O Re-Pa do Século teve casa cheia, bom jogo e rival eliminado

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jogadores do Paysandu comemoram a vitória e a classificação
Jogadores do Paysandu comemoram a vitória e a classificação Jorge Luiz/Paysandu

O empate de número 254 em um dos maiores clássicos do Brasil garantiu ao Paysandu a classificação para as quartas de final da Série C e provocou a eliminação do Remo.

Disputado no último domingo, o jogo era muito aguardado pelo caráter decisivo, a ponto de ser chamado de "Re-Pa do Século". No final das contas, com a vitória do Ypiranga sobre o Juventude, a igualdade no placar sacramentou o adeus dos azulinos da competição nacional. Já os bicolores, que dependiam apenas do empate para avançar, ficaram com a quarta posição no Grupo 2 e agora encaram o Náutico, primeiro da outra chave.

Algumas figuras bem conhecidas do futebol brasileiro estiveram em campo e fora dele. A começar pelos treinadores, os veteranos Hélio dos Anjos e Márcio Fernandes, comandantes de Paysandu e Remo, respectivamente.

Os azulinos contaram com a presença do centroavante Neto Baiano, de 36 anos, ex-Vitória, CRB, Sport e tantos outros, além do meio-campista Eduardo Ramos, 33, que chegou a ter passagem pelo Corinthians em 2009 e depois defendeu Goiás, São Caetano, Santo André e mais alguns clubes, além do próprio rival do final de semana. Já o bicolor teve o lateral-direito Tony, 30, que passou pelo Grêmio entre 2012 e 2013, e o meia Tomás Bastos, 27, ex-Botafogo - destaque recente do Papão na Série C, com cinco gols em quatro jogos.

Nas arquibancadas do Mangueirão foram 26.946 pagantes e 4.360 não-pagantes, com público total  de 31.306 e renda bruta de R$ 1.217.840,00. Uma enorme e linda festa das duas torcidas rivais.

Nos primeiros cinco minutos, o Paysandu foi superior, com mais volume de jogo. Taticamente a equipe de Hélio dos Anjos foi escalada no 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 na fase defensiva. Já o Remo entrou em campo na variação do 4-3-3 para 4-1-4-1.

Em jogos de baixa qualidade técnica - e estou acostumado a isso na #AssisteaíHofman pela aleatoriedade na escolha das partidas - a pouca organização tática é muito comum. Há padrões que são seguidos, como os citados no parágrafo acima, mas a compactação defensiva, por exemplo, é bem complicada, o que torna normal a marcação com apenas seis jogadores.

O Leão abriu o placar. Aos sete minutos, Wesley roubou a bola de Micael, na linha de defesa do Papão, e bateu forte para defesa de Mota. No rebote, o próprio Wesley finalizou novamente para fazer 1 a 0 no primeiro ataque do time. A partir daí, o Paysandu assumiu o controle do jogo.

Tomás Bastos era o jogador mais acionado no campo, tanto na faixa central, como pela direita, onde buscava muitas jogadas com Hygor e Tony. O excesso de passes errados atrapalhava a criação de lances perigosos. Até 47 minutos.

Foi quando Marcão derrubou Micael na grande área, após levantamento na área em cobrança de falta no último lance da etapa inicial. Tomás Bastos cobrou o pênalti e anotou um extra point, que no futebol não conta ponto. Ele escorregou e chutou a bola muito alto.

Logo depois, uma enorme confusão tomou conta do gramado e a polícia teve que entrar para acalmar os ânimos.

Entre os desfalques dos dois times, quem mais falta fez foi o atacante Gustavo Ramos, artilheiro do Remo na Série C, com cinco gols. O Re-Pa, aliás, foi apitado por Luiz Flávio de Oliveira pela quarta vez na carreira.

O segundo tempo voltou com o mesmo roteiro, com o Paysandu sendo o time da posse de bola. Depois de tanto pressionar - apesar do susto protagonizado pelo goleiro Mota, aos 13, que quase não dominou uma bola recuada - o empate saiu. Aos 28, Tony deu belo passe para Vinícius Leite, que entrara no intervalo no lugar de Wesley Pacheco, dominar, finalizar forte e marcar um belo gol.

A igualdade no placar classificava as duas equipes até 46 minutos da etapa final, quando a notícia do gol do Ypiranga apareceu no telão do Mangueirão.

Nas quartas de final da Série C, o Paysandu começa a decisão com o Náutico em Belém. Já o Remo se concentra exclusivamente agora na Copa Verde, onde vai enfrentar o Atlético Acreano - competição na qual os bicolores seguem vivos também, enfrentam o Bragantino, em duelo paraense.

E para manter o costume do futebol brasileiro, o Remo anunciou na segunda-feira a demissão técnico Márcio Fernandes.


RE-PA

Jogos: 749
Remo: 261 vitórias
Paysandu: 234 vitórias
Empates: 254
Gols: 1899
Remo: 950 gols
Paysandu: 949 gols

Fonte: Gustavo Hofman

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Vitória do Besiktas no clássico, chegada de Mesut Özil ao Fenerbahçe e time camuflado em campo: rodada foi agitada na Turquia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória no clássico mantém o Besiktas na liderança do Campeonato Turco
Vitória no clássico mantém o Besiktas na liderança do Campeonato Turco Divulgação

A Turquia viu na temporada passada o Istambul Basaksehir conquistar seu primeiro título nacional. O clube da capital, com apoio velado do governo, desbancou os três gigantes do país e levantou a primeira taça de sua história na elite. Na segunda posição apareceu o Trabzonspor que, punido por problemas financeiros, não pôde usufruir da vaga no qualificatório da Champions League.

De qualquer modo, foi a primeira vez desde 1980-81 que nenhum representante dos três clubes turcos mais populares - Fenerbahçe, Besiktas e Galatasaray - terminou nas duas primeiras posições. Realidade que, certamente, será diferente ao final da temporada atual.

Com 18 jogos disputados, o Besiktas lidera a competição com 38 pontos, após a vitória em casa sobre o Galatasaray por 2 a 0 no domingo. Na sequência aparece o Fenerbahçe, com três pontos a menos, que entra em campo nesta segunda contra o Ankaragücü, em Istambul. A derrota fez com que o Galatasaay (33) caísse para a quarta posição, ultrapassado pelo Gaziantep (34).

Debaixo de neve, o jogo foi equilibrado, mas com o Besiktas tomando a iniciativa. A equipe alvinegra teve mais posse de bola (57,4%) e também liderou nas finalizações, com 13 no total e quatro certas, contra sete e duas do Galatasaray, respectivamente. A qualidade das conclusões também foi superior e justificou o placar de 2 a 0: no índice de expected goals (XG), 1,94 a 0,77 para o Besiktas.

Os dois times têm muitos jogadores conhecidos internacionalmente. Pelo BJK: o zagueiro croata Domagoj Vida, o volante brasileiro Souza, o meia-atacante argelino Rachid Ghezzal e os atacantes Vincent Aboubakar (camaronês) e Cyle Larin (canadense). Pelo Fener, as figuras mais conhecidas são o veterano Arda Turan, de 33 anos, além do meia marroquino Younes Belhanda, o zagueiro brasileiro Marcão e o experiente técnico Fatih Terim.

Taticamente, o Besiktas joga na variação do 4-3-3 na fase ofensiva para o 4-1-4-1 na defensiva, com Souza sendo o jogador que se posiciona entre as linhas. O Galatasaray usa a variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2.

A melhor chance do primeiro tempo foi dos mandantes. Após lançamento, Larin recebeu completamente livre na intermediária ofensiva e chutou por cima do gol, cara a cara com Okan Kocuk. Na segunda etapa, um lance aos 13 minutos doi decisivo para o andamento da partida. O atacante senegalês Mbaye Diagne, em disputa com o zagueiro espanhol Javi Montero, levantou demais o pé e acertou a cabeça do adversário. Foi expulso imediatamente, deixando o Galatasaray com um jogador a menos em campo.

A partir daí, o jogou passou a ser ataque do Besiktas contra defesa do Galatasaray. O gol saiu, finalmente, aos 34 minutos, quando o lateral-esquerdo Ridvan Yilmaz cruzou na área e Souza marcou com o pé direito, seu primeiro com a camisa alvinegra. Para definir a vitória por 2 a 0, o atacante francês Georges-Kevin N'Koudou fechou a conta aos 46, após contra-ataque e assistência de Larin.

"Foi um jogo muito especial. Primeiro, porque estávamos lutando para manter a liderança e, segundo, por ser um clássico na Turquia e os clássicos aqui são diferentes. Eu tive a felicidade de marcar mais um gol contra o Galatasaray e ajudei a abrir o caminho para vitória. Fico muito feliz pela vitória e pelo gol. Agora é continuar focado para não perdermos mais a liderança e buscar esse título ", afirmou Souza que, na época de Fenerbahçe, também marcou contra o Gala.

Na Europa, é comum ouvirmos a expressão "cinco grandes ligas". Referem-se a Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1. Na teoria, a sexta é a Primeira Liga, de Portugal, e na sequência a disputa é muito equilibrada. Eredivisie, na Holanda, e Premier League russa são candidatas, assim como a Süper Lig. O grande problema do Campeonato Turco nos últimos anos foi a crise financeira dos clubes, com muitos atrasos de salários e punições da UEFA por conta de problemas administrativos. Isso fez com que a competitividade dos clubes turcos, internacionalmente, caísse demais.

Özil nasceu na Alemanha e tem origem turca
Özil nasceu na Alemanha e tem origem turca Divulgação

Um bom exemplo é o Fenerbahçe, que há sete anos não é campeão turco e não aparece nas competições continentais, acumulando punições também. Haverá eleições em julho e a pressão interna é gigantesca sobre a diretoria, que tem hoje o ex-jogador Emre Belozoglu como responsável pelo futebol. Nesta segunda, o clube confirmou a contratação de Mesut Özil, uma das principais na história do Fenerbahçe.

O jogador alemão, nascido em Gelsenkirchen e de origem turca, chega para ser o líder técnico da equipe e o diferencial para o Fener voltar a levantar a taça. Até o fechamento desta matéria, ele ainda não havia sido oficializado como reforço, por mais que fotos suas tenham sido publicadas nas redes oficiais do Fenerbahçe com um cachecol do clube.

Além de tudo isso, o final de semana no futebol turco teve também time camuflado em campo. No empate do Istambul Basaksehir em 1 a 1 com o Sivasspor, na capital, os jogadores do Sivass sumiram. Durante a partida, disputada no sábado, passou a nevar muito forte. O problema foi a cor do uniforme escolhida pelo time visitante: branca. As imagens da partida viralizaram pelo mundo.

Tente achar os jogadores do Sivasspor
Tente achar os jogadores do Sivasspor Divulgação

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Hat-trick de esperança! Acabou o tormento do Schalke na Bundesliga. Ainda há salvação?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Equipe do Schalke se reúne no campo após vitória sobre o Hoffenheim
Equipe do Schalke se reúne no campo após vitória sobre o Hoffenheim Getty Images

Foram incríveis 30 rodadas sem vitória na Bundesliga. O Schalke ficou a uma do recorde negativo do Tasmania Berlim, que perdurará além dos 54 anos atuais. Neste sábado, os Azuis Reais venceram o Hoffenheim por 4 a 0 e finalmente voltaram a vencer um jogo de futebol no Campeonato Alemão.

Um jovem garoto de 19 anos, nascido em Yorba Linda, na Califórnia, cidade mais conhecida por ser a terra de Richard Nixon, se tornou o improvável herói. Matthew Hoppe, com seu nome e três gols, devolveu a esperança aos desolados torcedores do S04.

A trajetória de Hoppe é meteórica. Em 17 de junho e 2019, ele assinou seu primeiro contrato profissional. O Schalke descobriu o jovem talento na Barça Residency Academy, no Arizona. Basicamente, são as escolinhas do Barcelona nos Estados Unidos. De lá seguiu para o sub-19 da equipe alemã e iniciou a trajetória na Alemanha. É curioso que, Hoppe, já estava comprometido com a San Diego State University para jogar futebol e estudar - planos que foram radicalmente alterados.

A estreia no time principal do Schalke foi em 28 de novembro, em plena sequência negativa do clube. Começou no jogo contra o Borussia Mönchengladbach, goleada sofrida por 4 a 1. Precisou esperar mais sete jogos para marcar seus primeiros gols pelo clube. Gols que o colocam na história, por impedir o recorde negativo na Bundesliga e ser o primeiro norte-americano a anotar um hat-trick na competição. Atuação impecável de Matthew Hoppe contra o Hoffenheim, assim como de Amine Harit, autor de três assistências e um gol.

