Conheça o Strong Funcional, uma alternativa ao crossfit

Juliana Manzato
Juliana Manzato

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manzato Arquivo pessoal

Conheci a metodologia do educador físico Ricardo Mitsuo por meio da Renata, uma amiga que me levou para conhecer a Strong Funcional, box onde ela treina. O Ricardo é formado em Educação Fisica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem especialização em treinamento. Trabalha há 16 anos com o treino funcional, "na essência" , ele deixa bem claro na nossa primeira conversa. 

Hoje, existem muitas variações e adaptações do funcional. A metodologia criada pelo Ricardo busca o melhor desempenho do movimento, com cargas e evolução do corpo, como um todo. A qualidade do treino e o movimento correto são as duas coisas que mais importam. Percebi isso no início da aula experimental que eu fiz no box da Strong, em Moema, São Paulo.

Todos os exercícios são guiados pelo time de educadores físicos da Strong. A carga só é trabalhada depois que o movimento do exercício está correto. O Ricardo preza pela lesão zero, mesmo nos exercícios que exigem forca. Obviamente que, como qualquer atividade, existe a chance de lesionar, mas a técnica dos movimentos ajuda na prevenção. 

Tudo é técnica! Percebi isso durante o circuito em que o Ricardo me acompanhou. Um dos exercícios era levantar um pneu por meio do agachamento. Obviamente que a primeira força que o nosso corpo faz não é a do agachamento em si. Fazemos força no braço - muito mais difícil, diga-se de passagem. Mas voltando à técnica, a força tem que vir por do agachamento. Pronto, três repetições e o encaixe. Não era tão difícil assim. Movimento certo e com carga (O pneu pesava 50kg!).

A metologia criada pelo Ricardo foi inspirada na competição de Strongman. O marido da prima dele era atleta amador e sempre acompanhavam juntos as competições, inclusive transmitidas pela ESPN anos atrás (“Homem mais forte do mundo"). Foi observando as provas de Strongman e estudando movimentos que decidiu adaptar um treino de força bruta dentro do funcional. Dessa adaptação, surgiu o Strong Funcional, um treino completo, dinâmico e com qualidade de movimento.

manzato
manzato Arquivo pessoal

Durante a uma hora de aula, o Ricardo fazia questão de relacionar os movimentos ao nosso dia a dia. Por exemplo, a técnica usada para levantar o pneu é a mesma que podemos usar para tirar caixas pesadas do chão. 

Na Strong, tudo é individual, do planejamento ao treino. Existe acompanhamento e, principalmente, respeito e cuidado com o aluno. Apesar de as aulas serem coletivas, todos são monitorados pelos professores o tempo todo. 

Confesso que, quando cheguei no box, estranhei porque o box até lembra o Crossfit - e eu ainda não contei aqui (rs), mas a minha primeira aula de Crossfit foi meio traumática. Respeito o esporte, mas respeito, também, o meu corpo e vi que aquela modalidade não era para mim.

O Strong Funcional, apesar de utilizar força  e carga, é  completamente diferente, dos estímulos à metodologia. 

Vale a pena experimentar! 

Valeu Ricardo e time Strong ;) 

Acompanhe a Strong no Instagram: @strongfuncionalbrasil

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E a 'torcedora' do Grêmio, hein?

Juliana Manzato
Juliana Manzato
Torcida do Grêmio
Torcida do Grêmio JEFFERSON BERNARDES/AFP

O último domingo foi palco do Gre-Nal em Porto Alegre, mas o que chamou atenção, além do futebol, foi uma “torcedora” do Grêmio. Na comemoração do gol, ela tirou a camisa e deixou os seios à mostra. A polêmica viralizou e a “torcedora” ganhou seus minutos de fama. Isso incluiu entrevistas e até participação em um programa de rádio, que desmascarou a “torcedora” em questão, já que ela assumiu que a intenção era exatamente essa.

De torcedora mesmo, não tinha nada. Estava ali para atrair os holofotes e nada mais. Conseguiu! Não só o holofote como abriu questionamento para a imagem das mulheres no estádio de futebol.  

Nos comentários do twitter, homens e mulheres mostraram sua indignação com o ocorrido, já que muitas mulheres ainda lutam por espaço no futebol. Seja para trabalhar com o esporte, seja para torcer. O assédio ainda é uma questão! 

O contexto como um todo, precisa ser levado em conta, afinal, não é só a exposição, é todo o resto. Penso que o primeiro ponto para análise é a reprodução da imagem. Uma torcedora com o corpo à mostra não deveria virar notícia, mas vira, porque o machismo também se alimenta disso. É sempre bom colocar a mulher dentro de um estereótipo para julgamento. Quanto maior o julgamento, maior o aumento da audiência. 

De certa forma, uma boa parte das pessoas coloca no mesmo balaio “as mulheres que lutam por espaço no futebol” com aquelas “dos seios à mostra para ganhar palco e chamar atenção”. São mulheres com propósitos bem diferentes. Enquanto uma busca os minutos de atenção, outras mulheres buscam oportunidade e respeito, dentro e fora do campo.

São situações como essa que acendem a luz e trazem questionamentos. O machismo, tão enraizado na sociedade, demostra mais uma vez, que ainda precisa ser muito desconstruído. 

A luta vai muito além do corpo exposto e do oportunismo. É questionamento, mudança de comportamento, e vez ou outra, um esbarrão em quem só está preocupada em aparecer a todo custo. 

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Precisamos falar sobre o Monte Everest

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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No final do mês passado, precisamente no dia 23 de maio, uma quinta-feira, o nepalês Nirmal Purja publicou uma foto em sua conta no instagram que ganhou o mundo e levantou questionamentos. Se você acha o trânsito de São Paulo ruim, garanto que o do Everest, rumo ao cume, é pior. Aliás, bem pior por conta da altitude e do previsível mal de montanha. 

A foto em questão é essa aqui:

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Assustadora e bela, a foto trouxe a tona questionamentos sobre o montanhismo, governo nepalês e o quanto o Everest, agora, é pop. Antes mesmo de iniciar minha história com montanhas - que fique claro, sou uma iniciante! - convivi por um período com grandes montanhistas brasileiros. Aprendi muito sobre o esporte que envolve muito mais do que o famoso "sair da zona de conforto" ou a tal "motivação". A montanha, para quem a tem como esporte, é paixão, respeito e humildade. Você pode até pagar US$ 11.000 doláres para conseguir a autorização do governo Nepalês para fazer cume, mas, isso não te tornará um montanhista ou alpinista. 

E aí que a foto em questão fez outra mensagem rodar a rede social e chegar até mim pelo menos umas 100 vezes, essa aqui: 

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Tem uma outra imagem que inclui a história de sair da zona de conforto e tal, mas não achei para ilustrar esse digníssimo texto. Então, o que eu queria dizer para vocês é o seguinte: você não precisa fazer o cume da maior montanha do mundo para saber a hora de ouvir o seu corpo e parar. O Everest envolve riscos altos? Sim. É preciso ter coragem? Sim. Mas uma montanha como o Everest exige muito mais do que análise de risco, coragem ou motivação. Estamos falando de inteligência emocional, que bem, se você não souber trabalhar isso a seu favor, pode ser no Everest ou pode ser na sua mesa de trabalho, você não vai saber lidar com adversidades e vulnerabilidades apresentadas pela vida. 

Outra grande oportunidade que tive na vida foi de conviver com atletas profissionais de esportes radicais. Todos me disseram que a sensação de quase morte era a sensação mais viva que tinham sentido. Quem decide ir para uma montanha como o Everest tem motivos que vão além da sensação de conquistar o topo do mundo. É a busca incansável do ser humano em se conhecer, testar corpo, mente e espírito. É também a busca por importância. Talvez, o topo do mundo revele o que é realmente importante. Talvez uma ultramaratona de 150 km também revele o que realmente importa. Talvez uma corrida, dando à volta no Ibirapuera revele o que realmente importa. 

Sabe o que acontece? As resposta que tanto buscamos não estão necessariamente no desafio que aceitamos. As respostas estão num passo antes, no por quê de escolher determinado desafio. 

Então, sugestão antes de compartilhar mensagens sobre o Everest, limite, zona de conforto, motivação e etc, dá uma olhadinha nos desafios que você anda aceitando para sua vida - ou não. 

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A Marta e o manifesto pela igualdade de gênero na Copa do Mundo dizem muito

Juliana Manzato
Juliana Manzato

Marta aponta para a 'chuteira da igualdade' após marcar gol
Marta aponta para a 'chuteira da igualdade' após marcar gol PASCAL GUYOT/AFP

Foi em dezembro do ano passado que conheci pessoalmente Marta. Foi em dezembro também que me emocionei com o seu discurso no ESPN Bola de Prata Sportingbet 2018. Ser a Bola de Ouro da premiação teve um gosto especial para Marta, tão premiada e aclamada fora do país, o reconhecimento no próprio país precisava vir. E veio. Veio com discurso emocionado e que também emocionou todos os presente no evento. Chorei naquele dia, e ainda choro todas as vezes que assisto. Foi a primeira Bola de Ouro dada a uma mulher, e era ela. (Pega o lencinho e vem comigo!).  

Ontem no jogo do Brasil contra a Austrália na Copa do mundo feminina de futebol, foi a estréia de Marta no torneio. Ela jogou o primeiro tempo, fez gol, atingiu a marca de Miroslav Klose, ex-jogador da Alemanha e maior goleador de Copas do Mundo, com 16 gols. Com os pés, a seis vezes melhor do mundo fez também o seu melhor - e maior - manifesto. O silêncio de quem já disse muito, e que hoje mostra para o mundo por que conquistou um novo recorde nessa Copa. Ah, Marta <3 

Na comemoração, a atenção foi parar nas chuteiras da jogadora. Uma chuteira preta e sem marca definida exibia o símbolo à favor da igualdade de gênero no esporte. Um manifesto tão significativo, que ganhou as redes sociais com apoio e declarações emocionantes sobre Marta e o futebol feminino. Aplaudir de pé é pouco. 

No perfil @goequal_, dá para acompanhar mais de perto o manifesto que traz a tona a desigualdade no esporte em meio à inúmeras polêmicas envolvendo patrocínio. Como falei no outro texto dessa semana, sobra oportunismo e frases de efeito, mas ainda falta o engajamento real das marcas - e do público, para o futebol feminino. 

O abismo entre o futebol masculino e feminino aparece dentro da própria Fifa. Enquanto a premiação na Copa da Rússia no ano passado ficou em torno de US$ 38 milhões, a Copa da França deste ano fará a Fifa desembolsar cerca de US$ 4 milhões para o time vencedor. O #ManisfestoMarta traz à tona não só a relação entre marcas e jogadoras, mas a valorização do futebol feminino dentro da própria federação.

