Táticas, funções, escalações: como jogarão Brasil e Rússia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Coutinho muda de função no esquema tático preparado para enfrentar os russos
Coutinho muda de função no esquema tático preparado para enfrentar os russos Lucas Figueiredo/CBF

Alisson, Daniel Alves, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro e Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Douglas Costa. Esta é a Seleção que entrará em campo no estádio Luzhniki, em Moscou, para enfrentar a Rússia no penúltimo amistoso antes da lista final de convocados para a Copa do Mundo.

Taticamente, Tite confirmou o time no 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva. Esse "detalhe" é importante para entender a função de alguns atletas. Coutinho, por exemplo. Nessas formações, o jogador do Barcelona será um meia por dentro, tendo a responsabilidade de fechar a segunda linha quando o time perder a bola, ao invés de avançar e se posicionar ao lado de Gabriel Jesus, caso fosse a variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2.

Casemiro, eleito por Gilberto Silva o melhor volante do mundo, segue com sua função de saída de bola com os zagueiros e cobertura. Paulinho, na teoria, deve segurar um pouco mais na marcação, mas não terá seus avanços à grande área restritos. Pelos lados mudanças importantes nas características dos jogadores. Com Willian e Douglas, a Seleção ganha dois atacantes rápidos e habilidosos para darem amplitude e atacarem as pontas.

É uma escalação ofensiva e que Tite queria testar de início há algum tempo. O adversário é ideal para issso.

A Rússia conquistou nos últimos amistosos resultados importantes, como a goleada sobre a Coreia do Sul por 4 a 2, o empate em 3 a 3 com a Espanha e a derrota apertada para a Argentina por 1 a 0. Porém, tecnicamente é muito inferior ao Brasil e vai para o jogo com diversos problemas.

Para formar a linha de cinco defensores, o técnico Stanislav Cherchesov não terá Viktor Vasin e Georgiy Dzhikiya, zagueiros titulares, machucados. Vão perder o Mundial, então ele já pensa e monta a equipe com novas alternativas. Uma seria sacar um zagueiro, mas a tendência é que ele continue com três. Além deles, Guilherme (goleiro reserva), Mário Fernandes, Ruslan Kambolov e Aleksandr Kokorin (também desfalque na Copa) são outros fora do amistoso.

Assim, uma provável seleção russa - nem mesmo os jornalistas em Moscou cravam uma escalação - deve ter Igor Akinfeev, Andrey Semenov, Roman Neustädter e Fyodor Kudryashov; Igor Smolnikov, Aleksandr Golovin, Denis Glushakov, Roman Zobnin e Konstantin Rausch; Aleksei Miranchuk e Fyodor Smolov. Variação tática do 3-5-2 para o 5-3-2, com linha defensiva baixa e transição defesa-ataque muito rápida. Destaque para Golovin, muito elogiado pelo assistente técnico Cléber Xavier na coletiva, pela qualidade no passe.

Tudo isso com previsão de 0oC, sensação térmica de -5oC e 69% de probabilidade de neve para o início da partida, marcada para 19h de Moscou (13h de Brasília). 

Fonte: Gustavo Hofman, de Moscou

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Os motivos que fizeram o Bayern se reerguer na temporada da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Bayern goleou o Eintracht Frankfurt por 5 a 2 neste sábado
Bayern goleou o Eintracht Frankfurt por 5 a 2 neste sábado Bayern

Em 2 de novembro de 2019, muito antes do mundo parar por causa da pandemia de coronavírus, o Eintracht Frankfurt goleou o Bayern Munique por 5 a 1, pela décima rodada da Bundesliga. O resultado causou a demissão do técnico Niko Kovac, que somara até então cinco vitórias, três empates e duas derrotas. A partir daí, muita coisa mudou.

Neste 23 de maio, com o planeta ainda em combate ao vírus e as arquibancadas da Allianz Arena vazias, o Bayern fez 5 a 2 no Frankfurt e fortaleceu, ainda mais, a condição de melhor time do campeonato e maior favorito ao título. As mudanças passam, obrigatoriamente, por Hansi Flick.

Contratado no início da temporada para ser assistente técnico de Kovac, Flick assumiu interinamente o time e, graças aos excelentes resultados, ganhou contrato até junho de 2023. Ele foi o principal assistente de Joachim Löw na seleção alemã no Mundial de 2014, e após a conquista assumiu o posto de Oliver Bierhoff, como diretor esportivo da DFB.

Hansi Flick não promoveu tantas alterações de nomes na escalação, mas mudou as funções de alguns e, principalmente, o jeito da equipe jogar. O Bayern era um time comum sob o comando do antecessor, que também conseguia bons resultados. Basta citar o 7 a 2 sobre o Tottenham, em Wembley, pela Champions League. Quatro dias depois, porém, perdeu pela primeira vez na história em casa para o Hoffenhein, pelo Campeonato Alemão.

Tratava-se de um time sem personalidade, que encarava cada jogo como apenas mais um. Com Flick, o Bayern voltou a ser dominante, como a cultura do clube exige.

Taticamente o padrão atual é o mesmo do início da temporada, o 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 sem. Só que agora o Bayern é uma equipe bem mais objetiva, e isso se deve a algumas escolhas do treinador. Thomas Müller, por exemplo, é a principal delas.

Com Kovac, o atacante ainda não tinha marcado gols e havia distribuído somente quatro assistências nas dez rodadas iniciais. Desde então, são sete gols e 13 assistências - totalizando 17 nesse último item, maior marca nas cinco grandes ligas europeias.

Müller deixou de ser uma opção exclusiva pelo lado do campo, para atuar muitas vezes como um meia-atacante avançado, próximo a Robert Lewandowski. Com isso, o time se tornou mais vertical e menos horizontal, situação que ocorria mais com Philippe Coutinho como meia armador. Além do veterano jogador, outro que ganhou espaço foi Leon Goretzka.

O ex-atleta do Schalke é forte fisicamente e conduz muito bem a bola, tem um estilo de jogo bem objetivo. Tanto ele, como Müller, podem atuar em mais de uma função no ataque e possibilitam maior rotação entre as peças durante o jogo. Goretzka, ainda, tem a vantagem de jogar como segundo homem de meio-campo - como foi o caso deste sábado, diante do Frankfurt.

O Bayern é o time com a melhor média de posse de bola (66,8%) da Bundesliga e a que mais pressiona quando perde. Uma estatística avançada que ajuda entender esse segundo item é a PPDA - Passes per Defensive Action (Passes por Ação Defensiva). Os bávaros permitem somente 7,66 passes do adversario por jogada, enquanto a média da Bundesliga é de 11,29. Essa é uma característica que tem levado a comparações com o time treinado por Jupp Heynches na conquista da Tríplice Coroa.

Pelos lados, Serge Gnabry e Kingsley Coman deixaram de ser as "únicas" opções e ganharam o reforço de Ivan Perisic e o próprio Coutinho, algumas vezes. Pela esquerda, o corredor precisa sempre estar disponível a Alphonso Davies, o jovem sensação do Bayern. Com apenas 19 anos, já joga como um dos melhores laterais-esquerdos do mundo. Foi lançado com Kovac e ganhou notoriedade e regularidade com Flick.

Tudo isso sem falar no nível impressionante de jogo que apresenta Joshua Kimmich. Seja com Goretzka, Thiago ou Coréntin Tolisso ao lado, ele comanda as ações criativas, a saída de bola e dita o ritmo de jogo. Na prática, é o construtor das jogadas do Bayern com Hansi Flick no comando.

Em média, o Bayern tem 31,14 toques na bola dentro da grande área adversária, quase o dobro do número médio da liga (16,93). São 2147 passes para o último terço do campo, ou seja, passes objetivos. O segundo nesse quesito é o Borussia Dortmund, com 440 a menos.

Assim, mesmo ainda apresentando falhas defensivas, enquanto o setor ofensivo sobra (80 gols em 27 jogos, maior marca da Bundesliga na história), o Bayern se colocou novamente como o melhor time da competição. Algo que hoje pode soar como banal, mas que no segundo semestre de 2019 não era uma realidade.

Por fim, é necessário ressaltar a temporada incrível de Robert Lewandowski. São 41 gols e cinco assistências em 45 jogos totais na temporada. O atacante polonês é a estrela de uma equipe que passou a funcionar coletivamente.

Fonte: Gustavo Hofman

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O retorno da Bundesliga é um alívio e uma esperança em tempos tão difíceis

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jogadores do Dortmund 'dão as mãos' e comemoram goleada com a Muralha Amarela... Totalmente vazia!

Como a Deutsche Welle bem descreveu, a ansiedade da comunidade do futebol neste sábado era equivalente a de uma abertura de Copa do Mundo. Tempos estranhos para todos, em que a ciência é negada a favor do obscurantismo e convivemos diariamente com notícias ruins. O retorno da Bundesliga oferece um mínimo de alívio e uma ponta de esperança na nova normalidade.

Como já é notório, o Campeonato Alemão retomou as atividades sob forte protocolo sanitário. Em momento algum a DFB, responsável pela Bundesliga, negou o risco existente. Pelo contrário, o documento divulgado para todos os envolvidos deixa claro que as medidas visam minimizar ao máximo esse risco e ressalta a importância social e econômica do futebol. Tudo isso em um país que conduz o combate à pandemia de coronavírus com seriedade e responsabilidade, sem charlatanismo.

Com arquibancadas vazias, distanciamento entre as pessoas fora de campo, muitas máscaras, limite de funcionários no estádio e gols, foi um sábado em que o mundo voltou a respirar futebol.

Brasileiro dá drible monumental na lateral, deixa rival perdido e faz pintura para o Hertha

Aliás, tudo voltou como se não houvesse parado: com gol de Erling Haaland. O Borussia Dortmund manteve o ritmo pré-paralisação e atropelou o Schalke 04 no Clássico do Vale do Ruhr. Foi muito estranho ver a Muralha Amarela do Signal-Iduna Park vazia, ainda mais acompanhar a saudação dos jogadores após o 4 a 0 para aquele silêncio.

O time do técnico Lucien Favre será o principal perseguidor do Bayern Munique, que ainda entrará em campo na rodada, neste domingo diante do Union Berlim, na capital alemã. Contra o Schalke, seu maior rival, foi a quinta consecutiva e de número 800 no total na história da Bundesliga. Já os Azuis Reais não sabem o que é vencer há oito rodadas, pior marca sob o comando de David Wagner - e também a pior marca atual da Bundesliga.

Já o RB Leipzig prosseguiu com a instabilidade, que o marcava antes da pausa. Foi superior ao Freiburg, mas ficou apenas no empate em 1 a 1, jogando na Red Bull Arena. Criou mais chances (20 x 6 em finalizações, 9 x 2 no alvo), teve mais posse de bola (61% x 39%), mas parou na ótima atuação do goleiro Alexander Schwolow.

Jogadores do Borussia Dortmund comemoram vitória sobre o Schalke 04
Jogadores do Borussia Dortmund comemoram vitória sobre o Schalke 04 EFE/EPA/MARTIN MEISSNER

O resultado permitiu ao Dortmund abrir vantagem na luta pelo título com o Bayern e foi ainda pior para o Leipzig, por conta da fácil vitória do Borussia Mönchengladbach por 3 a 1 sobre o Eintracht Frankfurt. Aliás, dos cinco jogos realizados neste sábado, apenas uma vitória do mandante, justamente no clássico.

Além das partidas já citadas, o Hertha Berlim surpreendeu o Hoffenheim e fez 3 a 0 com uma pintura do brasileiro Matheus Cunha, enquanto o Wolfsburg bateu o Augsburg por 2 a 1. Por fim, Fortuna Düsseldorf e Paderborn ficaram no 0 a 0, justificando as duas últimas posições na classificação.

De maneira geral, com as exceções já citadas, pareciam jogos normais de futebol. Olhando apenas para o campo, foi possível se desligar por alguns momentos de todo inferno que estamos vivendo. Rapidamente, porém, a memória era ativada nos cumprimentos com os cotovelos.

Bundesliga tem o potencial de apontar o caminho para o futebol no novo normal. Estaremos, todos, assistindo e torcendo para que dê certo.

