Assédio nos tatames (parte 4): Também pode ser moral

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Clique nos links para ler os capítulos anteriores do especial:

Parte 1 – Introdução
Parte 2 – A culpa não é da mulher
Parte 3 – Dentro ou fora?

Na verdade a minha intenção era falar apenas sobre assédio sexual, mas muitas mulheres alertaram sobre um ponto, que falo um pouco em meu primeiro texto sobre machismo:  o assédio moral. Portanto, quando eu montei as perguntas da pesquisa, como não havia pensado no moral, acabei não acrescentando. Mas venho aqui mostrar o resultado de “como foi o assédio?”.

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O assédio moral parte da dúvida quanto à capacidade de uma pessoa, no jiu-jitsu isso acontece quando alguém fala algo como “vou rolar com ela porque ela é menina e quero descansar”.

"Alguns rapazes nos inferiorizam por sermos mais fracas e mais delicadas. Tem um faixa roxa na minha equipe que nunca treinou comigo e ele fala que não treina com mulheres porque não vão acrescentar nada ao jogo dele, fora esse sempre tem um comentário sobre descansar rolando com uma garota, posturas grosseiras de homens vazios, que têm medo do quanto uma mulher pode evoluir e se tornar o que quiser, mesmo no jiu-jitsu."

Esse tipo de julgamento de capacidade pode até virar uma forma de bullying.

"Tive decepções com meu antigo professor, depois de faixa preta ele virou outra pessoa e troquei de academia por conta disso. Ele passou a ter posturas erradas como chegar atrasado, falar mal dos alunos e inventar histórias. Foram dois anos e meio, treinando todos os dias e me abdicando de tantas coisas… Sempre fui uma aluna empenhada e ver seu professor dizer que me graduou ‘por dó’, dói.  Hoje estou treinando em outro time, mas dentro da mesma equipe. Mas sonhava tanto em receber minha faixa sendo amarrada pelo meu mestre como sonhava em ser a primeira faixa preta dele. Tinha respeito e admiração. E tudo isso foi pelo ralo. Me sinto meio ridícula e às vezes penso em parar."

Falando em relação ao “vou descansar com ela porque ela é mulher”, o que costuma acontecer bastante no meio do jiu-jitsu são os homens não aceitarem perder para mulheres (na verdade rola na vida, e o jiu-jitsu é só mais um meio). Isso, infelizmente, causa um constrangimento muito maior do que apenas mental, mas também pode causar sérias consequências físicas, já que não temos como negar: o homem é geneticamente mais forte do que uma mulher, já que ele produz algo chamado testosterona que compõe timidamente o corpo feminino, em números quase insignificantes quando comparada à quantidade presente no corpo masculino. Sendo assim, os caras acabam vindo para cima na intenção de se saírem melhor e abusando de sua força, em uma verdadeira guerra dos sexos sem sentido, pois se esquecem que o jiu-jitsu foi criado para o mais fraco ganhar do mais forte.

Isso me fez lembrar um vídeo engraçado que ilustra um pouco essa coisa de técnica superior. A Mackenzie Dern, na época faixa marrom, esteve num programa de televisão japonês sendo desafiada a confrontar um faixa preta de judô. Algumas pessoas do judô costumam treinar jiu-jitsu e vice versa, mas para quem não é dos dois lados, o fato é que o judoca tem desvantagem no chão e o jiu-jiteiro, em pé. Nesse vídeo, Mackenzie deu um trabalhão para o judoca e, nitidamente, ele fica um pouco incomodado em alguns momentos da luta e quer se aproveitar de sua força.

Mas muitas vezes o cara não sabe o que faz e acaba mesmo machucando a menina usando demasiada força. Eu falo um pouco disso também no texto sobre machismo que citei no início.

Há um colega de treino que várias meninas tiveram problema com ele. Além de discursos machistas (…), comigo aconteceu um episódio que me traumatizou: (…) Durante um treino, tive que fazer um rola com ele. Ele me finalizou com um estrangulamento na montada. Após isso, ele começou a explicar com certa brutalidade o porquê eu fui finalizada. “Se você fica olhando para cima, pega o seu pescoço” e nisso ele me estrangulava a ponto de tossir; “Agora se você virar o rosto (e empurrava o meu rosto contra o tatame com força), aí não pega!”. Ele repetiu isso umas três vezes, me estrangulando com uma força desnecessária, já que ele estava fazendo uma demonstração e não lutando. Depois desse episódio, eu fujo dele no tatame. Nunca mais quis rolar com ele.

E mais: quem nunca passou por uma situação do cara pedir para parar a luta bem durante aquele golpe primordial que você estava aplicando que atire a primeira pedra! Você está lá, no ápice de seu rola, chega naquele tão esperado arm lock e o cara para: “viu, deixa eu te mostrar como você encaixa melhor”.

Também é comum uma mulher finalizar um homem e no final ele falar “nossa, eu estava cansado”. Aham, querido. Mérito do seu cansaço, mesmo. Mas percebam que toda academia tem o cara que não rola com mulher. A desculpa: se sentir desconfortável. Desconforto por quê? No jiu-jitsu somos todos iguais. Será que é isso mesmo?

O que também acontece é que há simplesmente os caras que não acreditam nas meninas, sejam eles professores ou alunos. Estando lá, temos um objetivo em comum. Somos minoria, mas não precisam nos assustar por estarmos ali. Queremos a mesma coisa e vamos chegar tão longe quanto (ou até mais) que vocês.

Ah, e uma vez falei também aqui sobre a Monique Elias ser toda vaidosa e treinar, porque eu acho engraçado que a galera pensa que as meninas do jiu-jitsu não têm o direito de se arrumar. Isso parte justamente da ideia de que, para ser dura e forte é preciso chegar o mais próximo possível do que são os homens, daí eles esperam que nós possamos negar tudo que é do universo feminino. Uma coisa não exclui a outra!

Brincadeiras de mau gosto e piadas machistas são coisas muito comuns que muitas vezes acabam virando normal (…) Já ouvi de um mestre bem próximo que só dá aulas para mulher porque não pode dizer não. Uma vez em um rola, o meu oponente usou muita força. Quando reclamei, ele me mandou ir para o salão de beleza porque ali era lugar de homem. (…)

Nós vamos ao salão de beleza, sim, mas isso não significa que não podemos treinar por conta disso. Podemos ser o que quisermos, e então se quisermos treinar depois de fazer uma escova, nós podemos. Ou se quisermos sair do tatame, tomar um banho e colocar um vestido maravilhoso e salto alto, também podemos. Não somos piores no jiu-jitsu por sermos vaidosas ou arrumadas e comentários desse tipo nos incomodam. Bem como aqueles comentários, do tipo “Quer moleza, vai fazer ballet”, sabe? – Amigo, vai lá fazer uma aula de ballet e depois você conta pra gente.

"(…) Mostrei nos treinos que não estava ali por modinha ou para ficar olhando físico dos caras, eu treinava pesado como eles e era caladona na minha, então numa noite rolando tinha dois rapazes quando comentaram pra todo mundo ouvir que eu era sapatão. Fiquei muito mal com isso. (…) Eu estava muito bem nos treinos sempre fui muito competitiva e dava o meu melhor, tinha me apaixonado pelo Jiu-Jitsu e já tinha perdido 10kg  em pouco tempo, mas com tudo isso decide parar e não procurar outra academia por conta do que já passei (…)."

Pois é, muitas vezes temos que engolir o choro, porque quando parte de nós ele é interpretado como uma demonstração de fraqueza. Quantas vezes ainda teremos que ouvir “tô rolando igual menininha hoje”? Algumas pessoas não falam por mal, elas realmente não têm nada contra nós, mas, por viverem em uma cultura em que falar isso é normal, acabam repetindo frases desse tipo sem se darem conta do significado (e, aos desavisados: o significado é de que mulher é frágil e fraca). Faz parte da nossa desconstrução lembrar-lhes que não somos uma massa única com ações e reações iguais, por isso “como uma garota” não deveria ser algo ruim.

Segue também esse por caminho o fato de termos que fazer algo sempre de forma primorosa para que sejamos reconhecidas. No jiu-jitsu, não podemos perder, não podemos ser finalizadas e não podemos desistir sob pena de sermos tachadas de fracas e ouvirmos que “mulher é assim mesmo”. Enquanto os homens, nessas mesmas situações, podem facilmente ter qualquer atitude. Temos que nos provar merecedoras inúmeras vezes mais, para que possamos, então, pertencer àquele lugar.

Mas, claro, temos as exceções e mais pra frente vou publicar um vídeo aqui com o direito de defesa masculino, hahaha porque por sorte temos homens sim que reconhecem o girl power!

Quem aqui é sexo frágil, minha gente? Caso tenham dúvidas, é só cair pra dentro, hahaha.

Bora para os treinos e semana que vem temos o último texto sobre esse assunto chato, porém necessário. Vamos falar sobre como denunciar. Até lá!

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Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #01)

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Depois da série com o Lucas e o Kaynan, lá da Atos HQ, foi a vez de conversar com a Angélica Galvãoque tem grande responsabilidade na conquista do título Mundial da Atos e em manter a equipe em pé.

Angélica é faixa preta, tem 31 anos e é casada com o professor André Galvão. Juntos, eles tomam conta da Atos Jiu-Jitsu com muita responsabilidade, e os frutos estão sendo colhidos. Infelizmente, não vemos mais a Angélica competir, mas podemos vê-la "behind the scenes", liderando a equipe.

Neste primeiro vídeo, a atleta e agora empreendedora conta algumas coisas como a dor da sua lesão, que a manteve fora das competições, mas por outro lado, que a inseriu no mundo business. Também diz como é a administração da equipe, fala sobre alguns objetivos e também conta se a Atos recruta ou não atletas, que é uma dúvida de muitos. 


Por trás de um grande time, sempre existem grandes pessoas. 

Na próxima semana, o desfecho do bate papo com ela!

Inscreva-se inscreve aqui no meu canalpara acompanhar tudinho.

Fonte: Mayara Munhos

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Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #01)

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Já imaginou dar aula de jiu-jitsu para mulheres na Arábia Saudita? É o que faz uma brasileira de 22 anos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Larissa e suas alunas
Larissa e suas alunas Larissa Madruga

Outro país, outro continente, outra cultura, outro idioma e costumes completamente diferentes: Arábia Saudita. É lá que a Larissa Madruga dá aulas de jiu-jitsu para mulheres. 

Mas como será que é viver em um país em que as mulheres são tratadas de uma maneira tão diferente do Brasil? 

A Larissa tem 22 anos, dá aulas na Arena Heroes em Jeddah e é a primeira mulher faixa preta de jiu-jitsu da Arábia Saudita.

Há algum tempo, Larissa divulgou num grupo de jiu-jitsu feminino que a Arábia estava recrutando brasileiras para dar aulas, porque a turma feminina começou há pouco tempo, mas já tomou proporções imensas e ela já não dá mais conta de dar aulas sozinha. Surgiram muitas dúvidas em relação a tudo e ela me contou tudinho sobre o país e sobre como é viver lá. Então, decidi dividir em algumas partes para ficar mais fácil. Let's go!

CONHECENDO A LARISSA

A Larissa é brasileira e tem uma história bem legal. Ela é do tipo "deixo a vida me levar" mesmo e é por conta disso que está onde está hoje.

Ela treina jiu-jitsu desde os três anos de idade e seu pai também é professor. Ela conta que sempre quis muito competir, mas que seu professor não incentivava muito as competições. Por isso, seu pai começou a se empenhar e se especializou nisso para poder levar a filha para todos os campeonatos imagináveis.

Ela foi ao seu primeiro Mundial na Califórnia e começou a se preparar para morar lá.

"Eu fui, decidi que era o que eu queria fazer da minha vida! Minha família não apoiava completamente, só eu e meu pai acreditávamos que o jiu-jitsu podia dar em algo bom. Então, nos programamos e eu me mudei para os Estados Unidos. Treinava na JACO, fiquei lá por um tempo e ia e voltava para o Brasil por causa do visto".

Ainda morando nos EUA, surgiu a oportunidade para que ela desse aula em Abu Dhabi, por meio da Palm Sports. E fez a entrevista, mas não conseguiu. "Alegaram que eu era muito nova já que era para trabalhar em base militar. Eu tinha 19 anos e não era faixa preta ainda, mas fiquei bem chateada", contou Larissa, que vai fazer dois anos de faixa preta em abril deste ano. 

Em seguida, apareceu a oportunidade de dar aulas no Bahrain, por meio de um amigo da família, e ela foi.

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DANDO AULAS NO BAHRAIN

"Ele disse que precisava ou de um casal ou de um pai e uma filha, já que era para ambos viverem juntos e a cultura do país não permite que duas pessoas que não tivessem ligação de parentesco vivessem juntas. Conversei com meu pai, que nunca tinha pensado em sair do Brasil, e ele topou, já que o Brasil estava numa situação complicada. Eu ainda estava nos Estados Unidos na época, mas larguei tudo e fui pelo meu pai, para dar a oportunidade de ele conhecer uma vida nova. Achei que era algo do destino"

Já no Bahrain, ela conta que o salário era bom, mas não maravilhoso, e também destaca que no início foi muito complicado. "Fiquei desempregada, só conseguiam pagar meu pai. Fui para outra academia, mas não para dar aulas de jiu-jitsu, e sim de boxe, e depois fui conseguindo outros trabalhos". 

Ela também contou que só neste ano sua situação está estável, mas que até então foi algo difícil, por mais planejado que estivesse.

"As pessoas acham que a gente já vem com tudo planejado e que tudo é incrível desde o início. Mas os planos, às vezes, vão por outros caminhos e a gente não pode prever o que vai acontecer".

Diante desse cenário, Larissa começou a ter muitos seguidores nas redes sociais e foi na Internet que a academia atual da Arábia a encontrou. "Me encontraram, fizeram a entrevista e eu aceitei, apesar de ser um grande desafio."

A VIDA NA ARÁBIA SAUDITA

Larissa diz que é uma vida um pouco complicada para quem mora fora do condomínio. Explicando sobre o condomínio: é como se fosse uma "cidade" dentro de Jeddah, em que prevalecem as leis dos expatriados e é onde ela mora. Lá, tem gente do mundo todo e fora dele, você precisa seguir à risca as regras da Arábia Saudita e, para quem não está acostumado, é muito complicado. A parte ruim do condomínio é que é bem caro.

"Apesar da Arábia ter muitos problemas em relação a cultura, decidi botar a cara e as pessoas perguntam se tenho planos, quanto tempo vou ficar aqui e eu não sei. Pode ser que daqui um ano eu receba uma proposta no Japão e queira ir. A vida é isso aí mesmo".

Sobre o recrutamento de mulheres para trabalharem com ela, surgiu porque o programa na Arena Heroes, apesar de ter apenas seis meses, já conta com cerca de cem crianças e ainda há fila de espera. "Eu preciso de ajuda para abrir novas classes. Já dou quatro aulas por dia, para crianças de 4 a 16 anos. A turma das adultas não firmou ainda, só no boxe."

Ela avisa que as vagas já estão fechadas e que foram recrutadas duas brasileiras, sendo uma faixa marrom e outra faixa roxa, mas que caso ainda hajam interessadas, não é para desanimar porque é provável que ainda neste ano abram mais vagas.

Larissa tem um canal no YouTube, o Larissa Madruga TV, em que ela conta e mostra como é a vida lá e tira também algumas dúvidas. Vai lá para se inscrever e para saber muito mais sobre a vida na Arábia.

Seu último vídeo conta porque ela é feliz lá e vale a pena ver e conhecer também suas alunas (que são fofas demais).


O QUE VOCÊ PRECISA PARA IR PARA A ARÁBIA?

Larissa recebeu diversos e-mails, com diversas dúvidas e destacou três coisas muito importantes em que você deve se ligar caso queira ir para lá. 

Esteja em uma equipe de renome.

"Se você me falar de onde vem, eu vou saber quem é o professor, vou pesquisar. A gente entra em contato com ele, para saber qual sua linhagem e se você vem de um lugar de referência. Senão, não vai rolar".

Fale inglês!

Não, não precisa falar árabe. Mas inglês é fundamental, já que é o idioma em que as aulas são ministradas. "Muita gente estava apta a vir, mas não tinha inglês. Sem inglês, realmente não tem como vir".

Tenha passaporte em mãos.

O mínimo que se deve ter quando você deseja sair do Brasil, é o passaporte, independentemente se for para a Arábia ou não. "Muita gente que me contatou não tinha nem passaporte. Então, se você não tiver um passaporte, já fica mais complicado porque além disso, tem toda documentação e visto para tirar. Já tendo o passaporte, facilita."

E ela também anima que todas as que mandaram e-mail, estão guardadinhas de coração para um próximo processo seletivo.

Imagine dar aula para essas fofuras?

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Fiquem ligados no meu Instagram e no da Larissa porque estamos planejando fazer um live esclarecendo mais dúvidas sobre esse lance de migração. Então, podem me mandar perguntas por direct que vamos responder tudinho!

