A Seleção Brasileira continua forte sem Neymar?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Neymar será desfalque da Seleção nos jogos contra Rússia e Alemanha em março
Neymar será desfalque da Seleção nos jogos contra Rússia e Alemanha em março Getty

Qualquer time do mundo que perder seu melhor jogador vai se enfraquecer. Individualmente, perde talento e um atleta capaz de decidir jogos. Muitas equipes, porém, são capazes de transformar a adversidade em força coletiva. Para isso acontecer, é necessário já haver um sistema de jogo bem implantado e outros jogadores com potencial para vencer e fazer a difererença nos jogos grandes. A Seleção Brasileira se enquadra nesse cenário.

Com a chegada de Tite, o Brasil passou a ter organização tática. Em sua primeira coletiva como treinador da Seleção, prometeu "triangulações, troca de passes e infiltrações" e cumpriu. Garantiu que o time quando perdesse a bola teria "iniciativa em pressão alta, média ou baixa" e é isso que acontece. A Seleção hoje é um time forte, com uma grande estrela.


Sem Neymar, a Seleção com Tite venceu três jogos e perdeu um; Com ele foram dez triunfos e três empates. Sem ele, porém, não é difícil montar o time. Willian retorna à formação titular e desloca Philippe Coutinho para o lado esquerdo, justamente na função do atacante do Paris Saint-Germain. Desta forma o 4-1-4-1 é mantido, assim como o padrão de jogo.

O meia do Chelsea vive grande momento na carreira e merece a titularidade. Além da enorme perda que existe com a ausência de Neymar, Tite perde bastante na variação tátida para o 4-2-3-1. Willian era o jogador que dava isso ao treinador, com a ida de Renato Augusto para o banco de reservas. Assim, Coutinho seria o meia por dentro, com Neymar aberto na esquerda. Agora, se esse esquema for testado contra Rússia e Alemanha em 23 e 27 de março, respectivamente, Diego pode até ganhar alguma chance.

Uma opção para a manutenção do 4-1-4-1 seria utilizar Roberto Firmino aberto pela esquerda. O jogador do Liverpool já atuou dessa maneira no Liverpool em diversas ocasiões, mas sem dúvida alguma rende muito mais como atacante centralizado - a atual temporada é prova absoluta disso. Mais alternativas: Taison, que vem sendo costumeiramente chamado, ou Douglas Costa, que pode ser chamado na vaga de Neymar para os jogos contra russos e alemães.

Ao menos para a Copa do Mundo Neymar não será problema. De qualquer modo, ele pode ser desfalque por cartão ou mesmo uma nova lesão. Por isso a preparação sem o craque do time precisa existir também.

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Estilo de jogo, posicionamento, características: conheça Ángelo Araos, novo reforço corintiano

Gustavo Hofman
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Ángelo Araos em ação contra o Vasco da Gama em março, pela Libertadores
Ángelo Araos em ação contra o Vasco da Gama em março, pela Libertadores Getty Images

O Corinthians acertou neste final de semana a contratação de Ángelo Araos, meio-campista de 21 anos, que estava na Univerdidad de Chile. Mais um reforço, para um clube que perdeu muitos jogadores nas últimas semanas e tem compromissos importantes pela frente na temporada.

Considerado uma das grandes revelações do futebol chileno, Araos chega sem grandes expectativas a São Paulo, mas já com a necessidade de ajudar a evolução do time comandado por Osmar Loss.

Movimentação e posicionamento

Mapa de movimentação e ações com bola do meio-campista Ángelo Araos
Mapa de movimentação e ações com bola do meio-campista Ángelo Araos ESPN Trumedia

Trata-se de um meio-campista destro, com qualidade para atuar em todas funções ofensivas no setor. Seu mapa de ações com bola nesta temporada mostra um atleta atuando aberto pela esquerda, majoritariamente. No entanto, Araos nos últimos jogos da Universidad de Chile era um dos meias centrais.

No 4-3-3 da equipe chilena, ele atuava pela direita ou pela esquerda na faixa central, à frente de Felipe Seymour e ao lado de Gustavo Lorenzetti. Sempre com muita liberdade para avançar e finalizar de fora da área. Possui bom porte físico, ajuda bastante na marcação e tem boa capacidade de desarme, como os dados mais abaixo comprovam o que é possível verificar na prática.

Taticamente, às vezes se empolgava demais na fase defensiva, subindo a marcação e deixando espaço nas costas, entre as linhas defensivas no esquema desenhado pelo técnico argentino Frank Kudelka. Ofensivamente, é um atleta que não tem a velocidade como ponto forte, e sim o controle do ritmo do jogo com seus passes.

Carreira e estatísticas

Estreou no profissional do Deportes Antofagasta no Torneo Apertura de 2015. No ano seguinte foi peça regular da equipe, tendo atuado em 25 jogos pelo Clausura e pelo Apertura, com dois gols marcados. Já em 2017, mesmo ano em que jogou o Sul-Americano sub-20 com a seleção chilena, Araos se tornou fundamental no time e atuou em todas partidas na campanha do Antofagasta no Torneo Transición, que culminou com a sétima posição.

Em janeiro de 2018, a Universidad de Chile desembolsou US$ 800 mil por metade de seus direitos federativos. Dois meses depois, estreia na Libertadores, e apesar da fraca campanha de La U, lanterna no Grupo E, suas atuações chamaram a atenção dos analistas corintianos. Araos, inclusive, marcou o gol da vitória no 1 a 0 contra o Vasco, logo na primeira rodada.

O talento do meio-campista, cuja real altura não é certa (no site do clube chileno aparece com 1m70, enquanto em outros 1m74 e  1m82), fez com que Reinaldo Rueda o convocasse para três amistosos com a seleção do Chile, diante de Romênia, Sérvia e Polônia neste ano. Diante dos poloneses, em 8 de junho, estreou com a camisa da Roja.

Na temporada 2018, somando as competições chilenas e a Libertadores (24 jogos no total), Araos participou de 1137 ações com bola, teve aproveitamento de 80.9% nos passes (586 certos de 724 tentados) e recebeu outros 660, além de conseguir 26 finalizações (17 certas e seis gols), 83 jogadas de 1x1 e 39 dribles (aproveitamento de 47%). Perdeu a posse de bola 61 vezes nesse período, cometeu 50 faltas, mas sofreu 52, teve 42 desarmes, 16 jogadas aéreas vencidas (aproveitamento de 43.2%) e nove interceptações.

Análise chilena, por Rodrigo Bernal, jornalista do Girovisual Sports TV

Esta será a terceira camisa que vestirá o jovem talento de 21 anos, Ángelo Araos. Volante misto com técnica invejável, capacidae de marcar gols e grande disparo de média distância.

Outra das grandes virtudes que tem Araos é que não lhe incomoda jogador em distintas posições do meio-campo até o ataque. Ele sempre consegue chegar ao gol com um passe ou diretamente para o gol e isso o torna diferente de seus pares, porque não se esquiva de ninguém para lutar pela titularidade em sua equipe e já demonstrou isso.

Eu o associo muito com a carreira de Charles Aránguiz (ex-jogador do Internacional), que também começou em uma equipe menor e aos poucos, com base em seu talento, foi demonstrando sua qualidade. Ángelo Araos será o talento que o Corinthians estava buscando.

Agora, corintiano

Pelo que já fez, taticamente, Osmar Loss, é possível imaginar Ángelo Araos como um dos meias centrais, avançando até a grande área. Não necessariamente como um meia-atacante, e sim como um verdadeiro meio-campista. Pode fazer também a função de lado de campo, mas rende mais como um jogador centralizado, o que poderia render uma vaga na formação titular ao ao lado do primeiro volante.

De qualquer modo, é um atleta ainda jovem e com pouca experiência internacional, além de pouco tempo jogando em alto nível (já ressaltando as limitações dos campeonatos chilenos). De qualquer modo, como foi colocado mais acima, é um jogador talentoso e, até pela idade e os valores envolvidos, com potencial esportivo e financeiro para o Corinthians.

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No confronto de estilos, a defesa francesa venceu o ataque croata

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)

Não houve surpresas na final. Claro que os seis gols marcados, mesmo número das quatro finais de Copa anteriores juntas, surpreenderam, mas não o roteiro do jogo. Croácia e França mantiveram o mesmo estilo que apresentaram durante toda competição.

Posse de bola (61%), controle do jogo, criatividade e ofensividade do lado croata (15 x 8 nas finalizações). Marcação forte, atuação no erro do adversário, contra-ataque e defensivividade. Na tática, a França começou no 4-3-3, com o auxílio de Mbappé e Griezmann na recomposição defensiva no meio-campo. Já a Croácia jogava na sua variação ofensiva-defensiva de 4-2-3-1 para 4-4-2. Além disso, os croatas tinham mais posse de bola, controlavam o jogo e pressionavam os franceses - tudo dentro do script previsto, pelos estilos dos dois times.

Porém, após falta duvidosa marcada pelo árbitro argentino Néstor Pitana aos 18 minutos, saiu mais um gol de bola parada na Copa. Griezmann cruzou e Mandzukic, com um leve desvio, fez 1 a 0 para os franceses. Os croatas não se abalaram e reagiram dez minutos depois, em outro lance de bola parada. Jogada ensaiada pelo time de Zlatko Dalic, que fez a bola sobrar para Perisic, na entrada da área, cortar Kanté e marcar um belo gol.

Polêmicas não faltavam! Aos 38, após escanteio, Perisic cortou cruzamento com a mão depois de mínimo desvio de Matuidi. VAR utilizado, pênalti marcado (interpretação aberta a todos), Griezmann bateu e tirou Subasic da foto.