A Bundesliga voltou! Gerd Wenzel dá o seu primeiro 'tchau, tchau' no retorno do futebol à ESPN


Fonte: Gustavo Hofman

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O retorno da Bundesliga é um alívio e uma esperança em tempos tão difíceis

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Primeira transmissão, retorno da Bundesliga, jogo mais marcante: Gerd Wenzel relembra a carreira

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Gerd Wenzel está há 18 anos na ESPN
Gerd Wenzel está há 18 anos na ESPN Reprodução TV

A Bundesliga está de volta. Entre as grandes ligas de futebol no mundo, é a primeira a retornar durante a pandemia de coronavírus. Os canais ESPN vão transmitir três jogos nos próximos dias: RB Leipzig x Freiburg (sábado, 10h30), Colônia x Mainz (domingo, 10h30) e Werder Bremen x Bayer Leverkusen (segunda, 15h30).

Com o Campeonato Alemão de volta à grade de programação, Gerd Wenzel estará mais uma vez ao lado de Rogério Vaughan. Wenzel é uma das pessoas mais queridas da ESPN e na entrevista abaixo, contou um pouco da sua história no Brasil e na televisão brasileira.

Como foi a chegada da Bundesliga no Brasil?
É um prazer conversar sobre essa história já longa da Bundesliga no Brasil. Começou na realidade em 1991, quando a Bundesliga ofereceu à TV Cultura o Campeonato Alemão - na época, três temporada: 91-92, 92-93 e 93-94 - por 500 mil dólares. Na época, o presidente da TV Cultura era o Roberto Muylaert, e na hora ele pegou. Só que não tinha lá um comentarista que entendesse alemão. Quem fazia a narração era o José Goes, o comentarista era o José Trajano e de vez em quando pegavam alguém da colônia alemã, mas não deu certo. Até que um dia, meu amigo Antônio Alberto Prado, que era jornalista e diretor de Comunicação da Bayer, patrocinadora do Campeonato Alemão e que pagou esses 500 mil dólares, me ligou e perguntou se eu entendia de futebol. Disse que mais ou menos, acompanho um pouco. "Mas você acompanha a Bundesliga"? De vez em quando, pelo jornal. "É que acontece o seguinte, a TV Cultura está precisando de um comentarista". Mas eu não sou comentarista! "Não, vai lá, conversa com o Domingues, que é o diretor de Redação e vamos ver, de repente dá um samba". Liguei para ele, comecei a conversar com o diretor de Redação da TV Cultura, me perguntou se eu tinha experiência de TV e rádio, disse que não tinha. E aí ele me disse que eu estava contratado, porque minha voz seria inconfundível. "Seu timbre de voz, seu jeito de falar, seu pequeno sotaque de alemão, que ainda bem não é muito carregado". Isso foi em uma quinta-feira, no sábado tinha Rostock e Duisburg. Ele me perguntou se eu topava e disse 'vambora'.

E sua primeira transmissão?
Esse primeiro jogo foi uma loucura. A gente tem que entender que não havia internet, catava informação em um ou outro jornal alemão que achava nas bancas. Eu procurei me informar de uma forma ou de outra, com colegas alemães que eram fãs de futebol. Tinha um colega que trabalhava na Deutsche Bahn, com muitas revistas de futebol. O primeiro jogo foi Hansa Rostock x Duisburg e aconteceu um pequeno detalhe nesse jogo, que nos 20 minutos iniciais nós trocamos os times. Durante 20 minutos a gente inverteu as equipes! O Hansa Rostock para nós era o Duisburg e o Duisburg era o Hansa Rostock! Porque eles entraram com os uniformes B, que eram eequivalentes aos uniformes A do outro time. Temos que entender que a gente fazia essa transmissão com um monitorzinho de 32 polegadas, na época não havia alta definição, a imagem não era perfeita. Enfim, a gente embarcou em uma de inverter os times, até que uma boa alma ligou para a direação e informou que estávamos invertendo as equipes. Ainda bem que o jogo até então estava 0 a 0.

Rogério Vaughan lembra jogo mais marcante que narrou na Bundesliga: 'Lewandowski entrou e acabou com a partida'


Com o que você trabalhava nessa época?
Eu tinha e até hoje tenho uma empresa de eventos corporativos. Durante mais ou menos 20 anos trabalhei com eventos corporativos, convenções de vendas, simpósios, reuniões de treinamento. Eu fazia toda parte de organização dessa convenções, cheguei a fazer eventos no exterior, Uruguai, Argentina, Estados Unidos, México, para empresas brasileiras. Minha empresa estava a todo vapor e nas horas vagas eu fazia um comentário por semana na TV Cultura.

Muitos não conhecem sua rica histórica de vida. Como você chegou ao Brasil?
Bom, aí vamos voltar mais um pouquinho. Eu nasci em Berlim durante a II Guerra Mundial, em 1943, e quando terminou a guerra, que até recentemente completou 75 anos do fim, Berlim foi dividida entre a parte oriental e ocidental. A parte oriental ficou com os soviéticos e a ocidental com os aliados, nós ficamos morando em Berlim Oriental. Na década de 50, com o início da Guerra Fria, havia uma enorme preocupação com a eventual III Guerra Mundial.  Minha mãe conheceu na década de 20, do século passado, uma família judaica para qual ela trabalhou. Essa família se refugiou no Brasil já em 1933, antes do Hitler assumir o poder na Alemanha e ela nunca perdeu contato com eles. Essa família sempre insistiu para que nós viéssemos para o Brasil, porque poderia estourar uma guerra, como realmente estourou. Depois insistiu que nós fôssemos para o Brasil, tendo em vista a situação pós-guerra na Europa, situação muito complicada e difícil. Meu pai já havia falecido, então minha mãe decidiu fugir de Berlim Oriental para o Brasil. Chegamos aqui no dia 21 de agosto de 1955. Viagem de navio, 21 dias, desembarcamos em Santos.

Veja absolutamente tudo o que você precisa saber para o retorno da Bundesliga


Praticamente um brasileiro, sem perder a origem alemã.
Sempre digo: coração dividido, metade alemão, metade brasileiro. Em 2014, durante a Copa do Mundo, me perguntaram várias vezes para quem eu torceria, para o Brasil ou para a Alemanha. Eu sou o único campeão mundial nove vezes.

Como começou sua história na ESPN Brasil?
Eu já conhecia o Trajano da Cultura. Quando a ESPN começou a entrar com força nas transmissões internacionais, especificamente com o Campeonato Alemão, isso foi 1998, 99. De vez quando o Trajano já me chamava para fazer um ou outro jogo, mas quando entrou com força mesmo nos campeonatos internacionais, agregando Italiano e outros, ele me chamou. Eu me lembro direitinho até como foi, o Rogério conhece bem essa história. Diz que o Trajano, naquele salão que conhecemos bem, falou com a secretária dele "Ô Cristina, chama aquele maluco do Wenzel, porque nós vamos precisar dele". Aí a Cris me ligou, falou que o Trajano queria que eu fizesse os comentários do Alemão, será que você pode fazer? E foi exatamente no dia 7 de fevereiro de 2002, dia do meu aniversário, que o Trajano me deu esse presente. De voltar a fazer o Campeonato Alemão pela ESPN. Ou seja, tenho 18 anos de casa.

Neste final de semana, após tantas transmissões pela ESPN, terá uma experiência bem diferente, não é mesmo?
Vai ser uma experiência diferente para todos nós e todos os envolvidos no campeonato. Na realidade, estamos entrando, pisando em uma terra de ninguém. Uma terra que ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Sempre bom lembrar que serão jogos com portões fechados, não haverá público e com restritas regras de segurança sanitária. O Campeonato Alemão está paralisado há dois meses e uma semana, aproximadamente, não sabemos quais serão as condições físicas e técnicas das equipes e psicológicas dos jogadores. Alguns foram contaminados pelo vírus, outros tiveram amigos e familiares contaminados, estão com a cabeça eventutalmente em outro lugar. Então vamos ter uma situação, até para nós comentaristas, narradores, inédita em termos jornalísticos, de reportar o que está acontecendo em campo. O que se fala muito na Alemanha é que esse é um grande experimento de laboratório, e nós vamos fazer parte disso.

No caso da ESPN Brasil, uma transmissão feita de casa. Outra novidade.
Isso também. Já participei de programas de rádio, ao vivo, de casa, mas programa de TV será uma experiência inédita para todos nós. Com uma pequena infra-estrutura montada na nossa sala de estar ou no nosso home office, seja onde for, estaremos à distância. Vamos nos ver na tela, comentaristas e narradores, mas mesmo assim vai ser uma experiência que vai nos dar muita "cancha", extraordinária nesse sentido. O que nós vamos sentir falta é do estádio, do torcedor. As comemorações dos jogadores serão restritas também, não pode haver abraço, não podem chegar perto um do outro. Estou bastante ansioso para ver como tudo isso vai funcionar em campo.

Como ida ao mercado por pasta de dente faz com que Bundesliga retorne com 18 times... e 17 treinadores


Qual é a sua melhor história desses 18 anos de ESPN?
A grande história, para mim, que realmente me pegou muito forte foi o jogo que fiz entre Alemanha e Argentina, no estádio Olímpico de Berlim, em 2006. Não foi nem a final de 2014. Porque foi um jogo pelas quartas de final e a Alemanha foi para os pênaltis, houve aquela famosa história do Jens Lehman, olhando as papeletas para tentar prever o canto que o adversário bateria. O estádio foi à loucura com aquela classificação da Alemanha para as semifinais, onde enfrentaria mais tarde a Itália. Essa foi a grande experiência que me tocou, cheguei a derramar algumas lágrimas ali, com o estádio inteiro cantando. Foi uma experiência realmente extraordinária na minha vida de comentarista.

Não podemos esquecer do bode, em Colônia.
Essa... Eu me lembro que nós fomos lá no estádio do Colônia fazer o jogo, tínhamos feito Borussia Dortmund e Schalke no dia anterior, 0 a 0, e fomos fazer o jogo do Colônia no domingo. Eu avisei o Rogério: "olha, Rogério, tem um mascote aí, um bode, é o mascote do Colônia". Fizemos uma entrada ao vivo do gramado e a tratadora do bode estava mais ou menos do nosso lado. Ainda falei para o Rogério, "não chega perto porque o bicho é bravo". Aí o Rogério resolveu fazer uma gracinha no bode, que tentou dar uma chifrada nele. O Rogério deu um pulo para trás! São experiências que não esquecemos.

Fonte: Gustavo Hofman

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Primeira transmissão, retorno da Bundesliga, jogo mais marcante: Gerd Wenzel relembra a carreira

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Números e estatísticas avançadas da Bundesliga para estudar e entender

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Arquibancadas estarão vazias no retorno da Bundesliga
Arquibancadas estarão vazias no retorno da Bundesliga Bayern

A Bundesliga vai recomeçar neste final de semana, com a realização da rodada 26 sob estritas regulações. Em campo, oito jogos em realidade física e técnica bem diferentes do período pré-pandemia. Os treinos não são ideais e todos atletas estarão sem ritmo de jogo.

Descobriremos, com o passar dos dias, se o plano da DFB será realmente viável e a competição terá sequência. Por enquanto, podemos olhar para trás e analisar, pelas estatísticas (algumas avançadas), tudo que já foi feito pelos 18 times.

GOLS A FAVOR

Bola parada: Colônia, 14 (36% do total)
Após lançamentos: RB Leipzig, 12 (19%)
Contra-ataque: Colônia, 10 (26%)
Faltas diretas e pênaltis: Freiburg, 7 (21%)

Nos contra-ataques, o Borussia Dortmund também marcou dez vezes, mas com menos impacto no total (15%). Mesma situação do RB Leipzig nos gols resultantes de faltas diretas e pênaltis (11%).

