Entrevista: André Galvão e a Atos - Mundial, ADCC, time, rotina e planos

E aí, galera!

Hoje é dia de vídeo lá no meu canal no YouTube.

Depois de trocar uma ideia com o Lucas e o Kaynan e com a 'chefa' Angélica Galvão, foi a vez de eu sentar e conversar com o big boss: André Galvão.

Conversamos um pouquinho sobre sua rotina no trabalho e com a família; o tão sonhado Mundial 2017; a luta do ADCC contra seu partner "Juninho" Calasans; como é estar por trás da Atos; e alguns  planos para o futuro. 

Depois de já faturar o Pan Kids, nesse final de semana, parece que 2018 promete muito para o atual time campeão mundial.

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Oss.

O que podemos tirar de uma aula de jiu-jitsu para mulheres?

Arquivo Pessoal
Primeiro treino feminino aberto na Atos - Ono (São Caetano do Sul)
Primeiro treino feminino aberto na Atos - Ono (São Caetano do Sul)

Quando comecei no jiu-jitsu, nem imaginava a possibilidade de haver uma turma só de mulheres.

Quando voltei, vi que o número de mulheres havia crescido absurdamente.

Hoje, vejo que ter aula de jiu-jitsu voltada apenas para mulheres pode ser essencial para muitas delas e um grande benefício.

Já fiz um vídeo sobre as aulas da Sensei Monica Istamati - e aproveito para dizer que a turma está crescendo e que muitas das meninas que no vídeo eram faixas brancas, hoje já foram graduadas pela professora! E a cada dia, vemos mais a importância da inserção dos treinos femininos nas academias.

Tive a sorte/honra/felicidade de receber a oportunidade de puxar um treino feminino pela primeira vez e quero contar aqui como foi!

Em relação à experiência, foi incrível. Desde quando percebi que temos que lutar pelo crescimento do jiu-jitsu feminino, me senti (e me sinto) responsável por fazer minha parte nisso todos os dias. Ter um treino feminino comandado por mim se tornou um objetivo de vida. Eu não esperava que isso seria tão logo; achei que, talvez, aconteceria depois de um tempo de marrom ou quando chegasse à faixa preta. Mas ganhei a confiança de meus professores e eles me sugeriram fazermos um teste: "ei, vamos fazer um treino aberto? Se der certo, continuamos".

Quando estava chegando a hora e ninguém estava lá, já fiquei um pouco (mais) nervosa. Seria minha primeira aula e não teria nenhuma aluna. Resultado: onze meninas estavam láE o mais legal disso tudo era ver o misto de garotas: umas já treinavam, outras vieram de fora, outras ainda estavam voltando naquele dia para o jiu-jitsu e algumas outras estavam lá pela primeira vez. É uma honra poder colaborar para reinserir algumas garotas no meio, bem como inserir outras.

Há algumas coisas que eu queria ter dito a elas no final do treino e não rolou - eu esqueci - mas acho que vale falar aqui alguns motivos da importância do jiu-jitsu feminino.

1. Temos mais liberdade de expressão sem medo de não sermos entendidas
Não estou dizendo que podemos falar palavrões, coisas feias, sórdidas e obscuras das nossas vidas, mesmo porque essas coisas não são assuntos para um treino. Mas no sentido de ter liberdade de falar coisas como: "professora, estou com cólica" ou então "professora, não vou treinar hoje porque estou no primeiro dia do meu ciclo" ou então, ainda aquela coisinha básica "miga, dá uma olhadinha se minha calça sujou?". Não é que os professores não entendam necessariamente, porque às vezes entendem, sim. Mas muitas mulheres tem vergonha de falar esse tipo de coisa. E também não é lá muito confortável perguntar para um cara se nossa calça está suja de sangue, diga-se de passagem.

2. O jiu-jitsu feminino pode ser uma porta de entrada
Existem alguns motivos básicos que fazem as mulheres não pisarem num tatame pela primeira vez: vergonha, um companheiro ciumento (infelizmente muitos caras vetam suas namoradas/esposas de estarem no tatame porque acham que vai rolar um esfrega-esfrega desrespeitoso), por medo ou, simplesmente, por não se sentirem confortáveis em ser a minoria ali. O treino feminino integra e faz com que muitas meninas sintam-se mais a vontade e confiantes para iniciar o jiu-jitsu e, aos poucos, muitas se soltam e vão para o treino misto.