Antes mesmo de discutir sobre o patrocínio de atletas, precisamos falar sobre mídia, oportunidades e também representatividade. Marcas precisam urgentemente mudar o mindset sobre projeção de marca, mídia e resultados. A cultura do nosso país é imediatista para tudo, seja para conquista de títulos ou negócios, isso inclui o posicionamento de muitas marcas que ao invés de desenvolverem um novo mercado, acabam escolhendo o caminho mais fácil para investimento. E ai, meus amigos, essas mesmas marcas querem entrar em campo e jogar o futebol feminino em condições que precisam ser revistas e principalmente, desenvolvidas. 

Se uma chuteira preta fez tanto barulho, imagina o futebol depois dessa Copa? 

#GoEqual #GoMarta #GoFutebolFeminino

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A Copa do Mundo feminina de futebol e a resiliência das mulheres em campo

Juliana Manzato
Juliana Manzato

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Já faz algum tempo que acompanho a movimentação do mercado esportivo com o futebol feminino. Sobra oportunismo e frases de efeito, mas ainda falta o principal: engajamento. No melhor estilo, "falem bem ou falem mal", o futebol feminino ganha palco, holofote, álbum de figurinhas e visibilidade. Uma Copa do Mundo feminina de futebol está acontecendo, e entre jogos do Brasil na Copa América, polêmicas do Neymar, e outros campeonatos ao redor do mundo, nossas atletas ganham manchetes - pela performance e bom jogo, que fique claro. 

Estava mais do que na hora, e convenhamos, tá bonito de ver!  

Cresci em uma família que tem o futebol como esporte, tanto que a minha avó - e ídola - é palmeirense, super engajada nas partidas ouvidas no seu bom e velho radinho de pilha. Ela sabe tudo do Palmeiras - inclusive as contratações(!). Apesar de não ter seguido na linha futebolística, escrever sobre os mais diversos esportes me faz esbarrar no futebol - e dar uma olhada especialíssima no futebol feminino. 

Com tantas discussões sobre igualdade de gênero, feminismo e empoderamento feminino, inclusive no esporte, não demorou muito para grandes marcas surfarem a onda do futebol feminino. Nesses meus 31 anos, é a primeira vez que vou conseguir comprar uma camisa oficial de seleção com nome de jogadoras e com o modelo desenhado para o corpo feminino. É também, a primeira vez que estou acompanhando - e conhecendo - jogadoras de outros times e suas histórias, históricos, estilo de vida e etc. Não só pelo fato de exaltar uma atleta mulher, mas porque vejo no futebol feminino resiliência, resistência e engajamento. 

Engajamento esse que pega carona com os mais diversos movimentos à favor da mulher e da igualdade de gênero. Que também proporciona oportunidade para arquitetar de maneira mais consciente a escolha dessa nova geração de meninas que está por vir, e que, vão viver o "lugar de mulher é onde ela quiser" verdadeiramente.

Quando falamos em arquitetura de escolha trazemos para consciência a quebra de padrões apresentando novas possibilidades (recomendo muito leituras relacionadas a Richard H. Thaler e Cass R. Sunstein, ganhadores do prêmio Nobel de Economia e do livro Nudge). Se até então o futebol sempre foi apresentando como um esporte masculino, o momento atual mostra para a nova geração que mulheres jogam futebol tanto quanto homens. São competitivas, estratégicas, preparadas fisíca e emocionalmente para fazer uma bela partida.

Com tamanha exposição e holofote, conseguimos trazer para nossas meninas a oportunidade de perderem a vergonha e dialogarem com os pais a vontade de jogar futebol. De desenvolverem habilidades que só um esporte coletivo como o futebol pode desenvolver. Oportunidade de conversar e debater com outras meninas sobre o assunto. Estamos criando oportunidade para as outras amiguinhas da sua filha/sobrinha/afilhada/etc também jogarem futebol e quebrarem de uma vez por todas o estereótipo tão batido, mas tão presente, que "futebol é coisa de menino". 

E voltando a arquitetura de escolhas, estamos trabalhando para ter um mundo onde as garotas possam escolher o esporte que elas quiserem. Isso inclui um novo mindset de todos os adultos ao seu redor, para trabalhar o estímulo de novas modalidades esportivas além do tradicional ballet. E digo isso, por que segui exatamente por esse caminho, foram mais de dez anos no Ballet. Tive sorte de crescer em uma cidade do interior de São Paulo, e uma família que me deu acesso ao clube poliesportivo da cidade. Foi ali que entendi sobre diversidade e possibilidade. Futsal, basquete, natação, vôlei, tênis, corrida, artes marciais, e tantos outros.

Precisamos apresentar para nossas garotinhas mulheres que vão além da grande Ana Botafogo. Se tratando do país do futebol, não tenho dúvidas que temos as melhores.

 Da-lhe Marta e todas as atletas da Seleção Feminina de Futebol! 

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Elas só querem treinar

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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Se você é mulher e tem a corrida como hobby ou esporte, já deve ter sido assediada em um dos seus treinos - principalmente se ele for outdoor. Você provavelmente já teve que se preocupar com o caminho que iria fazer até o parque, ou o percurso escolhido na rua. É provável que antes mesmo de ter saído de casa, tenha se preocupado com que roupa iria correr. Inclusive, já deve ter passado calor por não ter tido coragem de tirar a camiseta e só ficar de top. Sair para correr muito cedo? Jamais. Sair para correr tarde da noite? Nem pensar. 

Já vivi todos os questionamentos acima, não foi uma ou duas vezes, acontece quase que diariamente e em boa parte, quem ganha mesmo é a esteira da academia do meu prédio. Não é mais prazeroso do que correr no parque, com o vento na cara, mas pelo menos eu estou em “segurança”. Quero dizer, “falsa segurança” porque o assédio pode acontecer no evelador e até mesmo na academia do prédio. Não estamos imunes.

Não é mimimi, é só querer treinar em paz mesmo. 

Gisele Trento Andrade e Silva, 39 anos, natural de Criciúma - SC, esportista amadora na corrida, bike, natação, musculação e pilates. É mãe do Mateus, esposa do Estevan, Bióloga com especialização em educação ambiental e gestão empresarial estratégica, atualmente é professora de Biologia no ensino médio e cursinho pré-vestibular. É também a mulher por trás do perfil "Só quero treinar" que, com três meses e meio de existência, acumula mais de 11 mil seguidores e MUITOS (!) relatos, alguns publicados anonimamente, sobre assédio e estupro sofrido por mulheres duramente treinos de corrida. 

Falamos por 1h no telefone, relatos de arrepiar até o último fio de cabelo, além de sororidade e empatia, terminamos a entrevista como amigas de infância, coisas que só o esporte, feminismo e empoderamento podem fazer entre duas mulheres que nunca tinham trocado qualquer tipo de mensagem. 

Juliana Manzato: Ainda existem muitos homens - e mulheres! - que acham que todo esse movimento é mimimi. Você não recebeu críticas nesse sentido com a criação da página? 

Gisele Trento: Existe, mas é muito pouco. Até por que um dos objetivos da página é passar dicas de como deixar o treino mais seguro e tranquilo. Empoderamos mulheres e também mostramos aos homens que, aquilo que pode parecer um elogio para eles, é extremamente ofensivo para nós, mulheres. E bem, se o elogio causou qualquer tipo de constrangimento, não é elogio. 

JM: O @soquerotreinar vai muito além de dicas de segurança no treino de corrida para mulheres, qual é o objetivo principal? 

GT: Empoderar mulheres para praticarem o esporte fora da esteira. Queremos ir para rua e conquistar um espaço que é nosso por direito sem sermos importunadas durante o nosso treino. Assédio não é algo normal! Criar uma rede de apoio como a página para mulheres compartilharem histórias, relatos e principalmente, dar dicas de segurança é só o começo para mostrar para os homens - e mais mulheres - que temos voz e podemos encontrar apoio uma na outra. Afinal de contas, todas nós - infelizmente - já sofreu algum tipo de assédio. 

Enquanto Gisele vai me contando sobre os relatos, vou me identificando com muitos deles. Já fui perseguida no trajeto até o parque, já aumentei o volume do fone do ouvido para não ouvir o que aquele homem que passou por mim falou, entre tantas outras coisas. Na página, Gisele compartilha relatos como esses aqui: 





A corrida deveria ser algo simples, colocar o tênis e simplesmente sair correndo, mas... não é bem assim. Não para mulheres. 

 JM: Foi por conta de um assédio que você sofreu que veio o start para criar a página, certo? 

GT: Sim, foi no segundo semestre do ano passado. Estava me preparando para a meia maratona de Florianópolis e iniciando treinos de bike para o meu primeiro Triatlon. Treinos para essas competições são longos, e por vezes é muito difícil achar cia para treinar junto, então para cumprir planilha você acaba treinando sozinha, principalmente nos finais de semana. Em nenhum dos treinos eu tive paz, sempre existia algum tipo de assédio. O mais grave aconteceu em um dos treinos de bike, percebi que estava sendo perseguida e que inúmeras vezes o motorista passava com o carro muito próximo ao meu corpo com a intenção de tocar em mim. Com medo e já pensando no pior, vejo o motorista vindo em minha direção novamente, e fazendo gestos obscenos. Não pensei duas vezes, avistei uma mulher e pedi refugio em sua casa. Nesse dia meu marido precisou ir me buscar para ir embora. Além do medo, pânico e trauma, existe a frustração de não ter consigo terminar o treino, o motivo não foi fadiga muscular ou qualquer coisa do tipo, foi assédio mesmo. 

Gisele ainda me conta que a ideia do perfil era ser mais regional, mas acabou ganhando o Brasil - e o mundo - com relatos de brasileiras corredoras espalhadas pelo globo. Era uma mulher compartilhando vivências de assédio, estimulando outras tantas mulheres a também compartilharem suas histórias criando assim, uma grande rede de apoio.

Muitas dessas mulheres não querem ter suas histórias compartilhadas, mas só o fato de ter do outro lado uma figura feminina para conversar sobre o assunto é reconfortante: “Eu só quero conversar com alguém que me entenda, por que se eu contar para o meu marido ou namorado, ele não vai mais me deixar sair para treinar”, esse é um dos relatos mais comuns que Gisele recebe no perfil. 

JM: Diante de tudo isso que aconteceu com você e com as histórias que chegam ate o perfil, o que é mais gratificante? 