Conseguirá o Schalke, agora, escapar do rebaixamento? São apenas sete pontos após 15 jogos, o suficiente para deixar a lanterna para o Mainz, que soma seis. A disputa será acirrada com Arminia Bielefeld e Colônia, com a possibilidade de novos membros (Hoffenheim, Werder Bremen...)

Com o clube assolado em crise técnica e financeira, o polêmico ex-presidente Clemens Tönnies chegou a oferecer empréstimo, recusado pela direção atual. O retorno de Sead Kolasinac se mostra bastante importante no atual momento, não só pelo ganho esportivo, mas também pela recuperação de uma mentalidade vencedora no vestiário. O novo técnico, Christian Gross, chegou com muitas dúvidas sobre si, e consegue rápida resposta da equipe em campo.

A realidade do Schalke para o restante da temporada é de luta pela permanência na Bundesliga. Evitar o rebaixamento para a 2.Bundesliga é o principal objetivo, mas será necessária ampla reformulação no clube para mudar o cenário, inclusive pelo exemplo já demonstrado pelo Hamburgo.

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12 títulos na sequência e feito único para Neil Lennon: os recordes do Celtic na Escócia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Celtic conquistou a Copa da Escócia pela 40a vez
Celtic conquistou a Copa da Escócia pela 40a vez Divulgação

A atrasada final da Copa da Escócia da temporada 2019-20 aconteceu somente no último domingo, por causa da pandemia de coronavírus. O Celtic, após empate em 3 a 3 com o Hearts no tempo normal e na prorrogação, venceu nos pênaltis por 4 a 3 e ficou mais uma vez com a taça. Este é o 12º título nacional do Celtic na sequência, uma incrível e inédita quadrupla-tripla conquista - ou seja, Campeonato, Copa e Copa da Liga nas três últimas temporadas escocesas.

O técnico dos Bhoys, Neil Lennon, também alcançou um feito único. Ele se tornou a primeira pessoa no futebol escocês a conquistar a tríplice coroa como jogador e treinador. Dos 12 títulos, ele foi o técnico em cinco, com Brendan Rodgers nos outros sete. Lennon está muito pressionado na atual temporada, já que o Celtic foi eliminado da Europa League, da Copa da Liga atual e está bem distante do Rangers na luta pelo título da Premiership.

O Celtic usou o 4-3-3 para atacar, com a presença do veterano e capitão, Scott Brown, no meio-campo, responsável pela saída de bola com o zagueiros Christopher Jullien e Shane Duffy. Kristoffer Ajer atuou improvisado na lateral-direita e Greg Taylor jogou aberto na esquerda. Dois meias centrais, David Turnbull e Callum McGregor, se movimentavam bastante, tendo o ótimo Odsonne Édouard como referência ofensiva, além de Ryan Christie e Mohamed Elyounoussi nas pontas. A instabilidade dos Bhoys tem sido enorme na temporada, com muitas falhas defensivas e pouquíssima criatividade ofensiva, o que vem provocando tantos reveses.

Já o Hearts, do técnico Robbie Neilson e dos experientes Craig Gordon (goleiro, 37 anos, ex-Celtic e Sunderland) e Steven Naismith (atacante, 34, ex-Everton e Norwich), chegou embalado à final da Copa da Escócia, após oito rodadas disputadas na Championship e a liderança da competição. Em campo, no Hampden Park, em Glasgow, marcava no 5-3-2, com linhas bem baixas e dando o campo para o adversário trabalhar. Nos números do jogo, o Celtic teve mais posse de bola (64%) e finalizou mais também (20 x 13), mas permitiu que o Hearts tivesse quase o mesmo número de finalizações certas (6 x 7). Como um bom jogo de futebol escocês, alto número de faltas: 33.

Desde 2014 o Heart of Midlothian, mais conhecido como Hearts, da capital Edimburgo, pertence à empresária Ann Budge. Ela liderou um consórcio que comprou o clube da capital escocesa do lituano Vladimir Romanov, que o transformara em seu brinquedinho pessoal.

O encerramento precoce da última temporada da Premiership garantiu ao Celtic o eneacampeonato, que viria sem dúvidas se a competição fosse finalizada, pela vantagem de 13 pontos sobre o rival Rangers. A luta contra o descenso, porém, não estava definida, e sobrou para o Hearts o rebaixamento, mesmo estando a quatro pontos do Hamilton com oito rodadas ainda por disputar.

Ryan Christie abriu o placar na final da Copa da Escócia aos 19 minutos com um golaço de fora da área, batida com o pé esquerdo, com efeito, tirando do goleiro Gordon. Dez minutos depois, Édouard ampliou na cavadinha em cobrança de pênalti. A reação do Hearts começou com a cabeçada de Liam Boyce, aos três minutos do segundo tempo, e foi concluída aos 22 com outra bola levantada na área e a conclusão de Stephen Kingsley. A partida foi então para a prorrogação, e o Celtic voltou a ficar na frente do placar aos 15 minutos da etapa inicial com Leigh Griffiths, que entrara pouco antes. O final emocionante foi garantido no segundo tempo extra, aos seis minutos, e o gol marcado por Josh Ginnelly.

Nos pênaltis, Christie perdeu para o Celtic e Kingsley e Craig Wighton desperdiçaram para o Hearts. Coube a Ajer marcar na última cobrança e garantir a vitória por 4 a 3. Nesta quarta-feira, o Celtic entra em campo novamente, pelo Campeonato Escocês. Terá pela frente o time que, surpreendentemente, o tirou da Copa da Liga na segunda rodada, o Ross County. O Hearts, por sua vez, vai orgulhoso receber o Ayr United, no próximo sábado, em sua jornada de retorno à elite.

Fonte: Gustavo Hofman

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Ulsan conquista a Champions League asiática com herói brasileiro na final

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Júnior Negrão foi o herói na final, com dois gols marcados para o Ulsan
Júnior Negrão foi o herói na final, com dois gols marcados para o Ulsan Divulgação

O sábado foi de comemoração em Ulsan, no litoral sul-coreano. Bem distante dali, em Doha, no Catar, o Ulsan Hyundai venceu o Persepolis, do Irã, por 2 a 1, e conquistou neste sábado seu segundo título da Champions League Asiática. O resultado coloca o representante da Coreia do Sul noMundial de Clubes da FIFA, que acontecerá em fevereiro.

O grande destaque foi o atacante brasileiro Júnior Negrão, autor dos dois gols na virada sul-coreana. Ele foi também o artilheiro da competição com sete gols, ao lado do marroquino Abderrazak Hamdallah, do Al Nassr (Arábia Saudita). A presença ilustre nas arquibancadas foi do presidente da FIFA, Gianni Infantino.

A Champions League asiática, pela grandiosidade geográfica do continente, divide as equipes entre Leste e Oeste. Assim, times do Oriente Médio e da Ásia Central ficam de um lado da chave e os representantes de Japão, Coreia, China, Austrália e Sudeste Asiático do outro. A temporada 2020 foi marcada pela pandemia de coronavírus, o que obrigou a organização a transferir todos os jogos que faltavam da fase de grupos e os playoffs - alterados para eliminatórias simples ao invés de mata-mata - para o Catar.

O primeiro gol do jogo saiu aos 44 minutos, quando o Ulsan saiu jogando errado e Park Joo-ho perdeu a bola para Mehdi Abdi, que avançou e bateu no canto do goleiro Jo Su-huk. Pouco depois, com auxílio do VAR, o árbitro catariano Ramzan Al-Naemi marcou pênalti, sofrido por Yoon Bit-garam, para os sul-coreanos. Júnior cobrou no canto direito, mas Hamed Lak defendeu. Ninguém, porém, chegou a tempo para evitar o gol no rebote do brasileiro aos 49.

Júnior vive um momento especial na carreira aos 33 anos. Natural de Salvador e revelado pelo Nacional, do Amazonas, se destacou em uma Copa São Paulo e acabou contratado pelo Atlético Mineiro. Em 2007 foi para o Corinthians, em um dos piores anos na história alvinegra, marcado pelo rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Durou pouco no Parque São Jorge e passou a rodar por muitos clubes - 12, especificamente, até chegar à Tailândia. No futebol tailandês, foi bem nas passagens por Muangthong United e Pattaya United, o que chamou a atenção do Daegu, da Coreia do Sul.

"Tem coisas que só o futebol, mesmo... Em 2007, eu tinha feito um teste no próprio Daegu, mas o técnico disse que eu não tinha o estilo deles e não me aprovou. Voltei para o Brasil e a vida seguiu. 10 anos depois, o presidente do Daegu era esse mesmo treinador que não me aprovou. Quando eu contei que ele tinha me reprovado há uma década, ele não acreditava (risos). Ficava falando: 'Não era você!' (risos). Mas futebol é assim mesmo. Não guardei mágoas e falei que daria muitas alegrias para ele", contou o atacante brasileiro no ano passado, em entrevista ao ESPN.com.br. Foram 12 gols em 16 jogos e a contratação pelo gigante do país Ulsan Hyundai.

Na final da Champions League, neste sábado, o duelo tático foi marcado pelo 4-2-3-1 do Persepolis e o 4-3-3 do Ulsan, com suas respectivas variações defensivas: 4-4-2 e 4-1-4-1. Os iranianos tiveram mais posse de bola (57,3%), mas finalizaram menos (9 x 12, 2 x 5 no alvo). A virada não demorou a acontecer após o empate, e foi bizarra. O lateral-direito Mehdi Shiri subiu para cortar um cruzamento com o braço erguido e fez quase um bloqueio de vôlei. Pênalti escandaloso, e mesmo assim a arbitragem precisou do VAR para marcar. Desta vez, na cobrança, Júnior Negão não desperdiçou.

São pouquíssimos estrangeiros nos dois elencos. Pelo Ulsan, além do herói Júnior Negão, o zagueiro holandês Dave Bulthuis também começou jogando, enquanto o atacante norueguês Bjorn Maars Johnsen saiu do banco já no final do jogo. O Persepolis tem somente dois atletas de fora do Irã, o meio-campista iraquiano Bashar Resan (titular) e o goleiro croata Bozidar Radosevic (reserva).

O Ulsan pertence à Hyundai Heavy Industries, maior empresa de construção naval do mundo. Muita gente confunde com a Hyundai Motors, gigante automotiva, que é proprietária do Jeonbuk. Apesar do nome, são companhias distintas, mas fundadas pela mesma pessoa, o empresário Chung Ju-yung (falecido em 2001). Já o Persepolis, gigante do futebol iraniano, amargou seu segundo vice-campeonato na Champions League asiática. Em 2018, foi batido pelo Kashima Antlers, do Japão.

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Rodada de LaLiga tem o "clássico latino-americano" entre Atlético de Madrid e Elche

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Atlético x Elche acontece neste sábado, com transmissão ao vivo da ESPN às 10h
Atlético x Elche acontece neste sábado, com transmissão ao vivo da ESPN às 10h Divulgação

Neste sábado, às 10h (horário de Brasília), com transmissão da ESPN, o estádio Wanda Metropolitano será palco do duelo mais latino-americano possível de LaLiga. Atlético de Madrid e Elche se enfrentam na capital espanhola pela 14a rodada da competição, em jogo que poderia ser absolutamente comum, uma vez que não há rivalidade entre os clubes. Isso se não fosse a forte presença latino-americana nas duas equipes, a começar pelos treinadores.

Diego Simeone é o mais longevo técnico de LaLiga, referência icônica do Atleti. Jorge Almirón começa a construir sua história na Espanha, contratado pelo pequeno Elche no início da temporada. Os dois argentinos possuem em seus elencos, respectivamente, sete atletas da América Latina à disposição para trabalharem. Nenhum outro clube da primeira divisão espanhola supera os adversários deste final de semana em latinidade, somando os técnicos.

Pelo Atlético jogam José Giménez (Uruguai), Felipe (Brasil), Renan Lodi (Brasil), Lucas Torreira (Uruguai), Héctor Herrera (México), Ángel Correa (Argentina) e Luis Suárez (Uruguai). No caso colchonero, há ainda Diego Costa, brasileiro naturalizado espanhol. Já no Elche estão os argentinos Diego Rodríguez, Juan Sánchez Miño, Iván Marcone, Lucas Boyé, Guido Carrillo e Emiliano Rigoni, além do colombiano Jeison Lucumí. Apenas o Betis iguala os dois nessa disputa, já que também possui sete atletas latinos no elenco e é comandado pelo chileno Manuel Pellegrini.

"O conceito de América Latina é algo relativamente novo e tem origem na França, onde era comum a ideia de uma 'raça latina'. O termo ganhou força a partir da invasão francesa do México, com Napoleão III, em 1861. Os franceses instalaram no México um imperador Habsburgo, cujo reinado foi curtíssimo. A construção da ideia de uma 'América Latina' serviu como justificativa ideológica para o imperialismo francês no México, com a finalidade de criar uma impressão de afinidade cultural com a França. A ideia era traçar uma linha de separação ideológica entre o império católico 'latino', que os franceses estavam instalando, e o império protestante anglo-saxão: os Estados Unidos", explicou recentemente Carlos Gustavo Poggio, professor da FAAP e PhD em Relações Internacionais, em sua conta no Twitter.

