Como é gerir um time nos Estados Unidos longe da Major League Soccer?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Boston City está na National Soccer Premier League
Boston City está na National Soccer Premier League NPSL

A estrutura de futebol nos Estados Unidos é mais complexa do que parece. A Major League Soccer é o principal campeonato e, quanto a isso, não há qualquer dúvida. A liga cresce a cada temporada, se internacionaliza e aumentou o nível técnico consideravelmente na última década. A MLS, porém, não é a única liga profissional da modalidade no país.

Por não haver sistema de acesso e descenso, é difícil para o fã de futebol pelo mundo compreender os níveis existentes na pirâmide do soccer. Além da MLS, há pelo menos mais três entidades que organizam seus campeonatos e são consideradas "oficiais" pela United States Soccer Federation (USSF). A principal delas é a United Soccer League, detentora da USL Championship que, na estrutura norte-americana, tem o status de segunda divisão.

Abaixo dela, a própria USL tem mais campeonatos, assim como as outras duas entidades, National Independent Soccer Association (NISA) e National Premier Soccer League (NPSL). Esse emaranhado de ligas reúne centenas de times profissionais, semi-profissionais e amadores, milhares de atletas entre homens, mulheres e crianças, espalhados pelos Estados Unidos e pelo Canadá. Há muito dinheiro investido em cada um desses níveis.

Para o público brasileiro, o Orlando City, na MLS, sempre foi uma atração. Fundado pelo empresário Flávio Augusto Silva, em 2013, a equipe contratou Kaká como primeira estrela, tem uma estrutura interna gerida por muitos brasileiros e nesta temporada, finalmente, começa a alcançar grandes resultados em campo. A franquia, no entanto, não é a única gerida por um brasileiro no soccer.

Realidade longe da MLS

Renato Valentim deixou o Brasil e se mudou para Boston em 1998. Saiu de sua cidade, Manhuaçu, no interior de Minas, com o objetivo de aprender inglês e juntar dinheiro para retornar no futuro em uma situação melhor. A vida norte-americana começou com empregos em restaurantes, como acontece com milhões de imigrantes do mundo inteiro.

Os anos se passaram e a vontade de permanecer nos EUA foi mais forte, principalmente pelas chances que apareciam. Renato conseguiu cursar administração e culinária enquanto trabalhava como lavador de pratos. Tornou-se gerente e deixou o emprego para, ao lado do ex-patrão, fundar seu próprio restaurante. Passou também a investir no mercado imobiliário e hoje, aos 49 anos, possui uma rede famosa de restaurantes na cidade, a Tavern in the Square, com 12 unidades, fundada em 2004, e mais de 1200 funcionários.

A transição empresarial para o soccer foi natural, pela paixão, mas contou também com o apoio de um personagem marcante dos anos 1990 no futebol brasileiro. Palhinha, tricampeão da Libertadores e bi mundial, esteve envolvido na criação e desenvolvimento do Boston City Football Club, ao lado de Valentim, desde a fundação em 1o de abril de 2015.

Renato Valentim está nos Estados Unidos desde 1998
Renato Valentim está nos Estados Unidos desde 1998 Divulgação

A região de Boston contempla franquias que estão entre as maiores nas ligas profissionais dos Estados Unidos, como Boston Celtics (NBA), Boston Red Sox (MLB), Boston Bruins (NHL) e New England Patriots (NFL). Há também um representante da região na MLS, o New England Revolution, que pertence ao Kraft Group, também dono dos Patriots. O Gillete Stadium, casa das equipes de futebol e futebol americano, fica em Foxborough, distante uma hora de Boston.

"Não havia acesso ao futebol de alto rendimento na área de Boston, então comecei a planejar a criação do time. Foi quando conheci o Palhinha, que estava trabalhando na ideia do Corinthians USA na Califórnia. Ele veio até Boston para visitar o irmão, o conheci, apresentei o projeto e demos o pontapé no início do clube. Ele ajudou demais no nosso crescimento", conta Renato Valentim. Palhinha permaneceu por quatro anos como sócio do Boston City e no ano passado deixou o projeto, para outra oportunidade profissional em Portugal.

Neste ano, o Boston City disputaria sua quinta temporada na NPSL, que acabou cancelada devido à pandemia de coronavírus. "Fui um dos primeiros a fazer o lobby para cancelar a temporada. Estamos totalmente parados. Aqui nos Estados Unidos dispensamos todos os funcionários, a lei trabalhista é diferente do Brasil, mais tranquila nesse sentido. Paramos tudo, estamos apenas com o escritório funcionando, para movimentar as redes sociais também", explica o empresário brasileiro.

Bem diferente da MLS, a realidade na NPSL envolve amadorimo e estrutura insuficiente em diversos momentos. "Desde quando fundamos o clube, por ter o Palhinha por trás do futebol, sempre administramos como um clube 100% profissional. Situação muito diferente de alguns clubes que enfrentamos aqui. Times com atletas do college, campos complicados, temos que reclamar na liga porque não oferecem boas condições para o jogo... No último campeonato aqui tínhamos atletas de oito países diferentes no nosso elenco. Boston, por possuir muitas faculdades, reúne muitos jogadores que vêm aqui para estudar, inclusive alguns que atuavam em segundas divisões da Europa. Abandonam o futebol lá e vêm para os Estados Unidos estudar", afirma Valentim. O Boston City já alcançou as semifinais da competição, mas jamais chegou à decisão.

Próximos passos

O objetivo a curto e médio prazo do clube é conseguir a "promoção" para a USL Championship. Nos últimos dois anos o Boston City negocia com a liga esse acesso, que exige maior investimento em infra-estrutura própria. Por conta da pandemia, as conversas foram paralisadas, mas havia um acordo inicial para inclusão do time na temporada 2021 da USL Championship. Enquanto isso não acontece, Renato Valentim tem investido também em sua cidade.

Desde 2 de janeiro de 2018 existe o Boston City Futebol Clube Brasil, ainda na terceira divisão mineira. No ano passado, o clube caiu nas quartas de final da competição, mas o foco do investimento tem sido na estrutura e na base. Já no primeiro ano, a equipe sub-15 foi campeã da segunda divisão mineira e, junto com ela, o sub-17 e o sub-20 também conseguiram o acesso à elite. "Trabalho muito com planejamento. Quando fundamos o clube, nossa intenção era expandir para outros países. É uma marca forte, uma cidade que o mundo inteiro conhece. O objetivo inicial era a América do Sul, pela matéria prima abundante", garante Valentim, cujo grande objetivo por aqui é estar entre as referências na formação de atletas.

Antes de definir por Manhuaçu, cidade de 90 mil habitantes e distante 280 km de Belo Horizonte, no caminho para Vitória, houve conversas com outros municípios mineiros, além de alguns paulistas e capixabas. Em território brasileiro, Renato Valentim passou a enfrentar situações que não existem no futebol norte-americano. Como, por exemplo, a necessária relação com empresários de jogadores para montar um time. "Muitos empresários não têm condições de gerir a carreira de atletas. Temos muitas dificuldades nessas situações, porque nós precisamos dele, um clube não sobrevive sem essa parceria com os agentes, mas infelizmente, como em todas profissões, existem pessoas que não são profissionais".

Em agosto, o Boston City iniciou as obras de um novo complexo esportivo em Manhuaçu, que vai contar com "estádio/arena multiuso, toda a tecnologia necessária para transmissões televisas dos mais altos níveis de exigência, academia com tecnologia importada, dois campos para treinamento, espaço de lazer, hotéis e alojamento para 120 atletas", segundo o site oficial do clube. Para se manter em atividade, também fechou parceria com o Olimpia para disputar a série A3 do Campeonato Paulista.

A longo prazo, o objetivo é ter o Boston City Brasil nas divisões nacionais do futebol brasileiro com o elenco profissional e a base como um grande centro de formação de talentos. Projeto audacioso.

Boston City tem investido em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais
Boston City tem investido em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais Divulgação

Fonte: Gustavo Hofman

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Primeiro brasileiro campeão da Euro, Marcos Senna relembra Luis Aragonés e a carreira na Espanha

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Serão sete brasileiros na Eurocopa que começa nesta sexta-feira. Jorginho, Rafael Tolói e Emerson Palmieri foram convocados pela seleção italiana, enquanto Mário Fernandes defenderá a Rússia, Marlos mais uma vez foi chamado pela Ucrânia e Thiago pela Espanha - com a ressalva de ter nascido na Itália, mas ter sido elegível para a seleção brasileira no passado. O último deles é o único que já levantou a taça da Euro, o zagueiro Pepe, por Portugal, que, no entanto, não foi o primeiro brasileiro a conseguir esse feito.

Em 2008, já consolidado no meio-campo do Villarreal após se transferir do São Caetano, Marcos Senna foi campeão europeu com a Espanha. Titular indiscutível na equipe do técnico Luis Aragonés, foi considerado por muitos o melhor jogador do torneio, superior inclusive a Xavi, eleito pela UEFA. As lembranças daquele 29 de junho de 2008 ainda estão muito vivas na memória do, agora, diretor de Relações Institucionais do Submarino Amarelo desde 2015. Principalmente os momentos anteriores à vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha.

Marcos Senna jogou a Copa de 2006 e ganhou a Euro em 2008 pela Espanha
Marcos Senna jogou a Copa de 2006 e ganhou a Euro em 2008 pela Espanha Divulgação

"O Luis Aragonés era especial, aquele estilo de treinador capaz de convencer o jogador a fazer o que ele quer. Acho que a função do treinador é essa, obviamente ele precisa saber da parte tática, mas ter o time na mão é o mais difícil. Ele sempre contava alguma piada para a gente relaxar. Na final contra a Alemanha, começou a errar alguns nomes, chamar o Schweinsteiger de Bastinteiger, o Ballack de Wallace. Eu estava bem centrado, bem concentrado na preleção dele, mas em uma situação como essa não tem como! Todos os jogadores riram muito. Risos e nervosismo, acabou tendo um equilíbrio. Assim fomos mais relaxados para a final", lembra Marcos Senna.

A trajetória do meio-campista com a Fúria começou dois anos antes e incluiu o Mundial. Tudo graças ao desempenho em campo pelo Villarreal e a vontade de Luis Aragonés. "Jamais na minha vida imaginei jogar por uma seleção que não fosse do meu país de origem. Meu sonho era atuar na seleção brasileira, mas as coisas surgiram e foram acontecendo muito rápido. Para a Copa de 2006 já tínhamos uma seleção brasileira formada, com grandes figuras. Eu jogando no Villarreal, ainda desconhecido... Quando veio o Luis Aragonés falar comigo, não pensei duas vezes. Era a possibilidade de jogar uma Copa do Mundo. Foi uma experiência incrível, quatro anos fantásticos e grandes amizades".

O início de toda essa história foi muito marcante não apenas para o jogador brasileiro, mas também para a própria Espanha. A primeira convocação de Marcos Senna foi a primeira também de Andrés Iniesta e Cesc Fàbregas. "Meninos novinhos, já eu estreei com 29. O Luis Aragonés, no vestiário, falou para todos que quem tinha 100 jogos ou estava chegando, era tudo igual. 'Trato todos iguais'. Os jogadores naturalmente já o conheciam, havia muito respeito por ele, e sabiam que, se pisassem fora do lugar, ele não pensaria duas vezez em puxar a orelha". A forma de trabalho do treinador, que faleceu em 2014 aos 75 anos, foi determinante para a total adaptação do brasileiro ao elenco. "Cheguei e senti essa confiança, que ele era neutro, queria apenas o bom trabalho do grupo. Ele me colocou para jogar e os jogadores me trataram super bem".

Presente e história no Villarreal

Como diretor de Relações Institucionais do Villarreal, Marcos Senna possui agenda movimentada. Sua conta no Instagram apresentam os registros fotográficos que comprovam isso. Está presente em eventos com torcedores, compromissos com entidades ou no cotidiano time principal. Hoje, o clube da pequena Vila-real, com cerca de 50 mil habitantes na Comunidade Valenciana, possui tamanho e organização superiores a tudo que ele viu em 2002, quando foi contratado. E Marcos Senna conhece muito bem o principal responsável por essa transformação.

Marcos Senna segue trabalhando no Villarreal
Marcos Senna segue trabalhando no Villarreal Divulgação

"Tive o privilégio de pegar o clube nesse crescimento e participar desse processo. O presidente Fernando Roig é o nome principal de todos esse projeto. Chegamos a um patamar que muitos não acreditavam que chegaríamos, um clube de uma cidade pequena, mas o presidente desde o início teve essa convicção, de manter o clube na primeira divisão e chegar na Europa. A princípio todos acharam que era um fanfarrão, mas foi tudo ao contrário. O Villarreal teve um crescimento enorme", conta Marcos Senna. Fernando Roig possui fortuna estimada em US$ 1,4 bilhão de dólares. É proprietário da rede de supermercados Mercadona na Espanha e assumiu o controle do Villarreal na temporada 1997-98, na segunda divisão. 

Outro nome extremamente importante no crescimento do clube e estabelecimento como uma das principais forças do futebol espanhol neste século foi Manuel Pellegrini. O técnico chileno comandou o Submarino Amarelo de 2004 a 2009 e esteve à frente na histórica campanha semifinalista na Champions, em 2006. Foi determinante também na formação do próprio estilo da equipe. "O Villarreal é um clube com uma metodologia a ser seguida, uma referência. Jogadores e treinadores contratados vêm com o perfil marcado. O clube tem um sistema de jogo de toque, sair jogando desde a defesa, não tem o estilo do chutão. Geralmente os jogadores precisam se encaixar nesse padrão. Não buscamos, por exemplo, aquele tipo de centroavante alto, batalhador, e sim atacantes que se encaixam nesse perfil", explica Marcos. 

Há ainda alguns aspectos que apenas as pessoas que viveram intensamente o Villarreal nas duas últimas décadas podem descrever. "O pessoal aqui é muito apaixonado por futebol. Não sei se é mais ou menos que no Brasil, mas perder não perde. Nosso estádio tem capacidade para 24 mil torcedores, temos 20 mil sócios que dificilmente perdem jogos. A torcida está cada vez mais apaixonada. Antigamente era uma torcida mais calada, que não cantava tanto, e hoje vejo uma geração de meninos que tinham oito, dez anos na minha época de Champions, que mudou bastante. Já dá para ouvir a torcida no estádio".

