Existe temperatura ideal para jogar futebol?

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DEFINITIVAMENTE, NÃO!  Não existe temperatura ideal para jogar futebol, pelo menos, não para mim. É claro que existem temperaturas mais agradáveis que outras, mas desde que eu esteja jogando, está tudo bem. Dependendo da temperatura, sua chuteira pode sofrer um tipo de “mutação” (risos).

Veja o guia:

partir de 35ºC: você sentirá a sola do seu pé queimando – acredite, não é uma situação agradável, mas o foco no jogo será tão maior que você ignorará a existência do calor.

Com pancadas de chuva: A sua chuteira virará um banheira.

A partir de 5ºC até 15ºC: seus dedinhos congelarão lá dentro, mas com o calor do jogo, isso passará.

A “pesquisa” acima foi feita apenas através de experiência própria

Eu já joguei no frio, no calor e na chuva. Se me perguntarem qual é o meu preferido, vou responder, sem hesitar, que é na chuva – desde que não tenha poças no campo -, porque nela, não sabemos se estamos suadas ou molhadas, ela nos refresca. Aliás, acho que todos gostam de jogar na chuva.

Já se me perguntarem qual eu menos gosto, com certeza responderei que é o calor, insuportável aqui no Rio de Janeiro, às vezes com sensação térmica de 50ºC.  Apesar de eu gostar do verão, não é muito bom jogar nesse calorão. Cansamos muito rápido, sem contar que a chuteira fica queimando a sola do pé.

O frio é o meio termo. Tive poucas experiências – apenas nos meu dias de competição na Paris Cup. Acho que estava uns 10ºC. Na hora do aquecimento, ninguém consegue tirar o casaco e nem as luvas, o frio toma conta da gente, o pé se encolhe, mas logo depois, todos estamos prontos para o jogo e o frio foge da gente.

Ou será que a gente que foge do frio? Enfim, ele fica de lado. 

E você? Em qual temperatura mais gosta de jogar?

Após escrever este texto, cheguei à conclusão de que gosto de jogar futebol de tudo quanto é jeito – seja na terra, seja no mar. Ops, esse é o hino do Flamengo (risos).

Corrigindo: seja no sol, na chuva ou no frio, o que importa é estar jogando e, claro, me divertindo.

Volta às aulas - Qual o papel da escola no esporte?

Arquivo pessoal
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Férias. Tem alguém que não goste de férias? Mas como diz o ditado, tudo que é bom dura pouco e já já as aulas estarão de volta! Definitivamente, aproveitei minhas férias. Fui à praia, joguei altinha, curti em casa com o meu novo Fifa 18 e com Netflix também. Só não tirei férias das redes sociais. Continuei compartilhando meus sonhos e, assim, tentando sempre dar mais visibilidade para o futebol feminino.

Recebo diariamente mensagens de meninas falando sobre as dificuldades que enfrentam para seguirem seus sonhos. Contam que não recebem o apoio da família e nem de amigos, que nas suas cidades não encontram lugares em que possam jogar ou que a escola não apoia e nem incentiva as meninas a praticarem futebol. 

E em clima de volta às aulas, hoje venho contar pra vocês como a escola é essencial para o futebol. Parece papo clichê, mas preste atenção e, depois de ler esse texto, chegue a sua conclusão.

É na escola onde fazemos nossos primeiros amigos, temos as primeiras aulas, aprendemos a praticar qualquer esporte que quisermos...bom... deveria ser assim.  Quando eu entrei na escola, fui direto para o balé, mas vi que não era minha praia. Tentei natação; fiquei por um bom tempo, mas não era minha paixão. 

