Ida antecipada de Mina para o Barcelona eleva faturamento do Palmeiras em mais de R$ 12,2 milhões

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br


Basta a assinatura do Barcelona na documentação de transferência para o zagueiro Yerry Mina, de 23 anos, ser jogador do time catalão já neste começo de 2018. A negociação antecipada elevará em mais de R$ 12,2 milhões o faturamento do Palmeiras na negociação.

Yerry Mina sairá do Palmeiras antes do previsto e Barcelona pagará mais
Yerry Mina sairá do Palmeiras antes do previsto e Barcelona pagará mais Gazeta Press

Se Mina fosse para a Espanha em julho, como inicialmente acertado com o Barça, o clube espanhol pagaria € 9 milhões e o Palmeiras receberia € 6.840.000.
Com o zagueiro indo agora para a Europa, o clube europeu desembolsará € 12,39 milhões, ficando para o time brasileiro € 10 milhões líquidos.

Do total, € 450 mil iriam para o clube formador, Deportivo Pasto, pagos pelo Barcelona; com o Independiente Santa Fé, detentor de 20%, levando aproximadamente € 1,8 milhão em cima do valor estipulado de € 9 milhões.

Se Mina deixasse o Brasil em julho, o Palmeiras embolsaria menos € 3,160, já que os catalães subiram os valores para obter a liberação imediata do colombiano. Os dirigentes do Independiente Santa Fé já assinaram a documentação.

O ex-presidente Paulo Nobre pagou US$ 3 milhões quando da contratação de Mina. Significa que cerca de € 2,5 milhões irão reembolsá-lo, cabendo ao Palmeiras o equivalente a pouco mais de R$ 29 milhões, já descontado o que o ex-dirigente desembolsou em 2016. Segurando Mina por mais alguns meses, o clube brasileiro receberia R$ 16,8 milhões.

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CBF pede explicações ao Vasco sobre empréstimo de empresário com 'fatiamento' de Paulinho

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

A Diretoria de Registros, Transferências e Licenciamento da CBF está solicitando ao Vasco da Gama informações relativas ao empréstimo feito pelo empresário de jogadores Carlos Leite ao clube, que deverá explicar os detalhes de tal operação. O blog de Gabriela Moreira publicou que, antes de deixar a presidência, Eurico Miranda repassou 20% do atacante Paulinho para o agente, que é credor do Vasco.

Há diferentes situações em casos do gênero, o que justifica a cobrança da Confederação. Uma seria a concessão do empréstimo e quando algum dinheiro entrar no caixa a dívida é quitada. Há outra que seria pegar o dinheiro e ceder um percentual do atleta Paulinho para que essa "fatia" quitasse a dívida, o que seria ilegal pelas regras da Fifa.

Leia também: Vasco vende Paulinho ao futebol alemão

Por isso o departamento da CBF responsável pela área está solicitando esclarecimentos sobre os termos desse empréstimo e seu pagamento com suposto fatiamento do jogador. É um pedido de informações sobre as duas situações, a forma como a dívida será quitada e se aconteceu, ou não, a divisão dos direitos sobre o atleta envolvendo o empresário.

Convocação para reunião do Conselho do Vasco, realizada na terça, quando o empréstimo foi tema em pauta
Convocação para reunião do Conselho do Vasco, realizada na terça, quando o empréstimo foi tema em pauta Reprodução

Em sua conta no Twitter, o advogado especializado Marcos Motta explicou, obviamente em tese, por não conhecer os termos do contrato; o que não é permitido: "Recebeu aporte financeiro de terceiros? Individualizou a garantia com a venda de determinado atleta? A Fifa considera, prima facie (prova que é suficiente para permitir a suposição), TPO ("Third Party Ownership", o seja, participação de terceiros nos direitos econômicos)".

Didático, Motta reproduziu trechos do Regulamento da Fifa, deixando claro que "é vedado que um terceiro obtenha o direito de receber parte ou a integralidade de valores pagos ou a serem pagos por uma eventual transferência de atleta entre clubes". E mais: "Entende-se como terceiro quaisquer outras partes que não sejam os dois (2) clubes participantes da transferência do atleta ou qualquer outro clube ao qual o atleta tenha sido registrado anteriormente".

Ao blog, Motta acrescentou que caso a TPO seja conformada, o clube em questão pode ser punido: "De multa a impedimento de novas contratações por dois períodos de registro". A CBF frisa que, se as explicações do Vasco não eliminarem a suspeita de TPO e houver denúncia ou "briga" por parte de algum envolvido, o caso pode ser levado à Câmara Nacional de Resolução de Disputadas (CNRD). É nela que são decididas eventuais punições ou disputas financeiras, de acordo com o Regulamento de Intermediários da Fifa.

A palavra do Vasco: Sem ter sido ainda notificado, o clube informou ao blog que "Carlos Leite não tem participação nos direitos do atleta". O Vasco acrescentou detalhes do acordo, por intermédio da assessoria do presidente Alexandre Campello: caso venda Paulinho na próxima janela de transferências internacionais, acertará de imediato a dívida com o agente. "Mas ele não tem direitos, e sim comissionamento, como qualquer empresário", completou.


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Presidente 'bom de finanças' diz que não pode baratear ingressos, pois pagaria para jogar. Mas o Flamengo já faz isso

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

"A gente procura praticar uma política de preços que privilegie tanto o torcedor, as possibilidades do torcedor, mas também a saúde financeira do clube. Não adianta nada, não gostaria de fazer nenhum tipo de demagogia, não adianta nada você colocar os ingressos a R$ 5, você vai privilegiar os cambistas, você vai ter problemas de acesso e você vai ter que pagar para jogar, porque vocês sabem muito bem que as taxas do Maracanã não são nada camaradas com os clubes que jogam".

Foram essas as palavras do presidente do Flamengo depois da festa popular realizada na tarde de terça-feira, com o treino aberto que levou perto de 50 mil rubro-negros ao Maracanã. Assim Eduardo Bandeira de Melo respondeu aos repórteres, minutos depois de ouvir apelos de torcedores por ingressos mais baratos, em coro, com a arquibancada pedindo em peso, e pessoalmente, no contato com quem estava perto do gramado (veja no vídeo abaixo). 

 A política de preços dos ingressos adotada pelo Flamengo está contaminada pelo Sócio Torcedor, que é ruim, tendo como único apelo o desconto nos preços dos tíquetes. Sem atrativo para quem mora fora do Rio de Janeiro (a maioria da torcida rubro-negra), sufoca quem não é associado, e muitos não aderem ao programa por falta de dinheiro mesmo. O clube se orgulha de ter "40 milhões de torcedores", mas não consegue ir muito além dos 100 mil sócios. Pífio!


Evidentemente ainda assim a receita gerada pelo programa é importante, mas parte dela se esvai em jogos deficitários, que o Flamengo faz aos montes, apesar de o presidente discursar como se os ingressos caros lhe assegurassem receita. Fora as partidas de maior apelo ou em bons momentos do time, as aparições rubro-negras são deficitárias até no pequeno estádio da Ilha do Urubu, onde passou a atuar em 2017, com seus cerca de 20,5 mil lugares.

No recém-encerrado Campeonato Carioca, o Flamengo registrou um prejuízo de R$ 321.408,08, segundo o site Chute Cruzado — clique aqui e leia. Dos 15 jogos, só cinco não tiveram resultados negativos, quatro deles vendidos para fora, com cota fixa (dois em Cariacica, um em Brasília e outro em Cuiabá). Dentro do Estado do Rio, o único que não ficou no vermelho foi contra o Macaé, na cidade de mesmo nome. Lucro de esquálidos R$ 14.900,00.

Se o Estadual não é um bom parâmetro, voltemos ao Brasileiro de 2017. Os jogos do primeiro turno na Ilha do Urubu ficaram no azul, com ingressos caros e o time ainda motivando a torcida, o que fez os sócios comparecerem. Quando a equipe virou a metade do campeonato, os associados se desinteressaram e os que não integram o programa Nação Rubro-Negra acabaram barrados pelo bolso. Resultado: públicos vergonhosos, cinco abaixo de 10 mil pessoas e resultados negativos (veja quadro).

Jogos do Flamengo na Ilha do Urubu no Brasileiro 2017: prejuízo em todos as partidas do returno
Jogos do Flamengo na Ilha do Urubu no Brasileiro 2017: prejuízo em todos as partidas do returno .

Na prática o não sócio, se for ao jogo, subsidiará quem pertence ao programa. Poucos vão. Um jogo que chamou a atenção foi diante do Atlético Goianiense. Dos 7.082 presentes, apenas 782 (11%) compraram tíquetes como não sócios. Naquela partida contra um dos mais fracos times da Série A, rebaixado ao final como lanterna; os preços para quem não era associado foram R$ 120 (meia R$ 60), R$ 150 (R$ 75) E R$ 180 (R$ 90). Os sócios pagaram um terço da inteira (R$ 40, R$ 50 e R$ 60) de acordo com o setor do estádio. Contra o São Paulo as cifras mais assustadoras para os não sócios, que desembolsaram R$ 200 (R$ 100 a meia entrada), R$ 280 (R$ 140) e R$ 360 (R$ 180). Eles eram 597 apenas, ou 3% dos 17.302 presentes à Ilha naquele domingo. 

Todas as partidas lá realizadas deram prejuízo no segundo turno. Quando o Flamengo precisava de pontos para se classificar à Copa Libertadores, os preços foram reduzidos para as duas últimas aparições, contra Corinthians e Santos. O público melhorou, os que adquiriram ingressos de não sócios foram 30% dos presentes, mas a renda não se elevou. Uma das razões: os valores pagos pelos associados são bem inferiores à meia entrada e se há redução para os demais, eles pagam valores bem pequenos, R$ 14 contra os corintianos, por exemplo.

Tal desequilíbrio fez surgir proposta interna que colocaria Norte e visitante pagando R$ 50 a inteira, com meia e sócio por R$ 25. No Leste, Oeste e Sul os valores seriam R$ 60 e R$ 30. Com 15 mil pessoas e um preço médio de R$ 40 por pagante, seriam alcançados os cerca de R$ 600 mil necessários para zerar a conta de cada peleja na Ilha. Renda abaixo disso é prejuízo certo por lá. Seria uma saída razoável num momento em que o time não empolgava, a ponto de o setor sul ficar vários jogos fechado, ele nem era aberto porque sabiam que não haveria demanda. Mas a ideia foi rejeitada.

O sócio torcedor teria como vantagem a prioridade, algo valioso num estádio tão diminuto. E nos cotejos realizados no Maracanã, pela maior oferta de lugares, outros benefícios poderiam ser agregados. Como o programa não tem outros atrativos além dos generosos descontos nos ingressos, que empurram para as alturas os valores pagos pelos não associados, os cartolas morrem de medo de mexer nisso. Não arriscam, não buscam soluções, mantêm o povão afastado e o sócio, em massacrante maioria, só vai na boa mesmo.

Pior, já passa dos R$ 20 milhões o investimento na Ilha do Urubu, entre montagem de arquibancadas, vestiários, campo, além manutenção e aluguel pago à Portuguesa. Interditada devido à queda de duas torres de iluminação, a cancha será reaberta apenas depois da Copa do Mundo, com os reparos gerando novos custos iniciais — o clube promete buscar, na justiça, o ressarcimento do que investiu. E sem o local, desembolsa em aluguéis de Engenhão e Maracanã.

