João Danado

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

João Batista Nunes de Oliveira fez 214 partidas pelo Flamengo. Marcou 99 gols, quase meio por jogo. Além da bela média, muitos foram decisivos, tentos dos grandes, imensos. Que jogador de futebol marcou num intervalo inferior a dois anos em duas finais de campeonato nacional, um na decisão estadual mais disputada da história do Rio de Janeiro e dois num cotejo valendo o troféu de campeão do mundo? A resposta é Nunes, o “João Danado”. 

Chegou ao Flamengo durante o  Brasileiro de 1980, após rápida passagem pelo Monterrey. Um tanto esquecido no México, logo fez todos se lembrarem dele. Na estreia, um 2 a 2 com a Ponte Preta no Maracanã, marcou um gol e deu passe para Zico no outro. Fez dois na final daquele que foi o primeiro título nacional do clube, contra o Atlético Mineiro. Também marcou o tento decisivo na segunda vez que os rubro-negros foram campeões do país, 1 a 0 sobre o Grêmio em Porto Alegre. 


Entre essas duas finais, Nunes assinalou um gol sensacional na decisão carioca mais disputada da história. Em 1981, o Vasco vencera um turno e o Flamengo dois, além de ter a melhor campanha. Por isso, o time de São Januário precisava derrotar o rival três vezes. Venceu duas (2 a 0 e 1 a 0), gols de Roberto Dinamite. Na peleja decisiva, diante de 161.989 pagantes, o placar de 2 a 1 deu a taça aos flamenguistas com o goleador chutando de longe e a bola entrando na meta vazia, deixada pelo goleiro Mazaropi, que saíra para disputá-la com o Júnior. 

Uma semana depois, no Japão, Nunes meteu dois em Flamengo 3 X 0 Liverpool. Era o Mundial comandado por Zico, com a marca do artilheiro das grandes decisões. Uma alcunha perfeita para o entrevistado do Bola da Vez Nordeste, que gravamos há alguns dias na ESPN — no ar nesta segunda-feira, às 21h30, na ESPN Extra, quarta para qiunta à 1h40 na ESPN Brasil e quinta-feira às 15h50 na ESPN+ - sempre horário de Brasília. 

Da arquibancada e da geral do velho Maracanã, acompanhei muitos dos quase 100 gols feitos pelo camisa 9 vestindo preto e vermelho. Também o vi de perto mandando a pelota nas redes por Fluminense e Botafogo. Mas de rubro-negro é que o João era mesmo danado. Merecidamente um ídolo. 

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Ida antecipada de Mina para o Barcelona eleva faturamento do Palmeiras em mais de R$ 12,2 milhões

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br


Basta a assinatura do Barcelona na documentação de transferência para o zagueiro Yerry Mina, de 23 anos, ser jogador do time catalão já neste começo de 2018. A negociação antecipada elevará em mais de R$ 12,2 milhões o faturamento do Palmeiras na negociação.

Gazeta Press
Yerry Mina sairá do Palmeiras antes do previsto e Barcelona pagará mais
Yerry Mina sairá do Palmeiras antes do previsto e Barcelona pagará mais

Se Mina fosse para a Espanha em julho, como inicialmente acertado com o Barça, o clube espanhol pagaria € 9 milhões e o Palmeiras receberia € 6.840.000.
Com o zagueiro indo agora para a Europa, o clube europeu desembolsará € 12,39 milhões, ficando para o time brasileiro € 10 milhões líquidos.

Do total, € 450 mil iriam para o clube formador, Deportivo Pasto, pagos pelo Barcelona; com o Independiente Santa Fé, detentor de 20%, levando aproximadamente € 1,8 milhão em cima do valor estipulado de € 9 milhões.

Se Mina deixasse o Brasil em julho, o Palmeiras embolsaria menos € 3,160, já que os catalães subiram os valores para obter a liberação imediata do colombiano. Os dirigentes do Independiente Santa Fé já assinaram a documentação.

O ex-presidente Paulo Nobre pagou US$ 3 milhões quando da contratação de Mina. Significa que cerca de € 2,5 milhões irão reembolsá-lo, cabendo ao Palmeiras o equivalente a pouco mais de R$ 29 milhões, já descontado o que o ex-dirigente desembolsou em 2016. Segurando Mina por mais alguns meses, o clube brasileiro receberia R$ 16,8 milhões.

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Do Fluminense ao Sport e agora São Paulo, a surpreendente valorização de Diego Souza

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Quando recontratou Diego Souza junto ao Fluminense, em março de 2016, o Sport se comprometeu a pagar, em euros, o equivalente a R$ 2,4 milhões por metade dos direitos sobre o atleta. Agora o jogador está chegando ao São Paulo por mais de quatro vezes tal quantia (R$ 10 milhões) e dois anos mais velho. Como o tricolor paulista adquire o meia por inteiro, trata-se de uma valorização superior a 100%. Mas, essas cifras se justificam pelo que fez em campo?