Com o passar das décadas, a expressão passou a ser mais utilizada nos países da America Central e da América do Sul também. No entanto, há indícios de utilização do termo em língua espanhola previamente aos franceses, como indica Poggio, por intelectuais que viviam em Paris. "Para esses escritores, a ideia de América Latina referia-se à América espanhola, o que excluía o Brasil - que, além de tudo, era uma monarquia. Foi apenas com a popularização do termo nos Estados Unidos que, gradualmente, o Brasil passou a ser incluído. Isso só no século XX".

Os latinos de Atlético e Elche estão entre os protagonistas de seus times. Luis Suárez, principal contratação colchonera para a temporada, tem cinco gols e divide a artilharia do time com o português João Félix. Pelo Elche, com números mais modestos, Lucas Boyé é um dos jogadores da equipe que já marcaram dois gols. Na tabela de classificação, a realidade também é bem distinta, afinal, o Atlético é um dos favoritos ao título e já somou 26 pontos em 11 jogos. O representante de Elche, na Comunidade Valenciana, tem 12 pontos a menos com o mesmo número de partidas. Vale lembrar que o Elche está de volta à primeira divisão após cinco anos, tendo conquistado o acesso pelos playoffs.

Diego Simeone e Jorge Almirón são contemporâneos do futebol, mas tiveram carreiras como jogadores bem diferentes. Enquanto Simeone se tornou um dos principais jogadores de sua geração na Argentina, alcançando o estrelato no futebol europeu também, Almirón rapidamente deixou o país e trilhou longa carreira no futebol mexicano. Agora como treinadores, o sucesso pesa mais uma vez para o lado do representante do Atleti, por mais que atual comandante do Elche já tenha provado sua qualidade em equipe como o Lanús, onde conquistou o Campeonato Argentino em 2016 e foi vice da Libertadores do ano seguinte.

No mundo, atualmente, os latino-americanos dominam o cenário de jogadores expatriados. Os brasileiros são maioria, com 1280 atletas espalhados pelos campeonatos de 82 associações nacionais, de acordo com levantamento do CIES Football Obsrvatory. Os argentino aparecem na terceira posição com 886, pouco menos do que os 902 franceses. Assim como no passado, o artista uruguaio Joaquín Torres García desenhou a América Invertida como forma de resistência da cultura latino-americana, onde o "nosso norte é o sul", o futebol também é uma maneira de expressão da região perante o mundo.

"O termo 'América Latina', seja em francês, espanhol ou inglês, sempre existiu como um recurso para criar a impressão de afinidade cultural entre países ao sul dos Estados Unidos e reforçar a diferenciação com a América de fala inglesa, anglo-saxã. Nos Estados Unidos em especial, o termo serviu para reforçar a separação com relação aos vizinhos católicos e menos desenvolvidos. Ao sul, o termo se consolida como forma de reforçar os laços comuns em oposição ao 'imperialismo do norte' a partir do fim do século XIX e começo do XX. Portanto a ideia de América Latina e, portanto, de 'latino-americano', não é um referente natural geográfico, como 'Sudeste Asiático', nem cultural, como 'árabe'. É um conceito artificalmente construído com objetivos bem definidos, daí a importância de se conhecer a sua origem", finaliza Carlos Gustavo Poggio.

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Força física e muita história em mais um clássico polonês

Gustavo Hofman
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Luquinhas, jogador do Legia-POL
Luquinhas, jogador do Legia-POL Getty Images

As torcidas polonesas costumam promover belíssimos espetáculos nas arquibancadas, assim como muita confusão pelas ruas. Em 2017, uma manifestação da torcida do Legia contra o nazismo, em um jogo contra o Astana pelo qualificatório da Champions League, relembrando as dezenas de milhares de mortos em Varsóvia, foi impactante. Em um gigante banner, surgiu a imagem de um oficial nazista com a arma apontada para a cabeça de uma criança.

O futebol é tratado com fanatismo no país e forma de expressão nacional, e isso torna as rivalidades entre os principais clubes enormes. No último sábado, o Legia visitou o Wisla, em Cracóvia, sem torcida nas arquibancadas devido à pandemia de coronavírus. Não é o maior clássico da Polônia, mas mantém rivalidade entre as cidades e também pela força histórica dos dois clubes - 14 e 13 títulos nacionais, respectivamente, entre os quatro maiores vencedores.

 Atual campeão, o Legia (pronuncia-se "léguia") venceu o Wisla por 2 a 1 e se manteve na liderança da Ekstraklasa, com 29 pontos em 13 rodadas. Já o Wisla é apenas o 13o, com 11 pontos, próximo da 16a e última posição.

 "Sabíamos que seria um jogo muito difícil, porque eles estavam há cinco rodadas sem vencer e colocariam tudo dentro de campo para tentar nos vencer. Não foi diferente. Na primeira parte eles pressionaram muito, foram muito bem, não à toa saíram ganhando. A nossa equipe está bem focada no objetivo principal, então nos concentramos no jogo e conseguimos virar", explica o atacante Luquinhas, de 24 anos, com carreira feita em Portugal (Vilafranquense, Benfica e Aves).

 O primeiro gol do jogo saiu aos 12 minutos, após recuperação de bola do Wisla no campo de ataque, que resultou em cruzamento na grande área do cazaque Georgy Zhukov e a finalização do ganês Yaw Yeboah, formado na base do Manchester City. No geral, o Legia teve mais posse de bola (61%) e finalizou mais (13 x 7).

Luquinhas conversou com o blog na noite de domingo, já curtindo a folga após a vitória. No segundo tempo, o Legia marcou duas vezes, aos 36 e 44, com o centroavante tcheco Tomás Pekhart. 

"Ele está sendo uma peça fundamental na nossa equipe. Terceiro ou quarto jogo que ele marca gols decisivos. Ele se tornou a nossa referência na frente. Quando os extremos pegam a bola, o treinador já falou para buscar o Tomás dentro da área. Quando eu puxo para dentro, é só colocar a bola no alto que tem 50% de chance de gol", explica o atacante brasileiro, que joga aberto pela esquerda no 4-3-3 do Legia. Pekhart está com 31 anos e foi descoberto pelo Tottenham, ainda na base do Slavia Praga - desde fevereiro está na Polônia.

O futebol polonês é bastante caracterizado pela força física. Os atletas são muito bem preparados e fortes fisicamente, além de bem organizados taticamente em campo. "O estilo de jogo aqui na Polônia é mais porte físico, jogadores altos e fortes. Em Portugal o estilo era completamente diferente, com mais espaço e posse de bola. Quando recebi a proposta do Legia, fiquei meio assim por causa disso. Sou pequeno, tenho 1m68, mas quando cheguei aqui percebi que dava para ter qualidade e porte físico", garante Luquinhas, contratado pelo clube de Varsóvia no início da temporada passada. Apesar do talento do brasileiro e os gols de Pekhart, o grande ídolo na atualidade do Legia - clube historicamente ligado aos militares poloneses - é o veterano goleiro Artur Boruc, ex-Fiorentina, de 40 anos.

A capital polonesa é também a maior cidade do país, localizada às margens do rio Vístula, entre as montanhas do Cárpato e o mar Báltico. Seus quase dois milhões de habitantes respiram a história de resistência, luta e sofrimento infligidos pela Segunda Guerra Mundial. Varsóvia foi destruída nesse período, com cerca de 85% das edificações arrasadas. Estima-se a morte de 150 mil a 200 mil civis. A construção do Gueto de Varsóvia e a Revolta de Varsóvia são dois eventos extremamente importantes e impactantes na história do conflito. A ocupação alemã, que começou em setembro de 1939, terminou apenas em janeiro de 45 com a chegada do Exército Vermelho.

A Ekstraklasa terá apenas mais uma rodada disputada neste ano, no final desta semana. Depois faz a necessária pausa para o rigoroso inverno polonês.

Fonte: Gustavo Hofman

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Força física e muita história em mais um clássico polonês

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A escolha do novo técnico do Borussia Dortmund é determinante para as ambições do clube

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O anúncio da demissão de Lucien Favre, neste domingo, veio junto com um "demorou para acontecer" dos torcedores do Borussia Dortmund. A impressão de que esse time pode render muito mais é evidente para todos que acompanham o futebol alemão. Por isso, a queda do técnico suíço não foi surpreendente.

Após as passagens estáveis e vencedoras de Jürgen Klopp (2555 dias e cinco títulos) e Thomas Tuchel (699 dias e um título), o clube apostou em Peter Bosz e Peter Stöger, que ficaram no cargo por apenas 161 e 202 dias, respectivamente. Ambos na decepcionante temporada 2017-18. 

Favre chegou com a experiência necessária de Bundesliga, após comandar Hertha Berlin (2007 a 2009) e Borussia Mönchengladbach (2011 a 2015). O último trabalho no Nice era muito bom, por isso altas expectativas foram criadas. Jamais alcançadas plenamente. 

Lucien Favre durante partida do Borussia Dortmund
Lucien Favre durante partida do Borussia Dortmund Getty Images

O Borussia Dortmund tem uma estrutura muito bem definida internamente, assim como a divisão de poderes. Hans-Joachim Watzke é o CEO, quem toma sempre a decisão final. Michael Zorc, ex-jogador e ídolo do Dortmund, é quem comanda todo o departamento de futebol, enquanto Sebastian Kehl, outro ex-atleta aurinegro, responde diretamente a ele pelo time profissional. Já Lars Ricken, também antiga figura do BVB, chefia as categorias de base. Há ainda uma figura importante, Matthias Sammer, oficialmente consultor externo, e com opinião bastante considerada por lá. 

Quem assistiu "Inside Borussia Dortmund", disponível na Amazon Prime, pôde ver muito do ótimo relacionamento que havia entre Lucien Favre e a diretoria. O suíço é um enorme conhecedor de futebol, meticuloso nas estratégias e com respeito adquirido no meio. Foram 896 dias de muito trabalho, evolução de jovens promessas, grandes vitórias e algumas decepções. É necessário dar um passo além, agora, e Lucien Favre, por mais competente que seja, não parece ser a pessoa ideal para os objetivos traçados. A decisão pela saída deveria ter acontecido ao final da temporada passada. 

Levantamento da Deustche Welle mostra que Favre teve, inclusive, média de pontos somados por jogo superior a Klopp (1,91), com 2,09 - melhor de um técnico do Dortmund na história da Bundesliga. A falta de uma mentalidade vencedora, porém, nos momentos cruciais da temporada e nos grandes jogos acabou se tornando o pesadelo dos torcedores. A forma desastrosa como a equipe perdeu o título da Bundesliga em 2018-19, praticamente entregando a taça a um combalido Bayern de Niko Kovac, foi um alerta, mas havia confiança para a segunda temporada de Favre. No final das contas, com a pandemia e a chegada de Hansi Flick, os bávaros impuseram um nível altíssimo, jamais contestado pelo Dortmund - por mais que houvesse uma chance clara, desperdiçada em 26 de maio com o gol marcado por Joshua Kimmich aos 43 minutos do primeiro tempo. 

A política de contratações está baseada na busca por jovens talentos e o desenvolvimento desses atletas. Além disso, a valorização dos atletas da base e a busca por alguns jogadores mais experientes no mercado, para formar um grupo equilibrado. Para Favre chegaram Thomas Delaney, Axel Witsel, Paco Alcácer, Thorgan Hazard, Nico Schulz, Julian Brandt, Erling Haaland e Jude Bellingham. Jadon Sancho se tornou um dos melhores da Bundesliga e Giovanni Reyna segue o mesmo caminho. 

O trabalho de Lucien Favre foi importante dentro de todo processo de transformação vivido pelo Borussia Dortmund, classificado para as oitavas de final da Champions League. Diante do fortalecimento do RB Leipzig e do empoderamento ainda maior do Bayern, no entanto, a mudança de patamar se tornou urgente para o BVB. Edin Terzic assume interinamente até o final do ano, enquanto a diretoria decide quem será o novo treinador. Mauricio Pochettino e Massimiliano Allegri surgem como desejos da torcida. Nomes que indicam como o sarrafo está mais alto agora, do que em julho de 2018, mas que também levantam questionamentos sobre o próximo passo. 

Escolher alguém como Pochettino, para um trabalho a longo prazo, pensando no desenvolvimento dos jovens, ou alguém mais pragmático e com um currículo vitorioso como Allegri? Ou mesmo uma aposta alemã. Certo é que dias importantes estão por vir em Dortmund.