Barbieri dá entrevista após o 1 a 1 com o Santa Fé, enquanto o presidente (casaco vermelho) olha o celular. Ao fundo, o CEO
Barbieri dá entrevista após o 1 a 1 com o Santa Fé, enquanto o presidente (casaco vermelho) olha o celular. Ao fundo, o CEO Reprodução

No turno do Brasileirão passado foram arrecadados R$ 2.457.408,96 em sete jogos na Ilha do Urubu, média de R$ 351.05842. Já na segunda metade do torneio, que o Flamengo iniciou a 18 pontos do líder, Corinthians; os associados se desinteressaram, os preços para não sócios seguiram altíssimos e todas as partidas ficaram no vermelho em seus borderôs. Um negativo de R$ 874.296,08 ou R$ 109.287,01 por peleja. Resultado pífio para um presidente que muitos acreditam ser "bom de finanças".

Tal crendice se deve ao fato de o Flamengo ter passado por uma revolução em sua gestão, com redução de dívidas e avanços significativos em diferentes áreas. Na verdade, obra arquitetada por outros dirigentes, ex-dirigentes e profissionais que passaram pelo clube ou seguem por lá. O futebol rubro-negro segue mal e sob interferência do mandatário, que admitiu aos repórteres, após o empate com o Independiente Santa Fé, que não entende do assunto (vídeo baixo).


O torcedor pode lamentar que, ao contrário do que fez na parte administrativo-financeira, ele não delegue. O mesmo vale para a questão dos preços de ingressos, vinculada à vice-presidência de marketing, mas que depende do crivo presidencial e do CEO, Fred Luz. Assim, o time segue sem render e incapaz de reencontrar o seu povo. E o Flamengo sem sua gente não é Flamengo, mas apenas um time comum. É esse aí que se vê em campo.

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Cansados de Carpegiani, jogadores do Fla veem Barbieri como ‘da escola de Zé Ricardo’ e o querem como técnico

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN, de Buenos Aires (ARG)
Barbieri durante treino do Fla
Barbieri durante treino do Fla Reprodução

O Flamengo não tem “panelas” no seu elenco. Na verdade há um grande “caldeirão” que abriga praticamente todos os jogadores. Até os recém-chegados têm se incorporado ao grupo e suas reuniões. Mas o que parece ser o ideal, toda essa união, tem efeitos colaterais. O grupo se transformou numa espécie de organismo com vida e pensamentos próprios. Elos difíceis de serem rompidos e que os fortalecem ante cobranças de fora.

Unidos, se encontram com com frequência nas horas vagas e até familiares dos atletas criaram relações de amizade. Não são raras postagens de grupos formados por mulheres dos jogadores rubro-negros em redes sociais. Amigos! Ou pelo menos companheiros. Próximos, uns mais dos que outros, evidentemente, mas todos são bem agregados.

Pouco antes de 1 hora da madrugada de sábado para domingo eles desembarcaram voltando do amistoso em Goiânia (3-1 no Atlético-GO). Horas depois, oito jogadores estiveram reunidos na casa de um dos líderes do grupo. Nos assuntos em pauta, o desejo geral pela manutenção de Mauricio Barbieri como técnico. 

Entre os boleiros, o que se diz é que o interino vem da mesma escola de Zé Ricardo, com trabalhos melhores e orientações mais objetivas nos treinos. Havia um grande desgaste com Paulo César Carpegiani, visto como repetitivo nas atividades e com algumas manias. Além disso, dizem que o treinador costumava ignorar parte do que conversavam com ele sobre orientação tática, marcação, pressão, alerta pra algum buraco, etc.

Fato é que o Flamengo não foi capaz de vencer o Fluminense, perdendo a chance de decidir a Taça Rio. Seis dias depois, não conseguiu marcar no Botafogo, tomou um gol e foi eliminado na semifinal do Estadual quando precisava apenas de um empate. Com isso, não alcançou a decisão do campeonato. E Carpegiani foi demitido, juntamente com o diretor Rodrigo Caetano, este sim, parceiro de vários integrantes do elenco. 



Dois dias depois da eliminação no Carioca, o elenco procurou o vice-presidente de futebol, Ricardo Lomba, para questionar suas reclamações públicas após a derrota para o Botafogo. O entendimento dos jogadores é de que o dirigente recuou, especialmente quanto à afirmação de que não correram. Para isso lhe mostraram os registros de quilometragem percorrida do GPS. Para o grupo, o dirigente foi enquadrado.

Fato, quem ousou enfrentar o “caldeirão” não se saiu bem até aqui. E o presidente do clube é claramente favorável ao elenco, que deseja Barbieri e o terá. Se isso é bom para o Flamengo, como diria o filósofo, só o tempo dirá. Até agora a combinação entre o cartola e seus jogadores protegidos só acumula fracassos. Que desafio colocam nas mãos do jovem treinador! Boa sorte a Maurício Barbieri. Ele vai precisar.

 

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Vasco, sem dinheiro, a um empate de igualar 'rico' Flamengo em títulos na década

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Jogadores comemoram a conquista do título estadual do Rio pelo Vasco da Gama em 2016
Jogadores comemoram a conquista do título estadual do Rio pelo Vasco da Gama em 2016 Reprodução

Se no domingo o Vasco empatar com o Botafogo no Maracanã, chegará ao seu quarto titulo relevante na década. Com isso se igualaria ao Flamengo no período, apesar de nos últimos anos os rubro-negros terem recuperado a saúde financeira e os vascaínos aumentado a dívida, recuando, consequentemente, em sua capacidade de investimento, muito maior no clube da Gávea.

O Vasco avançou a três das quatro últimas decisões de campeonatos cariocas, contando a de 2018. O Flamengo chegou lá apenas no ano passado neste trecho. Os dois conquistaram uma vez a Copa do Brasil. Esse equilíbrio, até aqui, ocorre mesmo numa "Era"marcada por rebaixamentos para a segunda divisão pelos lados de São Januário. Foram dois nesse período, em 2013 e 2015.

Pelos balanços analisados pelo Itaú BBA - clique aqui e leia - é possível constatar que desde 2013, quando Eduardo Bandeira de Mello teve o primeiro de seus seis anos na presidência do Flamengo, a dívida do clube era muito superior à do Vasco. Os balanços mais recentes mostraram a recuperação rubro-negra e equilíbrio entre os rivais, com os flamenguistas reduzindo o déficit em ritmo forte.

Nesses anos o Vasco teve vida politica conturbada, com três presidentes, Roberto Dinamite, Eurico Miranda e agora Alexandre Campello. Bandeira, por sua vez,  "reinou" no Flamengo, na maior parte do tempo surfando na onda de popularidade gerada pelos acertos econômicos-financeiros dos seus diretores e vice-presidentes, que colocaram o clube nos eixos enquanto se intrometia no futebol, chegando a acumular a pasta como VP em 2017.

Além disso, os vascaínos saborearam as eliminações dos rubro-negros em confrontos entre os rivais na Copa do Brasil 2015 e nos Estaduais de 2015 e 2016, perdendo a decisão carioca de 2014. Com diferentes gestões, crises políticas e falta de dinheiro nos últimos anos, mesmo assim o Vasco se mantém cabeça a cabeça com seu maior rival em momento "endinheirado". Com boas chances se igualar neste domingo.

Títulos na década:
Flamengo: Estaduais de 2011,2014 e 2017; Copa do Brasil; em 2013
Vasco: Estaduais de 2015 e 2016; Copa do Brasil; em 2011

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Justiça condena dois pelas mortes no estádio do Corinthians. Pena será paga em serviços comunitários e dinheiro. MP recorrerá

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


A Juíza da vara Criminal de Itaquera condenou dois dos seis réus denunciados pelos crimes do caso conhecido como desabamento na Arena Itaquera/Corinthians, em novembro de 2013. Foram absolvidos quatro outros acusados. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de um valor equivalente a 50 e 80 salários mínimos. A promotoria do Ministério Público de São Paulo (MPSP) recorrerá da decisão.

Denunciados pelo MPSP após a morte de dois operários que trabalhavam na construção da Arena Corinthians, os engenheiros civis Frederico Marcos de Almeida Horta Barbosa e Marcio Prado Wermelinger foram condenados pela Justiça na terça-feira passada, dia 27 de março.

O Judiciário acatou tese do Ministério Público e considerou que ambos foram responsáveis pelo tombamento de um guindaste com peça metálica que vitimou Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos.

A dupla de engenheiros foi enquadrado no artigo 256 do Código Penal. Ele estabelece penas para quem causa desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida de terceiros. E também no artigo 258, que determina o aumento de pena caso o fato resulte em morte. 

Barbosa e Wermelinger foram condenados a um ano, seis meses e 20 dias de detenção em regime inicial aberto. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade, pagamento do equivalente a 80 salários mínimos (para Barbosa) e de 50 salários mínimos (para Wermelinger). 

Na sentença, a Justiça levou em consideração o fato de Barbosa e Wermelinger serem, respectivamente, responsável técnico da obra e encarregado de acompanhar diretamente as atividades desenvolvidas pela empresa Locar, que operava o guindaste.

Sentença proferida pela juíza Alice Galhano Pereira da Silva
Sentença proferida pela juíza Alice Galhano Pereira da Silva Reprodução
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Crise no Flamengo: VP de futebol já enfrenta insatisfação de jogadores, que seguem 'protegidos'

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Ricardo Lomba esteve no Centro de Treinamentos Ninho do Urubu neste sábado, conversou com os jogadores, mas não terá fácil convivência com o elenco do Flamengo. Os atletas não gostaram das palavras duras do vice-presidente (VP) de futebol após a eliminação do Campeonato Carioca, quarta-feira, no Maracanã, onde perderam por 1 a 0 para o Botafogo.

A pessoas próximas, jogadores disseram que estão muito aborrecidos com o dirigente, pela maneira como tudo foi conduzido. Alegam que Lomba não costumava ir ao CT para falar diretamente com o grupo. Reclamam por saberem de fatos pela internet, sem que o vice fosse até eles para dialogar.

Diego é quem costuma falar pelo grupo, além de Juan e Réver. Na avaliação de jogadores, Lomba fez um discurso político na conversa deste sábado, mais moderado, só não chegou a utilizar a palavra "desculpa". Quem convive com os atletas diz que o VP "vai ter muito trabalho no vestiário" pois, os jogadores "estão muito chateados".

O blog entrou em contato com Ricardo Lomba, que não comentou o tema. Fato é que na véspera, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e o CEO, Fred Luz, estiveram com o elenco sem a presença dele. A conversa deixou o grupo mais tranquilo e seguro. Já o VP teve apoio político do SóFla, que se manifestou por meio de uma nota. Presidente e vice pertencem ao grupo.

A postura do mandatário é muito questionada. "Se qualquer decisão do futebol tem que passar pelo presidente, para que VP de futebol? Em nenhuma área do clube é assim, VPs têm total liberdade de atuação, mas é claro que nas decisões muito importantes o presidente é envolvido”, disse ao blog um dirigente do Flamengo.

Apesar de versões oficiais assegurarem que a crise foi contornada, há uma disputa aberta entre Bandeira/Luz e Lomba. E os jogadores sabem desde sexta-feira que, apesar das demissões, entre elas a do diretor Rodrigo Caetano, de quem a maioria gostava, eles continuarão contando com a proteção presidencial. O VP está sozinho no Ninho.

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O jogo político e a batalha pelo poder no Flamengo em ebulição

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Ricardo Lomba, vice de futebol, o CEO Fred Luz e presidente Bandeira de Mello durante uma coletiva do Flamengo
Ricardo Lomba, vice de futebol, o CEO Fred Luz e presidente Bandeira de Mello durante uma coletiva do Flamengo Reprodução

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Ricardo Lomba, ganhou a queda de braço com as demissões de Rodrigo Caetano e Paulo César Carpegiani. Com isso, aumenta seu poder no departamento, que desde o afastamento de Flávio Godinho, há mais de um ano, ficava sob a proteção e postura paternalista de Eduardo Bandeira de Mello. Mas isso não significa que o presidente vá se afastar do futebol, ele continuará por ali, indo aos jogos e aparecendo nos treinos. Mas inicialmente sem a mesma influência.