No segundo tempo, a Croácia manteve o controle total do jogo, pressionando, criando oportunidades e dando mais espaço para a França também. Em contra-ataque aos 14 minutos, Mbappé criou a jogada, Griezmann ajeitou para Pogba, que precisou finalizar duas vezes - mais do que o time francês em todo primeiro tempo - para marcar o terceiro gol. Aí sim os croatas sentiram o baque. Não demorou para os franceses marcarem o quarto gol após belo lance de Lucas Hernandéz, que tocou para Mbappé definir o título. Ao menos era o que parecia, até Hugo Lloris entregar o segundo gol croata a Mandzukic.

A partir daí, mais uma vez vimos uma equipe croata se entregar ao máximo em campo. Lutou com todas as forças possíveis e o restante de energia que havia. Luka Modric, melhor jogador da Copa, comandou seus companheiros. Não foi o suficiente, diante do pragmatismo francês.

Haverá muita discussão nos próximos dias sobre a diferença de estilos apresentada na final da Copa e a eficiência de cada um. Defenderei, sempre, todas as formas de se jogar futebol. Não há um único jeito de montar um time, muito menos ideias certas ou erradas. Há opções, que cada treinador pode tomar, de acordo com as próprias preferências.

Em uma Copa do Mundo marcada pelo jogo coletivo acima das individualidades, gostei mais da Croácia do que da França, mas o futebol não premia gostos pessoais.

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Um estádio com 4,5 milhões de croatas: assim estará o Luzhniki na final

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)

"Não é um jogo apenas para 13, 14 jogadores, nosso técnico, a comissão técnica, e sim para cada um dos 4,5 milhões de croatas. É um orgulho muito grande. Se houvesse um estádio com capacidade para 4,5 milhões de pessoas, todos os croatas estariam nele para assistir a final da Copa".

A frase de Ivan Rakitic ajuda a entender o significado desse jogo para uma nação marcada por guerras, conflitos e também pelo futebol.

Em seis de maio de 1990, na votação do segundo turno das eleições croatas, a União Democrática Croata, partido nacionalista, teve a maioria dos votos, mesmo com a oposição de Slobodan Milosevic. A tensão no país era alta, e sete dias depois o Dinamo Zagreb recebeu o histórico rival de Belgrado, Estrela Vermelha, pelo Campeonato Iugoslavo no estádio Maksimir.

Nas ruas da capital croata, as torcidas organizadas do clube já brigavam. De um lado a Bad Blue Boys, do Dinamo, e do outro a Delije, movimento do Estrela Vermelha liderado por Zeljko Raznatovic, mais conhecido como Arkan. Dentro do estádio, cantos de "Zagreb é Sérvia" acirraram ainda mais os ânimos e o jogo se transformou em uma batalha campal.

A polícia iugoslava foi acusada de agir apenas contra os croatas, permitindo a ação dos cerca de 3 mil sérvios que viajaram para apoiar o Estrela Vermelha. Uma cena se tornou marcante: em meio à confusão, Zvonimir Boban atacou um policial e se tornou um símbolo da resistência nacionalista. Posteriormente, descobriram que o oficial atingido era bósnio. Dezenas de pessoas foram presas e ficaram feridas.

Estádio Luzhniki, sede da final da Copa da Rússia
Estádio Luzhniki, sede da final da Copa da Rússia Getty

O episódio foi um marco no processo que culminou com a independência da Croácia no ano seguinte, mas ainda em 1990, em 17 de outubro, a seleção do país foi formada pela primeira vez. Entrou no mesmo Maksimir para enfrentar os Estados Unidos e venceu por 2 a 1 diante de mais de 30 mil pessoas. Na prática, o futebol foi peça importante na formação do atual estado croata.


Vinte e sete anos depois, em plena Copa do Mundo, a política mais uma vez esteve presente no futebol. Após a classificação às semifinais, ainda no vestiário, Domagoj Vida cantou músicas saudando a Ucrânia e denegrindo a Sérvia. Contra a Inglaterra, o zagueiro do Besiktas, que atuou por cinco anos do Dynamo Kiev, foi vaiado do início ao fim. Posteriormente, pediu desculpas, mas o cenário mais provável no Luzhniki neste domingo tem os franceses com o apoio dos russos nas arquibancadas.

Por isso a frase de Ivan Rakitic, sobre a relação com o tenista sérvio Novak Djokovic, que declarou torcida à Croácia e foi chamado de idiota por um deputado em seu país, é tão importante: "Eu torço por ele em Wimbledon. Espero que tenhamos um grande dia no domingo. Somos seres humanos, precisamos deixar a história para trás. Se ele vencer, celebraremos por ele".

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A relação linguística, literária e futebolística entre franceses, russos e uma final de Copa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)

Muito já se falou e foi explicado sobre a intensa relação da seleção francesa com a história da França e o colonialismo. Afinal, 19 dos 23 jogadores presentes na Rússia são filhos de imigrantes. Pouco se comentou, porém, sobre o histórico relacionamento entre franceses e russos.

Entre os séculos XVII e XIX, a língua francesa era a preferida entre os aristocratas da Rússia. Pedro, o Grande, que governou o país entre 1682 e 1725, queria aproxima a nação do resto do continente. Assim, obrigou os nobres a fazerem a barba, usarem roupas europeias e mandou muitos para estudar na França. Com Catarina II, o período de influência cultural francesa permaneceu em território russo e ganhou força na literatura.

Com a nobreza russa usando o francês como língua primordial, os grandes autores russos reproduziram esse cenário em grande obras literárias. Fyodor Dostoiévski, por exemplo, fez questão de utilizar termos e expressões em francês em muitos de seus livros. Assim aconteceu com outros grandes nomes da literatura russa.

A situação começou a mudar com as Guerras Napoleônicas e a invasão francesa em 1812. Napoleão Bonaparte e o exército francês chegam em Moscou e obrigam o exército russo a recuar. Antes, porém, retiram todos os suprimentos e soltam criminosos das prisões. Com a chegada do inverno russo, em novembro, o exército napolêonico - já sem Napoleão, que fugiu para a França - sofre enormes baixas e é vergonhosamente derrotado pelo Império Russo. Tudo magistralmente relatado em Guerra e Paz, de Liev Tostói.

Torcedor francês em Moscou
Torcedor francês em Moscou Getty

A partir daí, a influência francesa passou a diminuir, e com Aleksandr Puchkin, considerado o maior poeta russo de todos os tempos e pai da literatura moderna russa, a língua russa passou a ser mais valorizada.

Dois séculos depois, a final da Copa do Mundo coloca novamente a França na história da Rússia. Vladimir Putin trata a Copa do Mundo como vitrine de um novo e moderno país para todo o planeta. Nas ruas e nos estádios, jornalistas e torcedores têm encontrado uma população simpática e um país aberto às festividades, e muito provavelmente, os russos torcerão pelos franceses na final do Mundial.

Graças à atitude política de Domagoj Vida, que cantou músicas saudando a Ucrânia e contra a Sérvia no vestiário após a classificação para as semifinais, a Rússia parece disposta a apoiar a França contra a Croácia.

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Muito além da técnica e da tática, os jogadores croatas venceram pelo seu país

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)

Jamais um jogo de futebol pode ser analisado apenas por um aspecto. Tática, técnica, físico e vontade dos jogadores em campo precisam estar lado a lado. Em algumas partidas, porém, o último aspecto se mostra muito mais determinante que os anteriores. Como em uma semifinal de Copa do Mundo, por exemplo.

Nesta quarta-feira, 11 de julho de 2018, os jogadores croatas jogaram por seu país. Estavam bem orientados pelo técnico Zlatko Dalic e possuem muita qualidade técnica, mas foi a entrega deles que fez a diferença para superarem a Inglaterra e todo desgaste físico de três jogos consecutivos com prorrogação.

Uma nação marcada por guerras e conflitos que rendem polêmicas até mesmo neste Mundial. Domagoj Vida foi vaiado durante todo jogo pelos torcedores russos, por conta das canções de saudação à Ucrânia e contra a Sérvia que ele cantou na classificação às semifinais. Para explicar o futebol croata, inevitavelmente falaremos de política e futebol, e faremos muito isso nos próximos dias.

Ivan Perisic foi determinante com um gol e uma assistência. Mario Mandzukic foi decisivo com o gol que levou à final. O próprio Vida foi muito forte ao jogar contra os ingleses e praticamente todo estádio. Mas não há personagem maior do que Luka Modric: foi espetacular em todos os sentidos possíveis de um jogo de futebol.

Agora a Croácia terá a chance de vingar a geração de 1998. Naquela semifinal em Paris, Davor Suker, hoje presidente da federação croata, abriu o placar, mas viu Lilian Thuram marcar duas vezes e classificar os franceses para a decisão, liderados pelo capitão Didier Deschamps. Essa foi a única derrota croata em Copas para um adversário europeu (cinco vitórias e dois empates também).

Agora, os outros aspectos do jogo analisado.

Taticamente, as duas equipes começaram a partida da mesma foram que atuaram durante toda competição. A Croácia na tradicional variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2 nas fases ofensiva e defensiva, respectivamente, enquanto a Inglaterra variou do 3-5-2 para o 5-3-2.

Os ingleses enttraram em campo já vibrando com os torcedores, e conseguiram transformar essa empolgação em um bom íncio de jogo. Tanto é que, logo aos cinco minutos, em bela cobrança de falta, Trippier fez 1 a 0 para a Inglaterra. 

