Valencia vence o dérbi da cidade em meio à crise institucional

Gustavo Hofman
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Javi Gracia estreou como treinador do Valencia
Javi Gracia estreou como treinador do Valencia Valencia

Durante a semana, o técnico Javi Gracia foi protagonista de uma dura coletiva de imprensa. O estreante no cargo do Valencia, afirmou estar decepcionado com a diretoria do clube, que o garantiu reforços e não cumpriu com as promessas. Nas semanas anteriores, Ferrán Torres, Rodrigo, Dani Parejo Francis Coquelin e outros foram negociados por Peter Lim, o proprietário singapurense do clube.

Em carta aberta aos torcedores, antes disso ainda, o presidente, Anil Murthy, afirmou que o clube passaria por momentos bem difíceis devido à pandemia de coronavírus e que reduziria drasticamente a folha salarial. Neste domingo, antes da bola rolar no dérbi da cidade, contra o Levante, dezenas de torcedores se reúniram do lado de fora do vazio Mestalla para pedir a saída de Lim.

Em meio a esse cenário de crise institucional, o Valencia conseguiu uma grande vitória por 4 a 2, no primeiro final de semana de LaLiga 2020-21. Placar que não mascara os problemas do time, como o próprio treinador deixou claro após a partida. "O resultado de hoje não muda as necessidades da equipe. Acho que a situação da equipe é a mesma, mas demonstra Yunus, Esquerdo, nos permite ver jovens com muitas virtudes", garantiu Gracia, de volta à LaLiga após 1582 dias e experiências no Rubin Kazan e no Watford.

Yunus Musah estreou na primeira divisão espanhola. O jovem atacante de 17 anos, nascido em Nova York, com passaporte inglês e origundo da base do Arsenal, foi titular e impressionou pela velocidade e lances individuais. Porém, o que mais chamou atenção no primeiro tempo foi a defesa do Valencia - só que negativamente. O veterano José Luis Morales, de 33 anos, marcou dois golaços (um com 34 segundos de jogo) e teve a chance do terceiro logo no início da segunda etapa.

Paco López, no cargo desde 2018, sempre fez do Levante uma equipe forte defensivamente, mas surpreendeu neste domingo contra o Valencia. Marcação alta, pressão, posse de bola e muitas chances criadas. Só que mesmo com um ótimo primeiro tempo, o placar ficou no 2 a 2, graças a um gol de bola parada (Gabriel Paulista, após escanteio) e outro de contra-ataque (Maxi Gómez, em bela jogada com Lee Kan-In).

O segundo tempo mostrou os donos da casa mais ligados no jogo, concentrado e melhores fisicamente. O Levante não conseguiu mais atacar e pressionar o Valencia, que por sua vez contou com boas substituições feitas por Javi Gracia, que mandou a campo Denis Cheryshev, Uros Racic e Manu Vallejo - este último, autor dos dois gols que definiram a virada e a vitória valencianista.

Sem competições europeias para disputar, cabe ao Valencia se dedicar ao máximos nas disputas de LaLiga e Copa do Rei. Os veteranos ou atletas com mais tempo de clube, precisarão assumir a responsabilidade, em um grupo onde os jovens terão bastante espaço. Apesar do 4 a 2 deste domingo no Derby del Turia, nome em homenagem ao rio que corta a cidade, a perspectiva não é positiva para o Valencia.

A temporada deve ser de muitos atritos, com a diretoria de um lado e a comissão técnica com os torcedores do outro. Entre eles, um grupo de bons jogadores sob constante tiroteio em um dos campeonatos nacionais mais fortes do planeta.

Fonte: Gustavo Hofman

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20 de novembro se tornou uma data muito aguardada em Dortmund. Motivo? Youssoufa Moukoko

Gustavo Hofman
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Youssoufa Moukoko é a maior promessa na base do Borussia Dortmund
Youssoufa Moukoko é a maior promessa na base do Borussia Dortmund Divulgação

O próximo dia 20 de novembro está sendo bastante aguardado em Dortmund. Nessa data, Youssoufa Moukoko completará 16 anos e poderá ser convocado para os jogos do Borussia na Bundesliga.

"Moukoko é muito melhor do que eu nessa idade. Nunca vi um garoto de 15 anos tão bom quanto ele. A vantagem dele é que já está jogando pelo Dortmund aos 15 anos. Nessa idade, eu ainda estava no clube da minha cidade Bryne", garante Erling Haaland. Os dois conviveram durante a pré-temporada do clube alemão na Suíça.

No último domingo, a jovem promessa da base do Dortmund marcou quatro gols na goleada do sub-19 sobre o Rot-Weiss Essen por 6 a 0. Foi o quarto jogo seguido dele com pelo menos três gols anotados - já tem 13 em quatro partidas disputadas na atual temporada.

Lars Ricken, ex-jogador do clube e da seleção alemã, é o coordenador da base no Borussia Dortmund. O clube tem muitos ex-atletas em sua estrutura de futebol, como Michael Zorc (diretor de Futebol) e Sebastian Kehl (chefe do time principal). O acompanhemento da evolução de Moukoko tem sido feito de maneira muito próxima por todos eles. A DFL reduziu o limite de idade para atletas da Bundesliga em abril, de 16 anos e seis meses para os 16 atuais. "Estamos muito felizes. Isso imediatamente ajuda o clube e também os jovens jogadores em seu desenvolvimento", afirmou Ricken, à época.

Pela forma como a notícia foi tratada e pela utilização de Moukoko na pré-temporada, tudo leva a crer que o atacante nascido em Yaoundé, capital de Camarões, que se mudou para a Alemanha aos dez anos para morar com o pai, está nos planos imediatos do técnico Lucien Favre. Com uma enorme vantagem: o Dortmund, com Haaland, não está desesperado atrás de um atacante central. Isso vai lhe dar tempo para adaptação e natural desenvolvimento, sem a pressão de resolver problemas do elenco. "Gostei muito dele, tem enorme potencial. Você não sabe com qual pé ele vai finalizar. Ele é muito novo, mas também muito eficiente. É bonito de vê-lo e divertido trabalhar com ele", declarou Favre. 

Desde o ano passado Moukoko tem contrato assinado com a Nike e já é atleta da base na seleção alemã também. Aos 14 anos, se tornou o mais jovem atleta a atuar pela UEFA Youth League. Passou pelo sub-13 do St. Pauli, em Hamburgo, antes de se transferir para Dortmund. "Queremos protegê-lo ao máximo, e não colocá-lo em um pedestal", garante Lars Ricken.

Inevitavelmente, os holofotes estão voltados para Moukoko. O Dortmund trabalha para aliviar a pressão, mas muitas vezes é impossível. O jogador tem sido alvo, inclusive, de ofensas racistas, como aconteceu no jogo contra o Schalke pelo sub-19, que resultou em um pedido de desculpas do grande rival. Questionamentos sobre a idade do jovem atleta, mesmo sem qualquer evidência real, também se tornaram comuns.

"Sento no meu quarto e imagino como tudo aconteceu, quão rápido aconteceu. Hoje jogo pelo Borussia Dortmund, compito na Youth League contra Barcelona, Milan ou Slavia Praga e há alguns anos apenas jogava por diversão com meus amigos. Nós tínhamos apenas uma bola, e quando chutava para longa não tínhamos mais. Sei como é difícil para muitos. Não tínhamos chuteiras ou camisas de futebol. Ainda falo com meus amigos sobre esse tempo", afirmou Youssoufa Moukoko em entrevista ao site oficial do clube. Seu irmão mais velho, Borel Moukoko, também é jogador, mas está desempregado após deixar o Schwarz-Weiss Essen.

A ficha de Youssoufa Moukoko no Wyscout, base profissional de scout no futebol, indica 1m79 de altura e 70 kg. A observação dessas partidas permite descrevê-lo como um jogador forte, de posição centralizada no ataque, mas com boa movimentação. Canhoto com excelente capacidade de finalização. Claramente está muito acima dos atuais companheiros e adversários fisicamente e em QI de jogo. Ainda segundo o Wyscout, tem 127 gols e 11 assistências, com 6441 minutos jogados entre sub-17, sub-19 e Youth League. Foram 194 recuperações de bola no campo de ataque, apenas nove cartões amarelos recebidos e nenhum vermelho. Outro dado que chama atenção é de Gols Esperados (xG), que mede a qualidade da finalização e a possibilidade de marcar: 91,02, abaixo dos 127 anotados.

Mapa de movimentação de Moukoko na base do Dortmund
Mapa de movimentação de Moukoko na base do Dortmund Wyscout

A superioridade dele tem sido absurda nesses últimos anos, mesmo jogando contra atletas mais velhos. Vale ressaltar: tem 16 anos e atua pelo sub-19 atualmente. Várias promessas no futebol surgiram e desapareceram na mesma velocidade. A transição para o profissional não é simples, mas parece ser muito bem feita pelo Borussia Dortmund com Youssoufa Moukoko. Em 21 de novembro, o time viaja até Berlim, para enfrentar o Hertha, no mítico estádio Olímpico. Pode ser o início de uma grande história.

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Goleada protocolar do Bayern reforça condição de melhor time do mundo

Gustavo Hofman
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São 12 vitórias seguidas do Bayern na Champions League
São 12 vitórias seguidas do Bayern na Champions League Bayern

Dois dos melhores jogadores do Bayern foram desfalques. Sem seus dois atacantes de lado, Leroy Sané e Serge Gnabry, de características bem diferentes, Hansi Flick optou por escalar Corentin Tolisso e Kingsley Coman como titulares contra o Atlético de Madrid. Dois atletas da seleção francesa, reservas no time bávaro.

Essa situação demonstra a qualidade do elenco montado para a temporada 2020-21. O Bayern venceu o adversário espanhol, que o derrubou na semifinal da Champions em 2016, por 4 a 0 de maneira convincente e tranquila. Não foi uma atuação maravilhosa, espetacular ou inédita. Não está entre as melhores partidas desse Bayern. Tratou-se, somente, de uma vitória protocolar, que expôs bem os estágios diferentes das duas equipes e a condição dos alemães.

O Atlético fez um bom jogo. Dentro das ideias de Diego Simeone, marcou no 4-4-2 e criou algumas oportunidades ofensivas. Chegou a marcar com João Félix, no início do segundo tempo, mas viu o gol ser anulado corretamente com o auxílio do VAR. O problema é que o "bom jogo" desse Atleti é insuficiente para parar o Bayern.

O nível atual de confiança estabelecido na Sabener Strasse é impressionante. Em momento algum o time se desespera ou abandona o sistema de jogo. Mantém o padrão tático do 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 na fase defensiva, com movimentação constante e alternância de ritmo. Controla com a posse de bola e acelera com as bolas longas. Absolutamente eficiente.

Na goleada desta quarta, sem Gnabry, Thomas Müller foi deslocado para o lado direito do ataque. Coman foi o responsável pelo lado oposto e Leon Goretzka adiantado no meio-campo, para Tolisso jogar ao lado de Joshua Kimmich. Substituições e mudanças naturais, que reforçam a qualidade e a versatilidade do elenco. Os dois franceses foram os destaques da equipe.

A temporada passada foi marcante também para Alphonso Davies, que entrou no segundo tempo contra os colchoneros. Rapidamente alçado à condição de um dos melhores laterais pela esquerda, tem ficado mais na reserva nas últimas semanas. Dá lugar a Lucas Hernández, outro jogador da seleção francesa. Hansi Flick falou nesta semana sobre a situação do jogador canadense. "Deliberadamente, nós demos tempo para ele se recarregar - mentalmente e fisicamente - e é o que ele está fazendo".

A última janela de transferências corrigiu o problema de profundidade que surgiu no elenco, com as saídas de Odriozola, Thiago, Philippe Coutinho e Ivan Perisic. São sete vitórias em oito jogos, com dois títulos somados à galeria de troféus (Supercopas da Alemanha e da Europa). O revés, justo pela atuação do Hoffenheim no 4 a 1 pela Bundesliga, serviu para reforças as carências também. Pelo momento mágico do clube, foi uma derrota que "ajudou" a diretoria em seu planejamento para o fechamento do mercado e, acima de tudo, mantém os pés de todos no chão.

Taticamente, tecnicamente, fisicamente e animicamente... É impossível retirar do Bayern a condição de melhor time do mundo no início da temporada 2020-21. Contra o Atlético, as evidências foram mais uma vez demonstradas, e sem gol do Lewandowski. 

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Goleada na Champions apresenta mais indícios sobre como Ronald Koeman pensa o novo Barcelona

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Ansu Fati mais uma vez foi um dos destaques do Barcelona
Ansu Fati mais uma vez foi um dos destaques do Barcelona Barcelona

O retorno do Ferencváros à Champions League, vinte e cinco anos após sua última participação, não foi como o clube do Leste Europeu sonhava. No entanto, esteve dentro da expectativa pela força do adversário.

Nesta terça-feira, o Barcelona comandado por Ronald Koeman estreou na UEFA Champions League com goleada de 5 a 1 sobre o atual campeão húngaro, jogando no vazio Camp Nou. Partida com alguns indicativos sobre mudanças que podem se confirmar daqui para frente.

No próximo sábado acontece o primeiro El Clásico da temporada, que certamente impactou algumas decisões do treinador holandês. Sergio Busquets foi poupado e deu lugar a Miralem Pjanic, que fez o primeiro jogo como titular no novo clube. Já Antoine Griezmann cedeu o espaço entre os titulares a Trincão, outro estreante de início. Cedeu ou foi cedido?

Na comparação com Lionel Messi, Philippe Coutinho e Ansu Fati, o desempenho do atacante francês na temporada está abaixo. Além disso, voltou da seleção afirmando que Didier Deschamps sabe onde escalá-lo. Contra o Ferencváros, não saiu do banco e viu mais uma vez boas atuações dos seus concorrentes ofensivos, além das boas entradas de Pedri e Ousmane Dembélé. Fica a impressão inicial de descanso, mas com amostras que pode ser algo pensado para um futuro não tão distante.