Lomba partiu para o tudo ou nada com as fortes declarações após a eliminação da final do Campeonato Estadual, com a derrota (1 a 0) para o Botafogo. Ele não está sozinho, representa outros vices que chegaram ao máximo da insatisfação nesta quarta-feira. E o SóFla, grupo político do qual Bandeira também é integrante e que tenta ampliar sua influência sobre o futebol profissional desde 2013. Algo estratégico, ainda mais em ano de eleições presidenciais.

Como é provável que Bandeira se candidate a deputado (já se filiou a um partido, inclusive), os resultados do futebol também serão importantes para seu início de carreira política fora do clube. Obviamente o Flamengo vencendo e levantando troféus significaria mais torcedores/eleitores satisfeitos e votos nas urnas. Por essas e outras deveremos continuar a vê-lo descer antes dos demais quando o ônibus do time chegar ao estádio para disputar uma partida.

A grande e esperada mudança é sobre quem passará a deixar o coletivo depois dele. Enfim um técnico capaz de montar um time competitivo? Jogadores acomodados ou dispostos a vencer grandes desafios? Dependerá da capacidade de Ricardo Lomba e seus pares na gestão do futebol, que provavelmente será mais rigorosa após anos de fiascos e jogadores protegidos. O primeiro desafio é encontrar um treinador.  Num mercado cheio de dinossauros, outros obsoletos e novatos sem cancha, não será nada fácil.

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Botafogo, valente, impõe ao Fla a 17ª decepção em mata-mata e jogos decisivos na 'Era' Bandeira

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O presidente Eduardo Bandeira de Mello iniciou sua primeira gestão no Flamengo na virada de 2012 para 2013. Em dezembro se despedirá do cargo após seis anos e dois mandatos. Cercado de pessoas capazes e com um ótimo projeto de reestruturação, no poder, ele simbolizou, por bom tempo, a retomada do clube. Dívidas reduzidas, aumento da receita, recuperação da imagem, melhoria na estrutura e maiores investimentos no elenco.

A derrota para o valente Botafogo, com elenco que custa menos de um terço do investimento rival em atletas, é mais um golpe numa gestão desastrosa no futebol, com muitos fracassos em pouco mais de cinco anos. Taças o Flamengo ergueu cinco: duas do Campeonato Carioca (2014 e 2017), duas vezes a Guanabara (2014 e 2018) e uma da Copa do Brasil (2013). Já fracassos em mata-mata e que determinaram eliminações da Libertadores agora são 17!

Libertadores
2014 Fase de grupos (León)
2017 Fase de grupos (San Lorenzo)

Sul-americana
2016 Oitavas de final (Palestino)
2017 Final (Independiente)

Copa do Brasil
2014 Semifinal (Atlético-MG)
2015 Oitavas de final (Vasco)
2016 Segunda fase (Fortaleza)
2017 Final (Cruzeiro)

Presidente Eduardo Bandeira de Mello na apresentação de Darío Conca
Presidente Eduardo Bandeira de Mello na apresentação de Darío Conca Gazeta Press

Primeira Liga
2016 Semifinal (Atlético-PR)
2017 Quartas de final (Paraná)

Campeonato Carioca
2015 Semifinal (Vasco)
2016 Semifinal (Vasco)
2018 Semifinal (Botafogo)

Taça Guanabara
2013 Semifinal (Botafogo)
2017 Final (Fluminense)

Taça Rio
2017 Semifinal (Vasco)
2018 Semifinal (Fluminense)

Houve ainda, em 2015, a Taça Guanabara com pontos corridos. Na rodada final o Flamengo precisava vencer o Nova Iguaçu, em Macaé. Ficou no 0 a 0. Ao bater justamente o Macaé por 1 a 0 no Engenhão, o Botafogo ficou com o troféu ao se igualar aos rubro-negros com 36 pontos e campanha rigorosamente igual em vitórias, empates, derrotas e gols marcados e sofridos. A vantagem a favor do alvinegro foi decidida no confronto direto, pois os botafoguenses venceram por  1 a 0 na sétima rodada. Foi mais um vexame rubro-negro na gestão Bandeira de Mello. E a coleção parece não ter fim.

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Palmeiras não sofre gol há 533 minutos. Graças a Jaílson

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Jailson vive boa fase desde o campeonato brasileiro do ano passado
Jailson vive boa fase desde o campeonato brasileiro do ano passado Mowa Press

São 14 gols marcados e nenhum sofrido nos cinco últimos jogos (pelo Campeonato Paulista). O ataque do Palmeiras tem qualidade e coloca a bola nas redes adversárias com frequência. E a meta não é  vazada há 533 minutos, desde que Chiquinho fez 1 a 0 para o São Caetano, no Allianz Parque. Com Fernando Prass na meta.

Contudo, por mais curioso que possa parecer, isso não significa solidez do sistema defensivo da equipe de Roger Machado. A série sem levar tentos tem a marca de Jaílson. O goleiro alviverde é o que mais defesas difíceis faz no Estadual, segundo os números do Footstats (abaixo). Na vitória por 1 a 0 sobre o Santos, sábado, o arqueiro fez cinco defesas, três delas consideradas difíceis. 

Jaílson não é vazado desde a derrota por 2 a 0 para o Corinthians, em Itaquera, no dia 24 de fevereiro, quando sofreu um gol. A grande forma do experiente goleiro tem feito a diferença, como nas intervenções que seguraram o placar de sábado,  no Pacaembu. Confira os números dele e dos demais goleiros que disputam as semifinais do Paulista:

Defesas difíceis
Jaílson 13
Vanderlei 12
Cássio 8
Sidao e Jean 3 cada

Defesas no geral:
Vanderlei 23
Sidao 23
Cássio 22
Jailson 21

Times que recebem mais finalização por jogo:
São Paulo 8,7
Corinthians 8,8
Palmeiras 10,1
Santos 11,1

Times que recebem mais finalização certa por jogo:
Corinthians 2,9
Santos 3,5
São Paulo 3,5
Palmeiras 3,8

Fonte: Footstats


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Palmeiras não sofre gol há 533 minutos. Graças a Jaílson

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Um bom dirigente

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Bebeto de Freitas foi um dos maiores botafoguenses da história. Capaz de fazer tamanho esforço pelo clube que impediu seu apequenamento num momento no qual mergulhava no mar revolto da segunda divisão sem bote e colete salva-vidas. Colocou a mão no próprio bolso e o casamento em crise ao ampliar a capacidade do Caio Martins para que o time lutasse pela volta à Série A no estádio de Niterói, então transformado em caldeirão. Pegou o timão para controlar o barco num momento em que muitos pularam fora.


Bebeto de Freitas
Bebeto de Freitas .

Sobrinho do jornalista, técnico de futebol e gênio da raça João Saldanha, Bebeto era primo do craque Heleno de Freitas. Sangue alvinegro nas veias. Fez história no vôlei, com participação fundamental no desenvolvimento e popularização da modalidade no país. E brilhou na Itália. Trabalhou por duas vezes no Atlético, morrendo em Minas Gerais, após passar mal na sede do Galo, onde também deixa seu nome gravado. Mas cabe aos botafoguenses a maior gratidão. Bebeto impediu que o clube seguisse o terrível caminho trilhado pelo América.


Adiante, ele fez mais. Ao criar a Companhia Botafogo, habilitou o clube a concorrer na licitação do Engenhão, posteriormente rebatizado Nilton Santos. Se hoje os botafoguenses têm o estádio, agradeçam a ele — clique aqui e veja. Sim, era pavio curto e teimoso, segundo muitos dos que com ele bateram de frente em toda sua trajetória no esporte. Mas como não ter tais traços de personalidade sendo sobrinho do "João Sem Medo"? E como Saldanha, Bebeto comprou brigas. Tinha seus defeitos e cometeu erros, claro. Mas era um bom dirigente.

Bebeto salvou o clube, preservou o brilho da estrela solitária.

Veja entrevista a Juca Kfouri na ESPN em 2007, quando Bebeto
estava em seu segundo mandato na presidência do Botafogo:

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Descobridor de Alexis Sánchez leva Vizeu para a Itália e fala sobre os brasileiros e o mercado europeu

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Silvio Lescovich já levou da América do Sul para a Europa uma série de jogadores, casos de Germán Denis, David Pizarro, Cristián Zapata, Mauricio Pinilla, Juan Guillermo Cuadrado, Mauricio Isla, Franco Vázquez, Roberto Pereyra, Alexis Sánchez e outros. Mas até poucas semanas não havia negociado um brasileiro com o futebol europeu. Felipe Vizeu, vendido à Udinese pelo Flamengo, foi o primeiro. O blog conversou com o agente de 69 anos, que fala sobre como o principal mercado da bola vê as diferenças entre os atletas nascidos no Brasil e em países vizinhos.


Silvio Lescovich (no destaque), com Felipe Vizeu e dirigentes da Udinese, na Itália
Silvio Lescovich (no destaque), com Felipe Vizeu e dirigentes da Udinese, na Itália Reprodução


Como construiu seu acesso aos clubes da Europa para levar tantos jogadores sul-americanos para lá?

Silvio Lescovich - Eu era ex-jogador da base do River Plate, mas não me profissionalizei, então tive a chance de instalar uma fábrica têxtil no Chile, onde fiquei. Mas o negócio não prosperou e comecei a procurar jogadores. Em 1998, descobri o David Pizarro (chileno que defendia o Santiago Wanderers), e em 1999 levei-o para a Udinese, um clube da família Pozzo. Também peguei argentinos como Roberto Sosa e Jiménez. Mas fui tentando no mercado chileno pelos valores mais baixos de seus jogadores. Então eu trouxe de Mendoza, Argentina, para o Audax Italiano, do Chile, o Franco di Santo, que mais tarde levei para o Chelsea. Em 2003 o Mauricio Pinilla saiu da Universidad de Chile para a Internazionale de Milão.

Qual dos mais importantes que você levou para a Europa?
Descobri aos 16 anos, em Tocopilla, uma pequena cidade no norte do Chile (nota do blog: a 1.530 quilômetros de Santiago e a menos de 500 quilômetros da fronteira com a Bolívia), Alexis Sánchez, que vendemos para a Udinese. Também levei à Europa Mauricio Isla, Matías Campos Toro, Charles Aránguiz, entre outros.

Qual é a nacionalidade sul-americana mais bem aceita na Europa, não só pela qualidade técnica, mas pelo comportamento e profissionalismo?
Os argentinos, pela sua capacidade de adaptação e forte convicção, o que os torna taticamente ideais para os treinadores.

Há resistência aos jogadores brasileiros devido ao fato de que muitos deles vão para o exterior e depois de alguns meses, dada a dificuldade de se adaptar, insistem em retornar ao futebol brasileiro, mesmo emprestados?
É difícil de generalizar. Houve alguns casos de jogadores famosos que tiveram dificuldade em se adaptar. Mas já fui informado por jogadores argentinos que em geral eles têm um relacionamento muito bom com seus companheiros de equipe brasileiros. Eu acredito que a questão climática também tem influência.

Em geral, como o jogador brasileiro é visto na Europa, em comparação ao atleta argentino ou uruguaio?
Se os valores são semelhantes, o brasileiro é visto como um grande investimento.

Os clubes brasileiros não costumam observar bem o mercado no continente, embora tenham mais condições financeiras do que a maioria dos vizinhos. Jogadores como Dybala e James Rodrigues não eram conhecidos aqui até serem negociados com clubes de Portugal e Itália. Por que isso acontece?
Com todo o devido respeito, acho que eles precisam de observadores como eu. Pessoalmente, planejo dedicar 90% do meu tempo para trazer jogadores brasileiros para a Itália, Inglaterra e Espanha.