3. É técnica x técnica
Quando treinamos com homens, muitas vezes fica aquele arzinho de dúvida na cabeça de "nossa, será que eu iria melhor se ele não tivesse tanta força?". Então, é a hora em que podemos medir forças de igual para igual, já que mulheres tem suas forças equivalentes. É o momento de ver como é que sua técnica está e se os treinos mistos estão te fazendo mesmo evoluir. Em resumo: é hora de ver se aquilo que estamos aplicando nos caras, está realmente funcionando.

4. Rivalidade? Aqui não!
Infelizmente, há uma cultura que defende que mulheres devem ser rivais. Uma sempre precisa ser melhor, maior, mais forte... E no treino feminino, isso acaba. Talvez você até entre no tatame, achando que vai precisar ser melhor que todas. Mas um dia, você vai perceber que só precisará ser melhor que você mesma e que cada parceira de equipe é muito importante para sua evolução. É muito importante saber diferenciar a rivalidade da competitividade. Você deve, sim, ser competitiva. Mas é aquela coisa de "cinco minutos sem perder a amizade", sabe?

5. O estilo do rola muda
Muda porque o biotipo muda. Mulheres tendem a ser mais flexíveis do que homens, por exemplo. Sendo assim, na hora de rolar com outra mulher, sentimos grande diferença nisso. E tem outra coisa: na hora da competição, é mulher x mulher. Então, é ótimo treinarmos ajustes em outras mulheres também.

6. Treinar só com homens não necessariamente vai te fazer mais forte
Não estou dizendo que é ruim treinar com eles, muito pelo contrário! Treino todos os dias e gosto muito. Mas existe uma lenda que as pessoas te contam e, às vezes, você cai: "você só treina com homens, vai chegar no campeonato mais forte que as outras". Mentira! Todas as outras também treinam só com homens. Portanto, abra a cabeça e treine sim com mulheres sempre que possível. Treinar com homens ajuda muito mesmo, você realmente cria uma "casca", mas não podemos nos limitar a isso e precisamos, sim, abrir um espaço para treinar com outras mulheres (qualquer dúvida, volte para o item 3).

Portanto, treinar com mulheres pode ser uma ótima escolha e mais: isso não anula o fato de você participar dos treinos mistos. Que tal tentar colocar em prática também em sua academia um treino feminino como um 'extra treino' na semana? Ter uma academia cheia de mulheres é tão lindo, aproveitem essa porta de entrada!

Leia também: Treino misto x Treino feminino, por Carolina Lopes.

Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #02)

Youtube: Mayara Munhos
[]

Na semana passada, publiquei aqui a primeira parte de um bate-papo que tive com Angélica Galvão.

Hoje, está no ar a última parte da entrevista que publiquei lá no meu canal!

Angélica conta como é o marketing da academia em que todos querem treinar. Fala, também, que ela não desistiu do jiu-jitsu, além de contar um pouco sobre sua relação com seu marido, André Galvão, líder da Atos

O André é o melhor amigo que eu tenho. (...) Ele tá acima de mim, mas não vejo isso em momento nenhum como um peso. (...) Eu não fui forçada, entendeu? Foi minha decisão ter esse lugar na minha família. Abrir mão um pouquinho de um desejo pessoal para ter uma família sólida. E eu não tenho vergonha nenhuma em dizer isso (...) Tenho orgulho de falar 'quem é Angélica? Esposa do André', não tenho problema nenhum em falar.

Angélica Galvão


Mega inspiração! 

Assiste aí e conta o que achou ;)


Em breve, tem mais!

Jiu-jitsu: veja os resultados do adulto feminino no Campeonato Europeu da IBJJF

@flograppling
Campeã absoluta na faixa preta!
Campeã absoluta na faixa preta!

Janeiro de 2018: start nos campeonatos de jiu-jitsu e oficialmente, feliz ano novo!

Como de costume, acontece no Pavilhão Multiusos de Odivelas, em Portugal, o Campeonato Europeu da IBJJF que é mais do que um simples aquecimento para os próximos que estão por vir, sendo peso quatro no ranking da federação.

Comparando o número* de homens e mulheres (na divisão adulto), podemos dizer que o feminino tem crescido exponencialmente, mas se botarmos na ponta do lápis, ainda somos poucas. Na faixa branca, apenas 18% eram mulheres. Na azul, 20% (sendo 1034 homens e apenas 243 mulheres), na roxa 121 mulheres contra 655 homens, na marrom 484 homens e 56 mulheres e, na tão esperada preta, apenas 7% eram mulheres (561 x 42). Sendo assim, vemos que, no total, apenas 7% eram mulheres. O que não as faz pior, já que as lutas foram duríssimas e conquistaram o público.