 Então, quando eu  tinha quase nove anos, comecei a jogar futebol. Jogava em casa, na saída da escola, no recreio. Lembro como se fosse hoje da primeira vez em que tomei coragem pra pedir para os  meus amigos me deixarem jogar com eles. Era a maior rivalidade: turma A x turma B. Eles acharam meio estranho, mas concordaram sem nenhum preconceito, e no meu primeiro lance, bola no travessão e, no rebote, GOL. Era o gol que a turma A precisava (lembro que, logo depois disso, consegui um abraço do garoto que eu gostava). 

Fiquei super feliz, o tempo passou e logo eu era uma das primeiras a ser escolhida para o time. Então, insisti bastante com a minha mãe para ela me colocar no futebol, mas a escola não permitia meninas no time. E claro que eu não desisti ali, né? Continuei buscando algum lugar onde eu pudesse jogar e encontrei! Mas depois de um tempo, a escola, finalmente, permitiu que meninas jogassem com meninos.  Claro que fui a primeira a me inscrever. A procura aumentou e, em menos de um ano, abriu uma turma feminina, até com uma professora , que, por sinal, era excelente.

Olha que fantástico: várias meninas entraram na turma, algumas mais novas. Claro que esse apoio foi essencial para eu não desistir do meu maior sonho, que é me tornar uma jogadora profissional. E isso vale para outras meninas também! Minha escola nunca demonstrou nenhum preconceito com essa questão, graças a Deus. Mas já ouvi coisas muito tristes. Amigas que por mais que pedissem para jogar futebol na aula de Educação Física, eram proibidas. Meninas da quais a mãe já foi chamada na escola porque estavam passando o recreio com meninos, e não com outras meninas. 

Fico super feliz que tenham me contado essas historias e que, mesmo depois desses problemas, não tenham desistido e continuem lutando pelos seus sonhos até hoje. Mas é na escola, depois de nossa casa, onde tudo começa. E é por isso que precisamos desse apoio também, além do apoio da família.  Imagine quantas meninas desistiram de seus sonhos, pois foram desestimuladas por ações que a escola fez ou deixou de fazer? Por isso, senhora escola, precisamos da sua ajuda, começando por não fazer essa separação 'meninas – vôlei' e 'meninos – futebol'. Que seja normal meninas jogarem o esporte que elas quiserem!

E como a escola pode contribuir para o nosso desempenho?  Isso só depende da gente. Diversas pesquisas já provaram que bons alunos têm mais êxito nos esportes. "Ah, Luiza, geralmente, quando a pessoa é muito inteligente, ela não é boa em esportes”. Bom, você não precisa ser o novo Albert Einstein; basta ter atenção e determinação. Se você se esforçar em ter boas notas, pode ter certeza de que vai conseguir. 

O futebol feminino é muito desvalorizado no Brasil, diferentemente do que acontece dos Estados Unidos.  Acredito que seja um sonho para qualquer menina jogar lá e, para isso, o inglês é necessário e boas notas também. Já pensou?! Uma bolsa de estudos em uma faculdade fora do país? Eu penso. E para você ? Mesmo que seu sonho mude e você não queira mais  ser jogadora, você precisará dos estudos. Afinal, de que adianta ser um bom atleta e um péssimo aluno.

Como o esporte pode ser uma grande fonte de ideias para preservar o meio ambiente

Arquivo pessoal
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Esporte e meio ambiente, o que um tem a ver com o outro? Por incrível que pareça, eles estão interligados. Todos sabemos sobre os problemas de poluição e aquecimento global que o mundo vem enfrentando. É claro que podemos mudar isso com pequenas coisas que fazemos no nosso dia a dia, como não jogar lixo no chão, por exemplo. Mas vale pensar sobre uma palavra que você com certeza já ouviu bastante nos últimos anos: sustentabilidade. Ela está em tudo o que fazemos no cotidiano e em tudo o que podemos fazer para reduzir custos, reutilizar e reciclar.

