As histórias além de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no Grupo G da Champions

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Serhiy Rebrov e Mircea Lucescu na época de duelos ucranianos
Serhiy Rebrov e Mircea Lucescu na época de duelos ucranianos Dinamo Kiev

Georgiy Bushchan se tornou titular do Dinamo Kiev na temporada passada. Aos 26 anos, foi fundamental na classificação do time nos playoffs, contra o Gent. Figura frequente na base da seleção ucraniana, ainda aguarda uma oportunidade no time principal.

Nos próximos meses, terá pela frente o Barcelona de Lionel Messi e a Juventus Cristiano Ronaldo na fase de grupos da Champions League. O pensamento imediato é "que azar", mas ao mesmo tempo será uma excelente chance para se destacar - apesar dos muitos gols que, provavelmente, sofrerá. É o lado meio cheio do copo.

Mesma situação para o húngaro Dénes Dibusz, de 29 anos. Vice-capitão do Ferencváros, é ídolo da torcida e fez parte do elenco da seleção da Hungria na Euro de 2016. No caso de sua equipe, especificamente, apenas a presença na fase de grupos pela primeira vez em 25 anos já é motivo para comemoração.

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são os dois maiores artilheiros da Champions League com 133 e 118 gols, respectivamente.

Isso sem falar no comandante do Fradi, como é conhecido o gigante clube húngaro, maior campeão nacional e mais popular do país. Trata-se de Serhiy Rebrov, eterno parceiro de ataque de Andriy Shevchenko no Dinamo Kiev, clube onde jogou a maior parte da carreira e foi treinador entre 2014 e 2017.

Já no banco da equipe ucraniana, um senhor de 75 anos que, há alguns meses, pensava apenas em como aproveitar a aposentadoria em Bucareste. Mircea Lucescu, que assumiu o Dinamo em julho sob protestos dos ultras do clube pela história incrível no rival Shakhtar Donetsk, terá a responsabilidade de definir as estratégias para encarar os três adversários do Grupo G.

Rebrov é o segundo maior artilheiro na história do Dinamo com 163 gols, atrás apenas da lenda Oleg Blokhin, além de ocupar a nova posição no ranking de jogos pelo clube (361). Como treinador, foi bicampeão nacional e da Copa da Ucrânia, superando, justamente, o Shakhtar Donetsk de Lucescu.

O treinador romeno tem, ainda, uma ligação especial com o técnico da Juventus. Foi ele quem lançou o jovem Andrea Pirlo, aos 16 anos, em 1995, pelo Brescia. Três anos depois, o próprio Lucescu levou o talentoso meio-campista para a Internazionale.

Na prática, apenas um desastre esportivo impede Barcelona e Juventus de se classificarem. Dinamo Kiev e Ferencváros vão lutar pelo terceira lugar e a passagem para a Liga Europa. De qualquer modo, teremos boas histórias para contar.

Confira abaixo todos os grupos da edição 2020-21 da UEFA Champions League.

GRUPO A
Bayern Munique
Atlético de Madrid
Red Bull Salzburg
Lokomotiv Moscou

GRUPO B
Real Madrid
Shakhtar Donetsk
Internazionale
Borussia Mönchengladbach

GRUPO C
Porto
Manchester City
Olympiacos
Olympique de Marselha

GRUPO D
Liverpool
Ajax
Atalanta
Midtjylland

GRUPO E
Sevilla
Chelsea
Krasnodar
Rennes

GRUPO F
Zenit São Petersburgo
Borussia Dortmund
Lazio
Brugge

GRUPO G
Juventus
Barcelona
Dinamo Kiev
Ferencváros

GRUPO H
Paris Saint-Germain
Manchester United
RB Leipzig
Istanbul Basaksehir

Fonte: Gustavo Hofman

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O Atlético de Madrid vai brigar pelo título de LaLiga

Gustavo Hofman
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Vitória sobre o Valencia levou o Atlético a 23 pontos em nove jogos
Vitória sobre o Valencia levou o Atlético a 23 pontos em nove jogos Divulgação

Vinte e cinco jogos de invencibilidade em LaLiga. Na atual temporada, são nove partidas, com sete vitórias e dois empates. O ataque tem funcionado muito bem, com 20 gols marcados, enquanto a defesa segue fortíssima, vazada apenas duas vezes. Rendimento de time que vai brigar pelo título.

O Atlético de Madrid tem excelente temporada na Espanha até aqui. Os jogadores comandados por Diego Simeone apresentam ótimo rendimento dentro de campo e sobem a expectativa sobre a equipe. Não há um time muito melhor que os demais em LaLiga atualmente, e com a irregularidade de Real Madrid e Barcelona, a conquista da taça se torna imprevisível.

Neste sábado, o Atleti se impôs do primeiro ao último minuto sobre o Valencia, no Mestalla. Muitos desfalques e o compromisso contra o Bayern na terça fizeram Simeone mandar a campo uma escalação diferente. Renan Lodi foi praticamente um atacante pela esquerda, com Mario Hermoso compondo a defesa ao lado de Stefan Savic e José Maria Giménez. Pela direita, a amplitude era obtida com Kieran Trippier, enquanto Marcos Llorente trabalhava por dentro, próximo de Saúl e Koke.

Sem Luis Suárez (COVID) e Diego Costa (trombose venosa profunda), o ataque mais uma vez teve Ángel Correa, mas ao lado de Thomas Lemar - de boa atuação. João Félix foi poupado dos primeiros 45 minutos, nos quais o Atlético teve bem mais posse de bola e criou algumas oportunidades. Jaume Doménech, goleiro do Valencia, foi um dos destaques da partida.

Defensivamente, o time pressionava no 4-2-4 em linhas altas e 4-4-2 nas médias, recuando para um 5-3-2. No intervalo, com a entrada de João Félix na vaga de Renan Lodi, a linha de cinco defensores foi abandonada, apesar da ideia ofensiva ter sido mantida. Mais chances perdidas e mais defesas de Doménech.

Até a entrada de Yannick Carrasco, aos 15 minutos, que mudou o jogo. O atacante belga tem sido fundamental em momentos decisivos do Atleti na temporada. Foi dele o cruzamento, pela esquerda, para o gol contra marcado por Toni Lato aos 34 minutos. Vitória justíssima pelo volume de jogo e a busca incessante ao ataque do Atlético.

Das sete vitórias conquistadas, cinco foram por dois ou mais gols de diferença. As outras foram sobre o Barcelona e o Valencia.

Além de Suárez e Diego Costa, o time não contou neste sábado também com Lucas Torreira (COVID), Manu Sánchez, Héctor Herrera e Sime Vrsaljko. Mesmo assim, Diego Simeone mandou a campo um time forte e usou bem o banco na segunda etapa para vencer mais uma.

O Atlético é um dos favoritos ao título de LaLiga. É imaginável a recuperação de Real Madrid e Barça, mas independentemente disso, os rojiblancos vão disputar o título. A dúvida é se a Real Sociedad conseguirá se manter nessa disputa também, já que possui um excelente time titular, mas bem menos peças no banco que o Atleti.

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Ferencváros mantém invencibilidade na Hungria com vitória em clássico contra o Honvéd

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O lateral-esquerdo alemão Heister marcou o único gol do jogo
O lateral-esquerdo alemão Heister marcou o único gol do jogo Divulgação

Poucos países tiveram papel de tanta influência no futebol como a Hungria. Na importante década de 1950 para o esporte bretão, os húngaros estiveram na vanguarda do jogo com uma das maiores seleções de todos os tempos e novos conceitos táticos.

Gustav Szebes apresentou ao mundo o 4-2-4 e fez da sua equipe, comandada por Ferenc Puskás em campo, um time inesquecível e quase imbatível. Foram cinco anos de invencibilidade, com um título olímpico conquistado (1952), até a fatídica derrota para a Alemanha na final da Copa de 1954.

O conhecimento húngaro se espalhou pelo mundo com profissionais do país. O próprio Brasil foi influenciado, decisivamente, pelas ideias trazidas pelo lendário treinador Béla Guttmann. Na base de tudo isso, estava um clube marcado por glórias e tragédias nesse período, o histórico Budapeste Honvéd - antes chamado de Kispest Honvéd, o clube do exército húngaro durante o regime comunista.

Os tempos atuais são outros, o domínio local já não está com a equipe que, outrora, formara os Mágicos Magiares. No sábado, o Honvéd recebeu o Ferencváros pela 11a rodada do Campeonato Húngaro, a OTP Bank Liga.

Os primeiros 30 minutos de jogo foram de domínio e pressão do Ferencváros, que atuou no 4-4-2. Os brasileiros Somália e Isael foram titulares: o primeiro atuando como um dos dos meio-campistas centralizados e o segundo aberto pela direita na segunda linha.

O Honvéd tentou marcar alto, pressionando a saída adversária, mas com pouca eficiência. Tanto é que o Ferencváros, diante do 4-1-4-1 na fase defensiva do rival, fazia a bola chegar com frequência na dupla de ataque formada pelo norueguês Tokmac Nguem e o marfinense Franck Boli.

O gol saiu aos 27 minutos, justamente após essa pressão, em uma sequência de escanteios. O lateral-esquerdo alemão Marcel Heister pegou o rebote na entrada da grande área e acertou um belíssimo chute, de bate-pronto, para colocar o Ferencváros em vantagem.

Depois que sofreu o gol, o Honvéd se esforçou mais para atacar. Em nenhum momento, antes disso, teve postura defensiva, porém. Teve chances, inclusive, em falhas individuais dos defensores do Ferencváros, para insatisfacão do técnico Serhiy Rebrov.

A rivalidade entre os clubes existe, mas não é uma das maiores de Budapeste. O grande rival do Ferencváros - maior campeão nacional - é o Ujpest, com quem divide a maior preferência dos torcedores no país.

No intervalo, o técnico Tamas Bódog fez duas alterações e melhorou seu time. O Honvéd passou a trabalhar melhor a bola no campo de ataque e também a ter mais posse. Os números finais demonstram o equilíbrio da partida: 9 x 9 em finalizações, com duas certas para cada lado.

Já são cinco rodadas sem vitória para o Honvéd, atual campeão da Copa da Hungria e penúltimo colocado do campeonato nacional com apenas nova pontos em dez partidas. São 12 times na OTP Bank Liga, disputada em três turnos.

O Ferencváros, líder e invicto com nove partidas jogadas, retoma sua complicada trajetória continental: enfrenta a Juventus, em Turim, na terça-feira. Já o Honvéd aguarda o próximo final de semana para entrar em campo novamente, contra um adversário cujo nome remete aos tempos gloriosos do clube: Puskás.

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Futebol e ciência: novo artigo aponta causas para alta rotatividade de técnicos no Brasil

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

CBF tem seu curso para treinadores de futebol no Brasil
CBF tem seu curso para treinadores de futebol no Brasil CBF

Historicamente no Brasil, o futebol sempre foi um meio muito arredio ao conhecimento científico. Com o talento de jogadores abundante em território brasileiro e as conquistas de Copas do Mundo, a modalidade sempre foi tratada como algo meramente intuitivo em muitas áreas de análise. Em algumas delas, a situação não mudou muito na comparação com décadas passadas.

Dirigentes seguem tomando decisões baseadas em "achismos" ou pressões. Não se especializam, atuam politicamente e ignoram qualquer metodologia de análise. Isso faz do Campeonato Brasileiro o pior ambiente possível para um treinador de futebol. Esse cenário serviu de inspiração para um excelente artigo científico, publicado no mês passado, pela Universidade do Esporte da Alemanha, em Colônia.

Intitulado "O impacto das mudanças de comando técnico no futebol brasileiro" é assinado por Matheus Galdino, Pamela Wicker e Brian Soebbing. Matheus é brasileiro, está na Alemanha desde 2016 e é Mestre Científico em Gestão Esportiva, além de pesquisador e professor em Ciência do Esporte na Universidade de Bielefeld.

O estudo investigou 16 temporadas do Campeonato Brasileiro da Série A, no formato de pontos corridos, entre 2003 e 2018. Foram analisados, em avaliação econométrica, todos 6506 jogos disputados e os 264 treinadores empregados no período pelos 41 clubes participantes. A média de trocas de técnicos foi de 37,1 por temporada, contando os interinos, muito acima de outras competições nacionais espalhadas pelo planeta.

Trocas de técnicos no Brasil é bem maior do que a média de outros países importantes no futebol
Trocas de técnicos no Brasil é bem maior do que a média de outros países importantes no futebol Galdino

Outro índice que chama atenção é a alta rotatividade entre os treinadores. Foram 34,6% de estreantes de uma temporada para outra, ou seja, treinadores que nunca haviam comandado uma equipe na Série A. Ao mesmo tempo, 22,7% dos profissionais comandaram mais de um time na mesma temporada do Brasileirão. Em números absolutos, foram incríveis 594 trocas de técnicos nos 16 anos de análise, incluindo efetivos e interinos. Tudo em pouquíssimo tempo de trabalho: a média de permanência no cargo foi de apenas 65 dias durante o Brasileirão.