Griezmann está longe de ser um veterano, mas Koeman dá cada vez mais espaço a jovens, promove na prática o rejuvenescimento necessário da equipe. Três titulares tinham no máximo 20 anos (Sergiño Dest, 19; Ansu Fati, 17; Trincão, 20) e do banco ainda vieram Pedri (17) e Ronald Araújo (21). Somem a eles Frenkie de Jong (23) e Clement Lenglet (25), e assim temos uma base jovem para apoiar os "velhinhos" Sergi Roberto (28), Gerard Piqué (33), Miralem Pjanic (30), Philippe Coutinho (28) e Lionel Messi (33). Já Riqui Puig (21), com poucas oportunidades, ao menos ficou no banco.

No jogo contra o Ferencváros, o Barcelona começou dando muito espaço nos contra-ataques. Houve um gol bem anulado dos húngaros e ainda durante o 0 a 0 Isael mandou a bola no travessão. Coube a Lionel Messi sofrer e converter o pênalti que abriu o placar. A partir daí o 3 a 0 foi construído sem dificuldades.

A expulsão de Piqué e o gol de Igor Kharatin, no pênalti cometido pelo zagueiro, aqueceram novamente a partida aos 25 minutos, mas no final mais dois gols sacramentaram o resultado. Trata-se de um Barça ainda distante do que pode, realmente, render, mas que melhora a cada semana - mesmo com as oscilações de início de temporada. O 4-2-3-1 planejado por Koeman vai se encaixando e Messi parece mais tranquilo para jogar futebol do que há algumas semanas.

A turbulência política, porém, permanece. Nesta quarta-feira, o clube inicia as negociações com todos os funcionários para redução salarial, inclusive os jogadores, que em um burofax avisaram que querem outro tipo de acerto.

Além disso, o processo que pode derrubar Josep Maria Bartomeu segue cada vez mais forte. Será difícil manter o tema "Barcelona" apenas dentro de campo, mas nas quatro linhas o trabalho tem sido acima das expectativas.

Fonte: Gustavo Hofman

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Um Dérbi Eterno sem a mesma áurea de sempre

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Estádio Partizan não teve público nas arquibancadas
Estádio Partizan não teve público nas arquibancadas Partizan

Os últimos meses têm sido extremamente difíceis. A pandemia de coronavírus matou milhões de pessoas, mudou nossos costumes e ainda não há previsão para tudo isso acabar. No futebol, obrigou a nos acostumarmos com arquibancadas vazias, pela segurança de todos envolvidos. Vimos a Champions League, vemos o Brasileiro e assim seguimos, até a situação se normalizar.

Alguns jogos, porém, se tornam completamente diferentes sem público. Foi impossível acompanhar o clássico entre Partizan Belgrado e Estrela Vermelha da mesma forma neste domingo. As duas equipes empataram em 1 a 1 pela 11a rodada do Campeonato Sérvio, resultado que manteve oito pontos de vantagem da equipe vermelha e branca na liderança da competição sobre o rival alvinegro, segundo colocado.

O Dérbi Eterno, como é conhecida uma das partidas de maior rivalidade no futebol mundial, aconteceu sem torcedores nas arquibancadas do estádio Partizan. A pista de atletismo permaneceu seca, não havia necessidade de os bombeiros molhá-la para evitar incêndios, com os sinalizadores atirados pela torcida atrás do gol. O canto que se ouve por mais de 90 minutos não existiu. Aquela áurea especial, que sempre envolve o Dérbi Eterno, não apareceu.

É inevitável, também, achar que isso não interfere no rendimento em campo. Talvez no mais alto nível de futebol seja verdade, mas na Sérvia essa não é a realidade. Um jogo como esse sempre é bem mais disputado do que foi no final de semana. Jogadores medianos tendem a render mais quando são motivados por 30 mil torcedores - enquanto outros somem quando são criticados nessa mesma situação.

O primeiro gol saiu logo aos cinco minutos. Pressão na saída de bola do Estrela Vermelha e recuperação do Partizan Belgrado com Seydouba Soumah sobre o zagueiro Strahinja Erakovic. Na sequência linha de passes na entrada da grande área até a bola chegar em Filip Stevanovic, que finalizou para fazer 1 a 0. Soumah foi substituído pouco tempo depois, com um problema no olho, por Lazar Markovic, ex-Liverpool.

Até o final da primeira etapa, os donos da casa seguiram melhores e criaram pelo menos mais duas boas oportunidades para ampliar. Não fizeram e permitiram que os visitantes reagissem no segundo tempo. Mas, já que não havia público na arquibancada e qualquer problema para se conter nos arredores do estádio, a confusão aconteceu dentro de campo mesmo.

O árbitro Novak Simovic viu Milo Jojic puxar a camisa do marfinense Sekou Sanogo, após cobrança de escanteio. Marcou pênalti e gerou revolta entre a equipe do Partizan. O técnico Aleksandar Stanojevic foi expulso e sequer viu a cobrança de Aleksandar Katai, que empatou o jogo para o Estrela Vermelha aos 30 minutos. Houve tempo ainda para a expulsão de Sanogo, pelo segundo cartão amarelo recebido, já nos acréscimos.

A temporada será longa. Por causa da pandemida de coronavírus, não houve rebaixamento em 2019-20 e, assim, a liga subiu de 16 para 20 times a primeira divisão e manteve o formato de turno e returno. Por outro lado, os seis últimos serão rebaixados.

Até aqui o domínio do Estrela Vermelha é absoluto. Perdeu pontos pela primeira vez neste final de semana, até então tinha 100% de aproveitamento em dez rodadas. Comandado por Dejan Stankovic, que assumiu o cargo em dezembro, o clube luta pelo tetracampeonato e é o favorito.

Tecnicamente, o Campeonato Sérvio caiu muito nas últimas décadas, e os resultados do clubes nas preliminares continentais demonstram isso. O coeficiente da Sérvia está tão baixo, que o campeão nacional avança apenas para a primeira fase qualificatória da Champions League. Algo que a geração de Stankovic e a anterior, campeão europeia em 1991, jamais se acostumariam. Ao menos a classificação para a fase de grupos da Europa League foi alcançada nesta temporada, e terá pela frente Hoffenheim-ALE, Slovan Liberec-TCH e Gent-BEL.

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O impacto de Steven Gerrard no Campeonato Escocês é enorme

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O rebaixamento para a quarta divisão aconteceu em 2012. Após incontáveis problemas financeiros, o Rangers faliu e recomeçou na base do futebol escocês. Havia sido vice-campeão, mas foi obrigado a encarar a dura realidade e um penoso caminho de volta.

Desde então, o rival Celtic passou a empilhar troféus no país. É o atual eneacampeão nacional e venceu quatro Copas da Escócia e cinco Copas da Liga Escocesa nesse período. A soberania atual é absoluta, mas o domínio não é mais o mesmo.

Neste sábado (17), o Rangers venceu o Celtic por 2 a 0 pela 11ª rodada da Scottish Premiership e abriu quatro pontos de vantagem sobre o rival, com uma partida a mais também. A vitória quebrou marcas importantes: desde 2009, os Gers não venciam os Bhoys duas vezes seguidas pela liga - como visitante nas duas partidas, como foi o caso, não acontecia desde 1997.

A temporada é longa, serão 38 rodadas no total. Ou seja, ainda é muito cedo para garantir que o decacampeonato será impedido. De qualquer modo, com a solidez demonstrada desde 2018/2019, é possível afirmar que o Rangers está de volta, e muito graças ao trabalho do seu treinador.

Steven Gerrard iniciou a carreira como treinador em julho de 2018, quando acertou com o lado azul de Glasgow. Nas duas temporadas anteriores, os anos de retorno do Rangers à elite, o Celtic passeou e viu o Aberdeen ficar com o vice-campeonato. A situação claramente mudou.

Zagueirão resolve, e Rangers vence clássico Old Firm contra o Celtic pelo Campeonato Escocês; veja os gols abaixo


         
     

Nas últimas 20 rodadas do Campeonato Escocês, o Celtic soma duas derrotas. Justamente as duas, em casa, para o Rangers. Na temporada passada, após o triunfo de dezembro de 2019, os comandados de Gerrard não mantiveram a boa forma e permitiram que os rivais abrissem vantagem. 

No final, com a interrupção da competição com oito rodadas a disputar, o Celtic ficou com o título - eram 13 pontos de vantagem, apesar da definição das posições pela média de pontos conquistados por jogo.

Em 11 partidas disputadas na atual temporada, o Rangers venceu nove e empatou duas como visitante, com Hibernian e Livingston. Tem agora o melhor ataque com 26 gols e a melhor defesa com apenas três sofridos. O Celtic está com uma partida a menos, mas também já soma um empate com os outros times (Kilmarnock, fora). 

Neil Lennon tem sofrido com desfalques, como foi o caso no Old Firm deste sábado. Odsonne Édouard não foi para o jogo por ter contraído coronavírus, Ryan Christie estava de quarentena e James Forrest machucado. As ambições da equipe foram duramente atingidas, também, com a eliminação na segunda fase preliminar da Champions League para o Ferencváros (Hungria).

Rangers venceu o dérbi de Glasgow neste sábado por 2 a 0
Rangers venceu o dérbi de Glasgow neste sábado por 2 a 0 Rangers

Dentro desse cenário, e com o jogo bem contextualizado, a vitória deste sábado é bem impactante. No 2 a 0, o Rangers variou taticamente durante os 90 minutos, saindo do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e ainda contou com um inspirado zagueiro Connor Goldson, autor dos dois gols. Não teve mais posse de bola, mas foi a equipe que mais criou chances de gol e manteve o ataque adversário sob controle.

O favoritismo na temporada ainda está do outro lado. Até mesmo pela maior quantidade de talento no Celtic, com jovens extremamente promissores como o próprio Édouard, que não atuou, além do lateral-direito holandês Jeremie Frimpong (19 anos) e o zagueiro norueguês Kristoffer Ajer (22). O Rangers passa uma mensagem clara a todos: vai ter briga pelo título.

Steven Gerrard recuperou a mentalidade vencedora no vestiário e tem um bom time em mãos. Os dois clubes estão na disputa da Liga Europa também, mas a prioridade será a Premiership. Para o Celtic, vale a busca do inédito decacampeonato. Para o Rangers, impedir o decacampeonato.

Steven Gerrard, técnico do Rangers, durante o clássico contra o Celtic
Steven Gerrard, técnico do Rangers, durante o clássico contra o Celtic Craig Williamson/Getty Images

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Seleção brasileira tem ótimo início nas eliminatórias e muitas avaliações pela frente

Gustavo Hofman
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Seleção abriu as eliminatórias com duas boas vitórias
Seleção abriu as eliminatórias com duas boas vitórias Lucas Figueiredo/CBF

Duas rodadas, 100% de aproveitamento. Nove gols marcados, dois sofridos, 16 jogadores utilizados. A seleção brasileira começou as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 com vitórias sobre Bolívia (5x0), em casa, e Peru (4x2), fora. Ótimo início, com muito a ser analisado.

Trata-se de período único na história moderna. A pandemia de coronavírus afetou nosso movo de vida e, naturalmente, o futebol. Não há público nas arquibancadas, o calendário foi alterado e os cuidados sanitários são extremos. A competição, que começaria em março, teve início apenas agora e vai terminar em março de 2022, não mais no final de 2021.

O planejamento da comissão técnica também foi alterado. O tempo é menor até o Mundial, o que resultará em menos observações consequentemente. A manutenção do número de jogos pelas eliminatórias, assim como a Copa América alterada para junho e julho de 2021, vai impor um calendário apertado de jogos oficiais, com pouco espaço para testes mais duros, bastante necessários e cada vez mais difíceis de serem agendados contra times europeus.

Diante de bolivianos e peruanos, Tite apresentou nova variação tática. Ciente da necessidade de melhor desempenho contra adversários bem fechados, a comissão técnica montou o time em variação ofensiva de 3-2-5 para 2-3-5. O conceito principal dessa equipe é ter a posse de bola e pressionar o adversário. Esse é o padrão. Quando perde a bola, pressão alta e rápida para recuperar o controle do jogo.

Nessa construção ofensiva, contra times de linhas baixas de marcação, Marquinhos e Thiago Silva se posicionam com Danilo, Casemiro e Douglas Luiz à frente. Ora o lateral da Juventus recua na saída de bola, ora o meio-campista do Real Madrid. Nestas funções, Tite consegue extrair o melhor deles, já que Danilo não é um lateral ofensivo e Casemiro consegue manter, praticamente, a mesma função que exerce no Real Madrid.

Douglas Luiz foi a grande novidade, e bem positiva. O meio-campista do Aston Villa deu dinâmica ofensiva ao time, exerceu muito bem o papel definido a ele na fase ofensiva, com boas chegadas no ataque e construção do jogo a partir do campo de defesa, e acima de tudo não "sentiu" o peso. Jogou fácil, sem medo, sempre se colocando como opção em campo. Além do mais, tem um papel muito importante na variação para a fase defensiva.

Sem a bola, a seleção brasileira marca alto no 4-3-3, com Everton ou Richarlison pela direita, Roberto Firmino centralizado e Neymar pela esquerda pressionando para recuperar a bola no último terço do campo. À medida que o adversário avança, Neymar e Firmino "sobram" à frente, o atacante pela direita fecha a segunda linha e, no lado oposto, Douglas é o responsável pela variação. Ele fecha o setor esquerdo, com Casemiro ao lado e Philippe Coutinho como meia interno pela direita. Trata-se de 4-4-2 médio e baixo na fase defensiva.