Primeiro tempo: Bayern, 31
Segundo tempo: Borussia Dortmund, 45
1'-15: Bayern, 13
16'-30': Borussia Dortmund, 11
31'-45': RB Leipzig, 15
46'-60': Borussia Dortmund, 16
61'-75': Borussia Dortmund, 16
76'-90': RB Leipzig, 19

GOLS CONTRA

Bola parada: Werder Bremen, 14 (25%)
Após lançamentos: Union Berlim, 9 (22% do total)
Contra-ataques: Eintracht Frankfurt, 8 (20%)
Faltas diretas e pênaltis: Hertha Berlim, 9 (19%)

Nos lançamentos, o Paderborn também sofreu nove gols, mas com impacto menor no total (17%). Assim como Fortuna Düsseldorf e Augsburg nos contra-ataques (16% e 15%, respectivamente) na comparação com o Frankfurt.

Primeiro tempo: Paderborn, 29
Segundo tempo: Augsburg, 36
1'-15: Paderborn, 11
15'-30': Paderborn, 10
31'-45': Mainz, 15
46'-60': Augsburg, 14
61'-75': Fortuna Düsseldorf, 14
76'-90': Mainz, 18

PADRÕES TÁTICOS MAIS UTILIZADOS

Borussia Mönchengladbach: 4-2-3-1 (55,6% do total)
Augsburg: 4-4-2 (52,8%)
Paderborn: 4-4-2 (48,8%)
Bayern Munique: 4-2-3-1 (47,6%)
Colônia: 4-2-3-1 (46,6%)
Bayer Leverkusen: 4-2-3-1 (42,1%)
Borussia Dortmund: 4-2-3-1 (38,1%)
RB Leipzig: 4-4-2 (37,7%)
Freiburg: 3-4-3 (37,7%)
Eintracht Frankfurt: 3-4-1-2 (37,7%)
Union Berlim: 5-4-1 (33%)
Schalke: 4-3-1-2 (32,8%)
Hoffenheim: 3-5-2 (31,9%)
Wolfsburg: 3-4-3 (31,4%)
Mainz: 4-3-1-2 (29,1%)
Werder Bremen: 4-3-1-2 (21,7%)
Fortuna Düsseldorf: 4-4-2 (20,7%)
Hertha Berlim: 3-5-2 (17,4%)

Após trocar o húngaro Pál Dárdai pelo croata Ante Covic após a temporada passada, o Hertha deu pouco tempo ao novo treinador. Em novembro ele foi substituído por Jürgen Klinsmann, que saiu após fogo cruzado dentro do clube. Alexander Nouri chegou a ser treinador interino e Bruno Labbadia foi oficializado em 9 de abril. Ou seja, não surpreende o baixo padrão tático do time.

FINALIZAÇÕES A FAVOR

Maior média: Bayern Munique, 16.95
Menor média: Augsburg, 9.28
Maior distância média: Fortuna Düsseldorf, 19.91m
Menor distância média: Borussia Mönchengladbach, 16.26m

FINALIZAÇÕES CONTRA

Maior média: Freiburg, 15.48
Menor média: Bayern Munique, 8.1
Maior distância média: Colônia, 18.85m
Menor distância média: Fortuna Düsseldorf, 16.05m

Como padrão para entendimentos dos números acima, vale mencionar a medida da grande área: 16.5m de largura. Apenas o Düsseldorf, entre todos os times, tem média de finalizações sofridas dentro da própria área. O Paderborn, com 16.6, é quem mais se aproxima. A favor, somente Gladbach e Bayern conseguem ter média dentro da área adversária.

POSSE DE BOLA

Bayern Munique: 66.8%
Bayer Leverkusen: 62.2%
Borussia Dortmund: 59.2%
RB Leipzig: 52.6%
Schalke: 52.5%

PASSES POR JOGO

Bayern Munique: 635.13
Borussia Dortmund: 616.42
Bayer Leverkusen: 574.67
RB Leipzig: 489.89
Hoffenheim: 444.36

RECUPERAÇÕES

Média total: RB Leipzig, 84.12
Primeiro terço do campo: RB Leipzig, 37.4
Segundo terço do campo: Bayer Leverkusen, 37.96
Terceiro terço do campo: Bayern Munique, 15.58

PASSES PERMITIDOS POR AÇÃO DEFENSIVA

Bayern Munique: 7.28
Bayer Leverkusen: 7.31
Wolfsburg: 9.13
Borussia Mönchengladbach: 9.33
Eintrach Frankfurt: 9.37

CRUZAMENTOS

Bayern Munique: 22.96
Eintracht Frankfurt: 20.03
Bayer Leverkusen: 16.43
Colônia: 15.43
RB Leipzig: 15.25

PASSES PARA O ÚLTIMO TERÇO

Bayern Munique: 78.52
RB Leipzig: 61.37
Borussia Dortmund: 59.40
Bayer Leverkusen: 58.78
Eintrach Frankfurt: 52.81

A forma como o Bayern pressiona os adversário quando perde a bola é uma das principais características do time comandado por Hansi Flick. É o quinto no total, até pela alta posse de bola, mas o primeiro isolado no último terço, próximo à área adversária. Vale destacar também o baixo número de passes permitidos por ação defensiva - ou seja, a cada momento que a equipe adversária tem a bola.

Outra evidência desse time, que inclusive vinha rendendo comparações ao estilo implantado por Jupp Heynches no clube, é a objetividade com a bola nos pés. A posse é alta, mas as transições são rápidas e a busca pelo gol mais direta. Por isso a enorme vantagem em passes para o último terço do campo.

Obs. base de dados: Wyscout

Fonte: Gustavo Hofman

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Os 5 melhores jovens da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Haaland, do Borussia Dortmund, comemora após marcar contra PSG
Haaland, do Borussia Dortmund, comemora após marcar contra PSG Getty Images

A Bundesliga recomeça, em meio a muitas incertezas e protocolos rígidos, neste final de semana. Briga pelo título, luta contra o rebaixamento e disputa por vagas europeias passarão pelos pés de jovens estrelas da competição.

Aliás, esse é um bom motivo para acompanhar o equilibrado e fortíssimo Campeonato Alemão: a capacidade de ser forte e revelador de talentos, ao mesmo tempo. Abaixo, uma lista com os cinco melhores jogadores de até 21 anos da Bundesliga. E olha que grandes talentos como Achraf Hakimi, Josh Sargent, Joshua Zirzkee, Giovanni Reyna, entre outros, ficara de fora.

Jadon Sancho (Borussia Dortmund)

São 14 gols e 15 assistências na atual Bundesliga, participação direta em 42,6% de todos os gols marcados pelo Borussia Dortmund. Tudo isso com apenas 20 anos e em sua terceira temporada na elite alemã pelo clube.

Sancho nasceu em Camberwell, na região de Londres, filho de pais de Trinidad e Tobago, e começou na base do Watford. Aos 14 anos se mudou para o Manchester City e cinco meses após completar 17 foi contratado pelo Dortmund.

No 3-4-3 do técnico Lucien Favre, o destro atacante inglês atua aberto pela pontas, podendo fazer os dois lados do campo. Tem contrato com o Dortmund até junho de 2022 e é alvo de grandes clubes da Premier League, pelo talento notável.

Fazendo ataque com ele, Mbappé e Sancho, Haaland forma seu 'time de 5' só com jogadores sub-21


Erling Haaland (Borussia Dortmund)

Com apenas 19 anos, a ascensão do atacante norueguês foi meteórica. Na atual temporada, contando todas as competições e seus dois clubes (Red Bull Salzburg e Borussia Dortmund), são 33 jogos oficiais e incríveis 40 gols, além de nove assistências.

Ele é filho de Alf-Inge Rasdal Haaland, ex-jogador de Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City, que teve a carreira encurtada por uma entrada violenta de Roy Keane em um dérbi de Manchester.

Há menos de dois anos, Haaland ainda estava no Molde, jogando o Campeonato Norueguês. Por isso o tempo de observação ainda é curto, mas a capacidade e a frieza na finalização já o colocaram como uma das maiores promessas do futebol mundial.

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Kai Havertz (Bayer Leverkusen)

Trata-se do jovem alemão com mais talento da atualidade. Fruto da excelente base do Bayer Leverkusen, o meio-campista Kai Havertz une talento e força física, com 1m89 e 82kg aos 20 anos.

O habilidoso canhoto sempre foi considerado uma jóia nas seleções menores da Alemanha e agora já é figura constante nas convocações de Joachim Löw. O contrato com o Leverkusen ainda é longo, vai até junho de 2022, e seu valor de mercado está em 81 milhões de euros, segundo o Transfermarkt.

Na atual Bundesliga é o quarto na média de passes, com 47,15 por jogo, aproveitamento de 88,3%. É o meia avançado no 4-2-3-1 do técnico Peter Bosz, com liberdade para flutuar pelos lados e costuma buscar mais a direita.

Alphonso Davies (Bayern Munique)

Em 20 de abril, após atuações impressionantes na Bundesliga e na Champions League, Alphonson Davies assinou contrato com o Bayern Munique até 30 de junho de 2025. Movimento inteligentíssimo do clube bávaro, para segurar o jovem talentoso de linda história.

Alphonso, atualmente com 19 anos, nasceu em um campo de refugiados em  Buduburam, Gana. Seus pais, liberianos, fugiram da Segunda Guerra Civil no país e apenas quando o filho tinha cinco anos, conseguiram asilo no Canadá, onde criaram a família.

Seu talento foi descoberto pelo Vancouver Whitecaps, da Major League Soccer, que o revelou para o mundo. Inicialmente como meia aberto pela esquerda e posteriormente como solução para a lateral-esquerda do Bayern, já nas mãos de Niko Kovac e Hansi Flick.

Dayot Upamecano (RB Leipzig)

A capacidade de recrutamento de todos os clubes da Red Bull é notória. O RB Leipzig, sendo o principal representante de futebol na estrutura da empresa, se aproveita muito bem disso. Um ótimo exemplo é o zagueiro Dayot Upamecano, campeão da Euro sub-17 pela França.

Aos 21 anos, é um dos destaques da Bundesliga. Ainda na base, em 2015, por 2,2 milhões de euros trocou o Valenciennes pelo Red Bull Sazburg, que o alocou no Liefering, seu clube B na Áustria. Depois jogou apenas uma temporada na elite austríaca e foi negociado com o Leipzig por 10 milhões de euros em 2017.

Detalhe importante é a duração do atual contrato de Upamecano, que vai somente até junho do ano que vem, ou seja, mais uma temporada além da atual.

Fonte: Gustavo Hofman

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Os 5 melhores jovens da Bundesliga

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Protocolos da Bundesliga na retomada vão de higienização da bola à análise de capacidade nacional de testagem

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Reinício da Bundesliga está marcado para o próximo final de semana
Reinício da Bundesliga está marcado para o próximo final de semana Bundesliga

"O objetivo não deve ser garantir 100% de segurança para todos os participantes, já que isso provou ser praticamente impossível. A ideia é garantir risco médico justificável baseado na importância do futebol (em termos sociais, sócio-políticos e econômicos) e no desenvolvimento da pandemia. Todas as medidas são baseadas na premissa estrita de que não há concorrência resultante com os recursos de prevenção da população em geral sobre a COVID-19".

Essa explicação está na primeira página de conteúdo, das 50 no total, de um detalhado documento publicado pela DFL, responsável pela realização da Bundesliga. Trata-se de uma série de protocolos rigorosos a serem seguidos por todos os atores que fazem o futebol na Alemanha e, acima de tudo, considera a situação do país no combate ao coronavírus.

O levantamento da entidade indicou que os testes nas duas principais divisões alemãs representarão apenas 0,4% de toda capacidade disponível nos laboratórios do país, cerca de 818 mil testes por semana, e desta forma não afetarão a sociedade civil. Na semana passada, a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou uma série de medidas de relaxamento das restrições. Nesta terça, o Instituto Robert Koch (RKI), responsável pela prevenção e controle de doenças em território alemão, divulgou que a taxa de infecção deve se manter constante nos próximos dias, apesar do crescimento apresentado após o anúncio do Governo. 

Até a última segunda-feira (11/mai), foram registrados na Alemanha 170.508 casos, com 7.533 mortes. Os estados mais afetados são Baviera, Baden Württemberg e Renânia do Norte-Vestfália.