A equipe de Gareth Southgate passou a jogar, então, muito nas bolas longas, procurando principalmente a velocidade de Sterling. Do outro lado, os croatas erravam muitos passes e conseguiam criar fracas chances apenas em cruzamentos.

A partir de 30 minutos, porém, o jogo esquentou novamente. Em bela troca de passes, Dele Alli colocou Kane cara a cara com Subasic, que levou a melhor no primeiro lance. No rebote, o atacante do Tottenham mandou a bola na trave. Já no ataque seguinte, foi a vez da Croácia criar, mais uma vez com o lateral Vrsaljko. Na prática, foi um primeiro tempo equilibrado, mas com as melhores chances do lado inglês.

Mandzukic comemora gol da Croácia
Mandzukic comemora gol da Croácia Getty Images

Na segunda etapa, precisando do resultado, os croatas voltaram pressionando. Luka Modric comandava o meio-campo e aos poucos as oportunidades foram aparecendo. E finalmente, aos 13 minutos, Perisic se antecipou a Trippier e Walker para aproveitar o crruzamento certo de Vrsaljko. Logo na sequência, o mesmo Perisic teve a chance de fazer o segundo e mandou na trave.

A estratégia de Southgate foi tirar Sterling do campo e colocar Rashford, e os ingleses melhoraram. Voltaram a ter velocidade e, no caso, maior precisão com o jogador do Manchester United. Mesmo assim, a Croácia terminou melhor e a partida seguiu para a prorrogação, a terceira consecutiva no Mundial para os croatas.

Somente aos quatro minutos do tempo extra, Zlatko Dalic fez a primeira mudança no time, ao tirar o extenuado Strinic para a entrada de Pivaric. Southgate respondeu sacando Henderson e colocando Dier. Pouco depois, Stones só não marcou de cabeça na sequência porque Vrsaljko salvou em cima da linha.

Com os ingleses melhores, a troca foi no ataque da seleção do Leste Europeu: Kramaric entrou, Rebic saiu. Empolgada e extenuada, a Croácia acreditou, foi para cima e Mandzukic, após toque de cabeça de Perisic, venceu Pickford aos quatro minutos do segundo tempo extra. Mais alterações dos dois lados e a classificação histórica, inédita e emocionante.

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Nos últimos 20 anos, nenhum país esteve em mais finais de Copa do que a França

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Petersburgo (RUS)

Mais uma vez sem ser brilhante, a França venceu. Pergunto, porém, qual time brilhou nesta Copa? Não foram os belgas contra os brasileiros, nem os croatas diante dos russos e os ingleses contra os colombianos, para citarmos os semifinalistas. Os franceses, porém, estão jogando exatamente o que se esperava deles.

Com um técnico muito contestado, Les Bleus chegaram ao Mundial no grupo de favoritos, mas com a pecha de "não jogarem bem". Pois não "jogaram bem" até agora e vão decidir o título. Porque têm um meio-campo muito equilibrado, uma boa linha de defesa e um ataque com um bom centroavante, um excelente atacante e um fora de série.

Desde que foi campeã mundial em 1998, nenhum país chegou mais na final da Copa do que a França, classificada pela terceira vez em 20 anos.

Roberto Martínez armou a Bélgica defensivamente no 4-1-4-1, com Chadli na direita e Vertonghen na esqueda da linha defensiva, que tinha Dembélé à frente. A segunda linha era composta por De Bruyne, Witsel, Fellaini e Hazard, com Lukaku atuando como referência no ataque. Quando atacaca, os três zagueiros esperavam, liberando Chadli e Hazard pelas alas e tendo De Bruyne e Fellaini como meias avançados.

Já a França manteve seu padrão tático do 4-3-3 nas fases ofensiva e defensiva - nesta última, com Mbappé e Griezmann ajudando na recomposição do meio-campo.

A partida começou com uma arrancada incrível de Mbappé pela direita, mas esta acabou sendo a melhor jogada do atacante na primeira etapa. Depois os belgas controlaram o jogo, tendo bem mais posse de bola e criando as melhores oportunidades mesmo finalizando menos, além de serem pouco ameaçados - Lloris foi um personagem importante. Nos últimos dez minutos, a França conseguiu avançar e também obrigou Courtois a fazer pelo menos uma grande defesa, em chute cruzado de Pavard.

No retorno do segundo tempo, a Bélgica começou em cima e teve duas rápidas chances, mas em uma cobrança de escanteio aos seis minutos, Umtiti se antecipou a Fellaini na primeira trave e abriu o placar. A partir daí, os belgas aumentaram ainda mais a posse de bola e o volume de jogo, só que cresceram o número de cruzamentos na área também - e sem efetividade.

Umtiti fez o gol da vitória da França
Umtiti fez o gol da vitória da França Getty Images

Com as entradas de Mertens e Carrasco nos lugares de Dembélé e Fellaini, nos minutos finais os belgas voltaram a colocar a bola no chão e a pressão se tornou mais real. Hazard assumiu a responsabilidade e driblava todos que apareciam na frente. Quando Didier Deschamps sacou Giroud e colocou N'Zonzi em campo, ficou definido o roteiro final do jogo. Absolutamente extenuada em campo, a Bélgica ainda tentou com os passes de De Bruyne e a entrada de Batshuayi, mas não foi o suficiente.

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Um mergulho nos números, nas estatísticas e nas curiosidades de Bélgica x França

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Petersburgo (RUS)

Em campo deve ser um grande jogo. Do grupo de favoritas ao título, apenas a França sobreviveu, mas se analisarmos o futebol apresentado até agora, a Bélgica é a melhor da competição.

Dois times com estrelas, diversos jogadores nas melhores ligas do planeta e um belíssimo cenário, a majestosa São Petersburgo, para decidir o primeiro finalista da Copa do Mundo de 2018.

Será o 74o jogo entre os países, e se engana quem imagina vantagem francesa. Os belgas venceram 30 vezes, perderam 24 e houve 19 empates, mas em Mundiais, domínio bleu com triunfos nos dois encontros (oitavas de final em 1938 e disputa de terceiro lugar em 1986). Não há adversário, em toda história, mais enfrentado pela França

Será a sexta semifinal francesa, primeira desde 2006, enquanto os belgas alcançam esta fase apenas pela segunda vez na história. Aliás, a França sempre chega na penúltima fase da Copa desde 1982 em todo torneio disputado em território europeu. Enquanto os franceses têm um título e um vice, os belgas jamais alcançaram a decisão e têm no currículo apenas uma final: Eurocopa de 1980, vice-campeã.

A campanha atual, porém, empolga os Red Devils, que estão invictos há 24 jogos, maior sequência da atualidade ao lado da Espanha (eliminada pela Rússia com um empate). É também o 11o time em Copas a vencer cinco partidas consecutivas e busca ser o quinto com seis. Tem o segundo melhor ataque da história chegando nas semifinais, com 14, atrás apenas do Brasil com 15 em 2002.



O domínio do Velho Continente nesta Copa não é inédito, já que nas edições de 1934, 66, 82 e 2006 apenas seleções da Europa chegaram nas semis. Nos últimos anos, quem elimina a França se dá muito bem, e não apenas em Mundiais: Portugal, Alemanha, Espanha, Itália e Grécia em Euro 2016, Copa 2014, Euro 2012, Copa 2006 e Euro 2004, respectivamente, despacharam os franceses e ficaram com o título.

Individualmente também há marcas interessantes em campo. Kylian Mbappé, com três gols, já é o terceiro maior artilheiro de Copas com menos de 20 anos. Já Romelu Lukaku precisa apenas de um tento para se isolar como recordista belga em Mundiais - está empatado com Marc Wilmots, ambos com cinco.

Entre os técnicos, Didier Deschamps vai para seu 11o jogo à frente da França, recorde absoluto para o país em Copas. Roberto Martínez busca ser o primeiro treinador estrangeiro a chegar na final desde o austríaco Ernst Happel, com a Holanda em 1978. Nunca um "gringo" foi campeão.

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Sobre presente e futuro da seleção brasileira, após eliminação para a ótima geração belga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Kazan (RUS)

Creio que as piadinhas sobre a ótima geração belga vão acabar. Deixemos, de qualquer modo, esse assunto para a sequência da Copa do Mundo, afinal, a Bélgica está classificada para as semifinais. Provavelmente, com a melhor seleção do país em todos os tempos - não nos esquecemos de 1986, com Pfaff, Ceulemans, Scifo...

Foi uma derrota dolorosa para o torcedor, por conta da grande quantidade de chances criadas. Foram 26 finalizações brasileiras, contra oito belgas. Gols perdidos, defesas sensacionais do incrível Thibaut Courtois, excelente partida de Romelu Lukaku e Kevin de Bruyne e a queda nas quartas de final.

Um dia antes da estreia contra a Suíça, publiquei texto defendendo a permanência dessa comissão técnica à frente da seleção brasileira, independentemente do resultado no Mundial. Não mudei de opinião.

Tite precisa permanecer no comando e trabalhar durante todo ciclo de 2022. Precisa, também, aprender com os erros cometidos na primeira experiência comandando uma seleção e chegando na Copa. Decisões de convocação, muito contestadas por exemplo. Da minha parte, para ser coerente desde o início, achava que Arthur poderia estar no grupo na vaga de Taison.

A insistência com alguns atletas na formação titular, mesmo com o rendimento baixo - caso de Gabriel Jesus - também precisa ser revista pelo treinador. São apenas sete jogos no máximo em uma Copa, não se trata de campeonato de pontos corridos disputado por meses.