Fonte: Gustavo Hofman

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Uma gelada tarde de futebol em Motherwell

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória do Hibernian levou o time à terceira posição da Premiership
Vitória do Hibernian levou o time à terceira posição da Premiership Divulgação

As maiores sequências atuais de títulos nacionais estão na Itália, na Bulgária e na Escócia, onde Juventus, Ludogorets e Celtic são eneacampeões. O decacampeonato búlgaro deve acontecer, enquanto os italianos aguardam uma briga acirrada da Juve com os principais rivais. Já em território escocês, parece que a soberania do lado verde de Glasgow chegará ao fim.

Com 16 rodadas da Premiership disputadas, o Rangers lidera com 44 pontos e é o único invicto. Está 13 pontos à frente do Celtic, com dois jogos a mais. Pelo desempenho até aqui, é o melhor time do campeonato, fruto do excelente trabalho de Steven Gerrard. Os Bhoys veem Neil Lennon ser contestado cada vez mais, à medida que tropeços são acumulados.

Historicamente o Campeonato Escocês se resume à disputa entre os dois gigantes da capital pelo título, além de reunir uma das maiores rivalidades do mundo. O Rangers tem 54 títulos e o Celtic vem na sequência com 51; todos os demais adversários somam 21 em 131 anos. Essa situação, porém, foi recuperada há pouco tempo. Com a falência do Rangers e o rebaixamento à quarta divisão, foram quatro temporadas sem o grande rival do Celtic na elite, quando outros clubes se aproveitaram para ficar com o vice-campeonato. Desde que retornou, o Rangers somente passou a, efetivamente, brigar pelo título uma vez mais na temporada passada, que acabou encerrada precocemente pela pandemia de coronavírus.

Assim, a vida além dos dois para as outras dez equipes da Premiership voltou a se resumir a "quem será o terceiro colocado". No sábado, Motherwell e Hibernian, dois postulantes a essa condição, se enfrentaram pela 16a rodada. A vitória por 3 a 0 do Hibernian, fora de casa e com temperatura próxima de 0ºC, fez com que a equipe assumisse a terceira posição na tabela, com 29 pontos, graças ao empate do Aberdeen com o St. Mirren.

Taticamente, o Motherwell começou o jogo na variação do 4-3-3 com a bola e 4-1-4-1 na fase defensiva. O técnico do clube é Stephen Robinson, ex-jogador da seleção norte-irlandesa. Aos 45 anos, está desde 2017 no cargo em sua segunda experiência à frente de um time, tendo passado pelo Oldham Athletic antes. Já o Hibernian marcava alternando entre o 4-4-2 e o 4-5-1, de acordo com a movimentação do atacante inglês Drey Wright.

Quem gosta de assistir séries sobre bastidores de equipes de futebol vai reconhecer o treinador dos Hibs. Trata-se de Jack Ross, treinador do Sunderland no período da segunda temporada de "Sunderland'Till I Die", exibida pelo Netflix. Jack é contratado pela nova administração do clube e comanda o time na temporada 2018-19 pela terceira divisão inglesa, quando cai nos playoffs de acesso, ao ser batido pelo Charlton. Em outubro, ocupando a sexta posição na League One, é demitido; um mês depois, acertou com o Hibernian.

Lance do jogo entre Motherwell e Hibernian
Lance do jogo entre Motherwell e Hibernian Divulgação

Partidas do Campeonato Escocês são marcadas pela força física, velocidade e boa organização tática das equipes. Se a técnica é limitada, o físico sobra. No primeiro tempo, basicamente o que se viu foi isso: dois times bem montados, explorando as transições rápidas, mas praticamente sem chances de gol. Com exceção de um lance polêmico aos 41 minutos. Liam Polworth cobrou falta e levantou a bola para o cabeceio de Mark O'Hara em direção ao centro da área, onde o atacante inglês Callum Lang completou.

A jogada foi anulada pelo árbitro Andrew Dallas, que confirmou o impedimento assinalado pelo assistente. Não há VAR no Campeonato Escocês, assim, o lance não pôde ser revisado. A transmissão da partida não mostrou o lance com uma imagem lateral, o que torna impossível para o autor deste texto saber se houve ou não infração. Fato é que o técnico do Motherwell, Stephen Robinson, reclamou muito do lance e, após o jogo, afirmou ter revisto o que aconteceu e afirmou que o gol foi legal.

Nas arquibancadas do Fir Park, estavam apenas fotos ou vultos de torcedores do Motherwell - todos em casa, prevenindo-se da pandemia. O estádio é simples e antigo, construído em 1895 e renovado 100 anos depois. Casa aconchegante e simpática, como quase todo estádio pequeno no Reino Unido.

Na segunda etapa, diferentemente da primeira, um time passou a criar mais e aproveitar as oportunidades. Com gols aos 14, 43 e 50 minutos, os Hibs construíram a vitória. O primeiro, marcado por Martin Boyle, foi determinante para a equipe ter mais espaço para os contra-ataques. O meia-atacante inglês Joe Newell, de 27 anos, ex-Peterborough e Rotherham, era quem mais criava chances - era também o mais habilidoso em campo.

No final, o técnico Jack Ross ainda terminou como herói. Fez três substituições, e dois jogadores que entraram em campo marcaram os últimos gols, Christian Doidge e Stephen McGinn. O segundo, um belo gol, com assistência de Newell e chute colocado de Doidge, indefensável para o estreante Jordan Archer, de 27 anos, formado na base do Tottenham. Os números finais ajudam bem a entender o que foi a partida, com posse de bola dividida (50% x 50%) e mais finalizações no total (12 x 10) e certas (5 x 1) do Hibernian, quatro vezes campeão nacional, algo que não acontece desde 1951-52.

A gelada e escura tarde de um sábado em Motherwell, uma pequena cidade de 32 mil habitantes no sul da Escócia, foi palco de um bom jogo de futebol, dentro dos limites escoceses. A partida começou às 15h (horário local), ainda com um pouco de luz natural, mas a noite foi engolindo o dia rapidamente, à medida que o tempo passava, algo normal nesta época do ano na região. Na Inglaterra, para exemplificar a dificuldade e a particularidade de algumas partidas, a expressão "ele consegue fazer isso em uma noite chuvosa de Stoke?" é utilizada. Na Escócia, esse é praticamente o padrão.

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Uma gelada tarde de futebol em Motherwell

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Com seleção em crise, Alemanha pode classificar quatro times para as oitavas da Champions pela primeira vez desde 2014-15

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória do Leipzig sobre o Basaksehir foi emocionante e determinante na briga pela vaga
Vitória do Leipzig sobre o Basaksehir foi emocionante e determinante na briga pela vaga Divulgação

Joachim Löw permanece como técnico da Alemanha. Essa foi a decisão anunciada pela DFB nesta semana, que declarou apoio unânime ao treinador campeão do mundo em 2014. Ao menos até a Euro 2021.

O trabalho de Löw não é bom no atual ciclo. Ex-jogadores, como Bastian Schweinsteiger e Philipp Lahm, deram declarações recentes indicando que o treinador não consegue mais se comunicar com seus atletas, uma geração bem mais jovem do que aquela representada pelos dois. A goleada por 6 a 0 para a Espanha, aliada aos baixos índices de interesse da população pelo Die Mannschaft, não alteraram o planejamento da federação e seu diretor, Oliver Bierhoff, que declarou haver "nuvens carregadas" sobre a equipe.

Enquanto isso, na Champions League, os clubes alemães vão para a última rodada da fase de grupos em boas condições. Dos quatro presentes, dois já estão classificados para as oitavas de final: Bayern Munique e Borussia Dortmund.

Bayern já garantiu a passagem para as oitavas de final da Champions League
Bayern já garantiu a passagem para as oitavas de final da Champions League Divulgação

Na última rodada, os bávaros pouparam vários jogadores, já tinham muitos desfalques e mesmo assim ampliaram a série invicta na competição para 16 jogos. Ao empatar com o Atlético de Madrid, fora de casa, em 1 a 1, os jogadores de Hansi Flick provaram mais uma vez a qualidade e a profundidade que há no elenco. Primeira colocação do Grupo A de maneira absolutamente tranquila: segue como o melhor time do mundo, apesar de, obviamente, não estar no mesmo nível da temporada passada.

Já o Dortmund não apresenta o mesmo desempenho, assim como Lucien Favre não tem a mesma avaliação de Flick. O empate com a Lazio, no Signal-Iduna Park, em 1 a 1 classificou o BVB à próxima fase. A equipe não pode mais ser ultrapassada pelo Brugge, terceiro colocado, batido no primeiro critério de desempate (confronto direto). A péssima notícia é a lesão muscular de Erling Haaland, que não joga mais em 2020 - algo que não vai impactar a campanha na Champions, mas atrapalhará muito na Bundesliga.

Já Borussia Mönchengladbach e RB Leipzig ainda lutam pela classificação, com desempenho bastante irregular até aqui.

O Grupo B é o mais equilibrado e emocionante da artual edição. Gladbach (8 pontos), Shakhtar Donetsk (7), Real Madrid (7) e Internazionale (5) têm chances na última rodada, com os espanhóis recebendo os alemães e os italianos recepcionando os ucranianos. O Borussia conquistou vitórias incríveis, como as duas goleadas sobre o Shakhtar, e empates nos quais foi melhor, mas não soube "fechar" os jogos - 2x2 com Inter e Real. Nesta semana, vimos a versão menos confiante da equipe, batida merecidamente por Romelu Lukaku.

Já o Grupo H aparece na segunda posição em termos de emoção. Paris Saint-Germain, Manchester United e RB Leipzig, nessa ordem pelos critérios de desempate entre si, aparecem nas três primeiras colocações empatados com nove pontos. Na última rodada, o PSG receberá o Istanbul Basaksehir, enquanto o Leipzig jogará na Red Bull Arena contra os red devils. O desempenho irregular dos semifinalistas de 2019-20 fica evidente com as duas vitórias sobre os turcos, a goleada sofrida para o United e os três pontos somados diante do PSG. Nesta quarta, a emocionante vitória por 4 a 3 sobre o Basaksehir foi outra demonstração de sofrimento desnecessário, contra um adversário inferior tecnicamente.

No atual cenário, é bem viável a classificação dos quatro representantes da Alemanha às oitavas. Algo que pode ser repetido por Inglaterra, Espanha e Itália e não foi atingido na temporada passada, com Bayer Leverkusen e Internazionale enviados para a Europa League. A última vez que a Bundesliga teve quatro times nas oitavas da Champions foi em 2014-15 com Bayern, Dortmund, Leverkusen e Schalke.

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Após excelente início, Hamburgo retoma rotina de derrotas incríveis na segunda divisão alemã

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Heidenheim venceu o Hamburgo por 3 a 2, de virada, neste domingo
Heidenheim venceu o Hamburgo por 3 a 2, de virada, neste domingo Divulgação

Na temporada passada, Hamburgo e Heidenheim chegaram à última rodada 2.Bundesliga na disputa pelo terceiro lugar. Bastava ao HSV um simples empate, em casa, diante do Sandhausen para garantir a presença nos playoffs contra o Werder Bremen. Isso porque o Heidenheim, com um ponto a mais na tabela, foi batido pelo Arminia Belefeld por 3 a 0. A goleada sofrida por 5 a 1 foi humilhante para o clube e o impediu de tentar o retorno à primeira divisão.

Desde 2018-19 o tradicional Hamburgo está fora da Bundesliga. Até então, o relógio no Volksparkstadion marcando o tempo de permanência na elite do futebol alemão era um símbolo de orgulho. Mas, desde então, a vida tem sido muito decepcionante para o HSV, com dois quartos lugares consecutivos.

Neste final de semana, enfrentou justamente o Heindenheim, que não superou o Bremen nos playoffs. O Hamburgo entrou na rodada como líder, mas com uma sequência de três jogos sem vencer - dois empates e uma derrota. Diferentemente da temporada passada, o pequeno Heidenheim, do técnico Frank Schmidt (desde 2007 no cargo), não se mantém na parte de cima da tabela e recebeu o HSV precisando da vitória para galgar posições.

O começo de jogo foi perfeito para os visitantes. Aos 16 minutos, após contra-ataque, Sonny Kittel finalizou na pequena área para abrir o placar. Oito minutos depois, em cobrança de escanteio, a bola sobrou para o zagueiro Toni Leistner concluir. O segundo gol gerou muita polêmica, porque Tim Leibold domina a bola com o braço, antes de tocá-la para Leistner, e mesmo assim o lance foi validade pelo VAR.

Com 2 a 0 no placar, parecia que o Hamburgo reencontraria o caminho dos triunfos, mantendo assim a primeira posição. Daniel Thioune, campeão da terceira divisão em 2018-19 com o Osnabrück, está à frente da equipe desde o início desta temporada. O presidente do clube é o ex-lateral esquerdo Marcell Janssen, de apenas 35 anos, mais novo que o próprio treinador (46).

