Vasco reduz folha de pagamento em R$ 1,5 milhão mensais com saída de três jogadores

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista do ESPN.com.br

Nenê foi do Vasco para o São Paulo: redução na folha de pagamentos
Nenê foi do Vasco para o São Paulo: redução na folha de pagamentos Divulgação Vasco

Desde a posse de Alexandre Campello, o Vasco reestrutura seu departamento de futebol. Com poucos recursos e a maior parte de cota da TV Globo em 2018 já antecipada pelo ex-presidente Eurico Miranda — clique aqui e leia no blog de Rodrigo Mattos —, o objetivo tem sido a redução de custos e o acerto dos atrasados.

Duas já folhas de pagamento foram quitadas em 15 dias, e continuam as negociações com credores. Apenas com as saídas de três atletas (Escudeiro, Nenê e Luiz Fabiano) houve uma significativa queda de aproximadamente R$ 1,5 milhão no custo mensal do elenco de futebol, incluindo os encargos pagos pelo clube.

O Vasco está colocando em prática  um plano de parcelamento de suas dívidas, por isso liberou quem ganhava mais para montar uma equipe dentro das suas atuais possibilidades. A prioridade é se tornar capaz de pagar a remuneração de todos no dia 7 de cada mês. Na quarta-feira foram depositados os salários de janeiro.

E não é só. No Vasco ainda é feito um levantamento para se chegar ao real montante devido a jogadores e comissão técnica referente a pagamentos em geral, como premiações ("bichos") etc. Com a saída do trio, o clube economizará cerca de R$ 18 milhões que desembolsaria para remunerar esses jogadores até o final de 2018.

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Real Madrid já alertou que deverá pedir ida de Vinícius Júnior do Fla para a Espanha já em julho

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Vinícius Júnior não deverá dizer não ao Real Madrid se o clube espanhol pedir sua apresentação já em julho
Vinícius Júnior não deverá dizer não ao Real Madrid se o clube espanhol pedir sua apresentação já em julho Divulgação

O Real Madrid já sinalizou que deverá pedir a apresentação definitiva Vinícius Júnior a partir de 12 de julho. O jogador contratado ao Flamengo por € 45 milhões (mais de R$ 192 milhões) assinará seu contrato com o clube espanhol nesta data, quando completará 18 anos. Pelas regras da Fifa isso não é permitido até que o atleta alcance tal idade. E as chances de o campeão europeu reivindicar sua mudança para a capital espanhola logo após firmar o primeiro compromisso profissional cresceram nos últimos dias.

Após a final da Champions League, sábado, entre Real Madrid e Liverpool, as conversas poderão conduzir o futuro de Vinícius Júnior para que se fixe na Espanha ainda no começo do próximo semestre. Pessoas próximas ao jogador consideram, hoje, tal possibilidade como a mais provável. O atleta se mudará para Madri em julho apenas se duas das três partes envolvidas na negociação concordarem. Ou seja, o rapaz se transfere ainda em 2018 se quiser. Contudo, caso os espanhóis solicitem, ele não deverá negar a mudança imediata.

Sua ida ainda em meados de 2018 poderá fazer parte da renovação de um elenco que, acredita-se, precisa de rejuvenescimento. Por isso o jogo contra o Liverpool pode até pesar, com o desempenho de alguns jogadores do Real Madrid ampliando a chance de saída, ou até de permanência. Reforços do naipe de Neymar e Lewandowski são citados pela imprensa como possíveis contratações, com as prováveis saídas de nomes como Gareth Bale e Benzema.

Inicialmente Vinícius Júnior assina contrato e fica emprestado por um ano. Importante: um terço do valor a ser pago pelo clube espanhol ainda não caiu na conta do Flamengo. Apesar do prejuízo técnico provocado por uma saída imediata, a atual diretoria sorriria com o clube recebendo os € 15 milhões restantes ainda em 2018, último ano de Eduardo Bandeira de Mello na presidência. Pelo acordo, a parcela pendente será paga em janeiro de 2019, quando os europeus poderão exigir a mudança do atacante  imediata e unilateralmente, ou na eventual antecipação da transferência.  

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Como entender o endividamento do Internacional?

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Internacional apareceu no ranking das dívidas dos clubes brasileiros de futebol como segundo colocado após as publicações dos balanços de 2017. Como o clube chegou a essa situação? O blog entrou em contato com o clube. O 2º vice-presidente, Alexandre Barcellos, que integra o Conselho de Gestão; e o Diretor Executivo de Finanças do Internacional (CFO, sigla para Chief Financial Officer), Giovane Zanardo dos Santos, responderam às perguntas. E elas são, certamente, as de muitos colorados. 

Como explicar o crescimento do endividamento do Internacional?
O principal motivo de crescimento do passivo do Internacional ocorreu em função do lançamento das benfeitorias oriundas da reforma do Complexo Beira Rio, concluídas em 2014 e que até então, por orientação das antigas empresas de auditoria, receberam outro tratamento. Foram lançados aproximadamente R$ 350 milhões que aumentaram o passivo, mas também aumentaram o ativo permanente do clube, hoje superior a R$ 1 bilhão. Importante ressaltar que estes valores lançados no passivo não serão pagos com desembolso financeiro, mas com a cessão de alguns espaços do Complexo Beira Rio para a BRIO para a exploração comercial pelo período do contrato (20 anos).
 
O que é a BRIO?
É a SPE (Sociedade de Propósito Específico) da AG e do Pactual que administra os espaços cedidos pelo Internacional em troca das benfeitorias realizadas.

O 2º vice-presidente do Inter, Alexandre Barcellos
O 2º vice-presidente do Inter, Alexandre Barcellos Divulgação


Poderia detalhar as benfeitorias?
Neste ponto é tudo que foi feito no Beira Rio na reforma da Andrade Gutierrez, difícil descrever. É “praticamente” um novo estádio.

Em que ponto do balanço recente tais benfeitorias estão especificadas?
No imobilizado, na conta do estádio.
 
O que foi feito na gestão atual para minimizar esse quadro?
A gestão atual tem trabalhado fortemente na redução de custos e despesas, bem como no incremento de receitas. Nas despesas, os reflexos já foram sentidos em 2017, com uma redução de aproximadamente 20% das despesas gerais e administrativas. Nos custos, pelas características específicas da legislação do segmento, os reflexos são sentidos no médio e longo prazos. Para as receitas, as ações implementadas deverão também trazer reflexos já a partir de 2018. De qualquer forma, importante ressaltar que o incremento referido no passivo não trará nenhum desembolso de caixa para o Internacional.
 
Poderia explicar como "não trará nenhum desembolso de caixa para o Internacional"?
Isto se refere ao passivo novo que foi lançado, na conta de cessão por direito de exploração. Não trará desembolso porque não pagamos nada para a BRIO financeiramente. Todo o pagamento se dará com a cessão de alguns espaços pelo período de 20 anos.
 
O Internacional passou a última temporada na segunda divisão, e a dívida cresceu. Como justificar isso ao torcedor?
Conforme referido na primeira resposta, o aumento no passivo ocorreu em grande parte pelo lançamento das benfeitorias do Complexo Beira Rio, com contrapartida no ativo do clube. Com este lançamento foi necessário inclusive reapresentar o balanço de 2016, uma vez que as benfeitorias foram concluídas em 2014. Se considerarmos este efeito nos dois anos, o passivo do Internacional em 2017 é menor que em 2016. Além disso, perdemos muito na valorização do grupo de jogadores e eventual negociação de atletas para o exterior. Modificamos praticamente todo o grupo de jogadores que foi rebaixado no ano de 2016 e isso, por óbvio, também teve um custo.
 

Giovane Zanardo dos Santos, Diretor Executivo de Finanças do Internacional
Giovane Zanardo dos Santos, Diretor Executivo de Finanças do Internacional Divulgação

Qual o planejamento para sair dessa situação?
A gestão do clube continua trabalhando fortemente na redução de custos e despesas. Além disso, tem trabalhado em novas ações de marketing que permitirão trazer para o Internacional novas receitas, sobretudo no que diz com aumento do quadro social e novos patrocinadores.

 
Quantos anos projetam para que o Inter reequilibre suas finanças?
É difícil falar em prazo, mas se as ações que estamos implementando tiverem o efeito imaginado e o clube alcançar seus objetivos dentro de campo, teremos uma evolução constante e um cenário mais confortável em quatro ou cinco anos.
 