E também não se esqueçam de se inscrever no Larissa Madruga TV e claro, no meu canal (que tem vídeo novo hoje)!

Até semana que vem.

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Ano Novo, objetivos novos (ou nem tão novos): vamos falar ainda mais de jiu-jitsu?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Olá, pessoas! Primeiro post de 2018 e... Tenho tentado me focar em produzir cada vez mais conteúdo. 

Eu sempre tive um canal no YouTube, sem muito planejamento e muito menos divulgação, mas o objetivo era mesmo colocar meus vídeos lá e trazê-los aqui para vocês. Mas vi que as pessoas gostam mesmo de vídeos, por mais simples que sejam. Acho difícil manter um canal no YouTube por conta de tempo mesmo, mas vou me esforçar para gravar mais e mandar ver.

Quando programei minha viagem de férias para os EUA,  fui na intenção de gravar algumas coisas sobre assuntos que considero relevantes no meio do jiu-jitsu e são pouco falados publicamente.

Hoje divulgo aqui o primeiro vídeo dessa saga, onde gravei com o Lucas Hulk e o Kaynan. Os dois são atletas brasileiros, que treinam na Atos e vivem em San Diego. No primeiro episódio, falamos sobre o visto americano deles! Muitos atletas aqui do Brasil têm a intenção de migrar para os Estados Unidos por diversos motivos, mas não é tão fácil e também não é bacana se manter lá de uma maneira ilegal, principalmente se você procura ser um atleta profissional. 

Os meninos deram várias dicas de como planejar isso para nada dar errado. Vejam aí:


E se liguem que o próximo vídeo sai quinta-feira (04/01) e em seguida, tem mais, na terça (09/01) e na quinta (11/01).

Até a próxima!

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Veja tudo o que rolou no V Camp Feminino de Jiu-Jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Coração da Michelle Nicolini
Coração da Michelle Nicolini Mayara Munhos - BJJ Fórum


Nesse final de semana, foi realizado na The House Fight Company, em Santos, pela quinta, vez o Camp Feminino de Jiu-Jitsu, organizado pela campeã mundial Michelle NicoliniA intenção do camp é juntar muitas meninas e promover o jiu-jitsu feminino e, por isso, todas elas se encontraram durante sábado e domingo para treinar.

Conversei com a Michelle, que me contou que a ideia surgiu pelo fato de ela ver que fora do Brasil isso ocorria com frequência e aqui, não. E então, ela decidiu criar anualmente uma edição, que só está crescendo. 

Até hoje, todas as edições foram realizadas em Santos, mas para os próximos anos, o objetivo é levar para outros lugares do Brasil, para que o máximo de mulheres possam aderir. Dica: a ideia, no ano que vem, é que role num hotel fazenda. 

Além da Michelle, também estavam presentes as professoras Priscila Prandini, primeira faixa preta de jiu-jitsu formada por Michelle, a Ana Carolina Vieira, com quem eu já fiz uma entrevista aquiNika Schwinden, faixa marrom de Curitiba, e Thamires Aquino, que também já passou por aqui.

E junto dessas mulheres incríveis, estavam presentes mais cerca de 50 outras mulheres incríveis.

Realizei a cobertura do evento através do site BJJForum. E claro, aproveitei para fazer um vídeo para vocês! Sem spoiler, assistam aí! 


Em breve, as fotos estarão disponíveis na página do Facebook do BJJForum. 

É só seguir, clicando aqui!

Vamos aguardar que no ano que vem tem mais! 

Oss.

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Conheça a história de Andressa Cintra, atleta da Checkmat que aos 22 anos já é faixa preta de jiu-jitsu

Mayara Munhos
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Andressa Cintra é a mais nova faixa preta da nova geração: com apenas 22 anos, a atleta da equipe Checkmat teve sua faixa preta amarrada na cintura pelo seu professor Sebastian Lalli depois de lutar o Sul Americano em São Paulo e se consagrar vice-campeã em sua categoria e campeã no absoluto. Ela tem sempre se destacado nas competições e me impressionou o fato de que passou muito rápido e foi completamente meritório. Por isso, conversei com ela para conhecer um pouco mais de sua história no jiu-jitsu.

Ela começou a treinar aos 15 anos em Campo Mourão (Paraná). A busca pelo esporte foi por ser muito agitada e querer se acalmar. Andressa conta que, de imediato, não conseguiu fazer nada e achou tudo muito estranho.

“Vi uma amiga minha na academia onde eu dançava fazendo uma aula em que homens ficavam rolando e se agarrando (hã?!): o jiu-jitsu. Decidi combinar com ela de fazer uma aula para não me sentir muito deslocada. Não consegui fazer nem um rolamento de frente na primeira e ficava indignada como era difícil fazer um armlock. Voltei na outra aula e ainda não consegui fazer nada (risos). Foi aí que fui motivada pelo próprio jiu-jitsu a continuar, pois achava muito difícil executar qualquer movimento e eu precisava aprender aquilo. Estou tentando até hoje!”

Andressa ainda na faixa branca
Andressa ainda na faixa branca Reprodução/Facebook

A faixa preta conta que o jiu-jitsu mudou o foco de sua vida completamente e que a fez uma pessoa melhor: antes ela não levava os estudos a sério e era uma pessoa rebelde, mas o esporte a disciplinou e, hoje em dia, até a mãe pratica exercícios físicos por sua influência. “Minha mãe era sedentária e começou a praticar exercícios físicos e agora ela parece ser mais nova que antes. Treina todos os dias musculação, funcional, me chama pra correr nos domingos, sete da manhã, vê se pode? (risos)" 

Em relação a cobranças, Andressa confirma que se cobra muito, mas por outro lado, quanto mais se cobra, mais difícil as competições ficam e por conta disso, tenta pegar leve com as cobranças internas para conseguir um resultado melhor.

“Desde que pratico o jiu-jitsu, treino muito, me cobro muito, mas sempre competindo, conquistando um título aqui, outro ali, perdendo algum lá... como sempre acontece. Sempre que me cobro demais, não tenho um bom resultado. Mas se eu faço o que precisa ser feito, treino muito, chego na competição com a intenção de lutar jiu-jitsu, fazer o que aprendi e dar tudo de mim naquele momento. Sem me preocupar com a vitória, eu tenho o melhor resultado que poderia. Eu vivo uma pressão interna todos os dias, nos treinos, nas superstições, em tudo o que eu faço. Todos nós que vivemos o jiu-jitsu queremos vencer, mas em cada categoria só sai um campeão. É difícil batalhar duro e perder. Mas aprendi que mais importante que a vitória é o caminho percorrido. Se eu fizer a minha parte todos os dias, constantemente, acreditar em mim, ter fé em Deus, posso superar expectativas!”

Em uma de suas lutas do Sul Americano
Em uma de suas lutas do Sul Americano ARENA JIU-JITSU

Ela reconhece que é difícil viver do jiu-jitsu e também que vê muita gente boa por aí tentando essa vida e seguindo sem patrocínio. No começo, queria viver do esporte e não sabia como, mas aos poucos foi se consolidando. “Vivo o jiu-jitsu e não sei o que seria sem ele.”

Andressa viveu de muitas fases e já morou em diversos lugares e, por conta disso, já passou por algumas diferentes equipes. Teve a oportunidade de vir para São Paulo, onde morou durante seis meses numa academia e depois de um tempo, mudou de bairro e de academia também.

“Todos os lugares pelos quais eu passei fiz muitos amigos, pessoas me acolheram e me ajudaram. Sou muito grata a todos que passaram pela minha vida e me ajudaram de alguma maneira. Não foram poucos”

Sul Americano: vice-campeã no peso e campeã no absoluto.
Sul Americano: vice-campeã no peso e campeã no absoluto. Instagram @andressacintrajj

Andressa não sabia que seria graduada no Sul Americano e contou que era um sonho receber sua graduação no pódio desde a faixa azul. A ficha só caiu de que era isso mesmo quando ela foi lutar o Mundial da IBJJF, na Califórnia, e foi parada em sua primeira luta por um empate. “Aquilo me fez crescer muito. Dizem que na derrota só perdemos, mas eu não concordo. Volto para o treino e corrijo meus erros com meu mestre, para acertar e melhorar. Se não fosse aquela derrota, eu não teria acreditado tanto quanto eu acredito hoje”.

E claro, a questionei sobre a pressão da faixa preta, mas ela afirma que ainda não pode me responder com tanta certeza, já que a ficha não caiu (risos). Ela disse ser um sonho realizado e, para quem não acredita que pode chegar lá, incentiva. “Todos nós conseguimos se quisermos. A faixa preta é onde começa o jiu-jitsu profissional, e eu estou muito animada pra viver essa fase”. 

Com isso, ela está motivada a treinar com mais qualidade e corrigir seus erros, já que na faixa preta corre o risco de cruzar com meninas que já estão na categoria há anos. “Na faixa preta, não se pode errar. Nas outras, também não. Porém, na preta, encontramos atletas que já estão lá há anos, com uma experiência e bagagem enormes. Agora é a hora que começa realmente o trabalho mais duro do que já fiz em toda minha vida! Com disciplina, posso chegar aonde eu quiser e eu vou chegar.”

A felicidade da faixa preta!
A felicidade da faixa preta! ARENA JIU-JITSU

E todas nós podemos! Andressa está há sete anos treinando duro, passou por diversas fases e equipes e, hoje, se vê na elite do esporte. Por que não você?! Andressa é mais um exemplo da importância da representatividade no esporte e tenho certeza de que inspira muitas mulheres por aí (inclusive eu).

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Conheça a história de Andressa Cintra, atleta da Checkmat que aos 22 anos já é faixa preta de jiu-jitsu

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O que a nova geração de mulheres no jiu-jitsu tem a nos ensinar?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Bia Mesquita x Dominyka Obelenyte - Worlds 2006
Bia Mesquita x Dominyka Obelenyte - Worlds 2006 Gracie Mag

Na verdade, as mulheres da nova geração não tem só o que ensinar, mas elas são inspiradoras e nos representam.

Depois de ter escrito a história da Thamara, recebi muitos feedbacks positivos e vi o quanto as meninas se inspiram nela: uma faixa marrom de apenas 21 anos. E então, eu parei para pensar quanta mulher inspiradora a gente tem no meio do jiu-jitsu e que precisamos urgente tirar proveito disso.

Em 2006, a primeira vez que pisei em um tatame, minha referência externa era Kyra Gracie. Quando comecei a treinar, ela era recém faixa preta e isso era realmente inspirador. Porém, para mim, era impossível chegar à faixa preta. Eu não tinha nenhuma mulher que treinasse comigo, além de faixa azul. Não tinha nenhuma mulher onde eu morava, na época, interior de São Paulo, que fosse faixa preta. E na minha cabeça, a Kyra era faixa preta por questões familiares: ela treinava, sim. Tinha todos os méritos, sim. Mas, por ser da “Família Gracie”, achava que não passava de um costume e que ela havia alcançado a preta não só por dedicação, mas por ser algo hereditário. 

Mal sabia de toda sua história, do machismo que tinha sofrido dentro de sua própria família por ter decidido praticar jiu-jitsu e de todos os títulos em sua trajetória. Internet, na época, não trazia muita informação. Então, eu não sabia da existência dessa velha guarda como Hannette Staack, Leka Vieira ou Letícia Ribeiro. E ainda que soubesse, eu acredito que meu objetivo dentro do jiu-jitsu não teria mudado: eu queria pegar a faixa azul, porque a faixa preta era inalcançável por mulheres “comuns” como eu.

Depois de seis anos longe dos tatames, voltei e percebi que esse mundo feminino tinha mudado. As chaves dos campeonatos já não eram mais tão vazias. Eu não necessariamente iria a um campeonato sabendo que traria o ouro por W.O. As mulheres que treinavam comigo no interior, já eram faixas marrons ou pretas. E as que treinavam desde 2006 e eu nem fazia ideia porque não tinha acesso, também. E mais que isso, eu tinha exemplos de faixas marrons e pretas perto de mim, dividindo o mesmo tatame. 

O mundo do jiu-jitsu feminino ia muito além da Kyra Gracie. Cai na real que meu objetivo não era “só” a faixa azul depois que recebi meu primeiro grau nela. Eu estava mesmo evoluindo e estava decidida que também seria preta um dia (e serei).

Hoje, nós todas temos em quem nos inspirar e para isso, usamos a palavrinha mágica representatividade. Digamos que esses anos todos de trabalho da velha guarda serviram para o new school não pegar tudo pronto, porque está bem longe de termos o nosso território 100% demarcado no jiu-jitsu, mas de ter coragem de seguir em frente e ver que a faixa preta não é só um sonho e nem é só realidade na vida dos homens. Porque homem, faixa preta, professor, é muito fácil de encontrar. Toda academia de jiu-jitsu que você entra terá um professor faixa preta. Mas a partir do momento que você vê que quem domina é uma mulher, você percebe o quanto uma grande graduação é possível, desde que você se dedique.

Hoje, nós podemos ir a um campeonato, ainda que em nível regional, e ver mulheres como Bianca Basílio lutando. Podemos pagar um seminário na nossa cidade e ter uma aula com a Tayane Porfírio. Podemos acessar as redes sociais e ver um vídeo de posição gravado de celular pela Luiza Monteiro. Ou então, podemos assistir o dia-a-dia de uma atleta faixa preta, como Monique Elias faz em seu stories no Instagram. Podemos acompanhar em tempo real os treinos femininos (ou não) da Angélica Galvão lá na Califórnia, só com um clique. Como também podemos ver que, pelo mundo, existem turmas exclusivamente femininas se formando cada vez mais. E por que eu estou falando tudo isso? Porque isso nos representa e nos mostra que também podemos ir longe.

O que antes precisávamos esperar a grande mídia mostrar, hoje temos nas palmas de nossas mãos. E isso significa que o jiu-jitsu está se propagando, tornando-se mais acessível, mostrando que toda mulher pode sim chegar a uma faixa preta e que a graduação não é alcançável apenas por homens, ainda que eles sejam a maioria.

Com tudo isso, nós podemos enxergar que a Kyra não é faixa preta “só” porque é da família Gracie, mas porque ela batalhou por isso, como todas nós, mulheres comuns, não advindas de famílias tradicionais.

Mulheres que saíram de academias de garagem, hoje estão construindo sua história e chegando a um campeonato mundial. E é muito importante enxergar que, embora você ainda não esteja lá, caso você deseje estar, não é impossível: você consegue sim.

E devemos muito desse “saber que podemos, conseguimos e vamos chegar”, a essas mulheres maravilhosas que são detentoras de grandes títulos.

Esses dias, depois de um treino, uma menina que começou treinar há pouco tempo em um projeto social da igreja, veio até mim para tirar uma foto e disse: “Nossa! Que faixa linda! Eu quero chegar nela um dia”. Eu sou apenas faixa roxa, mas creio que eu tenha sido a mulher mais longe de uma faixa branca que ela já viu. E eu, sem reação, mas muito feliz, respondi: “você vai chegar nela um dia, é só não desistir”. 

Eu queria ter falado muito mais, porque eu acho muito importante falar para quem está chegando coisas que não tivemos oportunidade de ouvir quando começamos a treinar. Mas mal sabe ela que meu pensamento quando vejo mulheres como Beatriz Mesquita levando tudo nos campeonatos, eu penso o mesmo que ela pensa de mim.

Eu queria poder citar aqui todas essas mulheres que nos representam, mas embora tenha citado só algumas, essa lista vai muito além! Que sempre tenhamos força para continuar, que nunca deixemos a peteca cair, que a gente dê cada vez mais valor a quem está lá em cima nos representando e, acima de tudo, que a gente nunca desista. O nosso caminho está sendo trilhado e depende de nós mesmas para conquistarmos cada vez mais o nosso espaço.

 Ah, se interessou em entender melhor a representatividade? Você pode ler mais sobre ela (e jiu-jitsu ao mesmo tempo) nesse texto aqui: “Uma palavrinha sobre representatividade e por que ela nos importa”, escrito por Pamella Oliveira.

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O que a nova geração de mulheres no jiu-jitsu tem a nos ensinar?

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Faixa roxa de jiu-jitsu e única mulher na seleção, baiana de 22 anos é campeã mundial de MMA amador

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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O World MMA Amateur é o campeonato mundial de MMA amador, que pode abrir portas para eventos maiores e profissionais, como o Invicta e o tão conhecido UFC. Geralmente, a sede do campeonato é em Las Vegas. Mas neste ano, foi levado para a cidade de Manama, no Bahrein, e Michele foi a única mulher brasileira a embarcar com a seleção brasileira para disputar a competição. E além disso, foi a primeira luta dela fora do País.

Michele Oliveira é faixa roxa de jiu-jitsu, tem 22 anos, nascida em Conceição do Coité, na Bahia, moradora do Rio de Janeiro e atleta de MMA da Nova União.