Aqui cabe um adendo curioso ao público brasileiro: Janssen foi contratado pelo Hamburgo em 2008, após uma temporada decepcionante pelo Bayern, que o levara do Borussia Mönchengladbach; junto com ele, também chegaram o zagueiro Alex Silva, ex-São Paulo, e o meia Thiago Neves, ex-Fluminense. Janssen se aposentou precocemente aos 29 anos e, nas últimas temporadas, voltou a atuar - tem disputado partidas com o time 3 do Hamburgo.

No domingo, o presidente foi apenas expectador nas arquibancadas da Voith-Arena e viu sua equipe ser castigada ainda no primeiro tempo. Logo após fazer o segundo gol, três minutos mais precisamente, levou o primeiro em jogada de escanteio, com o atacante Christian Kühlwetter. O empate do Heidenheim saiu aos 44, de novo com Kühlwetter, após assistência de Denis Thomalla.

No geral, o Hamburgo teve posse de bola muito maior (66,7%), mas muita dificuldade para criar chances de gol. Foram apenas cinco finalizações em toda partida, com três certas e índice de xG 1.63. Pressionou muito o Heidenheim, permitindo em média apenas cinco passes por posse do adversário, porém, falhou na recomposição defensiva em diversos momentos. Na retomada, o Heidenheim era mais perigoso, tanto é que que finalizou 16 vezes, seis corretamente.

Durante a segunda etapa, a partida ficou bastante indefinida, com os dois times buscando a vitória, cada um dentro de sua estratégia. A derrota do Hamburgo (vitória do Heindenheim) veio de forma dramática (emocionante). Aos 45 minutos, o veterano goleiro Sven Ulreich, que trocou o Bayern pelo Hamburgo nesta temporada, falhou. Ao cobrar o tiro de meta curto e tocar a bola para Leistner, dentro da própria área, recebeu o passe de bola, errou o domínio e deixou a bola nos pés de Kühlwetter, que anotou o hat-trick.

A nona rodada da 2.Bundesliga teve média de 3,5 gols em seus oito primeiros jogos - nesta segunda, Bochum e Fortuna Düsseldorf ainda entram  em campo. O líder agora é o Greuther Fürth, que fez 3 a 2 no Nuremberg e chegou a 18 pontos. Um a mais que o Hamburgo, sem vencer há quatro partidas e com duas derrotas seguidas, após ter aberto a competição com cinco vitórias.

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O Atlético de Madrid vai brigar pelo título de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória sobre o Valencia levou o Atlético a 23 pontos em nove jogos
Vitória sobre o Valencia levou o Atlético a 23 pontos em nove jogos Divulgação

Vinte e cinco jogos de invencibilidade em LaLiga. Na atual temporada, são nove partidas, com sete vitórias e dois empates. O ataque tem funcionado muito bem, com 20 gols marcados, enquanto a defesa segue fortíssima, vazada apenas duas vezes. Rendimento de time que vai brigar pelo título.

O Atlético de Madrid tem excelente temporada na Espanha até aqui. Os jogadores comandados por Diego Simeone apresentam ótimo rendimento dentro de campo e sobem a expectativa sobre a equipe. Não há um time muito melhor que os demais em LaLiga atualmente, e com a irregularidade de Real Madrid e Barcelona, a conquista da taça se torna imprevisível.

Neste sábado, o Atleti se impôs do primeiro ao último minuto sobre o Valencia, no Mestalla. Muitos desfalques e o compromisso contra o Bayern na terça fizeram Simeone mandar a campo uma escalação diferente. Renan Lodi foi praticamente um atacante pela esquerda, com Mario Hermoso compondo a defesa ao lado de Stefan Savic e José Maria Giménez. Pela direita, a amplitude era obtida com Kieran Trippier, enquanto Marcos Llorente trabalhava por dentro, próximo de Saúl e Koke.

Sem Luis Suárez (COVID) e Diego Costa (trombose venosa profunda), o ataque mais uma vez teve Ángel Correa, mas ao lado de Thomas Lemar - de boa atuação. João Félix foi poupado dos primeiros 45 minutos, nos quais o Atlético teve bem mais posse de bola e criou algumas oportunidades. Jaume Doménech, goleiro do Valencia, foi um dos destaques da partida.

Defensivamente, o time pressionava no 4-2-4 em linhas altas e 4-4-2 nas médias, recuando para um 5-3-2. No intervalo, com a entrada de João Félix na vaga de Renan Lodi, a linha de cinco defensores foi abandonada, apesar da ideia ofensiva ter sido mantida. Mais chances perdidas e mais defesas de Doménech.

Até a entrada de Yannick Carrasco, aos 15 minutos, que mudou o jogo. O atacante belga tem sido fundamental em momentos decisivos do Atleti na temporada. Foi dele o cruzamento, pela esquerda, para o gol contra marcado por Toni Lato aos 34 minutos. Vitória justíssima pelo volume de jogo e a busca incessante ao ataque do Atlético.

Das sete vitórias conquistadas, cinco foram por dois ou mais gols de diferença. As outras foram sobre o Barcelona e o Valencia.

Além de Suárez e Diego Costa, o time não contou neste sábado também com Lucas Torreira (COVID), Manu Sánchez, Héctor Herrera e Sime Vrsaljko. Mesmo assim, Diego Simeone mandou a campo um time forte e usou bem o banco na segunda etapa para vencer mais uma.

O Atlético é um dos favoritos ao título de LaLiga. É imaginável a recuperação de Real Madrid e Barça, mas independentemente disso, os rojiblancos vão disputar o título. A dúvida é se a Real Sociedad conseguirá se manter nessa disputa também, já que possui um excelente time titular, mas bem menos peças no banco que o Atleti.

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Ferencváros mantém invencibilidade na Hungria com vitória em clássico contra o Honvéd

Gustavo Hofman
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O lateral-esquerdo alemão Heister marcou o único gol do jogo
O lateral-esquerdo alemão Heister marcou o único gol do jogo Divulgação

Poucos países tiveram papel de tanta influência no futebol como a Hungria. Na importante década de 1950 para o esporte bretão, os húngaros estiveram na vanguarda do jogo com uma das maiores seleções de todos os tempos e novos conceitos táticos.

Gustav Szebes apresentou ao mundo o 4-2-4 e fez da sua equipe, comandada por Ferenc Puskás em campo, um time inesquecível e quase imbatível. Foram cinco anos de invencibilidade, com um título olímpico conquistado (1952), até a fatídica derrota para a Alemanha na final da Copa de 1954.

O conhecimento húngaro se espalhou pelo mundo com profissionais do país. O próprio Brasil foi influenciado, decisivamente, pelas ideias trazidas pelo lendário treinador Béla Guttmann. Na base de tudo isso, estava um clube marcado por glórias e tragédias nesse período, o histórico Budapeste Honvéd - antes chamado de Kispest Honvéd, o clube do exército húngaro durante o regime comunista.

Os tempos atuais são outros, o domínio local já não está com a equipe que, outrora, formara os Mágicos Magiares. No sábado, o Honvéd recebeu o Ferencváros pela 11a rodada do Campeonato Húngaro, a OTP Bank Liga.

Os primeiros 30 minutos de jogo foram de domínio e pressão do Ferencváros, que atuou no 4-4-2. Os brasileiros Somália e Isael foram titulares: o primeiro atuando como um dos dos meio-campistas centralizados e o segundo aberto pela direita na segunda linha.

O Honvéd tentou marcar alto, pressionando a saída adversária, mas com pouca eficiência. Tanto é que o Ferencváros, diante do 4-1-4-1 na fase defensiva do rival, fazia a bola chegar com frequência na dupla de ataque formada pelo norueguês Tokmac Nguem e o marfinense Franck Boli.

O gol saiu aos 27 minutos, justamente após essa pressão, em uma sequência de escanteios. O lateral-esquerdo alemão Marcel Heister pegou o rebote na entrada da grande área e acertou um belíssimo chute, de bate-pronto, para colocar o Ferencváros em vantagem.

Depois que sofreu o gol, o Honvéd se esforçou mais para atacar. Em nenhum momento, antes disso, teve postura defensiva, porém. Teve chances, inclusive, em falhas individuais dos defensores do Ferencváros, para insatisfacão do técnico Serhiy Rebrov.

A rivalidade entre os clubes existe, mas não é uma das maiores de Budapeste. O grande rival do Ferencváros - maior campeão nacional - é o Ujpest, com quem divide a maior preferência dos torcedores no país.

No intervalo, o técnico Tamas Bódog fez duas alterações e melhorou seu time. O Honvéd passou a trabalhar melhor a bola no campo de ataque e também a ter mais posse. Os números finais demonstram o equilíbrio da partida: 9 x 9 em finalizações, com duas certas para cada lado.

Já são cinco rodadas sem vitória para o Honvéd, atual campeão da Copa da Hungria e penúltimo colocado do campeonato nacional com apenas nova pontos em dez partidas. São 12 times na OTP Bank Liga, disputada em três turnos.

O Ferencváros, líder e invicto com nove partidas jogadas, retoma sua complicada trajetória continental: enfrenta a Juventus, em Turim, na terça-feira. Já o Honvéd aguarda o próximo final de semana para entrar em campo novamente, contra um adversário cujo nome remete aos tempos gloriosos do clube: Puskás.

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Futebol e ciência: novo artigo aponta causas para alta rotatividade de técnicos no Brasil

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

CBF tem seu curso para treinadores de futebol no Brasil
CBF tem seu curso para treinadores de futebol no Brasil CBF

Historicamente no Brasil, o futebol sempre foi um meio muito arredio ao conhecimento científico. Com o talento de jogadores abundante em território brasileiro e as conquistas de Copas do Mundo, a modalidade sempre foi tratada como algo meramente intuitivo em muitas áreas de análise. Em algumas delas, a situação não mudou muito na comparação com décadas passadas.

Dirigentes seguem tomando decisões baseadas em "achismos" ou pressões. Não se especializam, atuam politicamente e ignoram qualquer metodologia de análise. Isso faz do Campeonato Brasileiro o pior ambiente possível para um treinador de futebol. Esse cenário serviu de inspiração para um excelente artigo científico, publicado no mês passado, pela Universidade do Esporte da Alemanha, em Colônia.

Intitulado "O impacto das mudanças de comando técnico no futebol brasileiro" é assinado por Matheus Galdino, Pamela Wicker e Brian Soebbing. Matheus é brasileiro, está na Alemanha desde 2016 e é Mestre Científico em Gestão Esportiva, além de pesquisador e professor em Ciência do Esporte na Universidade de Bielefeld.

O estudo investigou 16 temporadas do Campeonato Brasileiro da Série A, no formato de pontos corridos, entre 2003 e 2018. Foram analisados, em avaliação econométrica, todos 6506 jogos disputados e os 264 treinadores empregados no período pelos 41 clubes participantes. A média de trocas de técnicos foi de 37,1 por temporada, contando os interinos, muito acima de outras competições nacionais espalhadas pelo planeta.

Trocas de técnicos no Brasil é bem maior do que a média de outros países importantes no futebol
Trocas de técnicos no Brasil é bem maior do que a média de outros países importantes no futebol Galdino

Outro índice que chama atenção é a alta rotatividade entre os treinadores. Foram 34,6% de estreantes de uma temporada para outra, ou seja, treinadores que nunca haviam comandado uma equipe na Série A. Ao mesmo tempo, 22,7% dos profissionais comandaram mais de um time na mesma temporada do Brasileirão. Em números absolutos, foram incríveis 594 trocas de técnicos nos 16 anos de análise, incluindo efetivos e interinos. Tudo em pouquíssimo tempo de trabalho: a média de permanência no cargo foi de apenas 65 dias durante o Brasileirão.

A altíssima rotatividade se deve, muito, ao imediatismo dos dirigentes e a incapacidade de trabalho a longo prazo. Olham apenas os resultados mais recentes. O estudo identificou que o maior peso em uma demissão acontece pela sequência de quatro jogos ruins, sendo que a diferença no placar também é um fator preponderante.

"Para cada ponto coletado dentro de uma janela de quatro jogos sequenciais, a probabilidade de sobrevivência do treinador mostrou índices de aumento entre 15,2% a 33,1% (por ponto, variando de acordo com a ordem dos jogos – vide tabela abaixo). O mesmo raciocínio é válido para o efeito contrário: a cada ponto não coletado numa faixa de quatro jogos, reduz-se entre 15,2% a 33,1%, por ponto, a probabilidade do treinador seguir no comando da equipe", informa o artigo científico.