A altíssima rotatividade se deve, muito, ao imediatismo dos dirigentes e a incapacidade de trabalho a longo prazo. Olham apenas os resultados mais recentes. O estudo identificou que o maior peso em uma demissão acontece pela sequência de quatro jogos ruins, sendo que a diferença no placar também é um fator preponderante.

"Para cada ponto coletado dentro de uma janela de quatro jogos sequenciais, a probabilidade de sobrevivência do treinador mostrou índices de aumento entre 15,2% a 33,1% (por ponto, variando de acordo com a ordem dos jogos – vide tabela abaixo). O mesmo raciocínio é válido para o efeito contrário: a cada ponto não coletado numa faixa de quatro jogos, reduz-se entre 15,2% a 33,1%, por ponto, a probabilidade do treinador seguir no comando da equipe", informa o artigo científico.

Resultados dos últimos quatro jogos têm peso decisivo na troca de treinadores no Brasil
Resultados dos últimos quatro jogos têm peso decisivo na troca de treinadores no Brasil Galdino

Há ainda um cenário pior, onde o time é eliminado da Copa Libertadores da América. Nesse caso, a probabilidade de manutenção do cargo é drasticamente reduzida entre 182,4% a 560,6%. Na prática, em muitos casos, dirigentes criam expectativas superestimadas e depois transformam o treinador no bode espiatório, independentemente de estilo do profissional, idade ou nacionalidade - outra constatação do artigo.

A consequência mais direta de tudo isso é um mercado instável, onde o medo predomina. Ideias não avançam e sucumbem diante decisões populistas. Há, como o estudo indica, implicações práticas a treinadores, dirigentes e torcedores. No primeiro caso, a absoluta insegurança na profissão pode levar a problemas de saúde física e mental, além de impossibilitar o desenvolvimento de modelos de jogo. No segundo caso, a exposição claríssima da forma irresponsável como muitas pessoas administram enormes departamentos de futebol, sem qualquer critério em escolhas de técnicos. 

No final das contas, a torcida é "premiada" com uma competição de qualidade técnica e organização duvidosas. Assim, como sintetiza o artigo, "com preferência a opiniões arbitrárias e argumentos subjetivos em detrimento a teorias acadêmicas e embasamento científico, a cultura de relações sociais que rodeia o ambiente político de dirigentes no Brasil ainda desvaloriza o seu compromisso profissional perante os torcedores, manipulando a opinião pública de acordo com interesses temporários".

Felizmente, e diferentemente do que vemos entre pessoas que tomam decisões em muitos clubes, o meio acadêmico tem estudado cada vez mais o futebol, bem além de matérias na área de saúde, por exemplo, que naturalmente exigem formações específicas. O resultado disso são diversas publicações como, por exemplo, "O futebol nas ciências humanas no Brasil", organizado por Sérgio Settani Giglio e Marcelo Weishaupt Proni, publicado pela Editora Unicamp.

A base do futebol brasileiro também tem se tornado uma excelente fonte de conhecimento. Cada vez mais profissionais buscam a excelência esportiva através da Academia, ampliando o aprendizado além do empirismo em áreas como treinamento esportivo, análise de desempenho e scout. Isso é perceptível pelo nível de conhecimento e atualização de jovens treinadores, demonstrados na prática e também em publicações. A Universidade do Futebol tem sido, há muito anos, catalisadora de boa parte desse conhecimento.

Inclusive, para quem se interessar pelo artigo "O impacto das mudanças de comando técnico no futebol brasileiro", o texto completo está disponível neste link. O conhecimento transforma.

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Com investimento de Berlusconi, Monza tenta alcançar a elite italiana pela primeira vez

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Monza venceu o Frosinone neste final de semana por 2 a 0
Monza venceu o Frosinone neste final de semana por 2 a 0 Divulgação

Silvio Berlusconi é um daqueles personagens globais de difícil definição. Sem dúvida, o cargo mais importante que já ocupou foi o de primeiro-ministro da Itália. O mega empresário no ramo da comunicação acumula muitas polêmicas em seus 84 anos de vida e sempre terá seu nome ligado ao futebol.

Afinal, foi sob sua gestão que o Milan teve alguns dos maiores times da história e ampliou absurdamente a sala de troféus. Depois de deixar os rossoneri em 2017, parecia que manteria distância do calcio, mas não conseguiu. Ao comprar o Monza no ano seguinte, colocou o pequeno clube da Lombardia sob holofotes nacionais e a curiosidade internacional.

Neste final de semana, o Monza entrou em campo pela sétima rodada da Série B. O clube garantiu o retorno à segunda divisão italiana na temporada passada pela primeira vez desde 2000-01. Os investimentos para que isso acontecesse foram grandes e tendem a aumentar para alcançar o objetivo maior, que é estar na Série A.

O adversário no sábado foi o Frosinone, rebaixado da elite italiana no ano passado. Poderia ser um jogo qualquer, se não fosse o treinador adversário. Alessandro Nesta, um dos símbolos do Milan de Berlusconi nos anos 2000, é o comandante da pequena equipe da região da Lazio. Aos 44 anos, tem sua terceira experiência como técnico, após passagens pelo Miami FC na North American Soccer League (NASL) e pelo Perugia na própria Série B. Quem está à frente do Monza é o ex-volante contemporâneo de Nesta com a camisa rossonera, Cristian Brocchi, que subiu da terceira divisão para a segunda com o time.

Silvio Berlusconi levou o irmão mais novo, Paolo, para ser o presidente do clube e seu velho parceiro Adriano Galliani para o cargo de CEO. Gastou bastante para reforçar o Monza e deixá-lo com condições de um acesso direto: levou do Corinthians, por 4 milhões de euros, o lateral-esquerdo Carlos Augusto, e convenceu o veterano Kevin-Prince Boateng, de 33 anos, a encarar a segundona italiana. Fora tantas outras contratações, como os atacantes Mirko Maric (Osijek, 4,5 milhões), Dany Mota (Juventus sub-23, 2,3 milhões) e Christian Gytkjaer (Lecu Poznan, livre), além do meio-campista José Machín (Parma, 4 milhões).

Todos estiveram em campo na vitória por 2 a 0 sobre o Frosinone. Brocchi arma o time no 4-3-1-2 e dá total liberdade para Boateng ser o meia-armador. A jogada do primeiro gol, aos cinco minutos do segundo tempo, passa pelos seus pés na intermediária ofensiva e vai para a esquerda, onde Carlos Augusto dá a assistência para a finalização de Gytkjaer. O segundo gol foi belíssimo: chapéu do ganês em Andrea Beghetto no campo de defesa e passe para Dany Mota atrás da linha de meio-campo; o português passou por dois jogadores, invadiu a grande área e tocou na saída de Francesco Bardi.

O jogo acontece muito também com a participação de Marco Fossati, ex-Verona e no clube desde 2018, responsável pela saída de bola próximo aos defensores. Vale citar também a presença do veterano zagueiro argentino Gabriel Paletta, de 34 anos, na escalação.

"É um time feito para ganhar o campeonato. Berlusconi escolheu o Galliani e, como sempre, 'faz o que você quiser que eu coloco o dinheiro'. A intenção é chegar na Série A para dizer a todos que 'eu faço acontecer'. Fez contratações importantes, mas a Série B não é tão fácil assim", explica Andersinho Marques, jornalista brasileiro radicado em Milão e comentarista da Sport Mediaset.

O Stadio Brianteo, palco da partida, já passou por algumas transformações para melhoria. Monza fica nos arredores de Milão e, no esporte, é muito mais conhecida pelo circuito de Fórmula 1. "Se dezembro chegar e o Berlusconi perceber que o time pode não subir, ele troca o treinador e contrata mais dez, vinte jogadores. Ele quer estar na Série A no ano que vem e já disse que o sonho é jogar no San Siro. Dinheiro ele tem para montar um time em alto nível", completa Andersinho Marques.

Definitivamente a segunda divisão italiana é uma competição dificílima. Muito disputada fisicamente e também taticamente. O confronto entre Monza e Frosinone expôs ideias e planos diferentes: enquanto Brocchi optou por uma linha de quatro defensores, Nesta montou sua equipe no 3-4-1-2. O Monza teve mais posse de bola (55%) e mais finalizações (12 x 10, 6 x 1 no alvo). Superou também seu próprio índice de xG (Expecteg Goals) no jogo ao marcar duas vezes (1.07), mas teve um adversário que chegou muito à sua área. No final das contas, vitória extremamente importante por ser um confronto direto na luta pelo acesso.

A tabela da Série B italiana tem o Empoli na liderança após sete rodadas com 16 pontos. Na sequência aparecem Chievo (14), Frosinone (13), Lecce (12) e SPAL (12). O Monza, após início ruim, somou a segunda vitória consecutiva e agora é o nono colocado, com nove pontos. Jamais o clube esteve na primeira divisão.

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Imposição, pressão e intensidade: goleada do Gladbach sobre o Shakhtar

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória por 6 a 0 em Kiev mantém o time alemão na briga pela classificação na Champions
Vitória por 6 a 0 em Kiev mantém o time alemão na briga pela classificação na Champions Gladbach

Os primeiros 26 minutos do Borussia Mönchengladbach contra o Shakhtar Donetsk mereciam uma condecoração oficial da chanceler federal Angela Merkel. Todo o primeiro tempo foi grandioso, com os quatro gols marcados, mas o início da partida poderia ser enquadrado e colocado na parede pelo técnico Marco Rose.

Marcação alta, pressão, intensidade, velocidade e diversas chances criadas. O Gladbach marcou aos 8 e 26 com Alassane Pléa, aos 17 com Valeriy Bondar (contra) e transformou em goleada com Ramy Bensebaini aos 44. Imposição absoluta a partir de execução perfeita da variação tática planejada para o confronto.

A ideia partiu do tradicional 4-2-3-1, mas com muitas variantes. Na fase ofensiva, o time tinha Jonas Hoffman aberto pela direita, com o apoio constante de Stefan Lainer. Pela esquerda, a mesma situação com Marcus Thuram e Bensebaini. O atacante central era Pléa, com os avanços pela faixa central de Lars Stindl.

Na saída de bola, Florian Neuhaus recuava e se posicionava entre os zagueiros Matthias Ginter e Nico Elvedi, com Christoph Kramer à frente. Em alguns momentos, Kramer voltava também para a primeira linha, posicionando quatro jogadores para a saída de bola e os laterais mais avançados.

Tudo a partir do jogo de posições e pensando, sempre, em superioridade numérica no setor da bola na disputa contra os jogadores do Shakhtar. Já na fase defensiva, o bloco alto de pressão acontecia no 4-2-4 e o médio no 4-4-2, dificultado ao máximo a saída por baixo do Shakhtar e forçando os erros do adversário. Nos primeiros 25 minutos não houve bloco baixo, simplesmente porque o time ucraniano não conseguiu avançar do meio-campo com a bola.

No intervalo, o técnico do Shakhtar, Luís Castro, fez três alterações - duas no meio-campo, para tentar reaver o setor e conseguir, finalmente, trabalhar a transição da defesa para o ataque com mais qualidade. A partida ficou mais equilibrada, mas ainda sob controle dos alemães. Sem a mesma imposição física da primeira etapa, recuou as linhas e permitiu que os ucranianos/brasileiros trocassem passes com mais espaço e menos pressão. Bastou o Gladbach, no entanto, pressionar novamente para fazer o quinto, com Stindl,aos 20 minutos, aproveitando a falha na reposição do jovem goleiro Anatoliy Trubin. O sexto, já no contra-ataque, serviu para Pléa garantir o hat-trick e definir o histórico 6 a 0 em Kiev.

Obviamente, o placar final chama muita atenção, porque o Shakhtar tem uma ótima equipe e nesta Champions já venceu o Real Madrid, fora de casa. Porém, a boa atuação do Borussia Mönchengladbach não surpreende.

O trabalho do técnico Marco Rose, de 44 anos e ex-comandante do Red Bull Salzburg, é consistente desde quando ele assumiu, em julho do ano passado. A quarta colocação na última Bundesliga colocou o tradicional clube na fase de grupos da Champions League.

Após arrancar com empate em Milão, com a Inter, por 2 a 2, mereceu melhor sorte na segunda rodada, mas permitiu a igualdade do Real Madrid no final. Neste final de semana, derrubou a invencibilidade do RB Leipzig no Campeonato Alemão.