Por que o Internacional, e outros clubes, consideram como endividamento os itens receitas a realizar e adiantamentos de contratos?
As receitas a realizar no passivo têm contrapartida também no ativo do clube. Este é um critério que permite o reconhecimento do contrato contabilmente, ou seja, no caso do televisionamento, por exemplo, o contrato prevê que o Internacional receba alguns valores da televisão pela exposição de sua marca e jogos. O lançamento no ativo registra este direito que o clube tem a receber e o passivo a "obrigação" com a exposição da marca. A medida em que o clube recebe os valores e tem seus jogos transmitidos, a receita é reconhecida no resultado do clube pela sua competência.

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Ranking de pênaltis no Brasileirão desde 2010. Saiba quais são os líderes

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Fonte: Footstats
Fonte: Footstats .

O Footstats fez um relatório completo de pênaltis recebidos, cometidos e o saldo desde 2010 na Série A do Campeonato Brasileiro. O ranking está atualizado até a quarta rodada do certame de 2018.

O resultado impressiona, principalmente no saldo. Sim, no saldo, a subtração do número de penalidades máximas a favor pelas assinaladas contra de cada equipe. A diferença é absolutamente gritante.

Enquanto o Fluminense tem um saldo positivo de 25 penais, seguido pelo Corinthians, que acumula 24, o Internacional tem menos 15. Isso mesmo, foram 43 penalidades contra e 28 favoráveis aos colorados. Confira a lista pelo saldo:

Fluminense 25
Corinthians 24
Vitória 9
Atlético-MG 8
Cruzeiro 7
Botafogo 6
Goiás 3
Santa Cruz 3
Flamengo 2
Sport 2
Coritiba 1
Palmeiras 1
Guarani 0
Ponte Preta 0
Santos 0
Atlético-GO -1
Náutico -1
Ceará -2
Criciúma -2
América-MG -3
Bahia -3
Portuguesa -3
São Paulo -3
Barueri -4
Grêmio -4
Joinville -5
Chapecoense -6
Avaí -7
Atlético-PR -9
Vasco -10
Figueirense -11
Internacional -15

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Vasco: presidente rompe com Eurico, se isola, busca oposição, mas rival da eleição não vê solução

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Campello e Otto, sábado, em São Januário: apoio da oposição é única saída de um presidente isolado
Campello e Otto, sábado, em São Januário: apoio da oposição é única saída de um presidente isolado Reprodução

O presidente do Vasco está isolado, Neste sábado, Alexandre Campello recebeu a renúncia de 13 vice-presidentes do grupo Identidade Vasco — clique aqui e leia. Agora, o mandatário vascaíno busca se aproximar de Fernando Horta, ex-vice-presidente do clube, que concorreu nas recentes eleições; e Otto de Carvalho, que presidiu o Conselho Fiscal e foi pré-candidato em 2017. Segunda-feira, eles e José Luiz Moreira, o ex-vice de futebol conhecido como "Zé do Táxi"; se reunirão para definir o apoio, que deverá mesmo acontecer.

Campello ainda não conversou com Júlio Brant, que fazia uma oposição mais radical a Eurico Miranda e por ele foi derrotado nas urnas. O resultado foi fruto de uma articulação com o ex-mandatário e Roberto Monteiro, presidente do Conselho Deliberativo e que integrou a maior organizada do clube, a Força Jovem, a partir dos anos 1980, se tornando um de seus líderes. Os vices que se afastaram são ligados a ele, que capitaneia o Identidade Vasco e segue como forte aliado de Eurico Miranda.

A possibilidade de os agora rivais de Campello tentarem o impeachment é real, utilizando a venda do Paulinho como motivo — clique aqui e leia mais. Por isso ele articula um bloco no Conselho Deliberativo. Há outros grupos dispostos a ajudar, como Malta, Cruzada, Expresso, Vira Vasco etc. O Sempre Vasco, de Brant, ainda está reticente, mas será procurado para uma aproximação. 

Sem alternativa, o atual presidente se vê forçado a buscar apoio em quem derrotou nas eleições justamente com a manobra eleitoral feita por Monteiro e seu antecessor no comando do clube. Uma aliança desfeita principalmente após a publicação do balanço que escancarou a desesperadora situação financeira do Vasco após a última gestão de Eurico. O blog conversou com Júlio Brant antes de seu celular tocar e do outro lado surgir a voz de Campello, algo que deverá acontecer. O oposicionista vascaíno disse como vê esse momento do clube.

Campello e Júlio Brant, com Edmundo, na eleição do Vasco em seu primeiro turno, no dia 7 de novembro de 2017
Campello e Júlio Brant, com Edmundo, na eleição do Vasco em seu primeiro turno, no dia 7 de novembro de 2017 Armando Paiva/Raw Image/Gazeta Press

Já esteve com Campello? O rompimento com Eurico Miranda e Roberto Monteiro aconteceu mesmo.
Julio Brant:
Campello não me ligou e não falamos. Acho que o rompimento é, de fato, real. Pelo que sei, Campello descumpriu o acordo que o elegeu alinhavado pelo Monteiro com Eurico.


Qual sua opinião a respeito dessa situação e da carta de renúncia dos 13 vice-presidentes?
Julio Brant:
Isso mostra que a composição feita em cima da hora para impedir nossa eleição não tinha qualquer fundamento; fosse de gestão, fosse político. E agora o Campello conseguiu o inacreditável: brigar com a gente, com o Monteiro e com o Eurico. Situação difícil a dele.


Não vê como uma chance de uma guinada se direção no clube?
Julio Brant:
Não, pois a composição do Conselho continua a mesma. Muito fracionado e com uma cisão política agora mais profunda. Antes era uma situação de equilíbrio entre oposição e situação. Hoje são quatro grupos: Nós, a maioria; Monteiro, ainda representativo e com a presidência; Eurico, 30 eleitos, mais os beneméritos; e Campello\ com mais ou menos oito conselheiros. É uma situação jamais vista no clube.


Você aceitaria conversar com Campello?
Julio Brant:
Converso com todos, sempre.


Dentro das circunstâncias, acha que uma nova esperança pode surgir, afinal, Eurico Miranda está sendo enfrentado?
Julio Brant:
Ele está fortalecido. A única forma de enfraquecer essa ordem é uma nova eleição, com base na apuração da fraude. Não vejo chances com a composição atual.


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Inter 'ameaça' Botafogo na liderança do ranking das dívidas. Flamengo cai para 10º

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Botafogo reduziu sua dívida em 4% ano passado, mas ainda beirava os R$ 720 milhões ao final do ano passado, o que mantém a estrela solitária na ponta do ranking de endividamento líquido dos clubes de futebol do Brasil. Mas tal posto poderá mudar de mãos em 2019, pois o Internacional elevou seu déficit em 6%, está em segundo e junto com os alvinegros formam a dupla com dívidas acima dos R$ 700 milhões.

Fonte: BDO
Fonte: BDO .

Os números estão no relatório Análise BDO Esporte Total, feito pela empresa de auditoria e consultoria. O Flamengo, que por anos esteve na indesejável posição de líder desta tabela, segue reduzindo seu endividamento. A queda em 2017 foi de 23%, o maior percentual entre os 22 clubes que foram analisados. Com isso, os rubro-negros caem para a 10ª colocação, com uma queda superior a R$ 100 milhões no ano passado, baixando da casa dos R$ 400 milhões.

O endividamento líquido desconta os ativos que viram caixa do clube, e pode ser definido como o mais próximo do retrato real das dívidas dos clubes. A BDO fez o estudo com base nos balanços das agremiações referentes a 2017, publicados até a segunda-feira passada, 30 de abril. Vale ressaltar que os balanços muitas vezes trazem números polêmicos, como o lançamento total de receitas futuras de TV, que seguirá novas regras em 2019 — clique aqui e leia. Há ainda casos como o do Corinthians, cuja divida maior, o estádio, não aparece no balanço do clube, mas no do fundo que o gere.