Sobre o jogo especificamente agora:

Na fase ofensiva, a Bélgica segurava os três zagueiros - Alderweireld, Kompany e Vertonghen - no início e usava Meunier e Chadli como alas. Witsel e Fellaini eram os meio-campistas, com total liberdade para De Bruyne atuar como armador da equipe, tendo Lukaku e Hazard como atacantes.

Sem a bola, linha de quatro defensores, com Meunier como lateral-direito e Vertonghen na esquerda. Trinca de meias à frente, com Chadli compondo o setor ao lado de Fellaini e Witsel, este último centralizado. De Bruyne avançava, para pressionar a saída e recuava à medida que a seleção brasileira avançava, deixando apenas Lukaku e Hazard mais à frente.

Com menos de dez minutos, o Brasil já tinha perdido dois gols. Primeiro Thiago Silva, após toque de cabeça de Miranda, em cobrança de escanteio; Depois Paulinho, completamente livre, na marca do pênalti. Nesse mesmo período, foram três finalizações belgas. Na sequência, porém, Fernandinho falhou e marcou contra.

Depois o jogo ficou muito exposto, o que favoreceu demais o contra-ataque belga. A seleção brasileira seguiu criando e desperdiçando as chances, enquanto em uma jogada iniciada com Lukaku na intermediária defensiva, a Bélgica terminou com o segundo gol em belíssima finalização de De Bruyne na entrada da área. Aliás, o posicionamento do craque do Manchester City nas costas de seu companheiro de clube, Fernandinho, foi determinante para a superioridade da Bélgica.

Quando a seleção mudou para o 4-4-2, equilibrou mais as ações da partida, principalmente na marcação por dentro. Para o segundo tempo, Willian saiu e deu lugar a Roberto Firmino, que passou a ser a referência no ataque, ao lado de Neymar. Gabriel Jesus foi para a direita e Coutinho para a esquerda, mas flutuando bastante por dentro e deixando o corredor aberto para Marcelo. Fágner, na prática, virou zagueiro para que tudo isso acontecesse.

Com os belgas sem arriscar, os brasileiros tiveram campo para avançar as linhas e pressionar, mas sem criar grandes chances. Bolas cruzadas rasteiras, reclamações de pênalti e pouca objetividade. Com Douglas Costa na vaga de Gabriel, algo que deveria ter acontecido no intervalo, ao menos o último item foi corrigido.

Só que individualmente, alguns dos principais jogadores brasileiros tiveram uma noite para esquecer em Kazan. Philippe Coutinho, Paulinho e Fernandinho, além de Willian, todos jogaram muito abaixo do potencial de cada um.

Quando Coutinho acertou o cruzamento, Renato Augusto, que entrara pouco antes na vaga de Paulinho, conseguiu finalmente superar Courtois. Logo depois os belgas mudaram para o 5-3-2, com a entrada de Vermaelen no lugar de Chadli. A partir daí, muito volume da equipe brasileira em busca do empate: chances desperdiçadas, mais defesas impressionantes de Courtois e, no final, vitória de um grande time.

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Sobre presente e futuro da seleção brasileira, após eliminação para a ótima geração belga

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O ponto forte dessa seleção brasileira é o sistema defensivo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Samara (RUS)


Em várias oportunidades, sempre que tem a chance Tite fala sobre o sistema defensivo do Brasil. Não sobre a linha de quatro defensores ou o jogador à frente dela, e sim o conjunto brasileiro na fase defensiva marcando no 4-1-4-1 e agora também no 4-4-2. Até o momento na Copa do Mundo, a seleção sofreu apenas quatro finalizações certas e um gol - marcado, na minha opinião, com irregularidade pela Suíça. Se ampliarmos, desde que Tite assumiu foram somente seis gols sofridos.

Não necessariamente isso significa que o time não é pressionado. Um termo muito utlizado por jogadores atualmente, o "saber sofrer", é válido nesse caso. Contra o México mesmo, por exemplo. No início de jogo e na segunda etapa, os mexicanos criaram oportunidades, mas não chegaram a ameaçar claramente o gol defendido por Alisson - oito de 14 finalizações foram bloqueadas e apenas uma chegou ao alvo.

No primeiro tempo, o México conseguiu pressionar a saída de bola do Brasil com muita eficiência. Criou pelo menos duas boas chances nos 20 minutos iniciais e forçou, em alguns lances, o chutão brasileiro. Depois, naturalmente, cansou diante dos 34°C e 26% de umidade relativa do ar em Samara.

Foi quando os brasileiros saíram mais para o jogo e também tiveram chances para marcar. Willian foi mais acionado nos primeiros 45 minutos do que nas três partidas anteriores. Mas a seleção errou demais, tanto nos passes (80.8%, contra 82.9% dos mexicanos no total da partida) como nas finalizações.

No intervalo, Juan Carlos Osorio sacou da equipe sua surpresa inicial, Rafa Márquez, e colocou Miguel Layún em campo. Não mudou o esquema tático, mas alterou peças e funções, invertendo Vela e Lozano - que foram bem demais no primeiro tempo - e colocando Alvarez como meia defensivo e Layún para marcar Neymar.

E foi justamente pela direita da defesa mexicana, que o Brasil abriu o placar. Em bela jogada de Willian, assistência para Neymar. Na sequência, pelo menos dois gols foram perdidos pelo Brasil, que poderia ter rapidamente definido a partida. Não o fez e o México voltou a respirar.

Defesa do Brasil só levou um gol na Copa
Defesa do Brasil só levou um gol na Copa Getty Images

Não chegou a haver blitz mexicana em busca do gol do empate, mas a última parte do jogo, que poderia e deveria ter sido mais tranquila para o Brasil, foi de tensão e muito desgaste. Foi necessária uma arrancada de Neymar aos 43 minutos do segundo tempo, pela esquerda, para tudo acabar com o gol de Roberto Firmino - que demorou muito para entrar. No final das contas, Osorio cumpriu o prometido de disputar a posse de bola: terminou com 54%.

Fágner começou inseguro e depois cresceu demais; Thiago Silva e Miranda foram praticamente perfeito outra vez; Filipe Luís, como sempre, entregou o que se espera dele. Casemiro será desfalque nas quartas, mas com Fernandinho em seu lugar, não há motivo de preocupação. Além disso, a recomposição dos meias centrais e dos extremos (ou Gabriel Jesus) têm funcionado muito bem.

A defesa brasileira segue como o ponto forte do time neste Mundial.

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Encaixe de jogo é principal vantagem do Brasil contra o México, que sonha alto

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Indiscutivelmente o Brasil é o favorito no confronto contra o México. Na teoria, na prática, na comparação entre os jogadores, enfim, em qualquer aspecto do jogo a seleção brasileira é considerada melhor do que a mexicana. Para Juan Carlos Osorio, é o melhor time do mundo. Precisará provar isso em campo nesta segunda-feira.

Desde 1990 o Brasil não fica fora das quartas de final de uma Copa do Mundo, enquanto o México acumula seis eliminações seguidas nas oitavas. Este será o quinto duelo entre as seleções em um Mundial, com ampla vantagem sul-americana: três vitórias e um empate.

A média de posse de bola da equipe comandada por Osorio foi de 51.2%, com 81% de aproveitamento nos passes e somente 12 finalizações certas. Já os comandados de Tite ficaram em média com 61.2% do tempo com a bola e acerto de 86.7% nos passes, além de boa pontaria nas finalizações, com 19 corretas (estatísticas ESPN).

Philippe Coutinho, grande destaque brasileiro até agora, com dois gols e uma assistência, marcou seu primeiro gol pela seleção justamente contra os mexicanos, em junho de 2015. Os sete pontos conquistados pelo Brasil vieram com pouco sofrimento, apenas quatro finalizações certas contra o gol defendido por Alisson, enquanto Guillermo Ochoa já viu 20 certeiras contra sua meta.

Osorio quer levar o México às quartas da Copa do Mundo
Osorio quer levar o México às quartas da Copa do Mundo Getty Images

A evolução do conjunto brasileiro é evidente. Ainda possui defeitos e desequilíbrios, não é um time perfeito, mas em uma Copa tão imprevisível como a atual, aumenta seu favoritimo a cada jogo. Contra a Sérvia foi a melhor atuação brasileira, e o próprio Tite, na coletiva deste domingo, ressaltou que a cobrança será sobre o que apresentaram os jogadores em Moscou. Segundo o treinador, todos tiveram desempenho "muito bom ou bom" individualmente.

Com Fágner e Filipe Luís nas laterais, já que Danilo permanece no banco e Marcelo não está 100% fisicamente, há maior equilíbrio na fase ofensiva. O mapa de movimentação do Brasil nas três primeiras partidas deixa evidente o que todos percebem ao assistir ao vivo essa equipe: jogo forte pela esquerda e falta de apoio pela direita.

Brasil mantém mais a posse de bola e ataca muito pela esquerda
Brasil mantém mais a posse de bola e ataca muito pela esquerda ESPN Trumedia

Juan Carlos Osorio tem uma base ofensiva bem definida, com Héctor Herrera e Andrés Guardado trabalhando por dentro, Hirving Lozano muito bem pela esquerda e Chicharito Hernández como referência na frente. Na direita pode haver alguma novidade, com Miguel Layún sendo recuado, abrindo espaço para Jesús Corona. Na linha de defesa, Osorio fez mudanças nas três partidas, e não terá Héctor Moreno, suspenso.

O treinador colombiano garantiu que, independentemente da estrutura tática e da escalação que definir, vai atacar com cinco jogadores sempre. Não quer abandonar seu estilo, e deixou muito claro isso na coletiva de imprensa. Quer disputar a posse de bola e não abdicar dela.