Resultados dos últimos quatro jogos têm peso decisivo na troca de treinadores no Brasil
Resultados dos últimos quatro jogos têm peso decisivo na troca de treinadores no Brasil Galdino

Há ainda um cenário pior, onde o time é eliminado da Copa Libertadores da América. Nesse caso, a probabilidade de manutenção do cargo é drasticamente reduzida entre 182,4% a 560,6%. Na prática, em muitos casos, dirigentes criam expectativas superestimadas e depois transformam o treinador no bode espiatório, independentemente de estilo do profissional, idade ou nacionalidade - outra constatação do artigo.

A consequência mais direta de tudo isso é um mercado instável, onde o medo predomina. Ideias não avançam e sucumbem diante decisões populistas. Há, como o estudo indica, implicações práticas a treinadores, dirigentes e torcedores. No primeiro caso, a absoluta insegurança na profissão pode levar a problemas de saúde física e mental, além de impossibilitar o desenvolvimento de modelos de jogo. No segundo caso, a exposição claríssima da forma irresponsável como muitas pessoas administram enormes departamentos de futebol, sem qualquer critério em escolhas de técnicos. 

No final das contas, a torcida é "premiada" com uma competição de qualidade técnica e organização duvidosas. Assim, como sintetiza o artigo, "com preferência a opiniões arbitrárias e argumentos subjetivos em detrimento a teorias acadêmicas e embasamento científico, a cultura de relações sociais que rodeia o ambiente político de dirigentes no Brasil ainda desvaloriza o seu compromisso profissional perante os torcedores, manipulando a opinião pública de acordo com interesses temporários".

Felizmente, e diferentemente do que vemos entre pessoas que tomam decisões em muitos clubes, o meio acadêmico tem estudado cada vez mais o futebol, bem além de matérias na área de saúde, por exemplo, que naturalmente exigem formações específicas. O resultado disso são diversas publicações como, por exemplo, "O futebol nas ciências humanas no Brasil", organizado por Sérgio Settani Giglio e Marcelo Weishaupt Proni, publicado pela Editora Unicamp.

A base do futebol brasileiro também tem se tornado uma excelente fonte de conhecimento. Cada vez mais profissionais buscam a excelência esportiva através da Academia, ampliando o aprendizado além do empirismo em áreas como treinamento esportivo, análise de desempenho e scout. Isso é perceptível pelo nível de conhecimento e atualização de jovens treinadores, demonstrados na prática e também em publicações. A Universidade do Futebol tem sido, há muito anos, catalisadora de boa parte desse conhecimento.

Inclusive, para quem se interessar pelo artigo "O impacto das mudanças de comando técnico no futebol brasileiro", o texto completo está disponível neste link. O conhecimento transforma.

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Futebol e ciência: novo artigo aponta causas para alta rotatividade de técnicos no Brasil

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Com investimento de Berlusconi, Monza tenta alcançar a elite italiana pela primeira vez

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Monza venceu o Frosinone neste final de semana por 2 a 0
Monza venceu o Frosinone neste final de semana por 2 a 0 Divulgação

Silvio Berlusconi é um daqueles personagens globais de difícil definição. Sem dúvida, o cargo mais importante que já ocupou foi o de primeiro-ministro da Itália. O mega empresário no ramo da comunicação acumula muitas polêmicas em seus 84 anos de vida e sempre terá seu nome ligado ao futebol.

Afinal, foi sob sua gestão que o Milan teve alguns dos maiores times da história e ampliou absurdamente a sala de troféus. Depois de deixar os rossoneri em 2017, parecia que manteria distância do calcio, mas não conseguiu. Ao comprar o Monza no ano seguinte, colocou o pequeno clube da Lombardia sob holofotes nacionais e a curiosidade internacional.

Neste final de semana, o Monza entrou em campo pela sétima rodada da Série B. O clube garantiu o retorno à segunda divisão italiana na temporada passada pela primeira vez desde 2000-01. Os investimentos para que isso acontecesse foram grandes e tendem a aumentar para alcançar o objetivo maior, que é estar na Série A.

O adversário no sábado foi o Frosinone, rebaixado da elite italiana no ano passado. Poderia ser um jogo qualquer, se não fosse o treinador adversário. Alessandro Nesta, um dos símbolos do Milan de Berlusconi nos anos 2000, é o comandante da pequena equipe da região da Lazio. Aos 44 anos, tem sua terceira experiência como técnico, após passagens pelo Miami FC na North American Soccer League (NASL) e pelo Perugia na própria Série B. Quem está à frente do Monza é o ex-volante contemporâneo de Nesta com a camisa rossonera, Cristian Brocchi, que subiu da terceira divisão para a segunda com o time.

Silvio Berlusconi levou o irmão mais novo, Paolo, para ser o presidente do clube e seu velho parceiro Adriano Galliani para o cargo de CEO. Gastou bastante para reforçar o Monza e deixá-lo com condições de um acesso direto: levou do Corinthians, por 4 milhões de euros, o lateral-esquerdo Carlos Augusto, e convenceu o veterano Kevin-Prince Boateng, de 33 anos, a encarar a segundona italiana. Fora tantas outras contratações, como os atacantes Mirko Maric (Osijek, 4,5 milhões), Dany Mota (Juventus sub-23, 2,3 milhões) e Christian Gytkjaer (Lecu Poznan, livre), além do meio-campista José Machín (Parma, 4 milhões).

Todos estiveram em campo na vitória por 2 a 0 sobre o Frosinone. Brocchi arma o time no 4-3-1-2 e dá total liberdade para Boateng ser o meia-armador. A jogada do primeiro gol, aos cinco minutos do segundo tempo, passa pelos seus pés na intermediária ofensiva e vai para a esquerda, onde Carlos Augusto dá a assistência para a finalização de Gytkjaer. O segundo gol foi belíssimo: chapéu do ganês em Andrea Beghetto no campo de defesa e passe para Dany Mota atrás da linha de meio-campo; o português passou por dois jogadores, invadiu a grande área e tocou na saída de Francesco Bardi.

O jogo acontece muito também com a participação de Marco Fossati, ex-Verona e no clube desde 2018, responsável pela saída de bola próximo aos defensores. Vale citar também a presença do veterano zagueiro argentino Gabriel Paletta, de 34 anos, na escalação.

"É um time feito para ganhar o campeonato. Berlusconi escolheu o Galliani e, como sempre, 'faz o que você quiser que eu coloco o dinheiro'. A intenção é chegar na Série A para dizer a todos que 'eu faço acontecer'. Fez contratações importantes, mas a Série B não é tão fácil assim", explica Andersinho Marques, jornalista brasileiro radicado em Milão e comentarista da Sport Mediaset.

O Stadio Brianteo, palco da partida, já passou por algumas transformações para melhoria. Monza fica nos arredores de Milão e, no esporte, é muito mais conhecida pelo circuito de Fórmula 1. "Se dezembro chegar e o Berlusconi perceber que o time pode não subir, ele troca o treinador e contrata mais dez, vinte jogadores. Ele quer estar na Série A no ano que vem e já disse que o sonho é jogar no San Siro. Dinheiro ele tem para montar um time em alto nível", completa Andersinho Marques.

Definitivamente a segunda divisão italiana é uma competição dificílima. Muito disputada fisicamente e também taticamente. O confronto entre Monza e Frosinone expôs ideias e planos diferentes: enquanto Brocchi optou por uma linha de quatro defensores, Nesta montou sua equipe no 3-4-1-2. O Monza teve mais posse de bola (55%) e mais finalizações (12 x 10, 6 x 1 no alvo). Superou também seu próprio índice de xG (Expecteg Goals) no jogo ao marcar duas vezes (1.07), mas teve um adversário que chegou muito à sua área. No final das contas, vitória extremamente importante por ser um confronto direto na luta pelo acesso.

A tabela da Série B italiana tem o Empoli na liderança após sete rodadas com 16 pontos. Na sequência aparecem Chievo (14), Frosinone (13), Lecce (12) e SPAL (12). O Monza, após início ruim, somou a segunda vitória consecutiva e agora é o nono colocado, com nove pontos. Jamais o clube esteve na primeira divisão.

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Imposição, pressão e intensidade: goleada do Gladbach sobre o Shakhtar

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Vitória por 6 a 0 em Kiev mantém o time alemão na briga pela classificação na Champions
Vitória por 6 a 0 em Kiev mantém o time alemão na briga pela classificação na Champions Gladbach

Os primeiros 26 minutos do Borussia Mönchengladbach contra o Shakhtar Donetsk mereciam uma condecoração oficial da chanceler federal Angela Merkel. Todo o primeiro tempo foi grandioso, com os quatro gols marcados, mas o início da partida poderia ser enquadrado e colocado na parede pelo técnico Marco Rose.

Marcação alta, pressão, intensidade, velocidade e diversas chances criadas. O Gladbach marcou aos 8 e 26 com Alassane Pléa, aos 17 com Valeriy Bondar (contra) e transformou em goleada com Ramy Bensebaini aos 44. Imposição absoluta a partir de execução perfeita da variação tática planejada para o confronto.

A ideia partiu do tradicional 4-2-3-1, mas com muitas variantes. Na fase ofensiva, o time tinha Jonas Hoffman aberto pela direita, com o apoio constante de Stefan Lainer. Pela esquerda, a mesma situação com Marcus Thuram e Bensebaini. O atacante central era Pléa, com os avanços pela faixa central de Lars Stindl.

Na saída de bola, Florian Neuhaus recuava e se posicionava entre os zagueiros Matthias Ginter e Nico Elvedi, com Christoph Kramer à frente. Em alguns momentos, Kramer voltava também para a primeira linha, posicionando quatro jogadores para a saída de bola e os laterais mais avançados.

Tudo a partir do jogo de posições e pensando, sempre, em superioridade numérica no setor da bola na disputa contra os jogadores do Shakhtar. Já na fase defensiva, o bloco alto de pressão acontecia no 4-2-4 e o médio no 4-4-2, dificultado ao máximo a saída por baixo do Shakhtar e forçando os erros do adversário. Nos primeiros 25 minutos não houve bloco baixo, simplesmente porque o time ucraniano não conseguiu avançar do meio-campo com a bola.

No intervalo, o técnico do Shakhtar, Luís Castro, fez três alterações - duas no meio-campo, para tentar reaver o setor e conseguir, finalmente, trabalhar a transição da defesa para o ataque com mais qualidade. A partida ficou mais equilibrada, mas ainda sob controle dos alemães. Sem a mesma imposição física da primeira etapa, recuou as linhas e permitiu que os ucranianos/brasileiros trocassem passes com mais espaço e menos pressão. Bastou o Gladbach, no entanto, pressionar novamente para fazer o quinto, com Stindl,aos 20 minutos, aproveitando a falha na reposição do jovem goleiro Anatoliy Trubin. O sexto, já no contra-ataque, serviu para Pléa garantir o hat-trick e definir o histórico 6 a 0 em Kiev.

Obviamente, o placar final chama muita atenção, porque o Shakhtar tem uma ótima equipe e nesta Champions já venceu o Real Madrid, fora de casa. Porém, a boa atuação do Borussia Mönchengladbach não surpreende.

O trabalho do técnico Marco Rose, de 44 anos e ex-comandante do Red Bull Salzburg, é consistente desde quando ele assumiu, em julho do ano passado. A quarta colocação na última Bundesliga colocou o tradicional clube na fase de grupos da Champions League.

Após arrancar com empate em Milão, com a Inter, por 2 a 2, mereceu melhor sorte na segunda rodada, mas permitiu a igualdade do Real Madrid no final. Neste final de semana, derrubou a invencibilidade do RB Leipzig no Campeonato Alemão.

O Borussia Mönchengladbach é um clube grande da Alemanha, que no passado sempre esteve acostumado a títulos - cinco vezes campeão da Bundesliga na década de 1970 e vice-campeão europeu em 1977. Ainda está distante de voos tão altos, mas o caminho para a competitividade plena contra os gigantes do continente está sendo bem traçado. Na atual Champions, já pode deixar pelo menos um pelo caminho.

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O dérbi de Mostar e a história de uma cidade dividida

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A belíssima Stari Most é o símbolo maior de Mostar
A belíssima Stari Most é o símbolo maior de Mostar Divulgação

A complexidade das questões étnicas e religiosas na região da antiga Iugoslávia é enorme, principalmente para quem não vivenciou os conflitos que marcaram a década de 1990. Foram milhares de mortes, centenas de atrocidades e feridas eternas nos países e povos envolvidos. Muitas dessas marcas continuam visíveis a todos.

Assim, é inevitável falar de futebol bósnio sem explicar a história. Impossível relatar a vitória do Zrinjski sobre o Velež por 3 a 1, no dérbi de Mostar, que aconteceu no último sábado pelo campeonato nacional, sem contar o que aconteceu nessa cidade.