Contra a fraca Bolívia deu muito certo. Os jogadores de frente tiveram liberdade para criar e a amplitude com Everton (depois Richarlison) e Renan Lodi funcionou demais. Coutinho e Neymar como meias avançados, com total liberdade, e Firmino abrindo espaços. Já contra o Peru, mais organizado, porém desfalcado, a dificuldade foi maior. Principalmente na saída de bola do Brasil, quando os peruanos adiantaram a marcação e conseguiram ter superioridade numérica em diversas ocasiões.

Os dois gols saíram em jogadas de rebote, na entrada da área. Falhas individuais, mérito do adversário e azar também. Em Lima a seleção mostrou tranquilidade para reagir a um placar adverso em dois momentos do jogo, mas alguns atletas voltaram a demonstrar muito nervosismo em campo. Neymar, por exemplo, tentou resolver várias jogadas sozinho, como nos tempos da Copa de 2018. Isso acontece, claramente, quando ele se irrita com a arbitragem em campo. Fez três gols (dois de pênaltis) e superou o recorde de Ronaldo Fenômeno na seleção, atrás agora apenas de Pelé em número de gols em jogos oficiais. Neymar é craque e o desenho tático é muito pensado nele. Precisa desequilibrar jogos grandes para, inclusive, justificar a confiança depositada em si.

Richarlison merece uma análise especial. Vive excelente fase na carreira e, depois da partida contra os peruanos, admitiu que o convívio com Carlo Ancelotti tem melhorado demais seu futebol. No Everton, tem atuado aberto pela esquerda nesta temporada, com Dominic Calvert-Lewin centralizado e James Rodríguez na direita do 4-3-3. Possui versatilidade para render nas três posições. Com o Brasil, foi arma importante pela direita nas bolas longas, nas costas do lateral Trauco, e depois, como atacante central, oferece mais poder de conclusão das jogadas na comparação com Firmino.

Todo esse desenho tático foi muito bem trabalhado nos dias em Teresópolis. Não é, necessariamente, o ideal para enfrentar adversários mais fortes. Por isso é importante manter no bolso mais opções e variações táticas, para estar preparado para enfrentar outros tipos de equipes. O próprio Ricardo Gareca deixou evidente a ótima preparação da seleção peruana para encarar o novo padrão tático brasileiro.

A preparação para a Copa do Mundo de 2022 começou no dia seguinte à eliminação para a Bélgica. Os aprendizados daquele Mundial foram enrome e significativos a Tite e os membros da comissão técnica, como Cléber Xavier. Mudanças aconteceram, como a saída de Edu Gaspar e a chegada de Juninho Paulista, além da incorporação de César Sampaio à equipe. São 50 partidas da seleção brasileira sob o comando de Tite, com 36 vitórias, dez empates e quatro derrotas. Uma classificação para a Copa conquistada facilmente, após cenário de terra arrasada na chegada, um título de Copa América, uma eliminação em quartas de final de Mundial, e agora o início da trajetória rumo ao Catar.

Tite é o melhor técnico do Brasil e faz um trabalho muito bom com a seleção brasileira. Teve, indiscutivelmente, fases melhores, assim como momentos bem ruins. Em todo esse processo jamais deixou de buscar um futebol bem jogado e ofensivo. Nem sempre conseguiu, isso é óbvio, mas para todos que conhecem o trabalho desenvolvido desde o segundo semestre de 2016 essa situação é muito clara. Tem um longo caminho até novembro de 2022, quando se iniciará a Copa. Testará mais jogadores, buscará outras formações, desenvolverá as variações táticas. Thiago Silva vai permanecer em todo ciclo? Daniel Alves voltará a ser titular?  São algumas perguntas que continuarão, por exemplo.

Está evidente que a seleção brasileira precisa evoluir para, efetivamente, brigar pelo título mundial. Hoje, todas as principais adversárias passam por estágios similares com foco em 2022, não há uma equipe nacional sobrando no planeta. Tite tem pela frente a missão de tornar o Brasil, novamente, o melhor time do mundo.

Fonte: Gustavo Hofman

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Como é gerir um time nos Estados Unidos longe da Major League Soccer?

Gustavo Hofman
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Boston City está na National Soccer Premier League
Boston City está na National Soccer Premier League NPSL

A estrutura de futebol nos Estados Unidos é mais complexa do que parece. A Major League Soccer é o principal campeonato e, quanto a isso, não há qualquer dúvida. A liga cresce a cada temporada, se internacionaliza e aumentou o nível técnico consideravelmente na última década. A MLS, porém, não é a única liga profissional da modalidade no país.

Por não haver sistema de acesso e descenso, é difícil para o fã de futebol pelo mundo compreender os níveis existentes na pirâmide do soccer. Além da MLS, há pelo menos mais três entidades que organizam seus campeonatos e são consideradas "oficiais" pela United States Soccer Federation (USSF). A principal delas é a United Soccer League, detentora da USL Championship que, na estrutura norte-americana, tem o status de segunda divisão.

Abaixo dela, a própria USL tem mais campeonatos, assim como as outras duas entidades, National Independent Soccer Association (NISA) e National Premier Soccer League (NPSL). Esse emaranhado de ligas reúne centenas de times profissionais, semi-profissionais e amadores, milhares de atletas entre homens, mulheres e crianças, espalhados pelos Estados Unidos e pelo Canadá. Há muito dinheiro investido em cada um desses níveis.

Para o público brasileiro, o Orlando City, na MLS, sempre foi uma atração. Fundado pelo empresário Flávio Augusto Silva, em 2013, a equipe contratou Kaká como primeira estrela, tem uma estrutura interna gerida por muitos brasileiros e nesta temporada, finalmente, começa a alcançar grandes resultados em campo. A franquia, no entanto, não é a única gerida por um brasileiro no soccer.

Realidade longe da MLS

Renato Valentim deixou o Brasil e se mudou para Boston em 1998. Saiu de sua cidade, Manhuaçu, no interior de Minas, com o objetivo de aprender inglês e juntar dinheiro para retornar no futuro em uma situação melhor. A vida norte-americana começou com empregos em restaurantes, como acontece com milhões de imigrantes do mundo inteiro.

Os anos se passaram e a vontade de permanecer nos EUA foi mais forte, principalmente pelas chances que apareciam. Renato conseguiu cursar administração e culinária enquanto trabalhava como lavador de pratos. Tornou-se gerente e deixou o emprego para, ao lado do ex-patrão, fundar seu próprio restaurante. Passou também a investir no mercado imobiliário e hoje, aos 49 anos, possui uma rede famosa de restaurantes na cidade, a Tavern in the Square, com 12 unidades, fundada em 2004, e mais de 1200 funcionários.

A transição empresarial para o soccer foi natural, pela paixão, mas contou também com o apoio de um personagem marcante dos anos 1990 no futebol brasileiro. Palhinha, tricampeão da Libertadores e bi mundial, esteve envolvido na criação e desenvolvimento do Boston City Football Club, ao lado de Valentim, desde a fundação em 1o de abril de 2015.

Renato Valentim está nos Estados Unidos desde 1998
Renato Valentim está nos Estados Unidos desde 1998 Divulgação

A região de Boston contempla franquias que estão entre as maiores nas ligas profissionais dos Estados Unidos, como Boston Celtics (NBA), Boston Red Sox (MLB), Boston Bruins (NHL) e New England Patriots (NFL). Há também um representante da região na MLS, o New England Revolution, que pertence ao Kraft Group, também dono dos Patriots. O Gillete Stadium, casa das equipes de futebol e futebol americano, fica em Foxborough, distante uma hora de Boston.

"Não havia acesso ao futebol de alto rendimento na área de Boston, então comecei a planejar a criação do time. Foi quando conheci o Palhinha, que estava trabalhando na ideia do Corinthians USA na Califórnia. Ele veio até Boston para visitar o irmão, o conheci, apresentei o projeto e demos o pontapé no início do clube. Ele ajudou demais no nosso crescimento", conta Renato Valentim. Palhinha permaneceu por quatro anos como sócio do Boston City e no ano passado deixou o projeto, para outra oportunidade profissional em Portugal.

Neste ano, o Boston City disputaria sua quinta temporada na NPSL, que acabou cancelada devido à pandemia de coronavírus. "Fui um dos primeiros a fazer o lobby para cancelar a temporada. Estamos totalmente parados. Aqui nos Estados Unidos dispensamos todos os funcionários, a lei trabalhista é diferente do Brasil, mais tranquila nesse sentido. Paramos tudo, estamos apenas com o escritório funcionando, para movimentar as redes sociais também", explica o empresário brasileiro.

Bem diferente da MLS, a realidade na NPSL envolve amadorimo e estrutura insuficiente em diversos momentos. "Desde quando fundamos o clube, por ter o Palhinha por trás do futebol, sempre administramos como um clube 100% profissional. Situação muito diferente de alguns clubes que enfrentamos aqui. Times com atletas do college, campos complicados, temos que reclamar na liga porque não oferecem boas condições para o jogo... No último campeonato aqui tínhamos atletas de oito países diferentes no nosso elenco. Boston, por possuir muitas faculdades, reúne muitos jogadores que vêm aqui para estudar, inclusive alguns que atuavam em segundas divisões da Europa. Abandonam o futebol lá e vêm para os Estados Unidos estudar", afirma Valentim. O Boston City já alcançou as semifinais da competição, mas jamais chegou à decisão.

Próximos passos

O objetivo a curto e médio prazo do clube é conseguir a "promoção" para a USL Championship. Nos últimos dois anos o Boston City negocia com a liga esse acesso, que exige maior investimento em infra-estrutura própria. Por conta da pandemia, as conversas foram paralisadas, mas havia um acordo inicial para inclusão do time na temporada 2021 da USL Championship. Enquanto isso não acontece, Renato Valentim tem investido também em sua cidade.

Desde 2 de janeiro de 2018 existe o Boston City Futebol Clube Brasil, ainda na terceira divisão mineira. No ano passado, o clube caiu nas quartas de final da competição, mas o foco do investimento tem sido na estrutura e na base. Já no primeiro ano, a equipe sub-15 foi campeã da segunda divisão mineira e, junto com ela, o sub-17 e o sub-20 também conseguiram o acesso à elite. "Trabalho muito com planejamento. Quando fundamos o clube, nossa intenção era expandir para outros países. É uma marca forte, uma cidade que o mundo inteiro conhece. O objetivo inicial era a América do Sul, pela matéria prima abundante", garante Valentim, cujo grande objetivo por aqui é estar entre as referências na formação de atletas.

Antes de definir por Manhuaçu, cidade de 90 mil habitantes e distante 280 km de Belo Horizonte, no caminho para Vitória, houve conversas com outros municípios mineiros, além de alguns paulistas e capixabas. Em território brasileiro, Renato Valentim passou a enfrentar situações que não existem no futebol norte-americano. Como, por exemplo, a necessária relação com empresários de jogadores para montar um time. "Muitos empresários não têm condições de gerir a carreira de atletas. Temos muitas dificuldades nessas situações, porque nós precisamos dele, um clube não sobrevive sem essa parceria com os agentes, mas infelizmente, como em todas profissões, existem pessoas que não são profissionais".

Em agosto, o Boston City iniciou as obras de um novo complexo esportivo em Manhuaçu, que vai contar com "estádio/arena multiuso, toda a tecnologia necessária para transmissões televisas dos mais altos níveis de exigência, academia com tecnologia importada, dois campos para treinamento, espaço de lazer, hotéis e alojamento para 120 atletas", segundo o site oficial do clube. Para se manter em atividade, também fechou parceria com o Olimpia para disputar a série A3 do Campeonato Paulista.

A longo prazo, o objetivo é ter o Boston City Brasil nas divisões nacionais do futebol brasileiro com o elenco profissional e a base como um grande centro de formação de talentos. Projeto audacioso.

Boston City tem investido em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais
Boston City tem investido em Manhuaçu, no interior de Minas Gerais Divulgação

Fonte: Gustavo Hofman

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Como é gerir um time nos Estados Unidos longe da Major League Soccer?

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Seleção brasileira prepara variação tática com Douglas Luiz pelo lado e Coutinho como meia interno

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Weverton; Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Renan Lodi; Philippe Coutinho, Casemiro e Douglas Luiz; Everton, Roberto Firmino e Éverton Ribeiro. Este é o provável time do Brasil para enfrentar a Bolívia nesta sexta-feira (9), em São Paulo, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. A dúvida é a presença de Neymar na escalação inicial. Com dores na região lombar, o atacante do Paris Saint-Germain-FRA é dúvida e terá sua vaga preenchida por Éverton Ribeiro, caso não jogue realmente.

Os mais atentos aos detalhes perceberam a forma como a escalação foi escrita no primeiro parágrafo: 4-3-3. Historicamente, divulgamos os times titulares pela forma tática como atuam. Tanto é que, no Brasil, ainda existe a ditadura do 4-4-2 nas escalações, com muitos times sendo divulgados desta maneira, independentemente da forma como realmente jogam.

Há muito tempo, também, precisamos falar em variações táticas de determinada equipe com e sem a bola. Ou seja, ataca de uma maneira pré-estabelecida taticamente e defende de outra forma, com mudanças nos números e seus tracinhos. Nos últimos dias, a comissão técnica da seleção brasileira trabalhou bastante esta variação.

A ideia, de maneira mais simples na explicação, é atacar no 4-3-3 e se defender no 4-4-2. Douglas Luiz, meio-campista do Aston Villa-ING, é a peça central na transição defensiva. Ele vai fechar a segunda linha pelo lado esquerdo, com Casemiro ao seu lado, Coutinho sendo o meia interno pela direita e Everton como extremo no lado oposto. À frente, 'sobrarão' Éverton Ribeiro e Roberto Firmino.