Ida para a Espanha

Um detalhe curioso e pouco divulgado sobre a carreira de Marcos Senna, revelado pelo Rio Branco, de Americana, no interior de São Paulo, envolve sua chegada ao Villarreal. Em 2002, o clube fechou com Gilberto Silva, que estava no Atlético Mineiro. Os espanhóis, no entanto, apenas acertaram com o volante da seleção brasileira verbalmente, sem assinatura de contrato. Com o destaque obtido pelo jogador no Mundial e o título conquistado, o Arsenal se interessou pela contratação e acabou levando o jogador para Londres. Isso obrigou o Villarreal a buscar outro meio-campista e, "por acaso", achou no Brasil.

"O vice-presidente veio atrás do Somália, atacante. Acho que o Somália nem sabe disso. Assistiram as semifinais contra o América, no México, e eu acabei fazendo um ótimo jogo. Já o Somália não apareceu, estava super bem, fez um ótimo campeonato, mas a partir daí surgiu o interesse. Depois foram ao Brasil já exclusivamente para falar comigo no dia anterior à final da Libertadores". Nessa época, já como volante graças a Oswaldo de Oliveira. "Fui contratado pelo Corinthians para jogar como meia. Na estreia do Brasileiro de 1999, contra o Gama, surgiu um imprevisto com o Vampeta, que teve que ir para a seleção. Com isso o Oswaldo me recuou para jogar ao lado do Rincón e fui super bem. Eu gostei, porque não recebia bola de costas, prefiro jogar de frente".

Hoje em dia Marcos Senna mora com a família em Valência, ao lado de Vila-real, onde trabalha. Jamais esqueceu suas raízes, mas criou mais algumas muito fortes em território espanhol. Estará na torcida pela seleção espanhola nesta segunda-feira, na estreia contra a Suécia pela Eurocopa.

Marcos Senna se despediu do Villarreal em 2013 e retornou ao clube anos mais tarde, após encerrar a carreira no New York Cosmos
Marcos Senna se despediu do Villarreal em 2013 e retornou ao clube anos mais tarde, após encerrar a carreira no New York Cosmos Divulgação

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Primeiro brasileiro campeão da Euro, Marcos Senna relembra Luis Aragonés e a carreira na Espanha

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Competitiva e sem empolgar, seleção brasileira muda taticamente e mantém excelente aproveitamento

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Competitividade. Talvez essa seja a palavra que melhor define a seleção brasileira sob o comando do técnico Tite. Aproveitamento acima de 80% contando todas competições desde setembro de 2016, 100% nas atuais eliminatórias para a Copa do Mundo.

Contra Equador e Paraguai nesta Data FIFA, vitórias por 2 a 0 sem grandes riscos ou brilho contra seleções medianas da América do Sul. Como falamos na edição de terça-feira o Futebol no Mundo na ESPN, faltam jogos contra as potências europeias para o Brasil ser mais testado, o que é bastante necessário e preocupante.

Na partida contra os equatorianos, manutenção do sistema tático utilizado nas rodadas anteriores, com a variação defensiva pelo lado esquerdo para compensar a falta de recomposição defensiva de Neymar. Já diante dos paraguaios, formação diferente e sem necessidade de grandes adaptações.

Tite sacou Lucas Paquetá e colocou Roberto Firmino, além de trocar Gabigol por Gabriel Jesus; manteve Fred entre os titulares, com Douglas Luiz no banco; ainda trocou o goleiro, dando mais uma oportunidade a Ederson. Continuou marcando no 4-4-2, mas com Richarlison fechando o lado esquerdo, ao invés de Fred, que se manteve na faixa central com Casemiro. Com a entrada de Paquetá na vaga do meio-campista do Manchester United, no intervalo, na fase defensiva nada mudou.

Marcação brasileira foi mantida no 4-4-2, com novo jogador pelo lado esquerdo
Marcação brasileira foi mantida no 4-4-2, com novo jogador pelo lado esquerdo BuildLineup

Uma mudança importante aconteceu na saída de bola da seleção brasileira. No sistema contra o Equador, o lateral-esquerdo dava amplitude na fase ofensiva e deixava o início da construção de jogo no 2-3 ou 3-2, com os dois zagueiros, mais Danilo, Casemiro e Fred. Já contra os paraguaios, Alex Sandro se manteve na segunda linha inicial, como na imagem abaixo, próximo aos meio-campistas e à frente de Éder Militão e Marquinhos.

Saída de bola da seleção brasileira no primeiro tempo contra o Paraguai
Saída de bola da seleção brasileira no primeiro tempo contra o Paraguai BuildLineup

Com a bola no ataque, Gabriel e Richarlison eram os responsáveis por abrir a defesa adversária com primeira linha de cinco joggadores. Sem centroavante, Neymar e Firmino se alternavam para armar o jogo por dentro. Casemiro e Fred davam sustenção na faixa central, com auxílio de Alex Sandro muitas vezes e em raros momentos de Danilo. Paquetá passou a executar a função de Fred e depois, com a entrada de Douglas Luiz no lugar de Firmino, foi adiantado.

Neymar e Firmino jogaram com liberdade no ataque da seleção
Neymar e Firmino jogaram com liberdade no ataque da seleção BuildLineup

Nas estatísticas, chamou atenção a posse de bola absolutamente equilibrada, com mínima vantagem para o Brasil (50,1%), explicada também pelo baixo número de recuperações de bola - apenas 42, menor marca destas eliminatórias para a seleção. Nas finalizações, 13 a 10 para os brasileiro, com quatro a três no alvo e gols acima do índice esperado (xG 1,5).

Cinco jogadores da Premier League, dois de LaLiga, dois da Serie A e dois da Ligue 1 foram titulares contra o Paraguai. Isso indica muito como pensa a comissão técnica em relação à competitividade citada no texto. São atletas de Manchester City, Liverpool, Manchester United, Real Madrid, Juventus e Paris Saint-Germain, alguns dos maiores clubes do planeta. O representante do Everton foi o melhor brasileiro no último Campeonato Inglês.

Mauro Naves exalta Neymar ‘inspirado’, analisa atuação de Gabriel Jesus e fala de vitória do Brasil: ‘Taticamente bem interessante’


         
     

Todos atletas de altíssimo nível, que mantém a seleção brasileira como uma das mais fortes do mundo, mesmo sem empolgar. Nos dois últimos jogos, a comissão técnica mostrou mais uma vez a capacidade de variar a estratégia ou as funções dos jogadores em campo. Não há, atualmente, uma seleção que esteja sobrando no futebol mundial, nem mesmo a França, que indiscutivelmente possui o melhor elenco.

Com o turbilhão político e moral envolvendo o presidente da CBF, Rogério Caboclo, aparentemente encaminhado para a solução que jogadores e comissão técnica queriam, é hora de voltar as atenções para a polêmica Copa América. Uma oportunidade a mais para a seleção evoluir dentro de campo, mas contra os mesmos adversários de sempre.

Richarlison e Neymar comemoram o primeiro gol brasileiro contra o Paraguai
Richarlison e Neymar comemoram o primeiro gol brasileiro contra o Paraguai Lucas Figueiredo / CBF

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Quatro continentes e muitas experiências: conheça o técnico brasileiro à frente de Guiana

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Márcio Máximo e seu assistente na seleção de Guiana, Wilson Toledo
Márcio Máximo e seu assistente na seleção de Guiana, Wilson Toledo Arquivo pessoal

A diversidade de seleções e clubes no currículo de Márcio Máximo impressiona. Aos 59 anos, o treinador brasileiro comanda Guiana nas eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo e luta pela classificação para a próxima fase. Terá, inclusive, jogo decisivo nesta sexta-feira contra São Cristóvão e Névis, de outro técnico brasileiro, Léo Neiva, cuja história já foi contada neste blog.

Carioca, super descontraído e com enorme experiência internacional, Márcio já fez parte da comissão técnica da seleção brasileira sub-17, onde foi um dos responsáveis por levar um jovem atacante do São Cristóvão, de nome Ronaldo, para a Granja Comary. Levado por Humberto Redes para ao Catar, também trabalhou nas seleções de base no país árabe para, depois, seguir a carreira de treinador. Vivência incrível: seleções das Ilhas Cayman e da Tanzânia, Livingston (Escócia), Young Africains (Tanzânia) e alguns clube brasileiros. Quatro continentes e muitas experiências.

"As pessoas quando falam em África têm uma ideia de fome, de guerras, e não é isso. A Tanzânia é um país que foi comunista por muito tempo e ainda possui algumas nuances do comunismo. É um país muçulmano também, basicamente muçulmano. Vários hábitos ainda são oriundos do tempo que eles ficaram fechados, era o comunismo chinês. Eles não tinham opção, iam para o lado americano ou para o chinês, de Mao Tsé-Tung. Optaram pelo Mao e pelo menos não houve guerra civil lá, já foi uma vantagem. Porém, não se desenvolveu tanto", lembra Márcio, que comandou a seleção tanzaniana de 2006 a 2010 e em 2014 esteve no Young Africains. "É um lugar belíssimo, com praias lindas, como em Zanzibar. Tive a oportunidade de fazer o safári no Serengeti também. Nossa vida no exterior possibilita algumas situações, que se não fosse pelo futebol, faríamos apenas o turismo tradicional".

A missão atual é levar Guiana para a próxima fase das eliminatórias da Concacaf. Com três pontos após duas rodadas, sabe que precisa da vitória contra São Cristóvão e Névis. "O Léo é um amigo de longa data, técnico jovem com enorme potencial. É sempre bom termos brasileiros inseridos no mercado, seja ele qual for. A exportação de técnico brasileiros tem sido difícil, temos poucos trabalhando no mundo", conta Márcio sobre a relação com o colega. "Nós importamos 50% da seleção, ingleses. Nosso desafio é unir os dois grupos, local e internacional, e tentar fazer uma equipe competitiva no curto período que temos de treino. Aqui mantemos um trabalho com os jogadores locais. Eles têm um potencial muito grande. Renovamos muito a seleção, a média de idade é de 23 anos, porque acreditamos que dessa maneira conseguimos mudar a mentalidade dos jogadores e adaptá-los ao nível intenso do jogo que queremos. Os jogadores precisam completar renda com trabalho. A tendência é que a liga se torne totalmente profissional em breve".

Márcio já viveu em locais belíssimos
Márcio já viveu em locais belíssimos Arquivo pessoal

Márcio está na Guiana com o assistente Wilson Toledo. Eles têm promovido muitas mudanças, como o foco no futebol local. No início do trabalho, em 2019, 90% do elenco da seleção era formado por atletas que atuam fora do país. Assim como várias seleções do Caribe, Guiana busca jogadores de origem guianesa. "Curaçao, por exemplo, traz 24 jogadores de fora e não desenvolve o futebol local. FIFA e Concacaf deveriam se preocupar mais com isso. Não sei se limitando o número de jogadores estrangeiros, mas deveria haver um a ação que integrasse mais os jogadores locais".

Essa forma de trabalho não é a buscada por Márcio Máximo na Guiana, pelo contrário. "Precisamos definir o perfil do jogador que queremos. Não adianta trazer alguém da quinta ou da quarta divisão inglesa, que pouco vai somar à qualidade do time. Procuramos jogadores de 22, 21, que nem sempre jogam na equipe principal, mas que atuam na Championship. Temos atletas do Watford, por exemplo, que não estão no primeiro time, mas eventualmente entram nos jogos. Jogador é formação. Todos os casos possuem exceções, mas não é a tendência".

Situação diferente que ele viveu nas Ilhas Cayman, no final dos anos 1990. Quando recebeu o convite, considerou uma equipe de pouca relevância mesmo no continente, mas havia algo a mais. "Eu não ia aceitar o convite das Ilhas Cayman, porque considerei uma ilha inexpressiva. Na época, porém, o General-Secretário me disse que poderíamos contar com jogadores ingleses. Por ser território britânica, a seleção de Ilhas Cayman poderia usar os ingleses, daí vieram jogadores da Championship, da Premier League escocesa, houve uma mudança. Empatamos com a Jamaica, amistoso com o DC United, que era o time do Etcheverry, fizemos grandes jogos. Só que infelizmente, a FIFA não permitiu que utilizássemos esses jogadores nas eliminatórias para a Copa, porque eles não tinham ascendência caimanesa", explica. 

No final das contas, foi justamente a experiência com atletas britânicos que lhe rendeu o convite para assumir o Livingston, na primeira divisão escocesa - primeiro treinador brasileiro na história a trabalhar no Reino Unido. A experiência não deu tão certo, já que o clube mudou de proprietário e não comprou totalmente as ideias de Márcio, de revelar jogadores. Mesmo assim, em seis meses por lá, conseguiu revelar jogadores como Robert Snodgrass, atualmente no West Brom. "Fui para a Europa através de uma ilha do Caribe, mas não sei se fiz a opção certa", conta o treinador, que também foi entrevistado em outros momentos por Southampton e Exeter.

O melhor trabalho em clube foi, sem dúvida, no futebol tanzaniano. "O Young Africains é o Flamengo de lá. O estádio, construído pelos chineses, que investem muito no leste da África, tem capacidade para 60 mil pessoas sentadas. Quando jogam Yanga e Simba, o grande clássico nacional, ficam 60 mil pessoas dentro e 160 mil fora querendo entrar". Antes, na seleção, subiu 80 posições no ranking da FIFA e levou a equipe para o Campeonato das Nações Africanas.

Graduado pela licença Pro da CBF, Márcio Máximo foca agora nas eliminatórias para a Copa. Sem esquecer suas raízes e suas ideias de formação do atleta.

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O caso de amor entre Villarreal e América do Sul

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Entre os jogadores com mais partidas na história do Villarreal há dois argentinos. Rodolfo Arruabarrena é o sétimo, com 270, enquanto Gonzalo Rodríguez empata com Javi Venta na nona posição. Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol, é o quarto com 363. Entre os maiores artilheiros a presença de sul-amdericanos é maior, já que Diego Forlán é o terceiro com 58 gols, Juan Román Riquelme o quinto (45), seguido de Carlos Bacca na sexta posição (43) e Nilmar em décimo (34). A história entre o Submarino Amarelo e a América do Sul é longa e nesta semana ganhou mais um personagem.

Na última quarta-feira, um goleiro natural de La Plata, na província de Buenos Aires, se tornou herói na conquista da Europa League. Gerónimo Rulli começou a carreira no Estudiantes e chegou ao futebol europeu em 2014 pela Real Sociedad, onde teve regularidade em cinco temporadas. Foi contratado pelo Manchester City nesse período, mas emprestado novamente à equipe basca e jamais atuou pelos ingleses. Deixou a Espanha em 2019 para jogar pelo Montpellier e, já no ano seguinte, foi contratado pelo Villarreal.

