Fla muda estatuto. Cartola incompetente ou desonesto terá que pagar com os próprios bens

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Integrantes da oposição, o que podemos chamar de "o velho Flamengo", saíram antes de a votação terminar. Retirada silenciosa que pode simbolizar uma derrota para sempre. Emenda ao estatuto do clube enviada pelo Executivo foi aprovada por unaminidade no Conselho Deliberativo. E ela garante a responsabilidade fiscal em todos os departamentos como lei que passa a vigorar na Gávea.

O que isso significa? Que todo aquele que desejar ser dirigente do Clube de Regatas do Flamengo terá que responder com os seus próprios bens. Publicar balanço trimestral na internet e seguir regras comuns às empresas de capital aberto. Serão obrigados a respeitar o orçamento sob pena de perderem mandato. O cartola pode ficar inelegível por até 15 anos e até mesmo ser processado judicialmente.

A Lei de Responsabilidade Fiscal Rubro-Negra merece ser comemorada pela maior torcida do Brasil como se fosse um gol. O Flamengo é o primeiro clube do país a se adequar à Medida Provisória 671, item obrigatório para as agremiações que aderirem ao refinanciamento previsto na MP. Com isso, sonegação de tributos, apropriação indébita e outras práticas poderão custar caro aos (ir)responsáveis.

Em tempos nos quais ainda existem clubes torrando milhões que têm e que não têm, contratando jogadores sem ter como pagar, deixando de quitar impostos e se submetendo a multas pesadas, o passo dado pelos rubro-negros é simbólico e histórico. Até porque entre aqueles que saíram do clube lamentando a decisão do Conselho certamente há muitos que não mais irão se sentir motivados a voltar. Quer melhor?

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Dirigentes terão que responder com os próprios bens caso não sigam as regras
Dirigentes terão que responder com os próprios bens caso não sigam as regras
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Entre 12 mil e 15 mil empregos de jogadores de futebol desaparecem todos os anos no Brasil

Mauro Cezar Pereira
por Luis Filipe Chateaubriand*
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Quando o Bom Senso Futebol Clube foi criado, fui convidado pelo seu mentor, o jogador de futebol Paulo André, para colaborar na estruturação da proposta do movimento a respeito do calendário do futebol brasileiro. O primeiro diagnóstico que fiz para o grupo foi muito claro: no futebol brasileiro, clubes grandes jogam demais, clubes pequenos jogam de menos.

Sobre o fato dos clubes pequenos jogarem de menos, foi adiante: fiz um estudo, para o movimento, mostrando que, ao final dos campeonatos estaduais, entre 12 mil e 15 mil jogadores ficam sem emprego. A metodologia para se chegar a estes números não foi difícil de ser pensada. Segue, abaixo:

a) O futebol brasileiro tinha, em 2014, cerca de 700 clubes que disputavam campeonatos estaduais, em suas diversas divisões (683 clubes, para ser mais preciso, em levantamento que fiz na época).

b) Apenas 100 deles jogavam depois dos campeonatos estaduais: os 20 do Brasileiro Série A, os 20 do Brasileiro Série B, os 20 do Brasileiro Série C e os 40 do Brasileiro da Série D (hoje são 68 na Série D, mas, na época, eram 40).

 c) Portanto, 600 clubes que jogaram os campeonatos estaduais ficavam sem atividades depois destes.

 d) Se cada clube desses 600 fosse ter 20 jogadores no elenco, seriam 12 mil empregos de jogador de futebol que se encerrariam.

 e) Se cada clube desses 600 clubes fosse ter 25 jogadores no elenco, seriam 15 mil empregos de jogador de futebol que se encerrariam. 

 A partir desse diagnóstico, eu, Paulo André, Eduardo Conde Tega, da Universidade do Futebol, e outros colaboradores, engendramos a proposta de calendário do grupo, que visava, além de reduzir o número de partidas dos grandes clubes, propiciar às centenas de pequenos clubes jogos ao longo de toda a temporada, para se evitar tal impacto de desemprego estrutural, ceifando empregos diretos e indiretos – algo que também sempre propus em meus livros e artigos a respeito.

Para a nossa surpresa, exatamente a maior reação a isso partiu... dos pequenos clubes! Eles não querem jogar a temporada inteira, mas sim jogar apenas três meses, para embolsar o dinheiro que a Rede Globo de Televisão lhes paga pelos campeonatos estaduais e, depois disso, submergirem.

É vergonhoso, mas é real. Os gestores dos clubes pequenos, em seu comodismo, não querem refletir que atividades ao longo de toda a temporada geram maior visibilidade da marca e, portanto, possibilidade de patrocínios mais longos. Não querem refletir que, tendo atividades ao longo de toda a temporada, podem ter melhores possibilidades de comparecimento aos seus jogos e atratividade de televisão, mesmo que modesta em relação aos clubes grandes. Não querem refletir que, com atividades ao longo de toda a temporada, podem exibir melhor sua boas revelações, aumentando o potencial de cifras com negociações de direitos federativos.

O que os “cartolas” dos clubes pequenos querem é jogar três meses, embolsarem um dinheiro de televisão, e desaparecerem até a temporada seguinte. Lamentável, e prejudicial não só a eles, mas também aos clubes grandes, que, por conta disso, se veem atrelados a longuíssimos campeonatos estaduais e todas as mazelas daí decorrentes.

Assim, existe o potencial de se ter calendário ao longo da temporada inteira para 160 clubes, e olhe lá! O ideal de oferecer calendário ao longo de toda a temporada para centenas de clubes torna-se inviável, devido à miopia estratégica dos gestores dos clubes menores. É triste, gera desemprego, mas assim é.

Definitivamente, se pensa pequeno em nosso futebol. E, assim, esse vai definhando a olhos vistos. Em época de Copa do Mundo, é bom lembrar que 7 x 1 não é uma mera coincidência. 

 *Luis Filipe Chateaubriand é um estudioso e propositor acerca do calendário do futebol brasileiro

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Brasil de 2014 x Argentina de 2018. Imagine o encontro do pior possível entre os rivais

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Alemanha 7 a 1 e Croácia 3 a 0: patéticos times de Brasil e Argentina colecionando vexames em Mundiais
Alemanha 7 a 1 e Croácia 3 a 0: patéticos times de Brasil e Argentina colecionando vexames em Mundiais Reprodução

Pífio é pouco para definir a seleção que a Argentina levou a campo na Copa do Mundo. Um arremedo de time sem formação tática definida, com Jorge Sampaoli trabalhando na tentativa e erro em busca de formação que não conseguiu encontrar. Parece piada, mas com o outrora badalado ex-técnico do Chile, que levou o país a ganhar um título pela primeira vez na história (Copa América), a Albiceleste conseguiu piorar, piorar e piorar.

A escolha de Caballero como titular do gol argentino foi criticada desde sempre. Sem Romero, lesionado às vésperas do Mundial, era óbvio que Franco Armani deveria defender a meta, mas Sampaoli, inexplicavelmente, abriu mão do arqueiro do River Plate e apostou no reserva do Chelsea. Um desastre. Sua falha grotesca no primeiro gol da Croácia começou a afundar de vez o time. Então o treinador terminou o serviço.

Com mudanças alucinadas, o time torto se transformou num Frankstein. Meza virou volante/lateral, Dybala não tinha função, Messi corria para buscar a bola no campo de defesa, e a zaga... Bem, não havia zaga. E os croatas chegaram aos 3 a 0 sem esforço. O último gol lembrou os que a Alemanha fez no Brasil em 2014. Defesa argentina entregue como a de um time de pelada quando a brincadeira está no fim e um dos times já abriu boa vantagem no placar. 

Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) e sua mulher Paola Moyano
Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) e sua mulher Paola Moyano Reprodução

Presidente do minúsculo Barracas Central, da terceira divisão, Claudio “Chiqui” Tapia acumula o cargo com a presidência da Asociación del Fútbol Argentino (AFA). Sua mulher Paola Moyano, é filha de Hugo Moyano, que preside o Independiente e é o poderoso líder caminhoneiro do país.

Se você conheceu os mandatários da CBF dos últimos anos, perceberá que isso explica em parte como é possível que o futebol sul-americano tenha levado a Copas do Mundo seguidas suas principais seleções representadas por times tão patéticos. Com bons jogadores até, mas times sem conjunto, ridículos.

Fico imaginando como seria o duelo entre Brasil de 2014 x Argentina de 2018. Melhor não imaginar...


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A Copa na imprensa

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Não é pequena a parcela da imprensa brasileira que cobre a Copa do Mundo de maneira dócil no que se refere à seleção "canarinho, como disse Eduardo Tironi no Linha de Passe da ESPN Brasil. Tite e seus comandados são pouco questionados. E quando o time não vence, sobram vozes a ofuscar a má atuação ao eleger a arbitragem como única e grande vilã. 