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Drible contábil ficará mais difícil para os clubes de futebol

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Abril chegou ao fim, e com o enceramento do quarto mês do ano, os clubes de futebol apresentaram seus balanços anuais. Os fechados até ontem foram aos últimos sem regras mais rígidas, que entrarão em vigor no próximo ano.  O Conselho Federal de Contabilidade aprovou, em dezembro de 2017, uma norma (ITG 2003-R1). Ela estabelece que receitas de TV devem ser contabilizadas na receita por regime de competência, ou seja, somente quando no ano em que houver o efetivo recebimento dos recursos. Valera a partir dos balanços a serem publicados em 2019, reduzindo as chances de dribles contábeis.

“A norma é do final de 2017 para ter eficácia em 2018, então vale para os exercícios sociais que se encerrarão em dezembro deste ano. A regra anterior tem o mesmo número sem o R1 (primeira revisão) e a norma que valia até o final de 2017 tem redação de 2013. Ela não dava orientações específicas sobre o reconhecimento de receita em algumas transações. Então a revisão da norma se deu por uma demanda do mercado, uma vez que havia tratamentos não consistentes, com entidades esportivas registrando de formas diferentes, o que na norma atual não está errado por não existir consistência e clareza”, explica Idésio Coelho, Vice-presidente Técnico do Conselho.


Idesio Coelho, do Conselho Federal de Contabilidade
Idesio Coelho, do Conselho Federal de Contabilidade Divulgação

Ele explica que em alguns eventos, como contratos de transmissão de partidas pela TV, havia recebimento antecipado, ou não, e os clubes adotavam o reconhecimento, um diferente do outro. Alguns de forma imediata, outros diluindo pelo tempo de contrato ou mesmo levando em conta algumas contraprestações obrigatórias. “Havia tratamentos díspares entre um clube e outro, em função do procedimento de cada profissional de contabilidade. A norma veio para padronizar a maneira que se deve registrar as receitas no resultado do exercício, independente do momento do recebimento em caixa.

Então como será a partir de abril do ano que vem? “Deve-se receber de forma linear pelo período do contrato. Se recebe R$ 10 milhões por três anos, tem que reconhecer um terço por ano, independentemente de ter recebido o valor no primeiro ano, ou não”, detalha. Os balanços publicados em 2018 não serão reconhecidos como errados, mesmo que não sigam a nova regra, porque não havia ainda entrado em vigor a revisão da norma. Auditores, Conselho Federal de Contabilidade e clubes chegaram a esse consenso, a norma atual ficou em audiência pública até o final do ano e foi aprovada.

Antes da emissão da norma revisada, os clubes tinham liberdade de adotar um período diferente, mas assumindo que têm exercício encerrando em dezembro, publicarão no ano seguinte, nos primeiros meses, em geral em abril. “O Brasil está num processo de convergência das normas de contabilidade às internacionais, algo que começou em 2010 e segue um processo paulatino. No nível internacional a norma sobre reconhecimento de receita foi alterada e passará a vigorar a partir de 2018. Daí achamos a necessidade também de emiti-la mais detalhada, não sendo mais reconhecido pelo recebimento em caixa, mas sim pelo período do contrato”, acrescenta Idésio Coelho.

Cesar Grafietti, do Itaú; mudança positiva com o fim de artifícios
Cesar Grafietti, do Itaú; mudança positiva com o fim de artifícios Divulgação

Mas afinal, na visão do Conselho de Contabilidade os clubes davam dribles na contabilidade quando recebiam grandes montantes de novos contratos de televisão? “Não podemos afirmar que inflavam o balanço, porque não havia uma norma regulamentando. Era um tratamento permitido. O que não pode é mudar todo ano. Agora a nova norma padroniza esse processo, todos os clubes terão que reconhecer o recebimento de forma paulatina, o que tecnicamente é chamado de regime de competência. Algo plenamente alinhado com os padrões de qualidade presentes nas normas brasileiras e internacionais de contabilidade. Até companhias grandes passarão a adotar”, exemplifica.

Para César Grafietti, superintendente de crédito do Itaú BBA e responsável pelos estudos feitos em cima dos balanços dos clubes nos últimos anos, o que os clubes de futebol vinham fazendo em seus balanços não chegava a ser uma “pedalada”, mas uma forma de inchar as receitas. “Chamaria de artifício contábil. E assim fazer bonito nos rankings que a imprensa e os analistas mais desavisados publicam. O efeito prático é apenas esse”, explica.

Ele acrescenta que a mudança é importante porque o fair-play financeiro levará em conta a capacidade de geração de receitas dos clubes. Ou seja, poderão gastar o que as receitas lhes permitirem. Mantido o padrão anterior, isto significaria poder gastar mais do que realmente pode. “Com a nova regra, estas entradas pontuais não poderão ser utilizadas na conta, o que diminui a capacidade dos clubes de pagar salários irreais e ainda assim se manter dentro da regra”, explica o superintendente de crédito do Itaú BBA.

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Afastamento do presidente é único caminho para Flamengo salvar o ano, ainda em abril

Mauro Cezar Pereira
por Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Bandeira de Mello discute com torcedor
Bandeira de Mello discute com torcedor Reprodução

Comprovadamente não deu certo. Eduardo Bandeira de Mello, com sua política paternalista de gestão, fracassa retumbantemente à frente do futebol do Flamengo. Reparar os estragos oriundos de tal modelo, da mentalidade acomodada ao elenco contaminado pelo discurso sem ambição, é algo que demanda tempo. E em abril, o que a ele resta na presidência talvez não baste.

Mas sem o mandatário frequentando o Centro de Treinamentos e decidindo questões que envolvem o futebol, haverá ao menos uma chance de recuperação no curto prazo. Com ele lá, comandando, tal possibilidade não existe, esqueça. Simplesmente porque o presidente não tomará medidas necessárias, junto ao elenco, na rotina, nas metas e cobranças para que sejam atingidas.

Não estamos nos referindo à renúncia presencial, não é o caso. Apenas apontando o caminho, a luz no fim do túnel, com o futebol rubro-negro livre de sua interferência constante, diária, prejudicial. Que seja dado ao departamento que mais importa ao torcedor a mesma autonomia em relação a Bandeira que têm finanças, patrimônio, jurídico, comunicação e o time de basquete, por exemplo

Sem ele no dia a dia a atrapalhar, a maioria das áreas funciona, avança. Da mesma forma que a bola segue caindo na cesta, mas não entra no gol. Sim, é possível entender que sua intenção era a melhor possível, claro. Mas o futebol do Flamengo nunca precisou da “proteção” de Eduardo Bandeira de Mello. Obrigado. De nada.

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Racismo? Xenofobia? Vasco e PM não registraram bananas atiradas pela torcida argentina, como denunciaram torcedores

Mauro Cezar Pereira
por Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Torcedores do Racing em confronto com a polícia em São Januário
Torcedores do Racing em confronto com a polícia em São Januário WESLEY SANTOS/Gazeta Press

Em dezembro um torcedor do Independiente imitou macaco, em direção aos do Flamengo, na primeira partida decisiva da Copa Sul-americana, na Argentina. A imagem não deixava dúvidas mas o ato isolado foi o bastante para a generalização. Não faltou no Brasil quem afirmasse que todos argentinos são racistas.

Reflexo da irresponsabilidade de maus influenciadores de redes sociais e péssimo jornalismo: ódio de rubro-negros em relação aos “rojos” no jogo de volta, agressões aos argentinos, confusão e punição ao Flamengo em 2018. Entre outras razões, pelo ataque ao hotel da delegação do time “hermano”.

Semana passada a cena se repetiu. Um torcedor do Racing fez gestos do mesmo tipo em direção aos vascaínos que foram a Avellaneda ver a partida pela Liberadores. Ao contrário do Independiente, seu rival emitiu de imediato nota oficial lamentando o fato, repudiando a atitude racista e prometendo esforços para identificar e punir o elemento, banindo-o de suas partidas.

Com isso o fato parecia superado, até pelo ótimo entendimento entre os dois clubes, inclusive no que se referia às torcidas visitantes. Mas cascas de banana apareceram durante os 90 minutos na noite de quinta-feira nas mãos de vascaínos revoltados, que acenavam para as câmeras de TV exibindo-as.

Pronto: todos os argentinos voltaram a ser chamados de racistas e não foram raros os que afirmaram ter sido a torcida do Racing a responsável pelos restos da fruta atirados no setor destinado à do Vasco.

