Hat-trick de esperança! Acabou o tormento do Schalke na Bundesliga. Ainda há salvação?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Equipe do Schalke se reúne no campo após vitória sobre o Hoffenheim
Equipe do Schalke se reúne no campo após vitória sobre o Hoffenheim Getty Images

Foram incríveis 30 rodadas sem vitória na Bundesliga. O Schalke ficou a uma do recorde negativo do Tasmania Berlim, que perdurará além dos 54 anos atuais. Neste sábado, os Azuis Reais venceram o Hoffenheim por 4 a 0 e finalmente voltaram a vencer um jogo de futebol no Campeonato Alemão.

Um jovem garoto de 19 anos, nascido em Yorba Linda, na Califórnia, cidade mais conhecida por ser a terra de Richard Nixon, se tornou o improvável herói. Matthew Hoppe, com seu nome e três gols, devolveu a esperança aos desolados torcedores do S04.

A trajetória de Hoppe é meteórica. Em 17 de junho e 2019, ele assinou seu primeiro contrato profissional. O Schalke descobriu o jovem talento na Barça Residency Academy, no Arizona. Basicamente, são as escolinhas do Barcelona nos Estados Unidos. De lá seguiu para o sub-19 da equipe alemã e iniciou a trajetória na Alemanha. É curioso que, Hoppe, já estava comprometido com a San Diego State University para jogar futebol e estudar - planos que foram radicalmente alterados.

A estreia no time principal do Schalke foi em 28 de novembro, em plena sequência negativa do clube. Começou no jogo contra o Borussia Mönchengladbach, goleada sofrida por 4 a 1. Precisou esperar mais sete jogos para marcar seus primeiros gols pelo clube. Gols que o colocam na história, por impedir o recorde negativo na Bundesliga e ser o primeiro norte-americano a anotar um hat-trick na competição. Atuação impecável de Matthew Hoppe contra o Hoffenheim, assim como de Amine Harit, autor de três assistências e um gol.

Conseguirá o Schalke, agora, escapar do rebaixamento? São apenas sete pontos após 15 jogos, o suficiente para deixar a lanterna para o Mainz, que soma seis. A disputa será acirrada com Arminia Bielefeld e Colônia, com a possibilidade de novos membros (Hoffenheim, Werder Bremen...)

Com o clube assolado em crise técnica e financeira, o polêmico ex-presidente Clemens Tönnies chegou a oferecer empréstimo, recusado pela direção atual. O retorno de Sead Kolasinac se mostra bastante importante no atual momento, não só pelo ganho esportivo, mas também pela recuperação de uma mentalidade vencedora no vestiário. O novo técnico, Christian Gross, chegou com muitas dúvidas sobre si, e consegue rápida resposta da equipe em campo.

A realidade do Schalke para o restante da temporada é de luta pela permanência na Bundesliga. Evitar o rebaixamento para a 2.Bundesliga é o principal objetivo, mas será necessária ampla reformulação no clube para mudar o cenário, inclusive pelo exemplo já demonstrado pelo Hamburgo.

Comentários

Hat-trick de esperança! Acabou o tormento do Schalke na Bundesliga. Ainda há salvação?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A vanguarda do futebol já esteve na Hungria

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A cada rodada, o Campeonato Húngaro promove partidas históricas. Não pela qualidade de seus jogos, afinal, a competição está bem distante das melhores do continente, mas pelos encontros entre times que ajudaram a moldar o futebol moderno.

O termo vanguarda vem do francês "avant-garde", que é a reunião de intelectuais e artistas de um país, responsáveis pela introdução de novas e avançadas ideias, concepções e técnicas no âmbito artístico e cultural, segundo o dicionário Michaelis. Aplicada ao futebol, a vanguarda do esporte bretão muda de país com o passar das décadas.

Em "A Pirâmide Invertida", o autor Jonathan Wilson dedica mais de um capítulo ao papel preponderante na evolução tática do futebol que a Europa central teve. "O futebol na Europa central era um fenômeno quase totalmente urbano, assentado ao redor de Viena, Budapeste e Praga. E nessas cidades é que a cultura dos cafés era mais forte. Os cafés floresceram perto do final do Império Habsburgo, transformando-se em salões públicos onde homens e mulheres de todas as classes se misturavam, lugares que passaram a ser notados especialmente por seu aspecto artístico, boêmio".

Eram ainda os anos 1920, e o que se viu nas décadas seguintes foi um avanço que ditaria as tendências do futebol por tantas outras. Nos anos 1950, a Hungria foi a nação que mais inovou no futebol. Introduziu novas ideias, concepções táticas diferentes de tudo que era jogado até então e apresentou ao mundo a preparação física como fator fundamental no desenvolvimento do jogo. A seleção húngara venceu as Olimpíadas de 1952 e perdeu um único jogo entre 1950 e 54, justamente a final da Copa do Mundo para a Alemanha, por 3 a 2.  Antes, humilhou os ingleses em Wembley e depois em Budapeste.

Seleção húngara mudou a forma de se jogar futebol no início da década de 1950
Seleção húngara mudou a forma de se jogar futebol no início da década de 1950 Divulgação

A seleção de ouro marca o imaginário nacional até os dias atuais. Ferenc Puskás, craque desse time e um dos melhores jogadores de futebol em todos os tempos, ultrapassa todas as barreiras do esporte mais popular do planeta. Sua história de perseguição política após o Mundial de 54 aumentou ainda mais o tamanho de sua lenda dentro da Hungria. Puskás é um herói nacional, reverenciado por todos e com camisas e adereços encontrados em todas lojas de souvenirs para turistas em Budapeste.

Neste final de semana, seu legado esteve em campo. A Puskás Akadémia, clube fundado para homenagear o ex-jogador e focado na formação de jovens atletas, recebeu o Budapest Honvéd, eterno time de Puskás, antes de ele se transferir para o Real Madrid em 1958. A partida aconteceu em Felcsút, distante 40 minutos da capital, sede da jovem equipe, fundada em 2005. A Pancho Arena, lembrança do apelido de cheinho de Puskás, recebe um bom jogo, que terminou com surpreendente vitória, de virada, do Honvéd por 2 a 1.  

Puskás Akadémia joga em um moderno estádio
Puskás Akadémia joga em um moderno estádio Divulgação

A Puskás Akadémia soma 39 pontos e ocupa a segunda posição da Nemzeti Bajnokság I, enquanto o Honvéd é o 11o, penúltimo colocado, com 11 pontos a menos. Quem lidera é o Ferencváros, atual bicampeão e maior potência do país com 31 títulos. Desde que foi fundado, em 3 de maio de 1899, o Fradi não conquistou a primeira divisão somente na década de 1950, justamente quando o Honvéd dominou o futebol húngaro - na semana passada, os dois se encontraram, com vitória do Ferencváros.

Bem além de Buda, a cidade alta à margem esquerda do Rio Danúbio, e Peste, a cidade baixa na margem direita do rio, há vários distritos que contam a história da população e do futebol local. Os trams que saem do centro histórico levam a Kispest, distante bairro, local de trabalhadores e gente simples. Lá está a origem do Kispest Honvéd, que depois se transformaria no Budapest Honvéd e formaria a base da Geração de Ouro.

József Bozsik, Zoltán Czibor, László Budai, Gyula Grosics, Sándor Kocsis fizeram do Honvéd, ao lado de Puskás, uma equipe lendária. Eram tempos difíceis no país, o continente ainda estava arrasado pela II Guerra Mundial e o governo comunista impunha regras duras à população. O clube foi abraçado pelo exército da Hungria e seus jogadores ganharam cargos - como Ferénc Puskás, que se tornou major e ganhou outro apelido: Major Galopante. A derrota para a Alemanha rendeu perseguições a muitos ídolos e alguns, como Puskás, optaram pelo exílio futebolístico/político.

Até pouco tempo atrás, ainda era possível pegar um dos trams para Kispest e acompanhar um jogo do Honvéd no Bozsik József Stadion. A antiga casa foi demolida em 2019 e o clube está construindo uma nova e moderna arena. Sinal dos tempos modernos, que já tiveram a vanguarda futebolística justamente nesse bairro.

Nesse passado glorioso, os treinadores húngaros passaram a ser procurados para comandar times e seleções pelo mundo. Béla Guttmann deixou o Honvéd em 1957 e partiu para a América do Sul, onde comandou o São Paulo e foi mente influente no estilo de jogo brasileiro.

A linda e marcante Budapeste
A linda e marcante Budapeste Divulgação

A última vez que a seleção húngara disputou uma Copa do Mundo foi em 1986. Na Euro, após longo hiato, voltou à competição em 2016 e surpreendeu o continente com a classificação para as oitavas de final. Só que o tempo parou na linha evolutiva do futebol húngaro. Após toda magia dos anos 1950, os anos seguintes foram de estagnação, pouco investimento e um país fechado à inovações, enquanto toda Europa se divertia com os ensinamentos que os húngaros apresentaram ao mundo.

Há como recuperar o tempo perdido? Não, hoje em dia é possível apenas valorizar o tempo passado. O futebol segue como o esporte mais popular da Hungria, as torcidas dos grandes clubes são completamente apaixonadas, mas a nação - assim como tantas outras no leste da Europa - sofre com a economia e a baixa renda de sua população. O futebol está inserido nesse contexto e é praticamente impossível para um clube húngaro, atualmente, brigar de igual para igual com as potências ricas europeias.

O bom do esporte, no entanto, é que sonhos não são proibidos. Nem que seja um sonho perdido em uma gelada noite de Champions League em Budapeste. Sob os olhares de Puskás e a Mágicos Magiares.

Comentários

A vanguarda do futebol já esteve na Hungria

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Granada elimina Napoli, avança na Europa League e aumenta feito histórico

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Montoro foi autor do decisivo gol marcado em Nápoles
Montoro foi autor do decisivo gol marcado em Nápoles Divulgação

O maior feito na história do Granada é o segundo lugar conquistado na longínqua Copa do Rei de 1958-59, na época ainda chamada de Copa del Generalísimo, graças ao ditador Francisco Franco. Após eliminar o Valencia nas semifinais, a equipe do sul da Espanha não suportou a força do Barcelona na decisão e tombou por 4 a 1.

O clube é pequeno, mas tradicional na Espanha. Sempre esteve mais presente nas divisões menores do que na elite do país, e é na segunda divisão que os torcedores do Granada encontram os troféus - foram três, conquistados em 1940-41, 56-57 e 67-68. A história recente marca a queda para a quarta divisão no início do século, a venda para a família Pozzo, o retorno à LaLiga e a aquisição do clube pelo empresário chinês Jiang Lizhang.

Nesta quinta-feira, 25 de fevereiro, o Granada Club de Fútbol escreveu um novo e marcante capítulo em sua história. No estádio Diego Armando Maradona, em Nápoles, o representante da Andaluzia perdeu para o Napoli por 2 a 1, após ter feito 2 a 0 pelo jogo de ida, e garantiu classificação para as oitavas de final da Europa League. Esta é a primeira vez que o Granada disputa uma competição continental, após ter alcançado a melhor colocação de todos os tempos na primeira divisão espanhola, o sétimo lugar na temporada 2019-20.


         
     

É um feito enorme, não só pelo clube espanhol em si, mas muito também pelo adversário, campeão da Copa da UEFA em 1989. "Quando eu assumi o Granada, se me dissessem que eu estaria aqui... Nem o mais otimista, nem o mais louco de toda cidade teria dito isso. O único objetivo era chegar em dezembro sem cortarem minha cabeça. É um momento único, histórico, para aproveitar", afirmou Diego Martínez, jovem técnico da equipe, antes da classificação garantida.

Martínez tem apenas 40 anos, assumiu o time em 2018 e faz parte de todo esse processo. Assim como o goleiro português Rui Silva, que defendeu Portugal na base, mas depois não obteve o destaque que se imaginava no Nacional e, desde 2017, está na Andaluzia. Personagens mais recentes do clube também foram determinantes, principalmente o brasileiro Kenedy. O atacante de 25 anos, revelado pelo Fluminense, está em seu quarto clube emprestado pelo Chelsea. Pouco jogou em Stamford Bridge, não se adaptou ao Watford, se destacou no Newcastle, teve problemas no Getafe e agora volta a demonstrar o talento que o levou à seleção brasileira do sub-17 ao sub-20.

A histórica trajetória continental do Granada começou na Albânia, com uma vitória por 2 a 0 sobre o Teuta e o avanço para a terceira fase qualificatória. Lokomotiv Tbilisi, em casa, e o Malmö, na Suêcia, ficaram pelo caminho até a fase de grupos. Contra PSV Eindhoven (Holanda), PAOK (Grécia) e Omonia Nicosia (Chipre), os espanhóis garantiram o segundo lugar e o direito ao confronto com o Napoli. A história segue sendo escrita, no aguardo agora do próximo oponente.