Há um ano, ela revelava aqui sua transição do jiu-jitsu para o MMA. A atleta treinava na Cícero Costha, em São Paulo, e viu no Rio de Janeiro uma oportunidade para migrar para o MMA, tanto para ganhar dinheiro como, é claro, para sair na porrada, que era um desejo de Michele.

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Sua estreia foi em maio deste ano, pelo Shooto Brasil, e ela finalizou sua adversária com apenas 35 segundos de luta e parece que sua carreira deslanchou. 
Michele foi convidada a participar do World MMA Amateur e topou o desafio, lutando pelo pelo mosca (125lbs).

Estava em dia de sparring na Nova União e o meu mestre Dede Pederneiras pediu meu nome completo e informou que queria enviar uma pessoa para o Mundial, mas que não era nada certo. Dei meu nome, peso e deixei nas mãos de Deus. Continuei treinando como se tivesse certeza de que disputaria essa competição. Passei algumas semanas de ansiedade e no dia que estava descansando em casa recebi a ligação do meu mestre Oswaldo, que considero como pai, informando que eu estava confirmada no Bahrein. Uma das melhores notícias que poderia ter recebido!

Michele

Sua primeira luta na Arena Khalifa foi na última quarta-feira, e Michele venceu a irlandesa Dee Begley por nocaute técnico ainda no primeiro round.

A luta seguinte foi novamente vencida pela brasileira, dessa vez por uma finalização (katagatame) contra a romena Ghita Lulia Luiza.

Na semifinal, Michele cruzou com a húngara Alexandra Kovacs, que era favorita ao título, tendo em seu cartel 13 vitórias e sendo atual campeã mundial e bicampeã europeia. Mas a brasileira venceu por decisão unânime, avançando para a final.

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A decisão foi nesse sábado, e Michele venceu a irlandesa Danni Neilan por decisão unânime, dominando completamente os rounds e ficando com o título.

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Após a vitória, Michele fez uma publicação muito emocionada em seu Instagram.

E ao chegar no Rio de Janeiro, foi recebida de braços abertos pelo público.

Falando além da luta, perguntei a Michele como foi para ela ter ido a um país em que sabemos que fazem vista grossa às mulheres, e ela contou que foi orientada antecipadamente a não se comunicar com homens e que isso a deixou com receio, principalmente por sua falta de experiência. Mas contou também que aconteceu algo muito inesperado. 

Eles amam o povo brasileiro e a cada luta que eu vencia muitas pessoas me cumprimentavam, tiravam fotos, algo surreal. E pra finalizar, ao ser consagrada campeã, o Sheikh responsável por todo evento veio me parabenizar e ainda tirou uma foto comigo. Foi diferente de tudo que pensei.

Michele

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Para a comunidade feminina das artes marciais no geral, podemos considerar que Michele teve uma grande conquista, não só para ela mas para todas nós, que pode continuar abrindo portas.

A atleta aproveitou para contar que ficou muito realizada com o título, dando o melhor de si e impressionando-se com a repercussão de sua luta.

É difícil, pois nós mulheres ainda somos vistas com alguns bloqueios, mas o mundo está mudando e na arte marcial existem diversas mulheres importantes. Posso falar pois vim do jiu-jitsu e lá temos boas referências femininas. Eu tentei e dei o melhor de mim, não esperava que fosse repercutir de forma tão grandiosa. Quero fazer mais e mais para o meu País e para as pessoas que desejam o meu sucesso.

Michele

Michele com seu time.
Michele com seu time. WORLD MMA AMATEUR

E não há nada além de sucesso que possamos desejar à Michele, que tem planos e objetivos futuros muito maiores, sendo um deles manter-se firme no jiu-jitsu o quanto puder. E já está se preparando para competir o Campeonato Europeu, disputado todos os anos em Portugal, no mês de janeiro.

Estou aguardando uma nova oportunidade de lutar um evento tão grande quanto, mas desde já vou focar no Europeu. Eu amo o BJJ e sempre que puder quero participar de competições que antes eram mais difíceis pelas dificuldades que eu sempre passei. No MMA, agora vamos aguardar se farei mais lutas no amador ou se migro para uma estreia no profissional.  Isso vai depender do Dede, ele que manda.

Michele

E se antes as mulheres não eram levadas a sério no MMA, acho que a cada vitória e destaque só resta a Dana White rever cada vez mais seus conceitos de que mulheres não seriam recrutadas para os seus eventos. 

Que isso seja só o começo para a Michele! 

Obrigada!

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Faixa roxa de jiu-jitsu e única mulher na seleção, baiana de 22 anos é campeã mundial de MMA amador

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Ela superou depressão e medo de perder. Hoje, é faixa roxa quase marrom, mas já dá trabalho para as pretas

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Eu acompanho a Thamara desde quando ela era faixa azul, tendo em vista que quando eu peguei a minha azul, ela já era graduada há um ano e eu podia cruzar com ela em algum campeonato por aí. E vendo seu desempenho em competições, sempre me perguntava como ela conseguia conciliar estudo, estágio e, ainda por cima, treinar e levar ouro em tudo.

Hoje, ela é faixa roxa e sua graduação de marrom está prevista para esta semana. Mas acontece que ela decidiu se arriscar em alguns campeonatos já usando a faixa marrom e já tem confrontado atletas de renome. Então, eu decidi conversar com ela e entender de onde vem esse talento todo!

Thamara Ferreira, 21 anos, ex-estudante de direito e atleta da PSLPB Cícero Costha.

Ela estudava direito de manhã, fazia estágio à tarde e ia treinar às 17h, na época, na equipe Barbosa.  "Eu tinha uma rotina muito puxada. Chegou uma hora que perdi a bolsa do curso. Achei que não era o jiu jitsu me atrapalhando, mas sim a faculdade, porque eu estava tão ligada ao jiu-jitsu, que não aceitava nada me atrapalhar", contou. Isso aconteceu quando ela ainda era faixa branca, quando ganhou o Campeonato Paulista no peso e absoluto. Além disso, ela contou que enquanto estava na faculdade ou no estágio, pensava que podia estar na academia e isso a prejudicava muito. Até que um dia, ela decidiu largar tudo e correr atrás do sonho de viver do jiu-jitsu

"Chegou o momento de dizer aos meus pais que não queria mais aquilo, ainda mais que papai, na época, queria pagar a faculdade para mim, depois de ter perdido a bolsa. Conversei com eles, e eles não aceitaram de cara. Mas depois que bati o pé e fui atrás de tudo, eles viram que não tinha jeito. Era aquilo ou eu não seria feliz. Tranquei a faculdade, larguei o estágio, e só fui treinar. Economizei um bom dinheiro ali no estágio, e dava para pagar algumas coisas até eu me acertar na minha nova fase".

Nunca é fácil, mas aos poucos Thamara mostrou aos pais que era isso que queria e, hoje, eles a apoiam muito.

Thamara e suas parceiras da Cícero Costha
Thamara e suas parceiras da Cícero Costha instagram.com/thamarabjj

A mudança de equipe

Desde a faixa branca, Thamara treinava na Barbosa, mas foi na faixa azul e quando decidiu viver o jiu-jitsu que mudou para a equipe Cícero Costha.

Como tudo na vida, ela contou que a mudança não foi fácil, mas reconhece muito o valor da ex-equipe e de seu ex- professor, Marco Antônio Barbosa.

"A mudança foi complicada, há um tempo, estava pensando em sair. Foi uma equipe que me fez crescer muito, agradeço muito até hoje por tudo o que o Mestre Barbosa fez por mim, abrindo as portas pra eu treinar... E eu decidi sair"

Mas ao decidir sair, ela se viu sem equipe. Por conhecer muitas meninas de outros times, contou que elas a chamaram para treinar, mas ela decidiu que só optaria por uma equipe que a fizesse bem e que a fizesse se sentir em casa. "Eu treinei em várias, mas a Cícero foi onde mais me identifiquei." E lá está até hoje.

Ao se mudar, contou que ficou morando no TUF - que é o alojamento para os atletas da Cícero Costha. Na época, o TUF era misto e podiam morar homens e mulheres. Ela conta que tinha seu quarto com as meninas e que foi uma experiência ótima, em que ela aprendeu muito e que viu sua rotina mudar totalmente. 

Thamara e a faixa preta Cinthia Mizobe
Thamara e a faixa preta Cinthia Mizobe instagram.com/thamarabjj

"A gente tinha uma rotina puxada, fazíamos três treinos por dia. Era 40 minutos andando de casa até a academia. Treinávamos às 9h, 10h30 e meio dia, voltávamos para a casa, almoçávamos, íamos para a academia e nem tínhamos quem nos auxiliasse, fazíamos nosso próprio treino de musculação. A gente ia levando. Eu morava com várias meninas lá e foi uma época em que cresci muito de todas as formas. Lá vi muita coisa que me deixou com mais vontade ainda de seguir em frente. Eu vi menino bem novo não ter quase nada pra comer, sabe? Não tinha dinheiro pra comer, chegava no fim de semana, o menino ia lá e era campeão Sul Americano, Brasileiro... Eu parava, pensava que se eles conseguiam, eu também conseguiria. Na época, minha família passou a me ajudar e eu vi que dava para seguir em frente. Essa fase me ajudou muito

Sobre as pessoas que treinam e que moraram com ela, ela diz que as admira muito porque são amigas de verdade. "Um ajuda o outro. Se for para dividir o prato de comida, eles dividem. São realmente humildes".

A faixa marrom vem aí: mas ela já tem dado o que falar na marrom + preta

E apesar de a Thamara estar lutando de faixa marrom nos campeonatos, ela ainda é faixa roxa, mas ela vai ser graduada no dia 18 deste mês, próximo sábado. Ela lutou o primeiro campeonato de marrom e preta juntas em Los Angeles (Grand Slam) e sua primeira luta foi com a Baby, de cara a atual campeã mundial de sua categoria na faixa preta. "Me deixou bem nervosa", destacou a atleta.

Thamara x Baby, no Grand Slam em Los Angeles
Thamara x Baby, no Grand Slam em Los Angeles instagram.com/thamarabjj

Thamara perdeu e foi lutar a repescagem contra a Erin Herle, mas a vitória foi da americana e Thamara não medalhou.

"Eu sai de lá bem chateada, mas no outro dia estava enxergando de outro modo. Senti que poderia ir melhor nas próximas, só precisava treinar e melhorar minha cabeça e não havia motivo para ficar triste, sendo que era um campeonato grande com meninas experientes. O mais triste foi que travei nas duas lutas e não sabia muito bem o que estava fazendo"

Em seguida, ela lutou um campeonato não federado e venceu duas faixas pretas, entre elas, Ana Maria Índia, que além de faixa preta há anos é, também, atleta de MMA. 

Thamara no pódio contra as faixas pretas.
Thamara no pódio contra as faixas pretas. BJJ GIRLS MAG

Seu segundo campeonato grande foi o Grand Slam, dessa vez no Rio de Janeiro, no último final da semana. Em sua chave, só havia meninas de peso e para as quais ela já tinha perdido algumas vezes.

"Estava nervosa, mas dessa vez era diferente, estava confiante! E graças a Deus deu tudo certo, como eu planejei de verdade. Sem travar (risos), alegre e com vontade de ganhar, de deixar meu melhor ali. Se fosse para perder, que eu perdesse lutando."

Sobre o Grand Slam do Rio de Janeiro

Foi acompanhando as chaves que percebi que eu precisava expor essa mulher (hahaha). No último final de semana, rolou o Grand Slam da UAEJJF no Rio de Janeiro e as categorias femininas eram faixas marrons e pretas misturadas. Thamara estava lá, competindo com grandes nomes como Ana Carolina Vieira, Erin Herle e Renata Marinho. E ainda assim, chegou até a final, contra a Ana Carolina "Baby". 

Sua primeira luta foi contra Andressa Cintra, da Checkmat, que ela venceu pela quarta vez (elas já tiveram cinco confrontos) por 4x2, avançando para lutar contra a gringa Erin Herle (Alliance) pela segunda vez. Dessa vez, ela venceu por duas vantagens e foi para a final. "Eu fiz questão de representar o Brasil! Aqui não, risos" - conta - "Lutei mesmo de verdade, porque a primeira vez que lutei com ela eu não consegui me sentir bem, estava bem travada como falei. Dessa vez foi pra valer".

As lutas foram no sábado e as finais programadas para o domingo:

"É a segunda vez que luto com a Baby, é complicado explicar, eu gosto de lutar com ela, não de levar pressão risos. É alguém que eu acompanho desde quando comecei, parece que estou sonhando. 'Caraca, alguém me belisca, será que foi tão rápido assim eu da azul pra onde estou agora?!' risos. O tempo, para mim, passou muito rápido. Lutar com meninas de grande influência me deixa muito ansiosa e faz com que eu me dedique ainda mais para tudo continuar dando certo".

Sua luta contra a Baby, este final de semana.
Sua luta contra a Baby, este final de semana. UAEJJF

Thamara ficou com o vice, após a vitória da Baby por um estrangulamento na final. Uma luta bem dura entre as duas!

Durante o campeonato, Thamara publicou em seu stories no Instagram um pedido de desculpas pela explosão de emoções no sábado e ela aproveitou para expor o motivo.

"Foi uma surpresa tão grande que toda luta que eu terminava, eu chorava. Parecia uma menina depressiva. Toda luta que eu fazia eu chorava. Eu agradecia. Eu estava com tanta vontade, que não conseguia expressar meus sentimentos na hora. Dava vontade de chorar de felicidade, meu Deus do céu, era tudo misturado"

E sem dúvidas, a emoção foi gigante e muitas vezes nem conseguimos nos expressar em palavras. No final, ela contou que está muito satisfeita com seu desempenho e que só está com mais e mais vontade de treinar e vencer.

"Foi incrível, eu já estava muito feliz por estar ali na final. Meu segundo campeonato grande de marrom e tudo deu certo como um dia eu pedi a Deus, fazer uma final dessas. Eu lutei muito bem, me soltei bem na luta, fiz guarda o tempo todo, o que eu gosto muito de fazer. Me sinto bem fazendo guarda, mas ela é passadora nata, precisava estar um pouco mais preparada e menos solta. Não posso vacilar me abrindo tanto, com a Baby então, nem um pouco (risos). Mas estava tão feliz e confiante, que não liguei em arriscar, em me soltar. Queria mesmo era lutar alegre e deixar o meu melhor ali no momento. Mostrar a muitas meninas que dei muitos passos para trás, perdendo na minha faixa roxa inteira, e olha onde estive! Tudo é possível!"

1º Lugar: Baby; 2º Lugar: Thamara; 3º Lugar: Renata Marinho. Categoria até 70kg
1º Lugar: Baby; 2º Lugar: Thamara; 3º Lugar: Renata Marinho. Categoria até 70kg instagram.com/thamarabjj

Planos futuros e objetivo

Thamara tem muitos motivos para estar feliz, já que passou por momentos complicados durante a faixa roxa. Ela passou por um quadro de depressão, que foi onde teve muito medo de lutar e perder, mas hoje, já vem superando a má fase.

"Deus faz tudo perfeito. Eu sinto que estou chegando cada vez mais perto de tudo o que sonho. Não por ter ganhado de pessoas com grande influência, mas por voltar a lutar bem, depois de passar por alguns momentos difíceis na roxa, como depressão, medos absurdos de lutar e perder. Sendo que derrota sempre fará parte da nossa vida de atleta. Mas tudo isso foi muito importante para mim. Hoje, não tem medo de perder para ninguém, pois sei o quanto isso me ajudou um dia a entender o quanto preciso acreditar ali dentro. E se eu quero isso, eu vou conseguir, é só questão de tempo. Não temo mais nada"

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O melhor de tudo é que ela se sente muito bem e que está muito feliz. Não há nada mais lindo do que ver uma mulher, tão nova, com tantas conquistas em seu currículo, estar inspirada a mostrar para outras mulheres que nós também podemos.

"Sempre esperei por esse momento, me preparei demais para isso. Dizem que tudo acontece na faixa marrom, estou preparada para viver momentos incríveis e ganhar muitas coisas. Para mim, a responsabilidade não aumenta, o que aumenta é a vontade de sair na mão e ser uma referência também um dia, isso sim. Quero mostrar a muitas meninas que conheço, que todas nós podemos, só é preciso trabalhar duro e querer mais do que qualquer um."

Sobre ser referência um dia: Thamara, considere-se referência. Oss e que a história dela sirva de inspiração para tantas outras!

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Ela superou depressão e medo de perder. Hoje, é faixa roxa quase marrom, mas já dá trabalho para as pretas

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Viajei sozinha, conheci a sede da minha equipe nos EUA e treinei com uma mão só, dias depois de operar

Mayara Munhos
Mayara Munhos

ATOS HQ
ATOS HQ []

Alerta de post pessoal detectado, mas não tem como não falar disso.