Variação tática da seleção brasileira com e sem a bola
Variação tática da seleção brasileira com e sem a bola BuildLineup

Esta é a situação chamada de linhas baixas, que contra a Bolívia não deve acontecer tanto. Assim, existem também as variações dentro de cada fase do jogo. A seleção brasileira utiliza linhas altas de marcação como padrão, por isto inicia o movimento sem a bola no 4-3-3, com Éverton Ribeiro, Firmino e Everton pressionando os adversários. Os meias também sobem, deixando as linhas mais altas, junto com os defensores: trata-se do já famoso 'perde e pressiona', que nada mais é do que a tentativa de recuperar a posse de bola o mais rápido e perto da área adversária possível. A partir das linhas médias, na faixa central do campo, à medida que o adversário consegue avançar, já altera para o 4-4-2.

Por que tudo isto? Para Neymar ter menos funções defensivas e estar menos desgastado fisicamente para a transição ofensiva. Mesmo sem o atacante do PSG, a ideia tática será mantida.

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Com a bola, a movimentação será ainda maior, e bem provavelmente por muito tempo pela diferença técnica existente entre Brasil e Bolívia, além da postura defensiva que os bolivianos devem apresentar na Neo Química Arena. A iniciação das jogadas vai acontecer no 4-3-3, com a saída em três formada por Marquinhos, Casemiro e Thiago Silva, tendo os dois laterais abertos como opções de passe. Douglas e Coutinho lado a lado e os três atacantes mais à frente. Com o avanço, as variações partem para o 3-2-5 e 2-3-5, subindo as linhas e sufocando o rival.

Tite durante partida da seleção brasileira
Tite durante partida da seleção brasileira Getty

Nestas movimentações, as características de cada atleta se sobressaem. Ou seja, Éverton Ribeiro vai flutuar para a faixa central, abrindo o corredor para Renan Lodi avançar pela esquerda. Coutinho terá mais liberdade para ser um meia armador e buscar o jogo com os atacantes. 

Firmino vai sair da área e recuar, abrindo as diagonais para os Evertons. Jamais a tática pode ser tratada como algo engessado, que emperre o time, afinal, o objetivo é justamente o contrário. O esquema tático deve, sempre, potencializar as individualidades.

Os chamados 'treinos fantasmas', contra bonecos fixos no gramado, comandados por Tite orientam muito estas movimentações dos atletas. Esta é a parte tática programada para a partida. Em uma análise de futebol, são quatro fatores fundamentais para compreender o que acontece: tático, técnico, físico e anímico. Taticamente, está tudo bem programado e ensaiado.

Seleção treinou bastante a parte tática nos últimos dias
Seleção treinou bastante a parte tática nos últimos dias Lucas Figueiredo/CBF

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Seleção brasileira prepara variação tática com Douglas Luiz pelo lado e Coutinho como meia interno

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Contratações pontuais para se manter no topo: ótimo mercado do Bayern

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Douglas Costa está de volta ao clube bávaro após dois anos
Douglas Costa está de volta ao clube bávaro após dois anos Bayern

Thiago foi o nome que mais chamou atenção. Quando o negócio com o Liverpool foi sacramentado, lamentou-se a saída dele em Munique, mas ninguém foi pego de surpresa. O Bayern já aguardava uma proposta e sabia que o jogador desejava ir embora após seis vitoriosas temporadas com a camisa bávara.

A reposição ao jogador da seleção espanhola já estava no elenco. Em 2018, Leon Goretzka trocou o Schalke pelo Bayern e aos pouco evoluiu dentro do clube. As melhores atuações da equipe na histórica campanha de 2019-20 foram com ele ao lado de Joshua Kimmich no meio-campo.

A profundidade do elenco, de qualquer modo, foi atingida. Porque além de Thiago, outros jogadores foram embora. Philippe Coutinho e Ivan Perisic não tiveram os acordos de empréstimo renovados, por mais que os alemães tentassem no caso do croata. Na reserva da lateral-direita, o mesmo aconteceu com Álvaro Odriozola que jamais rendeu.

A exigência em Munique é sempre a mesma: ganhar tudo. Mesmo após uma temporada em que isso foi alcançado. Por isso a diretoria precisava reforçar o elenco, buscar reposições e manter a competitividade interna.

O retorno de Douglas Costa supre as saídas de Coutinho e Perisic, já que Leroy Sané foi a contratação principal. O risco envolvendo o brasileiro, emprestado pela Juventus, é o alto número de lesões. Problema recorrente na vida de Kingsley Coman e também de Sané. 

"Douglas vai nos fortalecer nas pontas, o que é importante para o nosso jogo. Com Serge Gnabry, Leroy Sane, Kingsley Coman, Jamal Musiala e Douglas sabemos que temos jogadores top nessas áreas. Isso dá ao treinador a oportunidade de rodar o elenco de maneira sensível. Douglas conhece o FC Bayern e vai se readaptar muito rapidamente", garantiu Hasan Salihamidzic, diretor esportivo do Bayern.

No final de semana, a goleada de 4 a 3 sobre o Hertha Berlim teve Alphonso Davies jogando aberto pela esquerda no ataque, como nos tempos de Vancouver Whitecaps. O jovem Jamal Musiala, citado por Salihamidzic, já ganhou oportunidades também. No último dia 18, se tornou o mais jovem a marcar um gol pelo Bayern na Bundesliga com 17 anos e 205 dias no massacre de 8 a 0 sobre o Schalke.

No fechamento da janela de transferências, o clube anunciou o empréstimo de Michaël Cuisance ao Olympique de Marselha. Desde que chegou do Borussia Mönchengladbach, no ano passado, pouco jogou. Tentará na França uma sequência maior de jogos. Para sua vaga no elenco, o Bayern apostou em Marc Roca, meio-campista espanhol de 23 anos, campeão europeu sub-21 com a Espanha, que estava no Espanyol.

De Marselha veio a peça necessária para o lado direito do campo. Hansi Flick não quer tirar Kimmich do meio-campo, e age corretamente assim. Por isso precisava de mais um jogador para ser opção a Benjamin Pavard, de preferência alguém com características ofensivas. Por isso buscou Bouna Sarr, 28 anos, lateral que ataca bastante e faz a função na segunda linha também, além de ser mais experiente que seu antecessor, Odriozola, e, teoricamente, se adaptar mais facilmente a um ambiente diferente. Contra o Hertha, a escolha de Hansi Flick para a posição foi o jovem norte-americano, ex-Dallas, Chris Richards (20).

No ataque, o clube precisava urgentemente de um reserva para Robert Lewandowski. Havia opções dentro do elenco, como centralizar Serge Gnabry, mas é fundamental para um time que quer vencer todas competições dar mais opções ao treinador, sem a necessidade de deslocar atletas de suas melhores funções. Eric Maxim Choupo-Moting, livre após deixar o PSG, se encaixa no perfil para compor o plantel. Afinal, tem 31 anos e conhece muito bem a Bundesliga.

Houve ainda a negociação do goleiro reserva Sven Ulreich, liberado para acertar com o Hamburgo e, assim, abrir espaço no plantel para a chegada de Alexander Nübel - reforço certo desde a temporada passada, vindo do Schalke. Todos negócios sem grande investimento.

Reforçam um grupo que ainda conta com Manuel Neuer, Niklas Süle, David Alaba , Lucas Hernández, Thomas Müller, Corentin Tolisso e Joshua Zirkzee, além de todos citados nos parágrafos acima. Na prática, o Bayern Munique contratou jogadores para a reserva. Aumentou a profundidade do elenco e ofereceu ao seu treinador mais opções dinâmicas para definir escalações e funções. A atual temporada deu demonstrações das carências na vitória na prorrogação sobre o Sevilla e na goleada sofrida para o Hoffenheim.

Em nenhum momento o time ficou fraco ou ruim com as saídas, mas o "problema" é o nível de exigência que existe na Sabener Strasse. Talvez o atual time fosse o suficiente para vencer a Bundesliga sem maiores dificuldades, mas apenas o Campeonato Alemão não é suficiente para os bávaros. Não se espera menos do Bayern do que tudo. 

Atualização: o Bayern anunciou após o fechamento da janela, acordo com o Benfica pela contratação do meio-campista Tiago Dantas, de 19 anos, que estava no time B do clube português. Chega por empréstimo de uma temporada, com cláusula de compra fixada em 8 milhões de euros.

Fonte: Gustavo Hofman

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Brugge impõe primeira derrota na temporada ao Anderlecht, de Vincent Kompany

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Diatta e Badji comemoram com os torcedores nas arquibancadas, com limite de público
Diatta e Badji comemoram com os torcedores nas arquibancadas, com limite de público Brugge

A Bélgica não é um país marcado no futebol por suas rivalidades. Por mais que elas existam internamente, não estão entre as mais relevantes da Europa.

Neste final de semana, Brugge e Anderlecht se enfrentaram pela oitava rodada da Jupiler League. O clássico entre os dois é considerado, por muitos, o principal do país por reunir os dois maiores campeões nacionais e também por ser uma disputa entre as cidades.

Bruges é a capital de Flandres Ocidental, região de língua holandesa, enquanto Bruxelas é um enclave de maioria francófona em Flandres. Há uma enorme complexidade cultural e linguística na Bélgica.

Em campo, no estádio Jan Breydel, o Brugge venceu no domingo o Anderlecht por 3 a 0 e permanece muito bem na competição, diferentemente do rival. A equipe é vice-líder da Jupiler League com 18 pontos, um a menos que o Charleroi. Já o Anderlecht ocupa somente o sétimo lugar, com 13 pontos, apesar de ter sofrido a primeira derrota apenas.

Como não houve rebaixamento na última temporada, o Campeonato Belga está com 18 times na primeira divisão ao invés de 16. Segue com a disputa em turno e returno, mas a fase final foi reduzida de seis para quatro equipes classificadas.

O Brugge é comandado por Philippe Clement, que retornou ao clube na temporada passada. O ex-zagueiro, de 46 anos, trabalhou de 2011 a 2017 no clube após se aposentar. Passou pelo Waasland Beveren e foi campeão belga com o Genk em 2018-19.

Jogando em casa, o atual bicampeão nacional foi muito superior aos visitantes. Foram 24 finalizações, com seis no alvo, em 56% de posse de bola. Sofreu cinco finalizações em apenas 24 ações ofensivas do Anderlecht. Domínio absoluto.

O primeiro gol saiu aos 23 minutos, com o jovem atacante senegalês Krepin Diatta, de 21 anos. Seu compatriota, Youssouph Badji, ainda mais novo (18), pressionou a saída de bola e forçou o erro. A bola ficou com Hans Vanaken, que acionou Diatta na grande área para fazer 1 a 0.

Vincent Kompany, em sua primeira temporada completa como exclusivamente treinador, vai ter muito trabalho. Gosta da posse de bola e quer que seu time faça a transição com passes curtos e aproximação. O gol adversário, porém, saiu da pressão sobre sua equipe, e um minuto antes já havia acontecido uma jogada similar, assim como aconteceu também nos minutos seguintes.

A partida foi totalmente dominada pelo Brugge, que atuou no 4-2-3-1 contra o 4-4-2 de Kompany, com Vanaken sendo o meia de ligação e Diatta muito acionado aberto pela direita no ataque. Badji, centroavante de 1m92, apesar de não ter marcado, mostrou novamente seu enorme potencial. 

Na segunda etapa, Vanaken aos três minutos ampliou de pênalti e aos 27 o meio-campista Albert Lokonga foi expulso, deixando os visitantes com um a menos em campo. Pouco antes, aos 20, o Anderlecht teve no mesmo ataque as duas únicas chances de gol e suas finalizações certas na partida.

Já no acréscimos, aos 49, o veterano de 32 anos e muito bom meia holandês Ruud Vormer fez 3 a 0, em clássica cobrança de falta na entrada da área.

Fonte: Gustavo Hofman

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Liga Europa terá confrontos entre campeões continentais e potências do Leste Europeu

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Milan vai enfrentar o Celtic na fase de grupos da Liga Europa
Milan vai enfrentar o Celtic na fase de grupos da Liga Europa Milan

Roma, Arsenal, Bayer Leverkusen, Nice, Benfica, Rangers, PSV, Napoli, Leicester, Celtic, Milan, CSKA Moscou, Tottenham, Hoffenheim... A lista de times participantes da Europa League comprova a força da competição. Há, acima de tudo, o mérito esportivo em uma conquista continental. No entanto, é necessário reconhecer que, desde que passou a valer uma vaga na Champions League seguinte, a Europa League passou a ser tratada com mais seriedade pelos times das grandes ligas europeias.

Outro aspecto fundamental para o crescimento do torneio foi o aumento da premiação. Na temporada passada, o campeão Sevilla recebeu cerca de 27 milhões de euros pela participação e sua sexta conquista. Esta será, também, a Europa League com o atual formato, contemplando 48 times na fase de grupos. Em 2021-21 ressurgirá a terceira competição continental europeia, agora chamada de Conference League, que vai receber boa parte dos representantes dos últimos potes nos sorteios.

Para 2020-21, o Grupo H se destaca entre todos. Afinal, é o único que reúne dois campeões continentais: Milan e Celtic. Os italianos passaram por um drama enorme para alcançar o atual estágio, após empatar em 2 a 2 com o Rio Ave pelo playoffs, com um gol no último minuto - de pênalti - na prorrogação. Na disputa de penalidades máximas, foram necessárias 24 para definir o triunfo rossonero por 9 a 8. Já os escoceses sofreram para vencer o Sarajevo, na Bósnia, por 1 a 0, gol do ótimo atacante francês Odsonne Édouard. Além dos dois, há ainda Lille, um dos representantes da Ligue 1, e o Sparta Praga (Tchéquia).

Entre os clubes ingleses, o Arsenal terá um roteiro mais alternativo, viajando para Áustria (Rapid Viena), Noruega (Molde) e Irlanda (Dundalk). Já o Leicester enfrentará o AEK, da Grécia, que eliminou nos playoffs o Wolfsburg, e o Braga, tradicional equipe portuguesa, além do Zorya Luhansk (Ucrânia). Por fim, o Tottenham e José Mourinho terão adversário inéditos em suas histórias: Ludogorets, eneacampeão búlgaro, LASK Linz, que brigou pelo título do último Campeonato Austríaco, e Antuérpia, clube mais antigo da Bélgica e quarto colocado do Campeonato Belga 2019-20.

