Finalmente um clube se coloca contra o PPV solitário do Athletico

Erich Beting
Erich Beting




Após quase um ano, um clube de futebol brasileiro se colocou contra a venda unilateral dos direitos de transmissão de seus jogos. O Corinthians acaba de anunciar que irá à Justiça para impedir que a partida de domingo, contra o Athletico Paranaense, seja transmitida por outros meios que não a Furacão Live, plataforma paga do clube, e a TV Globo.

A decisão do Corinthians é inédita e coloca fim a uma certa “tranquilidade” que o Athletico vinha tendo após a Justiça do Paraná entender que ele poderia, amparado na então Medida Provisória de 18 de junho de 2020, vender os direitos de transmissão de seus jogos como mandante.

O Athletico tinha conseguido ganhar da Globo na argumentação de que a venda acontecia sem ferir o acordo que ele tinha com a emissora, válido apenas para a TV aberta. Agora, pela primeira vez, um clube se coloca contra o Furacão, o que pode mudar o entendimento da Justiça, já que a MP não está mais em vigor. Além disso, o interessado não é mais uma empresa parceira do Athletico, mas um terceiro que, pela lei que vale atualmente, tem os mesmos direitos de comercialização dos jogos que o clube paranaense.

Jovem Pan anunciou transmissão com imagens de jogo do Athletico x Corinthians
Jovem Pan anunciou transmissão com imagens de jogo do Athletico x Corinthians Divulgação/Jovem Pan

O caso poderá não dar em nada, mas pode acender uma importante discussão sobre quais os direitos e deveres dos clubes de futebol para melhorar a indústria como um todo. O Athletico não aceitar o valor que a Globo ofereceu pelo PPV está correto. Mas o direito dele de sair fazendo tudo sozinho termina a partir do instante em que essa atitude começa a prejudicar a própria cadeia produtiva do futebol como um todo.


Jogadores do Athletico-PR comemoram
Jogadores do Athletico-PR comemoram José Tramontin/athletico.com.br

O princípio de união dos clubes em torno de uma liga é o entendimento de que eles não são concorrentes entre si. Pelo contrário, precisam se unir para ampliar a força da liga como produto. É exatamente isso o que menos existe hoje entre os dirigentes do futebol no Brasil. E o caso do Athletico é mais uma prova disso.

O clube é o único a não assinar o pay-per-view, o único a não ter acordo com a Sport Promotion para venda de placas de publicidade e, de uns tempos para cá, ficou isolado também no debate sobre os princípios de formação da liga de clubes.


Messi toca para Neymar, recebe de volta e bate de canhota, de primeira, para marcar em treino do PSG


  




         



Agora, pela primeira vez, existe um confrontamento na Justiça vindo de outro clube sobre o comportamento do Furacão. Pode ser o escândalo que faltava para que o debate sobre união dos clubes volte a ganhar força e, mais ainda, que finalmente os dirigentes entendam que o melhor negócio para eles é unir para, só depois, repartir o bolo.

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Legado da pandemia pode ser ingresso menos caro para o torcedor

Erich Beting
Erich Beting
Mosaico da torcida do Palmeiras no Allianz Parque
Mosaico da torcida do Palmeiras no Allianz Parque Twitter

O Palmeiras e a WTorre fecharam um acordo para liberar um setor de ingressos em pé para jogos no Allianz Parque, ao custo de R$ 40 por pessoa. Ao mesmo tempo, o Grêmio reduziu em pelo menos 50% o valor cobrado pelos bilhetes em sua Arena no jogo contra o Juventude. Em relação à partida contra o Cuiabá, foram 11 mil torcedores a mais no estádio e quase R$ 500 mil a mais de faturamento bruto.

Os dois casos mostram, ainda que de forma tímida, aquele que pode ser um dos “legados” da pandemia e que, curiosamente, os gestores brasileiros não queriam enxergar.

O valor dos ingressos para os jogos de futebol no Brasil vinha sofrendo um aumento sistemático desde 2014, quando os novos estádios para a Copa do Mundo começaram a ser usados com mais regularidade. Com custos mais altos para a manutenção dos aparatos, os donos dos estádios cobraram cada vez mais dos torcedores para irem aos jogos.

O sucesso financeiro do Palmeiras no Allianz Parque, do Corinthians em Itaquera e do Flamengo no Maracanã pareciam mostrar que o único caminho para os clubes seria esse. Joga a conta no colo do torcedor, fatura como nunca com bilheteria e o cenário fica perfeito.

Na volta da pandemia, o apetite dos dirigentes parece ter ficado ainda maior. Precisando voltar a lucrar com a venda de bilhetes, os clubes levaram lá para o alto o valor dos ingressos, acreditando que o torcedor estaria ávido por frequentar os estádios após a reabertura dos portões.

O interesse em consumir o futebol ainda existe, e isso é latente. Mas a que custo?

O futebol precisa acordar para a realidade de o bolso cada vez mais vazio, ou, na melhor das hipóteses, mais apertado, do consumidor. Se quiserem ganhar mais com a venda de ingressos, os times precisam cobrar menos pelos ingressos. O Grêmio dá a primeira mostra de que há um caminho. O Palmeiras terá, mesmo que de forma tímida, uma primeira experiência para aproximar o futebol do torcedor menos “privilegiado”.

Se a moda finalmente pegar, o futebol brasileiro aprende que com mais gente pagando menos é possível ganhar mais dinheiro do que com pouca gente pagando muito. Até porque o evento não é tão especial assim para custar tão caro.

No final das contas, o legado da pandemia pode ser o ingresso menos caro para o torcedor. Não dá para dizer, também, que R$ 40 seja “barato”...

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FIFA assume o risco ao ir para “carreira solo” nos e-Sports

Erich Beting
Erich Beting

Logomarca da divisão de e-Sports da FIFA
Logomarca da divisão de e-Sports da FIFA Divulgação/FIFA

A bomba da última sexta-feira (15) foi a confirmação, por parte da FIFA, de que a entidade vai encerrar o acordo com a Eletronic Arts e, a partir de 2023, deverá desenvolver seu próprio game para abraçar o mercado de e-Sports. A ruptura do contrato de duas décadas com a divisão EA Sports faz parte de um audacioso plano da FIFA, de faturar cada vez mais com a divisão de jogos eletrônicos.

A ideia de ir para a carreira solo vem sendo gestada dentro da FIFA há dois anos e foi intensificada com a pandemia, quando os desenvolvedores de games faturaram como nunca, sendo o único ramo do segmento de entretenimento que não sofreu durante a pandemia. Mas o que significa, necessariamente, ir navegar num mar nunca antes tentado por qualquer entidade esportiva? Basicamente o que a FIFA quer é fazer algo parecido com desistir de vender para várias empresas de mídia a transmissão da Copa do Mundo e montar o próprio canal de TV.

No mercado de mídia, porém, isso é improvável, já que seria necessária uma estrutura enorme para dar conta de produzir imagens e transmissões com narração e comentários para tantos países.

Já no mercado de games, o sonho é mais “simples”. E a chance de a conta de ter uma divisão de games e e-Sports própria fechar é muito maior do que no universo dos direitos de transmissão.

Pelo comunicado que a FIFA divulgou, o primeiro passo está dado. A entidade negocia para um desenvolvedor montar o jogo. Provavelmente esse será o maior custo que ela terá com o projeto. Nesse caso, até mesmo a EA Sports pode entrar como parceira do negócio.

O que acontece daqui para a frente, porém, é o que pode ser o grande “pulo do gato” ou a “rota para o fracasso”. A FIFA precisa assumir uma posição que nenhuma entidade até hoje fez, que é virar uma produtora de jogos. O sucesso de Riot Games, EA Sports, 2K e outras do gênero é o que leva a entidade a acreditar que será mais vantajoso financeiramente para ela assumir essa gestão do que seguir vendendo os direitos a um desenvolvedor, que fica com todo o “bônus” que acompanha a chancela de ser “o dono do jogo”.

No contrato com a EA Sports, a FIFA não tem poder de fazer o que quiser com o jogo que leva o seu nome. Pode parecer estranho, mas é assim que funciona. A Eletronic Arts paga US$ 150 milhões ao ano para ter o direito de colocar o nome da FIFA no game, mas é dela toda a promoção, criação de campeonatos, etc.