O Borussia Mönchengladbach é um clube grande da Alemanha, que no passado sempre esteve acostumado a títulos - cinco vezes campeão da Bundesliga na década de 1970 e vice-campeão europeu em 1977. Ainda está distante de voos tão altos, mas o caminho para a competitividade plena contra os gigantes do continente está sendo bem traçado. Na atual Champions, já pode deixar pelo menos um pelo caminho.

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O dérbi de Mostar e a história de uma cidade dividida

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A belíssima Stari Most é o símbolo maior de Mostar
A belíssima Stari Most é o símbolo maior de Mostar Divulgação

A complexidade das questões étnicas e religiosas na região da antiga Iugoslávia é enorme, principalmente para quem não vivenciou os conflitos que marcaram a década de 1990. Foram milhares de mortes, centenas de atrocidades e feridas eternas nos países e povos envolvidos. Muitas dessas marcas continuam visíveis a todos.

Assim, é inevitável falar de futebol bósnio sem explicar a história. Impossível relatar a vitória do Zrinjski sobre o Velež por 3 a 1, no dérbi de Mostar, que aconteceu no último sábado pelo campeonato nacional, sem contar o que aconteceu nessa cidade.

Segundo relatos da imprensa bósnia na época, foram mais de 60 bombardeios das tropas croatas no centro histórico de Mostar em 9 de novembro de 1993. A Guerra Croata-Bosníaca foi considerada um conflito armado dentro da própria Guerra da Bósnia (1992-95) contra o exército sérvio. A cidade de 110 mil habitantes, ao sul do país, fica em um vale entre o Monte Hum e a montanha Velež, e não há símbolo maior para seus habitantes do que a Stari Most. 

A "ponte velha", na tradução literal, começou a ser erguida pelo Império Otomano em 1557 e sua construção durou cerca de nove anos. Permaneceu intacta, sobre o rio Neretva, unindo os dois lados da histórica cidade por mais de quatro séculos, até ser destruída pelos bombardeios croatas. Sua derrubada foi algo premeditado e muito além de estratégia militar; foi uma destruição da herança cultural e religiosa da Bósnia, um país majoritariamente muçulmano.

Ponte foi totalmente destruída durante a Guerra da Bósnia
Ponte foi totalmente destruída durante a Guerra da Bósnia Divulgação

Cerca de 2 km a oeste fica o estádio Bijelim Brijegom, com capacidade para nove mil torcedores e casa do Zrinjski, clube mais vitorioso do futebol bósnio e representante da população de origem croata no país. São seis títulos nacionais, mas nas duas últimas temporadas a taça ficou na capital, Sarajevo. A partida do último sábado foi válida pela 13a rodada da Premier League bósnia e os dois rivais ocupam posições intermediárias na tabela, bem abaixo do líder e favorito ao tricampeonato, Sarajevo.

O Velež é um clube histórico da Bósnia. Fundado em 1922, foi uma força no período iugoslavo, brigando de igual para igual com as potências da Sérvia e da Croácia. Foi duas vezes campeão da Copa da Iugoslávia, em 1981 e 86, além de ter sido três vezes vice-campeão nacional. Chegou a alcançar as quartas de final da Copa da Uefa em 1974-75, deixando pelo caminho Spartak Moscou, Rapid Viena e Derby County, antes de ser eliminado pelo Twente. Esse período marcou também o banimento, em 1945, do Zrinjski pelo governo iugoslavo, depois do clube ingressar em uma liga croata logo após a II Guerra Mundial e a criação de um estado fantoche croata. Apenas após a independência da Bósnia, em 1992, o clube foi reformado.

As arquibancadas neste sábado estavam vazias. Por causa da pandemia de coronavírus, os torcedores não podem ir aos jogos no país. 

O próprio estádio Bijeli Brijeg é motivo de disputa entre os dois clubes. Historicamente, sempre foi a casa do Velež, mas com a guerra na cidade e os conflitos entre bósnios e croatas, ele foi tomado pelo Zrinjski. Na prática, Mostar foi dividida em duas durante a guerra: o leste controlado pelos bosníacos e o oeste pelos croatas. Em 1995 o Velež ergueu um estádio no subúrbio de Vrapcici e fez dele sua nova casa.

Jogo foi disputado sem público por causa da pandemia
Jogo foi disputado sem público por causa da pandemia Divulgação

Tecnicamente, o Campeonato Bósnio apresenta baixo nível. Há bons valores que deixam a competição e se tornam jogadores importantes, como Edin Džeko, formado no Željeznicar, enquanto tantos outros grandes nomes da seleção são filhos de pais e mães que fugiram dos horrores das guerras e cresceram longe de seu país. Caso, por exemplo, de Miralem Pjanic, hoje jogador do Barcelona, que se mudou com a família para Luxemburgo quando as tensões em território bósnio aumentaram.

A vitória do Zrinjski foi conquistada com facilidade e um grande responsável por ela em campo. O hat-trick anotado pelo veterano atacante Nemanja Bibija, de 30 anos, garantiu o triunfo por 3 a 1. O primeiro gol saiu de pênalti, logo aos 16 minutos do primeiro tempo. Os outros dois já na segunda etapa, aos seis (de cabeça) e 13 (aproveitando o rebote do goleiro, após outra cabeçada), enquanto Fejsal Mulic descontou aos 36 (pênalti) para o Velež, do atacante baiano Brandão, ex-Galícia e desde 2017 no clube. Taticamente, pouca organização em campo também.

Bibija soma agora 57 gols pelo Zrinkski e se tornou o segundo maior artilheiro na história do clube. A partida marcou também a quarta vitória consecutiva sobre o rival como mandante, sequência que se iniciou há quatro anos, mas com poucos jogos: entre 2017 e 2019 o Velež esteve na segunda divisão.

O ataque a Mostar em 1993 foi liderado pelo general Slobodan Praljak, posteriormente condenado a 20 anos de prisão por crimes contra a humanidade, civis bósnios e prisioneiros de guerra. Ele se suicidou na prisão no final de 2007. A Stari Most foi reconstruída após a união de diversos países e órgãos internacionais ao custo de pouco mais de 15 milhões de dólares, seguindo ao máximo o projeto original. Mergulhadores do exército húngaro ajudaram na recuperação de pedras que caíram no rio Neretva com o desmoronamento da pérola arquitetônica otomana.

A atual Stari Most é um dos pontos turísticos mais visitados da Bósnia e símbolo de orgulho, resistência e lembrança para todos em Mostar.

'Não esqueça'
'Não esqueça' Mostar
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Quando o técnico ganha um jogo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Sancet marcou o gol da virada basca aos 41 minutos do segundo tempo
Sancet marcou o gol da virada basca aos 41 minutos do segundo tempo Divulgação

Gaizka Garitano estava extremamente pressionado. Apenas duas vitórias nas quatro rodadas iniciais de LaLiga, além de quatro derrotas, deixavam o Athletic Bilbao próximo da zona de rebaixamento.

Nas prévias da partida, a imprensa espanhola noticiava a insatisfação em relação ao desempenho do time e, consequentemente, de seu treinador. Contra o Sevilla, no Nuevo San Mamés, os bascos precisavam da vitória de qualquer modo neste sábado.

O nervosismo de Garitano era evidente no banco de reservas, e o primeiro tempo ruim de seus jogadores colaborou muito. Ainda mais com o gol sofrido logo aos nove minutos. Jogada construída pelo Sevilla de pé em pé, desde a intermediária ofensiva, com muita liberdade, até o cruzamento de Lucas Ocampos e a finalização de Youssef En-Nesyri.

O Athletic é um clube grande da Espanha, mas há muito tempo não consegue mais competir de igual para igual com as potências de Madri e Barcelona. Clubes como o próprio Sevilla preencheram esse espaço na pirâmide futebolística espanhola, inclusive com conquistas continentais. Mesmo assim, o Bilbao ainda é um dos três únicos clubes que jamais foram rebaixados, ao lado de Real Madrid e Barcelona.

Veja os gols da partida:



A filosofia de utilização de apenas jogadores com origem basca é um enorme limitador técnico. Ao mesmo tempo, é a forma encontrada, historicamente pelo clube, de se manter fiel à história, à cultura basca e seguir como um representante da resistência ao mercantilismo do futebol. As próprias regras estabelecidas pelo Athletic foram afrouxadas ao longo das décadas, mas o sentido de tudo isso jamais foi deixado de lado.

No segundo tempo, a postura dos comandados de Gaizka Garitano foi outra. Os jogadores voltaram do vestiário com mais garra, mais atitude, como nos históricos times do Bilbao. Quiça fosse possível voltar no tempo e reviver as glórias do início da década de 1980, o bicampeonato espanhol, o doblete... Acima de tudo, os jogadores bascos contaram com um inspirado Gaizka Garitano, natural de Bilbao, ex-jogador do clube e desde 2018 no cargo.

Já melhor em campo, os donos da casa trocaram Oier Zarraga e o veterano Raúl García por Unai López e Asier Villalibre, O esquema tático foi alterado pelo treinador do 4-2-3-1 na fase ofensiva para o 4-4-2. Mais pressão para cima do Sevilla, que tentou responder com alterações feitas por Julen Lopetegui, que não surtiram efeito positivo.

Mais duas mudanças, com Mikel Vesga e Iker Muniain nas vagas de Daniel Carrillo e Álex Berenguer aos 22 minutos. À essa altura, o ritmo da partida era totalmente ditado pelo Athletic, que trocava passes com facilidade no campo de ataque, entre as linhas do 4-1-4-1 nervionense. Cobrança de escanteio por Jon Morcillo, desvio de Vesga e finalização de Muniain aos 31 minutos. Gol de empate extremamente simbólico, porque jamais o Sevilla havia sofrido um em escanteio com Jules Koundé e Diego Carlos em campo por LaLiga.

A igualdade no placar era justíssima, mas Garitano ainda tinha cartas na manga. Uma específica. Aos 41 minutos, colocou em campo o jovem Oihan Sancet, natural de Pamplona, 20 anos, cria da base bilbaína. Poucos segundos depois de pisar no novo gramado de San Mamés, Sancet recebeu cruzamento de Iñaki Williams e finalizou de primeira, para virar a partida. Em seu primeiro toque na bola.

A celebração dos jogadores em campo foi até tímida, diante da necessidade que havia em somar três pontos. A tabela já indica uma situação um pouco mais confortável. Gaizka Garitano voltou para casa, certamente, realizado com mais um dia de trabalho.

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Na provável despedida de Abel Ferreira, PAOK empata com Granada pela Liga Europa; saiba mais sobre o treinador português

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Granada e PAOK empataram pela Europa League
Granada e PAOK empataram pela Europa League Divulgação

Muitos palmeirenses ligaram no Watch ESPN para acompanhar uma partida da Europa League nesta quinta-feira. Cotado para assumir o alviverde, Abel Ferreira pode ter feito sua última partida à frente do PAOK, que ficou no 0 a 0 com o Granada, na Espanha.

A equipe grega ocupa a terceira colocação no Grupo E, agora com dois pontos. Granada e PSV Eindhoven lideram com quatro, enquanto o Omonia Nicosia soma um.

Nos primeiros 30 minutos de jogo, domínio absoluto do Granada. Mais técnica e oriunda de uma liga bem mais forte, a equipe espanhola ditou o ritmo com o controle da posse de bola (média de 70%). Enquanto isso, o PAOK defendia o 4-3-3 adversário em um 5-4-1 bem recuado e compacto, com linhas baixas de marcação.

Com o adversário mais cansado pelos minutos iniciais, os gregos começaram a sair mais para o ataque. Na prática, não sofreram com qualquer chance clara do Granada. A partir do momento que equilibrou minimamente a posse de bola, tentou fazer as transições com a construção se iniciando no campo de defesa - e não apenas lançamentos longos para o contra-ataque.

Na segunda etapa, o Granada voltou a ditar o ritmo de jogo e não foi mais atacado. Tanto é que o PAOK terminou a partida com duas únicas finalizações certas ao gol defendido por Rui Silva. Ao mesmo tempo, o time espanhol não teve competência para quebrar o sistema defensivo muito bem encaixado dos gregos. No final das contas, um chocho 0 a 0.

Sobre Abel Ferreira

Abel Ferreira está desde o ano passado no PAOK
Abel Ferreira está desde o ano passado no PAOK Divulgação

A linha de cinco defensores tem sido o padrão de Abel Ferreira no PAOK, desde que assumiu em 30 de junho do ano passado, quando o clube grego pagou 2 milhões de euros ao Braga para liberar o jovem treinador. A variação tática vai do 3-4-3 na fase ofensiva para o 5-4-1 na defensiva. Em sua primeira temporada na Grécia, levou o clube ao vice-campeonato,bem distante do Olympiacos, mas impondo ao rival sua única derrota.