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Todas as partidas da Bundesliga poderão ter, no máximo, 98 pessoas na área do campo, incluindo os jogadores, além de 115 trabalhando no estádio. Para alguns estádios, haverá a liberação extra de 109 funcionários para a área externa. Já na Bundesliga 2, os limites são menores: 90 pessoas no campo, 98 nas arquibancadas e 82 no exterior do estádio. Essas três divisões foram classificadas no documento como Zonas 1, 2 e 3 - e cada uma tem outra série de restrições para as respectivas atividades profissionais. Há também limitação de tempo e funcionários para cada área de trabalho, com delimitação de início e fim de expediente. Tudo será muito controlado no cronograma da partida.

O longo documento deixa claro que os casos detectados serão prontamente informados às autoridades sanitárias e as pessoas isoladas, assim como todos ao redor. Isso já gerou um empecilho para a retomada da segunda divisão. Dois jogadores do Dynamo Dresden, na terceira rodada de testes conduzidos pela liga, apontaram positivo. Com isso, toda equipe foi colocada em quarentena e a retomada da Bundesliga 2 será feita com uma partida a menos.

Pessoas pertencentes ao grupo de risco precisam ser excluídas dos treinamentos e, naturalmente, dos jogos, deixa claro o documento. Todos os jogadores têm o poder de decisão de não participar dos jogos também, e a responsabilidade de avisar sobre os riscos existentes cabe ao médico do clube. Um detalhe, por exemplo, que consta nas 50 páginas elaboradas pela DFL, é o limite para permanência no vestiário antes dos jogos para atletas e árbitros: 40 minutos no máximo.

Não haverá: crianças, mascotes, fotos do time, cerimônia de abertura, cumprimento com as mãos, organização das equipes em grupos, repórteres de campo, entrevistas antes, no intervalo e depois do jogo - as coletivas serão virtuais. Os bancos de reservas terão que ser adaptados, já que há obrigação de distância mínima de 1.5m entre as pessoas. Assim, as arquibancadas podem ser utilizadas ou mesmo assentos simples colocados ao lado.

Haverá, naturalmente, diversas medidas básicas de higiene, distanciamento social e cuidado pessoal, já tomadas por todas as pessoas responsáveis no mundo. Portanto, com exceção dos jogadores em campo, todos deverão usar máscaras. Jornalistas terão que respeitar a distância mínima entre eles. Fora todos os protocolos de limpeza e higienização do ambiente, assim como das bolas selecionadas para a partida. Toda alimentação das equipes deve ser levada pelos próprios clubes e não por terceiros, garrafas terão que ser de uso individuais, assim como a utilização de chuveiros - banhos em casa ou no hotel, ao invés de no estádio, são recomendados. Aliás, todas as medidas são exigidas também dos hotéis credenciados para receber as equipes. O nível de detalhamento é tão grande, que há a indicação para temperatura e umidade dos quartos (21°C, 50–60%), onde não for possível manter as janelas abertas.

E antes de pensar no retorno dos jogos, foi elaborada a estratégia de treinamentos dos times. Grupos menores, atletas distantes entre si e todas as orientações básicas já citadas acima. A preocupação se estende aos familiares e aos cuidados necessários em casa também. Tudo muito bem descrito.

Acima de tudo, a DFL deixa claro que é impossível eliminar todos os riscos e assume a importância social e econômica do futebol como principal motivo para sua retomada, baseada no amparo legal do Governo e das autoridades de Saúde. Para isso, houve uma extensa pesquisa e elaboração de medidas para garantir maior segurança possível a todos os envolvidos. A partir do próximo sábado descobriremos a eficácia de tudo isso e se a Bundesliga apontará o caminho para outras ligas.

O documento da DFL é público e está disponível neste link.

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Fonte: Gustavo Hofman

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Quem segura o Bayern no retorno da Bundesliga?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Hansi Flick e Robert Lewandowski têm se dado muito bem
Hansi Flick e Robert Lewandowski têm se dado muito bem Bayern

Em 2 de novembro do ano passado, o Bayern de Munique foi goleado pelo Eintracht Frankfurt por 5 a 1 e demitiu o técnico Niko Kovac. Trinta e três dias antes, vencera de maneira inquestionável o Tottenham, em Londres, por 7 a 2 pela Champions League. Os dois resultados ajudam a entender os altos e baixos da equipe bávara sob o comando do técnico croata, algo que mudou bastante após sua saída e a efetivação de Hansi Flick.

O ex-assistente técnico de Joachim Löw na seleção alemã permaneceu na DFB por mais de dez anos - posteriormente como diretor esportivo. Chegou ao Bayern em julho de 2019 para trabalhar com Kovac, e poucos meses depois coube a ele a recuperação de um dos maiores clubes do mundo.

São 18 vitórias , um empate e duas derrotas somando todas as competições oficiais com Flick. Os quatro pontos de desvantagem para o líder Borussia Mönchengladbach na Bundesliga se tornaram quatro de vantagem sobre o Dortmund; a classificação para as quartas de final da Champions League está virtualmente garantida após o 3 a 0 na ida sobre o Chelsea, em Londres; na Copa da Alemanha aguarda a definição das datas das semifinais para encarar o Eintracht Frankfurt.

Tudo isso com alguns desfalques, recuperação de outros jogadores, trocas no time titular e subida de desempenho individidual dos atletas. O trabalho foi rapidamente reconhecido pela diretoria do clube, que optou por se antecipar ao final da temporada e assinou novo contrato com Hansi Flick até a metade de 2023.

Poucos meses atrás, esse cenário era absolutamente improvável. O futebol na Alemanha abriu 2019-20 em enorme equilíbrio. O Bayern tinha problemas com Kovac e seus adversários se aproveitavam muito bem. O Gladbach, do técnico Marco Rose, era uma das equipes mais bem organizadas em campo na Bundesliga. O RB Leipzig, sem surpresas, se manteve como um dos times mais fortes do país, com Timo Werner sendo a referência em campo. E o Borussia Dortmund, com um elenco jovem e bem comandado por Lucien Favre, provava que seria um forte concorrente.

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A recuperação bávara passa a impressão, agora, que não haverá mais disputa. Vimos isso acontecer diversas vezes nos últimos anos, com o domínio absoluto do Bayern na competição. Há indícios, porém, que isso não deve acontecer - por mais que o Bayern seja, sem dúvida, o maior favorito.

O cometa Haaland segue sua trajetória na Alemanha
O cometa Haaland segue sua trajetória na Alemanha Dortmund

O Dortmund foi um dos times que melhor se reforçaram na janela de transferências, antes ainda do futebol ser paralisado pela pandemia de coronavírus. Erling Haaland causou impacto imediato e ascendeu como promessa mundial. Emre Can foi uma excelente contratação para o meio-campo, com técnica e experiência para ser um dos líderes da equipe. Por fim, Jadon Sancho, com 14 gols e 15 assistências na atual Bundesliga, vinha no melhor momento da carreira, assim como Achraf Hakimi.

Já o Leipzig perdeu fôlego e deixou impressão ruim antes da pausa. Nas dez partidas derradeiras, somou quatro vitórias, uma derrota e cinco empates, o que o manteve com 50 pontos - um a menos que o Dortmund e cinco atrás do Bayern. Há muitas dúvidas sobre como retornarão os times agora, mas os comandados de Julian Nagelsmann têm uma boa oportunidade para se recuperarem, liderados por Timo Werner e seus 21 gols até aqui.

Quem passou a correr por fora nessa briga pelo título é o Borussia Mönchengladbach, que liderou a Bundesliga entre a sétima e a 13a rodadas. Marco Rose, de ótimo trabalho anterior no Red Bull Salzburg, tem o elenco menos forte em mãos dentre os quatro primeiros colocados. Aposta na força coletiva e já provou isso em campo, com grandes atuações, além de alguns destaques individuais também, como é o caso do meio-campista Denis Zakaria.

É inevitável, de qualquer modo, colocar o Bayern no topo de qualquer lista de apostas para o título da Bundesliga. Todos os times alemães terão dificuldades na retomada da competição, afinal, os treinamentos, repletos de restrições, não são os ideais e os jogadores voltarão sem ritmo de jogo também - algo que é diminuído em uma pré-temporada com a realização de amistosos.

Mesmo assim, a paralisação serviu para o Bayern recuperar totalmente seu melhor jogador. Robert Lewandowski sofreu uma lesão no joelho esquerdo, na vitória sobre o Chelsea na Champions, e ficaria quatro semanas afastado dos gramados. Na prática realmente ficou, mas sem grande prejuízo técnico ao time, já que apenas mais três partidas foram disputadas pelos bávaros depois disso: 6 a 0 no Hoffenheim, fora de casa, e 2 a 0 no Augsburg, pela Bundesliga, além do triunfo por 1 a 0 sobre o Schalke, nas quartas de final da DFB Pokal. Muita gente talvez nem se lembre, mas o que o atacante polonês vinha fazendo era impressionante. 

Assinatura de contrato em tempos de coronavírus: distanciamento social
Assinatura de contrato em tempos de coronavírus: distanciamento social Bayern

Outro que aproveitou a interrupção da temporada foi Thomas Müller. Com Hansi Flick o veterano atacante de 30 anos ganhou relevância na equipe. Passou a atuar muitas vezes centralizado, mais próximo a Lewandowski, e explodiu em números. Marcou seis gols - até aí nada demais - e distribuiu incríveis 16 assistências - líder na estatística. Em 7 de abril ele assinou extensão de contrato até 30 de junho de 2023.

Houve também notícias ruins relativas a outros jogadores. Philippe Coutinho, de oito gols e seis assistências na Bundesliga, operou o tornozelo direito em 24 de abril e corre o risco de não atuar mais na temporada. Por outro lado, Ivan Perisic, que fraturou um osso do tornozelo em fevereiro, já estará disponível a Hansi Flick.

A maior preocupação ainda é o combate à pandemia de coronavírus, mas todas as respostas sobre o desempenho dos times passarão a ser respondidas neste sábado, 16 de maio, quando a Bundesliga for retomada.

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Quem segura o Bayern no retorno da Bundesliga?

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Para diretor esportivo do Leverkusen, torcedores respeitarão distanciamento dos estádios no retorno da Bundesliga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Simon Rolfes é o diretor esportivo do Bayer Leverkusen
Simon Rolfes é o diretor esportivo do Bayer Leverkusen Bayer Leverkusen

Aos 33 anos, em 2015, Simon Rolfes encerrou uma bem sucedida carreira de jogador de futebol. Revelado pelo Werder Bremen, obteve maior destaque com a camisa do Bayer Leverkusen, clube que defendeu por dez anos.

O volante disputou 26 partidas pela seleção alemã e fez parte do grupo vice-campeão da Euro 2008. Aliás, também fez parte de dois vices com o Leverkusen - Bundesliga 2010-11 e DFB Pokal 2008-09.

Quando parou, se dedicou à carreira de comentarista e ao curso de mestrado da Uefa para jogadores. Formou-se com o tema "Academias de futebol na Europa" e desde dezembro de 2018 é o diretor esportivo do Bayer Leverkusen.

Nesta entrevista, ele aborda a atualidade do futebol alemão, com o iminente retorno das atividades, e um pouco da história do clube com jogadores brasileiros e a formação de atletas.

Qual é a sua opinião e a posição do Bayer Leverkusen sobre os planos da DFL de retomar a Bundesliga?
A gente espera conseguir jogar em um futuro próximo, talvez em maio. Esperamos começar a liga novamente e a nossa posição é a mesma da DFL. A nossa consolação aqui na Alemanha é que todos os clubes estão muito unidos e próximos, com a DFL e os políticos, para recomeçar. Vamos fazer o nosso melhor para seguir os médicos e conseguirmos jogar de novo, provavelmente a primeira liga no mundo a recomeçar.


Você acha que já é seguro voltar a jogar futebol em maio?
Acho que sim. Quando vejo as orientações médicas, vejo que elas são muito confiáveis, muito profissionais. A situação aqui na Alemanha, como sociedade, é conseguir reabrir as coisas, passo a passo, são muitas coisas. Eu também tenho três filhos, que costumavam ir para a escola. Se eles usarem esse conceito da Bundesliga, nós ficaríamos muito felizes e não teríamos preocupações com isso.