Outros clubes importantes caíram em grupos mais equilibrados. O Bayer Leverkusen jogará com Slavia Praga (atual bicampeão tcheco e que fez bons jogos contra Barcelona, Internazionale e Borussia Dortmund na fase de grupos da Champions passada), Hapoel Beer Sheva (Israel) e Nice (França) e o Benfica terá pela frente Rangers (Escócia), Standard Liège (Bélgica) e Lech Poznan (Polônia). O Napoli está em uma chave que deve gerar ótimos jogos, ao lado da Real Sociedad (Espanha), do AZ (Holanda) e do Rijeka (Croácia). Já a Roma terá um grupo mais acessível, ao lado de Young Boys (Suíça), Cluj (Romênia) e CSKA Sofia (Bulgária),

Por receber os terceiros colocados nos grupos da Champions, é impossível apontar os favoritos ao título da Europa League.

Tradicionalmente, a Europa League vai muito além dos clubes das grandes ligas europeias. O Leste Europeu se vê bem representado na competição, com gigantes da região. O Estrela Vermelha, campeão europeu em 1991, enfrentará o Hoffenheim (Alemanha), o Gent (Bélgica) e o Slovan Liberec (Eslováquia).

A região, porém, terá um duelo de peso no Grupo K, com CSKA Moscou e Dinamo Zagreb. Os russos foram campeões da Copa da Uefa em 2005, no histórico time que contava com os brasileiros Daniel Carvalho e Vágner Love. Os croatas, por sua vez, mantém uma das melhores bases do futebol europeu e revelam, anualmente, muitos jogadores que se espalham pela Europa. Fora o fato de serem dois dos clubes mais populares no leste do continente. Completam a chave Feyenoord (Holanda) e Wolfsberger (Áustria).

Que comecem os jogos!

GRUPO A
Roma
Young Boys
Cluj
CSKA Sofia

GRUPO B
Arsenal
Rapid Viena
Molde
Dundalk

GRUPO C
Bayer Leverkusen
Slavia Praga
Hapoel Beer Sheva
Nice

GRUPO D
Benfica
Standard Liège
Rangers
Lech Poznan

GRUPO E
PSV Eindhoven
PAOK
Granada
Omonia

GRUPO F
Napoli
Real Sociedad
AZ
Rijeka

GRUPO G
Braga
Leicester
AEK
Zorya Luhansk

GRUPO H
Celtic
Sparta Praga
Milan
Lille

GRUPO I
Villarreal
Qarabag
Maccabi Tel Aviv
Sivasspor

GRUPO J
Tottenham
Ludogorets
LASK
Antuérpia

GRUPO K
CSKA Moscou
Dinamo Zagreb
Feyenoord
Wolfsberger

GRUPO L
Gent
Estrela Vermelha
Hoffenheim
Slovan Liberec

Fonte: Gustavo Hofman

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As histórias além de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no Grupo G da Champions

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Serhiy Rebrov e Mircea Lucescu na época de duelos ucranianos
Serhiy Rebrov e Mircea Lucescu na época de duelos ucranianos Dinamo Kiev

Georgiy Bushchan se tornou titular do Dinamo Kiev na temporada passada. Aos 26 anos, foi fundamental na classificação do time nos playoffs, contra o Gent. Figura frequente na base da seleção ucraniana, ainda aguarda uma oportunidade no time principal.

Nos próximos meses, terá pela frente o Barcelona de Lionel Messi e a Juventus Cristiano Ronaldo na fase de grupos da Champions League. O pensamento imediato é "que azar", mas ao mesmo tempo será uma excelente chance para se destacar - apesar dos muitos gols que, provavelmente, sofrerá. É o lado meio cheio do copo.

Mesma situação para o húngaro Dénes Dibusz, de 29 anos. Vice-capitão do Ferencváros, é ídolo da torcida e fez parte do elenco da seleção da Hungria na Euro de 2016. No caso de sua equipe, especificamente, apenas a presença na fase de grupos pela primeira vez em 25 anos já é motivo para comemoração.

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são os dois maiores artilheiros da Champions League com 133 e 118 gols, respectivamente.

Isso sem falar no comandante do Fradi, como é conhecido o gigante clube húngaro, maior campeão nacional e mais popular do país. Trata-se de Serhiy Rebrov, eterno parceiro de ataque de Andriy Shevchenko no Dinamo Kiev, clube onde jogou a maior parte da carreira e foi treinador entre 2014 e 2017.

Já no banco da equipe ucraniana, um senhor de 75 anos que, há alguns meses, pensava apenas em como aproveitar a aposentadoria em Bucareste. Mircea Lucescu, que assumiu o Dinamo em julho sob protestos dos ultras do clube pela história incrível no rival Shakhtar Donetsk, terá a responsabilidade de definir as estratégias para encarar os três adversários do Grupo G.

Rebrov é o segundo maior artilheiro na história do Dinamo com 163 gols, atrás apenas da lenda Oleg Blokhin, além de ocupar a nova posição no ranking de jogos pelo clube (361). Como treinador, foi bicampeão nacional e da Copa da Ucrânia, superando, justamente, o Shakhtar Donetsk de Lucescu.

O treinador romeno tem, ainda, uma ligação especial com o técnico da Juventus. Foi ele quem lançou o jovem Andrea Pirlo, aos 16 anos, em 1995, pelo Brescia. Três anos depois, o próprio Lucescu levou o talentoso meio-campista para a Internazionale.

Na prática, apenas um desastre esportivo impede Barcelona e Juventus de se classificarem. Dinamo Kiev e Ferencváros vão lutar pelo terceira lugar e a passagem para a Liga Europa. De qualquer modo, teremos boas histórias para contar.

Confira abaixo todos os grupos da edição 2020-21 da UEFA Champions League.

GRUPO A
Bayern Munique
Atlético de Madrid
Red Bull Salzburg
Lokomotiv Moscou

GRUPO B
Real Madrid
Shakhtar Donetsk
Internazionale
Borussia Mönchengladbach

GRUPO C
Porto
Manchester City
Olympiacos
Olympique de Marselha

GRUPO D
Liverpool
Ajax
Atalanta
Midtjylland

GRUPO E
Sevilla
Chelsea
Krasnodar
Rennes

GRUPO F
Zenit São Petersburgo
Borussia Dortmund
Lazio
Brugge

GRUPO G
Juventus
Barcelona
Dinamo Kiev
Ferencváros

GRUPO H
Paris Saint-Germain
Manchester United
RB Leipzig
Istanbul Basaksehir

Fonte: Gustavo Hofman

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Sem público, mas com sinalizador atirado no campo: Galatasaray e Fenerbahçe empataram em 0 a 0 no final de semana

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Sinalizador foi jogado logo no início do jogo
Sinalizador foi jogado logo no início do jogo NTV Spor (@ntvspor)

A temporada 2019-20 foi desastrosa para Galatasaray e Fenerbahçe. Os dois gigantes não chegaram perto da disputa pelo título e viram o Istanbul Basaksehir conquistar pela primeira vez o Campeonato Turco. Sexto colocado, o Galatasaray ainda beliscou uma vaga nas fases qualificatórias da Europa League, enquanto o Fernerbahçe - em crise financeira - se limitou ao sétimo lugar.

Neste domingo, os clubes se encontraram pela terceira rodada da Süper Lig 2020-21 e ficaram no empate em 0 a 0, no estádio Türk Telekom. Sem público nas arquibancadas, devido à pandemia de coronavírus, o jogo chamou atenção internacional por um insólito incidente.

Aos seis minutos, um sinalizador voou de fora do estádio para dentro e caiu no gramado, logo após uma jogada perigosa do Galatasaray, em que o meio-campista Taylan Antalyali finalizou de fora da área e o VAR ainda analisou um suposto pênalti - que não aconteceu - em Martin Linnes. Coube ao zagueiro brasileiro Marcão retirar o artefato de campo, para a partida seguir.

Apesar do 0 a 0 no placar, o jogo foi bem ofensivo e equilibrado, com chances de gol para os dois lados. Como em todo clássico entre os rivais, muita tensão em campo e lances mais fortes também. Ao todo, o árbitro Ali Palabiyik distribuiu 11 cartões amarelos - alguns cotovelos mais altos... Ainda nas estatísticas, o Galatasaray teve mais posse de bola (56%), mas o Fenerbahçe finalizou mais (12 x 9), apesar da péssima pontaria: apenas uma no alvo (um gol bem anulado por impedimento), contra cinco dos donos da casa.

A partida foi, também, um festival de jogadores conhecidos internacionalmente em campo. Pelo Gala, Radamel Falcao no comando de ataque do 4-3-3 definido pelo veterano técnico Fatih Terim, de 67 anos. Além dele, os meias-atacantes Arda Turan, Sofiane Feghouli e Younes Belhanda. Do lado do Fener, o equatoriano Enner Valencia foi um dos dois atacantes no 4-4-2, que ainda tinha o argentino José Sosa e o brasileiro Luiz Gustavo na faixa central de meio-campo.

Tecnicamente os jogos do Campeonato Turco são bons. Trata-se de competição abaixo das melhores do continente, mas que aparece logo na segunda prateleira pela qualidade dos jogadores turcos e estrangeiros contratados. Uma pena que, nos últimos anos, os clubes grandes têm sofrido com dificuldades financeiras.

O Galatasaray soma agora sete pontos, mesma marcaa de Fatih Karagümrük, Alanyaspor e Hatayspor, os quatro primeiros na tabela. Já o Fenerbahçe tem cinco pontos após três rodadas disputadas. A temporada 2020-21 terá 21 times na primeira divisão, três a mais do que na anterior, quando não houve rebaixamento por causa da pandemia de coronavírus. O atual campeão, Istanbul Basaksehir, é a decepção com três derrotas, na lanterna do campeonato.

Na próxima quinta, o Galatasaray viaja até a Escócia para enfrentar o Ranger, pelos playoffs da Europa League. Eliminatória simples, valendo vaga na fase de grupos da competição continental.

Fonte: Gustavo Hofman

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Sem público, mas com sinalizador atirado no campo: Galatasaray e Fenerbahçe empataram em 0 a 0 no final de semana

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Qual foi a goleada mais marcante do final de semana na Europa?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Foi um final de semana especial.

Em casa, o Manchester City foi goleado pelo Leicester por 5 a 2, com aproveitamento incrível do time visitante. Os comandados de Brendan Rodgers finalizaram sete vezes ao gol, todas certas, e marcaram em cinco oportunidades.

Assista ao show de Vardy e ao massacre do Leicester sobre o City


Na Espanha, Luis Suárez entrou em campo aos 25 minutos do segundo tempo e estreou pelo Atlético de Madrid em grande estilo. Foram dois gols e uma assistência na goleada de 6 a 1 do Atleti sobre o, até então com 100% de aproveitamento, Granada.

Veja como Suárez deu espetáculo em sua estreia pelo Atleti


Não é necessário, sequer, sair de LaLiga, afinal, Lionel Messi esteve em campo na primeira partida do Barcelona na temporada. Aliás, primeiro jogo desde o 8 a 2 para o Bayern pela Champions. O argentino marcou um - de pênalti - e viu o jovem Ansu Fati, de 17 anos, brilhar com os dois primeiros no 4 a 0 para cima do Villarreal, no Camp Nou.

Assista à goleada do Barça: gol de Messi e brilho de Fati


Isso sem falar em placares menos elásticos, mas não menos marcantes. Como a polêmica vitória do Real Madrid sobre o Betis, a manutenção da temporada perfeita do Everton, o 4 a 3 da Inter sobre a Fiorentina, o massacre (aí sim resultado elástico) do Napoli contra o Genoa... Enfim, foram realmente dois dias especiais para todos que gostam de futebol internacional - porque se colocarmos o Brasil na discussão, o tom do texto muda muito.

Só que a grande história aconteceu em Hoffenheim. Na PreZero Arena, neste domingo, com poucos torcedores nas arquibancadas e respeitando o distanciamento social, os donos da casa surpreenderam e golearam o Bayern de Munique por 4 a 1 - metade do que os bávaros fizeram nos catalães há alguma semanas. Foi o fim da invencibilidade do melhor time do mundo: há 32 jogos não sabia o que era perder e vinha com 23 vitórias consecutivas.

A temporada será desgastante para os grandes clubes europeus, com o calendário reduzido devido à pandemia de coronavírus. Na quinta, o Bayern precisou da prorrogação para fazer 2 a 1 no Sevilla e conquistar a Supercopa europeia. Hansi Flick optou por poupar alguns titulares e assim deixou Leon Goretzka e Robert Lewandowski no banco.

Andrej Kramaric celebra um de seus dois gols na goleada do Hoffenheim sobre o Bayern de Munique
Andrej Kramaric celebra um de seus dois gols na goleada do Hoffenheim sobre o Bayern de Munique Getty Images

Do outro lado, um time muito bem armado e preparado para enfrentar o Bayern, com um velho conhecido bávaro no comando. Sebastian Hoeness foi anunciado em julho como novo treinador do Hoffenheim. Neste ano, ele foi campeão da terceira divisão alemã com o time B do Bayern e, aos 38 anos, terminou eleito o melhor técnico da competição.

O sobrenome é bastante comum na Säbener Strasse. Sebastian é filho de Dieter Hoeness, que jogou pelo Bayern de 1979 a 1987, e sobrinho de Uli Hoeness, um do maiores nomes na história do clube e atual presidente de honra do Bayern.

Sebastian foi jogador também, passou a maior parte da carreira no time reserva do Hertha Berlim. Entre 2006 e 2007 viveu uma experiência, de pouco sucesso, no Hoffenheim. Já em 2011 pendurou as chuteiras e iniciou com as pranchetas. Iniciou a trajetória como treinador nas categorias de base do Hertha e passou pelo RB Leipzig, até chegar no sub-19 do Bayern em 2017.