Comentários

Granada elimina Napoli, avança na Europa League e aumenta feito histórico

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Sinal de alerta ligado no Atlético de Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Passamos muitas semanas especulando sobre a liderança do Atlético de Madrid em LaLiga. Seis, nove, 11 pontos? Tudo por causa dos dois jogos a menos dos colchoneros na tabela, resultado da pandemia do novo coronavírus e da tempestade Filomena. Após a 24a rodada, já temos uma noção melhor do que acontece na briga pelo título.

Foram cinco pontos perdidos contra o Levante em menos de uma semana. O empate em 1 a 1empate em 1 a 1 na última quarta-feira (17) e a derrota por 2 a 0 neste sábado abalam a confiança do Atleti. Duas partidas nas quais os comandados de Diego Simeone criaram muitas chances de gol, mas pararam nas mãos de Aitor Fernández e Dani Cárdenas.

Eram 25 partidas de invencibilidade no Wanda Metropolitano, em todas competições. O Atlético não perdia em casa desde 1o de dezembro de 2019, quando o Barcelona fez 1 a 0 com gol de Lionel Messi e assistência de Luis Suárez. O uruguaio, artilheiro da equipe com 16 gols, não marcou nos três últimos jogos, mas o que mais tem preocupado a torcida rojiblanca é, por incrível que pareça, a defesa. São sete partidas seguidas sofrendo ao menos um gol.

Show de goleiro e gol do meio-campo: Levante bate Atlético; veja


Por outro lado, feito incrível de Paco López, técnico do Levante, que venceu pela primeira vez o Atlético de Madrid como treinador. Amplia sua marca contra os grandes da Espanha, já que soma duas vitórias sobre o Barcelona e três sobre o Real Madrid. Neste sábado, mudou meio time em relação à escalação do meio de semana, alterou taticamente para uma linha de cinco defensores e executou com maestria a estratégia definida para o jogo, de forte marcação e transição em velocidade.

Simeone, outrora criticado pela falta de ofensividade, agora precisa recuperar a força defensiva. Diante do Levante, começou no 3-4-3, mudou para o 3-5-2 e terminou no 4-4-2. Sofre com os desfalques, é bem verdade - não teve neste final de semana Kieran Trippier, Stefan Savic, Saúl, Héctor Herrera e Yannick Carrasco.

A alteração tática promovida pelo treinador argentino nesta temporada vinha funcionando. Porém, pelas últimas atuações, se mostra muito dependente de alguns jogadores, especificamente, para funcionar bem. Casos, notórios, de Trippier e Carrasco, os dois carrilleros escolhidos por Simeone, que dão profundidade e agressividade com e sem a bola. Por mais que Marcos Llorente execute várias funções em campo, incluindo a ala pela direita, o melhor rendimento dele é como meia interior. Com tantos problemas, Llorente também acaba bastante sacrificado. Há, ainda, a queda técnica de João Félix e Ángel Correa, ineficazes nas duas partidas contra o Levante.

A classificação de LaLiga tem agora o Atlético com 55 pontos, apenas três a mais que o Real, após a vitória sobre o Valladolid, mas uma partida a menos ainda. A recuperação na tabela está diante de Simeone e companhia: após encarar o Chelsea, na terça, pela Champions, joga com Villarreal (fora), Real Madrid (casa) e Athletic Bilbao (casa). Contra o Submarino Amarillo, terá um desafio enorme perante a ótima equipe do técnico Unai Emery. Precisa somar três pontos, para chegar no Wanda Metropolitano com vantagem sobre os merengues. Na sequência, disputará, finalmente, a partida que tem a menos no campeonato.

Assim, nos próximos 20 dias, LaLiga vai encarar dois cenários possíveis. No primeiro, o Atlético volta a vencer, passa pelos rivais e recupera a vantagem na primeira posição, caminhando fortemente para o título. No segundo, Real Madrid e Barcelona crescem e deixam a disputa pelo título emocionante.

Está nas mãos do Atlético.

Luis Suárez tem 16 gols, mas não marca há três rodadas em LaLiga
Luis Suárez tem 16 gols, mas não marca há três rodadas em LaLiga Divulgação

Comentários

Sinal de alerta ligado no Atlético de Madrid

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Em campo coberto de neve, CSKA Sofia venceu o clássico contra o Slavia com grande atuação de Busatto

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Nevasca atingiu Sofia durante o clássico entre Slavia e CSKA
Nevasca atingiu Sofia durante o clássico entre Slavia e CSKA Divulgação

O cenário era belíssimo. Não necessariamente o melhor para se jogar futebol, mas garantiu imagens espetaculares de um estádio coberto de neve.

No sábado, em Sofia, o CSKA visitou o Slavia e venceu o clássico por 1 a 0. Vitória importante, para manter a equipe segunda posição e na briga pelo título do Campeonato Búlgaro com Ludogorets e Lokomotiv Plovdiv, as novas forças do interior que têm desbancado os grandes da capital nos últimos anos. O Ludogorets busca o decacampeonato nesta temporada.

A rodada 17 marcou o retorno do futebol na Bulgária, após a pausa de inverno. Não que a temperatura tenha amenizado... A Efbet Liga, nome oficial e patrocinado da primeira divisão búlgara, reúne 14 times, que jogam entre si em turno e returno. Os seis primeiros colocados avançam para mais dez rodadas e a definição do campeão.

A quantidade de neve no gramado transformou o futebol praticado em uma modalidade esportiva de Olimpíadas de Inverno. Para as linhas do campo serem visualizadas, foram pintadas de vermelho e houve a necessidade de retirar parte da neve acumulada, incluindo durante o jogo. As condições climáticas interferiram negativamente na partida. Os jogadores tinham dificuldade em correr, porque estava muito escorregadio. O domínio da bola também era muito difícil, as trocas de passes duravam pouco e em momento algum a neve parou de cair - pelo contrário, se tornou nevasca durante os 90 minutos. Ao final do primeiro tempo e durante a segunda etapa, as linhas chegaram a desaparecer embaixo de tanta neve.

Em meio a tudo isso, aos 24 minutos, o atacante gambiano Ali Sowe conseguiu marcar o único gol do jogo após aproveitar o avanço pela esquerda e o cruzamento na área do congolês Bradley Mazikou. Sowe dominou no peito com categoria e tocou na saída de Svetoslav Vutsov. 

Sowe marcou o único gol da congelada partida
Sowe marcou o único gol da congelada partida Divulgação

Há enorme imbróglio envolvendo o direito sobre a história do CSKA Sofia e a utilização do nome. Na temporada 2014-15, o clube terminou a primeira divisão na quinta posição, mas devido a muitos problemas financeiros, perdeu a licença profissional e foi obrigado a recomeçar na amadora terceira divisão búlgara. Até aí, nenhuma grande novidade no futebol europeu, afinal, outros grandes dos mais variados países passaram por processos similares e se recuperaram.

O CSKA, no entanto, optou pelo caminho mais curto. Começou bem a nova trajetória, com o título da terceira divisão e também da Copa da Bulgária na temporada 2015-16. Deveria ter disputado, na sequência, a segunda divisão, mas comprou a licença profissional do Litex Lovech e pulou direto para a elite do país. Nem todos concordaram com a decisão da diretoria, encabeçada pelo milionário Grisha Ganchev. Assim, em 2016, surgiu o CSKA Sofia 1948, que contesta para si a história do clube e todos seus títulos. O novo clube partiu do zero e subiu degrau por degrau na pirâmide do futebol búlgaro, até ser campeão da segunda divisão na temporada passada e garantir a estreia na primeira - e tem feito bom papel, na sexta posição atualmente.

Busatto foi o melhor jogador do CSKA em campo, ou melhor, na neve
Busatto foi o melhor jogador do CSKA em campo, ou melhor, na neve Divulgação

Enquanto isso, o CSKA - que tem Hristo Stoichkov como um dos principais acionistas - mantém a condição de herdeiro de toda história do clube e luta para impedir o décimo título seguido do Ludogorets. Para isso, conta com três jogadores brasileiros também: o goleiro Gustavo Busatto, de 30 anos, ex-Grêmio, foi o destaque do time na vitória do clássico, com grandes defesas; além dele estão lá o lateral-esquerdo Geferson, ex-Internacional, desfalque na vitória sobre o Slavia, e o atacante Henrique, ex-Atlético Mineiro, banco na partida. No final das contas, o clássico foi equilibrado, mas o CSKA teve mais finalizações (13 x 9) e mais posse de bola (55,6%).

"Foi um dos jogos mais difíceis da minha vida. Não só pela neve, mas pelo gramado congelado. Não tinha firmeza para se movimentar, trocar a direção. O goleiro precisa ter o pé de apoio firme para reagir, então foi difícil demais. Não tinha como se posicionar também, porque tenho as referências pela área e a neve cobriu tudo. Foi um jogo atípico, há cerca de 30 anos não acontecia um jogo assim aqui", explicou Busatto, com exclusividade, ao blog. 

O Slavia, sete vezes campeão nacional contra 31 do recordista CSKA, luta pela permanência na elite búlgara. É o penúltimo na tabela, com somente 12 pontos após 17 jogos. Os dois adversários de domingo são rivais, mas não mantém a principal rivalidade de Sofia. Os jogos contra o Levski são considerados pelos torcedores os principais em seus respectivos clubes, mas a principal força tem vindo do interior do país. "Estou muito feliz no CSKA, clube com estrutura muito bacana, torcida apaixonada, maior da Bulgária, muito tradicional. Nosso objetivo é sermos campeões. Daqui duas rodadas vamos enfrentar o Ludogorets, para diminuir a vantagem de pontos deles", finaliza o herói do clássico da neve. 

Comentários

Em campo coberto de neve, CSKA Sofia venceu o clássico contra o Slavia com grande atuação de Busatto

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Em crise, Deportivo olha para o passado em busca de ajuda para o presente

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Mauro Silva é um dos maiores ídolos na história do Deportivo
Mauro Silva é um dos maiores ídolos na história do Deportivo Divulgação

Alguns ídolos têm a própria história confundida com a de seus clubes. Pelé é parte integrante do Santos, assim como Zico do Flamengo. Ao falarmos de Diego Armando Maradona, a camisa do Napoli surge em nossa mente. Ainda na Europa, Alex é um símbolo do Fenerbahçe, assim como Mauro Silva no Deportivo de La Coruña.

Em crise há anos e atualmente na terceira divisão, o Depor passa por enorme processo de reestruturação. Após dois rebaixamentos consecutivos, despencando de LaLiga para a regionalizada Segunda División B, o clube passou a ser administrado pelo banco galego Abanca, que aumentou sua participação acionária para 75%, perdoando dívidas antigas.

O processo teve início em fevereiro, ou seja, concomitante à pandemia de coronavírus desde então. Mauro Silva foi o nome escolhido pelo banco para ser uma peça chave. Nesta quarta-feira, em publicação no Instagram, o meio-campista, campeão com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994, declinou do convite pelos compromisso que mantém com a Federação Paulista de Futebol.

"Todos conhecem bem meu amor, carinho e gratidão pelo muito que o Deportivo e esta cidade me proporcionaram. Treze anos da minha vida dediquei integralmente ao clube. Nos últimos dias, o acionista majoritário do Deportivo manteve conversas comigo para conhecer minha disponibilidade de colaborar no processo de reestruturação do clube. Por ocupar o posto de vice-presidente eleito na Federação Paulista de Futebol e por morar em São Paulo, não estou em condições de participar na gestão do Deportivo", explicou Mauro Silva.

Esta não foi a primeira vez que o Deportivo procurou um de seus maiores ídolos para ajudar nos atuais momentos difíceis. Em maio de 2019, um grupo de empresários da Galícia convidou Mauro Silva para assumir a presidência do clube. Uma reunião final chegou a acontecer, mas, "entre lágrimas", segundo descrito pelo próprio Mauro em entrevista ao jornal La Voz de Galícia, recusou o convite devido aos compromissos que possuía no Brasil.

A campanha na terceira divisão é ruim, sem vitórias desde novembro e sem gols marcados em 2021. No Grupo A, com outros nove clubes oriundos de Galícia, Astúrias e Castilla y León, o Depor é apenas o quinto colocado com 17 pontos após 13 jogos. Os três primeiros avançam para a disputa pelo acesso à segunda divisão (LaLiga Smartbank), com representantes das outras nove chaves. Do quarto ao sétimo, a classificação será para os grupos que lutarão pela promoção à nova terceira divisão, que se chamará Primera División RFEF. Do sétimo ao décimo, a briga é contra o rebaixamento à quarta divisão, ou a nova Segunda División RFEF. Apesar da confusão de nomes, fica evidente o risco de rebaixamento do Depor.

Na década de 1990 e início dos anos 2000, o La Coruña, como ficou mais conhecido no Brasil, se tornou um dos times mais fantásticos do mundo, com duas versões Super Depor. Desafiou o poder dos grandes da Espanha e conquistou LaLiga na histórica temporada 1999-2000, duas Copas do Rei e três Supercopas. Mauro esteve em todos esses times, com gerações e outros ídolos distintos, desde Bebeto a Roy Makaay, Miroslav Djukic a Noureddine Naybet, Donato a Djalminha, passando pelo eterno companheiro Fran - recordista de jogos pelo Depor, com 435, seguido por Mauro com 369.