Também não faltam discussões sobre temas diversos, com abordagens mil. Algumas mergulham na irrelevância. Penteado de jogador, VAR, o que publicam em redes sociais, craque de time que não faz o mesmo em seleção... São debates e mais debates sobre muitos assuntos, às vezes aparentemente bobos, mas que têm importância. Tudo depende de como são analisados. 

Por que não discutir o comportamento de Messi na Copa? Sim, sabemos bem que, como equipe, a seleção argentina é desorganizada e reflete a pífia administração do futebol no país. Mas se o craque do Barcelona costuma resolver problemas gigantescos em campo, é evidente que o mundo dele esperará grandes feitos. Como se fosse um super-herói da pelota. 

A aventura russa do circunspecto camisa 10 é o verdadeiro drama deste Mundial. Algo bem argentino. Como ignorar seus conflitos e analisa-lo apenas pelo olhar da tática, da estratégia? E por que fazer isso? Qual o motivo para que deixemos de lado o aspecto humano que envolve um astro, seus desafios e seus fantasmas, limitando a resenha a estatísticas e mapas de calor? 

Cueva chora após perder pênalti pelo Peru: reações humanas s drama pautam o futebol e a Copa
Cueva chora após perder pênalti pelo Peru: reações humanas s drama pautam o futebol e a Copa Getty

Obviamente há maneiras e maneiras de se tocar neste e em outros temas que circundam o jogo. E com tantos programas, tantos espaços, tanta gente falando e escrevendo sobre o Mundial, tem pra todo gosto. Da bravata na linha "Messi é pipoqueiro", à análise mais profunda sobre seu comportamento, o que o cerca e suas atitudes. Tema rico como o futebol de "La Pulga". 

O futebol jamais se resumiu a que acontece nas quatro linhas. Nosso esporte é rico, de beleza, de sensações, pautado pelo trabalho, treino, estudo. Finalizado, na teoria, pelo que se desenha na prancheta, mas executado, na prática, a partir de reações humanas. Que nem sempre seguem a receita pré-estabelecida. E essa é a parte mais rica, instigante, que fascina milhões de nós. 

O drama de Messi. As prioridades de Neymar, voltando de lesão diante de um desafio imenso e preocupado com o penteado. A festinha dos mexicanos com as moças e o impacto que poderia causar. Os desentendimentos entre alemães. A troca de técnico na Espanha. Isso sem falar no uso do vídeo pela arbitragem, algo pouco testado, sem padrão universal e que mexe com os placares. 

São muitos os temas além do campo de jogo. E que podem, sim, se refletir no que acontece lá dentro. O futebol não é só prancheta. Ainda bem.   

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Messi não é isso tudo nos pênaltis. Confira números dele e de outros batedores. Saiba quem é o melhor

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN


Não foram poucas as pessoas que ficaram surpresas ao verem Messi perdendo pênalti na estreia da Argentina na Copa do Mundo. O 1 a 1 diante da Islândia teve seu momento mais dramático quando o goleiro Hannes Halldórsson deteve a cobrança do craque. Mas vê-lo desperdiçar penalidade máxima não é exatamente uma novidade. Os índices do camisa 10 não são dos melhores quando ajeita a pelota na "marca fatal": erra quase um pênalti a cada quatro.

A partir do banco de dados do TruMedia, ferramenta que utilizamos na ESPN, o blog levantou os índices de aproveitamento dos batedores de pênaltis de algumas das principais seleções presentes ao Mundial. O meia são-paulino Cueva, que também errou penal na derrota (0 a 1) de sua equipe, o Peru, para a Dinamarca, também entra na lista.


Penalidades batidas por Messi: no destaque a que perdeu na disputa de penais contra o Chile, na Copa América 2016
Penalidades batidas por Messi: no destaque a que perdeu na disputa de penais contra o Chile, na Copa América 2016 TruMedia/ESPN


Nem todas as cobranças estão registradas, mas o resultado ajuda a tirar conclusões. Claro, quem bateu mais corre o risco de erras mais vezes. Para efeito de comparação, utilizamos o índice do melhor cobrador de penalidades máximas da atualidade, Henrique Dourado. O centroavante do Flamengo tem 19 penais registrados no TruMedia (competições como os Estaduais não aparecem) e apenas um erro.

Os pênaltis batidos por Cueva: no destaque o que perdeu diante da Dinamarca na estreia pela Copa 2018
Os pênaltis batidos por Cueva: no destaque o que perdeu diante da Dinamarca na estreia pela Copa 2018 TruMedia/ESPN

Detalhe: ele mandou para fora diante do Atlético Mineiro, em 2014, quando vestia a camisa do Palmeiras. Isso significa que jamais um goleiro defendeu cobrança  de Dourado, que já bateu 24, ou seja, seu índice geral é ainda melhor, com 95,8% de aproveitamento. Com o mesmo número de cobranças, o goleador inglês Harry Kane, um dos maiores artilheiros da atualidade, autor de 46 gols na última temporada, tem índice pouco superior a 83%
  
Batedores de pênaltis*
Henrique Ceifador: 19 /18 94,7%
Hazard: 40 /34 85,0%
Cristiano Ronaldo: 95/80 84,2%
Kane: 24/20 83,3%
Cavani: 56/44 78,5%
Messi: 82/63 76,8%
Neymar: 31/23 74,1%
Cueva: 18/13 72,2%
Sérgio Ramos: 10/7 70%
Griezmann: 17 /11 64,7%
Özil: 8/5 62,5%
* jogador, total de cobranças, acertos e percentual de aproveitamento

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Icardi fora da Copa: 'Dentro de um vestiário a mulher do colega tem barba e bigode'

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Jorge Sampaoli no amistoso entre Argentina e Nigéria, disputado em novembro de 2017
Jorge Sampaoli no amistoso entre Argentina e Nigéria, disputado em novembro de 2017 EFE/Yuri Kochetkov

Primeiro a (esperada) não convocação de Mauro Icardi, goleador do campeonato italiano, personagem polêmico desde que se casou com Wanda Nara, ex-mulher de seu ex-amigo Maxi López. Veio a lesão do goleiro titular, Sergio Romero, abrindo a disputa entre os arqueiros pela posição. Depois a contusão de Manuel  Lanzini, cortado e substituído por Enzo Pérez. Problemas e fofocas não faltam à seleção argentina. Mas o que esperar do time de Jorge Sampaoli em campo? O blog conversou com Leo Samaja, treinador e Coordenador da Associação de Treinadores do Futebol Argentino (ATFA) no Brasil.

Você acha que o episódio Wanda Nara pesou na não convocaçao de Mauro Icardi para a Copa do Mundo?
Leo Samaja — Copa do Mundo deve-se levar o melhor grupo. Em 1978 Maradona não foi. Em 1986 Passarella e Ramón Diaz também não. Eu vi acertada a decisão. Discutível, mas objetivamente acertada.

A presença do Icardi causaria tanta irritação?
Muita. Dentro de um vestiário a mulher do colega tem barba e bigode, não se olha. Pelo menos em nosso país respeitamos esses códigos. Isso custou a carreira de Horacio Amelli, ex-zagueiro do River Plate do San Lorenzo com passagens por São Paulo e Internacional.

O que fez Amelli?
Se envolveu com a esposa de Tuzzio, que foi seu companheiro de zaga no River Plate e no San Lorenzo. Eram velhos amigos. Logo após Tuzzio virou capitão do Independiente campeão da Copa Sul-americana na final de 2010, contra o Goias. Já o Amelli viu sua carreira limitada, nenhum clube argentino confiou nele novamente. Foi para o México, um ano depois voltou para encerrar o contrato com River e acabou a carreira.

E na montagem do time, acredita que o artilheiro do último campeonato italiano fará falta?
No aspecto tático, a seleção que Sampaoli enxerga é com um camisa 9 que jogue para a equipe, e não um homem de área, sem jogo. Em minha opinião, posso estar enganado, para ocupar a posição a ordem de prioridades é: primeiro Agüero, segundo Dybala e terceiro Higuaín. Não havia lugar para um quarto homem de área. E se houvesse, Lautaro Martínez seria mais adequado do que Icardi. Ele é um garoto de grupo.

Mas Icardi seria uma opção com outro estilo?
Para isso ele terá o Higuaín.

Leo Samaja, Coordenador da Associação de Treinadores do Futebol Argentino (ATFA) no Brasil
Leo Samaja, Coordenador da Associação de Treinadores do Futebol Argentino (ATFA) no Brasil Divulgação

Fora os atacantes, quem você chamaria e não foi convocado?

Levaria um zagueiro mais versátil no mano a mano, considerando a proposta ofensiva de alto risco. Kannemann, do Grêmio, por exemplo. E um volante como Marcone ou Paredes, no lugar de Lo Celso. De resto, fiquei bem satisfeito com a lista. Se estiverem todos os planetas alinhados, poderemos ter uma bela Copa do Mundo com final feliz.

E quanto a Garay, que fez ótima Copa em 2014?
Era a última rodada das eliminatórias, a Argentina estava com um pé fora e precisava vencer o Equador na altitude. Nos bastidores, dizem que Garay rejeitou a convocação, pediu para não participar da definição. Não rejeitou de forma pública, Sampaoli recebeu a negativa antes de emitir a lista de convocados.