Segundo relatos da imprensa bósnia na época, foram mais de 60 bombardeios das tropas croatas no centro histórico de Mostar em 9 de novembro de 1993. A Guerra Croata-Bosníaca foi considerada um conflito armado dentro da própria Guerra da Bósnia (1992-95) contra o exército sérvio. A cidade de 110 mil habitantes, ao sul do país, fica em um vale entre o Monte Hum e a montanha Velež, e não há símbolo maior para seus habitantes do que a Stari Most. 

A "ponte velha", na tradução literal, começou a ser erguida pelo Império Otomano em 1557 e sua construção durou cerca de nove anos. Permaneceu intacta, sobre o rio Neretva, unindo os dois lados da histórica cidade por mais de quatro séculos, até ser destruída pelos bombardeios croatas. Sua derrubada foi algo premeditado e muito além de estratégia militar; foi uma destruição da herança cultural e religiosa da Bósnia, um país majoritariamente muçulmano.

Ponte foi totalmente destruída durante a Guerra da Bósnia
Ponte foi totalmente destruída durante a Guerra da Bósnia Divulgação

Cerca de 2 km a oeste fica o estádio Bijelim Brijegom, com capacidade para nove mil torcedores e casa do Zrinjski, clube mais vitorioso do futebol bósnio e representante da população de origem croata no país. São seis títulos nacionais, mas nas duas últimas temporadas a taça ficou na capital, Sarajevo. A partida do último sábado foi válida pela 13a rodada da Premier League bósnia e os dois rivais ocupam posições intermediárias na tabela, bem abaixo do líder e favorito ao tricampeonato, Sarajevo.

O Velež é um clube histórico da Bósnia. Fundado em 1922, foi uma força no período iugoslavo, brigando de igual para igual com as potências da Sérvia e da Croácia. Foi duas vezes campeão da Copa da Iugoslávia, em 1981 e 86, além de ter sido três vezes vice-campeão nacional. Chegou a alcançar as quartas de final da Copa da Uefa em 1974-75, deixando pelo caminho Spartak Moscou, Rapid Viena e Derby County, antes de ser eliminado pelo Twente. Esse período marcou também o banimento, em 1945, do Zrinjski pelo governo iugoslavo, depois do clube ingressar em uma liga croata logo após a II Guerra Mundial e a criação de um estado fantoche croata. Apenas após a independência da Bósnia, em 1992, o clube foi reformado.

As arquibancadas neste sábado estavam vazias. Por causa da pandemia de coronavírus, os torcedores não podem ir aos jogos no país. 

O próprio estádio Bijeli Brijeg é motivo de disputa entre os dois clubes. Historicamente, sempre foi a casa do Velež, mas com a guerra na cidade e os conflitos entre bósnios e croatas, ele foi tomado pelo Zrinjski. Na prática, Mostar foi dividida em duas durante a guerra: o leste controlado pelos bosníacos e o oeste pelos croatas. Em 1995 o Velež ergueu um estádio no subúrbio de Vrapcici e fez dele sua nova casa.

Jogo foi disputado sem público por causa da pandemia
Jogo foi disputado sem público por causa da pandemia Divulgação

Tecnicamente, o Campeonato Bósnio apresenta baixo nível. Há bons valores que deixam a competição e se tornam jogadores importantes, como Edin Džeko, formado no Željeznicar, enquanto tantos outros grandes nomes da seleção são filhos de pais e mães que fugiram dos horrores das guerras e cresceram longe de seu país. Caso, por exemplo, de Miralem Pjanic, hoje jogador do Barcelona, que se mudou com a família para Luxemburgo quando as tensões em território bósnio aumentaram.

A vitória do Zrinjski foi conquistada com facilidade e um grande responsável por ela em campo. O hat-trick anotado pelo veterano atacante Nemanja Bibija, de 30 anos, garantiu o triunfo por 3 a 1. O primeiro gol saiu de pênalti, logo aos 16 minutos do primeiro tempo. Os outros dois já na segunda etapa, aos seis (de cabeça) e 13 (aproveitando o rebote do goleiro, após outra cabeçada), enquanto Fejsal Mulic descontou aos 36 (pênalti) para o Velež, do atacante baiano Brandão, ex-Galícia e desde 2017 no clube. Taticamente, pouca organização em campo também.

Bibija soma agora 57 gols pelo Zrinkski e se tornou o segundo maior artilheiro na história do clube. A partida marcou também a quarta vitória consecutiva sobre o rival como mandante, sequência que se iniciou há quatro anos, mas com poucos jogos: entre 2017 e 2019 o Velež esteve na segunda divisão.

O ataque a Mostar em 1993 foi liderado pelo general Slobodan Praljak, posteriormente condenado a 20 anos de prisão por crimes contra a humanidade, civis bósnios e prisioneiros de guerra. Ele se suicidou na prisão no final de 2007. A Stari Most foi reconstruída após a união de diversos países e órgãos internacionais ao custo de pouco mais de 15 milhões de dólares, seguindo ao máximo o projeto original. Mergulhadores do exército húngaro ajudaram na recuperação de pedras que caíram no rio Neretva com o desmoronamento da pérola arquitetônica otomana.

A atual Stari Most é um dos pontos turísticos mais visitados da Bósnia e símbolo de orgulho, resistência e lembrança para todos em Mostar.

'Não esqueça'
'Não esqueça' Mostar
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Quando o técnico ganha um jogo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Sancet marcou o gol da virada basca aos 41 minutos do segundo tempo
Sancet marcou o gol da virada basca aos 41 minutos do segundo tempo Divulgação

Gaizka Garitano estava extremamente pressionado. Apenas duas vitórias nas quatro rodadas iniciais de LaLiga, além de quatro derrotas, deixavam o Athletic Bilbao próximo da zona de rebaixamento.

Nas prévias da partida, a imprensa espanhola noticiava a insatisfação em relação ao desempenho do time e, consequentemente, de seu treinador. Contra o Sevilla, no Nuevo San Mamés, os bascos precisavam da vitória de qualquer modo neste sábado.

O nervosismo de Garitano era evidente no banco de reservas, e o primeiro tempo ruim de seus jogadores colaborou muito. Ainda mais com o gol sofrido logo aos nove minutos. Jogada construída pelo Sevilla de pé em pé, desde a intermediária ofensiva, com muita liberdade, até o cruzamento de Lucas Ocampos e a finalização de Youssef En-Nesyri.

O Athletic é um clube grande da Espanha, mas há muito tempo não consegue mais competir de igual para igual com as potências de Madri e Barcelona. Clubes como o próprio Sevilla preencheram esse espaço na pirâmide futebolística espanhola, inclusive com conquistas continentais. Mesmo assim, o Bilbao ainda é um dos três únicos clubes que jamais foram rebaixados, ao lado de Real Madrid e Barcelona.

Veja os gols da partida:



A filosofia de utilização de apenas jogadores com origem basca é um enorme limitador técnico. Ao mesmo tempo, é a forma encontrada, historicamente pelo clube, de se manter fiel à história, à cultura basca e seguir como um representante da resistência ao mercantilismo do futebol. As próprias regras estabelecidas pelo Athletic foram afrouxadas ao longo das décadas, mas o sentido de tudo isso jamais foi deixado de lado.

No segundo tempo, a postura dos comandados de Gaizka Garitano foi outra. Os jogadores voltaram do vestiário com mais garra, mais atitude, como nos históricos times do Bilbao. Quiça fosse possível voltar no tempo e reviver as glórias do início da década de 1980, o bicampeonato espanhol, o doblete... Acima de tudo, os jogadores bascos contaram com um inspirado Gaizka Garitano, natural de Bilbao, ex-jogador do clube e desde 2018 no cargo.

Já melhor em campo, os donos da casa trocaram Oier Zarraga e o veterano Raúl García por Unai López e Asier Villalibre, O esquema tático foi alterado pelo treinador do 4-2-3-1 na fase ofensiva para o 4-4-2. Mais pressão para cima do Sevilla, que tentou responder com alterações feitas por Julen Lopetegui, que não surtiram efeito positivo.

Mais duas mudanças, com Mikel Vesga e Iker Muniain nas vagas de Daniel Carrillo e Álex Berenguer aos 22 minutos. À essa altura, o ritmo da partida era totalmente ditado pelo Athletic, que trocava passes com facilidade no campo de ataque, entre as linhas do 4-1-4-1 nervionense. Cobrança de escanteio por Jon Morcillo, desvio de Vesga e finalização de Muniain aos 31 minutos. Gol de empate extremamente simbólico, porque jamais o Sevilla havia sofrido um em escanteio com Jules Koundé e Diego Carlos em campo por LaLiga.

A igualdade no placar era justíssima, mas Garitano ainda tinha cartas na manga. Uma específica. Aos 41 minutos, colocou em campo o jovem Oihan Sancet, natural de Pamplona, 20 anos, cria da base bilbaína. Poucos segundos depois de pisar no novo gramado de San Mamés, Sancet recebeu cruzamento de Iñaki Williams e finalizou de primeira, para virar a partida. Em seu primeiro toque na bola.

A celebração dos jogadores em campo foi até tímida, diante da necessidade que havia em somar três pontos. A tabela já indica uma situação um pouco mais confortável. Gaizka Garitano voltou para casa, certamente, realizado com mais um dia de trabalho.

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Na provável despedida de Abel Ferreira, PAOK empata com Granada pela Liga Europa; saiba mais sobre o treinador português

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Granada e PAOK empataram pela Europa League
Granada e PAOK empataram pela Europa League Divulgação

Muitos palmeirenses ligaram no Watch ESPN para acompanhar uma partida da Europa League nesta quinta-feira. Cotado para assumir o alviverde, Abel Ferreira pode ter feito sua última partida à frente do PAOK, que ficou no 0 a 0 com o Granada, na Espanha.

A equipe grega ocupa a terceira colocação no Grupo E, agora com dois pontos. Granada e PSV Eindhoven lideram com quatro, enquanto o Omonia Nicosia soma um.

Nos primeiros 30 minutos de jogo, domínio absoluto do Granada. Mais técnica e oriunda de uma liga bem mais forte, a equipe espanhola ditou o ritmo com o controle da posse de bola (média de 70%). Enquanto isso, o PAOK defendia o 4-3-3 adversário em um 5-4-1 bem recuado e compacto, com linhas baixas de marcação.

Com o adversário mais cansado pelos minutos iniciais, os gregos começaram a sair mais para o ataque. Na prática, não sofreram com qualquer chance clara do Granada. A partir do momento que equilibrou minimamente a posse de bola, tentou fazer as transições com a construção se iniciando no campo de defesa - e não apenas lançamentos longos para o contra-ataque.

Na segunda etapa, o Granada voltou a ditar o ritmo de jogo e não foi mais atacado. Tanto é que o PAOK terminou a partida com duas únicas finalizações certas ao gol defendido por Rui Silva. Ao mesmo tempo, o time espanhol não teve competência para quebrar o sistema defensivo muito bem encaixado dos gregos. No final das contas, um chocho 0 a 0.

Sobre Abel Ferreira

Abel Ferreira está desde o ano passado no PAOK
Abel Ferreira está desde o ano passado no PAOK Divulgação

A linha de cinco defensores tem sido o padrão de Abel Ferreira no PAOK, desde que assumiu em 30 de junho do ano passado, quando o clube grego pagou 2 milhões de euros ao Braga para liberar o jovem treinador. A variação tática vai do 3-4-3 na fase ofensiva para o 5-4-1 na defensiva. Em sua primeira temporada na Grécia, levou o clube ao vice-campeonato,bem distante do Olympiacos, mas impondo ao rival sua única derrota.

Na atual temporada são cinco rodadas disputadas no Campeonato Grego, com duas vitórias e três empates. Outro ponto importante para análise do trabalho de Abel é o desempenho nos clássicos pelo PAOK, contra AEK, Aris, Panathinaikos e Olympiacos. Contando todas as partidas, foram oito vitórias, nove empates e seis derrotas. Ao final, acumulou aproveitamento regular, de 47,8%. 

Em Portugal, encerrou a carreira como lateral-direito no Sporting em 2011 devido a uma lesão e por lá iniciou a trajetória fora dos gramados na base do clube. Em 2015 se mudou para o Braga B, até assumir o time principal dois anos depois. Foram duas temporadas com os Minhotos: quarta colocação em 2017-18 e 18-19 no Campeonato Português; semifinais alcançadas no ano passado na Copa de Portugal e na Copa da Liga; 32-avos-de-final da Europa League em 2018.

Com o PAOK não alcançou a fase de grupos da Champions League nesta temporada, mesmo após despachar o Benfica, de Jorge Jesus, na terceira fase qualificatória. Caiu depois, nos playoffs, para o Krasnodar. No duelo com o Benfica, o PAOK mostrou enorme organização tática e paciência para suportar a pressão das Águias e vencer por 2 a 1 em eliminatória simples.