GT: Ajudar mulheres que sofreram assédio voltarem a corrida. A rede de apoio que se formou com o perfil foi uma enorme, e uma gratificante surpresa. Mulheres mudaram seus treinos, ganhando qualidade e um pouco de paz com as dicas e os assuntos abordados no perfil. Recebo relatos de mulheres que vivenciaram a tentativa de estupro e que pensaram em desistir da corrida por causa disso, e acharam no perfil força e motivação para continuar. 

Fica cada vez mais evidente para mim, que todas nós queremos uma única coisa: treinar em paz. Viver em paz! Fica em paz! 

Queremos respeito com o nosso corpo, com as nossas escolhas e principalmente, liberdade para treinarmos a hora que quisermos em segurança. Precisamos urgentemente mudar também o pensamento de muitas mulheres que ainda julgam por conta da roupa de treino, a prática de esporte e tantas outros motivos, uma outra mulher. 

Precisamos de mais perfis como o @soqueroteinar. Mas no fundo, o que nos precisamos mesmo é respeitar o espaço e a escolha do outro. Estamos no caminho, longe do objetivo final, mas ainda assim, no caminho. 

Obrigada Gisele, por tamanha iniciativa!

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A reflexão do dia 08 de março é também para a humanidade

Juliana Manzato
Juliana Manzato

Escalando
Escalando Reprodução

8 de março, Dia Internacional da Mulher. 

8 de março de 2019 e a minha reflexão para esse dia é sobre humanidade. 

Março chegou junto com o Carnaval e ainda não deu para assimilar tudo que aconteceu em fevereiro. 

Hoje faz um mês que aconteceu a tragédia no Ninho do Urubu, CT do Flamengo. Hoje também faz quase um mês que o fabuloso Boechat nos deixou. 

O segundo mês do ano nos pediu humanidade, mas parece que ainda temos muito para aprender. 

A reflexão sobre humanidade no dia 08 de março é proposital, afinal, o patriarcado parece não ser tão humano assim. 

Nós mulheres ainda somos esmagadas pelo sistema. Apesar dos nossos gritos e por muita coisa ter mudado até aqui, o caminho é longo. 

Ainda somos julgadas. Ainda somos caladas. Ainda somos rebaixadas. Ainda somos humilhadas. Ainda somos chamadas de loucas e putas. Ainda somos oprimidas. Ainda somos olhadas. 

E eu te pergunto: isso é humano? 

Precisamos fazer um escarcéu para nós ouvirem. Ainda precisamos quebrar tabus. Dois mil e dezenove. 

 Marta tem razão: 

 

A WSL finalmente entendeu sobre "Equal pay": 



“Se demonstramos emoções somos chamadas de dramáticas. Se sonhamos com oportunidades iguais estamos delirando. Quando somos boas demais há “algo de errado com a gente”. Se ficamos bravas somos histéricas, irracionais ou estamos ficando loucas, mas… uma mulher correndo uma maratona foi considerada louca. Uma mulher lutando boxe foi considerada louca. Um mulher enterrando uma sexta, sendo técnica de um time da NBA, competindo com um hijab ou vencendo 23 grand Slams, tendo um bebê e depois voltar às competições para mais conquistas? Louca, louca, louca, louca e louca. Se eles quiserem me chamar de louca, tudo bem. Mostre o que a louca pode fazer. Só é loucura até que você o faça.” 

O 8 de março talvez mereça um minuto de silêncio. 

O que você está fazendo para mudar a vida de outras mulheres? 

O que você está fazendo para mudar o rumo da humanidade?

O que você está fazendo para se tornar um pouco mais humano? 

 Lembre-se: só é loucura até você fazer. 

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Snowboard, seu esporte na próxima temporada de neve!

Juliana Manzato
Juliana Manzato
A Gabi!
A Gabi! Juliana Manzato

Foi dada a largada para a temporada dos esportes de inverno! Os entusiastas e esportistas do snowboard e esqui já começaram a pipocar no meu feed. Muitos escolhem como destino para a prática as montanhas do velho continente e até mesmo as americanas, mas não podemos esquecer que já já começa a temporada de neve aqui na América do Sul e convenhamos: agora é uma ótima hora para planejar uma viagem dessas.

No ano passado, tive o prazer de conhecer Cerro Chapelco, o complexo turístico localizado na província de Neuquén na Patagônia Argentina. Para os amantes do esporte, a dica: a estrutura de Chapelco é ainda melhor que da vizinha Bariloche. Por ser um pouco menor, é até mais acolhedora e charmosa. Sem contar que o complexo fica na cidade de San Martin de Los Andes, com diversas opções de hotéis, restaurantes, passeios e entretenimento, inclusive boas festas pós esporte - vá ao Torino, e conheça o pub The Cuchitril. São imperdíveis! 

A viagem para Chapelco não foi especial só pela retomada ao snowboard, mas principalmente por ter levado uma das minhas melhores amigas para experimentar o esporte pela primeira vez. Com vocês, Gabriela! 

Quando fiz o convite para a Gabi, veio a pergunta: "posso ir no esqui? Nunca fiz snowboard". Bom, levando em consideração que iríamos só nós duas, se ela fosse para o esqui iríamos passar a viagem praticamente separadas. "Vamos tentar o Snowboard e se você não gostar vai para o esqui, Gabi, pode ser?". Gabi topou na hora. Eu sabia que inicialmente ela ficaria insegura em relação ao snowboard, até mesmo por muitos considerarem o esporte mais "radical" que o esqui, pelo impulso, velocidade, manobras e etc. 

Com vocês: Gabi.
Com vocês: Gabi. Juliana Manzato

Apresentar um novo esporte para alguém é desafiador. É o amor ou ódio, a diversão ou tédio, um abismo. Eu sabia que a viagem com a Gabi seria incrível de qualquer maneira, porque além de ser uma das minhas melhores amigas, é também uma das pessoas mais divertidas que eu conheço. Descer a montanha de snowboard ao lado dela seria especial. Seria o apoio que eu precisava para voltar. Arrisquei e, alerta spoiler, não me arrependo de nada. Não só descemos a montanha, como nos divertimos muito entre tombos, crises de riso, além da experiência de "fecharmos" Chapelco - se não for para sermos as últimas a sair da estação de esqui, nem vamos!  

 Viajar com alguém que goste de sair da zona de conforto, principalmente quando o assunto é esporte, é essencial. 

Sempre acreditei que o início - ou retomada - em qualquer esporte, precisa ser encarado com humildade e olhar de construção. Cada dia é como um tijolinho: se você quer construir um muro, é necessário colocar um por vez. Ou seja, não vai adiantar em nada subir para as pistas mais avançadas se você não consegue sair da cadeirinha do teleférico deslizando com uma prancha de snowboard amarrada em apenas um dos pés. (Em tempo, esse teste aí foi o suficiente para eu e Gabi percebemos que: 1 - não é só cair, é ter crise de riso junto e encontrar forças para levantar; 2 - não conseguimos sair da cadeirinha decentemente. Era melhor não passar - mais - vergonha ainda nas pistas avançadas; 3 - deixamos o desafio para a temporada desse ano!)

Seguindo essa máxima, o nosso primeiro dia na montanha teve professor, aula e muitos tombos. Inês, uma argentina super simpática, foi a nossa primeira professora. Seguimos o dia com dicas do Thiago Grava, um grande amigo brasileiro e atleta de Snowboard. 

Ter ao lado pessoas que nos incentivam no esporte, é crucial para o desenvolvimento. O Thiago é amigo de longa data! Me incentivou no inicio do wakeboard e na volta ao snowboard. Ter o incentivo dele na descida da montanha fez toda a diferença. Aliás, dele e da Jéssica, sua namorada, esportista, mulherão da p* e mega inspiração para nós duas.  

O esporte para mim é mágico justamente pela conexão e admiração que cria entre as pessoas. Ele pode não ser necessariamente o destino, mas é a ponte para um aprendizado ainda maior. Fazendo um paralelo, quanto mais pratico esporte, mais me apaixono por gestão de pessoas. Como empreendedora na área de mídia, o meu contato com pessoas é intenso, justamente por conta das negociações. O esporte me lapidou muito para estratégias comerciais, incentivo em metas, e principalmente, é necessário haver troca. O outro sempre vai ter algo incrível para nos ensinar e precisamos estar atentos a isso. Perdemos oportunidades de aprender algo novo de uma maneira mais fácil por simplesmente acharmos que damos conta sozinhos. 


Saindo de Chapelco logo no primeiro dia, exaustas e doloridas depois de tantos tombos, ouço da Gabi: "Até o final dessa viagem a gente vai descer pelo menos uma vez essa montanha". Caímos na gargalhada. 

"Será mesmo?" - pensei comigo. 

E nessa hora a paixão por praticar esporte e gostar de desafios bate forte. Onde já se viu pensar nesse "será mesmo?". De onde você tirou essa dúvida, garota? Será não! Já é! Vocês vão descer sim a montanha. Vai ter tombo? Vai, sim senhora! Mas também vão ter risadas, vai ter a Gabi ali do lado, vai ter o visual incrível da Cordilheira dos Andes, vai ter aquela coleção boa de histórias para você contar.  

É nessa hora que você dobra o desafio com a emoção, e traz a razão para o jogo. Desafia que eu dobro a aposta e ainda me divirto com o resultado. 

A viagem de seis dias para Cerro Chapelco foi o resultado dobrado - e divertidíssimo - de uma bela aposta. Uma cordilheira para ser admirada durante a descida, neve, prancha de snowboard nos pés, a melhor amiga ao lado. Pronta, Gabi? Vamos! 

Deslizar, estar cem por cento presente, achar o ponto de equilíbrio, conseguir trocar a base, cair, rir, levantar, respirar, tentar de novo, e de novo, e de novo. 

 O esporte imita a vida, é cheio de bonitos recomeços. 

 Obrigada, Cerro Chapelo! Foi um - incrível - recomeço. 

 

Fonte: Juliana Manzato

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Liberte-se - Esporte x Corpo

Juliana Manzato
Juliana Manzato
Os primeiros 5km a gente nunca esquece
Os primeiros 5km a gente nunca esquece Arquivo Pessoal

O último ano foi bastante questionador para mim. Compartilhei muitas questões relacionadas a corpo, cobranças, ditaduras de beleza e auto estima com amigas próximas, conhecidas e até desconhecidas. Afinal, por que o corpo bonito ainda é mais valorizado do que um corpo saudável? 

Fiz uma análise superficial em algumas @'s que sigo no instagram, li muitos conteúdos relacionados e cheguei a conclusão que ser "fitness" vende. Vende muito mais do que ter um esporte para chamar de seu e compartilhar nas redes. As pessoas querem dicas de como o outro conquistou aquele corpo torneado. As pessoas não estão preocupadas com conteúdo de bem estar. Quando lêem, o conteúdo é superficial. Já que não dá audiência, para quê insistir? É melhor voltar a postar o corpo. Elas estão preocupadas em quanto tempo a barriga vai chapar, o braço vai definir ou a perna vai tornear. 