Gazeta Press
Diego Souza comemora gol com a camisa do Sport em 2017
Diego Souza comemora gol com a camisa do Sport em 2017

Entre 2016 e 2017, o meia revelado pelo Fluminense acumulou, entre Copa do Brasil, Série A e Sul-americana, 71 jogos e 25 gols (0,35 de média). Para isso finalizou 178 vezes (um tento a cada 7,1 arremates), deu 12 assistências, próximo de uma a cada seis cotejos; e criou 110 chances de gol, em média 1,5 por peleja.

Armando Paiva/Agif/Gazeta Press
Diego Souza com a camisa do Fluminense ao retornar em 2016 ao clube que o revelou
Diego Souza com a camisa do Fluminense ao retornar em 2016 ao clube que o revelou

Diego é um bom jogador, tem técnica, versatilidade e experiência, mas a valorização é desproporcional pelo que mostrou nas duas últimas temporadas. O fato de ter sido convocado para a seleção brasileira não muda isso, afinal, tem 32 anos e Tite dele se lembrou em parte por vê-lo como possível centroavante, posição onde a carência é monstruosa. E ele jamais foi um “9”.

ESPN/TruMedia
Finalizações de Diego entre 2016 e 2017 por competições nacionais e internacionais
Finalizações de Diego entre 2016 e 2017 por competições nacionais e internacionais

Com a camisa do Sport, Diego Souza disputou 173 partidas e marcou 57 gols (0,33 de média), incluindo campeonatos estaduais. Só conquistou o título pernambucano de 2017. Desde que voltou do Metalist Kharkiv da Ucrânia, em 2014, somou, em certames nacionais e internacionais, 129 partidas, com 39 gols (0,30 de média). Finalizou 288 vezes (um tento a cada 7,4 arremates) e deu 25 assistências, uma a cada 5,1 pelejas. Criou 204 chances de gol, 1,5 por cotejo.

ESPN/TruMedia
Pratto é um '9' de movimentação, mas aparece bem mais na área do que Diego
Pratto é um '9' de movimentação, mas aparece bem mais na área do que Diego

O Sport foi mais competente na negociação. Conseguiu valorização superior a 100% na venda de um jogador que estava desgastado no clube e recentemente foi alvo de protestos da própria torcida do time pernambucano. Mas para o torcedor do São Paulo, acostumado a ver seus dirigentes venderem sem parar, a presença em campo de um jogador capaz de trazer retorno técnico é o que importa.

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Fla torce para que Rueda comunique sua saída na 2ª feira. Carpegiani está pronto para substituí-lo

O Flamengo torce para que Reinaldo Rueda comunique nesta segunda-feira a sua demissão. Internamente a avaliação do departamento de futebol é de que, depois de toda a novela envolvendo uma saída para a comandar a seleção do Chile, o colombiano não teria mais ambiente para seguir à frente do elenco rubro-negro. Imaginam que o desgaste provocado pela indefinição quanto à permanência tornaria a continuidade do trabalho inviável.

Haveria, acreditam, imensa pressão da torcida sobre ele em qualquer momento de instabilidade da equipe. Por isso, esperam o pedido de rescisão contratual do treinador, o que faria o clube receber, e não pagar a multa por quebra de contrato, em torno de US$ 600 mil — cerca de R$ 2 milhões. Paulo César Carpegiani, que inicialmente seria um coordenador técnico, está pronto para assumir o cargo, caso o estrangeiro realmente deixe o clube carioca.

GettyImages
O técnico Reinaldo Rueda orienta o time do Fla contra o Independiente
O técnico Reinaldo Rueda orienta o time do Fla contra o Independiente

Rueda tem voo marcado para o Rio de Janeiro, proveniente da Colômbia, com chegada prevista para segunda-feira. Em meio a todo o noticiário da imprensa chilena sobre sua contratação para treinar a seleção “Roja”, segundo o Flamengo ele sempre disse aos dirigentes brasileiros que voltaria ao trabalho na data marcada, 8 de janeiro. O técnico até o momento não se manifestou publicamente a respeito.

Em 31 jogos, o treinador campeão da Libertadores pelo Atlético Nacional de Medellín soma 13 vitórias, 10 empates e oito derrotas. O Flamengo sob seu comando até aqui marcou 39 gols e sofreu 26. Se retornar, Carpegiani estará reassumindo a função que deixou pela última vez há quase 18 anos, em abril de 2000. Aquela foi sua segunda passagem. A primeira teve início em julho de 1981.