Há algum tempo, eu tive que fazer um dever de casa, em que eu teria que dar ideias sustentáveis. Acho que foi um dos trabalhos mais divertidos que fiz.  Fiz parte, lá na escola, de um projeto de sustentabilidade no qual eu era a presidente da Cooperativa de Reciclagem. Ou seja, já estava bem envolvida com o assunto, o que me ajudou muito em minhas pesquisas.  E agora vi muitas outras ideias para melhorar o mundo.

Mas e o esporte? Bom, como eu sou apaixonada por futebol, já pensei diversas vezes em como mudar o mundo fazendo algo que eu gostava. Li sobre muitas iniciativas e projetos, como por exemplo para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.  Apesar de ser daqui a dois anos, já se fala em vários planos sustentáveis, como por exemplo as medalhas: as láureas serão feitas de material eletrônico reciclado. Acredito que a palavra sustentabilidade será muito ouvida no período da Olimpíada. Quem sabe, assim, conseguiremos transmitir essa mensagem ao mundo inteiro, não é?

E não é só porque o Japão é um país desenvolvido e consciente. Existe muita gente boa falando sobre isso por aí. Você sabia que existe um projeto sustentável fantástico criado aqui no Brasil, no Morro da Mineira, no Rio de Janeiro? Pois é... pesquisei e descobri que o campo de futebol contém placas subterrâneas com sensores para captar toda a energia cinética produzida pelos movimentos dos jogadores durante as partidas. Dessa forma, a energia do esporte é convertida em energia elétrica, que ilumina toda a quadra da comunidade. Super legal!

Nesse meu trabalho, minha primeira ideia foi um estádio movido a energia humana, bem parecido com esse aí, e olha que eu nem sabia que existia! Fiquei muito animada em saber que isso é possível e já estava sendo realizado.

E as iniciativas não param por aí, pois mesmo sozinhos podemos melhorar um pouquinho o mundo. Um exemplo vivo disso é o baiano Bruno Jacob, atleta de jet ski freeride. Ele decidiu fabricar seu próprio equipamento, mas tentando ao máximo utilizar combustíveis óleos biodegradáveis. No final, conseguiu um equipamento com fibra do casco proveniente de garrafa pet e com uma parte de aço que vem de sucata.

Não é uma tarefa fácil, mas se cada um de nós procurarmos ajudar um pouquinho, o mundo será melhor.

Neste ano, não vou treinar até acertar; vou treinar até não errar

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Estou de volta! Estive um tempinho sumida, curtindo minhas férias. Tive um 2017 intenso, cheio de histórias que vou guardar para toda minha vida. Foi um ano em que conheci diversos estádios do mundo, recebi uma mensagem por vídeo do Neymar, joguei um campeonato em Paris, fui nomeada uma das 100 mulheres mais influentes do mundo pela #100Women, da BBC de Londres.... Caramba, tantas outras coisas! Tudo isso em um mesmo ano!

E depois disso tudo, já se passou quase um mês de 2018. Lembrei do título de um filme que, pelo que vi, não tem nada a ver com futebol. Já ouviram falar? “O que esperar quando você está esperando”. Acho que é sobre gravidez, sei lá. Está pensando que eu ganhei um irmãozinho?  Não é nada disso . Estou aqui pensando...  o que esperar de 2018? Minha bola de cristal me diz que, em ano de Copa do Mundo, posso esperar o hexa, e só isso mesmo. Porque o resto é comigo mesmo, é com você mesma, é com a gente. Em 2018, não dá para esperar. Teremos que fazer e é por isso que este ano vai ser o melhor ano de nossas  vidas.

Criei até um lema para mim:

- Jogo como uma garota e me orgulho disso. Neste ano, não vou treinar até acertar, vou treinar até não errar. Não deixarei o medo de errar me impedir de arriscar. E lembrarei que meus erros apenas me deixam mais forte e que nem todas as vitórias aparecem no placar.