Na atual temporada são cinco rodadas disputadas no Campeonato Grego, com duas vitórias e três empates. Outro ponto importante para análise do trabalho de Abel é o desempenho nos clássicos pelo PAOK, contra AEK, Aris, Panathinaikos e Olympiacos. Contando todas as partidas, foram oito vitórias, nove empates e seis derrotas. Ao final, acumulou aproveitamento regular, de 47,8%. 

Em Portugal, encerrou a carreira como lateral-direito no Sporting em 2011 devido a uma lesão e por lá iniciou a trajetória fora dos gramados na base do clube. Em 2015 se mudou para o Braga B, até assumir o time principal dois anos depois. Foram duas temporadas com os Minhotos: quarta colocação em 2017-18 e 18-19 no Campeonato Português; semifinais alcançadas no ano passado na Copa de Portugal e na Copa da Liga; 32-avos-de-final da Europa League em 2018.

Com o PAOK não alcançou a fase de grupos da Champions League nesta temporada, mesmo após despachar o Benfica, de Jorge Jesus, na terceira fase qualificatória. Caiu depois, nos playoffs, para o Krasnodar. No duelo com o Benfica, o PAOK mostrou enorme organização tática e paciência para suportar a pressão das Águias e vencer por 2 a 1 em eliminatória simples.

Aos 41 anos, Abel Ferreira se diz discípulo de Jesualdo Ferreira, responsável pela formação de muitos treinadores portugueses, e também adepto do game Football Manager em outros tempos. É um estrategista e expôs algumas de suas ideias em artigo publicado no The Coache's Voice, intitulado "Plantando as sementes".

"Minha metodologia vem da vellha escola de técnicos do Sporting - porque foi lá que dei meus primeiros passos como técnico. Mas eu também estou sempre olhando para o futuro do futebol. Como o estilo que o Pep Guardiola e o Maurício Pochettino estão trabalhando. Para mim, o futuro é esse jogo de gato e rato dentro de uma única partida: adaptando às mudanças táticas em reação ao seu oponente", escreveu o treinador.
   
Abel conta que, aos 24 anos, quando trabalhou com Jesualdo Ferreira, tinha um diário no qual fazia anotações sobre treinamentos, estratégias, liderança. Já sabia que queria ser treinador. Há outro trecho do texto bastante importante, no qual ele cita um jogo inesquecível como treinador. "Na última temporada da Europa League, nós jogamos fora de casa contra Hoffenhein. Eles começaram com formação em 3-5-2, que mudou para 4-3-3 durannte a partida: três atacantes, laterais avançando. Nós começamos no 4-4-2 mas terminamos no 5-4-1 para enfrentar o que eles estavam fazendo. Nós ganhamos aquele jogo por 2 a 1. Como técnico, é o jogo que eu tenho mais orgulho".

Sobre a forma como ele pensa o jogo, Abel deixa claro que elabora estratégias para cada adversário. "Se o seu oponente está no mesmo nível que você, aí tudo bem - Eu posso te atacar. Mas se você atacar uma montanha, você tem que fazer isso diferentemente. Em outros jogos, você quer ser o protagonista: dominar a bola. Mas às vezes você tem que aceitar que o seu oponente é mais forte que você. E, nesse caso, você tem que ser balanceado. Por mais que a gente queira ser um Manchester City, nós não temos o Guardiola e não temos o Bernando Silva. Então você tem que ter a humildade de saber que cada jogo demanda uma abordagem diferente. Na minha opinião, esse tem sido nosso maior segredo".

A qualidade de Abel Ferreira como treinador é evidente, assim como sua juventude. Que ele tenha tempo e encontre um bom ambiente para trabalhar no futebol brasileiro.

"Eu te digo o seguinte: não existe fórmula perfeita. Nenhum plano de jogo perfeito. Somente aquele em que você acredita. Você pode preferir o meu, o do Guardiola, o do Diego Simeone. O importante é ser capaz de explicar o que você quer aos jogadores. Isso é ser um bom treinador. Hoje nós temos um estigma: que você só é bom se você ganha. Que se você ganha, você é um ótimo técnico. E se você perde, você é fraco. Mas isso, para mim, é uma mentira. Você é julgado no final de semana, quando você mostra o que tem feito durante a semana. É aí que as pessoas verão se o seu time é organizado ou não. Se trabalha bem a bola ou não. Domingo é o seu teste", finaliza Abel Ferreira, provável novo treinador do Palmeiras.

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O PSG precisa recuperar (?) o protagonismo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Moise Kean marcou os dois gols da vitória do PSG sobre o Istanbul Basaksehir
Moise Kean marcou os dois gols da vitória do PSG sobre o Istanbul Basaksehir PSG

Se na Ligue 1, após duas derrotas nas duas rodadas iniciais, o Paris Saint-Germain já restabeleceu a ordem, com seis vitórias seguidas desde então, na Champions League a situação é bem diferente.

Após o vice-campeonato na temporada passada, a expectativa era de um PSG muito forte para 2020/21, com Neymar mais focado em jogar futebol, sem a tentação de retornar a Barcelona, com Kylian Mbappé em constante evolução e até mesmo com Thomas Tuchel bastante fortalecido. A realidade tem sido bem diferente.

Contra o Istanbul Basaksehir, nesta quarta-feira, venceu por 2 a 0 na Turquia, em noite pouco inspirada.

Taticamente, o PSG entrou em campo com uma novidade: Danilo Pereira como zagueiro e Marquinhos como meio-campista. O brasileiro está totalmente acostumado a essa função mais adiantada, enquanto para o português foi a primeira vez com a camisa francesa. Decisão tomada pela pouca qualidade no passe de Danilo.

Nos primeiros 20 minutos, o Basaksehir foi melhor. Finalizou mais que o PSG (5x3), mas falhou demais na pontaria (0x2 no alvo) ou no último passe. Faltava capricho na tomada de decisão. Logo depois, Neymar, com um problema muscular, foi substituído por Pablo Sarabia.

Mesmo com a alteração, o PSG manteve o padrão tático estabelecido por Thomas Tuchel para o jogo. Na fase defensiva, pressionava no 4-2-4 e marcava no 4-4-2. Já na fase ofensiva, a variação era maior: o início da transição, a partir da construção de jogo na defesa, tinha Ander Herrera, Danilo e Presnel Kimpembe, com Alessandro Florenzi, Marquinhos e Layvin Kurzawa em uma segunda linha, deixando o quarteto ofensivo formado por Ángel di María (esquerda, trocando de lado), Sarabia (direita), Moise Kean e Mbappé à frente. Para transformar tudo isso em número, seria um 3-3-2-2 que avançava para o 2-2-4-2.

O jogo ficou mais equilibrado. Defensivamente o PSG se organizou melhor e já não permitia tantas trocas de passes diante da sua grande área. Ofensivamente, passou a rodar mais a bola. Porém, em momento algum no primeiro tempo a equipe francesa se impôs, seja no ritmo do jogo, seja no controle da posse de bola (57%). Na segunda etapa, os turcos recuaram e a marcação adiantada dos franceses melhorou; quando o gol saiu, aos 19 minutos com Moise Kean, o PSG já era bem melhor no jogo.

Neymar sente lesão durante jogo contra o Istanbul Basaksehir e é substituído


Okan Buruk tentou responder, saindo no 4-3-3 para o 4-4-2 ao colocar Demba Ba no lugar de Mehmet Topal. Deu certo, porque o Basaksehir cresceu novamente na partida e esteve perto de empatar. Naturalmente, também, passou a dar mais espaço nos contra-ataques. Rafinha, então, entrou no lugar de Di María, na resposta de Thomas Tuchel, assim como Thilo Kehrer na vaga de Florenzi. O padrão foi alterado do 4-4-2 para o 4-3-3 com a intenção de recuperar o controle da partida. O segundo gol de Kean, aos 34 minutos, definiu o placar. Aliás, quarto gol em quatro jogos pelo clube - mesma marca que alcançou no Everton, mas em 37 partidas.

A diferença técnica entre PSG e Istanbul Basaksehir é grande. Vivem em realidades, esportiva e financeira, completamente diferentes.

Falta protagonismo dentro de campo ao Paris Saint-Germain. Algo que, continentalmente, o clube não tem, mas como atual integrante do grupo de "super times", demonstrou na temporada passada. Três pontos importantíssimos, depois da derrota na estreia para o Manchester United, em Paris. Desempenho, no entanto, muito abaixo ainda do que se espera de um favorito ao título da Champions.

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20 de novembro se tornou uma data muito aguardada em Dortmund. Motivo? Youssoufa Moukoko

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
Youssoufa Moukoko é a maior promessa na base do Borussia Dortmund
Youssoufa Moukoko é a maior promessa na base do Borussia Dortmund Divulgação

O próximo dia 20 de novembro está sendo bastante aguardado em Dortmund. Nessa data, Youssoufa Moukoko completará 16 anos e poderá ser convocado para os jogos do Borussia na Bundesliga.

"Moukoko é muito melhor do que eu nessa idade. Nunca vi um garoto de 15 anos tão bom quanto ele. A vantagem dele é que já está jogando pelo Dortmund aos 15 anos. Nessa idade, eu ainda estava no clube da minha cidade Bryne", garante Erling Haaland. Os dois conviveram durante a pré-temporada do clube alemão na Suíça.

No último domingo, a jovem promessa da base do Dortmund marcou quatro gols na goleada do sub-19 sobre o Rot-Weiss Essen por 6 a 0. Foi o quarto jogo seguido dele com pelo menos três gols anotados - já tem 13 em quatro partidas disputadas na atual temporada.

Lars Ricken, ex-jogador do clube e da seleção alemã, é o coordenador da base no Borussia Dortmund. O clube tem muitos ex-atletas em sua estrutura de futebol, como Michael Zorc (diretor de Futebol) e Sebastian Kehl (chefe do time principal). O acompanhemento da evolução de Moukoko tem sido feito de maneira muito próxima por todos eles. A DFL reduziu o limite de idade para atletas da Bundesliga em abril, de 16 anos e seis meses para os 16 atuais. "Estamos muito felizes. Isso imediatamente ajuda o clube e também os jovens jogadores em seu desenvolvimento", afirmou Ricken, à época.

Pela forma como a notícia foi tratada e pela utilização de Moukoko na pré-temporada, tudo leva a crer que o atacante nascido em Yaoundé, capital de Camarões, que se mudou para a Alemanha aos dez anos para morar com o pai, está nos planos imediatos do técnico Lucien Favre. Com uma enorme vantagem: o Dortmund, com Haaland, não está desesperado atrás de um atacante central. Isso vai lhe dar tempo para adaptação e natural desenvolvimento, sem a pressão de resolver problemas do elenco. "Gostei muito dele, tem enorme potencial. Você não sabe com qual pé ele vai finalizar. Ele é muito novo, mas também muito eficiente. É bonito de vê-lo e divertido trabalhar com ele", declarou Favre. 

Desde o ano passado Moukoko tem contrato assinado com a Nike e já é atleta da base na seleção alemã também. Aos 14 anos, se tornou o mais jovem atleta a atuar pela UEFA Youth League. Passou pelo sub-13 do St. Pauli, em Hamburgo, antes de se transferir para Dortmund. "Queremos protegê-lo ao máximo, e não colocá-lo em um pedestal", garante Lars Ricken.

Inevitavelmente, os holofotes estão voltados para Moukoko. O Dortmund trabalha para aliviar a pressão, mas muitas vezes é impossível. O jogador tem sido alvo, inclusive, de ofensas racistas, como aconteceu no jogo contra o Schalke pelo sub-19, que resultou em um pedido de desculpas do grande rival. Questionamentos sobre a idade do jovem atleta, mesmo sem qualquer evidência real, também se tornaram comuns.

"Sento no meu quarto e imagino como tudo aconteceu, quão rápido aconteceu. Hoje jogo pelo Borussia Dortmund, compito na Youth League contra Barcelona, Milan ou Slavia Praga e há alguns anos apenas jogava por diversão com meus amigos. Nós tínhamos apenas uma bola, e quando chutava para longa não tínhamos mais. Sei como é difícil para muitos. Não tínhamos chuteiras ou camisas de futebol. Ainda falo com meus amigos sobre esse tempo", afirmou Youssoufa Moukoko em entrevista ao site oficial do clube. Seu irmão mais velho, Borel Moukoko, também é jogador, mas está desempregado após deixar o Schwarz-Weiss Essen.