Aos 41 anos, Abel Ferreira se diz discípulo de Jesualdo Ferreira, responsável pela formação de muitos treinadores portugueses, e também adepto do game Football Manager em outros tempos. É um estrategista e expôs algumas de suas ideias em artigo publicado no The Coache's Voice, intitulado "Plantando as sementes".

"Minha metodologia vem da vellha escola de técnicos do Sporting - porque foi lá que dei meus primeiros passos como técnico. Mas eu também estou sempre olhando para o futuro do futebol. Como o estilo que o Pep Guardiola e o Maurício Pochettino estão trabalhando. Para mim, o futuro é esse jogo de gato e rato dentro de uma única partida: adaptando às mudanças táticas em reação ao seu oponente", escreveu o treinador.
   
Abel conta que, aos 24 anos, quando trabalhou com Jesualdo Ferreira, tinha um diário no qual fazia anotações sobre treinamentos, estratégias, liderança. Já sabia que queria ser treinador. Há outro trecho do texto bastante importante, no qual ele cita um jogo inesquecível como treinador. "Na última temporada da Europa League, nós jogamos fora de casa contra Hoffenhein. Eles começaram com formação em 3-5-2, que mudou para 4-3-3 durannte a partida: três atacantes, laterais avançando. Nós começamos no 4-4-2 mas terminamos no 5-4-1 para enfrentar o que eles estavam fazendo. Nós ganhamos aquele jogo por 2 a 1. Como técnico, é o jogo que eu tenho mais orgulho".

Sobre a forma como ele pensa o jogo, Abel deixa claro que elabora estratégias para cada adversário. "Se o seu oponente está no mesmo nível que você, aí tudo bem - Eu posso te atacar. Mas se você atacar uma montanha, você tem que fazer isso diferentemente. Em outros jogos, você quer ser o protagonista: dominar a bola. Mas às vezes você tem que aceitar que o seu oponente é mais forte que você. E, nesse caso, você tem que ser balanceado. Por mais que a gente queira ser um Manchester City, nós não temos o Guardiola e não temos o Bernando Silva. Então você tem que ter a humildade de saber que cada jogo demanda uma abordagem diferente. Na minha opinião, esse tem sido nosso maior segredo".

A qualidade de Abel Ferreira como treinador é evidente, assim como sua juventude. Que ele tenha tempo e encontre um bom ambiente para trabalhar no futebol brasileiro.

"Eu te digo o seguinte: não existe fórmula perfeita. Nenhum plano de jogo perfeito. Somente aquele em que você acredita. Você pode preferir o meu, o do Guardiola, o do Diego Simeone. O importante é ser capaz de explicar o que você quer aos jogadores. Isso é ser um bom treinador. Hoje nós temos um estigma: que você só é bom se você ganha. Que se você ganha, você é um ótimo técnico. E se você perde, você é fraco. Mas isso, para mim, é uma mentira. Você é julgado no final de semana, quando você mostra o que tem feito durante a semana. É aí que as pessoas verão se o seu time é organizado ou não. Se trabalha bem a bola ou não. Domingo é o seu teste", finaliza Abel Ferreira, provável novo treinador do Palmeiras.

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O PSG precisa recuperar (?) o protagonismo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Moise Kean marcou os dois gols da vitória do PSG sobre o Istanbul Basaksehir
Moise Kean marcou os dois gols da vitória do PSG sobre o Istanbul Basaksehir PSG

Se na Ligue 1, após duas derrotas nas duas rodadas iniciais, o Paris Saint-Germain já restabeleceu a ordem, com seis vitórias seguidas desde então, na Champions League a situação é bem diferente.

Após o vice-campeonato na temporada passada, a expectativa era de um PSG muito forte para 2020/21, com Neymar mais focado em jogar futebol, sem a tentação de retornar a Barcelona, com Kylian Mbappé em constante evolução e até mesmo com Thomas Tuchel bastante fortalecido. A realidade tem sido bem diferente.

Contra o Istanbul Basaksehir, nesta quarta-feira, venceu por 2 a 0 na Turquia, em noite pouco inspirada.

Taticamente, o PSG entrou em campo com uma novidade: Danilo Pereira como zagueiro e Marquinhos como meio-campista. O brasileiro está totalmente acostumado a essa função mais adiantada, enquanto para o português foi a primeira vez com a camisa francesa. Decisão tomada pela pouca qualidade no passe de Danilo.

Nos primeiros 20 minutos, o Basaksehir foi melhor. Finalizou mais que o PSG (5x3), mas falhou demais na pontaria (0x2 no alvo) ou no último passe. Faltava capricho na tomada de decisão. Logo depois, Neymar, com um problema muscular, foi substituído por Pablo Sarabia.

Mesmo com a alteração, o PSG manteve o padrão tático estabelecido por Thomas Tuchel para o jogo. Na fase defensiva, pressionava no 4-2-4 e marcava no 4-4-2. Já na fase ofensiva, a variação era maior: o início da transição, a partir da construção de jogo na defesa, tinha Ander Herrera, Danilo e Presnel Kimpembe, com Alessandro Florenzi, Marquinhos e Layvin Kurzawa em uma segunda linha, deixando o quarteto ofensivo formado por Ángel di María (esquerda, trocando de lado), Sarabia (direita), Moise Kean e Mbappé à frente. Para transformar tudo isso em número, seria um 3-3-2-2 que avançava para o 2-2-4-2.

O jogo ficou mais equilibrado. Defensivamente o PSG se organizou melhor e já não permitia tantas trocas de passes diante da sua grande área. Ofensivamente, passou a rodar mais a bola. Porém, em momento algum no primeiro tempo a equipe francesa se impôs, seja no ritmo do jogo, seja no controle da posse de bola (57%). Na segunda etapa, os turcos recuaram e a marcação adiantada dos franceses melhorou; quando o gol saiu, aos 19 minutos com Moise Kean, o PSG já era bem melhor no jogo.

Neymar sente lesão durante jogo contra o Istanbul Basaksehir e é substituído


Okan Buruk tentou responder, saindo no 4-3-3 para o 4-4-2 ao colocar Demba Ba no lugar de Mehmet Topal. Deu certo, porque o Basaksehir cresceu novamente na partida e esteve perto de empatar. Naturalmente, também, passou a dar mais espaço nos contra-ataques. Rafinha, então, entrou no lugar de Di María, na resposta de Thomas Tuchel, assim como Thilo Kehrer na vaga de Florenzi. O padrão foi alterado do 4-4-2 para o 4-3-3 com a intenção de recuperar o controle da partida. O segundo gol de Kean, aos 34 minutos, definiu o placar. Aliás, quarto gol em quatro jogos pelo clube - mesma marca que alcançou no Everton, mas em 37 partidas.

A diferença técnica entre PSG e Istanbul Basaksehir é grande. Vivem em realidades, esportiva e financeira, completamente diferentes.

Falta protagonismo dentro de campo ao Paris Saint-Germain. Algo que, continentalmente, o clube não tem, mas como atual integrante do grupo de "super times", demonstrou na temporada passada. Três pontos importantíssimos, depois da derrota na estreia para o Manchester United, em Paris. Desempenho, no entanto, muito abaixo ainda do que se espera de um favorito ao título da Champions.

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O PSG precisa recuperar (?) o protagonismo

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20 de novembro se tornou uma data muito aguardada em Dortmund. Motivo? Youssoufa Moukoko

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
Youssoufa Moukoko é a maior promessa na base do Borussia Dortmund
Youssoufa Moukoko é a maior promessa na base do Borussia Dortmund Divulgação

O próximo dia 20 de novembro está sendo bastante aguardado em Dortmund. Nessa data, Youssoufa Moukoko completará 16 anos e poderá ser convocado para os jogos do Borussia na Bundesliga.

"Moukoko é muito melhor do que eu nessa idade. Nunca vi um garoto de 15 anos tão bom quanto ele. A vantagem dele é que já está jogando pelo Dortmund aos 15 anos. Nessa idade, eu ainda estava no clube da minha cidade Bryne", garante Erling Haaland. Os dois conviveram durante a pré-temporada do clube alemão na Suíça.

No último domingo, a jovem promessa da base do Dortmund marcou quatro gols na goleada do sub-19 sobre o Rot-Weiss Essen por 6 a 0. Foi o quarto jogo seguido dele com pelo menos três gols anotados - já tem 13 em quatro partidas disputadas na atual temporada.

Lars Ricken, ex-jogador do clube e da seleção alemã, é o coordenador da base no Borussia Dortmund. O clube tem muitos ex-atletas em sua estrutura de futebol, como Michael Zorc (diretor de Futebol) e Sebastian Kehl (chefe do time principal). O acompanhemento da evolução de Moukoko tem sido feito de maneira muito próxima por todos eles. A DFL reduziu o limite de idade para atletas da Bundesliga em abril, de 16 anos e seis meses para os 16 atuais. "Estamos muito felizes. Isso imediatamente ajuda o clube e também os jovens jogadores em seu desenvolvimento", afirmou Ricken, à época.

Pela forma como a notícia foi tratada e pela utilização de Moukoko na pré-temporada, tudo leva a crer que o atacante nascido em Yaoundé, capital de Camarões, que se mudou para a Alemanha aos dez anos para morar com o pai, está nos planos imediatos do técnico Lucien Favre. Com uma enorme vantagem: o Dortmund, com Haaland, não está desesperado atrás de um atacante central. Isso vai lhe dar tempo para adaptação e natural desenvolvimento, sem a pressão de resolver problemas do elenco. "Gostei muito dele, tem enorme potencial. Você não sabe com qual pé ele vai finalizar. Ele é muito novo, mas também muito eficiente. É bonito de vê-lo e divertido trabalhar com ele", declarou Favre. 

Desde o ano passado Moukoko tem contrato assinado com a Nike e já é atleta da base na seleção alemã também. Aos 14 anos, se tornou o mais jovem atleta a atuar pela UEFA Youth League. Passou pelo sub-13 do St. Pauli, em Hamburgo, antes de se transferir para Dortmund. "Queremos protegê-lo ao máximo, e não colocá-lo em um pedestal", garante Lars Ricken.

Inevitavelmente, os holofotes estão voltados para Moukoko. O Dortmund trabalha para aliviar a pressão, mas muitas vezes é impossível. O jogador tem sido alvo, inclusive, de ofensas racistas, como aconteceu no jogo contra o Schalke pelo sub-19, que resultou em um pedido de desculpas do grande rival. Questionamentos sobre a idade do jovem atleta, mesmo sem qualquer evidência real, também se tornaram comuns.

"Sento no meu quarto e imagino como tudo aconteceu, quão rápido aconteceu. Hoje jogo pelo Borussia Dortmund, compito na Youth League contra Barcelona, Milan ou Slavia Praga e há alguns anos apenas jogava por diversão com meus amigos. Nós tínhamos apenas uma bola, e quando chutava para longa não tínhamos mais. Sei como é difícil para muitos. Não tínhamos chuteiras ou camisas de futebol. Ainda falo com meus amigos sobre esse tempo", afirmou Youssoufa Moukoko em entrevista ao site oficial do clube. Seu irmão mais velho, Borel Moukoko, também é jogador, mas está desempregado após deixar o Schwarz-Weiss Essen.

A ficha de Youssoufa Moukoko no Wyscout, base profissional de scout no futebol, indica 1m79 de altura e 70 kg. A observação dessas partidas permite descrevê-lo como um jogador forte, de posição centralizada no ataque, mas com boa movimentação. Canhoto com excelente capacidade de finalização. Claramente está muito acima dos atuais companheiros e adversários fisicamente e em QI de jogo. Ainda segundo o Wyscout, tem 127 gols e 11 assistências, com 6441 minutos jogados entre sub-17, sub-19 e Youth League. Foram 194 recuperações de bola no campo de ataque, apenas nove cartões amarelos recebidos e nenhum vermelho. Outro dado que chama atenção é de Gols Esperados (xG), que mede a qualidade da finalização e a possibilidade de marcar: 91,02, abaixo dos 127 anotados.

Mapa de movimentação de Moukoko na base do Dortmund
Mapa de movimentação de Moukoko na base do Dortmund Wyscout

A superioridade dele tem sido absurda nesses últimos anos, mesmo jogando contra atletas mais velhos. Vale ressaltar: tem 16 anos e atua pelo sub-19 atualmente. Várias promessas no futebol surgiram e desapareceram na mesma velocidade. A transição para o profissional não é simples, mas parece ser muito bem feita pelo Borussia Dortmund com Youssoufa Moukoko. Em 21 de novembro, o time viaja até Berlim, para enfrentar o Hertha, no mítico estádio Olímpico. Pode ser o início de uma grande história.

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