Acredita que os torcedores respeitarão as decisões e não irão aos arredores dos estádios em dias de jogos?
Acho que sim. Dois meses atrás eu diria não, porque ninguém sabia o tamanho da crise e o impacto na sociedade alemã, na Europa e em outras partes do mundo. Nós sabemos da dificuldade da situação, então acho que os torcedores ficarão em casa e farão o melhor para a gente seguir em frente.


Como estão os treinos do Leverkusen atualmente?
Hoje em dia estamos treinando em grupos de oito jogadores. Começamos em grupos de dois, aumentamos para quatro, cinco e agora estamos em grupos de oito.

Quando a DFL decidir recomeçar a Bundesliga, quanto tempo será necessário para os clubes voltarem a jogar?
Eu acho que o time estará pronto. Com certeza será diferente. Se você perguntar a um técnico, ele com certeza dirá que vai precisar de seis semanas, em todo lugar é a mesma coisa. Em todo lugar a situação de preparação é a mesma, então acho que é um balanço de competitividade. Acho que está tudo bem, porque todo clube está nessa situação de ter uma, duas semanas, dez dias para se preparar. Então para mim essa não está em questão, estamos treinando desde o começo de abril em pequenos grupos. Os jogadores estão em forma, é possível jogar.

O Leverkusen tem uma grande história com jogadores brasileiros. Como é essa relação dos clubes com atletas do Brasil?
Nós temos uma ótima relação e história com os jogadores brasileiros, jogadores fantásticos. Zé Roberto, eu joguei com o Juan, Roque Junior, Renato Augusto… É muito especial a relação que temos com os jogadores. É uma situação única, acho que tivemos 25 jogadores nas últimas décadas jogando pelo Bayer Leverkusen. Tivemos muitos jogadores bem-sucedidos, que fizeram carreiras fantásticas na Europa. Temos um departamento de integração onde falamos espanhol ou português. Se assinamos com um jogador do Brasil, gostamos de conhecer eles como família, investimos tempo e energia de fazer com que eles se sintam em casa, assim como suas famílias. Para os jogadores brasileiros, é importante se sentir familiar no clube. Acho que por isso muitos gostam de jogar aqui.

Após o 7 a 1 da Copa de 2014, no Brasil falamos muito sobre o desenvolvimento de jovens jogadores na Alemanha. No Leverkusen, como funciona esse trabalho?
Nos últimos anos temos focado na técnica. A história dos jogadores é sobre força e experiência coletiva, mas nos últimos 20 anos temos focado na técnica. O nosso intuito é combinar a parte da mentalidade, mas aumentar as habilidades técnicas. Conseguimos ver isso na seleção, que os jogadores são diferentes de 20 anos atrás. Na história do Bayer temos jogadores da América do Sul, muito técnicos. Se temos um grande talento, trazemos ele rapidamente ao time principal. Como foi o caso do Kai Havertz, que treinou aos 17 anos com o time profissional e jogou com 17 anos. Tentamos trazê-los bem jovens para a equipe principal. Na Alemanha, isso é bem especial, porque integra eles no dia a dia profissional.

Para você, como diretor esportivo do clube, será uma missão bem dura manter o Havertz no Leverkusen nas próximas janelas de transferências?
Vamos ver, vamos ver. Com certeza ele é um jogador fantástico, está levando a carreira dele a um nível mundial. Ele tem capacidade de fazer isso, mas gostamos dele jogando pelo Bayer, de vê-lo nos treinos e nos jogos. Vamos ver como vai ser, mas estamos felizes que ele esteja aqui, conosco.

Como competir financeiramente com Bayern, Dortmund e RB Leipzig financeiramente?
Nós não temos a mesma situação financeira dos outros times, então precisamos ter um bom recrutamento, desenvolver os jovens da melhor maneira. Com essa combinação, nós conseguimos competir com eles. Essa é a força do Bayer Leverkusen, não é sobre dinheiro, é sobre gerenciar, recrutar e desenvolver os jogadores. Esse é o nosso foco e tivemos sucesso com isso nos últimos anos.


Antes da paralisação da Bundesliga, houve muitos protestos de torcidas de variados times contra os proprietários de Hoffenheim e RB Leipzig. Qual é a sua opinião sobre esses incidentes?
Eu acho que essa é uma discussão genuína do papel do futebol na sociedade e na nossa situação econômica, de clube para empresas. Os torcedores têm uma visão muito tradicional, e acho que com essa crise, nós, como futebol, precisamos pensar no nosso impacto na sociedade. Eu acho que essa é uma chance de melhorar e pensar um pouco sobre a direção que o futebol está tomando.


Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Abrir o placar garante 70% de vitórias nos campeonatos nacionais, indica levantamento. Para alguns clubes, bem mais

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Estrela Vermelha é a potência no futebol sérvio
Estrela Vermelha é a potência no futebol sérvio Srdjan Stevanovic/Getty Images

Marcar o primeiro gol do jogo não é regra para ser o vencedor. Isso é evidente. Porém, para alguns times, significa estar muito próximo de somar três pontos. Um exemplo? Vamos ao melhor de todos.

No Campeonato Sérvio, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2019, o Estrela Vermelha fez o gol de abertura em 135 partidas. Venceu 130 delas. É o melhor aproveitamento (96,3%) nesse quesito no futebol mundial.

Os números fazem parte de levantamento do CIES Football Observatory em 92 campeonatos nacionais, divulgados nesta segunda-feira. Na média mundial, o índice de vitórias após fazer o primeiro gol é pouco inferior a 70% nas competições avaliadas - predominância de pontos corridos no formato.

O segundo da lista é o Sheriff Tiraspol, da Moldávia, que ganhou 96 de 102 jogos nos quais marcou primeiro (aproveitamento de 94,1%). Nesse período analisado, o Estrela Vermelha foi três vezes campeão sérvio (2015-16, 17-18 e 18-19), enquanto o Sheriff só não conquistou o título em 2014-15.

Nas cinco grandes ligas europeias - Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França - os três melhores são: Paris Saint-Germain (89,9%, 124 de 138), Barcelona (88,5%, 116 de 131) e Manchester City (87,1%, 115 de 132).

O Campeonato Brasileiro também esteve sob análise, e o Palmeiras ficou na ponta. O alviverde venceu 82,1% dos jogos em que marcou o primeiro gol (92 de 112). Botafogo (79,3%, 65 de 82) e Flamengo (79,1%, 87 de 110) completam o pódio.

O Brasileirão, no geral, teve média de 71,6% (1204 de 1681) nesse quesito.

Há o outro lado da moeda também. Aquelas equipes que, mesmo anotando antes do adversário, poucas vezes triunfam. Caso do Central Coast Mariners, na Austrália, com mísero aproveitamento de 37,7% (20 de 53). O Chile tem a pior média com 65,1%.

O estudo completo está disponível neste link.

Hofman elege seu Top 5 de maiores jogadores de todos os tempos e explica critérios


Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Bundesliga pretende voltar em maio com diversas restrições

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Com portões fechados, Bundesliga pode retornar em maio; Linares atualiza

A Deutsche Fussball Liga anunciou nesta quinta-feira a intenção de retomar a Bundesliga e a Bundesliga 2 em maio. Todo esporte na Alemanha está paralisado, por causa da pandemia de coronavírus.

Houve acordo com os detentores de direitos de transmissão para tentar o encerramento da temporada até 30 de junho. Dirigentes da entidade, responsável pela organização das duas primeiras divisões no futebol alemão, se reuniram e divulgaram uma série de medidas para que as atividades voltem.

- Partidas da Bundesliga poderão ter no máximo 98 pessoas na área do campo, incluindo os jogadores, e 115 trabalhando no estádio. Para alguns estádios, haverá a liberação extra de 109 funcionários para a área externa;

- Na Bundesliga 2 os limites são menores: 90 pessoas no campo, 98 nas arquibancadas e 82 no exterior do estádio.

Bundesliga pretende retornar em maio
Bundesliga pretende retornar em maio Getty Images

Além disso, a DFL promoverá testes regulares em todos os profissionais envolvidos com o futebol profissional dos clubes. Para tanto, foram consultados cinco grandes laboratórios do país para entender a capacidade de testagem existente e o impacto que a decisão de voltar com o futebol geraria.

O levantamento da entidade, coornado pelo professor Doutor Tim Meyer, indicou que os testes nas duas principais divisões alemãs representarão apenas 0,4% de toda capacidade disponível nesses laboratórios, cerca de 818 mil testes por semana. Ou seja, não afetarão a sociedade civil.

O comunicado da DFL deixa claro que todo planejamento será levado adiante apenas com a anuência dos órgãos governamentais. A entidade também doou 500 mil euros para pesquisa e firmou parceria com o laboratório Sonic Healthcare para cessão de todos os dados obtidos na testagem.

A Alemanha apresentou, até 23 de abril, 153.129 casos confirmados de covid-19 e 5.575 mortes, além de 103.300 pessoas recuperadas.

Os clubes alemães voltaram aos treinos no início de abril, com uma série de restrições nas atividades. Os treinamentos têm contado com grupos menores de jogadores e distanciamento entre eles.

Distanciamento tem sido respeitado nos treinos do Bayern
Distanciamento tem sido respeitado nos treinos do Bayern Bayern

Bayern Munique e RB Leipzig ainda aguardam para saber o que vai acontecer com a Champions League desta temporada, assim como Bayer Leverkusen, Wolfsburg e Eintrach Frankfurt na Europa League.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Bundesliga pretende voltar em maio com diversas restrições

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Do sonho à realidade: o fracasso do Quadrado Mágico

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jamais o campeão da Copa das Confederações levou também o Mundial seguinte. Em 2005 essa "maldição" ainda não era tão forte. O título brasileiro na já finada competição, após histórica vitória sobre a Argentina na decisão por 4 a 1, elevou a confiança da torcida a um grau máximo.

Os passos seguintes que contribuíram decisivamente para o oba oba geral na Copa de 2006 foram a terrível preparação em Weggis, na Suíça, e o ineficiente, porém sempre lembrado com um equivocado saudosismo, Quadrado Mágico.

Afinal, quem não gostaria de contar com Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo em um mesmo time? O Brasil, comandado por Carlos Alberto Parreira, teve, mas por pouco tempo - e isso, certamente, foi um dos motivos para seu fracasso.

As lembranças do torcedor recaem muito mais no individual desses jogadores, porque como equipe, analisando o coletivo, jamais funcionaram juntos em alto nível.

Início do sucesso

A trajetória vitoriosa da seleção rumo à Copa do Mundo na Alemanha começou com a emocionante decisão da Copa América de 2004. Na ocasião, o gol de Adriano aos 48 minutos do segundo tempo garantiu o empate em 2 a 2. Nos pênaltis, vitória por 4 a 2.

O time ainda era muito diferente daquele que Parreira levaria para a disputa da Copa das Confederações. Na prática, ele não conseguiu convocar a equipe ideal para o torneio.

"O Ronaldo alegou problemas particulares que o impedem de se dedicar à seleção brasileira no momento. Então a comissão técnica resolveu liberá-lo", explicou o técnico da seleção brasileira ao site da CBF. O atacante havia se separado há poucos dias de Daniela Cicarelli e queria ter férias no meio do ano. "Eu já fui em todas as competições da seleção brasileira, e não estou chegando agora pedindo para jogar só a Copa do Mundo", afirmou Ronaldo, em declaração publicada na Folha de S.Paulo à época.

Cafu e Roberto Carlos, veteranos das duas laterais da seleção, foram poupados, já que o treinador queria observar mais outras opções. A primeira fase foi complicada, com vitória sobre a Grécia por 3 a 0, derrota para o México por 1 a 0 e empate com o Japão em 2 a 2. Na semifinal, boa atuação e triunfo por 3 a 2 sobre a Alemanha.

Dida, Cicinho, Lúcio, Roque Júnior e Gilberto; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho; Robinho e Adriano. Foi com esse time que o Brasil entrou em campo no dia 29 de junho de 2005, no Waldstadion, em Frankfurt, e goleou os argentinos com com dois de Adriano, um de Kaká e um de Ronaldinho. O Quadrado Mágico ainda não tinha Ronaldo.