E teve mais situações preocupantes antes da convocação final...
Sim, houve ainda a jogada com Papu Gomez que quase deixa fora da Copa o Biglia no último jogo do Milan contra a Atalanta. Mas neste caso, Lanzini, antes de se lesionar, e Pavón foram chamados como jogadores capazes de oferecer mais opções que Papu ou Perotti, da Roma, dentro da proposta de Sampaoli. O Lamela foi pouco testado antes da Copa, poderia ter sido uma aposta interessante. Já o Lanzini deixou uma grande impressão, mas se lesionou. E Pavón, ele não poderia deixar de levar.

Defesa com linha de quatro? Três zagueiros? Como acha que Jorge Sampaoli escalará o time na Rússia?
O esquema acaba sendo uma foto fria, que parece mais número telefônico que outra coisa. A chave está na proposta. Com quantos defenderá quando atacado? E aí é onde existem dúvidas sobre Fazio, pela velocidade e equilíbrio no mano a mano. Mas acredito que mais ou menos sai com: 4-2-3-1, tendo no gol  Franco Armani ou Caballero.  Mercado, Otamendi, Fazio ou Rojo e Tagliafico formando a defesa.  Biglia ou Mascherano, Banega, Pavón ou Salvio ou até mesmo Meza; Messi, Di Maria, e finalmente Kun Agüero na área. É o que Sampaoli entende como 2-3-3-2 ou 2-3-4-1, ou seja, os dois laterais fazem a linha de três volantes com o primeiro volante, enquanto o segundo, Banega, avança na posição central ocupada no desenho por Messi na linha de criação. Messi então se incorpora como segundo atacante na zona de finalização.

Há tempo para elaborar tudo isso dentro das sofisticadas estratégias de Sampaoli?
Há tempo sim. A ideia não é tão rara. Por isso a lista de 23 com essas características. Ele vem trabalhando há tempo em cada viagem. Agora terá algumas semanas para consolidar.

Muito distante da Argentina vice-campeã mundial há quase quatro anos...
São propostas diferentes. Alejandro Sabella foi mais conservador em 2014, da mesma forma Pekerman em 2006. Já 2010 é um parágrafo aparte para se analisar... (nota do blog: Mardona ocupou o cargo de técnico na África do Sul). Sampaoli é mais ousado. Vale a pena arriscar. Segundo Einstein, louco é aquele que procura obter resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa.

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Neymar ao contrário: Rodrygo abre mão de € 4 milhões e política do Santos emperra a venda

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Conselheiros protocolam pedidos de impeachment contra o presidente José Carlos Peres. No Conselho Deliberativo do Santos a política arde, e em meio a tamanha crise, o clube pode perder a chance de realizar sua maior venda. 

Neymar foi para o Barcelona e incomodou santistas pelo fato de não deixar nos cofres da Baixada quanto lhes parecia justo, a ponto de o clube brasileiro acionar a Câmara de Resolução de Disputas da Fifa contra ele e os catalães. 

Ao contrário do atual atacante do Paris Saint Germain, a nova revelação se propõe a abrir mão de € 4 milhões para que o negócio com o Real Madrid saia. O blog conversou com Nick Arcuri, agente do atleta. 

 

Por que a venda ainda não foi concretizada?
Todas as expectativas financeiras do Santos foram atingidas, com uma mudança de decisão em relação ao que fora combinado há três meses, quando veio a proposta do PSG, depois Barcelona e finalmente o Real Madrid. Chegamos aos valores que o presidente pediu desde as conversas com o clube francês.

Como ficou afinal?
Semana passada o Real Madrid propôs € 40 milhões ao Santos, que é a parte que caberia ao clube se eles pagassem o valor estipulado como multa rescisória, que é de € 50 milhões. Normalmente os € 45 milhões que o Real quer pagar seriam divididos com 80% para o Santos e 20% ficando com o atleta, que tem direito a essa parte. Seriam divididos assim: € 36 milhões para o clube e € 9 para o jogador.

Mas o Rodrygo está abrindo mão...
Sim, no caso o jogador ficaria com € 5 milhões, abrindo mão de €4 milhões para que o Santos com receba o valor que exige, aquele que lhe seria destinado caso o Real Madrid pagasse os € 50 milhões da multa. 

Em tese então estaria resolvido...
Não há motivo financeiro para servir de obstáculo.

Desde quando definiram essa divisão com pouco mais de 11% para o jogador, e não os 20% que pertencem a ele, e quase 89% destinados ao clube?
Essa divisão está valendo desde o começo. O presidente sempre deixou claro que só venderia pelo valor de € 40 milhões para o Santos. Ele acreditava que o jogador poderia chegar a esses números em algum tempo jogando pelo clube.

 Mas o Conselho precisa aprovar, entre as partes falta algo a acertar?
Nada. As minutas já foram e voltaram, entre Santos, Real Madrid e jogador tudo ok, até os documentos.

E se o negócio não sair?
Rodrygo e sua família estão abrindo mão de uma parcela significativa para que o Santos receba sua parte. Se preferisse permanecer, daqui a dois anos o garoto ficaria livre, ainda com 19 de idade, e teria 100% dos direitos. Poderia acertar desde já diretamente com o Real Madrid ou algum outro clube.

Ele é uma espécie de Neymar ao contrário?
Pelo acordo ainda fica até 30 de julho de 2019 defendendo o Santos. Achamos melhor ele chegar para fazer a pré-temporada com o Real Madrid daqui a pouco mais de um ano. Ele vai completar 18 anos em 9 de janeiro de 2019 e jogaria mais seis meses.

E os € 40 milhões ficariam integralmente para o Santos?
Não tem intermediário nem comissão, pois eu serei comissionado pelo atleta, que é meu cliente. E ainda seria acordo com um clube que não tem resistência no Santos, como o caso do Barcelona, como me passaram, pelo episódio Neymar. O único risco é não fazer o negócio.

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Flamengo já procurou CSKA para ter Vitinho

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Flamengo já fez movimentos iniciais na tentativa de repatriar Vitinho. O jogador vendido pelo Botafogo ao CSKA Moscou em 2013 esteve emprestado ao Internacional entre 2015 e 2016, e os rubro-negros tentaram contar com ele antes de seu retorno à Rússia, que aconteceu no começo do ano passado. Mas a pedida inviabilizou as negociações, com os russos exigindo o que pagaram pelo atacante, € 10 milhões — clique aqui e leia post da época. Agora o clube carioca retoma contato para finalmente tê-lo em seu elenco.

Vitinho com Thiago, goleiro reserva do Flamengo. Atacante esteve no Maracanã
Vitinho com Thiago, goleiro reserva do Flamengo. Atacante esteve no Maracanã Reprodução

Os rubro-negros sabem que contratar o ex-botafoguense para cobrir a saída de Vinícius Júnior para o Real Madrid não será nada simples. O CSKA já deixou claro que endurece negociações, ainda mais quando se trata de um atleta como Vitinho, que vem atuado com frequência. Desde sua volta após empréstimo ao Inter, ele fez 43 jogos pelo Campeonato Russo, dez partidas de Champions League e seis da Liga Europa. Ao todo assinalou 18 gols no período.

Vitinho, 24 anos, esteve no Maracanã acompanhando os últimos jogos do Flamengo, que já procurou o clube da Rússia e espera levar adiante uma negociação. A janela de contratações oriundas do exterior para o futebol brasileiro abrirá em 16 de julho, um dia após a final da Copa do Mundo, com fechamento em 15 de agosto. Há tempo para fechar a contratação, que não será a única tentativa rubro-negra para a segunda metade da temporada.

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Flamengo pegou tabela fácil para chegar à liderança? Veja cálculo a partir do desempenho de cada time

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
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Arte .

Afinal, o Flamengo pegou uma tabela fácil até agora para chegar à liderança do Campeonato Brasileiro? Muitos torcedores de outros clubes afirmam que sim. Tentemos entender o que "dizem" os números. Utilizando a pontuação média dos adversários dos rubro-negros e dos demais, chega-se à conclusão que as equipes enfrentadas pelos comandados de Maurício Barbieri alcançaram nas primeiras 11 rodadas, em média, 13,18 pontos.

Sobre esses rivais, os flamenguistas tiveram um desempenho de 79%. Confira como os demais participantes da Série A se saíram antes as equipes que tiveram pela frente até agora. O índice apresentado na coluna da direita foi alcançado com a multiplicação do percentual de aproveitamento pela pontuação média dos adversários de cada um dos times. A partir daí é possível alcançar um índice que retrate minimamente o momento do certame. 