Obviamente esta é uma possibilidade. Quem não tem responsabilidade com a informação e as possíveis consequências de conclusões precipitadas e generalizações, obviamente as propagou. Essas pessoas nada aprenderam com o episódio de 2017. Pronto, pora esses, agora os argentinos se tornaram responsáveis por aquilo e todos que vêm de lá são racistas, é o que alguns afirmam.

Evidentemente a presença de cascas de banana parece evidenciar que alguém ali as jogou com intuito de ofender. Mas elas nada provam. É possível que um ou outro argentino tenha feito isso, sim, da mesma forma que uma pessoa possa ter comido as bananas e atirado fora as cascas. Até um xenófobo de qualquer nacionalidade pode ter provocado a situação deliberadamente, com o objetivo de espalhar ódio em relação aos estrangeiros.

O blog procurou a pessoa do Vasco que acompanhou e esteve com a torcida do Racing durante toda sua passagem pelo Rio se Janeiro. O Superintendente de Patrimônio, Márcio Nogueira, respondeu à pergunta sobre a acusação de que “hinchas” do Racing teriam atirado bananas em vascaínos:“Estive lá e não vi nada disso. Nem ouvi nada na frequência do rádio”, acrescentou, em referência à comunicação da segurança privada contratada pelo clube.

Além de dizer que não presenciou indício de que os argentinos atiraram bananas na torcida do Vasco, ele explicou que os seguranças costumam relatar acontecimentos desse tipo quando alguém tem atitudes do gênero.

Nogueira conta que do segundo tempo em diante a segurança na torcida visitante passou a ser feita apenas pelo Gepe, o Grupamento Especializado em Policiamento de Estádios. “Não foi observado esse fato, nem relatado nada parecido durante o período em que a torcida argentina permaneceu na arquibancada”, informou ao blog o Major Silvio Luís, que comanda esta divisão da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

“Não é permitido entrar com alimentos. Os argentinos presentes foram escoltados desde Copacabana, revistados no local, os ônibus também e depois na entrada do estádio. Dentro do estádio na arquibancada, não acredito que tenha acontecido (racismo). Pois com certeza os torcedores procurariam a polícia, e o policiamento estava em volta das duas torcidas. Não digo que não ocorreu. O certo é que o policiamento permaneceu todo tempo com a torcida Argentina, seguranças privados também , não foi observado e nem torcedores procuraram relatando o fato”, assegura o Major que lidera o Gepe.

Evidentemente pode ter ocorrido ação isolada de alguma pessoa não observada por seguranças e policiais. “Pode ter sido lançada em um gesto isolado. É tudo suposição, oficialmente nada chegou” reforçou Márcio Nogueira, ressaltando que as torcidas não se vêem devido a um plástico preto separando-as. “Estive no meio da torcida (do Racing) e pude observar que existiam muitas mulheres e crianças, também acho pouco provável a torcida do Vasco ter plantado isso” diz o Superintendente de Patrimônio do clube carioca.

Racismo é crime, algo abominável e que deve ser combatido e denunciado. Gaúchos não são um povo racista porque certa vez torcedores em Porto Alegre ofenderam o goleiro Aranha, então no Santos. Tampouco cariocas merecem esse rótulo devido à atitude do gênero registrada contra familiares de Vinicius Júnior, do Flamengo, durante um clássico disputado no Rio de Janeiro. Argentinos também não são obrigatoriamente racistas porque um torcedor idiota imitou macaco em dezembro e outros em abril - palmeirenses reclamaram de alguns do Boca Juniors, em Buenos Aires, quarta-feira. A generalização leva à xenofobia, tão abjeta quando o racismo e outras demonstrações gratuitas de ódio pela cor da pele ou origem de seres humanos.

E jornalismo se faz com informações, não suposições. Se novos fatos forem apurados, atos racistas confirmados e responsáveis identificados, os mesmos deverão ser punidos de acordo com a lei. Mas desconfiar de que um estrangeiro foi racista não dá a ninguém o direito de ser xenófobo. Já temos problemas demais em nossa sociedade, absurdo alimentar ódio entre povos por causa de ações isoladas de raros biltres ou meras suposições.


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CBF pede explicações ao Vasco sobre empréstimo de empresário com 'fatiamento' de Paulinho

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

A Diretoria de Registros, Transferências e Licenciamento da CBF está solicitando ao Vasco da Gama informações relativas ao empréstimo feito pelo empresário de jogadores Carlos Leite ao clube, que deverá explicar os detalhes de tal operação. O blog de Gabriela Moreira publicou que, antes de deixar a presidência, Eurico Miranda repassou 20% do atacante Paulinho para o agente, que é credor do Vasco.

Há diferentes situações em casos do gênero, o que justifica a cobrança da Confederação. Uma seria a concessão do empréstimo e quando algum dinheiro entrar no caixa a dívida é quitada. Há outra que seria pegar o dinheiro e ceder um percentual do atleta Paulinho para que essa "fatia" quitasse a dívida, o que seria ilegal pelas regras da Fifa.

Leia também: Vasco vende Paulinho ao futebol alemão

Por isso o departamento da CBF responsável pela área está solicitando esclarecimentos sobre os termos desse empréstimo e seu pagamento com suposto fatiamento do jogador. É um pedido de informações sobre as duas situações, a forma como a dívida será quitada e se aconteceu, ou não, a divisão dos direitos sobre o atleta envolvendo o empresário.

Convocação para reunião do Conselho do Vasco, realizada na terça, quando o empréstimo foi tema em pauta
Convocação para reunião do Conselho do Vasco, realizada na terça, quando o empréstimo foi tema em pauta Reprodução

Em sua conta no Twitter, o advogado especializado Marcos Motta explicou, obviamente em tese, por não conhecer os termos do contrato; o que não é permitido: "Recebeu aporte financeiro de terceiros? Individualizou a garantia com a venda de determinado atleta? A Fifa considera, prima facie (prova que é suficiente para permitir a suposição), TPO ("Third Party Ownership", o seja, participação de terceiros nos direitos econômicos)".

Didático, Motta reproduziu trechos do Regulamento da Fifa, deixando claro que "é vedado que um terceiro obtenha o direito de receber parte ou a integralidade de valores pagos ou a serem pagos por uma eventual transferência de atleta entre clubes". E mais: "Entende-se como terceiro quaisquer outras partes que não sejam os dois (2) clubes participantes da transferência do atleta ou qualquer outro clube ao qual o atleta tenha sido registrado anteriormente".

Ao blog, Motta acrescentou que caso a TPO seja conformada, o clube em questão pode ser punido: "De multa a impedimento de novas contratações por dois períodos de registro". A CBF frisa que, se as explicações do Vasco não eliminarem a suspeita de TPO e houver denúncia ou "briga" por parte de algum envolvido, o caso pode ser levado à Câmara Nacional de Resolução de Disputadas (CNRD). É nela que são decididas eventuais punições ou disputas financeiras, de acordo com o Regulamento de Intermediários da Fifa.

A palavra do Vasco: Sem ter sido ainda notificado, o clube informou ao blog que "Carlos Leite não tem participação nos direitos do atleta". O Vasco acrescentou detalhes do acordo, por intermédio da assessoria do presidente Alexandre Campello: caso venda Paulinho na próxima janela de transferências internacionais, acertará de imediato a dívida com o agente. "Mas ele não tem direitos, e sim comissionamento, como qualquer empresário", completou.


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CBF pede explicações ao Vasco sobre empréstimo de empresário com 'fatiamento' de Paulinho

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Presidente 'bom de finanças' diz que não pode baratear ingressos, pois pagaria para jogar. Mas o Flamengo já faz isso

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

"A gente procura praticar uma política de preços que privilegie tanto o torcedor, as possibilidades do torcedor, mas também a saúde financeira do clube. Não adianta nada, não gostaria de fazer nenhum tipo de demagogia, não adianta nada você colocar os ingressos a R$ 5, você vai privilegiar os cambistas, você vai ter problemas de acesso e você vai ter que pagar para jogar, porque vocês sabem muito bem que as taxas do Maracanã não são nada camaradas com os clubes que jogam".

Foram essas as palavras do presidente do Flamengo depois da festa popular realizada na tarde de terça-feira, com o treino aberto que levou perto de 50 mil rubro-negros ao Maracanã. Assim Eduardo Bandeira de Melo respondeu aos repórteres, minutos depois de ouvir apelos de torcedores por ingressos mais baratos, em coro, com a arquibancada pedindo em peso, e pessoalmente, no contato com quem estava perto do gramado (veja no vídeo abaixo). 