"Não precisamos definir nada a nove meses da Copa. Mas, sendo bem transparente, eu imagino que, com Kaká na direita e Ronaldinho na esquerda, teríamos Ronaldo, Adriano e Robinho para definir quem formará a dupla, dependendo de quem estiver melhor". Essas palavras foram ditas por Carlos Alberto Parreira ao programa Bem Amigos, do Sportv, em setembro.

Ou seja, a empolgação em torno da seleção se dava quase que exclusivamente pelo talento individual dos jogadores. A nove meses do principal objetivo, ainda não era possível avaliar o desempenho dos jogadores juntos. Apenas na imaginação e no sonho do torcedor.

A primeira vez

Muita coisa é inventada com o passar do tempo e ganha ares de verdade. O Quadrado Mágico foi utilizado apenas em quatro jogos oficiais e dois amistosos durante o ciclo da Copa de 2006. Jamais fez parte de todo planejamento da equipe, até porque os momentos vividos pelos atletas eram muito diferentes também.

Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo começaram uma partida pela primeira vez juntos em 12 de outubro de 2005, no 3 a 0 sobre a Venezuela em Belém, último compromisso do Brasil - já classificado - pelas eliminatórias. Os dois últimos marcaram e Roberto Carlos completou o placar.

Depois disso, foram utilizados desde o início novamente apenas nos dois amistosos pré-Mundial, já na Suíça, contra a amadora seleção de Lucerna (8x0) e Nova Zelândia (4x0). A empolgação a essa altura, em pleno carnaval que se tornou Weggis, já era enorme.

Apesar do enorme saldo positivo nos três jogos com o Quadrado Mágico até a Copa, a fragilidade dos adversários era evidente. Assim como a falta de entrosamento entre os jogadores e a ausência de encaixe tático dos quatro. 

Pobre Mundial

A vitória por 1 a 0 na estreia contra a Croácia foi recheada de críticas. O bom futebol não apareceu, o Quadrado Mágico não rendeu e, inclusive, foi desfeito aos 25 minutos do segundo tempo, com a entrada de Robinho no lugar de Ronaldo. Kaká marcou o único gol aos 44 da etapa inicial.

Robinho merece ser mais citado. Na prática, o bom rendimento da seleção antes do Mundial aconteceu quando o atacante, então no Real Madrid, compôs o criticado quarteto na vaga de um dos titulares. A goleada sobre o Chile nas eliminatórias por 5 a 0 (na vaga de Ronaldinho) e a própria final da Copa das Confederações de 2005 (no lugar de Ronaldo) são os dois melhores exemplos.

Adriano, Kaká e Ronaldo
Adriano, Kaká e Ronaldo Getty Images

A segunda rodada foi marcada por outra vitória sem qualquer brilho do Brasil. Desta vez por 2 a 0, sobre a Austrália, e mais uma vez com o Quadrado Mágico sendo desmontado durante os 90 minutos. O Fenômeno saiu aos 27 minutos para a entrada de Gilberto Silva, com a seleção vencendo por 1 a 0, gol de Adriano. No mesmo minuto, Robinho entrou na vaga de Emerson, enquanto Adriano saiu aos 43 para Fred entrar e fazer o segundo gol.

Ronaldo estava muito acima do peso. Apresentou-se assim para a preparação e teve que perder cinco quilos para entrar minimamente em forma. Era um dos mais criticados pelas atuações, mas perseguia o recorde de gols de Gerd Müller. Desencantou no terceiro jogo.

Com o Brasil classificado, Parreira mandou ao campo do Borussia Dortmund um time misto, com Robinho na vaga de Adriano e a manutenção dos outros três craques no ataque. Ronaldo fez o primeiro e o quarto da goleada por 4 a 1 e se igualou ao atacante da seleção alemã com 14 gols em Copas do Mundo.

A tranquila classificação contra Gana, nas oitavas de final, novamente com o Quadrado Mágico em campo, devolveu parte da confiança que tinha sido perdida pela equipe. O Fenômeno abriu o marcador e se tornou isoladamente o maior artilheiro na história da competição; o Imperador fez o segundo gol, enquanto Zé Roberto fechou a conta.

Tragédia anunciada

Pela frente nas quartas de final, o adversário que mais impõe péssimas lembranças à seleção brasileira. As Copas de 1986 e 98 foram intensamente lembradas nos dias anteriores ao confronto, que aconteceu em primeiro de julho de 2006, na casa do Eintracht Frankfurt.

Carlos Alberto Parreira sabia que precisaria mudar para tentar bater os franceses. Seu 4-4-2 com o Quadrado Mágico não funcionara até então.

O grande problema tático envolvia as funções de Kaká e Ronaldinho, além do posicionamento de Adriano e Ronaldo. O ex-meia do São Paulo flutuava da direita para dentro e tinha a responsabilidade defensiva de fechar a segunda linha junto com Emerson e Zé Roberto, bastante sobrecarregados sem a bola. Já o craque do Barcelona era um meia avançado, que teoricamente ocupava o setor esquerdo também. Não havia entrega defensiva dele para colaborar com o meio-campo, e não era algo que ele precisava fazer com essa regularidade no Barça.

Na frente, Ronaldo e Adriano batiam cabeça. Sem a mesma mobilidade e velocidade de outrora, o atacante do Real Madrid brigava por espaço com o companheiro, que vivia um grande momento na Internazionale. Simplesmente não funcionou.

Para colaborar com o fracasso, Cafu e Roberto Carlos, 36 e 33 anos respectivamente, não conseguiram jogar no nível que todos sempre se acostumaram a vê-los. Assim, os corredores pela direita e pela esquerda não eram preenchidos, e o Brasil perdia força ofensiva e ainda deixava os dois laterais muito expostos pela falta de combate no meio-campo. Em diversas situações, o time era obrigado a marcar com seis jogadores e não com pelo menos oito na fase defensiva organizada, como deveria acontecer em um 4-4-2.

"Faltou mais preparação na parte física e mais entrosamento". Essa foi uma das explicações de Parreira após o 1 a 0 para a França. Falha da comissão técnica na elaboração e na execução do planejamento para a Copa.

Dida, Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos formaram a linha de defesa. Emerson se machucou contra Gana, mas se recuperou; mesmo assim, foi substituído na formação inicial por Gilberto Silva, que jogou atrás de Zé Roberto e Juninho Pernambucano. O ídolo do Lyon ficou com a vaga de Adriano. Kaká se tornou o meia ofensivo do time, enquanto Ronaldinho Gaúcho foi deslocado para o ataque, com total liberdade com e sem a bola. Ronaldo foi o centroavante.

A mudança tática para o 4-3-1-2 não tornou o Brasil melhor ou organizado em campo. Adriano entrou aos 18 do segundo tempo, já com o placar adverso após o gol de Thierry Henry na falha de marcação dentro da área brasileira. O Quadrado Mágico teve seu último suspiro, por apenas 16 minutos, até Kaká dar lugar a Robinho. 

Foram 11 finalizações da França contra nove do Brasil, quatro a um no alvo. Atuação soberba de Zidane e o fim de uma história que entrou no imaginário popular como grande, mas que jamais triunfou.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Do sonho à realidade: o fracasso do Quadrado Mágico

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Em meio à paralisação da NBA, o basquete universitário sofreu um duro golpe

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Jalen Green é um dos melhores jogadores do high school nos Estados Unidos
Jalen Green é um dos melhores jogadores do high school nos Estados Unidos Divulgação

A videoconferência com os proprietários das 30 equipes da NBA demorou mais do que Adam Silver imaginava no sábado. Por isso, naturalmente, a teleconferência com os jornalistas na sequência atrasou em quase uma hora.

Sempre muito calmo e sereno nas palavras, o comissário da liga deixou claro para todos que não há qualquer previsão para o retorno dos jogos. Também explicou o acordo feito com a Associação de Jogadores para redução dos salários nos próximos meses, enquanto a pandemia de coronavírus impacta todo planeta. Naturalmente esses foram os assuntos predominantes, mas houve ainda um terceiro item que mereceu destaque.

Na última quinta-feira, Jalen Green, considerado pela ESPN o melhor prospecto no high school norte-americano, anunciou que vai jogar a próxima temporad ana G League. Pouco depois, Isaiah Todd, outra estrela do basquete colegial nos Estados Unidos, desistiu do acordo com a Universidade de Michigan e seguiu o mesmo caminho.

Trata-se de um divisor de barreiras na relação dos atletas com o basquete nos Estados Unidos. Historicamente, nunca houve dúvidas sobre o caminho que os melhores do país seguiriam - High school, college e NBA. Quando algumas estrelas começaram a seguir direto da escola para o basquete profissional, casos mais notórios de Kobe Bryant, Kevin Garnett e LeBron James, a liga criou regras para impedir que isso acontecesse.

Surgiram então os "one-and-dones", jogadores que escolhiam uma universidade para passar apenas uma temporada e então rumar para o Draft. Muito longe do cenário acadêmico desejado para todos os jovens, como era no passado. Michael Jordan, por exemplo, passou quatro ano jogando e amadurencendo em North Carolina.

Os tempos são outros, os jovens mudaram completamente e o dinheiro se tornou abundante. Ao serem proibidos de se transferirem direto para a NBA e de receberem salário no basquete universitário, começaram a procurar outros caminhos antes do sonho da NBA. Na temporada passada LaMelo Ball e RJ Hampton foram jogar profissionalmente na Austrália e na Nova Zelândia. Outros buscaram caminhos parecidos e isso estava se tornando uma tendência, não mais uma novidade.

Com o fortalecimento da G League, surge uma nova possibilidade e um enorme desafio à NCAA. Jalen Green vai receber US$ 500 mil e jogar por um time de desenvolvimento na liga, não estará vinculado a um time filiado da NBA. Além disso, terá direito a uma bolsa universitária quando desejar estudar novamente. "Esse programa é para preparar os jogadores para a NBA", garantiu Adam Silver. Por que então ele seguiria para a universidade?

A NCAA ainda tem bons argumentos. Não há comparação com o nível de jogo do basquete universitário e da G League. Mesmo sendo garotos, a competitividade, a divuglação nacional e a pressão sobre eles é bem maior nos grandes jogos entre universidades. Tecnicamente, a G League tem bons atletas, mas a maioria está lá em busca de estatísticas para chegar ou retornar à NBA, o que torna algumas partidas em "rachões".

O grande problema, então, é o impedimento em receber dinheiro jogando por universidade como Duke, Kentucky ou UCLA, que ganham milhões de dólares graças ao desempenho desses garotos e pagam fortunas a seus treinadores.

Com a disseminação de séries mostrando bastaidores de times amadores e profissionais, está muito evidente para todos que, não necessariamente fazem parte do cotidiano universitário norte-americano, que o modelo ideal escola-esporte não existe para os "pros". Para os alunos comuns, que não farão milhões de dólares com basquete, o formato é excelente, afinal, tem a possibilidade de se formar e seguir no esporte.

A NCAA precisa reagir para ainda ser uma ótima alternativa para os melhores. Se salários ainda não são permitidos, assinatura de contratos com grandes marcas, participação em eventos e acordos com agentes não podem continuar proibidos. Além da questão financeira, a flexibilização da eligibilidade para o Draft é algo também muito importante. Em 2019, 44 jogadores que se declararam para a loteria da NBA não foram selecionados e poderiam ter retornado ao basquete universitário - algo inviável dentro das atuais regras.

O basquete universitário precisa parar com a hipocrisia de seguir lidando com profissionais como se fossem apenas estudantes. Não são há muito tempo e todos sabem disso.

Os piores e mais engraçados lances da NBA: Zion dormindo, cãibra mental de Green, jogador sem uniforme e muito mais

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Se Neymar é o melhor jogador brasileiro na atualidade, quem é o segundo?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Neymar comemora após marcar pelo PSG
Neymar comemora após marcar pelo PSG Getty Images

O título deste texto apresenta o pressuposto de que Neymar, atacante do Paris Saint-Germain, seja o melhor jogador brasileiro na atualidade. Trata-se também de opinião da maioria das pessoas que gostam de futebol. Jamais será unanimidade, até pela personalidade dele, mas as evidências em campo indicam que Neymar merece, sim, essa classificação.