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Campeão outra vez, Real precisa ser convencido pelo Fla para não levar Vinícius Júnior já

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O atacante Vinícius Júnior, do Flamengo, que poderá ir em julho para o Real Madrid
O atacante Vinícius Júnior, do Flamengo, que poderá ir em julho para o Real Madrid Getty Images

O futuro de Vinícius Júnior poderá ser definido nos próximos dias. As declarações de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale em tom de despedida do Real Madrid e as possibilidades, aparentemente crescentes, de uma renovação no elenco deverão se refletir nos rumos da carreira do rubro-negro. 

Como o blog já informou — clique aqui e leia —, o clube espanhol sinalizou que, ao contrário da ideia inicial, pensa em reivindicar a apresentação do atacante a partir do dia 12 de julho. Nesta data ele completará 18 anos e, finalmente, assinará seu contrato profissional com os europeus. 

Antes de janeiro, Vinícius Júnior só irá para Madri de vez se quiser, mas já está decidido que, se o Real pedir sua apresentação, ele não irá contra o clube que mudou sua vida. A lealdade do rapaz ao time de coração já beneficiou o Flamengo, tanto que a venda foi feita acima da multa rescisória.  

Embora nem pense em negar o Real, Vinícius não aceitará se mudar logo para ser emprestado a um clube menor. A ideia, caso os merengues solicitem sua apresentação definitiva, é integrar o elenco profissional e ganhar espaço aos poucos, como ocorre com pratas-da-casa do clube. 

Gabriel Jesus, por exemplo, está na Inglaterra há 16 meses e não é titular do Manchester City, enquanto Gabigol foi para a Internazionale e mal conseguiu jogar na Itália, para, aí sim, ser cedido ao Benfica e depois ao Santos. O planejamento de carreira de Vinícius prevê ir e brigar pelo espaço. 

Com (mais um) tulo da Champions League, Zinedine Zidane seguirá no Real Madrid. Isso significa chances menores para Bale, como ocorreu com James Rodríguez. E a fila andando para Lucas zquez e Asensio, abrindo, consequentemente, espaço para nomes como o de Vinícius. 

Mas há outras perguntas. Cristiano Ronaldo permanecerá? Neymar vai desembarcar em Madri? E Benzema? Uma complexa equação na qual surgirá o nome do brasileiro. Alguém dirá que ele ainda é imaturo, mas quem investe € 45 milhões (quase R$ 200 milhões) para não contar com o jogador? 

O Flamengo tenta convencer Vinícius Júnior a ficar pelo menos até dezembro. Como ele não se sentirá à vontade dizendo não ao Real, cabe ao clube carioca mostrar aos espanhóis que, seguindo por mais tempo no Brasil, ele terá progresso maior, como já demonstrou nos últimos meses. 

O clube carioca e as pessoas que gerenciam a carreira de Vinícius Júnior deverão receber um comunicado simultâneo em alguns dias, caso o Real decida que o atleta deverá se apresentar em julho. Vai depender do departamento de futebol de Madri, dquem chegará e quem sairá de lá. 

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Campeão outra vez, Real precisa ser convencido pelo Fla para não levar Vinícius Júnior já

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Real Madrid já alertou que deverá pedir ida de Vinícius Júnior do Fla para a Espanha já em julho

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Vinícius Júnior não deverá dizer não ao Real Madrid se o clube espanhol pedir sua apresentação já em julho
Vinícius Júnior não deverá dizer não ao Real Madrid se o clube espanhol pedir sua apresentação já em julho Divulgação

O Real Madrid já sinalizou que deverá pedir a apresentação definitiva Vinícius Júnior a partir de 12 de julho. O jogador contratado ao Flamengo por € 45 milhões (mais de R$ 192 milhões) assinará seu contrato com o clube espanhol nesta data, quando completará 18 anos. Pelas regras da Fifa isso não é permitido até que o atleta alcance tal idade. E as chances de o campeão europeu reivindicar sua mudança para a capital espanhola logo após firmar o primeiro compromisso profissional cresceram nos últimos dias.

Após a final da Champions League, sábado, entre Real Madrid e Liverpool, as conversas poderão conduzir o futuro de Vinícius Júnior para que se fixe na Espanha ainda no começo do próximo semestre. Pessoas próximas ao jogador consideram, hoje, tal possibilidade como a mais provável. O atleta se mudará para Madri em julho apenas se duas das três partes envolvidas na negociação concordarem. Ou seja, o rapaz se transfere ainda em 2018 se quiser. Contudo, caso os espanhóis solicitem, ele não deverá negar a mudança imediata.

Sua ida ainda em meados de 2018 poderá fazer parte da renovação de um elenco que, acredita-se, precisa de rejuvenescimento. Por isso o jogo contra o Liverpool pode até pesar, com o desempenho de alguns jogadores do Real Madrid ampliando a chance de saída, ou até de permanência. Reforços do naipe de Neymar e Lewandowski são citados pela imprensa como possíveis contratações, com as prováveis saídas de nomes como Gareth Bale e Benzema.

Inicialmente Vinícius Júnior assina contrato e fica emprestado por um ano. Importante: um terço do valor a ser pago pelo clube espanhol ainda não caiu na conta do Flamengo. Apesar do prejuízo técnico provocado por uma saída imediata, a atual diretoria sorriria com o clube recebendo os € 15 milhões restantes ainda em 2018, último ano de Eduardo Bandeira de Mello na presidência. Pelo acordo, a parcela pendente será paga em janeiro de 2019, quando os europeus poderão exigir a mudança do atacante  imediata e unilateralmente, ou na eventual antecipação da transferência.  

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Como entender o endividamento do Internacional?

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Internacional apareceu no ranking das dívidas dos clubes brasileiros de futebol como segundo colocado após as publicações dos balanços de 2017. Como o clube chegou a essa situação? O blog entrou em contato com o clube. O 2º vice-presidente, Alexandre Barcellos, que integra o Conselho de Gestão; e o Diretor Executivo de Finanças do Internacional (CFO, sigla para Chief Financial Officer), Giovane Zanardo dos Santos, responderam às perguntas. E elas são, certamente, as de muitos colorados. 

Como explicar o crescimento do endividamento do Internacional?
O principal motivo de crescimento do passivo do Internacional ocorreu em função do lançamento das benfeitorias oriundas da reforma do Complexo Beira Rio, concluídas em 2014 e que até então, por orientação das antigas empresas de auditoria, receberam outro tratamento. Foram lançados aproximadamente R$ 350 milhões que aumentaram o passivo, mas também aumentaram o ativo permanente do clube, hoje superior a R$ 1 bilhão. Importante ressaltar que estes valores lançados no passivo não serão pagos com desembolso financeiro, mas com a cessão de alguns espaços do Complexo Beira Rio para a BRIO para a exploração comercial pelo período do contrato (20 anos).
 
O que é a BRIO?
É a SPE (Sociedade de Propósito Específico) da AG e do Pactual que administra os espaços cedidos pelo Internacional em troca das benfeitorias realizadas.

O 2º vice-presidente do Inter, Alexandre Barcellos
O 2º vice-presidente do Inter, Alexandre Barcellos Divulgação


Poderia detalhar as benfeitorias?
Neste ponto é tudo que foi feito no Beira Rio na reforma da Andrade Gutierrez, difícil descrever. É “praticamente” um novo estádio.

Em que ponto do balanço recente tais benfeitorias estão especificadas?
No imobilizado, na conta do estádio.
 
O que foi feito na gestão atual para minimizar esse quadro?
A gestão atual tem trabalhado fortemente na redução de custos e despesas, bem como no incremento de receitas. Nas despesas, os reflexos já foram sentidos em 2017, com uma redução de aproximadamente 20% das despesas gerais e administrativas. Nos custos, pelas características específicas da legislação do segmento, os reflexos são sentidos no médio e longo prazos. Para as receitas, as ações implementadas deverão também trazer reflexos já a partir de 2018. De qualquer forma, importante ressaltar que o incremento referido no passivo não trará nenhum desembolso de caixa para o Internacional.
 
Poderia explicar como "não trará nenhum desembolso de caixa para o Internacional"?
Isto se refere ao passivo novo que foi lançado, na conta de cessão por direito de exploração. Não trará desembolso porque não pagamos nada para a BRIO financeiramente. Todo o pagamento se dará com a cessão de alguns espaços pelo período de 20 anos.
 
O Internacional passou a última temporada na segunda divisão, e a dívida cresceu. Como justificar isso ao torcedor?
Conforme referido na primeira resposta, o aumento no passivo ocorreu em grande parte pelo lançamento das benfeitorias do Complexo Beira Rio, com contrapartida no ativo do clube. Com este lançamento foi necessário inclusive reapresentar o balanço de 2016, uma vez que as benfeitorias foram concluídas em 2014. Se considerarmos este efeito nos dois anos, o passivo do Internacional em 2017 é menor que em 2016. Além disso, perdemos muito na valorização do grupo de jogadores e eventual negociação de atletas para o exterior. Modificamos praticamente todo o grupo de jogadores que foi rebaixado no ano de 2016 e isso, por óbvio, também teve um custo.
 