 A política de preços dos ingressos adotada pelo Flamengo está contaminada pelo Sócio Torcedor, que é ruim, tendo como único apelo o desconto nos preços dos tíquetes. Sem atrativo para quem mora fora do Rio de Janeiro (a maioria da torcida rubro-negra), sufoca quem não é associado, e muitos não aderem ao programa por falta de dinheiro mesmo. O clube se orgulha de ter "40 milhões de torcedores", mas não consegue ir muito além dos 100 mil sócios. Pífio!


Evidentemente ainda assim a receita gerada pelo programa é importante, mas parte dela se esvai em jogos deficitários, que o Flamengo faz aos montes, apesar de o presidente discursar como se os ingressos caros lhe assegurassem receita. Fora as partidas de maior apelo ou em bons momentos do time, as aparições rubro-negras são deficitárias até no pequeno estádio da Ilha do Urubu, onde passou a atuar em 2017, com seus cerca de 20,5 mil lugares.

No recém-encerrado Campeonato Carioca, o Flamengo registrou um prejuízo de R$ 321.408,08, segundo o site Chute Cruzado — clique aqui e leia. Dos 15 jogos, só cinco não tiveram resultados negativos, quatro deles vendidos para fora, com cota fixa (dois em Cariacica, um em Brasília e outro em Cuiabá). Dentro do Estado do Rio, o único que não ficou no vermelho foi contra o Macaé, na cidade de mesmo nome. Lucro de esquálidos R$ 14.900,00.

Se o Estadual não é um bom parâmetro, voltemos ao Brasileiro de 2017. Os jogos do primeiro turno na Ilha do Urubu ficaram no azul, com ingressos caros e o time ainda motivando a torcida, o que fez os sócios comparecerem. Quando a equipe virou a metade do campeonato, os associados se desinteressaram e os que não integram o programa Nação Rubro-Negra acabaram barrados pelo bolso. Resultado: públicos vergonhosos, cinco abaixo de 10 mil pessoas e resultados negativos (veja quadro).

Jogos do Flamengo na Ilha do Urubu no Brasileiro 2017: prejuízo em todos as partidas do returno
Jogos do Flamengo na Ilha do Urubu no Brasileiro 2017: prejuízo em todos as partidas do returno .

Na prática o não sócio, se for ao jogo, subsidiará quem pertence ao programa. Poucos vão. Um jogo que chamou a atenção foi diante do Atlético Goianiense. Dos 7.082 presentes, apenas 782 (11%) compraram tíquetes como não sócios. Naquela partida contra um dos mais fracos times da Série A, rebaixado ao final como lanterna; os preços para quem não era associado foram R$ 120 (meia R$ 60), R$ 150 (R$ 75) E R$ 180 (R$ 90). Os sócios pagaram um terço da inteira (R$ 40, R$ 50 e R$ 60) de acordo com o setor do estádio. Contra o São Paulo as cifras mais assustadoras para os não sócios, que desembolsaram R$ 200 (R$ 100 a meia entrada), R$ 280 (R$ 140) e R$ 360 (R$ 180). Eles eram 597 apenas, ou 3% dos 17.302 presentes à Ilha naquele domingo. 

Todas as partidas lá realizadas deram prejuízo no segundo turno. Quando o Flamengo precisava de pontos para se classificar à Copa Libertadores, os preços foram reduzidos para as duas últimas aparições, contra Corinthians e Santos. O público melhorou, os que adquiriram ingressos de não sócios foram 30% dos presentes, mas a renda não se elevou. Uma das razões: os valores pagos pelos associados são bem inferiores à meia entrada e se há redução para os demais, eles pagam valores bem pequenos, R$ 14 contra os corintianos, por exemplo.

Tal desequilíbrio fez surgir proposta interna que colocaria Norte e visitante pagando R$ 50 a inteira, com meia e sócio por R$ 25. No Leste, Oeste e Sul os valores seriam R$ 60 e R$ 30. Com 15 mil pessoas e um preço médio de R$ 40 por pagante, seriam alcançados os cerca de R$ 600 mil necessários para zerar a conta de cada peleja na Ilha. Renda abaixo disso é prejuízo certo por lá. Seria uma saída razoável num momento em que o time não empolgava, a ponto de o setor sul ficar vários jogos fechado, ele nem era aberto porque sabiam que não haveria demanda. Mas a ideia foi rejeitada.

O sócio torcedor teria como vantagem a prioridade, algo valioso num estádio tão diminuto. E nos cotejos realizados no Maracanã, pela maior oferta de lugares, outros benefícios poderiam ser agregados. Como o programa não tem outros atrativos além dos generosos descontos nos ingressos, que empurram para as alturas os valores pagos pelos não associados, os cartolas morrem de medo de mexer nisso. Não arriscam, não buscam soluções, mantêm o povão afastado e o sócio, em massacrante maioria, só vai na boa mesmo.

Pior, já passa dos R$ 20 milhões o investimento na Ilha do Urubu, entre montagem de arquibancadas, vestiários, campo, além manutenção e aluguel pago à Portuguesa. Interditada devido à queda de duas torres de iluminação, a cancha será reaberta apenas depois da Copa do Mundo, com os reparos gerando novos custos iniciais — o clube promete buscar, na justiça, o ressarcimento do que investiu. E sem o local, desembolsa em aluguéis de Engenhão e Maracanã.

Barbieri dá entrevista após o 1 a 1 com o Santa Fé, enquanto o presidente (casaco vermelho) olha o celular. Ao fundo, o CEO
Barbieri dá entrevista após o 1 a 1 com o Santa Fé, enquanto o presidente (casaco vermelho) olha o celular. Ao fundo, o CEO Reprodução

No turno do Brasileirão passado foram arrecadados R$ 2.457.408,96 em sete jogos na Ilha do Urubu, média de R$ 351.05842. Já na segunda metade do torneio, que o Flamengo iniciou a 18 pontos do líder, Corinthians; os associados se desinteressaram, os preços para não sócios seguiram altíssimos e todas as partidas ficaram no vermelho em seus borderôs. Um negativo de R$ 874.296,08 ou R$ 109.287,01 por peleja. Resultado pífio para um presidente que muitos acreditam ser "bom de finanças".

Tal crendice se deve ao fato de o Flamengo ter passado por uma revolução em sua gestão, com redução de dívidas e avanços significativos em diferentes áreas. Na verdade, obra arquitetada por outros dirigentes, ex-dirigentes e profissionais que passaram pelo clube ou seguem por lá. O futebol rubro-negro segue mal e sob interferência do mandatário, que admitiu aos repórteres, após o empate com o Independiente Santa Fé, que não entende do assunto (vídeo baixo).


O torcedor pode lamentar que, ao contrário do que fez na parte administrativo-financeira, ele não delegue. O mesmo vale para a questão dos preços de ingressos, vinculada à vice-presidência de marketing, mas que depende do crivo presidencial e do CEO, Fred Luz. Assim, o time segue sem render e incapaz de reencontrar o seu povo. E o Flamengo sem sua gente não é Flamengo, mas apenas um time comum. É esse aí que se vê em campo.

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Cansados de Carpegiani, jogadores do Fla veem Barbieri como ‘da escola de Zé Ricardo’ e o querem como técnico

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN, de Buenos Aires (ARG)
Barbieri durante treino do Fla
Barbieri durante treino do Fla Reprodução

O Flamengo não tem “panelas” no seu elenco. Na verdade há um grande “caldeirão” que abriga praticamente todos os jogadores. Até os recém-chegados têm se incorporado ao grupo e suas reuniões. Mas o que parece ser o ideal, toda essa união, tem efeitos colaterais. O grupo se transformou numa espécie de organismo com vida e pensamentos próprios. Elos difíceis de serem rompidos e que os fortalecem ante cobranças de fora.

Unidos, se encontram com com frequência nas horas vagas e até familiares dos atletas criaram relações de amizade. Não são raras postagens de grupos formados por mulheres dos jogadores rubro-negros em redes sociais. Amigos! Ou pelo menos companheiros. Próximos, uns mais dos que outros, evidentemente, mas todos são bem agregados.