Foi exatamente sobre isso que a FIFA quis ter poder. Mais do que o jogo em si, o que a entidade quer é unir o universo do e-Sports com o do esporte real. Fazer a Copa do Mundo presencial e virtual simultaneamente é um sonho muito capaz de acontecer em 2026, quando o Mundial será no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

E é a possível união dos ambientes virtual e real que move a entidade para a carreira solo. A expectativa da FIFA é de que, dos atuais US$ 150 milhões que ela recebe com a divisão de esportes eletrônicos, a receita salte para cerca de US$ 1 bilhão, com eventos, venda de produtos licenciados e patrocínios.

O problema é que a entidade chega para o jogo num mar que já tem duas marcas consolidadas: EA Sports e Konami. Ambas já se movimentaram nos últimos meses.

A Konami anunciou a mudança do PES para o e-Football, game que passa a ser gratuito e que tem itens que passam a ser comprados pelos jogadores do mundo todo. É uma democratização do acesso a games de futebol como nunca aconteceu antes. Da mesma forma, a EA já registrou a marca EA Sports FC e tratou de renovar alguns contratos com franquias como UEFA e Serie A.

A briga promete ser boa. E, caso a FIFA seja bem-sucedida, abrirá um precedente para diversas outras entidades esportivas buscarem acordos semelhantes. A indústria de jogos eletrônicos esportivos pode estar prestes a vivenciar uma revolução. Ou a ver o naufrágio de um plano ambicioso.

Espaço para a FIFA ser bem-sucedida existe. Resta saber como o consumidor reagirá a esse movimento.

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Qual Rogério Ceni volta ao São Paulo?

Erich Beting
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Rogério Ceni terá uma dura missão no seu retorno ao São Paulo
Rogério Ceni terá uma dura missão no seu retorno ao São Paulo Alexandre Vidal / Flamengo

Rogério Ceni inicia, nesta quinta-feira (14), sua segunda passagem pelo São Paulo como treinador. Chamado às pressas após a saída de Hernan Crespo, resta saber qual Rogério Ceni se reencontrará com o Tricolor Paulista.

Ceni parecia, há quatro anos, o nome certo para recolocar o São Paulo no prumo. Provou, meio ano depois e com o time flertando com a zona de rebaixamento no Brasileirão, que ainda não estava preparado para tamanha responsabilidade. O peso do ídolo, a enorme expectativa do torcedor e da mídia e a falta de respaldo da diretoria em apoiá-lo minaram o primeiro trabalho de Ceni como treinador, e o sentimento que ficou era de que algum dia a oportunidade voltaria a aparecer.

Depois disso, a carreira de Rogério Ceni treinador é uma gangorra. O recomeço bem-sucedido no Fortaleza foi ofuscado pela aventura surreal com o Cruzeiro. A volta e a reconexão com o Fortaleza deixaram um novo sopro de esperança, mas a saída abrupta para ser campeão nacional com o Flamengo, porém fritado dentro de um grupo cheio de estrelas e ambições, recolocou o ponto de interrogação sobre o futuro do ex-goleiro como treinador.

Uma coisa é certa. Assim como foi quando era jogador, Rogério se move a conquistas. Seu desejo de ser campeão, de marcar a história de um clube e do próprio futebol a partir de um belo trabalho são louváveis.

Mas essa característica de Ceni é o que pode, hoje, ser o maior entrave em seu regresso ao São Paulo. Sem o respaldo da primeira passagem, com um time vivendo em constante ebulição dentro e fora de campo, o São Paulo precisa de um líder que não jogue, para cima dos jogadores, o peso de manter o clube no prumo.

Mais do que um treinador, o que o São Paulo precisa, agora, é de um gestor de equipe. Alguém que dê aos atletas o respaldo de que eles precisam para reagir, em campo, a tudo o que está bagunçado fora dele. E é essa capacidade de gerenciar atletas que será colocada à prova nesse instante, mais do que uma mudança tática ou técnica na maneira de o São Paulo jogar.

E, para mim, esse é o grande ponto de interrogação que acompanha a chegada de Rogério Ceni. O maior ídolo da história do São Paulo aceitará ver jogadores não conseguirem desempenhar tão bem suas funções, e o time ficar cada vez mais próximo do rebaixamento? Ele saberá lidar com o grupo para tirar desses atletas o melhor possível tendo em conta tudo o que o time já viveu neste 2021? Talvez Rogério Ceni seja pesado demais para o tamanho da responsabilidade que o São Paulo tem pela frente. Pode dar liga e o Tricolor ir para as cabeças a partir de agora. Mas o risco é enorme.

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Calote do Cruzeiro só se resolve com prisão aos dirigentes

Erich Beting
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Torcidas organizadas cobram jogadores, técnico e presidente do Cruzeiro
Torcidas organizadas cobram jogadores, técnico e presidente do Cruzeiro Reprodução - Twitter

Os jogadores do Cruzeiro acabaram de anunciar que estão em greve enquanto não for equacionado o pagamento de salários de funcionários do clube mineiro. Na carta justificando a paralisação, os atletas revelaram que ficaram até meio ano sem receber qualquer verba do clube em 2021.

O Cruzeiro quebrou. Isso todos já sabemos. E a solução para o clube passa por uma reestruturação financeira que obrigaria, em primeiro lugar, que os dirigentes celestes assumissem o problema. Não há dinheiro para bancar uma equipe na Série B do Campeonato Brasileiro.

A melhor alternativa para o Cruzeiro e muitos outros clubes brasileiros seria tentar jogar como desse a Segundona enquanto as dívidas fossem equacionadas, sanadas e deixassem o clube minimamente governável. O problema é que, quando apareceu como “Salvador da pátria” do clube, o presidente Sérgio Santos Rodrigues comprometeu-se a devolver o clube às glórias, e não ao rumo certo. E, naturalmente, ao se sentar na cadeira da presidência, o dirigente percebeu que tinha um desafio insolúvel pela frente. Ou melhor. Solução existe, mas ela não é nada popular e, muito menos, é garantia de sucesso esportivo.

O que fez o Cruzeiro, então? Quebrado, o clube negou seu novo status e passou a viver da esperança. De que o time daria certo dentro de campo, de que treinadores do passado reergueriam o clube, de que as coisas começariam a se acertar assim que a bola entrasse dentro do gol...

Mas o futebol, quando se trata de más gestões, costuma ser uma ciência exata. Sem dinheiro na conta, não há bola que entre no gol adversário. Tudo vira um espiral negativo, e a quebra é inevitável. A Série B é a primeira etapa da punição. E, no Brasil, paramos por aí, porque as leis são frouxas e permissivas aos maus dirigentes.

O futebol brasileiro é prodígio em criar situações bizarras que TODOS na cadeia esportiva aceitam. A imprensa cobra do Cruzeiro ser o grande de outrora, mesmo sem ter dinheiro para colocar uma carta nos Correios. Os jogadores e treinadores aceitam propostas de salários que são impagáveis, porque sabem que, um dia ou outro, essa verba cairá na conta. Os dirigentes não enfrentam com a dureza necessária a quebra e se tornam refém do resultado dentro de campo. E o torcedor, que não é o coitadinho dessa história, alimenta esse circo mesmo sabendo que em breve o clube será incontrolável.

Não tem como saber se o Cruzeiro estaria melhor se Luxemburgo tivesse chegado antes, comenta Mário Marra


O que o Cruzeiro vive hoje diversos outros clubes já viveram e vários outros viverão. Alguns foram perdendo a massa de torcedores e, hoje, estão restritos ao ultrafanáticos, que vivem do passado. A Portuguesa é um dos exemplos mais recentes dessa situação.

Se estivéssemos num país que levasse seu futebol a sério, sem fazer média nem política, o Cruzeiro já teria sido desfiliado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), assim como muitos outros clubes que não têm condições financeiras de disputar as competições nacionais.

Mas a CBF faz vista grossa, a legislação existe, mas não é aplicada para punir os maus dirigentes, e seguimos nessa roda louca de achar que está tudo bem um empregador ter o funcionário por dez meses do ano, mas pagar por apenas quatro deles.

Enquanto não houver prisão para quem promete e não cumpre os contratos, viveremos esse circo de horrores no futebol do Brasil.

Seria ainda mais hilário se o presidente do Cruzeiro estivesse, no mesmo dia em que os jogadores anunciam a greve por falta de pagamento, dando palestra num evento em Lisboa para falar sobre a gestão moderna do futebol...

