O machismo no jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Oi, gente! Eu sou a Mayara Munhós, faixa azul de Jiu Jitsu na Cavalo Team – Kihon B9. Toda semana estarei aqui para falarmos um pouco dessa arte suave – que no fundo, nem é tão suave assim haha. Uma honra ter a chance de ver meu esporte preferido crescendo de alguma forma e mais ainda, por fazer parte disso. Para começar, sei que muitas pessoas que lerão meu blog não são 100% familiarizadas com o tema. Mas tudo bem, algumas expressões novas aparecerão e eu vou explicar tudo para não deixar nenhuma dúvida (explicações no rodapé do texto).

Machismo no futebol, no skate, no motocross… E é claro, no Jiu Jitsu não seria diferente. Esportes tradicionalmente masculinos carregam um preconceito enrustido em relação às mulheres que os praticam. Creio que um dos motivos do espnW estar no ar é exatamente esse: mostrar que muitas de nós queremos muito mais do que só um corpinho bonito.

De início comecei a escrever o post sozinha, mas me lembrei de que muitas companheiras de equipe poderiam contribuir com isso. Afinal, tenho certeza que cada uma delas já sofreu algum tipo de preconceito – inclusive de outras mulheres. Também perguntei em um grupo feminino de jiu quem já havia passado por isso. “Por que não vai fazer um esporte de menina?”. “Nossa, sua orelha vai estourar e ninguém vai te querer”. “Mas seu namorado deixa?”. “Como você usa saia com esses roxos feios na sua perna?”. Escolhas: cada um com as suas e essa foi a nossa.

Em disparado, as mulheres dizem que muitos dos homens dão desculpas quando são finalizados¹ no tatame. Eles dizem que aliviaram, que depois daquilo iam lutar sério… É mais comum do que imaginamos. Creio que a maioria já deva ter passado por alguma situação em que finalizou um companheiro de treino, ele perdeu a cabeça e, em seguida, veio com toda força bruta do mundo para não sair por baixo. E claro, eles são fisicamente mais fortes do que nós e muitas vezes acabam nos machucando. Mas por outro lado eles esquecem a boa e velha filosofia de Helio Gracie: o Jiu Jitsu foi feito para os mais fracos enfrentarem os mais fortes.

Entremos então nos méritos de força demasiada versus técnica refinada. Eu defendo que, muitas vezes, usar força no Jiu Jitsu é inevitável. A técnica, porém, é essencial. E aí entra outra oportunidade dos homens abusarem da força ao lutar com uma mulher que possui um nível técnico mais elevado. Isso acontece muito com os faixas brancas. É questão de tempo para que eles entendam a verdadeira essência do Jiu Jitsu – e com a maioria vejo que funciona (ainda bem).

Mais uma coisa comum: rola² de descanso. Quantas vezes você viu aquele cara saindo de um treino pesado atrás de algum outro parceiro para “descansar” e o alvo foi você? Pois é, muitas vezes somos utilizadas como rola de descanso, em que o cara vai “aliviar”, “nos deixar” entrar os golpes e, assim, descansar. Muitas mulheres comentaram comigo que isso também acontece com elas. Nós entendemos perfeitamente que muitas vezes somos mais leves e menos fortes, mas estamos lá para treinar, igualmente, não para descansar.

Além disso, quem nunca ouviu que “até ela te finaliza”, que atire a primeira pedra. Essas “brincadeiras” são infelizmente muito comuns entre os homens (apenas parem).

Ah! E vamos lá: quem foi que disse que uma mulher que treina Jiu Jitsu é lésbica? Não sei, mas já me disseram. Uma situação que já aconteceu comigo foi um (vários) grupo(s) de amigos que, depois de me conhecer, disseram: “Mayara, te vimos treinando e saímos do tatame dizendo ‘nossa, ela é tão bonita, pena que é lésbica’”. Gente, quantos pontos errados numa frase só! Primeiro: “tão bonita, pena que é lésbica”. Lésbica tem que ser feia? E por que pena? Segundo: julgamento. Eu entrei num dojo³ e as pessoas logo se curvaram para me olhar e, em seguida, comentaram que eu era lésbica. Mas eu sou lésbica por que decidi fazer um esporte tipicamente masculino? Ninguém me conhecia, ninguém sabia de onde eu estava vindo, ninguém sabia se eu tinha ou não um relacionamento e muito menos, se ele era com um homem ou com uma mulher. Esporte não define opção sexual, MESMO.

Agora, com vocês, a parte tensa: quando você percebe que o machismo não parte só dos homens, mas de muitas mulheres também. Já ouviram que “ela só está lá por causa de macho” ou então “amiga, queria ser você para ficar me agarrando com macho”? Pois é, acontece. E acontece tanto que quando comecei a namorar, o meu maior medo de assumir meu relacionamento era o fato de me julgarem desta forma. Comecei a treinar por vontade própria, sem ninguém me levar e continuo treinando, com meu namorado ou sem ele. O Jiu Jitsu é um mundo incrível! É muito normal maridos levarem suas esposas para treinar e elas pegarem o gosto. Ou então, por viverem muito nesse meio, muitas mulheres acabam se envolvendo com algum cara que treina. Mas é só pensar no seguinte: a partir do momento em que você convive num meio específico, seja ele qual for, a tendência é que seu relacionamento saia desse nicho. Com o Jiu Jitsu também é assim. Muitas mulheres que estão hoje no seu auge, como Angélica Galvão ou Monique Elias, que são casadas com homens do meio, treinam e têm diversos títulos de expressão. Cada pessoa tem seu motivo para treinar todos os dias: emagrecer, alcançar um condicionamento físico bacana, fazer amizades… E isso não diz respeito a ninguém. E “amigas”, a gente não precisa ir até o Jiu Jitsu para ficar se agarrando com macho, tá? Hahaha.

Para concluir, vivemos algo muito comum, que muitas vezes achamos legal e tomamos como um elogio. Mas sinta o machismo enrustido depois de ler três vezes: você luta como um homem. Parece ótimo lutar como um homem, ser vista como forte, guerreira, técnica, rápida… Mas, espera aí, por que para ser tudo isso precisamos ser comparadas a um homem? Fica a reflexão.

Hoje em dia a participação das mulheres no Jiu Jitsu tem crescido muito. Ainda vemos uma escassez muito grande de mulheres em academias e campeonatos, e isso aumenta conforme a graduação. Aos poucos estamos conquistando nosso espaço nos tatames, mas ainda temos muito a melhorar.

Nunca desistam de treinar caso se sentirem desrespeitadas. Respeito é bom e é para todos. Manter-se firme faz parte do processo, queremos mais mulheres a cada dia conosco para medir nossas habilidades de forma justa. Afinal, somos ou não somos guerreiras? Só nós sabemos o real motivo de estar aqui e isso ninguém nos tira.

Rodapé de explicação do dia:

1 – Ser finalizado: no Jiu Jitsu há duas maneiras de ser acabar uma luta – por pontos (no caso de campeonato) ou por finalização. A finalização é quando o oponente “desiste” e da três tapinhas para avisar que o golpe está encaixado. 

2 – Rola (lê-se “róla”): é como nos referimos a luta. Exemplo: Eu vou rolar com ela hoje = Eu vou lutar com ela hoje.

3 – Dojo: é onde as artes marciais japonesas são treinadas e que deve ser respeitado como a própria casa dos praticantes. Já viram os japoneses tirando o chinelo e fazendo reverência ao entrarem em casa? Com o dojo (ou tatame) também deve-se ser assim.

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Entrevista: André Galvão e a Atos - Mundial, ADCC, time, rotina e planos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

E aí, galera!

Hoje é dia de vídeo lá no meu canal no YouTube.

Depois de trocar uma ideia com o Lucas e o Kaynan e com a 'chefa' Angélica Galvão, foi a vez de eu sentar e conversar com o big boss: André Galvão.

Conversamos um pouquinho sobre sua rotina no trabalho e com a família; o tão sonhado Mundial 2017; a luta do ADCC contra seu partner "Juninho" Calasans; como é estar por trás da Atos; e alguns  planos para o futuro. 

Depois de já faturar o Pan Kids, nesse final de semana, parece que 2018 promete muito para o atual time campeão mundial.

Assiste aí e se inscreve para ficar por dentro dos próximos vídeos! 

Oss.

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O que podemos tirar de uma aula de jiu-jitsu para mulheres?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Primeiro treino feminino aberto na Atos - Ono (São Caetano do Sul)
Primeiro treino feminino aberto na Atos - Ono (São Caetano do Sul) Arquivo Pessoal

Quando comecei no jiu-jitsu, nem imaginava a possibilidade de haver uma turma só de mulheres.

Quando voltei, vi que o número de mulheres havia crescido absurdamente.

Hoje, vejo que ter aula de jiu-jitsu voltada apenas para mulheres pode ser essencial para muitas delas e um grande benefício.

Já fiz um vídeo sobre as aulas da Sensei Monica Istamati - e aproveito para dizer que a turma está crescendo e que muitas das meninas que no vídeo eram faixas brancas, hoje já foram graduadas pela professora! E a cada dia, vemos mais a importância da inserção dos treinos femininos nas academias.

Tive a sorte/honra/felicidade de receber a oportunidade de puxar um treino feminino pela primeira vez e quero contar aqui como foi!

Em relação à experiência, foi incrível. Desde quando percebi que temos que lutar pelo crescimento do jiu-jitsu feminino, me senti (e me sinto) responsável por fazer minha parte nisso todos os dias. Ter um treino feminino comandado por mim se tornou um objetivo de vida. Eu não esperava que isso seria tão logo; achei que, talvez, aconteceria depois de um tempo de marrom ou quando chegasse à faixa preta. Mas ganhei a confiança de meus professores e eles me sugeriram fazermos um teste: "ei, vamos fazer um treino aberto? Se der certo, continuamos".

Quando estava chegando a hora e ninguém estava lá, já fiquei um pouco (mais) nervosa. Seria minha primeira aula e não teria nenhuma aluna. Resultado: onze meninas estavam láE o mais legal disso tudo era ver o misto de garotas: umas já treinavam, outras vieram de fora, outras ainda estavam voltando naquele dia para o jiu-jitsu e algumas outras estavam lá pela primeira vez. É uma honra poder colaborar para reinserir algumas garotas no meio, bem como inserir outras.

Há algumas coisas que eu queria ter dito a elas no final do treino e não rolou - eu esqueci - mas acho que vale falar aqui alguns motivos da importância do jiu-jitsu feminino.

1. Temos mais liberdade de expressão sem medo de não sermos entendidas
Não estou dizendo que podemos falar palavrões, coisas feias, sórdidas e obscuras das nossas vidas, mesmo porque essas coisas não são assuntos para um treino. Mas no sentido de ter liberdade de falar coisas como: "professora, estou com cólica" ou então "professora, não vou treinar hoje porque estou no primeiro dia do meu ciclo" ou então, ainda aquela coisinha básica "miga, dá uma olhadinha se minha calça sujou?". Não é que os professores não entendam necessariamente, porque às vezes entendem, sim. Mas muitas mulheres tem vergonha de falar esse tipo de coisa. E também não é lá muito confortável perguntar para um cara se nossa calça está suja de sangue, diga-se de passagem.

2. O jiu-jitsu feminino pode ser uma porta de entrada
Existem alguns motivos básicos que fazem as mulheres não pisarem num tatame pela primeira vez: vergonha, um companheiro ciumento (infelizmente muitos caras vetam suas namoradas/esposas de estarem no tatame porque acham que vai rolar um esfrega-esfrega desrespeitoso), por medo ou, simplesmente, por não se sentirem confortáveis em ser a minoria ali. O treino feminino integra e faz com que muitas meninas sintam-se mais a vontade e confiantes para iniciar o jiu-jitsu e, aos poucos, muitas se soltam e vão para o treino misto.

3. É técnica x técnica
Quando treinamos com homens, muitas vezes fica aquele arzinho de dúvida na cabeça de "nossa, será que eu iria melhor se ele não tivesse tanta força?". Então, é a hora em que podemos medir forças de igual para igual, já que mulheres tem suas forças equivalentes. É o momento de ver como é que sua técnica está e se os treinos mistos estão te fazendo mesmo evoluir. Em resumo: é hora de ver se aquilo que estamos aplicando nos caras, está realmente funcionando.

4. Rivalidade? Aqui não!
Infelizmente, há uma cultura que defende que mulheres devem ser rivais. Uma sempre precisa ser melhor, maior, mais forte... E no treino feminino, isso acaba. Talvez você até entre no tatame, achando que vai precisar ser melhor que todas. Mas um dia, você vai perceber que só precisará ser melhor que você mesma e que cada parceira de equipe é muito importante para sua evolução. É muito importante saber diferenciar a rivalidade da competitividade. Você deve, sim, ser competitiva. Mas é aquela coisa de "cinco minutos sem perder a amizade", sabe?

5. O estilo do rola muda
Muda porque o biotipo muda. Mulheres tendem a ser mais flexíveis do que homens, por exemplo. Sendo assim, na hora de rolar com outra mulher, sentimos grande diferença nisso. E tem outra coisa: na hora da competição, é mulher x mulher. Então, é ótimo treinarmos ajustes em outras mulheres também.

6. Treinar só com homens não necessariamente vai te fazer mais forte
Não estou dizendo que é ruim treinar com eles, muito pelo contrário! Treino todos os dias e gosto muito. Mas existe uma lenda que as pessoas te contam e, às vezes, você cai: "você só treina com homens, vai chegar no campeonato mais forte que as outras". Mentira! Todas as outras também treinam só com homens. Portanto, abra a cabeça e treine sim com mulheres sempre que possível. Treinar com homens ajuda muito mesmo, você realmente cria uma "casca", mas não podemos nos limitar a isso e precisamos, sim, abrir um espaço para treinar com outras mulheres (qualquer dúvida, volte para o item 3).