Rulli entrou para a história do Villarreal com essa defesa
Rulli entrou para a história do Villarreal com essa defesa Divulgação

Aos 29 anos, não está entre os melhores goleiros argentinos da atualidade. Pela seleção, recebeu algumas convocações entre 2015 e 2017, mas não ganhou qualquer oportunidade para jogar. A estreia aconteceu somente em 8 de setembro de 2018, sob o comando de Lionel Scaloni, em um amistoso contra a Guatemala. Posteriormente enfrentou o Méximo, em novembro, e não atuou mais pela Argentina. Na atual temporada, foi reserva de Sergio Asenjo durante toda LaLiga, mas como é costume entre muitos clubes europeus, foi o goleiro titular nas Copas.

Na Copa do Rei caiu nas quartas de final para o Levante, mas na Europa League garantiu momentos eternos na pequena cidade de Vila-real, de 50 mil habitantes, localizada na província de Castellón, na região da Comunidade Valenciana. Ao defender o 11o pênalti cobrado pelo Manchester United, deu o primeiro título de expressão ao pequeno clube.

Os argentinos são maioria na história do Villarreal com 32 desde a fundação do clube. O primeiro deles foi Salgado, na longínqua temporada 1959-60, com a equipe ainda na terceira divisão. Em LaLiga, já com Fernando Roig como presidente, Walter Gaitán, procedente do Rosario Central, debutou em 1998. Na sequência aparecem brasileiros (12) e uruguaios (11), completando a trinca de nações estrangeiras com mais jogadores pelo Villarreal.

O meio-campista Alexandre, na temporada 1994-95, foi o primeiro brasileiro a defender o clube. Depois vieram Fernando (1996-97), Evando (1996-97), Rubem (1996-97), Belletti (2002-04), Sonny Anderson (2003-05), Edmílson (2008-09), Nilmar (2009-12), Cicinho (2010-11), Gabriel Paulista (2013-15), Leo Baptistão (2015-16) e Alexandre Pato (2016-17).

Houve ainda na história um boliviano, dois chilenos, três equatorianos e cinco colombianos, considerando o elenco atual também. Para essa estatística, considera-se o país defendido pelo atleta no futebol e não necessariamente o local de nascimento. Por isso Marcos Senna não conta como brasileiro e Matías Fernández, nascido na Argentina e jogador da seleção chilena, não aparece como argentino. Além de Rulli, há outros dois argentinos campeões da Europa League, Ramiro Funes Mori e Juan Foyth, além do colombiano Carlos Bacca e do equatoriano Pervis Estupiñan. 

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Onze campeões, 26 títulos e muito equilíbrio nas oitavas de final da Libertadores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seis brasileiros, seis argentinos, dois paraguaios, um equatoriano e um chileno. Os 16 times classificados às oitavas de final da Libertadores da América estão divididos entre cinco países, com amplo domínio de Brasil e Argentina.

O pote 1 tem Atlético Mineiro, Palmeiras, Racing-ARG, Barcelona-EQU, Flamengo, Argentinos Jrs-ARG, Fluminense e Internacional, exatamente a partir da melhor campanha. Já o 2 soma mais títulos de Libertadores (17 x 9) com São Paulo, Boca Juniors-ARG, Vélez Sarsfield-ARG, Cerro Porteño-PAR, Defensa y Justicia-ARG, River Plate-ARG, Universidad Católica-CHI e Olimpia-PAR.  Haverá confrontos pesados.

Dos cinco times que jamais foram campeões, somente dois não possuem ao menos uma final da competição no currículo - Cerro e DyJ, na comparação com Barcelona (vice em 1990 e 98), Universidad Católica (1993) e Fluminense (2008). Os argentinos, ao menos, ganharam recentemente Copa Sul-Americana e Recopa, enquanto os paraguaios nunca passaram de qualquer semifinal continental e amargam o recorde de participações na competição sem título (41). Já entre aqueles que mais jogaram finais de Libertadores, ninguém supera o Boca com 11 (seis títulos), seguido - entre os sobreviventes - por River e Olimpia com sete (quatro conquistas millonarias, três do Decano).

Diferentemente de anos recentes, em que Flamengo e River destoaram dos demais tecnicamente, com times bem superiores, não há uma equipe com esse status. O Galo é fortíssimo e obteve a melhor campanha, com Nacho Fernández e Hulk como destaques. O São Paulo, segundo em seu grupo, priorizou a reta final do Campeonato Paulista em detrimento de alguns jogos na Libertadores e está em clara evolução. O Barcelona, talvez o menos badalado integrante do Pote 1 por não ser brasileiro ou argentino, tem uma ótima equipe e um veterano que desequilibra, Damián Díaz.

Há ainda boas surpresas, como a classificação da Católica do técnico Gus Poyet, uruguaio que estreia na América do Sul após comandar Brighton-ING, Sunderland-ING, AEK-GRE, Betis-ESP, Bordeaux-FRA e Shanghai Shenhua-CHN. Outros menos surpreendentes como o já citado Defensa y Justicia, do sempre-opção-para-os-clubes-brasileiros Sebastián Beccacece. Veteranos de peso também, como Daniel Alves, Fred, Nenê, Roque Santa Cruz, Carlos Tévez e Enzo Pérez (como meio-campista, provavelmente).

O sorteio dos confrontos no mata-mata continental acontece na próxima terça-feira e não possui qualquer trava. Ou seja, times do mesmo país ou que estiveram no mesmo grupo podem se enfrentar. O intervalo até as oitavas de final, porém, será longo. Por aqui, o Campeonato Brasileiro terá início e verá muitos times desfalcados logo nas primeiras rodadas, por causa da disputa da Copa América. Partidas de Libertadores, novamente, apenas em meados de julho.

Até lá, dos pampas gaúchos, passando pelo litoral brasileiro, até a Cordilheira dos Andes, muita coisa ainda pode mudar para estabelecimentos definitivos de favoritos. Afinal de contas, "la Copa se mira y no se toca". Ao menos até vencê-la.

Palmeiras vai defender o título conquistado em 2020
Palmeiras vai defender o título conquistado em 2020 Staff Images/Conmebol

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Onze campeões, 26 títulos e muito equilíbrio nas oitavas de final da Libertadores

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Minha seleção de LaLiga 2020-2021 tem Suárez, Messi e domínio do Atlético de Madrid; veja como ficou

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A emoção foi garantida até à última rodada de LaLiga nesta temporada. O Atlético de Madrid garantiu o título, apesar da queda de rendimento que permitiu a aproximação de Real Madrid, Barcelona e Sevilla.

Betis, Real Sociedad e Villarreal tiveram times muitos competitivos, que jogaram ótimo futebol. Na luta contra o rebaixamento, incrivelmente o Elche, no qual o São Paulo foi buscar o meia-atacante Emiliano Rigoni, conseguiu a salvação e viu Huesca, Real Valladolid e Eibar caírem.

Temporada de destaques individuais, grandes jogos e poucos sortudos torcedores apenas no final. Abaixo, a seleção de LaLiga 2020-2021 escalada pelo blog, baseada nas análises de transmissões dos canais ESPN e FOX Sports e estatísticas do Wyscout.

Emocionante! Suárez senta no gramado e chora ao celular enquanto conversa com a família após título do Atlético de Madrid; assista

JAN OBLAK - Goleiro

Foi o jogador que mais atuou nesta temporada de LaLiga, com 3643 minutos. Pilar defensivo do Atlético de Madrid, foi responsável direto por muitos muitos conquistados: dos quatro pênaltis marcados contra a equipe, apenas um entrou; além disso, foi o segundo goleiro que mais fez defesas com 108. Ao todo, sofreu apenas 25 gols nas 38 partidas disputadas pelo Atleti.

JESÚS NAVAS - Lateral-direito

Trinta e cinco anos e muita disposição na lateral direita do Sevilla. Foram 34 partidas, seis assistências e excelente desempenho para Jesús Navas na temporada. Líder de LaLiga em cruzamentos (190), aproveitamento em dribles (73,68%), quinto em passes que geram chance de gol para o companheiro (30), 16o em passes totais (1782) e apenas quatro cartões amarelos recebidos. 

JULES KOUNDÉ - Zagueiro

O jovem zagueiro francês de 22 anos desperta a /atenção de grandes clubes de toda Europa. Justíssimo. Disputou 34 partidas pelo Sevilla e foi um dos líderes da terceira melhor defesa de LaLiga. Ganhou 61% dos duelos aéreos, recebeu apenas quatro cartões amarelos em 34 jogos e ainda marcou dois gols. Foi também o principal construtor de jogo do Sevilla com 2167 passes, oitavo no total de LaLiga e segundo entre zagueiros - aliás, gosta bastante de subir para o ataque.

PAU TORRES - Zagueiro

Sétimo colocado de LaLiga, garantido ao menos na próxima Conference League, o Villarreal ainda tem a final da Europa League para disputar contra o Manchester United e, se vencer, vai para a Champions. Com 24 anos, Pau Torres se destacou defensivamente entre os veteranos da equipe. Foi o terceiro jogador de LaLiga que mais bloqueou finalizações com 24 e nono em duelos aéreos vencidos na própria área (33). Ofensivamente, colaborou com dois gols em 33 partidas.

YANNICK CARRASCO - Lateral-esquerdo

Seis gols, oito assistências, 30 jogos e responsável pela maior mudança tática do Atlético de Madrid na era Diego Simeone. Yannick Ferreira Carrasco se tornou ala pela esquerda na linha de cinco defensores do treinador argentino, dentro da variação de 3-5-2 e 3-4-3 utilizada durante a temporada. Carrillero, como dizem na Espanha, preencheu muito bem o corredor esquerdo na fase ofensiva e foi o 14o de LaLiga em passes progressivos para o ataque (204), que colocam o companheiro próximo à grande área adversária. Para completar, obteve o melhor aproveitamento em finalizações na temporada com 58,7%.

KOKE - Meio-campista

Alma do Atlético dentro de campo, Koke é o jogador mais importante do time e um dos maiores na história do clube. Além da evidente liderança que o meio-campista de 29 anos exerce sobre os companheiros, seus números nos 37 jogos que disputou impressionam. Quinto em passes na temporada de LaLiga (2333), quarto em passes para o último terço (354) e 11o em duelos vencidos (263), além de um gol anotado.

Real Madrid venceu Villarreal com golaços de Modric e Benzema; veja os melhores momentos

CASEMIRO - Meio-campista

Se fosse a NBA, o meio-campista brasileiro seria escolhido como melhor jogador defensivo da liga. Primeiro em interceptações (226), décimo em finalizações bloqueadas (10), 18o em duelos aéreos (189) e 14o em duelos defensivos (247). Ofensivamente, colaborou com seis gols (igualou a melhor marca da carreira) e quatro assistências em 34 jogos e ainda foi o 13o da temporada de LaLiga em passes (1846). Permanece como um dos pilares do Real Madrid.

MARCOS LLORENTE - Lateral-Meio-campista

Apenas dois jogadores na temporada conseguiram duplo-duplo de gols e assistências: Marcos Llorente e Iago Aspas. O lateral/meio-campista/atacante do Atleti foi responsável por 12 gols e dez assistências nas mais variadas funções determinadas por Diego Simeone. Foi ainda o sétimo de LaLiga em passes que criaram situações de gol para um companheiro com 27. 

LUIS SUÁREZ - Atacante

Com sobras, a melhor contratação da temporada. Luis Suárez foi o artilheiro do Atlético na temporada de LaLiga com 21 gols e a queda da equipe teve muito a ver com a seca de gols do atacante no segundo turno, algo totalmente superado na reta final. Os dois últimos marcados pelo jogador de 34 anos garantiram as viradas sobre Osasuna e Valladolid, os dois jogos finais do Atleti. Foi também o jogador com maior diferença entre gols esperados a partir das finalizações (xG) e gols marcados: +6,23, o que indica ótimo aproveitamento em chances que não foram fáceis.

KARIM BENZEMA - Atacante

Mais uma temporada incrível do atacante, agora novamente, da seleção francesa. Karim Benzema marcou 23 gols (apenas um de pênalti) e deu nove assistências para seus companheiros. Segundo em finalizações com 120 e primeiro em toques na bola dentro da grande área com 200. O time do Real Madrid, vice-campeão de LaLiga, funciou ao redor dele.

LIONEL MESSI - Atacante

Para alguém que não queria continuar no Barcelona, até que os números foram bons... Depois de todo turbilhão político no clube envolvendo Lionel Messi, o argentino brilhou como sempre faz. Artilheiro de LaLiga com 30 gols, ainda deu sete assistências, liderando a competição na soma dos dois quesitos. Também foi primeiro em passes anteriores a assistências (6), finalizações (191), bolas na trave (6, com Benzema), dribles (353), passes atrás da linha da defesa (151), passes que criam chances de gol (35), arrancadas com a bola (175) e passes para dentro da grande área com exceção de cruzamentos (155). Inquestionável.

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TIME TITULAR

Jan Oblak (Atlético de Madrid); Jesús Navas (Sevilla), Jules Koundé (Sevilla), Pau Torres (Villarreal) e Yannick Carrasco (Atlético de Madrid); Koke (Atlético de Madrid), Casemiro (Real Madrid) e Marcos Llorente (Atlético de Madrid); Luis Suárez (Atlético de Madrid), Karim Benzema (Real Madrid) e Lionel Messi (Barcelona).

TIME RESERVA

Marc-André Ter Stegen (Barcelona); Kieran Trippier (Atlético de Madrid), Diego Carlos (Sevilla), Mario Hermoso (Atlético de Madrid) e Jordi Alba (Barcelona); Luka Modric (Real Madrid), Dani Parejo (Villarreal) e Frenkie de Jong (Barcelona); Iago Aspas (Celta de Vigo), Gerard Moreno (Villarreal) e Mikel Oyarzabal (Real Sociedad).

Suárez, do campeão Atlético de Madrid, está na minha seleção de LaLiga 2020-2021
Suárez, do campeão Atlético de Madrid, está na minha seleção de LaLiga 2020-2021 Getty Images
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Minha seleção de LaLiga 2020-2021 tem Suárez, Messi e domínio do Atlético de Madrid; veja como ficou

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Possível despedida de Marcelo pode marcar recorde histórico para o brasileiro no Real Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Marcelo tem ainda um ano de contrato com o Real Madrid. O nome do histórico lateral-esquerdo merengue, no entanto, aparece com frequência em listas de reformulação total no elenco da equipe. Inclusive, nos últimos dias, o Inter Miami, dos Estados Unidos, surgiu como um possível destino para o jogador de 33 anos.