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A venda do Newcastle diz muito sobre a 'profissionalização' no futebol inglês

Erich Beting
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Torcedores do Newcastle festejam a venda do clube para o fundo saudita
Torcedores do Newcastle festejam a venda do clube para o fundo saudita Twitter/Newcastle United

O Newcastle finalmente foi vendido para o fundo de investimento saudita. Depois de 18 meses do veto da Premier League ao negócio, as regras do jogo mudaram e a negociação pode ser concluída. O que mudou nesse um ano e meio de história, porém, é uma síntese de como o futebol não conseguiu criar mecanismos para blindar o uso dele para fins políticos, da mesma forma que a grana é quem dita os rumos dos clubes e das ligas, muito mais do que uma pretensa profissionalização da indústria.

O que mudou em 18 meses para a Premier League aceitar o negócio não foi uma mudança no regime político da Arábia Saudita. O país ainda é uma ditadura e tem enormes restrições aos direitos das mulheres.

Mas, nas últimas semanas, a briga entre a Arábia Saudita e o Catar deu uma trégua. E o que isso tem a ver com a Premier League e a venda do Newcastle? Absolutamente tudo...

A Arábia Saudita tem investido milhões em esporte nos últimos anos, numa tentativa de melhorar a imagem do país globalmente. Desde que ficou provado o envolvimento do príncipe saudita Mohammed bin Salman no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, que os sauditas “abraçaram” o esporte. O rali Dakar, as supercopas da Itália e da Espanha e até a Fórmula 1 aceitaram abrigar eventos no país. Até esta semana, porém, a Premier League era uma das raras ligas que não aceitavam conversar com os sauditas.

O motivo para isso, porém, não era nenhum eventual dano de imagem para a liga mais rica do futebol no mundo. Os ingleses eram pressionados pela BeIn Sports, sua maior parceira comercial na região do Oriente Médio, a não aceitar os dólares sauditas.

Em 2017, a BeIn, que é do governo do Catar, iniciou uma ofensiva contra a Arábia Saudita, acusando o governo de incentivar que o sinal do canal fosse pirateado no seu território. Principal canal esportivo por assinatura em todo o Oriente Médio, a BeIn Sports acionou a Premier League e a FIFA, alegando que a Premier League e a Copa do Mundo de 2018 tinham sido exibidas gratuitamente na Arábia Saudita, ferindo o contrato que ela tinha adquirido com as entidades. Em retaliação, a BeIn passou a ser banida no território saudita.

O caso colocou mais lenha na disputa entre Catar e Arábia. E o futebol inglês foi alçado ao centro do debate. Tanto que, em abril de 2020, quando veio a proposta de compra do Newcastle pelo fundo saudita, a Premier League foi pressionada pela BeIn a não permitir o negócio. Do contrário, ela encerraria o contrato internacional mais vantajoso da liga inglesa.

No meio dessa briga por dinheiro, a Premier League adotou a solução mais fácil. Seguiu a “recomendação” de seu maior parceiro comercial e proibiu a venda, ficando com uma boa imagem perante a imprensa inglesa, contrária à aproximação com o governo saudita.

O desfecho da história nesta semana, porém, mostra que a liga não está preocupada com uma boa reputação. Um dia depois de a BeIn Sports ter a permissão do governo saudita para ser exibida no país, a Premier League aceitou a compra do Newcastle pelo fundo controlado pelos árabes.

O negócio acaba com qualquer discurso de profissionalização do futebol na Inglaterra. Na prática, o que a Premier League olha é o dinheiro, sem se preocupar se a imagem da liga é afetada com a decisão comercialmente mais vantajosa.

E o torcedor? A foto de fãs na porta da sede do clube usando trajes típicos dos sauditas é a prova de que o fanático não está da mesma forma preocupado com a origem das pessoas que serão as novas donas do clube. Curiosamente, há meio ano, o futebol inglês ganhava pontos ao vetar o movimento da Superliga de Clubes. A reputação ganha naquele momento, agora, parece ter acabado numa canetada.

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Barcelona, o bilionário quebrado do futebol mundial

Erich Beting
Erich Beting

Há seis anos, o Barcelona colocou em prática um ambicioso plano de negócios. Campeão da Europa na temporada 2014/2015, tendo o trio Messi, Suaréz e Neymar encantando dentro de campo, o Barça decidiu se tornar o primeiro clube de futebol do mundo a ultrapassar a marca de € 1 bilhão de faturamento numa mesma temporada. A promessa foi feita assim que Josep Maria Bartomeu ganhou com relativa folga a eleição presidencial.

Bartomeu havia assumido o Barça um ano antes depois da renúncia de Sandro Rossell, acusado pela Justiça espanhola de desvio de dinheiro na negociação em que o clube contratou Neymar. Depois, também enrolado nas investigações sobre o jogador brasileiro, ele se demitiu do cargo para poder concorrer a um novo pleito, em que foi eleito presidente com relativa vantagem sobre Joan Laporta, máximo comandante do clube nos anos de ouro da segunda metade dos anos 2000.

Suárez e Lemar destroem, e Atlético de Madrid passa fácil pelo Barcelona; veja os melhores momentos

A promessa de Bartomeu, lá em 2015, parecia factível. O Barcelona havia voltado aos trilhos das vitórias dentro de campo e, fora dele, o dirigente começava a adotar um ambicioso plano comercial para ampliar o poder do Barça sobre as vendas de produtos oficiais, fechava negócios audaciosos apostando na revolução audiovisual e, assim, parecia óbvio que o primeiro bilhão de euros fatalmente seria conquistado - O Barcelona volta a campo em 17 de outubro, contra o Valencia, às 16h (horário de Brasília), pela nona rodada de LaLiga, e você assiste AO VIVO pela ESPN no Star+.

Adeus, Messi e as semelhanças com o São Paulo de Aidar e o Fla atual

Cinco anos depois, Bartomeu saiu pelas portas do fundo, renunciando para não ser demitido pela própria torcida depois de ver Neymar sair do clube na transação mais cara da história do futebol, Suárez ser dispensado e Messi forçar o jogo pedindo para deixar o único time que até então havia defendido.

A queda do dirigente fez Joan Laporta voltar ao cargo máximo do Barcelona. Ao assumir o clube, porém, o presidente percebeu que o conto de fadas de Bartomeu estava longe de um final feliz. Antes das receitas, o endividamento do clube se tornou bilionário. Pior ainda, com dívidas a serem pagas no curto prazo, o que tornaram o Barcelona praticamente insolvente. A gota d’água veio com a necessidade de se desfazer de Messi por não ter condições de arcar com os salários propostos ao jogador.

A derrocada do Barcelona, que em 2018 alcançou um faturamento de quase € 900 milhões, foi acentuada pela pandemia, mas ela serve de lição para todo e qualquer clube do futebol mundial. De nada adianta ver a receita crescer aceleradamente se, na mesma proporção, o clube fica endividado.

O Barcelona de hoje lembra muito o modelo de negócios que o São Paulo adotou na gestão Aidar. Empréstimos altos para pagar times caros, na esperança de que o sucesso esportivo trouxesse bonança financeira e, assim, a roda se autoalimentasse. É, mais ou menos, o que faz o Flamengo atualmente. Um time que tem ótima geração de receitas, mas que ainda recorre a empréstimo para quitar os vencimentos de curto prazo, à espera do recebimento do “dinheiro novo”.

A derrocada em cinco anos do Barcelona é a prova de que esse modelo de negócios é uma bomba-relógio. Ele depende necessariamente do resultado dentro de campo para seguir vitorioso. O problema é que não será todas as vezes que a bola vai entrar dentro do gol. E, assim, o bilionário pode virar o pobretão da vez. De que adianta faturar um bilhão se a receita não é suficiente para parar de vazar a torneira do desperdício de dinheiro?

O Barcelona é um excelente alerta para o futebol mundial. Não basta ganhar dinheiro, é preciso saber controlar como se vai gastá-lo.

Messi será jogador do Barça ao menos até 2021
Messi será jogador do Barça ao menos até 2021 Divulgação
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Flamengo não pode ser uma ilha dentro do futebol

Erich Beting
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Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique: os goleadores do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Já havia sido assim no caso da discussão de volta ao público nos estádios. O Flamengo saiu na frente, entrou com liminar, recorreu ao STJD e, no fim das contas, conseguiu forçar a barra para que as portas do Maracanã se abrissem na semifinal contra o Grêmio pela Copa do Brasil.