A temporada 2019-20 mudou para sempre sua vida, com os feitos alcançados na terceira divisão. Por causa do título com o Bayern B, ganhou a oportunidade de comandar uma equipe com ótima estrutura, mas com campanhas recentes decepcionantes na Bundesliga

Na primeira rodada, fora de casa, o Hoffenheim venceu o Colônia por 3 a 2. Com o triunfo deste domingo, Sebastian Hoeness se tornou apenas o segundo treinador na história do clube a vencer seus dois primeiros compromissos na primeira divisão alemã - o outro foi Ralf Rangnick.

Hoffenheim foi palco do jogo mais marcante do final de semana
Hoffenheim foi palco do jogo mais marcante do final de semana Bayern

Em campo, Andrej Kramaric e Munas Dabour funcionaram muito bem. Sem o mesmo ritmo da temporada passada e até mesmo da incrível estreia contra o Schalke, o Bayern teve mais posse de bola (72%), mas não conseguiu sufocar o adversário como costumeiramente faz sob o comando de Hansi Flick. Tanto é que, em finalizações, o Hoffenheim levou vantagem: 17 a 16, com oito a três no alvo.

Mais cedo ou mais tarde, a primeira derrota em 2020 chegaria. Obviamente, o Bayern segue como o melhor time da Alemanha e favorito ao título da Bundesliga, mas jamais foi invencível. Curioso, porém, perder sua invencibilidade para um dos seus. Sebastian Hoeness jamais esquecerá o domingo de 27 de setembro de 2020.

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Semana decisiva na Europa tem jogos pesados e grandes histórias nos playoffs para Champions e Europa League

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Galatasaray vai enfrentar o Rangers nos playoffs da Europa League
Galatasaray vai enfrentar o Rangers nos playoffs da Europa League Galatasaray

Na próxima semana, entre terça e quinta-feira, estarão definidos todos os participantes das fases de grupos da Champions League e da Europa League. Naturalmente, apenas neste estágio entram os principais campeões nacionais e os olhos do mundo se viram para a competição. Enquanto isso não acontece, as fases preliminares estão no último estágio antes da definição final e com grandes confrontos previstos - além de histórias maravilhosas.

No caso da Liga Europa, que teve os jogos da terceira fase qualificatória disputados nesta quinta, há confrontos pesados, com times tradicionais, como Rangers x Galatasaray, Basel x CSKA Sofia e Rosenborg x PSV Eindhoven. Outros duelos bem alternativos e que rendem boas aulas de história e geopolítica, como Sarajevo x Celtic e Ararat Armenia x Estrela Vermelha.

Há ainda o conto de fadas vivido pelo glorioso Klaksvíkar Ítróttarfelag, ou apenas KÍ como a Uefa prefere e o clube é mais conhecido nas Ilhas Faroe. A equipe está na briga pelo bicampeonato nacional e começou a trajetória continental na primeira fase qualificatória da Champions, onde eliminou o tradicional Slovan Bratislava, da Eslováquia. Depois foi não páreo para o Young Boys e seguiu para a Europa League, despachando o Dinamo Tbilisi por 6 a 1 nesta semana. Agora tentará a inédita vaga na fase de grupos contra o Dundalk, na Irlanda.

Outras histórias não são tão bonitas, como é o caso do FCSB. O clube que herdou o passado do Steaua Bucareste já havia sido protagonista da fase anterior, ao ter muitos casos de Covid-19 no elenco. A situação piorou para a terceira qualificatória e, para conseguir reunir um time para enfrentar o Slovan Liberec, a polêmica diretoria liderada por Gigi Becali fez contratações nas últimas 24 horas. Funcionou para entrar em campo, mas perdeu por 2 a 0 e já devolveu alguns dos "reforços".

Das cinco grandes ligas europeias, mais partidas bem atrativas.

O Milan, que teve muita dificuldade para eliminar o Bodo/Glimt por 3 a 2, vai até Portugal enfrentar o Rio Ave, de muitos brasileiros, entre eles Lucas Piazón e Aderlan. O time português surpreendeu o Besiktas e, após empate no tempo normal e na prorrogação em 1 a 1, venceu nos pênaltis por 4 a 2.

O Granada segue com o sonho europeu. Pela primeira vez está em uma competição continental, já deixou pelo caminho Teuta (Albânia) e Lokomotiv Tbilisi (Geórgia) e agora terá pela frente o adversário mais complicado, o Malmö, da Suécia - vice-campeão da Champions de 1978-79.

Na Grécia vai acontecer uma partida bem equilibrada. O AEK, comandado pelo técnico italiano Massimo Carrera, receberá o Wolfsburg, de maior poderio financeiro e favorito no duelo. Vale lembram que todas as partidas acontecerão sem público e são eliminatórias simples, devido à redução do calendário europeu pela pandemia de coronavírus.

Por fim, o Tottenham segue vivo na competição, garantindo emoção aos seus torcedores. Contra o Lokomotiv Plovdiv, na Bulgária, virada no final e com jogadores a mais em campo; diante do Shkëndija, na Macedônia do Norte, gol no início, susto no segundo tempo e reforços saindo do banco para garantir mais uma vitória. Teve até um "puta que pariu" em alto e bom som na transmissão, cortesia de José Mourinho pelo desempenho irregular dos Spurs, e a descoberta que um dos travessões estava cinco centímetros abaixo da medida oficial.


A Champions League foi a única agraciada pela Uefa com jogos de ida e volta nos playoffs. As primeiras partidas já aconteceram e mantiveram todos confrontos abertos.

De PAOK x Krasnodar sai um participante inédito na fase de grupos da Liga dos Campeões. O Ferencváros, gigante do futebol húngaro que chegou a alcançar as quartas de final da antiga Copa dos Campeões da Europa, quer retornar à moderna Champions após empatar em 3 a 3 na Noruega com o Molde. Sem falar no bom time do Red Bull Salzburg, que abriu vantagem em Israel com o 2 a 1 sobre o Maccabi Tel Aviv.

Abaixo, todos os confrontos decisivos da próxima semana.

EUROPA LEAGUE

Young Boys-SUI x Tirana-ALB
Dinamo Zagreb-CRO x Flora-EST
Cluj-ROM x KuPS-FIN
Ararat Armenia-ARM x Estrela Vermelha-SER
Dinamo Brest-BEL x Ludogorets-BUL
Sarajevo-BOS x Celtic-ESC
Legia-POL x Qarabag-AZE
Dundalk-IRL x KÍ-FAR
Hapoel Be'er Sheva-ISR x Viktoria Plzen-TCH
Rosenborg-NOR x PSV-HOL
AEK-GRE x Wolfsburg-ALE
Basel-SUI x CSKA Sofia-BUL
Sporting-POR x LASK-AUT
Charleroi-BEL x Lecz Poznan-POL
Rio Ave-POR x Milan-ITA
Copenhagen-DIN x Rijeka-CRO
Malmö-SUE x Granada-ESP
Tottenhan-ING x Maccabi Haifa-ISR
Slovan Liberec-TCH x APOEL-CPR
Standard Liège-BEL x Féhérvár-HUN
Rangers-ESC x Galatasaray-TUR

CHAMPIONS LEAGUE

Midtjylland-DIN x Slavia Praga-TCH (0x0)
Red Bull Salzburg-AUT x Maccabi Tel Aviv-ISR (2x1)
Omonia-CPR x Olympiacos-GRE (0x2)
Ferencváros-HUN x Molde-NOR (3x3)
PAOK-GRE x Krasnodar-RUS (2x1)
Dinamo Kiev-UCR x Gent-BEL (2x1)

Fonte: Gustavo Hofman

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Invicto em 2020, Bodo/Glimt vai em busca da maior vitória de sua história contra o Milan

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

No final de semana, o Glimt venceu o Brann por 3 a 1 pelo Campeonato Norueguês
No final de semana, o Glimt venceu o Brann por 3 a 1 pelo Campeonato Norueguês Bodo/Glimt

O Milan não terá vida fácil na terceira fase qualificatória da Europa League. Na próxima quinta-feira, receberá em San Siro o Bodo/Glimt, da Noruega. Partida de clubes com histórias incomparáveis nos torneios continentais, tamanhos muito diferentes, mas de realidade equilibrada.

Neste final de semana, o Bodo/Glimt venceu o Brann, fora de casa, por 3 a 1 pela 18a rodada do Campeonato Norueguês e segue absolutamente tranquilo na liderança. Está invicto na competição, com 16 vitórias e dois empates, e soma 50 pontos, 16 a mais que o segundo colocado e campeão no ano passado, Molde. O clube não perde um jogo oficial desde 1o de dezembro de 2019, justamente para o Molde, por 4 a 2 pela última rodada.

Contra o Brann, todos os gols saíram no segundo tempo. Philip Zinckernagel abriu o placar aos cinco minutos e ampliou aos 21. Cinco minutos depois, Jens Petter Hauge fez 3 a 0, antes de Thomas Grogaard descontar para os donos da casa. Na temporada, são 14 gols para Hauge, mais uma promessa da base norueguesa, de apenas 20 anos, e outros 13 para o meia dinamarquês Philip Zinckernagel, que ainda lidera em assistências com 12. O Glimt tem o melhor ataque da Eliteserien com incríveis 65 gols em 18 rodadas, média de 3,6 por jogo. Costuma sofrer, como foi o caso contra o Brann, pelo menos um gol por partida também (20 no total).

Comandado por Kjetil Knutsen desde 2018, o Bodo/Glimt tem estratégia ofensiva. Atua no 4-3-3, gosta da posse de bola e mantém constante pressão sobre o adversário para recuperá-la o mais rápido possível em caso de perda. A forma audaciosa gera espaços para o adversário também, como foi o caso na última partida: o Brann finalizou 16 vezes ao gol contra nove dos visitantes, apesar da posse de bola inferior (41% x 59%).

Patrick Berg, somente 22 anos, é o vice-capitão, um dos ídolos da torcida e atua pelo time principal desde 2014. É mais um jogador formado na base do Glimt, característica principal do atual elenco. Ele é o responsável pela saída de bola próximo aos zagueiros, na função de primeiro meio-campista, e também é o '1' entre as linhas na fase defensiva do 4-1-4-1.

São 16 times na Eliterien, a primeira divisão norueguesa, que jogem em turno e returno para definir o campeão. Assim como na maioria dos países nórdicos (a exceção é a Dinamarca), a Noruega segue o calendário gregoriano para a realização da temporada por causa do rigoroso inverno. Ou seja, a competição começa e termina no mesmo ano, mas em 2020, especificamente, a pandemia de coronavírus atrasou o início e reduziu as datas, o que ainda pode resultar em atraso de encerramento.

O tradicional clube, fundado em 1916, segue em busca do inédito título da primeira divisão, após mais um vice-campeonato em 2019 - o quarto em sua história. As conquistas das Copas da Noruega de 1975 e 93 são os maiores orgulhos dos torcedores, que nas duas últimas décadas viveram na gangorra entre os dois primeiros níveis do futebol local. A última experiência na segundona foi em 2017.

O nome do clube chama atenção por ser composto: oficialmente, Fotballklubben Bodø/Glimt. Quando surgiu, no início do século passada, era apenas Futebol Club Glimt; posteriormente adicionou o nome da cidade, ao norte do país e com apenas 52 mil habitantes atualmente, em sua nomenclatura. Glimt significa 'raio', e é dessa forma que a torcida costuma se referir ao time no dia a dia.

Sobre o poderoso ataque, além de Zinckernagel - que atua aberto pela direita - e Hauge - pela esquerda - há ainda o centroavante nigeriano Victor Boniface, titular contra o brann. Com 1m93 e somente 19 anos, briga por todas as jogadas e é a referência ofensiva no esquema tático. A outra opção seria o atacante dinamarquês Kasper Junker, de 11 gols na Eliteserien nesta temporada, mas que está machucado.

O primeiro gol contra o Brann é um bom exemplo da qualidade do Glimt e da força do seu trio de melhores jogadores. Berg rouba a bola no campo de defesae aciona rapidamente Zinckernagel pela direita. Hauge sai da esquerda e aparece pelo centro para tabelar com o dinamarquês, que recebe a bola dentro da grande área para a finalização cruzada. Um belo gol em transição ofensiva rápida. Nos segundo, toda construção foi feita por Hauge, que volta bastante para armar, como no terceiro, quando ele arranca por todo campo com a bola até a conclusão.

Contra o Milan, o Glimt tentará o maior vitória de sua história. Em termos continentais, jamais chegou tão longe em qualquer competição como na atual Europa League, onde eliminou os lituanos Kauno e Zalgiris nas duas fases anteriores.

O clube norueguês tem, inclusive, um histórico de eliminações para adversários italianos. Na Recopa de 1976-77, caiu para o Napoli na primeira rodada. Já em 78-79, na mesma competição, foi eliminado pela Internazionale na segunda fase. Por fim, em 1994-95, a Sampdoria foi a algoz do Bodo/Glimt na primeira rodada da Recopa.

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Uma nova ideia de Zinédine Zidane no Real Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Martin Odegaard está de volta ao Real e pode ser a grande novidade do time
Martin Odegaard está de volta ao Real e pode ser a grande novidade do time Real Madrid

Em 23 de maio de 2015, Martin Odegaard se tornou o mais jovem jogador a atuar pelo Real Madrid. Com apenas 16 anos e 157 dias, ele entrou em campo aos 15 minutos do segundo tempo contra o Getafe, no Santiago Bernabéu, pela última rodada de LaLiga, substituindo Cristiano Ronaldo. A estreia da jovem promessa norueguesa, contratada meses antes com muito alarde, acabou ofuscada pelo placar final de 7 a 3.