Em 2018, A Coruña passou a ter uma "Calle Mauro Silva", perto do estádio Riazor, como homenagem a alguém que ama incondicionalmente um clube e uma cidade. Poucos brasileiros possuem o respeito que Mauro Silva construiu e preserva na Galícia.

"De qualquer modo, me coloquei à disposição para ajudar desde à distância no que seja possível e beneficioso para o clube pelo qual sinto paixão e uma imensa gratidão. Seguirei torcendo para que o clube consiga rapidamente o êxito e a recuperação", finalizou o dirigente da FPF, ao menos até 2022. Depois disso, não há dúvidas de que o futuro do Deportivo cruzará novamente o caminho de Mauro Silva. Uma nova união, talvez ainda distante, parece inevitável. Assim espera o deportivismo.

Comentários

Em crise, Deportivo olha para o passado em busca de ajuda para o presente

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A complexa geopolítica cipriota explicada em um jogo de futebol

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jogo entre AEK e Anorthosis terminou empatado em 0 a 0
Jogo entre AEK e Anorthosis terminou empatado em 0 a 0 Divulgação

No sábado, pela 23a rodada do Campeonato Cipriota, AEK Larnaca e Anorthosis Famagusta empataram em 0 a 0. Partida importante na luta pela classificação para a final final da competição, que leva os seis primeiros colocados à disputa pelo título. O Anorthosis é o quarto colocado com 44 pontos, quatro a menos que o líder AEL, enquanto o AEK aparece na sequência com 38.

A complexidade geopolítica do Chipre, no entanto, transforma um simples jogo de futebol em uma aula sobre a história da região. Como Franklin Foer já explicou, o futebol é capaz de explicar o mundo.

Os dois clubes estão na mesma cidade, Larnaca, terceira maior da ilha do Chipre com quase 150 mil habitantes em toda região metropolitana. O AEK, fundado em 1994 a partir da fusão de dois clubes de Larnaca, leva o nome da cidade em seu escudo, mas e Famagusta? Seria um bairro ou distrito local? Não, Famagusta é um município na costa leste, dentro da República Turca de Chipre do Norte, um estado de facto.

Em 1974, após um golpe de Estado com apoio da Grécia no Chipre, que conquistara a independência em 1960 do governo britânico, a Turquia promovou uma invação no norte do país com a premissa de proteger os cidadãos turco-cipriotas. Isso fez com que dezenas de milhares de greco-cipriotas abandonassem suas casas e fugissem para outras partes do país. A ilha do Chipre é a terceira maior do Mar Mediterrâneo, atrás apenas da Sicília e da Sardenha, e fica muito próxima da costa turca. Desde então, a RTCP possui autonomia administrativa, sob a soberania do Governo do Chipre, e é unicamente reconhecida internacionalmente pela Turquia.

Jornal inglês anuncia a invasão turca no Chipre
Jornal inglês anuncia a invasão turca no Chipre Divulgação

O Anorthosis, como tantos outros clubes da região, é um refugiado. Por causa da sua origem grego-cipriota, toda comunidade do clube fugiu de Famagusta na década de 1970 e jamais pôde retornar. A equipe se estabeleceu em Larnaca, mas jamais abandonou o nome e as raízes. O Anorthosis, com 13 títulos, só fica atrás de APOEL (28) e Omonia (20), times da dividida capital Nicosia. O AEK jamais foi campeão nacional, possui quatro vice-campeonatos nacionais e duas Copas do Chipre.

Em campo, no último sábado, no estádio George Karapatakis, apenas dois jogadores cipriotas entre os 22 titulares. Thomas Ioannou, pelo AEK, que possui uma base espanhola muito grande, com seis atletas, e Kostakis Artymatas, pelo Anorthosis, mais parecido com a mítica Torre de Babel pela diversidade de nacionalidades no elenco. Há um brasileiro, inclusive, o lateral-esquerdo Anderson Correia, ex-Santo André e Paulista, contratado no ano passado pelo clube.

Quem já enfrentou a realidade esportiva e política da ilha do Chipre é Zé Elias, ex-jogador do Omonia Nicosia entre 2006 e 2007, após carreira em grandes clubes como Corinthians, Santos, Bayer Leverkusen, Internazionale e Olympiacos. "No dia a dia, não há qualquer problema entre os cidadãos turco-cipriotas e os greco-cipriotas. Todo mundo convive super bem", explica o comentarista dos canais ESPN e FOX Sports.

O futebol cipriota está bem distante das ligas mais competitivas da Europa. O APOEl é o único representante com resultados expressivos no continente: quartas de final da Champions em 2011-12 e oitavas na Europa League de 2016-17. O Anorthosis já conseguiu, também, classificação à fase de grupos da Champions em 2008-09. A seleção cipriota jamais se classificou para a Copa do Mundo ou a Eurocopa e não tem, hoje em dia, qualquer jogador com destaque internacional.

A República Turca de Chipre do Norte possui sua própria federação e campeonato nacionais. Em um nível técnico inferior ao Campeonato Cipriota, até mesmo pelas dificuldades financeiras da região. "Há uma avenida em Nicosia, a principal, que corta a cidade. De um lado fica o Chipre e do outro o Chipre do Norte. Ali fica evidente a divisão, com soldados entrincheirados de cada lado", se recorda Zé Elias.

O Chipre, membro da União Europeia, segue protestando e denunciando a invasão. O futebol é uma de suas bandeiras.

Comentários

A complexa geopolítica cipriota explicada em um jogo de futebol

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Cultura e muita história em um simples jogo do Bohemians pelo Campeonato Tcheco

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Em casa, o Bohemians foi batido pelo Slovácko por 3 a 1
Em casa, o Bohemians foi batido pelo Slovácko por 3 a 1 Divulgação

O distrito de Vršovice, em Praga, é uma das atrações da capital tcheca. Os diversos cafés espalhados pelas ruas movimentadas, os bares que agitam a noite e as muitas lojas chiques revigoraram a região nos últimos anos. As linhas retas e cinzas do período comunista foram substituídas pelas cores e pelos turistas nas ruas, cortadas pelos tradicionais trams tchecos. Símbolos de mudanças e transformações, sem perder a tradição e a identidade com o passado.

O futebol está presente no cotidiano de Vršovice. Aifnal, lá estão dois times muito tradicionais da cidade e que representam bem a própria região. O poderoso Slavia Praga, que rivaliza com o Sparta pelo status de maior clube do país, simboliza a força e a tradição do distrito. Já o Bohemians resgata a história e a formação de Vršovice.

Com capacidade para pouco mais de 6 mil torcedores, o pequeno estádio Dolícek é a casa do alternativo clube. As arquibancadas cercam apenas metade do gramado, enquanto a outra fica exposta para as ruas e as casas ao lado, separada apenas por um simples muro. No último sábado, foi palco de mais um jogo pela Fortuna Liga, como é chamado o Campeonato Tcheco. Na luta para se distanciar do rebaixamento, o Bohemians recebeu o Slovácko, da cidade de Uherské Hradište. A vitória fez com que os visitantes subissem para a quarta posição, com 30 pontos, o dobro dos donos da casa, que estão cinco acima da zona de descenso.

Jogos assim, no entanto, permitem ao apaixonado por futebol e por história mergulhar no passado da região. Afinal, o contexto do Bohemians Praha 1905 é absolutamente particular. O clube surge como AFK Vršovice, em 1905, mas muda de nome 22 anos depois devido a uma peculiar excursão pela Austrália. Assim, para facilitar a compreensão dos australianos, o clube passa a se chamar Bohemians, homenagem à região de Praga (Boêmia) e seus habitantes. Ao final do tour, que contou com 19 jogos por todo território australianos, os tchecos foram presenteados com dois cangurus, que acabaram doados ao zoológico de Praga. A relação histórica, de qualquer modo, já estava sacramentada, e assim o Bohemians passou a ter o canguru como mascote e parte integrante do escudo oficial do clube.

As curiosidades não param por aí, afinal, o Bohemians é um dos poucos times na Tchéquia a contar com grupos de torcida declaradamente de esquerda. Há, evidentemente, diversidade política entre todos os torcedores, mas há setores bem definidos em relação ao posicionamento ideológico, mantendo, inclusive, relações com o St. Pauli, da Alemanha, outro clube marcado por essa questão. Em 2005, quando o Bohemians enfrentou a maior crise financeira de sua história, foram os torcedores que salvaram o clube da extinção, com o pagamento de dívidas. De qualquer modo, não foi o suficiente para impedir o rebaixamento à terceira divisão e a briga pelo nome, contestado por um grupo de empresários. A disputa perdurou alguns anos, mas se encerrou com o desaparecimento do novo "Bohemians".

Aliás, a própria nomenclatura oficial mudou durante as décadas e acompanhou a história da Tchecoslováquia. Entre as décadas de 1940 e 60, o clube se chamou Sokol Železnicari Praha, Sokol CKD Stalingrad Praha, Spartak Praha Stalingrad e CKD Praha, até recuperar o Bohemians em 1965. Em campo, as duas décadas seguintes foram as mais marcantes. Cada vez mais popular no país, o Bohemians se acostumou a disputar os títulos regionais e a participar de competições continentais.

Estreou na Copa da UEFA de 1975-76, quando foi eliminado pelo mítico Honvéd, da Hungria, logo na primeira rodada. A temporada inesquecível, no entanto, aconteceu em 1982-83, quando o Bohemians superou todos os rivais tchecoslovacos e se consagrou campeão nacional - seu único na elite. Além disso, ainda alcançou as semifinais da Copa da UEFA, caindo para o Anderlecht. O feito histórico em casa garantiu participação inédita da Copa dos Campeões da Europa, onde eliminou o Fenerbahçe na primeira rodada, mas depois caiu no confronto da Europa Central contra o Rapid Viena. A partir dos anos 1990, com a crise financeira da região e a separação da Tchéquia e da Eslováquia, o Bohemians perdeu relevância esportiva e se acostumou a frequentar a segunda divisão.

Antonín Panenka é presidente do Bohemians
Antonín Panenka é presidente do Bohemians Divulgação

O clube se reorganizou nos últimos anos e vive o momento de maior estabilidade na Fortuna Liga, com oito temporadas consecutivas na elite. Por trás de tudo isso, há um ídolo do Bohemians e referência para o futebol tcheco: Antonín Panenka. Considerado um dos maiores jogadores na história da Tchecoslováquia, ele defendeu o Bohemians de 1967 a 81. Panenka empresta seu nome ao que, no Brasil, chamamos de cavadinha, ou seja, o pênalti cobrado com uma batida leve, por baixo da bola. Isso porque em 1976, na decisão da Eurocopa contra a Alemanha Ocidental, ele converteu a última penalidade máxima cobrando dessa maneira e supreendendo o goleiro Sepp Maier. Desde então, na Europa, esse tipo de cobrança leva o nome Panenka. Ele é presidente do Bohemians atualmente, e no ano passado superou uma das maiores adversidade de sua vida. Após ficar em condições críticas por causa da Covid-19, Panenka se recuperou e, aos 71 anos, voltou às atividade no clube do coração.

O rendimento do time, porém, certamente não agrada o dirigente. Na partida do último sábado, foi superado pelo Slovácko que teve mais posse de bola, criou bem mais oportunidades de gols e dominou o confronto, para decepção dos torcedores que se apoiavam no muro na rua para assistir a peleja. O Bohemians é comandado em campo pelo experiente meio-campista Josef Jindrišek, de 39 anos, desde 2009 no clube. Ele é um dos jogadores centrais no meio, dentro do 4-2-3-1 definido pelo técnico Ludek Klusácek. Há ainda outro jogador relativamente conhecido no futebol internacional: o centroavante tcheco Tomáš Necid, 31 anos, que rodou por vários países e clubes.

São 18 times na primeira divisão da Tchéquia, acréscimo de dois em relação à temporada passada, quando não houve rebaixamento por causa da pandemia de coronavírus. O campeonato tem sido dominado nos últimos seis anos por Viktoria Plzen e Slavia Praga, atual bicampeão. Enquanto os dois primeiros colocados se garantem na segunda fase qualificatória da Champions League, os três últimos são rebaixados.

Aos 25 minutos, Jan Kalabiška abriu o placar para o Slovácko. A partida foi definida poucos minutos depois, aos 32 e 37, com dois pênaltis marcados para os visitantes e convertidos por Jan Kliment. No segundo tempo, David Puškác descontou para os mandantes aos 28 e Necid, quatro minutos depois, teve a chance de fazer o segundo, em mais um pênalti, mas chutou para fora. Vale ressaltar: nenhuma cobrança à la Panenka.