Como você imagina que o mercado sul-americano será no futuro, agora que o Brasil passou a contratar mais estrangeiros na América do Sul?
Tudo está relacionado à observação para contratação. Por exemplo, na Argentina, não é apenas o Boca Juniors e o River Plate, há clubes muito menores onde há grandes jogadores a preços acessíveis. Também na Colômbia e no Uruguai. A questão está em se mover na hora certa e, claro, ter contatos. Além disso, nas ligas da América do Sul ocorre um outro fenômeno, uma vez que os torneios estão sendo preenchidos com jogadores consagrados que retornam da Europa.

Qual a diferença de Felipe Vizeu para outros jogadores brasileiros, já que ele é o primeiro nascido no Brasil que está levando ao futebol europeu?
Estou muito feliz por ter levado Felipe Vizeu para a Udinese, acho que será muito bom. Tem apenas 20 anos, ótimo físico e condições técnicas que, claro, devem ser melhoradas. E outro ponto importante: pode ser muito forte na cabeça.

Em que ele precisará amadurecer para ser um jogador de sucesso. Itália?
Necessita se adaptar à parte tática e ser um jogador de área, ele não vai precisar voltar 30 metros para procurar a bola.


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Fla joga no Engenhão, conversa sobre Maracanã, mas é mais forte na Ilha

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Flamengo já fez 20 jogos na Ilha do Urubu, venceu 15, empatou dois e perdeu três partidas. Somou 43 gols e sofreu 11, saldo de 32, com 78,3% de aproveitamento. O time passou a jogar no estádio da Portuguesa em junho do ano passado. Do começo de 2017 até hoje, os rubro-negros disputaram 18 partidas no Maracanã, venceram 10 e empataram oito. Foram 23 tentos assinalados e 12 sofridos. O índice no estádio é de 70,3% no período.


Vinícius Júnior e Lucas Paquetá comemoram gol sobre o Atlético-GO na Ilha do Urubu
Vinícius Júnior e Lucas Paquetá comemoram gol sobre o Atlético-GO na Ilha do Urubu Gilvan de Souza/Flamengo


Desde a vitória (4 a 0) sobre o Madureira os flamenguistas vêm atuando no Nilton Santos, após acordo com o Botafogo. São  77,7% de aproveitamento nas três partidas lá realizadas em 2018. O Maracanã voltou à pauta do clube. Sábado será reaberto com a peleja Fluminense x Nova Iguaçu, às 19h30, pelo Campeonato Estadual. Após uma série de eventos, só há show agendado para outubro no local.


Odebrecht e Flamengo já conversam sobre a possibilidade de o jogo contra o Emelec, único do time carioca com público na fase de grupos da Libertadores, acontecer no Maracanã. A priori marcado para o Engenhão, que já recebeu o primeiro compromisso no certame, o cotejo  será em 16 de maio.  O clube aguarda os laudos técnicos sobre o que se passou na Ilha, onde duas torres de iluminação desabaram durante o temporal de 15 de fevereiro. A previsão é de que fiquem prontos em aproximadamente  10 dias.


O passo seguinte é a realização de reparos necessários para a recolocação dos postes. Os dirigentes não fazem previsão de reabertura porque ainda não conhecem as causas do acidente, não acreditam que seja algo muito demorado, porém, por zelo, preferem aguardar os laudos. Mas é na Ilha, mesmo muitas vezes com pouco público, é onde a equipe melhor exerce mando de campo.


No Maracanã, apesar do bom índice, os jogos mais importantes não têm apresentado final feliz para os rubro-negros. Como nos empates contra Botafogo, Corinthians e Coritiba, quando o Flamengo saiu da luta pelo título brasileiro em 2016; Cruzeiro, na final da Copa do Brasil 2017; e Independiente, decisão da Sul-americana do ano passado.  

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Torcida organizada oficial, nada pode ser mais patético

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Atlético Paranaense é, entre os clubes brasileiros, o que mais claramente assume sua intenção de controlar a informação. Como? Por meio de seu site, TV e rádio oficiais. Os demais, de forma mais discreta ou dissimulada,  fazem o mesmo movimento, com o objetivo de seduzir o torcedor a se "alimentar" somente com informações de tais fontes. Algo como vender para quem é apaixonado pelo time um mundo azul onde não há crises, mesmo em períodos de derrotas; os jogadores são todos amigos, o técnico não tem problema algum com o elenco, salários nunca atrasam, dívidas inexistem e os dirigentes são excelentes. Ou alguém acredita que essas mídias das próprias agremiações darão espaço para notícias negativas, mesmo que representem a mais cristalina verdade?

Para quem gosta de se iludir é um prato cheio. Mas muitos torcedores mantêm o espírito critico e querem a realidade, cientes de que ela sempre será o melhor para seu time de coração. Afinal, por mais que na imprensa possam existir profissionais incompetentes, tendenciosos ou mal-intencionados, é muito mais razoável fazer boas escolhas e se informar por meio de jornalistas e veículos sérios. Ou você prefere seguir uma pauta noticiosa ditada por um cartola? Nada contra a existência das mídias dos clubes, todo respeito ao trabalho dos companheiros que nelas atuam, mas é óbvio que dificilmente poderão buscar e revelar fatos que contrariem quem está no comando, não há independência editorial.

A Os Fanáticos apoiou a chapa de Mário Celso Petraglia nas eleições de 2015, e em 2011
A Os Fanáticos apoiou a chapa de Mário Celso Petraglia nas eleições de 2015, e em 2011 Reprodução

Agora o Furacão se apresenta mais uma vez na vanguarda em matéria de busca pelo controle do que o cerca. O Atlético resolveu criar uma torcida oficial - clique aqui e leia mais no site da Gazeta do Povo.  Imaginem o que seria esse grupo de torcedores, dependentes do clube, encabrestados, presos aos caprichos e interesses dos dirigentes, ou seja, meras marionetes como os que se vê em alguns estádios europeus. Quando surgiram as torcidas organizadas o objetivo era só apoiar o time. Nos anos 1960 apareceram outras, que tinham no DNA a (saudável) participação na política dos clubes e o combate a dirigentes incompetentes e/ou desonestos, extremamente nocivos aos próprios times.

Com o tempo as organizadas perderam o rumo, muitas cresceram pautadas na violência, na rivalidade animalesca com as torcidas de outros times, em alguns casos sendo dominadas por criminosos. Se as autoridades não conseguem limpá-las, devolvê-las às mãos de quem apenas deseja torcer, não significa que um vácuo deva ser ocupado por grupos de pau-mandados. Torcedores(?) submissos que iriam às arquibancadas gritar pela boca dos cartolas, sem independência, com rabo-preso, tão à vontade para protestar (sim, é possível fazê-lo sem agressões) quanto as mídias oficiais ao noticiar os problemas dos clubes. Mas se você acha que elas bastam para se "informar",  admite ser iludido, ingresse numa torcida oficial. Você vai adorar. E os dirigentes mais ainda.

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Dias antes de Carpegiani voltar à Libertadores pelo Flamengo, lembranças do técnico campeão em 1981

Mauro Cezar Pereira
por Eduardo Monsanto

Para lançar o livro “1981 – O Ano Rubro-Negro”, sobre a trajetória do Flamengo campeão mundial, o jornalista Eduardo Monsanto conversou com os personagens daquela conquista. Naquele período de pesquisa, Dudu entrevistou Paulo César Carpegiani, na época técnico do São Paulo e que nesta quarta-feira voltará a comandar o Flamengo numa Copa Libertadores da América. A íntegra do material, que acabou não sendo totalmente aproveitado no livro, você confere agora.


Dudu Monsanto: Por que topou jogar no Flamengo:
Paulo César Carpegiani: “O Coutinho tinha trabalhado comigo na Copa de 1974, fazia parte da Comissão Técnica e era treinador do Flamengo. Eu resolvi, recebi o convite. Logicamente, naquela tempo tinha a Lei do Passe, né, e o que precisava acertar era com o Internacional. Houve muitas transações, muito diálogo...”

Eles não queriam te liberar?
“Não queriam liberar. Tinha um vice-presidente de finanças (Rafael Strango) que não queria me soltar de jeito nenhum. O que facilitou, infelizmente, foi que ele morreu bem na época , e o Flamengo... Ele faleceu num sábado e eles viajaram pra me buscar no domingo. 
Foi o Coutinho que fez o contato direto comigo (perguntou) se eu queria jogar no Flamengo. Eu disse que sim, e aí fui conversar com o Internacional, etc. E o Internacional tava com receio pelo que eu era dentro do clube, né? Naquela época, o jogador tinha muito apego à torcida, os jogadores tinham muita identificação com o clube. Era muito difícil você sair de um clube e ir pro outro, o que hoje é coisa corriqueira”. 

E como era aquele momento em que chegou ao Flamengo?
“Nós chegamos num momento em que o Flamengo tava numa fase de renovação, de uma reciclagem de time, etc. Coutinho tava fazendo. E 1977 foi um ano muito ruim. Nós estávamos formando essa equipe, Coutinho tava tentando fortalecer o grupo, etc. Não foi um bom ano. E a partir disso, um jogo que marcou, foi o divisor de águas foi exatamente o jogo contra o Grêmio, que nós perdemos de cinco no Olímpico no Campeonato Nacional.
Pensei (em sair). Tava muito mais fácil você jogar pelada no Novo Leblon do que jogar no time do Flamengo. Tava muito ruim. Muito infeliz a minha declaração. Não era racha do elenco, o grupo tinha que ser fortalecido. Tinha bons valores, mas não era o suficiente. Não era um elenco forte.
Coincidentemente, foi formado um time a partir daí em 1978 em que em 1978 e 1979 nós fomos tricampeões. O time começou a se fortalecer. Começaram as boas campanhas, ao coroou com o primeiro título nacional que foi em 1980 com próprio Cláudio Coutinho.
Não tive dificuldade (de adaptação), o que eu tive foi um desacerto com a direção do Internacional, que começou a explicar a minha venda, que não havia necessidade, dizendo que eu tinha problemas físicos, né? O que não era verdade. Coincidentemente, eu acabei não jogando em 1977 por uma distensão que não tinha nada a ver. E isso foi exemplificado pra justificar minha venda, então tive uma briga muito forte na minha saída. Já tava no Rio, aquele bate-boca e coisa e tal, começou uma imagem muito negativa, coisa que permaneceu muito tempo dentro do Inter, não sei se permanece ou não. Isso ainda, porque eu não aceitei nunca isso, não havia necessidade dessa justificativa. Foi muito bem explorado pela imprensa na época, mas pra mim passou e está superado. Até hoje eu tenho um carinho muito especial pela torcida e vice-versa também, marquei época, modestamente, dentro do grupo, dentro de uma época do Internacional e sou sempre lembrado em tudo o que é tipo de pesquisa. Isso me lisonjeia muito e me deixa muito satisfeito. E aqueles que passam e realmente só tem aquele poder momentâneo na hora, ninguém lembra o nome”. 

Você ficou magoado com o Coutinho por não ter ido à Copa de 1978?
“Não, não, não. Vou dar a oportunidade pra constar no próprio livro. Disputando a Copa de 1974, em 1977 eu fui pro Flamengo. Nós enfrentamos uma grande Seleção (em 1974) que era a Seleção da Holanda, embora ninguém tenha esse reconhecimento. Marcou uma época dentro da História do futebol mundial. Ninguém reconhece isso”. 