Portanto, treinar com mulheres pode ser uma ótima escolha e mais: isso não anula o fato de você participar dos treinos mistos. Que tal tentar colocar em prática também em sua academia um treino feminino como um 'extra treino' na semana? Ter uma academia cheia de mulheres é tão lindo, aproveitem essa porta de entrada!

Leia também: Treino misto x Treino feminino, por Carolina Lopes.

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Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #02)

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Na semana passada, publiquei aqui a primeira parte de um bate-papo que tive com Angélica Galvão.

Hoje, está no ar a última parte da entrevista que publiquei lá no meu canal!

Angélica conta como é o marketing da academia em que todos querem treinar. Fala, também, que ela não desistiu do jiu-jitsu, além de contar um pouco sobre sua relação com seu marido, André Galvão, líder da Atos

O André é o melhor amigo que eu tenho. (...) Ele tá acima de mim, mas não vejo isso em momento nenhum como um peso. (...) Eu não fui forçada, entendeu? Foi minha decisão ter esse lugar na minha família. Abrir mão um pouquinho de um desejo pessoal para ter uma família sólida. E eu não tenho vergonha nenhuma em dizer isso (...) Tenho orgulho de falar 'quem é Angélica? Esposa do André', não tenho problema nenhum em falar.

Angélica Galvão


Mega inspiração! 

Assiste aí e conta o que achou ;)


Em breve, tem mais!

Fonte: Mayara Munhos

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Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #02)

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Jiu-jitsu: veja os resultados do adulto feminino no Campeonato Europeu da IBJJF

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Campeã absoluta na faixa preta!
Campeã absoluta na faixa preta! @flograppling

Janeiro de 2018: start nos campeonatos de jiu-jitsu e oficialmente, feliz ano novo!

Como de costume, acontece no Pavilhão Multiusos de Odivelas, em Portugal, o Campeonato Europeu da IBJJF que é mais do que um simples aquecimento para os próximos que estão por vir, sendo peso quatro no ranking da federação.

Comparando o número* de homens e mulheres (na divisão adulto), podemos dizer que o feminino tem crescido exponencialmente, mas se botarmos na ponta do lápis, ainda somos poucas. Na faixa branca, apenas 18% eram mulheres. Na azul, 20% (sendo 1034 homens e apenas 243 mulheres), na roxa 121 mulheres contra 655 homens, na marrom 484 homens e 56 mulheres e, na tão esperada preta, apenas 7% eram mulheres (561 x 42). Sendo assim, vemos que, no total, apenas 7% eram mulheres. O que não as faz pior, já que as lutas foram duríssimas e conquistaram o público.

Dando início falando das faixas azuis, que se encontraram no primeiro dia, destaque para Barbara Bergbauer, da Association Aranha que ficou com a prata no meio pesado e conquistou ouro no absoluto, após derrotar a duríssima Océane Jativa, da Academia Pytagore, que havia mais cedo sido campeã na categoria super pesado.

Barbara Bergbauer: segundo lugar no peso e campeã absoluta faixa azul.
Barbara Bergbauer: segundo lugar no peso e campeã absoluta faixa azul. @ASSOCIATIONARANHA

Já na faixa roxa, destaque absolutíssimo para a atleta da Infight, Gabrielli Pessanha. A aluna de Márcio de Deus, do Projeto Social Lutadores de Cristo, deu show em sua categoria (super pesado) e, em seguida, venceu o absoluto da Vanessa Maria Varela Pereira, atleta da equipe Kimura, que havia sido vice campeã em sua categoria (médio).


Na faixa marrom, contamos com grandes nomes como Thamara Ferreira (Cícero Costha)  que foi campeã no peso médio, Izadora Cristina (Qatar BJJ Brasil) em seu primeiro Europeu de marrom e campeã de sua categoria (pesado), Mayssa Bastos (GF Team) campeã do peso pluma e Gabriela Fetcher (Checkmat), terceira colocada no peso leve. Porém, o double gold (peso leve e absoluto) acabou mas mãos de Amal Amjahid, lutando pela PAT Academy da Bélgica.


 E as mais esperadas: faixas pretas. Umas mais antigas e outras recém graduadas, mostraram que no jiu-jitsu não tem essa de zebra, é cinquenta por cento de cada lado e que vença a melhor – não necessariamente no ranking.

 Na categoria galo, apenas duas inscritas: Outi Tammilehto, da BrasaSerena Gabrielli, da Flow. Repetindo o mesmo feito do ano passado, Serena venceu Outi.


No peso pluma, tínhamos quatro inscritas, sendo uma delas a Talita Alencar (Alliance), atual campeã mundial e favorita ao título dessa categoria. Sua primeira luta foi contra a britânica Vanessa English (Gracie Barra). Faltando 7 minutos para acabar, as atletas saíram da área de luta e ela foi interrompida para que voltassem ao centro. Em seguida, os árbitros conversaram entre si e deram a vitória para Vanessa por conta de um triste erro técnico de acordo com a regra. Sendo assim, English avançou e fez a final com Liwia Gluchowska (Absolute MMA). Ela venceu por pontos e ficou com o ouro.

Vanessa English: campeã peso pluma faixa preta.
Vanessa English: campeã peso pluma faixa preta. IBJJF

Dessa vez tivemos Bianca Basílio (Almeida JJ/Atos) num corte de peso até o último segundo e marcando presença no peso pena. Sua primeira luta foi contra Emilia Tuukkanen, atleta da Gracie Barra e Bia venceu após encaixar um estrangulamento muito justo. Do outro lado, vinham Amanda Monteiro (GF Team), Heather Raftery (Atos Jiu-Jitsu) e Emilie Maxine (Gracie South Bay). Heather enfrentaria Amanda em sua primeira luta, porém, segundo o site da federação, foi desclassificada por exceder o peso, fazendo com que a atleta da GF Team avançasse direto para a semi, vencesse da Emilie e fizesse a final com Bia Basílio. Numa luta duríssima, o título ficou com Amanda nos pontos.

Amanda Monteiro: campeã peso pena, faixa preta.
Amanda Monteiro: campeã peso pena, faixa preta. @amandamontbjj

No peso leve, a favorita Beatriz Mesquita (Gracie Humaita) estava presente e venceu sua primeira luta (semi final) da atual campeã do Grand Slam de Abu Dhabi (até 62kg) Charlotte Von Baumgarten (Alliance). Do outro lado, vinham Líbia Alves Gonçalves (Natural Kombat) e Erin Herle (Alliance) em seu primeiro Europeu na faixa preta. Erin venceu de Líbia nos pontos e avançou para a final contra Mesquita. As duas se enfrentaram, e o título mais uma vez foi para a atleta da Gracie Humaita, após encaixar um estrangulamento pelas costas.


O peso médio vinha forte, com destaque para Renata Marinho (Alliance) de um lado e a havaiana Raquel Pa’aluhi (Zenith) do outro. Renata foi derrotada por Danielle Alvarez (Gracie South Bay) por pontos em sua primeira luta, enquanto Raquel avançou para a final após vencer a atleta Maria Eduarda Vieira (Brazilian Power Team) nas pontuações e encontrou-se com Danielle, que venceu a havaiana nos pontos e ficou com o ouro.

 

No meio pesado, a chave vinha com Claudia do Val (De La Riva) e Samantha Lea Cook (Checkmat), que estreava na faixa preta neste campeonato. Numa luta eletrizante, que terminou empatada (uma vantagem para cada lado), Claudia do Val ficou com o ouro por decisão dos árbitros.

Meio pesado: ouro para Claudia do Val, da De La Riva.
Meio pesado: ouro para Claudia do Val, da De La Riva. @flograppling

Na categoria pesado, a atleta da G13, Carina Santi enfrentou Jessica Flowers, da Gracie Barra numa luta duríssima. Depois de uma raspagem, Carina venceu Jessica por 2x0 e levou o ouro para São Paulo. 

Pesado: Carina Santi numa luta emocionante, ficou com o título.
Pesado: Carina Santi numa luta emocionante, ficou com o título. @carinasanti_bjj

No super pesado, a atual campeã Tayane Porfírio (Alliance) veio mais uma vez forte para enfrentar novamente a atleta da Hilti BJJ, Venla Luukkonen. A luta foi incrível, Tayane como sempre foi muito ofensiva e Venla não desistiu nem por um minuto. Quem ficou com o ouro foi Tayane, após vencer por 8x2.

Super pesado: deu ela de novo! Tayane Porfírio.
Super pesado: deu ela de novo! Tayane Porfírio. @flograppling

 
Já no absoluto, a chave seguia forte. Tendo início no sábado e as finais no domingo, tivemos de um lado Carina Santi vencendo Líbia Alves e avançando para encontrar Tayane. Embaixo, Jessica Flowers venceu a primeira luta contra Heather Raftery e encontrou Venla Luukkonen em seguida.

 Do outro lado, Samantha Cook vencia Maria Eduarda Vieira para enfrentar Bia Mesquita e, embaixo, numa luta muito movimentada, Bia Basílio vencia de Talita Alencar para enfrentar Claudia Do Val.

Nas quartas de final, Porfírio venceu Carina Santi enquanto Jessica Flowers venceu Venla. E do outro lado, Bia Mesquita venceu Samantha e Bia Basílio enfrentava mais uma vez em sua carreira Claudia Do Val. A vitória ficou para a atleta da De La Riva, que avançou para as semis.

 As semis ficaram assim: Tayane Porfírio venceu Jessica Flowers e avançou para a final contra Bia Mesquista, que venceu de Do Val.

E, mais uma vez, double gold para Tayane, que venceu Bia Mesquita na final por dois pontos de uma queda quase aplicada, mas interpretada como se Mesquita tivesse “fugido” da área de luta. Aparentemente, a atleta da Gracie Humaita não concordou. Fora isso, Bia dominou muito bem a luta, praticamente 100% do tempo e chegou a ficar cinco vantagens a frente da atleta da Alliance, mostrando que está vindo muito mais forte nessa temporada de 2018.

1º lugar: Tayane Porfírio. 2º lugar: Bia Mesquita. 3º lugar: Claudia do Val e Jessica Flowers
1º lugar: Tayane Porfírio. 2º lugar: Bia Mesquita. 3º lugar: Claudia do Val e Jessica Flowers IBJJF


Saldo muito positivo para as atletas nesse ano e alguns resultados inesperados, mas a cada nova disputa, vemos a força feminino crescer muito. Esse ano promote!

 *Dados extraídos do Flograppling.

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Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #01)

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Depois da série com o Lucas e o Kaynan, lá da Atos HQ, foi a vez de conversar com a Angélica Galvãoque tem grande responsabilidade na conquista do título Mundial da Atos e em manter a equipe em pé.

Angélica é faixa preta, tem 31 anos e é casada com o professor André Galvão. Juntos, eles tomam conta da Atos Jiu-Jitsu com muita responsabilidade, e os frutos estão sendo colhidos. Infelizmente, não vemos mais a Angélica competir, mas podemos vê-la "behind the scenes", liderando a equipe.

Neste primeiro vídeo, a atleta e agora empreendedora conta algumas coisas como a dor da sua lesão, que a manteve fora das competições, mas por outro lado, que a inseriu no mundo business. Também diz como é a administração da equipe, fala sobre alguns objetivos e também conta se a Atos recruta ou não atletas, que é uma dúvida de muitos. 


Por trás de um grande time, sempre existem grandes pessoas. 

Na próxima semana, o desfecho do bate papo com ela!

Inscreva-se inscreve aqui no meu canalpara acompanhar tudinho.

Fonte: Mayara Munhos

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Já imaginou dar aula de jiu-jitsu para mulheres na Arábia Saudita? É o que faz uma brasileira de 22 anos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Larissa e suas alunas
Larissa e suas alunas Larissa Madruga

Outro país, outro continente, outra cultura, outro idioma e costumes completamente diferentes: Arábia Saudita. É lá que a Larissa Madruga dá aulas de jiu-jitsu para mulheres. 

Mas como será que é viver em um país em que as mulheres são tratadas de uma maneira tão diferente do Brasil? 

A Larissa tem 22 anos, dá aulas na Arena Heroes em Jeddah e é a primeira mulher faixa preta de jiu-jitsu da Arábia Saudita.

Há algum tempo, Larissa divulgou num grupo de jiu-jitsu feminino que a Arábia estava recrutando brasileiras para dar aulas, porque a turma feminina começou há pouco tempo, mas já tomou proporções imensas e ela já não dá mais conta de dar aulas sozinha. Surgiram muitas dúvidas em relação a tudo e ela me contou tudinho sobre o país e sobre como é viver lá. Então, decidi dividir em algumas partes para ficar mais fácil. Let's go!

CONHECENDO A LARISSA

A Larissa é brasileira e tem uma história bem legal. Ela é do tipo "deixo a vida me levar" mesmo e é por conta disso que está onde está hoje.

Ela treina jiu-jitsu desde os três anos de idade e seu pai também é professor. Ela conta que sempre quis muito competir, mas que seu professor não incentivava muito as competições. Por isso, seu pai começou a se empenhar e se especializou nisso para poder levar a filha para todos os campeonatos imagináveis.

Ela foi ao seu primeiro Mundial na Califórnia e começou a se preparar para morar lá.

"Eu fui, decidi que era o que eu queria fazer da minha vida! Minha família não apoiava completamente, só eu e meu pai acreditávamos que o jiu-jitsu podia dar em algo bom. Então, nos programamos e eu me mudei para os Estados Unidos. Treinava na JACO, fiquei lá por um tempo e ia e voltava para o Brasil por causa do visto".

Ainda morando nos EUA, surgiu a oportunidade para que ela desse aula em Abu Dhabi, por meio da Palm Sports. E fez a entrevista, mas não conseguiu. "Alegaram que eu era muito nova já que era para trabalhar em base militar. Eu tinha 19 anos e não era faixa preta ainda, mas fiquei bem chateada", contou Larissa, que vai fazer dois anos de faixa preta em abril deste ano. 