O mais incrível, ao assistir o jogo, foi sentir o clima do local, mesmo sem a festa da torcida. Os poucos torcedores nos muros, cantando, colaboraram, mas a atmosfera desse clube é definitivamente especial. Portanto, na sua próxima viagem a Praga, reserve um tempo para conhecer o distrito de Vršovice. Depois que todo esse inferno da pandemia passar, quem sabe até mesmo garantir um lugar nas arquibancadas do Dolícek e voltar ao Brasil com uma camisa do Bohemians Praha 1905.

Comentários

Cultura e muita história em um simples jogo do Bohemians pelo Campeonato Tcheco

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Para Alex, possível sucesso de Özil no Fenerbahçe estará ligado à motivação dele em campo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Mesut Özil já treinou com os novos companheiros
Mesut Özil já treinou com os novos companheiros Divulgação

Após dias de negociação, Mesut Özil foi confirmado neste domingo como reforço do Fenerbahçe. O meia alemão, de 32 anos, deixa o Arsenal após sete temporadas no clube londrino.

Campeão do mundo com a Alemanha em 2014, Özil já não era aproveitado pelo técnico Mikel Arteta e ficou de fora da relação de atletas para a Premier League 2020-21. Entrou em atrito com a diretoria e foi responsável por algumas polêmicas. A última, durante a pandemia de coronavírus, foi quando se ofereceu para pagar o salário do Gunnersaurus, mascote do clube, que acabou demitido. Em 2019-20, disputou 23 jogos em todas competições e marcou um único gol.

Özil nasceu em Gelsenkirchen, na Alemanha, e tem ascendência turca. Quando criança, sempre foi torcedor do Fenerbahçe e manteve as tradições de seus avós e bisavós em sua formação, incluindo a religião muçulmana. Agora, em Istambul, reencontrará as origens de seus antepassados, mas será capaz de recuperar o bom futebol?

Para Alex, um dos maiores nomes na história do Fenerbahçe, dependerá de sua vontade. Talento, todos sabem que o meio-campista possui de sobra. Atitude positiva, no entanto, será muito necessária em um ambiente de enorme cobrança e expectativa.

"A minha expectativa é saber o que ele quer para ele, enquanto jogador de futebol. Se estiver motivado, quiser marcar o momento, acredito que ele ajude muito o time do Fenerbahçe na temporada atual, na qual briga com o Besiktas pelas primeiras posições. O Fenerbahçe fez muitas contratações e o Özil será a cereja do bolo. Se o desejo dele for de marcar história, marcar o momento no país da família dele, com o qual ele tem uma relação muito boa, acredito que vá fazer sucesso", afirma Alex, três vezes campeão turco com o Fener e autor de 172 gols e 139 assistências em 344 partidas pelo clube.

Özil chegou ao Arsenal em 2013, vindo do Real Madrid, contratado por 42,4 milhões de libras, recorde na época dos Gunners. Conquistou três FA Cups e marcou 44 gols em 254 jogos. No anúncio dos ingleses, sobre a saída do jogador alemão, o diretor técnico, Edu Gaspar, elogiou a solução alcançada. "Gostaríamos de agradecer Mesut e sua equipe pelo profissionalismo durante as recentes negociações. Sei que todos ligados ao Arsenal vão se juntar a mim no desejo a Mesut e sua família de saúde, sucesso e felicidade no próximo capítulo de sua carreira".

Em Londres, Özil ganhava cerca de 18 milhões de libras por temporada. Já em Istambul, o valor anual deve ser reduzido para 3,5 milhões. Mesmo assim, o presidente do Fener, Ali Koç, afirmou que contará com o apoio dos torcedores para uma larga campanha de arrecadação de fundos. O Fenerbahçe tem dívidas de aproximadamente 460 milhões de libras e não é campeão turco desde 2014. Além disso, estão previstas eleições no clube para o meio do ano.

"Ele é um baita nome no futebol mundial, campeão do mundo com a Alemanha. Jogou muito tempo no Real Madrid, no Arsenal. Sai da Inglaterra bem discutido, se podia mais ou não por lá. Ele tem essa relação com a Turquia, pela família dele, mas também jogando, porque todo mundo sabe que há uma comunidade turca grande na Alemanha. Nesse período todo ele sempre teve uma relação com o país e o próprio Fenerbahçe. Sempre foi visto próximo às pessoas ligadas ao clube. A recepção será enorme, infelizmente, com esse momento da pandemia, não vai ser aquela festa toda que a gente conhece, mas a recepção e a expectativa em cima da ida dele são muito grandes", completa Alex.

Mesut Özil sempre se declarou partidário do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan - padrinho de casamento do jogador. Ainda no campo político, em dezembro de 2019 o jogador alemão denunciou o governo chinês pelo tratamento à minoria muçulmana Uyghur, o que gerou represálias de canais de televisão chineses, que cortaram as transmissões de jogos do Arsenal no país. O clube inglês se prontificou a manter distanciamento das declarações de Özil.

Na atual temporada, após 20 jogos, o Besiktas lidera a Süper Lig turca com 44 pontos, cinco a mais que Galatasaray e Fenerbahçe, que entra em campo nesta segunda, em casa, contra o Kayserispor, para encerrar a rodada. Ainda sem Özil em campo, mas já vivendo a expectativa de uma nova era vitoriosa, assim como foi com Alex.

Comentários

Para Alex, possível sucesso de Özil no Fenerbahçe estará ligado à motivação dele em campo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Vitória do Besiktas no clássico, chegada de Mesut Özil ao Fenerbahçe e time camuflado em campo: rodada foi agitada na Turquia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória no clássico mantém o Besiktas na liderança do Campeonato Turco
Vitória no clássico mantém o Besiktas na liderança do Campeonato Turco Divulgação

A Turquia viu na temporada passada o Istambul Basaksehir conquistar seu primeiro título nacional. O clube da capital, com apoio velado do governo, desbancou os três gigantes do país e levantou a primeira taça de sua história na elite. Na segunda posição apareceu o Trabzonspor que, punido por problemas financeiros, não pôde usufruir da vaga no qualificatório da Champions League.

De qualquer modo, foi a primeira vez desde 1980-81 que nenhum representante dos três clubes turcos mais populares - Fenerbahçe, Besiktas e Galatasaray - terminou nas duas primeiras posições. Realidade que, certamente, será diferente ao final da temporada atual.

Com 18 jogos disputados, o Besiktas lidera a competição com 38 pontos, após a vitória em casa sobre o Galatasaray por 2 a 0 no domingo. Na sequência aparece o Fenerbahçe, com três pontos a menos, que entra em campo nesta segunda contra o Ankaragücü, em Istambul. A derrota fez com que o Galatasaay (33) caísse para a quarta posição, ultrapassado pelo Gaziantep (34).

Debaixo de neve, o jogo foi equilibrado, mas com o Besiktas tomando a iniciativa. A equipe alvinegra teve mais posse de bola (57,4%) e também liderou nas finalizações, com 13 no total e quatro certas, contra sete e duas do Galatasaray, respectivamente. A qualidade das conclusões também foi superior e justificou o placar de 2 a 0: no índice de expected goals (XG), 1,94 a 0,77 para o Besiktas.

Os dois times têm muitos jogadores conhecidos internacionalmente. Pelo BJK: o zagueiro croata Domagoj Vida, o volante brasileiro Souza, o meia-atacante argelino Rachid Ghezzal e os atacantes Vincent Aboubakar (camaronês) e Cyle Larin (canadense). Pelo Fener, as figuras mais conhecidas são o veterano Arda Turan, de 33 anos, além do meia marroquino Younes Belhanda, o zagueiro brasileiro Marcão e o experiente técnico Fatih Terim.

Taticamente, o Besiktas joga na variação do 4-3-3 na fase ofensiva para o 4-1-4-1 na defensiva, com Souza sendo o jogador que se posiciona entre as linhas. O Galatasaray usa a variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2.

A melhor chance do primeiro tempo foi dos mandantes. Após lançamento, Larin recebeu completamente livre na intermediária ofensiva e chutou por cima do gol, cara a cara com Okan Kocuk. Na segunda etapa, um lance aos 13 minutos doi decisivo para o andamento da partida. O atacante senegalês Mbaye Diagne, em disputa com o zagueiro espanhol Javi Montero, levantou demais o pé e acertou a cabeça do adversário. Foi expulso imediatamente, deixando o Galatasaray com um jogador a menos em campo.

A partir daí, o jogou passou a ser ataque do Besiktas contra defesa do Galatasaray. O gol saiu, finalmente, aos 34 minutos, quando o lateral-esquerdo Ridvan Yilmaz cruzou na área e Souza marcou com o pé direito, seu primeiro com a camisa alvinegra. Para definir a vitória por 2 a 0, o atacante francês Georges-Kevin N'Koudou fechou a conta aos 46, após contra-ataque e assistência de Larin.

"Foi um jogo muito especial. Primeiro, porque estávamos lutando para manter a liderança e, segundo, por ser um clássico na Turquia e os clássicos aqui são diferentes. Eu tive a felicidade de marcar mais um gol contra o Galatasaray e ajudei a abrir o caminho para vitória. Fico muito feliz pela vitória e pelo gol. Agora é continuar focado para não perdermos mais a liderança e buscar esse título ", afirmou Souza que, na época de Fenerbahçe, também marcou contra o Gala.

Na Europa, é comum ouvirmos a expressão "cinco grandes ligas". Referem-se a Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1. Na teoria, a sexta é a Primeira Liga, de Portugal, e na sequência a disputa é muito equilibrada. Eredivisie, na Holanda, e Premier League russa são candidatas, assim como a Süper Lig. O grande problema do Campeonato Turco nos últimos anos foi a crise financeira dos clubes, com muitos atrasos de salários e punições da UEFA por conta de problemas administrativos. Isso fez com que a competitividade dos clubes turcos, internacionalmente, caísse demais.

Özil nasceu na Alemanha e tem origem turca
Özil nasceu na Alemanha e tem origem turca Divulgação

Um bom exemplo é o Fenerbahçe, que há sete anos não é campeão turco e não aparece nas competições continentais, acumulando punições também. Haverá eleições em julho e a pressão interna é gigantesca sobre a diretoria, que tem hoje o ex-jogador Emre Belozoglu como responsável pelo futebol. Nesta segunda, o clube confirmou a contratação de Mesut Özil, uma das principais na história do Fenerbahçe.

O jogador alemão, nascido em Gelsenkirchen e de origem turca, chega para ser o líder técnico da equipe e o diferencial para o Fener voltar a levantar a taça. Até o fechamento desta matéria, ele ainda não havia sido oficializado como reforço, por mais que fotos suas tenham sido publicadas nas redes oficiais do Fenerbahçe com um cachecol do clube.

Além de tudo isso, o final de semana no futebol turco teve também time camuflado em campo. No empate do Istambul Basaksehir em 1 a 1 com o Sivasspor, na capital, os jogadores do Sivass sumiram. Durante a partida, disputada no sábado, passou a nevar muito forte. O problema foi a cor do uniforme escolhida pelo time visitante: branca. As imagens da partida viralizaram pelo mundo.

Tente achar os jogadores do Sivasspor
Tente achar os jogadores do Sivasspor Divulgação

Comentários

Vitória do Besiktas no clássico, chegada de Mesut Özil ao Fenerbahçe e time camuflado em campo: rodada foi agitada na Turquia

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

12 títulos na sequência e feito único para Neil Lennon: os recordes do Celtic na Escócia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Celtic conquistou a Copa da Escócia pela 40a vez
Celtic conquistou a Copa da Escócia pela 40a vez Divulgação

A atrasada final da Copa da Escócia da temporada 2019-20 aconteceu somente no último domingo, por causa da pandemia de coronavírus. O Celtic, após empate em 3 a 3 com o Hearts no tempo normal e na prorrogação, venceu nos pênaltis por 4 a 3 e ficou mais uma vez com a taça. Este é o 12º título nacional do Celtic na sequência, uma incrível e inédita quadrupla-tripla conquista - ou seja, Campeonato, Copa e Copa da Liga nas três últimas temporadas escocesas.

O técnico dos Bhoys, Neil Lennon, também alcançou um feito único. Ele se tornou a primeira pessoa no futebol escocês a conquistar a tríplice coroa como jogador e treinador. Dos 12 títulos, ele foi o técnico em cinco, com Brendan Rodgers nos outros sete. Lennon está muito pressionado na atual temporada, já que o Celtic foi eliminado da Europa League, da Copa da Liga atual e está bem distante do Rangers na luta pelo título da Premiership.

O Celtic usou o 4-3-3 para atacar, com a presença do veterano e capitão, Scott Brown, no meio-campo, responsável pela saída de bola com o zagueiros Christopher Jullien e Shane Duffy. Kristoffer Ajer atuou improvisado na lateral-direita e Greg Taylor jogou aberto na esquerda. Dois meias centrais, David Turnbull e Callum McGregor, se movimentavam bastante, tendo o ótimo Odsonne Édouard como referência ofensiva, além de Ryan Christie e Mohamed Elyounoussi nas pontas. A instabilidade dos Bhoys tem sido enorme na temporada, com muitas falhas defensivas e pouquíssima criatividade ofensiva, o que vem provocando tantos reveses.