Dando início falando das faixas azuis, que se encontraram no primeiro dia, destaque para Barbara Bergbauer, da Association Aranha que ficou com a prata no meio pesado e conquistou ouro no absoluto, após derrotar a duríssima Océane Jativa, da Academia Pytagore, que havia mais cedo sido campeã na categoria super pesado.

@ASSOCIATIONARANHA
Barbara Bergbauer: segundo lugar no peso e campeã absoluta faixa azul.
Barbara Bergbauer: segundo lugar no peso e campeã absoluta faixa azul.

Já na faixa roxa, destaque absolutíssimo para a atleta da Infight, Gabrielli Pessanha. A aluna de Márcio de Deus, do Projeto Social Lutadores de Cristo, deu show em sua categoria (super pesado) e, em seguida, venceu o absoluto da Vanessa Maria Varela Pereira, atleta da equipe Kimura, que havia sido vice campeã em sua categoria (médio).


Na faixa marrom, contamos com grandes nomes como Thamara Ferreira (Cícero Costha)  que foi campeã no peso médio, Izadora Cristina (Qatar BJJ Brasil) em seu primeiro Europeu de marrom e campeã de sua categoria (pesado), Mayssa Bastos (GF Team) campeã do peso pluma e Gabriela Fetcher (Checkmat), terceira colocada no peso leve. Porém, o double gold (peso leve e absoluto) acabou mas mãos de Amal Amjahid, lutando pela PAT Academy da Bélgica.


 E as mais esperadas: faixas pretas. Umas mais antigas e outras recém graduadas, mostraram que no jiu-jitsu não tem essa de zebra, é cinquenta por cento de cada lado e que vença a melhor – não necessariamente no ranking.

 Na categoria galo, apenas duas inscritas: Outi Tammilehto, da BrasaSerena Gabrielli, da Flow. Repetindo o mesmo feito do ano passado, Serena venceu Outi.


No peso pluma, tínhamos quatro inscritas, sendo uma delas a Talita Alencar (Alliance), atual campeã mundial e favorita ao título dessa categoria. Sua primeira luta foi contra a britânica Vanessa English (Gracie Barra). Faltando 7 minutos para acabar, as atletas saíram da área de luta e ela foi interrompida para que voltassem ao centro. Em seguida, os árbitros conversaram entre si e deram a vitória para Vanessa por conta de um triste erro técnico de acordo com a regra. Sendo assim, English avançou e fez a final com Liwia Gluchowska (Absolute MMA). Ela venceu por pontos e ficou com o ouro.

IBJJF
Vanessa English: campeã peso pluma faixa preta.
Vanessa English: campeã peso pluma faixa preta.

Dessa vez tivemos Bianca Basílio (Almeida JJ/Atos) num corte de peso até o último segundo e marcando presença no peso pena. Sua primeira luta foi contra Emilia Tuukkanen, atleta da Gracie Barra e Bia venceu após encaixar um estrangulamento muito justo. Do outro lado, vinham Amanda Monteiro (GF Team), Heather Raftery (Atos Jiu-Jitsu) e Emilie Maxine (Gracie South Bay). Heather enfrentaria Amanda em sua primeira luta, porém, segundo o site da federação, foi desclassificada por exceder o peso, fazendo com que a atleta da GF Team avançasse direto para a semi, vencesse da Emilie e fizesse a final com Bia Basílio. Numa luta duríssima, o título ficou com Amanda nos pontos.

@amandamontbjj
Amanda Monteiro: campeã peso pena, faixa preta.
Amanda Monteiro: campeã peso pena, faixa preta.

No peso leve, a favorita Beatriz Mesquita (Gracie Humaita) estava presente e venceu sua primeira luta (semi final) da atual campeã do Grand Slam de Abu Dhabi (até 62kg) Charlotte Von Baumgarten (Alliance). Do outro lado, vinham Líbia Alves Gonçalves (Natural Kombat) e Erin Herle (Alliance) em seu primeiro Europeu na faixa preta. Erin venceu de Líbia nos pontos e avançou para a final contra Mesquita. As duas se enfrentaram, e o título mais uma vez foi para a atleta da Gracie Humaita, após encaixar um estrangulamento pelas costas.


O peso médio vinha forte, com destaque para Renata Marinho (Alliance) de um lado e a havaiana Raquel Pa’aluhi (Zenith) do outro. Renata foi derrotada por Danielle Alvarez (Gracie South Bay) por pontos em sua primeira luta, enquanto Raquel avançou para a final após vencer a atleta Maria Eduarda Vieira (Brazilian Power Team) nas pontuações e encontrou-se com Danielle, que venceu a havaiana nos pontos e ficou com o ouro.