Em seguida, apareceu a oportunidade de dar aulas no Bahrain, por meio de um amigo da família, e ela foi.

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DANDO AULAS NO BAHRAIN

"Ele disse que precisava ou de um casal ou de um pai e uma filha, já que era para ambos viverem juntos e a cultura do país não permite que duas pessoas que não tivessem ligação de parentesco vivessem juntas. Conversei com meu pai, que nunca tinha pensado em sair do Brasil, e ele topou, já que o Brasil estava numa situação complicada. Eu ainda estava nos Estados Unidos na época, mas larguei tudo e fui pelo meu pai, para dar a oportunidade de ele conhecer uma vida nova. Achei que era algo do destino"

Já no Bahrain, ela conta que o salário era bom, mas não maravilhoso, e também destaca que no início foi muito complicado. "Fiquei desempregada, só conseguiam pagar meu pai. Fui para outra academia, mas não para dar aulas de jiu-jitsu, e sim de boxe, e depois fui conseguindo outros trabalhos". 

Ela também contou que só neste ano sua situação está estável, mas que até então foi algo difícil, por mais planejado que estivesse.

"As pessoas acham que a gente já vem com tudo planejado e que tudo é incrível desde o início. Mas os planos, às vezes, vão por outros caminhos e a gente não pode prever o que vai acontecer".

Diante desse cenário, Larissa começou a ter muitos seguidores nas redes sociais e foi na Internet que a academia atual da Arábia a encontrou. "Me encontraram, fizeram a entrevista e eu aceitei, apesar de ser um grande desafio."

A VIDA NA ARÁBIA SAUDITA

Larissa diz que é uma vida um pouco complicada para quem mora fora do condomínio. Explicando sobre o condomínio: é como se fosse uma "cidade" dentro de Jeddah, em que prevalecem as leis dos expatriados e é onde ela mora. Lá, tem gente do mundo todo e fora dele, você precisa seguir à risca as regras da Arábia Saudita e, para quem não está acostumado, é muito complicado. A parte ruim do condomínio é que é bem caro.

"Apesar da Arábia ter muitos problemas em relação a cultura, decidi botar a cara e as pessoas perguntam se tenho planos, quanto tempo vou ficar aqui e eu não sei. Pode ser que daqui um ano eu receba uma proposta no Japão e queira ir. A vida é isso aí mesmo".

Sobre o recrutamento de mulheres para trabalharem com ela, surgiu porque o programa na Arena Heroes, apesar de ter apenas seis meses, já conta com cerca de cem crianças e ainda há fila de espera. "Eu preciso de ajuda para abrir novas classes. Já dou quatro aulas por dia, para crianças de 4 a 16 anos. A turma das adultas não firmou ainda, só no boxe."

Ela avisa que as vagas já estão fechadas e que foram recrutadas duas brasileiras, sendo uma faixa marrom e outra faixa roxa, mas que caso ainda hajam interessadas, não é para desanimar porque é provável que ainda neste ano abram mais vagas.

Larissa tem um canal no YouTube, o Larissa Madruga TV, em que ela conta e mostra como é a vida lá e tira também algumas dúvidas. Vai lá para se inscrever e para saber muito mais sobre a vida na Arábia.

Seu último vídeo conta porque ela é feliz lá e vale a pena ver e conhecer também suas alunas (que são fofas demais).


O QUE VOCÊ PRECISA PARA IR PARA A ARÁBIA?

Larissa recebeu diversos e-mails, com diversas dúvidas e destacou três coisas muito importantes em que você deve se ligar caso queira ir para lá. 

Esteja em uma equipe de renome.

"Se você me falar de onde vem, eu vou saber quem é o professor, vou pesquisar. A gente entra em contato com ele, para saber qual sua linhagem e se você vem de um lugar de referência. Senão, não vai rolar".

Fale inglês!

Não, não precisa falar árabe. Mas inglês é fundamental, já que é o idioma em que as aulas são ministradas. "Muita gente estava apta a vir, mas não tinha inglês. Sem inglês, realmente não tem como vir".

Tenha passaporte em mãos.

O mínimo que se deve ter quando você deseja sair do Brasil, é o passaporte, independentemente se for para a Arábia ou não. "Muita gente que me contatou não tinha nem passaporte. Então, se você não tiver um passaporte, já fica mais complicado porque além disso, tem toda documentação e visto para tirar. Já tendo o passaporte, facilita."

E ela também anima que todas as que mandaram e-mail, estão guardadinhas de coração para um próximo processo seletivo.

Imagine dar aula para essas fofuras?

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Fiquem ligados no meu Instagram e no da Larissa porque estamos planejando fazer um live esclarecendo mais dúvidas sobre esse lance de migração. Então, podem me mandar perguntas por direct que vamos responder tudinho!

E também não se esqueçam de se inscrever no Larissa Madruga TV e claro, no meu canal (que tem vídeo novo hoje)!

Até semana que vem.

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Já imaginou dar aula de jiu-jitsu para mulheres na Arábia Saudita? É o que faz uma brasileira de 22 anos

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Ano Novo, objetivos novos (ou nem tão novos): vamos falar ainda mais de jiu-jitsu?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Olá, pessoas! Primeiro post de 2018 e... Tenho tentado me focar em produzir cada vez mais conteúdo. 

Eu sempre tive um canal no YouTube, sem muito planejamento e muito menos divulgação, mas o objetivo era mesmo colocar meus vídeos lá e trazê-los aqui para vocês. Mas vi que as pessoas gostam mesmo de vídeos, por mais simples que sejam. Acho difícil manter um canal no YouTube por conta de tempo mesmo, mas vou me esforçar para gravar mais e mandar ver.

Quando programei minha viagem de férias para os EUA,  fui na intenção de gravar algumas coisas sobre assuntos que considero relevantes no meio do jiu-jitsu e são pouco falados publicamente.

Hoje divulgo aqui o primeiro vídeo dessa saga, onde gravei com o Lucas Hulk e o Kaynan. Os dois são atletas brasileiros, que treinam na Atos e vivem em San Diego. No primeiro episódio, falamos sobre o visto americano deles! Muitos atletas aqui do Brasil têm a intenção de migrar para os Estados Unidos por diversos motivos, mas não é tão fácil e também não é bacana se manter lá de uma maneira ilegal, principalmente se você procura ser um atleta profissional. 

Os meninos deram várias dicas de como planejar isso para nada dar errado. Vejam aí:


E se liguem que o próximo vídeo sai quinta-feira (04/01) e em seguida, tem mais, na terça (09/01) e na quinta (11/01).

Até a próxima!

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Veja tudo o que rolou no V Camp Feminino de Jiu-Jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Coração da Michelle Nicolini
Coração da Michelle Nicolini Mayara Munhos - BJJ Fórum


Nesse final de semana, foi realizado na The House Fight Company, em Santos, pela quinta, vez o Camp Feminino de Jiu-Jitsu, organizado pela campeã mundial Michelle NicoliniA intenção do camp é juntar muitas meninas e promover o jiu-jitsu feminino e, por isso, todas elas se encontraram durante sábado e domingo para treinar.

Conversei com a Michelle, que me contou que a ideia surgiu pelo fato de ela ver que fora do Brasil isso ocorria com frequência e aqui, não. E então, ela decidiu criar anualmente uma edição, que só está crescendo. 

Até hoje, todas as edições foram realizadas em Santos, mas para os próximos anos, o objetivo é levar para outros lugares do Brasil, para que o máximo de mulheres possam aderir. Dica: a ideia, no ano que vem, é que role num hotel fazenda. 

Além da Michelle, também estavam presentes as professoras Priscila Prandini, primeira faixa preta de jiu-jitsu formada por Michelle, a Ana Carolina Vieira, com quem eu já fiz uma entrevista aquiNika Schwinden, faixa marrom de Curitiba, e Thamires Aquino, que também já passou por aqui.

E junto dessas mulheres incríveis, estavam presentes mais cerca de 50 outras mulheres incríveis.

Realizei a cobertura do evento através do site BJJForum. E claro, aproveitei para fazer um vídeo para vocês! Sem spoiler, assistam aí! 


Em breve, as fotos estarão disponíveis na página do Facebook do BJJForum. 

É só seguir, clicando aqui!

Vamos aguardar que no ano que vem tem mais! 

Oss.

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Conheça a história de Andressa Cintra, atleta da Checkmat que aos 22 anos já é faixa preta de jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Andressa Cintra é a mais nova faixa preta da nova geração: com apenas 22 anos, a atleta da equipe Checkmat teve sua faixa preta amarrada na cintura pelo seu professor Sebastian Lalli depois de lutar o Sul Americano em São Paulo e se consagrar vice-campeã em sua categoria e campeã no absoluto. Ela tem sempre se destacado nas competições e me impressionou o fato de que passou muito rápido e foi completamente meritório. Por isso, conversei com ela para conhecer um pouco mais de sua história no jiu-jitsu.

Ela começou a treinar aos 15 anos em Campo Mourão (Paraná). A busca pelo esporte foi por ser muito agitada e querer se acalmar. Andressa conta que, de imediato, não conseguiu fazer nada e achou tudo muito estranho.

“Vi uma amiga minha na academia onde eu dançava fazendo uma aula em que homens ficavam rolando e se agarrando (hã?!): o jiu-jitsu. Decidi combinar com ela de fazer uma aula para não me sentir muito deslocada. Não consegui fazer nem um rolamento de frente na primeira e ficava indignada como era difícil fazer um armlock. Voltei na outra aula e ainda não consegui fazer nada (risos). Foi aí que fui motivada pelo próprio jiu-jitsu a continuar, pois achava muito difícil executar qualquer movimento e eu precisava aprender aquilo. Estou tentando até hoje!”

Andressa ainda na faixa branca
Andressa ainda na faixa branca Reprodução/Facebook

A faixa preta conta que o jiu-jitsu mudou o foco de sua vida completamente e que a fez uma pessoa melhor: antes ela não levava os estudos a sério e era uma pessoa rebelde, mas o esporte a disciplinou e, hoje em dia, até a mãe pratica exercícios físicos por sua influência. “Minha mãe era sedentária e começou a praticar exercícios físicos e agora ela parece ser mais nova que antes. Treina todos os dias musculação, funcional, me chama pra correr nos domingos, sete da manhã, vê se pode? (risos)" 

Em relação a cobranças, Andressa confirma que se cobra muito, mas por outro lado, quanto mais se cobra, mais difícil as competições ficam e por conta disso, tenta pegar leve com as cobranças internas para conseguir um resultado melhor.

“Desde que pratico o jiu-jitsu, treino muito, me cobro muito, mas sempre competindo, conquistando um título aqui, outro ali, perdendo algum lá... como sempre acontece. Sempre que me cobro demais, não tenho um bom resultado. Mas se eu faço o que precisa ser feito, treino muito, chego na competição com a intenção de lutar jiu-jitsu, fazer o que aprendi e dar tudo de mim naquele momento. Sem me preocupar com a vitória, eu tenho o melhor resultado que poderia. Eu vivo uma pressão interna todos os dias, nos treinos, nas superstições, em tudo o que eu faço. Todos nós que vivemos o jiu-jitsu queremos vencer, mas em cada categoria só sai um campeão. É difícil batalhar duro e perder. Mas aprendi que mais importante que a vitória é o caminho percorrido. Se eu fizer a minha parte todos os dias, constantemente, acreditar em mim, ter fé em Deus, posso superar expectativas!”

Em uma de suas lutas do Sul Americano
Em uma de suas lutas do Sul Americano ARENA JIU-JITSU

Ela reconhece que é difícil viver do jiu-jitsu e também que vê muita gente boa por aí tentando essa vida e seguindo sem patrocínio. No começo, queria viver do esporte e não sabia como, mas aos poucos foi se consolidando. “Vivo o jiu-jitsu e não sei o que seria sem ele.”

Andressa viveu de muitas fases e já morou em diversos lugares e, por conta disso, já passou por algumas diferentes equipes. Teve a oportunidade de vir para São Paulo, onde morou durante seis meses numa academia e depois de um tempo, mudou de bairro e de academia também.

“Todos os lugares pelos quais eu passei fiz muitos amigos, pessoas me acolheram e me ajudaram. Sou muito grata a todos que passaram pela minha vida e me ajudaram de alguma maneira. Não foram poucos”

Sul Americano: vice-campeã no peso e campeã no absoluto.
Sul Americano: vice-campeã no peso e campeã no absoluto. Instagram @andressacintrajj

Andressa não sabia que seria graduada no Sul Americano e contou que era um sonho receber sua graduação no pódio desde a faixa azul. A ficha só caiu de que era isso mesmo quando ela foi lutar o Mundial da IBJJF, na Califórnia, e foi parada em sua primeira luta por um empate. “Aquilo me fez crescer muito. Dizem que na derrota só perdemos, mas eu não concordo. Volto para o treino e corrijo meus erros com meu mestre, para acertar e melhorar. Se não fosse aquela derrota, eu não teria acreditado tanto quanto eu acredito hoje”.

E claro, a questionei sobre a pressão da faixa preta, mas ela afirma que ainda não pode me responder com tanta certeza, já que a ficha não caiu (risos). Ela disse ser um sonho realizado e, para quem não acredita que pode chegar lá, incentiva. “Todos nós conseguimos se quisermos. A faixa preta é onde começa o jiu-jitsu profissional, e eu estou muito animada pra viver essa fase”. 

Com isso, ela está motivada a treinar com mais qualidade e corrigir seus erros, já que na faixa preta corre o risco de cruzar com meninas que já estão na categoria há anos. “Na faixa preta, não se pode errar. Nas outras, também não. Porém, na preta, encontramos atletas que já estão lá há anos, com uma experiência e bagagem enormes. Agora é a hora que começa realmente o trabalho mais duro do que já fiz em toda minha vida! Com disciplina, posso chegar aonde eu quiser e eu vou chegar.”

