Messi não é isso tudo nos pênaltis. Confira números dele e de outros batedores. Saiba quem é o melhor

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Não foram poucas as pessoas que ficaram surpresas ao verem Messi perdendo pênalti na estreia da Argentina na Copa do Mundo. O 1 a 1 diante da Islândia teve seu momento mais dramático quando o goleiro Hannes Halldórsson deteve a cobrança do craque. Mas vê-lo desperdiçar penalidade máxima não é exatamente uma novidade. Os índices do camisa 10 não são dos melhores quando ajeita a pelota na "marca fatal": erra quase um pênalti a cada quatro.

A partir do banco de dados do TruMedia, ferramenta que utilizamos na ESPN, o blog levantou os índices de aproveitamento dos batedores de pênaltis de algumas das principais seleções presentes ao Mundial. O meia são-paulino Cueva, que também errou penal na derrota (0 a 1) de sua equipe, o Peru, para a Dinamarca, também entra na lista.


Penalidades batidas por Messi: no destaque a que perdeu na disputa de penais contra o Chile, na Copa América 2016
Penalidades batidas por Messi: no destaque a que perdeu na disputa de penais contra o Chile, na Copa América 2016 TruMedia/ESPN


Nem todas as cobranças estão registradas, mas o resultado ajuda a tirar conclusões. Claro, quem bateu mais corre o risco de erras mais vezes. Para efeito de comparação, utilizamos o índice do melhor cobrador de penalidades máximas da atualidade, Henrique Dourado. O centroavante do Flamengo tem 19 penais registrados no TruMedia (competições como os Estaduais não aparecem) e apenas um erro.

Os pênaltis batidos por Cueva: no destaque o que perdeu diante da Dinamarca na estreia pela Copa 2018
Os pênaltis batidos por Cueva: no destaque o que perdeu diante da Dinamarca na estreia pela Copa 2018 TruMedia/ESPN

Detalhe: ele mandou para fora diante do Atlético Mineiro, em 2014, quando vestia a camisa do Palmeiras. Isso significa que jamais um goleiro defendeu cobrança  de Dourado, que já bateu 24, ou seja, seu índice geral é ainda melhor, com 95,8% de aproveitamento. Com o mesmo número de cobranças, o goleador inglês Harry Kane, um dos maiores artilheiros da atualidade, autor de 46 gols na última temporada, tem índice pouco superior a 83%
  
Batedores de pênaltis*
Henrique Ceifador: 19 /18 94,7%
Hazard: 40 /34 85,0%
Cristiano Ronaldo: 95/80 84,2%
Kane: 24/20 83,3%
Cavani: 56/44 78,5%
Messi: 82/63 76,8%
Neymar: 31/23 74,1%
Cueva: 18/13 72,2%
Sérgio Ramos: 10/7 70%
Griezmann: 17 /11 64,7%
Özil: 8/5 62,5%
* jogador, total de cobranças, acertos e percentual de aproveitamento

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Corinthians de 2017 foi campeão 'sem gostar da bola'?! Mentira! Quem joga assim? O São Paulo de hoje

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Na campanha do título brasileiro de 2017, o Corinthians se notabilizou pela solidez defensiva em especial no primeiro turno, quando fez 47 de seus 72 pontos (65%) na metade inicial do certame. Nela sofreu nove gols em 19 pelejas, contra 21 acumulados na segunda parte do campeonato. Daí a afirmarem que o time jogava sempre fechado e sem a bola, foi muito rápido. Mas os fatos não comprovam tal tese (veja abaixo).

Os passes trocados pelos times da Série A em 2017 (à esquerda) e até a 25ª rodada no campeonato brasileiro de 2018
Os passes trocados pelos times da Série A em 2017 (à esquerda) e até a 25ª rodada no campeonato brasileiro de 2018 TruMedia/ESPN

Os corintianos foram os que mais passes trocaram no Brasileirão que conquistaram ano passado, à frente apenas do Grêmio, que costumeiramente lidera tal ranking, como ocorre atualmente, como mostra o TruMedia, ferramenta utilizada pelo Data ESPN. Já o atual líder, São Paulo, faz jus ao rótulo de que não curte muito ter a pelota nos pés. A equipe tem número de passes trocados inferior até ao Paraná, destacado lanterna da temporada.


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Conselheiros são agredidos após reunião no Vasco e grupo protesta

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Malta do Vasco, grupo que apoiou Fernando Horta na polêmica eleição do Vasco, que se arrastou entre novembro e janeiro, emitiu uma nota de repúdio à agressão de dois conselheiros após a reunião do Conselho Deliberativo na noite de segunda-feira, na Sede Náutica do clube. Foram atacados Luiz Dias e Fabio Muniz, um dos principais aliados de Júlio Brant, candidato derrotado no pleito que elegeu Alexandre Campello presidente.

A nota de repúdio do grupo Malta do Vasco, que apoiou Fernando Horta na eleição passada
A nota de repúdio do grupo Malta do Vasco, que apoiou Fernando Horta na eleição passada Reprodução

Dias e Muniz são ligados ao grupo “Sempre Vasco” e foram agredidos após a votação sobre o empréstimo de R$ 32 milhões pedido pela diretoria para que possa quitar compromissos financeiros deste ano. A aprovação aconteceu quase que por unanimidade. Na primeira votação, o grupo de Brant e o "Casaca" foram contra o empréstimo e pediram maiores detalhes. Com a alta dos juros, os R$ 31 milhões iniciais se elevaram em R$ 1 milhão até a data da nova reunião, quando finalmente houve a aprovação.

"Lamentável o que se passou na Lagoa. Conselheiros de oposição sendo agredidos numa ação claramente orquestrada. Foram chamados pelo nome por vândalos de capacete. O Vasco não consegue se livrar desse passado de política baixa, suja e agressiva. Temos uma árdua tarefa pra mudar isso. Mas esse caso específico é de polícia e não de política., disse Júlio Brant.

Muniz seria o vice-presidente de finanças do Vasco, caso ele vencesse a última eleição. O empréstimo solicitado pela situação envolveu uma costura política envolvendo oponentes de Campello ligados aos presidentes dos Conselhos Deliberativo, Roberto Monteiro, e de Grandes Beneméritos, Eurico Miranda. Dos 178 conselheiros presentes, 176 votaram pela autorização – votaram contra Edmílson Valentim, presidente do Conselho Fiscal, e Marcos Dias.  

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Arame liso? Veja quantas finalizações seu time precisa para marcar um gol

Mauro Cezar Pereira

Levantamento a partir dos números do Footstats mostra o desempenho dos times da Série A do Campeonato Brasileiro nas finalizações. Foram considerados números referentes aos jogos disputados após a Copa do Mundo.

É possível observar que o Atlético Mineiro, dono do melhor ataque em todo o certame (41 tentos) é o time que menos precisa arrematar para colocar a bola nas redes rivais. Já o Paraná, lanterna da competição, necessita de incríveis quatro dezenas de finalizações para chegar a um gol.

O Paraná Clube pós-Copa: mais de 160 arremates e apenas quatro gols no Brasileiro
O Paraná Clube pós-Copa: mais de 160 arremates e apenas quatro gols no Brasileiro TruMedia/ESPN

Confira o ranking e veja se o seu time é arame liso, aquele que cerca e não machuca (o adversário).

Clube*

Paraná 40,8

Botafogo 28,0

Sport 25,3

Vitória 19,6

Ceará 16,0

Vasco 15,3

Fluminense 14,8

Cruzeiro 13,7

Flamengo 12,2

Chapecoense 10,7

Santos 9,9

Bahia 9,6

Palmeiras 9,2

América 8,7

Atlético-PR 8,5

Inter 8,4

Corinthians 8,2

São Paulo 8,2

Grêmio 8,1

Atlético-MG 7,9

* Finalizações por gol marcado

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Por ofensas racistas, várias ligadas a futebol e a Mbappe, MP pede indenização milionária a youtuber

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

 

Destaque da Copa 2018 e campeão na Rússia, o francês Kylian Mbappé é citado em ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um youtuber por publicações racistas em rede social, inclusive com o atleta do Paris Saint Germain sendo alvo — clique aqui e acesse a informação no site do próprio MPSP.  Foi ajuizada ação de responsabilidade por danos sociais contra Julio Cocielo em razão de racismo no Twitter. Um tuite dele durante a Copa do Mundo sobre o jogador de 19 anos faz parte do relato com pedido de indenização que beira os R$ 7,5 milhões.

 O blog teve acesso ao documento do Ministério Público. A ação Civil Pública contra Júlio Cocielo refere-se a "publicações racistas entre 2010 e 2018, prática sistemática de racismo no ambiente virtual, utilização do Twitter para violação de direitos fundamentais, ofensa a direitos de matiz constitucional, violação aos direitos humanos. Violação da Constituição Federal e de Tratados Internacionais de Direitos Humanos, caracterização de dano social, responsabilidade civil". E destaca obrigação de fazer consistente no pagamento de indenização (Lei nº 7.347/85).