Já o Hearts, do técnico Robbie Neilson e dos experientes Craig Gordon (goleiro, 37 anos, ex-Celtic e Sunderland) e Steven Naismith (atacante, 34, ex-Everton e Norwich), chegou embalado à final da Copa da Escócia, após oito rodadas disputadas na Championship e a liderança da competição. Em campo, no Hampden Park, em Glasgow, marcava no 5-3-2, com linhas bem baixas e dando o campo para o adversário trabalhar. Nos números do jogo, o Celtic teve mais posse de bola (64%) e finalizou mais também (20 x 13), mas permitiu que o Hearts tivesse quase o mesmo número de finalizações certas (6 x 7). Como um bom jogo de futebol escocês, alto número de faltas: 33.

Desde 2014 o Heart of Midlothian, mais conhecido como Hearts, da capital Edimburgo, pertence à empresária Ann Budge. Ela liderou um consórcio que comprou o clube da capital escocesa do lituano Vladimir Romanov, que o transformara em seu brinquedinho pessoal.

O encerramento precoce da última temporada da Premiership garantiu ao Celtic o eneacampeonato, que viria sem dúvidas se a competição fosse finalizada, pela vantagem de 13 pontos sobre o rival Rangers. A luta contra o descenso, porém, não estava definida, e sobrou para o Hearts o rebaixamento, mesmo estando a quatro pontos do Hamilton com oito rodadas ainda por disputar.

Ryan Christie abriu o placar na final da Copa da Escócia aos 19 minutos com um golaço de fora da área, batida com o pé esquerdo, com efeito, tirando do goleiro Gordon. Dez minutos depois, Édouard ampliou na cavadinha em cobrança de pênalti. A reação do Hearts começou com a cabeçada de Liam Boyce, aos três minutos do segundo tempo, e foi concluída aos 22 com outra bola levantada na área e a conclusão de Stephen Kingsley. A partida foi então para a prorrogação, e o Celtic voltou a ficar na frente do placar aos 15 minutos da etapa inicial com Leigh Griffiths, que entrara pouco antes. O final emocionante foi garantido no segundo tempo extra, aos seis minutos, e o gol marcado por Josh Ginnelly.

Nos pênaltis, Christie perdeu para o Celtic e Kingsley e Craig Wighton desperdiçaram para o Hearts. Coube a Ajer marcar na última cobrança e garantir a vitória por 4 a 3. Nesta quarta-feira, o Celtic entra em campo novamente, pelo Campeonato Escocês. Terá pela frente o time que, surpreendentemente, o tirou da Copa da Liga na segunda rodada, o Ross County. O Hearts, por sua vez, vai orgulhoso receber o Ayr United, no próximo sábado, em sua jornada de retorno à elite.

Fonte: Gustavo Hofman

Comentários

12 títulos na sequência e feito único para Neil Lennon: os recordes do Celtic na Escócia

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Ulsan conquista a Champions League asiática com herói brasileiro na final

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Júnior Negrão foi o herói na final, com dois gols marcados para o Ulsan
Júnior Negrão foi o herói na final, com dois gols marcados para o Ulsan Divulgação

O sábado foi de comemoração em Ulsan, no litoral sul-coreano. Bem distante dali, em Doha, no Catar, o Ulsan Hyundai venceu o Persepolis, do Irã, por 2 a 1, e conquistou neste sábado seu segundo título da Champions League Asiática. O resultado coloca o representante da Coreia do Sul noMundial de Clubes da FIFA, que acontecerá em fevereiro.

O grande destaque foi o atacante brasileiro Júnior Negrão, autor dos dois gols na virada sul-coreana. Ele foi também o artilheiro da competição com sete gols, ao lado do marroquino Abderrazak Hamdallah, do Al Nassr (Arábia Saudita). A presença ilustre nas arquibancadas foi do presidente da FIFA, Gianni Infantino.

A Champions League asiática, pela grandiosidade geográfica do continente, divide as equipes entre Leste e Oeste. Assim, times do Oriente Médio e da Ásia Central ficam de um lado da chave e os representantes de Japão, Coreia, China, Austrália e Sudeste Asiático do outro. A temporada 2020 foi marcada pela pandemia de coronavírus, o que obrigou a organização a transferir todos os jogos que faltavam da fase de grupos e os playoffs - alterados para eliminatórias simples ao invés de mata-mata - para o Catar.

O primeiro gol do jogo saiu aos 44 minutos, quando o Ulsan saiu jogando errado e Park Joo-ho perdeu a bola para Mehdi Abdi, que avançou e bateu no canto do goleiro Jo Su-huk. Pouco depois, com auxílio do VAR, o árbitro catariano Ramzan Al-Naemi marcou pênalti, sofrido por Yoon Bit-garam, para os sul-coreanos. Júnior cobrou no canto direito, mas Hamed Lak defendeu. Ninguém, porém, chegou a tempo para evitar o gol no rebote do brasileiro aos 49.

Júnior vive um momento especial na carreira aos 33 anos. Natural de Salvador e revelado pelo Nacional, do Amazonas, se destacou em uma Copa São Paulo e acabou contratado pelo Atlético Mineiro. Em 2007 foi para o Corinthians, em um dos piores anos na história alvinegra, marcado pelo rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Durou pouco no Parque São Jorge e passou a rodar por muitos clubes - 12, especificamente, até chegar à Tailândia. No futebol tailandês, foi bem nas passagens por Muangthong United e Pattaya United, o que chamou a atenção do Daegu, da Coreia do Sul.

"Tem coisas que só o futebol, mesmo... Em 2007, eu tinha feito um teste no próprio Daegu, mas o técnico disse que eu não tinha o estilo deles e não me aprovou. Voltei para o Brasil e a vida seguiu. 10 anos depois, o presidente do Daegu era esse mesmo treinador que não me aprovou. Quando eu contei que ele tinha me reprovado há uma década, ele não acreditava (risos). Ficava falando: 'Não era você!' (risos). Mas futebol é assim mesmo. Não guardei mágoas e falei que daria muitas alegrias para ele", contou o atacante brasileiro no ano passado, em entrevista ao ESPN.com.br. Foram 12 gols em 16 jogos e a contratação pelo gigante do país Ulsan Hyundai.

Na final da Champions League, neste sábado, o duelo tático foi marcado pelo 4-2-3-1 do Persepolis e o 4-3-3 do Ulsan, com suas respectivas variações defensivas: 4-4-2 e 4-1-4-1. Os iranianos tiveram mais posse de bola (57,3%), mas finalizaram menos (9 x 12, 2 x 5 no alvo). A virada não demorou a acontecer após o empate, e foi bizarra. O lateral-direito Mehdi Shiri subiu para cortar um cruzamento com o braço erguido e fez quase um bloqueio de vôlei. Pênalti escandaloso, e mesmo assim a arbitragem precisou do VAR para marcar. Desta vez, na cobrança, Júnior Negão não desperdiçou.

São pouquíssimos estrangeiros nos dois elencos. Pelo Ulsan, além do herói Júnior Negão, o zagueiro holandês Dave Bulthuis também começou jogando, enquanto o atacante norueguês Bjorn Maars Johnsen saiu do banco já no final do jogo. O Persepolis tem somente dois atletas de fora do Irã, o meio-campista iraquiano Bashar Resan (titular) e o goleiro croata Bozidar Radosevic (reserva).

O Ulsan pertence à Hyundai Heavy Industries, maior empresa de construção naval do mundo. Muita gente confunde com a Hyundai Motors, gigante automotiva, que é proprietária do Jeonbuk. Apesar do nome, são companhias distintas, mas fundadas pela mesma pessoa, o empresário Chung Ju-yung (falecido em 2001). Já o Persepolis, gigante do futebol iraniano, amargou seu segundo vice-campeonato na Champions League asiática. Em 2018, foi batido pelo Kashima Antlers, do Japão.

Comentários

Ulsan conquista a Champions League asiática com herói brasileiro na final

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Rodada de LaLiga tem o "clássico latino-americano" entre Atlético de Madrid e Elche

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Atlético x Elche acontece neste sábado, com transmissão ao vivo da ESPN às 10h
Atlético x Elche acontece neste sábado, com transmissão ao vivo da ESPN às 10h Divulgação

Neste sábado, às 10h (horário de Brasília), com transmissão da ESPN, o estádio Wanda Metropolitano será palco do duelo mais latino-americano possível de LaLiga. Atlético de Madrid e Elche se enfrentam na capital espanhola pela 14a rodada da competição, em jogo que poderia ser absolutamente comum, uma vez que não há rivalidade entre os clubes. Isso se não fosse a forte presença latino-americana nas duas equipes, a começar pelos treinadores.

Diego Simeone é o mais longevo técnico de LaLiga, referência icônica do Atleti. Jorge Almirón começa a construir sua história na Espanha, contratado pelo pequeno Elche no início da temporada. Os dois argentinos possuem em seus elencos, respectivamente, sete atletas da América Latina à disposição para trabalharem. Nenhum outro clube da primeira divisão espanhola supera os adversários deste final de semana em latinidade, somando os técnicos.

Pelo Atlético jogam José Giménez (Uruguai), Felipe (Brasil), Renan Lodi (Brasil), Lucas Torreira (Uruguai), Héctor Herrera (México), Ángel Correa (Argentina) e Luis Suárez (Uruguai). No caso colchonero, há ainda Diego Costa, brasileiro naturalizado espanhol. Já no Elche estão os argentinos Diego Rodríguez, Juan Sánchez Miño, Iván Marcone, Lucas Boyé, Guido Carrillo e Emiliano Rigoni, além do colombiano Jeison Lucumí. Apenas o Betis iguala os dois nessa disputa, já que também possui sete atletas latinos no elenco e é comandado pelo chileno Manuel Pellegrini.

"O conceito de América Latina é algo relativamente novo e tem origem na França, onde era comum a ideia de uma 'raça latina'. O termo ganhou força a partir da invasão francesa do México, com Napoleão III, em 1861. Os franceses instalaram no México um imperador Habsburgo, cujo reinado foi curtíssimo. A construção da ideia de uma 'América Latina' serviu como justificativa ideológica para o imperialismo francês no México, com a finalidade de criar uma impressão de afinidade cultural com a França. A ideia era traçar uma linha de separação ideológica entre o império católico 'latino', que os franceses estavam instalando, e o império protestante anglo-saxão: os Estados Unidos", explicou recentemente Carlos Gustavo Poggio, professor da FAAP e PhD em Relações Internacionais, em sua conta no Twitter.

Com o passar das décadas, a expressão passou a ser mais utilizada nos países da America Central e da América do Sul também. No entanto, há indícios de utilização do termo em língua espanhola previamente aos franceses, como indica Poggio, por intelectuais que viviam em Paris. "Para esses escritores, a ideia de América Latina referia-se à América espanhola, o que excluía o Brasil - que, além de tudo, era uma monarquia. Foi apenas com a popularização do termo nos Estados Unidos que, gradualmente, o Brasil passou a ser incluído. Isso só no século XX".

Os latinos de Atlético e Elche estão entre os protagonistas de seus times. Luis Suárez, principal contratação colchonera para a temporada, tem cinco gols e divide a artilharia do time com o português João Félix. Pelo Elche, com números mais modestos, Lucas Boyé é um dos jogadores da equipe que já marcaram dois gols. Na tabela de classificação, a realidade também é bem distinta, afinal, o Atlético é um dos favoritos ao título e já somou 26 pontos em 11 jogos. O representante de Elche, na Comunidade Valenciana, tem 12 pontos a menos com o mesmo número de partidas. Vale lembrar que o Elche está de volta à primeira divisão após cinco anos, tendo conquistado o acesso pelos playoffs.

Diego Simeone e Jorge Almirón são contemporâneos do futebol, mas tiveram carreiras como jogadores bem diferentes. Enquanto Simeone se tornou um dos principais jogadores de sua geração na Argentina, alcançando o estrelato no futebol europeu também, Almirón rapidamente deixou o país e trilhou longa carreira no futebol mexicano. Agora como treinadores, o sucesso pesa mais uma vez para o lado do representante do Atleti, por mais que atual comandante do Elche já tenha provado sua qualidade em equipe como o Lanús, onde conquistou o Campeonato Argentino em 2016 e foi vice da Libertadores do ano seguinte.

No mundo, atualmente, os latino-americanos dominam o cenário de jogadores expatriados. Os brasileiros são maioria, com 1280 atletas espalhados pelos campeonatos de 82 associações nacionais, de acordo com levantamento do CIES Football Obsrvatory. Os argentino aparecem na terceira posição com 886, pouco menos do que os 902 franceses. Assim como no passado, o artista uruguaio Joaquín Torres García desenhou a América Invertida como forma de resistência da cultura latino-americana, onde o "nosso norte é o sul", o futebol também é uma maneira de expressão da região perante o mundo.