Giovane Zanardo dos Santos, Diretor Executivo de Finanças do Internacional
Giovane Zanardo dos Santos, Diretor Executivo de Finanças do Internacional Divulgação

Qual o planejamento para sair dessa situação?
A gestão do clube continua trabalhando fortemente na redução de custos e despesas. Além disso, tem trabalhado em novas ações de marketing que permitirão trazer para o Internacional novas receitas, sobretudo no que diz com aumento do quadro social e novos patrocinadores.

 
Quantos anos projetam para que o Inter reequilibre suas finanças?
É difícil falar em prazo, mas se as ações que estamos implementando tiverem o efeito imaginado e o clube alcançar seus objetivos dentro de campo, teremos uma evolução constante e um cenário mais confortável em quatro ou cinco anos.
 
Por que o Internacional, e outros clubes, consideram como endividamento os itens receitas a realizar e adiantamentos de contratos?
As receitas a realizar no passivo têm contrapartida também no ativo do clube. Este é um critério que permite o reconhecimento do contrato contabilmente, ou seja, no caso do televisionamento, por exemplo, o contrato prevê que o Internacional receba alguns valores da televisão pela exposição de sua marca e jogos. O lançamento no ativo registra este direito que o clube tem a receber e o passivo a "obrigação" com a exposição da marca. A medida em que o clube recebe os valores e tem seus jogos transmitidos, a receita é reconhecida no resultado do clube pela sua competência.

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Ranking de pênaltis no Brasileirão desde 2010. Saiba quais são os líderes

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Fonte: Footstats
Fonte: Footstats .

O Footstats fez um relatório completo de pênaltis recebidos, cometidos e o saldo desde 2010 na Série A do Campeonato Brasileiro. O ranking está atualizado até a quarta rodada do certame de 2018.

O resultado impressiona, principalmente no saldo. Sim, no saldo, a subtração do número de penalidades máximas a favor pelas assinaladas contra de cada equipe. A diferença é absolutamente gritante.

Enquanto o Fluminense tem um saldo positivo de 25 penais, seguido pelo Corinthians, que acumula 24, o Internacional tem menos 15. Isso mesmo, foram 43 penalidades contra e 28 favoráveis aos colorados. Confira a lista pelo saldo:

Fluminense 25
Corinthians 24
Vitória 9
Atlético-MG 8
Cruzeiro 7
Botafogo 6
Goiás 3
Santa Cruz 3
Flamengo 2
Sport 2
Coritiba 1
Palmeiras 1
Guarani 0
Ponte Preta 0
Santos 0
Atlético-GO -1
Náutico -1
Ceará -2
Criciúma -2
América-MG -3
Bahia -3
Portuguesa -3
São Paulo -3
Barueri -4
Grêmio -4
Joinville -5
Chapecoense -6
Avaí -7
Atlético-PR -9
Vasco -10
Figueirense -11
Internacional -15

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Vasco: presidente rompe com Eurico, se isola, busca oposição, mas rival da eleição não vê solução

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Campello e Otto, sábado, em São Januário: apoio da oposição é única saída de um presidente isolado
Campello e Otto, sábado, em São Januário: apoio da oposição é única saída de um presidente isolado Reprodução

O presidente do Vasco está isolado, Neste sábado, Alexandre Campello recebeu a renúncia de 13 vice-presidentes do grupo Identidade Vasco — clique aqui e leia. Agora, o mandatário vascaíno busca se aproximar de Fernando Horta, ex-vice-presidente do clube, que concorreu nas recentes eleições; e Otto de Carvalho, que presidiu o Conselho Fiscal e foi pré-candidato em 2017. Segunda-feira, eles e José Luiz Moreira, o ex-vice de futebol conhecido como "Zé do Táxi"; se reunirão para definir o apoio, que deverá mesmo acontecer.

Campello ainda não conversou com Júlio Brant, que fazia uma oposição mais radical a Eurico Miranda e por ele foi derrotado nas urnas. O resultado foi fruto de uma articulação com o ex-mandatário e Roberto Monteiro, presidente do Conselho Deliberativo e que integrou a maior organizada do clube, a Força Jovem, a partir dos anos 1980, se tornando um de seus líderes. Os vices que se afastaram são ligados a ele, que capitaneia o Identidade Vasco e segue como forte aliado de Eurico Miranda.

A possibilidade de os agora rivais de Campello tentarem o impeachment é real, utilizando a venda do Paulinho como motivo — clique aqui e leia mais. Por isso ele articula um bloco no Conselho Deliberativo. Há outros grupos dispostos a ajudar, como Malta, Cruzada, Expresso, Vira Vasco etc. O Sempre Vasco, de Brant, ainda está reticente, mas será procurado para uma aproximação. 

Sem alternativa, o atual presidente se vê forçado a buscar apoio em quem derrotou nas eleições justamente com a manobra eleitoral feita por Monteiro e seu antecessor no comando do clube. Uma aliança desfeita principalmente após a publicação do balanço que escancarou a desesperadora situação financeira do Vasco após a última gestão de Eurico. O blog conversou com Júlio Brant antes de seu celular tocar e do outro lado surgir a voz de Campello, algo que deverá acontecer. O oposicionista vascaíno disse como vê esse momento do clube.

Campello e Júlio Brant, com Edmundo, na eleição do Vasco em seu primeiro turno, no dia 7 de novembro de 2017
Campello e Júlio Brant, com Edmundo, na eleição do Vasco em seu primeiro turno, no dia 7 de novembro de 2017 Armando Paiva/Raw Image/Gazeta Press

Já esteve com Campello? O rompimento com Eurico Miranda e Roberto Monteiro aconteceu mesmo.
Julio Brant:
Campello não me ligou e não falamos. Acho que o rompimento é, de fato, real. Pelo que sei, Campello descumpriu o acordo que o elegeu alinhavado pelo Monteiro com Eurico.


Qual sua opinião a respeito dessa situação e da carta de renúncia dos 13 vice-presidentes?
Julio Brant:
Isso mostra que a composição feita em cima da hora para impedir nossa eleição não tinha qualquer fundamento; fosse de gestão, fosse político. E agora o Campello conseguiu o inacreditável: brigar com a gente, com o Monteiro e com o Eurico. Situação difícil a dele.


Não vê como uma chance de uma guinada se direção no clube?
Julio Brant:
Não, pois a composição do Conselho continua a mesma. Muito fracionado e com uma cisão política agora mais profunda. Antes era uma situação de equilíbrio entre oposição e situação. Hoje são quatro grupos: Nós, a maioria; Monteiro, ainda representativo e com a presidência; Eurico, 30 eleitos, mais os beneméritos; e Campello\ com mais ou menos oito conselheiros. É uma situação jamais vista no clube.


Você aceitaria conversar com Campello?
Julio Brant:
Converso com todos, sempre.


Dentro das circunstâncias, acha que uma nova esperança pode surgir, afinal, Eurico Miranda está sendo enfrentado?
Julio Brant:
Ele está fortalecido. A única forma de enfraquecer essa ordem é uma nova eleição, com base na apuração da fraude. Não vejo chances com a composição atual.


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Inter 'ameaça' Botafogo na liderança do ranking das dívidas. Flamengo cai para 10º

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

O Botafogo reduziu sua dívida em 4% ano passado, mas ainda beirava os R$ 720 milhões ao final do ano passado, o que mantém a estrela solitária na ponta do ranking de endividamento líquido dos clubes de futebol do Brasil. Mas tal posto poderá mudar de mãos em 2019, pois o Internacional elevou seu déficit em 6%, está em segundo e junto com os alvinegros formam a dupla com dívidas acima dos R$ 700 milhões.

Fonte: BDO
Fonte: BDO .

Os números estão no relatório Análise BDO Esporte Total, feito pela empresa de auditoria e consultoria. O Flamengo, que por anos esteve na indesejável posição de líder desta tabela, segue reduzindo seu endividamento. A queda em 2017 foi de 23%, o maior percentual entre os 22 clubes que foram analisados. Com isso, os rubro-negros caem para a 10ª colocação, com uma queda superior a R$ 100 milhões no ano passado, baixando da casa dos R$ 400 milhões.

O endividamento líquido desconta os ativos que viram caixa do clube, e pode ser definido como o mais próximo do retrato real das dívidas dos clubes. A BDO fez o estudo com base nos balanços das agremiações referentes a 2017, publicados até a segunda-feira passada, 30 de abril. Vale ressaltar que os balanços muitas vezes trazem números polêmicos, como o lançamento total de receitas futuras de TV, que seguirá novas regras em 2019 — clique aqui e leia. Há ainda casos como o do Corinthians, cuja divida maior, o estádio, não aparece no balanço do clube, mas no do fundo que o gere.

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Drible contábil ficará mais difícil para os clubes de futebol

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Abril chegou ao fim, e com o enceramento do quarto mês do ano, os clubes de futebol apresentaram seus balanços anuais. Os fechados até ontem foram aos últimos sem regras mais rígidas, que entrarão em vigor no próximo ano.  O Conselho Federal de Contabilidade aprovou, em dezembro de 2017, uma norma (ITG 2003-R1). Ela estabelece que receitas de TV devem ser contabilizadas na receita por regime de competência, ou seja, somente quando no ano em que houver o efetivo recebimento dos recursos. Valera a partir dos balanços a serem publicados em 2019, reduzindo as chances de dribles contábeis.

