaremos sempre aqui para te ajudar. Saiba que sua perseverança nos inspira. Não é fácil começar algo novo, ouvir tantas coisas esquisitas, sentir-se excluído, tentar e achar que nunca consegue. Mas entenda: todo mundo já passou por isso.

A faixa branca nos ensina e nos ensina muito. Saiba também que, lá na frente, você vai parar de dar valor a algumas coisas que você dá sendo faixa branca, como os detalhes de um golpe perfeito. Os graduados costumam achar que já sabem tudo e esquecem de detalhes básicos que, muitas vezes, reaprendemos treinando com vocês.

Vocês são muito importantes para o nosso treino. Vocês fazem parte do crescimento do jiu-jitsu. Vocês nos impressionam quando botam a cara a bater e não desistem, nos orgulham quando conseguem fazer alguma coisa certa que a gente tanto bateu na tecla de que você estava fazendo errado. Você é responsável por algumas frustrações, porque muitas vezes, a gente desacredita que aquele golpe vindo de você vai entrar e somos surpreendidos quando precisamos dar os três tapinhas, porque não dá mais para dar mole para você.

Você vai ser graduado, aos poucos. Vai criar responsabilidade, ser cobrado. Um dia você vai alcançar seu professor e vai pensar que tudo passou rápido demais. As posições vão sair naturalmente, as coisas ficarão mais claras, os esparadrapos no dedo farão sentido. E aí, você vai olhar para trás e ver que estará desempenhando o papel que um dia desempenharam com você. Por isso, não se cobre tanto, tenha paciência e, mais uma vez, não desista. Ao longo caminho, você vai ter milhões motivos para querer desistir, a faixa branca é só o início.

A gente zoa, a gente brinca e a gente faz aquele bullying de sempre, mas é só para não perder o costume. Vocês nos inspiram!

Fonte: Mayara Munhos

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Ronda Rousey: indiscutivelmente, ela mudou o cenário feminino de todas as artes marciais

Mayara Munhos
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Ontem, Rowdy fez história mais uma vez
Ontem, Rowdy fez história mais uma vez Getty Images

Não há como negar: Ronda Rousey mudou o cenário feminino das lutas. Não importa a modalidade, o fato é que Rowdy serve de exemplo mundial no esporte – seja ele feminino ou masculino. Mas creio eu que ela seja um dos, e se não for o maior exemplo de representatividade feminina nas artes marciais.

Se antes nós mulheres éramos representadas no octógono apenas como ring girls, vistas com 'pouco pano'... Se antes éramos vistas apenas em eventos amadores, ou então em pequenas academias espalhadas pelo mundo... Ronda veio em 2013 e mostrou que a força da mulher dentro de um ring, octógono, tatame ou seja lá onde for, é muito maior do que qualquer um esperava, inclusive o próprio presidente do UFC, Dana White.

Quem não se lembra no ano de 2011, um repórter perguntando a ele: "Quando veremos mulheres no UFC?". E sua resposta? "Never".

Mas ontem, o mesmo reconheceu em seu discurso o quanto foi equivocado naquela época. 

"Quando eu disse que mulheres nunca lutariam no UFC, eu nunca tinha imaginado Ronda Rousey" - ele disse. "Eu nunca tinha imaginado a mulher que mudaria tudo. Ela começou mudando minha cabeça e terminou mudando o mundo". 

Foi assim que Dana White introduziu Ronda e a chamou para receber então o primeiro troféu de Hall da Fama dado a uma mulher.

Ronda quebrou barreiras. Ronda mudou o conceito do que é ser uma mulher e estar num esporte majoritariamente masculino. Ronda foi um verdadeiro divisor de águas. Talvez ninguém imaginaria que a faixa preta de judô que morava em seu carro para economizar grana e conseguir levar sua vida de lutadora para frente, seria a primeira mulher a lutar um evento do UFC, ficaria três anos invicta e receberia um prêmio dessa dimensão.

E existe algo pouco falado, mas que merece nesse momento ser lembrado: a americana foi a primeira judoca a levar para o seu país uma medalha olímpica na modalidade, em 2008, onde ela ganhou um bronze.  

Eu acho um verdadeiro desrespeito quando Ronda é tratada como "ex-campeã peso galo do UFC", sendo que durante três anos o cinturão foi dela. Durante três anos ela entrou no octógono com um público imenso torcendo e esperando sua chave de braço matadora no primeiro round. Mas sua dinastia acabou, como acabou a de Belfort, por exemplo e como a de todos um dia acaba.

Hoje ela já não faz mais parte da divisão e decidiu seguir sua vida, da sua maneira, no WWE. Ela continua na atividade, mas como ela escolheu. Muitos a criticaram pela forma com que ela tratou suas duas últimas derrotas no UFC. Deve ser realmente difícil para alguém que foi dominante praticamente a vida toda, perder a invencibilidade. Mas faz parte. E cada um reage de uma forma. Seu legado está aí.