Pouco antes de 1 hora da madrugada de sábado para domingo eles desembarcaram voltando do amistoso em Goiânia (3-1 no Atlético-GO). Horas depois, oito jogadores estiveram reunidos na casa de um dos líderes do grupo. Nos assuntos em pauta, o desejo geral pela manutenção de Mauricio Barbieri como técnico. 

Entre os boleiros, o que se diz é que o interino vem da mesma escola de Zé Ricardo, com trabalhos melhores e orientações mais objetivas nos treinos. Havia um grande desgaste com Paulo César Carpegiani, visto como repetitivo nas atividades e com algumas manias. Além disso, dizem que o treinador costumava ignorar parte do que conversavam com ele sobre orientação tática, marcação, pressão, alerta pra algum buraco, etc.

Fato é que o Flamengo não foi capaz de vencer o Fluminense, perdendo a chance de decidir a Taça Rio. Seis dias depois, não conseguiu marcar no Botafogo, tomou um gol e foi eliminado na semifinal do Estadual quando precisava apenas de um empate. Com isso, não alcançou a decisão do campeonato. E Carpegiani foi demitido, juntamente com o diretor Rodrigo Caetano, este sim, parceiro de vários integrantes do elenco. 



Dois dias depois da eliminação no Carioca, o elenco procurou o vice-presidente de futebol, Ricardo Lomba, para questionar suas reclamações públicas após a derrota para o Botafogo. O entendimento dos jogadores é de que o dirigente recuou, especialmente quanto à afirmação de que não correram. Para isso lhe mostraram os registros de quilometragem percorrida do GPS. Para o grupo, o dirigente foi enquadrado.

Fato, quem ousou enfrentar o “caldeirão” não se saiu bem até aqui. E o presidente do clube é claramente favorável ao elenco, que deseja Barbieri e o terá. Se isso é bom para o Flamengo, como diria o filósofo, só o tempo dirá. Até agora a combinação entre o cartola e seus jogadores protegidos só acumula fracassos. Que desafio colocam nas mãos do jovem treinador! Boa sorte a Maurício Barbieri. Ele vai precisar.

 

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Vasco, sem dinheiro, a um empate de igualar 'rico' Flamengo em títulos na década

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Jogadores comemoram a conquista do título estadual do Rio pelo Vasco da Gama em 2016
Jogadores comemoram a conquista do título estadual do Rio pelo Vasco da Gama em 2016 Reprodução

Se no domingo o Vasco empatar com o Botafogo no Maracanã, chegará ao seu quarto titulo relevante na década. Com isso se igualaria ao Flamengo no período, apesar de nos últimos anos os rubro-negros terem recuperado a saúde financeira e os vascaínos aumentado a dívida, recuando, consequentemente, em sua capacidade de investimento, muito maior no clube da Gávea.

O Vasco avançou a três das quatro últimas decisões de campeonatos cariocas, contando a de 2018. O Flamengo chegou lá apenas no ano passado neste trecho. Os dois conquistaram uma vez a Copa do Brasil. Esse equilíbrio, até aqui, ocorre mesmo numa "Era"marcada por rebaixamentos para a segunda divisão pelos lados de São Januário. Foram dois nesse período, em 2013 e 2015.

Pelos balanços analisados pelo Itaú BBA - clique aqui e leia - é possível constatar que desde 2013, quando Eduardo Bandeira de Mello teve o primeiro de seus seis anos na presidência do Flamengo, a dívida do clube era muito superior à do Vasco. Os balanços mais recentes mostraram a recuperação rubro-negra e equilíbrio entre os rivais, com os flamenguistas reduzindo o déficit em ritmo forte.

Nesses anos o Vasco teve vida politica conturbada, com três presidentes, Roberto Dinamite, Eurico Miranda e agora Alexandre Campello. Bandeira, por sua vez,  "reinou" no Flamengo, na maior parte do tempo surfando na onda de popularidade gerada pelos acertos econômicos-financeiros dos seus diretores e vice-presidentes, que colocaram o clube nos eixos enquanto se intrometia no futebol, chegando a acumular a pasta como VP em 2017.

Além disso, os vascaínos saborearam as eliminações dos rubro-negros em confrontos entre os rivais na Copa do Brasil 2015 e nos Estaduais de 2015 e 2016, perdendo a decisão carioca de 2014. Com diferentes gestões, crises políticas e falta de dinheiro nos últimos anos, mesmo assim o Vasco se mantém cabeça a cabeça com seu maior rival em momento "endinheirado". Com boas chances se igualar neste domingo.

Títulos na década:
Flamengo: Estaduais de 2011,2014 e 2017; Copa do Brasil; em 2013
Vasco: Estaduais de 2015 e 2016; Copa do Brasil; em 2011

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Justiça condena dois pelas mortes no estádio do Corinthians. Pena será paga em serviços comunitários e dinheiro. MP recorrerá

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


A Juíza da vara Criminal de Itaquera condenou dois dos seis réus denunciados pelos crimes do caso conhecido como desabamento na Arena Itaquera/Corinthians, em novembro de 2013. Foram absolvidos quatro outros acusados. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de um valor equivalente a 50 e 80 salários mínimos. A promotoria do Ministério Público de São Paulo (MPSP) recorrerá da decisão.

Denunciados pelo MPSP após a morte de dois operários que trabalhavam na construção da Arena Corinthians, os engenheiros civis Frederico Marcos de Almeida Horta Barbosa e Marcio Prado Wermelinger foram condenados pela Justiça na terça-feira passada, dia 27 de março.

O Judiciário acatou tese do Ministério Público e considerou que ambos foram responsáveis pelo tombamento de um guindaste com peça metálica que vitimou Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos.

A dupla de engenheiros foi enquadrado no artigo 256 do Código Penal. Ele estabelece penas para quem causa desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida de terceiros. E também no artigo 258, que determina o aumento de pena caso o fato resulte em morte. 

Barbosa e Wermelinger foram condenados a um ano, seis meses e 20 dias de detenção em regime inicial aberto. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade, pagamento do equivalente a 80 salários mínimos (para Barbosa) e de 50 salários mínimos (para Wermelinger). 

Na sentença, a Justiça levou em consideração o fato de Barbosa e Wermelinger serem, respectivamente, responsável técnico da obra e encarregado de acompanhar diretamente as atividades desenvolvidas pela empresa Locar, que operava o guindaste.

Sentença proferida pela juíza Alice Galhano Pereira da Silva
Sentença proferida pela juíza Alice Galhano Pereira da Silva Reprodução
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Crise no Flamengo: VP de futebol já enfrenta insatisfação de jogadores, que seguem 'protegidos'

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Ricardo Lomba esteve no Centro de Treinamentos Ninho do Urubu neste sábado, conversou com os jogadores, mas não terá fácil convivência com o elenco do Flamengo. Os atletas não gostaram das palavras duras do vice-presidente (VP) de futebol após a eliminação do Campeonato Carioca, quarta-feira, no Maracanã, onde perderam por 1 a 0 para o Botafogo.

A pessoas próximas, jogadores disseram que estão muito aborrecidos com o dirigente, pela maneira como tudo foi conduzido. Alegam que Lomba não costumava ir ao CT para falar diretamente com o grupo. Reclamam por saberem de fatos pela internet, sem que o vice fosse até eles para dialogar.

Diego é quem costuma falar pelo grupo, além de Juan e Réver. Na avaliação de jogadores, Lomba fez um discurso político na conversa deste sábado, mais moderado, só não chegou a utilizar a palavra "desculpa". Quem convive com os atletas diz que o VP "vai ter muito trabalho no vestiário" pois, os jogadores "estão muito chateados".

O blog entrou em contato com Ricardo Lomba, que não comentou o tema. Fato é que na véspera, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e o CEO, Fred Luz, estiveram com o elenco sem a presença dele. A conversa deixou o grupo mais tranquilo e seguro. Já o VP teve apoio político do SóFla, que se manifestou por meio de uma nota. Presidente e vice pertencem ao grupo.

A postura do mandatário é muito questionada. "Se qualquer decisão do futebol tem que passar pelo presidente, para que VP de futebol? Em nenhuma área do clube é assim, VPs têm total liberdade de atuação, mas é claro que nas decisões muito importantes o presidente é envolvido”, disse ao blog um dirigente do Flamengo.