Os tuites chegaram conhecimento da Promotoria de Justiça de Direitos Humanos, Área da Inclusão Social, primeiramente formulada ao Ministério Público do Estado da Bahia que, por sua vez, a encaminhou ao MP paulista. Está no documento que a "representação diz respeito a diversos comentários racistas que o réu vem publicando em seu perfil da rede social 'twitter' desde 2010. O último episódio ocorreu durante a Copa do Mundo de futebol masculino de 2018, ocasião em que o réu, referindo-se ao jogador da seleção francesa Kylian Mbappé Lottin, publicou o seguinte post:"

 

De 30 de junho de 2018, tuite sobre Mbappe que está documentado na ação
De 30 de junho de 2018, tuite sobre Mbappe que está documentado na ação Reprodução

A ação vai adiante e apresenta postagens consideradas racistas pelo MP publicadas desde 2010, como uma de novembro daquele ano que, destaca o documento, "reforça o estereótipo repugnante direcionado aos negros, comparando-os com ladrões":

Tuite de 2010 que está na ação do Ministério Público de São Paulo
Tuite de 2010 que está na ação do Ministério Público de São Paulo Reprodução

O documento destaca ainda que "em 11 de dezembro de 2013, dia do jogo final da Copa Sul-Americana de futebol masculino entre os clubes campineiro Ponte Preta e o argentino Lanús, o réu comparou uma vizinha negra a uma macaca, em alusão ao apelido da equipe de Campinas":

Em 2013, tuitada motivada por jogo da Ponte Preta que foi documentada pelo MP
Em 2013, tuitada motivada por jogo da Ponte Preta que foi documentada pelo MP Reprodução

E o MP cita outras situações ligadas ao futebol: "Uma semana depois, quando o Atlético-MG perdeu para o clube marroquino Raja Casablanca no Mundial Interclubes, escreveu:"

Em 2013, participação do Atlético no Mundial de clubes e outro tuite que o MP reproduz no documento
Em 2013, participação do Atlético no Mundial de clubes e outro tuite que o MP reproduz no documento Reprodução

O Ministério Público reproduz diversos tuites classificados como de teor racista, ligados ao não a temas futebolísticos. E acrescenta que as "publicações foram as poucas que puderam ser resgatas, lembrando que o réu, após o último episódio racista em que ele se referiu ao jogador de futebol francês, apagou mais de 50.000 (cinquenta mil) publicações que realizou ao longo dos últimos anos, grande parte com caráter racista, machista e homofóbico".

 A delação foi encaminhada à Promotoria de Justiça Criminal e a ação civil pública contém pedido de indenização "pelos danos sociais causados pelo réu em razão da afronta à dignidade humana e demais valores constitucionais, o que não se desfaz com a remoção das postagens, tampouco com o seu pífio pedido de desculpas, os quais, indubitavelmente, relacionam-se com os prejuízos financeiros sofridos pelo youtuber em suas relações comerciais, como a perda de patrocínios e campanhas publicitárias".

 O documento com a data de hoje (12 de setembro de 2018) é assinado por Eduardo Ferreira Valerio, 2º Promotor de Justiça de Direitos Humanos; Bruno Orsini Simonetti, 1º Promotor de Justiça de Direitos Humanos designado; e Veronica Homsi Consolim, Analista de Promotoria. E determina: "seja o réu, por fim, condenado no cumprimento da obrigação de fazer, consistente no pagamento de indenização por dano social da quantia de R$ 7.498.302 (sete milhões, quatrocentos e noventa e oito mil, trezentos e dois reais), valor a ser corrigido monetariamente quando do efetivo pagamento e revertido em favor do Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos - FID, previsto no artigo 13 da Lei nº 7.347/85 e nas Leis Estaduais nº 6.536/89 e nº 13.555/09". Cocielo deverá apresentar sua defesa, assim que for notificado pelo juiz. 

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Com um jogo a cada 2,7 dias, Maracanã será fechado para recuperar gramado e planeja 2019

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
O colombiano Uribe em ação no gramado do Maracanã em Corinthians x Flamengo, na quarta-feira
O colombiano Uribe em ação no gramado do Maracanã em Corinthians x Flamengo, na quarta-feira Gazeta Press


O Maracanã recebeu no último mês 13 jogos em 36 dias, ou seja, uma peleja a cada 2,7. O Camp Nou, do Barcelona, teve 26 partidas em todo o ano de 2017. Desgastado e criticado, o gramado passou por recuperação para receber Flamengo x Corinthians e nas próximas semanas duas partidas do Fluminense sairão do estádio para que o campo se recupere, contra Grêmio e Paraná Clube.

Diante do Deportivo Cuenca, em 4 de outubro, pela Copa Sul-americana o time tricolor poderá utilizar ao estádio. Para Flamengo x Atlético, em 23 de setembro, acontecerão vários procedimentos de recuperação. A ideia era tirar essa partida do Maracanã, mas os ingressos já estavam sendo vendidos e a transferência de local tornou-se inviável. Entre os dias 13 de setembro e 9 de outubro só haverá esses dois jogos no local.

Serão dez dias sem cotejo algum, sendo que recentemente aconteceram seis no mesmo intervalo de tempo. Com esse período, o gramado atual melhorará, segundo a Greenleaf, responsável pelo piso. A empresa espera que chegue a 80% de sua capacidade. Para 2019 estão previstas ações específicas. O plantio será no dia seguinte à tradicional partida de final de ano organizada por Zico, marcada para a noite de 28 de dezembro.

Dois campos reservas com o mesmo tratamento já estão na fazenda em Saquarema (RJ) onde houve o plantio durante a Copa do Mundo. As lâmpadas holandesas que projetam luzes que substituem a solar ficarão sobre o pedaço do campo perto do setor norte onde no inverno não bate sol. A ideia é evitar que no próximo ano o gramado não fique como recentemente, já que a overdose de jogos provavelmente não cessará.

Em 24 horas a empresa assegura que consegue substituir o piso, algo que ocorreu em meio aos Jogos Olímpicos de 2016. O show de Roger Waters (ex-Pink Floyd) será no dia 24 de outubro e troca de gramado acontecerá no dia seguinte. A tabela do campeonato brasileiro marca o encontro entre Flamengo e Palmeiras para o dia 27, um sábado, a priori. O Fluminense pensa no Nilton Santos/Engenhão como opção para encarar o Grêmio.

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Falha interna gera multa de R$ 1 milhão ao Fla e irritação com demitido que Bandeira homenageou

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Uma falha de comunicação entre departamentos do Flamengo resultou na escalação de Réver contra o Internacional no primeiro turno do Brasileirão. A presença do zagueiro naquele jogo gerou uma dívida de R$ 1 milhão do time carioca com o novo líder da Série A do campeonato.

Quando o atleta trocou o  Internacional, pelo Flamengo, Rodrigo Caetano era o diretor-executivo do time carioca. Representando os rubro-negros, ele aceitou a chamada "cláusula de proteção", que estipula pagamento de R$ 1 milhão caso o jogador fosse escalado contra seu ex-clube.

Curiosamente, o dirigente, demitido em 29 de março após derrota para o Botafogo e eliminação do Estadual, assumiu cargo semelhante justamente no clube gaúcho. Ele foi apresentado 18 dias após a vitória rubro-negra sobre o Colorado, por 2 a 0, em 6 de maio, no Maracanã. Ou seja, Caetano não estava mais no clube carioca quando escalaram Réver contra o time porto-alegrense.

O blog apurou que antes daquele cotejo pelo primeiro turno, o Jurídico do Flamengo alertou um funcionário do departamento de futebol sobre a cláusula. Réver não deveria atuar, exceto se o clube quisesse pagar tanto dinheiro para tê-lo por uma peleja, algo obviamente desproporcional. 

Mas a informação não teria chegado ao atual diretor de futebol, Carlos Noval, tampouco ao treinador Maurício Barbieri. Com a falha de comunicação, o capitão ficou 90 minutos em campo. Para o jogo do segundo turno, novo alerta do jurídico e a decisão de não escalá-lo.

Os rubro-negros procuram uma brecha na justiça para escapar da multa, mas sabem que as chances não são das maiores. O blog ouviu um advogado especializado em direito esportivo, que vê alguns caminhos por meio dos quais o Flamengo pode tentar algo (abaixo).

 

Artigos que podem ser utilizados pelo Flamengo para não pagar a multa ao Inter: chance pequena
Artigos que podem ser utilizados pelo Flamengo para não pagar a multa ao Inter: chance pequena .

Há itens dos regulamentos da Fifa e de Registros da CBF que tornam passíveis de punição em caso de influência de uma associação em outra, ou de terceiros, nas políticas financeiras, de escalação, etc. Já o artigo 27C da Lei Pelé poderia ser citado para que a cláusula seja vista como nula.

Entre dirigentes e apoiadores da gestão, há grande descontentamento com a herança de Rodrigo Caetano. Não só por contratações que até hoje não dão retorno, como Geuvânio, Rômulo e Marlos Moreno, mas também pelo fato de o Inter só acionar a cláusula depois de sua chegada ao Beira-Rio.