“A norma é do final de 2017 para ter eficácia em 2018, então vale para os exercícios sociais que se encerrarão em dezembro deste ano. A regra anterior tem o mesmo número sem o R1 (primeira revisão) e a norma que valia até o final de 2017 tem redação de 2013. Ela não dava orientações específicas sobre o reconhecimento de receita em algumas transações. Então a revisão da norma se deu por uma demanda do mercado, uma vez que havia tratamentos não consistentes, com entidades esportivas registrando de formas diferentes, o que na norma atual não está errado por não existir consistência e clareza”, explica Idésio Coelho, Vice-presidente Técnico do Conselho.


Idesio Coelho, do Conselho Federal de Contabilidade
Idesio Coelho, do Conselho Federal de Contabilidade Divulgação

Ele explica que em alguns eventos, como contratos de transmissão de partidas pela TV, havia recebimento antecipado, ou não, e os clubes adotavam o reconhecimento, um diferente do outro. Alguns de forma imediata, outros diluindo pelo tempo de contrato ou mesmo levando em conta algumas contraprestações obrigatórias. “Havia tratamentos díspares entre um clube e outro, em função do procedimento de cada profissional de contabilidade. A norma veio para padronizar a maneira que se deve registrar as receitas no resultado do exercício, independente do momento do recebimento em caixa.

Então como será a partir de abril do ano que vem? “Deve-se receber de forma linear pelo período do contrato. Se recebe R$ 10 milhões por três anos, tem que reconhecer um terço por ano, independentemente de ter recebido o valor no primeiro ano, ou não”, detalha. Os balanços publicados em 2018 não serão reconhecidos como errados, mesmo que não sigam a nova regra, porque não havia ainda entrado em vigor a revisão da norma. Auditores, Conselho Federal de Contabilidade e clubes chegaram a esse consenso, a norma atual ficou em audiência pública até o final do ano e foi aprovada.

Antes da emissão da norma revisada, os clubes tinham liberdade de adotar um período diferente, mas assumindo que têm exercício encerrando em dezembro, publicarão no ano seguinte, nos primeiros meses, em geral em abril. “O Brasil está num processo de convergência das normas de contabilidade às internacionais, algo que começou em 2010 e segue um processo paulatino. No nível internacional a norma sobre reconhecimento de receita foi alterada e passará a vigorar a partir de 2018. Daí achamos a necessidade também de emiti-la mais detalhada, não sendo mais reconhecido pelo recebimento em caixa, mas sim pelo período do contrato”, acrescenta Idésio Coelho.

Cesar Grafietti, do Itaú; mudança positiva com o fim de artifícios
Cesar Grafietti, do Itaú; mudança positiva com o fim de artifícios Divulgação

Mas afinal, na visão do Conselho de Contabilidade os clubes davam dribles na contabilidade quando recebiam grandes montantes de novos contratos de televisão? “Não podemos afirmar que inflavam o balanço, porque não havia uma norma regulamentando. Era um tratamento permitido. O que não pode é mudar todo ano. Agora a nova norma padroniza esse processo, todos os clubes terão que reconhecer o recebimento de forma paulatina, o que tecnicamente é chamado de regime de competência. Algo plenamente alinhado com os padrões de qualidade presentes nas normas brasileiras e internacionais de contabilidade. Até companhias grandes passarão a adotar”, exemplifica.

Para César Grafietti, superintendente de crédito do Itaú BBA e responsável pelos estudos feitos em cima dos balanços dos clubes nos últimos anos, o que os clubes de futebol vinham fazendo em seus balanços não chegava a ser uma “pedalada”, mas uma forma de inchar as receitas. “Chamaria de artifício contábil. E assim fazer bonito nos rankings que a imprensa e os analistas mais desavisados publicam. O efeito prático é apenas esse”, explica.

Ele acrescenta que a mudança é importante porque o fair-play financeiro levará em conta a capacidade de geração de receitas dos clubes. Ou seja, poderão gastar o que as receitas lhes permitirem. Mantido o padrão anterior, isto significaria poder gastar mais do que realmente pode. “Com a nova regra, estas entradas pontuais não poderão ser utilizadas na conta, o que diminui a capacidade dos clubes de pagar salários irreais e ainda assim se manter dentro da regra”, explica o superintendente de crédito do Itaú BBA.

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Afastamento do presidente é único caminho para Flamengo salvar o ano, ainda em abril

Mauro Cezar Pereira
por Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

Bandeira de Mello discute com torcedor
Bandeira de Mello discute com torcedor Reprodução

Comprovadamente não deu certo. Eduardo Bandeira de Mello, com sua política paternalista de gestão, fracassa retumbantemente à frente do futebol do Flamengo. Reparar os estragos oriundos de tal modelo, da mentalidade acomodada ao elenco contaminado pelo discurso sem ambição, é algo que demanda tempo. E em abril, o que a ele resta na presidência talvez não baste.

Mas sem o mandatário frequentando o Centro de Treinamentos e decidindo questões que envolvem o futebol, haverá ao menos uma chance de recuperação no curto prazo. Com ele lá, comandando, tal possibilidade não existe, esqueça. Simplesmente porque o presidente não tomará medidas necessárias, junto ao elenco, na rotina, nas metas e cobranças para que sejam atingidas.

Não estamos nos referindo à renúncia presencial, não é o caso. Apenas apontando o caminho, a luz no fim do túnel, com o futebol rubro-negro livre de sua interferência constante, diária, prejudicial. Que seja dado ao departamento que mais importa ao torcedor a mesma autonomia em relação a Bandeira que têm finanças, patrimônio, jurídico, comunicação e o time de basquete, por exemplo

Sem ele no dia a dia a atrapalhar, a maioria das áreas funciona, avança. Da mesma forma que a bola segue caindo na cesta, mas não entra no gol. Sim, é possível entender que sua intenção era a melhor possível, claro. Mas o futebol do Flamengo nunca precisou da “proteção” de Eduardo Bandeira de Mello. Obrigado. De nada.

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Racismo? Xenofobia? Vasco e PM não registraram bananas atiradas pela torcida argentina, como denunciaram torcedores

Mauro Cezar Pereira
por Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN
Torcedores do Racing em confronto com a polícia em São Januário
Torcedores do Racing em confronto com a polícia em São Januário WESLEY SANTOS/Gazeta Press

Em dezembro um torcedor do Independiente imitou macaco, em direção aos do Flamengo, na primeira partida decisiva da Copa Sul-americana, na Argentina. A imagem não deixava dúvidas mas o ato isolado foi o bastante para a generalização. Não faltou no Brasil quem afirmasse que todos argentinos são racistas.

Reflexo da irresponsabilidade de maus influenciadores de redes sociais e péssimo jornalismo: ódio de rubro-negros em relação aos “rojos” no jogo de volta, agressões aos argentinos, confusão e punição ao Flamengo em 2018. Entre outras razões, pelo ataque ao hotel da delegação do time “hermano”.

Semana passada a cena se repetiu. Um torcedor do Racing fez gestos do mesmo tipo em direção aos vascaínos que foram a Avellaneda ver a partida pela Liberadores. Ao contrário do Independiente, seu rival emitiu de imediato nota oficial lamentando o fato, repudiando a atitude racista e prometendo esforços para identificar e punir o elemento, banindo-o de suas partidas.

Com isso o fato parecia superado, até pelo ótimo entendimento entre os dois clubes, inclusive no que se referia às torcidas visitantes. Mas cascas de banana apareceram durante os 90 minutos na noite de quinta-feira nas mãos de vascaínos revoltados, que acenavam para as câmeras de TV exibindo-as.

Pronto: todos os argentinos voltaram a ser chamados de racistas e não foram raros os que afirmaram ter sido a torcida do Racing a responsável pelos restos da fruta atirados no setor destinado à do Vasco.

Obviamente esta é uma possibilidade. Quem não tem responsabilidade com a informação e as possíveis consequências de conclusões precipitadas e generalizações, obviamente as propagou. Essas pessoas nada aprenderam com o episódio de 2017. Pronto, pora esses, agora os argentinos se tornaram responsáveis por aquilo e todos que vêm de lá são racistas, é o que alguns afirmam.

Evidentemente a presença de cascas de banana parece evidenciar que alguém ali as jogou com intuito de ofender. Mas elas nada provam. É possível que um ou outro argentino tenha feito isso, sim, da mesma forma que uma pessoa possa ter comido as bananas e atirado fora as cascas. Até um xenófobo de qualquer nacionalidade pode ter provocado a situação deliberadamente, com o objetivo de espalhar ódio em relação aos estrangeiros.