Depois disso, sua vida em Madri ficou restrita aos jogos do Castilla, o time B do Real. Na temporada seguinte, em momento algum foi aproveitado pelo treinador francês, que voltou a lhe dar outra oportunidade apenas em 2016-17. Odegaard percebeu, então, que precisaria sair de lá para jogar. Foram duas temporadas emprestado ao Heerenveen, mais uma no Vitesse e, por fim, a passada na Real Sociedad.

Os sete gols e as nove assistências em 36 jogos pela equipe basca, com atuações de protagonismo nesse período, serviram para Zidane recuperar a confiança no meio-campista e levá-lo de volta à capital. A reestreia aconteceu neste domingo, justamente, em San Sebastián, cidade que o acolheu tão bem. No empate em 0 a 0, na abertura da temporada 2020-21 para o Real Madrid, o torcedor merengue viu alguns velhos problemas em finalizações e tomadas de decisão em campo, mas também novas ideias.

O 4-2-3-1 definido por Zidane teve como ponto principal o meia norueguês. Odegaard jogou avançado, com liberdade de movimentação e próximo a Karim Benzema. Pelos lados, Rodrygo e Vinícius Jr como opções de velocidade e individualidade. Atrás, Toni Kroos e Luka Modric como os meio-campistas mais recuados, mantendo Casemiro no banco. A linha de defesa foi montada com Ricardo Carvajal, Raphël Varane, Sergio Ramos e Ferland Mendy, além de Thibaut Courtois no gol. Trata-se de um modelo tático bastante ofensivo.

Na prática, o Real foi bem superior nos primeiros 45 minutos, criou algumas oportunidades, mas também sofreu com o bom time da Real Sociedad, comandado por Imanol Alguacil e com bastante talento, como Alexander Isak e Mikel Oyarzabal, sem falar em David Silva que estreou no segundo tempo. A segunda etapa, aliás, foi mais equilibrada, mas os números finais ajudam a entender a proposta merengue. O Real teve 67,7% de posse de bola, com 16 a 6 em finalizações

Odegaard e os dois atacantes brasileiros não brilharam, mas faz mais sentido hoje apostar nos três e dar sequência a eles do que depender da recuperação de Eden Hazard, Marco Asensio, Mariano Díaz... Até mesmo Luka Jovic, opção a Benzema e pouquíssimo utilizado por Zidane desde sempre. Os três primeiros foram desfalques contra a Real Sociedad, mas o atacante sérvio foi para o jogo e acabou preterido nas subtituições por dois 'canteranos'.

Há 855 dias Zidane não promovia a estreia de um jogados da base. O último fora seu filho, Luca, que jogou contra o Villarreal pela última rodada de LaLiga. Neste domingo, colocou Marvin, de 20 anos, aos 25 minutos do segundo tempo no lugar de Rodrygo, e nos acréscimos chamou Sergio Arribas, de 18, para Vinícius Jr. Ao todo, como técnico do clube, lançou 14 promessas da base no profissional.

Para subir o nível e não se contentar apenas em ser o melhor da Espanha, já que desponta como o favorito em território nacional, Zidane busca opções dentro do elenco blanco, uma vez que a diretoria não lhe deu reforços. Ou melhor, trouxe novamente Odegaard, que pode se tornar a principal novidade merengue em 2020-21. O "problema" é que, no Santiago Bernabéu, há pouco tempo para desenvolvimento de ideias ou jovens com potencial pela enorme pressão existente.

A verdade é que o Real, atualmente, não figura entre os melhores times do continente, está abaixo de adversário como Bayern, Liverpool e Manchester City. Na temporada passada, Zizou mostrou maior repertório tático na conquista de LaLiga e agora precisará demonstrar ainda mais capacidade para tirar o melhor de todos seus jogadores.

Não necessariamente o plano tático apresentado no final de semana se tornará o padrão. Contra adversários mais fortes, o retorno de Casemiro à formação titular seria natural, assim como a retomada do 4-3-3, por exemplo. O importante para o Real, agora, é evoluir em todos aspectos do jogo - tático, técnico, físico e anímico - para alcançar o nível exigido em Madri, ser dominante na Espanha e competitivo no continente.

Fonte: Gustavo Hofman

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Sem zebras, mas com uma história especial: o incrível 6x6 que aconteceu na Europa League

Gustavo Hofman
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Razvan Ducan, de 19 anos, foi o nome do jogo
Razvan Ducan, de 19 anos, foi o nome do jogo Emanuel Rosu/Twitter

Milan, Tottenham, Wolfsburg, Granada e Reims avançaram na Europa League. Os representantes das cinco grandes ligas europeias na segunda fase qualificatória da competição passaram por situações distintas, mas seguiram adiante. Apesar do dia sem zebras, há uma história que merece ser contada.

Na Sérvia, Backa Topola e Steaua Bucareste empataram em 6 a 6, com classificação romena contra os sérvios nos pênaltis por 5 a 4. O jogo, por si só, já seria especial: empate em 4 a 4 no tempo normal e depois mais quatro gols na prorrogação, após algumas viradas. O Backa conseguiu a igualdade aos 49 minutos do segundo tempo, mesmo tendo um jogador a menos, enquanto o Steaua perdia até 12 do segundo tempo da prorrogação e também garantiu a igualdade, já com dois jogadores a mais em campo.

Antes de tudo isso acontecer, o Steaua já vivia um drama. Nove jogadores foram diagnosticado com Covid-19, sendo cinco nesta quinta-feira. Além dos atletas, todos membros da comissão técnica também foram diagnosticado com o novo coronavírus, com exceção de Mihai Pintilii, ex-jogador que se aposentou em dezembro e se tornou assistente técnico do clube.

Ao todo, apenas 14 jogadores estavam à disposição para a escalação. Boa parte dos titulares e principais reservas estavam fora, logo, atletas que eram a terceira ou até mesmo a quarta opção foram escalados. Caso, por exemplo, do goleiro Razvan Ducan, de apenas 19 anos. O jovem arqueiro esteve emprestado ao Arges, do futebol romeno, na temporada passada e estreou com a camisa principal do Steaua nesta quinta.

Ducan foi o grande exemplo da insanidade que tomou conta do jogo. Falhou em dois dos seis gols marcados pelo Backa, mas ao mesmo tempo foi o herói na disputa de pênaltis. Outros jovens atletas também estrearam, mas no caso de Ducan havia ainda um agravante: o Steaua simplesmente não tinha mais goleiros para a partida. 

Por causa da pandemia de coronavírus no mundo, Gigi Becali, proprietário do Steaua e nefasto personagem do futebol e da vida política romena, afirmou que não investiria mais no clube. Quer garantir o "futuro da família", de acordo com as próprias palavras. Por isso decidiu não mais gastar em reforços, o que já havia deixado o elenco fragilizado para a temporada 2020-21.

Ibrahimovic marca, Çalhanoglu faz lindo gol, e Milan avança na Liga Europa; VEJA os gols!

Vale lembrar, também, todo imbróglio judicial que existe no país acerca do nome "Steaua". Oficialmente, o clube presidido por Gigi Becali se chama SC Fotbal Club FCSB, ou apenas FCSB. Isso porque desde 2011 o exército romeno exigia a recuperação do nome Steaua Bucareste para seu clube de futebol, como sempre foi em toda história do país. Em 2017, a justição romena deu ganho de causa para o exército, que mantém hoje em dia o Steaua Bucareste já na terceira divisão nacional. A Uefa, por sua vez, reconhece o FCSB como herdeiro das glórias do passado, incluindo o título da Copa dos Campeões da Europa de 1986.

Em campo, contra o Backa Topola, o atual campeão da Copa da Romênia viu os sérvios abrirem 2 a 0 no placar com apenas 14 minutos. Às pressas, nas hortas anteriores ao confronto, Bogdan Vintila, que comandava o time B do Steaua até dois meses atrás (demitido por Becali) foi chamado para ajudar o inexperiente Pintilii e viajou até a cidade sérvia.

A reação começou no primeiro tempo, com o gol marcado pelo ótimo Florinel Coman aos 25 minutos. quando o Backa perdeu o bósnio Dejan Ponjevic, aos 44 com o segundo cartão amarelo, as coisas pareciam bem encaminhadas para o time romeno. Até porque o gol de empate saiu logo aos quatro minutos da segunda etapa. O problema foi, logo na sequência, sofrer o terceiro em enorme falha de Ducan, que saiu mal do gol e depois ainda viu a bola passar entre suas mãos na cabeçada de Goran Antonic. Ali ele perdeu totalmente a confiança.

O Steaua ainda reagiu e virou o jogo com Dennis Man, cobrando pênalti, aos 18, e com o gol contra marcado por Bojan Balaz já aos 47! As três substituições possíveis, já que havia apenas três suplentes no Steaua, já tinham sido feitas. Saa Tomanovic, aos 49, deixou tudo igual, e antres do apito final ainda houve grande oportunidade para os donos da casa, impedida pelo personagem da noite, Ducan.

A prorrogação viu os romenos ficarem à frente duas vezes e por duas vezes cederem o empate - incluindo a segunda falha do jovem goleiro. Tudo isso depois de 11 finalizações do Backa e 20 do Steaua, 8x10 no alvo. Nas penalidades máximas, a emoção foi mais contida: defesa de Ducan nas terceira cobrança, com Mihajlo Banjac, e vitória por 5 a 4.

Todos os gols podem ser assistidos no compacto de 25 MINUTOS da partida. No Twitter, o jornalista romeno Emanuel Rosu continua atualizando (em inglês) o caos vivido pelo clube.

No próximo dia 24, quinta-feira, o glorioso Steaua, ou FCSB, recebe o Slovan Liberec, da Eslováquia, pela terceira fase qualificatória da Europa League. Antes, no domingo, joga contra o Arges - justamente o ex-clube de Razvan Ducan - pelo Campeonato Romeno. Ninguém no clube sabe quem estará apto para entrar em campo nesses dois jogos.

Fonte: Gustavo Hofman

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Levantamento inédito relaciona alto número de cartões em jogos de futebol a índices sociais ruins

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
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Pesquisa divulgada nesta semana pelo CIES Football Observatory relaciona alto número de cartões em jogos de futebol a índices sociais ruins dos respectivos países. América do Sul e América Central são os destaques negativos do levantamento, que analisou 101491 partidas de 87 ligas nacionais em cinco continentes.

Há correlação estatística entre a quantidade de cartões, a taxa de homicídio do país e o índice de percepção de corrupção. O coeficiente de determinação (R²) entre o total de cartões por jogo e o número de assassinatos, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), é de 20%. Aumenta para 33,1% se considerarmos apenas as expulsões.

Na comparação com as informações da Transparência Internacional e seu Índice de Percepção de Corrupção, o coeficiente de determinação é de 21,8%. Ou seja, nos países onde os cidadãos mais consideram que o nível de corrupção na nação é alto, maior o número de cartões aplicados nos jogos de futebol.

A pesquisa do CIES Football Observatory, centro de estudos do futebol localizado na Suíça, também correlacionou o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 87 países analisados (50 europeus, 15 asiáticos, dez sul-americanos, oito da América Central e do Norte, três africanos e um da Oceania). Nas nações onde os números sociais são positivos, há menor punição aos atletas dentro de campo - quanto maior o R², mais explicativo é o modelo linear. No caso do PIB, com dados do Banco Mundial, o coeficiente de determinação é 16,7%. Com o IDH a estatística cai para 11,7%.

Bolívia e Guatemala lideram o ranking de cartões por jogo com médias de 6,8 e 6,61, respectivamente. São seguidos pelo Uruguai que, negativamente, está em primeiro em cartões vermelhos no mundo (0,51). São sete países latino-americanos entre os dez no topo, completados por três europeus (Romênia, Grécia e Ucrânia).

Na parte oposta da tabela, O Japão tem o campeonato nacional com a menor média de cartões por jogo, apenas 2,56 (2,48 amarelos e 0,08 vermelhos, também os menores índices). Malásia, Noruega, Holanda e Suécia fecham o top-5.


         
     

Os bolivianos têm média de 6,2 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto entre os japoneses o índice cai para 0,3. Entre guatemaltecos e uruguaios a estatística é ainda pior: 22,5 e 12,1. No ranking de percepção de corrupção, o Japão ocupa a 20a posição e a Bolívia a posição de número 123 de 198 países.

Heloisa Reis, especialista nas áreas de pesquisa e docência em Pedagogia do Esporte, Sociologia do Esporte e Direito Esportivo, com foco, entre outros temas, em futebol e violência, considera a pesquisa do CIES Football Observatory bem fundamentada. Doutora em Educação Física pela Unicamp, onde leciona desde 1988, e com pós-doutorado em Direito Esportivo e Sociologia do Esporte, pela Universidad de Murcia (Espanha), Heloisa entende haver, realmente, ligação entre a indisciplina no futebol e índices sociais.

"O que me ocorre é pensar a questão da educação, da autonomia e da falta de reconhecimento de autoridade. São três pontos que têm a ver, inclusive, com estudos que já orientei e fiz na pós-graduação da Unicamp. Nos países que têm os piores índices sócioeconômicos e educacionais, podemos inferir que possuem educação de baixa qualidade, que é o caso do Brasil. Raros são os casos de países que não têm uma relação de baixa qualidade na educação e nível socioeconômico baixo", afirma.

Heloisa busca explicação na formação dos cidadãos para avaliar o levantamento. "Uma boa educação educa seus cidadãos para a autonomia, não para a heteronomia. Uma educação de qualidade vai trabalhar desde a infância, até toda escolaridade, a formação de cidadãos autônomos. Independentemente de estarem sendo vigiados, eles têm clareza sobre seus direitos e obrigações, portanto vão cumprir as regras. Eles tendem a  burlar menos as regras, porque se sentem parte do processo de regramento. O heterônomo não, vai sempre tentar burlar a regra, vai sempre tentar dar uma de esperto. Vamos utilizar o termo que foi usado lá atrás, que a gente trabalha criticamente, de pensar o brasileiro como parte de uma cultura de malandragem. Então, se o árbitro não está vendo, eu cometo uma falta e penso que não serei punido. Agora tem mudado com o VAR". Em relação aos índices correlacionados com a percepção de corrupção, a pesquisadora Heloisa Reis se mostra pouco surpresa. "Quando existe educação de baixa qualidade, há uma condição crítica, de análise política também, muito baixa. Então, não me estranha que países que transgridem as regras apoiem políticos mais corruptos, apoiem a corrupção de modo geral, e sejam corruptores também. Acho perfeita a correlação, muito esperada".