Desde os 15 anos, eu tinha um sonho: ir para a Califórnia. Antes, era só por ir, conhecer e fazer um intercâmbio. Há uns 10 anos, a Califórnia não era um lugar que recebia grandes nomes e equipes de jiu-jitsu. E eu também, nesse meio tempo, não fui tão do jiu-jitsu assim (fiquei seis anos afastada).

Mas quando voltei a treinar e comecei de fato a acompanhar o crescimento do jiu-jitsu, comecei a perceber que as pessoas estavam migrando para lá. E que outras, já tinham migrado. A Califórnia passou a ser um estado que abriga grandes equipes, atletas e o mais importante campeonato mundial.

Então, meu sonho não podia mais ser adiado, depois de quase 10 anos pensando ou procurando uma companhia ou sempre dando a desculpa de que a grana estava curta. Ele passou a ser prioridade. Hoje, sou faixa roxa da Ono, que pertence a Atos, equipe que tem sua sede lá em San Diego. Eu sempre quis treinar nessa equipe, justamente por ser a melhor do mundo. 

Detentora de importantes títulos, conquistou, neste ano, o Mundial da IBJJF, tirando o reinado de outra grande equipe depois de nove anos no topo - ainda que a Atos só tenha sido fundada em 2008.  Aqui no Brasil, temos poucas filiais e eu dei a sorte de achar uma relativamente perto de casa. Isso fez com que eu me sentisse realizada e que tivesse ainda mais vontade de ir até San Diego e saber de onde vem tudo isso o que a gente vê pelos vídeos e redes sociais.

Além disso, também sou daquelas admiradoras da Art Of Jiu-Jitsu (AOJ), que também pertence a Atos e que, veja só, tem sua sede em Costa Mesa (cerca de uma hora e meia de San Diego). Ou seja, dava para fazer tudo.

Open mat na Barum Jiu-Jitsu
Open mat na Barum Jiu-Jitsu LISA ALBON

Eu estava decidida a ir até lá visitar o estado que sempre quis, treinar onde sempre quis e, claro, gravar com pessoas que sempre almejei. Mas infelizmente, eu tive uma lesão no dedo durante um treino, cerca de três semanas antes de viajar e isso me rendeu uma cirurgia. Consequentemente, afastamento dos tatames. 

Parece que foi uma prova de fogo, mas embora eu estivesse com menos uma mão, ainda estava apta a viajar e gravar. E assim fui! Um dia antes de embarcar, tirei os pontos do dedo e cheguei a Los Angeles. A viagem durou 15 dias. A primeira semana foi completamente a passeio e, em seguida, eu intercalava entre academia (para gravar) e passeio, claro.

Eu tinha passado um pouco de perrengue quando cheguei por conta da língua. Eu nunca tinha saído do Brasil, nunca tinha ficado tanto tempo imersa no inglês. Também tive dificuldade de ficar em hostel (que não foi ruim, no final! E eu super recomendo), bem como de estacionar o carro ou de comer. 

Mas eu cheguei na Atos pela primeira vez e a maior dificuldade foi estar lá dentro, um lugar que sempre sonhei, e não poder fazer o que mais amo. Mas vida que segue e comecei minha saga de entrevistas por Lucas Barbosa (Hulk) e Kaynan Duarte, dois atletas brasileiros que moram em San Diego e treinam na Atos. Não vou contar mais porque tem vídeo, hahaha.

Tá sem foco, mas foi o que deu! Hahaha
Tá sem foco, mas foi o que deu! Hahaha []

Lá em San Diego, um dos planos era conhecer a Lisa e já vínhamos nos falando há um tempo. Ela é fotógrafa, está sempre presente em grandes campeonatos e trabalha no meio de marcas de jiu-jitsu. Aqui no Brasil, ela é carinhosamente conhecida como Lisalisapics (haha) por conta de seu Instagram e, dentre tantas coisas incríveis que passei com essa mulher incrível, ela me levou para conhecer a Barum Jiu-Jitsu, do professor Alfredo. 

Não tive tempo de gravar, mas foi lá que decidi treinar com uma mão só, porque a energia estava contagiante. Aos domingos, Alfredo abre seu tatame para um open mat, em que todas as pessoas, de todas as graduações e todas as bandeiras, são bem vindas: é só chegar e treinar. Alfredo me contou que foi para os Estados Unidos na intenção de ficar um ano e, hoje, mora lá há dezesseis.

A próxima parada foi a AOJ, lá em Costa Mesa. Eu já fiz aqui uma entrevista com as irmãs Sophia e Isabella, mais conhecidas como Flores Sisters, mas fui até lá para conversarmos pessoalmente e, também, para que eu conhecesse melhor a vida delas, de pertinho. 

Sophia e Isabella
Sophia e Isabella []

Algo que também não vou falar mais que isso, já que logo o vídeo estará disponível em meu canal. Mas se tem uma coisa que não posso deixar de falar é na Madalena, mais uma das Flores. Ela tem seu próprio instagram e é muito queridinha por aqui! Ela é muito simpática e adora uma câmera, também treina e só tem cinco anos ("and a half" - como ela me lembrou).

Madalena Flores
Madalena Flores []

Lá na AOJ, também tive a oportunidade de conversar com o Guilherme Mendes, que junto com seu irmão Rafael é responsável pela Art Of Jiu-Jitsu, que me contou como o foco de ambos os levaram tão além e me mostrou como funciona por trás daquelas paredes, tatames e kimonos brancos. Em breve, tem vídeo também!

Uns dias depois, voltei à Atos para finalmente entrevistar os mestres: André e Angélica Galvão. Mas como já tinha treinado com uma mão só mesmo, decidi aproveitar e treinar de novo (não façam isso).  Além da entrevista com os dois, também conheci algumas mulheres duríssimas, entre elas a Heather Raftery, faixa preta e a Heather Morgan, faixa roxa, que embora esteja há apenas três meses de faixa roxa, é alguém que não desejo que esteja em minha categoria nos campeonatos, hahaha.

As duas Heathers
As duas Heathers Juliana Hanna

O papo com a Angélica e o André também foi incrível e inspirador.

É muito maravilhoso ver que grandes projetos de sucesso começam de uma maneira pequena e que, para ir longe, acreditar e correr atrás são grandes passos. Hoje, tanto os irmãos Mendes como Angélica e André estão vivendo algo muito grande e muito além do jiu-jitsu, e é por acreditarem e seguirem que foram além. Não há ninguém no meio do jiu-jitsu que não saiba quem são eles, que não se inspire, que não veja vídeos ou que não saiba pelo menos um percentual de sua história.

Entrevista com Angélica
Entrevista com Angélica Juliana Hanna

E essa foi minha história de passagem pelas academias da Califórnia, algo que eu sempre quis. Claro que eu gostaria de ter feito muito mais, inclusive treinado de verdade - eu estava me preparando para isso -, mas o fato de estar lá e conhecer como o jiu-jitsu funciona fora do Brasil, foi incrível. 

A maior diferença de tudo é que as pessoas respeitam e dão muito valor quando se diz "sou brasileira, treino jiu-jitsu" e deve ser por isso que o esporte está se desenvolvendo muito mais lá fora do que aqui ou então porque as pessoas escolhem migrar para lá.

Seria incrível se o Brasil pudesse carregar o BJJ como é no nome e ostentar o orgulho que dá fazer parte do jiu-jitsu brasileiro. Mas ao mesmo tempo, é incrível ver que o esporte está se espalhando mundo a fora. 

Até a semana que vem!

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Mulheres faixas pretas dividem valor do prêmio em campeonato mundial de jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Hoje estou aqui para falar sobre um assunto que divide opiniões: a premiação feminina em campeonatos. Eu já falei sobre isso aqui no BJJ Fórum, mas acho que é válido falar de novo por conta de um episódio que aconteceu nesse final de semana e gerou uma mobilidade muito grande nas redes sociais.

Nos Estados Unidos (Long Beach, Califórnia), rolou o Campeonato Mundial da Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF), em que o absoluto faixa preta masculino e feminino ofereciam a mesma premiação: 15 mil dólares para a campeã. Mas é claro, desde que houvesse 12 atletas inscritas, no mínimo. Resultado? Algumas atletas espalhadas em suas categorias, um total de 13 faixas pretas, mas na hora do absoluto, cinco inscritas.

Isso gerou uma grande revolta por parte das meninas. Tayane Porfírio, por sua vez, decidiu publicar, falando sobre a competição (e sua conquista) em suas redes sociais.

Em seguida, ela publicou novamente uma foto das faixas pretas que estavam presentes no absoluto e, na legenda, contou sobre uma divisão de prêmio entre elas.

Então, decidi juntar algumas das atletas que participaram do absoluto e conversar sobre o que aconteceu. As participantes foram Jéssica Flowers, Tayane Porfírio, Ana Carolina Vieira (Baby), Nathiely de Jesus e Claudia do Val.

Segundo a Tayane, elas dividiram o dinheiro por estarem na mesma situação. "Todas nós tiramos dinheiro do bolso para vir lutar, estávamos todas na mesma situação. Então, decidimos dividir o prêmio", contou.

Claudia do Val também disse que a divisão da premiação tinha sido feita de uma maneira não muito boa. "Para começar, tinha que haver, no mínimo, quatro atletas para ter premiação, mas o feminino só tinha quatro categorias. E com menos de 12 meninas, só a primeira colocada ganhava dinheiro. Acho que o organizador pode não ter pensado bem, mas conversamos sobre tudo isso com ele."

Por conta de a categoria não ter atingido 12 mulheres, a premiação foi de cinco mil dólares, divididos entre elas. Uma atitude maravilhosa que não é algo que esperamos ver por aí.

Infelizmente, muitos comentários ofensivos apareceram nas redes sociais, de todos os lados, o que é uma pena e apenas enfraquece o nosso esporte. Estamos lutando todos os dias para que a divisão feminina cresça e a tendência é essa, desde que andemos sempre juntas. 

O que aconteceu no final de semana, apesar de um gesto bonito, é uma pena, porque poderia ter sido 15 mil dólares, o que provavelmente cobriria todo o gasto que a campeã teve com o deslocamento para lutar. Isso sem contar as outras colocadas.

O evento da SJJIF foi muito generoso em ter optado por uma premiação igual, levando em consideração que a categoria masculina tinha 145 inscritos na faixa preta e a feminina, apenas 13. Isso mostra que no masculino, caso todos lutassem o absoluto, a premiação de 15 mil dólares seria quitada só com os valores de inscrição, e o feminino estaria bem longe disso - lembrando que também houve premiação em dinheiro para as categorias. 

Todas as informações sobre chaves, premiações e entradas podem ser encontradas aqui. Também não podemos culpar apenas as mulheres por não estarem lá. Vi muitas delas dizendo que não sabiam sobre o evento, o que talvez tenha sido apenas um erro de direcionamento, mas que também serve para os próximos, já que tudo de novo é acerto e erro. Foi o primeiro evento que ofereceu a mesma premiação para ambas as categorias, e isso é um grande marco.

Como eu já disse no texto que escrevi anteriormente, o lado do organizador conta muito na hora de definir uma premiação. Muitas pessoas reclamam sobre pagamentos diferentes, mas se esquecem de parar para analisar os números e o que vale mais a pena para quem está, de certa forma, lucrando. A realidade é essa: mais inscritos, mais público, mais dinheiro. E vice versa. 

Porém, temos, também, que parar para pensar no nosso papel dentro disso tudo. Nosso papel como mulheres e atletas. Eu nunca gostei de lutar absoluto por me sentir leve demais, mas por outro lado, eu não vivo de dinheiro de campeonatos e treino jiu-jitsu por hobby. A primeira vez que decidi entrar foi recentemente porque, ao sair do pódio da minha premiação na categoria, a organizadora perguntou a todas quem lutaria o absoluto. Todas as meninas iam respondendo "não" e, quando chegou em mim, ela falou "depois vocês reclamam que não tem premiação" - o campeonato estava oferecendo uma premiação generosa, que bancaria um pouco mais do que a inscrição, ainda que não tivéssemos atingido o mínimo de atletas estipulado anteriormente. 

Parece que isso me fez virar uma chavinha na cabeça e pensar que eu poderia estar prejudicando outras adversárias, que por sua vez, poderiam estar lá só por conta do prêmio, e eu decidi me inscrever e fazer minha parte. O que me motivou foi que, por ser uma defensora do jiu-jitsu feminino, inclusive publicamente, não seria justo fazer diferente na hora da luta. Estou lá para me divertir, se ganhar, ótimo, senão, ficarei feliz em ter ajudado quem realmente estava dependendo daquela grana.

Então, a reflexão que quero deixar hoje para você, seja homem ou mulher, independentemente de faixa e bandeira é: o que te motiva a lutar um absoluto? O que te desanima? Todas nós estamos atrás do mesmo objetivo, mesmo que de maneiras diferentes, e temos que caminhar juntas. 

Que a parceria das faixas pretas do final de semana sirva de exemplo para a união no meio do jiu-jitsu. Que a iniciativa da SJJIF sirva de exemplo para outras. Mas que tudo isso sirva mais ainda de exemplo para incentivar cada vez as mulheres a estarem nos tatames, competindo e mostrando que realmente estamos crescendo. As portas estão abertas, pode ser que não totalmente, mas estão se abrindo aos poucos, e precisamos tirar disso o melhor para todas nós.

Para acompanhar as postagens das meninas citadas no texto, é só clicar no link do Instagram delas: Tayane PorfírioNathielyAna CarolinaJéssica Flowers e Claudia do Val.

Até semana que vem!

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Mulheres faixas pretas dividem valor do prêmio em campeonato mundial de jiu-jitsu

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Prepare-se para o primeiro campeonato feminino de jiu-jitsu de São Paulo

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Muito se fala sobre eventos só para mulheres e, de fato, ultimamente, a procura vem aumentado muito. 

Por conta disso, temos muitos treinões e seminários, por exemplo, que são destinados apenas para mulher. Muita gente acredita ser segregação, mas na verdade é uma forma de atrair a mulherada para treinar e aderir ao esporte, uma vez que muitas delas têm receio de treinar por se assustarem ao ver aquele monte de marmanjo no tatame. Sendo assim, a iniciativa de um campeonato feminino é super válida e promete ser um sucesso.

Foi pensando nisso que a LMK Eventos teve a iniciativa de criar um campeonato só para nós, mulheres.

Então, anota aí que ainda dá tempo.

Quando? Dia 22 de outubro de 2017 (domingo)
Onde?  Na Unítalo, em Santo Amaro. O endereço é Avenida João Dias, 2046.
E as inscrições? Vão até dia 17 de outubro e pode ser feita pelo site Sou Competidor.

As categorias vão de mirim a master e terá peso e absoluto, sendo que o absoluto será dividido entre leve e pesado. E o melhor: com premiação em dinheiro! Para a premiação ser 100% validada, é preciso que o absoluto conte com mais de oito atletas e, caso o número seja inferior, será pago 50% do prêmio.

As premiações serão kimono para o absoluto juvenil, tanto faixa azul quanto branca. Para o adulto faixa branca, R$300. Adulto faixa azul, R$400. Adulto faixa roxa, R$500. E para faixa marrom e preta, que lutam juntas, a premiação é de R$700.

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Além disso, o evento contará com a presença da atleta faixa preta Bianca Basílio,  que você pode conhecer melhor clicando aqui, relembrando nossa série sobre ela.

A entrada para o público custa R$5.

É uma ótima oportunidade de mostrar o que é o jiu-jitsu feminino.

Preparadas? Então corre lá para se inscrever!

O campeonato tem apoio total do BJJ Girls Mag

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Veja o que rolou no primeiro camp do BJJ Mums, evento de jiu-jitsu que reúne mães e filhos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Lembram que eu falei aqui sobre o BJJ Mums? Prometi que voltaria a falar quando acontecesse o camp. E então, com um pequeno delay devido a cirurgia que tive que me submeter (BJJ problems detected: tive que operar o dedo da mão, mas vou falar um dia com calma sobre isso), venho aqui contar como foi.

Dos dias 25 a 27 de agosto, foi disputado na Alemanha o Primeiro Camp BJJ Mums, em que se reuniram as mamães do jiu-jitsu e suas crianças, organizado por Ana Yagües. Voltei a conversar com ela, que me contou que o camp era limitado entre 10 e 12 mães e suas crianças. 

O número foi baixo porque era a primeira vez e serviria como um teste, para manter o controle. Infelizmente nem todas foram, mas deu tudo certo. Algumas mães tiveram contratempos familiares ou crianças doentes, mas no fim elas foram em seis alunas e duas professoras. "Foi acolhedor. Grandes projetos começam pequenos e precisamos começar de algum lugar. Tivemos um ótimo tempo juntas!", contou Ana.

As crianças brincando enquanto suas mães treinavam.
As crianças brincando enquanto suas mães treinavam. BJJ Mums

Acompanhando as redes sociais do BJJ Mums, eu percebi que umas semanas antes, o camp também foi aberto aos pais. Como isso é algo que pode causar certa polêmica, já que o próprio nome contradiz a aceitação dos pais, perguntei a Ana o motivo e ela me contou que foi surpreendida com alguns pais demonstrando interesse e ela negou. "A partir do momento que eu já tinha feito inscrições de algumas mães, eu precisava ser fiel ao que vendi."