Não se pode mais fazer Crossfit pelo simples prazer de competir e ver os resultados chegarem através desse prazer em competir. Não se pode mais correr sem postar uma foto do relógio mostrando o resultado alcançado pelo simples fato da superação própria, é preciso mostrar para o outro que o meu tempo é melhor do que o dele. Um novo esporte só é válido se você emagrecer e mostrar um abdomên com gomos no feed. As pessoas não se importam - tanto -  com o que você escreve na legenda. Não se a sua foto for milimetricamente pensada para impactar quem não tem a sua barriga chapada, seu braço torneado ou seu tempo de corrida. 

Nas questões que compartilhei insistentemente, mulheres como eu e como você, que está lendo esse texto, se mostraram interessadas em conteúdo de verdade, onde a realidade da barriga chapada, do braço torneado e do tempo da corrida, é quebrada por pizza, vinho e rodada de risadas com amigos. O Whey é importante, mas não me venha com essa história de brigadeiro de whey, queremos o outro, aquele de verdade, com leite condensado, manteiga e chocolate em pó. Posso não ter a barriga chapada, mas a vida social tá em dia e melhor do que isso, sem culpa. Sabe por quê? 

Wings For Life
Wings For Life Arquivos Pessoal

O prazer não está apenas em comer ou ter gominhos no abdomên para foto da rede social. O prazer está na corrida no parque, todos os dias de manhã. Está na distância que você conseguiu quebrar na última remada de Stand Paddle. Está no velejo do final de semana, na represa ou no litoral. Está nas ondas que você pegou naquele bate e volta da praia em plena quarta-feira. Está na quadra de squash, no jogo de beach tênis, no treino de bike, naquela primeira aula de Kite-surfe, no trekking do final de semana, na natação. Está na medalha que você ganhou da última competição que participou, no suor que escorreu, no gole d'água, na linha de chegada, na distância que aumentou. 

O esporte constrói o que nenhum treino que promete barriga chapada constrói: consciência nas escolhas, planejamento e quebra dos próprios limites. O dia que as pessoas entenderem que o esporte te entrega muitas outras coisas além de um corpo bonito, talvez a gente possa comemorar comendo pizza, tomando vinho e vivendo pequenos prazeres que hoje em dia ganharam peso com culpa e, de quebra, sabor de frango com batata doce e ovo cozido. 

Regras foram feitas para serem quebradas, sua mente sabe disso, a sua vontade de comer doce também. Não seria melhor movimentar o corpo encontrando prazer em praticar um esporte que esvazie sua mente e te tire da zona de conforto do ciclo dieta-treino-dieta? Não seria melhor ganhar likes e elogios em redes sociais pela vida verdadeira que você leva? 

Já vi de perto grandes influenciadores "fitness" venderem saúde através de pratos lindos de salada e tabata de abdomên, mas não compartilharem o brigadeiro - aquele bem gorduroso - que comem ou o cigarro que fumam vez ou outra em uma festa. Aquela bunda que você vê no instagram, acha incrível e treina feito louca para conquistar é facetune, amore! 

Mais vale se inspirar em gente que é ativa, equilibrada, dedicada, e que bem, tem uma celulite ou outra, do que aquelas que vendem um corpo não tão saudável assim.  

O esporte é o caminho do meio, vai por mim. 

Fonte: Juliana Manzato

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Liberte-se - Esporte x Corpo

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Eu fiz as pazes com o mar; como é bom voltar!

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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Dezembro é um mês em que parece inevitável não fazer uma análise se quer sobre a sua vida. Não que sobre muito tempo para tal análise, mas todas as vezes que coloco a cabeça no travesseiro penso em todas as possibilidades que se abriram em 2018, entre elas a volta ao surfe. 

Voltar a praticar esporte no mar foi um dos grandes feitos desse ano. Depois de um bom tempo longe das ondas, está sendo incrivelmente bom voltar. Parece que a garota de 15 anos atrás se fez fênix, ressurgindo das cinzas, para enfrentar o trauma e dominar seus medos. E posso dizer com propriedade que não existe nada mais bonito do que isso. 

Pegar a primeira onda de bodyboard foi mágico! O mar me rejuvenesceu quinze anos! Aquela garota ainda estava dentro de mim, louca para ir ao mar se divertir, trazendo à tona sensações que eu não lembrava ter sentido. A conexão aconteceu de maneira imediata! "Onde eu estive esse tempo todo?", foi a pergunta que eu fiz saindo do mar depois de uma sessão de surfe. Fez todo sentido! Eu não sabia exatamente onde eu havia me perdido, mas ali eu tive a certeza de ter me encontrado. 

Fiz as pazes com aquela garota dos 15, com o mar e com o esporte. Foi o abraço mais gostoso que eu dei na vida! 

Voltar depois de um trauma é ter que saber lidar com adversidades e com o medo de maneira redobrada. O medo sempre faz ronda, não desiste fácil, é preciso um bocado de determinação e foco para se manter firme. Respirar, acalmar e lembrar que o motivo de estar ali é conexão. Muito além disso, é preciso respeitar o mar. Não é porque eu voltei que vou me arriscar em dia de mar grande, por exemplo, e isso não significa que não vou tentar. Significa que é já já. Demorei a perceber, mas o esporte é a mais pura construção de auto confiança. 

É lindo superar limites, mas é sempre bom relembrar que ninguém ganha do mar. É necessário respeito e conexão. Sem isso, o surfe deixa de ter a magia que tem. Todos os esportes exigem um alto grau de concentração, mas o surfe, bom, o surfe...  

Talvez por envolver "mar", o transporte é quase que imediatamente para o estado meditativo mais profundo. Ou você se entrega ao momento presente, ou não é surfe. 

E nessa de avaliar a vida e os acontecimentos, percebo que em meses, o surfe mudou coisas que em anos em não consegui - mesmo com ajuda de terapia, tá? Eu não teria como ser mais grata e feliz por ir para o mar me conectar - comigo mesma, com a natureza e com o esporte. 

A vida exige entrega, o esporte idem. Confia, entrega, divirta-se. (Sempre dá certo!). Talvez você não precise de um começo, um recomeço basta para mudar tudo. Vai por mim. 

Fonte: Juliana Manzato

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Eu fiz as pazes com o mar; como é bom voltar!

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Respeita as minas!

Juliana Manzato
Juliana Manzato
Invisible Players
Invisible Players espnW

Ainda tenho muitos gritos presos na garganta. A cada nova conquista, independente da modalidade, um grito. Ainda falta muito! 

Serena, Sue, Stephanie, Tati, Silvana, Maya, Marta e tantas outras mulheres fazem história no esporte além de darem nome aos meus gritos. Num tempo onde o machismo parece insistir em aparecer, cada feito é um verdadeiro tapa na cara daqueles que ainda duvidam. 

O esporte feminino merece mais visibilidade e respeito! Patrocinadores de verdade, campeonatos de verdade, premiações descentes e principalmente, respeito do público que se diz fã de esporte, mas mal assiste campeonatos femininos. E isso me lembra esse vídeo aqui, quando o espnW fez a sua estreia no Brasil. 


O vídeo é de 2016, mas nada como assistir em pleno 2018 para ver que... bem, mais atual impossível. E apesar de atual, de lá pra cá, bastante coisa mudou. A WSL, por exemplo, decidiu premiar atletas de elite do masculino e feminino por igual no seu #EqualByNature. A North Face abraçou as mulheres da montanha com carinho e contou histórias incríveis através do #SheMovesMountains. A Nike deu ainda mais voz a mulheres em suas campanhas. Nunca se viu tantas campanhas publicitárias dando voz, visibilidade e endosso a mulheres do esporte. Um grande passo para o setor.  

O mercado parece ter entendido (finalmente!) que lugar de mulher é no esporte que ela quiser. E mais do que praticar um esporte, essas mulheres tem poder de consumo imenso. Mulheres inspiram outras mulheres, no esporte e também no consumo.  

Em Rallying Cry, um dos comerciais lançados pela Nike no mês passado, uma frase me chamou atenção. 

'Faça o mundo ouvir'
'Faça o mundo ouvir' Reprodução

"Make the world listen", algo como “faça o mundo ouvir”, foi aquele grito que eu gostei de soltar mais uma vez. Em meio a uma sociedade tão machista, cada degrau alcançado é uma vitória. Por isso que, ter mulheres como a Ju Veiga, a Ju Cabral, a Marcela Rafael, a May Munhos, a Flavia Delaroli, a Vivian Mesquita, a Luciana Mariano, a Bibiana Bolson, a Alana Ambrosio e outras mulheres que fazem parte do time da ESPN traz um certo conforto. Elas não só engrossam o coro pelas mulheres, como mostram competência e propriedade quando o assunto é esporte.

Equal vibes, permaneça! O mundo precisa mais do que nunca disso! #GoGirls 

Fonte: Juliana Manzato

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As montanhas são muito mais do que um visual bonito

Juliana Manzato
Juliana Manzato

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Menos escritório e mais vida lá fora. 

Há pouco mais de três anos tenho me dedicado ao conteúdo esportivo, não o de performance, mas o de vivência. Busco personagens com grandes feitos, me arrisco em atividades que nunca fiz, ouço histórias, escrevo sobre gente comum que não está em busca de medalha, só está afim de qualidade de vida. Desde então o meu escritório passou a ser o mundo, por isso que aquela primeira frase se tornou praticamente o meu mantra. 

O esporte tem me levado por caminhos inesperados e inspiradores. A vida lá fora, de fato, ensina muito mais que a rotina cercada de paredes. “Lá fora”, o ambiente não é controlado. Pelo contrário; é dinâmico. Tudo muda o tempo todo e constância não é uma palavra muito usada. “Lá fora” não existe zona de conforto. Pelo contrário; é perrengue, é a verdadeira sobrevivência e conexão com o nosso lado mais selvagem. 

Não é a toa que a quantidade de pessoas buscando esportes outdoor tenha aumentado tanto. É a melhor maneira de se conectar com a essência, e porque não, aquilo que realmente vale a pena. “Lá fora” parece transformar “aqui dentro” em todos os sentidos. 

A nova linha de gestores vem com o módulo esportista. Quem pratica esporte gerencia melhor e encontra muito mais que performance ou um novo significado para limites próprios. É o alívio da insana rotina. 

Nessa busca por esportes e novidade, esbarrei na Patagônia, mais precisamente em San Martin de Los Andes, o trekking. Fui atrás de esportes de neve (papo para outro conteúdo), mas acabei esbarrando nele. Não fui nem um pouco resistente em aceitar o convite para conhecer o Mirador Bandurrias, entre um tombo e outro no snowboard.    