 

No meio pesado, a chave vinha com Claudia do Val (De La Riva) e Samantha Lea Cook (Checkmat), que estreava na faixa preta neste campeonato. Numa luta eletrizante, que terminou empatada (uma vantagem para cada lado), Claudia do Val ficou com o ouro por decisão dos árbitros.

@flograppling
Meio pesado: ouro para Claudia do Val, da De La Riva.
Meio pesado: ouro para Claudia do Val, da De La Riva.

Na categoria pesado, a atleta da G13, Carina Santi enfrentou Jessica Flowers, da Gracie Barra numa luta duríssima. Depois de uma raspagem, Carina venceu Jessica por 2x0 e levou o ouro para São Paulo. 

@carinasanti_bjj
Pesado: Carina Santi numa luta emocionante, ficou com o título.
Pesado: Carina Santi numa luta emocionante, ficou com o título.

No super pesado, a atual campeã Tayane Porfírio (Alliance) veio mais uma vez forte para enfrentar novamente a atleta da Hilti BJJ, Venla Luukkonen. A luta foi incrível, Tayane como sempre foi muito ofensiva e Venla não desistiu nem por um minuto. Quem ficou com o ouro foi Tayane, após vencer por 8x2.

@flograppling
Super pesado: deu ela de novo! Tayane Porfírio.
Super pesado: deu ela de novo! Tayane Porfírio.

 
Já no absoluto, a chave seguia forte. Tendo início no sábado e as finais no domingo, tivemos de um lado Carina Santi vencendo Líbia Alves e avançando para encontrar Tayane. Embaixo, Jessica Flowers venceu a primeira luta contra Heather Raftery e encontrou Venla Luukkonen em seguida.

 Do outro lado, Samantha Cook vencia Maria Eduarda Vieira para enfrentar Bia Mesquita e, embaixo, numa luta muito movimentada, Bia Basílio vencia de Talita Alencar para enfrentar Claudia Do Val.

Nas quartas de final, Porfírio venceu Carina Santi enquanto Jessica Flowers venceu Venla. E do outro lado, Bia Mesquita venceu Samantha e Bia Basílio enfrentava mais uma vez em sua carreira Claudia Do Val. A vitória ficou para a atleta da De La Riva, que avançou para as semis.

 As semis ficaram assim: Tayane Porfírio venceu Jessica Flowers e avançou para a final contra Bia Mesquista, que venceu de Do Val.

E, mais uma vez, double gold para Tayane, que venceu Bia Mesquita na final por dois pontos de uma queda quase aplicada, mas interpretada como se Mesquita tivesse “fugido” da área de luta. Aparentemente, a atleta da Gracie Humaita não concordou. Fora isso, Bia dominou muito bem a luta, praticamente 100% do tempo e chegou a ficar cinco vantagens a frente da atleta da Alliance, mostrando que está vindo muito mais forte nessa temporada de 2018.

IBJJF
1º lugar: Tayane Porfírio. 2º lugar: Bia Mesquita. 3º lugar: Claudia do Val e Jessica Flowers
1º lugar: Tayane Porfírio. 2º lugar: Bia Mesquita. 3º lugar: Claudia do Val e Jessica Flowers


Saldo muito positivo para as atletas nesse ano e alguns resultados inesperados, mas a cada nova disputa, vemos a força feminino crescer muito. Esse ano promote!

 *Dados extraídos do Flograppling.

Angélica Galvão e a Atos: como é cuidar de uma equipe Campeã Mundial? (EP #01)

Depois da série com o Lucas e o Kaynan, lá da Atos HQ, foi a vez de conversar com a Angélica Galvãoque tem grande responsabilidade na conquista do título Mundial da Atos e em manter a equipe em pé.

Angélica é faixa preta, tem 31 anos e é casada com o professor André Galvão. Juntos, eles tomam da Atos Jiu-Jitsu com muita responsabilidade, e os frutos estão sendo colhidos. Infelizmente, não vemos mais a Angélica competir, mas podemos vê-la "behind the scenes", liderando a equipe.

Neste primeiro vídeo, a atleta e agora empreendedora conta algumas coisas como a dor da sua lesão, que a manteve fora das competições, mas por outro lado, que a inseriu no mundo business. Também diz como é a administração da equipe, fala sobre alguns objetivos e também conta se a Atos recruta ou não atletas, que é uma dúvida de muitos. 


Por trás de um grande time, sempre existem grandes pessoas. 

Na próxima semana, o desfecho do bate papo com ela!

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