A Holanda de 1974 inspirou o jeito do Flamengo jogar quando era técnico?
“Em algumas coisas, eu claro, as coisas boas, sempre fui bom observador e sempre tiro as coisas boas. E tirei várias delas. Mas não que tenha sido uma inspiração não. Tive treinadores muito importantes, foi um somatório de tudo isso. 
Em 1978, nós estávamos ganhando. A Copa do Mundo em junho, eu tive uma doença que eu peguei. Eu era o capitão da Seleção Brasileira com Cláudio Coutinho em 1978. Eu era o capitão. Tava jogando com Cláudio Coutinho. Eu peguei uma doença chamada toxoplasmose, que é uma doença que exige um tratamento à base de sulfa e que ela se resume... eu devo ter pego de carne mal passada, de gato, não sei como... E era um tratamento que eu tinha que fazer à base de sulfa. O que consistia isso? Eu jogava um tempo, sentava no vestiário e não tinha mais força nenhuma. Foi mais ou menos em abril que ocorreu isso. E esse tratamento são no mínimo dois meses. É por isso que eu não fui à Copa do Mundo. 
E aí abriu aquela famosa discussão Chicão ou Falcão. Exatamante essa vaga que abriu nesse meio-tempo. E acabou indo nem Falcão, mas foi Chicão. Mas eu era o capitão da Seleção Brasileira com Cláudio Coutinho. Não tenho ressentimento, mágoa não. A história verdadeira é essa. 
Primeiramente nós mesclamos uma equipe, o Coutinho foi muito feliz em trazer alguns jogadores com alguma experiência. Na época do Coutinho, ele teve o grande mérito de fazer esses jogadores, insistindo, insistindo, buscando e foi conseguindo bons resultados e ganhando”. 

Carpegiani na sua apresentação como técnico do Flamengo, em janeiro
Carpegiani na sua apresentação como técnico do Flamengo, em janeiro ESPN

O que mudou do time de Coutinho para o seu?
“Coutinho foi um grande treinador. Busquei muitas coisas nele, o diálogo, a conversa que eu tenho com os meus jogadores eu aprendi muito com Cláudio Coutinho. Eu conversava muito com ele, ele me chamava muitas vezes na conversa, e isso eu aprendi com ele. Essa liberdade de expressão, esse diálogo ele tinha muito com os jogadores. Talvez tenha sido o grande sucesso do próprio Capitão. Apesar do conhecimento que ele tinha também, é óbvio, senão não teria sucesso. Não se tem sucesso por acaso não. Em realidade, o que eu posso dizer é que depois do Coutinho entraram outros treinadores. O Bria teve uma passagem, o Dino Sani... Eu te digo, passando já essa fase toda, quando eu assumi o time do Flamengo, assumi um time já pronto”. 

E a sua estréia?
“Eu joguei o primeiro jogo contra o Olímpia no Maracanã. Nós empatamos: 1x1. Nós estávamos ganhando de 1x0. Eu não tinha... Meu gol era Cantarelli. Lateral direito, se não me engano era o Toninho (na verdade, Leandro), não era Mozer e Marinho (jogaram Figueiredo e Marinho, depois substituído por Rondinelli), Manguito, se não me engano... era o Júnior de lateral esquerdo. Eu tava jogando com Vítor, Adílio tava treinando separado. O meio-campo não lembro quem era. O Tita não era titular, o Lico não era titular. 
Desse time do primeiro jogo, quando eu assumi nós empatamos quatro jogos (na verdade, três). Com Volta Redonda, Olímpia (e Atlético Mineiro). Eu pensei: “Bom, não dou pra isso, né?”. Não conseguimos o resultado, acho que eu não dou pra isso. E aos pouquinhos, eu assumi mais ou menos em julho, foi uma segunda-feira. E o Dunshee me convidou, eu aceitei. Fizemos esses quatro primeiros jogos, empatei esses primeiros jogos. Pensei nisso que tô te dizendo, e aos poucos eu fui fazendo essas modificações. Esse time, do final de julho até dezembro, fizemos aí se você contar, o que não dá até o final do ano, o jogo contra o Botafogo realmente se caracterizou aquele grande time que marcou época, o maior time da história do Flamengo.
Meu ponta direita quando eu assumi, meus pontas eram Chiquinho pela direita e Baroninho pela esquerda. E esse time que marcou época tinha Tita e Lico. João Saldanha escrevia: “Como o jogador vai ter confiança? Em dez jogos, ele tirou o Baroninho em nove”. Mais ou menos essa proporção. Mas eu realmente tinha o Lico, tava entrando, justificando, tava bem. E num jogo em Campo Grande, nós távamos perdendo o jogo de 1x0 e o Tita foi expulso (na verdade, Ronaldo Marques). Eu chamei o Lico e coloquei pra fazer a meia e um falso ponta. Ele fez o gol e deu passe pro outro gol, parece. Sei que nós viramos pra 2x1. Contra o Wilstermann, ele acabou não fazendo gol, mas botei e me chamou a atenção. 
Aí nós fomos jogar contra o Botafogo. E eu mudei minha escalação. Tinha resolvido que o Lico ia jogar. Tita de um lado, Lico do outro. Esse foi um marco daquele time que é considerado... que marcou época... os onze jogadores” (na verdade, só faltou Marinho, que foi substituído por Figueiredo). 

Você ouviu os jogadores antes de se decidir pela escalação de Lico?
“Eu devo ter conversado com meus jogadores, não lembro, mas devo ter conversado com meus jogadores. Mas tava na hora. O Lico foi contratado só pra entrar de vez em quando no lugar do Zico. O Coutinho trouxe pra quando o Zico ficasse cansado. Só que o Zico queria jogar sempre. Faltava chance, e o Lico não jogava nunca. Só ficava treinando. E aos pouquinhos, comigo, eu fui colocando. Entrava nos jogos, alguns importantes, e ele chamou muito a atenção. E nesse jogo com o Botafogo, primeiro tempo: 4x0. Segundo tempo, 6x0. Aquele histórico 6x0, que valeu mais que um título. Os caras vinham com a faixa, que o Botafogo...  o último gol foi do Andrade. Aquilo marcou. E aí, que eu sempre falo, muitas vezes o treinador perde a força. O jogador que você coloca responde tão bem que você não tem mais a força de tirá-lo do time. O cara se escala. Algumas vezes acontece isso”. 


Como sobreviveu ao conturbado ambiente político na Gávea?
“Pra mim foi muito fácil por um simples ponto: começamos a ganhar, entendeu? O time ajudou a tornar esse momento fácil. Não tive esse momento de intranqüilidade, de..… bom, tem que ser esse, não tive esse contraste com insinuações. Talvez eu tenha sido favorecido pelo time indo bem. Não tive isso, e não aceitaria. Não admito. Vou errar sempre com a minha cabeça. Eu sempre soube o que quis”. 

Qual a importância de Domingo Bosco naquele Flamengo?
“Nós tivemos um suporte, eu particularmente quando passei de jogador a treinador, tive um suporte muito forte do Bosco. Uma pessoa inteligentíssima. Um cara assim, muito criativo, muito inteligente e que dava toda uma retaguarda. Eu não me preocupava com nada, só me preocupava com o meu time. Eu tinha me transformado de jogador em treinador. Pô, eu tava nas nuvens! Tava querendo treinar, treinava e  conversava com meus jogadores, fazia isso, fazia aquilo, eu tava iniciando. Eu tava com temperamento espetacular pra vencer, entendeu? Na minha cabeça, eu não imaginava nunca ter qualquer tipo de inconveniente, perder um jogo... não sei. Até hoje eu não sei. Fui viciado em ganhar. Quando perco, hoje eu sou outro tipo de pessoa. Talvez eu tenha me diferenciado pelo costume de ter iniciado minha carreira vencedor. Mas o Bosco era uma pessoa fantástica. Como jogador, nós jogamos contra o Botafogo da Paraíba no Maracanã, perdemos o jogo de 1x0. Levamos um baile! Não perdemos o jogo de 1x0 só, nós levamos um baile que até hoje nós estamos atrás da bola! Não tenho nenhuma vergonha de te dizer isso. E isso, claro, você dentro do Maracanã perder de 1x0 pro Botafogo da Paraíba...Sai de baixo! O que fez o Bosco? Terminou o jogo, tomamos o banho, aquele ambiente fúnebre... aí o Zico vai se enxugar, vai botar a roupa... cadê a roupa do Zico? ROUBO NO MARACANÃ! Então, a atenção foi desviada toda pra esse lado. Fechou o pau, era só isso que se falava, a derrota ficou em segundo plano. Ela foi digerida dessa forma, a imprensa explorou de uma maneira diferente, e ficou em segundo plano a derrota. A verdade é que todo mundo queria saber como é que foi, e a gente só foi saber bem depois que quem tinha armado aquilo era Domingos Bosco. Ele era um cara realmente fantástico”. 

E o episódio das mulheres na concentração no Paraguai?
“Eu fiquei sabendo disso aí. Não sei se é realmente a realidade. Mas isso ficou muito, quase que virou um fato. Quase que se registrou como um fato. A gente não sabe se existiu ou não, mas quase que se caracterizou com uma coisa real. Até hoje eu não sei realmente, os boatos, as coisas que podem até mesmo ter acontecido mas terminaram no nascedouro com o Bosco, que era muito vivo, muito esperto”. 

E o jogo polêmico: Flamengo x Atlético em Goiânia?
“Não foi só o Wright, foi o anti-futebol, pô! Nós tivemos a preocupação de fazer aquele jogo extra no Serra Dourada... Vai buscar o vídeo, passa pro torcedor atleticano de hoje. O que é mais antigo, sabe. A história ta bem gravada. Impressionante o que os caras tavam dando de pontapé! Chicão era brincadeira, tchê! Chicão merecia sair dali... que Deus o tenha, mas direto pra um presídio! O que ele fez, pô... Até o Reinaldo! Eles tavam transtornados, não sei por quê. Não queriam jogar futebol. Desde o princípio, o Wright tentou levar, tentou levar, o jogo ficou impossível, cara! Impossível! Você terminar um jogo de passagem de grupo, uma fase importantíssima de Libertadores. O árbitro ter essa convicção, essa certeza, os caras cometeram um exagero, e teve exagero mesmo. Os atleticanos podem ficar tranqüilos que era um time totalmente despreparado pro jogo, pô.   Eles não estavam preocupados em jogar futebol, só estavam preocupados em dar pontapé mesmo. Talvez tenha sido isso, um reflexo de todo um passado muito recente (a final perdida pro Flamengo no Brasileirão de 1980) que eles colocaram num jogo só. Não foram preocupados em jogar futebol, foram preocupados em dar pontapé mesmo. Justíssimo! O jogo até que durou muito...pela incapacidade e pela maldade com que os jogadores (do Atlético) entraram em campo. Infelizmente, eles não reconhecem isso”. 

Como era o ambiente nas concentrações?
“Era um grupo que já vinha assim há um bom tempo junto, a gente foi montando esse time... esse time quando eu assumi, friso, tem umas seis ou sete modificações. Esse período de julho até o jogo contra o Botafogo umas cinco, seis modificações. Mais de 50%. Então esse grupo já tava quase todo ele... e foi resgatar isso, e colocar,  aos pouquinhos fui colocando dentro daquilo que eu achava que poderia. Aboli os pontas. Nós criamos aquilo, era só um homem na frente, que era o Nunes, e todo o pessoal chegava. Na verdade, tinha toda a posse de bola... fantástico!
Eram jogos maravilhosos que eu lembro até hoje. E fomos campeões do mundo com o melhor time mesmo! Duvido que tinha algum time melhor que o nosso. Hoje o Barcelona é o melhor time do mundo, pode até não ganhar, mas é o melhor time do mundo. Naquela época não tinha... hoje, você vendo, buscando, não tem como ter sido o melhor do mundo. Não tinha a menor sombra de dúvida, esse deve ter sido, o Flamengo, o melhor time do mundo na época. Nós éramos o melhor time do planeta, sem sombra de dúvida’. 