Curiosamente, o executivo foi homenageado pelo presidente Eduardo Bandeira de Melo na entrevista coletiva na qual ele anunciou a demissão de Caetano. Na oportunidade ele disse: 

É um profissional de altíssimo nível, a quem eu agradeço muito o trabalho que ele desenvolveu aqui no clube. Vou sentir muita falta dele aqui no dia a dia, da competência dele, da dedicação dele. Foi um colaborador absolutamente excepcional. E tenho certeza que ele vai dar muito certo, que a carreira dele vai ser muito bem-sucedida, que ele merece, e ele está preparado para exercer qualquer função no futebol, seja em clube, entidade de administração, CBF, seleção brasileira, inclusive em governos. Então... começar agradecendo o trabalho do Rodrigo e tenho certeza que o Rodrigo também vai ficar muito feliz vendo a continuidade do trabalho dele sendo capitaneada aqui pelo Carlos Noval".


 

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Presidente do Inter deixa R$ 1 milhão devido pelo Fla de lado. Até o jogo pelo Brasileiro

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Réver (15), na partida do primeiro turno, no momento da expulsão de Pottker
Réver (15), na partida do primeiro turno, no momento da expulsão de Pottker Reprodução TV

O Flamengo deve R$ 1 milhão ao Internacional por ter utilizado Réver na vitória por 2 a 0 sobre o time gaúcho no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, mas ainda não foi cobrado pelos dirigentes colorados. Isso só deve acontecer após a partida desta noite em Porto Alegre entre as duas equipes.

"Faltam poucas horas para nosso confronto com o Flamengo. Jogo importantíssimo. Foco total na partida.  Amanhã falaremos sobre este e outros assuntos", resumiu o presidente Marcelo Medeiros, do Internacional, em contato com o blog.

Quando o zagueiro foi contratado, os rubro-negros concordaram com uma cláusula que estipula o pagamento da quantia cada vez que ele entrasse em campo contra o clube com o qual tinha contrato. O atleta foi liberado para se juntar os rubro-negros sob tal condição.

Rodrigo Caetano era o diretor executivo do Flamengo quando o negócio foi fechado, e agora trabalha justamente no Inter. Ele deixou o clube carioca após o campeonato estadual e o departamento de futebol, ao que tudo indica, esqueceu da existência dessa penalidade e o jogador foi a campo no turno.

Os flamenguistas decidiram antecipadamente não colocar Réver em campo no cotejo do Beira-Rio, pois teriam que pagar mais R$ 1 milhão para contar com ele. No Internacional os dirigentes ainda não conversaram sobre o que será feito, mas se o Flamengo não pagar a multa, deverão fazer a cobrança.

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Com Bandeira, Flamengo disputou 23 troféus: três títulos, três vices e muitos fracassos

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


A eliminação da Copa Libertadores para o Cruzeiro foi a terceira de forma precoce vivida pelo Flamengo sob a administração atual. Eduardo Bandeira de Mello assumiu a presidência em 2013 e a deixará ao final de seu segundo mandato, em dezembro. O time fracassou na competição internacional em 2014 (caiu diante do León do México no Maracanã lotado e foi eliminado na fase de grupos), em 2017 (novamente saiu do certame nesta etapa da competição ao perder para o San Lorenzo na Argentina) e agora caiu no duelo com o Cruzeiro, apenas um nível adiante, nas oitavas-de-final.


Com isso, são 23 troféus disputados (e aqui não estão computados os turnos do campeonato carioca, as taças Guanabara e Rio) e apenas três conquistas, mesmo número de vices, além de muitos fracassos. Entre as eliminações, quedas seguidas para o Vasco da Gama em Estadual e Copa do Brasil, isso em período de rebaixamento do clube de São Januário. Também foram algozes dos rubro-negros o Fortaleza, então na Série C, no mata-mata nacional; Palestino do Chile, na Copa Sul-americana etc. Neste ano, o Botafogo despachou os flamenguistas no Campeonato Carioca.

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A virada do técnico que viu a morte de perto e agora quer o título brasileiro

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Odair Hellman tem 41 anos. Como jogador de futebol, entre 1997 e 2009 defendeu Internacional, Fluminense, Veranópolis, América de Natal, Mamoré, Brasil de Pelotas, Enköpings (Suécia), América do Rio de Janeiro, Remo, CRB e Eastern (Hong Kong). Ele estava no ônibus que sofreu terrível acidente com a delegação do rubro-negro pelotense em 2009.  Cláudio Milar, ídolo da torcida, o zagueiro Régis e o treinador de goleiros Giovani Guimarães morreram na queda do coletivo em uma ribanceira, quando voltavam de Vale do Sol, onde haviam vencido o Santa Cruz por 2 a 1 em amistoso de preparação antes do Campeonato Gaúcho.  A carreira do  meia terminava ali, mas sua trajetória no futebol não. Hoje Odair comanda o Internacional, que meses após deixar a segunda divisão, desafia os tradicionais rivais e sonha com a reconquista de um título que a torcida colorada não festeja há quase 39 anos: o do campeonato brasileiro. O técnico conversou com o blog.

Odair Hellman: de técnico interino a comandante de um Internacional que voltou a lutar pelo título brasileiro
Odair Hellman: de técnico interino a comandante de um Internacional que voltou a lutar pelo título brasileiro Ricardo Duarte/Divulgação Internacional

Qual a maior virtude do atual Internacional?

Odair Hellman —A força coletiva, a organização coletiva, porque todos os jogadores que têm iniciado têm jogado muito bem. E quando tenho a necessidade de usar o grupo, os jogadores que têm entrado vêm dando boa resposta. Então isso mantém uma regularidade de desempenho e estamos fazendo essa boa campanha.

Como encontrou a nova função de Nico López?

O Nico jogava no Nacional (de Montevidéu) numa função mais atrás do último atacante, num 4-4-2 com duas linhas de quatro, e com liberdade de movimentação e de infiltração. Ele faz muito bem essa função e aqui usamos uma variação para ele e comecei a usá-lo também na beirada do campo, com liberdade de flutuação para ser um jogador para atuar entre linhas, porque ele tem esse poder de armação, de último passe e boa definição. Então foi isso que agregou ao Nico também essa situação, claro que também muito do comprometimento dele com o coletivo, com a parte tática e agregando sua individualidade porque é um jogador de muita qualidade.

De que maneira transformou um time que veio da Série B sem ser campeão em candidato ao título da Séria A?

Sempre que um grande clube passa por um período difícil como o Internacional, o outro ano é um ano de muita dificuldade, de reconstrução, e aí precisa de um trabalho em conjunto, de um planejamento. E foi isso que a gente fez, direção, comissão técnica e principalmente os jogadores, que acreditaram na ideia de jogo, estão comprometidos com isso, com o clube. Sabíamos que no início seria mais difícil, íamos encontrar mais espinhos, mas com convicção, com trabalho, a médio e longo prazos teríamos resultados melhores. É isso que está acontecendo, com essa regularidade, fruto de muito trabalho e convicção.

Qual seu maior temor nessa campanha?

Meu maior temor, com certeza, é a perda de jogadores, tanto pela janela de transferência quanto lesionados. Isso faz com que você fique com menos opções. Até agora a gente tem tido poucas lesões, tomara que continue assim.

E o sistema que lhe dá mais confiança?

Sistema de jogo para mim é apenas número, não é o que mais dou ênfase. Trabalhamos muito os conceitos de jogo, bem definidos em todas as fases do jogo, organização defensiva, ofensiva, transições e as bolas paradas. Então, independentemente do sistema que use, o time tem o mesmo conceito, e pratica isso dentro do campo. Foi fruto de muito treinamento para que a gente conseguisse chegar a esse ponto. Tínhamos usado variações de sistemas, de números, mas não abrindo mão das ideias, dos conceitos. Isso tem nos dado bom desempenho e resultados. Claro que usamos, dentro dessa situação, estratégias diferentes para jogos fora e dentro de casa.

'Sistema de jogo para mim é apenas número. Trabalhamos os conceitos de jogo', diz Odair
'Sistema de jogo para mim é apenas número. Trabalhamos os conceitos de jogo', diz Odair Ricardo Duarte/Divulgação Internacional

Qual o seu sistema de jogo preferido e o que mais se adequa ao atual time do Inter?

O que me dá mais confiança é que os jogadores estão acreditando na ideia de jogo, estão muito comprometidos taticamente, e claro que com os bons resultados e os bons jogos, todos mais confiantes para também desempenhar duas individualidades. O ponto forte realmente é o comprometimento de todos os jogadores, a entrega do grupo, para que a gente possa continuar a fazer essa campanha.

Que time você vê jogar no futebol pelo mundo e pensa: gostaria de ter minha equipe atuando assim?

Assisto muitos jogos, estou curioso para ver o Chelsea com o (Maurizio) Sarri. Ano passado o (Manchester) City jogou muito bem, o Real Madrid também. Vejo muitas partidas para observar modelos de jogo, novas ideias, para que eu possa também agregar ao meu dia-a-dia de trabalho. Claro que a gente sempre tem um ideal que eu trago para a realidade, porque precisamos ter a vontade de fazer o time jogar de uma maneira, mas para isso é necessário ter os jogadores com as características para encaixar com essa possibilidade. Estou muito curioso para ver o Chelsea do Sarri porque é um treinador que está trabalhando muito bem, suas equipes jogando futebol de muita técnica, dinâmica, velocidade. Vou observar a partir de agora para ver em quanto tempo as ideias dele vão demorar para se estabelecer dentro do campo.