Neste sábado (21), pela derradeira e decisiva rodada de LaLiga, o lateral brasileiro deve começar no banco de reservas contra o Villarreal, na capital espanhola, já que entrou em atrito com Zinédine Zidane nas últimas semanas. Apesar de muitos desfalques, incluindo Ferland Mendy, ele chegou a ficar fora de uma convocação e perdeu espaço para o garoto Miguel Gutiérrez, de 19 anos. Mesmo assim, recordes podem aparecer.

A emoção na busca pelo título de LaLiga: como estão os torcedores de Real Madrid e Atlético


O Real Madrid precisa vencer o Villarreal e torcer para o Atlético de Madrid, fora de casa, no máximo empatar com o Valladolid. Como levam vantagem no confronto direto, os madridistas podem terminar empatados em pontos com os rojiblancos que comemorarão a 35ª taça de LaLiga. 

Para Marcelo, significaria a sexta conquistada desde 2007, quando chegou do Fluminense para ser reserva de Roberto Carlos. Treze anos depois, o ex-jogador, quatro vezes campeão de LaLiga pelo Real Madrid (assim como Evaristo de Macedo, Adriano e Flávio Conceição), já foi superado na lista de brasileiros com mais títulos do Campeonato Espanhol por Marcelo - e apenas Daniel Alves, com seis pelo Barcelona, possui mais.

Em 1935, Fernando Giudicelli se tornou o primeiro brasileiro a vestir a camisa do Real Madrid; Canário, em 1960, o primeiro a ser campeão da Champions League - na época Copa dos Campeões da Europa - com os blancos. Lendas do Brasil vestiram a camisa branca madridista como Didi, Evaristo de Macedo e Ronaldo, além de uma legião de outros atletas nas últimas décadas como Flávio Conceição, Robinho, Zé Roberto, Sávio, Júlio Baptista, Emerson, Cicinho, Kaká e Danilo. 

Marcelo tem 527 partidas na história pelo Real Madrid, mesma marca de Roberto Carlos. São os brasileiros recordistas pelo clube. Caso saia do banco de reservas neste sábado, quebrará a histórica marca. Na sequência, bem distante, aparece Casemiro com 284 e duas LaLigas conquistadas.

O elenco do Real Madrid tem ainda Éder Militão, Rodrygo e Vinícius Júnior, todos com pouco tempo de clube na comparação com os outros dois brasileiros merengues, em busca do bicampeonato espanhol. O "duelo" com o Atlético de Madrid conta ainda com Renan Lodi e Felipe, mais dois brasileiros de sucesso na Espanha, atrás da primeira taça de LaLiga na carreira.

Marcelo está prestes a atingir dois recordes pelo Real Madrid
Marcelo está prestes a atingir dois recordes pelo Real Madrid Divulgação
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Possível despedida de Marcelo pode marcar recorde histórico para o brasileiro no Real Madrid

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'Significado ainda maior', afirma Danilo sobre título da Juventus na Copa da Itália

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Para um clube acostumado a títulos como a Juventus, o significado de mais uma taça de Copa da Itália poderia ser pequeno. O momento atual, porém, indica o contrário.

A equipe perdeu a hegemonia no Campeonato Italiano, impedida de conquistar o decacampeonato nacional pela Inter de Milão. Andrea Pirlo, estreante treinador, está muito pressionado pela diretoria e ameaçado de não continuar no cargo. No próximo domingo, a Juve enfrenta fora de casa o Bologna, dependendo de um tropeço de Milan ou Napoli para se garantir na Champions League. Para completar, após a frustrada tentativa de criação da Superliga, a Vecchia Signora, com as atitudes de Andrea Agnelli, se tornou vilã no mundo do futebol. 

"Todas as conquistas são importantes, mas principalmente num ano de transição do clube, em meio a pandemia, tem um significado ainda maior para nós e para nossos torcedores", afirmou Danilo, com exclusividade ao blog, após a vitória por 2 a 1 sobre a Atalanta, na quarta-feira (19). Triunfo que garantiu à Juve sua 14ª taça da competição na história. 

Danilo com a taça da Copa da Itália no retorno para Turim
Danilo com a taça da Copa da Itália no retorno para Turim Divulgação

Já o lateral brasileiro conquistou o 23º título da carreira profissional. Marca invejável e alcançada, principalmente, na Europa. Revelado pelo América Mineiro, em 2009 foi campeão pela primeira vez na Série C do Campeonato Brasileiro. Com o Santos comemorou a Copa do Brasil no mesmo ano, o Campeonato Paulista (2011) e a Libertadores da América (2011). A trajetória no Velho Continente começou em 2012 no Porto e é marcada por conquistas e passagens em grandes clubes.

"Sou muito realizado profissionalmente, mas tenho ainda ambição de muito mais. Os números são importantes e me orgulho muito de todas essas conquistas. Mas penso sempre em ganhar o próximo, e mais importante, desfrutando da jornada", garante o lateral de 29 anos, ex-Real Madrid e Manchester City, também frequente nas convocações da seleção brasileira. Chamado para os próximos dois jogos do Brasil pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, contra Equador e Paraguai, foi titular nas quatro partidas anteriores da competição, onde o Brasil venceu todas.

 

 Ceni explica escalação inicial do Flamengo: 'Ideia era aumentar a altura do time para prevenir as bolas aéreas'


Danilo é parte importante da variação tática implantada por Tite e sua comissão técnica. Enquanto Renan Lodi avança pela esquerda, dando amplitude na fase ofensiva no setor, Danilo é o lateral construtor, que trabalha a saída de bola por dentro com os zagueiros e os meio-campistas centrais - quando o Brasil ataca, tem se posicionado no 2-3-5. Já sem a bola, o jogador da Juventus tem enorme capacidade defensiva. Em seu clube, por exemplo, é o líder em recuperações de bola com 188 até a penúltima rodada do Italiano. Curiosamente, voltará a disputar posição com Daniel Alves, que em termos de títulos na carreira, é insuperável no futebol mundial, com 42.

Pela seleção principal Danilo ainda não foi campeão, somente pela sub-20, onde conquistou o Sul-Americano e o Mundial em 2011. Vivendo atualmente um dos melhores momentos na carreira, tem tudo para seguir na equipe até a Copa do Mundo no próximo ano.

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Tática, aceleração, Neymar e concorrência: os motivos que deixam Gerson fora da seleção principal

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A agenda do Flamengo para as próximas duas semanas está pesada. Nesta quarta-feira (19) entra em campo no Maracanã, contra a LDU-EQU, para confirmar a classificação às 8ªs de final da Conmebol Libertadores. Na sequência decide o Campeonato Carioca no sábado (22), diante do Fluminense, e depois fecha a participação na fase de grupos do torneio sul-americano contra o Vélez Sarsfield-ARG. Sem descanso, estreia no Campeonato Brasileiro contra o Palmeiras dia 30.

Por conta dessa maratona, o clube entrou em acordo com a CBF para adiar os jogos pela Copa do Brasil e pelo Brasileirão durante a próxima data Fifa, entre os dias 31 de maio e 8 de junho. Quatro jogadores rubro-negros, no entanto, seguirão atuando. Éverton Ribeiro e Gabriel Barbosa foram convocados por Tite para a seleção brasileira que enfrenta Equador e Paraguai pelas eliminatórias para a Copa do Mundo. O terceiro chamado não estará no grupo principal. Gerson, em meio à negociação de transferência para o Olympique de Marselha, foi lembrado por André Jardine para a seleção olímpica, o que gerou enorme repercussão - o atacante Pedro é o quarto, também chamado por Jardine.

O meio-campista de 23 anos é um dos destaques do futebol brasileiro desde quando retornou da Itália, onde atuou por Roma e Fiorentina entre 2016 e 2019, após ser negociado pelo Fluminense. Foi peça determinante no histórico time comandado por Jorge Jesus e segue como um dos mais influentes atletas com Rogério Ceni. Gerson possui histórico de negativas a convocações para seleções de base. Pré-olímpico de 2019, após jogar o Mundial de Clubes pelo Flamengo, e pedido de dispensa do Mundial sub-17 em 2013 estão na lista. Mesmo assim, apesar da polêmica surgida há dois anos, o jogador jamais esteve "vetado" pela seleção principal. Os motivos para sua ausência são, acima de tudo, táticos e técnicos, ou seja, opção da comissão técnica.

Tite trabalha com cinco atletas por posição, em média.  Lista elaborada pelo treinador com seus auxiliares e analistas de desempenho, Cléber Xavier, Matheus Bachi, César Sampaio, Thomaz Araújo e Bruno Baquete. O responsável pela avaliação física e constante troca de informações com os clubes brasileiros e estrangeiros é Fabio Mahseredjian. Não são todas posições, atualmente, que contam com cinco opções reais para convocações. No caso do segundo meio-campista, sim.

Flamengo reagiu e buscou empate contra o La Calera-CHI pela Libertadores; assista

Os 'rivais' de Gerson

Gerson disputa com Douglas Luiz (Aston Villa), Fred (Manchester United), Arthur (Juventus) e Bruno Guimarães (Lyon) duas vagas entre 23 convocados. A cada lista preparada, características da própria equipe e do adversário são levadas em conta para a elaboração final, que sempre acontece na manhã das sextas-feiras, dia tradicional de convocação da seleção brasileira. Cada um desses cinco jogadores possui qualidades e defeitos na visão da comissão técnica.

Douglas é o titular atualmente e responsável pela variação tática na fase defensiva do Brasil. Começou jogando nos quatro jogos da seleção pelas eliminatórias e nos últimos três desempenhou função determinante no meio-campo. O jogador do Aston Villa trabalha por dentro, na faixa central, quando o time tem a posse de bola a partir de um 2-3-5 ou 2-2-6, dependendo da função de um dos laterais (construção por dentro ou apoio e amplitude). Quando a equipe faz a recomposição defensiva, variando do 4-4-1-1 para o 4-4-2, é Douglas quem se desloca do centro para a esquerda. A movimentação que foge do padrão tático tradicional nessas variações e será mantida para os confrontos com Equador e Paraguai ocorre por um principal motivo: Neymar.

O que Neymar tem a ver com isto?

O atacante do PSG já atuou em diferentes posições e teve variadas funções com Tite e outros treinadores. Nos últimos meses, no entanto, está muito claro para a comissão técnica a necessidade de ter Neymar com pouca responsabilidade na recomposição defensiva. "Arco e flecha", como descreve Tite, o atacante no atual esquema tem liberdade para atacar da esquerda para dentro, com movimentação total. Sem a bola, ajuda na pressão imediata no campo adversário, mas não baixa com as linhas. Já na recuperação da posse, está menos desgastado para fazer a transição e buscar as jogadas de um-contra-um. Essa é a ideia trabalhada, na teoria e na prática, pela comissão técnica nos treinos e nos jogos - mesmo nos dois últimos das eliminatórias, quando Neymar não esteve em campo.

Esse é um primeiro ponto negativo de Gerson na avaliação atual. A exigência defensiva dessa função no atual esquema não se encaixa no perfil do atleta. No Flamengo o jogador trabalha na faixa central com e sem a bola, sem a necessidade de fechar o lado do campo na segunda linha - algo necessário na seleção. Ele ainda precisa ser testado com a camisa do Brasil jogando assim, justamente para a comissão confirmar a impressão que possui decorrente de avaliações dele pelo rubro-negro.

Douglas, obviamente, não está na seleção apenas pela consistência defensiva. É titular do Aston Villa, faz boa temporada pela Premier League e possui ótima inversão de jogo na avalição da comissão técnica, além de ser capaz de atuar na função de primeiro meio-campista, como fez contra o Uruguai, na ausência de Casemiro e Fabinho. Ele, no entanto, não estará disponível para a partida contra o Equador, no próximo dia 4, em Porto Alegre. Suspenso, deve dar lugar a Fred, titular do Manchester United. Convocado para a Copa do Mundo, mas indisponível durante o torneio por lesão, o meio-campista está de volta à seleção pelo ótimo desempenho na temporada inglesa e pelas funções que consegue desempenhar.

A questão defensiva é preenchida por Fred, acostumado no próprio United a coberturas pelo lado na segunda linha de marcação. Além disso, possui outra característica superior a Gerson, considerando uma disputa direta: aceleração. Enquanto o jogador do Flamengo segura mais a bola, gera muito contato, Fred acelera bem mais o jogo com o pé direito ou esquerdo, sem a necessidade de ajustar tanto o corpo. Além disso, a comissão técnica já conhece muito bem Fred, cinco anos mais experiente que Gerson e atuando na melhor liga nacional do mundo.

Já Arthur e Bruno Guimarães, também ausentes nesta convocação da seleção principal, possuem estilos diferentes na disputa por um lugar entre os 23 convocados. O meio-campista da Juventus, titular na última Copa América, oferece a Tite um jogo apoiado forte, consegue circular bem a bola. Já o jogador do Lyon, na lista da seleção olímpica, tem maior qualidade no apoio ao ataque, com chegada na grande área. Ambos, assim como Gerson, possuem enorme qualidade técnica, mas devem na recomposição defensiva pelo lado esquerdo, já que pela direita o responsável tem sido Richarlison ou Gabriel Jesus, com Everton Ribeiro ou Philippe Coutinho - e agora Lucas Paquetá - por dentro ao lado de Casemiro.

Gerson sofreu pênalti, e Fluminense e Flamengo ficaram no empate na ida da final do Carioca; assista

Tite jamais pensou em punir Gerson. Mas há as declarações de Juninho Paulista e Jardine 

O coordenador de seleções, Juninho Paulista, alimentou as teorias de conspiração sobre Gerson na seleção principal com a declaração dada em 2019. "Tem que saber os momentos, né? Eu acho que tudo é levado em conta, não só o aspecto técnico. A gente olha todo o aspecto. O técnico é o principal, mas tem também o comprometimento, a disponibilidade e o foco. Tudo isso a gente leva em consideração". Tite e membros da comissão técnica jamais pensaram em punir Gerson. Posteriormente, Branco, coordenador de seleções de base, garantiu em entrevista ao SporTV que não houve punição em convocações futuras.

Jardine, no entanto, na coletiva de imprensa após a última chamada, deixou claro entender que o jogador do Flamengo errou. "A gente acredita que o erro faz parte. Nós erramos muito, os jogadores erram. A gente espera realmente que o Gerson tenha amadurecido. É um passado talvez até distante para ele. Vejo ele num momento maravilhoso, não só técnico, mas também comportamental, muito maduro no que faz. Fui em alguns jogos in loco observar, em alguns momentos até exclusivamente ele. Senti dele um jogador muito maduro, concentrado naquilo que faz, muito focado em conquistar títulos, em decolar na carreira. Já manifestou para nós o desejo de jogar em qualquer seleção."