 

E o Raul, que estava parando de jogar e foi para o Flamengo e ganhou tudo?
“Quando ele fala, ele fala em nome do time, entendeu? Eu também me expressava dessa forma. Tinha um temperamento também, temperamento forte, mas sempre buscando ganhar. Esse tipo de atitude positiva é sempre bem-vinda. Os jogadores têm liberdade, falam o que querem, só que tenham cuidado. Isso até muitas vezes causou problema com a própria imprensa que tive que contornar, etc. O jogador tem que ser comedido. Essa cobrança, eu sempre um incentivador pra isso. Agora, o grande jogador, a exceção, ele geralmente ao natural ele tem humildade. Ele sabe o momento certo de fazer as coisas. Ele é comedido, não tem a máscara. Quando ele se expressa, ele fala de uma maneira cobrando do próprio grupo de jogadores, não querendo criar um problema dentro do grupo. Assim é o Raul. E uma pessoa sensacional que foi muito importante, uma pessoa experiente”. 

Como administrava a situação do goleiro Cantarelli, titular por tanto tempo antes de Raul chegar ao Flamengo?
“Quando eu assumi, o Cantarelli era o titular. O primeiro jogo foi contra o Olímpia. Aos poucos eu fui tendo a consciência, o Raul tava se recuperando de uma lesão. Então, ao natural, eu nunca tive problema. Quando eu chego a uma conclusão, eu trato eles profissionalmente. Comigo vai jogar sempre aquele que eu acho que é o melhor. O que eu tenho que ver é o bem do clube, o bem do time, independente de quem seja. Tenha nome, prestígio, se não estiver desempenhando...
A diferença do grande jogador junto ao outro está no seu salário, no que eles ganham, é essa a diferença que eles têm. Dentro do campo, o tratamento é o mesmo pra todo mundo, vai jogar quem estiver melhor. Eu cheguei à conclusão naquele momento que foi o Raul que deveria ser titular, eu devo ter conversado com o Cantarelli. Se entenderam por bem ou por mal, não importa. Eu acho que eu devo ter tido, eu acho que eu conversei com o Cantarelli, deve ter sido no jogo que foi logo depois, o jogo que foi lá no Paraguai se não me engano (na verdade, foi ainda antes do jogo contra o Cerro no Paraguai, Raul entrou no jogo anterior contra o Atlético Mineiro no Maracanã). E logo depois, acabei colocando o Raul como goleiro”.

E como ter Raul na reserva?
“Se comportava na boa, respeitava. O Raul ele devia estar se recuperando, porque depois entrou e não saiu mais. Então não devo ter tido essa experiência, não sei. Acho que ele não deveria ter problemas até pela postura profissional que sempre foi, né?”

Fale sobre Nunes, você teve problemas com ele?
“Em 1981, quando eu passei a treinador, o Nunes era titular absoluto. Em 1982, nós fomos campeões brasileiros. Mas chegou uma época em que havia a necessidade de eu trazer um elemento mais. Trouxe o Baltazar, trouxe o Wilsinho do Vasco da Gama também. Então num jogo contra o América, eu recordo bem, nós estávamos tomando um passeio. 0x0, aí primeiro eu tirei um volante. Depois, troquei o Nunes pelo Wilsinho. O jogo era no Maracanã, e teve uma vaia contra mim, tomei uma vaia... passou e aí o Wilsinho fez o gol. Nós ganhamos de 1x0, o jogo se estabilizou. Eu acabei trazendo o Baltazar, porque achava que eu deveria... 1982 acho que foi, acabei trazendo o Baltazar também. Eu tinha só o Nunes como centroavante, se não me engano”. 

E o terceiro jogo com o Cobreloa na final da Libertadores? 
“O Nei Dias joga no terceiro jogo porque, nesse jogo de Santiago, os meus jogadores me disseram que o Mario Soto tava jogando com uma pedra na mão. Eu não sei o que era, uma pedra, a história é que era uma pedra. Aí cortou o Lico. Acabou o Lico não jogando. Então, o que eu fiz? Quando veio minha escalação, eu tirei o Leandro da lateral-direita pra esse jogo e botei o Leandro de volante. E peguei o Adílio e botei na ponta-esquerda. Leandro foi a grande figura do jogo., jogava muito”. 

E as críticas do João Saldanha?
“Eu lembro bem quando o Saldanha disse “o time ganha tudo, e ele tá mexendo na estrutura do time!”. Levei um pau do Saldanha! Mas ganhamos o jogo, vencemos fácil”.

Então você colocou no jogo o Anselmo...
“E aí houve o caso do Anselmo. Nós estávamos ganhando o jogo, e nós (da comissão técnica) estávamos fora. Estávamos ganhando o jogo por 2x0, quarenta e poucos minutos do segundo tempo. Aí a bola tá do outro lado do campo com o Júnior, a televisão pegando o Júnior lá daquele lado. E nós tamos bem do outro lado, no lado inverso do campo, lá fora. E o Tita na ponta-direita. Aí vem o Mario Soto, pega e dá-lhe um soco! O Tita cai no chão. Mas dá-lhe um soco assim, a bola do outro lado, sem nada. Deu um soco no Tita, derrubou o Tita. Aí, Dunshee de Abranches, Francalacci, diretor, Bosco... todo mundo queria invadir o campo! Todo mundo queria invadir o campo! Aí eu disse: “Anselmo, vem cá! Tu viu ali? Vi! O Francalacci (chamou): vamos aquecer! Ele tava no piso, de chuteira de tarracha no concreto. 
Eu disse: “Não, não, não...vem cá! Tu viu ali? Deixa a bola vir, tu dá-lhe no meio e pode sair!”.  Aí ele entrou, quem é que sai? Sai o Nunes. Aí o Nunes saiu, entrou o Anselmo. Lateral aqui desse lado, o Anselmo não esperou porra nenhuma. Pegou e sem bola, deu no meio. Fechou o pau, e correu pro banco do adversário. Fechou o pau, e coisa e... aí terminou o jogo, Kléber Leite, pessoal que tava na Globo me dizendo: “Você não pode dizer que você mandou dar!” (eu disse) “Então, você me entrevista!”. Aí, vieram me entrevistar. “Jogador não fez nada. Foi ordem minha, EU mandei dar, por isso, isso e isso! A responsabilidade é minha”. Eu fui suspenso pela Confederação, coisa e tal. E isso foi um pouco antes de nós disputarmos o Mundial. Aí a direção (disse): Anselmo não vai. Ele vai, eu é que não vou.
Ou ele vai ou eu não vou. Queriam embarcar e não levar o Anselmo por essa atitude. Não! Ele vai... Ele é certo, é ele e mais o resto da delegação. Ele era um cara certo ali dentro. Aí viajou.  Isso foi uma mancha. Hoje eu não mandaria não, porque eu sou contra a violência. (Sou de) Jogo forte, competitivo, mas nunca fui disso. Mas a atitude naquele momento foi em função do jogo anterior. Nós apanhamos demais no Chile, nós perdemos o jogo, ganhamos no Maracanã e perdemos lá.  No outro dia, eu lembro bem meus jogadores fazendo “pop-pop-pop-pop”... fazendo o Leandro, o pessoal gozando na mesa de que o time tinha pipocado. “pop-pop-pop-pop”, meu time tinha pipocado. Na realidade, eles jogaram muito viril, e nós não merecíamos ter vencido. Merecíamos ter perdido, o time foi todo pra trás, diferente do Flamengo que foi no Maracanã, na decisão’. 


Fale um pouco dos laterais.
“O Leandro e o Júnior. Acho que são.. na minha opinião, lateral-direito e lateral-esquerdo não pode ter existido coisa melhor. Esses dois eram especiais. Não ter tido na minha mão, ter visto jogadores como eles. Simplesmente fantásticos. 
Tive o Mozer e o Marinho que eram jogadores que, tinham dois laterais que saíam ao mesmo tempo, que não tinha como segurar. E com esses dois jogadores  Eram velocíssimos, jogava com um volante. Andrade com a bola no pé tomava conta do meio. Dominava bem, não era um grande marcador, não tinha nenhum marcador no time. 
Adílio era realmente dinâmico, jogador altamente técnico, Tão difícil você encontrar um driblador, né tchê? É tão difícil você encontrar um jogador com o drible. Numa jogada, ele te dava o drible, tirava o marcador. Tita e Lico. Se encaixavam dentro daquilo que eu queria. 
Lico nunca foi ponta. Ele compunha com o Júnior, jogava pela direita, esquerda, ele compunha aquele lado esquerdo que era simplesmente fantástico. O Tita, quando pegava na bola ele ia pra concluir, terminava a jogada, nós tivemos jogos memoráveis contra o São Paulo. 
Lico apareceu infelizmente muito tarde. Ele era ponta-de-lança, posição do Zico, ali se adaptou muito bem. E foi um jogador que marcou a história do Flamengo. Tá na história pela qualidade. 
O Tita queria jogar na posição do Zico, 10, consegui encontrar uma posição pra ele. Eu acho que as pessoas que tão na frente de um clube, de um time, você tem que encontrar um lugar pra aquilo que tem de melhor. Quando você não encontrar, você tira. E aí encontrei, Lico de um lado, Tita do outro”. 

Tita não era a fim de jogar naquela posição?
“Não, não”. 

Como o convenceu?
“Porque ali estava o seu grande espaço. Era alguém novo que estava surgindo. Ele tinha paixão, tinha aquele negócio de jogar na posição do Zico. E aí, fez um trabalho excepcional comigo, do lado direito ele com o Leandro era overlapping, ou seja, ultrapassagem. Até hoje eu desconheço alguém que faça essa passagem melhor do que eles dois na história do futebol mundial. Desconheço. É um tempo certo, o momento certo, simplesmente fantástico”. 

E o Nunes? 
“Ele era inteligente, tava sempre presente na área, sempre presente nos cruzamentos, bem posicionado. Casou muito bem.  E o Zico dispensa comentário. Pra mim é... é... a única restrição que se tem em relação a ele é que ele não foi campeão mundial. As pessoas se apegam nisso a ele. Pra mim... (se emociona) acho que não faz diferença nenhuma. Acho que não faz diferença nenhuma... (se emociona novamente)”. 

Fale sobre o Dino Sani.
“Eu tive uma efetividade com Dino Sani. Sou muito grato ao Dino, gosto do Dino, acho que foi um treinador importante na minha vida, na minha formação. Fui efetivado pelo próprio Dino Sani. Entrava, saía, subi em 1970, o Dino chegou parece em 1972 ao Internacional. Essa titularidade começa com o Dino no Internacional”.

Então você foi convidado para ser auxiliar dele...
“Eu estava com muita dificuldade, tchê. Problema no joelho. Eu tava com alguma dificuldade e decidi que era o momento. Esse era o momento, com 30 anos de idade. Eu conseguia jogar um tempo, mais 15, 20 minutos do segundo tempo e não tava sendo o profissional que eu tava querendo ser, que eu sempre fui, por mais idade ou menos idade que se tenha. Escolhi o momento, resolvi parar. Tive consciência de que eu tava com alguma dificuldade. Aí, eu tive uma condição, uma proposta do futebol árabe já como treinador, aí como treinador, na medida em que entrei como auxiliar do Flamengo já apareceu isso, e aí resolvi segurar um pouco. Fiz uma dupla com o Dino. Coincidência, porque o Dino teve a oportunidade da efetivação comigo, depois o Dino me deu a oportunidade, apesar de sua saída, infelizmente”.