A ficha de Youssoufa Moukoko no Wyscout, base profissional de scout no futebol, indica 1m79 de altura e 70 kg. A observação dessas partidas permite descrevê-lo como um jogador forte, de posição centralizada no ataque, mas com boa movimentação. Canhoto com excelente capacidade de finalização. Claramente está muito acima dos atuais companheiros e adversários fisicamente e em QI de jogo. Ainda segundo o Wyscout, tem 127 gols e 11 assistências, com 6441 minutos jogados entre sub-17, sub-19 e Youth League. Foram 194 recuperações de bola no campo de ataque, apenas nove cartões amarelos recebidos e nenhum vermelho. Outro dado que chama atenção é de Gols Esperados (xG), que mede a qualidade da finalização e a possibilidade de marcar: 91,02, abaixo dos 127 anotados.

Mapa de movimentação de Moukoko na base do Dortmund
Mapa de movimentação de Moukoko na base do Dortmund Wyscout

A superioridade dele tem sido absurda nesses últimos anos, mesmo jogando contra atletas mais velhos. Vale ressaltar: tem 16 anos e atua pelo sub-19 atualmente. Várias promessas no futebol surgiram e desapareceram na mesma velocidade. A transição para o profissional não é simples, mas parece ser muito bem feita pelo Borussia Dortmund com Youssoufa Moukoko. Em 21 de novembro, o time viaja até Berlim, para enfrentar o Hertha, no mítico estádio Olímpico. Pode ser o início de uma grande história.

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Goleada protocolar do Bayern reforça condição de melhor time do mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

São 12 vitórias seguidas do Bayern na Champions League
São 12 vitórias seguidas do Bayern na Champions League Bayern

Dois dos melhores jogadores do Bayern foram desfalques. Sem seus dois atacantes de lado, Leroy Sané e Serge Gnabry, de características bem diferentes, Hansi Flick optou por escalar Corentin Tolisso e Kingsley Coman como titulares contra o Atlético de Madrid. Dois atletas da seleção francesa, reservas no time bávaro.

Essa situação demonstra a qualidade do elenco montado para a temporada 2020-21. O Bayern venceu o adversário espanhol, que o derrubou na semifinal da Champions em 2016, por 4 a 0 de maneira convincente e tranquila. Não foi uma atuação maravilhosa, espetacular ou inédita. Não está entre as melhores partidas desse Bayern. Tratou-se, somente, de uma vitória protocolar, que expôs bem os estágios diferentes das duas equipes e a condição dos alemães.

O Atlético fez um bom jogo. Dentro das ideias de Diego Simeone, marcou no 4-4-2 e criou algumas oportunidades ofensivas. Chegou a marcar com João Félix, no início do segundo tempo, mas viu o gol ser anulado corretamente com o auxílio do VAR. O problema é que o "bom jogo" desse Atleti é insuficiente para parar o Bayern.

O nível atual de confiança estabelecido na Sabener Strasse é impressionante. Em momento algum o time se desespera ou abandona o sistema de jogo. Mantém o padrão tático do 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 na fase defensiva, com movimentação constante e alternância de ritmo. Controla com a posse de bola e acelera com as bolas longas. Absolutamente eficiente.

Na goleada desta quarta, sem Gnabry, Thomas Müller foi deslocado para o lado direito do ataque. Coman foi o responsável pelo lado oposto e Leon Goretzka adiantado no meio-campo, para Tolisso jogar ao lado de Joshua Kimmich. Substituições e mudanças naturais, que reforçam a qualidade e a versatilidade do elenco. Os dois franceses foram os destaques da equipe.

A temporada passada foi marcante também para Alphonso Davies, que entrou no segundo tempo contra os colchoneros. Rapidamente alçado à condição de um dos melhores laterais pela esquerda, tem ficado mais na reserva nas últimas semanas. Dá lugar a Lucas Hernández, outro jogador da seleção francesa. Hansi Flick falou nesta semana sobre a situação do jogador canadense. "Deliberadamente, nós demos tempo para ele se recarregar - mentalmente e fisicamente - e é o que ele está fazendo".

A última janela de transferências corrigiu o problema de profundidade que surgiu no elenco, com as saídas de Odriozola, Thiago, Philippe Coutinho e Ivan Perisic. São sete vitórias em oito jogos, com dois títulos somados à galeria de troféus (Supercopas da Alemanha e da Europa). O revés, justo pela atuação do Hoffenheim no 4 a 1 pela Bundesliga, serviu para reforças as carências também. Pelo momento mágico do clube, foi uma derrota que "ajudou" a diretoria em seu planejamento para o fechamento do mercado e, acima de tudo, mantém os pés de todos no chão.

Taticamente, tecnicamente, fisicamente e animicamente... É impossível retirar do Bayern a condição de melhor time do mundo no início da temporada 2020-21. Contra o Atlético, as evidências foram mais uma vez demonstradas, e sem gol do Lewandowski. 

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Goleada na Champions apresenta mais indícios sobre como Ronald Koeman pensa o novo Barcelona

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Ansu Fati mais uma vez foi um dos destaques do Barcelona
Ansu Fati mais uma vez foi um dos destaques do Barcelona Barcelona

O retorno do Ferencváros à Champions League, vinte e cinco anos após sua última participação, não foi como o clube do Leste Europeu sonhava. No entanto, esteve dentro da expectativa pela força do adversário.

Nesta terça-feira, o Barcelona comandado por Ronald Koeman estreou na UEFA Champions League com goleada de 5 a 1 sobre o atual campeão húngaro, jogando no vazio Camp Nou. Partida com alguns indicativos sobre mudanças que podem se confirmar daqui para frente.

No próximo sábado acontece o primeiro El Clásico da temporada, que certamente impactou algumas decisões do treinador holandês. Sergio Busquets foi poupado e deu lugar a Miralem Pjanic, que fez o primeiro jogo como titular no novo clube. Já Antoine Griezmann cedeu o espaço entre os titulares a Trincão, outro estreante de início. Cedeu ou foi cedido?

Na comparação com Lionel Messi, Philippe Coutinho e Ansu Fati, o desempenho do atacante francês na temporada está abaixo. Além disso, voltou da seleção afirmando que Didier Deschamps sabe onde escalá-lo. Contra o Ferencváros, não saiu do banco e viu mais uma vez boas atuações dos seus concorrentes ofensivos, além das boas entradas de Pedri e Ousmane Dembélé. Fica a impressão inicial de descanso, mas com amostras que pode ser algo pensado para um futuro não tão distante.

Griezmann está longe de ser um veterano, mas Koeman dá cada vez mais espaço a jovens, promove na prática o rejuvenescimento necessário da equipe. Três titulares tinham no máximo 20 anos (Sergiño Dest, 19; Ansu Fati, 17; Trincão, 20) e do banco ainda vieram Pedri (17) e Ronald Araújo (21). Somem a eles Frenkie de Jong (23) e Clement Lenglet (25), e assim temos uma base jovem para apoiar os "velhinhos" Sergi Roberto (28), Gerard Piqué (33), Miralem Pjanic (30), Philippe Coutinho (28) e Lionel Messi (33). Já Riqui Puig (21), com poucas oportunidades, ao menos ficou no banco.

No jogo contra o Ferencváros, o Barcelona começou dando muito espaço nos contra-ataques. Houve um gol bem anulado dos húngaros e ainda durante o 0 a 0 Isael mandou a bola no travessão. Coube a Lionel Messi sofrer e converter o pênalti que abriu o placar. A partir daí o 3 a 0 foi construído sem dificuldades.

A expulsão de Piqué e o gol de Igor Kharatin, no pênalti cometido pelo zagueiro, aqueceram novamente a partida aos 25 minutos, mas no final mais dois gols sacramentaram o resultado. Trata-se de um Barça ainda distante do que pode, realmente, render, mas que melhora a cada semana - mesmo com as oscilações de início de temporada. O 4-2-3-1 planejado por Koeman vai se encaixando e Messi parece mais tranquilo para jogar futebol do que há algumas semanas.

A turbulência política, porém, permanece. Nesta quarta-feira, o clube inicia as negociações com todos os funcionários para redução salarial, inclusive os jogadores, que em um burofax avisaram que querem outro tipo de acerto.

Além disso, o processo que pode derrubar Josep Maria Bartomeu segue cada vez mais forte. Será difícil manter o tema "Barcelona" apenas dentro de campo, mas nas quatro linhas o trabalho tem sido acima das expectativas.

Fonte: Gustavo Hofman

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Um Dérbi Eterno sem a mesma áurea de sempre

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Estádio Partizan não teve público nas arquibancadas
Estádio Partizan não teve público nas arquibancadas Partizan

Os últimos meses têm sido extremamente difíceis. A pandemia de coronavírus matou milhões de pessoas, mudou nossos costumes e ainda não há previsão para tudo isso acabar. No futebol, obrigou a nos acostumarmos com arquibancadas vazias, pela segurança de todos envolvidos. Vimos a Champions League, vemos o Brasileiro e assim seguimos, até a situação se normalizar.

Alguns jogos, porém, se tornam completamente diferentes sem público. Foi impossível acompanhar o clássico entre Partizan Belgrado e Estrela Vermelha da mesma forma neste domingo. As duas equipes empataram em 1 a 1 pela 11a rodada do Campeonato Sérvio, resultado que manteve oito pontos de vantagem da equipe vermelha e branca na liderança da competição sobre o rival alvinegro, segundo colocado.

O Dérbi Eterno, como é conhecida uma das partidas de maior rivalidade no futebol mundial, aconteceu sem torcedores nas arquibancadas do estádio Partizan. A pista de atletismo permaneceu seca, não havia necessidade de os bombeiros molhá-la para evitar incêndios, com os sinalizadores atirados pela torcida atrás do gol. O canto que se ouve por mais de 90 minutos não existiu. Aquela áurea especial, que sempre envolve o Dérbi Eterno, não apareceu.

É inevitável, também, achar que isso não interfere no rendimento em campo. Talvez no mais alto nível de futebol seja verdade, mas na Sérvia essa não é a realidade. Um jogo como esse sempre é bem mais disputado do que foi no final de semana. Jogadores medianos tendem a render mais quando são motivados por 30 mil torcedores - enquanto outros somem quando são criticados nessa mesma situação.

O primeiro gol saiu logo aos cinco minutos. Pressão na saída de bola do Estrela Vermelha e recuperação do Partizan Belgrado com Seydouba Soumah sobre o zagueiro Strahinja Erakovic. Na sequência linha de passes na entrada da grande área até a bola chegar em Filip Stevanovic, que finalizou para fazer 1 a 0. Soumah foi substituído pouco tempo depois, com um problema no olho, por Lazar Markovic, ex-Liverpool.

Até o final da primeira etapa, os donos da casa seguiram melhores e criaram pelo menos mais duas boas oportunidades para ampliar. Não fizeram e permitiram que os visitantes reagissem no segundo tempo. Mas, já que não havia público na arquibancada e qualquer problema para se conter nos arredores do estádio, a confusão aconteceu dentro de campo mesmo.

O árbitro Novak Simovic viu Milo Jojic puxar a camisa do marfinense Sekou Sanogo, após cobrança de escanteio. Marcou pênalti e gerou revolta entre a equipe do Partizan. O técnico Aleksandar Stanojevic foi expulso e sequer viu a cobrança de Aleksandar Katai, que empatou o jogo para o Estrela Vermelha aos 30 minutos. Houve tempo ainda para a expulsão de Sanogo, pelo segundo cartão amarelo recebido, já nos acréscimos.

A temporada será longa. Por causa da pandemida de coronavírus, não houve rebaixamento em 2019-20 e, assim, a liga subiu de 16 para 20 times a primeira divisão e manteve o formato de turno e returno. Por outro lado, os seis últimos serão rebaixados.

Até aqui o domínio do Estrela Vermelha é absoluto. Perdeu pontos pela primeira vez neste final de semana, até então tinha 100% de aproveitamento em dez rodadas. Comandado por Dejan Stankovic, que assumiu o cargo em dezembro, o clube luta pelo tetracampeonato e é o favorito.

Tecnicamente, o Campeonato Sérvio caiu muito nas últimas décadas, e os resultados do clubes nas preliminares continentais demonstram isso. O coeficiente da Sérvia está tão baixo, que o campeão nacional avança apenas para a primeira fase qualificatória da Champions League. Algo que a geração de Stankovic e a anterior, campeão europeia em 1991, jamais se acostumariam. Ao menos a classificação para a fase de grupos da Europa League foi alcançada nesta temporada, e terá pela frente Hoffenheim-ALE, Slovan Liberec-TCH e Gent-BEL.

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O impacto de Steven Gerrard no Campeonato Escocês é enorme

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O rebaixamento para a quarta divisão aconteceu em 2012. Após incontáveis problemas financeiros, o Rangers faliu e recomeçou na base do futebol escocês. Havia sido vice-campeão, mas foi obrigado a encarar a dura realidade e um penoso caminho de volta.