Agora, mais uma vez, o Fla se isolou do debate sobre o adiamento ou não dos jogos dos times com jogadores convocados para a seleção brasileira. Os atletas dos outros 19 times pediram para que o adiamento não ocorresse, já que isso adiaria as férias e, em 2022, a previsão é de um calendário ainda mais espremido com a Copa do Mundo em novembro.

Time mais estrelado do país na atualidade, o Flamengo naturalmente é quem mais sofre pela própria competência. Está na final da Libertadores, na semi da Copa do Brasil e disputa o topo do Brasileirão. Terá, até o fim do ano, uma maratona de jogos que já começa a cobrar o preço em lesões de atletas.

Mas o Flamengo não pode se isolar e achar que, sem diálogo, conseguirá sair vitorioso em tudo.

A lei do cada um por si que impera no futebol brasileiro há pelo menos uma década é grande responsável por levá-lo a um estágio rudimentar de desenvolvimento. Temos um calendário abusivo de jogos, recebemos menos dinheiro de direitos de mídia, patrocínio e bilheteria do que poderíamos exatamente por não unirmos os dirigentes para tentarem solucionar, em conjunto, os problemas estruturais que afligem nosso futebol.

O Brasil é um país em que o indivíduo sempre tenta se colocar à frente do coletivo. O futebol é apenas um reflexo do que vemos em muitos problemas da nossa sociedade.

Mas, quando o Flamengo rasga qualquer chance de diálogo e passa a adotar o individualismo em tudo o que pode ser feito para o bem do futebol, ficamos cada vez mais distantes de uma solução e agravamos, lentamente, os problemas que já nos assolam.

O Flamengo não pode ser uma ilha no futebol. Por mais que tenha tido competência para chegar ao estágio em que se encontra, ele em breve entenderá que esse isolamento só prejudica o próprio futebol. E, no fim das contas, ficará refém dos problemas que ele mesmo alimentou ao não querer dialogar.

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Flamengo e Palmeiras comprovam: a espanholização está por aqui!

Erich Beting
Erich Beting

Quando o Clube dos 13 foi aniquilado, em 2010, ouvi de muitos dirigentes e executivos de clubes que o fim da entidade representava, para eles, o recebimento da maior verba de contrato de TV da história. Um desses executivos, inclusive, chegou a questionar como poderia ser ruim sair de um contrato que rendia R$ 11 milhões ao ano para um que renderia R$ 28 milhões.

Na época, o único argumento que usava para tentar rebater era olhar não para o dinheiro que entrava para o clube, mas para o que estava indo para os outros. Quando o dinheiro era dividido entre os clubes via C13, a diferença entre o time que mais ganhava da TV para o que menos ganhava era de 33%. Naquele “melhor contrato da história”, a diferença passou a ser de 68%.

Um pouco depois, quando os valores dos contratos individuais dos clubes passaram a se tornar públicos, a torcida e os dirigentes começaram a perceber que o negócio era muito bom para uns e péssimo para outros. No cada um por si, a capacidade de negociar valores é bruscamente reduzida. Assim, ganha mais quem pode barganhar mais.

Palmeiras e Flamengo decidem a final da Conmebol Libertadores; quem vai ser campeão?

         
     

Em 2016, quando Esporte Interativo e Globo começaram a duelar pelos direitos de transmissão negociando individualmente com os clubes, essa máxima ficou ainda mais nítida. Flamengo e Palmeiras, então capitalizados e sem precisarem correr para fechar seus acordos, tiveram maior poder de barganha com as emissoras. Aproveitaram o duelo entre as concorrentes e, assim, inflaram os seus contratos de TV.

O resultado? Cinco anos depois, os dois times tomam conta do futebol no Brasil e, agora, na América do Sul. São os dois últimos campeões continentais e farão a final da CONMEBOL Libertadores em 2021. Desde 2016, ganharam quatro dos cinco Campeonatos Brasileiros disputados. Isso sem falar na Copa do Brasil.

Dez anos depois, quando falar em “espanholização” do futebol brasileiro parecia aberração, agora está claro de que ela chegou por aqui. Com gestões minimamente organizadas e fluxo de caixa funcionando, Flamengo e Palmeiras criaram uma hegemonia que será difícil de ser quebrada no curto prazo.

Afinal, ninguém tem tanta capacidade para gerar receita, atualmente, como esses dois clubes. Quanto tempo vai levar para os demais times perceberem que isso não é bom para o futebol?

Palmeiras e Flamengo decidem a final da Conmebol Libertadores; quem vai ser campeão?
Palmeiras e Flamengo decidem a final da Conmebol Libertadores; quem vai ser campeão? ESPN

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Por que não priorizar a mulher no esporte?

Erich Beting
Erich Beting

Pode parecer óbvio, mas essa pergunta raramente é feita em qualquer empresa na hora de investir no esporte: “qual o maior público em potencial que existe nesse patrocínio?”. Há alguns anos, essa pergunta circulou nos corredores da Nike. A gigante, que já era líder com folga no mercado de marcas esportivas, vinha olhando de que forma se tornar ainda maior e, de quebra, romper a barreira de US$ 50 bilhões em faturamento num ano.

A conclusão a que chegaram os altos executivos da empresa parecia óbvia: para vender mais, é preciso falar com o maior número de pessoas existentes. Mas será que a marca vinha fazendo isso? Foi então que a Nike percebeu que, desde os anos 70, ela se especializou em ser uma marca esportiva para atletas. Homens. E as mulheres, onde ficavam nessa história?

Os casos recentes de brigas internas por direito à manutenção do contrato de patrocínio em caso de gravidez da atleta, pela equiparação de valores a serem pagos para os grandes ícones globais e pelo apoio a funcionárias e atletas em casos sexistas levaram a empresa a questionar sua conduta.

Foi daí que surgiu a óbvia percepção. Num mundo em que a maioria das pessoas é mulher, por que uma marca conversa prioritariamente com o homem?

A guinada de comportamento da Nike na comunicação com o público começou aí. A marca passou a fazer roupa para gestantes, para atletas muçulmanas, olhar com mais atenção o patrocínio a modalidades femininas, a criar roupas específicas para as seleções de futebol, etc.

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Só nesta última semana, a Nike fez duas ações importantes para dar o devido valor às mulheres no esporte brasileiro. Lançou o uniforme número 3 da equipe feminina do Corinthians. E colocou as torcedoras para incentivarem o time masculino no lançamento de um novo uniforme.

O argumento usado pelo clube e pela empresa foi o de que 53% da torcida alvinegra é composto por mulheres. Por que continuamos a tratar o futebol como esporte para os homens?

A quebra de paradigma e de preconceito fazem parte do princípio de um trabalho para a mudança de percepção do que pode vir a ser o grande salto da indústria esportiva nos próximos anos. Incentivar a mulher a praticar e consumir esporte parece tão óbvio quanto dois mais dois serem quatro.

Mas o esporte, historicamente, sempre se posicionou como um ambiente hostil à mulher. Agora, para crescer e se tornar ainda mais relevante, a indústria precisa acordar. É hora de inserir a mulher no esporte e, mais do que isso, procurar colocá-la como protagonista.

Se não for por uma questão de respeito e igualdade, que seja pelo lado que muita gente ainda considera o principal: o dos negócios. Neste primeiro trimestre do ano fiscal, a Nike faturou US$ 12,2 bilhões, impulsionada, claro, pela Euro e pelos Jogos Olímpicos de Tóquio. Mas, do jeito que a coisa anda, a meta dos US$ 50 bilhões, finalmente, será batida. 

Camisa roxa do futebol feminino do Corinthians foi lançada pela Nike
Camisa roxa do futebol feminino do Corinthians foi lançada pela Nike Divulgação/Nike

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Por que não priorizar a mulher no esporte?

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Paulistão mostra como é bom para o esporte ser dono do próprio produto

Erich Beting
Erich Beting
Paulistão muda de canais a partir da próxima temporada
Paulistão muda de canais a partir da próxima temporada Cesar Greco / Palmeiras

O Campeonato Paulista anunciou um novo parceiro de mídia para as próximas temporadas. O acerto da Federação Paulista de Futebol (FPF) com a Record mostra que a entidade percebeu a diferença que faz trazer para dentro de casa a produção e comercialização do seu principal campeonato.