O blog procurou a pessoa do Vasco que acompanhou e esteve com a torcida do Racing durante toda sua passagem pelo Rio se Janeiro. O Superintendente de Patrimônio, Márcio Nogueira, respondeu à pergunta sobre a acusação de que “hinchas” do Racing teriam atirado bananas em vascaínos:“Estive lá e não vi nada disso. Nem ouvi nada na frequência do rádio”, acrescentou, em referência à comunicação da segurança privada contratada pelo clube.

Além de dizer que não presenciou indício de que os argentinos atiraram bananas na torcida do Vasco, ele explicou que os seguranças costumam relatar acontecimentos desse tipo quando alguém tem atitudes do gênero.

Nogueira conta que do segundo tempo em diante a segurança na torcida visitante passou a ser feita apenas pelo Gepe, o Grupamento Especializado em Policiamento de Estádios. “Não foi observado esse fato, nem relatado nada parecido durante o período em que a torcida argentina permaneceu na arquibancada”, informou ao blog o Major Silvio Luís, que comanda esta divisão da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

“Não é permitido entrar com alimentos. Os argentinos presentes foram escoltados desde Copacabana, revistados no local, os ônibus também e depois na entrada do estádio. Dentro do estádio na arquibancada, não acredito que tenha acontecido (racismo). Pois com certeza os torcedores procurariam a polícia, e o policiamento estava em volta das duas torcidas. Não digo que não ocorreu. O certo é que o policiamento permaneceu todo tempo com a torcida Argentina, seguranças privados também , não foi observado e nem torcedores procuraram relatando o fato”, assegura o Major que lidera o Gepe.

Evidentemente pode ter ocorrido ação isolada de alguma pessoa não observada por seguranças e policiais. “Pode ter sido lançada em um gesto isolado. É tudo suposição, oficialmente nada chegou” reforçou Márcio Nogueira, ressaltando que as torcidas não se vêem devido a um plástico preto separando-as. “Estive no meio da torcida (do Racing) e pude observar que existiam muitas mulheres e crianças, também acho pouco provável a torcida do Vasco ter plantado isso” diz o Superintendente de Patrimônio do clube carioca.

Racismo é crime, algo abominável e que deve ser combatido e denunciado. Gaúchos não são um povo racista porque certa vez torcedores em Porto Alegre ofenderam o goleiro Aranha, então no Santos. Tampouco cariocas merecem esse rótulo devido à atitude do gênero registrada contra familiares de Vinicius Júnior, do Flamengo, durante um clássico disputado no Rio de Janeiro. Argentinos também não são obrigatoriamente racistas porque um torcedor idiota imitou macaco em dezembro e outros em abril - palmeirenses reclamaram de alguns do Boca Juniors, em Buenos Aires, quarta-feira. A generalização leva à xenofobia, tão abjeta quando o racismo e outras demonstrações gratuitas de ódio pela cor da pele ou origem de seres humanos.

E jornalismo se faz com informações, não suposições. Se novos fatos forem apurados, atos racistas confirmados e responsáveis identificados, os mesmos deverão ser punidos de acordo com a lei. Mas desconfiar de que um estrangeiro foi racista não dá a ninguém o direito de ser xenófobo. Já temos problemas demais em nossa sociedade, absurdo alimentar ódio entre povos por causa de ações isoladas de raros biltres ou meras suposições.


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CBF pede explicações ao Vasco sobre empréstimo de empresário com 'fatiamento' de Paulinho

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

A Diretoria de Registros, Transferências e Licenciamento da CBF está solicitando ao Vasco da Gama informações relativas ao empréstimo feito pelo empresário de jogadores Carlos Leite ao clube, que deverá explicar os detalhes de tal operação. O blog de Gabriela Moreira publicou que, antes de deixar a presidência, Eurico Miranda repassou 20% do atacante Paulinho para o agente, que é credor do Vasco.

Há diferentes situações em casos do gênero, o que justifica a cobrança da Confederação. Uma seria a concessão do empréstimo e quando algum dinheiro entrar no caixa a dívida é quitada. Há outra que seria pegar o dinheiro e ceder um percentual do atleta Paulinho para que essa "fatia" quitasse a dívida, o que seria ilegal pelas regras da Fifa.

Leia também: Vasco vende Paulinho ao futebol alemão

Por isso o departamento da CBF responsável pela área está solicitando esclarecimentos sobre os termos desse empréstimo e seu pagamento com suposto fatiamento do jogador. É um pedido de informações sobre as duas situações, a forma como a dívida será quitada e se aconteceu, ou não, a divisão dos direitos sobre o atleta envolvendo o empresário.

Convocação para reunião do Conselho do Vasco, realizada na terça, quando o empréstimo foi tema em pauta
Convocação para reunião do Conselho do Vasco, realizada na terça, quando o empréstimo foi tema em pauta Reprodução

Em sua conta no Twitter, o advogado especializado Marcos Motta explicou, obviamente em tese, por não conhecer os termos do contrato; o que não é permitido: "Recebeu aporte financeiro de terceiros? Individualizou a garantia com a venda de determinado atleta? A Fifa considera, prima facie (prova que é suficiente para permitir a suposição), TPO ("Third Party Ownership", o seja, participação de terceiros nos direitos econômicos)".

Didático, Motta reproduziu trechos do Regulamento da Fifa, deixando claro que "é vedado que um terceiro obtenha o direito de receber parte ou a integralidade de valores pagos ou a serem pagos por uma eventual transferência de atleta entre clubes". E mais: "Entende-se como terceiro quaisquer outras partes que não sejam os dois (2) clubes participantes da transferência do atleta ou qualquer outro clube ao qual o atleta tenha sido registrado anteriormente".

Ao blog, Motta acrescentou que caso a TPO seja conformada, o clube em questão pode ser punido: "De multa a impedimento de novas contratações por dois períodos de registro". A CBF frisa que, se as explicações do Vasco não eliminarem a suspeita de TPO e houver denúncia ou "briga" por parte de algum envolvido, o caso pode ser levado à Câmara Nacional de Resolução de Disputadas (CNRD). É nela que são decididas eventuais punições ou disputas financeiras, de acordo com o Regulamento de Intermediários da Fifa.

A palavra do Vasco: Sem ter sido ainda notificado, o clube informou ao blog que "Carlos Leite não tem participação nos direitos do atleta". O Vasco acrescentou detalhes do acordo, por intermédio da assessoria do presidente Alexandre Campello: caso venda Paulinho na próxima janela de transferências internacionais, acertará de imediato a dívida com o agente. "Mas ele não tem direitos, e sim comissionamento, como qualquer empresário", completou.


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CBF pede explicações ao Vasco sobre empréstimo de empresário com 'fatiamento' de Paulinho

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Presidente 'bom de finanças' diz que não pode baratear ingressos, pois pagaria para jogar. Mas o Flamengo já faz isso

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN

"A gente procura praticar uma política de preços que privilegie tanto o torcedor, as possibilidades do torcedor, mas também a saúde financeira do clube. Não adianta nada, não gostaria de fazer nenhum tipo de demagogia, não adianta nada você colocar os ingressos a R$ 5, você vai privilegiar os cambistas, você vai ter problemas de acesso e você vai ter que pagar para jogar, porque vocês sabem muito bem que as taxas do Maracanã não são nada camaradas com os clubes que jogam".

Foram essas as palavras do presidente do Flamengo depois da festa popular realizada na tarde de terça-feira, com o treino aberto que levou perto de 50 mil rubro-negros ao Maracanã. Assim Eduardo Bandeira de Melo respondeu aos repórteres, minutos depois de ouvir apelos de torcedores por ingressos mais baratos, em coro, com a arquibancada pedindo em peso, e pessoalmente, no contato com quem estava perto do gramado (veja no vídeo abaixo). 

 A política de preços dos ingressos adotada pelo Flamengo está contaminada pelo Sócio Torcedor, que é ruim, tendo como único apelo o desconto nos preços dos tíquetes. Sem atrativo para quem mora fora do Rio de Janeiro (a maioria da torcida rubro-negra), sufoca quem não é associado, e muitos não aderem ao programa por falta de dinheiro mesmo. O clube se orgulha de ter "40 milhões de torcedores", mas não consegue ir muito além dos 100 mil sócios. Pífio!


Evidentemente ainda assim a receita gerada pelo programa é importante, mas parte dela se esvai em jogos deficitários, que o Flamengo faz aos montes, apesar de o presidente discursar como se os ingressos caros lhe assegurassem receita. Fora as partidas de maior apelo ou em bons momentos do time, as aparições rubro-negras são deficitárias até no pequeno estádio da Ilha do Urubu, onde passou a atuar em 2017, com seus cerca de 20,5 mil lugares.

No recém-encerrado Campeonato Carioca, o Flamengo registrou um prejuízo de R$ 321.408,08, segundo o site Chute Cruzado — clique aqui e leia. Dos 15 jogos, só cinco não tiveram resultados negativos, quatro deles vendidos para fora, com cota fixa (dois em Cariacica, um em Brasília e outro em Cuiabá). Dentro do Estado do Rio, o único que não ficou no vermelho foi contra o Macaé, na cidade de mesmo nome. Lucro de esquálidos R$ 14.900,00.