Desde então, o rival Celtic passou a empilhar troféus no país. É o atual eneacampeão nacional e venceu quatro Copas da Escócia e cinco Copas da Liga Escocesa nesse período. A soberania atual é absoluta, mas o domínio não é mais o mesmo.

Neste sábado (17), o Rangers venceu o Celtic por 2 a 0 pela 11ª rodada da Scottish Premiership e abriu quatro pontos de vantagem sobre o rival, com uma partida a mais também. A vitória quebrou marcas importantes: desde 2009, os Gers não venciam os Bhoys duas vezes seguidas pela liga - como visitante nas duas partidas, como foi o caso, não acontecia desde 1997.

A temporada é longa, serão 38 rodadas no total. Ou seja, ainda é muito cedo para garantir que o decacampeonato será impedido. De qualquer modo, com a solidez demonstrada desde 2018/2019, é possível afirmar que o Rangers está de volta, e muito graças ao trabalho do seu treinador.

Steven Gerrard iniciou a carreira como treinador em julho de 2018, quando acertou com o lado azul de Glasgow. Nas duas temporadas anteriores, os anos de retorno do Rangers à elite, o Celtic passeou e viu o Aberdeen ficar com o vice-campeonato. A situação claramente mudou.

Zagueirão resolve, e Rangers vence clássico Old Firm contra o Celtic pelo Campeonato Escocês; veja os gols abaixo


         
     

Nas últimas 20 rodadas do Campeonato Escocês, o Celtic soma duas derrotas. Justamente as duas, em casa, para o Rangers. Na temporada passada, após o triunfo de dezembro de 2019, os comandados de Gerrard não mantiveram a boa forma e permitiram que os rivais abrissem vantagem. 

No final, com a interrupção da competição com oito rodadas a disputar, o Celtic ficou com o título - eram 13 pontos de vantagem, apesar da definição das posições pela média de pontos conquistados por jogo.

Em 11 partidas disputadas na atual temporada, o Rangers venceu nove e empatou duas como visitante, com Hibernian e Livingston. Tem agora o melhor ataque com 26 gols e a melhor defesa com apenas três sofridos. O Celtic está com uma partida a menos, mas também já soma um empate com os outros times (Kilmarnock, fora). 

Neil Lennon tem sofrido com desfalques, como foi o caso no Old Firm deste sábado. Odsonne Édouard não foi para o jogo por ter contraído coronavírus, Ryan Christie estava de quarentena e James Forrest machucado. As ambições da equipe foram duramente atingidas, também, com a eliminação na segunda fase preliminar da Champions League para o Ferencváros (Hungria).

Rangers venceu o dérbi de Glasgow neste sábado por 2 a 0
Rangers venceu o dérbi de Glasgow neste sábado por 2 a 0 Rangers

Dentro desse cenário, e com o jogo bem contextualizado, a vitória deste sábado é bem impactante. No 2 a 0, o Rangers variou taticamente durante os 90 minutos, saindo do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e ainda contou com um inspirado zagueiro Connor Goldson, autor dos dois gols. Não teve mais posse de bola, mas foi a equipe que mais criou chances de gol e manteve o ataque adversário sob controle.

O favoritismo na temporada ainda está do outro lado. Até mesmo pela maior quantidade de talento no Celtic, com jovens extremamente promissores como o próprio Édouard, que não atuou, além do lateral-direito holandês Jeremie Frimpong (19 anos) e o zagueiro norueguês Kristoffer Ajer (22). O Rangers passa uma mensagem clara a todos: vai ter briga pelo título.

Steven Gerrard recuperou a mentalidade vencedora no vestiário e tem um bom time em mãos. Os dois clubes estão na disputa da Liga Europa também, mas a prioridade será a Premiership. Para o Celtic, vale a busca do inédito decacampeonato. Para o Rangers, impedir o decacampeonato.

Steven Gerrard, técnico do Rangers, durante o clássico contra o Celtic
Steven Gerrard, técnico do Rangers, durante o clássico contra o Celtic Craig Williamson/Getty Images

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O impacto de Steven Gerrard no Campeonato Escocês é enorme

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Seleção brasileira tem ótimo início nas eliminatórias e muitas avaliações pela frente

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seleção abriu as eliminatórias com duas boas vitórias
Seleção abriu as eliminatórias com duas boas vitórias Lucas Figueiredo/CBF

Duas rodadas, 100% de aproveitamento. Nove gols marcados, dois sofridos, 16 jogadores utilizados. A seleção brasileira começou as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 com vitórias sobre Bolívia (5x0), em casa, e Peru (4x2), fora. Ótimo início, com muito a ser analisado.

Trata-se de período único na história moderna. A pandemia de coronavírus afetou nosso movo de vida e, naturalmente, o futebol. Não há público nas arquibancadas, o calendário foi alterado e os cuidados sanitários são extremos. A competição, que começaria em março, teve início apenas agora e vai terminar em março de 2022, não mais no final de 2021.

O planejamento da comissão técnica também foi alterado. O tempo é menor até o Mundial, o que resultará em menos observações consequentemente. A manutenção do número de jogos pelas eliminatórias, assim como a Copa América alterada para junho e julho de 2021, vai impor um calendário apertado de jogos oficiais, com pouco espaço para testes mais duros, bastante necessários e cada vez mais difíceis de serem agendados contra times europeus.

Diante de bolivianos e peruanos, Tite apresentou nova variação tática. Ciente da necessidade de melhor desempenho contra adversários bem fechados, a comissão técnica montou o time em variação ofensiva de 3-2-5 para 2-3-5. O conceito principal dessa equipe é ter a posse de bola e pressionar o adversário. Esse é o padrão. Quando perde a bola, pressão alta e rápida para recuperar o controle do jogo.

Nessa construção ofensiva, contra times de linhas baixas de marcação, Marquinhos e Thiago Silva se posicionam com Danilo, Casemiro e Douglas Luiz à frente. Ora o lateral da Juventus recua na saída de bola, ora o meio-campista do Real Madrid. Nestas funções, Tite consegue extrair o melhor deles, já que Danilo não é um lateral ofensivo e Casemiro consegue manter, praticamente, a mesma função que exerce no Real Madrid.

Douglas Luiz foi a grande novidade, e bem positiva. O meio-campista do Aston Villa deu dinâmica ofensiva ao time, exerceu muito bem o papel definido a ele na fase ofensiva, com boas chegadas no ataque e construção do jogo a partir do campo de defesa, e acima de tudo não "sentiu" o peso. Jogou fácil, sem medo, sempre se colocando como opção em campo. Além do mais, tem um papel muito importante na variação para a fase defensiva.

Sem a bola, a seleção brasileira marca alto no 4-3-3, com Everton ou Richarlison pela direita, Roberto Firmino centralizado e Neymar pela esquerda pressionando para recuperar a bola no último terço do campo. À medida que o adversário avança, Neymar e Firmino "sobram" à frente, o atacante pela direita fecha a segunda linha e, no lado oposto, Douglas é o responsável pela variação. Ele fecha o setor esquerdo, com Casemiro ao lado e Philippe Coutinho como meia interno pela direita. Trata-se de 4-4-2 médio e baixo na fase defensiva.

Contra a fraca Bolívia deu muito certo. Os jogadores de frente tiveram liberdade para criar e a amplitude com Everton (depois Richarlison) e Renan Lodi funcionou demais. Coutinho e Neymar como meias avançados, com total liberdade, e Firmino abrindo espaços. Já contra o Peru, mais organizado, porém desfalcado, a dificuldade foi maior. Principalmente na saída de bola do Brasil, quando os peruanos adiantaram a marcação e conseguiram ter superioridade numérica em diversas ocasiões.

Os dois gols saíram em jogadas de rebote, na entrada da área. Falhas individuais, mérito do adversário e azar também. Em Lima a seleção mostrou tranquilidade para reagir a um placar adverso em dois momentos do jogo, mas alguns atletas voltaram a demonstrar muito nervosismo em campo. Neymar, por exemplo, tentou resolver várias jogadas sozinho, como nos tempos da Copa de 2018. Isso acontece, claramente, quando ele se irrita com a arbitragem em campo. Fez três gols (dois de pênaltis) e superou o recorde de Ronaldo Fenômeno na seleção, atrás agora apenas de Pelé em número de gols em jogos oficiais. Neymar é craque e o desenho tático é muito pensado nele. Precisa desequilibrar jogos grandes para, inclusive, justificar a confiança depositada em si.

Richarlison merece uma análise especial. Vive excelente fase na carreira e, depois da partida contra os peruanos, admitiu que o convívio com Carlo Ancelotti tem melhorado demais seu futebol. No Everton, tem atuado aberto pela esquerda nesta temporada, com Dominic Calvert-Lewin centralizado e James Rodríguez na direita do 4-3-3. Possui versatilidade para render nas três posições. Com o Brasil, foi arma importante pela direita nas bolas longas, nas costas do lateral Trauco, e depois, como atacante central, oferece mais poder de conclusão das jogadas na comparação com Firmino.

Todo esse desenho tático foi muito bem trabalhado nos dias em Teresópolis. Não é, necessariamente, o ideal para enfrentar adversários mais fortes. Por isso é importante manter no bolso mais opções e variações táticas, para estar preparado para enfrentar outros tipos de equipes. O próprio Ricardo Gareca deixou evidente a ótima preparação da seleção peruana para encarar o novo padrão tático brasileiro.

A preparação para a Copa do Mundo de 2022 começou no dia seguinte à eliminação para a Bélgica. Os aprendizados daquele Mundial foram enrome e significativos a Tite e os membros da comissão técnica, como Cléber Xavier. Mudanças aconteceram, como a saída de Edu Gaspar e a chegada de Juninho Paulista, além da incorporação de César Sampaio à equipe. São 50 partidas da seleção brasileira sob o comando de Tite, com 36 vitórias, dez empates e quatro derrotas. Uma classificação para a Copa conquistada facilmente, após cenário de terra arrasada na chegada, um título de Copa América, uma eliminação em quartas de final de Mundial, e agora o início da trajetória rumo ao Catar.

Tite é o melhor técnico do Brasil e faz um trabalho muito bom com a seleção brasileira. Teve, indiscutivelmente, fases melhores, assim como momentos bem ruins. Em todo esse processo jamais deixou de buscar um futebol bem jogado e ofensivo. Nem sempre conseguiu, isso é óbvio, mas para todos que conhecem o trabalho desenvolvido desde o segundo semestre de 2016 essa situação é muito clara. Tem um longo caminho até novembro de 2022, quando se iniciará a Copa. Testará mais jogadores, buscará outras formações, desenvolverá as variações táticas. Thiago Silva vai permanecer em todo ciclo? Daniel Alves voltará a ser titular?  São algumas perguntas que continuarão, por exemplo.

Está evidente que a seleção brasileira precisa evoluir para, efetivamente, brigar pelo título mundial. Hoje, todas as principais adversárias passam por estágios similares com foco em 2022, não há uma equipe nacional sobrando no planeta. Tite tem pela frente a missão de tornar o Brasil, novamente, o melhor time do mundo.

Fonte: Gustavo Hofman

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Como é gerir um time nos Estados Unidos longe da Major League Soccer?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Boston City está na National Soccer Premier League
Boston City está na National Soccer Premier League NPSL

A estrutura de futebol nos Estados Unidos é mais complexa do que parece. A Major League Soccer é o principal campeonato e, quanto a isso, não há qualquer dúvida. A liga cresce a cada temporada, se internacionaliza e aumentou o nível técnico consideravelmente na última década. A MLS, porém, não é a única liga profissional da modalidade no país.

Por não haver sistema de acesso e descenso, é difícil para o fã de futebol pelo mundo compreender os níveis existentes na pirâmide do soccer. Além da MLS, há pelo menos mais três entidades que organizam seus campeonatos e são consideradas "oficiais" pela United States Soccer Federation (USSF). A principal delas é a United Soccer League, detentora da USL Championship que, na estrutura norte-americana, tem o status de segunda divisão.

Abaixo dela, a própria USL tem mais campeonatos, assim como as outras duas entidades, National Independent Soccer Association (NISA) e National Premier Soccer League (NPSL). Esse emaranhado de ligas reúne centenas de times profissionais, semi-profissionais e amadores, milhares de atletas entre homens, mulheres e crianças, espalhados pelos Estados Unidos e pelo Canadá. Há muito dinheiro investido em cada um desses níveis.

Para o público brasileiro, o Orlando City, na MLS, sempre foi uma atração. Fundado pelo empresário Flávio Augusto Silva, em 2013, a equipe contratou Kaká como primeira estrela, tem uma estrutura interna gerida por muitos brasileiros e nesta temporada, finalmente, começa a alcançar grandes resultados em campo. A franquia, no entanto, não é a única gerida por um brasileiro no soccer.