Nesta Copa, México mostrou mais equilíbrio na fase ofensiva, mas não consegue ter tanta posse de bola
Nesta Copa, México mostrou mais equilíbrio na fase ofensiva, mas não consegue ter tanta posse de bola ESPN Trumedia

Para a imprensa mexicana, o jogo contra o Brasil pode ser um divisor de águas para El Tri. Uma mudança de mentalidade está em curso no país, uma tentativa de deixar de ser apenas um coadjuvante e subir o nível, acreditar mais em si mesmo. Ou então, será apenas mais uma eliminação nas oitavas de final.

O grande problema para os mexicanos é que, entre todos adversários da seleção brasileira nesta Copa, o jogo do Brasil mais se encaixa contra o México do que contra qualquer outro. Diante da Alemanha, os mexicanos não conseguiram manter a ideia de seu treinador, foram muito pressionados. Correrão enorme risco se tentarem, realmente, jogar de igual para igual.

Ousadia para pensar grande, assim como o preço a ser pago por isso. Para o bem e para o mal.

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Enquanto falam do Neymar, quem assume o protagonismo é Philippe Coutinho

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)

Philippe Coutinho foge da marcação de Matic durante partida entre Brasil e Sérvia
Philippe Coutinho foge da marcação de Matic durante partida entre Brasil e Sérvia André Mourão/MoWA Press

Pela terceira vez consecutiva, ou seja, todas nesta Copa do Mundo, Philippe Coutinho foi o melhor jogador do Brasil. Contra a Sérvia, deu uma assistência, acertou 90 de 95 passes tentados, teve duas finalizações, criou mais duas chances de gol e ainda conseguiu dois desarmes.

Neymar esteve muito mais concentrado no jogo e teve boa atuação. Reclamou menos, caiu pouco e jogou mais. Foi forte no um-contra-um (14 vezes, disparado quem mais tentou essa jogada), pediu a bola o tempo todo, não se escondeu e bateu para o gol sete vezes (líder também). Cresce na competição, mas ainda abaixo do pequeno Couto.

No primeiro tempo, o meio-campo funcionou. Casemiro esteve bem e Paulinho apareceu com eficiência e velocidade no ataque. Mais uma vez, Philippe Coutinho roubou a cena. Não apenas pela bela assistência para o companheiro de Barcelona, mas pela movimentação, toques rápidos e precisos e o ritmo que impõe ao jogo. Na prática, ele tem sido o ritmista que Tite tanto queria.


Neymar estava claramente mais concentrado no jogo e não nas reclamações. Ajudou bastante a equipe nos primeiros 45 minutos. Assim como a linha defensiva, como sempre, muito bem organizada e sólida.

O ponto fraco da equipe, não apenas no primeiro tempo e sim no geral, foi Gabriel Jesus, que perdeu pelo menos duas oportunidades. Além, claro, de mais uma lesão: Marcelo sofreu um espasmo na coluna em uma tentativa de arrancada e teve que ser substituído por Filipe Luís, que entrou muito bem na partida.

A volta à segunda etapa, porém, foi abaixo da expectativa. Com os sérvios pressionando mais, o Brasil teve oportunidades no contra-ataque, mas desperdições e passou sufoco nos 15 minutos iniciais, com a Sérvia criando muito pelos dois lados do campo. 


Paulinho saiu para a entrada de Fernandinho, e o Brasil passou a ter uma formação mais defensiva. Graças aos treinos e também um pouco de sorte, logo na primeira jogada após a substituição, em cobrança de escanteio, Thiago Silva ampliou. Se antes do jogo a principal preocupação era a bola parada adversária, foi justamente a bola parada brasileira que definiu a vitória.

A partir daí, apunhalada e ensanguentada, a Sérvia morreu em campo. Não conseguiu mais atacar e ainda escapou de sofrer o terceiro gol. A seleção terminou com 13 finalizações, sendo seis certas, e 56% de posse de bola, com 88% de aproveitamento nos passes (556 certos). É necessário ressaltar também a fortaleza defensiva que foi Thiago Silva. Impecável: duas interceptações, dois bloqueios, um desarme e muito forte nas disputas aéreas.

Por fim, uma atuação soberba de Coutinho. Mais uma, a terceira no Mundial. É disparado o melhor da seleção no torneio. Enquanto todos se preocupam com Neymar e suas atitudes, o meio-campista do Barcelona assume o protagonismo do time.

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O Brasil terá a mesma escalação contra a Sérvia, mas precisa mudar a postura

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)


Havia expectativa de mudança na escalação da seleção brasileira para o jogo decisivo contra a Sérvia, mas Tite e sua comissão técnica optaram pela manutenção do mesmo time das duas primeiras rodadas, com a alteração já feita na lateral-direita por necessidade. O conceito e a formação tática são iguais.

Em campo nesta quarta, porém, a postura do Brasil precisa ser diferente. A começar pelo rendimento do meio-campo. nos últimos textos que publiquei, destaquei as atuações abaixo do potencial de Casemiro e Paulinho. Para essa partida contra os sérvios, eu teria escalado Renato Augusto desde o início e sacado Willian. Tentaria aumentar o equilíbrio do time, com Renato participando mais da construção de jogadas a partir da intermediária defensiva, além de cobrir muito bem o lado esquerdo.

Com isso, Paulinho teria sua principal característica, a chegada forte na grande área, melhor aproveitada, já que é sacrificada parcialmente com a escalação de Coutinho como meia-central. Casemiro acaba sofrendo mais no meio com os dois barcelonistas, já que, por orientação da própria comissão, tenta mais passes entre as linhas e também é mais exigido defensivamente.

Escalação do Brasil para a partida contra a Costa Rica
Escalação do Brasil para a partida contra a Costa Rica Getty Images

Além disso, conversaria com Willian para tê-lo como arma importante para o segundo tempo, contra a Sérvia cansada. Hoje, no banco, a única opção ofensiva de lado de campo, sem improvisação, é Taison. Como não haverá mudança, o atacante do Chelsea será a opção de amplitude pela direita, talvez já com um Fágner mais solto e atacando mais - o que lhe beneficiará nas jogadas contra Aleksandar Kolarov e Adem Ljajic ou Filip Kostic.

Sobre o aspecto anímico da partida, que inclui o equilíbrio emocional, me parece evidente que alguns atletas precisam lidar melhor com a adversidade dentro do campo. Neymar é o melhor exemplo. Brigar com Thiago Silva, mandar o árbitro tomar suco de caju e dar soco na bola ou reclamar veementemente a cada lance frustrado pelo adversário ou pela arbitragem não ajudará a seleção. Miranda, capitão pelo exemplo de postura, precisa ser observado pelos companheiros.

E claro, a bola parada defensiva, treinada exaustivamente nos dois últimos dias pela comissão técnica. Nas duas primeiras rodadas da Copa, a Sérvia cometeu 32 faltas - quinta nessa estatística. Foram 22 finalizações, com apenas seis certas e dois gols anotados - um em cobrança direta de falta, com Kolarov, e outro com Mitrovic, após cruzamento de Tadic. Uma vitória e uma derrota, mas marcada por um pênalti escandaloso não marcado a seu favor.

Contra os costarriquenhos dividiu a posse de bola e teve aproveitamento de 83% nos passes, números que caíram para 42% e 78% respectivamente diante dos suíços. Trata-se de um time muito forte fisicamente e alto. Entre todos 12 jogadores que já foram utilizados como titulares na variação tática do 4-2-3-1 na fase ofensiva e 4-4-2 na defensiva, pelo técnico Mlade Krstajic, os menores são os extremos Ljajic, com 1m82, e Tadic, com 1m81. 

Krstajic, aliás, assumiu o time após as eliminatórias e a demissão do treinador Slavoljub Muslin. Extra-oficialmente, assunto bastante comentado entre os jornalistas sérvios, mandado embora pelo presidente da federação, Slavisa Kokeza, por não dar oportunidades ao jovem e talentoso meio-campista Milinkovic-Savic, da Lazio.

No final da coletiva, Cléber Xavier explicou um pouco mais sobre o estilo de jogo do adversário: "Suíça e Sérvia são equipes equilibradas em defender e atacar, também com características diferentes. A Sérvia joga muito no centro do campo, com dois meio-campistas construtores, tem uma linha de quatro defensiva. Trabalha muito a bola parada e os cruzamentos, chegada melhor do Kolarov, chegada mais atrasada do Ivanovic. Pivô que sustenta e tem muita condição de cabeceio, com o Mitrovic. Não tem jogo trabalhado, nem ligação direta, como a Costa Rica, que se defendeu baixo e explorava. A Sérvia tem uma qualidade enorme".

Será um jogo muito difícil para o Brasil, que é claramente o favorito em todos aspectos do jogo.

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O Brasil precisava vencer e venceu. Com problemas que devem ser corrigidos

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Petersburgo (RUS)

Horas antes do jogo começar, as ruas de São Petersburgo ao redor do Estádio Kretovskiy já estavam tomadas pelos brasileiros. A maior parte da torcida se concentrou em um bar e por lá fez uma festa espetacular. Aguardavam, claro, uma grande atuação do Brasil. Não foi necessariamente o que viram.

A vitória veio, mas com muito sofrimento. Nos primeiros 25 minutos, o Brasil teve 66% de posse de bola, mas muita dificuldade em criar chances de gol. Teve uma única finalização e diversas bolas cruzadas na área, especialmente em cobranças de falta. A Costa Rica entrou em campo com uma única estratégia: marcar com todos jogadores e utilizar a ligação direta na retomada da bola para atacar. Quase marcou o primeiro gol do jogo, mas em uma falha no lado esquerdo da defesa brasileira.