A Patagônia é famosa por seus visuais incríveis e eu sabia que percorrer esses quase 5km seria a mais pura contemplação e meditação. O trekking, apesar de não ser um esporte solitário, é meditativo. Olhar para o caminho não tem tanto significado quanto olhar para os próprios pés. Pisar em segurança é tão ou mais importante do que admirar o visual ao redor. Um belo treino de Mindfulness para a trilha e para a próxima decisão importante no escritório. 

Esse visual <3
Esse visual <3 Arquivo Pessoal

Bandurrias é especial. O mirante é um presente para aqueles que arriscam a subida. De um lado, a pequena San Martin de Los Andes, no meio as montanhas de Chapelco e do outro, o azul intenso do lago Lacar e a cordilheira dos Andes. Em linha reta, cerca de 20 km separam San Martin da fronteira entre Argentina e Chile. É de perder o fôlego. É um vento de cortar o rosto. É incrível. 

Dividi o visual e a trilha com duas mulheres, no maior estilo Girl Power. 

Nosso trekking no estilo Girl Power e eu, muito bem acompanhada
Nosso trekking no estilo Girl Power e eu, muito bem acompanhada Arquivo Pessoal

Gabriela é uma das minhas melhores amigas, viajou comigo e estreou no trekking nesse dia. “‘É cansativo, mas o visual é incrível”. Me orgulho da Gabi! Sair da zona de conforto e aceitar um convite para o desconhecido não é para qualquer uma. Um trekking de 5 km para mim não é muita coisa, já estou acostumada com distância maiores, mas para ela foi uma nova experiência. Um cansaço novo. 

Marcela é a nossa guia. Quando fechei o trekking não havia pedido uma guia mulher, justamente por ser muito difícil ter. De repente uma mulher, eu não poderia ser mais sortuda. Marcela é empreendedora, tem uma empresa voltada para esportes de aventura na região, mãe de três meninas, esportista nata, feminista, capoeirista, fala bem o português. Trocamos olhares e histórias. Identificação imediata. Falamos de politica, da polêmica legalização do aborto na Argentina, falamos do caso de Mariele, que aconteceu aqui, mas também repercutiu por lá. 

Não foi só um trekking. 

Não é preciso uma análise muito profunda para trazer uma vivência com o esporte para o dia a dia. O resultado do trekking pode até ser um visual bonito, mas o caminho até lá tem o que realmente importa. Tem a presença, a meditação, a contemplação, a conversa, a conexão, com o mundo e com quem está do seu lado. 

É muito mais do que um visual bonito, performance ou esporte. Vivenciar o “lá fora” pode ensinar muito mais sobre gestão e decisão do que muito MBA.  

Fonte: Juliana Manzato

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O empoderamento feminino no bodyboard

Juliana Manzato
Juliana Manzato
Oficina de bodyboard
Oficina de bodyboard Mário Nastri e Rafael Gomes

Quando a Patricia Wright e a Andrea Carvalho me convidaram para a Oficina de bodyboard com o Fabio Aquino, fiquei lisonjeada. Fabio é um dos maiores bodyboarders do Brasil e fomenta o esporte através de suas oficinas mundo afora. Estava curiosa para conhecê-lo pessoalmente e saber seus conselhos e dicas. 

Em tempo, aos 15 anos eu praticava bodyboard durante as férias de verão. Foi num dia de mar grande e vontade de se arriscar que tomei uma das maiores vacas da minha vida em Itamambuca, litoral norte de São Paulo. Além da sensação de quase morte, o trauma. Depois desse dia eu tinha decidido que nunca mais pegaria onda de bodyboard e assim foi, até conhecer a Andrea, minha maior incentivadora na volta ao esporte. 

Andrea mora em Cambury, litoral norte de São Paulo, e já foi personagem da minha coluna. Ela faz parte de um grupo de mulheres que são amigas há mais de vinte anos e pegam onda de bodyboard juntas desde então. Com a nossa aproximação, acabei conhecendo algumas meninas que me encorajaram a voltar para as ondas. 

A oficina com o Fabio apareceu no momento da retomada, quando finalmente decidi encarar o trauma e voltar para o mar. As participantes da oficina eram mulheres reais, que viam no bodyboard a válvula de escape para uma rotina insana. Algumas delas moravam no litoral, outras viviam em São Paulo, mas todas buscavam no mar a conexão para viver com mais qualidade, e melhor. 

Com perfis, idade e profissões diferentes, as mulheres que participaram da Oficina de bodyboard tiveram, além da conexão com a natureza, uma aproximação maior entre elas mesmas. Ninguém estava ali para competir, todas queriam diversão e leveza. Queriam sim aprimorar técnicas, superar limites, mas não era só isso. 

O mar, naquele final de semana estava grande, cerca de 1,5m. Não era só ter vontade de entrar, a coragem fazia toda diferença. As ondas de Cambury são conhecidas como “bombas”, ja que são ondas fortes, cavadas e para frente. 

Ali na beira mar Fábio me diz: “Essas mulheres são corajosas”. Concordo com ele. A maioria das participantes da oficina além de já terem experiência no bodyboard, também pegam onda em Cambury, só por isso arriscaram a entrada. 

No primeiro dia, decido ficar na areia e observar, algumas meninas tem dificuldade de passar a arrebentação e voltam para o nosso QG. Além do cansaço da remada, o medo. Um respiro, uma dica do Fabio, é hora de voltar para o mar. Uma nova tentativa. Conseguiram. Boas ondas! Algumas horas depois todas estão reunidas comentando sobre a “queda”, a troca de elogios acontece naturalmente, as dicas entre elas também. Ninguém quer competir, o esporte ali é empoderamento e diversão.  

Não era um final de semana de sol e calor, pelo contrário, era cinza, chovia e fazia frio. “‘É perregue? Então estamos juntas no perrengue”, me diz uma delas. Abro um sorriso e penso: “É isso”. Me dá um certo alívio encontrar mulheres que se apoiam no esporte e fora dele, afinal de contas, todo mundo está ali por um único motivo: a sensação incrível de liberdade que surge enquanto a prancha desliza no mar. 

Em muitas pautas esbarrei no ego feminino, mulheres que usam o empoderamento para benefício próprio. Empoderar está na moda, é uma palavra muito usada, mas pouco aplicada, principalmente no esporte. No caso das meninas do bodyboard o apoio era genuíno, o esporte ali não era o fim, mas o meio. 

No segundo dia da oficina, Fábio e as meninas queriam me ver no mar, relutei. Apesar do mar ter diminuído, para mim ainda era uma verdadeira montanha. Fábio percebe meu medo, as meninas também. “Vai Ju, tenta de novo”. Penso, respiro fundo. Lá vou eu. 

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Fábio entra comigo, Grazi e Paulinha ficam na areia. Não vamos para o outside, ficamos na arrebentação, me dá um medo danado, mas Fabio me tranquiliza. Me posiciona e quando eu me dou conta estou de volta ao bodyboard. Olho para areia, Grazi e Paulinha estão lá vibrando. Pronto. É disso que eu to falando. 

Durante a oficina, Fabio diz uma frase que me marca muito: “Ninguém ganha do mar. A gente vence o medo”. Quantos medos você tem? Quantos medos você enfrenta? Quantas vezes você se arrisca de verdade?

Enfrentar um trauma é sem dúvida alguma um grande passo, mas esse passo fica maior ainda quando temos ao arredor gente como a Andrea, a Grazi, a Paulinha, a Paty, o Fabio... 

No esporte e na vida a gente precisa se cercar de gente que acredita, que apoia, que incentiva. Por que de resto, bom, o resto é competição desnecessária e ego. 

Paty e Andrea, obrigada pelo convite e pela recepção! Grazi e Paulinha, obrigada pelo apoio! Fábio, obrigada por me mostrar que até mesmo os piores traumas podem ser enfrentados de maneira leve. 

Que venha a próxima oficina de bodyboard! Eu já estou ansiosa para cair na água com vocês!

Fonte: Juliana Manzato

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O empoderamento feminino no bodyboard

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Muito maior do que o Everest: a história da mais jovem brasileira a chegar ao topo da maior montanha do mundo

Juliana Manzato
Juliana Manzato
Com apenas 23 anos, Ayesha é a primeira brasileira a alcançar o topo da maior montanha do mundo
Com apenas 23 anos, Ayesha é a primeira brasileira a alcançar o topo da maior montanha do mundo Arquivo pessoal/Instagram.

Conheci a Ayesha pessoalmente no dia da entrevista, mas a minha sensação foi de conhecê-la há muito mais tempo, talvez pelos amigos em comum. O nome dela sempre acabava surgindo quando o assunto era montanha.

Ouvir sua experiência com montanha no auge dos seus 23 anos(!) foi um baita presente para os meus 30. Formada em dança pela Unicamp e filha única, realmente não foi difícil encontrar pontos comuns aos meus. Sou ex-bailarina e também filha única. 

Em maio desse ano, Ayesha se tornou a mais jovem brasileira a chegar ao cume do monte Everest, a maior montanha do mundo com 8.848 metros de altitude. 

O Everest chegou na vida de Ayesha antes, aos 15 anos, quando foi acompanhar os pais, Lyss e Renato, no famoso trekking até o campo base. Pode soar estranho, mas Ayesha demorou para entender tudo que aquela marcante viagem iria lhe proporcionar. Foi voltando dessa viagem para o Nepal que Ayesha decidiu abraçar o projeto dos 7 cumes. A vivência na montanha foi realmente marcante, o gatilho que faltava para despertar a montanhista que existia dentro dela. 

Kilimanjaro, Elbrus, Aconcaguá, Denali e outras montanhas estão no currículo da jovem montanhista. 

Foi num final de semana de piscina e troca de ideias com o pai, Renato, que o Everest deixou de ser um sonho e se tornou realidade. A batida de martelo aconteceu em novembro de 2017, a saída da expedição aconteceria em abril de 2018. 

Numa ligação para a amiga, a guatemalteca Andrea Cardona, primeira sul americana a subir o Everest, o choque de realidade: a preparação física para o grande desafio. Como o tempo era curto, o treinamento teria que ser pesado. E assim foi até o embarque para a expedição. 

 Uma expedição ao cume do Everest dura quase 2 meses! A expedição de Ayesha chegou ao Nepal no final de março e só atingiu o topo mais alto do mundo no dia 20 de maio. Mas antes do cume, ainda tem muita história.