ESPN
Paulo César Carpegiani em seu útimo trabalho, pelo Bahia, em 2017
Paulo César Carpegiani em seu útimo trabalho, pelo Bahia, em 2017

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Do atual Rueda fica ou vai ao 'Waldemar é o c...': lembre a campanha do técnico mais inesquecível da internet

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em tempos de Reinaldo Rueda fica (no Flamengo) ou vai (para a seleção do Chile), passagens curiosas envolvendo treinadores são lembradas. Inevitável, obrigatório, forçoso, necessário, imprescindível, fundamental, essencial lembrar o episódio que teve como personagem central Waldemar Lemos. “Waldemar é o c...”, gritavam torcedores furiosos quando do anúncio do então novo técnico rubro-negro, há quase 15 anos. Mas ele se saiu melhor do que esperado, sabia?

Fernando Maia/O Globo/Gazeta Press
Waldemar Lemos comanda treino no Flamengo em sua segunda passagem pelo clube
Waldemar Lemos comanda treino no Flamengo em sua segunda passagem pelo clube

Em 2003, o Flamengo era presidido por Hélio Paulo Ferraz, que um dia se candidatara ao senado como “Super Helinho” e substituíra Edmundo Santos Silva, alvo de um impeachment. Oswaldo de Oliveira era o treinador, e se demitiu após uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, alegando falta de estrutura e cansado da confusão política no clube. Os cartolas quase fecharam com Geninho, campeão brasileiro com o Atlético Paranaense dois anos antes, mas não houve acordo. 

Nos sete últimos jogos sob o comando de Oswaldo, perdeu quatro venceu duas e empatou uma vez. O time era 10º na classificação antes da má sequência, a sete pontos da vaga na Copa Libertadores, 14 à frente da região do rebaixamento. Depois dos insucessos que geraram o pedido de demissão do treinador, o Flamengo aparecia em 12º, com 48 pontos, 12 atrás da zona de classificação para o torneio internacional e 10 acima da degola para a segunda divisão.

Então veio o grande dia. Acatando sugestão de Edílson, entre outros jogadores, os indecisos dirigentes efetivaram Waldemar Lemos, auxiliar e irmão de Oswaldo. O anúncio, feito pelo diretor de futebol Eduardo Moraes, conhecido como “Vassoura”, se transformou num vídeo imortal nas redes sociais, que sequer existiam naqueles tempos. Hoje é fácil notar que, na ESPN Brasil, o repórter Cícero Mello fez uma matéria à frente do seu tempo (abaixo).

Com dois meses de salários atrasados e o time numa zona intermediária da tabela, a desmotivação era clara no elenco e na torcida (5.414 foram ao Maracanã) antes da primeira partida sob o comando do irmão de Oswaldo. Com gols de Rafael e Edílson, cabo eleitoral do treinador promovido, o Flamengo venceu o Paysandu por 2 a 0. “Ninguém vai tirar o meu sorriso”, disse Waldemar, que escalou Júlio César; Rafael, Fernando, Fabiano Eller e Gaúcho; Jônatas, Fábio Baiano, Róbson (André Bahia) e Igor (Vinícius); Edílson e Jean (Zé Carlos).

Foram 10 partidas ao todo, 18 pontos em 30 possíveis, 60% de aproveitamento, o que levaria o Flamengo a terceiro posto ao final, se fosse esse o desempenho em todo o campeonato. Antes de Waldemar o índice era de 44,4%. Com ele, o Flamengo derrotou o Atlético quando o Galo estava na zona de Libertadores e o São Paulo, terceiro colocado da Série A, no Morumbi. Foi a despedida do treinador. 
 
Waldemar é (foi)...
10 Jogos
5 vitórias
2 derrotas
3 empates
15 gols pró
14 gols contra
18 pontos ganhos
60% de aproveitamento
Os cotejos:
Flamengo 2 x 0 Paysandu
Figueirense 0 x 0 Flamengo
Flamengo  2 x 1 Grêmio
Juventude 2 x 2 Flamengo
Flamengo 3 x 2 Atlético-MG
Fortaleza 4 x 1 Flamengo
Flamengo 1 x 0 Criciúma
Internacional 3 x 1 Flamengo
Flamengo 1 x 1 Ponte Preta
São Paulo 1 x 3 Flamengo

Waldemar Lemos voltaria em 2006, chegando à final da Copa do Brasil. Foi absurdamente trocado por Ney Franco (ex-Ipatinga) antes da final com o Vasco. Na segunda passagem ele fez 19 jogos, nove vitórias, cinco empates e cinco derrotas, 56% de aproveitamento. Nada mal. E ainda perdeu a chance de erguer a taça de um título nacional ao ser substituído pelo treinador que ele eliminou na semifinal. Pouco reconhecido, pelo menos não ficou esquecido. Provavelmente jamais será. “Waldemar é o ...” Campeão moral da Copa do Brasil de 2006. 

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