Depois disso o time melhorou, passou a tocar mais a bola e não foi ameaçado. Nos vinte minutos finais da etapa inicial, nenhuma finalização costarriquenha. Mesmo assim, a defesa do adversário prevaleceu.

No intervalo Tite colocou Douglas Costa em campo na vaga de Willian. A postura da equipe mudou completamente, com muito volume e pressão. O  time criou bastante. Gabriel Jesus cabeceou na trave, Gamboa salvou em cima da linha o chute de Philippe Coutinho e a pressão aumentava. Os espaços para os contra-ataques costarriquenhos também.

Roberto Firmino entra no lugar de Paulinho contra a Costa Rica
Roberto Firmino entra no lugar de Paulinho contra a Costa Rica Getty Images

Foi quando aos 23 minutos Tite colocou o Brasil ainda mais no ataque. Paulinho tinha melhorado o rendimento, mas na prática era o segundo atacante do time. Saiu para a entrada de Roberto Firmino. A pressão aumentou, e a Costa Rica abdicou até mesmo de avançar.

Depois do pênalti marcado e anulado em Neymar, um clima absoluto de tensão tomou conta do estádio. O time em campo ficou muito nervoso e parecia que o empate seria o resultado final. Até que Firmino ganhou pelo alto, Gabriel funcionou como pivô na área e Coutinho marcou o merecido gol brasileiro. Depois, Neymar apenas fechou a conta na 23a finalização.

Philippe Coutinho comemora primeiro gol da seleção brasileira na partida
Philippe Coutinho comemora primeiro gol da seleção brasileira na partida Getty Images

Depois de um resultado dramático como esse, é natural que a euforia tome conta de muitos. Tanto jogadores, como torcedores. Cabe à comissão técnica apontar os erros e colocar os pés de todos no chão.

"Bem, com possibilidade de crescer". Essa foi a resposta de Tite quando questionei o rendimento do meio-campo na Copa até agora. Paulinho foi substituído pela segunda vez, por circunstâncias diferentes. Casemiro, contra a Costa Rica, acertou 83 de 97 passes, aproveitamento de 85.6% - no primeiro jogo, com cartão amarelo, foi substituído por Fernandinho. Philippe Coutinho é a exceção positiva, inclusive sendo o melhor do time nas duas partidas.

Sylvinho, que também participou da coletiva de imprensa nesta sexta-feira, foi mais detalhista na resposta sobre a atuação dos meio-campistas. Ressaltou a grande quantidade de vezes que Coutinho terá a bola no pé, a importância de Paulinno na recomposição defensiva e admitiu que Casemiro cometeu equívocos em algumas saídas de bola. Dos três setores o Brasil, o meio-campo é aquele que mais precisa evoluir para a seleção crescer na competição.

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Como enfrentar e vencer a Costa Rica (agora com Fágner)

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de São Petersburgo (RUS)

Nenhuma novidade no time titular: Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro, Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar. É a mesma equipe que venceu a Áustria por 3 a 0 no último amistoso antes da Copa e empatou com a Suíça em seu primeiro jogo na competição.

Diante dos suíços foram 20 finalizações e somente quatro certas, com 52% de posse de bola e 460 passes certos em 521 tentados. Poucas chances oferecidas ao rival e um gol sofrido em uma irregularidade não anotada pela arbitragem. No final do jogo, em pelo menos três oportunidades o Brasil desperdiçou a chance de vitória. Na prática, a atuação da seleção na estreia, contra o adversário mais difícil do grupo, não empolgou, mas não foi ruim.

Seleção treina pensando em enfrentar Costa Rica
Seleção treina pensando em enfrentar Costa Rica André Mourão/MoWaPress

Contra a Costa Rica alguns ajustes precisam ser feito e escrevi sobre isso nesta semana.Também perguntei a Tite na coletiva desta quinta exatamente isso, o que precisaria mudar. "Em todos os jogos temos que ter uma boa atuação e vencer, neste jogo também. Ajustes, ser efetivo. Transformar as oportunidades em gol. Continuar proporcionando poucas oportunidades ao adversário".

Em entrevista que fiz com o treinador no Bola da Vez deste ano, além de conversas informais, Tite disse e entende que para vencer a linha de cinco defensores - base defensiva do 5-4-1 costarriquenho - a seleção precisa trabalhar muito bem com amplitude, paciência e ter a qualidade necessária no passe pelo alto por dentro da defesa. Um exemplo desse tipo de jogada que ele me deu foi o gol de Bernardo Silva na vitória do Manchester City sobre o Chelsea, por 1 a 0, em março: o passe, a pressão na bola, o enfrentamento.

Pontos importantes de mudança coloquei no texto já linkado acima, mas sem querer ser repetitivo, e utilizando o que o treinador falou na coletiva sobre Neymar, reforço: a individualidade dele é sua principal característica e precisa ser utilizada a favor do coletivo. Um esquema tático precisa potencializar as individualidades de um time, mas pegar a bola no último terço do campo e arrastá-la presa ao pé até o meio-campo não é produtivo.

"Todos os atletas têm responsabilidade de serem coletivos e individuais. Alguns com características específicas. Do Neymar, não vou tirar a característica do transgressor, do último terço. Mas serve para os outros. Todos nós temos que potencializar equipe, mas respeitar as características. Último terço? Vai dentro, finta. Característica do futebol brasileiro. Não vou retirar isso".

A explicação de Tite é muito clara e correta. Ninguém vai mandar o Neymar, o Coutinho ou o Willian pararem de driblar. Contra a Costa Rica, o drible será muito importante no um-contra-um nas jogadas de linha de fundo, para quebrar a forte marcação que aguarda a seleção. Dentro do contexto coletivo, jogando com inteligência e aproveitando melhor as oportunidades criadas.

Na fase defensiva, não há muito segredos sobre a forma de jogo do Brasil: pressão alta na saída de bola do adversários, como aconteceu em todos os jogos sob o comando da atual comissão técnica. Temporização, recomposição defensiva e posicionamento diminuindo ao máximo o espaço dos rivais.

Atualização: às 23h21 de São Petersburgo, seis horas à frente de Brasília, a CBF informou que Danilo sentiu uma lesão muscular na região do quadril direito e está fora do jogo contra a Costa Rica. Fágner será o titular. O jogador do Corinthians é inferior ao do Manchester City na marcação, além da força física e da altura. É, porém, superior ofensivamente e pode ajudar muito Willian nas jogadas pela direita. Isso, por outro lado, exigirá de Marcelo maior equilíbrio defensivo. Será a estreia de Fágner em Copa do Mundo, por isso a questão comportamental será muito importante.

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Semana da seleção brasileira tem ajustes necessários e três pontos na conta

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Seleção brasileira realiza treino em Sochi
Seleção brasileira realiza treino em Sochi Pedro Martins / MoWA Press

Passada a estreia, o Brasil já se prepara para o segundo jogo da Copa do Mundo, contra a Costa Rica nesta sexta-feira, em São Petersburgo. A tendência é que Tite mantenha a mesma equipe que começou no empate em 1 a 1 com a Suíça.

Dentro das variações possíveis dentro do esquema tática definido, 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva, a escalação com Philippe Coutinho por dentro é a melhor opção para enfrentar a linha de cinco defensores costarriquenhos. Na derrota para a Sérvia por 1 a 0, o time da América Central atuou no 5-4-1 do início ao fim.

Os ajustes brasileiros estão em outros aspectos do jogo, como emocional. Tite admitiu que o time ficou ansioso na primeira partida e acabou acelerando demais as ações com bola, o que invariavelmente resultava em passes errados ou finalização imprecisa. Tanto é que o Brasil finalizou 20 vezes a gol contra os suíços, mas acertou apenas quatro - aproveitamento de apenas 20%, enquanto os adversários tiveram 6/2.

Trata-se de um grupo com diversos atletas que estrearam em Copas, mas com experiência suficiente em seus clubes para lidarem bem com a sequência da competição. Um exemplo é Casemiro, que não teve boa atuação, foi substituído e é vital na funcionalidade do time. Além disso, atenção constante de todos na bola parada defensiva.

Contra a Costa Rica a seleção brasileira precisa ser equilibrada novamente. Willian não pode ficar completamente isolado e sem ação pela direita, enquanto o fortíssimo lado esquerdo do Brasil domina todas as ações ofensivas. Danilo dá o equilíbrio defensivo necessário para Marcelo avançar, mas Paulinho precisa subir o nível e ser uma opção de tabela com o jogador do Chelsea e também de entrada na grande área.

E claro, Neymar. Contra a Suíça sofreu dez faltas e há duas explicações para isso, como já escrevi no texto anterior. No começo do jogo percebi uma violência a mais sobre ele, que apanhou bastante. Depois, principalmente, no segundo tempo, segurou demasiadamente a bola, prejudicando o time e "chamando" faltas no meio-campo, sem qualquer perigo para os suíços.

O melhor jogador do Brasil é um atleta individualista. Isso não é novidade, afinal, tem o um-contra-um como ponto forte com seu drible. Não significa que vai jogar de maneira individual por 90 minutos, não está em uma quadra de tênis para atuar sozinho. Precisa compreender o que o jogo pede e soltar mais a bola, envolver os companheiros e fortalecer o coletivo com seu individual.