A partir daí, quem é o segundo? Qual é o melhor jogador brasileiro de futebol atualmente, após Neymar? Fiz essa mesma pergunta no Twitter e Alisson, goleiro do Liverpool, foi o nome mais lembrado. Os outros citados foram Roberto Firmino e Gabriel Jesus, além de Casemiro e Philippe Coutinho na Europa e Bruno Henrique e Gabriel Barbosa no Brasil.

Abaixo, argumentos para o debate, além da opinião deste jornalista.

ALISSON

Sem dúvidas, o mais forte candidato e primeiro da lista atualmente. Afinal de contas, acumulou nos últimos meses conquistas individuais e coletivas. É o atual melhor goleiro do mundo, eleito no prêmio The Best, da Fifa, e titular absoluto do Liverpool, vencedor da última Champions League e virtual campeão inglês de 2019-20. Além do mais, é uma pessoa que não se envolve em polêmicas, pelo contrário, constantemente está em campanhas sociais.

ROBERTO FIRMINO

Foi-se o tempo em que Roberto Firmino não era conhecido no Brasil. Sim, não jogou em times de massa no futebol brasileiro, mas o que ele tem feito, consistentemente, pelo Liverpool nos últimos anos o credencia para estar entre os melhores atacantes do mundo. Inteligente demais em campo e tímido ao extremo nas coletivas de imprensa, tem toda confiança de Jürgen Klopp e Tite. São oito gols e sete assistências na atual temporada da Premier League.

GABRIEL JESUS

Em termos de habilidade, Gabriel Jesus ganha força nessa discussão. É reserva no Manchester City, mas desde que chegou ao clube inglês - quando causou impacto imediato - não vivia tão bom momento. Pep Guardiola o tem como peça substituta a Sergio Agüero, porém tem sido muito utilizado em outras funções do ataque, como já o faz com Tite na seleção. Nesta Premier League, tem dez gols marcados em 24 jogos, sendo 13 como titular.

CASEMIRO

Perde em "visibilidade" por não ser atacante, como os dois anteriores, ou ganhar jogos para seu time com defesas espetaculares, como Alisson. De qualquer modo, Casemiro está entre os melhores da sua posição há algumas temporadas - na prática, brigando com N'Golo Kanté. Mesmo com desempenhos irregulares do Real Madrid, o meio-campista apresenta bons números e mantém o rendimento forte no setor. Lidera a atual temporada de La Liga em duelos individuais (285) e interceptações (201), além de ser titular absoluto da seleção brasileira.

PHILIPPE COUTINHO

Há uma falsa impressão que Philippe Coutinho esteja jogando mal. Não está. São 32 jogos pelo Bayern, com nove gols e oito assistências em 2035 minutos jogados - média de uma participação direta em gol do time bávaro a cada 120 minutos em campo. Ele "paga", no entanto, o preço absurdo que o Barcelona pagou ao Liverpool e fez com que a expectativa subisse da mesma maneira. Com a saídaa de Niko Kovac e a efetivação de Hansi Flick, perdeu espaço, mas segue como peça importante do Bayern. Pelo que já mostrou na carreira, entre todos citados, é o melhor (não está o melhor).

BRUNO HENRIQUE/GABRIEL BARBOSA

A dupla do Flamengo teve temporada absurda em 2019, sendo as duas principais referências ofensivas do time nas conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. O 2020 de Gabigol tem sido melhor, mas pouco aconteceu ainda. São dois atletas com idades bem distintas (29 x 23) e com experiências frustrantes na Europa. É fato que o nível de jogo e a exigência na América do Sul são inferiores ao que se joga na Europa, mas os dois têm atuado em altíssimo nível.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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A saudade torna a noite da despedida de Kobe ainda mais especial

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A histórica e mágica despedida de Kobe Bryant
A histórica e mágica despedida de Kobe Bryant ESPN

O fatídico ano de 2020 tornou a noite de 13 de abril de 2016 ainda mais especial. Olhar para o que aconteceu no Staples Center nesse dia, após a trágica perda de Kobe Bryant neste ano, faz com que valorizemos ainda mais o que o camisa 24 do Los Angeles Lakers fez contra o Utah Jazz em seu último jogo pela NBA. E que a saudade só aumente.

Todos que amam basquete têm uma lembrança especial dessa partida. Em casa sozinho, no bar com amigos, em qualquer lugar do planeta alguém terá uma boa história para contar. Apenas 17 pessoas, porém, estiveram em um local privilegiado: na quadra.

Eram dois brasileiros relacionados para o jogo: Marcelinho Huertas, pelos Lakers, e Raulzinho, pelo Jazz. O primeiro atuou por 26 minutos, marcou dois pontos, deu seis assistências e pegou quatro rebotes. Já o segundo, como adversário, jogou por 19 minutos e garantiu oito pontos e quatro assistências.

"Os preparativos para esse jogo foram um pouco diferentes, pelo significado que tinha para a NBA e para o Kobe, para a história do basquete sendo o último dele. Todo mundo ansioso, curioso para saber o que teria de diferente, como seria o jogo, como iria fluir, a atuação dele, que acabou sendo espetacular", lembra Raulzinho.


"Tentamos ser o mais profissionais possível, sabendo que estávamos jogando contra ele, que tínhamos que dar o máximo, independente de ser o último jogo dele. Mas no decorrer da partida, principalmente no final, quando ele começou a fazer cestas impossíveis, que ninguém esperava que ele fosse fazer no último jogo, a gente no banco cutucava um ao outro. A gente não queria perder, deixar ele fazer cesta, que muita gente comenta, mas estávamos felizes por ele. Alguém com a carreira que o Kobe teve merecia um final como foi. Na quadra demos o máximo, ele mais do que qualquer outro jamais ia querer que alguém desse mole. Foi isso que a gente fez, jogou duro até o final", completa.

Por fim, Raulzinho se lembra de como foi perder um jogo tão especial. "Como atleta não quero perder nunca. A derrota foi dolorida como qualquer outra, mas ao mesmo tempo eu pessoalmente fiquei feliz pela atuação dele. Por ele ter terminado a carreira com essa atuação, mas se a gente tivesse saído com a vitória eu teria ficado mais feliz. Ao menos foi uma felicidade pelo Kobe".

O Los Angeles Lakers venceu o Utah Jazz por 101 a 96, com 60 pontos do eterno Kobe Bryant. A saudade faz com que aquela mágica noite de 13 de abril de 2016 fique ainda mais linda e inesquecível.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Trinta anos depois, Maradona ainda achou Caniggia

Gustavo Hofman
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Caniggia foi o carrasco do Brasil em 1990
Caniggia foi o carrasco do Brasil em 1990 Divulgação

Foi uma preparação conturbada, com o treinador contestado,  problemas entre jogadores, comissão técnica e dirigentes, enfim, muitos problemas. Mesmo assim, em campo, o Brasil foi melhor do que a Argentina e não merecia a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1990.

O canal da FifaTV no YouTube tem disponibilizado diversas partidas históricas dos Mundiais. Escolhi o fatídico Brasil 0x1 Argentina de 24 de junho, em Turim, no Stadio Delle Alpi.

O futebol era muito diferente do que temos hoje, inclusive nas regras. Recuos ainda eram permitidos e mudavam completamente o ritmo; somente cinco reservas no banco, logo, bem menos opções para os treinadores, que podiam fazer apenas duas substituições.

Os primeiros cinco minutos foram um massacre do Brasil, com uma chance clara desperdiçada por Careca e duas finalizações do Alemão de fora da área. Domínio territorial e técnico, contra uma Argentina recuada e assustada.

Assim continuou por muito tempo. Maradona e Caniggia davam o primeiro combate apenas no meio-campo. Os três zagueiros brasileiros, mais os laterais, tinham tranquilidade para construírem a partir do campo de defesa.

Valdo se movimentava muito para fugir do bloco baixo de marcação dos argentinos, que marcavam no 5-3-2 ou 3-5-2, dependendo do posicionamento dos laterais Basualdo e Olarticoechea. Em muitos momentos, a ligação direta com ele ou Müller era a principal opção, com Careca sendo a referência na frente.

Foram algumas chances desperdiçadas, entre elas uma bola na trave com Dunga, de cabeça. Houve lances fortes também, como dois amarelos que poderiam ser vermelhos - um de cada lado, Monzón e Ricardo Rocha.

A Argentina foi prejudicada pela arbitragem do francês Joël Quiniou. Aos 15 minutos, Maradona colocou Caniggia cara-a-cara com Taffarel, mas o assistente marcou impedimento que não existiu. Mesmo assim, somente no final da primeira etapa os argentinos reagiram pra valer, tendo a primeira chance aos 41 com Ruggeri, de cabeça.

No segundo tempo o Brasil permaneceu melhor, mas a Argentina já ameaçava no contra-ataque. Na prática o jogo ficou mais equilibrado, com dois times e propostas bem diferentes em campo.

Enquanto Jorginho e Branco tinham espaço e bombardeavam a grande área argentina com cruzamentos, Maradona e Caniggia continuam ensaiando a jogada que selaria o destino de Sebastião Lazaroni e seus comandados.

No trigésimo sexto minuto, após impedimento do Brasil, a jogada do gol começa em uma cobrança de falta no campo de defesa da Argentina para Burruchaga. Maradona recebe no meio-campo, dribla Alemão, supera o carrinho de Dunga, avança por Ricardo Rocha e chama a atenção de Ricardo Gomes e Mauro Galvão, que deixam Caniggia livre nas costas. Taffarel nada pôde fazer.

Dois minutos depois, Ricardo Gomes recebeu cartão vermelho por falta violenta em Basualdo, matando um contra-ataque. Na cobrança e falta, Maradona obrigou Taffarel a realizar grande defesa.

Silas e Renato Gaúcho ainda entraram nas vagas de Mauro Galvão e Alemão. Silas perdeu gol incrível aos 43. Já era tarde demais.

Foi minha primeira Copa do Mundo, com nove anos, assistindo na sala da casa dos meus pais em Campinas. Nunca tinha visto novamente esse jogo. Enquanto a necessária quarentena perdura, seguimos com os jogos de antigamente e suas lembranças.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Bundesliga retoma treinos com autorização, mesmo sem saber sobre retorno do campeonato e com país em quarentena

Gustavo Hofman
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Bayern voltou aos treinos nesta segunda
Bayern voltou aos treinos nesta segunda Bayern

Entre os países mais afetados pelo coronavírus, a Alemanha tem sido uma das mais eficientes no combate à pandemia. Até esta segunda-feira, eram 103375 casos, com 1810 óbitos - taxa de mortalidade bem inferior ao de outras nações europeias como Itália e Espanha. Diante desse cenário e com aprovação das autoridades, a maioria dos clubes da Bundesliga voltou ao treinos. As exceções são Freiburg e Werder Bremen.

Todas equipes que retomaram as atividades seguem as recomendações de distanciamento social, por isso os treinos têm sido limitados e em pequenos grupos. A atitude alemã desperta muita curiosidade e atenção de todo continente. Afinal, quando a temporada continental for retomada, representantes da Bundesliga podem estar em melhores condições para os desafios em um calendário ainda sem perspectiva.

Obviamente a preocupação maior de todos é com o bem estar de toda população, por isso a notícia pegou muita gente de surpresa. No caso dos clubes, diretamente seus jogadores, funcionários e torcedores. Não pode haver dúvidas sobre prioridades nesse momento. A Alemanha segue com intenso controle da população e em quarentena.

O Bayern lidera a Bundesliga com 55 pontos após 25 jogos. Na semana passada o clube anunciou novo contrato do técnico Hansi Flick, agora efetivado 100%, até a temporada 2022-23. Nesta segunda voltou aos treinos com a novidade Robert Lewandowski, seis semanas após a lesão sofrida no joelho esquerdo. Nas imagens divulgadas pelo clubes em suas redes sociais, era possível perceber o distanciamento entre os atletas, em número bem reduzido.

Na sequência da tabela aparecem Borussia Dortmund com 51 pontos, RB Leipzig com 50 e Borussia Mönchengladbach com seis a menos que os bávaros. Há nova reunião planejada para 30 de abril e o planejamento da Bundesliga é tentar a retomada da competição em meados de maio.