Sarri é o seu inspirador? Ou pelo menos o técnico do futebol internacional de que mais gosta atualmente?

Inspirador não. Gostei do trabalho que desenvolveu ano passado, mas gosto do trabalho de outros também, como (Pep) Guardiola, (Diego) Simeone...

Não poder contar com Guerrero atrapalhará?

Claro que eu quero contar sempre com jogadores de qualidade e o Guerrero tem muita qualidade, mas na campanha que fizemos até aqui ele não participou, então espero que esse caso se resolva e continuaremos fazendo o trabalho com os jogadores que estão no grupo e dando grande resposta dentro do campo.

Como ele seria, ou será, aproveitado?

O aproveitamento dele saberemos depois dessas decisões jurídicas e ele puder ficar à disposição. Aí sim poderei falar um pouco mais a respeito dessa situação.

Técnico colorado se diz curioso para ver como se desenvolverá o Chelsea sob o comando do italiano Maurizio Sarri
Técnico colorado se diz curioso para ver como se desenvolverá o Chelsea sob o comando do italiano Maurizio Sarri Ricardo Duarte/Divulgação Internacional

Você indicou Fernandão ao Internacional. Como foi?

A situação do Fernandão foi que eu estava na seleção brasileira Sub-20, em 1997, como jogador, eu e o Fernandão, e eu já estava no profissional do Internacional. E na época aqui tinha o Vestibular do Centroavante, o Christian, Robigol, Alberto. Então quando voltei de uma convocação da seleção, o ex-presidente Fernando Carvalho me perguntou: 'Odair, você que está indo para a seleção, não tem um centroavante para me indicar?' Foi um dia após um treino, quanto ele foi conversar lá no campo. Eu disse: 'Olha, eu tenho um centroavante para indicar o senhor: Fernandão, do Goiás. Mas acho que ele já está indo para uma equipe de fora do Brasil'. O ex-presidente anotou o nome dele, acompanhou a carreira e quando teve a oportunidade o contratou. E disse ao Fernandão que fazia quatro, cinco anos que o acompanhava, desde aquele dia no qual conversamos a respeito dele. É claro que o presidente ter acompanhado e depois contatado, e o mais importante de todos foi ele ter vindo para cá, dado certo e ter jogado muito bem. Minha parcela foi pequena, mas tive minha participação nesse processo.

Você estava no acidente do ônibus do Brasil de Pelotas, o Danrlei (ex-goleiro, que marcou época no Grêmio) era do elenco e o ajudou se salvar... 

 Sim, eu estava no acidente do Brasil de Pelotas, no dia 15 de janeiro de 2009.  Ele (Danrlei) já estava fora do ônibus, um dos poucos que estava sem praticamente nada de machucado, um arranhão no braço. Eu estava preso nas ferragens e consegui arrancar minhas pernas dali, porque estava um barulho muito forte do ar condicionado e eu tinha a sensação de que o ônibus ia explodir. Não desmaiei, nem nada, fiquei no corredor, cai ali quando o ônibus virou na pista, foi uns 30 metros e caiu no barranco abaixo uns 40 metros. E caí no corredor. E os três que morreram estavam do lado esquerdo. Tomei muita pancada nas costas, como se estivesse num liquidificador, sendo jogado para cima e para baixo. Ele gritava para mim, 'sai, sai, arranca tua perna, vai explodir'. Aí arranquei minha perna e ele me puxou pelo couro cabeludo e me afastou do ônibus para que eu pudesse sair. Então ele saiu correndo no meio do mato, porque demorou 45 minutos ou mais para chegar ajuda. E é uma cena trágica, tu ali deitado no meio do nada, na escuridão, escutando grito de seus amigos, colegas pedindo socorro e dois ou três que conseguiram sair das ferragens olhando para o céu e agradecendo por estar vivo. Uma sensação horrível, uma das piores e nunca mais quero passar por isso.

Fale um pouco de sua trajetória ao pendurar as chuteiras, após o acidente do ônibus do Brasil de Pelotas, o fim da carreira de jogador e como chegou ao Inter para trabalhar inicialmente como observador?

Encerrei minha a carreira em 2009, após acidente. Fiquei seis meses machucado e três quase sem poder levantar da cama, com um problema nas costas. E nesse período resolvi encerrar minha carreira. Fui ao Internacional, onde eu tinha jogador por dez anos, desde a escolinha ao profissional, dos 14 anos até os 21, conhecia todas as pessoas lá e pedi uma oportunidade. Fui numa sexta-feira, o Tite era o treinador do profissional, eu me lembro bem. Ele e o Cléber Xavier estavam lá no campo. E fui falar com o ex-presidente Fernando Carvalho para pedir uma oportunidade para começar a trabalhar na base porque estava encerrando minha carreira. Então ele me disse que segunda-feira eu começaria na base, nas avaliações técnicas. Comecei nas observações em 2009. Em 2010 fui para um projeto como auxiliar do juvenil, o treinador era o André Jardine, que hoje é o auxiliar técnico do São Paulo, aprendi muito e fui galgando passo a passo todas as categorias de base. Trabalhei como auxiliar técnico do júnior, do Sub-23. Até que em 2013 o Dunga, no time profissional, liberou todo os profissionais da comissão permanente para formar uma nova equipe e me chamou para ser o auxiliar técnico permanente do Internacional. Então em 2013 passei a auxiliar técnico do Internacional. Trabalhei com dez treinadores, dez comissões técnicas diferentes. Pude aprender muito com todos esses treinadores, aí em 2015 tive a oportunidade de trabalhar na seleção brasileira Sub-17 e depois fazer a Olimpíada como auxiliar técnico do (Rogério) Micale em 2016. Tudo isso agregou muito valor para mim, experiência, conhecimento. Foi passo a passo, colocando tijolo a tijolo, aprendendo muito mesmo, fazendo todos os cursos que havia à disposição no mercado, junto do trabalho no dia-a-dia. E nesse tempo todo fui me aprimorando para que quando recebesse minha oportunidade estivesse preparado. Foi um crescimento mesmo de passo a passo, passando por todas as categorias do clube e trabalhar por cinco anos como auxiliar da equipe principal, assumindo o time interinamente algumas vezes, até em 2017 nos últimos três jogos da Série B. Conseguimos, juntos, alcançar a volta à Série A e ser efetivado pela direção em 2018.

Odair nos tempos de jogador do Internacional: no clube da escolinha ao profissional, dos 14 anos até os 21
Odair nos tempos de jogador do Internacional: no clube da escolinha ao profissional, dos 14 anos até os 21 Reprodução

 Você sentia que estava pronto para o desafio?

Eu me sentia preparado, me sinto preparado. Não estou pronto e nunca vou estar porque estou sempre aberto a novos conhecimentos e métodos para que eu possa sempre agregar valor ao meu dia-a-dia de treinos. Por que acredito muito em treinamento, uma equipe bem treinada consegue dar boa resposta dentro de campo, melhor jogo e desempenho.

 Como superou as sequelas, emocionais, inclusive, do acidente?

Realmente aquele acidente me abalou muito pessoal e profissionalmente. Tive que começar do zero, recebi ajuda de muitas pessoas, às quais tenho muita gratidão, porque não foi fácil. Fiquei com sequelas daquele acidente, com medo de viajar de ônibus logo em seguida. Infelizmente perdemos três companheiros num acidente trágico. Mas tive que recomeçar lá da base para realmente buscar aprendizado e conteúdo para não ser um ex-jogador que parasse com 38 anos e virasse treinador. Eu não acreditava nessa situação, acho que ser jogador é uma coisa, ser treinador é outra. Fui buscar conhecimento, aprender com os professores lá na base, depois subi ao profissional, aprendi muito com os treinadores, também aprendi o que não fazer, e nesse tempo todo eu sempre tinha na cabeça que deveria ter minhas ideias de jogo e meus métodos de treinamento. Então usei todo esse tempo de experiência e oportunidade como auxiliar técnico para criar meu método de treino e minhas ideias de jogo. Agora que recebi minha oportunidade, estou implementando esses conceitos. Foi muito importante ter todas essas passagens e experiências, que me deram confiança e segurança para assumir um clube do tamanho do Internacional. O que me deixa muito orgulhoso, é uma honra para mim, mas sei que estou preparado e dando o máximo que tenho de mim para que as coisas deem certo. 

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A virada do técnico que viu a morte de perto e agora quer o título brasileiro

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Brasileirão é o mais embolado da década

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O campeonato brasileiro de 2018 é o mais embolado entre os três primeiros na década. Desde 2009 o trio de clubes mais bem colocados após duas dezenas de jogos, não fica tão próximo. Apenas um ponto separa cada um deles quando é superada a metade do certame.

Em 2009 duas equipes apresentavam a mesma pontuação. O Internacional era líder porque tinha uma vitória a mais em relação ao Palmeiras, com o São Paulo apenas um ponto atrás, mesma diferença para o quarto, Goiás.