Por outro lado, Marcelo Weishaupt Proni, também doutor em Educação Física pela Unicamp e professor livre docente do Instituto de Economia da mesma universidade, tem um outro ponto de vista. "O estudo não está errado, mas acho que simplifica muito. Há uma relação indireta, essa é a minha impressão. A disciplina no futebol melhorou bastante a partir do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando a Fifa começou a fazer a campanha do Fair Play e introduziu algumas mudanças nas regras para favorecer o espetáculo. Há um movimento de valorização do espetáculo, inclusive pela televisão, os direitos de transmissão e os patrocínios. Por isso a Fifa tenta coibir a violência, porque os clubes não podem ficar sem seus atletas por muito tempo porque levou uma pancada. Assim, os árbitros têm tentado proteger os jogadores técnicos e esse é um movimento que vem aumentando desde aquela época. Nos 30 últimos anos, houve cada vez mais uma preocupação em diminuir a violência e aumentar a qualidade do espetáculo", explica. Recentemente, a Editora da Unicamp publicou o livro "O futebol nas ciências humanas no Brasil", uma coletânea de estudos sobre o futebol realizados por mais de cinquenta estudiosos de diversas áreas de conhecimento, organizado por Marcelo Weishaupt Proni e Sérgio Settani Giglio.

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Entre as grandes ligas europeias, a Premier League tem os melhores índices. São 3,39 cartões amarelos por partida e 0,12 vermelhos. Números que colocam o Campeonato Inglês em sexto no geral. O Brasil ocupa a 25a posição na média de cartões por jogo, com 5,09 (4,84 amarelos e 0,25 vermelhos).

"O Brasil é um centro futebolístico que não é rico, mas também não é pobre. Seria uma semi-periferia. Quando a gente pega indicadores como PIB ou IDH, o que mostro nos meus estudos é que aqui no Brasil o futebol-empresa, do ponto de vista financeiro, não consegue competir com os grandes centros da Europa, mas por outro lado tem uma condição muito melhor do que outros. Não à toa o Brasil começou a importar vários jogadores sul-americanos, por exemplo. De qualquer maneira, você tem um impacto econômico. Quanto mais bem organizada a liga, maior influência dessa racionalidade empresarial, mais isso afeta a arbitragem e a qualidade técnica dos jogadores", afirma Marcelo.

A comentarista de arbitragem dos canais ESPN, Renata Ruel, traz elementos práticos para entendermos melhor a pesquisa. "No ano passado, quando participei do curso da Fifa, na França, houve um lance no qual tivemos que opinar se era cartão amarelo ou vermelho. Lembro que coloquei vermelho e uma menina da África do Sul também. Os outros colocaram entre vermelho e amarelo, e o instrutor explicou que, para a Fifa, era lance de amarelo. Eu não me conformava com o lance, porque se acontecesse no Brasil, rasgando o meião do jogador, e você não coloca para fora, o árbitro não termina o jogo. Mas eu não falei nada, já a menina sul-africana falou. Disse que respeitava a decisão da Fifa, mas que no país dela, se isso acontecer e ela não aplicar o vermelho, ela só sai do campo com a polícia".

Renata acredita e entende que as diferenças culturais dos países, e consequentemente a formação de todos os envolvidos, interfere diretamente no jogo. "Sempre achei que precisamos olhar a cultura de cada país. Isso difere o jeito de apitar o futebol. Não dá para você achar que é igual, porque não é. Eu brinco que, quando a Fifa faz as regras, ela se baseia no futebol europeu. Quando vai sancionar uma nova regra, uma alteração, ela se baseia no futebol europeu, que tem uma cultura diferente da nossa", explica a ex-árbitra e assistente. Renata se lembra de uma experiência em torneios de base, nos Estados Unidos, em que comandou partidas de times do mundo inteiro, masculino e feminino. "Equipes do Japão eram muito aplicados taticamente e não reclamavam. Times europeus também não davam problema, mas os sul-americanos e da América Central eram um inferno. Para o árbitro, de reclamação e pressão, não só dos jogadores, mas de pais e comissão técnica, como também a diferença em campo, os tipos de entradas, pontapés. Esse estudo do CIES Football Observatory tem tudo a ver. A cultura do local interfere, sim, no futebol".

A média global é de 4,42 cartões amarelos por jogo e 0,25 vermelhos. Os times visitantes são os mais punidos, 53% nas advertências e 56,7% nas expulsões. Além disso, os amarelos foram aplicados no segundo tempo em 65,8% dos casos, enquanto os vermelhos em 81,8%. Nesses aspectos, há pouca variação entre os continentes.

Zé Elias, comentarista dos canais ESPN, atuou profissionalmente de 1993 a 2009. Jogou no Brasil, na Itália, na Grécia, no Chipre e na Áustria, além de ter vestido a camisa da seleção brasileira dez vezes, antes de encerrar a carreira, muito marcada também pelo alto número de cartões recebidos - principalmente no início. O ex-jogador explica de maneira bem direta como age um atleta em ambientes onde o respeito não impera.

"O futebol está inserido no contexto da sociedade. Essa pesquisa mostra exatamente o que é o futebol. Quando você toma muito cartão amarelo, fazendo uma comparação, é a mesma coisa que você estar se defendendo da violência. Bateu, levou. Aquela coisa de ação e reação, você entra em campo com isso na cabeça. O árbitro também já entra condicionado com esse tipo de situação, está acostumado com esse tipo de coisa. Ele também leva a forma dele de pensar como ser humano para o campo, embora haja as questões técnicas e das regras do futebol. Isso segura determinadas atitudes, mas o jogador reflete em campo aquilo que ele cresce, que pensa, que vê no dia a dia. Se há ordem e respeito, você vai respeitar. Caso contrário, vai entrar em campo achando que pode fazer tudo. Se você não tem respeito, o juiz passa a ser uma figura decorativa", afirma Zé Elias.

O cenário exposto tem relação direta com a forma como cada cidadão lida com o outro. "Há uma crise moral onde a autoridade não é mais respeitada. Porque faltam representantes que tenham um perfil de autoridade para se espelhar, em termos éticos e morais, e porque indivíduos heterônimos não vão respeitar as autoridades, ao menos que se vejam em risco. Outra questão, que abordamos na área de treinamento, é que equipes em inferioridade técnica e tática, tendem a cometer mais faltas", explica Heloisa, que atuou como árbitra de futebol amador nos anos 1980. "Há toda uma correlação de respeito à autoridade. Essa questão de ser indivíduo autônomo ou heterônimo, tem tudo a ver com respeitar a autoridade. Aqui temos, desde a várzea até o futebol profissional, uma cultura de pressão sobre o árbitro, de desrespeito pela função dele".

O exemplo dado por Heloisa já foi vivenciado por Zé Elias. "Quando eu jogava na base, onde há uma mistura de classes muito mais forte do que no profissional, você percebe esses comportamentos de falta de respeito. E não apenas contra o árbitro, mas de jogador para jogador, jogador para treinador, jogador para auxiliar técnico. Existe sempre essa troca de culturas, e muitas vezes há diversos problemas disciplinares, porque em casa você não tem uma formação ideal. Não há hierarquia, na qual você sabe que precisa respeitar os mais velhos, determinados cargos, como o caso do juiz, que é a figura máxima do respeito. Isso não é trabalhado, não existe nas categorias de base, e em muitos desses países da pesquisa, eu duvido que seja feito um trabalho de prevenção em termos comportamentais".

Na prática, o futebol promove um tipo de inclusão social radical a diversos garotos e garotas pelo mundo. Crianças que cresceram em um ambiente muitas vezes tóxico, e que pelo talento conseguem rápida ascensão econômica - quase sempre desacompanhada de uma boa formação socioeducacional. A vida do cidadão é indissociável da vida de atleta em todos os aspectos possíveis.

O CIES Football Observatory conclui na pesquisa que "jogos de futebol são disputados sob diferentes dinâmicas de acordo com o contexto social, econômico, político e cultural de cada país". Os números, de acordo com o levantamento, "confirmam a ligação muito forte entre o futebol e a sociedade e revelam a importância de levar em consideração as especificidades de cada país na análise fina do jogo dentro de um contexto de globalização".

"O aspecto cultural é muito importante. De fato, nos países onde você tem uma sociedade mais civilizada, aquele meioambiente influencia bastante, tanto as torcidas, como os atletas dentro de campo. Os times visitantes, pela pesquisa, recebem mais cartões, porque há influência, maior pressão da torcida", analisa Marcelo.

O futebol é um esporte de fácil compreensão para todo planeta, e essa é uma linha utilizada pela sociologia para explicar o fenômeno global que se tornou. O jogo é o mesmo em todos os lugares do mundo, com as mesmas regras, mas as culturas do que é tolerado variam de país para país. 

Fonte: Gustavo Hofman

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Levantamento inédito relaciona alto número de cartões em jogos de futebol a índices sociais ruins

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Como fica o meio-campo do Manchester United com Donny van de Beek?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Van de Beek é o principal reforço do Manchester United para a próxima temporada
Van de Beek é o principal reforço do Manchester United para a próxima temporada Man United

O Manchester United pagou 39 milhões de euros ao Ajax pelo meio-campista holandês Donny van de Beek, de 23 anos. A transferência foi comemorada pelos torcedores dos Red Devils, e com razão. O jogador é um dos destaques da equipe de Amsterdã há alguma temporadas e teve uma despedida emocionante do clube que o revelou.

Van de Beek é um jogador acostumado a ser titular. Na prática, durante toda sua carreira, poucas vezes foi reserva. Na Eredivisie, por exemplo, atuou desde o início em 91 dos 118 jogos que disputou - com 28 gols e 24 assistências; na Champions foram 25 de 29 partidas como titular com a camisa do Ajax (cinco gols e três assistências).

Meio-campista versátil, Van de Beek é capaz de desempenhar várias funções no setor, mas majoritariamente atuou nos últimos anos como um meia avançado no 4-2-3-1 ou meia pela direita no 4-3-3. A terceira principal posição dele ao longo da carreira, mas em menor escala do que as outras duas, foi de médio centro defensivo - também pelo lado direito - no 4-2-3-1.

Sua característica de jogo é o passe: representa 67% de suas ações, considerando toda vida como jogador profissional. Lances defensivos (16%), assistências (5%), jogadas individuais (5%), finalizações (4%) e duelos aéreos (3%) vêm na sequência.

O encaixe dele na formação de meio-campo com Paul Pogba e Bruno Fernandes, no 4-2-3-1 de Ole Gunnar Solskjaer, sacando Nemanja Matic, não é simples e natural. Para isso, o jogador holandês terá que se adaptar a uma função mais defensiva do que em toda carreira. Inclusive porque o volante sérvio "acertou" o time nos últimos meses, dando o equilíbrio tático necessário para o português e o francês evoluírem individualmente.

Os duelos defensivos jamais foram o ponto forte de Van de Beek, pelo contrário. Até mesmo pelas ideias ofensivas do Ajax, ele sempre priorizou a posse de bola e o controle do jogo dessa maneira. Jamais atuou em um time preocupado, por padrão, em se defender antes de qualquer outra ação.

O United, como todos viram na temporada passada, ainda está distante de ser um time dominante na fase ofensiva, valorizando e trabalhando a posse.

Talvez esteja, justamente aí, a ideia do treinador norueguês. Afinal, Van de Beek traz à equipe controle da bola, ótimo aproveitamento nos passes e mais juventude para o setor - principalmente na comparação direta com Matic. A adaptação, portanto, pode ir além de questões extra campo, estilo de jogo na Premier League e a rotina em um novo clube. Se o objetivo de Solkjaer for, realmente, escalá-lo ao lado de Pogba e com Bruno Fernandes na formação inicial, o jogador holandês se dedicará integralmente a uma nova função.

No Ajax semifinalista da Champions em 2019, o time teve Frenkie de Jong, Lasse Schöne e Donny van de Beek nos dois jogos contra o Tottenham como meio-campistas. No primeiro, vitória por 1 a 0, o atual jogador do United marcou o único gol. Na derrota por 3 a 2, que resultou na eliminação da equipe holandesa, não conseguiu ser decisivo. Em ambas partidas, atuou como meia avançado, à frente de De Jong e Schöne.

De qualquer modo, o United aumenta a profundidade de seu elenco, algo fundamental para disputar títulos em uma temporada, cujo calendário ainda está afetado pela pandemia de coronavírus. Fred, Juan Mata, Jesse Lingard e Scott McTominay continuam no clube, assim como, naturalmente, Nemanja Matic.

Alterar o esquema tático depois do entrosamento apresentado por Mason Greenwood, Anthony Martial e Marcus Rashford no ataque não parece a opção mais provável, mas não é algo a ser descartado totalmente. O problema é que tanto Van de Beek, como Bruno Fernandes e Pogba, não são jogadores que desempenham bem em funções de lado de campo. Isso gera um obstáculo maior para saída do 4-2-3-1 e adoção de um 4-4-2, por exemplo, em que os três atuariam com mais um meio-campista de característica defensiva.

O Manchester United estreia na próxima Premier League no sábado, 19 de setembro, diante do Crystal Palace em Old Trafford. As respostas começarão a ser dadas por Ole Gunnar Solskjaer. Não apenas sobre a utilização de Van de Beek, mas também se as pretensões do time aumentarão em 2020-21.

Fonte: Gustavo Hofman

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