Apesar de versões oficiais assegurarem que a crise foi contornada, há uma disputa aberta entre Bandeira/Luz e Lomba. E os jogadores sabem desde sexta-feira que, apesar das demissões, entre elas a do diretor Rodrigo Caetano, de quem a maioria gostava, eles continuarão contando com a proteção presidencial. O VP está sozinho no Ninho.

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O jogo político e a batalha pelo poder no Flamengo em ebulição

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Ricardo Lomba, vice de futebol, o CEO Fred Luz e presidente Bandeira de Mello durante uma coletiva do Flamengo
Ricardo Lomba, vice de futebol, o CEO Fred Luz e presidente Bandeira de Mello durante uma coletiva do Flamengo Reprodução

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Ricardo Lomba, ganhou a queda de braço com as demissões de Rodrigo Caetano e Paulo César Carpegiani. Com isso, aumenta seu poder no departamento, que desde o afastamento de Flávio Godinho, há mais de um ano, ficava sob a proteção e postura paternalista de Eduardo Bandeira de Mello. Mas isso não significa que o presidente vá se afastar do futebol, ele continuará por ali, indo aos jogos e aparecendo nos treinos. Mas inicialmente sem a mesma influência.

Lomba partiu para o tudo ou nada com as fortes declarações após a eliminação da final do Campeonato Estadual, com a derrota (1 a 0) para o Botafogo. Ele não está sozinho, representa outros vices que chegaram ao máximo da insatisfação nesta quarta-feira. E o SóFla, grupo político do qual Bandeira também é integrante e que tenta ampliar sua influência sobre o futebol profissional desde 2013. Algo estratégico, ainda mais em ano de eleições presidenciais.

Como é provável que Bandeira se candidate a deputado (já se filiou a um partido, inclusive), os resultados do futebol também serão importantes para seu início de carreira política fora do clube. Obviamente o Flamengo vencendo e levantando troféus significaria mais torcedores/eleitores satisfeitos e votos nas urnas. Por essas e outras deveremos continuar a vê-lo descer antes dos demais quando o ônibus do time chegar ao estádio para disputar uma partida.

A grande e esperada mudança é sobre quem passará a deixar o coletivo depois dele. Enfim um técnico capaz de montar um time competitivo? Jogadores acomodados ou dispostos a vencer grandes desafios? Dependerá da capacidade de Ricardo Lomba e seus pares na gestão do futebol, que provavelmente será mais rigorosa após anos de fiascos e jogadores protegidos. O primeiro desafio é encontrar um treinador.  Num mercado cheio de dinossauros, outros obsoletos e novatos sem cancha, não será nada fácil.

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Botafogo, valente, impõe ao Fla a 17ª decepção em mata-mata e jogos decisivos na 'Era' Bandeira

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O presidente Eduardo Bandeira de Mello iniciou sua primeira gestão no Flamengo na virada de 2012 para 2013. Em dezembro se despedirá do cargo após seis anos e dois mandatos. Cercado de pessoas capazes e com um ótimo projeto de reestruturação, no poder, ele simbolizou, por bom tempo, a retomada do clube. Dívidas reduzidas, aumento da receita, recuperação da imagem, melhoria na estrutura e maiores investimentos no elenco.

A derrota para o valente Botafogo, com elenco que custa menos de um terço do investimento rival em atletas, é mais um golpe numa gestão desastrosa no futebol, com muitos fracassos em pouco mais de cinco anos. Taças o Flamengo ergueu cinco: duas do Campeonato Carioca (2014 e 2017), duas vezes a Guanabara (2014 e 2018) e uma da Copa do Brasil (2013). Já fracassos em mata-mata e que determinaram eliminações da Libertadores agora são 17!

Libertadores
2014 Fase de grupos (León)
2017 Fase de grupos (San Lorenzo)

Sul-americana
2016 Oitavas de final (Palestino)
2017 Final (Independiente)

Copa do Brasil
2014 Semifinal (Atlético-MG)
2015 Oitavas de final (Vasco)
2016 Segunda fase (Fortaleza)
2017 Final (Cruzeiro)

Presidente Eduardo Bandeira de Mello na apresentação de Darío Conca
Presidente Eduardo Bandeira de Mello na apresentação de Darío Conca Gazeta Press

Primeira Liga
2016 Semifinal (Atlético-PR)
2017 Quartas de final (Paraná)

Campeonato Carioca
2015 Semifinal (Vasco)
2016 Semifinal (Vasco)
2018 Semifinal (Botafogo)

Taça Guanabara
2013 Semifinal (Botafogo)
2017 Final (Fluminense)

Taça Rio
2017 Semifinal (Vasco)
2018 Semifinal (Fluminense)

Houve ainda, em 2015, a Taça Guanabara com pontos corridos. Na rodada final o Flamengo precisava vencer o Nova Iguaçu, em Macaé. Ficou no 0 a 0. Ao bater justamente o Macaé por 1 a 0 no Engenhão, o Botafogo ficou com o troféu ao se igualar aos rubro-negros com 36 pontos e campanha rigorosamente igual em vitórias, empates, derrotas e gols marcados e sofridos. A vantagem a favor do alvinegro foi decidida no confronto direto, pois os botafoguenses venceram por  1 a 0 na sétima rodada. Foi mais um vexame rubro-negro na gestão Bandeira de Mello. E a coleção parece não ter fim.

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Palmeiras não sofre gol há 533 minutos. Graças a Jaílson

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Jailson vive boa fase desde o campeonato brasileiro do ano passado
Jailson vive boa fase desde o campeonato brasileiro do ano passado Mowa Press

São 14 gols marcados e nenhum sofrido nos cinco últimos jogos (pelo Campeonato Paulista). O ataque do Palmeiras tem qualidade e coloca a bola nas redes adversárias com frequência. E a meta não é  vazada há 533 minutos, desde que Chiquinho fez 1 a 0 para o São Caetano, no Allianz Parque. Com Fernando Prass na meta.

Contudo, por mais curioso que possa parecer, isso não significa solidez do sistema defensivo da equipe de Roger Machado. A série sem levar tentos tem a marca de Jaílson. O goleiro alviverde é o que mais defesas difíceis faz no Estadual, segundo os números do Footstats (abaixo). Na vitória por 1 a 0 sobre o Santos, sábado, o arqueiro fez cinco defesas, três delas consideradas difíceis. 

Jaílson não é vazado desde a derrota por 2 a 0 para o Corinthians, em Itaquera, no dia 24 de fevereiro, quando sofreu um gol. A grande forma do experiente goleiro tem feito a diferença, como nas intervenções que seguraram o placar de sábado,  no Pacaembu. Confira os números dele e dos demais goleiros que disputam as semifinais do Paulista:

Defesas difíceis
Jaílson 13
Vanderlei 12
Cássio 8
Sidao e Jean 3 cada

Defesas no geral:
Vanderlei 23
Sidao 23
Cássio 22
Jailson 21

Times que recebem mais finalização por jogo:
São Paulo 8,7
Corinthians 8,8
Palmeiras 10,1
Santos 11,1

Times que recebem mais finalização certa por jogo:
Corinthians 2,9
Santos 3,5
São Paulo 3,5
Palmeiras 3,8

Fonte: Footstats


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Um bom dirigente

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Bebeto de Freitas foi um dos maiores botafoguenses da história. Capaz de fazer tamanho esforço pelo clube que impediu seu apequenamento num momento no qual mergulhava no mar revolto da segunda divisão sem bote e colete salva-vidas. Colocou a mão no próprio bolso e o casamento em crise ao ampliar a capacidade do Caio Martins para que o time lutasse pela volta à Série A no estádio de Niterói, então transformado em caldeirão. Pegou o timão para controlar o barco num momento em que muitos pularam fora.


Bebeto de Freitas
Bebeto de Freitas .

Sobrinho do jornalista, técnico de futebol e gênio da raça João Saldanha, Bebeto era primo do craque Heleno de Freitas. Sangue alvinegro nas veias. Fez história no vôlei, com participação fundamental no desenvolvimento e popularização da modalidade no país. E brilhou na Itália. Trabalhou por duas vezes no Atlético, morrendo em Minas Gerais, após passar mal na sede do Galo, onde também deixa seu nome gravado. Mas cabe aos botafoguenses a maior gratidão. Bebeto impediu que o clube seguisse o terrível caminho trilhado pelo América.