"Porém, quando mais pais perguntaram, eu pensei que se as mães topassem, eu também toparia. Então, enviei um e-mail para todas as participantes, perguntando as opiniões. Todas elas concordaram. Então, eu abri para os pais também. Mas ficou muito tarde para que eles se planejassem, comprassem passagens e tudo mais. Então, ninguém veio. Mas eles estão interessados nos próximos. Eu vou permitir que os pais participem desde o início. Eu acho que não tem uma razão ao qual devemos discriminá-los por quererem passar um longo final de semana com seus filhos e com outros lutadores"

Em relação ao planejamento, a mãe disse que ocorreu tudo como planejado e que, com sua experiência em organizar esse tipo de treino, ela fez de tudo para que as mães ficassem tranquilas em relação aos seus filhos.

Ana disse que aprendeu muitas coisas boas com esse camp e que usou o método de treinamento com mães e filhos juntos, para estreitarem os laços, colocando o jiu-jitsu como jogo, e não como esporte.

"Essa dinâmica funciona muito bem para crianças acima dos quatro anos, se elas estiverem acostumadas ao tatame, como minha filha. No entanto, percebemos que crianças abaixo dos quatro anos, se não estiverem acostumadas ao tatame, não têm concentração e terminam brincando ou correndo e as mães correndo atrás delas depois. Bom, isso também é um tipo de esporte, mas não era o que pretendíamos. Então, nós precisaremos mudar da próxima vez e formar dois grupos com diferentes tipos de exercício" 

Mãe e filha <3
Mãe e filha <3 BJJ Mums

Ana também disse que o próximo camp será na primavera, mas que ainda não tem data definida. Porém, já tem algumas boas estratégias para trazer mais mães. Este evento foi próximo a dois outros importantes: O World Masters, em Las Vegas, e as férias de verão. E isso fez com que algumas mães precisassem escolher. Por conta disso, ela pretende fazer o próximo em algum feriado mais curto e longe de competições.

A idealizadora terminou dizendo estar muito satisfeita com o evento como um todo. "Nós aprendemos muitas coisas e vamos fazer melhor da próxima vez, mas, de imediato, tudo correu muito bem." Também disse que os treinos foram ótimos e que as mães aprenderam muito sobre o jiu-jitsu e outras coisas e que o objetivo para que elas ficassem tranquilas no treino enquanto suas crianças brincavam fora do tatame foi atingido.

"Elas estavam focadas no seu treino enquanto as crianças estavam sendo cuidadas. Muitas dessas mulheres não contam com ajuda em casa e para elas, poder treinar durante uma hora e meia, com professoras faixas pretas, sem suas crianças em volta é um luxo que elas gostaram muito. E, também, as crianças tiveram muita diversão. Elas fizeram novas amizades e essas amizades são especiais porque elas estavam com outras crianças que também estão acostumadas a estar na academia com seus pais durante o treino sem outras crianças junto. Elas tiveram um laço especial. Todas as crianças levam o mesmo estilo de vida. Minhas filhas ficaram muito felizes. E então, eu acho que todas as outras crianças que participaram também ficaram"

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A sociedade se esquece que nós, mulheres, temos muitas responsabilidades "a mais" e que, por conta disso, temos que abrir mão da maternidade para nos dedicarmos a outros objetivos. Infelizmente, somos subjugadas por isso ou então quando simplesmente expressamos o desejo de não termos filhos. As pessoas nos olham como se não tivéssemos coração porque a sociedade impõe que, obrigatoriamente, a mulher tem que ter o desejo de ser mãe, mas se esquecem de tudo o que vem por trás de uma maternidade. 

Falando além do esporte, quantas mulheres já deixaram de ser promovidas a um cargo maior dentro de sua empresa por terem sido mães?! Ou quantas simplesmente não foram contratadas porque, como são mulheres, podem ser mães e, ao serem mães, elas precisam de uma licença maternidade e aí, o que o empregador vai fazer?

Dentro do esporte é a mesma coisa. Muitas atletas profissionais (ou não) acabam postergando o desejo de ser mãe por terem outros objetivos na frente. E isso não é pecado nenhum, são apenas objetivos doas quais pais não precisam abrir mão para terem seus filhos.

Que o BJJ Mums sirva de exemplo para que outros eventos assim sejam criados no mundo todo. É muito importante que as mães levem consigo um tempo só seu, ainda que com sua criança junto, de alguma maneira diferente. E também é muito importante que os lugarem deem suporte para quem precisa estar com sua criança o tempo todo.

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Veja como foi a participação das mulheres no ADCC, maior campeonato de luta agarrada do mundo

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Neste final de semana, aconteceu em Helsinque, na Finlândia o maior campeonato de luta agarrada do mundo: ADCC. O Abu Dhabi Combat Club acontece a cada dois anos e reúne os melhores grapplers do mundo. Dentre eles, podemos ter a honra de ver grandes lutadores de jiu-jitsu em ação.

Neste ano, tivemos algumas surpresas. Começando pela categoria até 60kg, Mackenzie Dern, atual campeã, foi derrotada pela explosiva Elvira Karppinen por 4x2 logo na primeira luta. Elvira resistiu ao experiente estrangulamento de Kenzie e avançou.

Enquanto isso, rolava um duelo entre Bianca Basílio e Talita Alencar. O confronto não deixou dúvidas da boa fase que ambas as atletas estão vivendo, com nenhuma delas deixando de atacar em nenhum momento. A luta terminou empatada e Basílio levou por decisão.

Também se enfrentaram a veterana Michelle Nicolini e Rikako Yuasa. Com muitas tentativas de ataque de Michelle, o confronto terminou empatado e a vitória foi dada a Nicolini, depois do tempo extra.

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Uma das favoritas, Bia Mesquita enfrentou Ffion Davis e mostrou que realmente sua preparação tem valido a pena, finalizando Davis num arm lock, faltando 5 minutos para o final.

Nas quartas de final, Elvira enfrentou Bia Basílio em uma luta de tirar o fôlego. As duas estavam on fire. Elvira tentou encaixar uma chave de pé quase certeira em Bia, que não se rendeu e conseguiu se livrar. 

A finlandesa não se intimidou e voltou com tudo, atacando o tempo todo, e a luta acabou contando com o tempo extra de cinco minutos, quando Bia começou mais ofensiva e entrou com uma queda de cara, já buscando as costas, mas Karppinen conseguiu se desvecilhar, entrou na guarda de Bia e foi para o pé novamente. 

Dessa vez parecia que Bia ia desistir e ela ameaçou bater, mas continuou. O combate terminou com Bia tentando encaixar uma kimura dentro de um triângulo e a vitória foi dela por decisão.

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Nicolini enfrentou Mesquita pela outra vaga na final em uma luta muito bem estudada. Faltando pouco menos de 5 minutos para o fim, Mesquita mais uma vez conseguiu a finalização, em uma chave de pé, e garantiu sua vaga na final.

Nicolini enfrentou Elvira na disputa de terceiro lugar e ficou com o bronze após derrotar e finlandesa por 3 a 0.


Novamente, Bia Basílio e Bia Mesquita se enfrentaram. Depois do Campeonato Brasileiro e Abu Dhabi World Pro, era a chance de Basílio sair finalmente com a vitória, mas era o dia de Mesquita, novamente. 

Em uma luta que demorou muito para ir ao chão, a atleta da Gracie Humaita conseguiu um queda e fechou um triângulo nas costas de Basílio, que lhe garantiu três pontos. Faltando pouco mais de um minuto para o fim, Mesquita finalizou Basílio num mata leão e garantiu o ouro da categoria.

Já na categoria  acima de 60kg, tivemos a presença de Gabi Garcia, que tem uma história incrivel de ADCC e você pode relembrar aqui. Sua primeira luta foi contra Amanda Santana, em que já começou dando muita pressão e finalizando a oponente em menos de um minuto com uma americana de pé.

Também se enfrentaram Jéssica Flowers e Marysia Malyjasiak. Num erro de Marysia, Jéssica conseguiu encaixar um arm lock com dois minutos e meio de luta.

Talita Treta também estava presente e venceu Venla Luukkonen por 2 a 0 em uma luta de muita pressão dos dois lados. O embate foi decidida no overtime.

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Tara White foi derrotada por Samantha Cook, também após levarem a luta para o tempo extra. O placar terminou em 3 a 0 para Samantha.

As semifinais foram entre Gabi Garcia e Jéssica Flowers, em que Gabi venceu por 2 a 0. Do outro lado, Talita Treta enfrentou Samantha Cook e garantiu sua vaga na final após vencer Samantha no overtime, por decisão dos juízes.

A disputa de terceiro lugar entre Jéssica e Samantha ficou com Jéssica, que garantiu seus dois pontos para a vitória.

A final entre as veteranas Talita Treta e Gabi Garcia foi rápida. Gabi venceu Talita em apenas 1min20, com uma kimura, e garantiu seu terceiro título. Talita foi até o final, mesmo estando focada no MMA e com algumas lesões.        

Agora basta esperar mais dois anos para vermos essas feras brilharem novamente. Mas calma, ainda tem um monte de seletiva vindo por aí. Já sabem suas apostas?

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Sabia que o crossfit pode ajudar quem pratica Jiu-jitsu?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Uma dupla que muitas pessoas criticam, mas que dá certo!

Você sabia que o Crossfit, atrelado ao Jiu-jitsu, pode trazer grandes benefícios? 

Muitas vezes, é difícil explicar como alguns movimentos do cross são, de fato, usados durante uma luta de jiu-jitsu. Pensando nisso, fui até a Crossfit Voraz para conversar com o Head Coach Thiago Almeida, que selecionou alguns movimentos que, claramente, usamos nas duas modalidades. Ele contou também um pouquinho sobre como um esporte pode completar o outro.

Crossfit Voraz: Rua Dr. Baeta Neves, 20. São Bernardo do Campo
Academia Ono
: Rua Maranhão 366, São Caetano do Sul
Predator MMA
Imagens: Renato Corrêa

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Ela era 'guitar hero', ficou famosa em reality show, teve duas filhas e conquistou faixa preta no jiu-jitsu

Mayara Munhos
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Manu com os pais cascas grossas.
Manu com os pais cascas grossas. Arquivo pessoal

Sabem a Syang? Guitarrista, participante da Casa dos Artistas em 2002... Pois bem, ela é faixa preta de jiu-jitsu. E eu conversei com ela para conhecer sua história e entender como é conciliar a música com o tatame.

Syang começou sua vida na música bem cedo. Já aos oito anos tocava piano, mas um tempo depois ganhou um violão. Seu sonho era tocar guitarra. "Essa história é velha", relembra, rindo - "meu pai não me deixava tocar guitarra porque dizia que era coisa de sapatão. Meu avô e minha mãe me levavam escondidos às aulas de violão". 

E então, perceberam que ela estava curtindo e a presentearam com uma guitarra. Foi quando ela começou a tocar, aos 12 anos. Com 17, gravou seu primeiro disco com a banda 'Detrito Federal', pela gravadora Poligram. Ficou bastante tempo tocando com o grupo e, em seguida, criou uma banda feminina, chamada 'Autópsia'. Mas foi com a 'P.U.S.' que fez mais sucesso e na qual passou mais tempo.

"Entrei para o P.U.S. e toquei 12 anos. Era uma banda de metal pesada. Gravamos seis ou sete discos, nos lançamos até no Japão. E aí foi minha maior trajetória na música. Eu passei a fazer bastante coisa na MTV, chamavam a gente sempre pra tocar. Eu tocava ao vivo com  Skank, Chico Science, Jota Quest... Eu sempre estava no meio como guitarrista mulher, que era diferenciado, né."

Syang em sua época de banda.
Syang em sua época de banda. []

Depois do P.U.S., Syang lançou sua carreira solo e seu disco pela Warner. Então, passou a fazer muitos shows, tocou no Rock in Rio e entrou para a Casa dos Artistas, que a tornou conhecida além da música. "Eu já era famosa no mundo underground", conta. "Todo mundo se conhece, é igual no jiu-jitsu (risos)". 

Mas paralelamente, a guitarrista sempre teve sua história com o esporte. Seu pai era jogador profissional de futebol em um dos maiores times de Brasília e sua mãe era atleta de saltos ornamentais. Por conta disso, sempre carregou o DNA esportivo dentro de si e sempre competiu em diferentes modalidades, desde criança. 

"Um dos meus sonhos, mesmo novinha, era fazer Kung Fu. Achava o máximo, sempre quis um kimono. E com o tempo, comecei a treinar boxe, logo que sai da Casa dos Artistas. Fiz quatro anos de boxe na Companhia Atlética, treinei com o Cebola e foi nessa época que eu conheci o Portuga (Eduardo Santoro). Ele treinava jiu-jitsu do lado, no mesmo horário que eu treinava boxe. E a gente sempre se cruzava, começamos a nos paquerar, nos olhar..."

Syang e seu marido, Eduardo Santoro
Syang e seu marido, Eduardo Santoro Arquivo pessoal

E aí começou sua história: com o jiu-jitsu e com o seu marido, o faixa preta Eduardo Santoro, ou Portuga, para quem conhece a fera. Um dia, depois de tantos olhares entre tatames e ringues, Syang e Portuga trocaram telefone na musculação, combinaram de sair e, desde então, não se largaram mais. E isso faz 13 anos.

"Quando a gente começou a namorar, eu lembro que o Du saiu do lugar que ele dava aula há muito tempo e a gente foi procurar uma academia nova pra ele dar aula, em Moema. Aí, quando achamos, tinha poucos alunos e ele falou 'pô, vem treinar comigo'. E eu já era louca pra treinar jiu-jitsu. Mas era sempre só homem e eu não sabia como chegar. Inclusive namorando com ele, lembro do meu primeiro treino: eu não tinha kimono ainda e eu falava 'que roupa eu vou?'. Aí ele falava: 'ah, bota uma calça de treino, blusa... Como se fosse fazer capoeira'. Me troquei e fiquei muito sem graça de entrar no tatame primeira vez. Mas me apaixonei pelo jiu-jitsu e nunca mais parei. Comprei kimono e, agora, sou aluna dele desde a faixa branca, há 12 anos."

Syang parou por dois anos, para ter as filhas Manu e, dois anos depois, Nina. 

Em outubro de 2016, recebeu sua faixa preta. Hoje, ela e sua família moram em Redondo Beach, na Califórnia, onde foram para abrir uma academia, que funciona há oito meses e está indo super bem. "Estamos com sessenta alunos e muitas crianças. Estou com uma turma feminina bem bacana e, aos poucos, fui trocando a música pelo jiu-jitsu."

Antes de ir para os Estados Unidos, Syang fazia muitos shows. Durante três anos, tocou com uma banda de sertanejo/rock, em que fazia participações especiais no meio do show, tocando rocks famosos. "Era muito legal", disse. "Fiquei uns três anos fazendo show todo final de semana e viajei bastante, mas era algo que me deixava muito cansada". Chegava em casa sempre de madrugada e suas pequenas acordavam cedo. Acabava ficando muito cansada e, por já estar muito inserida no meio do esporte, deixou a vida musical de lado.

Time feminino da Syang - ESJJ.
Time feminino da Syang - ESJJ. []

"Nós já tínhamos nossa academia aqui no Brasil há quatro anos. Nossa equipe é a Excellence School of Jiu-Jitsu (ESJJ), fica na Chácara Santo Antonio. Eu já dava aula pra mulheres, crianças... Ficava muito na academia, treinando, e ainda tinha os shows no final de semana. Eu já estava me desligando dos shows. E então decidimos vir para cá (EUA) e entrei de cabeça no jiu-jitsu. Hoje, a gente administra a academia juntos. Estou totalmente dentro do jiu-jitsu, só não voltei a competir. Fui campeã do SP Open na branca e, na azul, fui campeã Internacional. Na roxa, disputei o Mundial na categoria adulto e perdi... Depois  na marrom, em Portugal, no Europeu, fui campeã. Agora falta a preta. Competi um em cada faixa. Agora que estou bem focada no jiu-jitsu, quero entrar em algumas competições. Era para eu ter ido para o Mundial de Masters e muita gente fala que é desculpa. Pode até ser desculpa (risos), mas eu estava aqui com as crianças, de férias... Sou bem competitiva. Então, para entrar numa competição, gosto de estar bem preparada". 

Syang nunca entrou no jiu-jitsu pensando em competir, mas por estar treinando bem, seu mestre a colocou num campeonato ainda de branca. Competiu na azul, e logo em seguida, engravidou. Teve a Manu, depois voltou a treinar, pegou faixa roxa grávida da Nina, parou novamente e, depois, treinou bastante para lutar o Mundial. "Toda vez que entro numa competição, penso que vou entrar em todas, porque é legal demais, a adrenalina e tal. Eu tenho vontade de voltar. Nos próximos campeonatos, vou tentar. Se eu conseguir treinar direito será neste ano. Mas tudo o que treino acabo competindo porque gosto de treinar forte."