Realidade longe da MLS

Renato Valentim deixou o Brasil e se mudou para Boston em 1998. Saiu de sua cidade, Manhuaçu, no interior de Minas, com o objetivo de aprender inglês e juntar dinheiro para retornar no futuro em uma situação melhor. A vida norte-americana começou com empregos em restaurantes, como acontece com milhões de imigrantes do mundo inteiro.

Os anos se passaram e a vontade de permanecer nos EUA foi mais forte, principalmente pelas chances que apareciam. Renato conseguiu cursar administração e culinária enquanto trabalhava como lavador de pratos. Tornou-se gerente e deixou o emprego para, ao lado do ex-patrão, fundar seu próprio restaurante. Passou também a investir no mercado imobiliário e hoje, aos 49 anos, possui uma rede famosa de restaurantes na cidade, a Tavern in the Square, com 12 unidades, fundada em 2004, e mais de 1200 funcionários.

A transição empresarial para o soccer foi natural, pela paixão, mas contou também com o apoio de um personagem marcante dos anos 1990 no futebol brasileiro. Palhinha, tricampeão da Libertadores e bi mundial, esteve envolvido na criação e desenvolvimento do Boston City Football Club, ao lado de Valentim, desde a fundação em 1o de abril de 2015.

Renato Valentim está nos Estados Unidos desde 1998
Renato Valentim está nos Estados Unidos desde 1998 Divulgação

A região de Boston contempla franquias que estão entre as maiores nas ligas profissionais dos Estados Unidos, como Boston Celtics (NBA), Boston Red Sox (MLB), Boston Bruins (NHL) e New England Patriots (NFL). Há também um representante da região na MLS, o New England Revolution, que pertence ao Kraft Group, também dono dos Patriots. O Gillete Stadium, casa das equipes de futebol e futebol americano, fica em Foxborough, distante uma hora de Boston.

"Não havia acesso ao futebol de alto rendimento na área de Boston, então comecei a planejar a criação do time. Foi quando conheci o Palhinha, que estava trabalhando na ideia do Corinthians USA na Califórnia. Ele veio até Boston para visitar o irmão, o conheci, apresentei o projeto e demos o pontapé no início do clube. Ele ajudou demais no nosso crescimento", conta Renato Valentim. Palhinha permaneceu por quatro anos como sócio do Boston City e no ano passado deixou o projeto, para outra oportunidade profissional em Portugal.

Neste ano, o Boston City disputaria sua quinta temporada na NPSL, que acabou cancelada devido à pandemia de coronavírus. "Fui um dos primeiros a fazer o lobby para cancelar a temporada. Estamos totalmente parados. Aqui nos Estados Unidos dispensamos todos os funcionários, a lei trabalhista é diferente do Brasil, mais tranquila nesse sentido. Paramos tudo, estamos apenas com o escritório funcionando, para movimentar as redes sociais também", explica o empresário brasileiro.

Bem diferente da MLS, a realidade na NPSL envolve amadorimo e estrutura insuficiente em diversos momentos. "Desde quando fundamos o clube, por ter o Palhinha por trás do futebol, sempre administramos como um clube 100% profissional. Situação muito diferente de alguns clubes que enfrentamos aqui. Times com atletas do college, campos complicados, temos que reclamar na liga porque não oferecem boas condições para o jogo... No último campeonato aqui tínhamos atletas de oito países diferentes no nosso elenco. Boston, por possuir muitas faculdades, reúne muitos jogadores que vêm aqui para estudar, inclusive alguns que atuavam em segundas divisões da Europa. Abandonam o futebol lá e vêm para os Estados Unidos estudar", afirma Valentim. O Boston City já alcançou as semifinais da competição, mas jamais chegou à decisão.

Próximos passos

O objetivo a curto e médio prazo do clube é conseguir a "promoção" para a USL Championship. Nos últimos dois anos o Boston City negocia com a liga esse acesso, que exige maior investimento em infra-estrutura própria. Por conta da pandemia, as conversas foram paralisadas, mas havia um acordo inicial para inclusão do time na temporada 2021 da USL Championship. Enquanto isso não acontece, Renato Valentim tem investido também em sua cidade.

Desde 2 de janeiro de 2018 existe o Boston City Futebol Clube Brasil, ainda na terceira divisão mineira. No ano passado, o clube caiu nas quartas de final da competição, mas o foco do investimento tem sido na estrutura e na base. Já no primeiro ano, a equipe sub-15 foi campeã da segunda divisão mineira e, junto com ela, o sub-17 e o sub-20 também conseguiram o acesso à elite. "Trabalho muito com planejamento. Quando fundamos o clube, nossa intenção era expandir para outros países. É uma marca forte, uma cidade que o mundo inteiro conhece. O objetivo inicial era a América do Sul, pela matéria prima abundante", garante Valentim, cujo grande objetivo por aqui é estar entre as referências na formação de atletas.

Antes de definir por Manhuaçu, cidade de 90 mil habitantes e distante 280 km de Belo Horizonte, no caminho para Vitória, houve conversas com outros municípios mineiros, além de alguns paulistas e capixabas. Em território brasileiro, Renato Valentim passou a enfrentar situações que não existem no futebol norte-americano. Como, por exemplo, a necessária relação com empresários de jogadores para montar um time. "Muitos empresários não têm condições de gerir a carreira de atletas. Temos muitas dificuldades nessas situações, porque nós precisamos dele, um clube não sobrevive sem essa parceria com os agentes, mas infelizmente, como em todas profissões, existem pessoas que não são profissionais".

Em agosto, o Boston City iniciou as obras de um novo complexo esportivo em Manhuaçu, que vai contar com "estádio/arena multiuso, toda a tecnologia necessária para transmissões televisas dos mais altos níveis de exigência, academia com tecnologia importada, dois campos para treinamento, espaço de lazer, hotéis e alojamento para 120 atletas", segundo o site oficial do clube. Para se manter em atividade, também fechou parceria com o Olimpia para disputar a série A3 do Campeonato Paulista.

A longo prazo, o objetivo é ter o Boston City Brasil nas divisões nacionais do futebol brasileiro com o elenco profissional e a base como um grande centro de formação de talentos. Projeto audacioso.

Boston City tem investido em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais
Boston City tem investido em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais Divulgação

Fonte: Gustavo Hofman

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Seleção brasileira prepara variação tática com Douglas Luiz pelo lado e Coutinho como meia interno

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Weverton; Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Renan Lodi; Philippe Coutinho, Casemiro e Douglas Luiz; Everton, Roberto Firmino e Éverton Ribeiro. Este é o provável time do Brasil para enfrentar a Bolívia nesta sexta-feira (9), em São Paulo, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. A dúvida é a presença de Neymar na escalação inicial. Com dores na região lombar, o atacante do Paris Saint-Germain-FRA é dúvida e terá sua vaga preenchida por Éverton Ribeiro, caso não jogue realmente.

Os mais atentos aos detalhes perceberam a forma como a escalação foi escrita no primeiro parágrafo: 4-3-3. Historicamente, divulgamos os times titulares pela forma tática como atuam. Tanto é que, no Brasil, ainda existe a ditadura do 4-4-2 nas escalações, com muitos times sendo divulgados desta maneira, independentemente da forma como realmente jogam.

Há muito tempo, também, precisamos falar em variações táticas de determinada equipe com e sem a bola. Ou seja, ataca de uma maneira pré-estabelecida taticamente e defende de outra forma, com mudanças nos números e seus tracinhos. Nos últimos dias, a comissão técnica da seleção brasileira trabalhou bastante esta variação.

A ideia, de maneira mais simples na explicação, é atacar no 4-3-3 e se defender no 4-4-2. Douglas Luiz, meio-campista do Aston Villa-ING, é a peça central na transição defensiva. Ele vai fechar a segunda linha pelo lado esquerdo, com Casemiro ao seu lado, Coutinho sendo o meia interno pela direita e Everton como extremo no lado oposto. À frente, 'sobrarão' Éverton Ribeiro e Roberto Firmino.

Variação tática da seleção brasileira com e sem a bola
Variação tática da seleção brasileira com e sem a bola BuildLineup

Esta é a situação chamada de linhas baixas, que contra a Bolívia não deve acontecer tanto. Assim, existem também as variações dentro de cada fase do jogo. A seleção brasileira utiliza linhas altas de marcação como padrão, por isto inicia o movimento sem a bola no 4-3-3, com Éverton Ribeiro, Firmino e Everton pressionando os adversários. Os meias também sobem, deixando as linhas mais altas, junto com os defensores: trata-se do já famoso 'perde e pressiona', que nada mais é do que a tentativa de recuperar a posse de bola o mais rápido e perto da área adversária possível. A partir das linhas médias, na faixa central do campo, à medida que o adversário consegue avançar, já altera para o 4-4-2.

Por que tudo isto? Para Neymar ter menos funções defensivas e estar menos desgastado fisicamente para a transição ofensiva. Mesmo sem o atacante do PSG, a ideia tática será mantida.

Brasil e Argentina favoritos, Uruguai, Colômbia e Peru em 2º bloco: Hofman projeta eliminatórias sul-americanas; assista

Com a bola, a movimentação será ainda maior, e bem provavelmente por muito tempo pela diferença técnica existente entre Brasil e Bolívia, além da postura defensiva que os bolivianos devem apresentar na Neo Química Arena. A iniciação das jogadas vai acontecer no 4-3-3, com a saída em três formada por Marquinhos, Casemiro e Thiago Silva, tendo os dois laterais abertos como opções de passe. Douglas e Coutinho lado a lado e os três atacantes mais à frente. Com o avanço, as variações partem para o 3-2-5 e 2-3-5, subindo as linhas e sufocando o rival.

Tite durante partida da seleção brasileira
Tite durante partida da seleção brasileira Getty

Nestas movimentações, as características de cada atleta se sobressaem. Ou seja, Éverton Ribeiro vai flutuar para a faixa central, abrindo o corredor para Renan Lodi avançar pela esquerda. Coutinho terá mais liberdade para ser um meia armador e buscar o jogo com os atacantes. 

Firmino vai sair da área e recuar, abrindo as diagonais para os Evertons. Jamais a tática pode ser tratada como algo engessado, que emperre o time, afinal, o objetivo é justamente o contrário. O esquema tático deve, sempre, potencializar as individualidades.

Os chamados 'treinos fantasmas', contra bonecos fixos no gramado, comandados por Tite orientam muito estas movimentações dos atletas. Esta é a parte tática programada para a partida. Em uma análise de futebol, são quatro fatores fundamentais para compreender o que acontece: tático, técnico, físico e anímico. Taticamente, está tudo bem programado e ensaiado.

Seleção treinou bastante a parte tática nos últimos dias
Seleção treinou bastante a parte tática nos últimos dias Lucas Figueiredo/CBF

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Seleção brasileira prepara variação tática com Douglas Luiz pelo lado e Coutinho como meia interno

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Contratações pontuais para se manter no topo: ótimo mercado do Bayern

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Douglas Costa está de volta ao clube bávaro após dois anos
Douglas Costa está de volta ao clube bávaro após dois anos Bayern

Thiago foi o nome que mais chamou atenção. Quando o negócio com o Liverpool foi sacramentado, lamentou-se a saída dele em Munique, mas ninguém foi pego de surpresa. O Bayern já aguardava uma proposta e sabia que o jogador desejava ir embora após seis vitoriosas temporadas com a camisa bávara.

A reposição ao jogador da seleção espanhola já estava no elenco. Em 2018, Leon Goretzka trocou o Schalke pelo Bayern e aos pouco evoluiu dentro do clube. As melhores atuações da equipe na histórica campanha de 2019-20 foram com ele ao lado de Joshua Kimmich no meio-campo.

A profundidade do elenco, de qualquer modo, foi atingida. Porque além de Thiago, outros jogadores foram embora. Philippe Coutinho e Ivan Perisic não tiveram os acordos de empréstimo renovados, por mais que os alemães tentassem no caso do croata. Na reserva da lateral-direita, o mesmo aconteceu com Álvaro Odriozola que jamais rendeu.

A exigência em Munique é sempre a mesma: ganhar tudo. Mesmo após uma temporada em que isso foi alcançado. Por isso a diretoria precisava reforçar o elenco, buscar reposições e manter a competitividade interna.

O retorno de Douglas Costa supre as saídas de Coutinho e Perisic, já que Leroy Sané foi a contratação principal. O risco envolvendo o brasileiro, emprestado pela Juventus, é o alto número de lesões. Problema recorrente na vida de Kingsley Coman e também de Sané. 