Se o Estadual não é um bom parâmetro, voltemos ao Brasileiro de 2017. Os jogos do primeiro turno na Ilha do Urubu ficaram no azul, com ingressos caros e o time ainda motivando a torcida, o que fez os sócios comparecerem. Quando a equipe virou a metade do campeonato, os associados se desinteressaram e os que não integram o programa Nação Rubro-Negra acabaram barrados pelo bolso. Resultado: públicos vergonhosos, cinco abaixo de 10 mil pessoas e resultados negativos (veja quadro).

Jogos do Flamengo na Ilha do Urubu no Brasileiro 2017: prejuízo em todos as partidas do returno
Jogos do Flamengo na Ilha do Urubu no Brasileiro 2017: prejuízo em todos as partidas do returno .

Na prática o não sócio, se for ao jogo, subsidiará quem pertence ao programa. Poucos vão. Um jogo que chamou a atenção foi diante do Atlético Goianiense. Dos 7.082 presentes, apenas 782 (11%) compraram tíquetes como não sócios. Naquela partida contra um dos mais fracos times da Série A, rebaixado ao final como lanterna; os preços para quem não era associado foram R$ 120 (meia R$ 60), R$ 150 (R$ 75) E R$ 180 (R$ 90). Os sócios pagaram um terço da inteira (R$ 40, R$ 50 e R$ 60) de acordo com o setor do estádio. Contra o São Paulo as cifras mais assustadoras para os não sócios, que desembolsaram R$ 200 (R$ 100 a meia entrada), R$ 280 (R$ 140) e R$ 360 (R$ 180). Eles eram 597 apenas, ou 3% dos 17.302 presentes à Ilha naquele domingo. 

Todas as partidas lá realizadas deram prejuízo no segundo turno. Quando o Flamengo precisava de pontos para se classificar à Copa Libertadores, os preços foram reduzidos para as duas últimas aparições, contra Corinthians e Santos. O público melhorou, os que adquiriram ingressos de não sócios foram 30% dos presentes, mas a renda não se elevou. Uma das razões: os valores pagos pelos associados são bem inferiores à meia entrada e se há redução para os demais, eles pagam valores bem pequenos, R$ 14 contra os corintianos, por exemplo.

Tal desequilíbrio fez surgir proposta interna que colocaria Norte e visitante pagando R$ 50 a inteira, com meia e sócio por R$ 25. No Leste, Oeste e Sul os valores seriam R$ 60 e R$ 30. Com 15 mil pessoas e um preço médio de R$ 40 por pagante, seriam alcançados os cerca de R$ 600 mil necessários para zerar a conta de cada peleja na Ilha. Renda abaixo disso é prejuízo certo por lá. Seria uma saída razoável num momento em que o time não empolgava, a ponto de o setor sul ficar vários jogos fechado, ele nem era aberto porque sabiam que não haveria demanda. Mas a ideia foi rejeitada.

O sócio torcedor teria como vantagem a prioridade, algo valioso num estádio tão diminuto. E nos cotejos realizados no Maracanã, pela maior oferta de lugares, outros benefícios poderiam ser agregados. Como o programa não tem outros atrativos além dos generosos descontos nos ingressos, que empurram para as alturas os valores pagos pelos não associados, os cartolas morrem de medo de mexer nisso. Não arriscam, não buscam soluções, mantêm o povão afastado e o sócio, em massacrante maioria, só vai na boa mesmo.

Pior, já passa dos R$ 20 milhões o investimento na Ilha do Urubu, entre montagem de arquibancadas, vestiários, campo, além manutenção e aluguel pago à Portuguesa. Interditada devido à queda de duas torres de iluminação, a cancha será reaberta apenas depois da Copa do Mundo, com os reparos gerando novos custos iniciais — o clube promete buscar, na justiça, o ressarcimento do que investiu. E sem o local, desembolsa em aluguéis de Engenhão e Maracanã.

Barbieri dá entrevista após o 1 a 1 com o Santa Fé, enquanto o presidente (casaco vermelho) olha o celular. Ao fundo, o CEO
Barbieri dá entrevista após o 1 a 1 com o Santa Fé, enquanto o presidente (casaco vermelho) olha o celular. Ao fundo, o CEO Reprodução

No turno do Brasileirão passado foram arrecadados R$ 2.457.408,96 em sete jogos na Ilha do Urubu, média de R$ 351.05842. Já na segunda metade do torneio, que o Flamengo iniciou a 18 pontos do líder, Corinthians; os associados se desinteressaram, os preços para não sócios seguiram altíssimos e todas as partidas ficaram no vermelho em seus borderôs. Um negativo de R$ 874.296,08 ou R$ 109.287,01 por peleja. Resultado pífio para um presidente que muitos acreditam ser "bom de finanças".

Tal crendice se deve ao fato de o Flamengo ter passado por uma revolução em sua gestão, com redução de dívidas e avanços significativos em diferentes áreas. Na verdade, obra arquitetada por outros dirigentes, ex-dirigentes e profissionais que passaram pelo clube ou seguem por lá. O futebol rubro-negro segue mal e sob interferência do mandatário, que admitiu aos repórteres, após o empate com o Independiente Santa Fé, que não entende do assunto (vídeo baixo).


O torcedor pode lamentar que, ao contrário do que fez na parte administrativo-financeira, ele não delegue. O mesmo vale para a questão dos preços de ingressos, vinculada à vice-presidência de marketing, mas que depende do crivo presidencial e do CEO, Fred Luz. Assim, o time segue sem render e incapaz de reencontrar o seu povo. E o Flamengo sem sua gente não é Flamengo, mas apenas um time comum. É esse aí que se vê em campo.

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Cansados de Carpegiani, jogadores do Fla veem Barbieri como ‘da escola de Zé Ricardo’ e o querem como técnico

Mauro Cezar Pereira
Mauro Cezar Pereira, jornalista da ESPN, de Buenos Aires (ARG)
Barbieri durante treino do Fla
Barbieri durante treino do Fla Reprodução

O Flamengo não tem “panelas” no seu elenco. Na verdade há um grande “caldeirão” que abriga praticamente todos os jogadores. Até os recém-chegados têm se incorporado ao grupo e suas reuniões. Mas o que parece ser o ideal, toda essa união, tem efeitos colaterais. O grupo se transformou numa espécie de organismo com vida e pensamentos próprios. Elos difíceis de serem rompidos e que os fortalecem ante cobranças de fora.

Unidos, se encontram com com frequência nas horas vagas e até familiares dos atletas criaram relações de amizade. Não são raras postagens de grupos formados por mulheres dos jogadores rubro-negros em redes sociais. Amigos! Ou pelo menos companheiros. Próximos, uns mais dos que outros, evidentemente, mas todos são bem agregados.

Pouco antes de 1 hora da madrugada de sábado para domingo eles desembarcaram voltando do amistoso em Goiânia (3-1 no Atlético-GO). Horas depois, oito jogadores estiveram reunidos na casa de um dos líderes do grupo. Nos assuntos em pauta, o desejo geral pela manutenção de Mauricio Barbieri como técnico. 

Entre os boleiros, o que se diz é que o interino vem da mesma escola de Zé Ricardo, com trabalhos melhores e orientações mais objetivas nos treinos. Havia um grande desgaste com Paulo César Carpegiani, visto como repetitivo nas atividades e com algumas manias. Além disso, dizem que o treinador costumava ignorar parte do que conversavam com ele sobre orientação tática, marcação, pressão, alerta pra algum buraco, etc.

Fato é que o Flamengo não foi capaz de vencer o Fluminense, perdendo a chance de decidir a Taça Rio. Seis dias depois, não conseguiu marcar no Botafogo, tomou um gol e foi eliminado na semifinal do Estadual quando precisava apenas de um empate. Com isso, não alcançou a decisão do campeonato. E Carpegiani foi demitido, juntamente com o diretor Rodrigo Caetano, este sim, parceiro de vários integrantes do elenco. 



Dois dias depois da eliminação no Carioca, o elenco procurou o vice-presidente de futebol, Ricardo Lomba, para questionar suas reclamações públicas após a derrota para o Botafogo. O entendimento dos jogadores é de que o dirigente recuou, especialmente quanto à afirmação de que não correram. Para isso lhe mostraram os registros de quilometragem percorrida do GPS. Para o grupo, o dirigente foi enquadrado.

Fato, quem ousou enfrentar o “caldeirão” não se saiu bem até aqui. E o presidente do clube é claramente favorável ao elenco, que deseja Barbieri e o terá. Se isso é bom para o Flamengo, como diria o filósofo, só o tempo dirá. Até agora a combinação entre o cartola e seus jogadores protegidos só acumula fracassos. Que desafio colocam nas mãos do jovem treinador! Boa sorte a Maurício Barbieri. Ele vai precisar.

 

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