A felicidade da faixa preta!
A felicidade da faixa preta! ARENA JIU-JITSU

E todas nós podemos! Andressa está há sete anos treinando duro, passou por diversas fases e equipes e, hoje, se vê na elite do esporte. Por que não você?! Andressa é mais um exemplo da importância da representatividade no esporte e tenho certeza de que inspira muitas mulheres por aí (inclusive eu).

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Conheça a história de Andressa Cintra, atleta da Checkmat que aos 22 anos já é faixa preta de jiu-jitsu

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O que a nova geração de mulheres no jiu-jitsu tem a nos ensinar?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Bia Mesquita x Dominyka Obelenyte - Worlds 2006
Bia Mesquita x Dominyka Obelenyte - Worlds 2006 Gracie Mag

Na verdade, as mulheres da nova geração não tem só o que ensinar, mas elas são inspiradoras e nos representam.

Depois de ter escrito a história da Thamara, recebi muitos feedbacks positivos e vi o quanto as meninas se inspiram nela: uma faixa marrom de apenas 21 anos. E então, eu parei para pensar quanta mulher inspiradora a gente tem no meio do jiu-jitsu e que precisamos urgente tirar proveito disso.

Em 2006, a primeira vez que pisei em um tatame, minha referência externa era Kyra Gracie. Quando comecei a treinar, ela era recém faixa preta e isso era realmente inspirador. Porém, para mim, era impossível chegar à faixa preta. Eu não tinha nenhuma mulher que treinasse comigo, além de faixa azul. Não tinha nenhuma mulher onde eu morava, na época, interior de São Paulo, que fosse faixa preta. E na minha cabeça, a Kyra era faixa preta por questões familiares: ela treinava, sim. Tinha todos os méritos, sim. Mas, por ser da “Família Gracie”, achava que não passava de um costume e que ela havia alcançado a preta não só por dedicação, mas por ser algo hereditário. 

Mal sabia de toda sua história, do machismo que tinha sofrido dentro de sua própria família por ter decidido praticar jiu-jitsu e de todos os títulos em sua trajetória. Internet, na época, não trazia muita informação. Então, eu não sabia da existência dessa velha guarda como Hannette Staack, Leka Vieira ou Letícia Ribeiro. E ainda que soubesse, eu acredito que meu objetivo dentro do jiu-jitsu não teria mudado: eu queria pegar a faixa azul, porque a faixa preta era inalcançável por mulheres “comuns” como eu.

Depois de seis anos longe dos tatames, voltei e percebi que esse mundo feminino tinha mudado. As chaves dos campeonatos já não eram mais tão vazias. Eu não necessariamente iria a um campeonato sabendo que traria o ouro por W.O. As mulheres que treinavam comigo no interior, já eram faixas marrons ou pretas. E as que treinavam desde 2006 e eu nem fazia ideia porque não tinha acesso, também. E mais que isso, eu tinha exemplos de faixas marrons e pretas perto de mim, dividindo o mesmo tatame. 

O mundo do jiu-jitsu feminino ia muito além da Kyra Gracie. Cai na real que meu objetivo não era “só” a faixa azul depois que recebi meu primeiro grau nela. Eu estava mesmo evoluindo e estava decidida que também seria preta um dia (e serei).

Hoje, nós todas temos em quem nos inspirar e para isso, usamos a palavrinha mágica representatividade. Digamos que esses anos todos de trabalho da velha guarda serviram para o new school não pegar tudo pronto, porque está bem longe de termos o nosso território 100% demarcado no jiu-jitsu, mas de ter coragem de seguir em frente e ver que a faixa preta não é só um sonho e nem é só realidade na vida dos homens. Porque homem, faixa preta, professor, é muito fácil de encontrar. Toda academia de jiu-jitsu que você entra terá um professor faixa preta. Mas a partir do momento que você vê que quem domina é uma mulher, você percebe o quanto uma grande graduação é possível, desde que você se dedique.

Hoje, nós podemos ir a um campeonato, ainda que em nível regional, e ver mulheres como Bianca Basílio lutando. Podemos pagar um seminário na nossa cidade e ter uma aula com a Tayane Porfírio. Podemos acessar as redes sociais e ver um vídeo de posição gravado de celular pela Luiza Monteiro. Ou então, podemos assistir o dia-a-dia de uma atleta faixa preta, como Monique Elias faz em seu stories no Instagram. Podemos acompanhar em tempo real os treinos femininos (ou não) da Angélica Galvão lá na Califórnia, só com um clique. Como também podemos ver que, pelo mundo, existem turmas exclusivamente femininas se formando cada vez mais. E por que eu estou falando tudo isso? Porque isso nos representa e nos mostra que também podemos ir longe.

O que antes precisávamos esperar a grande mídia mostrar, hoje temos nas palmas de nossas mãos. E isso significa que o jiu-jitsu está se propagando, tornando-se mais acessível, mostrando que toda mulher pode sim chegar a uma faixa preta e que a graduação não é alcançável apenas por homens, ainda que eles sejam a maioria.

Com tudo isso, nós podemos enxergar que a Kyra não é faixa preta “só” porque é da família Gracie, mas porque ela batalhou por isso, como todas nós, mulheres comuns, não advindas de famílias tradicionais.

Mulheres que saíram de academias de garagem, hoje estão construindo sua história e chegando a um campeonato mundial. E é muito importante enxergar que, embora você ainda não esteja lá, caso você deseje estar, não é impossível: você consegue sim.

E devemos muito desse “saber que podemos, conseguimos e vamos chegar”, a essas mulheres maravilhosas que são detentoras de grandes títulos.

Esses dias, depois de um treino, uma menina que começou treinar há pouco tempo em um projeto social da igreja, veio até mim para tirar uma foto e disse: “Nossa! Que faixa linda! Eu quero chegar nela um dia”. Eu sou apenas faixa roxa, mas creio que eu tenha sido a mulher mais longe de uma faixa branca que ela já viu. E eu, sem reação, mas muito feliz, respondi: “você vai chegar nela um dia, é só não desistir”. 

Eu queria ter falado muito mais, porque eu acho muito importante falar para quem está chegando coisas que não tivemos oportunidade de ouvir quando começamos a treinar. Mas mal sabe ela que meu pensamento quando vejo mulheres como Beatriz Mesquita levando tudo nos campeonatos, eu penso o mesmo que ela pensa de mim.

Eu queria poder citar aqui todas essas mulheres que nos representam, mas embora tenha citado só algumas, essa lista vai muito além! Que sempre tenhamos força para continuar, que nunca deixemos a peteca cair, que a gente dê cada vez mais valor a quem está lá em cima nos representando e, acima de tudo, que a gente nunca desista. O nosso caminho está sendo trilhado e depende de nós mesmas para conquistarmos cada vez mais o nosso espaço.

 Ah, se interessou em entender melhor a representatividade? Você pode ler mais sobre ela (e jiu-jitsu ao mesmo tempo) nesse texto aqui: “Uma palavrinha sobre representatividade e por que ela nos importa”, escrito por Pamella Oliveira.

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Faixa roxa de jiu-jitsu e única mulher na seleção, baiana de 22 anos é campeã mundial de MMA amador

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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O World MMA Amateur é o campeonato mundial de MMA amador, que pode abrir portas para eventos maiores e profissionais, como o Invicta e o tão conhecido UFC. Geralmente, a sede do campeonato é em Las Vegas. Mas neste ano, foi levado para a cidade de Manama, no Bahrein, e Michele foi a única mulher brasileira a embarcar com a seleção brasileira para disputar a competição. E além disso, foi a primeira luta dela fora do País.

Michele Oliveira é faixa roxa de jiu-jitsu, tem 22 anos, nascida em Conceição do Coité, na Bahia, moradora do Rio de Janeiro e atleta de MMA da Nova União.

Há um ano, ela revelava aqui sua transição do jiu-jitsu para o MMA. A atleta treinava na Cícero Costha, em São Paulo, e viu no Rio de Janeiro uma oportunidade para migrar para o MMA, tanto para ganhar dinheiro como, é claro, para sair na porrada, que era um desejo de Michele.

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Sua estreia foi em maio deste ano, pelo Shooto Brasil, e ela finalizou sua adversária com apenas 35 segundos de luta e parece que sua carreira deslanchou. 
Michele foi convidada a participar do World MMA Amateur e topou o desafio, lutando pelo pelo mosca (125lbs).

Estava em dia de sparring na Nova União e o meu mestre Dede Pederneiras pediu meu nome completo e informou que queria enviar uma pessoa para o Mundial, mas que não era nada certo. Dei meu nome, peso e deixei nas mãos de Deus. Continuei treinando como se tivesse certeza de que disputaria essa competição. Passei algumas semanas de ansiedade e no dia que estava descansando em casa recebi a ligação do meu mestre Oswaldo, que considero como pai, informando que eu estava confirmada no Bahrein. Uma das melhores notícias que poderia ter recebido!

Michele

Sua primeira luta na Arena Khalifa foi na última quarta-feira, e Michele venceu a irlandesa Dee Begley por nocaute técnico ainda no primeiro round.

A luta seguinte foi novamente vencida pela brasileira, dessa vez por uma finalização (katagatame) contra a romena Ghita Lulia Luiza.

Na semifinal, Michele cruzou com a húngara Alexandra Kovacs, que era favorita ao título, tendo em seu cartel 13 vitórias e sendo atual campeã mundial e bicampeã europeia. Mas a brasileira venceu por decisão unânime, avançando para a final.

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A decisão foi nesse sábado, e Michele venceu a irlandesa Danni Neilan por decisão unânime, dominando completamente os rounds e ficando com o título.

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Após a vitória, Michele fez uma publicação muito emocionada em seu Instagram.

E ao chegar no Rio de Janeiro, foi recebida de braços abertos pelo público.

Falando além da luta, perguntei a Michele como foi para ela ter ido a um país em que sabemos que fazem vista grossa às mulheres, e ela contou que foi orientada antecipadamente a não se comunicar com homens e que isso a deixou com receio, principalmente por sua falta de experiência. Mas contou também que aconteceu algo muito inesperado. 

Eles amam o povo brasileiro e a cada luta que eu vencia muitas pessoas me cumprimentavam, tiravam fotos, algo surreal. E pra finalizar, ao ser consagrada campeã, o Sheikh responsável por todo evento veio me parabenizar e ainda tirou uma foto comigo. Foi diferente de tudo que pensei.

Michele

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Para a comunidade feminina das artes marciais no geral, podemos considerar que Michele teve uma grande conquista, não só para ela mas para todas nós, que pode continuar abrindo portas.

A atleta aproveitou para contar que ficou muito realizada com o título, dando o melhor de si e impressionando-se com a repercussão de sua luta.

É difícil, pois nós mulheres ainda somos vistas com alguns bloqueios, mas o mundo está mudando e na arte marcial existem diversas mulheres importantes. Posso falar pois vim do jiu-jitsu e lá temos boas referências femininas. Eu tentei e dei o melhor de mim, não esperava que fosse repercutir de forma tão grandiosa. Quero fazer mais e mais para o meu País e para as pessoas que desejam o meu sucesso.

Michele

Michele com seu time.
Michele com seu time. WORLD MMA AMATEUR

E não há nada além de sucesso que possamos desejar à Michele, que tem planos e objetivos futuros muito maiores, sendo um deles manter-se firme no jiu-jitsu o quanto puder. E já está se preparando para competir o Campeonato Europeu, disputado todos os anos em Portugal, no mês de janeiro.

Estou aguardando uma nova oportunidade de lutar um evento tão grande quanto, mas desde já vou focar no Europeu. Eu amo o BJJ e sempre que puder quero participar de competições que antes eram mais difíceis pelas dificuldades que eu sempre passei. No MMA, agora vamos aguardar se farei mais lutas no amador ou se migro para uma estreia no profissional.  Isso vai depender do Dede, ele que manda.

Michele

E se antes as mulheres não eram levadas a sério no MMA, acho que a cada vitória e destaque só resta a Dana White rever cada vez mais seus conceitos de que mulheres não seriam recrutadas para os seus eventos. 

Que isso seja só o começo para a Michele! 

Obrigada!

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Ela superou depressão e medo de perder. Hoje, é faixa roxa quase marrom, mas já dá trabalho para as pretas

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Eu acompanho a Thamara desde quando ela era faixa azul, tendo em vista que quando eu peguei a minha azul, ela já era graduada há um ano e eu podia cruzar com ela em algum campeonato por aí. E vendo seu desempenho em competições, sempre me perguntava como ela conseguia conciliar estudo, estágio e, ainda por cima, treinar e levar ouro em tudo.

Hoje, ela é faixa roxa e sua graduação de marrom está prevista para esta semana. Mas acontece que ela decidiu se arriscar em alguns campeonatos já usando a faixa marrom e já tem confrontado atletas de renome. Então, eu decidi conversar com ela e entender de onde vem esse talento todo!

Thamara Ferreira, 21 anos, ex-estudante de direito e atleta da PSLPB Cícero Costha.

Ela estudava direito de manhã, fazia estágio à tarde e ia treinar às 17h, na época, na equipe Barbosa.  "Eu tinha uma rotina muito puxada. Chegou uma hora que perdi a bolsa do curso. Achei que não era o jiu jitsu me atrapalhando, mas sim a faculdade, porque eu estava tão ligada ao jiu-jitsu, que não aceitava nada me atrapalhar", contou. Isso aconteceu quando ela ainda era faixa branca, quando ganhou o Campeonato Paulista no peso e absoluto. Além disso, ela contou que enquanto estava na faculdade ou no estágio, pensava que podia estar na academia e isso a prejudicava muito. Até que um dia, ela decidiu largar tudo e correr atrás do sonho de viver do jiu-jitsu

"Chegou o momento de dizer aos meus pais que não queria mais aquilo, ainda mais que papai, na época, queria pagar a faculdade para mim, depois de ter perdido a bolsa. Conversei com eles, e eles não aceitaram de cara. Mas depois que bati o pé e fui atrás de tudo, eles viram que não tinha jeito. Era aquilo ou eu não seria feliz. Tranquei a faculdade, larguei o estágio, e só fui treinar. Economizei um bom dinheiro ali no estágio, e dava para pagar algumas coisas até eu me acertar na minha nova fase".