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E a música?! Syang também pretende voltar a tocar daqui um tempo. Uma banda a chamou para tocar lá nos Estados Unidos e ela não chegou a ir ao ensaio, porque o tempo ainda está curto e está focada na academia. Portanto, acha que ainda não é hora. "Sinto saudades de tocar e estar no palco, mas estou focada na academia e na minha família, mas em breve pretendo voltar".

Em relação aos treinos femininos, Syang destaca uma importância muito grande para quem quer começar, principalmente tendo em vista que muitas meninas se sentem intimidadas por verem muitos homens. Ela conta que está percebendo uma ascensão muito grande no público feminino e destaca que uma das suas maiores vontades quando quis montar uma turma de mulheres é porque muitas não gostam de treinar com homens. 

"Elas não se sentem bem, tem vergonha de começar... Tenho duas alunas que não gostam, que dizem que os homens a deixam roxas, mesmo que façam de leve. A gente tem que respeitar, tem gente que não gosta e não se sente bem mesmo. Tem outras que o marido não gosta, que não se sente bem por ser um esporte de contato. Então, esse treino feminino veio para agregar e trazer essas meninas para treinar também". 

Para Syang, os maridos têm receio de as esposas treinarem e ainda que eles sejam faixas pretas, não se sentem seguros. Uma pena, porque jiu-jitsu é um esporte como qualquer outro. "O crescimento é absurdo. A Manu já está treinando, vai começar a competir e pegar faixa cinza agora em outubro. A mulherada está dominando e treinando forte".

O casal com as lindas: Nina e Manu.
O casal com as lindas: Nina e Manu. Arquivo pessoal

Esse é o outro lado da vida de Syang, que talvez muitas pessoas não conheçam. Incrível ver que a mulherada domina onde quer que esteja! E ela, no auge de seus 48 anos (sim, eu também demorei para acreditar, nem sei se acreditei ainda) está aí: tocando nas horas vagas, treinando sempre e dando muito valor para sua família.

"Estamos super felizes na Califórnia, vivendo um sonho. Aqui é muito legal de morar. O Brasil não estava fácil, muito perigoso para criar filho, e a gente está feliz aqui. A academia vai bem. E hoje, faço o que amo."

Muita sorte nessa nova jornada!

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Quando o jiu-jitsu muda a vida: você sabe o que é alopecia areata?

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Lilian tem alopecia areata e é praticante de jiu-jitsu
Lilian tem alopecia areata e é praticante de jiu-jitsu Arquivo Pessoal

Setembro, por coincidência, é o mês de conscientização da alopecia areata. Mas vamos começar do começo: eu não fazia ideia do que isso significava, até que chegou uma amiga da faculdade, a Thami, e me disse que tinha uma história digna de pauta e me mandou o contato da Lilian Correia. Na verdade me mencionou em uma publicação do facebook dela que acho importante compartilhar com vocês. Então, antes de começar, leiam aqui!

Ok. Foi um choque de realidade e eu terminei de ler tudo isso muito arrepiada. São coisas que mexem com a gente. E na verdade fica até difícil de eu escrever sobre, mas eu vou tentar, porque sei que vale a pena.

Resumindo, a alopecia areata é um problema comum em cerca de apenas 1 a 2% da população. Ela é responsável por causar perda de cabelos ou pelos em áreas arredondadas do couro cabeludo, ou outras partes do corpo e, dependendo do caso, pode causar perda inclusive dos cílios.

É uma patologia que desenvolve depois do nascimento. Até existem casos raros de bebês com alopecia, mas ocorre mesmo na maioria dos casos antes dos 20. Comigo, começou aos 08.

Lilian

A Lilian desenvolveu alopecia com oito anos e começou um tratamento. Ela tinha vergonha de assumir sua carequinha, tinha medo do que as pessoas podiam pensar e, principalmente, dos julgamentos. Imagine para uma mulher simplesmente não ter cabelo? Ela diz que nunca escondeu de ninguém o fato de possuir alopecia, mas também não saia gritando ao mundo. Porém, ela sempre teve uma prótese capilar, que conta ser como uma peruca, com a diferença de que prótese é feita sob medida, do jeitinho que ela quer. Ou seja, ela tem cabelo sim!

Lilian com sua protese
Lilian com sua protese Arquivo Pessoal

Em relação a prótese, ela contou que já teve problemas.

Eu tentava e ate conseguia viver uma vida normal, e numa dessas eu fui colocar a cabeça embaixo d’agua numa piscina, só que fiz isso um pouco mais rápido do que podia, então ela saiu, e eu fiquei muito constrangida. Tentei agir como se não tivesse me afetado, para não estragar o resto do final de semana, mas passei cinco dias chorando, tendo pesadelos e espasmos cada vez que eu lembrava do que tinha acontecido, não queria sair na rua, eu estava com vergonha de mim.

Lilian

Ela tratava sua alopecia, até que há dez anos decidiu desistir do tratamento. Parece absurdo, mas ela não via muito resultado. Sua mãe não a apoiava e queria muito que ela continuasse tomar remédios e se tratar. Porém, o tratamento que incluí corticoide, por exemplo, uma substância que deixa as pessoas bem inchadas, além de precisar aplicar insulina na cabeça onde houvesse falha, a cada um centímetro de distância. “Às vezes eu levava 150 picadas na cabeça por consulta” – conta Lilian.

Os tratamentos para alopecia são pouco eficazes. Até nascia um pouco, mas depois caia de novo e todo o tratamento era em vão. Quando eu percebi isso, que não ia parar, resolvi aceitar.

Lilian


E assim foi. Há quatro meses ela decidiu entrar no jiu jitsu por sempre querer praticar uma arte marcial. Via fotos e vídeos no instagram, passou a acessar conteúdo de jiu jitsu, foi atrás de uma academia para treinar e já soube que tinha amado a arte antes mesmo de terminar o aquecimento.

Ela conta que o jiu jitsu mudou tudo na vida dela e que essa frase faz total sentido.

Eu era fumante, sedentária, dormia mal, além de beber todo final de semana. Mas de tudo isso que consegui mudar, o que mais me impressionou foi a motivação de ser quem eu sou, só para não ter que deixar de treinar. Diferente de todas as coisas que deixava de fazer por ter uma limitação, essa foi uma que eu teria que quebrar paradigmas, pois me apaixonei pela arte suave e não queria desistir. Foi um grande feito que  mudou muitas coisas pra mim, dentro e fora do tatame, mas digo com propriedade que se eu não tivesse conhecido o JJ, não teria feito nada disso, ainda estaria sofrendo a questão da alopecia e da exposição.

Lilian


Óbvio que fiquei me perguntando milhões de vezes como ela fazia para treinar, já que, embora a arte seja suave, os movimentos são bruscos, rs. Ela conta que durante os dois primeiros meses ela não tirava nunca sua prótese fora de casa, inclusive sua família colocou um portão todo fechado na garagem para que ela pudesse circular com liberdade. Nas lutas, ela acabava tomando muito sufoco, já que não dava tudo de si por medo da prótese sair, porque em alguns momentos, sua única preocupação era proteger sua cabeça. Até que ela viu que dessa forma, não conseguiria se aplicar no jiu e ela deu início ao maior trabalho interno de sua vida.

Eu precisava tirar, mas existam 20 anos de tabus e todo um padrão social por trás da minha vontade. Depois de um pouco mais de dois meses, eu tirei. Tive o maior apoio que pude dos meus amigos e o treino agora é outro. Estou mais solta e sem preocupação.

Lilian


E tem uma pessoa que foi fundamental em todo esse apoio: o Marcello. O namorado, que ela conheceu no tatame e já é faixa marrom, sempre soube da limitação que ter uma prótese causaria nos treinos e a fez enxergar as coisas de outra forma.

Ele queria que eu me sentisse livre, muito mais do que eu mesma queria. Para ele era normal, era a mesma coisa com ou sem cabelo e eu tinha dificuldade de entender como ele pensava assim.

Lilian


Além disso, a Lilian conta que, embora o pouco tempo de prática, tudo na vida dela aconteceu pós jiu jitsu e também, que nenhuma outra pessoa a incentivou tanto quanto o Marcello para que ela se aceitasse, já que a questão que ele impunha a ela era sempre a de que não são os outros que devem aceita-la e sim, ela própria.

Ai gente! Chorei com essa história porque sou mole. Eu fico absurdamente feliz em ver provas de como o jiu jitsu pode ajudar na vida das pessoas, em todos os sentidos. Não é simplesmente ficar magra ou ficar com um corpão bonito. O jiu jitsu vai muito além disso. Ele melhora o corpo, a mente, a auto estima e de fato, muda vidas. Depois de vinte anos lutando contra um padrão imposto pela sociedade, a Lilian decidiu aceitar-se e isso é parte fundamental da vida de alguém.

A sociedade impõe padrões e nós (nós mesmos, todos nós), optamos por seguir. Pode ser difícil, pode ser caro… Mas queremos seguir para não precisar ouvir julgamentos, porque julgamento dói.

Parcelamos roupas de marcas legais porque está na moda, compramos um carro bacana para aparecer na porta da balada, encomendamos aquele tênis que só tem nos Estados Unidos porque é estiloso, mas esquecemos que a vida vai muito além disso. Vai muito além de seguir padrões por conveniência da sociedade. Vai muito além de parecer bonitinha só para nos olharem com um ar de “uau”. De juntarmos meses de dinheiro para comprar um iPhone só porque todo mundo tem. De novo, a vida vai muito além disso.

A Lilian é uma pessoa maravilhosa – por dentro e por fora (e olha que eu nem a conheço e já declarei paixão hahaha). De nada vale ser aceito em seu meio se você não se aceita internamente. E aliás, ela é uma prova viva de que quem é de verdade, te aceitará independente das circunstâncias. Ela tem sua família, seus amigos, seu namorado e agora, esse mundo maravilhoso do jiu jitsu para mostrar sua força, que talvez nem ela soubesse que era tão grande.

Mulher, você é incrível. Te desejo muita sorte nessa caminhada da vida e dos tatames. Fiquei absurdamente feliz em poder partilhar com tanta gente sua história, portanto, obrigada por ter aceitado a exposição e parabéns pela sua força e garra. Espero que seja só mais uma forma de te dar um retorno e provar o quanto você é linda e merece levar uma vida normal, com ou sem cabelo!

 

Fonte: Mayara Munhos

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Mayara Munhos
Mayara Munhos

Dani Bolina, faixa azul no jiu-jitsu
Dani Bolina, faixa azul no jiu-jitsu Reprodução/Instagram

Hoje, decidi fazer esse texto (curto para um blog, gigante para textão de Facebook, rs) porque percebi que sempre que alguma pessoa influente na mídia recebe uma graduação no jiu-jitsu, principalmente quando ela é mulher, é duramente criticada e questionada nas redes sociais.

Vou logo explicando porque eu disse “principalmente quando ela é mulher” usando um exemplo bem fácil aqui: Malvino Salvador. Para quem não sabe,  o ator é faixa roxa de jiu-jitsu. Além disso, ele é casado com uma pioneira do jiu-jitsu feminino, a faixa preta Kyra Gracie. Mas eu nunca vi na internet ninguém questionando a graduação dele por ele ser casado com uma faixa preta.

Malvino Salvador e a família Gracie
Malvino Salvador e a família Gracie Reprodução/Instagram

Porém, vamos ao ponto que quero chegar. Recentemente, duas mulheres influentes na mídia receberam a faixa azul de seus mestres: Dani Bolina e Demi Lovato

O mundo reclama que premiação de campeonato na categoria feminina é menor, tem poucas mulheres no tatame, não tem kimono com molde feminino em todas as marcas, o jiu-jitsu feminino não é divulgado.... Mas daí, quando mulheres grandes nesse mundo de celebridades estão no meio do jiu-jitsu e dando certo, isso também passa a ser um problema para as pessoas.

Muita gente questiona graduação dizendo que “faixa branca tem que ter, no mínimo, dois anos de permanência”. De fato, da azul para cima, a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) exige um tempo mínimo, mas segundo o artigo 3 do Sistema de Graduação da IBJJF, nos itens 3.1.2 e 3.1.3 está explícito: faixa branca não tem tempo mínimo.

Em julho deste ano, Dani Bolina recebeu sua faixa azul. Todos sabem que ela é uma ex-panicat, tem milhões de seguidores nas suas redes sociais e por aí vai. Ela começou a treinar e, depois de um tempo, apareceu namorando com um faixa preta campeão mundial. 

Bastou isso para começarem os burburinhos de que “logo a Dani gradua, namorando com um campeão mundial fica fácil”. Em seguida, Bolina foi disputar o mundial na Califórnia, que é o campeonato de jiu-jitsu mais importante do mundo. Ela ganhou duas lutas (ainda na faixa branca) e perdeu na terceira. Ainda assim, as pessoas tiveram tempo de falar que ela estava tecnicamente muito fraca, como se todos tivessem suas técnicas impecáveis.

E então, ao receber sua faixa azul, começaram os questionamentos: quanto tempo ela treina? Quem a graduou? Sendo bonita e rica fica fácil! Por que ela recebeu a faixa azul, tendo apenas dois graus na branca (isso levando em consideração que tem equipes que nem trabalham com graus)?

Ela precisou explicar publicamente coisas como: eu treino há dois anos, eu nem namoro mais “o tal faixa preta” e nem foi ele que me graduou, fui competir porque eu já estava na Califórnia. O que ela publica em suas redes sociais eu tenho certeza de que não é nem metade do que ela faz dentro do jiu-jitsu.

Ontem, bombou nas redes sociais a graduação de Demi Lovato. E, novamente, uma enxurrada de comentários negativos perguntando como ela conseguiu ou de gente falando “nossa, eu estou aqui treinando há tanto tempo e não saio da branca”.

Demi Lovato agora é faixa azul!
Demi Lovato agora é faixa azul! Reprodução/Instagram

E fora o quesito graduação, ainda temos o caso da Paolla Oliveira. Ela está vivendo uma policial praticante de MMA na novela 'A Força do Querer', da Globo, e muita gente a tem criticado. 

Além do fato da graduação (ela tem dois graus na faixa branca, concedido pela faixa preta renomada Érica Paes), o alvo tem sido motivos fúteis como “nossa, ela está treinando de kimono e bandagem?”, como já contei nesse texto aqui

A moça tinha a chance de escolher um dublê, mas escolheu estar 100% no personagem e, ainda assim, parece que o fato de ela ser famosa tira o direito dela de treinar ou de ser apaixonada pelo jiu-jitsu.

Então, acho que é uma boa hora para cada um colocar a mão na consciência e parar de relacionar que as mulheres são graduadas sempre por um motivo além do treino.

O fato é que as redes sociais dão poder às pessoas e elas se sentem no direito de criticar as outras porque do outro lado da tela, todo mundo é valentão. Porém, sabe aquele lema de que “o jiu-jitsu é para todos”? Acho que deveria ser melhor aplicado em nosso dia-a-dia.

Alguém chega para pessoas que são “gente como a gente”, criticando a graduação recebida? O tempo que você treinou para recebê-la? Dizendo que você tem um relacionamento extra tatame com um faixa preta e por isso tem “mamata”? Pelo contrário... muitas pessoas chegam às celebridades, questionando um milhão de coisas, esquecendo que o único responsável por definir o tempo de graduação é seu mestre.  

Paolla Oliveira vive a Jeiza em “A Força do Querer”
Paolla Oliveira vive a Jeiza em “A Força do Querer” Reprodução/Instagram

E ninguém tem nada a ver com isso. Claro, as pessoas públicas estão sujeitas a isso. E claro, também, que infelizmente hoje vemos algumas graduações sendo realmente deturpadas, vendidas ou conquistadas de forma duvidosa, vindas de academias que não são sérias. Mas ao invés de reclamar que falta mídia para jiu-jitsu feminino, que tal fazer sua parte nos tatames e ver se a mídia te enxerga, já que está enxergando tantas mulheres atualmente treinando jiu-jitsu?

E as pessoas que têm reclamado nos comentários que estão há tanto tempo na faixa branca e dão a entender que só porque não são famosas não são graduadas deviam aproveitar e analisar se o motivo da graduação não chegar logo é porque falta treino. Imagina que louco um mundo em que cada um levantasse seu bumbum da cadeira para correr atrás dos sonhos ao invés de tentar diminuir as conquistas alheias?

O que está acontecendo mostra o quanto o jiu-jitsu, no geral, está crescendo e temos que tirar proveito disso. 

É nossa chance de deixarmos de ser coadjuvantes!