Ao final da competição, o campeão foi o Flamengo, que naquele momento era o 12º, a 10 pontos do líder. Hoje o Botafogo ocupa tal posição, mas está a uma diferença maior da ponta: 20 pontos. A repetiçao do que aconteceu naquele ano é improvável, mas o atual equilíbrio é raro. 

Os três mais bem colocados na 20ª rodada*

2018
São Paulo 42
Internacional 41
Flamengo 40

2017
Corinthians 50
Grêmio 39
Santos 36

2016
Palmeiras 39
Santos 36
Grêmio 35

2015
Corinthians 43
Atlético-MG 39
Grêmio 37

2014
Cruzeiro 46
São Paulo 39
Corinthians 35

2013
Cruzeiro 43
Botafogo 39
Grêmio 37

2012
Atlético-MG 44
Fluminense 43
Grêmio 40

2011
Corinthians 40
Vasco 38
Botafogo 37

2010
Fluminense 41
Corinthians 38
Santos 34

2009
Internacional 37
Palmeiras 37
São Paulo 36

2008
Grêmio 44
Cruzeiro 39
Palmeiras 37

2007
São Paulo 40
Cruzeiro 35
Vasco 34

2006
São Paulo 39
Santos 35
Internacional 34

* com 20 times na Série A

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Volta da punição era esperada e Guerrero poderá cumprir contrato com o Inter até 38 anos e 3 meses

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Internacional lançou ações de marketing envolvendo Guerrero, mas terá que adiar a esrtreia do centroavante peruano
Internacional lançou ações de marketing envolvendo Guerrero, mas terá que adiar a esrtreia do centroavante peruano divulgação

A revogação do efeito suspensivo de Paolo Guerrero junto à justiça suíça não surpreendeu, era algo esperado no meio jurídico. O entendimento é de que, na visão dos suíços ele jogou a Copa do Mundo, ou seja, o atleta obteve autorização para participar da competição mais próxima e importante, evitando-se, assim, que mais adiante uma eventual injustiça irreparável se constituísse.

Mas ao receber a fundamentação da Wada (Agência Mundial Antidoping), defendendo a punição definidas pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte) eles perceberam que dificilmente o atleta seria absolvido. Viram que suas chances eram realmente pequenas. Assim o tribunal na Suíça concluiu que era o momento de revogação do efeito suspensivo concedido em 31 de maio, duas semanas antes do Mundial disputado na Rússia. 

Apresentado à torcida há apenas oito dias, ele tem oito meses de gancho a cumprir. Guerrero estará apto para atuar pelo Internacional na segunda quinzena de abril de 2019, compromisso que poderá se estender até abril de 2022, quando o peruano terá 38 anos e três meses. Mas só o Colorado terá a opção de encerra-lo na data inicialmente prevista, em agosto de 2021. O jogador foi anunciado 11 dias antes de ser divulgada a nova decisão da Justiça Comum suíça. Ele só receberá o primeiro Real do clube depois que atuar.

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Vitória supera 70 gols sofridos em 2018 e Zé Ricardo tem média quase tão ruim quanto a do Vasco

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Os 3 a 0 impostos pelo Palmeiras ao Vitória fizeram com que o time baiano fosse o primeiro da Série A a alcançar a terrível marca de 70 gols sofridos em 2018. Embora oficialmente, somando as súmulas, registre 73, o rubro-negro de Salvador levou, de fato, 71 tentos, pois no  1 a 1 com o Bahia pelo campeonato estadual teve cinco atletas expulsos e o rival tricolor foi declarado vencedor por 3 a 0. A média da equipe é de 1,48 gol de adversários por partida. Os números foram registrados pelo site FutDados.

Deyverson fez os gols 69 e 70 sofridos pelo Vitória em 2018: pior defesa do país entre os times da Série A
Deyverson fez os gols 69 e 70 sofridos pelo Vitória em 2018: pior defesa do país entre os times da Série A César Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Nesta segunda-feira, se o Ceará marcar pelo menos uma vez em São Januário, o Vasco chegará aos 70. Sua média é de 1,53, sendo que nos 10 jogos sob comando de Jorginho ela piorou: 1,60 gol tomado por cotejo. Com outro placar de 3 a 0 fora de casa no domingo, do Atlético Mineiro sobre o Botafogo, a marca de outro ex-técnico vascaíno se aproximou da acumulada pelo time. Agora à frente do elenco botafoguense, Zé Ricardo passa a ter 1,51 tento sofrido por cotejo neste ano. Os alvinegros levaram 1,24 por jogo.

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São Paulo de Aguirre tem mais pontos do que os do tri com Muricy, mas nível dos adversários caiu

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Muricy Ramalho celebra gol do São Paulo em 2006: tricampeonato ainda não foi igualado por outro clube
Muricy Ramalho celebra gol do São Paulo em 2006: tricampeonato ainda não foi igualado por outro clube Reprodução

O São Paulo de Diego Aguirre é um líder do campeonato da Série A nacional com pontuação após 18 rodadas superior aos times do tricampeonato brasileiro com Muricy Ramalho, entre 2006 e 2008. Em comum, o estilo pragmático dos dois treinadores. A diferença está no nível técnico dos adversários, que caiu.

O certame atual tem um imenso degrau técnico abaixo do Cruzeiro, em oitavo, mesmo priorizando Copa do Brasil e Libertadores e escalando reservas na competição de pontos corridos. Ainda assim, os mineiros têm três pontos à frente do Fluminense, que ocupa a nona posição na tabela de classificação.

O desempenho do time carioca o coloca de quatro cinco pontos abaixo dos nonos colocados nos anos do tri são-paulino. O mesmo se observa com relação aos que abrem a zona de rebaixamento. O atual 17º, Santos, fica de um a cinco pontos atrás dos que estavam nesta posição entre 2006 e 2008.

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Em 2017, o Corinthians liderava na 18ª rodada com 44 pontos. O segundo era o Grêmio, poupando o time várias vezes, com 36

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Com Muricy, apenas em 2008 o time não liderava a uma rodada de o primeiro turno acabar. Foi em 2008, quando o Grêmio era o primeiro colocado com os mesmos 38 pontos que o São Paulo acumula hoje. E, não esqueçamos, o treinador teve baixas e remontou o time entre uma temporada e outra.

Outro detalhe que mostra os times do alto da tabela pontuando mais também em  função da queda de qualidade dos que ficam na parte de baixo é a campanha do Flamengo. Em segundo, tem mais pontos do que os líderes de 2006 e 2007, só um atrás do de 2008 e também do primeiro em 2018.

Pontos ganhos:

2006
São Paulo 35
9º Vasco 26
17º Corinthians 19

2007
São Paulo 36
9º Flamengo 26
17º Atlético-PR 22

2008
1º Grêmio 38
São Paulo 30
9º Sport 27
17º Náutico 18

2018
São Paulo 38
2º Flamengo 37
9º Fluminense 22
17º Santos 17

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Por que não aqui? Uma análise do patrocínio dos clubes na América Latina e as oportunidades para brasileiros

Mauro Cezar Pereira
por José Colagrossi*

Ao longo das décadas, o futebol brasileiro tem reinado absoluto na América Latina em termos de campeonatos mundiais da seleção, jogadores que se tornaram ídolos globais, e em fama e tradição. Além disso, temos o maior número de torcedores (percentual e absoluto) e somos o principal mercado consumidor do esporte na região.

Temos estádios modernos, campeonatos organizados e grande número de jogos transmitidos na televisão aberta, por assinatura e em pacotes especiais, como o pay per view. Embora muitos campeonatos estaduais estejam precisando de um novo modelo de competição para voltar a atrair a atenção dos torcedores, o Brasileirão, a Copa do Brasil, a Libertadores, a Copa do Nordeste, e mesmo a Sul-Americana despertam grande interesse dos torcedores. Isso sem falar da seleção brasileira, que mesmo sem ganhar o hexa na Rússia, voltou a engajar os brasileiros desde a chegada de Tite.

O Campeonato Brasileiro é o preferido e os Estaduais têm menos prestígio com o torcedor
O Campeonato Brasileiro é o preferido e os Estaduais têm menos prestígio com o torcedor .