O lema aí em cima é para todas essas meninas também. Então, já que estamos começando o ano e em janeiro ainda ficamos pensando em tudo o que temos pela frente, aproveito para deixar uma mensagem de ano novo:

Saia da sua zona de conforto. Às vezes, está tudo bem e você não quer mudar. Arrisque-se, mude, viva e pense no futuro. E não se esqueça: às vezes, não importa o tanto que você queira ser legal, carinhosa, você nem sempre consegue agradar a todos. E aqueles que te criticam serão os que te farão mais fortes.

E não é porque 2018 será o melhor ano da sua vida que coisas ruins não acontecerão. É claro que acontecerão. A felicidade só surge por causa da tristeza. Lembre-se: quando algo ruim acontece significa que alguma coisa muito boa virá.

Transforme seus sonhos em metas!  E sobre esse sonho, às vezes os outros vão falar que é bobeira, que não é para você ou, até sem querer, vão te influenciar a desistir desse sonho. Mas siga em frente e faça acontecer. 

Feliz ano novo, feliz você novo!

Apoio dos pais aos filhos à beira do campo: até onde deve ir?

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Desde pequena, sempre recebi apoio dos meus pais. Independentemente se eles entendiam de futebol ou não, sempre fizeram de tudo para minha felicidade. Sempre agradeço a isso e acho que se todas as crianças tiverem o apoio que tive e ainda tenho, muitas coisas seriam diferentes.

Sempre no final de um jogo, pergunto aos meus pais:

"E aí o que acharam?" 

E as respostas são sempre as mesmas: 

"Você foi bem filha"

"O jogo foi muito bom"

"Mas você sabe que a gente não entende muito, não dá para nos aprofundarmos. Escutamos todos te elogiando. Então, é porque você jogou bem!"    

E raramente fazem uma análise maior do jogo. Geralmente, eu não ficava muito feliz com isso. Mas com o passar do tempo, percebi que quem tem que fazer a análise é o treinador, e não meus pais. Mas é  claro que esse apoio “diferente” também ajuda, e muito.

Mas às vezes, vejo um certo  exagero, em alguns pais e mães. Eles acham que estão  ajudando, mas em algumas situações estão atrapalhando, por exemplo gritando ao decorrer do jogo, dando instruções para o filho, fazendo, muitas vezes, o filho escolher a opção errada porque talvez o que o professor pediu foi algo completamente diferente. 

Mas claro, faz parte do futebol, do espírito torcedor, sugerir o que um jogador faça. Independentemente de ele ser seu filho ou não,  acaba acontecendo.  Mas é necessário tomar certo cuidado para não interferir no jogo, principalmente na idade que temos. Agora deixar de torcer e apoiar, nunca. 

Outro problema é essa análise depois do jogo. Sei que às vezes a mãe e pai só se importam com o desenvolvimento do filho,  sempre com a melhor das intenções. Só que algumas melhores criticas, construtivas até,  ao invés de ressaltar a exibição do filho acabam apenas focando no lado ruim e isso desmotiva o atleta.

Aí vocês podem me perguntar:

"Luiza, se seus pais não são assim. Da onde você tirou isso?"

Verdade, não posso falar com tanta propriedade sobre o assunto. Mas de vez enquanto alguns amigos meus vem falar comigo coisas como: "poxa, meu pai só me critica!" 

Ou ouço coisas como: "mãe, não vou fazer o que você manda, tenho que ouvir o professor!"    

É,  talvez eu não devesse me intrometer na relação familiar. Mas dessa vez não consegui ficar quieta. Há tempos vejo essas coisas acontecerem. Já vi amigos choramingando por acharem que nunca vão agradar os pais. E que por mais que façam, parece que sempre estarão errados. E eu acredito que não é nada disso. Mas é complicado tirar da cabeça de alguém que não é isso.

Espero que tenha sido uma crítica construtiva para você, mãe ou pai!  E para você,  garota ou garoto que se identifica com essas histórias, tente conversar com sua família. O final dessa história pode ser bem melhor. 

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