Pela primeira vez na história, a FPF será responsável por produzir e distribuir a imagem dos jogos do Paulistão. Será a primeira edição do torneio que não dependerá de uma outra empresa de mídia para que as imagens sejam geradas.

Isso permite à FPF fazer o que bem entender com a venda dos direitos de transmissão do Paulista. Sem ficar “refém” de uma emissora para produzir os jogos, a entidade pode tirar mais dinheiro do parceiro de mídia e, ainda, espalhar em mais plataformas as transmissões.

Mas, no caso do Paulistão, possivelmente a receita do campeonato caia nos próximos anos com a adoção do novo modelo. Sem vender os jogos para uma única emissora, o torneio tem de sair atrás de mais gente para fechar a conta. A diferença, porém, é que por mais que se ganhe menos num primeiro momento, no longo prazo esse é o jeito mais certeiro de aumentar a fatia do bolo dos direitos de transmissão.

Pelo menos é assim que funciona no mercado americano desde os anos 1950 e foi assim que, na Europa, o esporte começou a faturar mais com a venda de direitos de mídia há 30 anos.

O Paulistão começa a mostrar que é essencial para a sobrevivência do esporte ser dono do próprio nariz. 

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Quando um patrocínio pode se tornar problema em vez de solução?

Erich Beting
Erich Beting

Uma das maiores dificuldades que existe no mercado é conseguir fechar um bom patrocínio, ainda mais quando é um que não apenas garante o pagamento de toda a conta, mas que permite investir ainda mais no produto.

O vôlei brasileiro conseguiu chegar ao topo do mundo ao encontrar um patrocinador assim. Em 1991, o Banco do Brasil entrou para um projeto de curto prazo, até os Jogos Olímpicos de Barcelona. O Brasil foi ouro no masculino e, a partir dali, o negócio engatou de tal forma que hoje, 30 anos depois, a parceria continua firme e forte.

A relação entre vôlei e BB tornou-se tão sólida e marcante que, de uns tempos para cá, o “fio” do patrocínio virou... As marcas do esporte e do banco se fundiram a tal ponto que o patrocínio de outras empresas ao esporte começou a minguar, justamente enquanto o Brasil empilhava títulos e era reconhecido como uma das grandes lideranças mundiais da modalidade.

Acabou que, com o passar do tempo, o que era para ser uma união ganha-ganha virou uma parceria predatória. O banco tendo de colocar cada vez mais dinheiro para “fechar a conta” da exposição, e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) precisando inventar novas propriedades para justificar o valor a ser pago pelo BB.

Nesta semana, o vôlei conseguiu dar um importante passo para tentar reduzir essa dependência do banco. Foi anunciado o fim do veto à publicidade de marcas de outros bancos dentro das quadras na disputa das Superligas feminina e masculina. Pode parecer piada, mas o BB exercia tanto poder econômico dentro do vôlei que a concorrência foi proibida de ser associada à modalidade.

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A mudança pode ajudar os times de vôlei a crescerem. A permissão para que as marcas apareçam ajuda a justificar investimentos de empresas nas equipes, e isso dá mais alento para a modalidade.

Patrocínio bom é aquele que não toma conta sozinho do esporte. É o que permite à modalidade crescer e, depois, andar por pernas próprias. O trabalho para isso, porém, não depende apenas do patrocinador, mas do esporte. Os dirigentes precisam se preparar para o momento de saída do parceiro.

Esse foi o maior erro da CBV nos últimos 30 anos. Em vez de desenvolver uma relação saudável com o Banco do Brasil, criou uma de extrema dependência da verba do banco. O estrago se mostra agora, com o vôlei precisando recriar seu produto para voltar a atrair patrocinadores, mídia e público.

A boa notícia é que o vôlei acordou antes de cair mais no fundo do poço. A lição que fica? Patrocínio pode ser problema em vez de solução.

Superliga poderá ter mais marcas de bancos além do Banco do Brasil
Superliga poderá ter mais marcas de bancos além do Banco do Brasil Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV

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Copa a cada dois anos pode ser salvação para o futebol

Erich Beting
Erich Beting

Gianni Infantino durante visita às obras no Catar para a Copa do Mundo de 2022
Gianni Infantino durante visita às obras no Catar para a Copa do Mundo de 2022 Fifa.com

POLÊMICA!!!

Confesso que sou absolutamente a favor da Copa do Mundo da FIFA ser disputada a cada dois anos! E a justificativa para isso é, acima de tudo, financeira. Mas que, se você não me cancelar até o final do texto, poderá ver que também servirá para alguns argumentos técnicos favoráveis à mudança.

O primeiro ponto a ser considerado quando debatemos uma Copa do Mundo bienal é o fato da redução do tempo entre uma e outra edição do torneio. O argumento de ser um espaço “muito curto” é, para mim, completamente sem lógica. Vivemos num mundo em constante aceleração. Isso tem levado a enormes transformações no nosso cotidiano. As empresas não fazem planos maiores do que para períodos trienais, o ciclo de vida dos produtos são cada vez menores, a velocidade da transformação é acelerada.

A epidemia do coronavírus virou pandemia em questão de menos de três meses, num claro exemplo de como tudo se transmite e se transforma rapidamente hoje em dia. Assim, esperar quatro anos por uma Copa do Mundo é algo completamente deslocado dos costumes atuais. Nada demora tanto assim.

Outro argumento ilógico é o da possível “encavalada” de Copa do Mundo e Olimpíada. Para resolver isso basta um telefonema entre os presidentes de ambas as entidades e coloca-se em prática um plano de transformar os dois eventos em atrações bienais. Imagine o que seria, para a mídia e para as marcas, ter Copa num ano e a Olimpíada no outro?

E é exatamente aí que reside, a meu ver, o ponto de debate para transformar os dois eventos em atrações bienais. A falta de atenção do consumidor tem atingido níveis elevados. O distanciamento físico provocado pela pandemia mostra que o fã de esporte está mais afastado dos eventos “corriqueiros”. Ele opta, cada vez mais, por ver aquilo que lhe seja realmente imperdível.

Copa e Olimpíada, como principais eventos de esporte do mundo, são atrações que fazem o torcedor parar e querer consumir. Elas não vão saturar o interesse do fã. Pelo contrário. Estimulariam ainda mais o gosto pelo esporte e poderiam potencializar o consumo maior por parte dos torcedores.

Para a FIFA, a transformação da Copa do Mundo num evento bienal poderia significar, também, a redução dos atritos com os clubes pela cessão de jogadores. Os atletas disputariam a Copa num ano e os torneios continentais, classificando para o Mundial, no outro. Assim, apenas por 45 dias no ano teríamos os jogadores tendo de se deslocar para defender suas seleções.

Isso também melhoraria a vida das confederações continentais. Imagine a força que passariam a ter Euro e Copa América se valessem as vagas para a Copa do Mundo? Ganhariam apelo comercial, teriam os melhores jogadores em campo e teriam maior interesse do público.

O calendário mundial do futebol é, hoje, um dos temas mais sensíveis para ser resolvido pelos dirigentes. As seleções têm diversos torneios inchados e desinteressantes para preencher o longo período de quatro anos entre as Copas do Mundo. Os clubes têm diversos compromissos assumidos em competições importantes e lucrativas, que são prejudicados pela cessão de atletas para as seleções.

Racionalizar o calendário e deixar menos torneios com maior potencial comercial ao longo do ano foram as transformações feitas pelas ligas americanas e pelo tênis nos últimos anos. Com isso, o esporte passou a receber ainda mais dinheiro da mídia, dos patrocinadores e dos fãs.

Por fim, ao forçar os jogadores a atuarem em seu melhor nível pelas seleções a cada dois anos, a excelência na formação do atleta seria estimulada. Além disso, com a Copa bienal, a receita destinada para as confederações seria cada vez maior. Isso poderia ajudar a desenvolver mais o futebol em regiões mais pobres ou com menor qualificação técnica, o que é uma das premissas da FIFA.

A Copa do Mundo a cada dois anos pode salvar o futebol mundial de entrar numa ebulição. As batalhas por Superliga Europeia, Datas-FIFA e Eliminatórias são sintomas de um trem que começa a querer descarrilar a mais de 300 km/h. 