Não há "acordos" de liberação de jogadores para a olímpica por parte da seleção principal, por mais que o trabalho seja alinhado e o convívio entre as equipes na CBF harmonioso - trabalham em salas lado a lado. Os 24 jogadores convocados por Tite são exatamente os 24 que ele queria levar, entre todos disponíveis. Jardine monta a sua equipe com os "outros", o que ainda lhe garante enorme qualidade. Será responsável por uma conversa com Gerson sobre a necessidade de acelerar mais o jogo. A comissão técnica de Tite avalia, inclusive, que o jogador do Flamengo foi muito bem nesse quesito na partida contra o Fluminense, pela ida das finais do estadual.

A chamada, agora, para a seleção olímpica surge como grande oportunidade para Gerson mostrar que merece uma vaga no time que jogará as Olimpíadas e que pode fazer, também, o papel que Tite espera dele na equipe principal. Qualidade para ser jogador da seleção brasileira já está evidente que Gerson tem.

Gerson em ação pelo Flamengo. Lista de motivos explica jogador fora da seleção brasileira principal, ao menos por enquanto
Gerson em ação pelo Flamengo. Lista de motivos explica jogador fora da seleção brasileira principal, ao menos por enquanto Alexandre Vidal / Flamengo
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Tática, aceleração, Neymar e concorrência: os motivos que deixam Gerson fora da seleção principal

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Luis Suárez e Renan Lodi mudaram o roteiro de Iván Rosado e Ante Budimir

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O retorno à LaLiga fora conquistado poucos meses antes. Em abril de 2003, o Atlético de Madrid ainda era um clube em reconstrução, se recuperando da passagem pela segunda divisão espanhola. Um dia antes de completar 100 anos, o clube programou enorme festa na capital.

O Vicente Calderón receberia, pela 31ª rodada, o Osasuna. A equipe basca, assim como a colchonera, estava no meio da tabela, sem grandes pretensões, querendo se distanciar da zona de rebaixamento. Jogos no El Sadar sempre foram muito difíceis para todas equipes espanholas, mas em casa o Atleti tinha tudo para garantir a comemoração do centenário com uma boa vitória.

Equipe do Atlético na comemoração do centenário
Equipe do Atlético na comemoração do centenário Atlético

Sem Fernando Torres, jovem estrela colchonera, o técnico Luis Aragonés mandou a campo uma equipe experiente, na qual se destacavam Emerson, Demetrio Albertini e José Mari. As arquibancadas do Calderón estavam completamente lotadas, 56 mil rojiblancos em uma festa que começou horas antes, pelas ruas madrilhenhas em plena quarta-feira. Um enorme bandeirão foi carregado até o estádio, os hinchas tomaram as margens do rio Manzanares e celebraram a paixão de suas vidas. "Atleti, Atleti, Atleti".

Iván Rosado, atacante revelado pelo Recreativo de Huelva e que, antes de defender o Osasuna, jogara pelo Rayo Vallecano, foi o responsável por estragar a festa. Aos 44 minutos, o marfinense radicado na Itália  Cristian Manfredini recebeu passe na entrada da área e chutou cruzado. Juanma espalmou muito mal, deixou que a bola sobrasse na pequena área para Rosado tocar para o gol vazio. Dali até o final, aflição e nervosismo nas arquibancadas, reflexo do que se via em campo. Os fogos de artifício que iluminaram a noite de Madri foram o fim melancólico de uma amarga festa.

Dezoito anos depois, neste 16 de maio, quando Ante Budimir fez 1 a 0 para o Osasuna no moderno e vazio Wanda Metropolitano, parecia que o destino da equipe basca era, definitivamente, traumatizar a torcida colchonera. Em Bilbao, o Real Madrid já vencia o Athletic por 1 a 0, gol de Nacho. A combinação de resultados dava aos merengues a liderança de LaLiga na última rodada.

GOLS: Suárez marca no fim, Atlético de Madrid vira sobre o Osasuna e se aproxima de título de LaLiga


         
     

Budimir tem uma bela história de superação, assim como muitas crianças que deixaram suas casas nos Balcãs durante a guerra da Iugoslávia na década de 1990. Natural de Zenica, na Bósnia, mudou-se para Velika Gorica, nos arredores de Zagreb, capital da Croácia, com poucos meses de vida. Lá cresceu, perdeu o pai em um acidente de carro, se apaixonou pelo futebol e virou fã de um jogador. "Luka Modric é um capitão em todos os sentidos da palavra. Lembro-me de quando nos conhecemos na Suíça, em um elevador. Eu me encontrei com Modric e para mim foi como 'uau!' Ele me deu as boas-vindas. Eu não estava treinando naquele dia; era o último dia da janela de transferência e eu estava assinando meu contrato online [com o Osasuna] em meu quarto, então não treinei com a equipe”, disse o atacante. Nos conhecemos melhor na hora do jantar, quando ele me disse: ‘Vamos nos ver no campo este ano! Estou muito feliz por você’. Ele é o cara que te motiva, que o lidera em campo. E, particularmente, ele é uma pessoa muito calma e amigável. É bom tê-lo ao seu lado".

Havia um belo roteiro acontecendo em Madri e Bilbao, sem dúvida, com a terrível coincidência - pelo aspecto colchonero - da presença do Osasuna na capital. Renan Lodi e Luis Suárez, no entanto,  trataram de reescrevê-lo. Os gols marcados pelo brasileiro e pelo uruguaio promoveram uma virada épica e recolocaram o Atleti na primeira posição de LaLiga. Dois personagens marcantes, de maneiras bem diferentes, na temporada rojiblanca.

Jogadores foram à loucura com o gol marcado por Luis Suárez
Jogadores foram à loucura com o gol marcado por Luis Suárez Atlético

Quando, ainda no primeiro turno, Diego Simeone mudou o esquema tático do Atlético de Madrid, o lateral perdeu o lugar entre os titulares. A linha de cinco defensores, com Yannick Carrasco como carrillero pela esquerda, fez com que o titular da seleção brasileira fosse para o banco. Enquanto isso, o atacante brilhava nos primeiros jogos como colchonero. Dispensado pelo Barcelona, Luis Suárez causou impacto imediato e se tornou peça fundamental no ataque do Atleti. A queda de desempenho da equipe no segundo turno muito teve a ver com o sumiço de gols do uruguaio. 

Neste domingo, mais uma vez, Lodi começou na reserva. Entrou em campo aos 21 minutos e não conseguiu cortar o cruzamento que terminou com a cabeçada de Budimir. Defensivamente chegou a ser criticado por Simeone durante a temporada, após ter se destacado no anterior. O gol marcado por ele aos 37 trouxe novamente a esperança à torcida do Atlético. Ainda não era suficiente, o Real Madrid permanecia em vantagem. El Pistolero, então, surgiu para redefinir o roteiro ao marcar o segundo do Atleti, seis minutos depois. Luis Suárez não comemorava um gol há cinco jogos.

Na última rodada de LaLiga, valendo título, o Atlético, com 83 pontos, visita o Valladolid, que ainda luta contra o rebaixamento. Já o Real Madrid, com 81 pontos e vantagem no confronto direto, recebe o Villarreal, de olho na final da Europa League e ainda brigando pela própria competição. O filme de 2003, com Rosado e Budimir como protagonistas, foi cancelado. A obra de 2021 segue em produção e terá o último capítulo escrito no próximo final de semana.

Atlético de Madrid vira sobre o Osasuna em final alucinante e mira título de LaLiga; veja melhores momentos


         
     
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Luis Suárez e Renan Lodi mudaram o roteiro de Iván Rosado e Ante Budimir

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Para cada 5 mil islandeses, há um jogador de futebol fora do país; Brasil segue na liderança entre expatriados

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Nos últimos anos, antes da pandemia de coronavírus, a Islândia, país com cerca de 365 mil habitantes e localizado a norte do Oceano Atlântico, se tornou um destino para viajantes desbravadores. As paisagens cinematográficas formadas pelas dezenas de vulcões impressionam a todos. Também no futebol, a seleção islandesa se destacou com as quartas de final alcançadas na Euro 2016 e a classificação para a Copa do Mundo de 2018.

Essas campanhas, aliadas ao projeto de desenvolvimento da base no país, com a construção de vários campos, fizeram que a Islândia se tornasse uma exportadora de talento. Atualmente, para cada 5585 habitantes há um jogador de futebol profissional em atividade fora das fronteiras islandesas. O dado faz parte do levantamento demográfico divulgado anualmente pelo CIES Football Observatory.

Islândia possui mais de 30 vulcões ativos
Islândia possui mais de 30 vulcões ativos Divulgação

O índice considera apenas países com pelo menos 50 atletas expatriados, ou seja, jogadores que não atuam no país onde se formaram. Na sequência do ranking aparecem Montenegro (6759), Croácia (10793) e Uruguai (11889). De fora da Europa, além dos uruguaios, apenas a Gâmbia (42464) aparece entre os 20 primeiros.

Sem surpresas, nos dados gerais o Brasil permanece na liderança com mais jogadores expatriados no mundo. Eram 1287 atletas espalhados pelos cinco continentes em maio deste ano, quando o levantamento foi finalizado. A pesquisa analisou dados de 145 ligas nacionais em 98 países. França (946) e Argentina (780) ocupam o pódio, mas há um processo de mudança em curso. Na comparação com 2020, houve pequena queda de brasileiros (-14) e argentinos (-13) e grande aumento de franceses (+124). Na prática, de qualquer modo, as três nações superam 1/5 dos expatriados no futebol mundial (21,4%).

Jogadores expatriados (maio/2020)

Brasil 1287
França 946
Argentina 780
Inglaterra 494
Alemanha 442
Sérvia 440
Espanha 432
Nigéria 394
Colômbia 379
Croácia 375

São ao todo 13664 jogadores expatriados nas competições analisadas (13025 em 2020), média de 5,94 por time. As equipes da UEFA possuem a maior porcentagem nos elencos, com 26,4%, média bem superior à menor medida, no caso a Conmebol (8,9%). A média global de idade dos atletas expatriados é de exatos 27 anos no último levantamento.



Inglaterra, Itália e Espanha lideram entre os países que mais recrutam pé de obra estrangeiro. Foram 771 atletas expatriados atuando no futebol inglês, 695 em território italiano e 626 nas ligas espanholas. A maior rota migratória, no entanto, continua sendo do Brasil para Portugal: movimento de 236 jogadores no período analisado. Inglaterra-Escócia (120) e Argentina-Chile (111) são as rotas seguintes com mais movimentação. O estudo completo do CIES Football Observatory está disponível neste link.

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Ex-Inter e Grêmio, Gavilán trabalha com Arce no Cerro Porteño e aponta enorme vantagem dos clubes brasileiros na Libertadores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Diego Gavilán vestiu as camisas de InternacionalGrêmioFlamengo e Portuguesa no Brasil. Revelado pelo Cerro Porteño, o volante defendeu Newcastle e Udinese na Europa, além de outros clubes na América Latina. Aos 41 anos, voltou para suas origens em janeiro e trabalha no Cerro.

Atualmente em processo para conseguir a licença A no curso de técnicos da CBF, ele comanda o time sub-23, que serve como transição da base para o profissional no clube paraguaio, que tem Francisco Arce como técnico principal. Foi do ex-lateral de Grêmio e Palmeiras que partiu o convite para Gavilán, ou apenas Diego, retornar ao Cerro, após ter comandado o Pelotas no Campeonato Gaúcho.

Diego Gavilán é técnico do time sub-23 do Cerro Porteño desde janeiro deste ano
Diego Gavilán é técnico do time sub-23 do Cerro Porteño desde janeiro deste ano Divulgação

A pandemia fez com que toda base do futebol paraguaio parasse. Não há competições oficiais desde o ano passado, por isso o Cerro Porteño montou essa estrutura no departamento de futebol e marca amistosos com outros clubes para não abandonar os jovens. Presente no grupo H da Conmebol Libertadores, ao lado de Atlético Mineiro, Deportivo La Guaira-VEN e América de Cali-COL, o Cerro está na briga pela classificação.

O que te fez aceitar o convite para treinar o time sub-23 do Cerro Porteño, após ter trabalhado no Pelotas?
O principal fato foi o convite do professor Arce. Pra mim, assim como Muricy Ramalho e Mano Menezes são as referências na profissão, o Arce é o melhor treinador do Paraguai na atualidade. Trabalhar com ele, acompanhar o trabalho dele, tudo isso vai acrescentar muito à minha carreira. No futuro, quando eu voltar a ser treinador de um time principal, com elencos profissionais, terei uma experiência vivida com o Arce em aprendizado, gestão e muitas outras coisas. Em equipes grandes, e o Cerro Porteño é muito grande, a gente aprende todos os dias.


Veja lances de Taison pelo Internacional!

 

Vocês foram companheiros de seleção paraguaia também.
Eu tive a sorte de jogar com ele. Aliás, a sorte de jogar com uma geração espetacular de jogadores. Conheço muito ele, como pessoa. Tudo isso soma para tomar a decisão que tomei, por mais que eu seja torcedor do Cerro Porteño, nós somos torcedores. A gente acredita no trabalho a longo prazo, é um dos caminhos para crescermos e buscarmos essa tão especial taça da Libertadores, que o Cerro ainda não conseguiu. É um projeto bem constuído, com jogadores da base, gestão... Não tem muita lógica no futebol, mas acreditamos nesse projeto a longo prazo.

O tricampeonato do Olimpia, maior rival do Cerro, na Libertadores aumenta a pressão por parte de torcida e imprensa?
Pressão assim, não, mas é automática quando o clube não tem e o rival tem. O torcedor do Cerro sonha. Eu tive essa experiência como jogador do Internacional, quando o clube não tinha Libertadores e o Grêmio tinha. De repente o Inter ganhou tudo e passou essa tormenta, e o Cerro vive essa situação.

No Olimpia, atualmente, está outro ex-companheiro seu de seleção paraguaia: Roque Santa Cruz. Aos 39 anos, ainda é importante e decisivo. Qual sua opinião sobre o veterano atacante?
Conheço o Roque desde 14 anos, começamos a jogar juntos. É um dos melhores amigos que tenho na vida e dentro da profissão. São muitas coisas vividas com ele, família, seus irmãos, sua família agora com os filhos, jogando contra... Mantemos contato no dia a dia mesmo quando nos enfrentamos no final de semana. Coisas que acontecem com pessoas especiais, e ele é especial. Graças a Deus consegui conhecer nessa vida. Hoje ele é a referência mais importante do futebol paraguaio em todos sentidos. Esportivamente, já demonstrou muita coisa e continua demonstrando, mas o mais importante pra mim é essa imagem para os meninos. Comportamento, educação, preparação para a vida. Porque o jogador tem data de vencimento, e depois entra em uma etapa da vida que precisa se preparar. Ele está mostrando muita coisa como pessoa, como companheiro, como referência na sua equipe. Preparação atual para se manter competitivo, são muitos fatores. Ele não quer falar sobre isso, mas automaticamente passa uma imagem muito positiva. Quando ele parar, vai continuar dando muito o que falar no futebol porque é uma pessoa muito preparada. Além de jogar, se prepara para o futuro.