Q: De acordo com esta lista, quais campeonatos de futebol você mais se interessa ou acompanha? (Resposta múltipla entre mais de 30 torneios nacionais, internacionais e continentais de clubes e seleções, das diversas modalidades)

Portanto, somos mesmo o país do futebol e reinamos absolutos no continente, certo? Errado, se o critério de comparação for o patrocínio nas camisas dos clubes de futebol.
Um levantamento recente do IBOPE Repucom nos principais países da América Latina mostra que Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e México tem uma maior diversificação
de patrocinadores de camisa, assim como a presença mais relevante de marcas globais em comparação ao futebol brasileiro.
Vamos aos fatos:
1 – Nenhuma das principais marcas presentes nos uniformes dos maiores clubes da América Latina investe no futebol brasileiro atualmente.
2 – Observamos segmentos de peso que investem nos demais países da América Latina e não no Brasil, como Companhias Aéreas, Bebidas Alcoólicas, Eletrodomésticos, Farmacêutica e Postos de Combustíveis.
3 – ATUAM LÁ, MAS NÃO AQUI > Outras marcas com relevância global e de segmentos fortes que não atuam no Brasil (em patrocínio de uniforme):
• BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS (Coca-Cola, Pepsi, Gatorade)
• AUTOMOTIVO (Chevrolet, Toyota, Nissan, Kia, Suzuki, Bridgestone)
• COMPANHIAS AÉREAS (Qatar Airways)
• SUPLEMENTO ALIMENTAR (Herbalife)
4 – ATUAM AQUI, MAS NÃO LÁ > O mercado brasileiro também possui suas peculiaridades com patrocinadores de segmentos que não atuam nos demais países da América Latina como:
• TRANSPORTE POR APLICATIVOS (Uber)
• GAMES (Konami),
• BUSCADORES ON-LINE (Zoom)
• HOTELARIA (Laghetto).
5 – BRASIL É O PÁIS QUE MAIS POSSUI EMPRESAS DO SETOR FINANCEIRO COMO PATROCINADOR - O setor financeiro, tão forte no patrocínio nas camisas dos clubes brasileiros (9 empresas patrocinam 19 clubes diferentes), também se destaca, porém com intensidade muito menor, em outros dois países da América Latina. Na Argentina, com Banco Ciudad (Independiente e Racing) e BBVA (River Plate) e no Uruguai com BBVA (Nacional) e Redpagos (Peñarol).

Caixa Econômica Federal tem grande peso nos patrocínios de camisa dos clubes brasileiros
Caixa Econômica Federal tem grande peso nos patrocínios de camisa dos clubes brasileiros .

As perguntas que não querem se calar após a leitura dos dados são:

- Por que marcas tão importantes no país, como Coca Cola, McDonald's, Pepsi e Toyota, apenas para citar algumas, investem no futebol de outros países latino-americanos, mas não no Brasil?
- Por que algumas destas marcas investiram no futebol brasileiro no passado, como Coca Cola, Pepsi, Kia, Samsung e Huawei saíram e nunca mais voltaram?
- O que o futebol destes países oferece a esses patrocinadores que o nosso futebol não oferece?
Através de dezenas de conversas com patrocinadores entendi que as razões são muitas e diferentes, além de não serem comuns a todos eles. Entretanto, posso afirmar que os motivos mais comuns são: o legado de arrogância dos gestores do esporte vindo de décadas passadas; a falta de profissionalismo; a inflação no preço dos patrocínios que precedeu 2014; e a crise de credibilidade tanto esportiva quanto na gestão do esporte logo após 2014.
Certamente, as razões acima conspiraram - e muito - contra o esporte que representa a maior paixão nacional. E, inevitavelmente, afastaram muitos patrocinadores. Tenho, entretanto, uma visão positiva em relação ao futuro do futebol brasileiro. Primeiro, vejo um esforço real de profissionalização, eficiência e transparência no esporte como um todo. Se comparado a 2011, quando iniciamos as nossas operações no Brasil, posso afirmar sem qualquer hesitação que a gestão do futebol no país (como um todo) melhorou e muito. Clubes, federações, agências, e patrocinadores, todos hoje possuem operações muito mais eficientes do que há 5 anos.
Felizmente, um verdadeiro choque de gestão toma conta do esporte, porém a velocidade da busca pela eficiência não é a mesma para todos. Como uma corrida de maratona onde todos largam juntos, mas no meio da prova existem uns poucos líderes que estão à frente de todos, um pelotão intermediário formado pela maioria e alguns poucos retardatários que vão mais lentamente. Todos correndo na mesma direção.
Pessoalmente, vejo o fato de tantos patrocinadores importantes investirem no futebol latino americano (e não no futebol brasileiro), não como um testamento do estado do nosso futebol, mas sim como uma excelente oportunidade. Afinal, ninguém melhor do que o IBOPE Repucom, com anos de experiência analisando o marketing esportivo, para atestar que patrocinar o futebol no Brasil é um ótimo negócio. Para aproveitar essa oportunidade, clubes e federações devem ser proativos, oferecendo às marcas um projeto de patrocínio que seja atraente. Patrocínio não se pede, se conquista, e nada melhor do que ter um projeto de patrocínio que efetivamente chame a atenção do patrocinador.
Algumas dicas de como estes projetos devem ser organizados:
1) Patrocínio esportivo não é gasto, mas sim investimento. E como tal, deve oferecer um retorno aceitável ao patrocinador. Fotos coloridas com “a sua marca aqui” apenas ilustram a colocação da marca. Um projeto de patrocínio deve, necessariamente, ter projeções de retorno mensuráveis e de credibilidade, assim como o detalhamento dos benefícios tangíveis e intangíveis.
2) Patrocínio esportivo não é Billboard. Futebol é paixão e um dos benefícios mais impactantes do patrocínio em futebol é a apropriação desta paixão pelas marcas. Portanto, torna-se fundamental aproximar as marcas dos torcedores do time. No fundo, o que as marcas querem é tornar os torcedores do time em torcedores da marca.
3) Patrocínio esportivo sem ações de ativação fracassam 9 em cada 10 vezes. E não é obrigação exclusiva do patrocinador ativar o patrocínio. O patrocinado tem tanto, senão mais, interesse no sucesso do patrocínio e deve exigir, contratualmente, para que o mesmo seja ativado tanto nas mídias sociais quanto em forma de hospitalidade e experiência. Neste sentido, apresento abaixo as ativações de maior impacto em futebol dos últimos 3 anos.

Há espaços que podem proporcionar novas e boas oportunidades de patrocínio
Há espaços que podem proporcionar novas e boas oportunidades de patrocínio .

4) Patrocinador é um parceiro e, como toda parceria de sucesso, o clube deve ser se esforçar para que a parceria seja boa para ambos os lados. Coloque-se no lado do patrocinador e se pergunte, o tempo todo, se você estaria satisfeito se fosse o patrocinador. Essa inquietude permanente só gera atitudes positivas.
5) Na maioria dos patrocínios esportivos que fracassaram não houve alinhamento prévio das expectativas entre o patrocinador e patrocinado. Por exemplo, “aumentar as vendas” não pode ser um objetivo formal porque depende de uma infinidade de fatores alheios ao patrocínio. Ou “melhorar a imagem da marca” pode ser um objetivo impossível de ser mensurado se não forem feitas pesquisas previamente e posteriormente ao patrocínio para mensurar o impacto. E mesmo assim pode ser que a imagem da marca seja afetada por fatores alheios ao patrocínio. Portanto, torna-se fundamental a definição formal e prévia do que o patrocinador espera do patrocínio e que essa expectativa reúna 5 condições fundamentais:
a. Seja específica ao patrocínio.
b. Seja mensurável.
c. Seja atingível.
d. Seja relevante ao patrocínio.
e. Ocorra dentro do prazo do patrocínio.
Finalmente, a decisão de dizer “não” ao patrocínio sempre é muito mais fácil do que a de dizer “sim”. Principalmente nos dias de hoje em que a economia não ajuda e o escrutínio em torno do patrocínio esportivo nunca esteve tão grande. Portanto, é obrigação de quem busca o patrocinador apresentar um projeto profissional, com clara definição de papéis e responsabilidades, com projeção científica do retorno e detalhamento das ativações para que a decisão de fazer o investimento seja lógica e fácil.
A constatação de que diversas empresas globais com forte atuação no Brasil patrocinam futebol na América Latina, mas não no Brasil, traz uma inevitável preocupação. As causas disso são conhecidas. Todos sabemos que nosso futebol atravessou um período muito difícil pós 2014, dentro e fora do campo. Mas nosso futebol sobreviveu, em grande parte pela força da paixão dos torcedores. A crise criou a necessidade de uma melhor gestão e andamos para frente nos últimos anos. Mas muito ainda precisa ser feito para que nosso futebol alcance um patamar de prestigio, competitividade, organização e eficiência que atraia de volta todas as marcas que um dia orgulhosamente apresentaram seus logos nas camisas dos nossos times.

* diretor executivo do IBOPE Repucom

[]

José Colagrossi COO da Kantar Sports e Diretor Executivo do IBOPE Repucom Jose.Colagrossi@kantaribopemedia.com Twitter: @JColagrossiNeto

No Portal IBOPE Repucom: http://www.iboperepucom.com/br/artigos/porque_nao_aqui_analise_america_latina
Fonte: IBOPE REPUCOM – Latam Landscape 2018
Principais patrocinadores de uniforme dos 20 clubes da Série A do campeonato brasileiro e dos principais clubes de Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e México.
Fonte: IBOPE Repucom – DNA Torcedor – 2017
Pesquisa com abrangência nacional, com objetivo de mapear o tamanho, perfil, hábitos e preferências das torcidas do futebol brasileiro.
Universo: população brasileira com 16 anos ou mais, totalizando 159,7 milhões de indivíduos;
Amostra: 6.006 entrevistas, realizadas em três ondas nos meses de junho, julho e agosto de 2017;
Q: De acordo com esta lista, quais campeonatos de futebol você mais se interessa ou acompanha?
(Resposta múltipla entre mais de 30 torneios nacionais, internacionais e continentais de clubes e seleções, das diversas modalidades)

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Bandeira já é o presidente com mais fracassos internacionais na história do Fla. E pode ampliar essa marca

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
O presidente do Flamengo acompanha coletiva do técnico Maurício Barbieri após a derrota pra o Cruzeiro
O presidente do Flamengo acompanha coletiva do técnico Maurício Barbieri após a derrota pra o Cruzeiro .