Por que Dino não deu certo no Flamengo?
“Ele deu certo. Ele tava dando certo. O problema é que o temperamento do Dino é muito forte. Não foi Adílio. Teve um jogo... um episódio contra o Dodô. O Dodô deu um chapéu no Mozer, o Mozer foi dar um chapéu no Dodô, o Dodô pegou e deu um chapéu e chutou, a bola foi na trave e o jogo foi 0x0. E o Dino se irritou muito. Se irritou demais. Temperamental. O Dino era explosivo, não se aguentou. 
Ele reclamou muito que foi uma irresponsabilidade do Mozer. E foi, realmente. Na entrada da área, o Mozer foi dar um chapeuzinho e perdeu a bola. O Dino ficou alucinado, não conseguiu se agüentar, extravasou aquilo e aquilo foi o fator que realmente o presidente explodiu também, a imprensa acabou explorando muito isso, criando desgaste. Isso foi domingo, e na segunda esse desgaste se transformou em...
Foi momentâneo, porque não havia nada programado do Dino sair não. Foi uma surpresa, o time ia jogar com o Olímpia. O time tava bem, foi porque o Dino extravasou. Pela molecagem do Mozer. Acho que foi uma irresponsabilidade do Mozer. O Dino não conseguiu se agüentar, o presidente também muito temperamental. Mas o time tava bem, foi uma surpresa”.

E o convite para você assumir como treinador?
“O presidente não me contou. Eu quando soube, eu ligo pra casa do Dino. “Ta uma notícia aí, coisa e tal”. Naquele momento, tá o Domingos Bosco querendo dar a notícia. Quando eu ligo pro Dino, Pô Dino, o que que houve? A imprensa tá noticiando isso, tão me perguntando... ?
Não sei de nada. To aqui com o Bosco, que ta aqui na minha casa nesse momento. Depois a gente conversa.
Tá, tô indo pro clube, Dino. 
Era dia de folga, fui pro clube, e naquele momento, o Bosco tava comunicando a saída dele. 
Nunca mais depois tive a oportunidade de conversar com o Dino. Hoje é superado, né?”

Voltaram a se falar depois disso?
“Só através de outros amigos. Porque imediatamente o Dino pegou e veio pra São Paulo, saiu. Ele foi direto pra São Paulo”. 

Ele achou que você tinha alguma coisa a ver com a história?
“Acho que não. Isso eu não posso imaginar, não consegui depois falar mais com o Dino. Tá na minha história. Sou muito grato a ele”. 


Na final do Mundial houve soberba do Liverpool? O Júnior fala que no acesso ao campo eles olhavam daquele maneira...
“Isso eu lembro. Havia um menosprezo assim. Hoje já há um reconhecimento muito maior. Algum tempo atrás já há um reconhecimento, todo mundo quer ganhar. Eles dão muito valor a isso também. Talvez naquela época houvesse um certo menosprezo. 
Houve isso aí que o Júnior ta falando mesmo. Dá reza, coisa e tal, uma certa gozação da parte deles. Ficaram abismados, “o que que era aquilo?”. E que todos os times fazem, costume. Nós fizemos um primeiro tempo brilhante. Um primeiro tempo magnífico. E voltamos pro segundo tempo, muito ruim o segundo tempo. Aí, terminou o jogo... 
Tem uma historinha, um episodiozinho... Terminou o jogo, eu sou um dos primeiros a entrar no vestiário. Atrás de mim vem o Véio, o Raul. Ele me chamava de Veio também, e me perguntou: 
“Pô, Véio, tá triste?”
“Não, não. Meu time no segundo tempo não conseguiu jogar nada, Véio”.
Aí, ele me disse uma coisa que até hoje eu guardo.
“Veio, isso aqui pode ser uma vez na vida e outra vez na morte. Pode até nunca mais chegar aqui”.
E nunca mais cheguei lá”.

E como foi o clima para aquele jogo?
“Eu acho que tá todo mundo assim entusiasmado pela própria campanha. Nós tivemos aquele grande inconveniente nesse meio tempo que é a morte do Cláudio Coutinho. Traumatizou... No final do Campeonato, coincidiu tudo junto”.

Quando ficou sabendo?
“No sábado à tarde. Na quinta-feira, nós estávamos desembarcando e ele vindo dos Estados Unidos, nós nos encontramos no aeroporto. Nós estávamos voltando de Montevidéu, mesmo horário, torcida, tudo. Nós saímos por trás, eu saí por trás. Conversamos com ele, me felicitou, tudo. Ele combinou com o Júnior de fazer uma pescaria no sábado pela manhã. 
Aí ao meio-dia, pouco depois do meio-dia, início da tarde, nós ficamos sabendo que ele tinha morrido. Nem fizemos o treinamento. Tentamos cancelar o jogo, o Vasco não quis”. 

Vamos voltar ao Japão...
“Quando chegamos lá, estávamos muito motivados. Meio que sonhador, né? Pô, que momento... Nem passava pela cabeça...pô, perder pra time... nem pensava nisso.
Lembro bem que fiz minha palestra foi com tampinhas e com manteiga. O quadro não tava, não sei o que houve, se extraviou, não conseguimos. Eu estudei muito o Liverpool. Tinha estudado muito. Teipes, jogos, passei aos jogadores, então a gente estudou muito. Os principais jogadores deles, Dalglish... era um time muito bom. 
Eu lembro bem que eu fiz a palestra com manteiguinha, chapinha...
Gurizão, meio que sonhador... queria passar pra eles como era. Não importava como. E ai se não decorasse!
Eu me orgulho disso, campeão mundial você tem no futebol brasileiro quatro ou cinco”. 

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Dias antes de Carpegiani voltar à Libertadores pelo Flamengo, lembranças do técnico campeão em 1981

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Na festa do Flamengo pela Taça GB, a 'saia justa' com a Adidas pelas chuteiras 'concorrentes' de Vizeu

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN



Causou estranheza, desconforto em setores do Flamengo a reação de Felipe Vizeu durante a cerimônia de entrega do troféu da Taça Guanabara, domingo, em Cariacica (ES), após a vitória sobre o Boavista (2 a 0). Enquanto o presidente Eduardo Bandeira de Melo passava a taça às mãos de Réver, o atacante negociado com a Udinese segurava um par de chuteiras vermelhas. E quando o símbolo da conquista foi erguido pelo capitão rubro-negro, simultaneamente o centroavante fez o mesmo gesto com elas (vídeo acima)

Réver ergue o troféu da Taça Guanabara, ao seu lado, Vizeu levanta chuteiras da Nike
Réver ergue o troféu da Taça Guanabara, ao seu lado, Vizeu levanta chuteiras da Nike Reprodução

Parecia que as chuteiras eram outro troféu de campeão. Detalhe: o par que ele exibiu é da marca Nike, maior concorrente da Adidas, um dos principais parceiros do clube, que paga cerca de R$ 37 milhões por ano (R$ 10 milhões em material) para vestir o Flamengo e nos fardamentos mostrar o seu logo.

Marca Nike nas chuteiras
Marca Nike nas chuteiras Reprodução

Jogadores de futebol são obrigados a vestir uniformes fornecidos pelos clubes que defendem, com os quais têm contrato, mas chuteiras e luvas são de escolha dos atletas, sendo que muitos as têm como fonte de renda extra, são contratos individuais. Normalíssimo. É assim no Brasil e também no exterior.

Garoto-propaganda da Adidas, Messi joga no Barcelona que usa material da Nike, mas só calça chuteiras da marca alemã. A situação é inversa com Cristiano Ronaldo, jogador do Real Madrid, parceiro da Adidas, e contratado da Nike, cujos pisantes utiliza sempre.

Messi, pelo Barcelona, vestindo Nike e amarrando uma de suas chuteiras Adidas
Messi, pelo Barcelona, vestindo Nike e amarrando uma de suas chuteiras Adidas Getty Images

Portanto, nada demais Vizeu calçar Nike sendo jogador do Flamengo, que tem contrato com a Adidas. Obviamente ele não é o único. O jovem Vinicius Júnior também tem acordo com a marca americana e sairá de um time que veste Adidas (Flamengo), para outro (Real Madrid).

Cristiano Ronaldo chuta com chuteira Nike e veste Adidas em partida pelo Real Madrid
Cristiano Ronaldo chuta com chuteira Nike e veste Adidas em partida pelo Real Madrid Helios de la Rubia/Real Madrid via Getty

Mas imagine se vários atletas resolverem fazer como Vizeu, caso o Flamengo ganhe a Copa Libertadores, por exemplo. Chuteiras da Nike, Puma, Topper, Mizuno, Asics, Kappa, Munich, New Balance, etc, todas ostensivamente exibidas ao alto, para quem quiser ver. Alguém acha que para a Adidas não fará diferença?

A ação de Felipe Vizeu, independentemente de ter sido deliberada ou absolutamente inocente, foi clara, como o vídeo ao alto mostra: chuteira erguida exatamente no momento em que o capitão levanta o troféu. Com sincronia!

Por meio de sua assessoria, o Flamengo minimizou o fato. Informou apenas que entendeu o ato como "uma comemoração espontânea do atleta". No entanto, o blog apurou que o atacante foi questionado pelo departamento de futebol profissional. Felipe Vizeu disse que não foi uma ação intencional e tem conhecimento de que esse tipo de atitude é vetada em contrato.

Já a Adidas preferiu não se manifestar a respeito, mas o blog também apurou que repercutiu mal na sede brasileira da empresa alemã a imagem da chuteira concorrente subindo em destaque como se também fosse um troféu. Isso numa festa que era para ser apenas dela e dos demais parceiros do clube carioca.

Ronaldo com a medalha de vice na Copa de 1998 e Neymar, ambos exibindo chuteiras Nike no pescoço: sem incompatibilidade. CBF tem contrato com a mesma marca
Ronaldo com a medalha de vice na Copa de 1998 e Neymar, ambos exibindo chuteiras Nike no pescoço: sem incompatibilidade. CBF tem contrato com a mesma marca Arquivo

O pessoal de marketing da multinacional já tem nova missão: refinar o olhar para as atitudes de jogadores dos clubes com as quais a Adidas mantém contrato no país, para que situações assim não se repitam. O que pode parecer bobagem para alguns, na realidade é bem sério num negócio de milhões como o futebol.

Com ou sem intenção, não é postura adequada, ainda mais quando o fornecedor de material esportivo é parceiro dos mais importantes. Mas é improvável que repita o gesto na Itália. Motivos: a Udinese não costumar ganha títulos e na Europa essas relações são mais maduras. E com pesadas cobranças.

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Como Botafogo e Flamengo deixaram 'xiitas' de lado e costuraram acordo pelo Engenhão

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Com maturidade, os presidentes de Flamengo e Botafogo querem dar um ponto final na crise entre os dois clubes. Nelson Mufarrej, ao contrário de seu antecessor, Carlos Eduardo Pereira, se dispôs a um diálogo mais aberto com Eduardo Bandeira de Mello. Tanto que ambos delegaram aos profissionais e demais dirigentes mais preparados a missão de negociar um acordo razoável para todos, com a utilização do Nilton Santos/Engenhão pelos flamenguistas.

Assim começaram as conversas que tiveram à frente Luis Fernando Santos, vice-presidente executivo do Botafogo, e Fred Luz, CEO do Flamengo. Os dois, entre outros profissionais dos clubes, chegaram ao acordo para a utilização do estádio pelo time rubro-negro na próxima quarta-feira, contra o Madureira, com torcida, pelo Campeonato Estadual, e no dia 28, diante do River Plate, pela Copa Libertadores da América, com portões fechados.

Levantamento do site Chute Cruzado — clique aqui e leia — mostra os absurdos prejuízos dos quatro grandes neste certame carioca. O Botafogo ficou no vermelho em todos os seis jogos que disputou, num buraco financeiro de quase R$ 810 mil. Os jogos mais deficitários foram justamente no Nilton Santos, em três partidas acumulou um negativo de R$ 603 mil, 74% do total. É evidente que o estádio precisa e mais demanda e arrecadação.