E no último clássico com o Olimpia deu Cerro, vitória por 2 a 0 no início deste mês.
Lógico que ali ele defende seu clube, o Olimpia, e eu defendo o meu, o Cerro. Nos últimos dois anos, eles tiveram momentos muito bons, conseguiram ganhar quatro torneios na sequência. Com a chegada do "Chiqui" Arce, conseguimos quebrar a hegemonia do arquirrival. Quando tem o clássico, e do jeito que o seu time ganha, ainda mais como o Cerro ganhou o último, você sabe como é o dia seguinte.

Em relação ao trabalho do Arce no Cerro, o que você faz com a base é alinhado com a metodologia de treino e jogo do time principal?
Esse é um dos pontos mais importantes dentro do convite que recebi. Estamos bem alinhados. É um jogo bem jogado, a história do Cerro sempre foi assim. Ele conseguiu, por exemplo, quando retornou o futebol no ano passado durante a pandemia, a equipe conseguiu manter 24 jogos sem derrota. São coisas que não acontecem de um dia para o outro, e jogando bem, um futebol bonito, associado, triangulações, saída... Tudo aquilo que o torcedor gosta de ver quando paga um ingresso para ver um jogo de futebol. Dentro dessa linha, tentamos criar situações para que eu possa treinar sobre essa metodologia de trabalho. No meu caso, é bem diferente, porque o time principal tem que ganhar quarta e domingo, comigo está sendo diferente já que não tenho competição. O tempo de trabalho que tenho uso tranquilamente, não tem pressa para mandar para cima os guris dos times de transição número um e número dois. Mas somos cobrados internamente, mandamos relatórios para o Arce e a comissão técnica, e isso tem sido bem legal.

Após três rodadas no grupo H da Libertdaores da América, o Cerro soma quatro pontos. Três a menos que o Atlético Mineiro, à frente do Deportivo La Guaira com três e o América de Cali, com um. Que avaliação você faz do turno jogado pelo Cerro Porteño?
Acho que o Cerro Porteño fez o seu trabalho no turno de boa maneira. Embora o resultado contra o La Guaira, aqui em Assunção, não tenha sido aquilo que esperávamos. A bola não entrou, e o time adversário defensivamente se postou muito bem. Contra o Atlético Mineiro sabíamos que seria uma situação muito difícil, por muitos fatores. Embora o placar tenha sido 4 a 0, sabemos que o futebol brasileiro está em um nível muito acima do paraguaio. Em todas situações: estrutura, financeiro, muita coisa que na hora H marca muito a diferença. O Cerro durante a pandemia pouco se reforçou, trouxe o Jean, goleiro do Atlético Goianiense, ex-São Paulo, e o Mauro Boselli, que estava no Corinthians, mais ninguém. Hoje, o elenco do Cerro é formado na maioria pela base, não fez grandes investimentos por causa da pandemia, que não permite. Competir com Atlético Mineiro, Palmeiras, Grêmio, Inter, é absurdo, não é lógico. Dentro disso, acho que estamos indo bem. Disputar com o Atlético pelo primeiro lugar no grupo é difícil, mas com La Guaira e América de Cali podemos conseguir bons resultados. Temos ainda a partida de volta contra o Atlético em casa, quem sabe o resultado seja diferente.

O Atlético Mineiro é um dos favoritos ao título da Libertadores?
Eu começo a ver os favoritos na hora do mata-mata. Já tive essa experiência, acompanhar times com bom futebol na fase de grupos e no mata-mata ficou fora. Quem começar a encorpar no mata-mata aí já é outro torneio. A equipe embala, o elenco pega confiança, 180 minutos já são bem diferentes.

Temos visto nos últimos anos os clubes de maior poder financeiro conseguirem se destacar mais na Libertadores, e isso nem sempre foi uma regra no nosso continente. A tendência é vermos essa diferença entre os maiores clubes de Brasil e Argentina aumentar cada vez mais em relação aos demais times do continente?
Sim. Na Argentina, o River tem mantido um nível de competição importantíssimo e o Boca sempre é Boca, mas depois marca muito a diferença. Na hora da montagem do elenco, estrutura de trabalho para jogadores e treinadores, para trabalhar no dia a dia, logística, isso faz a diferença. Sempre falamos que o futebol é onze contra onze, mas com o calendário que temos atualmente e o costuma dos times brasileiros com jogos a cada 72 horas, outros países não estão acostumados. Com essa estrutura de recuperação, alimentação, logística, não é todo mundo que consegue fazer. O Brasil tem o potencial financeiro para fazer essa diferença. Não à toa os clubes brasileiros marcam diferença nas competições internacionais e a seleção brasileira é sempre candidata a conseguir a primeira colocação nas eliminatórias.

Qual é o clube brasileiro com o qual você tem a maior identificação na carreira?
Olha, sempre fico entre Inter e Grêmio. Porque o Inter foi o clube onde cheguei da Europa e tive três anos maravilhosos, fui feliz. Ao mesmo tempo, em 2007, tive a felicidade de passar pelo Grêmio, o arquirrival, e fui feliz, muito feliz. Cheguei, falando esportivamente, em um ponto que jamais tinha alcançado, que foi jogar uma final de Libertadores. Esse momento pra mim foi muito marcante. Falo sempre que Porto Alegre foi meu melhor clube, mas é necessário saber que lá tem o Inter e o Grêmio. Foram três anos espetaculares no Inter e um ano no Grêmio, hoje eu sou grato a esses dois clubes.

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Ludogorets, Bayern e Dinamo Zagreb ampliam hegemonias nacionais. Outras estão por vir

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


A temporada europeia tem sido marcada pela manutenção de algumas hegemonias nos campeonatos nacionais e o fim de outras. No sábado, antes mesmo de entrar em campo, o Bayern Munique conquistou a nona Bundesliga consecutiva. Tornou-se, atualmente, o time com a melhor sequência de títulos entre as cinco grandes ligas europeias.

Não é, no entanto, o detentor do recorde entre todos campeonato nacionais na Europa no momento. Isso porque, no meio da semana, o Ludogorets confirmou o décimo título búlgaro consecutivo. O clube do interior da Bulgária tem apoio de um milionário local, Kiril Domuschiev, desde 2010. Na temporada seguinte, 2011-12, iniciou a atual sequência que inclui todos os dez títulos búlgaros na história do Ludogorets.

Havia outros dois clubes que poderiam ter alcançado o decacampeonato nacional também. O Celtic, na Escócia, foi impedido pelo Rangers, do técnico Steven Gerrard. Já a Juventus, na Itália, viu a Internazionale, de Antonio Conte, ser campeã e está em situação difícil, até mesmo, para conquistar vaga na próxima Champions League. 

Choupo-Moting e Sané celebram o eneacampeonato alemão do Bayern
Choupo-Moting e Sané celebram o eneacampeonato alemão do Bayern Divulgação

Em outras ligas menos badaladas, hegemonias estão sendo mantidas. Neste domingo, por exemplo, o Dinamo Zagreb conquistou o tetracampeonato croata com três rodadas de antecipação ao golear o Rijeka por 5 a 1, fora de casa. A temporada foi marcante, com a saída do técnico Zoran Mamic, preso após acusação de evasão fiscal, dias antes do confronto com o Tottenham pelas oitavas de final da Europa League. No final, os croatas avançaram, mas caíram na quartas para o Villarreal.

Jogadores do Dinamo Zagreb comemoram o tetracampeonato croata
Jogadores do Dinamo Zagreb comemoram o tetracampeonato croata Divulgação

Nas semanas anteriores, outros clubes importantes da Europa ampliaram suas sequências de títulos também e com enorme facilidade. Casos de Olympiacos, bicampeão grego com 20 pontos de vantagem no momento, e Slavia Praga, tricampeão tcheco, que ainda busca a conquista invicta - faltam apenas três rodadas. Por fim, o Zenit São Petersburgo, que se tornou tricampeão russo sem grandes adversários na disputa, tem exercido seu poder financeiro bancado pela Gazprom. Já ali do lado, na Ucrânia, o Shakhtar Donetsk parou no tetracampeonato ao ver o Dinamo Kiev, de Mircea Lucescu, voltar a ser campeão.

Uma sequência que está longe de acabar e tem tudo para seguir como uma das mais longevas na Europa é do Red Bull Salzburg. Faltando três rodadas para o término da Bundesliga austríaca, a equipe tem nove pontos de vantagem sobre o Rapid Viena e três rodadas ainda por jogar. Além disso, no primeiro critério de desempate, possui saldo de gols de 52 contra 26 do rival. Na prática, conta as horas para comemorar o octacampeonato nacional.  Quem também pode alcançar essa marca é o Qarabag, no Azerbaijão.

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O recorde histórico na Europa pertence a dois clubes. Entre 2002-03 e 2015-16, o Lincoln dominou o campeonato nacional de Gibraltar com 14 títulos consecutivos. Mesma marca obtida pelo Skonto Riga, na Letônia, entre 1991 e 2004.

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Na Libertadores, veteranos atacantes foram decisivos nas duas primeiras rodadas da fase de grupos

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A derrota na estreia para o Deportivo Táchira por 3 a 2 colocou enorme pressão sobre o Olimpia na Conmebol Libertadores. Na segunda partida, em casa, contra o Always Ready, a equipe paraguaia precisava dos três pontos para ficar na briga por uma das duas vagas do Grupo B às oitavas de final. No intervalo, do banco, saiu o jogador que definiu a partida.

Aos 39 anos, Roque Santa Cruz é uma referência do Olimpia. O veterano atacante, pela idade, não consegue começar jogando em todas partidas do tricampeão da Libertadores, mas segue muito importante. Já em campo, ele viu os bolivianos fazerem 1 a 0 aos 19 minutos. Não se assustou, assumiu a responsabilidade e empatou aos 26. Pouco depois, aos 35, brigou pelo alto na grande área e a bola sobrou para Richard Ortiz virar. Em 45 minutos, Santa Cruz se tornou o melhor jogador em campo.

Roque Santa Cruz foi decisivo na vitória do Olimpia contra o Always Ready
Roque Santa Cruz foi decisivo na vitória do Olimpia contra o Always Ready Divulgação

Veteranos como o paraguaio não são exceções na competição sul-americana, fazem parte da nossa realidade esportiva-financeira. O atacante, revelado pelo Olimpia em 1997, deixou o Paraguai para se tornar jogador do Bayern dois anos depois e trilhou carreira na Europa. Blackburn, Manchester City, Betis, Málaga, até uma passagem pelo futebol mexicano (Cruz Azul) e o retorno para casa em 2016.

Foram cinco Bundesligas, quatros Copas da Alemanha, uma Champions e um Mundial conquistados com os bávaros, mas na maior parte do tempo entre os reservas. Afinal, à frente dele estavam nomes históricos do Bayern como Élber e Claudio Pizarro. Além disso, Roque Santa Cru teve uma longa trajetória na seleção paraguaia, com a qual foi vice-campeão da Copa América de 2011 e disputou as Copas de 2002, 2006 e 2010. Já não possui mais, naturalmente, a mesma condição física de outrora, mas a qualidade técnica ainda se destaca em jogadas isoladas. Assim como ele, há outros atacantes bem experientes nos gramados da Libertadores sendo decisivos.

Fred já tem três gols na fase de grupos da Libertadores
Fred já tem três gols na fase de grupos da Libertadores Divulgação

Mais "novinhos", Fred e Tevez são dois exemplos de protagonismo em suas equipes. O Fluminense somou quatro pontos nas duas primeiras rodadas do Grupo D ao empatar com o River Plate no Rio de Janeiro e ganhar do Independiente Santa Fe na Colômbia. Os três gols foram marcados por Fred, e um deles com assistência de Nenê, 39 anos.

Já o Boca Juniors tem 100% de aproveitamento após vencer Strongest na Bolívia e Santos na Vila Belmiro. Contra os bolivianos, Carlitos foi poupado pelo técnico Miguel Ángel Russo pelo enorme desgaste físico de se jogar nos 3600 metros de altitude de La Paz. Diante dos brasileiros, porém: um gol, uma assistência e o prêmio de melhor em campo.

Nesta semana, o Olimpia viaja até Porto Alegre, na quarta-feira, para enfrentar o Internacional. O Flu joga na quinta contra o Junior, em Barranquilla, enquanto o Boca atua na terça contra o Barcelona, em Guaiaquil. Todos com seus veteranos e ainda decisivos atacantes prontos.



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Red Bull Salzburg leva o tri na Copa da Áustria e vai em busca do octa no Campeonato para se despedir de Jesse Marsch

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O final de semana foi de festa em Salzburg e em Klagenfurt, onde o Red Bull, no sábado, venceu o LASK Linz por 3 a 0 e conquistou seu oitavo título da Copa da Áustria na história. Todos na era das bebidas energéticas.

Jesse Marsch está de saída para o RB Leipzig
Jesse Marsch está de saída para o RB Leipzig Divulgação


O domínio tem sido absoluto do Red Bull nos últimos anos. O título na Copa foi, na verdade, um tricampeonato, enquanto a sequência na Bundesliga é ainda maior com sete taças consecutivas. A oitava deve ser conquistada em breve, já que o time possui seis pontos de vantagem sobre o Rapid Viena com quatro rodadas ainda por jogar. O Campeonato Austríaco possui fase final, com os seis primeiros colocados da temporada regular, por isso ainda haverá o confronto direto entre os dois primeiros colocados.

No sábado, o Red Bull foi mais uma vez totalmente superior sobre o LASK, que completou seis partidas sem vitória somando o campeonato nacional. Na temporada passada, a equipe de Linz praticamente "entregou" o título para o adversário de Salzburg, com erro administrativo que rendeu perda de pontos, além de incrível queda de rendimento na fase final. Agora, perdeu em campo a chance de conquistar sua segunda Copa da Áustria na história - a outra foi no longínquo ano de 1965.