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Lei do Mandante é aprovada; o risco Brasil começa agora

Erich Beting
Erich Beting
Direitos de transmissão têm nova legislação no Brasil
Direitos de transmissão têm nova legislação no Brasil Divulgação/CBF

Agora não tem mais volta. Depois de ser criada uma Medida Provisória às pressas em 2020 para tentar dar ao mandante o direito de vender para quem bem quiser a transmissão de suas partidas, o presidente Jair Bolsonaro finalmente conseguiu sancionar a lei que altera o texto da Lei Pelé e dá poder exclusivo ao time mandante de vender suas partidas para as empresas de mídia.

Vista como garantia de “independência” dos clubes, a nova legislação é, em teoria, interessante. Na prática, porém, ela pode representar o processo de começo de falência de clubes médios e a criação de um abismo ainda maior entre os times grandes e aqueles de menor porte.

Quando, em 2003, a Europa discutiu o monopólio na venda de direitos de mídia, o objetivo era impedir que apenas a BSkyB tivesse os direitos da Premier League na Inglaterra. O acordo foi alvo de investigação da Comunidade Europeia, com os clubes sendo acusados de formação de cartel, já que se uniram para negociar em bloco um acordo de exclusividade.

Após alguns meses de pesquisa, os europeus chegaram a duas conclusões: a primeira era de que a venda coletiva era o melhor caminho a ser adotado pelos clubes, já que isso dava a eles mais poder de barganha sobre as TVs, detentoras do poder econômico. A segunda era de que a legislação mais moderna que havia no mundo sobre o tema era a brasileira, já que ela obrigava que os direitos de mídia fossem divididos entre o clube mandante e o visitante, impedindo assim disparidades na arrecadação da TV, já que os dois clubes precisavam, necessariamente, conversar para chegar a um acordo comum.

Sim, isso foi há 18 anos.

Ao longo desse período, o Brasil foi caminhando exatamente na contramão daquilo que todas as grandes ligas esportivas mundiais vinham fazendo. Em 2011, aboliu o Clube dos 13, que era um projeto brasileiro de liga. O C13 tentava representar todos os clubes, mas não tinha poderes para isso. Quando houve debate sobre qual seria o tamanho do bolo a ser dividido, a cisão aconteceu.

Foi então que começamos a saga das negociações individuais. O bolo da TV, nesse tempo, até cresceu, mas a arrecadação ficou cada vez mais concentrada em menos clubes, ocasionando o início da disparidade de geração de receitas que, hoje, ajuda na disparidade técnica entre os times.

A desorientação do futebol brasileiro não é causada pela legislação que confere a mandante e visitante os mesmos direitos sobre a venda da transmissão de uma partida. Ela é fruto da desunião dos dirigentes e da falta de senso de coletividade naquilo que é o bem mais precioso de uma competição: seu produto.

A mudança na lei não deixa o Brasil mais “moderno” na questão dos direitos de mídia. Pelo contrário. Ela traz junto com ela um “risco Brasil” que pode levar à ponta do precipício muito clube de futebol. Ao legalizar o “cada um por si” que já vigora mesmo com uma legislação pouco favorável a isso, a tendência é de termos ainda mais disparidade e divergência nas negociações de contratos de mídia.

O torcedor ganha mais poder de escolha, sem dúvida. A chance de termos concentração de eventos e direitos num mesmo grupo de mídia reduz drasticamente também. Mas a que custo?

Na última década, Espanha e Itália tiveram de mudar a legislação para acabar com a venda individual de direitos. Mas, nesse meio tempo, Barcelona e Real Madrid levaram a marca da LaLiga para o buraco. Os torcedores dos dois times não se preocuparam com isso, mas toda a cadeia produtiva do futebol espanhol quase entrou em colapso. Na Itália, o mesmo aconteceu com a Juventus, que se distanciou tanto dos demais que a Serie A simplesmente desapareceu do mapa global da bola.

Agora, os portugueses já determinaram que voltarão a fazer venda conjunta de direitos a partir de 2027. É a única saída que os clubes encontraram para sobreviver em meio ao predomínio de Porto e Benfica, com o Sporting praticamente sendo aniquilado da disputa com os rivais.

O Brasil tenta fazer história indo na contramão do que fez todo o mundo do esporte. A lei do mandante não é o grito de independência dos clubes. A união em torno de uma mesma entidade seria muito mais eficiente e benéfica no médio prazo para o futebol. O basquete está aí como exemplo a ser seguido.  

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O futebol brasileiro só tem uma certeza: não dá liga!

Erich Beting
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Rodolfo Landim, presidente do Flamengo
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo Getty Images

O ano era 2001. A CBF vivia com a corda no pescoço, com duas CPIs no encalço de Ricardo Teixeira e companhia. Em campo, o Brasil corria risco de não se classificar para a Copa do Mundo de 2002. O mundo do futebol parecia que estavas prestes a desmoronar, pelo menos por aqui.

Depois de conseguir se livrar do peso das CPIs e ver o Brasil ser pentacampeão do mundo, Teixeira promoveu a maior transformação do futebol no país: Campeonato Brasileiro em pontos corridos, com apenas 20 clubes nas Séries A, B e C.

A decisão foi um “cala-boca” nos críticos do calendário bagunçado do país, mas conseguiu sepultar de vez o crescimento dos campeonatos regionais, que começavam a querer ganhar corpo com os sucessos comerciais da Copa do Nordeste e do Rio-São Paulo.

Ao fazer o Brasileirão em turno e returno sem finais, Teixeira também sufocou qualquer chance de os clubes se articularem para tomarem para si o controle do jogo na organização do Brasileiro. As federações ganharam sobrevida e, a partir daí, o futebol no Brasil foi “pacificado”.

Vinte anos depois, a CBF encontra-se, literalmente, sem comando. Além disso, as receitas do Brasileirão estão estagnadas e, pior ainda, em rota de decréscimo para o próximo ciclo de renovação do contrato de direitos de transmissão. Nesse cenário, os clubes pareciam que realmente haviam entendido que a rota mais eficiente para sair do buraco seria a união comercial para posterior divisão do bolo turbinado.

Mas a única certeza que temos no futebol brasileiro é que nunca dá liga...

A cisão provocada pela volta de público aos estádios, com o Flamengo de um lado, os demais 19 clubes do outro, mas cada um pendendo a querer fazer aquilo que for melhor para seus próprios umbigos, acaba de sepultar qualquer princípio de união que havia entre os times das Séries A e B do Brasileiro.

O tema, que inclusive foi o que motivou o início do racha dos clubes com a CBF, agora dissolve o projeto de liga de clubes.

Se os dirigentes não conseguem ter unidade na hora de discutir o retorno da torcida aos estádios, com cada um olhando para o próprio rombo com a receita dos planos de sócio-torcedor, sem se preocupar com um caminho único, como dá para acreditar que as mesmas cartolas vazias vão se comportar dignamente para debater geração e divisão das principais receitas do futebol, que são os direitos de mídia?

O futebol brasileiro está estagnado fora de campo não é de hoje. Portugal, que era o último reduto a não conseguir implementar a venda coletiva de direitos e melhor distribuição da verba entre os clubes, abandonará em breve o modelo “cada um por si”. Apenas o Brasil continua achando que é melhor ir cada um correndo de cada lado do que todos remando na mesma direção. A Liga, que seria um movimento para começar a mudar o cenário, nunca vai dar liga. A não ser que venha uma lei que obrigue todos a terem de negociar em conjunto os direitos. Foi assim que Espanha e Itália conseguiram “unir” seus clubes. 

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NFL dá aula de como manter a marca forte entre os jovens

Erich Beting
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Há alguns anos, a Major League Baseball (MLB) vem sofrendo com um grave problema. Queda de audiência na transmissão de seus jogos e um afastamento do público jovem. Primeira liga a investir no digital, antes mesmo dos anos 2000, a MLB ficou para trás no tempo e no espaço.

Recentemente, a NFL, liga de futebol americano, percebeu que poderia sofrer com o mesmo problema do beisebol. Novos esportes, novas concorrências do tempo livre das pessoas, regras praticamente “imutáveis” dentro de campo.

Como fazer para não ficar para trás e, daqui a um tempo, ver a tradição secular não segurar o público e o projeto de ser a grande liga esportiva dos EUA escapar por entre os dedos?