Nunca é fácil, mas aos poucos Thamara mostrou aos pais que era isso que queria e, hoje, eles a apoiam muito.

Thamara e suas parceiras da Cícero Costha
Thamara e suas parceiras da Cícero Costha instagram.com/thamarabjj

A mudança de equipe

Desde a faixa branca, Thamara treinava na Barbosa, mas foi na faixa azul e quando decidiu viver o jiu-jitsu que mudou para a equipe Cícero Costha.

Como tudo na vida, ela contou que a mudança não foi fácil, mas reconhece muito o valor da ex-equipe e de seu ex- professor, Marco Antônio Barbosa.

"A mudança foi complicada, há um tempo, estava pensando em sair. Foi uma equipe que me fez crescer muito, agradeço muito até hoje por tudo o que o Mestre Barbosa fez por mim, abrindo as portas pra eu treinar... E eu decidi sair"

Mas ao decidir sair, ela se viu sem equipe. Por conhecer muitas meninas de outros times, contou que elas a chamaram para treinar, mas ela decidiu que só optaria por uma equipe que a fizesse bem e que a fizesse se sentir em casa. "Eu treinei em várias, mas a Cícero foi onde mais me identifiquei." E lá está até hoje.

Ao se mudar, contou que ficou morando no TUF - que é o alojamento para os atletas da Cícero Costha. Na época, o TUF era misto e podiam morar homens e mulheres. Ela conta que tinha seu quarto com as meninas e que foi uma experiência ótima, em que ela aprendeu muito e que viu sua rotina mudar totalmente. 

Thamara e a faixa preta Cinthia Mizobe
Thamara e a faixa preta Cinthia Mizobe instagram.com/thamarabjj

"A gente tinha uma rotina puxada, fazíamos três treinos por dia. Era 40 minutos andando de casa até a academia. Treinávamos às 9h, 10h30 e meio dia, voltávamos para a casa, almoçávamos, íamos para a academia e nem tínhamos quem nos auxiliasse, fazíamos nosso próprio treino de musculação. A gente ia levando. Eu morava com várias meninas lá e foi uma época em que cresci muito de todas as formas. Lá vi muita coisa que me deixou com mais vontade ainda de seguir em frente. Eu vi menino bem novo não ter quase nada pra comer, sabe? Não tinha dinheiro pra comer, chegava no fim de semana, o menino ia lá e era campeão Sul Americano, Brasileiro... Eu parava, pensava que se eles conseguiam, eu também conseguiria. Na época, minha família passou a me ajudar e eu vi que dava para seguir em frente. Essa fase me ajudou muito

Sobre as pessoas que treinam e que moraram com ela, ela diz que as admira muito porque são amigas de verdade. "Um ajuda o outro. Se for para dividir o prato de comida, eles dividem. São realmente humildes".

A faixa marrom vem aí: mas ela já tem dado o que falar na marrom + preta

E apesar de a Thamara estar lutando de faixa marrom nos campeonatos, ela ainda é faixa roxa, mas ela vai ser graduada no dia 18 deste mês, próximo sábado. Ela lutou o primeiro campeonato de marrom e preta juntas em Los Angeles (Grand Slam) e sua primeira luta foi com a Baby, de cara a atual campeã mundial de sua categoria na faixa preta. "Me deixou bem nervosa", destacou a atleta.

Thamara x Baby, no Grand Slam em Los Angeles
Thamara x Baby, no Grand Slam em Los Angeles instagram.com/thamarabjj

Thamara perdeu e foi lutar a repescagem contra a Erin Herle, mas a vitória foi da americana e Thamara não medalhou.

"Eu sai de lá bem chateada, mas no outro dia estava enxergando de outro modo. Senti que poderia ir melhor nas próximas, só precisava treinar e melhorar minha cabeça e não havia motivo para ficar triste, sendo que era um campeonato grande com meninas experientes. O mais triste foi que travei nas duas lutas e não sabia muito bem o que estava fazendo"

Em seguida, ela lutou um campeonato não federado e venceu duas faixas pretas, entre elas, Ana Maria Índia, que além de faixa preta há anos é, também, atleta de MMA. 

Thamara no pódio contra as faixas pretas.
Thamara no pódio contra as faixas pretas. BJJ GIRLS MAG

Seu segundo campeonato grande foi o Grand Slam, dessa vez no Rio de Janeiro, no último final da semana. Em sua chave, só havia meninas de peso e para as quais ela já tinha perdido algumas vezes.

"Estava nervosa, mas dessa vez era diferente, estava confiante! E graças a Deus deu tudo certo, como eu planejei de verdade. Sem travar (risos), alegre e com vontade de ganhar, de deixar meu melhor ali. Se fosse para perder, que eu perdesse lutando."

Sobre o Grand Slam do Rio de Janeiro

Foi acompanhando as chaves que percebi que eu precisava expor essa mulher (hahaha). No último final de semana, rolou o Grand Slam da UAEJJF no Rio de Janeiro e as categorias femininas eram faixas marrons e pretas misturadas. Thamara estava lá, competindo com grandes nomes como Ana Carolina Vieira, Erin Herle e Renata Marinho. E ainda assim, chegou até a final, contra a Ana Carolina "Baby". 

Sua primeira luta foi contra Andressa Cintra, da Checkmat, que ela venceu pela quarta vez (elas já tiveram cinco confrontos) por 4x2, avançando para lutar contra a gringa Erin Herle (Alliance) pela segunda vez. Dessa vez, ela venceu por duas vantagens e foi para a final. "Eu fiz questão de representar o Brasil! Aqui não, risos" - conta - "Lutei mesmo de verdade, porque a primeira vez que lutei com ela eu não consegui me sentir bem, estava bem travada como falei. Dessa vez foi pra valer".

As lutas foram no sábado e as finais programadas para o domingo:

"É a segunda vez que luto com a Baby, é complicado explicar, eu gosto de lutar com ela, não de levar pressão risos. É alguém que eu acompanho desde quando comecei, parece que estou sonhando. 'Caraca, alguém me belisca, será que foi tão rápido assim eu da azul pra onde estou agora?!' risos. O tempo, para mim, passou muito rápido. Lutar com meninas de grande influência me deixa muito ansiosa e faz com que eu me dedique ainda mais para tudo continuar dando certo".

Sua luta contra a Baby, este final de semana.
Sua luta contra a Baby, este final de semana. UAEJJF

Thamara ficou com o vice, após a vitória da Baby por um estrangulamento na final. Uma luta bem dura entre as duas!

Durante o campeonato, Thamara publicou em seu stories no Instagram um pedido de desculpas pela explosão de emoções no sábado e ela aproveitou para expor o motivo.

"Foi uma surpresa tão grande que toda luta que eu terminava, eu chorava. Parecia uma menina depressiva. Toda luta que eu fazia eu chorava. Eu agradecia. Eu estava com tanta vontade, que não conseguia expressar meus sentimentos na hora. Dava vontade de chorar de felicidade, meu Deus do céu, era tudo misturado"

E sem dúvidas, a emoção foi gigante e muitas vezes nem conseguimos nos expressar em palavras. No final, ela contou que está muito satisfeita com seu desempenho e que só está com mais e mais vontade de treinar e vencer.

"Foi incrível, eu já estava muito feliz por estar ali na final. Meu segundo campeonato grande de marrom e tudo deu certo como um dia eu pedi a Deus, fazer uma final dessas. Eu lutei muito bem, me soltei bem na luta, fiz guarda o tempo todo, o que eu gosto muito de fazer. Me sinto bem fazendo guarda, mas ela é passadora nata, precisava estar um pouco mais preparada e menos solta. Não posso vacilar me abrindo tanto, com a Baby então, nem um pouco (risos). Mas estava tão feliz e confiante, que não liguei em arriscar, em me soltar. Queria mesmo era lutar alegre e deixar o meu melhor ali no momento. Mostrar a muitas meninas que dei muitos passos para trás, perdendo na minha faixa roxa inteira, e olha onde estive! Tudo é possível!"

1º Lugar: Baby; 2º Lugar: Thamara; 3º Lugar: Renata Marinho. Categoria até 70kg
1º Lugar: Baby; 2º Lugar: Thamara; 3º Lugar: Renata Marinho. Categoria até 70kg instagram.com/thamarabjj

Planos futuros e objetivo

Thamara tem muitos motivos para estar feliz, já que passou por momentos complicados durante a faixa roxa. Ela passou por um quadro de depressão, que foi onde teve muito medo de lutar e perder, mas hoje, já vem superando a má fase.

"Deus faz tudo perfeito. Eu sinto que estou chegando cada vez mais perto de tudo o que sonho. Não por ter ganhado de pessoas com grande influência, mas por voltar a lutar bem, depois de passar por alguns momentos difíceis na roxa, como depressão, medos absurdos de lutar e perder. Sendo que derrota sempre fará parte da nossa vida de atleta. Mas tudo isso foi muito importante para mim. Hoje, não tem medo de perder para ninguém, pois sei o quanto isso me ajudou um dia a entender o quanto preciso acreditar ali dentro. E se eu quero isso, eu vou conseguir, é só questão de tempo. Não temo mais nada"

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O melhor de tudo é que ela se sente muito bem e que está muito feliz. Não há nada mais lindo do que ver uma mulher, tão nova, com tantas conquistas em seu currículo, estar inspirada a mostrar para outras mulheres que nós também podemos.

"Sempre esperei por esse momento, me preparei demais para isso. Dizem que tudo acontece na faixa marrom, estou preparada para viver momentos incríveis e ganhar muitas coisas. Para mim, a responsabilidade não aumenta, o que aumenta é a vontade de sair na mão e ser uma referência também um dia, isso sim. Quero mostrar a muitas meninas que conheço, que todas nós podemos, só é preciso trabalhar duro e querer mais do que qualquer um."

Sobre ser referência um dia: Thamara, considere-se referência. Oss e que a história dela sirva de inspiração para tantas outras!

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Ela superou depressão e medo de perder. Hoje, é faixa roxa quase marrom, mas já dá trabalho para as pretas

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Viajei sozinha, conheci a sede da minha equipe nos EUA e treinei com uma mão só, dias depois de operar

Mayara Munhos
Mayara Munhos

ATOS HQ
ATOS HQ []

Alerta de post pessoal detectado, mas não tem como não falar disso.

Desde os 15 anos, eu tinha um sonho: ir para a Califórnia. Antes, era só por ir, conhecer e fazer um intercâmbio. Há uns 10 anos, a Califórnia não era um lugar que recebia grandes nomes e equipes de jiu-jitsu. E eu também, nesse meio tempo, não fui tão do jiu-jitsu assim (fiquei seis anos afastada).

Mas quando voltei a treinar e comecei de fato a acompanhar o crescimento do jiu-jitsu, comecei a perceber que as pessoas estavam migrando para lá. E que outras, já tinham migrado. A Califórnia passou a ser um estado que abriga grandes equipes, atletas e o mais importante campeonato mundial.

Então, meu sonho não podia mais ser adiado, depois de quase 10 anos pensando ou procurando uma companhia ou sempre dando a desculpa de que a grana estava curta. Ele passou a ser prioridade. Hoje, sou faixa roxa da Ono, que pertence a Atos, equipe que tem sua sede lá em San Diego. Eu sempre quis treinar nessa equipe, justamente por ser a melhor do mundo. 

Detentora de importantes títulos, conquistou, neste ano, o Mundial da IBJJF, tirando o reinado de outra grande equipe depois de nove anos no topo - ainda que a Atos só tenha sido fundada em 2008.  Aqui no Brasil, temos poucas filiais e eu dei a sorte de achar uma relativamente perto de casa. Isso fez com que eu me sentisse realizada e que tivesse ainda mais vontade de ir até San Diego e saber de onde vem tudo isso o que a gente vê pelos vídeos e redes sociais.

Além disso, também sou daquelas admiradoras da Art Of Jiu-Jitsu (AOJ), que também pertence a Atos e que, veja só, tem sua sede em Costa Mesa (cerca de uma hora e meia de San Diego). Ou seja, dava para fazer tudo.

Open mat na Barum Jiu-Jitsu
Open mat na Barum Jiu-Jitsu LISA ALBON

Eu estava decidida a ir até lá visitar o estado que sempre quis, treinar onde sempre quis e, claro, gravar com pessoas que sempre almejei. Mas infelizmente, eu tive uma lesão no dedo durante um treino, cerca de três semanas antes de viajar e isso me rendeu uma cirurgia. Consequentemente, afastamento dos tatames. 

Parece que foi uma prova de fogo, mas embora eu estivesse com menos uma mão, ainda estava apta a viajar e gravar. E assim fui! Um dia antes de embarcar, tirei os pontos do dedo e cheguei a Los Angeles. A viagem durou 15 dias. A primeira semana foi completamente a passeio e, em seguida, eu intercalava entre academia (para gravar) e passeio, claro.

Eu tinha passado um pouco de perrengue quando cheguei por conta da língua. Eu nunca tinha saído do Brasil, nunca tinha ficado tanto tempo imersa no inglês. Também tive dificuldade de ficar em hostel (que não foi ruim, no final! E eu super recomendo), bem como de estacionar o carro ou de comer. 

Mas eu cheguei na Atos pela primeira vez e a maior dificuldade foi estar lá dentro, um lugar que sempre sonhei, e não poder fazer o que mais amo. Mas vida que segue e comecei minha saga de entrevistas por Lucas Barbosa (Hulk) e Kaynan Duarte, dois atletas brasileiros que moram em San Diego e treinam na Atos. Não vou contar mais porque tem vídeo, hahaha.