"O termo 'América Latina', seja em francês, espanhol ou inglês, sempre existiu como um recurso para criar a impressão de afinidade cultural entre países ao sul dos Estados Unidos e reforçar a diferenciação com a América de fala inglesa, anglo-saxã. Nos Estados Unidos em especial, o termo serviu para reforçar a separação com relação aos vizinhos católicos e menos desenvolvidos. Ao sul, o termo se consolida como forma de reforçar os laços comuns em oposição ao 'imperialismo do norte' a partir do fim do século XIX e começo do XX. Portanto a ideia de América Latina e, portanto, de 'latino-americano', não é um referente natural geográfico, como 'Sudeste Asiático', nem cultural, como 'árabe'. É um conceito artificalmente construído com objetivos bem definidos, daí a importância de se conhecer a sua origem", finaliza Carlos Gustavo Poggio.

Comentários

Rodada de LaLiga tem o "clássico latino-americano" entre Atlético de Madrid e Elche

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Força física e muita história em mais um clássico polonês

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
Luquinhas, jogador do Legia-POL
Luquinhas, jogador do Legia-POL Getty Images

As torcidas polonesas costumam promover belíssimos espetáculos nas arquibancadas, assim como muita confusão pelas ruas. Em 2017, uma manifestação da torcida do Legia contra o nazismo, em um jogo contra o Astana pelo qualificatório da Champions League, relembrando as dezenas de milhares de mortos em Varsóvia, foi impactante. Em um gigante banner, surgiu a imagem de um oficial nazista com a arma apontada para a cabeça de uma criança.

O futebol é tratado com fanatismo no país e forma de expressão nacional, e isso torna as rivalidades entre os principais clubes enormes. No último sábado, o Legia visitou o Wisla, em Cracóvia, sem torcida nas arquibancadas devido à pandemia de coronavírus. Não é o maior clássico da Polônia, mas mantém rivalidade entre as cidades e também pela força histórica dos dois clubes - 14 e 13 títulos nacionais, respectivamente, entre os quatro maiores vencedores.

 Atual campeão, o Legia (pronuncia-se "léguia") venceu o Wisla por 2 a 1 e se manteve na liderança da Ekstraklasa, com 29 pontos em 13 rodadas. Já o Wisla é apenas o 13o, com 11 pontos, próximo da 16a e última posição.

 "Sabíamos que seria um jogo muito difícil, porque eles estavam há cinco rodadas sem vencer e colocariam tudo dentro de campo para tentar nos vencer. Não foi diferente. Na primeira parte eles pressionaram muito, foram muito bem, não à toa saíram ganhando. A nossa equipe está bem focada no objetivo principal, então nos concentramos no jogo e conseguimos virar", explica o atacante Luquinhas, de 24 anos, com carreira feita em Portugal (Vilafranquense, Benfica e Aves).

 O primeiro gol do jogo saiu aos 12 minutos, após recuperação de bola do Wisla no campo de ataque, que resultou em cruzamento na grande área do cazaque Georgy Zhukov e a finalização do ganês Yaw Yeboah, formado na base do Manchester City. No geral, o Legia teve mais posse de bola (61%) e finalizou mais (13 x 7).

Luquinhas conversou com o blog na noite de domingo, já curtindo a folga após a vitória. No segundo tempo, o Legia marcou duas vezes, aos 36 e 44, com o centroavante tcheco Tomás Pekhart. 

"Ele está sendo uma peça fundamental na nossa equipe. Terceiro ou quarto jogo que ele marca gols decisivos. Ele se tornou a nossa referência na frente. Quando os extremos pegam a bola, o treinador já falou para buscar o Tomás dentro da área. Quando eu puxo para dentro, é só colocar a bola no alto que tem 50% de chance de gol", explica o atacante brasileiro, que joga aberto pela esquerda no 4-3-3 do Legia. Pekhart está com 31 anos e foi descoberto pelo Tottenham, ainda na base do Slavia Praga - desde fevereiro está na Polônia.

O futebol polonês é bastante caracterizado pela força física. Os atletas são muito bem preparados e fortes fisicamente, além de bem organizados taticamente em campo. "O estilo de jogo aqui na Polônia é mais porte físico, jogadores altos e fortes. Em Portugal o estilo era completamente diferente, com mais espaço e posse de bola. Quando recebi a proposta do Legia, fiquei meio assim por causa disso. Sou pequeno, tenho 1m68, mas quando cheguei aqui percebi que dava para ter qualidade e porte físico", garante Luquinhas, contratado pelo clube de Varsóvia no início da temporada passada. Apesar do talento do brasileiro e os gols de Pekhart, o grande ídolo na atualidade do Legia - clube historicamente ligado aos militares poloneses - é o veterano goleiro Artur Boruc, ex-Fiorentina, de 40 anos.

A capital polonesa é também a maior cidade do país, localizada às margens do rio Vístula, entre as montanhas do Cárpato e o mar Báltico. Seus quase dois milhões de habitantes respiram a história de resistência, luta e sofrimento infligidos pela Segunda Guerra Mundial. Varsóvia foi destruída nesse período, com cerca de 85% das edificações arrasadas. Estima-se a morte de 150 mil a 200 mil civis. A construção do Gueto de Varsóvia e a Revolta de Varsóvia são dois eventos extremamente importantes e impactantes na história do conflito. A ocupação alemã, que começou em setembro de 1939, terminou apenas em janeiro de 45 com a chegada do Exército Vermelho.

A Ekstraklasa terá apenas mais uma rodada disputada neste ano, no final desta semana. Depois faz a necessária pausa para o rigoroso inverno polonês.

Fonte: Gustavo Hofman

Comentários

Força física e muita história em mais um clássico polonês

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A escolha do novo técnico do Borussia Dortmund é determinante para as ambições do clube

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O anúncio da demissão de Lucien Favre, neste domingo, veio junto com um "demorou para acontecer" dos torcedores do Borussia Dortmund. A impressão de que esse time pode render muito mais é evidente para todos que acompanham o futebol alemão. Por isso, a queda do técnico suíço não foi surpreendente.

Após as passagens estáveis e vencedoras de Jürgen Klopp (2555 dias e cinco títulos) e Thomas Tuchel (699 dias e um título), o clube apostou em Peter Bosz e Peter Stöger, que ficaram no cargo por apenas 161 e 202 dias, respectivamente. Ambos na decepcionante temporada 2017-18. 

Favre chegou com a experiência necessária de Bundesliga, após comandar Hertha Berlin (2007 a 2009) e Borussia Mönchengladbach (2011 a 2015). O último trabalho no Nice era muito bom, por isso altas expectativas foram criadas. Jamais alcançadas plenamente. 

Lucien Favre durante partida do Borussia Dortmund
Lucien Favre durante partida do Borussia Dortmund Getty Images

O Borussia Dortmund tem uma estrutura muito bem definida internamente, assim como a divisão de poderes. Hans-Joachim Watzke é o CEO, quem toma sempre a decisão final. Michael Zorc, ex-jogador e ídolo do Dortmund, é quem comanda todo o departamento de futebol, enquanto Sebastian Kehl, outro ex-atleta aurinegro, responde diretamente a ele pelo time profissional. Já Lars Ricken, também antiga figura do BVB, chefia as categorias de base. Há ainda uma figura importante, Matthias Sammer, oficialmente consultor externo, e com opinião bastante considerada por lá. 

Quem assistiu "Inside Borussia Dortmund", disponível na Amazon Prime, pôde ver muito do ótimo relacionamento que havia entre Lucien Favre e a diretoria. O suíço é um enorme conhecedor de futebol, meticuloso nas estratégias e com respeito adquirido no meio. Foram 896 dias de muito trabalho, evolução de jovens promessas, grandes vitórias e algumas decepções. É necessário dar um passo além, agora, e Lucien Favre, por mais competente que seja, não parece ser a pessoa ideal para os objetivos traçados. A decisão pela saída deveria ter acontecido ao final da temporada passada. 

Levantamento da Deustche Welle mostra que Favre teve, inclusive, média de pontos somados por jogo superior a Klopp (1,91), com 2,09 - melhor de um técnico do Dortmund na história da Bundesliga. A falta de uma mentalidade vencedora, porém, nos momentos cruciais da temporada e nos grandes jogos acabou se tornando o pesadelo dos torcedores. A forma desastrosa como a equipe perdeu o título da Bundesliga em 2018-19, praticamente entregando a taça a um combalido Bayern de Niko Kovac, foi um alerta, mas havia confiança para a segunda temporada de Favre. No final das contas, com a pandemia e a chegada de Hansi Flick, os bávaros impuseram um nível altíssimo, jamais contestado pelo Dortmund - por mais que houvesse uma chance clara, desperdiçada em 26 de maio com o gol marcado por Joshua Kimmich aos 43 minutos do primeiro tempo. 

A política de contratações está baseada na busca por jovens talentos e o desenvolvimento desses atletas. Além disso, a valorização dos atletas da base e a busca por alguns jogadores mais experientes no mercado, para formar um grupo equilibrado. Para Favre chegaram Thomas Delaney, Axel Witsel, Paco Alcácer, Thorgan Hazard, Nico Schulz, Julian Brandt, Erling Haaland e Jude Bellingham. Jadon Sancho se tornou um dos melhores da Bundesliga e Giovanni Reyna segue o mesmo caminho. 

O trabalho de Lucien Favre foi importante dentro de todo processo de transformação vivido pelo Borussia Dortmund, classificado para as oitavas de final da Champions League. Diante do fortalecimento do RB Leipzig e do empoderamento ainda maior do Bayern, no entanto, a mudança de patamar se tornou urgente para o BVB. Edin Terzic assume interinamente até o final do ano, enquanto a diretoria decide quem será o novo treinador. Mauricio Pochettino e Massimiliano Allegri surgem como desejos da torcida. Nomes que indicam como o sarrafo está mais alto agora, do que em julho de 2018, mas que também levantam questionamentos sobre o próximo passo. 

Escolher alguém como Pochettino, para um trabalho a longo prazo, pensando no desenvolvimento dos jovens, ou alguém mais pragmático e com um currículo vitorioso como Allegri? Ou mesmo uma aposta alemã. Certo é que dias importantes estão por vir em Dortmund.

Fonte: Gustavo Hofman

Comentários

A escolha do novo técnico do Borussia Dortmund é determinante para as ambições do clube

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Uma gelada tarde de futebol em Motherwell

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória do Hibernian levou o time à terceira posição da Premiership
Vitória do Hibernian levou o time à terceira posição da Premiership Divulgação

As maiores sequências atuais de títulos nacionais estão na Itália, na Bulgária e na Escócia, onde Juventus, Ludogorets e Celtic são eneacampeões. O decacampeonato búlgaro deve acontecer, enquanto os italianos aguardam uma briga acirrada da Juve com os principais rivais. Já em território escocês, parece que a soberania do lado verde de Glasgow chegará ao fim.

Com 16 rodadas da Premiership disputadas, o Rangers lidera com 44 pontos e é o único invicto. Está 13 pontos à frente do Celtic, com dois jogos a mais. Pelo desempenho até aqui, é o melhor time do campeonato, fruto do excelente trabalho de Steven Gerrard. Os Bhoys veem Neil Lennon ser contestado cada vez mais, à medida que tropeços são acumulados.

Historicamente o Campeonato Escocês se resume à disputa entre os dois gigantes da capital pelo título, além de reunir uma das maiores rivalidades do mundo. O Rangers tem 54 títulos e o Celtic vem na sequência com 51; todos os demais adversários somam 21 em 131 anos. Essa situação, porém, foi recuperada há pouco tempo. Com a falência do Rangers e o rebaixamento à quarta divisão, foram quatro temporadas sem o grande rival do Celtic na elite, quando outros clubes se aproveitaram para ficar com o vice-campeonato. Desde que retornou, o Rangers somente passou a, efetivamente, brigar pelo título uma vez mais na temporada passada, que acabou encerrada precocemente pela pandemia de coronavírus.

Assim, a vida além dos dois para as outras dez equipes da Premiership voltou a se resumir a "quem será o terceiro colocado". No sábado, Motherwell e Hibernian, dois postulantes a essa condição, se enfrentaram pela 16a rodada. A vitória por 3 a 0 do Hibernian, fora de casa e com temperatura próxima de 0ºC, fez com que a equipe assumisse a terceira posição na tabela, com 29 pontos, graças ao empate do Aberdeen com o St. Mirren.

Taticamente, o Motherwell começou o jogo na variação do 4-3-3 com a bola e 4-1-4-1 na fase defensiva. O técnico do clube é Stephen Robinson, ex-jogador da seleção norte-irlandesa. Aos 45 anos, está desde 2017 no cargo em sua segunda experiência à frente de um time, tendo passado pelo Oldham Athletic antes. Já o Hibernian marcava alternando entre o 4-4-2 e o 4-5-1, de acordo com a movimentação do atacante inglês Drey Wright.