Na Champions, o RB Leipzig está classificado para as quartas de final, enquanto o Bayern está virtualmente com a vaga após vencer o Chelsea, em Londres, por 3 a 0. Pela Europa League, Eintracht Frankfurt, Bayer Leverkusen e Wolfsburg ainda brigam pela classificação às quartas. Continentalmente, porém, a situação é muito mais complicada do que internamente na Alemanha, o que vai gerar um atraso maior e necessário.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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Encerrar campeonatos é uma realidade que as ligas precisarão encarar

Gustavo Hofman
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Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, durante evento na sede da entidade
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, durante evento na sede da entidade Getty

O momento é de total indefinição. O retorno do esporte mundial não está nas mãos das autoridades esportivas. Não serão dirigentes espalhados pelo mundo que decidirão o que vai acontecer com as modalidades e seus respectivos campeonatos, e sim os especialistas em saúde.

Confederações e Federações precisam trabalhar com planejamento. Ou seja, ter em mãos planos A, B, C, D... Na prática, porém, ninguém sabe quando a vida esportiva será retomada por causa da pandemia de coronavírus.

Nesta semana, o Conselho Administrativo da liga belga decidiu encerrar o campeonato com a atual classificação. O Brugge foi declarado campeão, mas o comunicado não entrou em detalhes sobre rebaixamento, por exemplo. A decisão ainda precisa ser ratificada pelos clubes em reunião no próximo dia 15.

Esse foi o primeiro passo dado pelas entidades que regulam o futebol na Europa nesse sentido. A Jupiler Pro League entendeu que não haverá formas de terminar a atual temporada, sem impactar o início da próxima. Como o Brugge tem 15 pontos de vantagem sobre o Gent, com uma rodada para terminar a fase de classificação antes dos playoffs (seis primeiros avançariam), a decisão foi facilitada. Sobre o descenso e briga por vagas continentais, certamente haverá muita discussão.

"Estamos confiantes que o futebol poderá recomeçar nos próximos meses, nas condições ditadas pelas autoridades públicas, e acreditamos que qualquer decisão de abandonar as competições domésticas é, nesse momento, prematura e sem justificativa", afirmou recentemente Aleksander Ceferin, presidente da Uefa.

Ele não está errado. Talvez os belgas realmente tenham se precipitado, mas essa é uma realidade que todas as ligas precisarão encarar, mais cedo ou mais tarde, diante do cenário à frente. A Jupiler Pro League optou, como planejamento, focar todos os esforços na realização plena da próxima temporada - ainda com a necessidade de encerrar a Copa da Bélgica, cuja final será entre Brugge e Antuérpia. Muitas ligas, se optarem por prorrogar ao máximo essa tomada de decisão, podem ficar em uma encruzilhada de datas.

A Premier League tem promovido reuniões - remotas - com seus afiliados para buscarem o melhor caminho. Diferentemente do Campeonato Belga, na Inglaterra não há fase final, o que colaboraria para um eventual encerramento da temporada. Porém, como já colocado acima, há muitas outras questões esportivas para serem decididas e financeiras também. Um grande temor dos clubes ingleses é ter que devolver enorme quantia de dinheiro pelos direitos das partidas que não serão transmitidas.

Obviamente, terminar um campeonato sem as últimas rodadas jamais será bom. Porém, é necessário entender, também, a excepcionalidade do momento que vivemos. E momentos excepcionais exigem atitudes excepcionais. Em algum momento, todos terão que ceder e, certamente, nem todos ficarão satisfeitos com o capítulo final. 

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Encerrar campeonatos é uma realidade que as ligas precisarão encarar

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Uma noite nicaraguense de futebol via YouTube

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Campeonato Nicaraguense tem transmissão oficial no YouTube
Campeonato Nicaraguense tem transmissão oficial no YouTube Divulgação

Em meio à pandemia do coronavírus, o esporte mundial está paralisado. Poucos campeonatos de futebol seguem em atividade, como o Bielorrusso, já retratado aqui no blog. Outro que permanece com a bola rolando é o glorioso Nicaraguense, que teve a 13ª rodada do Clausura disputada nesta quarta-feira à noite. Com transmissão ao vivo via YouTube.

Apaixonados pelo esporte bretão, carentes pelo mundo, tiveram a oportunidade de acompanhar as cinco partidas. Eu, particularmente, assisti o empate em 1 a 1 entre Monagua e Real Estelí - líder e vice-líder da Liga Primera.

O nível técnico, obviamente, é muito baixo. Trata-se de uma liga fraca até mesmo para os padrões da Concacaf. A Nicarágua teve apenas cinco casos de coronavírus confirmados até agora, com uma morte e sem transmissão comunitária. Diante desse cenário, o governo de Daniel Ortega, contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde, mantém o país funcionando normalmente, sem isolamento social.

Beisebol, boxe e futebol são os três esportes mais populares da Nicarágua, e todos seguem em atividade. A Federação Nicaraguense, que controla as competições da segunda divisão para baixo e a base, já paralisou tudo. A Liga Primera é independente e optou por continuar.

O empate entre Managua e Real Estelí foi divertido, mas os visitantes mereciam sorte melhor. Criaram mais chances, finalizaram bem mais e pressionaram bastante nos últimos dez minutos. Os clubes venceram as últimas edições: Apertura 2018, Managua, e Clausura e Apertura 2019, Real Estelí - calendário europeu.

Foi curioso, também, acompanhar a reação dos muitos brasileiros que também assistiram à transmissão. Reproduzo abaixo algumas das mais variadas mensagens no chat que rolava ao vivo. Se não for paralisado, o Campeonato Nicaraguense terá a 14ª rodada do Clausura disputada no próximo final de semana.

Matheus Henrique Egidio Gomes
prorrogação não tem ?

Felipe Eduardo Stein
preferia não ter visto futebol kkkk

afael Ribeiro
Parece final de copa do mundo pro narrador

Mateus Pereira
Tanto tempo sem futebol que esqueci as regras, são dois tempos de 90 min né? e a live só caiu né?

Eduardo Luiz
tem outro ?

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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O futebol terá que reajustar seus valores

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Futebol mundial está paralisado pela pandemia de coronavírus
Futebol mundial está paralisado pela pandemia de coronavírus Getty Images - Montagem

A redução provisória em 70% dos salários dos jogadores do Barcelona chamou a atenção nesta semana. Em meio à pandemia de coronavírus, a atitude anunciada por Lionel Messi e depois compartilhada pelos companheiros foi uma das mais audaciosas na tentativa de reduzir os custos do futebol diante da inevitável recessão da economia global.

Antes, outros grandes clubes já haviam feito o mesmo, com valores diferentes - casos de Bayern Munique, Juventus, entre outros. A Premier League ainda discute a melhor forma de agir, assim como no futebol brasileiro muitas discussões estão acontecendo.

A realidade de grandes clubes e seus jogadores com salários milionários não pode ser tomada como regra. Não se deve exigir o mesmo tipo de atitude da maioria de agremiações e atletas em realidade financeira bem distinta, sem a mesma capacidade de arrecadação. Por isso é necessário um Estado forte e atuante, ou no caso da análise esportiva, uma Confederação forte e atuante, com preocupação nos menos abastecidos - respeitando, sempre, a ciência e a saúde da população.

A Federação Espanhola já mostrou o caminho, ao apresentar diversas medidas para proteger os trabalhadores do futebol nesse duro e necessário período de quarentena. Ainda são aguardadas ações da CBF nesse sentido. Recentemente, em 17 de março, a entidade anunciou receita total de R$ 957 milhões em 2019 e superávit de R$ 190 milhões, aumento de 265% em relação ao ano anterior.

É necessário encarar o presente de maneira séria e responsável. A paralisação do esporte mundial, sem qualquer previsão realista de retorno, trará impactos enormes, tanto esportivos como econômicos. Não sabemos, sequer, se as atuais temporadas europeias terminarão. E tem que ser assim, porque o mais importante é salvar vidas.

Muito além das negociações de redução de salários ou ajuda extraordinária dos órgãos competentes, há o cenário pós-pandemia.

Nos últimos dias, Carlo Ancelotti, técnico do Everton, e Uli Hoeness, ex-presidente do Bayern, já falaram sobre drástica redução nos montantes de transferências de jogadores. Nesta segunda-feira, o CIES Football Observatory publicou um estudo em que estima diminuição em 28% nos valores de negociações nas cinco grandes ligas europeias.

Um exemplo demonstrado foi Paul Pogba, que teria seu valor de mercado reduzido de 65 milhões de euros para 35 milhões. Vale ressaltar que o CIES trabalha com estimativas sobre "valores de mercado" de atletas, a partir de um algoritmo próprio.

Fato é que o mercado de futebol não passará impune por esse período difícil da civilização. Para citar ainda as cinco grandes ligas, Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França, em estágios diferentes, enfrentarão difíceis situações econômicas após a pandemia de coronavírus.

Houve, nos últimos anos, um superaquecimento no mercado de transferências, com a barreira dos 100 milhões de euros sendo quebrada e regularmente superada. Valores estratosféricos! Esse mundo, parafraseando o biólogo e pesquisador Átila Iamarino, não existe mais. Ao menos no curto prazo.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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O futebol terá que reajustar seus valores

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Por que o campeonato de Belarus ainda não parou?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman
Torcedor vê jogo em Belarus durante pandemia do coronavírus
Torcedor vê jogo em Belarus durante pandemia do coronavírus Getty

A Europa segue na luta contra o coronavírus, e por conta disso todos os principais campeonatos nacionais e continentais corretamente pararam, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Belarus segue na contramão.

Neste final de semana aconteceu a segunda rodada do Campeonato Bielorrusso. No país, a temporada segue o calendário anual, ou seja, começa e termina no mesmo ano, diferentemente da maior parte do continente. 

Nos oito jogos realizados entre sexta e domingo, 8.958 torcedores compareceram às arquibancadas, que seguem abertas. Houve um mínimo controle de temperatura das pessoas na entrada e algumas usaram máscaras. O maior público (2.150) esteve presente no estádio Junatsva, em Mozyr, interior do país, na vitória do Slavia sobre o gigante nacional BATE Borisov - segunda derrota da equipe.

Belarus teve, até este final de semana, segundo dados oficiais da mesma OMS, apenas 94 casos de pessoas infectadas por coronavírus e nenhuma morte. Esse cenário, contestado por jornalistas independentes, serve de escudo para o presidente do país, Alexander Lukashenko, se posicionar de maneira polêmica.

No cargo desde julho de 1994, ele já afirmou que a pandemia poderia ser combatida com vodka e banhos de sauna seca, além de classificar a situação atual como psicose. Com seu apoio, a federação bielorrussa de futebol manteve a abertura da Vysshaya Liga e não pensa em parar por enquanto.

"É uma grande surpresa para todos nós em Moscou assistirmos o Campeonato de Belarus. Na TV, jornalistas tentam analisar as partidas e ninguém conhece os jogadores, mesmo aqui na Rússia. É um pouco estranho, mas a principal razão de tudo isso é o presidente do país, Lukashenko", afirma o jornalista do site Championat Grigory Telingater. "Com 12 anos escrevendo sobre futebol, nunca tinha escrito sobre o Campeonato Bielorrusso", completou.

Na prática, autoridades do futebol bielorrusso querem lucrar com a situação. Jamais o campeonato nacional teve tanta repercussão como atualmente. Desde que começou, ao menos dez países compraram os direitos de transmissão, entre eles a própria Rússia, além de Israel e Índia. Nesta segunda, Lukashenko participou de uma partida de hóquei sobre o gelo e afirmou que o esporte é um "remédio anti-vírus".

Recentemente, um dos maiores ídolos na história do futebol bielorrusso, Alexander Hleb, criticou a manutenção do futebol no país. 

Em campo, o Minsk venceu o clássico com o Dínamo Minsk por 3 a 2 e foi a seis pontos, com seis gols marcados e três de saldo. A equipe lidera a competição e está à frente de Energetik-BGU, Isloch Minsk e Torpedo BelAZ, todos com 100% de aproveitamento também, nos critérios de desempate. O Dínamo Brest, atual campeão, venceu seu primeiro jogo ao fazer 1 a 0 no Slutsk, fora de casa.

Fonte: Gustavo Hofman, em casa

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