Tá sem foco, mas foi o que deu! Hahaha
Tá sem foco, mas foi o que deu! Hahaha []

Lá em San Diego, um dos planos era conhecer a Lisa e já vínhamos nos falando há um tempo. Ela é fotógrafa, está sempre presente em grandes campeonatos e trabalha no meio de marcas de jiu-jitsu. Aqui no Brasil, ela é carinhosamente conhecida como Lisalisapics (haha) por conta de seu Instagram e, dentre tantas coisas incríveis que passei com essa mulher incrível, ela me levou para conhecer a Barum Jiu-Jitsu, do professor Alfredo. 

Não tive tempo de gravar, mas foi lá que decidi treinar com uma mão só, porque a energia estava contagiante. Aos domingos, Alfredo abre seu tatame para um open mat, em que todas as pessoas, de todas as graduações e todas as bandeiras, são bem vindas: é só chegar e treinar. Alfredo me contou que foi para os Estados Unidos na intenção de ficar um ano e, hoje, mora lá há dezesseis.

A próxima parada foi a AOJ, lá em Costa Mesa. Eu já fiz aqui uma entrevista com as irmãs Sophia e Isabella, mais conhecidas como Flores Sisters, mas fui até lá para conversarmos pessoalmente e, também, para que eu conhecesse melhor a vida delas, de pertinho. 

Sophia e Isabella
Sophia e Isabella []

Algo que também não vou falar mais que isso, já que logo o vídeo estará disponível em meu canal. Mas se tem uma coisa que não posso deixar de falar é na Madalena, mais uma das Flores. Ela tem seu próprio instagram e é muito queridinha por aqui! Ela é muito simpática e adora uma câmera, também treina e só tem cinco anos ("and a half" - como ela me lembrou).

Madalena Flores
Madalena Flores []

Lá na AOJ, também tive a oportunidade de conversar com o Guilherme Mendes, que junto com seu irmão Rafael é responsável pela Art Of Jiu-Jitsu, que me contou como o foco de ambos os levaram tão além e me mostrou como funciona por trás daquelas paredes, tatames e kimonos brancos. Em breve, tem vídeo também!

Uns dias depois, voltei à Atos para finalmente entrevistar os mestres: André e Angélica Galvão. Mas como já tinha treinado com uma mão só mesmo, decidi aproveitar e treinar de novo (não façam isso).  Além da entrevista com os dois, também conheci algumas mulheres duríssimas, entre elas a Heather Raftery, faixa preta e a Heather Morgan, faixa roxa, que embora esteja há apenas três meses de faixa roxa, é alguém que não desejo que esteja em minha categoria nos campeonatos, hahaha.

As duas Heathers
As duas Heathers Juliana Hanna

O papo com a Angélica e o André também foi incrível e inspirador.

É muito maravilhoso ver que grandes projetos de sucesso começam de uma maneira pequena e que, para ir longe, acreditar e correr atrás são grandes passos. Hoje, tanto os irmãos Mendes como Angélica e André estão vivendo algo muito grande e muito além do jiu-jitsu, e é por acreditarem e seguirem que foram além. Não há ninguém no meio do jiu-jitsu que não saiba quem são eles, que não se inspire, que não veja vídeos ou que não saiba pelo menos um percentual de sua história.

Entrevista com Angélica
Entrevista com Angélica Juliana Hanna

E essa foi minha história de passagem pelas academias da Califórnia, algo que eu sempre quis. Claro que eu gostaria de ter feito muito mais, inclusive treinado de verdade - eu estava me preparando para isso -, mas o fato de estar lá e conhecer como o jiu-jitsu funciona fora do Brasil, foi incrível. 

A maior diferença de tudo é que as pessoas respeitam e dão muito valor quando se diz "sou brasileira, treino jiu-jitsu" e deve ser por isso que o esporte está se desenvolvendo muito mais lá fora do que aqui ou então porque as pessoas escolhem migrar para lá.

Seria incrível se o Brasil pudesse carregar o BJJ como é no nome e ostentar o orgulho que dá fazer parte do jiu-jitsu brasileiro. Mas ao mesmo tempo, é incrível ver que o esporte está se espalhando mundo a fora. 

Até a semana que vem!

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Viajei sozinha, conheci a sede da minha equipe nos EUA e treinei com uma mão só, dias depois de operar

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Mulheres faixas pretas dividem valor do prêmio em campeonato mundial de jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Hoje estou aqui para falar sobre um assunto que divide opiniões: a premiação feminina em campeonatos. Eu já falei sobre isso aqui no BJJ Fórum, mas acho que é válido falar de novo por conta de um episódio que aconteceu nesse final de semana e gerou uma mobilidade muito grande nas redes sociais.

Nos Estados Unidos (Long Beach, Califórnia), rolou o Campeonato Mundial da Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF), em que o absoluto faixa preta masculino e feminino ofereciam a mesma premiação: 15 mil dólares para a campeã. Mas é claro, desde que houvesse 12 atletas inscritas, no mínimo. Resultado? Algumas atletas espalhadas em suas categorias, um total de 13 faixas pretas, mas na hora do absoluto, cinco inscritas.

Isso gerou uma grande revolta por parte das meninas. Tayane Porfírio, por sua vez, decidiu publicar, falando sobre a competição (e sua conquista) em suas redes sociais.

Em seguida, ela publicou novamente uma foto das faixas pretas que estavam presentes no absoluto e, na legenda, contou sobre uma divisão de prêmio entre elas.

Então, decidi juntar algumas das atletas que participaram do absoluto e conversar sobre o que aconteceu. As participantes foram Jéssica Flowers, Tayane Porfírio, Ana Carolina Vieira (Baby), Nathiely de Jesus e Claudia do Val.

Segundo a Tayane, elas dividiram o dinheiro por estarem na mesma situação. "Todas nós tiramos dinheiro do bolso para vir lutar, estávamos todas na mesma situação. Então, decidimos dividir o prêmio", contou.

Claudia do Val também disse que a divisão da premiação tinha sido feita de uma maneira não muito boa. "Para começar, tinha que haver, no mínimo, quatro atletas para ter premiação, mas o feminino só tinha quatro categorias. E com menos de 12 meninas, só a primeira colocada ganhava dinheiro. Acho que o organizador pode não ter pensado bem, mas conversamos sobre tudo isso com ele."

Por conta de a categoria não ter atingido 12 mulheres, a premiação foi de cinco mil dólares, divididos entre elas. Uma atitude maravilhosa que não é algo que esperamos ver por aí.

Infelizmente, muitos comentários ofensivos apareceram nas redes sociais, de todos os lados, o que é uma pena e apenas enfraquece o nosso esporte. Estamos lutando todos os dias para que a divisão feminina cresça e a tendência é essa, desde que andemos sempre juntas. 

O que aconteceu no final de semana, apesar de um gesto bonito, é uma pena, porque poderia ter sido 15 mil dólares, o que provavelmente cobriria todo o gasto que a campeã teve com o deslocamento para lutar. Isso sem contar as outras colocadas.

O evento da SJJIF foi muito generoso em ter optado por uma premiação igual, levando em consideração que a categoria masculina tinha 145 inscritos na faixa preta e a feminina, apenas 13. Isso mostra que no masculino, caso todos lutassem o absoluto, a premiação de 15 mil dólares seria quitada só com os valores de inscrição, e o feminino estaria bem longe disso - lembrando que também houve premiação em dinheiro para as categorias. 

Todas as informações sobre chaves, premiações e entradas podem ser encontradas aqui. Também não podemos culpar apenas as mulheres por não estarem lá. Vi muitas delas dizendo que não sabiam sobre o evento, o que talvez tenha sido apenas um erro de direcionamento, mas que também serve para os próximos, já que tudo de novo é acerto e erro. Foi o primeiro evento que ofereceu a mesma premiação para ambas as categorias, e isso é um grande marco.

Como eu já disse no texto que escrevi anteriormente, o lado do organizador conta muito na hora de definir uma premiação. Muitas pessoas reclamam sobre pagamentos diferentes, mas se esquecem de parar para analisar os números e o que vale mais a pena para quem está, de certa forma, lucrando. A realidade é essa: mais inscritos, mais público, mais dinheiro. E vice versa. 

Porém, temos, também, que parar para pensar no nosso papel dentro disso tudo. Nosso papel como mulheres e atletas. Eu nunca gostei de lutar absoluto por me sentir leve demais, mas por outro lado, eu não vivo de dinheiro de campeonatos e treino jiu-jitsu por hobby. A primeira vez que decidi entrar foi recentemente porque, ao sair do pódio da minha premiação na categoria, a organizadora perguntou a todas quem lutaria o absoluto. Todas as meninas iam respondendo "não" e, quando chegou em mim, ela falou "depois vocês reclamam que não tem premiação" - o campeonato estava oferecendo uma premiação generosa, que bancaria um pouco mais do que a inscrição, ainda que não tivéssemos atingido o mínimo de atletas estipulado anteriormente. 

Parece que isso me fez virar uma chavinha na cabeça e pensar que eu poderia estar prejudicando outras adversárias, que por sua vez, poderiam estar lá só por conta do prêmio, e eu decidi me inscrever e fazer minha parte. O que me motivou foi que, por ser uma defensora do jiu-jitsu feminino, inclusive publicamente, não seria justo fazer diferente na hora da luta. Estou lá para me divertir, se ganhar, ótimo, senão, ficarei feliz em ter ajudado quem realmente estava dependendo daquela grana.

Então, a reflexão que quero deixar hoje para você, seja homem ou mulher, independentemente de faixa e bandeira é: o que te motiva a lutar um absoluto? O que te desanima? Todas nós estamos atrás do mesmo objetivo, mesmo que de maneiras diferentes, e temos que caminhar juntas. 

Que a parceria das faixas pretas do final de semana sirva de exemplo para a união no meio do jiu-jitsu. Que a iniciativa da SJJIF sirva de exemplo para outras. Mas que tudo isso sirva mais ainda de exemplo para incentivar cada vez as mulheres a estarem nos tatames, competindo e mostrando que realmente estamos crescendo. As portas estão abertas, pode ser que não totalmente, mas estão se abrindo aos poucos, e precisamos tirar disso o melhor para todas nós.

Para acompanhar as postagens das meninas citadas no texto, é só clicar no link do Instagram delas: Tayane PorfírioNathielyAna CarolinaJéssica Flowers e Claudia do Val.

Até semana que vem!

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Mulheres faixas pretas dividem valor do prêmio em campeonato mundial de jiu-jitsu

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Prepare-se para o primeiro campeonato feminino de jiu-jitsu de São Paulo

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Muito se fala sobre eventos só para mulheres e, de fato, ultimamente, a procura vem aumentado muito. 

Por conta disso, temos muitos treinões e seminários, por exemplo, que são destinados apenas para mulher. Muita gente acredita ser segregação, mas na verdade é uma forma de atrair a mulherada para treinar e aderir ao esporte, uma vez que muitas delas têm receio de treinar por se assustarem ao ver aquele monte de marmanjo no tatame. Sendo assim, a iniciativa de um campeonato feminino é super válida e promete ser um sucesso.

Foi pensando nisso que a LMK Eventos teve a iniciativa de criar um campeonato só para nós, mulheres.

Então, anota aí que ainda dá tempo.

Quando? Dia 22 de outubro de 2017 (domingo)
Onde?  Na Unítalo, em Santo Amaro. O endereço é Avenida João Dias, 2046.
E as inscrições? Vão até dia 17 de outubro e pode ser feita pelo site Sou Competidor.

As categorias vão de mirim a master e terá peso e absoluto, sendo que o absoluto será dividido entre leve e pesado. E o melhor: com premiação em dinheiro! Para a premiação ser 100% validada, é preciso que o absoluto conte com mais de oito atletas e, caso o número seja inferior, será pago 50% do prêmio.

As premiações serão kimono para o absoluto juvenil, tanto faixa azul quanto branca. Para o adulto faixa branca, R$300. Adulto faixa azul, R$400. Adulto faixa roxa, R$500. E para faixa marrom e preta, que lutam juntas, a premiação é de R$700.

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Além disso, o evento contará com a presença da atleta faixa preta Bianca Basílio,  que você pode conhecer melhor clicando aqui, relembrando nossa série sobre ela.

A entrada para o público custa R$5.

É uma ótima oportunidade de mostrar o que é o jiu-jitsu feminino.

Preparadas? Então corre lá para se inscrever!

O campeonato tem apoio total do BJJ Girls Mag

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Prepare-se para o primeiro campeonato feminino de jiu-jitsu de São Paulo

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Veja o que rolou no primeiro camp do BJJ Mums, evento de jiu-jitsu que reúne mães e filhos

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Lembram que eu falei aqui sobre o BJJ Mums? Prometi que voltaria a falar quando acontecesse o camp. E então, com um pequeno delay devido a cirurgia que tive que me submeter (BJJ problems detected: tive que operar o dedo da mão, mas vou falar um dia com calma sobre isso), venho aqui contar como foi.

Dos dias 25 a 27 de agosto, foi disputado na Alemanha o Primeiro Camp BJJ Mums, em que se reuniram as mamães do jiu-jitsu e suas crianças, organizado por Ana Yagües. Voltei a conversar com ela, que me contou que o camp era limitado entre 10 e 12 mães e suas crianças. 

O número foi baixo porque era a primeira vez e serviria como um teste, para manter o controle. Infelizmente nem todas foram, mas deu tudo certo. Algumas mães tiveram contratempos familiares ou crianças doentes, mas no fim elas foram em seis alunas e duas professoras. "Foi acolhedor. Grandes projetos começam pequenos e precisamos começar de algum lugar. Tivemos um ótimo tempo juntas!", contou Ana.