"Douglas vai nos fortalecer nas pontas, o que é importante para o nosso jogo. Com Serge Gnabry, Leroy Sane, Kingsley Coman, Jamal Musiala e Douglas sabemos que temos jogadores top nessas áreas. Isso dá ao treinador a oportunidade de rodar o elenco de maneira sensível. Douglas conhece o FC Bayern e vai se readaptar muito rapidamente", garantiu Hasan Salihamidzic, diretor esportivo do Bayern.

No final de semana, a goleada de 4 a 3 sobre o Hertha Berlim teve Alphonso Davies jogando aberto pela esquerda no ataque, como nos tempos de Vancouver Whitecaps. O jovem Jamal Musiala, citado por Salihamidzic, já ganhou oportunidades também. No último dia 18, se tornou o mais jovem a marcar um gol pelo Bayern na Bundesliga com 17 anos e 205 dias no massacre de 8 a 0 sobre o Schalke.

No fechamento da janela de transferências, o clube anunciou o empréstimo de Michaël Cuisance ao Olympique de Marselha. Desde que chegou do Borussia Mönchengladbach, no ano passado, pouco jogou. Tentará na França uma sequência maior de jogos. Para sua vaga no elenco, o Bayern apostou em Marc Roca, meio-campista espanhol de 23 anos, campeão europeu sub-21 com a Espanha, que estava no Espanyol.

De Marselha veio a peça necessária para o lado direito do campo. Hansi Flick não quer tirar Kimmich do meio-campo, e age corretamente assim. Por isso precisava de mais um jogador para ser opção a Benjamin Pavard, de preferência alguém com características ofensivas. Por isso buscou Bouna Sarr, 28 anos, lateral que ataca bastante e faz a função na segunda linha também, além de ser mais experiente que seu antecessor, Odriozola, e, teoricamente, se adaptar mais facilmente a um ambiente diferente. Contra o Hertha, a escolha de Hansi Flick para a posição foi o jovem norte-americano, ex-Dallas, Chris Richards (20).

No ataque, o clube precisava urgentemente de um reserva para Robert Lewandowski. Havia opções dentro do elenco, como centralizar Serge Gnabry, mas é fundamental para um time que quer vencer todas competições dar mais opções ao treinador, sem a necessidade de deslocar atletas de suas melhores funções. Eric Maxim Choupo-Moting, livre após deixar o PSG, se encaixa no perfil para compor o plantel. Afinal, tem 31 anos e conhece muito bem a Bundesliga.

Houve ainda a negociação do goleiro reserva Sven Ulreich, liberado para acertar com o Hamburgo e, assim, abrir espaço no plantel para a chegada de Alexander Nübel - reforço certo desde a temporada passada, vindo do Schalke. Todos negócios sem grande investimento.

Reforçam um grupo que ainda conta com Manuel Neuer, Niklas Süle, David Alaba , Lucas Hernández, Thomas Müller, Corentin Tolisso e Joshua Zirkzee, além de todos citados nos parágrafos acima. Na prática, o Bayern Munique contratou jogadores para a reserva. Aumentou a profundidade do elenco e ofereceu ao seu treinador mais opções dinâmicas para definir escalações e funções. A atual temporada deu demonstrações das carências na vitória na prorrogação sobre o Sevilla e na goleada sofrida para o Hoffenheim.

Em nenhum momento o time ficou fraco ou ruim com as saídas, mas o "problema" é o nível de exigência que existe na Sabener Strasse. Talvez o atual time fosse o suficiente para vencer a Bundesliga sem maiores dificuldades, mas apenas o Campeonato Alemão não é suficiente para os bávaros. Não se espera menos do Bayern do que tudo. 

Atualização: o Bayern anunciou após o fechamento da janela, acordo com o Benfica pela contratação do meio-campista Tiago Dantas, de 19 anos, que estava no time B do clube português. Chega por empréstimo de uma temporada, com cláusula de compra fixada em 8 milhões de euros.

Fonte: Gustavo Hofman

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Brugge impõe primeira derrota na temporada ao Anderlecht, de Vincent Kompany

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Diatta e Badji comemoram com os torcedores nas arquibancadas, com limite de público
Diatta e Badji comemoram com os torcedores nas arquibancadas, com limite de público Brugge

A Bélgica não é um país marcado no futebol por suas rivalidades. Por mais que elas existam internamente, não estão entre as mais relevantes da Europa.

Neste final de semana, Brugge e Anderlecht se enfrentaram pela oitava rodada da Jupiler League. O clássico entre os dois é considerado, por muitos, o principal do país por reunir os dois maiores campeões nacionais e também por ser uma disputa entre as cidades.

Bruges é a capital de Flandres Ocidental, região de língua holandesa, enquanto Bruxelas é um enclave de maioria francófona em Flandres. Há uma enorme complexidade cultural e linguística na Bélgica.

Em campo, no estádio Jan Breydel, o Brugge venceu no domingo o Anderlecht por 3 a 0 e permanece muito bem na competição, diferentemente do rival. A equipe é vice-líder da Jupiler League com 18 pontos, um a menos que o Charleroi. Já o Anderlecht ocupa somente o sétimo lugar, com 13 pontos, apesar de ter sofrido a primeira derrota apenas.

Como não houve rebaixamento na última temporada, o Campeonato Belga está com 18 times na primeira divisão ao invés de 16. Segue com a disputa em turno e returno, mas a fase final foi reduzida de seis para quatro equipes classificadas.

O Brugge é comandado por Philippe Clement, que retornou ao clube na temporada passada. O ex-zagueiro, de 46 anos, trabalhou de 2011 a 2017 no clube após se aposentar. Passou pelo Waasland Beveren e foi campeão belga com o Genk em 2018-19.

Jogando em casa, o atual bicampeão nacional foi muito superior aos visitantes. Foram 24 finalizações, com seis no alvo, em 56% de posse de bola. Sofreu cinco finalizações em apenas 24 ações ofensivas do Anderlecht. Domínio absoluto.

O primeiro gol saiu aos 23 minutos, com o jovem atacante senegalês Krepin Diatta, de 21 anos. Seu compatriota, Youssouph Badji, ainda mais novo (18), pressionou a saída de bola e forçou o erro. A bola ficou com Hans Vanaken, que acionou Diatta na grande área para fazer 1 a 0.

Vincent Kompany, em sua primeira temporada completa como exclusivamente treinador, vai ter muito trabalho. Gosta da posse de bola e quer que seu time faça a transição com passes curtos e aproximação. O gol adversário, porém, saiu da pressão sobre sua equipe, e um minuto antes já havia acontecido uma jogada similar, assim como aconteceu também nos minutos seguintes.

A partida foi totalmente dominada pelo Brugge, que atuou no 4-2-3-1 contra o 4-4-2 de Kompany, com Vanaken sendo o meia de ligação e Diatta muito acionado aberto pela direita no ataque. Badji, centroavante de 1m92, apesar de não ter marcado, mostrou novamente seu enorme potencial. 

Na segunda etapa, Vanaken aos três minutos ampliou de pênalti e aos 27 o meio-campista Albert Lokonga foi expulso, deixando os visitantes com um a menos em campo. Pouco antes, aos 20, o Anderlecht teve no mesmo ataque as duas únicas chances de gol e suas finalizações certas na partida.

Já no acréscimos, aos 49, o veterano de 32 anos e muito bom meia holandês Ruud Vormer fez 3 a 0, em clássica cobrança de falta na entrada da área.

Fonte: Gustavo Hofman

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Brugge impõe primeira derrota na temporada ao Anderlecht, de Vincent Kompany

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Liga Europa terá confrontos entre campeões continentais e potências do Leste Europeu

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Milan vai enfrentar o Celtic na fase de grupos da Liga Europa
Milan vai enfrentar o Celtic na fase de grupos da Liga Europa Milan

Roma, Arsenal, Bayer Leverkusen, Nice, Benfica, Rangers, PSV, Napoli, Leicester, Celtic, Milan, CSKA Moscou, Tottenham, Hoffenheim... A lista de times participantes da Europa League comprova a força da competição. Há, acima de tudo, o mérito esportivo em uma conquista continental. No entanto, é necessário reconhecer que, desde que passou a valer uma vaga na Champions League seguinte, a Europa League passou a ser tratada com mais seriedade pelos times das grandes ligas europeias.

Outro aspecto fundamental para o crescimento do torneio foi o aumento da premiação. Na temporada passada, o campeão Sevilla recebeu cerca de 27 milhões de euros pela participação e sua sexta conquista. Esta será, também, a Europa League com o atual formato, contemplando 48 times na fase de grupos. Em 2021-21 ressurgirá a terceira competição continental europeia, agora chamada de Conference League, que vai receber boa parte dos representantes dos últimos potes nos sorteios.

Para 2020-21, o Grupo H se destaca entre todos. Afinal, é o único que reúne dois campeões continentais: Milan e Celtic. Os italianos passaram por um drama enorme para alcançar o atual estágio, após empatar em 2 a 2 com o Rio Ave pelo playoffs, com um gol no último minuto - de pênalti - na prorrogação. Na disputa de penalidades máximas, foram necessárias 24 para definir o triunfo rossonero por 9 a 8. Já os escoceses sofreram para vencer o Sarajevo, na Bósnia, por 1 a 0, gol do ótimo atacante francês Odsonne Édouard. Além dos dois, há ainda Lille, um dos representantes da Ligue 1, e o Sparta Praga (Tchéquia).

Entre os clubes ingleses, o Arsenal terá um roteiro mais alternativo, viajando para Áustria (Rapid Viena), Noruega (Molde) e Irlanda (Dundalk). Já o Leicester enfrentará o AEK, da Grécia, que eliminou nos playoffs o Wolfsburg, e o Braga, tradicional equipe portuguesa, além do Zorya Luhansk (Ucrânia). Por fim, o Tottenham e José Mourinho terão adversário inéditos em suas histórias: Ludogorets, eneacampeão búlgaro, LASK Linz, que brigou pelo título do último Campeonato Austríaco, e Antuérpia, clube mais antigo da Bélgica e quarto colocado do Campeonato Belga 2019-20.

Outros clubes importantes caíram em grupos mais equilibrados. O Bayer Leverkusen jogará com Slavia Praga (atual bicampeão tcheco e que fez bons jogos contra Barcelona, Internazionale e Borussia Dortmund na fase de grupos da Champions passada), Hapoel Beer Sheva (Israel) e Nice (França) e o Benfica terá pela frente Rangers (Escócia), Standard Liège (Bélgica) e Lech Poznan (Polônia). O Napoli está em uma chave que deve gerar ótimos jogos, ao lado da Real Sociedad (Espanha), do AZ (Holanda) e do Rijeka (Croácia). Já a Roma terá um grupo mais acessível, ao lado de Young Boys (Suíça), Cluj (Romênia) e CSKA Sofia (Bulgária),

Por receber os terceiros colocados nos grupos da Champions, é impossível apontar os favoritos ao título da Europa League.

Tradicionalmente, a Europa League vai muito além dos clubes das grandes ligas europeias. O Leste Europeu se vê bem representado na competição, com gigantes da região. O Estrela Vermelha, campeão europeu em 1991, enfrentará o Hoffenheim (Alemanha), o Gent (Bélgica) e o Slovan Liberec (Eslováquia).

A região, porém, terá um duelo de peso no Grupo K, com CSKA Moscou e Dinamo Zagreb. Os russos foram campeões da Copa da Uefa em 2005, no histórico time que contava com os brasileiros Daniel Carvalho e Vágner Love. Os croatas, por sua vez, mantém uma das melhores bases do futebol europeu e revelam, anualmente, muitos jogadores que se espalham pela Europa. Fora o fato de serem dois dos clubes mais populares no leste do continente. Completam a chave Feyenoord (Holanda) e Wolfsberger (Áustria).

Que comecem os jogos!

GRUPO A
Roma
Young Boys
Cluj
CSKA Sofia

GRUPO B
Arsenal
Rapid Viena
Molde
Dundalk

GRUPO C
Bayer Leverkusen
Slavia Praga
Hapoel Beer Sheva
Nice

GRUPO D
Benfica
Standard Liège
Rangers
Lech Poznan

GRUPO E
PSV Eindhoven
PAOK
Granada
Omonia

GRUPO F
Napoli
Real Sociedad
AZ
Rijeka

GRUPO G
Braga
Leicester
AEK
Zorya Luhansk

GRUPO H
Celtic
Sparta Praga
Milan
Lille

GRUPO I
Villarreal
Qarabag
Maccabi Tel Aviv
Sivasspor

GRUPO J
Tottenham
Ludogorets
LASK
Antuérpia

GRUPO K
CSKA Moscou
Dinamo Zagreb
Feyenoord
Wolfsberger

GRUPO L
Gent
Estrela Vermelha
Hoffenheim
Slovan Liberec

Fonte: Gustavo Hofman

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