Se o Flamengo não vencer o Cruzeiro por dois ou três gols de diferença, dia 29 de agosto, em Belo Horizonte, deixará a Copa Libertadores da América. Seria o quinto revés internacional em seis anos de Eduardo Bandeira de Mello na presidência — dois mandatos de três anos, eleito em 2012 e reeleito em 2015.

Ele já é o ocupante do cargo que coleciona mais fracassos nas competições da Conmebol em toda a história do clube. Nos seis anos anteriores à sua chegada ao poder, os rubro-negros amargaram seis fracassos em certames da Confederação Sul-americana, mas com três presidentes diferentes. Confira:

Com Márcio Braga na presidência:
* 2007: desclassificado pelo uruguaio Defensor nas oitavas-de-final da Copa Libertadores (0-3 e 2-0)
* 2008: eliminado na mesma fase pelo América do México, em 2008 (4-2 e 0-3)

Com Delair Dumbrosck na presidência:
* 2009: eliminado pelo Fluminense da Copa Sul-americana devido ao critério do gol fora de casa (0-0 e 1-1)

Com Patrícia Amorim na presidência:
* 2010: eliminado da Libertadores pela Universidad de Chile (2 a 3 e 2 a 1) nas quartas-de-final
* 2011: novamente a Universidad de Chile, daquela vez pela Sul-americana: derrota por 4 a 0 no Engenhão e pelo placar de 1 a 0 em Santiago.
* 2012: eliminado da Libertadores na fase de grupos, mesmo vencendo o Lanús no Engenhão — o Emelec avançou.


Se os cruzeirenses confirmarem a classificação no Mineirão, a atual gestão irá superar sua própria marca negativa, como a que mais eliminações internacionais concentrou na história do clube.  Abaixo, a lista dos reveses flamenguistas com Bandeira na presidência.

* 2014 - derrotado pelo León, do México, e eliminado na fase de grupos da Copa Libertadores no Maracanã (2-3).
* 2016 - eliminado da Copa Sul-americana pelo Palestino, do Chile (1-0 e 1-2).
* 2017 - eliminado na fase de grupos da Libertadores após ao perder para o San Lorenzo, na Argentina (2-1).
* 2017 - perdeu a final da Sul-americana para o Independiente ao empatar no Maracanã (1-1), após derrota na Argentina (2-1).

Alguém dirá que essas derrotas só aconteceram porque o clube passou a frequentar as competições internacionais. É fato. Mas isso já vinha ocorrendo antes da chegada do atual presidente ao cargo.  Sim, o Flamengo se classificava para esses certames em meio ao caos financeiro e pífia estrutura, mas hoje o cenário é totalmente diferente. Fazer melhor deveria ser encarado como obrigação pelo torcedor, mas há muitos que convivem bem com o fracasso.

Também não há como negar que participando de cinco certames da Conmebol em seis temporadas, o Flamengo poderia conquistar pelo menos um troféu, ou evitar humilhações. Como deixar a Copa Sul-americana batido pelo pequeno Palestino, e ser despachado da Libertadores da América ainda na fase de grupos duas vezes em três participações. O DNA perdedor segue fortíssimo.

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Bandeira já é o presidente com mais fracassos internacionais na história do Fla. E pode ampliar essa marca

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Fortaleza de Rogério Ceni domina a Série B com posse de bola e apenas 9º orçamento

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Ao final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro da Série B, o Fortaleza venceu o Coritiba por 2 a 1 e aparece na liderança. Posição que não perderá na primeira rodada do returno, pela vantagem sobre o vice, CSA (três pontos e duas vitórias a mais). E o time treinado por Rogério Ceni se impõe na segunda divisão com a pelota nos pés e muita troca de passes.

Tem a melhor defesa, o segundo melhor ataque, a maior posse de bola e o mais elevado número de passes trocados. É o segundo em quantidade de finalizações, mesma posição ocupada entre as defesas menos alvejadas pelos arremates dos adversários. O Fortaleza de Ceni é o segundo que menos perdeu e o que mais vitória colecionou nas 19 rodadas já realizadas.

Dono do maior saldo de gols, o elenco dirigido pelo ex-goleiro do São Paulo é apenas o nono em investimento, segundo o site especializado Transfermarkt.com. Goiás, CRB, Coritiba, Avaí, CSA, Figueirense, Londrina e Ponte Preta têm grupos de jogadores mais caros.

Fortaleza de Ceni na Série B*

1º em passes trocados - 412,1

1º em posse de bola - 56,9

1ª melhor defesa - 13 gols

1º em saldo de gols - 15

2º que mais tenta o drible - 4,5

2ª defesa menos alvejada - 3,4

2º que mais finaliza - 14,0

2º melhor ataque - 28 gols

4º que mais cruza - 25,7

4º em finalizações por gol - 9,5

6º em interceptações - 2,7

6º que mais recebe faltas - 16,9

7º em rebatidas - 30,3

18º em desarmes certos - 11,7

20º que mais comete faltas - 13,9

20º em lançamentos - 32,2

 * medias por jogo

Fonte: Footstats

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Grêmio campeão não foi obra iniciada por Scolari

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN



Na entrevista de reapresentação no Palmeiras, Luiz Felipe Scolari deu a entender que iniciou a montagem do atual Grêmio campeão. O técnico parece se ver como parte integrante na formação do time que ganhou Copa do Brasil, Libertadores, Recopa e Estadual. Um desavisado pode ter entendido que ele deixara a casa arrumada para Roger Machado quando este chegou.

Os fatos não comprovam a eventual tese. Felipão já havia largado o banco de reservas antes do apito final numa derrota em casa para o Veranópolis pelo Campeonato Gaúcho. E saiu de vez quando o Grêmio foi batido pelo Coritiba por 2 a 0, no Paraná. Abaixo, sua última escalação e a primeira de Roger, na estreia com empate ante o Goiás, em Goiânia.


Com ajuda do comentarista Cristiano Oliveira, da Rádio Guaíba, recuperamos as formações com os dois técnicos em 2015. Nas mãos de Scolari, Maicon foi meia, Roger imediatamente fez dele volante de vez, com sucesso. Marcelo Oliveira atuava no meio de campo, o novo treinador o puxou para a lateral-esquerda. Com Felipão foi testado até como zagueiro. Um fiasco na derrota para o Aimoré no Campeonato Estadual.

Logo Roger pôs Luan como "falso 9" e Douglas entrou no meio, saindo Mamute do ataque. E mais: o Grêmio deixou de ser o time assustado, abandonado pelo próprio técnico com bola rolando. Treinador que saiu de vez após 51 jogos, 26 vitórias, 12 empates e 13 derrotas, aproveitamento de 58,8%. Nos Grenais, Felipão tomou 2 a 0 e aplicou 4 a 1 pelo Brasileirão, encerrando jejum de nove clássicos sem vitória, mas perdeu o título do Gauchão para o Internacional.

Com o técnico da seleção na Copa do Mundo de 2014 à frente, o Grêmio estreou no Brasileiro de 2015 empatando em casa com a Ponte Preta: 3 a 3. Veio a derrota para o Coritiba e o adeus de Scolari. Roger estreou duas rodadas depois. Quando Felipão saiu o time vinha jogando mal e era 18º no campeonato. Seu substituto transformou o time e encerrou o certame na terceira posição, a um ponto do vice-líder, Atlético, e a 13 do campeão, Corinthians, de Tite.

Roger caiu após derrota para a Ponte: 3 a 0, em Campinas. Voltou o ídolo Renato Gaúcho Portaluppi, que estreou na derrota para o Atlético Paranaense, pela Copa do Brasil, com triunfo tricolor nos pênaltis. As diferenças entre o time final de Felipão eram grandes em relação à escalação inicial de Roger, mas as mudanças após a chegada de Renato e sua saída  foram bem menores (abaixo).

O último jogo de Roger, contra a Ponte Preta, e a estreia de Renato, frente ao Atlético-PR
O último jogo de Roger, contra a Ponte Preta, e a estreia de Renato, frente ao Atlético-PR Lineupbuilder

No último jogo do treinador que ficou no Grêmio entre 2015 e 2016, Jaílson foi um dos volantes por que Maicon não estava disponível. A volta dele, como a de Douglas, e a introdução de um centroavante (Henrique Almeida) foram as novidades de Renato, além de alteração no sistema de marcação. Ali, o mais importante, era um Grêmio diferente, de muita posse de bola, criado por Roger, aprimorado por Portaluppi.

Marcelo Grohe; Matías Rodríguez, Gabriel Silva, Rhodolfo e Marcelo Hermes; Araújo, Ramiro, Lincoln e Douglas; Barcos e Marcelo Moreno. Foi este o time inicial de Felipão na pré-temporada 2015, que ficou em 0 a 0 com o Gramadense no primeiro tempo. No segundo, quando entraram os jovens, o Grêmio fez 2 a 0,  mas foi vaiado, no jogo-treino que abriu o ano. O técnico se irritou com a imprensa, lembra o repórter Rafael Pfeiffer, da Rádio Guaíba, que cobriu o cotejo. Começou e acabou mal aquele período.