Tudo começa na capital do Nepal, Kathmandu, onde as expedições fazem os últimos ajustes antes pegarem o voo até Lukla, o ponto de partida para o trekking. A expedição de Ayesha fez a caminhada até o campo base em 9 dias. Durante a caminhada Ayesha reviveu momentos e lembranças daquele primeiro trekking, quando tinha apenas 15 anos. 

Ayesha, Renato - o pai e Carlos - o guia.
Ayesha, Renato - o pai e Carlos - o guia. Arquivo Pessoal/Instagram @ayeshazangaro

Quando pergunto a ela a sensação de chegada ao campo base seus olhos brilham. “Foi como chegar em casa". De fato, o campo base seria a “casa” da família Zangaro pelos próximos meses. Tornar um lugar, lar, traz a tona sensações antes desconhecidas. Ayesha me conta que se surpreendeu com a emoção do pai ao chegar no campo base e que se emocionou com a Puja, cerimônia de permissão e proteção para a subida ao Everest. Estar na maior montanha do mundo é para poucos e ela sabia disso. 

Ayesha tem os pés no chão. Ela me diz algumas vezes durante a entrevista que ainda é difícil acreditar em tudo que ela viveu. Parece não acreditar que conquistou o topo do mundo. Humildade é uma característica admirável no ser humano. 

Até atingir o topo teve organização de equipamento, escalada e cascata de gelo, ciclos de aclimatação, barulhos constantes de avalanches, contagem regressiva, choro, hormônios desregulados, tempestade de raios, medo do escuro e outros tantos medos. 

Penso: ela só tem 23 anos! E me lembro que mulheres maravilhosas não usam capas, às vezes elas são bailarinas que sobem montanhas. 

Pergunto para Ayesha em qual momento ela sentiu mais medo: “Atravessar as gretas. O lugar parece estar vivo. Muita gente já morreu ali, é uma energia pesada". O agravante? “Precisa ser atravessado na madrugada, antes do sol nascer. Ali aparecia com mais intensidade o meu medo de escuro”. Ayesha teve que passar pelas gretas algumas vezes, justamente por conta dos ciclos de aclimatação. 

Ayesha tinha bons aliados na expedição, Renato, o pai, um guia experiente, Carlos Santalena, que até então, era o mais jovem brasileiro a subir o Everest, e a mãe, Lyss, que ficou no campo base durante toda a expedição. Provavelmente sem o apoio de cada um deles, a subida ao topo do mundo não seria a mesma. 

Convivência. Pergunto para Ayesha como foi conviver com os pais na montanha por tanto tempo. “A montanha nos une. Seja nos assuntos cotidianos ou em alguma expedição. Apesar de morar com os meus pais, no dia a dia nossos horários são bem diferentes, então não existe uma convivência tão intensa. Na montanha temos oportunidade de realmente ter rotina". A convivência intensa traz diferenças a tona, Ayesha me conta que ela e Renato tem posicionamentos muito diferentes e que sempre acaba gerando alguma discussão, mas a montanha aflora o entendimento, a paciência e o cuidado com o outro. 

Uma expedição como essa exige um preparo não só físico, mas mental e emocional. Aceitar um desafio como esse é ter plena consciência que zona de conforto é um termo inexistente no vocabulário. É ir sabendo que quando voltar, não será mais a mesma pessoa. 

Mas o Everest é realmente tudo isso que dizem? Pergunto eu. Ayesha suspira. “É uma sensação de quase morte na verdade. É uma luta para sobreviver, uma sensação de sufocamento. Você vai para o extremo, são dois meses longe de todas as referências que tem na vida. É muito tempo no perrengue e no desconforto. A intensidade aparece não só nas avalanches, mas em cada minuto do dia. É um desgaste absurdo”. Seus olhos brilham ainda mais, “Mas vale muito a pena!". É, Ayesha, eu imagino que valha mesmo. 

“Um dia de cada vez”, Carlos Santalena, o guia, reforçou isso durante a expedição toda, e parece que isso marcou muito Ayesha. Foi a frase que ela mais falou durante toda a entrevista. Ela me conta que tinham dias que eram 13, 14 horas para ir de um acampamento a outro. Foram 7 horas para passar pela cascata de gelo. O ataque ao cume levou aproximadamente 12h! É planejamento, mas também é ter inteligência emocional para lidar com as adversidades de um ambiente tão extremo e selvagem. 

Eu sempre imaginei que o dia anterior ao ataca ao cume fosse de muita ansiedade, bem, não existe ansiedade, existe desgaste, físico e Mental. Ayesha me conta que o ataque ao cume foi a pior noite da sua vida, já que teria que passar a noite toda escalando. “Quando eu soube que sairíamos as 19h, eu desabei. O medo do escuro e de morrer congelada vieram a tona". 

“Começou o ciclo de consciência e desistência. Eu queria muito estar ali, mas me perguntava o tempo todo o por que estava fazendo aquilo comigo. Pensei em desistir inúmeras vezes". E logo depois de contar sobre a quase desistência ela me conta sobre essa foto aqui. O Himalaia com a sombra do Everest projetada no nascer do sol. Ela abre um sorriso, eu também. “É uma mistura de sonho com anestesia, Ju”. Eu acredito, Ayesha. 


Mas a extrema natureza, além de ser bela, também traz a sensação de quase morte. Sensação essa compartilhada com o pai. Um detalhe da máscara de oxigênio de Ayesha havia caído antes do ataque ao cume, e o detalhe que parecia superficial, trouxe preocupação. O pedaço que faltava deixava uma parte da máscara exposta ao vento e fazia com que uma parte do oxigênio vazasse. Faltava cerca de meia hora para atingirem o cume. 

O pai, vendo o perrengue da filha, entrou em ação. “Ele foi me empurrando pela mochila". Super-Renato! 

Ayesha chegou ao cume do Everest com metade do oxigênio que deveria ter. 

O Super-Renato
O Super-Renato Arquivo Pessoal/Instagram @ayeshazangaro

“Eu cheguei e sentei. Estava acabada, tremendo, anestesiada, mal acreditava que estava lá. Dizem que dá para ver a curvatura da terra lá de cima, eu não vi nada. Eu estava no modo sobrevivência e ainda não tinha noção do meu feito. Era a minha cabeça brigando com o meu corpo.”

Já no acampamento e trazendo para a realidade o topo do mundo, tudo fez ainda mais sentido. “Um dia de cada vez, o flow, a perspectiva de problemas mundanos, ficar presa a um situação ruim. A sensação de quase morte, é na verdade, vida! Muda toda e qualquer perspectiva”, me conta Ayesha. 

“Atingir o cume foi expandir um limite. E os nossos limites são muito maiores do que a gente pensa. Criei consciência que me entreguei com muita facilidade para problemas e situações que eram tão pequenos, mas aos meus olhos se tornaram gigantes”.

A mudança de perspectativa trouxe para Ayesha um jeito diferente de lidar com as frustrações. Tudo se tornou mais leve, claro e muito mais verdadeiro. Isso inclui a vontade de voltar. “Eu mal tinha chego ao campo base e já estava querendo viver tudo de novo". 

Finalizo a entrevista querendo saber como foi atingir o topo do mundo com o pai, “Nós somos um. Não existe eu ou ele, somos nós. Nós chegamos ao cume. Nós fizemos a expedição. Nós expandimos nossos limites”. 

É Ayesha, com toda certeza do mundo - junto com essa, que você trouxe do topo, não tenho como discordar que juntos somos melhores e mais fortes. Juntos criamos raízes e construímos legados. 

Renato e Lyss, obrigada por deixarem no mundo uma filha que faz da montanha um verdadeiro espetáculo de dança e inspiração.

Por um mundo onde mais mulheres possam ser bailarinas aventureiras. Aliás, por um mundo onde mulheres possam ser tudo aquilo que elas quiserem ser. 

Fonte: Juliana Manzato

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A oportunidade de sair da zona de conforto aparece todos os dias, saia da sua!

Juliana Manzato
Juliana Manzato
Saia da sua zona de conforto já!
Saia da sua zona de conforto já! Mário Nastri


Talvez não seja um bom conteúdo para ler em uma sexta-feira chuvosa como essa. Falar sobre zona de conforto num dia como esse que pede pantufas, é fazer com que você desista aqui, no primeiro parágrafo.

 Calma, melhora! 

Mas é justamente quando queremos conforto e pantufas que refletimos sobre o que estamos fazendo da vida. Aliás, o que você anda fazendo da sua? Se está confortável demais é hora de ir lá para fora, tomar um pouco de chuva e descobrir algo novo - ou até pegar uma gripe! 

Sempre fui uma pessoa que demora para tomar qualquer tipo de decisão, mas tal demora não é pela dúvida, é pela análise. Quando eu decido, não há nada que me faça voltar atrás. Foi assim nos términos de namoro, mudança de carreira e na compra do meu último sapato. 

A oportunidade de sair da zona de conforto aparece todo santo dia. É aquela pontinha de curiosidade para algo novo que surgiu no caminho. Desde a minha significativa mudança de carreira, acabei aposentando a zona de conforto. Me dei a oportunidade de abraçar tudo aquilo que brilhava meus olhos e me fazia experimentar sensações antes desconhecidas. 

Quando entendi o fluxo das sensações e oportunidades, tudo ficou mais claro, inclusive o poder de tomar qualquer decisão. Durante o meu período de pantufas na zona de conforto, abracei meus traumas e usei meu medo para justificar coisas injustificáveis. 

Foi então que decidi trocar o conforto pela superação e é impressionante o quanto nos adaptamos até mesmo naquelas situações que parecem não ter adaptador algum. 

A corrida, que até então era deixada de lado por conta de uma lesão, voltou a ganhar espaço na minha rotina e anda sendo o alívio imediato para uma rotina insana. O bodyboard deixou de ser bicho-papão e aquela vaca, tomada há 15 anos, foi superada por novas, não piores ou melhores do que aquela, mas cheias de coragem. O medo de altura continua, mas eu já consigo escalar uma parede vertical inteira do Ginásio de escalada. O cansaço sentido duramente em trekkings relativamente curtos se tornaram motivação para um dos meus maiores projetos do ano que vem, o base camp do Everest. 

Não sei ao certo se eu era a pessoa mais cheia de desculpas do mundo, mas quando deixei de vestir pantufas, encontrei um novo significado para a tão falada zona de conforto. Mudei as palavras e a perspectiva, conforto e pantufas só para períodos de descanso, no restante dos dias, a insaciável sensação de bem estar que a endorfina traz. 

 

Fonte: Juliana Manzato

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Para as mulheres mais rápidas de São Paulo

Juliana Manzato
Juliana Manzato

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Cada vez mais um número maior de pessoas busca na corrida o alívio para os dias de agenda cheia, trabalho com alta carga horária ou até mesmo os problemas do dia a dia. Do alívio imediato à dedicação para performar até mesmo como atleta amador é um pulo. A corrida é mesmo apaixonante! 