Taticamente, o técnico Jesse Marsch, de saída para assumir o RB Leipzig, mandou o Salzburg a campo no 4-4-2, com Patson Daka (Zâmbia) ao lado de Mergim Berisha (Alemanha) no ataque. Enock Mwepu (Zâmbia) e Brenden Aaronson (Estados Unidos) compunham o quarteto ofensivo, com Antoine Bernéde (França) e Zlatko Junuzovic (Áustria) como meias centrais. Muita posse de bola e pressão alta deram o controle da partida ao Red Bull. Só que o gol de abertura do placar demorou a sair, somente aos 45 minutos, com Berisha em finalização na entrada da grande área.

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"O primeiro gol foi muito importante. Ele permitiu que nos impuséssemos mais e mais no segundo tempo, e criamos muitas chances como resultado disso. Defendemos bem durante todo jogo e jogamos muito bem. Estou muito feliz pelos garotos com a conquista desse troféu", afirmou Marsch após o jogo.

O LASK, do treinador Dominik Thalhammer, entrou em campo com proposta defensiva, linha de cinco defensores e bloco baixo. Chegou a subir e pressionar a saída de bola do Red Bull em alguns momentos, mas após o 1 a 0 contra foi obrigado a se expor mais no segundo tempo. Assim, aos 21 minutos, após recuperação de bola no campo de defesa e contra-ataque, o Red Bull marcou o segundo gol com Aaronson. 

Se o primeiro foi determinante, o segundo deixou a vitória bem encaminhada. Por isso, mesmo com o pênalti desperdiçado por Daka aos 25, tudo permaneceu sob controle e o compatriota Mwepu fez o terceiro aos 43 minutos em outro contra-ataque com muita velocidade, dando números finais à decisão.

Red Bull Salzburg conquistou a Copa da Áustria no sábado
Red Bull Salzburg conquistou a Copa da Áustria no sábado Divulgação

Há dois brasileiros no elenco, o lateral Bernardo, ex-Brighton, que entrou na segunda etapa, e o zagueiro André Ramalho, ídolo da torcida. André se tornou o primeiro jogador brasileiro a passar por toda estrutura de futebol da Red Bull do Brasil à Áustria - Red Bull Brasil, Liefering e Red Bull Salzburg. Desde que retornou ao clube, em 2018, após passagens por Bayer Leverkusen e Mainz, virou um dos líderes da equipe e referência para os mais jovens. 

Hoje, aos 29 anos e com contrato até o final da próxima temporada, André é um dos vice-capitães no elenco e muito respeitado pelos torcedores na Áustria. Bernardo, posteriormente, seguiu o mesmo caminho pela Red Bull da América do Sul à Europa.

Vale lembrar, ainda, que o LASK Linz é o ex-clube do técnico Oliver Glasner, que conduziu a equipe até a primeira divisão e posteriormente foi contratado pelo Wolfsburg. Ele chegou a ser cogitado nos últimos dias para o cargo do RB Leipzig, após o anúncio do acerto de Julian Nagelsmann com o Bayern, mas no final das contas o escolhido veio da própria estrutura da empresa, como esperado. 

Jesse Marsch está no cargo na terra de Mozart desde 2019, após ter sido assistente justamente em Leipzig e treinador no New York Red Bulls. O substituto dele seguirá o processo natural da Red Bull: será Matthias Jaissle, de apenas 33 anos, ex-técnico do sub-18, que estava à frente do time B, o Liefering desde janeiro, após a saída de Bo Svensson para o Mainz. Tudo em "casa". 

André Ramalho é um dos destaques do Salzburg na temporada
André Ramalho é um dos destaques do Salzburg na temporada Divulgação

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LaLiga tem a disputa mais equilibrada pelo título entre as grandes ligas europeias

Gustavo Hofman
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Entre as cinco grandes ligas europeias, a disputa maior e mais equilibrada pelo título está em LaLiga. Enquanto Premier League, Alemão e Italiano contam as horas para coroarem Manchester City, Bayern de Munique e Inter de Milão, respectivamente, na Espanha apenas três pontos separam o primeiro do quarto colocado com cinco rodadas pela frente. Em termos de equilíbrio, apenas o Francês se aproxima, mas com uma equipe a menos na briga pela taça.

O Atlético de Madrid, que caiu muito de rendimento no segundo turno, lidera com 73 pontos. Os colchoneros são seguidos por Real Madrid e Barcelona, ambos com 71, sendo que os merengues levam vantagem no confronto direto, inclusive contra os rojiblancos também. Por fim, o Sevilla, que venceu os últimos cinco jogos, tem a melhor sequência atual da disputa e está na disputa com 70 pontos. 

Haverá dois confrontos diretos entre os quatro: pela 35a rodada, o Barça receberá o Atleti, e o Sevilla jogará no Ramón Sánchez Pizjuán, sua casa, contra o Madrid. 

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Abaixo, como cada time do quarteto se saiu em seus últimos cinco confrontos por LaLiga 

ATLÉTICO, 73 pontos
Últimos cinco jogos: duas vitórias, um empate e duas derrotas (somou 7 pontos em 15 possíveis)

Elche (f)
Barcelona (f)
Real Sociedad (c)
Osasuna (c)
Valladolid (f)

REAL MADRID, 71 pontos
Últimos cinco jogos: três vitórias e dois empates (somou 11 pontos em 15 possíveis)

Osasuna (c)
Sevilla (c)
Granada (f)
Athetic (f)
Villarreal (c)

BARCELONA, 71 pontos 
Últimos cinco jogos: três vitórias e duas derrotas (somou 9 pontos em 15 possíveis)

Valencia (f)
Atlético (c)
Levante (f)
Celta (c)
Eibar (f)

SEVILLA, 70 pontos
Últimos cinco jogos: cinco vitórias (somou 15 pontos em 15 possíveis)

Athletic (c)
Real Madrid (f)
Valencia (c)
Villarreal (f)
Alavés (c)

A melhor tabela, quem depende só de si e a total imprevisibilidade

Real Madrid e Sevilla farão três jogos como mandantes, enquanto Atlético e Barcelona atuarão em seus estádios duas vezes. O Atlético tem a tabela mais equilibrada, levando em conta a atual classificação de LaLiga. Enfrentará dois times que estão entre os sete melhores, um em posição intermediária e dois que lutam contra o rebaixamento. O Barça, além de pegar o próprio Atleti, jogará contra o lanterna Eibar na última rodada, provavelmente já rebaixado, e três times que estão no bloco intermediário. Já o Real Madrid tem a tabela mais forte, com rivais colocados todos a partir da 11ª posição. O roteiro do Sevilla está balanceado, porém complicado pela tradição de alguns rivais.

Somente dois times dependem apenas de si, justamente Atlético e Barcelona. Caso um deles vença todos os cinco jogos que faltam, ficará com a taça. Porém, é impossível afirmar que esse confronto específico seja a final, já que a diferença para os demais é pequena e a última rodada mostrou que a imprevisibilidade impera nesta reta final. O empate merengue com o Betis, no Alfredo di Stéfano, e a derrota culé, no Camp Nou, para o Granada, são provas conclusivas. 

É necessário lembrar, ainda, que os jogadores de Zinédine Zidane têm a partida de volta pelas semifinais da Champions League na próxima quarta-feira (5), contra o Chelsea. Após o empate em 1 a 1 em Madri, a disputa segue totalmente aberta. A classificação para a final, caso conquistada, naturalmente concentrará as maiores atenções do Real Madrid nas próximas semanas e isso vai determinar muito se Karim Benzema e companhia estarão na briga pelo título de LaLiga até o final.

"Hay Liga"

Dentro de campo, a análise positiva recente é maior para Sevilla e Barcelona, apesar do tropeço citado. A evolução da equipe comandada por Ronald Koeman é notória, principalmente desde o estabelecimento do 3-5-2 como plataforma tática principal. Frenkie de Jong e Antoine Griezmann têm sido determinantes, sem falar obviamente em Lionel Messi, mais uma vez com números e desempenho de Lionel Messi. Já Julen Lopetegui, sem necessariamente fazer seu time brilhar, manteve a competitividade e fez do Sevilla um time muito eficiente, com vitórias magras - todas na atual sequência foram por um gol de vantagem.

A surpreendente queda de rendimento do Atlético, que chegou a abrir dez pontos de vantagem sobre Barcelona e Madrid, possui algumas explicações. A variação tática criada por Diego Simeone, com a linha de cinco defensores e Yannick Carrasco pela esquerda, deixou de ser surpresa para os adversários e passou a enfrentar mais dificuldades. Foram muitas lesões e desfalques por COVID-19 que prejudicaram o time em vários jogos. Além disso, Luis Suárez parou de fazer gols como no primeiro turno: foram quatro nos últimos dez jogos por LaLiga, contra 15 em todos anteriores.

Como os espanhóis gostam de falar, para se referirem à disputa pelo título, "hay Liga". E haverá até à última rodada.

O cobiçado troféu de LaLiga
O cobiçado troféu de LaLiga Getty Images
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LaLiga tem a disputa mais equilibrada pelo título entre as grandes ligas europeias

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Como PSG e Manchester City se tornaram peças no tabuleiro da geopolítica do Oriente Médio

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Os olhos do mundo do futebol estarão voltados nesta quarta-feira (28) para o Parque dos Príncipes, em Paris, onde Paris Saint-Germain e Manchester City entram em campo pelo jogo de ida das semifinais da Champions League. De um lado, Neymar, Mbappé e Di María em busca do retorno à decisão europeia; do outro, Guardiola e a perseguição pela inédita final para o time inglês. Por trás de tudo isso, muita política internacional.

Desde 2011, o PSG pertence à Qatar Sports Investment, braço de investimento esportivo do governo catari. O Manchester City possui ligação anterior com o Oriente Médio, já que em 2008 foi adquirido pelo Abu Dhabi United Group, pertencente a Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Os dois países reataram relações diplomáticas apenas em janeiro deste ano, após a crise que aconteceu no Golfo Pérsico em junho de 2017 e culminou com o isolamento político do Catar, acusado de apoio ao terrorismo, liderado pela Arábia Saudita, com apoio de Egito, Bahrein e EAU.

Após o vice-campeonato da Champions na temporada passada, o PSG também se viu em uma crise. Thomas Tuchel já não conseguia tirar de seus jogadores o melhor e acabou demitido por Nasser Al-Khelaifi, um dos homens mais fortes do futebol mundial na atualidade. O dirigente escolheu Mauricio Pochettino como substituto, e as últimas semanas têm sido positivas. A classificação sobre o Bayern de Munique nas quartas de final e a recuperação na Ligue 1, na qual brigará pelo título contra Lille e Monaco, fortaleceram o time. Al-Khelaifi, ex-tenista profissional, ainda se colocou no lado certo da disputa entre a Superliga e o resto do mundo. Ele herdou o posto de Andrea Agnelli no comando da Associação Europeia de Clubes e aumentou sua relevância nas tomadas de decisão do futebol europeu.

Khaldoon Al Mubarak, responsável pelo controle do Manchester City, não tomou a mesma decisão. Ao ver sua torcida absolutamente contra a Superliga, se viu obrigado a recuar na iniciativa de participar da famigerada liga. Ao menos, em campo, já comemorou na temporada a conquista da Copa da Liga Inglesa (contra o Tottenham, no último domingo) e conta os dias para celebrar a quinta Premier League desta nova era do clube.

Hani Sabra explica objetivos de Catar e Emirados Árabes ao investirem no futebol: 'Eles fizeram de duas formas diferentes'


Muito além do futebol

As glórias, os títulos, os jogadores internacionais destes clubes fazem parte de algo maior, que extrapola o futebol. Catar e Emirados Árabes Unidos usam o jogo mais amado do planeta para fortalecerem e melhorarem a forma como o mundo os vê. Quem afirma é o analista político Hani Sabra, especialista em Oriente Médio e referência no assunto nos Estados Unidos. "Ambos são pequenos países ricos do Golfo, monarquias, e querem fortalecer a própria imagem internacional. Eles decidiram investir em clubes de futebol porque perceberam que uma boa maneira para alcançarem isso era através do futebol, o esporte mais popular do planeta. Realmente veem o futebol como uma rota para melhorarem o próprio status mundial", disse em entrevista exclusiva ao blog.

Sabra é egípcio e torcedor do Liverpool por causa de Mohamed Salah. Em seu escritório em Nova York, lembra da vida no Cairo e brinca que, para se atravessar a caótica cidade de um lado para o outro, é necessário verificar a agenda dos Reds. Quando o Liverpool está em campo, Cairo para. Sem o mesmo caos da maior cidade egípcia, outras duas no Oriente Médio também passaram a se identificar com clubes europeus. "Há 15 anos, quantas pessoas em Abu Dhabi eram torcedoras do Manchester City? Nenhuma. Se você andasse nas ruas de Doha, dez anos atrás, quem era realmente torcedor do Paris Saint-Germain? Ninguém. Atualmente, todos em Abu Dhabi torcem pelo Manchester City, assim como em Doha pelo PSG. Agora há essa conexão emocional com esses dois clubes", explicou.

A tensão gerada pela Superliga aumentou o debate global sobre investimentos de bilionários ou estados no futebol. O modelo alemão, de 50+1, que cria barreiras para investidores estrangeiros entrarem na Bundesliga, se tornou exemplo de resistência nos protestos em Old Trafford, Anfield e em outras partes da Inglaterra. Está longe de ser perfeito, como nenhum é, possui também seus pontos negativos. Muitos alegam que, na Alemanha, é impossível clubes médios ou menores mudarem o equilíbrio de forças no país e alcançarem o topo da pirâmide. O RB Leipzig, driblando essa regra através de burocracia estatutária, tem desafiado isso. Fato é, no entanto, que exemplos como PSG e Manchester City são inviáveis na cultura alemã.

'Não se pode separar a política do esporte': Hani Sabra detalha e analisa os investimentos em Manchester City e PSG


E por que a Champions vale tanto?

Catar e Emirados Árabes Unidos não usam seus clubes para ganharem dinheiro. O objetivo é, claramente, a geopolítica, por isso o confronto pela Champions ganha conotação além das quatro linhas. "Você nunca pode separar o esporte da política. Os dois são tão interligados e misturados que você nunca pode separar um do outro", afirmou Sabra. "A reconciliação que existiu entre os países foi mais entre Catar e Arábia Saudita, e os Emirados Árabes Unidos aproveitaram a carona. Eu diria que a aceitação dos Emirados deste acordo é relutante. Não sei quando, mas acredito que a tensão entre os dois países vai, certamente, voltar em algum ponto nos próximos anos. Basicamente porque os problemas entre eles não foram resolvidos."