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Dani Bolina e Demi Lovato merecem respeito; e quem questiona graduação é o mestre, não as redes sociais

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'Olhar espnW' com Cris Cyborg – e eu de coadjuvante

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Gravação do Olhar espnW
Gravação do Olhar espnW ESPN

Na semana passada, fui convidada pela Regiane Wohnrath (produtora incrível aqui da ESPN que trabalha duro para manter tudo o que é relacionado ao espnW em pé - saibam disso) para participar do Olhar espnW com ninguém menos do que ela: a Cris Cyborg, detentora do cinturão peso pena do UFC. Tipo assim, ela me perguntou “se eu toparia” participar. Acho que ela já devia chegar afirmando, porque não haveria como negar.

Eu, ansiosa que sou, só pensei “eu queria dormir e acordar só no dia”. Pensa: era semana de campeonato. Então isso potencializou o meu desespero e ansiedade. Pareceu que a semana demorou bastante para passar. Mas passou, e rolou.

Meu momento de 'Posso tocar?' - e ela 'CLARO'! Hahaha.
Meu momento de 'Posso tocar?' - e ela 'CLARO'! Hahaha. ESPN

Confesso que fiquei um pouco preocupada. Eu não sou nada ‘manjadora’ de UFC. Não sou capaz de acompanhar tanto soco na cara, chutes, com tanta precisão e velocidade. Confesso, de novo, que quando começa aquela sequência de socos e sangue, eu fecho os olhos. Eu já tentei fazer muay thai e eu amava a parte física. Mas o sparing, gente... às vezes, eu queria faltar à aula para não precisar fazer (mais uma confissão). Meus socos iam em slow motion porque eu tinha desespero de machucar alguém e eu era ninja nas esquivas e na guarda alta, afinal, eu não queria tomar soco, não.

Estudei bastante, mas como a Cris tem jiu-jitsu no sangue também, inevitavelmente tive que falar um pouco desse lado. Ela é faixa marrom da Atos, mesma equipe que treino. Mas hoje em dia, contou que treina no Cobrinha (Alliance) porque é mais perto de onde ela está morando. Identificação instantânea (eu, né, gente. Ela nem sabe que se identificou comigo, talvez. Hahaha).

Fiquei um pouco confusa pensando "que pauta eu faço?", mas aí a Regiane me mandou um "hello, você é convidada e não entrevistadora, vamos te entrevistar! Mas fique a vontade, pode perguntar o que quiser". Não sei se mentalizei um "ufa" ou um "ferrou", mas vambora!

Chegou o dia e eu fui chamada para a maquiagem. A maravilhosa da Lucilia Reis deu um jeitinho na minha face, que fez todo mundo me olhar impressionado: eu não uso um pingo de maquiagem no dia-a-dia. Então, só de fazer uma make simples, já muda tudo (e ela arrasou). Eu adorei, acho que quero trabalhar na televisão, definitivamente, hahaha.

A Cris chegou enquanto eu maquiava e eu nem sabia como reagir. Mas essa coisa de trabalhar na televisão nos acostuma a lidar com gente famosa sem a necessidade de tietar (exceto a foto abaixo rs).

Momento tiete...
Momento tiete... Reprodução/ESPN

Gente, ela é realmente um mulherão. Alta, com corpão e cabelo colorido! A cara dela no octógono é realmente outra coisa: brava e focada. Mas pessoalmente, embora a gente tenha a impressão de que ela realmente seja brava pelo que vemos nas lutas, ela é um amor. Pessoa incrível, deu atenção para todo mundo, me deixou tocar no cinturão (eu estava com vergonha de pedir, mas né? Oportunidade única) e é um ser humano daquele jeitinho: "gente como a gente".

Eu que adoro falar, não me importei nem um pouco de ser "só" coadjuvante no programa ("só" porque isso já é muita coisa para minha pessoa, rs). Mas a Marcela Rafael me inseriu o tempo todo e, com isso, tive a oportunidade de contar um pouco como comecei no jiu-jitsu, também de responder algumas coisas sobre o esporte não fazer parte da Olimpíada, tema que já abordei aqui no espnW.

Meu maior medo? Falar m#rd@! Porque é minha cara, rs! Mas ainda bem que eu tinha Flávia Delaroli para compartilhar desse momento comigo, que me disse "fique tranquila, eu estou do seu lado, sempre virá uma m#rd@ pior". Que alívio, né? Hahaha.

No geral, posso dizer que o programa foi incrível! Só vai ao ar em outubro. Por enquanto, vocês podem assistir nossa live no Facebook clicando aqui! Se eu fosse vocês eu assistiria para não perder cenas como essa:

Aquele momento que todo mundo acha que parou de gravar, tira o sapato e come pele da unha
Aquele momento que todo mundo acha que parou de gravar, tira o sapato e come pele da unha Reprodução/ESPN

Mas o principal não é tirar o sapato e comer pele da unha, mas sim que pudemos conhecer muitas faces da Cyborg.

Ela falou sobre lutar ou não com Amanda Nunes e unificar o cinturão. Falou sobre sua rivalidade com Holly Holm e a treta louca com Angela Magana. Sobre seus treinos diários e sua alimentação absurdamente regrada. Sobre como ela começou no esporte (eu pensava que ela já tinha nascido lutando MMA, mas não). E além das lutas, contou sobre suas visitas ao Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, onde seu pai está internado e que ela passou a apoiar um projeto incrível para crianças chamado "Erastinho", com a intenção de ter verba para criar um hospital do câncer também para as crianças.

De tudo isso, ao invés de contar sobre a minha experiência (era o que eu ia fazer, hahaha) acabei focando em como foi incrível poder fazer parte desse bate papo com a Cyborg. Ela é realmente uma mulher inspiradora, que foi atrás de seus sonhos e não é à toa que é, hoje, a melhor lutadora de MMA do mundo. E tenho certeza de que se desejar competir Wrestling, Muay Thai ou Jiu-Jitsu (suas especialidades), ela vai se dar tão bem quanto no MMA.

Queria demais ressaltar como é importante corrermos atrás daquilo que desejamos, sem nos importar com críticas, negações, acusações ou falta de apoio. Cris mesmo contou o quanto as pessoas a criticam nas redes sociais, principalmente no que diz respeito ao seu físico, mas são coisas da vida. Hoje em dia, as pessoas usam a internet como uma arma e não sabem simplesmente viver em seu quadrado sem criticar quem está se dando bem na vida. Coisas negativas sempre vão existir, mas se você realmente quer, é muito importante que vá atrás. Somos todas mulherões e todas capazes. YES, WE CAN!

O mundo do MMA cresceu muito com o UFC e, com isso, as artes marciais têm ganhado muitas praticantes. Então, ainda que não da forma que merecemos, estamos conquistando nosso espaço e temos que lutar por isso cada vez mais. Não desista e nem resista!

Em outubro o programa vai ao ar! Continuem nos acompanhando aqui e nas redes sociais que mais pra frente tem chamada ;) 

Até lá!

Ah, para acabar: quero deixar um frame com minha primeira participação como entrevistadora num programa de grande alcance na televisão, beijos! Hahahaha

Quando você não sabe para onde olhar...
Quando você não sabe para onde olhar... Reprodução/ESPN

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'Olhar espnW' com Cris Cyborg – e eu de coadjuvante

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Karen Antunes: a história da mamãe mais guerreira do jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

A evolução de Alice ?
A evolução de Alice ? Arquivo pessoal

Depois de ter falado sobre como é treinar durante a gravidez e sobre como é ter um filho e não parar de treinar, ainda que precise cuidar da criança, conversei com a Karen Antunes, que é faixa preta da equipe CheckMat e teve a Alice há um mês. Karen é faixa preta desde 2014 e 4x campeã mundial, além de ser, também, campeã mundial máster (+30 anos). Seu mestre é Mayko Araújo, que é também pai da Alice. Karen se mudou para os Estados Unidos em 2015 para treinar e competir. Atualmente, vive com o marido e a filha no estado de Idaho, onde, em breve, abrirão sua própria academia.

Quando chmei a Karen para conversar, não imaginava a história gigante e de superação que ela tinha para contar. Eu queria escrever sobre sua trajetória no jiu-jitsu, como foi a decisão da maternidade, seus objetivos daqui para frente como atleta de alto rendimento… Mas a faixa preta me surpreendeu e decidiu abrir sua vida, contando que não foi tudo tão fácil e lindo como Alice demonstra ser.

De imediato, ela assumiu nunca ter falado sobre isso, mas hoje se sente confortável e acha que sua história pode servir de incentivo para outras mulheres que talvez passem pelos mesmos problemas.

Ela começou contando que, em 2014, estava fazendo um camp muito pesado para o Mundial, morando com Michelle Nicolini, e elas treinavam duríssimo, todos os dias. “Era um ano muito importante, somos da mesma categoria e nosso sonho era fechar o peso pena”, disse. Porém, três semanas antes do início do campeonato, ecomeçou a sentir dores muito fortes, parecidas com uma cólica, e foi ao médico.

Alice filha karen antunes
Alice filha karen antunes Arquivo pessoal

Nesse momento, Karen conta que parou imediatamente de treinar. Contou o ocorrido só para a Michelle e o Leozinho, seus professores. Em seguida, quando ela já tinha se habituado à ideia da gravidez, teve um sangramento e, com isso, seu primeiro aborto espontâneo. “Me senti a pior das pessoas, me culpei, sofri como se tivesse perdido alguém que já conhecia, fiquei uma semana trancada no quarto.” Depois da semana de luto, ela teve que tomar a decisão de lutar ou não.

Ninguém me pressionou, mas eu sentia que devia sim lutar, mesmo me sentindo tão mal. Lutei e lutei bem. Não ganhei, mas me deu uma satisfação e uma felicidade enorme saber que tinha dado o meu melhor.            

Depois desse mundial, Karen buscou um médico e fez diversos exames. Nenhum resultado negativo, ela não tinha nada e o médico dizia que era normal sofrer um aborto quando se engravida pela primeira vez, mas Karen ainda se preocupava. “Eu insistia na pergunta: ‘o que eu tinha feito para causar isso?’; mas nunca tive resposta”.

Após o momento complicado, Karen diz que passou a sentir uma vontade imensa de ser mãe. Seu marido a convenceu a esperar um pouco mais para que ela competisse e depois desse esse passo.

Mesmo a contragosto, eu concordei, mas não era o que eu realmente queria. “O jiu-jitsu sempre preencheu minha vida por completo, costumo dizer que minha vida se define como antes e depois do jiu. Eu me mudei para outro país pelo jiu, abandonei minha família e amigos por esse esporte e não me arrependo nem por segundo das escolhas que fiz, mas a partir daí, o jiu já não era tudo o que eu queria. Sentia um vazio enorme.”

Ela continuou, então, se dedicando e competindo até que, em novembro de 2015, teve uma segunda gravidez que a deixou muito feliz, tendo sempre em mente a velha história de que “o raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Porém, duas semanas depois da descoberta, ela teve outro sangramento. Foi direto ao hospital e lá ouviu que não podiam fazer nada para impedir seu segundo aborto.

“Esperei e a pior notícia veio mais uma vez”, disse Karen. “Toda aquela dor veio dobrada! Os médicos continuaram dizendo que eu não tinha nenhum problema físico, que até três abortos é normal, que só investigariam a fundo se fossem três abortos. Que absurdo alguém ter que passar por isso três vezes até começarem a investigar”. Embora a atleta tenha superado, ela também contou que o medo de tentar novamente era inevitável.

Mas em julho de 2016, ela engravidou novamente. Foi ao médico explicando tudo o que tinha acontecido e, de novo, não teve nenhuma explicação. “Na minha cabeça, ele podia me dar algum remédio que ajudasse a não acontecer novamente, mas ele dizia que não podia porque não encontrava nenhum problema”, contou Karen. E novamente aconteceu: duas semanas grávida e mais um aborto.

“Eu nunca fui uma pessoa triste ou desmotivada, mas esse período da minha vida foi bem difícil. Essa terceira vez foi um mês antes do Mundial Master em Vegas (meu primeiro ano de Master). Convencida pelo meu maior incentivador, fui lutar e ganhei categoria e absoluto. Senti uma pressão tão grande nesse campeonato e ainda não sei explicar o porquê. Talvez porque não estivesse 100% ali mentalmente (ou fisicamente).”           

E foi depois desse mundial que Karen tomou uma grande decisão: comunicar ao marido que não ia mais competir até resolver o problema de não conseguir ter um filho e obter todas as respostas às quais procurava. “Se eu tivesse algum problema e não pudesse ser mãe, tudo bem, mas eu precisava saber o que estava errado.”

Depois dos três abortos, a faixa preta procurou um especialista em infertilidade. Fez todos os exames possíveis e a cada resultado, uma frustração: não havia nada de errado e ela continuava sem respostas. Ela contou que este último médico a aconselhou a engravidar novamente e se propôs a acompanhá-la desde o primeiro dia. O método de tratamento, dessa vez, seria diferente, segundo Karen.

“Ele me dizia que faria a terapia do amor comigo, que me daria atenção e que talvez fosse isso que eu precisava. Eu até explicava pra ele que amor e atenção na minha vida não eram problema, que eu queria era algum remédio ou intervenção médica pra que isso não acontecesse mais.”                       

E em outubro de 2016, Karen engravidou novamente, pela quarta vez, com muito medo, insegurança, mas também com muita esperança. Ela ia ao médico duas vezes por semana, fazia exames de sangue e conversava muito, mas as semanas se passavam e o medo dela só aumentava. “Eu achava que estava chegando a hora de acontecer outra vez.”

Os dias foram passando, os resultados dos exames não apontavam nenhuma alteração e ela estava quase no terceiro mês de gravidez, sem qualquer tipo de tratamento ou intervenção cirúrgica.

“Tudo aconteceu nos Estados Unidos. Não contei pra ninguém, nem para minha mãe. Fui para o Brasil em dezembro e só com três meses de gravidez eu contei para a minha família. E desde então, foram muitas alegrias.”      

Karen conta que, quando engravidou de Alice, o médico disse para que ela continuasse treinando normalmente, que ela não perderia o bebê em hipótese alguma e isso a tranquilizou. Sendo assim, seguiu com os treinos todos os dias, mas diminuindo a intensidade. Porém, quando veio ao Brasil, decidiu consultar um médico por garantia e para talvez descobrir o sexo do bebê. E a surpresa foi que esse médico aconselhou que ela não treinasse mais.

“Eu me sentia ótima, mas preferi escutar e obedecer as ordens médicas. Parei com o jiu. Eu até poderia fazer posições e alguns drills, mas não era o que eu queria. Então, preferi me dar esse tempo de férias e fiz apenas musculação e treino funcional.”

Imagine uma pessoa que treina há oito anos ter passado por frustrações e, de repente, ter que parar de treinar? Eis mais um desafio, em que Karen conta que, sem treinar, ficou muito estressada.

“Eu sonhei que estava treinando durante toda minha gravidez. Acompanhar meu marido nos treinos, viagens, camps e não poder treinar me deixava mal, mas em momento algum ele cogitou parar ou diminuir os treinos. Nós vivemos de jiu, seria estressante para ele também não poder treinar. Assim ele focou mais nele, já que muitas vezes deixou de treinar para me treinar. Foi muito legal vê-lo se dedicando e pensando apenas em si. No geral, meu maior desejo estava sendo realizado. Então, eu segurava a onda e focava minhas energias no que eu podia fazer, e não no que eu não podia.” 

Karen se exercitou até um dia antes de ir para a maternidade. A atleta se cuidou bastante e não se arrependeu de nada e disse ter sido a melhor coisa. Seu parto foi normal e aconteceu há praticamente um mês. “Já perdi onze dos quatorze quilos que ganhei e estou contando os minutos para ser liberada pelo médico para voltar a treinar”, completa, muito feliz com Alice dormindo ao seu lado.

Hoje, Karen sente-se bem e Alice nasceu muito saudável. Mas apesar da felicidade, ela também assume estar muito cansada com a nova rotina e ao mesmo tempo ansiosa para voltar a treinar, além de segurar a ansiedade para a inauguração de sua nova academia, em Idaho, que está prevista para o dia 26 de agosto.

E assim sua vida mudou. Ela também contou que, embora quisesse muito ser mãe, deixar sua carreira de lado foi mais difícil do que imaginava, já que sentiu muita falta dos treinos e competições, mas que tudo valeu a pena.

Em relação à volta aos treinos, ela não vê a hora. Mas como tudo tem seu tempo, o médico disse que ela precisa esperar seis semanas após o parto para voltar aos tatames.

“Se eu pudesse, voltaria 100% hoje (risos). Algumas semanas atrás, até me inscrevi no Mundial Master porque achei que daria tempo de treinar, mas aí o médico disse que só me liberaria pra treinar jiu-jitsu seis semanas depois do parto. Esse é o tempo que o útero leva pra voltar ao tamanho normal. Outro fator que está dificultando bastante é o fato de que, aqui nos EUA, eles só começam a vacinar o bebê quando eles completam dois meses. Até lá, nada de sair de casa pra lugares públicos porque eles não têm imunidade alguma. Eu não sabia disso até Alice nascer.”