Se a Suíça é o adversário mais forte do Brasil no grupo, a Costa Rica é o mais inferior. Não gosto do termo "obrigação" no esporte, porque denota muitas vezes desrespeito ao adversário, mas é inegável que a seleção brasileira, uma das favoritas ao título, entra em campo pela segunda rodada da Copa com absoluta responsabilidade em vencer.

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Atuação abaixo do potencial, arbitragem, Neymar, rendimento suíço: análise da estreia brasileira na Copa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Rostov (RUS)


Antes do jogo, nas ruas de Rostov, os torcedores brasileiros, em maior número que os suíços, eram só empolgação. Cravavam vitória com larga vantagem. Natural, já que a torcida fica bastante empolgado em dia de jogo, ainda mais em Copa do Mundo. Só que na prática todo mundo sabia que o jogo seria muito difícil, como realmente foi.

A comissão técnica da seleção brasileira sempre colocou a Suíça como o melhor adversário da primeira fase. Além disso, a estreia leva carga maior para todos em campo.

Nos dois últimos amistosos, o Brasil demorou para entender o jogo do adversário. Já contra a Suíça, precisou de apenas cinco minutos para encaixar sua proposta e dominar boa parte do primeiro tempo. O golaço de Philippe Coutinho deu traquilidade para o time, que subiu a marcação e ganhou praticamente toda segunda bola. Não foi ameaçado pelos suíços, mas também parou de finalizar e criar chances de gol.

Sem ser ameaçada, a Suíça voltou a arriscar e saiu mais para o campo ofensivo. Nos últimos dez minutos passou novamente a ter posse de bola superior e tocar bem na intermediária de ataque, mas Alisson não precisou trabalhar.

Neymar durante partida contra a Suiça
Neymar durante partida contra a Suiça Getty Images

Já no segundo tempo, a seleção brasileira voltou dormindo a campo. Willian errou passe, Casemiro fez falta dura e recebeu amarelo. A marcação afrouxou e os suiços avançaram. Na cobrança de escanteio, o meio-campista do Real Madrid errou o tempo de bola, Miranda ficou plantado no chão e Alisson não saiu. Zuber fez o gol, com empurrão no zagueiro brasileiro e falta não marcada.

Tite sacou Casemiro e colocou Fernandinho, depois mandou Renato Augusto a campo na vaga de Paulinho. Coutinho caiu para a direita e Renato passou a criar pela esquerda, além de ajudar a fechar o corredor por onde Lichtsteiner e Shaqiri atacavam com facilidade. O Brasil melhorou apenas nos últimos minutos, quando quase fez o segundo gol com Roberto Firmino, Miranda e depois Renato Augusto.

No final das contas, o Brasil teve 21 finalizações com 53% de posse de bola, mas apenas quatro chutes certos - contra seis no total dos suíços e quatro no alvo. A partida foi complicada como previsto, e apesar do erro da arbitragem no gol de Zuber, a Suíça equilibrou as ações em campo e dificultou ao máximo a atuação brasileira. O árbitro interferiu no resultado, até porque deveria ter consultado o VAR, mas isso não pode diminuir o bom rendimento dos suíços, dentro das limitações que têm.

Sobre Neymar, ele sofreu dez das 19 faltas cometidas pela Suíça. Há duas explicações: segurou muito a bola e os suíços bateram bastante - na prática, ambas estão certas e relacionadas. 

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Mesmo se perder a Copa do Mundo, o Brasil já venceu

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Rostov (RUS)

Tite, durante Brasil x Croácia, em Liverpool
Tite, durante Brasil x Croácia, em Liverpool Lucas Figueiredo/CBF

Em 12 de junho de 2016, havia absoluto descrédito em relação à seleção brasileira. Aos 30 minutos do segundo tempo, Manuel Ruidíaz marcou o gol da vitória do Peru sobre o Brasil por 1 a 0, resultado que eliminou os brasileiros ainda na primeira fase da Copa América. Esse foi o capítulo final do triste e questionável retorno de Dunga ao comando da equipe.

Por outro lado, foi também o episódio que gerou uma grande revolução na seleção. De maneira alguma uma manobra pensada ou planejada pela CBF, e sim uma decisão movida pela pressão popular e racional. Dunga disse adeus e Tite começou a trabalhar.

A partir daí, aconteceu algo que nós, brasileiros, não estamos muito acostumados: a excelência, a competência no trabalho. Não necessariamente vai resultar no título da Copa do Mundo, e aí está algo importante para ser debatido.

Tudo que vem sendo feito não pode ser avaliado apenas pela conquista do Mundial. Vou além: nem mesmo pelo desempenho, somente. A possibilidade de estar na cobertura da seleção brasileira, in loco, desde o primeiro jogo de Tite, no Equador em outubro de 2016, me faz ver coisas que vão muito além do campo.

No caso desse time, o desempenho também tem sido muito bom. Padrão tático, ideias de jogo bem estabelecidas, belas exibições muitas vezes, tudo isso já está evidente para todos que acompanham futebol. Só que não é resultado apenas das ordens de Tite, mas de uma comissão que avalia jogadores, viaja mundo afora para observá-los, investiga os adversários, enfim, faz o dever de casa, só que esse básico nem sempre foi feito. Desde a organização de Edu Gaspar, passando pela competência de pessoas como Fabio Mahseredjian, Bruno Mazziotti e Cléber Xavier, todo estudo que existe no CPA - Centro de Pesquisa e Análise, além da experiência de Taffarel e Sylvinho.

Na coletiva deste sábado, véspera da estreia contra a Suíça, Tite discordou de mim quando disse "que no Brasil, qualificamos um trabaho pelo título" na pergunta que fiz a ele. Para o treinador, isso está mudando. Talvez, mas não sou tão otimista como ele. Ainda acho que em caso de eliminação, a maioria compreenderá como fracasso. Posteriormente, respondeu meu questionamento se o trabalho feito foi bom: "Sim". E foi mesmo.

Sempre haverá questionamentos, algo absolutamente natural. Por que o Taison e não o Arthur ou o Luan? Fágner e não o Rafinha? Fernandinho dentro e Willian fora do time titular? São opções táticas, técnicas, que sempre existirão com quaisquer profissionais. Além disso, Tite não é unanimidade, e o próprio ressaltou isso na coletiva deste sábado - como sempre fez. Ele erra, assim como eu ou qualquer pessoa. Não é deus e não se coloca dessa maneira.

O mais importante é percebermos como o trabalho está sendo bem feito. Na preparação em Sochi, nos detalhes com a presença dos familiares, no clima menos pesado... Muito provavelmente, se a atual comissão técnica tivesse assumido logo após a Copa de 2014, o Brasil estaria ainda melhor. No tempo que teve à disposição, fez da seleção uma força novamente e entra no Mundial como uma das grandes favoritas. Sem qualquer garantia de título, mas com a certeza que tem plenas condições de vencer qualquer adversário.

Independentemente do resultado final, o Brasil já venceu. E o trabalho precisa continuar.

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Mesmo se perder a Copa do Mundo, o Brasil já venceu

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De Santa Cruz Cabrália a Sochi, a relação entre Brasil e Alemanha na Copa da Rússia

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Sochi (RUS)

A Alemanha surpreendeu quando anunciou Santa Cruz Cabrália como sede da seleção na Copa do Mundo de 2014. Mais especificamente a vila de Santo André, um pedaço de terra abençoado pela natureza brasileira, cujo acesso mais fácil é feito apenas por balsa. Não se tratava de um local com o selo Fifa, mas mesmo assim, em parceria com empresários alemães que já investiam na região, a DFB construiu o Campo Bahia.

Lá, por um mês, os jogadores tiveram dias espetaculares. Com o sol baiano na cabeça e o Litoral do Descobrimento a perder de vista, todo elenco e a comissão técnica passaram tardes com seus familiares e amigos se divertindo na praia; Conheceram a cultura local através dos índios Pataxó, visitaram a escola municipal e fizeram doações para o campinho local, cantaram e pularam com os brasileiros ao som de Lepo Lepo. Além disso, ainda ganharam uma Copa do Mundo.

Em meio à tranquilidade e o isolamento geográfico encontrado pela DFB, a Alemanha pôde se preparar adequadamente para o Mundial. Somente um treino aberto - exigido pela Fifa - e um dia de folga; Muitas viagens, mas sempre com o retorno para a vila de Santo André garantido. Até mesmo após a vitória na semifinal contra o Brasil, quando tudo indicava que o time seguiria direto para o Rio de Janeiro, a opção foi retornar à Bahia. Foram campeões porque mereceram no campo, promoveram uma grande revolução em toda estrutura do futebol alemão, mas o ambiente criado em território brasileiro também foi fundamental.

Alemanha e Santa Cruz Cabrália, uma história de amor que terminou em título
Alemanha e Santa Cruz Cabrália, uma história de amor que terminou em título Google - NÃO USAR

Não é segredo que a seleção brasileira usa tudo que foi feito pelos alemães como inspiração. Este jornalista foi convidado por Tite para falar sobre a preparação da Alemanha em 2014 para a comissão técnica brasileira no ano passado. Meu livro "40 dias com a campeã do mundo - histórias e bastidores da Alemanha no Brasil" foi comprado em razoável quantidade pela CBF e distribuído internamente.

Porém, não é necessariamente aplicar o mesmo modelo, copiar o que foi feito pelos alemães, mas sim conhecer, entender e identificar o que poderia ser aplicado à realidade do Brasil. E assim foi feito, com toda experiência de profissionais como Edu Gaspar, coordenador de seleções, de longa carreira na Europa. 