Quais são essas questões? Apoio do Catar a grupos islamistas, alinhamento com o Irã, além da própria política internacional ambiciosa dos cataris. É curioso que, voltando para o futebol, é possível que o PSG tenha esse embate político na própria Ligue 1. Na segunda divisão francesa está, atualmente, o Paris FC, clube que tem investimento do governo do Bahrein e está na briga pelo acesso. Por enquanto, o confronto se resume ao jogo da Champions contra o Manchester City e sua ligação com os Emirados Árabes Unidos.

Não há, porém, entre as nações soberanas árabes, tensões parecidas com o cenário dos Balcãs, por exemplo, para citar conflitos ainda muito recentes e marcantes na humanidade. Em 13 de maio de 1990, um jogo de futebol foi um dos estopins para o início dos conflitos na Iugoslávia. Pelo Campeonato Iugoslavo, o Dínamo Zagreb recebeu o Estrela Vermelha, de Belgrado. Dias antes, eleições na Croácia fortaleceram o movimento nacionalista, contrário ao governo. 

Cerca de três mil torcedores sérvios, a maior parte da Delje, grupo de ultras que, posteriormente, se tornou uma organização paramilitar na guerra, fizeram a viagem até Zagreb. Foram muitos conflitos nas ruas da capital croata, que se estenderam para as arquibancadas e o campo do estádio Maksimir, que virou um campo de batalhas. A polícia agiu ferozmente contra a torcida da casa, e um episódio se tornou extremamente marcante na história: Zvonimir Boban, ídolo do Dínamo e um dos maiores jogadores dos Balcãs em todos os tempos, atacou um policial em defesa de um torcedor.

O futebol pode ser usado como ferramenta para melhorar a imagem dos países árabes? Hani Sabra responde e utiliza Salah como exemplo


Jamais será apenas um jogo

Nada perto disso acontecerá em Paris. O Parque dos Príncipes estará com as arquibancadas vazias, devido à pandemia de coronavírus. Pochettino vai mandar a campo seu time mais forte possível, talvez com Ander Herrera no meio-campo, para aumentar a criatividade. O jogador espanhol, em meio à baderna mundial causada pela Superliga, se manifestou ao afirmar ter "se apaixonado pelo futebol popular, pelo futebol dos torcedores, pelo sonho de ver o time do seu coração competir contra os maiores". 

Pelo caminho na Champions ficou Joshua Kimmich, crítico tardio da escolha do Catar como sede do Mundial de 2022. "Acho que estamos dez anos atrasados para boicotar a Copa do Mundo", disse o meia alemão após os jogadores da seleção vestirem camisas que compunham o termo "Human Rights" (Direito Humanos), em alusão às péssimas condições de trabalhadores migrantes no Catar. Já Guardiola deve, mais uma vez, optar por uma escalação sem um centroavante, deixando Sergio Agüero e Gabriel Jesus no banco de reservas. O treinador é um ativista defensor do movimento independentista da Catalunha. Também se posicionou contra a Superliga e, nos últimos meses, tem divulgado e apoiado organizações de defesa dos imigrantes.

Em Doha e em Abu Dhabi, bem distantes de Paris e Manchester, haverá mobilização dos novos torcedores de PSG e City. A partida moverá também muitos interesses das nações envolvidas, não necessariamente França e Inglaterra, no tabuleiro da geopolítica do Oriente Médio. Jamais será apenas um jogo, por mais maravilhoso e apaixonante que seja dentro das quatro linhas.

Neymar, principal estrela do PSG
Neymar, principal estrela do PSG Getty

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América de Cali perde clássico e enfrentará o Galo pela Libertadores pressionado por sequência ruim

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Derrota para o Millonarios foi a terceira nos últimos cinco jogos do América de Cali
Derrota para o Millonarios foi a terceira nos últimos cinco jogos do América de Cali Divulgação

Abril tem sido um mês bem complicado para o América de Cali. No sábado, pelo jogo de ida das quartas de final do Torneo Apertura, a equipe perdeu em casa para o Millonarios por 2 a 1 e largou em desvantagem na briga pela vaga entre os quatro melhores da competição. O adversário do Atlético Mineiro pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, nesta terça no Mineirão, somou a terceira derrota nos últimos cinco jogos no geral, com apenas uma vitória - já havia estreado na competição internacional com revés de 2 a 0 contra o Cerro Porteño.

Atual campeão nacional, o América rodou o time na comparação com a partida contra os paraguaios. O técnico argentino Juan Cruz Real, que substituiu Alexandre Guimarães em julho do ano passado, fez cinco alterações entre os titulares. O jogo contra o Millonarios é um dos grandes clássicos nacionais da Colômbia por reunir dois dos maiores campeões, 15 títulos para cada. Apenas o Atlético Nacional (16) venceu mais vezes.

A partida começou com o América em cima, pressionando com finalizações de fora da área. A equipe se posicionou no 4-2-3-1 na fase ofensiva, com Luis Sánchez sendo o meia avançado. Rafael Carrascal e o chileno Rodrigo Ureña eram responsáveis pela saída de bola, buscando muitas vezes os atacantes de lado, Santiago Moreno e Duvan Vergara. Foi o Millonarios, porém, que abriu o placar, ao recuperar a bola aos 13 minutos no campo de defesa e contra-atacar com velocidade, até a finalização de Fernando Uribe, ex-Flamengo e Santos.

Faltava organização tática na fase defensiva para o América. Equipe muito espaçada em campo, com os setores bem distantes. Não conseguia encaixar o 4-4-2 sem a bola, com o avanço de Sánchez para pressionar alto, nem o 4-1-4-1, com Ureña se posicionando entre as linhas. Los Embajadores se aproveitaram disso e foram superiores em todo primeiro tempo, mas não transformaram as chances criadas em gols - até marcaram, aos 37 com Emerson Rodríguez, mas bem anulado por impedimento.

No intervalo, Juan Cruz Real fez três substituições nos Diablos Rojos: sacou Sánchez, Diber Cambindo e Jerson Malagón - e colocou em campo Yesus Cabrera, Marco Rodríguez e Luis la Paz. O América, que segue sem o experiente atacante Adrián Ramos (que também não jogará contra o Galo), melhorou e conseguiu o empate rapidamente, aos oito minutos, com lindo chute de longe de Cabrera e assistência do peruano Rodríguez.

A partir daí o jogo ficou aberto, totalmente indefinido. O que acabou se tornando determinante foi a expulsão de um dos personagens do dia. Aos 27 minutos, em jogada totalmente isolada e já perdida na ponta direita, Cabrera atingiu o costarriquenho Juan Pablo Vargas, que precisou ser substituído, com o joelho pelas costas e recebeu cartão amarelo. O VAR entendeu o lance como agressão e chamou o árbitro Carlos Ortega para a revisão. Resultado: cartão vermelho aos 32 minutos.

O castigo final veio pouco depois, aos 35, com jogada trabalhada desde o campo de defesa e que terminou com a cabeçada de Cristian Arango. O Millonarios ainda garantiu emoção no final, após a expulsão de Emerson Rodríguez, mas já era tarde demais.

O América somou a quinta derrota no estádio Pascual Guerrero para o Millonarios, desde quando retornou à primeira divisão colombiana em 2017. A volta entre os representantes de Cali e Bogotá acontecerá no próximo sábado. Nas outras partidas de ida das quartas de final do Campeonato Colombiano, o Junior venceu o Independiente Santa Fé por 3 a 1 e o Tolima fez 3 a 0 no Deportivo Cali. O Atlético Nacional, que teve a melhor campanha na fase de classificação, entra em campo nesta segunda-feira para enfrentar o La Equidad.

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Seleção brasileira prepara duas listas de convocados para jogos das eliminatórias e Copa América em junho

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Com o anúncio da Conmebol, nesta sexta-feira, de jogos das eliminatórias sul-americanas confirmados para junho, pouco antes da Copa América, a comissão técnica da seleção brasileira prepara duas listas de convocados.

Serão 23 jogadores convocados para as partidas contra o Equador, no dia 4 de junho em Porto Alegre (Beira Rio), e contra o Paraguai, quatro dias depois, em Assunção. A comissão técnica trabalha com o dia 14 de maio como provável data de convocação. Para a Copa América, seguindo o padrão estabelecido pela FIFA, será preparada uma lista maior, com cerca de 40 atletas, incluindo os 23 definidos para os compromissos das rodadas sete e oito das eliminatórias.

 A CBF tem até o dia 10 de junho para enviar à organização da Copa América a lista final de 23 jogadores chamados. Assim, a ideia de Tite e de seus assistentes é poder fazer uma avaliação final dos jogadores, após os compromissos pelas eliminatórias, e definir a seleção, dentro da lista maior previamente enviada.

       


     

Técnico da seleção brasileira, Tite toma primeira dose da vacina da COVID-19 

De acordo com a CBF, a escolha por Porto Alegre se deve "ao critério da comissão técnica de aliar bons gramados à facilidade logística para o período". A apresentação na Granja Comary está prevista para 27 de maio e a viagem para Porto Alegre em 2 de junho. Nas eliminatórias para a Copa de 2018, o Brasil também enfrentou o Equador na capital gaúcha, mas na Arena do Grêmio. Após o confronto com os equatorianos, comissão técnica e jogadores seguirão para Assunção no dia 6 e a viagem para a Colômbia, para o início da preparação para a Copa América, no dia 10.

O Brasil não entra em campo desde 17 de novembro do ano passado, quando venceu o Uruguai por 4 a 0, em Montevidéu, pela quarta rodada das eliminatórias. Nos três jogos anteriores, a seleção acumulou três vitórias e lidera a competição com 12 pontos. As rodadas cinco e seis, que seriam realizadas em março, foram adiadas devido à pandemia de coronavírus e serão realizadas entre setembro e novembro, ainda com as datas exatas a serem confirmadas pela Conmebol. A seleção brasileira enfrentará Colômbia, fora de casa, e Argentina.

A Copa América começa para o Brasil no dia 14 de junho, contra a Venezuela, em Medelín. A seleção está no Grupo B, sediado em território colombiano, ao lado também de Colômbia, Equador e Peru. Os quatro primeiros colocados avançam para o mata-mata.

Tite comanda a seleção brasileira desde o segundo semestre de 2016
Tite comanda a seleção brasileira desde o segundo semestre de 2016 Getty

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Futebol e marcas eternas em um jogo de Sarajevo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Do alto das montanhas que cercam Sarajevo, é possível observar grandes manchas brancas na cidade. São os cemitérios contruídos durante a Guerra da Iugoslávia nos anos 1990, quando a capital bósnia foi sitiada e massacrada por tropas sérvias. Os túmulos se espalham entre casas, praças, ruas no meio da cidade. Foram 1425 dias de cerco a Sarajevo, entre 5 de abril de 1992 e 29 de fevereiro de 1996, com mais de seis mil soldados bósnios mortos, cinco mil civis e marcas eternas na cidade.

O futebol sempre foi uma paixão entre os bósnios e ajudou a seguirem em frente. Esteve presente também nos momentos mais difíceis. Edin Dzeko, atualmente na Roma, nasceu em Sarajevo em 1986. Teve a infância roubada pela guerra e jamais se esqueceu do dia em que jogava bola com os amigos na frente de casa e sua mãe o chamou para entrar, temerosa de que algo ruim pudesse acontecer. Poucos minutos depois, uma bomba explodiu no local e matou algumas das crianças que ali brincavam.

É impossível caminhar por Sarajevo e não observar, em cada esquina, todas essas marcas. Desde os incontáveis cemitérios, até os prédios ainda destruídos ou com marcas de tiros mais de duas décadas depois do fim dos conflitos. O estádio olímpico Asim Ferhatovic - Hase, palco das Olimpíadas de Inverno de 1984, foi parcialmente destruído durante a guerra da década de 1990. Localizado na entrada da cidade, foi totalmente renovado e hoje em dia é a casa do FK Sarajevo.

No último sábado, foi mais uma vez palco de um jogo do Campeonato Bósnio. O Sarajevo recebeu o Borac Banja Luka e foi derrotado por 2 a 0. Com o resultado, a equipe soma agora quatro derrotas nas últimas seis rodadas. No mesmo período, o Borac venceu cinco jogos e, com isso, se aproximou do adversário na luta pelo título com 50 pontos, apenas dois a menos que o Sarajevo, ainda na liderança. Faltam sete rodadas para o fim do Campeonato Bósnio.

Em casa, o Sarajevo foi derrotado pelo Borac Banja Luka por 2 a 0
Em casa, o Sarajevo foi derrotado pelo Borac Banja Luka por 2 a 0 Divulgação

Atual bicampeão nacional, o Sarajevo é o clube com a melhor estrutura do futebol bósnio na atualidade. Passou a receber investimento estrangeiro nos últimos anos, com as compras feitas pelos milionários malaio Vincent Tan e vietnamita Nguyen Hoài Nam. O nível técnico local é bem inferior às melhores ligas europeias e mesmo campeonatos de padrão intermediário. A seleção bósnia é composta por jogadores que atuam espalhados pela Europa, em torneios bem mais competitivos.

Banja Luka é a capital da República Srpska, região no norte e no leste de maioria sérvia, que forma com a Federação da Bósnia e Herzegovina o país contstituído como o conhecemos hoje, com essas duas entidades autônomas. Há rivalidade entre os clubes da cidade e de Sarajevo, por serem as duas maiores de toda Bósnia.

No primeiro tempo, o Sarajevo foi melhor, com mais posse de bola e controlando o ritmo. Criou algumas chances e poderia ter aberto o placar. O Borac adotou estratégia de marcação baixa e tentativa de aproveitar os erros cometidos pela maior exposição do adversário. Conseguiu em um contra-ataque, aos 34 minutos, quando Goran Zakaric aproveitou cruzamento da esquerda e fez 1 a 0 para os visitantes - isso após Bojan Pavlovic, goleiro dos Borac, fazer boas defesas. 

Com a vantagem no marcador, o Borac se sentiu ainda mais à vontade para executar seu plano de jogo. Pouco se arriscou na segunda etapa, enquanto marcaba o Sarajevo no 4-4-2. Assim, aos 25 minutos, conseguiu fazer o segundo gol de novo com Zakaric. Após recuperação de bola no campo de ataque, o camisa 99 acertou lindo chute da quina da grande área, no ângulo do gol defendido por Vladan Kovacevic. Golaço.

A partir daí o jogo ficou bem encaminhado. Além da briga pelo título, há chance ainda dos dois adversários se encontrarem na final da Copa da Bósnia. O Sarajevo bateu o Tuzla City na ida das semifinais por 1 a 0 e decide a vaga em casa nesta quarta-feira, enquanto o Borac goleou o Klis Buturovic Polje por 4 a 1 e precisa apenas confirmar a classificação na partida de volta.

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