Quem gosta de assistir séries sobre bastidores de equipes de futebol vai reconhecer o treinador dos Hibs. Trata-se de Jack Ross, treinador do Sunderland no período da segunda temporada de "Sunderland'Till I Die", exibida pelo Netflix. Jack é contratado pela nova administração do clube e comanda o time na temporada 2018-19 pela terceira divisão inglesa, quando cai nos playoffs de acesso, ao ser batido pelo Charlton. Em outubro, ocupando a sexta posição na League One, é demitido; um mês depois, acertou com o Hibernian.

Lance do jogo entre Motherwell e Hibernian
Lance do jogo entre Motherwell e Hibernian Divulgação

Partidas do Campeonato Escocês são marcadas pela força física, velocidade e boa organização tática das equipes. Se a técnica é limitada, o físico sobra. No primeiro tempo, basicamente o que se viu foi isso: dois times bem montados, explorando as transições rápidas, mas praticamente sem chances de gol. Com exceção de um lance polêmico aos 41 minutos. Liam Polworth cobrou falta e levantou a bola para o cabeceio de Mark O'Hara em direção ao centro da área, onde o atacante inglês Callum Lang completou.

A jogada foi anulada pelo árbitro Andrew Dallas, que confirmou o impedimento assinalado pelo assistente. Não há VAR no Campeonato Escocês, assim, o lance não pôde ser revisado. A transmissão da partida não mostrou o lance com uma imagem lateral, o que torna impossível para o autor deste texto saber se houve ou não infração. Fato é que o técnico do Motherwell, Stephen Robinson, reclamou muito do lance e, após o jogo, afirmou ter revisto o que aconteceu e afirmou que o gol foi legal.

Nas arquibancadas do Fir Park, estavam apenas fotos ou vultos de torcedores do Motherwell - todos em casa, prevenindo-se da pandemia. O estádio é simples e antigo, construído em 1895 e renovado 100 anos depois. Casa aconchegante e simpática, como quase todo estádio pequeno no Reino Unido.

Na segunda etapa, diferentemente da primeira, um time passou a criar mais e aproveitar as oportunidades. Com gols aos 14, 43 e 50 minutos, os Hibs construíram a vitória. O primeiro, marcado por Martin Boyle, foi determinante para a equipe ter mais espaço para os contra-ataques. O meia-atacante inglês Joe Newell, de 27 anos, ex-Peterborough e Rotherham, era quem mais criava chances - era também o mais habilidoso em campo.

No final, o técnico Jack Ross ainda terminou como herói. Fez três substituições, e dois jogadores que entraram em campo marcaram os últimos gols, Christian Doidge e Stephen McGinn. O segundo, um belo gol, com assistência de Newell e chute colocado de Doidge, indefensável para o estreante Jordan Archer, de 27 anos, formado na base do Tottenham. Os números finais ajudam bem a entender o que foi a partida, com posse de bola dividida (50% x 50%) e mais finalizações no total (12 x 10) e certas (5 x 1) do Hibernian, quatro vezes campeão nacional, algo que não acontece desde 1951-52.

A gelada e escura tarde de um sábado em Motherwell, uma pequena cidade de 32 mil habitantes no sul da Escócia, foi palco de um bom jogo de futebol, dentro dos limites escoceses. A partida começou às 15h (horário local), ainda com um pouco de luz natural, mas a noite foi engolindo o dia rapidamente, à medida que o tempo passava, algo normal nesta época do ano na região. Na Inglaterra, para exemplificar a dificuldade e a particularidade de algumas partidas, a expressão "ele consegue fazer isso em uma noite chuvosa de Stoke?" é utilizada. Na Escócia, esse é praticamente o padrão.

Comentários

Uma gelada tarde de futebol em Motherwell

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Com seleção em crise, Alemanha pode classificar quatro times para as oitavas da Champions pela primeira vez desde 2014-15

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória do Leipzig sobre o Basaksehir foi emocionante e determinante na briga pela vaga
Vitória do Leipzig sobre o Basaksehir foi emocionante e determinante na briga pela vaga Divulgação

Joachim Löw permanece como técnico da Alemanha. Essa foi a decisão anunciada pela DFB nesta semana, que declarou apoio unânime ao treinador campeão do mundo em 2014. Ao menos até a Euro 2021.

O trabalho de Löw não é bom no atual ciclo. Ex-jogadores, como Bastian Schweinsteiger e Philipp Lahm, deram declarações recentes indicando que o treinador não consegue mais se comunicar com seus atletas, uma geração bem mais jovem do que aquela representada pelos dois. A goleada por 6 a 0 para a Espanha, aliada aos baixos índices de interesse da população pelo Die Mannschaft, não alteraram o planejamento da federação e seu diretor, Oliver Bierhoff, que declarou haver "nuvens carregadas" sobre a equipe.

Enquanto isso, na Champions League, os clubes alemães vão para a última rodada da fase de grupos em boas condições. Dos quatro presentes, dois já estão classificados para as oitavas de final: Bayern Munique e Borussia Dortmund.

Bayern já garantiu a passagem para as oitavas de final da Champions League
Bayern já garantiu a passagem para as oitavas de final da Champions League Divulgação

Na última rodada, os bávaros pouparam vários jogadores, já tinham muitos desfalques e mesmo assim ampliaram a série invicta na competição para 16 jogos. Ao empatar com o Atlético de Madrid, fora de casa, em 1 a 1, os jogadores de Hansi Flick provaram mais uma vez a qualidade e a profundidade que há no elenco. Primeira colocação do Grupo A de maneira absolutamente tranquila: segue como o melhor time do mundo, apesar de, obviamente, não estar no mesmo nível da temporada passada.

Já o Dortmund não apresenta o mesmo desempenho, assim como Lucien Favre não tem a mesma avaliação de Flick. O empate com a Lazio, no Signal-Iduna Park, em 1 a 1 classificou o BVB à próxima fase. A equipe não pode mais ser ultrapassada pelo Brugge, terceiro colocado, batido no primeiro critério de desempate (confronto direto). A péssima notícia é a lesão muscular de Erling Haaland, que não joga mais em 2020 - algo que não vai impactar a campanha na Champions, mas atrapalhará muito na Bundesliga.

Já Borussia Mönchengladbach e RB Leipzig ainda lutam pela classificação, com desempenho bastante irregular até aqui.

O Grupo B é o mais equilibrado e emocionante da artual edição. Gladbach (8 pontos), Shakhtar Donetsk (7), Real Madrid (7) e Internazionale (5) têm chances na última rodada, com os espanhóis recebendo os alemães e os italianos recepcionando os ucranianos. O Borussia conquistou vitórias incríveis, como as duas goleadas sobre o Shakhtar, e empates nos quais foi melhor, mas não soube "fechar" os jogos - 2x2 com Inter e Real. Nesta semana, vimos a versão menos confiante da equipe, batida merecidamente por Romelu Lukaku.

Já o Grupo H aparece na segunda posição em termos de emoção. Paris Saint-Germain, Manchester United e RB Leipzig, nessa ordem pelos critérios de desempate entre si, aparecem nas três primeiras colocações empatados com nove pontos. Na última rodada, o PSG receberá o Istanbul Basaksehir, enquanto o Leipzig jogará na Red Bull Arena contra os red devils. O desempenho irregular dos semifinalistas de 2019-20 fica evidente com as duas vitórias sobre os turcos, a goleada sofrida para o United e os três pontos somados diante do PSG. Nesta quarta, a emocionante vitória por 4 a 3 sobre o Basaksehir foi outra demonstração de sofrimento desnecessário, contra um adversário inferior tecnicamente.

No atual cenário, é bem viável a classificação dos quatro representantes da Alemanha às oitavas. Algo que pode ser repetido por Inglaterra, Espanha e Itália e não foi atingido na temporada passada, com Bayer Leverkusen e Internazionale enviados para a Europa League. A última vez que a Bundesliga teve quatro times nas oitavas da Champions foi em 2014-15 com Bayern, Dortmund, Leverkusen e Schalke.

Comentários

Com seleção em crise, Alemanha pode classificar quatro times para as oitavas da Champions pela primeira vez desde 2014-15

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Após excelente início, Hamburgo retoma rotina de derrotas incríveis na segunda divisão alemã

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Heidenheim venceu o Hamburgo por 3 a 2, de virada, neste domingo
Heidenheim venceu o Hamburgo por 3 a 2, de virada, neste domingo Divulgação

Na temporada passada, Hamburgo e Heidenheim chegaram à última rodada 2.Bundesliga na disputa pelo terceiro lugar. Bastava ao HSV um simples empate, em casa, diante do Sandhausen para garantir a presença nos playoffs contra o Werder Bremen. Isso porque o Heidenheim, com um ponto a mais na tabela, foi batido pelo Arminia Belefeld por 3 a 0. A goleada sofrida por 5 a 1 foi humilhante para o clube e o impediu de tentar o retorno à primeira divisão.

Desde 2018-19 o tradicional Hamburgo está fora da Bundesliga. Até então, o relógio no Volksparkstadion marcando o tempo de permanência na elite do futebol alemão era um símbolo de orgulho. Mas, desde então, a vida tem sido muito decepcionante para o HSV, com dois quartos lugares consecutivos.

Neste final de semana, enfrentou justamente o Heindenheim, que não superou o Bremen nos playoffs. O Hamburgo entrou na rodada como líder, mas com uma sequência de três jogos sem vencer - dois empates e uma derrota. Diferentemente da temporada passada, o pequeno Heidenheim, do técnico Frank Schmidt (desde 2007 no cargo), não se mantém na parte de cima da tabela e recebeu o HSV precisando da vitória para galgar posições.

O começo de jogo foi perfeito para os visitantes. Aos 16 minutos, após contra-ataque, Sonny Kittel finalizou na pequena área para abrir o placar. Oito minutos depois, em cobrança de escanteio, a bola sobrou para o zagueiro Toni Leistner concluir. O segundo gol gerou muita polêmica, porque Tim Leibold domina a bola com o braço, antes de tocá-la para Leistner, e mesmo assim o lance foi validade pelo VAR.

Com 2 a 0 no placar, parecia que o Hamburgo reencontraria o caminho dos triunfos, mantendo assim a primeira posição. Daniel Thioune, campeão da terceira divisão em 2018-19 com o Osnabrück, está à frente da equipe desde o início desta temporada. O presidente do clube é o ex-lateral esquerdo Marcell Janssen, de apenas 35 anos, mais novo que o próprio treinador (46).

Aqui cabe um adendo curioso ao público brasileiro: Janssen foi contratado pelo Hamburgo em 2008, após uma temporada decepcionante pelo Bayern, que o levara do Borussia Mönchengladbach; junto com ele, também chegaram o zagueiro Alex Silva, ex-São Paulo, e o meia Thiago Neves, ex-Fluminense. Janssen se aposentou precocemente aos 29 anos e, nas últimas temporadas, voltou a atuar - tem disputado partidas com o time 3 do Hamburgo.

No domingo, o presidente foi apenas expectador nas arquibancadas da Voith-Arena e viu sua equipe ser castigada ainda no primeiro tempo. Logo após fazer o segundo gol, três minutos mais precisamente, levou o primeiro em jogada de escanteio, com o atacante Christian Kühlwetter. O empate do Heidenheim saiu aos 44, de novo com Kühlwetter, após assistência de Denis Thomalla.

No geral, o Hamburgo teve posse de bola muito maior (66,7%), mas muita dificuldade para criar chances de gol. Foram apenas cinco finalizações em toda partida, com três certas e índice de xG 1.63. Pressionou muito o Heidenheim, permitindo em média apenas cinco passes por posse do adversário, porém, falhou na recomposição defensiva em diversos momentos. Na retomada, o Heidenheim era mais perigoso, tanto é que que finalizou 16 vezes, seis corretamente.

Durante a segunda etapa, a partida ficou bastante indefinida, com os dois times buscando a vitória, cada um dentro de sua estratégia. A derrota do Hamburgo (vitória do Heindenheim) veio de forma dramática (emocionante). Aos 45 minutos, o veterano goleiro Sven Ulreich, que trocou o Bayern pelo Hamburgo nesta temporada, falhou. Ao cobrar o tiro de meta curto e tocar a bola para Leistner, dentro da própria área, recebeu o passe de bola, errou o domínio e deixou a bola nos pés de Kühlwetter, que anotou o hat-trick.

A nona rodada da 2.Bundesliga teve média de 3,5 gols em seus oito primeiros jogos - nesta segunda, Bochum e Fortuna Düsseldorf ainda entram  em campo. O líder agora é o Greuther Fürth, que fez 3 a 2 no Nuremberg e chegou a 18 pontos. Um a mais que o Hamburgo, sem vencer há quatro partidas e com duas derrotas seguidas, após ter aberto a competição com cinco vitórias.