As crianças brincando enquanto suas mães treinavam.
As crianças brincando enquanto suas mães treinavam. BJJ Mums

Acompanhando as redes sociais do BJJ Mums, eu percebi que umas semanas antes, o camp também foi aberto aos pais. Como isso é algo que pode causar certa polêmica, já que o próprio nome contradiz a aceitação dos pais, perguntei a Ana o motivo e ela me contou que foi surpreendida com alguns pais demonstrando interesse e ela negou. "A partir do momento que eu já tinha feito inscrições de algumas mães, eu precisava ser fiel ao que vendi."

"Porém, quando mais pais perguntaram, eu pensei que se as mães topassem, eu também toparia. Então, enviei um e-mail para todas as participantes, perguntando as opiniões. Todas elas concordaram. Então, eu abri para os pais também. Mas ficou muito tarde para que eles se planejassem, comprassem passagens e tudo mais. Então, ninguém veio. Mas eles estão interessados nos próximos. Eu vou permitir que os pais participem desde o início. Eu acho que não tem uma razão ao qual devemos discriminá-los por quererem passar um longo final de semana com seus filhos e com outros lutadores"

Em relação ao planejamento, a mãe disse que ocorreu tudo como planejado e que, com sua experiência em organizar esse tipo de treino, ela fez de tudo para que as mães ficassem tranquilas em relação aos seus filhos.

Ana disse que aprendeu muitas coisas boas com esse camp e que usou o método de treinamento com mães e filhos juntos, para estreitarem os laços, colocando o jiu-jitsu como jogo, e não como esporte.

"Essa dinâmica funciona muito bem para crianças acima dos quatro anos, se elas estiverem acostumadas ao tatame, como minha filha. No entanto, percebemos que crianças abaixo dos quatro anos, se não estiverem acostumadas ao tatame, não têm concentração e terminam brincando ou correndo e as mães correndo atrás delas depois. Bom, isso também é um tipo de esporte, mas não era o que pretendíamos. Então, nós precisaremos mudar da próxima vez e formar dois grupos com diferentes tipos de exercício" 

Mãe e filha <3
Mãe e filha <3 BJJ Mums

Ana também disse que o próximo camp será na primavera, mas que ainda não tem data definida. Porém, já tem algumas boas estratégias para trazer mais mães. Este evento foi próximo a dois outros importantes: O World Masters, em Las Vegas, e as férias de verão. E isso fez com que algumas mães precisassem escolher. Por conta disso, ela pretende fazer o próximo em algum feriado mais curto e longe de competições.

A idealizadora terminou dizendo estar muito satisfeita com o evento como um todo. "Nós aprendemos muitas coisas e vamos fazer melhor da próxima vez, mas, de imediato, tudo correu muito bem." Também disse que os treinos foram ótimos e que as mães aprenderam muito sobre o jiu-jitsu e outras coisas e que o objetivo para que elas ficassem tranquilas no treino enquanto suas crianças brincavam fora do tatame foi atingido.

"Elas estavam focadas no seu treino enquanto as crianças estavam sendo cuidadas. Muitas dessas mulheres não contam com ajuda em casa e para elas, poder treinar durante uma hora e meia, com professoras faixas pretas, sem suas crianças em volta é um luxo que elas gostaram muito. E, também, as crianças tiveram muita diversão. Elas fizeram novas amizades e essas amizades são especiais porque elas estavam com outras crianças que também estão acostumadas a estar na academia com seus pais durante o treino sem outras crianças junto. Elas tiveram um laço especial. Todas as crianças levam o mesmo estilo de vida. Minhas filhas ficaram muito felizes. E então, eu acho que todas as outras crianças que participaram também ficaram"

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A sociedade se esquece que nós, mulheres, temos muitas responsabilidades "a mais" e que, por conta disso, temos que abrir mão da maternidade para nos dedicarmos a outros objetivos. Infelizmente, somos subjugadas por isso ou então quando simplesmente expressamos o desejo de não termos filhos. As pessoas nos olham como se não tivéssemos coração porque a sociedade impõe que, obrigatoriamente, a mulher tem que ter o desejo de ser mãe, mas se esquecem de tudo o que vem por trás de uma maternidade. 

Falando além do esporte, quantas mulheres já deixaram de ser promovidas a um cargo maior dentro de sua empresa por terem sido mães?! Ou quantas simplesmente não foram contratadas porque, como são mulheres, podem ser mães e, ao serem mães, elas precisam de uma licença maternidade e aí, o que o empregador vai fazer?

Dentro do esporte é a mesma coisa. Muitas atletas profissionais (ou não) acabam postergando o desejo de ser mãe por terem outros objetivos na frente. E isso não é pecado nenhum, são apenas objetivos doas quais pais não precisam abrir mão para terem seus filhos.

Que o BJJ Mums sirva de exemplo para que outros eventos assim sejam criados no mundo todo. É muito importante que as mães levem consigo um tempo só seu, ainda que com sua criança junto, de alguma maneira diferente. E também é muito importante que os lugarem deem suporte para quem precisa estar com sua criança o tempo todo.

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Veja como foi a participação das mulheres no ADCC, maior campeonato de luta agarrada do mundo

Mayara Munhos
Mayara Munhos

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Neste final de semana, aconteceu em Helsinque, na Finlândia o maior campeonato de luta agarrada do mundo: ADCC. O Abu Dhabi Combat Club acontece a cada dois anos e reúne os melhores grapplers do mundo. Dentre eles, podemos ter a honra de ver grandes lutadores de jiu-jitsu em ação.

Neste ano, tivemos algumas surpresas. Começando pela categoria até 60kg, Mackenzie Dern, atual campeã, foi derrotada pela explosiva Elvira Karppinen por 4x2 logo na primeira luta. Elvira resistiu ao experiente estrangulamento de Kenzie e avançou.

Enquanto isso, rolava um duelo entre Bianca Basílio e Talita Alencar. O confronto não deixou dúvidas da boa fase que ambas as atletas estão vivendo, com nenhuma delas deixando de atacar em nenhum momento. A luta terminou empatada e Basílio levou por decisão.

Também se enfrentaram a veterana Michelle Nicolini e Rikako Yuasa. Com muitas tentativas de ataque de Michelle, o confronto terminou empatado e a vitória foi dada a Nicolini, depois do tempo extra.

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Uma das favoritas, Bia Mesquita enfrentou Ffion Davis e mostrou que realmente sua preparação tem valido a pena, finalizando Davis num arm lock, faltando 5 minutos para o final.

Nas quartas de final, Elvira enfrentou Bia Basílio em uma luta de tirar o fôlego. As duas estavam on fire. Elvira tentou encaixar uma chave de pé quase certeira em Bia, que não se rendeu e conseguiu se livrar. 

A finlandesa não se intimidou e voltou com tudo, atacando o tempo todo, e a luta acabou contando com o tempo extra de cinco minutos, quando Bia começou mais ofensiva e entrou com uma queda de cara, já buscando as costas, mas Karppinen conseguiu se desvecilhar, entrou na guarda de Bia e foi para o pé novamente. 

Dessa vez parecia que Bia ia desistir e ela ameaçou bater, mas continuou. O combate terminou com Bia tentando encaixar uma kimura dentro de um triângulo e a vitória foi dela por decisão.

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Nicolini enfrentou Mesquita pela outra vaga na final em uma luta muito bem estudada. Faltando pouco menos de 5 minutos para o fim, Mesquita mais uma vez conseguiu a finalização, em uma chave de pé, e garantiu sua vaga na final.

Nicolini enfrentou Elvira na disputa de terceiro lugar e ficou com o bronze após derrotar e finlandesa por 3 a 0.


Novamente, Bia Basílio e Bia Mesquita se enfrentaram. Depois do Campeonato Brasileiro e Abu Dhabi World Pro, era a chance de Basílio sair finalmente com a vitória, mas era o dia de Mesquita, novamente. 

Em uma luta que demorou muito para ir ao chão, a atleta da Gracie Humaita conseguiu um queda e fechou um triângulo nas costas de Basílio, que lhe garantiu três pontos. Faltando pouco mais de um minuto para o fim, Mesquita finalizou Basílio num mata leão e garantiu o ouro da categoria.

Já na categoria  acima de 60kg, tivemos a presença de Gabi Garcia, que tem uma história incrivel de ADCC e você pode relembrar aqui. Sua primeira luta foi contra Amanda Santana, em que já começou dando muita pressão e finalizando a oponente em menos de um minuto com uma americana de pé.

Também se enfrentaram Jéssica Flowers e Marysia Malyjasiak. Num erro de Marysia, Jéssica conseguiu encaixar um arm lock com dois minutos e meio de luta.

Talita Treta também estava presente e venceu Venla Luukkonen por 2 a 0 em uma luta de muita pressão dos dois lados. O embate foi decidida no overtime.

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Tara White foi derrotada por Samantha Cook, também após levarem a luta para o tempo extra. O placar terminou em 3 a 0 para Samantha.

As semifinais foram entre Gabi Garcia e Jéssica Flowers, em que Gabi venceu por 2 a 0. Do outro lado, Talita Treta enfrentou Samantha Cook e garantiu sua vaga na final após vencer Samantha no overtime, por decisão dos juízes.

A disputa de terceiro lugar entre Jéssica e Samantha ficou com Jéssica, que garantiu seus dois pontos para a vitória.

A final entre as veteranas Talita Treta e Gabi Garcia foi rápida. Gabi venceu Talita em apenas 1min20, com uma kimura, e garantiu seu terceiro título. Talita foi até o final, mesmo estando focada no MMA e com algumas lesões.        

Agora basta esperar mais dois anos para vermos essas feras brilharem novamente. Mas calma, ainda tem um monte de seletiva vindo por aí. Já sabem suas apostas?

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Sabia que o crossfit pode ajudar quem pratica Jiu-jitsu?

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Uma dupla que muitas pessoas criticam, mas que dá certo!

Você sabia que o Crossfit, atrelado ao Jiu-jitsu, pode trazer grandes benefícios? 

Muitas vezes, é difícil explicar como alguns movimentos do cross são, de fato, usados durante uma luta de jiu-jitsu. Pensando nisso, fui até a Crossfit Voraz para conversar com o Head Coach Thiago Almeida, que selecionou alguns movimentos que, claramente, usamos nas duas modalidades. Ele contou também um pouquinho sobre como um esporte pode completar o outro.

Crossfit Voraz: Rua Dr. Baeta Neves, 20. São Bernardo do Campo
Academia Ono
: Rua Maranhão 366, São Caetano do Sul
Predator MMA
Imagens: Renato Corrêa

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Ela era 'guitar hero', ficou famosa em reality show, teve duas filhas e conquistou faixa preta no jiu-jitsu

Mayara Munhos
Mayara Munhos

Manu com os pais cascas grossas.
Manu com os pais cascas grossas. Arquivo pessoal

Sabem a Syang? Guitarrista, participante da Casa dos Artistas em 2002... Pois bem, ela é faixa preta de jiu-jitsu. E eu conversei com ela para conhecer sua história e entender como é conciliar a música com o tatame.

Syang começou sua vida na música bem cedo. Já aos oito anos tocava piano, mas um tempo depois ganhou um violão. Seu sonho era tocar guitarra. "Essa história é velha", relembra, rindo - "meu pai não me deixava tocar guitarra porque dizia que era coisa de sapatão. Meu avô e minha mãe me levavam escondidos às aulas de violão". 

E então, perceberam que ela estava curtindo e a presentearam com uma guitarra. Foi quando ela começou a tocar, aos 12 anos. Com 17, gravou seu primeiro disco com a banda 'Detrito Federal', pela gravadora Poligram. Ficou bastante tempo tocando com o grupo e, em seguida, criou uma banda feminina, chamada 'Autópsia'. Mas foi com a 'P.U.S.' que fez mais sucesso e na qual passou mais tempo.

"Entrei para o P.U.S. e toquei 12 anos. Era uma banda de metal pesada. Gravamos seis ou sete discos, nos lançamos até no Japão. E aí foi minha maior trajetória na música. Eu passei a fazer bastante coisa na MTV, chamavam a gente sempre pra tocar. Eu tocava ao vivo com  Skank, Chico Science, Jota Quest... Eu sempre estava no meio como guitarrista mulher, que era diferenciado, né."

Syang em sua época de banda.
Syang em sua época de banda. []

Depois do P.U.S., Syang lançou sua carreira solo e seu disco pela Warner. Então, passou a fazer muitos shows, tocou no Rock in Rio e entrou para a Casa dos Artistas, que a tornou conhecida além da música. "Eu já era famosa no mundo underground", conta. "Todo mundo se conhece, é igual no jiu-jitsu (risos)". 

Mas paralelamente, a guitarrista sempre teve sua história com o esporte. Seu pai era jogador profissional de futebol em um dos maiores times de Brasília e sua mãe era atleta de saltos ornamentais. Por conta disso, sempre carregou o DNA esportivo dentro de si e sempre competiu em diferentes modalidades, desde criança. 

"Um dos meus sonhos, mesmo novinha, era fazer Kung Fu. Achava o máximo, sempre quis um kimono. E com o tempo, comecei a treinar boxe, logo que sai da Casa dos Artistas. Fiz quatro anos de boxe na Companhia Atlética, treinei com o Cebola e foi nessa época que eu conheci o Portuga (Eduardo Santoro). Ele treinava jiu-jitsu do lado, no mesmo horário que eu treinava boxe. E a gente sempre se cruzava, começamos a nos paquerar, nos olhar..."

Syang e seu marido, Eduardo Santoro
Syang e seu marido, Eduardo Santoro Arquivo pessoal

E aí começou sua história: com o jiu-jitsu e com o seu marido, o faixa preta Eduardo Santoro, ou Portuga, para quem conhece a fera. Um dia, depois de tantos olhares entre tatames e ringues, Syang e Portuga trocaram telefone na musculação, combinaram de sair e, desde então, não se largaram mais. E isso faz 13 anos.