O que mais importa é que, em seu discurso ontem, durante a premiação, Rowdy mais uma vez arrasou e deixou o recado:

"Graças a vocês, eu sou a primeira mulher a estar aqui em cima recebendo esse incrível prêmio. Eu vou ser a primeira de muitas. Eu olho a minha volta e vejo que juntas construímos isso. Essa divisão, esse esporte, essa revolução... Juntas nós redefinimos o que significa ser forte, ser sexyNós mudamos o significado de 'lutar como uma garota'!

Ela não é ex-campeã. Ela foi e sempre será a grande campeã do UFC e não só pela suas lutas, mas por tudo o que ela representa.  E ela me representa. E ela com certeza representa muitas mulheres do mundo das artes marciais e serve de inspiração. Ela mostrou o que é ser um corpo e um rosto bonito, mas que não é por termos um corpo e um rosto bonito que somos apenas isso. Somos muito mais que isso. Somos corpos e rostos lindos e somos fortes. E nós lutamos exatamente como garotas!

Veja o discurso de Ronda aqui.

Fonte: Mayara Munhos

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Dominyka Obenelyte revela depressão e faz críticas à Federação e cenário atual do jiu-jitsu

Mayara Munhos
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Dominyka no Mundial de 2016, onde foi campeã
Dominyka no Mundial de 2016, onde foi campeã IBJJF

Nessa semana, a atleta Dominyka Obelenyte, faixa preta e quatro vezes campeã mundial, publicou em seu Instagram um relato de que estava sofrendo de depressão e, mais que isso, ela confessou que não é recente. Muitas pessoas têm sentido falta da atleta e sua guarda praticamente intransponível em campeonatos. O último que ela participou foi no ano passado e ela veio a público falar sobre isso, com um relato emocionante e também motivador.

“Amigos, gostaria de tirar um momento para agradecer a todos vocês por me seguirem e me apoiarem nessa gigante jornada da vida. Eu sempre tive dificuldade com a forma como enxergo o jiu-jitsu, que algumas vezes pode ser meu maior inimigo e outras, meu maior alívio. Muitos de vocês não sabem disso, mas durante a maior parte da minha vida eu lutei contra a depressão, e quatro anos depois de começar o jiu-jitsu eu estava em um ponto crítico. Eu não queria nada com o esporte e estava pronta para desistir e nunca mais voltar. Fui encorajada por algumas pessoas (especialmente @jtorresbjj) que me fizeram continuar, e fui recompensada com uma estrada cheia de desafios: vitórias, derrotas, lesões, desilusões, motivação, perseverança e um verdadeiro senso de identidade. Minha maior alegria agora é compartilhar esta arte e estilo de vida com os outros na esperança de que eles tenham as mesmas experiências ou que elas sejam ainda maiores. A estrada tem sido difícil, algumas vezes eu fico irritada com a forma que o esporte tem se afastado da virtude do respeito em direção do exibicionismo e do drama, e algumas vezes eu fico frustrada com a rapidez que o corpo pode entrar em colapso devido ao estresse e excesso de trabalho. Tuudo isso dito, eu não trocaria este caminho por nenhuma outra coisa, e para qualquer um que se sentir desanimado com seu lugar neste pequeno reino, saiba que você não está sozinho e o que quer que se proponha a fazer, você vai conseguir, apenas dê seu tempo e se esforce”.

Com críticas a encenações no meio do jiu-jitsu, como trash talkings, Dominyka deixou de certa forma implícito que ela não desistiu. Com apenas 20 anos e em seu primeiro ano como faixa preta, ela já havia vencido peso (superpesado) e absoluto no Mundial da IBJFF de 2015, tornando-se assim uma das maiores referências no jiu-jitsu feminino. Além disso, ela se destacou no cenário feminino pelo seu projeto“Equal Pay For BJJ”, que exige premiações iguais a homens e mulheres.

Em entrevista ao Flograppling, a atleta afirmou que está trabalhando para voltar às competições e que se interessa em fazer isso no futuro, mas que por enquanto ela está desiludida com alguns grandes campeonatos e completou: “Você precisa pagar para se inscrever nesses campeonatos, ter mais de cinco lutas em um período de uma hora e inevitavelmente, será esquecida se você não chegar às finais ou não fizer nenhuma luta empolgante. É um sistema que só recompensa alguns e não dá nenhum tipo de pagamento além de patrocinadores e essas coisas”.

Além disso, ela completou na mesma entrevista que no nível que ela se encontra, nem sempre o esforço faz valer o resultado e que, para ela “vale muito mais colocar o mesmo esforço em super lutas. Eu sei que eu posso ao mesmo tempo deixar meu corpo descansar, continuar dando aulas e ganhar dinheiro fazendo o que amo”.

No ano passado, Dominyka mudou-se para o Team Mushin para treinar com Erik Owings, faixa preta de Renzo Gracie, em Mantahhan. Ela também teve que se afastar de campeonatos por conta de uma cirurgia no ombro. A lituana ocupa o 14º lugar no ranking da IBJJF.

Fonte: Mayara Munhos

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Dominyka Obenelyte revela depressão e faz críticas à Federação e cenário atual do jiu-jitsu

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