Torcida do Flamengo no Nilton Santos, que volta a receber jogos com mando rubro-negro
Torcida do Flamengo no Nilton Santos, que volta a receber jogos com mando rubro-negro Arquivo

O acordo pode ser estendido a mais jogos. Momentaneamente sem a Ilha do Governador devido à queda de duas torres de iluminação na tempestade da madrugada de quinta-feira, o Flamengo espera voltar logo ao seu atual estádio. Mas precisa de uma opção para jogos da Libertadores, cujo regulamento não permite cotejos em canchas com arquibancadas provisórias; além de eventualmente precisar de maior capacidade do que os 20 mil lugares do campo da Portuguesa.


Um acordo com o Botafogo acabaria com a dependência rubro-negra em relação ao Maracanã para clássicos, partidas de maior porte e compromissos internacionais. Esse é o objetivo do Flamengo, pelo menos até que saia uma nova concessão por parte do Estado do Rio de Janeiro, algo que voltou a ser improvável no atual governo, que termina mandato apenas no final de 2018. Tendo o rival como inquilino, os alvinegros podem fechar a conta e até lucrar.

Não é preciso acabar com a rivalidade para unir forças nos interesses comuns. Mas é necessário eliminar a rivalidade burra que enterra clubes de futebol num buraco sem fim, movida por cartolas e ex-dirigentes que tentam chamar a atenção com discurso raivoso e antiquado. O presidente do Botafogo foi bem no episódio, driblando tais "xiitas", e o do Flamengo também, ao sair de cena e deixar seu CEO fazer, bem, o próprio trabalho. Com atitudes maduras todos têm a ganhar.

 

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Por briga com o Flamengo, Botafogo deixou de faturar milhões em 2017. E parece disposto a insistir no erro

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Flamengo teve uma temporada absurdamente pesada em 2017. Foram 83 jogos do time profissional. Ergueu, inclusive, uma estrutura para que o estádio Luso Brasileiro, da Portuguesa recebesse pelejas da equipe rubro-negra. Caso o clube pudesse direcionar seus compromissos como mandante para o Nilton Santos/Engenhão, não precisaria investir R$ 15 milhões despejados na cancha rebatizada como "Ilha do Urubu" e levaria até 36 jogos à casa alvinegra ano passado, gerando pelo menos R$ 7,2 milhões para os cofres botafoguenses.

A conta é simples, alugando o local para o rival por R$ 200 mil (preço estabelecido para clássicos no campeonato carioca deste ano), essas quase quatro dezenas de pelejas resultariam na cifra acima. E os alvinegros poderiam, ainda, faturar com bares, estacionamento, além de negociar um percentual da renda se a mesma ultrapassasse determinado patamar. Pela maior demanda e exposição, também cresceria junto ao mercado publicitário o valor dos espaços fixos para propaganda que o Botafogo lá comercializa, como placas, placar eletrônico, etc.

Leia também: Abismo, compare dinheiro do Flamengo com rivais cariocas

Não é absurdo imaginar que esse valor poderia bater a cada dos R$ 9 milhões a R$ 10 milhões para as combalidas finanças botafoguenses em 2017. Dinheiro valiossímo e que possibilitaria, por exemplo, contratações mais caras e de melhor nível técnico para a atual temporada. Os argumentos para o veto ao Flamengo são tolos, pueris. A batalha na justiça com o dispensável William Arão (em 2017 Bruno Silva foi superior a ele, inclusive) e agora a comemoração de Vinícius Júnior no clássico do sábado de carnaval. Questões menores que estão custando caro.

Como se provocações não fossem tão comuns, partindo do próprio Botafogo, inclusive. Os vídeos (acima e abaixo) comprovam isso. No Bate-Bola da ESPN Brasil, em 2008, jogadores dos anos 1960 e 1970 falaram sobre os tempos em que o goleiro Manga dizia que contra o Flamengo o "bicho" estava garantido, ou seja, a premiação por vitória era certa. E no ano passado, Muralha provocando botafoguenses e vascaínos após a classificação do Flamengo para a decisão estadual contra o Fluminense; e a resposta de Pimpão, quando, com os rubro-negros eliminados da Libertadores, os alvinegros nela avançavam. 


Clique aqui e veja o momento exato da declaração de Muralha

Clique aqui e veja o momento exato da declaração de Pimpão

Tudo normal e natural. Como diria Vanderlei Luxemburgo, pertence ao futebol. O que não deveria pertencer são posturas passionais que agradam os mesmos torcedores cegos pelo fanatismo e que não conseguem perceber o óbvio: tais decisões reduzem o faturamento do clube e consequentemente seu poder de investimento. Quando protestarem gritando coisas como "Queremos jogador", lembrem que estão, há tempos, estimulando o Botafogo a rasgar um dinheiro que não tem. Ainda mais numa temporada sem Libertadores, sem luvas da TV e precocemente sem Copa do Brasil após o papelão da semana passada. 

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Vasco reduz folha de pagamento em R$ 1,5 milhão mensais com saída de três jogadores

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista do ESPN.com.br

Nenê foi do Vasco para o São Paulo: redução na folha de pagamentos
Nenê foi do Vasco para o São Paulo: redução na folha de pagamentos Divulgação Vasco

Desde a posse de Alexandre Campello, o Vasco reestrutura seu departamento de futebol. Com poucos recursos e a maior parte de cota da TV Globo em 2018 já antecipada pelo ex-presidente Eurico Miranda — clique aqui e leia no blog de Rodrigo Mattos —, o objetivo tem sido a redução de custos e o acerto dos atrasados.

Duas já folhas de pagamento foram quitadas em 15 dias, e continuam as negociações com credores. Apenas com as saídas de três atletas (Escudeiro, Nenê e Luiz Fabiano) houve uma significativa queda de aproximadamente R$ 1,5 milhão no custo mensal do elenco de futebol, incluindo os encargos pagos pelo clube.

O Vasco está colocando em prática  um plano de parcelamento de suas dívidas, por isso liberou quem ganhava mais para montar uma equipe dentro das suas atuais possibilidades. A prioridade é se tornar capaz de pagar a remuneração de todos no dia 7 de cada mês. Na quarta-feira foram depositados os salários de janeiro.

E não é só. No Vasco ainda é feito um levantamento para se chegar ao real montante devido a jogadores e comissão técnica referente a pagamentos em geral, como premiações ("bichos") etc. Com a saída do trio, o clube economizará cerca de R$ 18 milhões que desembolsaria para remunerar esses jogadores até o final de 2018.

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João Danado

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

João Batista Nunes de Oliveira fez 214 partidas pelo Flamengo. Marcou 99 gols, quase meio por jogo. Além da bela média, muitos foram decisivos, tentos dos grandes, imensos. Que jogador de futebol marcou num intervalo inferior a dois anos em duas finais de campeonato nacional, um na decisão estadual mais disputada da história do Rio de Janeiro e dois num cotejo valendo o troféu de campeão do mundo? A resposta é Nunes, o “João Danado”. 

Chegou ao Flamengo durante o  Brasileiro de 1980, após rápida passagem pelo Monterrey. Um tanto esquecido no México, logo fez todos se lembrarem dele. Na estreia, um 2 a 2 com a Ponte Preta no Maracanã, marcou um gol e deu passe para Zico no outro. Fez dois na final daquele que foi o primeiro título nacional do clube, contra o Atlético Mineiro. Também marcou o tento decisivo na segunda vez que os rubro-negros foram campeões do país, 1 a 0 sobre o Grêmio em Porto Alegre. 


Entre essas duas finais, Nunes assinalou um gol sensacional na decisão carioca mais disputada da história. Em 1981, o Vasco vencera um turno e o Flamengo dois, além de ter a melhor campanha. Por isso, o time de São Januário precisava derrotar o rival três vezes. Venceu duas (2 a 0 e 1 a 0), gols de Roberto Dinamite. Na peleja decisiva, diante de 161.989 pagantes, o placar de 2 a 1 deu a taça aos flamenguistas com o goleador chutando de longe e a bola entrando na meta vazia, deixada pelo goleiro Mazaropi, que saíra para disputá-la com o Júnior. 

Uma semana depois, no Japão, Nunes meteu dois em Flamengo 3 X 0 Liverpool. Era o Mundial comandado por Zico, com a marca do artilheiro das grandes decisões. Uma alcunha perfeita para o entrevistado do Bola da Vez Nordeste, que gravamos há alguns dias na ESPN — no ar nesta segunda-feira, às 21h30, na ESPN Extra, quarta para qiunta à 1h40 na ESPN Brasil e quinta-feira às 15h50 na ESPN+ - sempre horário de Brasília. 

Da arquibancada e da geral do velho Maracanã, acompanhei muitos dos quase 100 gols feitos pelo camisa 9 vestindo preto e vermelho. Também o vi de perto mandando a pelota nas redes por Fluminense e Botafogo. Mas de rubro-negro é que o João era mesmo danado. Merecidamente um ídolo. 

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João Danado

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Do Fluminense ao Sport e agora São Paulo, a surpreendente valorização de Diego Souza

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Quando recontratou Diego Souza junto ao Fluminense, em março de 2016, o Sport se comprometeu a pagar, em euros, o equivalente a R$ 2,4 milhões por metade dos direitos sobre o atleta. Agora o jogador está chegando ao São Paulo por mais de quatro vezes tal quantia (R$ 10 milhões) e dois anos mais velho. Como o tricolor paulista adquire o meia por inteiro, trata-se de uma valorização superior a 100%. Mas, essas cifras se justificam pelo que fez em campo?

Diego Souza comemora gol com a camisa do Sport em 2017
Diego Souza comemora gol com a camisa do Sport em 2017 Gazeta Press

Entre 2016 e 2017, o meia revelado pelo Fluminense acumulou, entre Copa do Brasil, Série A e Sul-americana, 71 jogos e 25 gols (0,35 de média). Para isso finalizou 178 vezes (um tento a cada 7,1 arremates), deu 12 assistências, próximo de uma a cada seis cotejos; e criou 110 chances de gol, em média 1,5 por peleja.

Diego Souza com a camisa do Fluminense ao retornar em 2016 ao clube que o revelou
Diego Souza com a camisa do Fluminense ao retornar em 2016 ao clube que o revelou Armando Paiva/Agif/Gazeta Press

Diego é um bom jogador, tem técnica, versatilidade e experiência, mas a valorização é desproporcional pelo que mostrou nas duas últimas temporadas. O fato de ter sido convocado para a seleção brasileira não muda isso, afinal, tem 32 anos e Tite dele se lembrou em parte por vê-lo como possível centroavante, posição onde a carência é monstruosa. E ele jamais foi um “9”.

Finalizações de Diego entre 2016 e 2017 por competições nacionais e internacionais
Finalizações de Diego entre 2016 e 2017 por competições nacionais e internacionais ESPN/TruMedia

Com a camisa do Sport, Diego Souza disputou 173 partidas e marcou 57 gols (0,33 de média), incluindo campeonatos estaduais. Só conquistou o título pernambucano de 2017. Desde que voltou do Metalist Kharkiv da Ucrânia, em 2014, somou, em certames nacionais e internacionais, 129 partidas, com 39 gols (0,30 de média). Finalizou 288 vezes (um tento a cada 7,4 arremates) e deu 25 assistências, uma a cada 5,1 pelejas. Criou 204 chances de gol, 1,5 por cotejo.

Pratto é um '9' de movimentação, mas aparece bem mais na área do que Diego
Pratto é um '9' de movimentação, mas aparece bem mais na área do que Diego ESPN/TruMedia

O Sport foi mais competente na negociação. Conseguiu valorização superior a 100% na venda de um jogador que estava desgastado no clube e recentemente foi alvo de protestos da própria torcida do time pernambucano. Mas para o torcedor do São Paulo, acostumado a ver seus dirigentes venderem sem parar, a presença em campo de um jogador capaz de trazer retorno técnico é o que importa.

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