Ela pretende competir ainda neste ano, embora não tenha certeza de quando, já que isso demanda uma rotina, treinos duros e por aí vai. Mas seu plano é competir o Mundial sem kimono em dezembro e confia que estará preparada até antes.

É sempre uma decisão difícil deixar a carreira de lado para ser mãe e, claro, com Karen não foi diferente. Mas depois de tanta luta, dentro e fora dos tatames, ela agora tem Alice e creio que voltará mais forte do que nunca. Que sua história sirva de exemplo para outras mulheres e que nenhuma desista de seus sonhos. Não há nada no mundo mais justo do que seguir nosso coração, não importa o que digam. E com certeza, Karen, você seguiu o seu e o que é para ser seu ainda te aguarda! Bom retorno aos treinos e que Alice seja uma criança muito saudável. Com certeza, Alice vai dar o que falar nos tatames! E por agora, nós estamos ansiosos para te ver brilhar nos pódios novamente.

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Karen Antunes: a história da mamãe mais guerreira do jiu-jitsu

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Mundial de Jiu-Jitsu IBJJF 2017: confira a mulherada que brilhou!

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Na última quinta-feira (01/06) deu-se início ao campeonato de jiu-jitsu mais aguardado e de mais alto nível do mundo: o Mundial da Califórnia. É quando a tão conhecida pirâmide de Long Beach treme e traz confrontos emocionantes durante quatro dias.

Em relação às performances, já começamos nos surpreendendo com o nível de faixas azuis e roxas. Muita técnica e agilidade.

Destaque para Maggie Grindatti na faixa azul. A meio pesado da Fight Sports leva ouro duplo para casa: peso e absoluto. Além dos dois ouros, a atleta volta para casa de faixa nova, tendo sua faixa roxa amarrada na cintura no pódio, pelas mãos dos mestres Roberto Cyborg e Robert Drysdale.

Maggie Grindatti: campeã peso e absoluto faixa azul.
Maggie Grindatti: campeã peso e absoluto faixa azul. @maggiegrindatti

Já na faixa roxa, Julia Boscher também brilhou no peso médio. A atleta da Soul Fighters tem vindo de uma ótima fase, sendo que só esse ano já mordeu o ouro no BH International Open, Pan Americano, Mundial de Abu Dhabi e San Diego Open. Agora, além de mais um ouro para a coleção, as faixas marrons ganharam mais uma preocupação, já que Julia recebeu sua nova faixa de seu mestre Tatu Escobar.

Destaque na faixa roxa também para Izadora Silva da NS Brotherhood que bateu a atleta da Atos, Amelia Lui na final do peso pesado e para Jessica Guedry da Soul Fighters, que levou ouro duplo para casa, no meio pesado e no absoluto.

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Na faixa marrom a coisa começa a ficar ainda mais séria. No peso leve, destaque para a Catherine Perret, da CheckMat no peso leve, fechando a final com sua parceira de treino Nathalie Wan Soares Veras Ribeiro. No peso médio, destaque para Renata Marinho, da Alliance que mais uma vez venceu a atleta da Zenith, Raquel Paaluhi. Já no pesado, o título ficou com Yacinta Nguyen-Huu (Jiu-Jitsu For Life Team) que também tem mostrado resultados excelentes nas competições.

Mas não tem como não dar o destaque maior para a faixa marrom da CheckMat Andressa Cintra que tem dado o que falar nesses últimos tempos, tendo colecionado esse ano títulos como Brasileiro, quatro ouros no Paranaense (peso e absoluto com e sem kimono) e medalha de prata no Pan Americano. A mais nova árbitra levou para casa o ouro no meio pesado e também no absoluto. Numa chave de doze pessoas no peso aberto, Andressa fez lutas duríssimas, começando por Tara White, a campeã do super pesado e fazendo a final de ambas as categorias com a também atleta da CheckMat, Samantha Lea Cook.

Campeã faixa marrom: peso e absoluto.
Campeã faixa marrom: peso e absoluto. @andressacintrajj

E o mais aguardado: as faixas pretas. Parece que a cada ano o número de favoritas aumenta, se tornando cada vez mais difícil dar palpites. Pois nesse ano não foi diferente. Bianca Basílio, Beatriz Mesquita, Mackenzie Dern, Andresa Corrêa, Tayane Porfírio, Ana Carolina Baby, Claudia Do Val e até a Monique Elias, que estávamos com saudades de ver lutar, dentre tantas outras, estavam presentes.

No peso galo: a final rolou entre Rikako Yuasa (Paraestra Shinagawa) e Anne Amanda Carmo dos Santos (Attack JJ Team – Belém) e o título ficou para Rikako após um estrangulamento que colocou Anne Amanda para dormir. O bronze foi para Serena Gabrielli (Flow) Outi Jarvilehto (Brasa CTA).

No peso pluma: a final foi entre a campeã de 2016 Gezary Matuda (American Top Team)Talita Alencar (Alliance). Em um confronto muito movimentado entre as duas levinhas, Gezary tentou atacar as costas e Talita saiu muito bem. Em seguida, a briga continuou de forma muito acirrada. A atleta da American Top Team mostrou ter uma guarda ofensiva e afiadíssima o tempo todo, enquanto a da Alliance atacou muito por cima também, mas quando precisavam voltar em pé, Talita se mostrava ainda mais confortável por baixo, chamando Matuda duas vezes para a guarda. Faltando pouco menos de dois minutos para o fim da luta, Gezary, por cima, tentou pular e atacar um triângulo sem sucesso, e em seguida, Gezary deu uma pancada acidental no rosto de Talita que fez com que a luta ficasse parada para atendimento médico e o seu rosto, muito roxo na hora. Faltando pouco menos de 30 segundos para o final da luta, Talita, com muita vontade, conseguiu uma raspagem em Gezary e garantiu dois pontos para levar o ouro para casa pela primeira vez. O bronze ficou com Thamires Aquino (GFTeam) e Kristina Barlaan (Brasa CTA).

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No peso pena: sim, aqui fomos surpreendidas! Além de uma das favoritas cair na primeira luta, há uma suspeita de erro de arbitragem em duas lutas. A Bia Basílioda Almeida JJ (Atos) foi derrubada de por Ana Carolina Schmitt (Gracie Humaita) e Bia publicou o seguinte desabafo em seu Instagram:

Em seguida, a mesma atleta enfrentou Jacqueline Amorim (CheckMat) e venceu por um erro de arbitragem. Nenhum árbitro voltou atrás e deram pontos de forma irregular para Ana Schmitt. De qualquer forma, a atleta da Gracie Humaita avançou para a final. Para entender melhor o ocorrido, veja o vídeo que Jacque publicou no seu Instagram:

Do outro lado, a outra favorita Mackenzie Dern (Gracie Humaita) não lutou. Ana Schmitt fechou a final contra Emilie Maxine (Gracie South Bay) e o título ficou com Emilie. O segundo lugar ficou para Ana Schmitt e o bronze, Jacqueline Amorim.

No peso leve: na chave, duas favoritas e ambas finalistas. Luiza Monteiro (NS Brotherhood) avançou para a final após resistir a uma chave de pé absurda da Tammi Musumeci (Brasa CTA). A campeã de 2016 Bia Mesquita (Gracie Humaita) garantiu sua vaga na final com bronze no absoluto e uma vitória de 22×0 em cima da Jessica Cristina (Elite Brazilian Jiu Jitsu Redmond). Em mais uma final que já começou para valer entre Luiza Monteiro e Bia Mesquita, a atleta da Gracie Humaitá começou garantindo dois pontos de uma raspagem e a luta foi feita o tempo todo de forma muito pensada por ambas, o que veio resultando em punições por ter ficado muito tempo parada. Até por volta dos seis minutos e meio, já tinham três punições para cada lado. Bia ficou por muito tempo tentando atacar uma botinha em Luiza, que defendeu bem e tentou atacar de volta. Faltando pouco mais de dois minutos para o final da luta, Bia cometeu um erro fatal: ainda tentando atacar a botinha, ela girou para dentro (a regra de botinha, é que você tem que manter seu corpo “para fora” de sua adversária, caso contrário, o risco de machucar é grande) e a vitória ficou para a atleta da Brotherhood, que se emocionou muito ao final da luta. O bronze foi para Jessica Cristina e Tammi Musumeci.

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No peso médio: a atleta da GFTeam, Ana Carolina Vieira (Baby), em seu primeiro Mundial de faixa preta enfrentou a já veterana da AllianceMonique Elias, campeã do peso médio no ano passado. A luta foi muito dura e ficou por um bom tempo com Baby tentando passar e Monique tentando defender a guarda, que é o que cada uma faz de melhor. Ana ficou um bom tempo com uma vantagem e atacou bastante, enquanto Monique defendeu muito bem, mostrando muita flexibilidade. Com pouco menos de quatro minutos de luta, Baby deu um bote e quase foi para as costas de Monique, que se virou de quatro apoios e Ana garantiu mais uma vantagem. Ana pressionou demais Monique e foi garantindo vantagens e faltando um minuto e meio, Baby garantiu seus três pontos, passando a guarda da atleta da Alliance. Em seguida, ela conseguiu se desvencilhar, entrando na guarda fechada de Baby, que rapidamente garantiu uma raspagem e, novamente, conseguiu passar sua guarda e montar faltando apenas dez segundos para o fim, somando 12 pontos e vencendo sua categoria. Neste meio tempo entre passagem e montada, Baby tentou aplicar um katagatame que deixou os árbitros preocupados com Monique, achando que ela tinha apagado. Ana Carolina deixou toda torcida da GFTeam muito emocionada, comemorou dizendo ser apenas seu primeiro mundial na faixa preta e deu aquele abraço maravilhoso em seu coach e irmão, o lendário Rodolfo Vieira. O bronze ficou para Amanda Loewen e Nivia de Souza Moura.

No meio pesado: a até então atual campeã do meio pesado Andresa Corrêa, atleta de 37 anos da Alliance que está em perfeita forma física, enfrentou na final outra atleta em ótima fase, Nathiely Karoline (Cícero Costha). Nathi deu início a luta usando e abusando de sua guarda praticamente instransponível, que dificultou muito a vida de Andresa. Aos 4 minutos e meio, Andresa deu um pequeno vacilo que fez com que ela tomasse dois pontos e as duas voltaram em pé. Nathi novamente puxou na guarda e manteve-a fechada, quebrando a postura da atleta da Alliance e ganhando tempo. Com pouco mais de dois minutos para o fim, Andresa levantou e Nathi deu um bote, garantindo dois pontos de queda e em seguida, finalizando a veterana num estrangulamento. No final, Andresa Corrêa deixou sua faixa preta no chão do tatame. Muita gente está comentando ser uma aposentadoria. Será? Esperemos os próximos capítulos porque não sabemos de nada hahaha. Então o resultado ficou assim: ouro para Nathiely, prata para Andresa Corrêa e bronze para Leah Taylor e Jessica Flowers.

No pesado: essa categoria veio com nomes fortes. Claudia DoVal (De La Riva) que tem vindo fortíssima na faixa preta venceu sua primeira luta e partiu para a semi-final com a veterana e até então, atual campeã do peso Fernanda Mazzelli (Stricker JJ), vencendo-a e sendo a finalista. Do outro lado, Talita Treta (NS Brotherhood) enfrentou a duríssima Samela Leite (Ribeiro JJ), para vencer e enfrentar Claudinha na final. Entre Talita e Claudia, a atleta da De La Riva tentou chamar na guarda mas Talita já garantiu dois pontos. Claudia foi tentando atacar sua famosa omoplata e variações, encaixando um triângulo justíssimo em Treta, que demorou muito para se render enquanto Do Val arriscava todos os tipos de chaves de braço possíveis. Faltando quatro minutos para o fim, Claudia abriu o triângulo e tentou ir para as costas de Talita, sem sucesso, mas garantindo dois pontos de uma raspagem. Daí para frente, Talita segurou Claudinha na guarda e rolou uma briga muito grande para ver quem levava vantagem. No fim, Claudinha venceu Talita, que caiu no choro, nas vantagens. O terceiro lugar ficou para Fernanda Mazzelli.

Claudinha, novata na faixa preta e já campeã mundial em sua categoria.
Claudinha, novata na faixa preta e já campeã mundial em sua categoria. @graciemagazine

No super pesado: Tayane Porfírio (Alliance) como sempre imbatível, venceu sua luta contra Venla Orvokki (Hilti BJJ Jyvaskyla) aplicando um leg lock com apenas 58 segundos de luta e garantiu seu tão sonhado ouro num mundial com a faixa preta.

Tayane, sempre campeã.
Tayane, sempre campeã. @graciemagazine

E o absoluto, claro, chegou chegando! De um lado, as favoritas Bia Mesquita, Bia Basílio, Claudia Doval, Tayane Porfírio e Talita Treta. Do outro, Mackenzie Dern, Jessica Flowers (Gracie Barra), Nathiely Karoline e Monique Elias.

Depois de uma luta muito complicada e até um tanto polêmica no Curitiba Open desse ano em que Bia Basílio venceu Claudia Doval, a atleta do mestre De La Riva veio com tudo e finalizou Bianca logo na primeira luta, com um estrangulamento muito bonito.

Talita Treta foi batida também em sua primeira luta pela atleta da Brazilian Top Team, Alison Victoria Tremblay, que venceu por 1 vantagem de diferença da atleta da NS Brotherhood. A luta se resumiu com a atleta da BTT fazendo guarda e Treta tentando passar, mas infelizmente não ocorreu porque Alison realmente estava técnicamente muito forte. A semi final desse lado foi entre Bia Mesquita e Tayane Porfírio, que já se enfrentaram diversas vezes entre o ano passado e esse. Tayane finalizou suas duas lutas anteriores e levou a vitória também em cima da Bia, por apenas três vantagens de diferença.

Mackenzie também surpreendeu no absoluto e foi derrotada de cara pela super pesado Venla Orvokki, por cinco a zero. Em seguida, Venla enfrentou Jessica Flowers e a atleta da Gracie Barra avançou para a semi. Nathiely entrou para vencer Amanda Loewen (SBG International) de 20 a zero, enquanto Monique Elias vencia Laurah Elizabeth (GFTeam). Nas quartas de final, deu Nathiely x Monique e quem avançou para a semi foi a guardeira da Cícero Costha, por oito a seis. Para ir a final, Nathi venceu Jéssica Flowers por 2 x 0.

bronze ficou com Bia Mesquita e Jessica Flowers.

A final foi entre Tayane Porfírio e Nathiely Karoline e quem ficou com o título mais cobiçado foi a grande atleta da Alliance! Nathiely começou chamando na guarda ofensivamente e Tayane foi para cima tentando a passagem com bastante dificuldade, uma vez que a guardeira da Cícero é absurdamente flexível.

Nathi tentou laçar os braços de Porfírio e mantê-la distante, colocando uma guarda aranha em seguida. Com uma variação intensa entre guarda aberta e fechada de Nathiely, Tayane ainda tinha muita dificuldade de passar e até impor seu jogo, mas a batalha estava bem dura entre as duas. Faltando cinco minutos e meio para o fim, Tayane passou a ser ainda mais ofensiva na passagem e pouco mais de um minuto depois, pressionou Nathiely e conseguiu a montada, seguida de uma americana justíssima e finalizando a atleta da Cícero no braço, para garantir seu double gold.

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Além das lutas, as dez melhores atletas do ranking receberam suas respectivas homenagens e premiações, sendo o primeiro lugar para Mackenzie Dern pela ótima atuação na temporada 2016/2017. O prêmio é de 15 mil dólares para a primeira colocada, 4 mil para a segunda e mil para a terceira. A parte boa de tudo isso, além do bolso das atletas cheio, é que é o valor é o mesmo para os atletas masculinos.

As três melhores do ranking recebem premiação em dinheiro. 3º Lugar: Tayane Porfírio; 2º Lugar: Bia Mesquita; 1º Lugar: Mackenzie Dern.
As três melhores do ranking recebem premiação em dinheiro. 3º Lugar: Tayane Porfírio; 2º Lugar: Bia Mesquita; 1º Lugar: Mackenzie Dern. IBJJF

O resultado por equipes, segue com Atos Jiu-Jitsu na primeira colocação (105 pontos), Allianceem seguida (88 pontos) e em terceiro lugar, com 53 pontos, a equipe GFTeam domina.

Melhores equipes do Mundial IBJjF 2017.
Melhores equipes do Mundial IBJjF 2017. Imagem: Jiu-Jitsu Magazine

Tantas lutas e de tudo isso, podemos destacar que as meninas estão cada vez mais fortes. De todas as faixas e pesos.

Neste ano, só na categoria adulto, tivemos muitas inscrições. Sendo elas 111 na faixa branca, 241 na faixa azul, 142 na faixa roxa, 74 na faixa marrom e 51 na faixa preta. O total de mulheres inscritas (só no adulto!) foi de 619 e esse número só tende a crescer nos próximos anos.

Já estamos ansiosas por 2018!

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