A semana de abertura da NFL se encerra nesta segunda-feira (13), com a partida entre Raiders e Ravens, a partir de 21h20, com transmissão pela ESPN no Star+. Saiba mais como assinar aqui.

No ano passado, a NFL fez um primeiro teste com o público. Transmitiu um jogo da temporada pelo canal Nickelodeon, com direito a gráficos de Bob Esponja e Seu Sirigueijo no meio do gramado durante a corrida dos jogadores em busca do touchdown.

Agora, a liga ampliou a parceria com a Nick. Terá um programa semanal no canal de TV e no streaming e, claro, repetirá o jogo da temporada regular com exclusividade no canal infantil. Por que isso? A ideia da NFL é clara. Ficar próxima da criança americana para que, aos poucos, ela cresça tendo a liga como referência de um conteúdo legal para assistir e acompanhar na fase adulta.

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É a típica história de levar seu produto até o público, sem esperar que ele esteja lá para consumi-lo independentemente do tipo de oferta que exista. O que a NFL faz hoje é uma aula para o futebol mundial.

Enquanto a FIFA discute a transformação da Copa do Mundo num evento bienal, e os clubes se estapeiam com as entidades para organizarem campeonatos só entre os maiores, a NFL dá a dica de como fazer para não perder torcedor.

A liga não mudou o produto, mas sua embalagem. Terá, para cativar o torcedor-mirim, um projeto totalmente novo e que fale, na linguagem dele, sobre o produto que ela oferece ao público. Por aqui, insistimos em falar de um único jeito sobre o futebol jogado com os pés.

A fórmula ainda funciona para a televisão, já foi um pouco modificada na internet, mas está longe de ser repensada pelos organizadores do evento. Mais do que uma Copa a cada dois anos, ou uma Superliga de clubes, o que precisamos é oferecer, de formas diferentes, o mesmo futebol de sempre.

O esporte, por si só, é encantador. Ele só precisa conversar na mesma língua do torcedor. A NFL dá uma aula de como manter a base de clientes jovens fortalecida, mesmo num cenário de tanta mudança. Será que o futebol está preparado para entender que é preciso mudar?

Draft 2020 da NFL
Draft 2020 da NFL Getty Images


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NFL dá aula de como manter a marca forte entre os jovens

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Daniel Alves e a miopia do marketing no futebol brasileiro

Erich Beting
Erich Beting

Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Palmeiras, pelo Brasileiro
Daniel Alves durante jogo entre São Paulo e Palmeiras, pelo Brasileiro Thiago Rodrigues/Gazeta Press

Uma chegada triunfal e uma saída pela porta dos fundos.

Daniel Alves deixa o São Paulo longe de ter sido "O cara" que o Tricolor precisava, assim como o Tricolor não foi "O clube" que Dani esperava quando desembarcou com uma engenharia financeira para tentar pagar o maior papa-títulos do futebol mundial.

O que deu errado? Para variar, o negócio não ficou em pé por um simples motivo. Ele foi todo baseado em cima de uma previsão de receita que não previa a chance de fracasso. Ou, ao menos, de insucesso.

Dani Alves foi contratado dentro de um cenário pré-pandemia, com o São Paulo num caos econômico e sem qualquer previsão de melhoria. Mesmo assim, a diretoria do clube acreditou no poder da união de duas marcas fortes para fazer o velho e bom esquema “depois a gente vê como pagar”.

Esse é o maior erro que o futebol brasileiro comete. A contratação é feita dentro de um cenário muitas vezes otimista e, se ele não se realiza, a conta simplesmente não fecha.

O São Paulo, hoje, deve mais de R$ 10 milhões a Daniel Alves. É uma dívida astronômica, que poderia pagar pelo menos um mês inteiro do salário do futebol profissional do clube e que, agora, se transforma num perigoso passivo para a atual e as seguintes diretorias do Tricolor paulista.

São Paulo anuncia que Daniel Alves não joga mais pelo clube: ‘Ninguém é maior que o São Paulo’


         
     

Desde o sucesso de Ronaldo no Corinthians que o mercado brasileiro acredita que realmente é possível “fechar a conta” de uma contratação de alto impacto técnico apenas com um trabalho de marketing/comercial.

O que teve de tão diferente no caso Corinthians e Ronaldo que não pode ser replicado? O primeiro deles, e mais fundamental, era o momento da economia brasileira. Com marcas empolgadas no cenário pré-Copa do Mundo, o futebol ganhava mais investimentos. Com a “marolinha” de Lula sobrevivendo ao tsunami dos bancos quebrados nos Estados Unidos, as empresas brasileiras saíram numa gastança desenfreada, ampliando acordos de patrocínio e despreocupadas com o retorno sobre o investimento.

Soma-se a isso o fator de que, quando o Corinthians buscou parcerias para bancar Ronaldo, foi atrás de empresas que precisavam aparecer para lançar ação em Bolsa.

Hoje, uma década depois, o cenário econômico é de retração, a realidade pós-megaeventos é devastadora e o apetite de investimento das empresas é praticamente nulo. Mesmo antes da pandemia já era fácil prever que não seria tão simples convencer alguém a botar dinheiro a mais no futebol apenas pela chegada de um jogador midiático a um clube extremamente popular.

Esse foi o maior erro do raciocínio para a precificação do salário de Dani Alves. Os jogadores seguem aproveitando a incompetência dos dirigentes. Ao ir embora do São Paulo, Daniel consegue não arranhar sua imagem, mesmo com duras críticas dos torcedores. Já a diretoria tricolor confirma o que já se sabia, mas tínhamos receio de afirmar: o “Soberano” morreu pelo caminho também dentro de campo...

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Brasil, Argentina e o papelão da nossa vida sul-americana

Erich Beting
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Lionel Scaloni e Tite conversam antes da suspensão de Brasil x Argentina
Lionel Scaloni e Tite conversam antes da suspensão de Brasil x Argentina Lucas Figueiredo / CBF

Não existe ninguém certo.

Os argentinos foram errados ao não responderem verdadeiramente às perguntas de protocolo sanitário na chegada ao Brasil. Os fiscais da Anvisa e os policiais federais foram, no mínimo, incompetentes em não evitar, durante três dias, que os argentinos que não cumpriram o protocolo se dirigissem para a Neo Química Arena, fizessem o aquecimento dentro de campo e, só com a bola rolando, fossem retirados de campo.

O show de horrores protagonizado por Anvisa, PF e seleção da Argentina é o resumo da vida sul-americana.

A portaria que foi usada pela Anvisa para impedir os argentinos de jogarem impede de entrar no país qualquer estrangeiro que passou por Reino Unido, África do Sul e Índia nos últimos 15 dias. A justificativa da portaria é de que isso evita a disseminação da variante Delta do coronavírus. O mais divertido dela é de que brasileiro não entra nela. Como se o vírus não pegasse os brasileiros.

Linha de Passe mostra toda a repercussão da suspensão de Brasil x Argentina. Clique e saiba como assinar e assistir pela ESPN no Star+!

Da mesma forma, no melhor “jeitinho” sul-americano, os argentinos foram “malandros” ao não declararem que estiveram no Reino Unido nos últimos 15 dias. Como se não tivéssemos as escalações dos times da Premier League para saber que eles estavam por lá na semana passada...

Já a PF foi fantástica ao não conseguir entrar em campo durante o aquecimento do time argentino. Ou chegar atrasada ao hotel. Ou, desde sábado à tarde, quando a Anvisa já sabia que os quatro jogadores não haviam cumprido o protocolo sanitário e estavam no hotel e, depois, na Neo Química Arena.

O jogo de cena de todos os envolvidos tem apenas uma vítima: o futebol. Seria cômico, não fosse essa palhaçada toda uma excelente explicação para termos quase 600 mil mortos no Brasil pela pandemia. Nós, sul-americanos, adoramos um holofote. Pena que buscamos isso da forma mais equivocada possível. 

Celso Unzelte analisa sequência de acontecimentos da partida entre Brasil x Argentina: ‘Hoje vimos uma sucessão de erros’


         
     
 
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A liga de clubes do Brasil sobreviverá aos melindres de seus dirigentes?