A Nike, para celebrar a corrida e seus novos modelos, o Pegasus 35 e Pegasus Turbo, lançou um desafio que promete colocar mulheres da capital paulista para correr, literalmente. Durante os próximos dois meses, o Zoom Speed Series, sai em busca das mulheres mais rápidas de São Paulo

O Zoom Speed Series é um projeto com cinco etapas seletivas, quatro em eventos físicos, que vai selecionar as 60 melhores corredoras, uma delas por meio do NRC (Nike+Run Club) APP, e dessa amostra definirá as cinco mais rápidas. Essas finalistas passaram por mais uma etapa até chegarmos em três campeãs. 

A premiação desse projeto para as três campeãs é pra lá de especial: uma viagem com todos os custos pagos para a Meia Maratona de Fernando de Noronha, que acontece em novembro. 

Um projeto como esse não fomenta apenas o esporte, como empodera mulheres na superação de seus próprios limites

A primeira etapa aconteceu no último dia 17, em um estúdio de corrida indoor, mas as próximas etapas serão no Minhocão, Riacho Grande e Parque do Ibirapuera. 

Vale a pena ficar de olho nesse desafio que vem para empoderar ainda mais mulheres na corrida! 

Todas as informações do projeto você encontra clicando aqui.

OS PRÓXIMOS DESAFIOS: 

24.07: Minhocão: o pega mais rápido da rua

28.07: Riacho Grande: os 10km mais rápidos

31.07Parque do Ibirapuera: o km mais rápido

02.08: Desafio NRC App: 35k em 1 semana 

Fonte: Juliana Manzato

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Tatiana Weston-Webb: na onda da “nova” brasileira

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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Mesmo com o Oi Rio Pro tendo terminado na semana passada, alguns assuntos ainda são pauta por aqui. Principalmente quando falamos em Tatiana Weston-Webb, a brasileira naturalizada havaiana. 

O nome da surfista já é familiar para os fãs do esporte, mas acabou ganhando ainda mais peso depois da etapa de Saquarema. O motivo gerou polêmica. Foi à partir daquela etapa que Tatiana começou a correr o campeonato como brasileira. A mudança de “time” teve motivo: as Olimpíadas de Tóquio 2020. 

Um pouco antes da bateria de Jesse Mendes, seu namorado, no campeonato masculino, encontrei com a Tatiana ali no palanque da Barrinha. Nossa conversa foi breve, mas muito inspiradora. Tentei fugir ao máximo do assunto sobre a vaga olímpica, porque isso era o que todos gostariam de saber.  E a minha curiosidade era outra! Eu queria saber qual a sensação de “ser” brasileira, coisa que Tatiana nunca deixou de ser.

Como era vestir a camisa do time Brasil no surfe? Num país onde o surfe se tornou tão popular quanto o futebol, estar numa competição vestindo a camisa da nossa amada pátria deve ser incrivelmente mágico. Mas apesar de mágico, Tati sabe a responsabilidade de estar no time e me responde com sorriso no rosto que está feliz e animada, me conta que foi acolhida pelo público e que é bom sentir o carinho da torcida. 

Não demoro muito para perceber tamanha verdade, fomos descobertas por uma turma de meninas que queriam foto e autógrafo. Me afasto e observo. Tati é carinhosa com todas elas, que se realizam em ver de pertinho a surfista que acompanham pela televisão.

Aquela foto <3
Aquela foto <3 Instagram @jujumanzato

Retomamos o papo e pergunto se ela tem noção de quantas meninas e mulheres incentiva com a prática do surfe. Ela não consegue me responder, sabe que são muitas, mas parece não ter noção da proporção que o seu surfe tomou aqui no Brasil. Ela é admirada por meninas que encontram nas ondas e no lifestyle do surfe, uma inspiração para o dia a dia. 

Como o meu - curto - tempo estava acabando, minha última pergunta foi sobre inspirações femininas no surfe. Quem realmente a inspira? “Silvana”. A resposta é rápida. A outra brasileira, Silvana Lima, que também disputa o campeonato mundial, é a principal inspiração de Tati. Quando Tati fala sobre Silvana percebo um brilho de fã no olhar, um carinho e admiração de quem só vê competição dentro d’água, fora dali é a mais pura admiração.  

Um outro grupo de meninas se aproxima. A bateria do Jesse já vai começar, me despeço. Foi breve, mas muito especial. 

Escrevo esse texto ouvindo o papo que tive com a Tati no gravador do celular e relembro da nossa conversa. Depois de acompanhar bem de perto essa etapa de Saquarema, entendi por que o surfe é esse esporte tão “vibe”! Simplicidade, verdade e intensão. 

A lição que Tati, Silvana e as outras surfistas que eu tive oportunidade de contar um pouco das histórias por aqui me deixam, é sobre mulheres que empoderam outras mulheres através do esporte. 

O surfe me apresentou o verdeiro sentido de "Girl Power" e posso dizer? Foi lindo! 

A torcida pelas brasileiras continua! A próxima etapa, Corona Bali Protected, começa no domingo, 27, e você pode acompanhar pelos canais da ESPN. 

Existe um detalhe todo especial: 48 horas depois que essa etapa for finalizada, começará a etapa de Uluwatu, continuação de Margaret River, etapa do campeonato que foi cancelada por conta dos ataques de tubarões. 

Em Uluwatu, o campeonato continua de onde parou, sendo no masculino do round 3 e no feminino nas quartas de final, que Tatiana está na competindo! Portanto, #GoGirl! 

Vale lembrar que atualmente Tatiana ocupa a terceira colocação no ranking do mundial. 

Fonte: Juliana Manzato

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Por que a rivalidade vende tanto?

Juliana Manzato
Juliana Manzato

Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima
Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima Getty Images

Na última quarta-feira, durante a etapa final do surfe feminino no Oi Rio Pro, tive a oportunidade de acompanhar a bateria disputada por Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima. Além das belas manobras da bateria, vi a torcida dividida entre as duas brasileiras. Uma torcida muito mais "vibrante”, digamos assim, era para Silvana. Polêmicas à parte, já que Tatiana começou a correr o campeonato mundial como brasileira à partir de Saquarema, mas estamos falando de duas mulheres que são a mais pura inspiração para o esporte como um todo, não só o surfe. 


Me peguei refletindo sobre o ocorrido: por que ainda insistimos em criar rivalidade entre mulheres? Por que precisamos escolher uma ou outra ao invés das duas? Levando em consideração que ambas estão disputando o campeonato pelo nosso país, deveríamos olhar para o resultado de uma maneira positiva, sem preferência. Mesmo que involuntariamente, queremos escolher a que mais nos identificamos (e não há nada de errado nisso) o questionamento aqui é sobre uma rivalidade que não deveria existir por parte da torcida.

Em uma época de empoderamento feminino, o apoio da torcida deveria ser pelo Brasil no surfe, não por uma atleta ou outra. Não só no esporte, mas no dia a dia, mulheres deviam encorajar outras mulheres. No caso do esporte, a competição é evidente, mas se tratando de duas atletas brasileiras, que vença o melhor surfe entre elas.

Entre Tatiana e Silvana, a rivalidade fica dentro d’água. Numa breve conversa que tive com a Tatiana durante o campeonato, perguntei sobre suas principais inspirações femininas no mundo do surfe a resposta foi rápida: a própria Silvana. 

É admirável ver o espaço que os brasileiros de maneira geral estão ganhando na elite mundial. Tatiana e Silvana são as mulheres que representam o nosso país mundo à fora e merecem toda a torcida e carinho do público brasileiro. 

Com histórias completamente diferentes, o caminho trilhado pelas duas até a elite do surfe merece muitos aplausos. E vale lembrar que o esporte é muito mais do que performance. Estamos falando de pessoas e suas historias. Tatiana e Silvana são diferentes em quase tudo, inclusive nas estratégias de competição, mas são igualmente mulheres. 

A próxima etapa é Bali, vale ficar de olho nas duas e torcer sempre para que o melhor surfe vença. O esporte é muito mais do que sua atleta favorita! 

Fonte: Juliana Manzato

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O empoderamento feminino através do surf por Marina Werneck

Juliana Manzato
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Marina foi mais um presente que o Oi Rio Pro me deu, assim, de bandeja. O nosso encontro foi marcado por uma troca de sorrisos e historias, e mais pareceu um encontro de amigas, talvez pelos nossos objetivos serem tão parecidos: empoderar mulheres através do esporte. 

Marina empodera mulheres através do surf, tanto que foi nomeada embaixadora do surf feminino pela WSL. Como embaixadora é a porta voz entre as atletas e a liga, além de encabeçar e promover eventos femininos por todo o país. Seu objetivo é fomentar o esporte nas categorias bases, que apresentam crescente a cada ano, para levar mais mulheres para a elite mundial. Atualmente o Brasil é muito bem representado pela Silvana Lima e a partir dessa estapa de Saquarema, por Tatiana Weston-Webb. A esmagadora maioria ainda é masculina. A elite mundial conta com 11 atletas homens brasileiros, ou seja, quase 1/3 da liga. Um desequilíbrio imenso! 

A ideia de trabalhar categorias base como Pro Junior, com idade até 18 anos, e eventos do WQS em territorio nacional é ajudar mais atletas no acumulo de pontuação e consequentemente subida no ranking. Marina me explicou que a maior dificuldade de muitas atletas é correr campeonato de 1500 pontos fora do país, já que muitas não possuem patrocínio suficiente para arcar com custos da viagem, que mesmo se tratando de America Latina são altos. O abraço da Marina para fomentar o esporte é fundamental para essa nova geração que está chegando. 

O surf, apesar de toda dificuldade, é um esporte inspirador pelos mais diversos motivos, para mim o principal, é a possibilidade de ver o mundo de um novo ângulo, deslizando sobre uma onda! É a verdadeira conexão entre natureza e ser humano, é a sensação mais profunda do “fazer parte do todo".  E com tal conexão, chegamos a evolução do esporte e na vida. No surf, como bem disse Marina, o ápice é inatingível, já que só o fato de mudar de prancha, é tambem uma maneira de começar de novo, aperfeiçoando movimentos, se adaptando a prancha, entre outros detalhes. 

Marina também é embaixadora do Hurley Surf Club, evento itinerante voltado para mulheres trocarem experiências e dicas de surf. Nesse evento Marina cai na água junto com as convidadas e faz o papel de coach, dentro e fora d’água, dando dicas e mostrando pontos a serem melhorados. Projetos como esse, onde mulheres empoderam outras mulheres precisam cada vez mais de holofote, afinal de contas, é a maior prova de que juntas somos mais fortes. 