Adiante, ele fez mais. Ao criar a Companhia Botafogo, habilitou o clube a concorrer na licitação do Engenhão, posteriormente rebatizado Nilton Santos. Se hoje os botafoguenses têm o estádio, agradeçam a ele — clique aqui e veja. Sim, era pavio curto e teimoso, segundo muitos dos que com ele bateram de frente em toda sua trajetória no esporte. Mas como não ter tais traços de personalidade sendo sobrinho do "João Sem Medo"? E como Saldanha, Bebeto comprou brigas. Tinha seus defeitos e cometeu erros, claro. Mas era um bom dirigente.

Bebeto salvou o clube, preservou o brilho da estrela solitária.

Veja entrevista a Juca Kfouri na ESPN em 2007, quando Bebeto
estava em seu segundo mandato na presidência do Botafogo:

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Um bom dirigente

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Descobridor de Alexis Sánchez leva Vizeu para a Itália e fala sobre os brasileiros e o mercado europeu

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Silvio Lescovich já levou da América do Sul para a Europa uma série de jogadores, casos de Germán Denis, David Pizarro, Cristián Zapata, Mauricio Pinilla, Juan Guillermo Cuadrado, Mauricio Isla, Franco Vázquez, Roberto Pereyra, Alexis Sánchez e outros. Mas até poucas semanas não havia negociado um brasileiro com o futebol europeu. Felipe Vizeu, vendido à Udinese pelo Flamengo, foi o primeiro. O blog conversou com o agente de 69 anos, que fala sobre como o principal mercado da bola vê as diferenças entre os atletas nascidos no Brasil e em países vizinhos.


Silvio Lescovich (no destaque), com Felipe Vizeu e dirigentes da Udinese, na Itália
Silvio Lescovich (no destaque), com Felipe Vizeu e dirigentes da Udinese, na Itália Reprodução


Como construiu seu acesso aos clubes da Europa para levar tantos jogadores sul-americanos para lá?

Silvio Lescovich - Eu era ex-jogador da base do River Plate, mas não me profissionalizei, então tive a chance de instalar uma fábrica têxtil no Chile, onde fiquei. Mas o negócio não prosperou e comecei a procurar jogadores. Em 1998, descobri o David Pizarro (chileno que defendia o Santiago Wanderers), e em 1999 levei-o para a Udinese, um clube da família Pozzo. Também peguei argentinos como Roberto Sosa e Jiménez. Mas fui tentando no mercado chileno pelos valores mais baixos de seus jogadores. Então eu trouxe de Mendoza, Argentina, para o Audax Italiano, do Chile, o Franco di Santo, que mais tarde levei para o Chelsea. Em 2003 o Mauricio Pinilla saiu da Universidad de Chile para a Internazionale de Milão.

Qual dos mais importantes que você levou para a Europa?
Descobri aos 16 anos, em Tocopilla, uma pequena cidade no norte do Chile (nota do blog: a 1.530 quilômetros de Santiago e a menos de 500 quilômetros da fronteira com a Bolívia), Alexis Sánchez, que vendemos para a Udinese. Também levei à Europa Mauricio Isla, Matías Campos Toro, Charles Aránguiz, entre outros.

Qual é a nacionalidade sul-americana mais bem aceita na Europa, não só pela qualidade técnica, mas pelo comportamento e profissionalismo?
Os argentinos, pela sua capacidade de adaptação e forte convicção, o que os torna taticamente ideais para os treinadores.

Há resistência aos jogadores brasileiros devido ao fato de que muitos deles vão para o exterior e depois de alguns meses, dada a dificuldade de se adaptar, insistem em retornar ao futebol brasileiro, mesmo emprestados?
É difícil de generalizar. Houve alguns casos de jogadores famosos que tiveram dificuldade em se adaptar. Mas já fui informado por jogadores argentinos que em geral eles têm um relacionamento muito bom com seus companheiros de equipe brasileiros. Eu acredito que a questão climática também tem influência.

Em geral, como o jogador brasileiro é visto na Europa, em comparação ao atleta argentino ou uruguaio?
Se os valores são semelhantes, o brasileiro é visto como um grande investimento.

Os clubes brasileiros não costumam observar bem o mercado no continente, embora tenham mais condições financeiras do que a maioria dos vizinhos. Jogadores como Dybala e James Rodrigues não eram conhecidos aqui até serem negociados com clubes de Portugal e Itália. Por que isso acontece?
Com todo o devido respeito, acho que eles precisam de observadores como eu. Pessoalmente, planejo dedicar 90% do meu tempo para trazer jogadores brasileiros para a Itália, Inglaterra e Espanha.

Como você imagina que o mercado sul-americano será no futuro, agora que o Brasil passou a contratar mais estrangeiros na América do Sul?
Tudo está relacionado à observação para contratação. Por exemplo, na Argentina, não é apenas o Boca Juniors e o River Plate, há clubes muito menores onde há grandes jogadores a preços acessíveis. Também na Colômbia e no Uruguai. A questão está em se mover na hora certa e, claro, ter contatos. Além disso, nas ligas da América do Sul ocorre um outro fenômeno, uma vez que os torneios estão sendo preenchidos com jogadores consagrados que retornam da Europa.

Qual a diferença de Felipe Vizeu para outros jogadores brasileiros, já que ele é o primeiro nascido no Brasil que está levando ao futebol europeu?
Estou muito feliz por ter levado Felipe Vizeu para a Udinese, acho que será muito bom. Tem apenas 20 anos, ótimo físico e condições técnicas que, claro, devem ser melhoradas. E outro ponto importante: pode ser muito forte na cabeça.

Em que ele precisará amadurecer para ser um jogador de sucesso. Itália?
Necessita se adaptar à parte tática e ser um jogador de área, ele não vai precisar voltar 30 metros para procurar a bola.


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Fla joga no Engenhão, conversa sobre Maracanã, mas é mais forte na Ilha

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Flamengo já fez 20 jogos na Ilha do Urubu, venceu 15, empatou dois e perdeu três partidas. Somou 43 gols e sofreu 11, saldo de 32, com 78,3% de aproveitamento. O time passou a jogar no estádio da Portuguesa em junho do ano passado. Do começo de 2017 até hoje, os rubro-negros disputaram 18 partidas no Maracanã, venceram 10 e empataram oito. Foram 23 tentos assinalados e 12 sofridos. O índice no estádio é de 70,3% no período.


Vinícius Júnior e Lucas Paquetá comemoram gol sobre o Atlético-GO na Ilha do Urubu
Vinícius Júnior e Lucas Paquetá comemoram gol sobre o Atlético-GO na Ilha do Urubu Gilvan de Souza/Flamengo


Desde a vitória (4 a 0) sobre o Madureira os flamenguistas vêm atuando no Nilton Santos, após acordo com o Botafogo. São  77,7% de aproveitamento nas três partidas lá realizadas em 2018. O Maracanã voltou à pauta do clube. Sábado será reaberto com a peleja Fluminense x Nova Iguaçu, às 19h30, pelo Campeonato Estadual. Após uma série de eventos, só há show agendado para outubro no local.


Odebrecht e Flamengo já conversam sobre a possibilidade de o jogo contra o Emelec, único do time carioca com público na fase de grupos da Libertadores, acontecer no Maracanã. A priori marcado para o Engenhão, que já recebeu o primeiro compromisso no certame, o cotejo  será em 16 de maio.  O clube aguarda os laudos técnicos sobre o que se passou na Ilha, onde duas torres de iluminação desabaram durante o temporal de 15 de fevereiro. A previsão é de que fiquem prontos em aproximadamente  10 dias.


O passo seguinte é a realização de reparos necessários para a recolocação dos postes. Os dirigentes não fazem previsão de reabertura porque ainda não conhecem as causas do acidente, não acreditam que seja algo muito demorado, porém, por zelo, preferem aguardar os laudos. Mas é na Ilha, mesmo muitas vezes com pouco público, é onde a equipe melhor exerce mando de campo.


No Maracanã, apesar do bom índice, os jogos mais importantes não têm apresentado final feliz para os rubro-negros. Como nos empates contra Botafogo, Corinthians e Coritiba, quando o Flamengo saiu da luta pelo título brasileiro em 2016; Cruzeiro, na final da Copa do Brasil 2017; e Independiente, decisão da Sul-americana do ano passado.  

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