Erich Beting
Erich Beting
Depois de começo promissor, liga de clubes começa a patinar
Depois de começo promissor, liga de clubes começa a patinar Lucas Figueiredo/CBF

Quando a Premier League foi criada, em 1992, o futebol inglês caminhava para o precipício, num carro desgovernado e sem freio. Os clubes estavam proibidos de participar de competições da UEFA, endividados e precisando de uma gestão mais racional. Uma canetada da “Dama de Ferro” Margaret Thatcher impôs as condições para que a hoje mais fantástica liga de futebol do mundo fosse organizada.

Quando a Liga Nacional de Basquete surgiu para organizar o NBB, em 2005, o basquete brasileiro havia chegado ao fundo do poço. Sem um campeonato nacional, com os times brigados com a Confederação Brasileira e sem qualquer alternativa no horizonte, os clubes rebeldes se uniram, deram tchau à CBB e passaram a fazer, por conta própria, sua competição. Hoje, a LNB cuida da liga mais organizada do esporte profissional do Brasil, com diversos acordos de transmissão e um futuro promissor.

O futebol brasileiro, atualmente, está longe do buraco. Com ótimos contratos de televisão e um bom desempenho na geração de receitas, mesmo com o cenário da pandemia, os clubes não estão com a corda no pescoço como estiveram os times de futebol da Inglaterra ou do basquete no próprio Brasil.

Por isso mesmo, a ideia de se criar uma Liga de Clubes que funcione para regulamentar as Séries A e B do Brasileirão, bem como representar esses clubes comercialmente, parece distante da realidade.

Se, há dois meses, o projeto começou com ares de que “finalmente vai”, agora já não dá para ser tão certo assim o sucesso da empreitada.

O motivo? A falta de necessidade plena dos clubes em realmente obter uma nova alternativa de geração de receita.

Pode parecer absurdo o que escrevo aqui, mas o fato é que, sem sentir na pele o grande mal que faz ter de negociar tudo sozinho, em penduricalhos contratuais e com uma enorme fragilidade frente aos grandes players do mercado, os clubes não percebem que a organização numa liga forte, que defenda o interesse da coletividade antes do individual, seria o melhor caminho para ganhar mais dinheiro.

Os relatos dão conta de que a Liga já não está tão ligada assim. Os clubes grandes começaram a se estranhar com os pequenos, e a burocracia de uma democracia plena começa a desanimar os dirigentes. Para piorar, com o cenário de eleições nos clubes e preocupações com posição do time na tabela do campeonato, pensar e projetar uma liga dá mais dor de cabeça do que prazer.

O prazo inicial dado pelos clubes para lançar a liga era de cerca de 90 dias. O cronômetro está quase zerado e, até agora, pouca coisa de fato caminhou nas discussões entre dirigentes.

Será que os melindres serão jogados para escanteio ou teremos, mais uma vez, que ver o cavalo selado passar em frente do futebol brasileiro e, em vez de alguém montar nele, vamos perder tempo discutindo qual a cor ideal da sela para montar?

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Pandemia ajuda a formar a janela de transferências mais maluca da história

Erich Beting
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Lionel Messi estreia pelo PSG com vitória sobre o Reims
Lionel Messi estreia pelo PSG com vitória sobre o Reims FRANCK FIFE / Getty Images

A janela de transferências mais agitada dos últimos anos no futebol europeu está chegando ao seu final com o saldo de termos tido, entre outras coisas, as inéditas mudanças de clubes de Messi e Cristiano Ronaldo ao mesmo tempo.

Mas não foi só os dois melhores do mundo que mobilizaram o noticiário e as transações. O que faz da janela de 2021/2022 uma das mais fantásticas da história é justamente a dificuldade dos clubes, em todo o mundo, de equilibrar suas receitas em meio ao cenário devastador da pandemia.

As análises das consultorias europeias dão conta de que o prejuízo dos portões fechados por uma temporada inteira passou dos US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões na cotação atual). Para piorar, sem ter previsão da entrada de dinheiro novo, sem ter a certeza de que as excursões de meio de temporada aconteceriam e sem a perspectiva de encontrar dinheiro novo no horizonte, os clubes precisaram fechar seus cofres.

Messi sair de graça por que o Barcelona não poderia arcar com seus salários, Cristiano Ronaldo deixar a Juventus por meros € 15 milhões (R$ 91 milhões) parcelados em cinco vezes sem juros ou Emerson Royal ser anunciado pelo Barça e, depois, revendido ao Tottenham sem ao menos jogar direito pelo clube espanhol são apenas alguns exemplos de que o futebol da Europa está desesperado atrás de dinheiro.

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As exceções são a Inglaterra e os dólares qataris do PSG. Os clubes ingleses, turbinados pelo maior contrato de mídia do mundo, e o time franco-qatari, procurando desesperadamente alcançar o sonho da Champions League no ano da Copa do Mundo no Qatar, estão abrindo os cofres para contratar.

Com o futebol europeu retomando a “normalidade” de estádios abertos ao público, com a renovação de acordos de mídia e de patrocínio e, mais ainda, com as ligas cedendo parte de seus direitos comerciais a fundos de investimentos, a tendência é de que, em 2022/2023, a janela de transferências volte a ser menos concorrida. Menos trocas de jogadores, menos contratações e menor apetite para gastos volumosos devem marcar o próximo período.

O futebol europeu volta após a Data Fifa e com todos os jogos de Premier League, LaLiga, ItalianoFrancês e outras ligas AO VIVO pela ESPN no Star+.

Mas, até lá, podemos curtir bastante a mudança das peças do tabuleiro. O mais interessante disso tudo é ver que o reflexo dessa situação foi sentido aqui no Brasil. As repatriações de atletas como Renato Augusto, Giuliano, Andreas Pereira, Roger Guedes e outros de menor calibre mostram que o futebol do exterior enxugou as despesas, e o Brasil entrou de novo na rota de atletas mais experientes que buscam um fim de carreira com bons salários perto de casa.

A janela de transferências maluca que assistimos poderá trazer uma imprevisibilidade pouco esperada para o futebol, pelo menos europeu, nesta temporada recém-iniciada. O fã agradece.

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Pandemia ajuda a formar a janela de transferências mais maluca da história

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Cristiano Ronaldo no United. Agora sim a Bolsa subiu!

Erich Beting
Erich Beting


Cristiano Ronaldo foi anunciado na última semana como novo contratado do Manchester United. A volta do astro português após 12 anos para o time inglês teve impacto direto nos negócios do clube, antes mesmo de CR7 voltar a usar a camisa do United.

Na sexta-feira (26), quando a contratação foi oficializada, as ações do Manchester United fecharam em alta de 5,76% na bolsa de Nova York. Com uma cotação unitária de US$ 18,28, atingiu o maior valor desde 16 de março.

Durante a Euro, quando Cristiano foi o centro da polêmica ao afastar a garrafa de Coca-Cola da entrevista coletiva e clamar por “água”, rapidamente tentaram associar o gesto do jogador a uma queda das ações da Coca-Cola na Bolsa de Valores.

O fato é que uma coisa não tinha nada a ver com a outra, como bem mostrou a oscilação da marca de refrigerantes no mercado de ações nos dias subsequentes.

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Agora, porém, a história é outra. Cristiano Ronaldo tem o poder de fazer as ações do United se valorizarem. Afinal, sua contratação impacta esportiva e financeiramente no clube inglês. Ter CR7 no elenco valoriza o produto Manchester United. Não só dentro de campo, mas fora dele também. O português traz melhor desempenho técnico e, é só ver o frenesi que foi o anúncio de sua contratação, agrega nos negócios do clube.

O caso serve para mostrar o real tamanho de um atleta para os negócios. Cristiano Ronaldo não tem como impactar, positiva ou negativamente, numa empresa do tamanho da Coca-Cola. Mas ele é capaz de movimentar uma marca secular como o Manchester United. A diferença? Um trabalha diretamente com o futebol. O outro usa o esporte para se promover.

Muitas vezes quem trabalha com esporte tem mania de achar que ele é maior do que as outras coisas, quando a relação quase sempre é inversa, ainda mais quando se trata de marcas poderosíssimas do mercado.

Cristiano Ronaldo é enorme. Mas sua grandeza ainda é restrita ao universo do futebol. E isso já é muita coisa.

Cristiano Ronaldo no Manchester United é notícia que faz as ações subirem
Cristiano Ronaldo no Manchester United é notícia que faz as ações subirem ESPN

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