Já faz alguns anos que Marina mudou os rumos da carreira e se tornou Free Surfer. Como começou a competir com 12 anos e aos 15 se profissionalizou, além de ganhar inúmeros títulos, viu o surf nacional entrar em crise. O circuito brasileiro perdeu força e muitas atletas, que usavam esse caminho para projeção internacional viram a carreira declinar. Marina transformou a crise em oportunidade e quando se perguntou o que ela poderia fazer se não fosse viver do surf, a resposta veio através do próprio surf: criar um legado! Um legado onde a competição feminina tivesse o mesmo espaço que a masculina. 

E não é difícil ver que no auge dos seus 30 anos, Marina, se tornou o próprio legado, inspirando meninas a viver o surf de maneira única, não só como esporte, mas por diversão. No nosso bate papo Marina me conta como tudo começou, nada foi por competição, tudo era diversão. E assim continua sendo. 

Termino o papo com ela mais aliviada, é sempre bom olhar para o lado e ter uma outra mulher para se identificar. É como dar as mãos e dizer: vamos? O swell feminino esta cada vez mais forte. 

Marina, tamo junto! ;) Obrigada por ser inspiração! 

Fonte: Juliana Manzato

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Ela tem 12 anos e já correu 112 campeonatos. Conheça a história da surfista Pamella Mel

Juliana Manzato
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Na busca por boas histórias para contar durante o Oi Rio Pro, esbarrei na Pamella, uma garota de 12 anos cheia de estilo. 

Pamella tem olhinhos puxados que brilham ainda mais forte quando o assunto é surfe

Aos 6 anos, por incentivo do pai, a brincadeira com o Bodyboard deu lugar ao surfe. A vontade de ficar em pé na prancha falou mais alto e desde o primeiro impulso e foi ali, em meio as ondas, que Pamella encontrou seu lugar e seu pai enxergou um talento. Juntos como pai e filha, treinador e atleta, começou a busca por um lugar ao sol. 

O lugar ao sol é sonho grande: ser campeã mundial. Pamella não exita em me dizer que essa é a sua maior vontade e treina duro para isso. O apoio da família é fundamental. Pai e mãe são mais do que presentes, são patrocinadores também. Mesmo com os 112 campeonatos e 125 títulos, o número de patrocinadores não é o suficiente para bancar a vida da atleta. Um problema vivido por boa parte dos atletas do país. Os maiores incentivadores e patrocinadores de Pamella são os pais. 

O sonho de ser campeã mundial não esbarra só no financeiro, Pamella já enfrentou o machismo dentro do esporte bem de perto. Deixou de participar de campeonatos por conta disso. Como competia em uma categoria que não havia outras meninas, a competição era com os meninos, que muitas vezes se recusavam a participar de baterias com ela com medo de “perderem para uma garota”. Mas não pense que são só os meninos. Mesmo com um aumento significativo de meninas no surfe, parece que nem todas são unidas pelo esporte. Pamella já sentiu a rejeição de outras meninas por sua boa performance.

Ela e sua prancha
Ela e sua prancha Instagram @pamella.mel

A naturalidade como me conta algumas historias me impressiona. Apesar da pouca idade, a jovem surfista aprendeu fazer de alguns limões bem azedos uma doce limonada. Ela confia em todo o processo que precisa passar para competir. É segura de si e usa como guia seus pais. 

Com os pés bem grudados no chão e uma alta dose de determinação, imagino esse mesmo papo que tive com ela daqui 10 anos. Ela vai chegar muito mais longe do que imagina. Pamella é uma daquelas garotas que tem mais do que talento; tem propósito. 

Falamos sobre rotina de treinos e ela me conta que a família mudou recentemente para a Guarda do Embau, justamente para que ela tenha boas ondas para treinar manobras. Quando fala desse assunto seus olhos voltam a brilhar ainda mais. Como uma criança que ganha um presente de natal, Pamella ganhou a “Guardinha” para se divertir. O surfe para ela é tão natural que se tornou muito mais do que um esporte: diversão levada a sério. 

Conto para Pamella meu inicio no surfe, falo das minhas tantas vacas e peço dicas, afinal de contas, o surfe na minha vida só está começando. Peço dicas, e logo vem a primeira. Eu que sempre fixei um ponto na areia e segui deslizando, aprendi que o olhar mais na lateral me dá além de equilíbrio, um aproveitamento muito melhor na parede da onda. (Na minha próxima aula eu faço o teste e te conto, Pamella). 

Terminamos o papo longe das cadeiras e mesa onde começamos. Pamella gosta da liberdade, quer encontrar o pai, cair na água, se divertir vendo os ídolos de perto. 

Ganho um abraço, desejo boas ondas. Ela ainda não sabe, mas tenho certeza que não vou precisar de muitos anos para aumentar o número de campeonatos e títulos nessa história.

Voa, garota! 

Fonte: Juliana Manzato

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Wings For Life World Run: os primeiros 5km por uma boa causa

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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Carrego em meu corpo algumas lesões. Nenhuma delas impede o movimento, apesar das intensas dores que me causam. Participar de uma prova de corrida sempre foi a minha vontade, mas meu tornozelo e joelho esquerdo me lembravam insistentemente que essa vontade estava distante. Sou uma pessoa que gosta de desafios, portanto apesar dos sinais vindos do meu corpo, sabia que hora ou outra a corrida voltaria para a minha vida. E voltou!   

Foi de um convite despretensioso da Red Bull Brasil que surgiu o start para corrida. Foi em novembro de 2017 que começaram os simulados para a Wings For Life World Run, corrida anual que nesse ano chegou em sua 5ª edição no Brasil. Contei a minha experiencia aqui.

Se você não conhece a Wings for life World Run, deveria conhecer! A corrida, que acontece simultaneamente em várias capitais do mundo, tem como principal objetivo arrecadar fundos para pesquisas relacionadas à lesão na medula espinal. Cem por cento do valor das inscrições é doado! E a bandeira da prova não poderia ser outra: Correndo por aqueles que AINDA não podem correr. 

 

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Saí daquele simulado de novembro decidida em participar da prova que aconteceria em maio de 2018. A preparação não seria apenas física, mas psicológica, afinal de contas, além de cuidar das minhas lesões físicas, eu precisava lembrar o tempo todo que elas não poderiam me impedir de realizar um desejo. E aí começa o planejamento! O meu personal, Ricardo Mitsuo, foi fundamental em ambos os processos. O primeiro incentivo para participar foi dele. Depois veio a Luciana, minha terapeuta e coach, que realmente me convenceram que eu tinha todas as ferramentas para dar conta da minha primeira prova de corrida. 

A WFLWR é toda especial, não só pela causa que abraça, mas pelo conceito de corrida sem linha de chegada. O objetivo é fugir do Catcher Car, que depois dos primeiros 30 minutos da largada, vai se aproximando dos corredores e se torna a própria linha de chegada. Se ele te “pegar”, a sua prova termina ali. 

Os meses se passaram e a preparação foi tomando forma. Os primeiros treinos de fortalecimento e corrida foram doloridos e inúmeras vezes me perguntei por que eu queria abraçar aquele desafio. Fui persistente no fortalecimento e, com paciência, as dores foram diminuindo, mas o problema era atingir a minha meta: 5km. Chegava nos 4km, mas não conseguia os 5km! Isso foi realmente frustrante! Quando eu achava que tinha atingido a meta estava ali, no quase. 

Maio chegou e junto com o novo mês chegou também uma ansiedade absoluta! Será mesmo que eu iria dar conta? 

05 de maio de 2018

Cheguei no Rio de Janeiro um dia antes da prova com aquele mix de apreensão e ansiedade. Afinal de contas, o que seria a WFLWR para mim? Recebi dicas preciosas do Gustavo, da Dani e da Amanda, corredores natos e experts no assunto. Mas apesar das dicas valiosas, depois da largada, a história era comigo. 

No café de recepção do hotel conheci um grupo de mulheres vindas de Cuiabá. Elas participaram de todas as edições da WFLWR no Brasil, e corriam provas mundo a fora. O que levou elas até essa prova? A causa. Correr por quem AINDA não pode era o maior motivador, uma forma de agradecer o presente divino de poder praticar um esporte, se movimentar, etc. Foi um papo rápido, mas intenso. Me convenci mais ainda que precisava estar ali. 

Passei o dia pensando na prova, ouvindo histórias e vendo gente que não sabia se quer o nome trocar olhares, sorrisos, dicas e um “boa prova”. A corrida deixa as pessoas mais felizes. A endorfina faz a conexão entre elas. 

 

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06 de maio de 2018
(Foi nesse dia ai que descobri o quão forte eu sou) 

Acordei ansiosa, queria e não queria ir para a prova. Estava apreensiva por conta da distancia que pre-estabeleci, os 5km pareciam distantes demais. Estava animada, o clima da pre-prova contagia. No café da manhã sorrisos, abraços e desejos de "boa sorte" foram frequentes. Amigos reunidos, desconhecidos se unindo. 

A largada - mundial -  estava marcada para as 8h aqui no Brasil. 7:40h eu estava lá, de coração transbordando e olhos marejados. Eu pude presenciar o que todos dizem: a corrida é democrática. E ali, às 8h da manhã do dia 06 de maio de 2018 eu percebi que era mesmo. Cadeirantes, deficientes, pessoas de muletas, mães com carrinhos de bebê, senhores e senhoras de 60, 70 anos, crianças, grávidas, homens e mulheres, estavam juntos, pelo coletivo e pelo individual. 

Inacreditavelmente meu joelho sequer doeu durante o percurso. Senti um desconforto no quadril e sofri com o calor, que gerou 2 pequenas pausas. Todas as vezes que eu pensei em abandonar a prova eu decidia olhar para o lado e eu só pensava “continua!”. E continuando, eu cheguei nos 5km, e uma sensação inexplicável tomou conta de mim. Corredores, agora eu sei exatamente o que vocês sentem! Pouco tem a ver com a distância, é a superação de cada um. 

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Fui pega pelo Catcher Car nos 5.23km e com um sorriso no rosto me despedi da prova. 

Gratidão é uma ótima palavra para usar no final desse texto, mas acho que essa prova me ensinou muito mais do que gratidao. Aprendi sobre compaixão e superação. E sem olhar para o próprio umbigo, abracei o coletivo. 

Obrigada Wings For Life World Run pela experiência. Obrigada pela lição de vida. Os meus 5km podem ate ser considerados um feito grandioso para mim, mas nada supera a causa nobre abraçada por vocês. 

Nos vemos em 2019! Até lá.  


Fonte: Juliana Manzato

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