Os fatos mostram que Luiz Felipe Scolari não participou da montagem desse Grêmio vitorioso, campeão. Deixou o trabalho pelo caminho, sem alicerces, outros o construíram. Vejamos se conseguirá repetir no Palmeiras o que Roger e Renato fizeram no tricolor gaúcho.

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Palmeiras com primeiros sinais de Felipão e São Paulo contra o próprio 'veneno'

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

A chegada de Luiz Felipe Scolari ao Palmeiras teve impacto óbvio e imediato com a promoção do discutido Deyverson a titular ante o Bahia, pela Copa do Brasil. Ele não abre mão de um centroavante e seu auxiliar, Paulo Turra, que comanda a equipe até seu desembarque vindo de Portugal, obviamente o escalou de saída, algo absolutamente previsível em se tratando do técnico.

Jogando em casa, contra o Colón de Santa Fé, pela Copa Sul-americana, o São Paulo tinha um desafio pela frente. Dono da menor posse de bola do Campeonato Brasileiro e 19º no ranking de passes, o time de Diego Aguirre tem colecionado pontos com proposta de jogo que consiste em se fechar e sair velozmente. A bola é desnecessária na maior parte do tempo.

Ações com a bola do São Paulo na vitória sobre o Cruzeiro, com 47% de posse, e na derrota para o Colón, com 64%
Ações com a bola do São Paulo na vitória sobre o Cruzeiro, com 47% de posse, e na derrota para o Colón, com 64% TruMedia/ESPN

O Palmeiras fez 21 cruzamentos em Salvador, exatamente sua média na Série A. Mas acumulou 53 lançamentos, 13 acima dos 40 que costuma registrar no Brasileiro. Não mudou o comportamento nas bolas alçadas, mas cresceu a ligação direta para encurtar o caminho ao ataque. Estilo típico de Felipão, como a queda de 43% no número de passes tentados, de 404 no campeonato para 228 na Fonte Nova. Pela direita, Marcos Rocha foi o  mais acionado. 

Palmeiras nos 3 a 0 sobre o Bahia pela Série: 397 passes tentados contra 228 no empate em 0 a 0 pela Copa do Brasil
Palmeiras nos 3 a 0 sobre o Bahia pela Série: 397 passes tentados contra 228 no empate em 0 a 0 pela Copa do Brasil TruMedia/ESPN

Já o São Paulo de Aguirre, alcançou posse de bola rara sob seu comando na derrota para o Colón: 64%. Foram tentados 490 passes, com 37 cruzamentos e apenas 18 lançamentos. Na Série a posse é, na média, de 47%, com 324 passes por cotejo, 23 cruzamentos e 38 lançamentos, único item no qual houve redução. Motivo: os tricolores não puderam se fechar e usar a bola longa, pois a equipe argentina, retrancada, assumiu tal papel.

Com Scolari, o Palmeiras tende a ser cada vez mais um time de cruzamentos, a partir de laterais, inclusive, muita bola parada e conexão entre defesa e ataque sem que a bola passe pelo meio de campo. Nas rodadas próximas, ante Vasco, Sport e Chapecoense, o São Paulo de Aguirre possivelmente viverá situações mais próximas da encontrada na derrota em casa pela Copa Sul-americana do que nas visitas recentes a Flamengo, Grêmio e Cruzeiro.

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São Paulo de Aguirre 'gosta' menos da bola do que o Corinthians de Carille em 2017

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Mapas mostram diferença na quantidade de passes trocados por São Paulo e Grêmio no jogo de quinta-feira
Mapas mostram diferença na quantidade de passes trocados por São Paulo e Grêmio no jogo de quinta-feira TruMedia/ESPN


Entre os 20 participantes do Campeonato Brasileiro, o São Paulo é o segundo que menos "gosta" da bola. Só a Chapecoense, que entrou na zona do rebaixamento ao ser derrotada pelo Botafogo, troca menos passes do que o tricolor paulista. Os números são do Footstats.

Por jogo, o Grêmio de Renato Gaúcho Portaluppi, líder do ranking de passes tentados, soma, em média, 209 a mais do que a equipe de Diego Aguirre. O Atlético Paranaense, que vem caindo no quesito após a saída de Fernando Diniz, tem 202 passes a mais do que os são-paulinos, por peleja.

Na derrota da noite de quinta-feira, em Porto Alegre, o time do Morumbi trocou apenas 237 passes certos,  15% abaixo da média registrada nos 14 jogos anteriores.  Muito acima, os gremistas, com 483 passes completados, também não chegaram à sua marca comum na competição.

Diego Aguirre, treinador do São Paulo
Diego Aguirre, treinador do São Paulo Gazeta Press

Equivocadamente apontada como uma equipe que rejeitava a posse de bola em 2017, quando ergueu o troféu de campeão, o Corinthians de Fábio Carille trocava muito mais passes do que o São Paulo atual. Eram 463 após 15 rodadas, sendo que depois desse número de jogos o São Paulo registra 323. 

Ao final do certame, os corintianos lideraram o ranking de passes trocados em 2017, com média ainda mais alta, de 472 por cotejo.  A atual marca tricolor é superior apenas às de três times do ano passado, Chapecoense (301) e os rebaixados Avaí (306) e Coritiba (320).

Passes tentados*

Grêmio 532,5 (493,4)
Atlético-PR 525,6 (489,6)
Atlético-MG 481,1 (445,0)
Santos 448,6 (413,3)
Corinthians 439,3 (403,1)
Cruzeiro 421,1 (384,6)
Flamengo 414,9 (381,5)
Palmeiras 401,5 (361,0)
Internacional 397,3 (359,1)
Vasco 383,8 (346,0)
Ceará 377,7 (340,4)
Bahia 376,9 (338,4)
Sport 368,0 (330,0)
Botafogo 355,7 (321,7)
América 354,4 (313,5)
Fluminense 346,8 (308,7)
Paraná 345,3 (307,3)
Vitória 328,3 (288,0)
São Paulo 323,3 (281,5)
Chapecoense 312,2 (277,3)
Média geral: 396,73 (359,17)

* média por jogo. Entre parênteses os passes certos/completados
Fonte: Footstats

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Palmeiras descarta técnico estrangeiro. Demissão de Roger coloca em xeque teoria do 'planejamento perfeito'

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Roger Machado na apresentação do técnico no Palmeiras, em novembro de 2017
Roger Machado na apresentação do técnico no Palmeiras, em novembro de 2017 SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press

Roger Machado foi demitido do Palmeiras após a derrota para o Fluminense. A conclusão dos dirigentes foi de que o trabalho não evoluía e, assim, era hora de mudanças. A dispensa de um treinador é algo rotineiro no futebol brasileiro, mas as condições de trabalho dadas neste caso, bem fora do padrão.

Os dirigentes descartam a possibilidade de contratar um técnico estrangeiro neste momento. Abel Braga, que era o nome favorito em 2017 após a saída de Cuca, já disse que só pretende voltar ao trabalho em 2019, o que desanimou os palmeirenses. Wesley Carvalho, do Sub-20, será o treinador interino.

Após deixar o Atlético em 20 de julho do ano passado, Roger decidiu que só voltaria ao mercado no começo de 2018, em início de temporada. E reafirmou sua posição quando uma pessoa o procurou perguntando se tinha interesse em assumir o Flamengo, em agosto, após Zé Ricardo deixar o time rubro-negro.

O Palmeiras já pensava nele em 2016, mas em meio ao processo eleitoral que levou Maurício Galiotte à presidência, o Galo foi mais rápido e fechou com Roger. O treinador acertaria com os alviverdes em novembro passado, quando foi apresentado com toda pompa para 2018.

Assim, ele teve tempo para avaliar o elenco, discutir mudanças com chegadas e partidas de jogadores, fez a pré-temporada e começou a montagem do time durante o Campeonato Estadual. Tudo com elenco farto, pelo menos dois atletas para cada posição, remuneração em dia e ótima estrutura.

Centro de Treinamentos (CT) remodelado,  estádio novo, várias opções para escalar a equipe, profissionais bem remunerados... Roger Machado teve nas mãos as condições que, em tese, são ideais para o bom desempenho de um técnico à frente de um elenco de futebol. Não deu certo.

A qualidade ficou aquém do esperado, mesmo após a parada para a disputa da Copa do Mundo. E houve a perda do título paulista no Allianz Parque repleto de palmeirenses após uma vitória na casa do Corinthians. Uma ferida profunda que não interrompeu o trabalho, sequer se falou em demissão à época.

Em teoria começar o trabalho no início de temporada é o ideal,  o que chamam de planejamento perfeito. Ainda mais com elenco amplo, salários sem atraso, CT e estádio em ótimas condições, torcida grande e muita mídia. Roger teve tudo isso no Palmeiras, que não teve um bom time com Roger.

É o segundo fracasso seguido do jovem treinador que antes remodelou a forma de jogar do Grêmio. Mesmo preso ao que, em geral, é considerado por muitos o cenário ideal, não deu certo. O futebol brasileiro é muito mais aleatório do que se imagina. E a teoria em questão representa menos do que imaginamos.

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