"Família é a base de tudo. Minha esposa, meus filhos, amigos, alguns jogadores trazem amigos. É super importante pra gente. Sem a família é complicado, porque a gente fica tão focado, concentrado, que alguns momentos com a família é super importante. Ter as pessoas que você gosta perto de você é importante", explicou Paulinho nesta quarta-feira.

Um dia antes, tinha sido Alisson o defensor do tema familiar. "Família é tudo pra gente, são eles que estão do nosso lado nos momentos bons, comemorando, mas principalmente nos momentos difíceis, de derrota, de frustração. Tê-los aqui dá uma força maior, é um problema a menos não ter a saudade. Fico três, quatro dias longe da minha família, da minha esposa, e já fico com saudade".

A CBF fez toda logística para jogadores e integrantes da comissão técnica levarem seus familiares e amigos para a Rússia. A maior parte está hospedada no Hotel Pullman, localizado a dez minutos do Swissôtel Resort, casa da seleção neste Mundial. A hospedagem está sendo paga pelos atletas e pelos profissionais.

Os momentos de convívio com os familiares têm sido constantes e sempre registrados nas redes sociais. Nesta quarta, Dona Vera, mãe de Gabriel Jesus, acompanhada da família e dos famosos "parças" do jogador, esteve no local de treinos do Brasil. 

Na segunda-feira, dia de folga geral, foram muitas as fotos publicadas dos jogadores passeando na praia, se divertindo, aproveitando o intenso calor de Sochi. As temperaturas batem na casa dos 30oC durante o dia, e mesmo as noites são bem quentes também. Situação muito diferente da que viveu a seleção em 2014, quando ficou concentrada na gelada Teresópolis.

A entrada pela praia do Campo Bahia em Santo André, no município de Santa Cruz Cabrália
A entrada pela praia do Campo Bahia em Santo André, no município de Santa Cruz Cabrália ESPN.com.br

O próprio hotel onde todo elenco está favorece ao clima descontraído. Os jogadores têm frequentado o lobby, além da área comum, onde hóspedes também têm acesso. Os russos, porém, não estão muito preocupados com os brasileiros. Aliás, essa é uma característica bem evidente da cidade. Acontecerá uma Copa do Mundo em Sochi, mas os russos turistas estão muito mais dispostos a aproveitar a praia de pedras e o mar quente, do que propriamente assistir jogos ou tirar fotos com famosos.

Pela ruas, na orla, nos resorts espalhados por Sochi, ainda impera a tranquilidade e o clima familiar, com pais caminhando com pouca roupa rumo à praia, levando os filhos e todos brinquedos possíveis. "Tivemos pouco tempo aqui, não dá para ter muita impressão, mas a primeira impressão é positiva. Muito bonita a cidade, a praia, o hotel possui estrutura ótima, café da manhã com vista para o mar, campo com totais condições para nos prepararmos da melhor maneira", disse Alisson logo no segundo dia de Rússia.

Santa Cruz Cabrália e Sochi têm muito mais em comum do que brasileiros e russos poderiam imaginar.

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Habemus escalação para o começo da Copa do Mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Viena (AUT)

Pela primeira vez Tite escalou o Brasil com Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro e Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar. Se não houver surpresas com lesões ou suspensões, escalará novamente essa equipe titular contra Suíça e Costa Rica, dois primeiros adversários na Copa.

Ficou evidente que contra times que priorizam a defesa e são bem compactos, a opção em ter Philippe Coutinho como meia central faz todo sentido. No amistoso contra a Rússia, em março, a situação foi a mesma. Assim, Tite ainda guarda no bolso a escalação com Fernandinho desde o início, deixando o meio-campo mais forte na marcação.

No primeiro tempo contra a Áustria, assim como acontecera contra a Croácia, o Brasil teve dificuldade para criar nos primeiros 20 minutos. Na verdade, em Viena se estendeu um pouco mais, inclusive, mas a diferença é que a seleção brasileira foi pouco ameaçada, justamente o contrário do jogo contra os croatas.

Time que iniciou amistoso Brasil x Áustria
Time que iniciou amistoso Brasil x Áustria Getty

Gabriel Jesus foi o melhor na parte inicial, se movimentando muito, abrindo espaço para os companheiros e tendo 100% de aproveitamento nos passes no último terço de campo - 8 de 8. Coutinho começou discreto e cresceu a partir de 25 minutos, quando passou a quebrar a marcação adversária com velocidade, passes rápidos e muitos dribles. 

A partir do gol, impedido de Jesus, a partida ficou mais tranquila. O ponto negativo do primeiro tempo foi Danilo, que fora bem contra a Croácia, mas desta vez se mostrou incapaz de parar David Alaba.

Já o segundo tempo começou bem tenso, com Prödl recebendo o cartão amarelo e Casemiro se desentendendo com Baumgartlinger. Quando a Áustria resolveu ser mais ofensiva, inclusive com a entrada do atacante Burstaller como referência e Arnautovic sendo deslocado para a direita, o contra-ataque foi oferecido aos brasileiros. E Neymar deixou Dragovic sentado no chão.

A partir do segundo gol, não teve graça. A linha de cinco defensores austríacas não assombrava mais. Completamente desmotivada e já modificada com as alterações, a Áustria não ofereceu qualquer perigo. Cabia mais, e quase coube com um golaço de Coutinho, que no final das contas teve grande atuação. Menção honrosa para Willian e para Casemiro.

Outro ponto positivo foi a presença de Neymar em campo por 83 minutos. Ainda vacila em alguns lances, mostra falta de ritmo em outros, mas está totalmente recuperado e vai certamente fazer um grande Mundial.

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Sobre enfrentar sistemas defensivos na Copa do Mundo: a realidade do Brasil

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman, de Viena (AUT)
Seleção brasileira realiza treino em Viena
Seleção brasileira realiza treino em Viena André Mourão/MoWA Press

Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Paulinho, Casemiro e Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar. Essa é a escalação mais ofensiva que a seleção brasileira tem com o atual elenco e dentro da variação tática 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 quando tem que marcar o adversário.

Neste domingo, será o time que entrará em campo para encarar a Áustria, no último amistoso antes da Copa do Mundo. Muito provavelmente, será o mesmo que começará contra Suíça e Costa Rica.

Os três próximo jogos do Brasil serão contra equipes que têm no sistema defensivo o ponto forte. Os austríacos marcam com linha de cinco defensores, tendo Lainer e Alaba fechando pelos lados, além de Dragovic, Prödl e Hinteregger. À frente, uma linha de quatro atletas, bem próxima e compacta, diminuindo ao máximo os espaço para quem ataca.

Contra a Alemanha, na vitória de virada por 2 a 1 no último final de semana, a defesa funcionou muito bem, apesar da falha do goleiro Siebenhand no gol de Özil. A saída para a transição defesa-ataque é rápida e depende muito do lateral do Bayern. Com a bola, avança no 3-4-3 ou 3-4-2-1, como Sylvinho, assistente técnico de Tite, define.

É, basicamente, o mesmo conceito aplicado por Óscar Ramírez na Costa Rica, mas sem o mesmo talento à disposição que tem Franco Foda. Foi o padrão adotado nos últimos amistoso, assim como nas eliminatórias, tendo Gamboa e Oviedo como peça fundamentais nas duas alas.


Já Vladimir Petkovic é quem tem em mãos melhor pé-de-obra. A Suíça não tem o mesmo padrão tático, mas carrega as virtudes defensivas dos austríacos: compactação, boa marcação alta e baixa, conceito defensivo bem estabelecido e absorvido pelos jogadores.

A variação suíça tem sido o 4-3-3 na fase ofensiva para o 4-1-4-1 na recomposição ou o bem tradicional em tempos modernos 4-2-3-1 para 4-4-2, as famosas duas linhas de quatro. Valon Behrami e Granit Xhaka são os responsáveis pela saída de bola e alteração de esquema, com o segundo recuando entre as linhas ou avançando para o meio ao lado de Blerim Dzemaili ou Remo Freuler.

A Sérvia, terceira adversária, não deve propor o jogo contra o Brasil, mas tem ideias um pouco mais avançadas ofensivamente. Com o técnico Mladen Krstajic, a variação tem sido a tradicional citada dois parágrafos acima, do 4-2-3-1 para o 4-4-2. E por ser o derradeiro jogo da fase de grupos, a classificação pode mudar completamente o panorama esperado.


Contra tudo isso, e não necessariamente contra todos, a opção Coutinho por dentro é excelente. O meia do Barcelona ganha liberdade para flutuar como um meia, mas vai naturalmente cair pela esquerda e deixar esse setor com absurda qualidade ao lado ou trocando de posição com Neymar e ainda tendo os avanços de Marcelo - Casemiro precisará repetir os movimentos de Real Madrid para a cobertura. Na direita, Willian dá amplitude e jogo forte no um contra um, com Danilo segurando ao lado dos zagueiros. Por dentro, Paulinho, como o próprio já explicou, colabora mais na recomposição, mas não perde o "pisar na área".

Organização defensiva, velocidade na transição, concentração, muita movimentação quando tem a bola, ultrapassagens dos laterais ou dos extremos, chegada na grande área, posse de bola com finalizações certas, controle do jogo, todos esses são conceitos desse time brasileiro que têm sido exaustivamente treinados nos últimos meses. A seleção precisará precisará de paciência muitas vezes para quebrar a marcação adversária e não se desesperar.

O Brasil tem que evoluir durante a Copa para ser campeão, até mesmo pelos percalços que surgiram - ausência de Daniel Alves, lesão de Neymar, queda técnica de Renato Augusto. De qualquer modo, o trabalho da comissão técnica está sendo muito bem feito.


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