Comentários

Após excelente início, Hamburgo retoma rotina de derrotas incríveis na segunda divisão alemã

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O Atlético de Madrid vai brigar pelo título de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória sobre o Valencia levou o Atlético a 23 pontos em nove jogos
Vitória sobre o Valencia levou o Atlético a 23 pontos em nove jogos Divulgação

Vinte e cinco jogos de invencibilidade em LaLiga. Na atual temporada, são nove partidas, com sete vitórias e dois empates. O ataque tem funcionado muito bem, com 20 gols marcados, enquanto a defesa segue fortíssima, vazada apenas duas vezes. Rendimento de time que vai brigar pelo título.

O Atlético de Madrid tem excelente temporada na Espanha até aqui. Os jogadores comandados por Diego Simeone apresentam ótimo rendimento dentro de campo e sobem a expectativa sobre a equipe. Não há um time muito melhor que os demais em LaLiga atualmente, e com a irregularidade de Real Madrid e Barcelona, a conquista da taça se torna imprevisível.

Neste sábado, o Atleti se impôs do primeiro ao último minuto sobre o Valencia, no Mestalla. Muitos desfalques e o compromisso contra o Bayern na terça fizeram Simeone mandar a campo uma escalação diferente. Renan Lodi foi praticamente um atacante pela esquerda, com Mario Hermoso compondo a defesa ao lado de Stefan Savic e José Maria Giménez. Pela direita, a amplitude era obtida com Kieran Trippier, enquanto Marcos Llorente trabalhava por dentro, próximo de Saúl e Koke.

Sem Luis Suárez (COVID) e Diego Costa (trombose venosa profunda), o ataque mais uma vez teve Ángel Correa, mas ao lado de Thomas Lemar - de boa atuação. João Félix foi poupado dos primeiros 45 minutos, nos quais o Atlético teve bem mais posse de bola e criou algumas oportunidades. Jaume Doménech, goleiro do Valencia, foi um dos destaques da partida.

Defensivamente, o time pressionava no 4-2-4 em linhas altas e 4-4-2 nas médias, recuando para um 5-3-2. No intervalo, com a entrada de João Félix na vaga de Renan Lodi, a linha de cinco defensores foi abandonada, apesar da ideia ofensiva ter sido mantida. Mais chances perdidas e mais defesas de Doménech.

Até a entrada de Yannick Carrasco, aos 15 minutos, que mudou o jogo. O atacante belga tem sido fundamental em momentos decisivos do Atleti na temporada. Foi dele o cruzamento, pela esquerda, para o gol contra marcado por Toni Lato aos 34 minutos. Vitória justíssima pelo volume de jogo e a busca incessante ao ataque do Atlético.

Das sete vitórias conquistadas, cinco foram por dois ou mais gols de diferença. As outras foram sobre o Barcelona e o Valencia.

Além de Suárez e Diego Costa, o time não contou neste sábado também com Lucas Torreira (COVID), Manu Sánchez, Héctor Herrera e Sime Vrsaljko. Mesmo assim, Diego Simeone mandou a campo um time forte e usou bem o banco na segunda etapa para vencer mais uma.

O Atlético é um dos favoritos ao título de LaLiga. É imaginável a recuperação de Real Madrid e Barça, mas independentemente disso, os rojiblancos vão disputar o título. A dúvida é se a Real Sociedad conseguirá se manter nessa disputa também, já que possui um excelente time titular, mas bem menos peças no banco que o Atleti.

Comentários

O Atlético de Madrid vai brigar pelo título de LaLiga

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Ferencváros mantém invencibilidade na Hungria com vitória em clássico contra o Honvéd

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O lateral-esquerdo alemão Heister marcou o único gol do jogo
O lateral-esquerdo alemão Heister marcou o único gol do jogo Divulgação

Poucos países tiveram papel de tanta influência no futebol como a Hungria. Na importante década de 1950 para o esporte bretão, os húngaros estiveram na vanguarda do jogo com uma das maiores seleções de todos os tempos e novos conceitos táticos.

Gustav Szebes apresentou ao mundo o 4-2-4 e fez da sua equipe, comandada por Ferenc Puskás em campo, um time inesquecível e quase imbatível. Foram cinco anos de invencibilidade, com um título olímpico conquistado (1952), até a fatídica derrota para a Alemanha na final da Copa de 1954.

O conhecimento húngaro se espalhou pelo mundo com profissionais do país. O próprio Brasil foi influenciado, decisivamente, pelas ideias trazidas pelo lendário treinador Béla Guttmann. Na base de tudo isso, estava um clube marcado por glórias e tragédias nesse período, o histórico Budapeste Honvéd - antes chamado de Kispest Honvéd, o clube do exército húngaro durante o regime comunista.

Os tempos atuais são outros, o domínio local já não está com a equipe que, outrora, formara os Mágicos Magiares. No sábado, o Honvéd recebeu o Ferencváros pela 11a rodada do Campeonato Húngaro, a OTP Bank Liga.

Os primeiros 30 minutos de jogo foram de domínio e pressão do Ferencváros, que atuou no 4-4-2. Os brasileiros Somália e Isael foram titulares: o primeiro atuando como um dos dos meio-campistas centralizados e o segundo aberto pela direita na segunda linha.

O Honvéd tentou marcar alto, pressionando a saída adversária, mas com pouca eficiência. Tanto é que o Ferencváros, diante do 4-1-4-1 na fase defensiva do rival, fazia a bola chegar com frequência na dupla de ataque formada pelo norueguês Tokmac Nguem e o marfinense Franck Boli.

O gol saiu aos 27 minutos, justamente após essa pressão, em uma sequência de escanteios. O lateral-esquerdo alemão Marcel Heister pegou o rebote na entrada da grande área e acertou um belíssimo chute, de bate-pronto, para colocar o Ferencváros em vantagem.

Depois que sofreu o gol, o Honvéd se esforçou mais para atacar. Em nenhum momento, antes disso, teve postura defensiva, porém. Teve chances, inclusive, em falhas individuais dos defensores do Ferencváros, para insatisfacão do técnico Serhiy Rebrov.

A rivalidade entre os clubes existe, mas não é uma das maiores de Budapeste. O grande rival do Ferencváros - maior campeão nacional - é o Ujpest, com quem divide a maior preferência dos torcedores no país.

No intervalo, o técnico Tamas Bódog fez duas alterações e melhorou seu time. O Honvéd passou a trabalhar melhor a bola no campo de ataque e também a ter mais posse. Os números finais demonstram o equilíbrio da partida: 9 x 9 em finalizações, com duas certas para cada lado.

Já são cinco rodadas sem vitória para o Honvéd, atual campeão da Copa da Hungria e penúltimo colocado do campeonato nacional com apenas nova pontos em dez partidas. São 12 times na OTP Bank Liga, disputada em três turnos.

O Ferencváros, líder e invicto com nove partidas jogadas, retoma sua complicada trajetória continental: enfrenta a Juventus, em Turim, na terça-feira. Já o Honvéd aguarda o próximo final de semana para entrar em campo novamente, contra um adversário cujo nome remete aos tempos gloriosos do clube: Puskás.

Comentários

Ferencváros mantém invencibilidade na Hungria com vitória em clássico contra o Honvéd

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Futebol e ciência: novo artigo aponta causas para alta rotatividade de técnicos no Brasil

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

CBF tem seu curso para treinadores de futebol no Brasil
CBF tem seu curso para treinadores de futebol no Brasil CBF

Historicamente no Brasil, o futebol sempre foi um meio muito arredio ao conhecimento científico. Com o talento de jogadores abundante em território brasileiro e as conquistas de Copas do Mundo, a modalidade sempre foi tratada como algo meramente intuitivo em muitas áreas de análise. Em algumas delas, a situação não mudou muito na comparação com décadas passadas.

Dirigentes seguem tomando decisões baseadas em "achismos" ou pressões. Não se especializam, atuam politicamente e ignoram qualquer metodologia de análise. Isso faz do Campeonato Brasileiro o pior ambiente possível para um treinador de futebol. Esse cenário serviu de inspiração para um excelente artigo científico, publicado no mês passado, pela Universidade do Esporte da Alemanha, em Colônia.

Intitulado "O impacto das mudanças de comando técnico no futebol brasileiro" é assinado por Matheus Galdino, Pamela Wicker e Brian Soebbing. Matheus é brasileiro, está na Alemanha desde 2016 e é Mestre Científico em Gestão Esportiva, além de pesquisador e professor em Ciência do Esporte na Universidade de Bielefeld.

O estudo investigou 16 temporadas do Campeonato Brasileiro da Série A, no formato de pontos corridos, entre 2003 e 2018. Foram analisados, em avaliação econométrica, todos 6506 jogos disputados e os 264 treinadores empregados no período pelos 41 clubes participantes. A média de trocas de técnicos foi de 37,1 por temporada, contando os interinos, muito acima de outras competições nacionais espalhadas pelo planeta.

Trocas de técnicos no Brasil é bem maior do que a média de outros países importantes no futebol
Trocas de técnicos no Brasil é bem maior do que a média de outros países importantes no futebol Galdino

Outro índice que chama atenção é a alta rotatividade entre os treinadores. Foram 34,6% de estreantes de uma temporada para outra, ou seja, treinadores que nunca haviam comandado uma equipe na Série A. Ao mesmo tempo, 22,7% dos profissionais comandaram mais de um time na mesma temporada do Brasileirão. Em números absolutos, foram incríveis 594 trocas de técnicos nos 16 anos de análise, incluindo efetivos e interinos. Tudo em pouquíssimo tempo de trabalho: a média de permanência no cargo foi de apenas 65 dias durante o Brasileirão.

A altíssima rotatividade se deve, muito, ao imediatismo dos dirigentes e a incapacidade de trabalho a longo prazo. Olham apenas os resultados mais recentes. O estudo identificou que o maior peso em uma demissão acontece pela sequência de quatro jogos ruins, sendo que a diferença no placar também é um fator preponderante.

"Para cada ponto coletado dentro de uma janela de quatro jogos sequenciais, a probabilidade de sobrevivência do treinador mostrou índices de aumento entre 15,2% a 33,1% (por ponto, variando de acordo com a ordem dos jogos – vide tabela abaixo). O mesmo raciocínio é válido para o efeito contrário: a cada ponto não coletado numa faixa de quatro jogos, reduz-se entre 15,2% a 33,1%, por ponto, a probabilidade do treinador seguir no comando da equipe", informa o artigo científico.

Resultados dos últimos quatro jogos têm peso decisivo na troca de treinadores no Brasil
Resultados dos últimos quatro jogos têm peso decisivo na troca de treinadores no Brasil Galdino

Há ainda um cenário pior, onde o time é eliminado da Copa Libertadores da América. Nesse caso, a probabilidade de manutenção do cargo é drasticamente reduzida entre 182,4% a 560,6%. Na prática, em muitos casos, dirigentes criam expectativas superestimadas e depois transformam o treinador no bode espiatório, independentemente de estilo do profissional, idade ou nacionalidade - outra constatação do artigo.

A consequência mais direta de tudo isso é um mercado instável, onde o medo predomina. Ideias não avançam e sucumbem diante decisões populistas. Há, como o estudo indica, implicações práticas a treinadores, dirigentes e torcedores. No primeiro caso, a absoluta insegurança na profissão pode levar a problemas de saúde física e mental, além de impossibilitar o desenvolvimento de modelos de jogo. No segundo caso, a exposição claríssima da forma irresponsável como muitas pessoas administram enormes departamentos de futebol, sem qualquer critério em escolhas de técnicos. 

No final das contas, a torcida é "premiada" com uma competição de qualidade técnica e organização duvidosas. Assim, como sintetiza o artigo, "com preferência a opiniões arbitrárias e argumentos subjetivos em detrimento a teorias acadêmicas e embasamento científico, a cultura de relações sociais que rodeia o ambiente político de dirigentes no Brasil ainda desvaloriza o seu compromisso profissional perante os torcedores, manipulando a opinião pública de acordo com interesses temporários".

Felizmente, e diferentemente do que vemos entre pessoas que tomam decisões em muitos clubes, o meio acadêmico tem estudado cada vez mais o futebol, bem além de matérias na área de saúde, por exemplo, que naturalmente exigem formações específicas. O resultado disso são diversas publicações como, por exemplo, "O futebol nas ciências humanas no Brasil", organizado por Sérgio Settani Giglio e Marcelo Weishaupt Proni, publicado pela Editora Unicamp.

A base do futebol brasileiro também tem se tornado uma excelente fonte de conhecimento. Cada vez mais profissionais buscam a excelência esportiva através da Academia, ampliando o aprendizado além do empirismo em áreas como treinamento esportivo, análise de desempenho e scout. Isso é perceptível pelo nível de conhecimento e atualização de jovens treinadores, demonstrados na prática e também em publicações. A Universidade do Futebol tem sido, há muito anos, catalisadora de boa parte desse conhecimento.

Inclusive, para quem se interessar pelo artigo "O impacto das mudanças de comando técnico no futebol brasileiro", o texto completo está disponível neste link. O conhecimento transforma.

Comentários

Futebol e ciência: novo artigo aponta causas para alta rotatividade de técnicos no Brasil

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

mais postsLoading