"Quando a gente começou a namorar, eu lembro que o Du saiu do lugar que ele dava aula há muito tempo e a gente foi procurar uma academia nova pra ele dar aula, em Moema. Aí, quando achamos, tinha poucos alunos e ele falou 'pô, vem treinar comigo'. E eu já era louca pra treinar jiu-jitsu. Mas era sempre só homem e eu não sabia como chegar. Inclusive namorando com ele, lembro do meu primeiro treino: eu não tinha kimono ainda e eu falava 'que roupa eu vou?'. Aí ele falava: 'ah, bota uma calça de treino, blusa... Como se fosse fazer capoeira'. Me troquei e fiquei muito sem graça de entrar no tatame primeira vez. Mas me apaixonei pelo jiu-jitsu e nunca mais parei. Comprei kimono e, agora, sou aluna dele desde a faixa branca, há 12 anos."

Syang parou por dois anos, para ter as filhas Manu e, dois anos depois, Nina. 

Em outubro de 2016, recebeu sua faixa preta. Hoje, ela e sua família moram em Redondo Beach, na Califórnia, onde foram para abrir uma academia, que funciona há oito meses e está indo super bem. "Estamos com sessenta alunos e muitas crianças. Estou com uma turma feminina bem bacana e, aos poucos, fui trocando a música pelo jiu-jitsu."

Antes de ir para os Estados Unidos, Syang fazia muitos shows. Durante três anos, tocou com uma banda de sertanejo/rock, em que fazia participações especiais no meio do show, tocando rocks famosos. "Era muito legal", disse. "Fiquei uns três anos fazendo show todo final de semana e viajei bastante, mas era algo que me deixava muito cansada". Chegava em casa sempre de madrugada e suas pequenas acordavam cedo. Acabava ficando muito cansada e, por já estar muito inserida no meio do esporte, deixou a vida musical de lado.

Time feminino da Syang - ESJJ.
Time feminino da Syang - ESJJ. []

"Nós já tínhamos nossa academia aqui no Brasil há quatro anos. Nossa equipe é a Excellence School of Jiu-Jitsu (ESJJ), fica na Chácara Santo Antonio. Eu já dava aula pra mulheres, crianças... Ficava muito na academia, treinando, e ainda tinha os shows no final de semana. Eu já estava me desligando dos shows. E então decidimos vir para cá (EUA) e entrei de cabeça no jiu-jitsu. Hoje, a gente administra a academia juntos. Estou totalmente dentro do jiu-jitsu, só não voltei a competir. Fui campeã do SP Open na branca e, na azul, fui campeã Internacional. Na roxa, disputei o Mundial na categoria adulto e perdi... Depois  na marrom, em Portugal, no Europeu, fui campeã. Agora falta a preta. Competi um em cada faixa. Agora que estou bem focada no jiu-jitsu, quero entrar em algumas competições. Era para eu ter ido para o Mundial de Masters e muita gente fala que é desculpa. Pode até ser desculpa (risos), mas eu estava aqui com as crianças, de férias... Sou bem competitiva. Então, para entrar numa competição, gosto de estar bem preparada". 

Syang nunca entrou no jiu-jitsu pensando em competir, mas por estar treinando bem, seu mestre a colocou num campeonato ainda de branca. Competiu na azul, e logo em seguida, engravidou. Teve a Manu, depois voltou a treinar, pegou faixa roxa grávida da Nina, parou novamente e, depois, treinou bastante para lutar o Mundial. "Toda vez que entro numa competição, penso que vou entrar em todas, porque é legal demais, a adrenalina e tal. Eu tenho vontade de voltar. Nos próximos campeonatos, vou tentar. Se eu conseguir treinar direito será neste ano. Mas tudo o que treino acabo competindo porque gosto de treinar forte."

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E a música?! Syang também pretende voltar a tocar daqui um tempo. Uma banda a chamou para tocar lá nos Estados Unidos e ela não chegou a ir ao ensaio, porque o tempo ainda está curto e está focada na academia. Portanto, acha que ainda não é hora. "Sinto saudades de tocar e estar no palco, mas estou focada na academia e na minha família, mas em breve pretendo voltar".

Em relação aos treinos femininos, Syang destaca uma importância muito grande para quem quer começar, principalmente tendo em vista que muitas meninas se sentem intimidadas por verem muitos homens. Ela conta que está percebendo uma ascensão muito grande no público feminino e destaca que uma das suas maiores vontades quando quis montar uma turma de mulheres é porque muitas não gostam de treinar com homens. 

"Elas não se sentem bem, tem vergonha de começar... Tenho duas alunas que não gostam, que dizem que os homens a deixam roxas, mesmo que façam de leve. A gente tem que respeitar, tem gente que não gosta e não se sente bem mesmo. Tem outras que o marido não gosta, que não se sente bem por ser um esporte de contato. Então, esse treino feminino veio para agregar e trazer essas meninas para treinar também". 

Para Syang, os maridos têm receio de as esposas treinarem e ainda que eles sejam faixas pretas, não se sentem seguros. Uma pena, porque jiu-jitsu é um esporte como qualquer outro. "O crescimento é absurdo. A Manu já está treinando, vai começar a competir e pegar faixa cinza agora em outubro. A mulherada está dominando e treinando forte".

O casal com as lindas: Nina e Manu.
O casal com as lindas: Nina e Manu. Arquivo pessoal

Esse é o outro lado da vida de Syang, que talvez muitas pessoas não conheçam. Incrível ver que a mulherada domina onde quer que esteja! E ela, no auge de seus 48 anos (sim, eu também demorei para acreditar, nem sei se acreditei ainda) está aí: tocando nas horas vagas, treinando sempre e dando muito valor para sua família.

"Estamos super felizes na Califórnia, vivendo um sonho. Aqui é muito legal de morar. O Brasil não estava fácil, muito perigoso para criar filho, e a gente está feliz aqui. A academia vai bem. E hoje, faço o que amo."

Muita sorte nessa nova jornada!

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Ela era 'guitar hero', ficou famosa em reality show, teve duas filhas e conquistou faixa preta no jiu-jitsu

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Quando o jiu-jitsu muda a vida: você sabe o que é alopecia areata?

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Lilian tem alopecia areata e é praticante de jiu-jitsu
Lilian tem alopecia areata e é praticante de jiu-jitsu Arquivo Pessoal

Setembro, por coincidência, é o mês de conscientização da alopecia areata. Mas vamos começar do começo: eu não fazia ideia do que isso significava, até que chegou uma amiga da faculdade, a Thami, e me disse que tinha uma história digna de pauta e me mandou o contato da Lilian Correia. Na verdade me mencionou em uma publicação do facebook dela que acho importante compartilhar com vocês. Então, antes de começar, leiam aqui!

Ok. Foi um choque de realidade e eu terminei de ler tudo isso muito arrepiada. São coisas que mexem com a gente. E na verdade fica até difícil de eu escrever sobre, mas eu vou tentar, porque sei que vale a pena.

Resumindo, a alopecia areata é um problema comum em cerca de apenas 1 a 2% da população. Ela é responsável por causar perda de cabelos ou pelos em áreas arredondadas do couro cabeludo, ou outras partes do corpo e, dependendo do caso, pode causar perda inclusive dos cílios.

É uma patologia que desenvolve depois do nascimento. Até existem casos raros de bebês com alopecia, mas ocorre mesmo na maioria dos casos antes dos 20. Comigo, começou aos 08.

Lilian

A Lilian desenvolveu alopecia com oito anos e começou um tratamento. Ela tinha vergonha de assumir sua carequinha, tinha medo do que as pessoas podiam pensar e, principalmente, dos julgamentos. Imagine para uma mulher simplesmente não ter cabelo? Ela diz que nunca escondeu de ninguém o fato de possuir alopecia, mas também não saia gritando ao mundo. Porém, ela sempre teve uma prótese capilar, que conta ser como uma peruca, com a diferença de que prótese é feita sob medida, do jeitinho que ela quer. Ou seja, ela tem cabelo sim!

Lilian com sua protese
Lilian com sua protese Arquivo Pessoal

Em relação a prótese, ela contou que já teve problemas.

Eu tentava e ate conseguia viver uma vida normal, e numa dessas eu fui colocar a cabeça embaixo d’agua numa piscina, só que fiz isso um pouco mais rápido do que podia, então ela saiu, e eu fiquei muito constrangida. Tentei agir como se não tivesse me afetado, para não estragar o resto do final de semana, mas passei cinco dias chorando, tendo pesadelos e espasmos cada vez que eu lembrava do que tinha acontecido, não queria sair na rua, eu estava com vergonha de mim.

Lilian

Ela tratava sua alopecia, até que há dez anos decidiu desistir do tratamento. Parece absurdo, mas ela não via muito resultado. Sua mãe não a apoiava e queria muito que ela continuasse tomar remédios e se tratar. Porém, o tratamento que incluí corticoide, por exemplo, uma substância que deixa as pessoas bem inchadas, além de precisar aplicar insulina na cabeça onde houvesse falha, a cada um centímetro de distância. “Às vezes eu levava 150 picadas na cabeça por consulta” – conta Lilian.

Os tratamentos para alopecia são pouco eficazes. Até nascia um pouco, mas depois caia de novo e todo o tratamento era em vão. Quando eu percebi isso, que não ia parar, resolvi aceitar.

Lilian


E assim foi. Há quatro meses ela decidiu entrar no jiu jitsu por sempre querer praticar uma arte marcial. Via fotos e vídeos no instagram, passou a acessar conteúdo de jiu jitsu, foi atrás de uma academia para treinar e já soube que tinha amado a arte antes mesmo de terminar o aquecimento.

Ela conta que o jiu jitsu mudou tudo na vida dela e que essa frase faz total sentido.

Eu era fumante, sedentária, dormia mal, além de beber todo final de semana. Mas de tudo isso que consegui mudar, o que mais me impressionou foi a motivação de ser quem eu sou, só para não ter que deixar de treinar. Diferente de todas as coisas que deixava de fazer por ter uma limitação, essa foi uma que eu teria que quebrar paradigmas, pois me apaixonei pela arte suave e não queria desistir. Foi um grande feito que  mudou muitas coisas pra mim, dentro e fora do tatame, mas digo com propriedade que se eu não tivesse conhecido o JJ, não teria feito nada disso, ainda estaria sofrendo a questão da alopecia e da exposição.

Lilian


Óbvio que fiquei me perguntando milhões de vezes como ela fazia para treinar, já que, embora a arte seja suave, os movimentos são bruscos, rs. Ela conta que durante os dois primeiros meses ela não tirava nunca sua prótese fora de casa, inclusive sua família colocou um portão todo fechado na garagem para que ela pudesse circular com liberdade. Nas lutas, ela acabava tomando muito sufoco, já que não dava tudo de si por medo da prótese sair, porque em alguns momentos, sua única preocupação era proteger sua cabeça. Até que ela viu que dessa forma, não conseguiria se aplicar no jiu e ela deu início ao maior trabalho interno de sua vida.

Eu precisava tirar, mas existam 20 anos de tabus e todo um padrão social por trás da minha vontade. Depois de um pouco mais de dois meses, eu tirei. Tive o maior apoio que pude dos meus amigos e o treino agora é outro. Estou mais solta e sem preocupação.

Lilian


E tem uma pessoa que foi fundamental em todo esse apoio: o Marcello. O namorado, que ela conheceu no tatame e já é faixa marrom, sempre soube da limitação que ter uma prótese causaria nos treinos e a fez enxergar as coisas de outra forma.

Ele queria que eu me sentisse livre, muito mais do que eu mesma queria. Para ele era normal, era a mesma coisa com ou sem cabelo e eu tinha dificuldade de entender como ele pensava assim.

Lilian


Além disso, a Lilian conta que, embora o pouco tempo de prática, tudo na vida dela aconteceu pós jiu jitsu e também, que nenhuma outra pessoa a incentivou tanto quanto o Marcello para que ela se aceitasse, já que a questão que ele impunha a ela era sempre a de que não são os outros que devem aceita-la e sim, ela própria.

Ai gente! Chorei com essa história porque sou mole. Eu fico absurdamente feliz em ver provas de como o jiu jitsu pode ajudar na vida das pessoas, em todos os sentidos. Não é simplesmente ficar magra ou ficar com um corpão bonito. O jiu jitsu vai muito além disso. Ele melhora o corpo, a mente, a auto estima e de fato, muda vidas. Depois de vinte anos lutando contra um padrão imposto pela sociedade, a Lilian decidiu aceitar-se e isso é parte fundamental da vida de alguém.

A sociedade impõe padrões e nós (nós mesmos, todos nós), optamos por seguir. Pode ser difícil, pode ser caro… Mas queremos seguir para não precisar ouvir julgamentos, porque julgamento dói.

Parcelamos roupas de marcas legais porque está na moda, compramos um carro bacana para aparecer na porta da balada, encomendamos aquele tênis que só tem nos Estados Unidos porque é estiloso, mas esquecemos que a vida vai muito além disso. Vai muito além de seguir padrões por conveniência da sociedade. Vai muito além de parecer bonitinha só para nos olharem com um ar de “uau”. De juntarmos meses de dinheiro para comprar um iPhone só porque todo mundo tem. De novo, a vida vai muito além disso.

A Lilian é uma pessoa maravilhosa – por dentro e por fora (e olha que eu nem a conheço e já declarei paixão hahaha). De nada vale ser aceito em seu meio se você não se aceita internamente. E aliás, ela é uma prova viva de que quem é de verdade, te aceitará independente das circunstâncias. Ela tem sua família, seus amigos, seu namorado e agora, esse mundo maravilhoso do jiu jitsu para mostrar sua força, que talvez nem ela soubesse que era tão grande.

Mulher, você é incrível. Te desejo muita sorte nessa caminhada da vida e dos tatames. Fiquei absurdamente feliz em poder partilhar com tanta gente sua história, portanto, obrigada por ter aceitado a exposição e parabéns pela sua força e garra. Espero que seja só mais uma forma de te dar um retorno e provar o quanto você é linda e merece levar uma vida normal, com ou sem cabelo!

 

Fonte: Mayara Munhos

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